30 dezembro 2009

América Latina (II)








2009: A direita em desespero

Wladimir Pomar escreve:

Não há nada de estranho acontecendo na América Latina e no Brasil. Apenas ocorreu que, depois de anos de desorganização econômica e domínio das políticas neoliberais, as forças populares, em aliança ou não com setores da pequena burguesia e da burguesia, chegaram ao governo em diferentes países da região, desde o início do século XXI.

A rigor, não houve qualquer revolução social. É evidente que se podem considerar as vitórias eleitorais do metalúrgico Lula e do indígena Evo como revoluções culturais. Dentro das regras de perpetuação no poder das antigas classes dominantes, elas colocaram no governo personalidades oriundas de classes sociais cuja ascensão política era impensável, não só para os dominadores de sempre, mas também para muitos que se proclamavam, e ainda se proclamam, revolucionários.

Em nenhum caso houve a conquista do poder de Estado, nem a bancarrota do antigo sistema de dominação econômica e social. Em todos os países em que as forças populares chegaram ao governo, não ocorreram mudanças nos demais poderes do Estado ou, quando se deram, foram tópicas. E o capitalismo permaneceu sendo o modo de produção dominante, mesmo na Venezuela, cujo governo pretende avançar na construção socialista.

Nas condições em que ocorreram as vitórias eleitorais das forças populares, dificilmente poderia ser diferente. As massas populares deram a seus representantes o mandato de consertar, dentro das regras pseudo-democráticas existentes, as mazelas mais evidentes de seus países, a exemplo da miséria, fome, falta de forças produtivas industriais desenvolvidas, criminalização dos movimentos populares, extrema concentração da riqueza e ausência de soberania nacional.

As massas populares ainda não estão convencidas de que é necessário destruir o antigo sistema estatal e construir um novo, em que os direitos de participação democrática (não apenas eleitoral) possam ser exercidos pela maioria da população. Esta realidade, em que as massas populares conseguiram eleger partidos populares para o governo central, é um problema prático e teórico novo na realidade latino-americana. Como novo é o fato de que esses governos populares terão que desenvolver as forças produtivas com o concurso e também com os problemas e o caos do mercado e da economia capitalista.

Este tem sido o horror dos setores da esquerda que não abandonaram o voluntarismo e acreditam que podem solucionar as questões sem levar em conta a realidade concreta. Não concordam que os governos democráticos e populares, do Brasil e de outros países da América Latina, tenham se tornado, ou estejam se tornando, bons administradores do capitalismo, num contexto histórico muito peculiar. E mal percebem que uma das principais características desse ano que está findando consiste no crescente desespero da direita burguesa contra essa situação ambígua.

As tentativas de desestabilização dos governos de esquerda, através de todos os meios imagináveis (e também inimagináveis), foram a tônica da ação da direita política desses países durante 2009, em Honduras culminando com um golpe de Estado. Para essa direita não importa que o sistema capitalista esteja sendo bem administrado e obtendo lucros.

Ela não aceita que governos dirigidos pela esquerda se diferenciem dos governos das antigas classes dominantes. Abomina como populistas as políticas e medidas de redistribuição menos desigual da renda e de tratamento dos movimentos sociais como movimentos legítimos, sem criminalizá-los. Também não aceita que a antiga subserviência ao Império esteja sendo substituída por políticas externas soberanas. Nem que o Estado, partilhado por estranhos, interfira de forma crescente em seus negócios, inclusive construindo novas empresas estatais.

Ela parece haver se convencido, ao contrário de alguns setores da própria esquerda, de que as políticas acima, combinadas com o apoio à economia familiar e a movimentos produtivos solidários, gerenciados pelos próprios trabalhadores, possam resultar, mais cedo ou mais tarde, no crescimento da mobilização popular e em mudanças indesejáveis para as classes dominantes que, perdurando por mais tempo, podem estimular tendências e consciência socialistas.

As vitórias da esquerda no Equador, Paraguai, Uruguai e Bolívia estão açulando o desespero da direita brasileira e latino-americana. O ataque da Folha de São Paulo, de cunho fascista, na tentativa de desqualificar Lula como principal cabo eleitoral de Dilma Roussef, é apenas a parte visível do iceberg do reacionarismo da direita em relação a seu governo. Aliás, o mesmo reacionarismo que tentou desmembrar a Bolívia, vive inventando motivos para derrubar Chávez, militariza a Colômbia, busca emparedar Lugo e colocou Zelaya na geladeira.

Essa direita brasileira e latino-americana está sendo estimulada pelos fundamentalistas do Partido Republicano dos Estados Unidos, que consideram qualquer mudança à direita, no tabuleiro centro e sul-americano, uma ajuda à sua agressividade contra o governo Obama. Sonham com a reconquista direitista dos governos latino-americanos, para pressionar o governo Obama a ser menos frouxo com os impérios do mal.

Em tais condições, não será surpresa se 2009 for tido como preâmbulo de uma forte contra-ofensiva contra governos que uma parte da esquerda classifica de direitistas ou centristas.

*Wladimir Pomar é escritor e analista político.

Fonte: Correio da Cidadania - http://www.correiocidadania.com.br

Sob investigação













PF abre inquérito para investigar licitações de programa do governo Fogaça

Marco Weissheimer* escreve:

A Polícia Federal abriu inquérito para investigar as licitações do Programa Integrado Sócio-Ambiental da Prefeitura de Porto Alegre. O superintendente da PF no Rio Grande do Sul, delegado Ildo Gasparetto, confirmou hoje, em entrevista à rádio CBN, que o inquérito foi aberto dia 24 de dezembro. A CPI da Corrupção revelou indícios de irregularidades em licitações de obras do programa que envolve recursos da ordem de R$ 586 milhões.

Segundo apontou a presidente da CPI da Corrupção, deputada Stela Farias (PT), licitações teriam sido direcionadas e obras divididas para beneficiar integrantes do esquema. Investigações preliminares teriam descoberto indícios de combinação prévia de valores e empresas vencedoras das licitações. Um grupo de empresários teria tido acesso aos projetos meses antes do lançamento das respectivas licitações. O superfaturamento envolvendo apenas um lote do projeto já seria maior do que a fraude no Detran, chegando a cerca de R$ 61 milhões. Uma conversa gravada revelaria que a pauta de uma reunião entre um secretário do município e empreiteiras seria o “combinado com o lado de lá” e que 1,25% iria para o “PM”.

Outras gravações mostraram articulações entre empresários e o secretário municipal da Fazenda de Porto Alegre, Cristiano Tatsch. Desde janeiro de 2008, um mês antes do primeiro lançamento do edital do Socioambiental, Cristiano Tatsch conversava sobre detalhes do processo licitatório com Marco Antônio Camino, da MAC Engenharia.

*Jornalista, editor do blog RS Urgente - http://rsurgente.opsblog.org/

Foto: prefeito José Fogaça (PMDB) e governadora Yeda Crusius (PSDB)

**Grifos deste blog

28 dezembro 2009

América Latina







A década da América Latina

Emir Sader* escreve:

A década de 1990 foi das piores que a América Latina já viveu. A crise da dívida – com suas conseqüências: FMI, cartas de intenção, ajustes fiscais, etc. – e as ditaduras militares abriram o caminho para que se impusessem governos neoliberais em praticamente todo o continente. Passamos a ser a região do mundo com a maior quantidade de governos neoliberais e com suas modalidades mais radicais.

A capacidade de reação da América Latina se revelou na sua capacidade de reverter radicalmente esse quadro: passamos a ser a região que concentra aos governos eleitos pela rejeição do neoliberalismo, que abriga processos de integração regional independentemente dos EUA, que promove formas inovadoras de integração fora da lógica mercantil.

Lideres latinoamericanos como Lula, Hugo Chavez, Evo Morales, Rafael Correa, entre outros, se projetaram internacionalmente, por sua capacidade de encarnar as necessidades dos seus povos. A Bolívia, o Equador e a Venezuela se somaram a Cuba, com os países que - conforme a Unesco - , terminaram com o analfabetismo.

Os países que optaram pela integração regional e não por Tratados de Livre Comércio, expandiram suas economias, distribuíram renda, avançaram nos direitos sociais da sua população, extenderam notavelmente o mercado interno de consumo popular, diversificaram seu comércio exterior, aumentaram significativamente o comércio entre eles.

Na década anterior, a América Latina havia sido reduzida à intranscendência. Governantes subalternos – Menem, Fujimori, FHC, Carlos Andrés Perez, Carlos Salinas de Gortari – tinham aplicado mecanicamente o mesmo modelo neoliberal, enfraquecido o Estado, a soberania, as economias nacionais. Os governos dos países que assumiram os programas neoliberais não incomodavam ninguém, havia reduzido nossos Estados a subseqüentes perdedores da globalização, que a aplaudiam, às custas da deteriorização ainda maior da situação dos povos dos nossos países.

A primeira década do novo século apresenta uma nova América Latina, com a maior quantidade de governos progressistas que o continente jamais teve. Com processos de integração regional fortalecidos – do Mercosul à Alba, do Banco do Sul à Unasul, do Conselho Sulamericano de Segurança ao Parlamento do Mercosul, entre outras iniciativas. Desenvolveu-se a Operação Milagre, que já permitiu recuperar a visão a mais de 2 milhões de pessoas, que de outra maneira não teriam possibilidade de recuperar a vista. Formaram-se novas gerações de médicos pobres na melhor medicina social do mundo – a cubana – nas Escolas Latinoamericanas de Medicina.

As crises econômicas da década anterior, típicas do neoliberalismo, que debilitaram a capacidade de defesa dos Estados nacionais diante do capital especulativo, que promoveu, entre tantas outras crises, as do México de 1994, do Brasil de 1999 e da Argentina de 2001-02, devastaram as economias desses países. O Brasil de FHC deixou um país em recessão prolongada e profunda para Lula, a quem coube superar a crise com políticas de desenvolvimento econômico.

Na década que termina, os países latinoamericanos que participam dos processos de integração regional – com destaque para o Brasil, a Bolívia, o Uruguai, o Equador – superaram a crise, desatada pelos países centrais do capitalismo, que ainda estão em recessão, que deverá se prolongar ainda por um bom tempo. Revelou a capacidade desses países de diversificar seu comércio exterior, de intensificar o comercio intraregional e de seguir expandindo o mercado interno de consumo popular.

