31 agosto 2013

Por que a direita odeia tanto Zé Dirceu?


Provavelmente porque ela não conseguiu seduzi-lo como fez com tanta gente.


Por que Zé Dirceu é tão odiado pela direita?
Ele é ainda mais odiado que Lula, o que não é pouco.
Tenho minha tese.
De Lula era esperado, mesmo, que estivesse do lado oposto ao da direita. Operário, nordestino, nove dedos, pouca oportunidade de estudar.
Seria uma aberração Lula se alinhar ao 1%, para usar a grande terminologia do movimento Ocupe Wall Street.
Mas Dirceu não.
Ele tinha todos os atributos para figurar no 1% que fez o país ser o que é, um dos campeões mundiais de iniquidade, a terra das poucas mansões e das tantas favelas.
Articulado, inteligente, dado a leituras. Bem apessoado. Na ótica do 1%, pessoas como Zé Dirceu são catalogadas como traidoras, e devem ser punidas exemplarmente para que outras do mesmo gênero, ou se preferirem da mesma classe, não sigam seu exemplo.
Na França revolucionária, a aristocracia entendia que os Marats, os Desmoullins, os Héberts  pregassem a morte do velho regime, mas jamais conseguiu compreender o que levou o Duque de Orleans a também lutar pela liberdade, pela igualdade e pela fraternidade.
O 1% brasileiro, na história recente, soube sempre atrair equivalentes a Dirceu. Carlos Lacerda, por exemplo, era de esquerda na juventude.
Depois, se tornou um direitista fanático. Segundo relatos de quem o conheceu, ele se cansou da vida dura reservada aos esquerdistas em seus dias e foi para onde o dinheiro estava.
O 1% recompensa bem. Nos dias de hoje, se você defende os privilégios, acaba falando na CBN, aparecendo em entrevistas na Globonews, tendo coluna em jornais e revistas, dando palestras muito bem pagas. E, com a carteira abastecida, ainda pode posar de ‘corajoso’ defensor da ‘imprensa livre’.
Dirceu não fez a trajetória de Lacerda. Não abjurou suas crenças.
E então virou o demônio.
Quem o demonizou foram exatamente aqueles que o adulariam se ele se vendesse. A imagem que a mídia construiu de Zé Dirceu concentrou num único homem todos os defeitos possíveis: vaidoso, arrogante, corrupto, inescrupuloso, maquiavélico.
Um monstro, enfim.
Pegou essa imagem? Menos do que o 1% gostaria, provavelmente. Quem não se lembra de Serra, num debate com Haddad, repetidas vezes tentar encurralar seu oponente com a acusação de que era “amigo do Dirceu”?
Haddad reconheceu tranquilamente a amizade, e quem terminou eleito não foi Serra.
Na mídia tradicional, a campanha contra Dirceu desconhece limites jornalísticos e, pior que isso, legais.
Um repórter tenta invadir criminosamente o quarto do hotel que ele ocupa, e ainda assim é Dirceu que aparece como o vilão do caso.
Quem conhece o Dirceu real, com seus defeitos e virtudes, grandezas e misérias, são aqueles poucos de seu círculo íntimo. Para eles não faz efeito o noticiário que o sataniza. (Caso interesse a alguém, nunca votei em Dirceu e não o conheço pessoalmente.)
De resto, esse noticiário – ou propaganda – não é feito para eles, mas para os chamados ‘inocentes úteis’, aqueles que em outras épocas acreditaram no “Mar de Lama” de Getúlio Vargas ou no “perigo comunista” representado por João Goulart.
É a imagem demoníaca de Dirceu construída pela mídia que, nestes dias, é utilizada pela maioria dos juízes do Supremo no julgamento do Mensalão.
Não chega a ser surpresa. A justiça brasileira tradicionalmente foi uma extensão do 1%.
Estudiosos já notaram a diferença da atuação da justiça no Brasil e na Argentina na época das duas ditaduras militares.
No Brasil, a justiça foi servil aos militares. Na Argentina, a justiça desafiou frequentemente os militares ao declarar inocentes muitos acusados de “subversivos”.
Isso acabou levando os militares argentinos a simplesmente matar milhares de opositores sem que fossem julgados.
Fundamentalmente, Dirceu paga o preço de sua opção teimosa pelo 99%.
Mas quem vai julgá-lo perante a história não é o 1%, representado por uma mídia que defende seus próprios privilégios e finge se bater pelo interesse público. E nem uma corte em cuja história a tradição é o alinhamento alegremente pomposo com o 1%.
Ele deve saber disso, e imagino que isso o conforte em horas duras como esta.

*Por Paulo Nogueira, jornalista e Editor do Blog 'Diário do Centro do Mundo' 

Raul Pont: 'A política não pode ser assim'!


Porto Alegre/RS - No ano em que completa 50 anos de trajetória política, o deputado e presidente estadual do PT, Raul Pont (foto), vai deixar a disputa por cargos públicos. Em dezembro de 2014, após concluir o terceiro mandato consecutivo na Assembleia Legislativa, um dos fundadores do partido no Estado deixa o gabinete parlamentar, mas garante que permanece fazendo “ainda mais” política. 

Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, Pont afirma que, além de abrir espaço para a renovação da sigla, sua saída tem como principal motivação a desilusão com o atual sistema político eleitoral. O presidente estadual do PT classifica o sistema como “antidemocrático e cooptador de partidos e parlamentares” e defende a realização de uma reforma política. Pont também avalia que muitas práticas partidárias - que considera equivocadas - são fruto desse sistema e diz que, caso o PT esteja “irremediavelmente e majoritariamente comprometido (com essa lógica)”, pretende “fazer política em outro lugar ou fundar outro partido”. (...)

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30 agosto 2013

Em defesa da Justiça



Por José Dirceu*
“A análise de embargos infringentes não corresponde a um novo julgamento, mas à segunda etapa do mesmo”, na qual juízes – no caso em pauta, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) – superam dúvidas. O trecho é de artigo publicado hoje na Folha de S.Paulo sob o título “Em defesa da justiça”, de autoria de meus advogados José Luís de Oliveira Lima e Rodrigo Dall’Acqua, sobre a nova fase, em andamento, do julgamento da ação penal 470, o chamado mensalão.
No texto os dois advogados assinalam que estes embargos “estão previstos no regimento do STF para os pontos em que, na primeira etapa do julgamento, houve divergência entre os juízes. São aquelas decisões em que ao menos 4 dos 11 ministros votaram contra a tese que acabou prevalecendo”.
Oliveira Lima e Dall’Acqua observam que o regime do STF prevê embargos infringentes porque uma decisão tomada em meio a tão grande de divergência está marcada pela dúvida. “A regra que permite os embargos infringentes serve para que os juízes rediscutam suas decisões mais difíceis e superem suas dúvidas, na busca da sentença mais justa”.
“No caso da ação penal 470 a análise das divergências registradas na primeira fase do julgamento torna-se ainda mais necessária” porque, prosseguem os autores do artigo, “mesmo os réus que não se encaixavam nos requisitos do foro especial foram submetidos a julgamento de uma única instância, vendo suas causas levadas diretamente ao STF, sem passagem pelo juízo de primeiro grau, como ocorre usualmente em ações dessa natureza”.
Oliveira Lima e Dall’Acqua encerram seu artigo com uma ponderação: “Pode-se não gostar dos réus da ação penal 470 e até torcer por sua condenação. O que não se admite é a desatenção com os princípios jurídicos esatabelecidos – isso representa uma ameaça não só á busca pela justiça, mas também à democracia”.
Leiam e analisem comigo “Em defesa da justiça” na seção Tendências e Debates da Folha de S.Paulo. Eu gostaria de convidar vocês, também, a lerem esta reportagem “Dupla punição por um mesmo crime” publicada no jornal diário da Manhã, de Goiânia.
*Via http://www.zedirceu.com.br   e  ComTexto Livre  - 
Foto: Blog naodanomesmo.blogspot.com  -- Edição final deste Blog

28 agosto 2013

Rodrigo Vianna: O conservadorismo de branco(s): derrotado pela história


*Por Rodrigo Vianna

No começo senti raiva. Depois, tristeza. Ao fim, procurei explicações. O cerco aos médicos cubanos, com xingamentos e manifestações racistas, é chocante à primeira vista. Mas quem conhece nossa história de “elevador de serviço”, de “quarto de empregada”, de coronelismo e revoluções sempre inconclusas, quem conhece essa história nem deveria se espantar.

O fato é que a reação desmedida de certos médicos e de gente que pensa falar em nome da “Medicina brasileira” transformou-se numa derrota acachapante para o pensamento conservador. O conservadorismo de branco (e de brancos?) foi derrotado nesse debate.

É como o “bolsa esmola” – vocês se lembram? Durante dois mandatos de Lula, um setor barulhento (e até numeroso) da classe média travou um não debate: em vez de criticar eventuais falhas no Bolsa Família, tentou desqualificar a política de transfererência de renda, definida como “esmola”. Ouvi isso ao longo de anos, em festas de família, em bares e restaurantes… E no fim aconteceu o que? O Bolsa-Família impôs sua vitória. Os tucanos chegaram a 2010 propondo que na campanha eleitoral o partido defendesse o Bolsa-Família. Falar em “bolsa esmola” seria suicídio eleitoral. O conservadorismo recolheu-se às manifestações privadas de ódio e recalque.

A história do Capitalismo no Ocidente, nos últimos 70 anos, é a história da luta de setores organizados para arrancar pedaços do Estado das mãos da burguesia. É a história da luta dos trabalhadores para obter concessões que tornem a vida menos dolorosa, menos infernal. Leis trabalhistas, políticas sociais de compensação: assim se constituiu a social-democracia na Europa. Aos trancos e barrancos, tivemos nossa social-democracia à brasileira com Vargas e o PTB de Jango e Brizola. Verdade que, no Brasil, ela foi mais “social” do que “democracia”, na medida em que parte das conquistas sociais veio sob a ditadura do Estado Novo.

A Guerra Fria interrompeu o ciclo trabalhista, instalando uma ditadura (64-85) que adotou políticas claras de concentração de renda. Depois da Constituição de 88, mas principalmente depois da chegada de Lula ao poder em 2002, o ciclo de “social-democracia” à brasileira foi retomado. Da mesma forma que na Era Vargas, o lulismo significou a incorporação de milhões de brasileiros ao mercado de massas.

