13 setembro 2015

Globo lança a bóia pra salvar Levy; ministro é maior ameaça a Dilma


Cavalo de Tróia: à direita, o homem que pode derrubar Dilma

'Nesse momento, falar em impeachment é golpe. E o golpismo tucano será enfrentado – com a força da lei e das ruas. Mas o fato é que Dilma está se esfarelando. Maior ameaça ao governo não são paneleiros, nem Gilmar Mendes ou Aécio. Mas o ajuste suicida conduzido por Levy.'

por Rodrigo Vianna*
Quarta-feira à noite. No intervalo do futebol, na Globo, o locutor interrompe o “show de gols” para uma chamada jornalística sobre “esse dia difícil na economia brasileira”. Fiquei a esperar a pancada, uma frase de Sardenberg ou do Jabor. Que nada.
No estúdio do Jornal da Globo, a sorridente (e tensa) apresentadora dá destaque para a “entrevista exclusiva” do ministro da Fazenda Joaquim Levy, que seria levada ao ar logo depois.
A notícia, na Globo, já não era o corte do grau de investimento pela agência Standard&Poor´s. A Globo lançou a bóia para salvar Levy. A Globo – que alimentou a pauta mercadista do “corta gasto, sobe juros, prende e arrebenta” –  corre o risco de ser tragada pelo turbilhão da instabilidade.
Qual a saída? Levy! Mais Levy! Mil vezes Levy!
Na semana anterior, dez pesos pesados da economia já haviam se reunido com o ministro em São Paulo; e em meio à reunião ligaram para Dilma avisando que dariam apoio a Levy, desde que o governo cumprisse algumas “regrinhas” por ele indicadas.
Os 54 milhões de votos já não valem nada. O que vale é a face fria de Levy, apoiado pela Globo, pelos bancos e pelos donos do PIB. (...)
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*via http://www.revistaforum.com.br/

12 setembro 2015

Elomar: 'Na Quadrada Das Águas Perdidas'




*Elomar Figueira Mello - 'Na Quadrada Das Águas Perdidas'  (1978)

Revista Veja mente sobre o Bolsa Família: Não houve corte no orçamento; em 2015, estão previstos R$ 27,7 bi; em setembro, beneficiou 13,9 milhões



Foram cancelados cerca de 800 mil benefícios de famílias com renda acima do que estabelece a lei, como a da foto acima. Alguma tem alguma dúvida de que o benefício dela tinha mesmo de ser cortado?
Nota de esclarecimento do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS)*
O Bolsa Família não sofreu corte no Orçamento, está integralmente preservado
A revista Veja desta semana mente quando diz que o governo corta benefícios do Bolsa Família para fazer o ajuste fiscal. O Bolsa Família não sofreu corte no Orçamento, está integralmente preservado.
Veja erra quando diz que o número de famílias beneficiárias caiu para 13, 2 milhões. A folha de pagamento de setembro repassou benefícios para 13, 9 milhões de familias. O número de beneficiários vem se mantendo estável desde 2012, com a saída de quem melhora de renda e a entrada de novas famílias.
O governo reafirma seu compromisso com o Bolsa Família e com as rotinas de controle, para que só recebam o benefício (em média R$ 167 mensais por família) os mais pobres, com renda de até R$ 154 por pessoa da família. Para manter o programa bem focalizado, o Ministério do Desenvolvimento Social promove todos os anos a atualização dos cadastros e o cruzamento com outras bases de dados da União.
Neste ano, foram cancelados cerca de 800 mil benefícios de famílias identificadas em cruzamento de bases de dados de salários e aposentadorias (INSS, RAIS e CAGED) com renda acima do que estabelece a lei. No mesmo período, número equivalente de novas famílias passaram a receber o bolsa. Esse movimento é semelhante ao registrado no ano passado, ano eleitoral. O “pente-fino” de que Veja reclama é, portanto, uma rotina de controle muito bem sucedida que garante o foco do programa e zela pelo bom uso dos recursos públicos.
Além disso e diferentemente do que diz a Veja, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) mantém rigorosamente o acompanhamento da frequência de crianças e jovens às aulas mensalmente, de forma a garantir a presença dos alunos na escola.
O MDS reitera que o Bolsa Família está integralmente preservado de cortes no Orçamento. Neste ano, a previsão de gastos é de R$ 27,7 bilhões. Esse dinheiro vem mantendo milhares de famílias fora da miséria e, mais importante, garante acesso à educação, saúde e serviços.
A revista Veja poderia ter evitado o erro se tivesse procurado o ministério para checar as informações, como recomenda o bom jornalismo.
*Fonte desta postagem: http://www.viomundo.com.br/
PS do Viomundo: Após o Ministério do Desenvolvimento Social ter enviado hoje à tarde à imprensa a Nota de Esclarecimento que postamos acima, a Veja  publicou-a na versão online da matéria. Obviamente, na revista  impressa, não.

