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Entrevista com Jacy Afonso, membro da direção nacional da CUT
“Manifesto é fruto da unidade de ação que tivemos na conjuntura”
Jacy Afonso, membro da Executiva Nacional da Central Única dos Trabalhadores - a CUT e filiado ao PT em Brasília, foi coordenador de mobilização da campanha pela reeleição de Dilma. Jacy foi um dos encabeçadores do manifesto de sindicalistas petistas “O PT de volta para a classe trabalhadora”, dirigido ao 5º Congresso do PT, ao qual ele foi delegado, pela corrente Construindo um Novo Brasil (CNB). Em entrevista à página Diálogo e Ação Petista ele faz uma apreciação do 5º Congresso. (Entrevista concedida à companheira Misa Boito, do PT/SP e integrante do Comitê Nacional do DAP).
Misa Boito: O Congresso do PT cumpriu a expectativa de que ele sintonizasse o partido com sua base social?
Jacy Afonso – Eu esperava mais. Os delegados foram eleitos em 2013 e não houve debate preparatório. As resoluções não foram forjadas no processo de um debate congressual.
Não soubemos avaliar a campanha eleitoral, não soubemos incorporar os movimentos, os militantes, as pessoas ao dia a dia do partido ou mesmo na organização/articulação do Congresso. As resoluções não foram fruto de um debate e reflexão na preparação. Estamos precisando de um congresso do partido que retome a discussão de ação no terreno do movimento social, na ação institucional e de governo. Hoje o centro gravitacional do partido é o governo.
M.B.: As votações, em geral com pequenas diferenças, mostraram certo descongelamento nas bancadas de delegados. O que acha disso?
J.A – Esse Congresso, por essa conjuntura complexa, permitiu que as pessoas saíssem das reflexões internas de suas correntes políticas que também não estavam com uma análise aprofundada dos temas. Portanto, houve muita diversidade. Portanto, é preciso uma avaliação profunda sobre as inflexões realizadas. Perceber esse processo é tarefa do PT, o que significa ação coletiva. Nenhuma corrente pode tentar capitalizar o momento. Temos que estar abertos a ouvir e encontrar, de forma democrática, nossos caminhos.
Nesse Congresso, muitos delegados não seguiram a orientação dos líderes de bancada. Isso é bom, pois mostra uma disposição de escutar as propostas, sem preconceito em relação a quem as está apresentando.
Uma disposição como a de Apolônio de Carvalho. Ele ouvia e decidia em função do debate, era aberto a ouvir.
Isso pode contribuir para que o PT tenha resoluções mais próximas de sua base social.
M.B: O Manifesto dos Sindicalistas, como acha que ele incidiu no Congresso?
J.A – Aliás, a grande novidade do Congresso foi o Manifesto dos Sindicalistas Petistas. É verdade que ele chegou com certo atraso às bases partidárias. Mesmo sendo divulgado na semana anterior, conseguiu capturar e expressar o sentimento da base social do PT. A manifestação ali expressa se configurou em grande quantidade de apoio, de subscrição àquela tese, mesmo com o pouco tempo em que foi articulado.
O Manifesto mostrou que, por mais que tenhamos divergências – ele é assinado por sindicalistas identificados com diferentes correntes do PT – pudemos elaborar um documento conjunto. A unidade de ação que tivemos na conjuntura durante todo o primeiro semestre é que permitiu isso.
O Manifesto impactou, mexeu, questionou, subsidiou. Mas avalio que o Congresso não soube aproveitar de maneira mais eficaz o sentimento da base social do PT ali expresso. Este momento poderia ter sido utilizado para forjar resoluções concretas. Não vejo as resoluções como nascidas a partir de um franco e profundo debate. Isso também se deve a não ter havido uma preparação anterior, as discussões se estabeleceram principalmente em Salvador.
M.B: O Congresso abriu uma saída para a crise que vive o partido?