Uma parte da sociedade brasileira sentiu-se ameaçada pela mudança – feita dentro da ordem, sob hegemonia inclusive de política econômica liberal, especialmente no primeiro governo Lula. Mas mesmo assim, um setor significativo da sociedade brasileira partiu para a desqualificação. Bolsa Família era “bolsa esmola”. Prouni era “prêmio para gente despreparada”. Quotas raciais eram “incentivo pra gente vagabunda”.  

Esse mesmo setor agora estrebucha, se debate de forma constrangedora – contra os médicos. E o ódio maior é contra os cubanos…

Uma pobre alma chegou a dizer no twitter (ou facebook, sei lá) que os médicos cubanos não eram confiáveis porque tinham aparência de “empregadas domésticas”. De uma só tacada, tentou ofender os cubanos e as empregadas que cuidam das casas de quem pode pagar. Mas conseguiu apenas explicitar que tipo de pensamento tenta barrar a chegada dos médicos às comunidades mais pobres do Brasil.

Esse tipo de comentário, ou de ataque (esclarecedora também a foto das patricinhas de branco pensando ofender um médico negro cubano), cumpre papel didático. É o passado que não quer passar. É o sul derrotado na guerra de Secessão. É o Partido Republicano recusando-se a aceitar que Roosevelt tinha razão no New Deal. É o Lacerda contra a Petrobras. É o Ali Kamel da Globo contra as quotas. Essa gente fala para o passado. Um discurso derrotado.

Reparem que nas redes sociais apareceu muita gente moderada, que tem críticas ou dúvidas em relação ao Mais Médicos, mas que se sente constrangida com o discurso de ódio, com as cenas de racismo e de preconceito. E por isso passou a apoiar o programa. 

O conservadorismo de branco (e de brancos?) ainda vai estrebuchar. Vai ao STF, ao TCU. Vai tentar de tudo. Mas ainda que consiga atrasar o programa de Médicos do governo federal, já perdeu o debate. Lá na frente, terá que botar o rabo entre as pernas.

Por fim, vale dizer que muita gente aqui nos blogs e nas redes sociais costumava cobrar o PT e os governos de Lula e Dilma pela falta de “politização” do debate. O Ministro Alexandre Padilha topou fazer a politização – no bom sentido. Comprou a briga de uma forma inteligente: não com discurso ou com promessas, mas com um programa concreto e palpável. O povão do interior e das periferias vai aos poucos entender quem é de direita no Brasil…

E do jeito que vai, essa direita vai levar tempo pra se recompor e voltar ao poder. Pelo voto, com esse tipo de reação infantil e atrasada, essa direita seguirá no gueto. Um gueto grande até, de 30% do eleitorado. Mas seguirá prisioneira do discurso do ódio. Um discurso derrotado pelos fatos e pela história. 

*Jornalista,  Editor do Blog Escrevinhador (fonte desta postagem)  

27 agosto 2013

Fuga de senador foi ação orquestrada

Para o deputado Cláudio Puty (PT-PA), que participou de uma missão oficial à Bolívia, em março, onde conheceu os principais personagens envolvidos na trama, fuga do senador boliviano Roger Pinto (foto) não foi obra individual de um destemido diplomada brasileiro, mas ação organizada pela direita com apoio de setores conservadores do Itamaraty, que atuam contra governos progressistas latino-americanos e a favor do agronegócio. (...) Por Najla Passos, da Carta Maior/Brasília.

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Barbárie e histerismo corporativo & ideológico


O percurso

Vinda de médicos cubanos anexou à reação corporativa uma utilização ideológica

*Por Janio de Freitas

Dos argumentos polêmicos contra a vinda de médicos do exterior, dirigentes corporativos da classe médica brasileira passaram a um histerismo gaiato e primário e já estão em atitudes fronteiriças de crimes, com a incitação aos médicos a "não socorrerem erros" que, imaginam, os estrangeiros cometerão. Sem trocadilho: trata-se de um processo nitidamente doentio.

A vinda de médicos cubanos anexou à reação corporativa a sua utilização ideológica pelos comentaristas conservadores. Já se acumulam bastantes indicações, aliás, de que também as exasperações de vários dos dirigentes corporativos da classe médica não são apenas corporativas. Seu recheio é ideológico, ainda tão nostálgico da guerra fria que não consegue disfarçar-se o suficiente, assim como se dá com os comentaristas. Quanto a isso, nada de novo, portanto. Nem de importante.

Mas, em tanta e tão descomposta reação em nome da classe médica, como ficam os carentes da atenção de um médico nas lonjuras onde nem um só foi jamais visto? Esses numerosos conselhos de medicina, essas inúmeras associações de médicos, esses incontáveis dirigentes corporativos nada têm a dizer que não seja contra o preenchimento estrangeiro dos buracos de sofrimento deixados por brasileiros pelo Brasil afora?

Não têm nem uma palavra proponente, alguma preliminar de plano, uma iniciativa viável, para intercalar nas reações vociferadas à vinda de estrangeiros? Não, não têm. Nunca tiveram, desde que as urgências da saúde pública voltaram a ser um problema de consciência nacional, perdida com as primeiras décadas do século passado.

O nível tão baixo em que está a ação dos dirigentes corporativos não é justo com a classe médica. As referências, digamos, domésticas a esse episódio parecem largamente favoráveis à vinda dos estrangeiros. E, nelas, os criticados por suas reações são "os médicos", assim generalizados.