09 setembro 2015

Sobrinho de Nardes era ponte entre RBS e principal acusado da Zelotes


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Por Miguel do Rosário*
A Carta Capital publicou esta semana uma reportagem em que menciona a suspeita do envolvimento do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, nos esquemas ultra-bilionários de sonegação de impostos desbaratados pela operação Zelotes.
Augusto Nardes é um dos que vem tentando usar o seu cargo no TCU para derrubar Dilma.
É ele no TCU e Gilmar Mendes no TSE.
Ambos se tornaram estrelas da mídia golpista, os novos "paladinos da ética", apesar de terem um histórico mais sujo do que pau de galinheiro.
Antes mesmo do governo se defender, antes do julgamento, Nardes apareceu na mídia falando que "vai condenar", ajudando a produzir o clima de linchamento, pré-condenação e contribuindo para a instabilidade política no país e, portanto, fazendo descaradamente o jogo da oposição.
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Pois bem, uma das empresas mais envolvidas na Zelotes é a RBS, a mídia gaúcha sócia da Rede Globo.
O Cafezinho teve acesso a documentos sigilosos (sim, não é só a mídia que tem não. O Cafezinho também tem, de vez em quando) que mostram o seguinte.
A operação Zelotes descobriu quem era o advogado que fazia a intermediação entre a RBS sonegadora e o escritório de José Ricardo Silva, auditor aposentado da Receita Federal e, segundo a PF, um dos principais mentores do bilionário esquema de ladroagem fiscal.
Quem era o advogado?
Era Juliano Nardes, sobrinho de Augusto Nardes, o presidente do TCU.
Fechem as cortinas.
(Essa é a turma que quer derrubar Dilma?)
*Via Blog O Cafezinho http://www.ocafezinho.com/

ADVOCACIA



*Temos parceria com conceituadas bancas de Advogados(as) de Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul  e Brasília/DF.

07 setembro 2015

Fora do lugar




Por Janio de Freitas, na FSP*

Se Dilma não pode “resistir por três anos e meio com esse índice baixo” de popularidade, aí está uma hipótese feita por seu vice Michel Temer; que Dilma Rousseff não pode melhorar seu índice de aprovação com a atual política econômica e social, isto é uma realidade.
Do ponto de vista ético, o vice que se diz aliado não poderia fazer, para um auditório de adversários extremados da presidente, as declarações que Michel Temer lhes presenteou. Como conduta pessoal e dever político, não importa quem sejam o vice aliado e o presidente: é ato de aliado desleal. Ainda mais por ser apresentada como certeza, a hipótese de Temer inclui o estímulo indireto de mais hostilidades públicas à sua aliada.
Não termina aí. Temer opinou que Dilma, sendo “uma guerreira”, parece-lhe avessa a renúncia. Ou seja, não termina o mandato sem melhorar a popularidade e não renuncia: Temer fala, sem dizer, em derrubada.
Há um mês, o vice aliado disse ser “preciso alguém com capacidade de unir a todos”. Muitos comentaristas e, claro, o PT acharam que estava se propondo à sucessão imediata. Vê-se que tal papel de unificador não lhe fica bem.
Mas o índice é uma linguagem. Mesmo com as ressalvas que as estatísticas possam merecer, a queda brutal da aprovação a Dilma exprime a dimensão gigantesca da repulsa à sua política econômica e, portanto, também social. E seus efeitos estão só no começo. Como, de resto, estão as próprias medidas apregoadas por Joaquim Levy.
Parece não haver, em Dilma e na equipe central do governo, nem a menor percepção desse problema. Dilma está preocupada e ocupada com a Câmara, com os partidos, com os cargos reivindicados na chantagem de líderes de bancadas. Mas tudo isso é efeito. O seu problema fundamental está na política econômica e na maneira como (não) é conduzida. Uma e outra não aprovadas por absolutamente ninguém. O pequeno grupo de empresários que pleiteou a permanência de Levy, nos últimos dias, deixou perceptível a ação por medo de agravarem-se ainda mais, na área econômica, a sinuosidade da condução e a obscuridade das medidas vindouras.
Mesmo para a opção por uma política econômica neoliberaloide, como Dilma quis, Joaquim Levy e Alexandre Tombini, no Banco Central, são as pessoas convenientes? Oito meses, dois terços do ano, de respostas insuficientes ou contrárias ao esperado –como dito pelo próprio Joaquim Levy– indicam que não. E atribuir as dificuldades à Câmara é fácil, mas pouco verdadeiro. A perplexidade, os desencontros e a falta de criatividade na condução econômica é que proporcionam espaço e clima para as saliências da Câmara. Quando percebem segurança e clareza, com o consequente apoio de setores influentes, os congressistas não desafiam nem abusam.
O problema fundamental de Dilma Rousseff está onde ela supõe estar a solução.
*Via http://www.viomundo.com.br/

06 setembro 2015

Frente Brasil Popular chama: 3 de outubro - Dia Nacional de Mobilização



Lidyane PoncianoCerca de 2.500 pessoas participaram da Plenária

Plenária de lançamento da Frente Brasil Popular aprova dia de lutas e conclama unidade dos movimentos


