19 abril 2015

BACANAL



Quero beber! Cantar asneiras
No esto brutal das bebedeiras
Que tudo emborca e faz em caco…
Evoé Baco!
Lá se me parte a alma levada
No torvelim da mascarada,
A gargalhar em douro assomo…
Evoé Momo!
Lacem-na toda, multicores,
As serpentinas dos amores,
Cobras de lívidos venenos…
Evoé Vênus!
Se perguntarem: Que mais queres,
além de versos e mulheres?
- Vinhos!… o vinho que é o meu fraco!…
Evoé Baco!
O alfange rútilo da lua,
Por degolar a nuca nua
Que me alucina e que não domo!…
Evoé Momo!
A Lira etérea, a grande Lira!…
Por que eu extático desfira
Em seu louvor versos obscenos,
Evoé Vênus!
         Manuel Bandeira - 1918

18 abril 2015

A luta não acabou. Dia 22 de abril, CUT vai às ruas contra terceirização



No "Dia Nacional de Paralisações Contra o PL 4330" os trabalhadores deram um recado à Brasília, que sentiu a pressão e recuou. Enquanto o PL 4330 não cair, não haverá arrego


Na próxima quarta-feira (22), a CUT intensificará, em todo o País, a luta nas ruas e nas redes contra o PL 4330, que amplia a terceirização no Brasil. Em Brasília, mais uma vez, os parlamentares vão se reunir para analisar e votar os destaques do projeto.
Na última quarta-feira (15), o “Dia Nacional de Paralisação Contra o PL 4330”, convocado pela CUT e outras centrais sindicais, mobilizou trabalhadores e trabalhadoras de diversas categorias que deram uma resposta à Brasília, mostrando que não aceitarão a terceirização.

A pressão popular surtiu efeito e na Câmara, diante do recuo de muitos parlamentares, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB), teve que adiar a votação dos destaques do PL 4330. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), imediatamente foi aos microfones dizer que por lá o projeto não será aprovado. 
“Para nós termos um Brasil melhor, vai ter que mexer na linha econômica. Ajuste, se for pra fazer, que faça nas grandes fortunas”, defendeu o presidente da CUT, Vagner Freitas, que atacou o projeto da terceirização. “Se for preciso fazer uma greve nacional pra impedir que se mexa no PL 4330, não tenham dúvidas de que faremos.”
Fonte: CUT Nacional  http://cut.org.br/

AJUDANDO QUEM?



Diante do caráter seletivo das investigações sobre corrupção no país, é difícil compreender a postura de parcelas do PT diante dos acusados da Lava Jato

Por Paulo Moreira Leite*

Há algo de muito estranho na postura de uma parcela de petistas diante da prisão do tesoureiro do PT João Vaccari Neto. No pior momento da história do Partido dos Trabalhadores, quando a legenda parece estar sendo conduzida calculadamente até a beira do abismo pela ofensiva do juiz Sérgio Moro, eles preferem tomar distância dos acusados, exigem que entreguem seus cargos no partido e só reapareçam depois que não houver um fiapo de dúvida a respeito de sua conduta.

Em vez de demonstrar solidariedade com os envolvidos nas acusações, integrantes reunidos em torno da corrente Mensagem ao Partido, formada por políticos respeitáveis e de prestígio, como o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o deputado Paulo Teixeira, o ex-ministro, ex-prefeito de Porto Alegre e ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, todos com reconhecida formação jurídica, parecem ter invertido as regras elementares da Justiça. Exigem que os acusados demonstrem a própria inocência — em vez de aguardar que o Ministério Público e a Polícia Federal sejam capazes de demonstrar sua culpa, a partir de provas robustas e inquestionáveis.
O comportamento causa estranheza por seu efeito político duvidoso como instrumento de proteção à reputação dos petistas, já que mesmo em casos menores da vida cotidiana a falta de apoio das pessoas próximas — como parentes e amigos — costuma ser vista como um indício frequente de culpa pela maioria dos cidadãos.

Em vez de auxiliar o partido no esforço politicamente compreensível — em qualquer legenda que se encontre em situação semelhante — para questionar as acusações e denúncias em fase inicial de apuração, contribui para reforçar a convicção, extremamente danosa para o PT e para o governo Dilma, de que a Lava Jato é um processo essencialmente jurídico, conduzido de forma equilibrada e isenta pelo juiz Sérgio Moro. Só a disposição para defender uma visão desse tipo, que nega o caráter essencialmente injusto e seletivo das investigações sobre boa parte dos casos corrupção ocorridas no país — algo tão fácil de demonstrar como a existência da lei da gravidade — pode justificar uma postura de quem pretende punir militantes e dirigentes, aliados até a véspera, antes que a Justiça tenha dado sua palavra final.

Em 2005, durante o processo que levou à AP 470, uma parcela igualmente ponderável de petistas assumiu essa postura pela primeira vez. Dizia-se, na época, que entregar alguns troféus do partido — a começar por José Dirceu — às fogueiras da cassação pelo Congresso poderia até ser uma medida injusta, mas aceitável como uma tentativa de encerrar uma crise e garantir a sobrevivência do partido. Dez anos depois, o saldo dessa estratégica está aí, à vista de todos.