*Jornalista - Fonte: Folha de S. Paulo

Foto: 'Barbárie médica' - http://resresil.blogspot.com.br

25 agosto 2013

1954/2013: TROQUE VARGAS POR LULA, DIRCEU OU CUBA

  


Há 59 anos, naquele  24 de agosto de 1954,  Getúlio Vargas cometeu o suicídio político mais inteligente da história. Consternado com a notícia que ecoava pelas rádios, o povo carioca perseguiu e escorraçou porta-vozes da oposição virulenta ao Presidente. A experiência da tragédia abalou o cimento da resignação cotidiana e a multidão elegeu seu alvo: cercou e depredou a sede da rádio Globo que saiu do ar.

A escolha do desespero tinha alicerces na razão. O cacho de forças silenciadas na vitória esmagadora de  Vargas em 1950 preservara intacta a sua sonoridade junto à opinião pública. À medida  em que a incontinência dos decibéis superava o comedimento das formalidades e contaminava todo aparato conservador, o duelo tornava-se a cada dia mais desproporcional. Uma agenda latejante de suspeição, desafios e desrespeito ostensivo era apregoada diuturnamente. A pressão atingiria seu auge naqueles dias finais de agosto.

Cinquenta e nove anos depois do tiro que sacudiu o país e impôs o recuo do golpismo, o volume asfixiante do coro conservador ainda pode ser ouvido e aquilatado. Entre um agosto e outro, algumas peças do paiol midiático permanecem. Outras se juntaram à tradição. Os personagens se renovam, mas o método se repete. O jogral da condenação sumária sentencia a mesma intolerância em  cada linha, título, nota, coluna, fotomontagens, capas, escaladas televisivas e radiofônicas.

Troquem-se as letras que compõem o nome Vargas por ‘mensalão'. Ou Lula. Ou Dirceu. Ou Cuba... O preconceito beligerante que cerca um, equipara-se ao que esmagou o outro. O rastro comum remete à matriz udenista da suspeição e da condenação sumárias; das togas avessas às provas; e das sentenças indiferentes aos autos. O conjunto  forma um fio de continuidade que atravessa a régua do tempo e conecta a luta progressista de 54  a do Brasil de 2013.

Hoje, mais uma vez, o país enfrenta uma transição de ciclo histórico. Ela opõe, de um lado, a esperança no passo seguinte de um desenvolvimento calcado na emancipação social e econômica. E de outro, os interesses que consideram intolerável sincronizar esse passo com o anseio por equidade e justiça, mas, sobretudo, por uma efetiva redistribuição do poder na república. (Carta Maior)

http://www.cartamaior.com.br    -    Edição final deste blog

Médicos cubanos pedem respeito e dizem que vêm trabalhar para o povo brasileiro


Brasília - O primeiro grupo dos 206 médicos cubanos que vão trabalhar no Brasil desembarcou hoje (24) à tarde no país. No Recife, ficaram 30 profissionais e 176 seguiram para Brasília, onde chegaram à noite. Ao desembarcar, Oscar Gonzales Martinez, graduado há 23 anos e especialista em atenção à família, disse que tinha grande expectativa em trabalhar com a população brasileira.

Martinez disse que veio ao Brasil por várias razões, entre elas, a oportunidade de trabalhar para o povo brasileiro. Sobre a polêmica em torno do pagamento dos salários, que serão feitos por meio do governo cubano e não diretamente aos profissionais, Gonzales disse que isso é o que menos importa, pois tem o emprego garantido em seu país e parte dos recursos irá para ajudar o seu povo.

“O mais importante é colaborar com os médicos brasileiros e ajudar na qualidade de vida do povo daqui. Também é importante a irmandade entre o povo cubano e o povo brasileiro que existe há muito tempo”, disse.

A médica Jaiceo Pereira, de 32 anos, lembrou, bem-humorada, que, apesar de ser a mais jovem do grupo, tem bastante experiência profissional e no início de sua formação já trabalhava com saúde da família. Ela pediu o apoio do povo brasileiro e respeito aos profissionais de seu país. “Queremos ajudar e dar saúde a todos aqueles que não têm acesso aos serviços médicos", disse. “Queremos dar amor e queremos receber amor.” Já Alexander Del Toro destacou que veio para trabalhar junto e não competir.

Um grupo de 25 simpatizantes do socialismo e de Cuba esteve no Aeroporto Internacional de Brasília – Presidente Juscelino Kubitschek com cartazes. Durante a longa espera, que durou mais de duas horas, os manifestantes gritavam palavras de ordem como “Cubano amigo, Brasil está contigo” e “Brasil, Cuba, América Central, a luta socialista é internacional”.

Em meio às manifestações de apoio, Ana Célia Bonfim, que se identificou como médica da Secretaria de Saúde do Distrito Federal chegou a gritar entre os manifestantes que tudo não passava de uma “palhaçada”. “Profissional troca alguma coisa por bolsa. Isso não é coisa de profissional. Pelas condições que tem o médico cubano, claro que eles vão trocar isso pelas condições brasileiras. Mas isso é exploração de mão de obra”, disse.
O restante dos médicos cubanos desembarca amanhã (25) em Fortaleza, às 13h20, no Recife, às 16h, e em Salvador, às 18h, segundo o ministério. Ao todo, 644 médicos, incluindo os 400 cubanos, com diploma estrangeiro chegam ao Brasil até este domingo (25).  Na sexta-feira (23), começaram a chegar os médicos inscritos individualmente em oito capitais.