Dia 3 de outubro: mobilização nacional. Esta é a primeira ação de massa aprovada pela Frente Brasil Popular, lançada neste sábado, 5 de outubro, em Belo Horizonte, Minas Gerais. 
A Conferência Nacional de lançamento da Frente reuniu mais de 2 mil pessoas, entre lideranças e militantes dos movimentos social e sindical, que lotaram a Assembleia Legislativa. A atividade também contou com a participação de diversos parlamentares, representantes de partidos políticos, economistas e intelectuais que foram saudar a iniciativa. 
A ideia de se criar uma Frente partiu de militantes dos movimentos populares, sindicais, de juventude, negros e negras, mulheres, LGBT, pastorais, partidos políticos, intelectuais, religiosos e artistas - diante da necessidade de derrotar a ofensiva da direita conservadora e golpista e propor outra política econômica para o País. 
Crise e seus reflexos
A crise política e econômica no Brasil é também reflexo de um processo mundial de crise do modelo capitalista. A política econômica de ajuste fiscal adotada pelo atual governo, e medidas impopulares como a redução de alguns programas sociais, têm dado oportunidade a setores conservadores da direita, que contam com apoio e a blindagem da grande imprensa, a imporem sua agenda de retrocesso e de ataque à democracia. 
Situações semelhantes acontecem em alguns países da América Latina que passaram por ditaduras militares e conquistaram a democracia. Como um filme que se repete de tempos em tempos, os ataques e tentativas de golpe a governos democráticos-populares evidencia a luta de classes e têm objetivo claro: enfraquecer o poder popular não só no Brasil, mas na América Latina e impor a agenda conservadora derrotada nas urnas. 
“Queremos construir nessa conferência uma Frente que seja capaz de responder à conjuntura que estamos vivendo”, diz Beatriz Cerqueira, presidenta da CUT Minas Gerais. “A prioridade dos movimentos hoje é construir de forma conjunta uma luta organizada, porque sozinhos, somos derrotados. Há necessidade, nesse momento, de unificarmos nossas pautas e priorizarmos nossos pontos de convergência. Fomos aprendendo com o tempo a construir pautas convergentes e esta Frente é resultado disso”, destaca. 
Segundo João Pedro Stédile, da coordenação nacional do MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, estamos vivendo uma crise econômica e politica em que a burguesia tem a sua saída para crise e, para viabilizar o seu programa, que é Estado mínimo, o corte dos gastos sociais e o realinhamento da nossa economia aos Estados Unidos, tem usado todos os dias a imprensa, o Congresso e o poder Judiciário. “Uma parcela reacionária, felizmente minoritária dessa burguesia também acha que a saída da crise é o golpe. E nós da classe trabalhadora, o que apresentamos para sair da crise? Na nossa avaliação, desde as manifestações de março, de abril e no ultimo 20 de agosto, nós construímos uma unidade conjuntural, porém, ainda é uma unidade defensiva, que ficou expressa nas bandeiras que nós levantamos - contra o golpe e a favor da democracia. Ou seja, nós não aceitamos esta tentativa de uma parcela pequena da direita que quer derrubar a presidenta Dilma”. 
Os movimentos que compõem a Frente também têm unidade na defesa de uma nova política econômica e de uma reforma política como principal forma de combater a corrupção. “Nós não aceitamos os ajustes fiscais e medidas de politica econômica que tirem direitos dos trabalhadores”, diz Stédile. “Defendemos uma nova política econômica e uma reforma politica que comece com o fim do financiamento empresarial das campanhas, em todos os níveis. Não temos medo de debater a corrupção. A corrupção nasceu do financiamento empresarial das campanhas”, afirma. 
Para Carina Vitral, presidenta da UNE - União Nacional dos Estudantes, os movimentos sociais precisam refletir sobre as origens e sobre os caminhos pra enfrentar esta crise que vivemos hoje e as tentativas claras de desestabilização, de golpes contra nossa democracia. São tentativas não só de derrubar o governo, mas de derrubar o projeto político que mudou a vida das pessoas nos últimos anos. “Estas tentativas não atacam só o governo, não atacam só a presidenta da República, atacam a cada um e cada uma de nós que lutamos para que o Brasil seja uma nação mais popular, mais justa e de mais direitos”, denuncia Carina. 
3 de outubro: Dia Nacional de Mobilização
Além de aprovar o 3 de outubro como Dia Nacional de Mobilização, a  plenária final da Conferência reafirmou que a unidade construída pelos movimentos sociais a partir da reação à ofensiva da direita deve ir além dos desafios da conjuntura, para além das críticas pontuais à politica econômica. Foi referendada a missão da Frente de construir unidade entre todas as forças populares. 