Outro aspecto diz respeito à natureza opaca das denúncias de corrupção e ao caráter dos crimes que podem — ou não — serem associados ao sistema de financiamento de campanha, historicamente promíscuo. No mesmo dia em que os jornais estampavam uma foto da prisão de Vaccari, Fernando Henrique Cardoso apresentava o empresário e vereador Andrea Matarazzo — nome frequente em boa parte das denúncias de irregularidades na tesouraria tucana — como candidato do PSDB a prefeitura de São Paulo em 2016. (...)
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*Jornalista - Fonte: http://paulomoreiraleite.com/

17 abril 2015

'Organizar Atos de 1º de Maio de luta e de massas em todo o país!'


A principal tarefa é organizar grandes primeiros de maio

No fechamento dessa edição {do Jornal 'O Trabalho', 15/04}, em vários estados manifestações chamadas pela CUT, outras centrais e movimentos populares combatiam o Projeto de Lei 4330 da terceirização em votação no Congresso Nacional.
No mesmo momento, era estampada a notícia da prisão do companheiro João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, por ordem do juiz Sérgio Moro que comanda a “operação Lava Jato”.
Há um nexo entre os dois fatos.
A maioria dos trabalhadores brasileiros escolheu o governo do PT como melhor terreno para prosseguir sua luta. Essa base social não aceita os ataques do reacionário Congresso Nacional sob comando de Cunha-Renan do PMDB que preparam um golpe brutal, com o PL 4330, contra os direitos trabalhistas. Assim como não aceita que o governo que elegeu restrinja direitos. E por isso o 15 de abril foi um dia de luta também contra as Medidas Provisórias 664 e 665, parte do plano de ajuste do ministro Joaquim Levy.
Disposta a resistir, a classe trabalhadora busca apoiar-se nas organizações que construiu, como são o PT e a CUT.

A direção do PT subordina-se ao ajuste de Levy e à aliança com o PMDB, partido que agora controla a articulação política do Planalto. Mas os trabalhadores podem cobrar o governo, cobrar os parlamentares do PT. Afinal, “não foi para fazer isso que elegemos o PT”.

A ofensiva contra o PT visa intimidar e bloquear qualquer brecha que os trabalhadores possam se servir.
A operação Lava Jato é isso: a um só tempo, pretexto para uma ofensiva contra a Petrobras, para entregar o Pré-Sal às multinacionais e também uma operação contra o PT para desmoralizar sua base que está na linha de frente com a CUT e a FUP nas mobilizações em defesa dos direitos dos trabalhadores, da Petrobras, da democracia e da reforma política com uma Constituinte. A prisão de Vaccari é mais um passo numa escalada que, desde a Ação Penal 470, prosperou diante da omissão da cúpula partidária em defender o PT cujos dirigentes viraram réus. E não vai parar.

A direção do partido não tem o direito de prosseguir com essa política que está levando o PT ao atoleiro e a nação juntamente com os trabalhadores ao desastre.
É responsabilidade de uma direção digna desse nome defender partido e o mandato popular dado a Dilma. De nossa parte não vamos esperar.
Como petistas, nos solidarizamos com o companheiro Vaccari e chamamos a defesa do PT. Prosseguimos na batalha para resgatar o petismo no PT, convidando a “agir como o PT agia” agrupando no Diálogo e Ação Petista os militantes que buscam se manter fiéis aos compromissos que construíram o PT.
Nessa via, a principal tarefa das próximas semanas é organizar em todos Estados, nas capitais e no interior grandes atos de 1o de Maio.
Neles, junto com os aderentes do Diálogo e Ação Petista, estaremos em caravanas com nossas faixas e pirulitos dialogando e mobilizando, como o PT fazia com a CUT e os movimentos populares, nos bairros e nos sindicatos, na luta para pôr abaixo o Plano Levy, defender a Petrobras e uma Constituinte.
Depois que começou a minguar a onda da reação nas ruas, mais que nunca é hora afirmar num 1o de Maio de luta. A força da classe trabalhadora é a única que pode abrir uma saída para a crise que corrói as apodrecidas instituições desse país.
Fonte: Jornal 'O Trabalho'  http://otrabalho.org.br/
(Edição final deste blog)

16 abril 2015

Cartola & Beth Carvalho



 *O Mundo é um Moinho & As Rosas Não Falam - de Cartola, com Beth Carvalho

“Ou reagimos contra este poder paralelo, orquestrado pela Globo, ou o País pode chegar ao caos institucional”