Os profissionais cubanos fazem parte do acordo entre o ministério com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para trazer, até o final do ano, 4 mil médicos cubanos. Eles vão atuar nas cidades que não atraírem profissionais inscritos individualmente no Programa Mais Médicos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu as críticas das entidades médicas que questionam a formação médica dos profissionais cubanos.
Na segunda-feira (26), tantos os médicos inscritos individualmente (brasileiros e estrangeiros), quanto os 400 cubanos contratados via acordo, começam a participar do curso de preparação com aulas sobre saúde pública brasileira e língua portuguesa. Após a aprovação nesta etapa, eles irão para os municípios. Os médicos formados no país iniciam o atendimento à população no dia 2 de setembro. Já os com diploma estrangeiro começam a trabalhar no dia 16 de setembro.
O curso vai ter carga de 120 horas com aulas expositivas, oficinas, simulações de consultas e de casos complexos. Também serão feitas visitas técnicas aos serviços de saúde com o objetivo de aproximar o médico do ambiente de trabalho.
Por Daniel Lima Repórter da Agência Brasil  - Colaborou Ana Cristina Campos - Edição: Fábio Massalli
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24 agosto 2013

FORA DO EIXO


O linchamento da Midia Ninja


'Quando os dois extremos do espectro ideológico se tocam, forma-se o círculo perfeito do conservadorismo que rejeita toda mudança'

Por Luciano Martins Costa*
Algumas das mais prestigiadas cabeças da imprensa têm se empenhado, nos últimos dias, a uma articulada operação com o objetivo de desmoralizar o coletivo de produções culturais chamado Fora do Eixo e, como resultado indireto, demonizar o fenômeno de midiativismo conhecido como Mídia Ninja.
Não se pode dizer que esse movimento seja organizado, da mesma forma como se planeja uma pauta de jornal, mas são fortes as evidências de uma estratégia comum em suas iniciativas. Há uma urgência na ação de desconstrução da mídia alternativa que nasce em projetos culturais à margem da indústria de comunicação e entretenimento – e os agentes dessa estratégia têm motivos fortes para isso.
Interessante observar que essa operação-desmanche reúne desde os mais ferozes e ruidosos porta-vozes do reacionarismo político até pensadores identificados com correntes vanguardistas, o que compõe um mosaico de discursos que vão dos costumeiros rosnados de blogueiros raivosos até lucubrações mais ou menos sofisticadas de intelectuais sobre o ambiente comunicacional contemporâneo.
Entre as mais ferozes dessas manifestações, certamente ganha destaque a “reportagem” publicada pelaFolha de S. Paulo no domingo (18/8), sob o título “Fora do Eixo deixou rastro de calotes na origem em Cuiabá” (ver aqui). O texto se refere a despesas, no total de R$ 60 mil, feitas pelos organizadores de um festival de música alternativa realizado em 2006 na capital de Mato Grosso, onde ocorreram os primeiros eventos do Fora do Eixo.
A reportagem é montada com depoimentos de comerciantes, que dizem estar tentando cobrar a dívida há três anos, e termina com o chamado “outro lado”: uma curta explicação da responsável pelas finanças do Fora do Eixo, reconhecendo o débito e afirmando que todos os credores serão pagos.
Ora, se a dívida é reconhecida e tem sido negociada, qual a justificativa para tamanho barulho?
Se usasse o mesmo critério para todos os casos semelhantes, o jornal deveria dar manchetes com a controvérsia sobre uma suposta dívida do grupo Globo junto à Receita Federal, e que é acompanhada de um escândalo sobre o sumiço do processo.
Com a mesma disposição, seria de se esperar que a imprensa acompanhasse o drama de centenas de jornalistas e outros profissionais que lutam há mais de década por seus direitos trabalhistas, apropriados por empresários do ramo das comunicações. Verdadeiros estelionatos foram cometidos contra esses trabalhadores, há evidências de chicanas na Justiça do Trabalho e denúncias até mesmo de desvio do patrimônio de fundos de pensão, sem que a imprensa se interesse por essa pauta.
Uma parceria impensável
O alvo central dos ataques é o principal articulador do Fora do Eixo, Pablo Capilé, que já foi chamado de “imperador de um submundo”, como se os coletivos de ação cultural fossem um universo clandestino e fora da lei. O bombardeio inclui denúncias de “trabalho escravo”, “exploração sexual”, “formação de seita” e outras alegações que não sobrevivem a uma análise superficial, como as referências deletérias aos editais onde algumas dessas iniciativas buscam recursos.
Ora, não consta que os ativistas que agora vão a público acusar Capilé tenham ficado algemados ao pé da mesa nas Casas Fora do Eixo, ou que alguém tenha sido abduzido para se integrar aos coletivos.
Os editais são resultado de uma inovação produzida pelo ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, que permitiu democratizar parte dos recursos oficiais de incentivo à produção de música, dança e artes visuais, com menos burocracia do que a exigida pela Lei Rouanet.
Aliás, há outra pauta mais interessante, que a imprensa ignora, sobre as fraudes no uso de recursos por grandes produtoras, como a prática de fazer seguidas captações financeiras com empresas de fachada. A cantora Claudia Leitte, por exemplo, é acusada de haver obtido perto de R$ 6 milhões em apoio oficial usando esse artifício.
Pode-se alinhar muitos exemplos da falta de proporcionalidade que a imprensa tem aplicado a erros ou desvios eventualmente cometidos por algumas das milhares de iniciativas do Fora do Eixo. Mas o mais interessante é a personalização das acusações, centradas na figura de Capilé – e que, por essa razão, apontam como alvo final a Mídia Ninja.
O processo de demonização desse fenômeno de comunicação produz até mesmo uma impensável convergência entre as revistas Veja e Carta Capital.
Carta Capital (ver aqui) contribui para deformar a imagem do Fora do Eixo e da Mídia Ninja ao afirmarque ex-integrantes do coletivo cultural têm medo de se manifestar contra o grupo, como se se tratasse de uma perigosa organização criminosa. A deixa é aproveitada pelo colunista mais virulento de Veja para uma de suas diatribes.
Quando os dois extremos do espectro ideológico se tocam, forma-se o círculo perfeito do conservadorismo que rejeita toda mudança.
*Jornalista do Observatório da Imprensa (fonte desta postagem)