A América Latina mostra hoje ao mundo a cara – imposta pela predominância de governos progressistas – de um continente em expansão econômica, afirmando sua soberania – em questões econômicas, políticas e de segurança regional -, melhorando a situação social do povo, consolidando políticas internacionais que intervêm na decisão dos grandes temas mundiais. Foi, sem dúvida, esta primeira década do novo século, a década da América Latina, que se projeta para a segunda década como um dos exemplos de luta na superação do neoliberalismo e de construção de sociedades mais justas e solidárias.

*Sociólogo, professor universitário e escritor.

**Fonte: Blog do Emir - http://www.cartamaior.com.br

27 dezembro 2009

Coluna C&A


















Crítica & Autocrítica – nº 62

* O jornal francês Le Monde (um dos mais respeitados e influentes do planeta) explica os motivos que o levaram a escolher o presidente Lula como ‘O Homem do Ano’: “ (...) o presidente brasileiro, de 64 anos, colocou decididamente seu país em uma dinâmica de desenvolvimento”. (...) “O presidente brasileiro, que no fim de 2010 deixará a presidência sem ter tentado modificar a Constituição para concorrer a um terceiro mandato, soube continuar sendo um democrata, lutando contra a pobreza sem ignorar os motores de um crescimento mais respeitoso dos equilíbrios naturais”.

* Diz mais o Le Monde: “Presidente do Brasil desde 1º de janeiro de 2003, ao fim de dois mandatos terá dado uma nova imagem a América Latina”. E ainda: “A consagração de Lula acompanha a renovação do Brasil”. E complementa: “Carismático, de sorriso fácil e jovial, Lula, nascido em 27 de outubro de 1945 no estado de Pernambuco, ex-torneiro mecânico e sindicalista, transformou o Brasil em ator essencial do cenário internacional. Diplomacia, comércio, energia, clima, imigração, espaço, droga: tudo lhe interessa e diz respeito.”

* O jornal espanhol El País também já havia escolhido Lula como ‘Personalidade do Ano’, destacando que “Quando foi eleito para um segundo e último mandato, Lula disse que o Brasil estava cansado de ser uma potência emergente e que havia chegado a hora de o país se tornar um país desenvolvido sem andar para trás outra vez. Esta é a ambição com que Lula passará à história”.

* E, depois, tem gente que não sabe (ou se faz, não é, Fernando Henrique?) porque o presidente Lula e seu governo tem índices de aprovação popular que superam a casa dos 80%.

* E por falar no presidente Lula, tive a oportunidade - e o prazer - de assistir esta semana, em pré-estréia, ao filme 'Lula, o Filho do Brasil', no cinema Artplex do Bourbon Country, em Porto Alegre. O convite me foi enviado pelo produtor Luiz Carlos Barreto, através do escritório político dos companheiros Paulo Ferreira e Júlio Quadros. Foi uma sessão especial, direcionada para as entidades sindicais do Rio Grande do Sul, lideranças políticas e setores vinculados à cultura e à comunicação, principalmente.

* Esteve também presente o ator Ruy Ricardo Dias, que interpreta o LULA em sua fase de líder ascendente e inconteste do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, no final dos anos 70 e início da década de 80.

*' Lula, o Filho do Brasil', dirigido por Fábio Barreto, que está hospitalizado no Rio de Janeiro devido ao grave acidente automobilístico sofrido recentemente, estréia nos cinemas brasileiros em 1º de janeiro de 2010. Imperdível!

* Está aberta a temporada de pesquisas eleitorais e de vaticínios de toda ordem sobre as eleições do ano vindouro, sobretudo no RS, onde a nada isenta RBS (principalmente), despudorada como sempre, que já descartou a criatura que construiu na eleição passada (Yeda), agora assumiu de vez a candidatura do alcaide-mor de Porto Alegre, José 'sonolento' Fogaça; e, para dar uma 'mãozinha' ao seu candidato, dentre outras impropriedades, alardeia - juntamente com seus arautos 'conscientes e inconscientes' - aos quatro ventos o 'isolamento do PT' (leia-se de Tarso Genro, pré-candidato do partido ao governo do Estado). O jogo mal iniciou mas, para o PRBS e outros 'analistas apressados' (para dizer o mínimo), parece já estar na prorrogação...

* A propósito de pesquisas eleitorais, sugiro a leitura da postagem Confiabilidade zero, do sociólogo Cristóvão Feil: "Não dou o crédito equivalente a uma moeda de cinco centavos a esse Instituto Methodus, que realiza o que chama de "pesquisa" para saber quem está ponteando a corrida eleitoral de 2010. Não só esse instituto, outros também. Não merecem crédito. Essas pesquisas não são confiáveis. Os critérios e o ferramental usados por todas essas entidades de "pesquisa" são inadequados e falhos. O resultado é um arranjo harmônico entre o que se chama de "bom-senso" (seja lá o que isso signifique) e um cálculo tendencioso orientado por modelinhos pré-formatados a partir do padrão de consumo dos entrevistados." (...) Leia em http://diariogauche.blogspot.com/search?updated-max=2009-12-15T07%3A08%3A00-02%3A00&max-results=10

* Ampliando meu leque de intervenção, firmei recentemente parceria (para trabalhar como consultor) com duas conceituadas empresas: a Fundação La Salle (que atua principalmente na preparação de concursos públicos e processos seletivos, com sede em Canoas/RS) e com a e-saberes, empresa de Consultoria e Treinamento, também com sede em Canoas/RS.

* A Fundação La Salle (integrante da congregação Lassalista, presente em 80 países), proporciona uma nova e segura opção de regulamentação e qualificação do quadro funcional público (atenção, senhores prefeitos!), de uma forma legal, segura e vantajosa em termos de flexibilidade e economia; com estrutura própria, disponibiliza condições para realizar o processo de uma forma eficaz em termos de gestão de pessoas.

* A e-saberes define-se como ‘uma empresa de consultoria e treinamento que prima pelo respeito as peculiaridades do cliente, e tem como objetivo ajudar as organizações a refletirem sobre sua essência, sua cultura, através da análise do ambiente, do mercado, dos seus processos e das pessoas, preparando-as para realizarem mudanças’. Atua principalmente com: Avaliação de desempenho; Mapeamento de competências; Construção de políticas de RH; Construção de políticas comerciais; Estruturação de equipes de vendas; Planejamento estratégico; Plano de marketing; Plano de comercialização e Plano de comunicação.

* Para conhecer melhor a Fundação La Salle, acesse o endereço www.fundacaolasalle.org.br

* Para visitar a e-saberes, acesse o sítio www.e-saberes.com.br/

* Contatos para a realização de entrevistas visando obtenção de orçamentos e diagnósticos podem ser feitos através do meu e-mail juliocsgarcia@bol.com.br ou ainda pelo cel. 51-92468966.

* Tive a satisfação de almoçar recentemente - e trocar muitas e interessantes idéias - com o desembargador, pecuarista, músico e advogado militante Ruy Gessinger, juntamente com o vereador Adeli Sell, vice-presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (recentemente eleito presidente do PT da capital gaúcha), com quem também estou desenvolvendo um interessante trabalho na área de consultoria política e jurídica. Economia, cultura, gastronomia, política e outras amenidades acompanharam o ótimo almoço realizado no Varietá Bistrô, no Rua da Praia Shoping. Para ver mais detalhes do almoço, acesse o blog do Ruy Gessinger: http://blog.gessinger.com.br/

* O titular da coluna (que tirará à partir da próxima semana uns dias de férias) aproveita para desejar aos seus leitores boas festas e um ótimo Ano Novo! (Por Júlio Garcia, especial para ‘O Boqueirão)

**Foto: discurso do presidente Lula na ONU

(Atualizada em 27/12/2009, às 22,27 h)

*Crítica & Autocrítica - coluna eletrônica que mantenho (i)regularmente no Blog 'O Boqueirão' - http://oboqueirao.zip.net/

25 dezembro 2009

Carmina Burana



Carmina Burana (Carl Orff) - UC Davis University Chorus, Alumni Chorus, Symphony Orchestra, and the Pacific Boychoir - Maestro Jeffrey Thomas

Oh Fortuna!

Oh, fortuna,
Variável
Como a lua,
Sempre cresces
Ou minguas;
Detestável
Ora frustra
Ora satisfaz
Com zombaria os desejos da mente,
À pobreza
E ao poder
Dissolve como se fossem gelo.

Sorte monstruosa
E vã,
Tu, roda a girar,
A aflição
E o vão bem-estar
Sempre se dissolvem
Tenebrosa
E velada
Atacas-me também;
Agora por teu capricho
Costas nuas
Trago sob teu ataque.
Senhora do bem-estar
E da virtude,
Estás agora contra mim;
Nesta hora
Sem demora
Tocai as cordas;
Pois que a sorte
Esmaga o forte
Chorai todos comigo.

24 dezembro 2009

Poema de Natal













Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos
- Por isso temos braços longos para os adeuses

Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos
- Por isso precisamos velar

Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai
- Mas que essa hora não esqueça

E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte
- De repente nunca mais esperaremos…

Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.


Vinicius de Moraes

22 dezembro 2009

Lula, o filme

Pré-estréia de Lula, o Filho do Brasil

Tive a oportunidade - e o prazer - de assistir hoje, em pré-estréia, ao filme 'Lula, o Filho do Brasil', no cinema Artplex do Bourbon Country, em Porto Alegre.

O convite me foi enviado pelo produtor Luiz Carlos Barreto, através do escritório político dos companheiros Paulo Ferreira e Júlio Quadros. Foi uma sessão especial, direcionada para as entidades sindicais do Rio Grande do Sul, lideranças políticas e setores vinculados à cultura e à comunicação, principalmente.

Esteve também presente o ator Ruy Ricardo Dias, que interpreta o LULA em sua fase de líder ascendente e inconteste do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, no final dos anos 70 e início da década de 80.

À seguir, uma 'palha' (trailer oficial) do belo filme dirigido por Fábio Barreto, que está hospitalizado no Rio de Janeiro - devido ao grave acidente automobilístico sofrido no final-de-semana - e por quem foi feita, ao final da apresentação (muito aplaudida), uma 'corrente' pelo seu pronto restabelecimento.

'Lula, o Filho do Brasil'
estreiará nos cinemas brasileiros em janeiro de 2010.

Imperdível!