Deputado Zé Geraldo. Foto: Salu Parente/Divulgação
Deputado condena juiz Sérgio Moro por “prisões políticas” e  abuso de poder
Em discurso contundente na Tribuna da Câmara, na quarta-feira (15), o deputado Zé Geraldo (PT-PA)  afirmou que “ou reagimos contra este poder paralelo que vem trabalhando fortemente para desestabilizar nossa democracia, orquestrado pela Rede Globo – que lembremos, já apoiou a ditadura-, por parte de setores do Judiciário e pelos partidos derrotados na última eleição, ou o País pode chegar ao caos institucional”.
Para o deputado, ao referir-se ao juiz Sérgio Moro, um juiz de primeira instância não pode mandar no país. “Ainda mais sabendo que este mando está firmado sobre uma coalizão informal que empurra o país a um abismo sem fim”, vaticinou.
“Sob a desculpa de investigar atos de corrupção, uma operação sem fim vem causando prejuízos enormes ao país, quebrando empresas, produzindo um exército de desempregados e desfalcando dia a dia um dos nossos maiores patrimônio, a Petrobras”, disse.
Ainda, segundo o deputado Zé Geraldo, quem cometeu qualquer tipo de mal feito, tem de ser punido, nos rigores da lei. O que não se pode tolerar, avaliou, “é uma instrumentalização com finalidade de partidarizar um problema que todos sabemos sistêmico. E, deste modo, deve ser combatido com profundidade, não com as nuvens de fumaça tão conhecidas dos períodos sombrios que fizeram parte de nosso passado recente”.
Ainda, discursou o deputado, por conta de posicionamentos infelizes, “talvez fruto da vaidade ou coisa pior”, se fragiliza a democracia.
“Se fizermos hoje um balanço chegaremos seguramente a um prejuízo maior do que o que foi desviado da estatal desde o período que a legislação fora afrouxada para permitir a corrupção, fruto justamente de trapalhadas de um judiciário atabalhoado”, ponderou.
Para o deputado,  a Petrobras e o Brasil já perderam mais dinheiro com o escândalo “promovido pela mídia, alimentada pelos desmandos do Senhor Moro do que com os bilionários desfalques dos seus ex-diretores e de toda a operação de lavagem de dinheiro comanda pelo senhor Youssef; o que é uma evidente demonstração que judiciário/Globo devem rever seus modos de atuação, sem ferir obviamente o direito de informação e os trâmites legais. Que, contraditoriamente, é o que vemos em larga escala nesse Processo”.
Na avaliação do deputado Zé Geraldo, o juiz Sérgio Moro deve sim investigar, é seu dever. No entanto, a investigação deve ser feita dentro da lei e sem abusos. “O senhor Moro não está acima da Lei. Não pode prender e manter presas pessoas por tempo indeterminado somente para conseguir delações”, disse.
Ele questionou a prisão do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari. “O que há de novo na investigação que justifique a prisão arbitrária e sem razão do tesoureiro Vaccari?”, questionou.
Para o deputado, se o ato de prender sem as devidas provas sob o argumento frágil da “prisão preventiva” não for repudiado com veemência por todos nós, o direito de todos estará em zona de risco. Numa Democracia não se pode fazer prisões políticas!
Fonte: http://www.viomundo.com.br/

14 abril 2015

Contra o PL 4330: paralisação nacional no dia 15 de abril (CUT)




* Presidente da CUT, Vagner Freitas, convoca os(as) trabalhadores(as) para a Greve Geral Nacional deste dia 15/04 contra o PL 4330, que precariza as relações de trabalho no Brasil. O dirigente alerta que o projeto de regulamentação da terceirização representa a maior retirada de direitos dos trabalhadores já vista na história. (Confira no vídeo acima).

'Terceirizar atividade finalística é inconstitucional e atinge direitos fundamentais'


Das 24 entidades convidadas para audiência pública no Senado, nenhuma se manifestou favorável ao PL das terceirizações aprovado pela Câmara.


Carta Maior - Por Najla Passos -  A audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos do Senado (CDH), nesta segunda (13), para debater o Projeto de Lei 4330/04, que libera as terceirizações em todas as atividades das empresas, aprovado na semana passada pela Câmara e já considerado o mais duro ataque aos direitos trabalhistas da última década, deixou claro o completo descolamento entre o que quer e pensa o povo brasileiro e os parlamentares eleitos para representá-lo.
 
Enquanto uma maioria formada por 324 deputados foi favorável ao projeto, os representantes de todas as 24 entidades convidadas a participar do evento manifestaram posição contrária. Entre eles, lideranças das maiores centrais sindicais do país, como CUT, UGT, CTB, NCST e Conlutas, que conclamaram os trabalhadores a participarem das manifestações contrárias às terceirizações, marcadas para esta quarta (15) nas capitais e principais cidades do país.
 
Só não participou da audiência a Força Sindical, criada nos anos 90 por lideranças sindicais pelegas como o hoje deputado Paulinho da Força (SDD-SP) para dar sustentação ao discurso patronal falacioso de que os trabalhadores estão divididos e, portanto, parte deles apoiam a desregulamentação das leis trabalhistas.
 
Também participaram da audiência pública representantes do universo jurídico e da acadêmica, com opiniões qualificadas e convergentes quanto ao retrocesso representado pelo PL 4330/04. O cidadão comum também pode dar sua opinião sobre o tema via as redes sociais do Sendo: das 624 manifestações recebidas, 623 eram contrárias ao projeto e uma manifestava dúvida quanto a sua eficácia.
 
A deputada Érika Kokay (PT-DF), convidada a relatar o ambiente político em que o projeto foi aprovado na Câmara, definiu como cínica a posição dos seus colegas que defendem as terceirizações. Segundo ela, embora afirmassem nos seus discursos que estavam legislando em benefício dos 13 milhões de trabalhadores terceirizados que já existem no país, todos eles sabiam muito bem que a matéria só trazia benefícios ao capital.
 
Para a deputada, o resultado da votação reflete a falência do sistema de financiamento de campanha brasileiro, que permite que as empresas invistam grandes somas de dinheiro nos políticos dispostos a representa-las a qualquer custo. Kokay também criticou duramente a forma antidemocrática com que o presidente da casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), conduziu à votação. “Não houve a devida discussão da matéria e os representantes dos trabalhadores foram proibidos de participar da sessão”, denunciou.
 