A conta secreta do propinoduto


Documentos vindos da Suíça revelam que conta conhecida como "Marília", aberta no Multi Commercial Bank, em Genebra, movimentou somas milionárias para subornar homens públicos e conseguir vantagens para as empresas Siemens e Alstom nos governos do PSDB.

-Clique Aqui  para continuar lendo (via IstoÉ)

23 agosto 2013

A vida que poderia ter sido e não foi...



Pneumotórax

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.

Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:

- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.
...........................................................................................................

- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito   infiltrado.

- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

                                                                       Manuel Bandeira

Caluda! Os cubanos vêm aí




Por Luciano Martins Costa*

Os jornais foram surpreendidos pela decisão do governo de importar de Cuba 4 mil médicos para ocupar postos em lugares críticos, onde não há serviço público ou particular de saúde.

Os primeiros 400 deverão chegar já na próxima semana e serão enviados para cidades ou bairros que não despertaram interesse de profissionais brasileiros ou do exterior na primeira fase das inscrições no programa Mais Médicos, 84% dos quais no Norte e Nordeste.

O noticiário dá conta de que, ao todo, 3511 municípios se inscreveram no programa, o que revela uma demanda de 15460 vagas.

Apenas 15% desse total havia sido completado até quarta-feira (21).

Cada médico contratado custará aos cofres públicos R$ 10 mil de salários mensais, mais os custos da mudança e pagamento de moradia e alimentação.

O convênio que permitirá a contratação de médicos cubanos foi feito pelo governo brasileiro com a Organização Pan-americana de Saúde, que tem um acordo com governos de vários países, inclusive Cuba, para atender casos de emergência e carência crítica.

Os jornais desta quinta-feira (22) explicam que 84% dos profissionais que virão de Cuba têm mais de 16 anos de experiência, 30% são pós-graduados, muitos trabalharam em países onde se fala a língua portuguesa, principalmente na África, e  todos são especialistas em saúde da família.

Ainda assim, dirigentes de entidades médicas do Brasil fazem declarações à imprensa condenando a iniciativa. (...)

CLIQUE AQUI  para continuar lendo (via Blog 'O Boqueirão Online')

*Jornalista do 'Observatório da Imprensa', fonte original  desta postagem

22 agosto 2013

A quem interessa a baderna?



Por Wladimir Pomar*

A continuidade das manifestações populares, mesmo em menor escala, já era esperada. Há uma série de problemas e reivindicações locais que afetam diferentes setores da população. E, como as manifestações de rua se mostraram instrumentos importantes de pressão, seja sobre empresas, seja sobre governos e parlamentos locais, é natural que os reivindicantes apelem para elas. Por outro lado, seria ilusão supor que tais manifestações não se tornariam arena de disputas políticas.

Aparentemente, apenas a ultraesquerda está em todas. Na prática, fica cada vez mais evidente que a ultradireita também está lá, sem bandeiras, mas de capuz. Olhando com atenção as manifestações de cem, duzentas ou mais pessoas, não fica difícil localizar uma minoria, às vezes de cinco a dez mascarados, que se dedica a “atacar o capitalismo” quebrando portas, vitrines, postes, telefones públicos, e o que mais haja a ser destruído em sua passagem.

Além disso, olhando com um pouco mais de atenção, é impressionante que a polícia passe ao lado desses mascarados sem tomar qualquer atitude, no mais das vezes descarregando sua repressão sobre os de cara limpa. Algo estranho? De forma alguma. Nas grandes manifestações de junho e julho, as mesmas cenas se repetiram à exaustão. O que leva qualquer pessoa mais atenta a concluir que há algum tipo de acordo, real ou tácito, entre as forças policiais e os encapuzados.

Cá entre nós, é estranho que, a essa altura dos acontecimentos, com todo o aparato de “inteligência” existente nas polícias, estas ainda não tenham mapeado quem são os poucos membros dos pequenos grupos que quebram e destroem bens públicos e privados e não os tenham levado à justiça para responder por atos de vandalismo. Tal omissão só pode ser explicada se a própria polícia, e também o ministério público, estiverem de acordo com os objetivos buscados por tais grupos paramilitares.