J.A – Infelizmente não vislumbro essa possibilidade. Mas, com as resoluções aprovadas, combinadas com a conjuntura, podemos ter uma ação maior dos sindicalistas. Por exemplo: o Congresso do PT se manifestou contra o veto à fórmula do 85/95 para aposentadoria, incluída na Medida Provisória 664. E agora, com a pressão do movimento sindical, a bancada dos deputados do partido seguirá essa orientação?
Para mim o melhor caminho é a derrubada do veto e a abertura de um debate sobre o financiamento da previdência, sem progressividade.
Essa é apenas uma demonstração de que é preciso revitalizar a secretaria sindical. No Congresso assumiu um novo secretário, o companheiro Indalécio, do Rio. Precisamos chamar os sindicalistas a terem uma vida partidária, cotidiana, e não ficar só na ação sindical, distanciados dos projetos do governo e do Congresso Nacional.
E precisa mais: faz-se imprescindível que a direção do Partido saiba ouvir os sindicalistas, abrindo espaços democráticos e democratizantes. Não podemos ter a sensação de estranheza, de parte a parte, ao chegar no PT e querer participar efetivamente, contribuir com propostas importantes para os avanços necessários. Por isso, retomar e reorganizar o diálogo com os sindicalistas é fundamental para o aprofundamento dos debates que dizem respeito à classe trabalhadora.
Tenho certeza de que nosso papel de sindicalistas é prioritário e determinante para a vida do partido, afinal este é o Partido dos Trabalhadores.
M.B.: Um encontro de sindicalistas?
J.A – Está aí uma boa proposta. Fazer um encontro nacional de sindicalistas petistas para discutir toda a pauta partidária pode trazer bons frutos. Os sindicalistas, e também os militantes dos movimentos sociais, devem ter o protagonismo na vida partidária e na luta direta. Hoje não temos orientação para os petistas nos movimentos sociais.
M.B.: Começa o 2º semestre, o que vai predominar na pauta dos trabalhadores?
J.A – Hoje o jornal Valor Econômico (6/2), publicou uma entrevista de página inteira com o ministro da Fazenda Joaquim Levy. Lá ele não só reafirma a política de ajuste fiscal como anuncia que vai aprofundá-la, abrir mais para o mercado, vender ativo, diminuir o papel do Estado. A ata do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, fala claramente que o aumento de salário é o responsável pela inflação. “Moderação salarial constitui elemento-chave para a obtenção de um ambiente macroeconômico com estabilidade de preços”, diz o BC no relatório. “A dinâmica salarial ainda permanece originando pressões inflacionárias de custos.”
Ao movimento sindical caberá ter muita unidade na ação para exigir do governo a reversão dessa política.
Esse é o objetivo dos atos que a CUT chama para 28 de julho, em frente às sedes do Banco Central nos estados.
*Fonte http://petista.org.br/
LECRAV - Lei Eduardo Cunha da Repetição Até a Vitória

Nota do Editor*: Excepcionalmente, reproduzo abaixo, oriunda de ZH/RBS, a brilhante - e corajosa - crônica assinada pelo jornalista Moisés Mendes (que - apesar de escrever num órgão do PiG***, literalmente, confirma que ... toda regra tem exceção...).
Confira:
Confira:
Por Moisés Mendes**
A melhor piada sobre a Tática Eduardo Cunha — de tentar aprovar no dia seguinte o que foi rejeitado no dia anterior — está no site da revista Piauí. Conta que o Brasil poderia recorrer à tática da repetição, para que, em jogos sucessivos, um dia o Brasil ganhasse da Alemanha por 7 a 1.
Brasil e Alemanha só iriam parar de jogar quando o placar mais vexatório de uma Copa se repetisse ao inverso. O problema é combinar com os alemães.
Outra ideia da Tática Eduardo Cunha que vem circulando pela Aberta dos Morros é sobre o trauma dos tucanos. Nesta terça-feira, Aécio Neves disse em entrevista ao Potter e ao David Coimbra, no Timeline da Gaúcha, que foi reeleito presidente da República no fim de semana.
Seu Mércio estava ouvindo e caiu do banquinho. Mas entendeu. É o ato falho de quem deseja muito chegar ao poder. E pode chegar. Pelo método Cunha de obter vitórias a qualquer custo, o Brasil faria eleições a cada seis meses, sucessivamente, até que alguém do PSDB vencesse.