O senador Paulo Paim (PT-RS), autor do requerimento para realização da audiência, também confessou ter ficado chocado com o encaminhamento da pauta na Câmara. Segundo ele, que assistiu à votação pela TV, o projeto foi colocado em votação à toque de caixa, antes mesmo do texto final da matéria ter sido disponibilizado para discussão. O senador se comprometeu com os presentes a cobrar do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) para garantir a ampla discussão democrática necessária à matéria.
 
Para os sindicalistas, operadores do direito e pesquisadores presentes, a posição do Senado é crucial para o encaminhamento da pauta. Conforme a maioria, a casa precisa barrar a matéria para que ela retorne a Câmara e seja rediscutida sob novos parâmetros. Mas também houve quem a classificasse de inconstitucional ou quem reivindicasse até mesmo a revisão das terceirizações já permitidas pela lei atual.
 
As opiniões contrárias
 
Presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), o ministro Antônio José de Barros Levenhagen criticou o projeto aprovado pela Câmara. Segundo ele, para manter o mínimo de equilíbrio entre as relações capital X trabalho, o parlamento precisa pelo menos estabelecer tetos. Como sugestão, apontou o limite de 30% para o número de trabalhadores terceirizados nas empresas e a fixação de piso salarial não inferior a 80% do vencimento dos contratados.
 
Representante da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), a juíza Noêmia Aparecida condenou as terceirizações inclusive das chamadas atividades-meio das empresas, o que já é permitido pela legislação atual. Ela enfrentou a desculpa falaciosa utilizada pelos patrões de que a lei visa abrir novos postos de trabalho. “Nenhuma lei, por si só, cria mais postos de trabalho. Mas a legislação, se ruim, pode aumentar a precarização das relações de trabalho já existentes”, opinou.
 
O procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT), Helder Amorim, também enfatizou posição contrária ao PL 4330/04 que, segundo ele, é inconstitucional. “Terceirizar atividade finalística é inconstitucional. Atinge direitos fundamentais como o direito à greve, acordos e convenções coletivas, reduz a remuneração dos trabalhadores e as contribuições para a previdência”, argumentou.
 
De acordo com Amorim, o projeto aprovado pela Câmara fere a constituição de forma tão irreparável que não é possível sequer melhorá-lo na fase de votação das emendas, prevista para esta terça (14), na Câmara. O procurador informou que o MPT só auxiliará o legislativo apresentando propostas e sugestões se a previsão de terceirização nas atividades-fim for retirada do texto.
 
Os números da terceirização
 
Assessora técnica do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Lilian Arruda Marques demonstrou, com base em dados e números, como as terceirizações já existentes prejudicam os trabalhadores em diferentes níveis.
 
A pesquisadora lembrou que o terceirizado tem salário menor (cerca de 24% menos que os contratados), trabalha mais (em média 3h acima dos trabalhadores com carteira assinada) e sofre um maior número de acidentes de trabalho (em 2013, no setor elétrico, dos 79 mortos, 61 eram terceirizados. Nas obras de acabamento, eram 18 de 20 mortos. Nas obras de terraplanagem, foram 18 de 19).
 
Não bastasse tudo isso, Lílian acrescenta o calote como um dos maiores problemas enfrentados pelos trabalhadores submetidos à essa modalidade. “Não é só ganhar menos e adoecer e se acidentar mais. É comum não ter nenhum direito no final do contrato porque a empresa deixou de existir”, alertou. 
 
Não por acaso, os terceirizados são maioria entre as vítimas do trabalho escravo no Brasil. Entre 2010 e 2013, dos 3,5 mil trabalhadores resgatados nas 10 maiores operações realizadas, quase 3 mil eram terceirizados.

Fonte: http://cartamaior.com.br/

12 abril 2015

09 abril 2015

15 de abril - Dia Nacional de Paralisação




Roberto ParizottiTrabalhadores durante manifestação contra PL 4330 na Paulista

Todos e todas contra o PL 4330 da Terceirização


A Direção da CUT parabeniza todos/as os/as dirigentes e militantes dos sindicatos, Federações, Confederações e Estaduais que saíram às ruas, em todo o país, no dia 7 de abril, para protestar junto com a CTB, Intersindical e os movimentos populares contra o Projeto de Lei PL 4330. Em Brasília, a manifestação em frente ao Congresso Nacional enfrentou a repressão e a violência das tropas policiais, requisitadas pelo Presidente da Câmara, Deputado Eduardo Cunha que impediu o acesso dos/as trabalhadores/as à Casa, provocando ferimentos em vários/as de nossos/as bravos/as companheiros/as.

Sem ouvir nosso apelo, o Congresso retrógrado e dominado pelos interesses dos patrões aprovou na noite do dia 8 de abril, por 324 a 137 votos, o Projeto de Lei 4330 que retira direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras e ameaça a liberdade e a organização sindical.

Estamos diante de um verdadeiro retrocesso na história das conquistas da classe trabalhadora. Na próxima semana, o projeto será submetido a emendas na Câmara dos Deputados e, posteriormente, encaminhado para o Senado. Em todo esse processo, a CUT intensificará a luta e a pressão no Congresso e nas ruas.

Considerando a gravidade da situação, conclamamos nossas bases para fazer em 15 de abril um Dia Nacional de Paralisação nos locais de trabalho em protesto contra o PL 4330.

Devemos articular a paralisação do dia 15 de abril com as categorias que estão em greve e construir, em todos os Estados, atividades conjuntas com movimentos populares parceiros, no final da tarde, em defesa dos direitos trabalhistas, da democracia, da reforma política, da democratização dos meios de comunicação, da Petrobrás e contra a corrupção e o retrocesso.