Pacote desmanchado













Pressão de professores e brigadianos faz governo Yeda recuar

Porto Alegre/RS - Portal PTSul - Passava 15 minutos do meio-dia da chamada super-terça de votações quando o presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Brigada Militar, Leonel Lucas, informou aos jornalistas na antesala do plenário da Assembleia Legislativa que o governo decidira derrotar o próprio projeto que estava em apreciação e apresentar requerimentos retirando a urgência de mais 15 projetos, entre eles os que haviam gerado a greve proclamada pelo Cpers. Naquele momento, o representante dos brigadianos saia de uma reunião com o líder do governo, deputado Pedro Westphalen (PP), que, em seguida, convocou as lideranças para comunicar o acordo que fizera com os servidores.

No plenário, as galerias lotadas de brigadianos e professores cantavam o hino gaúcho, ainda sem a informação, mas convictas de que naquele momento já não havia condições de o governo garantir os 28 votos necessários para aprovar o projeto que aumentava a alíquota de contribuição previdenciária dos soldados, cabos, sargentos e tenentes da Brigada e nem para garantir a aprovação dos outros projetos do "pacote de natal" do Executivo. A pressão das galerias, os discursos dos deputados da oposição e as divergências na base do governo haviam derrotado as pretensões da governadora.

Desde às 11h10, deputados de oposição se revezaram na tribuna para sustentar o equívoco do governo no encaminhamento dos projetos em regime de urgência. “O povo gaúcho quer um serviço de segurança de qualidade, com brigadianos valorizados e de cabeça erguida”, disse o deputado Ronaldo Zülke (PT), convidando os parlamentares a votarem contra o que chamou de "arrogância e prepotência da governadora”.

O deputado Fabiano Pereira (PT) chamou a atenção para o paradoxo de uma governadora que declara aos jornais estar "de bem com a vida", enquanto pretende acabar com o piso nacional dos professores, aumentar a contribuição dos soldados da Brigada e retirar a televisão pública do Rio Grande do Sul de suas dependências. “É difícil entender como uma pessoa pode estar tão bem fazendo tantas maldades”, concluiu.

Já o deputado e ativista do movimento dos sem-terra Dionilso Marcon (PT) disse que, mesmo tendo estado muitas vezes em trincheiras opostas a dos brigadianos, sabia reconhecer o lado dos que lutam por justiça. “Para os pequenos o governo oferece um pé no pescoço. Para os grandes, libera privilégios”, sintetizou. “Os brigadianos precisam de um bom salário e de reconhecimento”, defendeu o deputado Adão Villaverde (PT). “A solução para a previdência não pode ser alcançada às custas dos servidores”, arrematou.

Vitória dos que dormiram nos colchonetes

Ao meio dia e vinte e cinco minutos, quando a sessão foi retomada, a informação de que o governo recuara já era conhecida de todos os presentes. O líder do governo, deputado Pedro Westphalen, ocupou a tribuna para explicar a orientação do governo. “Libero a base para votar como quiser e oriento no sentido de votarmos contra o projeto”, disse, oficializando aos parlamentares o compromisso que assumira com as categorias.

Em seguida, o líder da bancada do PT, deputado Elvino Bohn Gass, também da tribuna, sustentou que a sessão extraordinária que se encerrava ficaria registrada na memória política do Rio Grande do Sul. Referindo-se ao pacote do Executivo, que havia sido chamado de "pacote de bondades", declarou: “Se estas são as bondades da governadora, fiquemos longe das suas bondades”. Para o parlamentar petista, o recuo do governo foi fruto de um movimento realizado pelas categorias e pelas bancadas da oposição que impôs o diálogo e o respeito como método. “Toda a vez que negociamos, falávamos com o governo, mas mirávamos nos olhos e nos sentimentos dessas categorias lutadoras. A vitória é daqueles que dormiram nos colchonetes na praça da Matriz”, disse, sob aplausos.

Era uma e meia da tarde quando a batalha de natal se encerrou com a derrota do governo estampada nos 51 votos contrários ao seu projeto e favoráveis aos requerimentos que retiraram a urgência dos 15 projetos polêmicos. A comemoração, que juntou parlamentares e lideranças sindicais, estendeu-se para a praça, onde centenas de funcionários públicos, de súbito, reencontraram-se com a força de sua própria mobilização. (Por João Ferrer)

*Grifos deste blog

Mobilização













Educadores voltam à Praça da Matriz nesta terça-feira

Porto Alegre/RS - A forte pressão exercida na semana passada foi fundamental para impedir a votação dos projetos que atacam direitos dos servidores e destroem os serviços públicos. Por isso, os educadores estarão novamente na Praça da Matriz nesta terça-feira 22 pressionando pela retirada ou pela rejeição dos projetos.

Os projetos voltam à pauta a partir das 10 horas, em sessão extraordinária. No período da tarde, às 14 horas, os deputados reúnem-se em sessão ordinária. Mas o presidente do Legislativo, Ivar Pavan, já avisou que outras seções extraordinárias poderão ser feitas durante o dia e, se preciso, à noite. (Por João dos Santos e Silva).

Fonte: sítio http://www.cpers.org.br

No Varietá









'UM BAITA ALMOÇO COM ADELI SELL E JÚLIO GARCIA'


(Do Blog do Ruy Gessinger): Que beleza: Shopping Rua da Praia, Restaurante Varietá Bistrô, mesas bem arrumadas, com abat-jours, só gente bonita, entram Adeli, com seu indefectível chapéu e o bem lançado santiaguense Júlio Garcia. Para quem não sabe, Adeli é o próximo presidente do PT da Capital.

Pedimos pãezinhos de queijo quentes com vários molhos, entrecot de angus, cebolas a milaneza e batatas noisette.

A conversa fluiu maravilhosa. Adeli e Júlio querem sugestões para um plano de metas no que tange à Pecuária. Falei várias coisas que Adeli anotou.Me querem para uma reunião maior. Irei com o maior prazer, pois a vitória de Tarso Genro é concreta e não tenho por que deixar de auxiliar e sugerir.

Preconizo uma maior presença do Banrisul no suporte aos médios produtores, financiando suas vendas mediante a simples apresentação da nota do produtor com a Guia de Transporte Animal ( GTA). E muita coisa mais.

Despedi-me e fui para a TV Pampa onde Paulo Sérgio Pinto e eu entrevistamos Germano Rigotto.

Isso será assunto de postagem amanhã.

http://blog.gessinger.com.br/

***
Nota do blog: Da nossa parte (Adeli e eu), também foi uma grande satisfação a oportunidade de almoçarmos e trocarmos idéias com o desembargador Ruy Gessinger (foto acima). Economia, cultura, gastronomia, política e outras amenidades acompanharam o ótimo almoço que tivemos ontem. Eram tantos os assuntos - e o tempo tão escasso - que tivemos que agendar outro para os próximos dias... (JG)

21 dezembro 2009

CPI da Corrupção






Relatório da oposição propõe o indiciamento da governadora, de deputados e de secretários de Estado

Porto Alegre/RS - A presidenta da CPI da Corrupção, Stela Farias (PT), apresentou, em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (21), a síntese do relatório paralelo elaborado pela oposição. O documento propõe o indiciamento de 33 pessoas por improbidade administrativa e fraude. Entre os indiciados estão a governadora Yeda Crusius, o deputado federal Eliseu Padilha (PMDB), o deputado estadual Alceu Moreira (PMDB), o secretário de Habitação, Marco Alba, o secretário de Irrigação, Rogério Porto, além de empreiteiros e servidores públicos.

Segundo a parlamentar (foto), as fraudes constatadas pela CPI só foram possíveis porque tiveram a cobertura de agentes políticos. “O funcionamento de esquemas de corrupção organizados a partir de chefes políticos vem drenando recursos públicos e envolve a estrutura suprapartidária que garante o apoio político institucional ao governo Yeda”, sintetizou.

Ingerência política

O primeiro ponto do relatório diz respeito à dívida de R$ 16 milhões cobrada do Estado pela empresa Atento Service. A oposição concluiu, a partir dos depoimentos dos ex-presidentes do Detran Estella Máris Simon e Sérgio Buchmann, que houve prática de ingerência política na autarquia para favorecer interesses privados. Os parlamentares propõem o indiciamento da própria governadora por improbidade administrativa e do ex-secretário da Transparência Carlos Otaviano Brenner de Moraes por advocacia administrativa e ato contra a probidade administrativa.

Em relação às licitações das barragens Jaguari e Taquarembó, a oposição concluiu que houve direcionamento dos certames e conhecimento prévio dos editais e projetos por empreiteiras. Conforme a presidenta da comissão de inquérito, ficou evidente que os empresários Marco Antônio Camino, sócio da MAC Engenharia, e Edgar Cândia, dono da Magna Engenharia, albergados pela influência política do deputado Eliseu Padilha, interferiram no resultado do certame. “Vários meses antes do lançamento da licitação, os projetos básicos foram fornecidos aos empresários, que sugeriram alterações com o objetivo de restringir, artificialmente, os interessados nas concorrências”, frisou.

Em função da fraude nas licitações das barragens, a oposição propôs o indiciamento da governadora; do deputado federal Eliseu Padilha; do secretário de Irrigação, Rogério Porto; da assessora especial Walna Vilarins Menezes; do ex-secretário de Obras Coffy Rodrigues; da ex-presidente da Fepam, Ana Pellini; dos empreiteiros Marco Antônio Camino e Edgar Cândia; da lobista Neide Bernardes e do funcionário da MAC Engenharia João Carlos Timm.

A oposição concluiu também que houve fraude em licitações de obras de saneamento sob a responsabilidade da Secretaria da Habitação e da Corsan. Além do favorecimento a empresas que integram a quadrilha montada para fraudar licitações públicas, os deputados detectaram, através da análise do material sigiloso disponibilizado pela Justiça Federal, o pagamento de propina a agentes políticos. Foram indiciados o secretário Marco Alba; o presidente da Corsan, Luiz Zaffalon; o diretor da Corsan, Carlos Júlio Martinez; Juvir Costella, chefe de gabinete do secretário de Habitação, além de empreiteiros.

A oposição detectou, ainda, irregularidades em licitações de obras em estradas estaduais. Além do direcionamento dos certames, houve o pagamento de propina a parlamentares. Conforme o relatório da oposição, os deputados Eliseu Padilha e Alceu Moreira, ambos do PMDB, usaram a influência política para interferir nos processos licitatórios. A oposição indiciou os dois parlamentares; o diretor do DAER, José Rocha Paiva; o ex-diretor do departamento, Ricardo Guimarães Moura; e o empresário Marco Antônio Camino.