Começaria, por antiguidade, pelo Serra, que já perdeu duas e tem mais experiência. Depois, viria Alckmin, com o programa Sua Sede sua Água. Por último, Aécio.
Seu Mércio é guarda de rua na Aberta. Escuta rádio todo o dia. Ouviu falarem da LECRAV pela primeira vez na semana passada. A LECRAV é a Lei Eduardo Cunha da Repetição Até a Vitória (que já seria uma lei, aprovada pelo Congresso, depois de 16 votações sucessivas).
Pela LECRAV, se ao final de 12 anos nenhum tucano for eleito, deve ser tentado então o impeachment de quem estiver no poder. A Câmara deveria realizar votações consecutivas até a obtenção de dois terços para a cassação do mandato de Lula, Dilma, do Levy Fidelix, da Luciana ou da Marina Silva.
Os tucanos teriam o direito adquirido, depois de muita insistência, de pedir o impeachment de quem estivesse no governo.
Se for Dilma, se repetirá no Brasil o que aconteceu com o poderoso ministro das Finanças da Grécia. Yanis Varoufakis, mandado embora pelos europeus, montou na sua moto e saiu acenando para os jornalistas. Poderemos ver Dilma deixando o Palácio do Planalto de bicicleta.
Um dia depois, Aécio — que assumiria em caso de impeachment — desembarcaria no poder de helicóptero, apesar de alguns defenderem que deva chegar montado num cavalo branco, com o Eduardo Cunha ou o Renan Calheiros na garupa.
Mas não desembarcaria em Brasília, e sim no Aterro do Flamengo. O governo tucano restabeleceria o charme do Palácio do Catete. Seu Mércio acha que a política retrô é muito mais divertida no Rio.
***
Quando Aécio disse ao Potter e ao David, na Rádio Gaúcha, que havia sido reeleito presidente da República no fim de semana, seu Mércio deu um pulo e quase derramou o café preto em cima do sabiá.
Seu Mércio, que conversa com o bicho, pediu desculpas e explicou que alguns sabiás mineiros começam a cantar antes do tempo.
10 julho 2015
Poema Nostálgico & Etílico
*Para o amigo Holte Ramos de
Oliveira (Didi), companheiro e protagonista deste poema; para o amigo Danilo Nunes
Neto, protagonista e grande companheiro de viagem.
Entre um gole e outro e
descobrindo a nós e ao mundo
entre um gole e outro de
uisque com campari
e degustando a noite
abrigados
no seio da Barbarella
Entre um gole e outro
e o xis completo
e Guevara com seu diário
ensanguentado
e as revoluções que
articulávamos
e que necessitávamos fazer
no país
no Mundo
e em nós mesmos
Entre um gole e outro
e muitos mais
e muitos porres etílicos
e mentais
Meu amigo e eu e às vezes
meia dúzia mais de convivas
divagando seriamente ou só
matando o tempo
nas mesas do bar simplório
mas tão aconchegante
ponto de encontro dos jovens
notívagos interioranos
Noites longas que passavam
tão rápidas
no seio da Barbarella
jovens curiosos/audaciosos
preocupados ou não
com as questões do Espírito
e do Corpo
e alguns com o povo sofrido
e suas mazelas
Jovens estudantes entupidos
de sonhos e às vezes
de xis & uisque com
campari
no seio caliente do
Barbarella
II
Enquanto nas selvas de pedra
das metrópoles
ou nas selvas expessas do
Araguaia
alguns combatiam e muitos
sucumbiam
e nem imaginávamos a forma
e de como se deram
seus estertores gloriosos
heróicos e obscuros
e a imprensa amordaçada ou
cúmplice contribuia com a noite escura
que cobria o país
e de quase nada sabíamos
Enquanto a maioria
precupava-se com sua vidinha
sem sentido parasita egoista
e barata
novelas futilidades e
futebol aos domingos
Enquanto na calada da noite
padres e freiras e artistas
eram sequestrados
e operários e estudantes