EM DEFESA DOS DIREITOS DA CLASSE TRABALHADORA

CONTRA O PL 4330

SOMOS FORTES! SOMOS CUT!
DIREÇÃO EXECUTIVA DA CUT

*Fonte: http://cut.org.br/

08 abril 2015

Terceirização: retrocesso enorme!



Terceirização: veja como votou cada deputado

Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira 8, por 324 votos a favor, 137 contra e duas abstenções, o texto principal do projeto de lei que trata da regulamentação do trabalho terceirizado no Brasil. Os destaques e sugestões de alterações serão discutidos na próxima semana

CLIQUE AQUI para ver como votou cada deputado (via Carta Capital)

07 abril 2015

Articulação política do gov. Dilma: Sai Pepe (PT); entra Temer (PMDB). 'Quo Vadis?!'





O vice-presidente da República, Michel Temer, será o responsável pela articulação política do governo, segundo nota divulgada na noite de hoje (7) pelo Palácio do Planalto. A presidenta Dilma Rousseff decidiu que o ministro Pepe Vargas deixa a Secretaria de Relações Institucionais, que passa a integrar as competências do vice-presidente. Dilma esteve reunida nesta tarde com presidentes e líderes de partidos da base aliada no Congresso Nacional.

Na nota, Dilma agradece "o empenho, a lealdade e a competência" do ex-ministro. Vargas assumiu o cargo no início do ano, no segundo mandato presidencial de Dilma Rousseff. (...)

CLIQUE AQUI para continuar lendo (via Ag. Brasil)

06 abril 2015

7 de abril: Dia Nacional de Luta em Defesa dos Direitos da ClasseTrabalhadora



CUT, CTB, MST e movimentos populares do campo e da cidade realizam nesta terça-feira (7) manifestações em todo o Brasil para impedir aprovação do 4330 e exigir mais direitos para classe trabalhadora


7 de abril: Dia Nacional de Luta em Defesa da Classe Trabalhadora
Contra o PL 4330, da Terceirização
Em Defesa da Saúde Pública
Em Defesa da Petrobrás
Por Mais Direitos
Mais Democracia

A CUT, a CTB, o MST, a UNE, o MAB, a CMP e dezenas de movimentos populares do campo e da cidade realizam nesta terça-feira (7) manifestações em todo o Brasil para impedir que o Congresso Nacional aprove o Projeto de Lei 4330/04, que libera a terceirização para todas as atividades das empresas. Esse projeto, na prática, legaliza o desmanche da CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas, tira dos/as trabalhadores/as direitos duramente conquistados e dá aos patrões segurança jurídica para contratar do jeito que quiser.
Os atos em todo o Brasil serão também em defesa da saúde pública, da democracia, dos direitos dos trabalhares, da Petrobrás e das reforma política, agrária e da comunicação e combate à corrupção.
CLIQUE AQUI para ler mais (via CUT Nacional)

Geração 68, de vitoriosa a derrotada.