Para Stédile a unidade precisa ser construída com base em dois pontos fundamentais: “O primeiro, é um programa. Sem um programa de ideias, de propostas, não basta fazer reunião. Queremos dar um passo a mais, sair do conjunturalismo reativo para avançar para propostas programáticas que possam nos orientar para um novo projeto de país, que vai ser de longo prazo. A segunda missão é motivar nossa militância para construir um calendário de lutas de massas permanente”. E alerta: “Não nos iludamos com o congresso, com o poder judiciário e com a mídia burguesa, que é o espaço de poder deles, da burguesia. Então, aonde o povo e as forças populares vão exercitar a política e a sua força real para poder alterar a correlação de forças? Só nas ruas. Nas ruas no sentido genérico - nas greves, nas ocupações e nas pressões aos órgãos públicos”, conclama. 
“Elegemos a presidenta Dilma para avançarmos em direitos sociais, na distribuição de renda, nos programas sociais como o Minha Casa Minha Vida, na reforma agrária, na educação. Estamos dispostos a ir pra rua sim, para defender nossos direitos, defender o modelo de desenvolvimento que distribua renda, eleve emprego e eleve o crédito da classe trabalhadora”, declara Rosane Silva, secretária nacional de Mulheres da CUT. “Nós dos movimentos sociais, de forma organizada e unida queremos mostrar para esse governo que existe sim saída para essa crise econômica e não é com ajuste fiscal recaindo na classe trabalhadora, mas sim, com a taxação do grande capital”, esclarece. 
Representando a CUT Nacional, além de Rosane Silva, também estiveram presentes os dirigentes Daniel Gaio, Jandyra Uehara, Julio Turra e Valeir Ertle; a presidenta da CUT Paraná, Regina Cruz, e diversas lideranças e militantes das Estaduais, ramos e sindicatos CUTistas. 
O encontro terminou no início da noite, com a leitura do Cordel da Frente Brasil Popular, uma poesia de construção coletiva feita durante a conferência. Clique aqui para ler. 
Pontos defendidos pela Frente Brasil Popular
1.Defesa dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras: lutar por melhorias das condições de vida do povo, o que envolve emprego, renda, moradia, educação, terra, transporte público etc. Criticar e fazer ações de massa contra todas as medidas de política econômica e “ajuste fiscal” que retirem direitos dos trabalhadores e que impeçam o desenvolvimento com distribuição de renda. 
2.Defesa dos direitos sociais do povo brasileiro: lutar contra a redução da maioridade penal, contra o extermínio da juventude pobre das periferias, pela ampliação dos direitos sociais que estão ameaçados pela campanha da mídia burguesa e por iniciativas conservadores no congresso. 
3.Defesa da democracia: não aceitar nenhuma tentativa de golpe e retrocesso nas liberdades. Para ampliar a democracia e fazer reformas mais profundas, avançar na luta pela reforma política, pela reforma do poder judiciário, dos meios de comunicação de massa e da cultura. 
4.Defesa da soberania nacional: o povo é o verdadeiro dono do petróleo, do pré-sal e das riquezas naturais. Impedir a entrega de nosso petróleo às transnacionais. Lutar contra a transferência de bilhões de dólares ao exterior, de forma legal pelas empresas ou ilegal, por contas secretas (vide caso do HSBC). 
5.Lutar por reformas estruturais e populares como a reforma política, urbana, agrária, tributária, educacional etc., entre outras propostas detalhadas no documento unitário construído pelos movimentos populares em agosto de 2014. 
6.Defesa dos processos de integração latino-americana em curso,  como Unasul, Celac, Mercosul  e  integração popular,  que estão sendo  atacados pelas forças do capital internacional.
Participam da Frente Brasil Popular
CUT, sindicatos CUTistas e movimentos sociais em Minas Gerais, CTB, MST, Via campesina, MPA, MMC, MAB, MAM, MCP, FUP (Federação Única dos Petroleiros), CONEN, UNE, Levante Popular da Juventude, FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação), Consulta Popular, Marcha Mundial das Mulheres, Rede de Médicas/os Populares, Associação de Juízes pela Democracia, RENAP, SENGE-Rio, Sindicato de Professores, Metalúrgicos do RS, Pastorais Sociais, igrejas, Central de Movimentos Populares-CMP; parlamentares e dirigentes de diversos partidos e correntes partidárias, entre os quais o PT, o PCdoB, o PSB e o PDT. Também participam diversos intelectuais e jornalistas que atuam em diferentes espaços da mídia popular e que compartilham desse esforço.
*Escrito por: Paula Brandão, de Belo Horizonte - via http://cut.org.br/