Projeto Socioambiental

De acordo com o relatório paralelo, há fortes indícios de que o proprietário da MAC Engenharia e o empreiteiro Odilon Alberto Menezes, dono da Construtora Sacchi, sejam os responsáveis pela montagem e distribuição das licitações das obras do projeto Socioambiental, da prefeitura de Porto Alegre. Além disso, os oposicionistas apontaram a prática de improbidade administrativa pelo secretário da Fazenda da Capital, Cristiano Tasch. Segundo as investigações, o secretário viabilizou a constituição de uma comissão integrada por representantes do Poder Público e de empresas interessadas nos certames com a finalidade de determinar os valores pelos quais as obras seriam ofertadas aos próprios participantes da comissão.

No episódio da aquisição de uma mansão pela governadora, um dos objetos de investigação da CPI, a oposição concluiu que houve “quebra dos deveres de honestidade, legalidade e lealdade às instituições, além de indícios de enriquecimento ilícito”. O relatório paralelo apontou quatro versões diferentes para o pagamento do imóvel. Três delas foram apresentadas pela governadora e por seus advogados. A quarta, completamente diferente das demais, foi mencionada por Lair Ferst, um dos coordenadores da campanha tucana ao Piratini, e por outros integrantes do governo e da base aliada em interceptações telefônicas e conversas narradas ao Ministério Público Federal. Neste item, a oposição pediu o indiciamento da governadora, de seu ex-marido Carlos Crusisu e de Delacy Martini, suposto comprador de um apartamento da família Crusius, localizado em Capão da Canoa.

Boicote

A oposição denunciou também o relator da CPI, Coffy Rodrigues (PSDB), por obstrução às investigações. “O relator atuou, deliberadamente, para obstruir as investigações, liderando os deputados da base aliada no movimento de boicote aos trabalhos da comissão de inquérito. O seu relatório é uma peça que concretiza o objetivo de acobertar os envolvidos nas fraudes, muitos deles já indiciados. Ao fazê-lo de forma proporcional, comete, em tese, crime de prevaricação, além de incorrer em desvio ético”, sustenta o documento.

O voto da oposição apresenta também 13 recomendações para aprimorar o sistema de fiscalização e controle do Estado e evitar novas fraudes. Entre as sugestões, estão a criação de mecanismos para viabilizar o controle social sobre a ação político-administrativa do Estado, a outorga ao TCE para expedir medida cautelar de indisponibilidade de bens e a recomposição dos quadros técnicos dos órgãos fiscalizadores.

A oposição sugeriu, ainda, o aprofundamento das investigações sobre empréstimos concedidos pelo Banrisul a empresas fumageiras, acordo judicial firmado entre a Magna Engenharia e a CEEE e sobre a existência de um esquema de arrecadação e distribuição de recursos entre integrantes da cúpula do governo do Estado. (do Sítio PTSul)

*Edição e grifos deste blog

20 dezembro 2009

Deu no Libération












Adeus EUA. Boa-tarde, Brasil!

Anabella Rosemberg escreve:

Copenhage/Dinamarca - (Do Blog do jornal Libération) - É verdade que, sendo eu argentina, o que aqui escrevo parecerá meio esquisito. Paciência. Acabamos de assistir, no quadro da total degringolada das negociações sobre o clima em Copenhague, ao fracasso final de uma superpotência (os EUA) e à vigorosa entrada em cena de uma nação (Brasil) que esperava impaciente para ocupar seu lugar.

Os discursos de Obama e Lula foram muito mais que discursos sobre as questões que se esperava que nossos chefes de Estado devessem resolver em Copenhague. Esses dois discursos, em minha opinião, marcarão para sempre a longa e tortuosa história do declínio do império norte-americano.

Recusar-se a negociar é o primeiro sinal de fraqueza dos “poderosos”. Hoje, Obama não deu qualquer sinal de qualquer flexibilidade possível, nos três temas que pôs sobre a mesa. E isso, depois de ter cuidadosamente evitado assumir que os EUA são os principais responsáveis históricos pela acumulação na atmosfera, de gases de efeito estufa.

Quanto a Lula... tudo é liderança, vontade, desejo, ambição. Evidentemente Lula não é perfeito – mas a questão não é essa. O que interessa é que Lula mostrou aos olhos do mundo que seu país está pronto para jogar o jogo dos grandes, na quadra principal.

Assistimos na 6ª-feira em Copenhague, já disse, ao fracasso de uma superpotência encarquilhada, curvada sobre ela mesma, afogada em instituições anacrônicas, sufocada por lobbies impressionantes, sitiada por mídias que condenam os cidadãos à ignorância e ao medo do próximo, e os fazem sufocar de medo do futuro.

É chegada a hora da potência descomplexada e abertamente ambiciosa e desejante do Presidente Lula. Lula não se assusta ante a tarefa de assumir o comando de um barco quase completamente naufragado.

*Anabella Rosemberg é jornalista. Trabalha no jornal francês Libération. Tradução de Caia Fittipaldi)


**Foto: Lula, Obama e Dilma na COP-15

***Fonte: Blog Grupo Beatrice http://grupobeatrice.blogspot.com

Aécio, Serra, Arruda...














LONGE DOS HOLOFOTES (E DAS ALGEMAS) – SERRA E ARRUDA EM COPENHAGUE

Laerte Braga escreve:

É visível o esforço que o governador de Minas Aécio Pirlimpimpim Neves está fazendo para dissimular o ódio (ódio sim) ao governador de São Paulo José Jânio Serra. As notícias de explosões de raiva em ambientes palacianos ultrapassaram esses ambientes. Aécio foi posto, literalmente, na parede por Serra. Ou desistia de disputar a indicação presidencial com Serra, ou notas “jornalísticas” dos muitos Juca Kfoury que existem por aí iriam mostrar a dependência do governador mineiro em relação à cocaína.

Minas inteira sabe disso e o Mineirão cantou isso em coro num jogo Brasil e Argentina em meados do ano que passado. O que menos importa neste momento é se Aécio como disse o Mineirão “cheira mais que Maradona”. O que mais importa, neste momento, é o caráter chantagista de um dos políticos mais perversos e perigosos de toda a história recente do País, José Jânio Serra.

Corrupto, autoritário, paga o preço que for preciso, qualquer preço, para ser o próximo presidente da República. Não tem um pingo de escrúpulos, ou respeito por qualquer coisa que seja, por quem quer seja, que não ele próprio.

Do jeito dos grandes chefes mafiosos José Serra embarcou para Copenhague com a senadora do DEM Kátia Abreu e um único objetivo real. O de enquadrar o governador de Brasília José Roberto Arruda, uma espécie de pulga que havia se atrevido a chantageá-lo, como fez ele Serra com Aécio. Arruda mandou avisar a Serra que se continuasse a sistemática campanha para o seu impedimento, principalmente no JORNAL NACIONAL, cairia, mas levaria todo mundo com ele.

Copenhague foi o centro das atenções do mundo nessa semana que termina. Serra não tinha, nem tem o que dizer a Copenhague, ao mundo ou ao Brasil e aos brasileiros. É um FHC que não dissimula raiva e atira pelas costas sem a menor preocupação de remorso, nem sabe o que é isso.

Foi lá para exibir-se e liquidar a fatura Arruda. Kátia Abreu, senadora que responde a processos por corrupção, é do DEM, partido de Arruda, foi como pistoleira para o acerto de contas, devida e antecipadamente paga.

Sem saída, pelo menos até que se descubra o que de fato aconteceu em Copenhague e deve ter acontecido um acerto, Arruda é ladrão de galinhas perto de Serra, o governador de São Paulo adicionou um “extra” ao JORNAL NACIONAL (já está comprado desde que começou, há quarenta anos) e acertou pequenos extras com outras empresas, pequenas empresas, para deixar o assunto Arruda morrer. Não interessa a ele nem que se fale tanto no caso e nem que o governador caia atirando.

O acerto com Arruda em Copenhague é para que ele caia e não atire. Leve uma compensação qualquer, para ficar quieto. Dinheiro não falta. Essa gente representa o que há de pior no País (a elite paulista FIESP/DASLU), o latifúndio, os banqueiros, os interesses dos Estados Unidos na Amazônia, no pré-sal e em instalar bases militares no nosso País. Não se trata de mala propriamente dita, mas de imensos baús repletos de dólares para comprar o que for preciso e eliminar obstáculos à chegada do mafioso tucano à presidência da República.

Se Arruda resolver ou resolveu dar uma de herói, azar dele. Vai ser jogado às feras, devorado em seu próprio partido e sair de mãos abanando, quer dizer, só com o que já levou.

O próximo passo de Serra é tentar mostrar a Aécio, através de terceiros, que é um bom negócio ser senador e pode até, quem sabe, virar vice do algoz e esperar um pouco mais. Vice e nada nesse caso é a mesma coisa. Se Aécio vai engolir isso ou não é outra história. Aécio é do tipo também que não tem nem princípios e muito menos condições de decidir assuntos dessa relevância já que vive em Alfa. Quem escolhe a gravata dele é a irmã, não há necessidade de perguntar no twitter como faz o venal William Bonner se alguém quer bom dia.

O risco de Serra é Aécio fazer corpo mole em Minas, deixar a coisa rolar livre e Minas é o segundo colégio eleitoral do Brasil, decisivo para as pretensões criminosas de José Jânio Serra. Mas como há muitos interesses cruzados, muito dinheiro em jogo e tucano vive disso, trapaça, corrupção, chantagem, Aécio é só um cadáver político insepulto.

Virou um Eduardo Azeredo da vida.

De quebra ainda carrega um mala sem alça, Itamar Franco. Pode vir a ser a saída do governador para enfrentar o ministro Hélio Costa, uma espécie de vingança contra Serra e contra a GLOBO, já que o Costa (que ganhou a convenção do PMDB em Minas) é ministro da GLOBO.

É o que chamam de jogo político, de manobras. É só um monte de fatos repugnantes que mostram o estado pútrido do chamado institucional. Gilmar Mendes presidindo o que chamam de Corte Suprema (há ministros dignos). Temer (doublé de tucano/PMDB com laivos petistas e o resultado disso é quero o meu) que já foi encurralado por Serra em pequenas denúncias que podem virar grandes manchetes escandalosas de jornais e redes de tevê compradas pelo tucano (GLOBO, BANDEIRANTES, VEJA, FOLHA DE SÃO PAULO, etc).