ok1 Geração 68, de vitoriosa a derrotada

*Por Ricardo Kotscho*
Faço parte da geração 68, como ficou conhecida a dos estudantes libertários que viraram o Brasil e o mundo de cabeça para o ar naquele ano do século passado, contestando todas as hierarquias e estruturas de poder, sem ter ideia de onde pretendiam chegar. Sabiam o que não queriam mais, mas não se entendiam sobre o que exatamente sonhavam colocar no lugar.
Pintava de tudo naqueles movimentos estudantis, das barricadas de Paris às grandes passeatas no Rio _ comunistas, trotskistas, anarquistas, hippies do paz e amor, guerrilheiros urbanos, porra-loucas e insatisfeitos em geral.
Tinha acabado de entrar na faculdade, na primeira turma da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, criada um ano antes. Voltei lá esta semana para participar de um debate junto com Heródoto Barbeiro, meu colega no Jornal da Record News, que comemorou na segunda-feira sua milésima edição no ar.
Para mim, foi um verdadeiro choque cultural. Nada mais restava daquele agito permanente em que os alunos ficavam mais fora do que dentro das salas de aula, pintando cartazes e faixas, fazendo discursos inflamados contra o reitor, a polícia, os americanos, a ditadura militar, o diabo a quatro.
Confesso que não tinha na época a menor consciência política e gostava mesmo era da farra, das festas, das paqueras, das intermináveis conversas no Rei das Batidas, um bar que existe até hoje na entrada da Cidade Universitária.
Já trabalhava na época como estagiário do Estadão, o principal jornal brasileiro naquele tempo, onde tinha entrado no mesmo mês em que passei no vestibular. Como viajava muito para fazer reportagens, comecei a frequentar cada vez menos a faculdade, que não consegui terminar até hoje.
Agora, ao entrar na sala, onde os alunos do professor Santoro já nos aguardavam, tive uma sensação estranha. Todos em silêncio, comportadamente sentados, pareciam esperar o início de uma missa. Do lado de fora, nenhum sinal ou som fazia lembrar a escola onde estudei quase meio século atrás. A ECA-USP velha de guerra, um dos principais focos dos confrontos dos anos 60, lembrava a sede de uma repartição pública.
Imaginava encontrar um clima bem diferente após as manifestações do Fla-Flu político dos últimos dias. Nos debates de que participei quando era aluno, os palestrantes passavam o maior sufoco. Eram contestados a todo momento. Desta vez, porém, depois de uma hora de conversa, me dei conta de que só Heródoto e eu falamos, sem ninguém nos interromper para discordar de nada. Até comentei isso para dar uma provocada na turma, que ficou só olhando para a minha cara como se eu fosse um extraterrestre.
Com o entusiasmo de sempre, Heródoto falava das maravilhas das novas tecnologias e eu da minha paixão pela reportagem, relembramos fatos históricos, arriscamos previsões sobre o futuro da profissão. Quando chegou a vez das perguntas, ninguém tocou nas profundas crises que o país está vivendo em todas as áreas. Na verdade, nem eram perguntas, mas apenas comentários sobre teorias da comunicação e mercado de trabalho, algo bem limitado ao que costumam discutir em sala de aula. É como se não estivessem preocupados com o que acontece fora das fronteiras da universidade.
À noite, na TV, quando comentamos nosso encontro na ECA, me dei conta de uma diferença fundamental que aconteceu neste meio tempo: somos de uma geração que dedicou boa parte de suas vidas à luta coletiva, queríamos mudar o país e o mundo, e fomos vitoriosos ao ajudar a derrotar a ditadura e a dar início a um processo de distribuição de renda, que tornou nosso país mais livre e menos injusto.
Hoje, noto um comportamento mais egoísta, em que os jovens estão preocupados com a carreira e a próprio sobrevivência, na base do cada um por si e Deus por todos. Em algum ponto, nós falhamos. Não conseguimos repassar para as novas gerações valores como a solidariedade, a ousadia, o inconformismo, a capacidade de sonhar e mudar o estabelecido para a construção de uma sociedade mais generosa. Desapareceu do mapa uma palavra chamada idealismo (não confundir com ideologia).
Pior do que isso: não fomos capazes de criar novas lideranças nem deixamos herdeiros políticos, tanto que o país continua dividido entre FHC e Lula, trinta anos após a redemocratização do país, nem de manter vivo o espírito que mobilizou os movimentos sociais em torno das lutas pela anistia, pela Constituinte, pelas liberdades públicas. Ou alguém sabe quem são esses "líderes" cevados nas redes sociais que apareceram nas manifestações de março? De onde surgiram, quais são suas histórias, que representatividade têm, quais são seus projetos de país? É um mistério.
Somos ao mesmo tempo vitoriosos e derrotados. Ganhamos nas lutas do passado, mas fomos derrotados na construção do futuro. Por isso, chegamos ao final de um ciclo político, com a falência do chamado presidencialismo de coalizão da Nova República, esta zorra federal instalada em Brasília e tão distante do Brasil real, colocando em xeque o futuro da própria democracia representativa pela qual tanto lutamos.
Nas voltas que a vida dá, nos livramos do jugo dos militares e caimos nas mãos do PMDB dos Renan Calheiros e Eduardo Cunha. Está na hora de começarmos tudo de novo.
Vida que segue.
*Jornalista - Editor do 'Balaio do Kotscho', fonte desta postagem.

04 abril 2015

A Forma Fêmea (Walt Whitman)



Esta é a Forma Fêmea


Esta é a forma fêmea: 
dos pés à cabeça dela exala um halo divino, 
ela atrai com ardente 
e irrecusável poder de atração, 
eu me sinto sugado pelo seu respirar 
como se eu não fosse mais 
que um indefeso vapor 
e, a não ser ela e eu, tudo se põe de lado 
— artes, letras, tempos, religiões, 
o que na terra é sólido e visível, 
e o que do céu se esperava 
e do inferno se temia, 
tudo termina: 
estranhos filamentos e renovos 
incontroláveis vêm à tona dela, 
e a acção correspondente 
é igualmente incontrolável; 
cabelos, peitos, quadris, 
curvas de pernas, displicentes mãos caindo 
todas difusas, e as minhas também difusas, 
maré de influxo e influxo de maré, 
carne de amor a inturgescer de dor 
deliciosamente, 
inesgotáveis jactos límpidos de amor 
quentes e enormes, trémula geléia 
de amor, alucinado 
sopro e sumo em delírio; 
noite de amor de noivo 
certa e maciamente laborando 
no amanhecer prostrado, 
a ondular para o presto e proveitoso dia, 
perdida na separação do dia 
de carne doce e envolvente. 

Eis o núcleo — depois vem a criança 
nascida de mulher, 
vem o homem nascido de mulher; 
eis o banho de origem, 
a emergência do pequeno e do grande, 
e de novo a saída. 

Não se envergonhem, mulheres: 
é de vocês o privilégio de conterem 
os outros e darem saída aos outros 
— vocês são os portões do corpo 
e são os portões da alma. 

A fêmea contém todas 
as qualidades e a graça de as temperar, 
está no lugar dela e movimenta-se 
em perfeito equilíbrio, 
ela é todas as coisas devidamente veladas, 
é ao mesmo tempo passiva e activa, 
e está no mundo para dar ao mundo 
tanto filhos como filhas, 
tanto filhas como filhos. 
Assim como na Natureza eu vejo 
minha alma refletida, 
assim como através de um nevoeiro, 
eu vejo Uma de indizível plenitude 
e beleza e saúde, 
com a cabeça inclinada e os braços 
cruzados sobre o peito 
— a Fêmea eu vejo. 