05 setembro 2015

Let It Be (Deixa estar...)





*Paul McCartney - Let It Be

Movimentos sociais retomam Campanha da Constituinte


Lidyane PoncianoPlenária Final do Encontro

Encontro Nacional em BH aprova realização de assembleias populares por todo o País

Escrito por: Paula Brandão*
Reforma política por meio de uma Constituinte exclusiva do sistema político é hoje uma das reivindicações mais importantes do movimento social organizado. Medida que, uma vez implementada, seria o ponto de partida para o combate efetivo à corrupção em nosso País. 
Nesta sexta-feira, 4 de setembro, semana em se que completa um ano da realização do Plebiscito Popular - que recolheu  mais de 8 milhões de votos “Sim” à Constituinte - as diversas entidades dos movimentos social e sindical que participam da organização e divulgação da campanha, entre elas a CUT -, realizaram o Encontro Nacional e Popular pela Constituinte, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte. 
O Encontro teve o objetivo de retomar e reforçar a organização de comitês populares, de forma a mobilizar cada vez mais pessoas a somarem-se à Campanha. 
Na análise de conjuntura foi destacado, especialmente, que a atual crise política e econômica do País é decorrente do retrógrado sistema político brasileiro e de uma política econômica recessiva. Para os movimentos presentes, o desafio é colocar as reformas estruturais na agenda nacional e, para isso, além de ampliar e intensificar a luta é preciso conter a direita. Já nas reuniões em grupos foram discutidos os desafios para a intensificação da Campanha, estratégias, retomada e ampliação dos comitês e formação. 
Plenária Final
Diversidade. Esta palavra resume não apenas a representatividade dos movimentos presentes no Encontro, mas também o clima geral que perdurou durante todo o dia, de sol quente e de energia humana. Jovens, mulheres e homens, negros e negras de movimentos do campo e da cidade, vindos de todas as regiões do País, todos em unidade - na pauta e na seriedade das discussões, e também na alegria e descontração trazidas pela música, arte e dança, proporcionadas espontaneamente pelos participantes a cada intervalo. 
Foi nesse cenário que a Plenária Final aprovou as estratégias e ações da Campanha da Constituinte para o próximo período. Mais de 800 pessoas dispostas a fazer com que tome corpo novamente, por todo o Brasil.
“Os comitês populares continuam a ser nossa forma de organização de base”, diz Julio Turra, da Executiva Nacional da CUT. “Regionalmente, vamos construir comitês com atividades de formação, de propaganda e daremos a orientação para que sejam realizadas assembleias, convocando associações de moradores, sindicatos, entre outros, para debater o que esperamos de uma Constituinte e qual o conteúdo social que uma constituinte deve ter”, reforça. 
“Saímos daqui animados, com muita força para construção de assembleias populares para debater com todo o povo brasileiro, em todos os rincões desse país, que constituinte nós queremos e como vamos construí-la”, comemora Paola Estrada, da Consulta Popular. 
Segundo Paola, esta nova conjuntura coloca um desafio muito maior, que é relacionar o tema da Constituinte e da Reforma Politica com todos os problemas fundamentais do povo brasileiro que ainda não foram resolvidos, como saúde, educação terra moradia, transporte, direito à cidade, entre tantos outros. “As assembleias populares têm a proposta de construir pela base esse movimento, para que o povo se aproprie desse debate e construa essa relação”, enfatiza Paola. 
Julio Turra avalia que “numa conjuntura pautada pela questão da reforma politica - que não vai sair de dentro do Congresso - e diante da crise politica, social, econômica e institucional no Brasil que se aprofunda, é importante começar esse debate como saída política. Com esse Congresso não dá, a prova está no Eduardo Cunha”, finaliza.
*Via http://cut.org.br/

