*Vídeo da defesa do presidente Lula para a campanha mundial Stand With Lula - (via Blog do Mello)
20 setembro 2016
Campanha mundial Stand With Lula
*Vídeo da defesa do presidente Lula para a campanha mundial Stand With Lula - (via Blog do Mello)
A Moro o que não é de Moro: o poder total
Sugere-se que, nos tribunais brasileiros, mande-se retirar as estátuas de Themis, sua balança e sua espada e as substituam por bonecos de Sérgio Moro, a encarnação da Justiça pátria.
Pouco importou que a generalidade dos juristas e até mesmo notórios adversários de Lula tenham dito e apontado a inconsistência da denúncia-xingatório apresentada por Deltan Dallagnol e seus rapazes na semana passada.
Não importa que mais da metade dela seja voltada para fatos pelos quais não se irá desaguar em uma acusação, servindo apenas para apresentar o ex-presidente como o “demônio da propinocracia” , o que contraria qualquer princípio jurídico, onde é elementar que se examinarão, na denúncia, fatos e suas provas.
Não importa que se baseie em suposições, sem um documento sequer que indique a propriedade de Lula sobre o apartamento.
Não importa que não haja nada indicando ou alguém declarando que a reforma do imóvel foi feita a seu pedido e que os depoimentos até indiquem o contrário, como se mostrou no post anterior.
Não importa que o processo original, movido por outro grupo de promotores ávidos por publicidade, que tentava inculpa-lo por eventuais vantagens em relação aos demais cooperativados tenha sido considerado imprestável para isso e devolvido à Justiça Paulista.
O negócio era levar Guarujá para Curitiba, onde Moro é Deus e não é preciso provas, basta a convicção – ou o ódio, como se prefira chamar – dá-se um jeito.
Lá, a poder de powerpoints, Lula agora é réu.
Lá, quem apostar um centavo em que um julgamento equilibrado possa absolvê-lo, com certeza, perderá um centavo, porque Moro jamais absolve, porque não há nele senso de justiça, mas um único julgamento: é culpado, publique-se, registre e imprima-se.
E, condenado, coelhos togados na segunda instância tremerão de medo em reverter o que o Deus-Moro decidir, porque não só odeiam, na maioria, o ex-presidente como, no caso de um resto de consciência lhes sobrar, o medo de serem apontados como “mutretados” o manterá soterrado.
E de lá, para Brasília, onde Suas Tremelências verificarão se foram colados os selos e estampilhas no processo, se o papel é formato A4 e se as páginas foram devidamente numeradas.
Sérgio Moro é a Justiça, agora. Sem venda, sem balança, mas com uma impiedosa espada.
Nós somos suas vítimas em potencial, porque ele pode tirar-nos a honra e a liberdade a partir do nada ou quase nada.
Mas a Justiça brasileira, esta já é sua vítima, transformada em lacaia de um juiz de província que, com o apoio da mídia e a covardia dos mais altos magistrados, virou mera carimbadora da injustiça, da perseguição e da infâmia.
*Por Fernando Brito, jornalista - Editor do Tijolaço
DEFESA DA DEMOCRACIA: Para Maria Rita Kehl, em vez de deprimir, golpe energiza indignação
Escritora e psicanalista fala da política do país face à depressão, tema que tem se dedicado a pesquisar. "Está mais fácil sair na rua para brigar com Temer. As pessoas estão muito mais indignadas do que deprimidas"
por Helder Lima, da RBA*
PAULO PEPE / RBA
'Haddad mexeu com um vício sagrado do paulistano, mas não tirou o direito de ninguém de andar de carro, só criou alternativas'
São Paulo – A crise política não deprime, ao contrário, energiza a população a ir para as ruas, afirmou na sexta-feira (16) a psicanalista Maria Rita Kehl, ao analisar a conjuntura política do país. “Ainda é difícil saber, tem uma grande desilusão com um projeto de um lado e uma grande derrota do outro, mas eu não sei se necessariamente essa derrota é depressiva”, afirmou.
“A passeata que disseram que tinha 40 pessoas, e tinha por volta de 100 mil (no dia 4 de setembro, na Avenida Paulista), foi uma coisa de uma alegria, eu fui com meus filhos, fui pensando que ia ter pouca gente, mas a coisa foi crescendo e tinha uma alegria nas pessoas, estava todo mundo gritando. De repente, era mais fácil sair na rua para brigar com Temer do que para apoiar o que restou do governo Dilma”, disse a psicanalista, ao fazer referência à fala do presidente Michel Temer, um dia antes, quando tentou desqualificar o número de pessoas insatisfeitas com o golpe parlamentar que o levou ao cargo.