O mais provável é que tais grupos estejam a serviço daqueles que pretendem colocar o conjunto da população contra os manifestantes, já que estes até agora não se mostraram capazes de conter as ações de vandalismo. A continuidade da baderna levaria, no final das contas, a população a aceitar com indiferença a repressão policial contra as manifestações e, portanto, contra o direito democrático de protestar nas ruas.

No entanto, também não é algo fora de cogitação que tais grupos tenham pretensões ainda mais ambiciosas, de criar um ambiente favorável a aventuras golpistas. Não esqueçamos que todos os golpes de Estado da história brasileira foram consumados a pretexto de “manter a ordem”. Se isto for verdade, a baderna interessa fundamentalmente à direita conservadora e reacionária, que domina a economia e a riqueza brasileira, e tem pânico de que o povo se acostume a praticar a democracia.

De qualquer forma, quaisquer que sejam os objetivos desses grupos, os setores populares que pretendem se manifestar democraticamente nas ruas não podem deixar a contenção deles a cargo da polícia. Precisam aprender a deixá-los à mostra, e de tal forma que, para a população em geral, fique evidente não só seu pequeno número de seus participantes, mas também a omissão policial. É esta que deve ser responsabilizada por só intervir quando o quebra-quebra já aconteceu.

Este é um aprendizado que precisa ser cursado com a ajuda daqueles que viveram as lutas populares dos anos 1970 e 1980, contra a repressão ditatorial militar. Em outras palavras, a baderna não interessa à esquerda e esta deve estar junto aos manifestantes, contribuindo com sua experiência para isolar aqueles que, com o falso pretexto de combater o capitalismo, na verdade contribuem para enfraquecer a luta democrática da maioria.

*Wladimir Pomar é analista político e escritor.

(Via Correio da Cidadania)

Embargos Infringentes, Duplo Grau de Jurisdição e Pacto de São José da Costa Rica

Tese do Ministro  Lewandowski pode beneficiar José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares


Brasília - Carta Maior - A tese defendida pelo ministro Ricardo Lewandowski na sessão de julgamento dos recursos do mensalão desta quarta (21) não foi acolhida pela maioria dos seus pares, mas pode vir a beneficiar os três réus considerados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como “os mandantes do esquema de corrupção para compra de votos de parlamentares”: o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoíno e o ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares. 

Ao analisar os embargos de declaração do ex-deputado Bispo Rodrigues, condenado por corrupção passiva, Lewandowski reviu seu voto original e defendeu que a pena do réu fosse fixada com base na legislação vigente à época em que o pagamento foi acertado, e não com base na legislação mais rigorosa que passou a vigorar um mês antes de Rodrigues receber a segunda parcela do montante.

O entendimento impacta no resultado porque, em 2002, quando o pagamento fora combinado, a lei vigente previa penas de 1 a 8 anos para corrupção passiva. Em novembro do ano seguinte, passou a viger uma nova lei, que elevou a pena para de 2 a 12 anos. Bispo Rodrigues foi condenado com base na data do recebimento da última parcela - dezembro de 2003 – conforme tese defendida pelo presidente da corte e relator da ação penal, ministro Joaquim Barbosa.

Entrevero na corte

A tese de Lewandowski foi a responsável pelo mais recente e mais grave entrevero entre ele e Joaquim Barbosa. Na semana passada, o último chegou a interromper abruptamente o julgamento acusando o primeiro de fazer “chicana”, uma espécie de manobra jurídica para atrasar o julgamento. 

Mas a expectativa de que Barbosa iniciasse a sessão desta quarta se desculpando com o colega não se concretizou. Ele apenas justificou seu rompante dizendo zelar pela “celeridade” do julgamento.

Lewandowski, por sua vez, agradeceu o apoio recebido de colegas e da sociedade. E deu o episódio como encerrado. O decano da corte, ministro Celso de Mello, se pronunciou em defesa do direito de discordar, embora sem atacar a raiz do problema: o autoritarismo do presidente da corte. “O voto vencido, discordante, tem suma importância. Deve merecer o respeito de todos os seus pares. (...) A história tem registrado que nos votos vencidos algumas vezes reside a semente das grandes transformações”, afirmou.

A sessão seguiu seu curso, com Barbosa intervendo nos votos dos ministros a cada sinal de que poderia ser contrariado. A tese de Lewandowski conquistou os votos dos ministros Marco Aurélio Mello e Dias Tóffoli. O calouro Luís Barroso disse que concordava com o conteúdo, mas considerou que, por entrar apenas nesta segunda fase do julgamento, não atacaria questões de mérito. "Não faço feliz nem confortável, mas é a melhor conduta", ponderou.

O também recém empossado Teori Zawaski acompanhou o Barroso. Os demais ministros mantiveram o voto original. O placar final foi de 8 votos a 3 para a tese de Joaquim Barbosa.

Corrupção passiva X ativa
O advogado Pierpaolo Bottini, que defende o ex-deputado Professor Luizinho na ação penal, avalia que a tese de Lewandowski poderá resultar em placar diferente quando o objeto do julgamento for o crime de corrupção ativa. 

Segundo ele, embora os dois crimes dependam um do outro, possuem concepções diferenciadas no entendimento jurídico. “Enquanto o crime de corrupção passiva depende da solicitação e do recebimento, o de corrupção ativa fica configurado apenas com o oferecimento. E o oferecimento é feito no início da negociação, e não com a conclusão do pagamento”, esclareceu.