03 setembro 2015

Economia: ‘‘A nossa troika está aqui’’


A economia nacional tem vários “cadáveres”, que apareceram com mais contundência neste ano. Um deles é a valorização do câmbio, segundo Belluzzo – Foto: Marcos Coil

A crise brasileira tem similaridade com a da Grécia, pela ideia de que o ajuste vai fazer com que seja restaurada a confiança dos investidores e a irrealidade da meta. Mas a nossa Alemanha está aqui dentro, representada pelo mercado financeiro, diz Luiz Gonzaga Belluzzo.

Revista Brasileiros - Por Márcia PinheiroO economista Luiz Gonzaga Belluzzo afirma que a crise brasileira se assemelha à da Grécia. Com uma única diferença: “A nossa troika está aqui. É representada pelo mercado financeiro e pela visão truncada e míope de seus economistas”.
Professor da Unicamp, sócio da FACAMP, da consultoria Una e da revista Carta Capital, Belluzzo diz que a presidenta Dilma Rousseff deveria ter negociado o ajuste fiscal – de resto, necessário – com os sindicatos e os movimentos sociais, que a reelegeram.
Infelizmente, não é o único problema. Para Belluzzo, a economia nacional tem vários “cadáveres”, que apareceram com mais contundência neste ano. A valorização do câmbio nos últimos 20 anos é um deles, o que provocou um processo de desindustrialização. Um segundo é o injusto sistema tributário. Nada menos do que 58% da receita dos impostos é paga pelas camadas de renda de até dois salários mínimos.
O economista defende uma total reestruturação nas empresas envolvidas na operação Lava Jato. A exemplo do que fizeram os Estados Unidos na crise das hipotecas, o governo deveria assumir as companhias, saneá-las e, posteriormente, vendê-las em leilões ou em operações de abertura de capital.
Ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (governo Sarney), Belluzzo recebeu a reportagem da Brasileiros em seu apartamento em São Paulo, que mais se assemelha a uma bem cuidada e catalogada biblioteca. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Brasileiros – Por que a recessão no Brasil chegou com uma velocidade tão acentuada?

Luiz Gonzaga Belluzzo – Temos algumas vulnerabilidades que se manifestaram agora. É preciso traçar a trajetória real do que aconteceu. Vamos voltar à reação da economia brasileira à crise de 2008. Foi muito rápida. O Brasil vinha em um ritmo de expansão, impulsionado pelo ciclo de commodities e pelo crescimento da economia mundial. Nossa economia cresceu com base no consumo. Naquele momento, entre 2004 e 2008, fomos muito bem, também amparados pelas políticas sociais e pelos reajustes reais do salário mínimo. Isso elevou o poder de compra de grande parte da população. E houve uma queda muito pronunciada dos preços dos bens duráveis, por conta da agressividade chinesa nas exportações, principalmente os eletroeletrônicos. Isso fez com que a renda real, sobretudo das pessoas que ascenderam economicamente, tivesse o auxílio dos preços relativos. Eu sempre dou o exemplo da televisão de tela plana. Na Copa do Mundo de 2006, comprei uma de 42 polegadas por R$ 12 mil; hoje, custa R$ 2 mil. Além disso, veio a expansão do crédito consignado e a ampliação do crédito imobiliário, com o programa Minha Casa, Minha Vida. O cenário todo colaborou para o aumento do bem-estar das famílias. Conseguimos recuperar rapidamente o crédito em 2009. A crise era de contágio, uma vez que no Brasil não havia calote de hipoteca, como nos Estados Unidos. Mas, em 2011, o ciclo de consumo foi perdendo força.