          Walt Whitman, in "Leaves of Grass" 

“As senhoritas de Avignon” - 1907 - óleo sobre tela – 243,9 X 233,7 cm (Pablo Picasso)

'Nada será como antes' (O Trabalho)



Dilma, ouça quem te elegeu!
Depois de 13 e 15 de março, a situação no país não será como antes. A luta classe-contra-classe ganhou as ruas.
Dia 13 as ruas deram um bom recado. Não há outro caminho para enfrentar a grave crise que o país atravessa, na qual a direita pró imperialista surfa para exigir medidas antipopulares, a não ser dar força e confiança para a base social que elegeu Dilma. O governo deve tomar medidas para satisfazer os interesses dos trabalhadores e da nação e não seguir aplicando a política de ajuste comandada pelo ministro Levy.
Os que saíram às ruas em 13 de março com a CUT e os movimentos sociais deram o recado: não às MPs 664 e 665 que atacam direitos; defender a Petrobras e acabar com a corrupção com a reforma política através de uma Constituinte. Afinal esse foi o conteúdo dos votos nas urnas há cinco meses.
Já os partidos, empresários e meios de comunicação que organizaram o dia 15 de março são os mesmos que se beneficiam da política de ajuste implementada por Levy – ministro, que gosta de falar em inglês. Aliás, no dia 15, faixas e bandeiras faziam apologia dos Estados Unidos. O alinhamento do PSDB às pressões dos EUA contra o governo de Maduro na Venezuela é exemplar do movimento pró-imperialista que ocorre no Brasil contra o governo Dilma.
Ainda que o plano de ajuste vá no sentido de seus interesses, para eles é pouco. O imperialismo e seus lacaios locais querem mais. Querem que o governo vá mais fundo nas medidas que atacam os trabalhadores e a nação para alimentar a especulação – o oxigênio que o sistema capitalista em crise precisa. O imperialismo não pode mais suportar que tais medidas sejam emperradas pela base social do governo. Daí as pressões sobre Dilma e a ofensiva para desmoralizar e destruir o PT e as organizações dos trabalhadores.
Os trabalhadores da cidade e do campo, os jovens, os setores explorados e oprimidos vão continuar a se manifestar. E, que fique claro: numa manifestação de defesa do mandato popular dado ao PT, portanto de rechaço às tentativas desestabilizadoras dos partidos e representantes dos exploradores, que também prometem não sair das ruas.
Não tenhamos dúvidas: se o governo adotar uma política que corresponda aos seus interesses, esses sairão ao combate muitos mais dispostos a defender o mandato popular. E será com essa maioria oprimida que luta através de suas organizações que o governo poderá contar contra a ofensiva.
Não será insistindo no plano anti-trabalhador e anti-nação de Levy; não serão negociatas no Congresso, não será cedendo à chantagem de pretensos aliados do PMDB – verdadeiros cavalos de troia dentro do governo – que Dilma governará.
Novas mobilizações estão previstas pela CUT e movimentos sociais para os dias 7 de abril e 1º de maio. Dilma, atenda o que elas dizem! As bandeiras que levam às ruas foram as que lhe garantiram a vitória.
É o que o PT deve dizer à presidente.
Depois de vacilar no 13 de março, agora o PT se associa às novas manifestações. Então que oriente sua bancada a votar com os trabalhadores e contra as MPs que restringem direitos!
É hora de retomar os compromissos com os que produzem a riqueza do país e não atender os parasitas.
De nossa parte, com o Diálogo e Ação Petista, estivemos nas ruas no dia 13 de março e continuaremos para que a maioria do povo trabalhador veja realizada a política pela qual há quatro mandatos elege o PT.
*Fonte: sítio de 'O Trabalho' http://otrabalho.org.br/

03 abril 2015

'Gerdau pode ter pago maior das propinas para se livrar de condenação de R$ 4 bilhões' (no Sul21)