Por pior que possa parecer e por mais ofensivo que isso possa soar, ou baixo, Serra, como FHC, ou qualquer tucano, repito qualquer tucano, privatiza mãe ou terceiriza, se por trás do negócio estiver uma gratificação de pelo menos 20%.

Não é um partido, o PSDB, é uma quadrilha que traz a reboque o que há de mais atrasado na política brasileira, o DEM, antigo PFL, antigo PDS, antiga ARENA dos tempos da ditadura militar.

O golpe em Aécio, o acerto de contas com Arruda em Copenhague, as manchetes obtidas em noticiários de tevê, JORNAL NACIONAL principalmente, foi como se tivéssemos com métodos diversos, mas efeitos semelhantes (você pode achar que está morto e está vivo, e pode estar vivo, mas estar morto, caso de Aécio), foi como se tivéssemos o episódio da Noite de São Valentin, onde numa garagem, Al Capone eliminou seus concorrentes de uma só feita.

Resta saber se os brasileiros vão cair no conto do governador “eficiente” de São Paulo alagada, de obras superfaturadas, de uma elite fantasmagórica e fétida que pretende numa simples assinatura de “escritura” mudar a grafia da palavra BRASIL para BRAZIL.

Foi o que FHC começou a fazer é o que Serra quer terminar…

E foi fazer o acerto final longe dos holofotes (e das algemas), numa conferência onde se buscava uma solução, ou um caminho para salvar o planeta da devastação do “progresso” capitalista.

É o jeito deles, passam um filme bonitinho, mas são ordinários. Cínicos à perfeição.

*Laerte Braga é jornalista.

**Fonte: Blog Vi o Mundo http://www.viomundo.com.br/

Foto: governadores José Serra (PSDB) e José Roberto Arruda (ex-DEM)

18 dezembro 2009

Balanço da Confecom
















Confecom, um saldo positivo


José Dirceu escreve:

São infinitamente melhores do que as noticiadas pela mídia conservadora, as medidas aprovadas na 5ª feira à noite, ao final da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Ao contrário do tom do noticiário dos jornalões, TVs e cia, que via de regra dá a cada item aprovado a denominação mais pejorativa que conseguiu encontrar - 'tribunal de mídia', 'cabide de emprego', 'medidas restritivas à liberdade de imprensa', 'censura', etc - o balanço da Confecom é altamente positivo.

Um grande número dentre as mais destacadas propostas aprovadas representa conquistas há muito reivindicadas pela sociedade brasileira. Como elas não têm força de lei, o próximo passo é acelerar e ampliar a luta para que elas sejam transformadas em leis, normas e regulamentos que levem ao fim da ditadura dos monopólios de comunicação na vida brasileira.

Para variar - e oferecer mais do mesmo - a mídia mantém hoje a mesma linha negativa, de críticas e pesados ataques que conferiu ao noticiário sobre a Confecom desde a convocação da Conferência pelo presidente Lula, em fevereio desse ano, e na fase de preparação do encontro.

Bajuladores da ditadura militar

Persiste na cobertura a insistência da imprensa na história de que dentre as 672 propostas aprovadas muitas são restritivas e atentatórias à liberdade de informação, como a criação do Conselho Federal de Jornalismo e a sugestão de elaboração de uma nova lei de imprensa.

Pior foi a apresentadora do Jornal Nacional, Fátima Bernardes, falar que a lei de imprensa é inconstitucional, sem explicar que se referia à elaborada pela ditadura militar, lei derrubada no meio desse ano pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e não a uma lei de imprensa democrática como a proposta na Confecom e existente em todos os países civilizados do mundo.

Lei de Imprensa e ditadura, aliás, que as Organizações Globo apoiaram enquanto lhes interessava bajular o regime militar.

*Fonte: Blog do Zé Dirceu http://www.zedirceu.com.br

Entrevista










‘Vou ser o presidente de todos os petistas, sem exclusões e sem exclusivismos’, diz Adeli Sell

O vereador Adeli Sell (foto), eleito recentemente para presidir o Partido dos Trabalhadores de Porto Alegre a partir de março/2010, concedeu entrevista ao jornal O Cruzeiro, da capital gaúcha. À seguir, os principais trechos:


Adeli Sell falou na entrevista sobre os motivos que o levaram à vitória sobre o vereador Carlos Todeschini (com quem disputou o 2º turno das eleições internas – PED - do PT), quebrando uma hegemonia de 30 anos das principais correntes internas (capitaneadas principalmente pela DS e pelo PT Amplo): “Acredito que vencemos porque aglutinamos segmentos que, em muitos momentos do passado e, em alguns casos, ainda hoje, têm divergências políticas, mas querem reestruturar o partido, voltar a reencantar a militância. Conseguimos ampliar os apoios no 2º turno. Contamos para isso com a garra da nossa militância, com nosso trabalho de construção partidária desde a fundação do PT, bem como pelo trabalho e apoio dos militantes que queriam ver uma nova direção, com mais ousadia para falar para dentro e para fora do partido.”

Sobre as propostas que nortearão sua gestão, Adeli informa que “serão aquelas que o PT discutir e decidir. Mas vou levantar muitos temas que vão da questão do transporte, passando pela questão urbana, até saúde e segurança, para exemplificar, debatendo com todos, tirando posições que eu creio que serão mobilizadoras, ousadas, mas sempre viáveis.”

Adeli também falou sobre as dificuldades financeiras por que passa o PT portoalegrense: “Temos gravíssimos problemas que vamos enfrentar com ousadia. Mas não vamos cristianizar ninguém, pois isto não resolve nada. Vamos olhar para a frente. Buscar todo mundo para resolver estes problemas. Que serão resolvidos, tenha certeza disso”.

Em relação à manutenção (ou não) da sede municipal do partido, há anos funcionando na Av. João Pessoa: “Vamos ver se resolvemos o problema da sede municipal que é alugada e está em péssimas condições, com aluguel alto demais. Estou também fazendo um apelo público para que todos nos procurem para ajudar a sairmos destes impasses. Já estou fazendo a transição com meu amigo e companheiro, atual presidente, ex-vereador Marcelo Danéris, que já pegou a direção do partido numa situação bem difícil. Com unidade e firmeza, vamos dar a volta por cima em seguida, tenho convicção disso.”

Adeli informa que já está fazendo os movimentos necessários para isso: “Fui a Brasília para participar da reunião do Diretório Nacional, estive também na festa dos 30 anos do PT, que por sinal foi um sucesso, com a presença da Ministra Dilma Rousseff, vários ministros, senadores, deputados e muitos militantes partidários. Acertei a realização de três eventos em março, abril e maio, com as Setoriais das Mulheres, Negros e Sindical. Faremos também três fóruns com a ajuda da Direção Nacional do PT."

O trigésimo aniversário do partido será trabalhado com muito carinho: “O PT vai festejar 30 anos no próximo dia 10 de fevereiro. Abriremos o ano com várias atividades. A primeira será dia 19 de janeiro com um jantar com os bancários, que foram os iniciadores do PT aqui no RS. Faremos também várias festas populares em diversas regiões da cidade, socializando assim a comemoração com a participação massiva de nossos militantes, filiados e simpatizantes.”

Outro tema prioritário para ser tratado pela nova direção petista, informa Adeli, é discutir um problema antigo do PT, que é a Comunicação: “Já solicitei ao pessoal da Setorial de Tecnologia para estudar a reforma do site do partido, que é muito precário, para dar um salto de qualidade na comunicação. Nossa inserção na globosfera deverá ser priorizada.”

Em relação à oposição do PT ao governo Fogaça/Fortunatti: “Faremos uma oposição qualificada e respeitosa ao governo municipal, mas cobraremos todas as promessas de governo não cumpridas, que são muitas, porque temos que mostrar ao povo que foi um erro eleger o atual prefeito, e que o PT deve voltar ao Paço Municipal em 2012.”

Sobre as eleições do ano que vem, o próximo presidente do PT de Porto Alegre informa: “Já conversei bastante com o companheiro Raul Pont, que presidirá o partido no Estado à partir de março; estamos neste momento debatendo as possíveis coligações para as eleições de 2010. Vamos construir um discurso e uma prática comum, pois somos um partido político democrático, sempre respeitando as diferenças e agindo o máximo coletivamente. Nós acreditamos que o PT deve fazer um esforço para buscar o PDT para vice do companheiro Tarso Genro, bem como devemos tratar já também da discussão sobre a disputa pela prefeitura de Porto Alegre em 2012. Os governos Rigotto e Yeda (PMDB e PSDB) foram desastrosos para o RS, especialmente este último. Não podemos deixar que uma nova frente anti-PT seja formada, hegemonizada por Fogaça, do PMDB, cujo governo municipal é um desastre político e administrativo.”

Adeli Sell sintetiza como vai atuar na presidência do PT de Porto Alegre pelos próximos três anos: “ Vou ser o presidente da unidade de todos os petistas, sem exclusões e sem exclusivismos. Nenhum tema será tabu para a nossa direção. Todos poderão pautar seus temas e suas idéias.”

*Edição deste blog

COP-15













Presidente Lula faz forte discurso em Copenhage e cobra dos países ricos

Copenhage/Dinamarca - (Ag. Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso mais ácido no último dia da conferência global sobre o clima em Copenhague nesta sexta-feira e disse que o Brasil está disposto a fazer sacrifícios em nome de um acordo climático.

"Confesso que estou um pouco frustrado", disse o presidente no início de seu pronunciamento, sinalizando a elevação no tom das críticas por conta do impasse nas negociações.

"Tem muita gente querendo barganhar as metas (de redução de emissões de gases-estufa). Todos nós poderíamos oferecer um pouco mais se tivéssemos assumido boa vontade nos últimos períodos", disse.

Lula voltou a defender que os países ricos têm responsabilidade maior pela mudança do clima, mas disse que o Brasil está disposto a fazer mais pelo planeta.

"Se for necessário fazer um sacrifício a mais, o Brasil está disposto a colocar dinheiro para ajudar outros países", disse o presidente, numa referência ao financiamento para que países pobres se adaptem e lidem com o aquecimento global, um dos obstáculos para um acordo.

"O Brasil não veio barganhar, nossas metas não precisam de dinheiro externo, planejamos fazer com nossos recursos", acrescentou.

Falando de improviso, Lula reiterou que qualquer acordo assinado em Copenhague tem de manter os princípios do Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 e que prevê que as nações industrializadas, exceto os EUA que não ratificaram o acordo, reduzam suas emissões de gases-estufa até 2012.