A interpretação do advogado é também a base do recurso interposto esta semana pela defesa de José Dirceu. E caso seja compartilhada pela maioria dos ministros do STF, poderá beneficiar não só a ele, mas também a Genoino e Delúbio, que terão suas penas automaticamente reduzida. “Há contradições grandes para serem discutidas quanto ao crime de corrupção ativa. E é para isso que servem os embargos”, arrematou Bottini. 

Embargos infringentes
Marthius Sávio Cavalcante Lobato, que representa o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato na ação, acrescenta que a divergência aberta por Lewandowski possibilita à defesa requerer embargos infringentes, espécie de recurso previsto no Regimento Interno do STF para decisões que não obtêm ampla maioria. O problema, segundo ele, é que não há unanimidade na corte quanto à validade dos embargos infringentes.

“Embora previstos no Regimento Interno da corte, a Lei Processual Penal, que é posterior, não faz previsão destes recursos. Por isso, alguns juristas defendem que eles não têm mais validade. Mas o fato é que o Brasil assinou o Pacto de São José da Costa Rica, uma norma supralegal que prevê dupla jurisdição em ações penais. E em um julgamento como este, feito em apenas uma instância, são os embargos que garantem a dupla jurisdição”, defende. 

Botinni acrescenta que o acolhimento dos embargos infringentes será importante até mesmo para que os dois novos ministros possam atacar as questões de mérito que, hoje, se sentem tolhidos a abordar. “Eles estão chegando agora no julgamento. Acredito que no julgamento dos embargos infringentes eles se sentirão mais a vontade para enfrentarem as questões de mérito”, afirmou. 

Descrente dos possíveis resultados dos embargos declaratórios – que foram rejeitados no caso dos onze réus já julgados - o advogado Alberto Zacharias Toron, que defende o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), também aposta nos infringentes para reverter eventuais excessos do julgamento original. “Desse mato não sai cachorro”, disse ele sobre os declaratórios. “A esperança são os embargos infringentes, se forem acolhidos”, pontuou. (Najla Passos)

-Via http://www.cartamaior.com.br   -  Edição final e grifos deste blog

21 agosto 2013

'Mais Médicos': Brasil trará mais 4.000 médicos cubanos




Brasil trará mais 4.000 médicos cubanos

Profissionais serão encaminhados para regiões que não foram escolhidas por médicos brasileiros

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (21) a vinda de 4.000 médicos de Cuba para as vagas que não foram preenchidas por médicos brasileiros no programa Mais Médicos.

O acordo foi afirmado entre o governo brasileira e a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde). Segundo o ministro, 400 médicos já serão encaminhados para a primeira parte do programa.

A previsão é que mais 2.000 médicos cubanos cheguem no dia 4 de outubro para as vagas não preenchidas no segundo mês do programa Mais Médicos.

Os profissionais serão encaminhados para as 701 municípios que estão no programa, mas não foram escolhidos por médicos brasileiros formados no Brasil ou no exterior. Destas cidades, 84 % estão na região Norte e Nordeste do País.

De acordo com o ministro, 84% dos médicos cubanos encaminhados para o Brasil têm mais de 16 anos de experiência e todos já participaram de missões internacionais em países que falam português. Além disso, todos são especializados em medicina familiar e comunitária.

Além de Cuba, OPAS continua buscando parceria de países, universidades e organizações de outros países para participar do programa.

*Fonte: http://noticias.r7.com

18 agosto 2013

Quem quer, apura


Por Janio de Freitas*

O desejo de esclarecer as licitações e compras do metrô paulistano e da CPTM, reiterado pelo governador Geraldo Alckmin, dispõe de caminhos muito mais simples, rápidos e eficientes do que os processos judiciais por ele anunciados. Estes, além de lançarem dúvida sobre a veracidade do desejo, com sua preferência pelo método confuso, e lerdo, correspondem demais a utilidades reeleitoreiras.

Não é preciso esperar pelos documentos já colhidos na investigação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), e tão reclamados à toa pelo governador. Ao que se saiba, também o governo paulista não é dado a repassar aos investigados por sua polícia as pistas e provas obtidas em investigações ainda sigilosas.

As licitações, contratações e compras foram feitas pelo governo paulista. É só abrir os seus respectivos arquivos e surgirá uma profusão de documentos com indícios, esclarecimentos, mesmo com provas em um ou em outro sentido, coisas que talvez nem o Cade já tenha. O governo paulista não se deu a esse trabalho simples para embasar as informações esperadas pela opinião pública, até agora só servida de palavrório requentado.

De fácil acesso nos arquivos está um outro indicador, sempre enrolado em meias explicações pelo governantes e, no caso paulista, parte essencial. São os acréscimos de preço apelidados de reajustes, que só em casos raros refletem motivos justos e não pretextos, convenientes à melhoria do preço feito para vencer. E não menos convenientes a mais participações de terceiros, quartos e outros.

Na beira do cadafalso estão governos paulistas e o PSDB. Cabe então ao governador Geraldo Alckmin abrir o jogo, mostrar o que se passou conforme a documentação em posse do governo paulista, caso queira deixar mais do que a impressão de tergiversar e fazer gestos ilusórios como resguardo eleitoreiro.

Janio de Freitas, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de SP (fonte desta postagem), é um dos mais importantes jornalistas brasileiros. Analisa com perspicácia e ousadia as questões políticas e econômicas.