Ao participar do ciclo de palestras Mutações entre Dois Mundos, no Sesc Vila Mariana, onde falou sobre o tema O desejo (a depressão e o desejo saciado), Maria Rita conversou com a reportagem da RBA. Mesmo sem sentir muito à vontade para falar de política, não recuou do desafio. A psicanalista se mostrou reticente em admitir que a divisão do país se dá em torno da disputa por narrativas – a que tenta legitimar o golpe e a que o contesta –, preferindo sustentar que tais produções, pelo menos do ponto de vista daqueles que defendem o impeachment de Dilma Rousseff, são na verdade para esconder o verdadeiro motivo da crise, que é a luta de classes.
Ao falar das eleições municipais, que ocorrem em duas semanas, ela apontou algumas das contradições que estão aflorando no processo eleitoral, como o fato de candidatos e eleitores criticarem a redução de velocidade nas ruas da cidade, ainda que a medida venha se mostrando benéfica. “O mais louco dos 50 por hora não é só que mata menos gente etc., mas (o trânsito) flui mais, a velocidade média aumentou, e querem o direito de andar mais rápido para ficar engarrafado mais tempo. A gente vê que a ideologia é algo que está por baixo da epiderme”, destacou.
Na palestra, Maria Rita Kehl falou do processo de produção do desejo na subjetividade humana, como isso muitas vezes é trocado ou compensado por tendências consumistas, o que afasta ainda mais o indivíduo de sua realidade interior, e como para o tratamento da depressão pode ser importante ao paciente resgatar cadeias de imaginação e fantasia, que têm o saudável papel de criar objetivos imaginários para o desejo, tirando-o do processo depressivo.
Confira temas que ela abordou:
Depressão e política
"Ainda é difícil saber, tem uma grande desilusão com um projeto de um lado e uma grande derrota do outro, mas eu não sei se necessariamente essa derrota é depressiva. Talvez fosse mais depressivo não no sentido da depressão patológica, que a pessoa fica na cama, e toma remédios, mas existe uma forma de depressão que é o conformismo.
"Mantivemos o diálogo com Lula e vários políticos durante toda a campanha de 2002. E logo que ele foi eleito, ele fez uma reunião conosco, um pouco para discutir o seu projeto e a primeira coisa que se falou foi 'Não abre para o PMDB do jeito que está abrindo', e ele, pragmático, falou: 'Sem o PMDB eu não governo. Nessa coisa de deixa pra lá, 'O importante é fazer o que eu estou fazendo', o PMDB tomou conta do governo dele já. Mas ele, Lula, tem um jeito de negociar, um jogo de cintura que conseguia, mas a Dilma não tem, e por uma questão de personalidade, mais rígida, não sei, conheço pouco, mas gosto muito dela por conta da Comissão da Verdade, e ela pessoalmente é uma pessoa agradabilíssima por mais que tenha fama de durona, é muito doce. Mas o Lula abriu demais para o PMDB, e ele ainda sabia segurar as pontas, a Dilma não soube. E quem derrotou a Dilma? Foi o PMDB, que sempre quis estar no poder, sempre esteve cercando, cercando, conseguindo coisas pelas bordas e agora conseguiu, é o Partido Me Dá uma Boquinha.
"Mas aí eu não sei se é depressão, porque a quantidade de gente que está indo para as ruas, eu acho que é o contrário, eu acho que ficou mais difícil apoiar a Dilma – eu fui pra rua apoiar a Dilma – porque ela teve de fazer tanta concessão e já nem era mais um governo do PT. Era mais difícil chamar gente combativa apoiar Dilma, do que está sendo para combater o Temer. A passeata que disseram que tinha 40, 50 pessoas, e tinha por volta de 100 mil, foi uma coisa de uma alegria, apesar de ser para brigar, eu fui com meus filhos, fui pensando que ia ter pouca gente, mas a coisa foi crescendo e tinha uma alegria nas pessoas, estava todo mundo gritando. De repente, era mais fácil sair na rua para brigar com Temer do que para apoiar o que restava do governo Dilma.
"Neste momento, está todo mundo aturdido, mas pelo que eu senti nesse dia como se fosse lá tomar o pulso do doente e constatar que ele melhorou em vez de piorar – eu não chamaria isso de depressão nesse momento. Posso me enganar, pode ser que o Temer faça um jogo de poder tão opressivo que durante dez anos ninguém mais possa se manifestar, ai vamos pensar de novo, mas agora eu acho que as pessoas estão muito mais indignadas do que deprimidas."