Numa aparente referência às exigências de países desenvolvidos de monitoramento das emissões de carbono chinesas, às quais Pequim resiste, Lula disse que "precisamos tomar muito cuidado com essa intrusão nos países em desenvolvimento e nos paises mais pobres".

A resistência da China ao monitoramento de suas emissões foi apontada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, e pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, como um obstáculo para um acordo.

17 dezembro 2009

Encontros e Despedidas



*Maria Rita canta Encontros e Despedidas, de Milton
Nascimento e Fernando Brandt

CONFECOM
















Confecom aprova propostas inovadoras e necessárias

Mesmo enfrentando o boicote e a contrariedade dos representantes patronais, a Conferência de Comunicação aprova propostas que determinam maior fiscalização sobre financiamento de veículos de comunicação e assegura execução de programas educativos e documentários

Brasília/DF - Agência Brasil - O uso de recursos públicos, os financiamentos e o cumprimento de obrigações fiscais por parte dos meios de comunicação deverão ser regulamentados e ter participação popular. A decisão foi tomada hoje (17), no último dia da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). O encontro começou na última segunda-feira (14), em Brasília, e discutiu os mais diversos temas. Os mais polêmicos foram deixados para hoje.

Por essa decisão, serão criados mecanismos de fiscalização para acompanhar o cumprimento das obrigações fiscais e trabalhistas das emissoras e a elaboração de conteúdos. O objetivo, de acordo com os participantes da Confecom, é assegurar a execução de programas educativos que visam à igualdade social e à justiça.

Também foram aprovadas hoje propostas que garantem a criação de programas educativos destinados ao esclarecimento sobre os direitos das mulheres e o combate à violência. Outra iniciativa já aprovada é o estímulo a programas como documentários e noticiários nas emissoras públicas de televisão.

Ontem (16) os 15 grupos de trabalho tentaram fechar as propostas menos controversas e deixaram para hoje as que não obtiveram acordo. Cada grupo de trabalho, integrado por cerca de 100 membros, representa a sociedade civil, empresários e o Poder Público.

Depois de aprovadas, as propostas seguem para o Executivo, que vai analisar e preparar um documento final. O objetivo é elaborar normas de políticas públicas para a comunicação – rádio, televisão, veículos impressos e digitais. (por Renata Giraldi)

*Edição e grifos deste blog

16 dezembro 2009

Fala de Lula na CONFECOM

Alagão em São Paulo














*O 'Alagão do Serra', segundo charge do Bessinha

(Clique na charge para ampliar)

COP















Repressão em Copenhage

Polícia da Dinamarca usou bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes durante conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas


Copenhage - Dinamarca - Cerca de cem pessoas teriam sido presas, e houve enfrentamentos entre manifestantes e policiais. A situação levou a um reforço da segurança em torno do centro de convenções, e participantes foram obrigados a encarar longas filas para entrar.

A apenas três dias do fim da reunião, centenas de pessoas foram impedidas de entrar no Bella Center - a maioria era formada por representantes de organizações não-governamentais.

Por volta de 35 mil pessoas se credenciaram para a reunião climática, mas a sede do encontro, o Bella Center, tem capacidade para apenas 15 mil. Cedendo à pressão, a organização elevou o número para 18 mil.

O negociador-chefe da delegação brasileira, embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, também ficou preso na multidão nesta quarta-feira, quando voltava para o hotel após virar a noite em negociações, que seguem em passo lento.

Troca de comando

No primeiro dia com a presença oficial de chefes de Estado no encontro, a ministra dinamarquesa de Meio Ambiente e Energia, Connie Hedegaard, renunciou ao cargo de presidente da conferência das Nações Unidas para mudanças climáticas em Copenhague.

Connie Hedegaard será substituída pelo primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen.

Hedegaard vinha sendo acusada por representantes de países em desenvolvimento de querer beneficiar os países ricos nas negociações, mas afirmou que a mudança é apenas um procedimento formal, já que seria mais adequado o chefe de governo do país presidir o encontro que reunirá líderes de quase 120 países.

No entanto, no centro de convenções, as discussões parecem estar irremediavelmente paradas em questões como metas para países desenvolvidos e, principalmente, financiamento para redução de emissões de gases do efeito estufa em longo prazo.

Em entrevista ao jornal britânico Financial Times publicada nesta quarta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, chegou a afirmar que os países em desenvolvimento deveriam deixar este objetivo de lado para obter um acordo.

A lentidão é uma das principais críticas dos manifestantes, que temem que a conferência chegue ao fim sem qualquer acordo significativo sobre o combate às mudanças climáticas no planeta.

Filas longas

Diversos líderes mundiais já estão em Copenhague, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participa de encontros a portas fechadas com os presidentes do Suriname, Ronald Venetiaan, e da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, entre outros.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, também já está na capital dinamarquesa e afirmou estar esperançoso sobre um acordo, apesar do atual impasse.

"Há uma boa vontade para se chegar a um acordo", disse Brown, admitindo que essa é provavelmente a negociação mais difícil que já houve.

No entanto, as delegações não conseguiram sequer fechar um acordo preliminar para ser discutido pelos ministros. Isso significa que a Dinamarca, anfitriã da conferência, teve que elaborar um documento baseado nas propostas já discutidas.

A partir deste documento-base, os ministros poderão começar a tentar superar os principais obstáculos:

- Metas de redução para países desenvolvidos: até o momento, não existe consenso sobre um número ou mesmo de que forma essas metas seriam apresentadas – como extensão do Protocolo de Kyoto para os seus signatários (países ricos com exceção dos Estados Unidos) ou em um novo tratado incluindo os americanos.

- Financiamento: a proposta mais próxima de ser aceita é de um fundo de US$ 10 bilhões por ano, para os próximos três anos. Mas não está claro de onde sairiam estes recursos e quem faria as contribuições.

- Redd (mecanismo que incentiva Redução de Emissões geradas por Desmatamento e Degradação Florestas em Países em Desenvolvimento): como mencionado acima, faltam pontos fundamentais.

Suspensão temporária

Na segunda-feira, as negociações foram temporariamente suspensas depois que representantes de países africanos se retiraram em protesto contra o que chamaram de "abandono das metas firmadas no acordo de Kyoto".

Esses países criticaram a organização da conferência por, supostamente, se concentrar apenas nas negociações para um novo acordo climático, em vez de trabalhar paralelamente em uma extensão do Protocolo de Kyoto.

Países emergentes insistem que países desenvolvidos que ratificaram o protocolo devem se comprometer com maiores cortes de emissões dos gases que causam o efeito estufa.

A conferência das Nações Unidas sobre o clima vai até sexta-feira na capital da Dinamarca. (por Eric Brücher Camara, da BBC Brasil)

*Edição e grifos deste blog

15 dezembro 2009

CONFECOM













A mídia não quer discutir seu papel, diz secretário de Audiovisual

Brasília - A comunicação não é privada, mas sim social e, ao confundir seu papel, muitos detentores de concessões – principalmente de canais de TV – têm se recusado a discutir a comunicação no Brasil. Isso, segundo o secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Sílvio Da-Rin (foto) , resulta numa demanda reprimida de debates.

“A Constituição define a comunicação como algo de interesse público. No entanto, a mídia não quer discutir mídia, e os empresários – sobretudo detentores de concessões, principalmente de canais de TV aberta – estão sempre contrários a discutir comunicação no Brasil”, disse Da-Rin hoje (15) à Agência Brasil. Ele é um dos palestrantes da 1ª Conferência Nacional de Comunicação.

De acordo com ele, muitos desses empresários encaram esse serviço como se fosse “um cartório intocável”. “Eles criticam até mesmo o horário político e a Hora do Brasil, como se a comunicação fosse privada, e não social”, disse. “A comunicação social precisa ser regida pelo interesse nacional e pelo interesse público. Os princípios já estão estabelecidos no Art. 221 da Constituição Federal”, acrescentou.

“Há 21 anos o país vem insistindo na regulamentação desse ponto [Artigo 221], mas os detentores do serviço nunca comparecem e nem favorecem a regulamentação. Prova disso é a retirada da Abert [Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão], do evento [1ª Conferência Nacional de Comunicação]”. A Abert, se recusou a participar da Conferência por considerar censura as propostas de estabelecer um controle social da mídia.

Da-Rin lembra que o código que rege a imprensa é de 1962. “É incrível que um documento dessa época ainda seja o mesmo a reger o tema nos dias de hoje. Isso deixa claro o quanto é necessário se buscar uma nova lei de comunicação”. Segundo ele, a conferência terá papel de grande relevância para, no mínimo, aliviar a demanda de discussões sobre o assunto.

Durante os quatro dias de evento, cerca de 1,6 mil delegados de todas as unidades federativas vão discutir políticas de comunicação, mídia e direitos e deveres da cidadania. (Por Pedro Peduzzi, da Agência Brasil)

14 dezembro 2009

Entrevista de FK








Tese da polarização no Estado é um truque, avalia Koutzii

Porto Alegre/RS - O ex-deputado estadual Flavio Koutzii (PT) entende que o discurso de que há uma eterna polarização no Estado entre governo e oposição serve como um truque, já que não se analisa o conteúdo da disputa. Ele interpreta ainda que essa tese está sendo reforçada para preparar a candidatura do peemedebista José Fogaça (PMDB) ao Palácio Piratini. “O senador Pedro Simon (PMDB) retomou esse discurso e o da necessidade de pacificação no Rio Grande do Sul”, observa.

Flávio Koutzii (foto) aponta que a função de “pacificador” para Fogaça seria inadequada, porque o prefeito da Capital “pertence ao mesmo bloco de Yeda Crusius (PSDB)”. E também porque “as turbulências no Piratini surgiram dentro do próprio governo e não pela ‘pequena’ oposição”.

Leia a seguir a íntegra da entrevista concedida por Flávio Koutzii aos jornalistas Guilherme Kolling e João Egydio Gamboa, do Jornal do Comércio de Porto Alegre:

Jornal do Comércio - O cenário da disputa ao Piratini em 2010 tem a governadora Yeda Crusius, o ministro da Justiça, Tarso Genro (PT), e o prefeito da Capital, José Fogaça. Qual sua avaliação?

Flavio Koutzii - Com Tarso temos um candidato qualificado, com chances importantes. A candidatura de Yeda é ligeiramente inacreditável. Não estou dizendo isso porque acho o governo dela muito ruim, mas porque é o pior dos governos desse bloco. Fogaça, evidentemente, é o candidato mais forte.

JC - Quando o senhor fala em bloco...