Jorge Gerdau Johannpeter é um dos idealizadores do Programa Gaúcho de Qualidade e Proutividada (PGQP) e do Movimento Brasil Competitivo que defendem a aplicação dos métodos de gestão privados no serviço público. (Foto: Agência Brasil)
Jorge Gerdau Johannpeter é um dos idealizadores do Programa Gaúcho de Qualidade e Proutividada (PGQP) e do Movimento Brasil Competitivo que defendem a aplicação dos métodos de gestão privados no serviço público. (Foto: Agência Brasil)
Por Marco Weissheimer, no Sul21*
Nos últimos dias, começaram a ser divulgados pela imprensa conversas e email’s interceptados com autorização judicial no âmbito das investigações envolvendo fraudes e pagamentos de propina para evitar multas tributárias milionárias. Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, o grupo Gerdau, do empresário Jorge Gerdau Johannpeter, teria sido apontado pela Polícia Federal como o responsável pela maior propina descoberta na Operação Zelotes. O caso da Gerdau, segundo o “Estadão”, envolveria uma comissão de R$ 50 milhões para se livrar de uma condenação fiscal de R$ 4 bilhões. Em nota oficial, a empresa disse que contrata “escritórios externos” para assessorá-la em questões tributárias e que pagamentos estão condicionados ao êxito dos processos. Esses pagamentos, ainda segundo a empresa, não teriam sido realizados porque as ações ainda estão em curso.
Jorge Gerdau Johannpeter é um dos idealizadores do Programa Gaúcho de Qualidade e Proutividada (PGQP) que, conforme o próprio programa define, “atua há 20 anos na promoção da competitividade do Rio Grande do Sul para melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, nos setores público, privado e terceiro setor”. O PGQP participou da criação do Movimento Brasil Competitivo (MBC), também ligado ao empresário Jorge Gerdau, que pretende “levar os conceitos da Qualidade para todos os cantos do nosso país”. O programa teve participação direta no início do governo de José Ivo Sartori (PMDB) no Rio Grande do Sul. No dia 21 de janeiro, técnicos do PGQP apresentaram, no Palácio Piratini, as linhas iniciais do plano de gestão do governo do Estado. Nesta reunião, os técnicos do programa discutiram com os integrantes do governo os principais eixos e diretrizes estratégicas que vão nortear a atuação do Executivo na atual gestão.
“Só coitadinhos pagam impostos”
Na quinta-feira (2), o “Estadão” divulgou uma conversa interceptada pela Polícia Federal, onde um integrante do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão que avalia recursos de contribuintes em débito com a Receita, diz que o órgão se tornou um “balcão de negócios” e, nos julgamentos de recursos, quem não faz “negociata” leva a pior. Na conversa, o conselheiro Paulo Roberto Cortez, um dos investigados na Operação Zelotes, afirma ainda que só os “coitadinhos” acabam pagando impostos. “O Carf tem de acabar, não pode. Quem paga imposto é só os coitadinhos. Quem não pode fazer acordo, acerto – não é acordo, é negociata -se fode”, diz ainda Cortez na conversa divulgada pelo jornal.
Ainda segundo “O Estado de São Paulo”, a conversa foi interceptada pela Polícia Federal no dia 25 de agosto de 2014. Na gravação, Cortez conversa com seu sócio no escritório de assessoria contábil Cortez & Mallmann, que atua no Carf, Nelson Mallmann. Os dois falam sobre casos de suborno envolvendo conselheiros do Carf e empresas investigadas na Operação Zelotes. Há ao menos 74 pessoas físicas e jurídicas sob suspeita, entre eles gigantes do setor privado, como revelou o jornal “O Estado de S. Paulo” no último sábado. Paulo Roberto Cortez também afirma na conversa: “Eles estão mantendo absurdos contra os pequenininhos e esses grandões estão passando tudo livre, isento de imposto. É só pagar taxa”. E defende que o Carf seja fechado e que os recursos sejam discutidos no Judiciário. “Não pode isso aí. Virou balcão de negócios. Dá vergonha, cara”.
O caso da RBS
No dia 31 de março, uma reportagem da Folha de S. Paulo disse que os casos sobre os quais os órgãos investigadores consideram ter indícios mais consistentes envolvem RBS, Gerdau, Cimento Penha, Boston Negócios, J.G. Rodrigues, café Irmãos Júlio, Mundial-Eberle, Ford, Mistubishi, Santander e Safra. As empresas envolvidas na investigação negam qualquer irregularidade. A Folha cita o Ministério Público para afirmar que “até o momento os casos em que há indícios mais fortes de eventuais irregularidades envolvem a RBS e o grupo Gerdau”. O esquema de sonegação, segundo as investigações da Operação Zelotes, seria um dos maiores já investigados no país. Os 74 processos investigados na operação envolvem valores que chegam a R$ 19 bilhões. Segundo a Polícia Federal, já foram comprovados prejuízos de cerca de R$ 6 bilhões.
Os investigadores suspeitam que a RBS teria efetuado o pagamento de R$ 15 milhões de reais para fazer desaparecer um débito de mais de R$ 150 milhões de reais. No total, as investigações se concentrariam em débitos da RBS que chegariam a R$ 672 milhões. O Grupo Gerdau também é investigado pela suposta tentativa de anular débitos que chegariam a R$ 1,2 bilhão. Segundo reportagem do “Estadão”, outra empresa gaúcha, a Marcopolo, estaria sendo investigada pela suspeita de pagamento de propina no valor de R$ 1 milhão para se livrar de uma multa de R$ 200 milhões. E-mails interceptados pela Operação Zelotes revelariam o suposto acerto. Em nota oficial divulgada na quinta-feira (2), a Marcopolo diz que somente tem conhecimento dessa investigação pela mídia.
Receita Federal começou a investigar em 2013
A Receita Federal conduz desde 2013 uma investigação própria, por meio de sua Coordenação-Geral de Pesquisa e Investigação, sobre os fatos que resultaram na Operação Zelotes. A informação foi dada pela própria Receita em nota oficial divulgada quinta-feira (2). Quando tomou conhecimento que a Polícia Federal também estava realizando investigações sobre o mesmo tema, a Receita passou a atuar de forma conjunta, em regime de força-tarefa, com participação também da Corregedoria do Ministério da Fazenda e do Ministério Público Federal para apuração dos fatos, informa a nota distribuída à imprensa, assinada em conjunto pela Receita e pela PF.
A participação da Receita, da Corregedoria do Ministério da Fazenda e da Polícia Federal, diz ainda a nota, “foram decisivas para o sucesso da investigação, considerando-se a complexidade e especificidade do tema, produzindo diversas informações e documentos que foram integrados ao correspondente procedimento criminal, que tramita em segredo de justiça”. Segundo a Receita e a PF, “não há qualquer indício nos autos que apontem o envolvimento de servidores responsáveis pela investigação nas irregularidades apuradas pela Operação Zelotes”.
*Sul21 - fonte desta postagem.