Mas do ponto de vista fiscal a situação não foi se deteriorando?
A relação entre o crescimento do PIB e da renda é de 2,5 por um. Quando a economia desacelera, isso se reverte. Se olharmos os primeiros anos do governo Dilma, é muito claro que a receita e o superávit primário continuaram a crescer, mas em menor ritmo. Em 2015, o superávit já é negativo na ponta. Portanto, a desaceleração da economia abriu espaço para o desequilíbrio fiscal. Outro dia, li uma análise de uns economistas mais ortodoxos, que dizia que as políticas sociais não cabem no PIB. Até brinquei: vai ver que eles querem jogar os velhos do penhasco. (...)

CLIQUE AQUI para continuar lendo (via 'Brasileiros')

01 setembro 2015

'Meu partido é o Rio Grande'** ...




*Charge do Kayser

** Slogan utilizado pelo então candidato ao governo gaúcho, José Ivo Sartori (PMDB & aliados), na última campanha eleitoral no RS.

30 agosto 2015

'El Mapa de Todos' - Daniel Viglietti




*Show do grande músico uruguaio Daniel Vigletti, gravado no Festival El Mapa de Todos, no Teatro São Pedro, em Porto Alegre/RS, em 12 de novembro de 2014. 
-Cantor, compositor e militante político internacionalista engajado, Daniel Viglietti é um dos nomes mais importantes da musica popular da América Latina. (Via TVE/RS).

Luís Inácio voltou: “se for preciso, eu vou pra disputa”, diz Lula


As forças de centro-esquerda podem se recompor, desde que falem para o futuro. Ninguém mais votará em Lula ou na esquerda só pelo discurso (verdadeiro) de que “tiramos milhões de pessoas da miséria”.
Lula voltou, e precisa falar para o futuro; Mujica é a maior prova de que o velho pode carregar a semente do novo
Lula voltou, e precisa falar para o futuro; Mujica é a maior prova de que o velho pode carregar a semente do novo
por Rodrigo Vianna*
No inicio do mês, escrevi que a verdadeira tragédia de agosto não era o avanço conservador, os ataques à democracia e à esquerda. Isso é o que se espera da direita brasileira…
A tragédia mesmo era ver Lula (a maior liderança popular produzida por esse país, ao lado das figuras de Vargas e Prestes) acompanhar isso tudo calado.
Pois bem… Lula voltou.
Luis Inácio está de volta. Num encontro em Minas Gerais, anunciou nesta sexta-feira (28/agosto) que pode, sim, ser candidato em 2018 (clique aqui para saber mais). E isso ajuda a evitar o desmanche do campo que desde 2003 se organiza em torno de Lula.
Os erros cometidos por Dilma no início de seu segundo mandato, somados à mais dura campanha midiática contra um partido em meio século (a campanha de aniquilamento do PT só guarda paralelo com o que foi feito com o velho PCB nos anos 40 e 50), ameaçam provocar um estouro da boiada.
E é nesse quadro que Lula ressurge.
Sim, as pesquisas mostram que hoje ele perderia no segundo turno para Aécio e mesmo para Alckmin. Mas quem entende de pesquisas faz a seguinte leitura: é quase inacreditável que Lula, depois de passar os últimos seis meses apanhando todos os dias, ainda tenha um terço dos votos.
Sim, o quadro não é fácil. Mas por outro lado, todos os levantamentos sérios e mais profundos na sociedade brasileira indicam que há um “campo político-social” que está descontente com Dilma e o PT, mas (ainda) não se bandeou para o outro lado.
As forças de centro-esquerda podem se recompor, desde que falem para o futuro. Ninguém mais votará em Lula ou na esquerda só pelo discurso de que “tiramos milhões de pessoas da miséria”.
A maior parte dos brasileiros comprou a versão (vendida pelo próprio Lula) de que esse é um país de classe média. Quem ganha mais de 2 mil reais por mês já não se vê como pobre. E não vai apoiar um projeto apenas porque ele no passado ajudou a tirar milhões de pessoas na miséria.
Agora é a hora do futuro.
O brasileiro médio não quer bater panela, nem quer a volta da ditadura. Nem quer que a Dilma morra. Mas quer um projeto que garanta igualdade de oportunidades para seus filhos. E o governo Dilma/Levy aponta para tudo, menos para o futuro.
Lula pode ser a liderança a recompor esse campo, se oferecer um projeto novo. E Dilma pode ajudar se, em paralelo com sua disposição inabalável para manter as instituições funcionando (mesmo contra o PT e contra o governo), ousar um pouco, e sair da pura agenda levyana.
Sim, é preciso reconhecer que a corrupção não é “um probleminha menor”. O erro é transformar a corrupção em centro do debate (como faz a UDN tucana). O centro do debate segue a ser a desigualdade. Mas é preciso dizer em alto e bom som que foi um erro não se combater os desvios com ainda mais vigor – em que pese o fato de jamais o MPF e a PF terem trabalhado com tanta liberdade(e, às vezes, com alguma irresponsabilidade).
Sim, os tucanos não tem moral pra falar em corrupção. Ok. Mas o povo, especialmente o mais jovem, não quer esse campeonato de “eles roubaram mais, e a mídia não fala nada”.
Isso serve para escancarar a hipocrisia da velha imprensa. Mas não serve como horizonte de futuro.
Luis Inácio voltou. Mas esse retorno não pode significar a volta também do velho “sebastianismo” luso-brasileiro. O rei heróico morto em combate (Dom Sebastião) não voltará. Primeiro porque Lula não é rei. E segundo porque ele e o projeto que representa não estão mortos. Esse projeto precisa ser atualizado. E o “grande líder” sozinho não cura todas as feridas.
Todas as pesquisas qualitativas sérias (especialmente as que envolvem a classe C) indicam que hoje o centro da disputa é para atrair um amplo campo da população (cerca de 40% dos eleitores – que já votaram em Lula e Dilma, mas estão descrentes do governo e do PT). Um “salvador da pátria”(pela direita)  pode conquistar parte desse público. Um tucano mais moderado (que reconheça os avanços do lulismo) também pode conquistar…
Mas ninguém mais do que Lula pode cumprir esse papel de reordenamento. A centro-esquerda precisa de um novo projeto, precisa falar para o futuro. Sem enterrar as bandeiras do passado.
A multidão que foi à concha acústica da UERJ ouvir o uruguaio Mujica (o esquerdista sóbrio e anti-consumista) é um sinal de que há espaço para um novo projeto.
A saída é apostar na generosidade do povo brasileiro. Enfrentar a direita, sim. Mas falando também para a imensa maioria que não tem ódio no peito, mas está desanimada. E, cá entre nós, tem motivos pra isso.
Lula e a esquerda no Brasil precisam de uma pitada de Mujica. Não é à toa que os dois estarão juntos neste sábado – simbolicamente, em São Bernardo do Campo, a cidade operária que Lula ajudou a transformar numa “cidade de classe média (clique aqui para saber mais sobre o ato com Lula. e Mujica).
Luis Inácio voltou. Mas sozinho não vai ganhar a parada. O Brasil precisa de um novo projeto.
*Fonte: http://www.revistaforum.com.br/