Koutzii - Não acho que o governo de (Alceu) Collares (PDT) seja deste bloco que agora está aí. Tinha peculiaridades. Mas o governo (Antonio) Britto (PMDB), o governo Yeda e o governo (Germano) Rigotto (PMDB) são. Não digo que são iguais, porque seriam comparações inúteis e até injustas em alguns casos, mas são do mesmo bloco.

JC - Como será o embate?

Koutzii - Há algumas ideias cultivadas. Por exemplo, o senador Pedro Simon - respeitado e tudo mais, mas que tem escancarado uma opinião “acima do Mampituba” e outra para nós, uma conivência que considero indecente - dizia na segunda-feira passada que Fogaça vem para pacificar. Pergunto: para pacificar o quê, cara pálida? Porque toda a turbulência que há no Rio Grande do Sul vem a partir do próprio governo, em que eles (PMDB) ainda estão. Pacificar o quê? A existência de uma pequena oposição, que tem dez deputados (PT), mais o PCdoB na Assembleia?

JC - O governo diz que a oposição é raivosa.

Koutzii - O que o governo diz é conversa para tentar bloquear a evidência de que é um governo comprometido com a corrupção. E, frente à evidência da corrupção, ele (governo) confirmou os partidos e as direções políticas que têm a ver com isso: pega do PP Otomar Vivan, que vai ser chefe da Casa Civil para organizar, e o PMDB faz um debate interno - que a imprensa revela - e decide ficar no governo. Então, eles têm, pelo menos, três anos nesse governo. Estão (envolvidos com a atual gestão) até o pescoço, na minha opinião. Não só por algumas individualidades, mas por esse gesto político. Para mim, uma das coisas mais importantes é a história da CPI.

JC - O que tem a CPI?

Koutzii - A CPI está paralisada porque oito deputados de 12 não aparecem mais. Mas não aparecem não porque sejam vagabundos. Não aparecem porque são militantes coniventes e cúmplices dos temas em que eles impedem que seja aprofundada a investigação. E não foi alguém da Assembleia Legislativa que desencavou um tema e chegou a uma CPI. Temas profundamente investigados durante dois anos e meio, nos rigores da lei, com as técnicas que a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) têm dão base ao desenvolvimento da CPI. Isso é um escândalo! A escolha foi botar a CPI no freezer, esterilizá-la ao máximo. Portanto, todos esses deputados estão associados a esse processo.

JC - A alegação é que a CPI não apresenta fatos novos.

Koutzii - Isso é inaceitável. Na CPI do Detran, todos que iam testemunhar se negavam a falar, orientados pelos seus advogados. Nessa, não foi possível sequer trazer as testemunhas, à exceção do ex-diretor do Detran (Sérgio) Buchmann, que eles queriam arrebentar e o Palácio autorizou. Fora isso, nada.

JC - E esse apoio dos partidos da base?

Koutzii - Está se aproximando o período eleitoral e acabou havendo uma solidariedade geral. Todo esse bloco - o mesmo que apoiou Britto, o mesmo que apoiou Rigotto, o mesmo que conseguiu derrotar o PT na prefeitura de Porto Alegre - tira interpretações da sociedade gaúcha, onde o tema da polarização, da disputa governo-oposição, é sempre evocado. Mas nunca se fala sobre os conteúdos. Isso virou um truque. Um truque hábil para dizer: nós somos os pacificadores.

JC - Fogaça pode se cacifar como novo “pacificador”?

Koutzii - Mas ele é dessa turma (do governo)... A estratégia da pacificação foi brilhantemente encarnada pela candidatura Rigotto (em 2002), até porque ele tinha muito a ver com a proposta, era um cara de diálogo e conseguiu isso. Assim como Fogaça (em 2004) - para quem eu gostaria de dar o kikito de melhor achado de publicidade, que foi aquele “fica o que está bom e muda o que está ruim”, genial do ponto de vista de síntese, hábil, enganoso - funcionou. Mas agora o tema da pacificação está sendo forçado.

JC - Como?

Koutzii - O presidente da Federasul (José Paulo Dornelles Cairoli), na cerimônia do Prêmio Líderes e Vencedores, fez um discurso, breve, e disse, não por acaso, que a responsabilidade pela crise do Rio Grande do Sul é da situação e da oposição. Como é possível dizer isso? Não conseguem nem colocar uma CPI para funcionar com eficácia, porque não tem base institucional dentro da Assembleia. Então esse negócio de pacificação não cabe, não tem nada que ver com a realidade hoje.

JC - Em 2006, o senhor disse que o presidente Lula era a Geni da mídia. Também diria que a governadora sofreu uma surra midiática?

Koutzii - Não, ela sofreu denúncias de pessoas que estão no governo dela. E a imprensa noticiou os fatos relevantes, colocou os temas que a PF e o MPF evidenciaram por investigações. As coisas foram postas pela imprensa, mas a partir de um certo momento estabilizam-se.

JC - De que forma?

Koutzii - Como se dissesse: “se nós continuarmos indo adiante e os articulistas de opinião seguirem pressionando, ela (Yeda) vai cair”. Com uma aliança, ela se manteve e conseguiu manter partidos importantes, criando uma espécie de solidariedade de ferro, à prova de qualquer tema e qualquer indício. A devida responsabilização da governadora não foi adiante porque isso iria afundar o bloco de alianças que a sustenta. O “tombo” foi até um determinado ponto. Grandes famílias políticas de líderes que há 20 anos apitam muito no Estado, todos eles estão enterrados nessa história. E representam frações muito importantes de seus partidos. A CPI foi paralisada e, apesar do esforço heroico que está sendo feito, ficou contida. E a imprensa não vai acima disso. Como fui chefe da Casa Civil do governo Olívio e vi o que aconteceu com a CPI, dita, da Segurança, comparando, é um escândalo.

JC - Qual sua análise da perda de espaço do PT eleitoralmente no Estado? Fala-se do isolamento do partido.

Koutzii - Isso virou um dos mantras, tanto do jornalismo quanto de uma parte do próprio PT, como um jeito de condicionar o pensamento óbvio. Há uma crise da ética e de pensamento político. Está tudo amassado por essa lógica, é tudo maniqueísta, totalmente bom ou ruim...

JC - O partido já aprovou aqui no Estado alianças com PSB, PCdoB e PDT para as eleições 2010. Tarso fala até em abrir o leque ao PTB.

Koutzii - Pelo que ele diz e pelo modelo nacional, é óbvio que está aberto. Tenho minhas opiniões sobre isso. Mas essas simplificações (sobre o isolamento do PT) são meio que armadilhas. Então, tudo que fizemos nos levou ao isolamento. Só que antes nos levou a 300 vitórias e a um peso inquestionável nesse Estado. Mas esta pauta de ampliação de alianças é legítima, há no governo federal, acho até que é um governo dominantemente PT-PMDB, só que Lula tem papel protagônico e central.

JC - Por que o senhor desistiu de concorrer às eleições em 2006?

Koutzii - Queria registrar minha inconformidade com as circunstâncias de 2005 e 2006, que envolveram o mensalão e aquela crise. Estava marcando uma posição sobre o próprio partido, sem sair dele. Tinha como quase certa minha eleição, essa questão não era nada fácil. Escolhi esse caminho porque não queria fazer críticas que me pareciam pertinentes e, ao mesmo tempo, dizer para as pessoas que poderiam votar em mim, “que sou bacana e legal”.

JC - Como o senhor avalia o quadro político nacional?

Koutzii - Primeiro, está claro que, do ponto de vista do que eram os nossos ideais no PT há dez anos, algumas bandeiras ficaram pelo caminho. Do ponto de vista da realidade política e social, considero o segundo governo Lula melhor que o primeiro, e a segunda parte do segundo governo melhor do que a primeira parte do segundo.

JC - Por quê?

Koutzii - Pelas realizações. Nos primeiros três anos, a ênfase da área econômica era tentar controlar a transição, evitar algumas bombas que estavam impostas pelo modelo seguido até então. E a inflexão da equipe do (ex-ministro da Economia Antonio) Palocci e aquela crise acabaram trazendo uma renovação obrigatória na equipe econômica e na Casa Civil. Foi quando a pauta passou da estabilização para uma perspectiva de desenvolvimento. Então, vamos ter Dilma (Rousseff) com suas qualidades enormes, tanto técnicas quanto políticas - li a entrevista de (Carlos) Araújo (segunda-feira passada, no Jornal do Comércio), está bem aquilo ali: ela fez política desde os 18 anos, tem experiência, e conhece tecnicamente os temas importantes, como energia e desenvolvimento. Não dá para comparar seu perfil com o de Lula, que, na presidência, já entrou para a história do País e tem, inclusive, protagonismo internacional.

JC - A política internacional do País recebe críticas por ações como Honduras...

Koutzii - A direita brasileira acha a política internacional de Lula desastrosa. Eu acho extraordinária. Lula se transformou em um interlocutor mundial. E nunca se reconheceu que era interessante para o Brasil ter mais peso no tabuleiro. Como dizer que foi um erro a história de Honduras? Foi um grande acerto. O crime foi o golpe militar. Mas a metade da universidade - os preferidos que, aliás, são sempre os mesmos, chamados especialistas - considera que foi um erro extraordinário.

JC - E a mídia?

Koutzii - Frente à crise de 2005 e 2006 (mensalão) e outros episódios com outros protagonistas - que não pararam de acontecer, ao serem descobertos pela PF -, aconteceu um processo interessante: a colocação no tabuleiro político da ética. Está posto por quem? Pela aliança conservadora e poderosíssima PSDB-DEM, que tem o seu centro político mais dinâmico, criador de pauta, nos grandes impérios midiáticos: Folha, Estadão, O Globo, TV Globo e Veja. A grande imprensa nacional compensa e, na verdade, já passou na frente da fragilidade relativa do PSDB e do DEM. O problema é que o que eles queriam venceu e foi hegemônico na década de 1990, com Fernando Collor e, depois, com Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Existe uma oposição no Brasil, mas ela não tem bandeira.

JC - O senhor quer dizer que o problema da ética é pautado por DEM e PSDB?

Koutzii - Pela imprensa em primeiro lugar. Esses grupos que nominei têm a linha de frente das iniciativas e das pautas. Esses dois partidos e seus aliados atiram para cada lado. E repercutem, dão vida à sua presença de oposicionistas com essa bandeira. Eles, que foram vitoriosos eleitoralmente, hegemônicos nas ideias e propostas na década de 1990, não têm mais isso. Então, como não têm essa proposta, precisam de outra que a substitua.