resistindo
ou sucumbindo na
clandestinidade e na tortura
a Guerra intestina insana e
desigual
& o outro brasil
dormindo às margens plácidas
sem escutar o brado
retumbante
das vítimas civis trucidadas
nos subterrâneos funéreos
doentios das câmaras
medievais verde-olivas
Enquanto em outro extremo do
Planeta as rubronegras & infernais
bombas e metralhas
covardemente lançadas pelo império
rechedas de ódio e napalm
traziam o caos queimando a
Terra
e as Carnes inocentes
chamas humanas correndo
desesperadas em My Lai
E a fome & a Miséria
reinando absolutas & trágicas
no Terceiro Mundo Negro
Amarelo Mestiço
Ameríndio
e o os mesmos de sempre
banqueteando-se
com o suor e o sangue de
suas vítimas
(acusadora culpa pairando
incisivamente no Espaço e no Tempo)
III
Noites de boemia
noites de Barbarella
período de gincanas bailes
de formatura
amor/paixão às vezes
arrasadoras e muitas outras
não correspondidas
& o tédio inquietando a
alma
& os caminhos chamando
ao desafio
do conhecimento & da
aventura
as viagens de carona
os flagêlos
as buscas
estradas tortuosas
trilhas na serra
rotas do mar
as areias de Tramandaí
acampamento hyppie barracas
coletivas
solidariedade &
cumplicidade
nas rochas de Torres & o
mar & a lua
& e sol escaldante por
testemunha
a feira de malucos na praça
central de Curitiba
as selvas de pedra
paulistanas e depois
a emoção de conhecer o Rio
Copacabana Ipanema Leblon
a Barra como destino e
rudimentar e perigoso abrigo
noturno
A volta dificultuosa
fome e frio nas estradas
chuvosas
incipiente maturidade
forjada na rebeldia e
no sofrimento
E tudo isso acontecendo
dia-a-dia que representavam
meses eternos
anos que pareciam congelados
a impaciência juvenil
elevada
à máxima potência
Condores sobre os Andes
Roncinantes oferecendo
parceria para
o desafio
das estradas longas e
misteriosas
promessas de aventuras
e o enorme mundo a descobrir
IV
'Companheiro, quem
responderá nossas perguntas
nossas dúvidas atrozes que
machucam
que subvertem a lógica
conhecida
que torturam o corpo
& a alma
e que
como uma peste profana
atemporal
quase destroem nossas
incipientes e frágeis
certezas outrora absolutas?
Onde encontrar o Fio da
Meada da Verdade?
onde estará o Começo do
Caminho?'
V
Entre um gole e outro e
buscando descobrir
as Verdades tão palpitantes
e latentes
trocando nas geladas noites
de julho
o aconchego dos lares
aquecidos
pelas intempéries das ruas
molhadas pelo orvalho
e fustigadas pelo minuano e
pela indiferença
geral
Meu amigo e eu e às vêzes
mais
meia dúzia de jovens
camaradas
ou curiosos observando ou
mesmo participando
de nossas parcas e
imprecisas (mas cruciais)
discussões filosóficas/políticas/enciclopédicas
discussões filosóficas/políticas/enciclopédicas
- sem ainda termos cruzado as
Fronteiras dos Limites
- sem ainda termos comido o
pó das Estradas do Inferno
- sem termos ainda sofrido o
bastante e sabido
o quanto haveríamos e
poderíamos
ainda suportar
VI
Assim aconteceu nos chamados
'verdes anos'
nem tão distantes - assim
parece, agora -
meu amigo e eu
entre um gole & outro
de uisque com campari e
discutindo
poesia/política/aventuras
& rock in roll
naqueles idos de 70
descobrindo a Nós e ao Mundo
sob o olhar cúmplice e
curioso
da insinuante
& meiga garçonete morena ...
(Sonhos & paixões
& meiga garçonete morena ...
(Sonhos & paixões
nas trilhas
nas estradas
nos corações & mentes
e nas mesas do Barbarella).
Júlio Garcia, in Cara & Coragem - Poemas - 1995.
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