29 agosto 2015

Concierto De Aranjuez





*Paco De Lucia ''Concierto De Aranjuez'' (Música Joaquín Rodrigo)

IDÍLICA





Idílica Estudantil

Nossa geração teve pouco tempo
começou pelo fim
mas foi bela a nossa procura

ah! moça, como foi bela a nossa procura
mesmo com tanta ilusão perdida
quebrada,

mesmo com tanto caco de sonho
onde até hoje
a gente se corta.

***

(...) sou um combatente provisório 
de uma causa quase eterna no homem, 
acredito ter como bandeira 
senão o sonho perfeito, 
a melhor utopia possível (…) 
         
                            (Alex Polari de Alverga)

28 agosto 2015

Há 32 anos nascia a Central Única dos Trabalhadores (CUT)


Prefeitura de São Bernado do Campo

Fundada em meio à efervescência da luta por democracia, a entidade foi protagonista na queda da ditadura militar

Neste 28 de agosto de 2015, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) completa 32 anos. Fundada em meio à efervescência da luta por democracia, a entidade foi protagonista na queda da ditadura militar, com milhares de trabalhadores organizados indo às ruas contra o governo.
Foi durante o 1º Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), em São Bernardo do Campo, em São Paulo, que a CUT foi criada. Intensas discussões marcaram a formação da primeira Executiva, que culminou com a nomeação do metalúrgico Jair Meneguelli como primeiro presidente da Central.
A CUT se consagrou como a grande representante da classe trabalhadora brasileira, tornando-se a maior central do Brasil e da América Latina e a quinta do mundo. Com quase quatro mil entidades filiadas, a CUT representa mais de 24 milhões de trabalhadores e trabalhadoras em todo o País.
Durante seus 32 anos, a CUT teve seis presidentes, à frente de inúmeras conquistas à classe trabalhadora brasileira. Confira agora, por período, os principais avanços capitaneados pela Central:
Jair Meneguelli (1983-1994)
Uma recessão econômica, aliada ao desemprego profundo, eram os maiores desafios da classe trabalhadora nos idos de 1983. Delfim Netto e o presidente à época, o militar João Batista Figueiredo, insistiam no curvar de cabeças ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que ditava as regras no Brasil.
No dia 6 de julho de 1983, os petroleiros organizaram um dia de paralisação contra os rumos da economia, a submissão ao FMI e por garantias de direitos à classe trabalhadora. Em resposta, o regime militar interviu em diversos sindicatos, destituindo suas diretorias e entregando a administração das entidades para representantes dos patrões.
Até mesmo sindicatos que prestaram solidariedade aos petroleiros, como os metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, foram alvos de ataques dos militares e intervenções.
A Comissão Nacional Pró-CUT foi protagonista na construção da greve geral do dia 21 de julho de 1983, que parou o País. Ao todo, mais de dois milhões de trabalhadores e trabalhadoras cruzaram os braços.
A greve geral sedimentou o caminho e trouxe força política para a criação da CUT, pouco mais de um mês depois. Desde o princípio, a Central demonstrava seu compromisso com a classe trabalhadora, organizada a partir da base e consolidando um sindicalismo classista.
Vicentinho (1994-2000)
Eleito presidente da CUT em 1993, o então metalúrgico Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, foi responsável por comandar a Central durante a ascensão do sociólogo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ao poder. Com o tucano, veio também o avanço do neoliberalismo, que intensificou o desemprego, com políticas favoráveis aos empresários e cumprindo a cartilha do FMI.
Em 1997, Fernando Henrique Cardoso se isolava na política nacional, entregando o País às multinacionais, por meio de privatizações, que seguem mal explicadas até os dias de hoje, e cumprindo as metas estabelecidas pelo FMI. Foi quando a CUT encabeçou o “Fórum Nacional de Lutas”, que uniu diversos movimentos sindical e sociais.
Na pauta, a defesa pela retomada dos empregos, a redução da jornada de trabalho, aumento de salários, reforma agrária, o fim das privatizações, auditoria nas empresas já privatizadas e a suspensão do pagamento da dívida externa.
João Felício (2000-2003) e (2005-2006)
Ainda na esteira do neoliberalismo promovido por Fernando Henrique Cardoso, o mandato do professor João Felício conseguiu uma das mais importantes vitórias contra o governo do tucano, que queria flexibilizar a CLT.
Com atuação importante do presidente da Câmara dos Deputados à época, Aécio Neves (PSDB-MG), FHC tentou aprovar o projeto – de sua autoria – que alterava o artigo 618 da CLT, em 2001, permitindo modificações em direitos básicos dos trabalhadores, como as férias e o 13º salário.
É fácil entender, hoje, de onde vem a conduta autoritária e antidemocrática do atual presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Aécio Neves não apenas trabalhou contra os trabalhadores como fechou as galerias, impedindo que os trabalhadores acompanhassem as discussões do projeto. Somente após a intervenção do STF, a Câmara foi aberta ao povo.
A CUT, aliada aos movimentos sociais, impediu a aprovação do projeto.
Luiz Marinho (2003 - 2005)
O ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC assumiu a Presidência da CUT em um momento singular na história da Central. Pela primeira vez, um governo apoiado pela CUT havia sido eleito, meses antes. O desafio era aproveitar o momento para implementar o máximo possível de propostas construídas ao longo de 20 anos e, ao mesmo tempo, manter a independência e cobrar quando preciso.
Nesse sentido, a principal marca do mandato de Luiz Marinho foi imaginar e concretizar as Marchas Nacionais do Salário Mínimo que, a partir de 2004, levam milhares de trabalhadores e trabalhadoras a Brasília para cobrar um mecanismo de aumento real do piso nacional.
Essa pressão, sempre ao final do ano, às vésperas da votação do Orçamento da União, serviu para que Lula passasse a aprovar aumentos acima da inflação, por meio de medidas provisórias. Começava ali a se consolidar a fórmula atual da política de valorização do salário mínimo: inflação + resultado do PIB = índice de reajuste.
Só depois, em 2007, a fórmula seria transformada em lei, em votação no Congresso Nacional. Luiz Marinho deixou a CUT em julho de 2005, após convite de Lula para assumir o Ministério do Trabalho, em meio à crise política instalada naquele ano.
Artur Henrique (2006 - 2012)
Resistência e diálogo podem ser duas palavras definidoras dos dois mandatos do trabalhador do setor elétrico Artur Henrique. Um dos momentos mais marcantes de sua gestão, e que teria reflexos positivos para o Brasil como um todo, foi a decisão da CUT de não participar de um acordo pretendido e anunciado pela Fiesp e pela Força Sindical para reduzir salários e suspender contratos em todos os setores de atividade, antes mesmo que os temidos efeitos da crise internacional de 2008 chegassem por aqui.
A recusa da CUT implodiu o acordo, defendido pelo empresariado e por setores da grande mídia. A partir daí, a CUT passa a costurar acordos com propostas para manter os empregos e os salários.
Não é exagero dizer que a posição da Central deu suporte para que o governo Lula enfrentasse com sucesso a crise financeira e impedisse que o desemprego contaminasse a vida brasileira.
Com Artur à frente, a CUT conquistou a ratificação da Convenção 151 da OIT- que garante negociação no setor público -; a aprovação da política de valorização do salário mínimo; a entrada em vigor de uma reivindicação histórica da Central, o fator acidentário previdenciário (FAP); uma legislação específica para garantir direitos trabalhistas às trabalhadoras domésticas, e a regulamentação do trabalho aos domingos no comércio, entre outros pontos.
Por intermédio do diálogo e da proposição, a CUT, junto com sua FUP (Federação Única dos Petroleiros) também deu importante contribuição para o atual marco regulatório de exploração do pré-sal. 
Vagner Freitas (2012)
Sem dúvida alguma que a gestão do bancário Vagner Freitas se destaca pela atual disputa política, nas ruas, em defesa da democracia e da manutenção e ampliação dos direitos sociais.
A CUT tem sido protagonista na convocação e realização de atos nacionais para se contrapor à maior onda reacionária vista no Brasil desde a redemocratização.
Faz parte dessa onda a pauta reacionária do atual Congresso Nacional. A Central combateu o projeto de terceirização sem limites de diversas formas, conseguindo que o Senado, onde a proposta será analisada, se colocasse majoritariamente contra a ideia.
A resistência se intensifica à medida que a pauta do retrocesso sai da toca e apresenta projetos como redução da idade penal e a recém-apresentada Agenda Brasil, restritiva à classe trabalhadora.
Entre as conquistas para o trabalhador, a CUT registra neste período a isenção de imposto de renda para a participação nos lucros e resultados (PLR) recebida pelos trabalhadores, a manutenção da correção da tabela do imposto de renda e a continuidade da política nacional de valorização do salário mínimo.
*Escrito por: Isaias Dalle e Igor Carvalho  Fonte: sítio da CUT Nacional