JC - E esse caso do DEM no Distrito Federal não pode quebrar um pouco esse paradigma da ética, tendo em vista que ele vira vidraça?

Koutzii - Torna-se vidraça. Mas estou falando dos últimos cinco anos, isso foi ocupando o tabuleiro do cenário político com grande eficácia. Ou seja, fragilizar esse governo (Lula) sem apresentar propostas melhores do que as do governo.

JC - Como o senhor projeta a disputa pelo Planalto?

Koutzii - A transferência de votos de Lula é um desafio difícil. Mas sei que a candidatura desse governo tem enormes possibilidades. O grande desafio é estabelecer as ligações entre as realizações importantes e o candidato. Acredito que Dilma ganha (a eleição), seja quem for o adversário (José Serra ou Aécio Neves, do PSDB). Mas não é uma vitória fácil.

JC - A estratégia do PT é fazer uma comparação entre os dois ciclos de oito anos de governo Lula e FHC?

Koutzii - Não conheço a estratégia eleitoral do PT, mas esse é um elemento impossível de não ser apresentado, até porque os números são espantosamente favoráveis a Lula. Se as pessoas perceberem mais, e o ano eleitoral ajuda, qual é o cenário que está em jogo, que é a unilateralização do tema ética e, com isso, o biombo que oculta as não propostas... Sempre que dou exemplo, digo que enfrentei o governo Britto. Era um governo que tinha proposta com início, meio e fim. Uma coisa é não estar de acordo, outra coisa é não ter proposta.

JC - Não há?

Koutzii - O principal que eles tinham a propor propuseram, a sociedade seguiu, os elegeu, eles fizeram mudanças - a diminuição do aparelho do Estado, privatizações, aplicaram a receita, o Consenso de Washington. Então, teriam que dizer o que fizeram lá - e pode ver que o recente artigo do FHC sobre isso gerou mal-estar entre os tucanos.

*Fonte: sítio do Jornal do Comércio http://jcrs.uol.com.br

**Edição e grifos deste blog

Comunicação


















PT de Porto Alegre quer o aquecimento blogal

Jean Sharlau escreve:

Atenção, cidadãos do mundo virtual da capital do Fórum Social Mundial, cidadãs de um Porto Alegre para a rede mundial de computadores.

O recém eleito presidente do mais importante partido político desta cidade nas últimas décadas, Vereador Adeli Sell, em atitude pioneira, convida outros blogueiros e navegadores contumazes que tenham simpatia pela maioria das causas defendidas pelo partido a reunirem-se com ele - blogueiro, zineiro, livreiro e presidente municipal eleito do Partido dos Trabalhadores - em data a ser combinada, com o objetivo de conhecermo-nos, aproximarmo-nos e palestrarmos, para conseguir melhorias na comunicação interna e externa do partido, através da Internet e outros meios.

Para solicitar presença na lista de convidados, é favor enviar e-mail para jean.sc@ig.com.br e adelisell@camarapoa.rs.gov.br informando qual é o seu blog, saite, ou, na ausência desses, os blogues que lê e onde faz comentários assíduos.

Fonte: http://jeanscharlau.blogspot.com/

Nota do Blog: A data que está sendo proposta para a reunião é dia 6 de janeiro, 19 h, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. (JG)

13 dezembro 2009

Poema














Poema – Prólogo

Fui assassinado.
Morri cem vezes
e cem vezes renasci
sob os golpes do açoite.

Meus olhos em sangue
testemunharam
a dança dos algozes
em torno do meu cadáver.

Tornei-me mineral

memória da dor.

Para sobreviver,

recolhi das chagas do corpo

a lua vermelha de minha crença,

no meu sangue amanhecendo.


Em cinco séculos

reconstruí minha esperança.

A faca do verso feriu-me a boca

e com ela entreguei-me à tarefa de renascer.


Fui poeta
do povo da noite
como um grito de metal fundido.

Fui poeta
como uma arma
para sobreviver
e sobrevivi.


Companheira,

se alguém perguntar por mim:

sou o poeta que busca

converter a noite em semente,

o poeta que se alimenta

do teu amor de vigília

e silêncio

e bebeu no próprio sangue

o ódio dos opressores.


Porque sou o poeta
dos mortos assassinados,
dos eletrocutados, dos “suicidas”,
dos “enforcados” e “atropelados”,
dos que “tentaram fugir”,
dos enlouquecidos.

Sou o poeta
dos torturados,
dos “desaparecidos”,
dos atirados ao mar,
sou os olhos atentos
sobre o crime.

Companheira,

virão perguntar por mim.

Recorda o primeiro poema

que lhe deixei entre os dedos

e dize a eles

como quem acende fogueiras

num país ainda em sombras:

meu ofício sobre a terra
é ressuscitar os mortos
e apontar a cara dos assassinos.


Porque a noite não anoitece sozinha.

Há mãos armadas de açoite

retalhando em pedaços

o fogo do sol

e o corpo dos lutadores.


Venho falar
pela boca de meus mortos.
Sou poeta-testemunha,
poeta da geração de sonho
e sangue

sobre as ruas de meu país.

Sobreviveremos


Perdemos a noção do tempo.

A luz nos vem da última lâmpada,

coada pela multidão de sombras.

A própria voz dos companheiros tarda,


como se viesse de muito longe,

como se a sombra lhe roubasse o corte.

Nessa noite parada sobrevivemos.

Ficou-nos a palavra, embora reprimida.


Mas o murmúrio denuncia que a vitória

não foi completa. Dobra o silêncio

e envia o abraço de alguém

cujo rosto nunca vimos e, todavia, amamos.


Nessa noite parada sobrevivemos.

Sobreviveremos.

Ficou-nos a crença, de resto, inestinguível,

na manhã proibida.


Pedro Tierra*

*Pedro Tierra é o pseudônimo do poeta Hamilton Pereira (Porto Nacional - TO, 1948)

12 dezembro 2009

Programa do PT Nacional



*O blog disponibiliza (para quem não pode ver na quinta-feira) o programa político do Partido dos Trabalhadores exibido em rede nacional.

11 dezembro 2009

Artigo











Ética e política

*Por Frei Betto


A "ética" neoliberal se reduz às virtudes privadas dos indivíduos. Ignora a visão de institucionalidade ética. Assim, reforça a atitude paralisante do moralismo, que reduz a ética a uma ilusória perfeição individual. Ora, se a sociedade é estruturada, a ética é imprescindível para configurarmos o mundo histórico. Portanto, a ética exige uma teoria política normativa das instituições que regem a sociedade. Como acentua Marilena Chauí, não basta falar em ética na política. A crítica às instituições geradoras de injustiças e negadoras de direitos exige uma ética da política. Criar espaços de geração de novos direitos. As instituições devem garantir a toda a sociedade a justiça distributiva - a partilha dos bens a que todos têm direito -, a justiça participativa e a presença de todos – democracia – no poder que decide os rumos da sociedade.

O grande desafio ético hoje é como criar instituições capazes de assegurar direitos universais. Isso supõe uma ruptura com a atual visão pós-moderna, neoliberal, de fragmentação do mundo e exacerbação egolátrica, individualista. Ainda que o ser humano tenha defeito de fabricação, o que o Gênesis chama de "pecado original", há que se criar uma institucionalidade político-social capaz de assegurar direitos e impedir ameaças à liberdade e à natureza. Isso implica suscitar uma nova cultura inibidora dessas ameaças, assim como ocorre em relação ao incesto, outrora praticado no Egito, sem faltar os exemplos bíblicos.

De onde tirar os valores éticos universalmente aceitos? Como levar as pessoas a se perguntarem por critérios e valores? Hans Küng sugere que uma base ética mínima deve ser buscada nas grandes tradições religiosas. Seria o modo de passarmos das éticas regionais a uma ética planetária. Mas como aplicá-la ao terreno político? Mudar primeiro a sociedade ou as pessoas? O ovo ou a galinha?

Inútil dar um passo atrás e fixar-se na utopia do controle do Estado como precondição para transformar a sociedade. É preciso, antes, transformar a sociedade através de conquistas dos movimentos sociais, e de gestos e símbolos que acentuem as raízes antipopulares do modelo neoliberal. Combinar as contradições de práticas cotidianas (empobrecimento progressivo da classe média, desemprego, disseminação das drogas, degradação do meio ambiente, preconceitos e discriminações) com grandes estratégias políticas.

É concessão à lógica burguesa admitir que o Estado seja o único lugar onde reside o poder. Este se alarga pela sociedade civil, os movimentos populares, as ONGs, a esfera da arte e da cultura, que incutem novos modos de pensar, de sentir e de agir, e modificam valores e representações ideológicas, inclusive religiosas.

"Não queremos conquistar o mundo, mas torná-lo novo", proclamam os zapatistas. Hoje, a luta não é de uma classe contra a outra, mas de toda a sociedade contra um modelo perverso que faz da acumulação da riqueza a única razão de viver. A luta é da humanização contra a desumanização, da solidariedade contra a alienação, da vida contra a morte.

A crise da esquerda não resulta apenas da queda do Muro de Berlim. É também teórica e prática. Teórica, de quem enfrenta o desafio de um socialismo sem stalinismo, dogmatismo, sacralização de líderes e de estruturas políticas. E prática, de quem sabe que não há saída sem retomar o trabalho de base, reinventar a estrutura sindical, reativar o movimento estudantil, incluir em sua pauta as questões indígenas, étnicas, sexuais, feministas e ecológicas.

Neste mundo desesperançado, apenas a imaginação e a criatividade da esquerda são capazes de livrar a juventude da inércia, a classe média do desalento, os excluídos do sofrido conformismo. Isso requer uma ideologia que resgate a ética humanista do socialismo e abandone toda interpretação escolástica da realidade. Sobretudo toda atitude que, em nome do combate à burguesia, faz a esquerda agir mimeticamente como burguesa, ao incensar vaidades, apegar-se a funções de poder, sonegar informações sobre recursos financeiros, reforçar a antropofagia de grupos e tendências que se satisfazem em morder uns aos outros.

O pólo de referência das esquerdas, em torno do qual precisam se unir, é somente um: os direitos dos pobres.

*Frei Betto (foto) é escritor, autor da 'Batismo de Sangue' e, em parceria com L. F. Veríssimo e outros, de "O desafio ético" (Garamond), entre outros livros.

Fonte: Correio da Cidadania