Eleições municipais
"Certamente o contexto da crise política influi nas eleições municipais. Se o Fernando Haddad fosse oportunista poderia ter saído do PT, feito um jogo e ido para o PMDB, como fez a Marta. Ele mexeu com um vício sagrado do paulistano que é o carro. O mais engraçado é o seguinte: olha como, voltando para essa elite doida que a gente tem, ele não tirou o direito de ninguém andar de carro, ele só criou alternativas. E o pessoal está furioso com ele. Tem ciclofaixa, tem faixa de ônibus; eu não tenho carro já desde antes do Haddad, eu vendi meu carro, comecei a andar de ônibus e comecei a me perguntar, o que eu estava fazendo dentro daquela lata parada no congestionamento. Eu pego o metrô e pego ônibus, é muito melhor. Os ônibus são maravilhosos, é claro que tem horário, tem bairro que enche, mas com as faixas, que estão se ampliando você vai muito rápido. Aí sim você pode dizer, a pessoa está brava com o quê? Ela está brava porque está parada no congestionamento com sua lata, que custou milhões... E tem o cara no ônibus passando por ela. Ela não aguenta isso... Tem mais gente dentro do ônibus do que engarrafada, mas os formadores de opinião estão dentro dos carros."
Limite de 50 km/h
"O mais louco dos 50 km/h não é só que mata menos gente etc., mas (o trânsito) flui mais, a velocidade média aumentou, e querem o direito de andar mais rápido para ficar engarrafado mais tempo. A gente vê que a ideologia é algo que está por baixo da epiderme. A ideia do Marx sobre os interesses materiais é forte, eu acho que um texto que todo mundo tem de ler é sobre o fetiche da mercadoria, no primeiro capítulo do Capital."
"Lula abriu demais para o PMDB, mas ele ainda sabia segurar as pontas. A Dilma não soube. E quem a derrotou foi o PMDB, que sempre quis estar no poder, sempre esteve cercando. É o Partido Me Dá uma Boquinha"
Narrativas sobre a crise
"As narrativas são para se encobrir a velha e boa luta de classes. Não vejo (a crise política) como uma disputa de narrativas, embora muitas pessoas jovens, pouco politizadas, possam embarcar em uma questão de narrativas. O problema é que o país é conservador, fundado, desde a colonização, na escravidão; o país do Ocidente que teve o maior período de escravidão, eu soube disso pelo Luiz Felipe de Alencastro. Só o Haiti demorou mais para libertar os escravos do que o Brasil.
"A gente tem uma educação política baseada em primeiro lugar na expropriação da natureza, os portugueses vieram para cá para isso, e depois na escravidão. Nós temos menos de dois séculos sem escravidão. O PT quando surgiu era um partido operário mesmo, tinha uma plataforma e, principalmente no final da ditadura, teve um papel importantíssimo. Eu, por exemplo, fui a primeira vez, como jornalista, em um comício do Lula no 1º de maio, quando ele era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, e não era candidato a nada. Já havia uma potência na fala dele, e aí sim tinha uma narrativa, o Lula sabe muito bem fazer isso. Coisa que infelizmente a Dilma não sabe. Isso não é um defeito de caráter, mas uma questão de personalidade.
"O Lula para qualquer encrenca se sai com uma linda narrativa. Na época em que o problema não era de encrenca, mas de realmente levantar os operários – e o Lula sempre dizia que não era de esquerda, sempre fazia questão de marcar o seu lugar como líder popular, representando os interesses de uma categoria, e não no sentido de uma perspectiva da luta de classes."
Legado da escravidão e pobreza hoje
"A desigualdade no país é sistêmica, histórica, ela tem como base histórica os três séculos de escravidão. Os Estados Unidos também escravizaram de maneira muito pesada, não eram um país de santos, mas ali quando a escravidão acabou houve uma mínima reparação aos escravos, um pedaço de terra, alguma coisa para começar a vida.
"Aqui não, aqui as enxurradas de trabalhadores que eram escravos foram jogadas na rua. Um fazendeiro que empregava, digamos assim, 3 mil escravos que ele só tinha que alimentar, e muito mal, passou a pagar 300, ou 500, explorar o máximo, e o resto rua. Não teve reparação.
"Nós formamos uma pobreza desamparada. Não se trata da família que tem sua terrinha, que luta, ou do cara que tem um empreguinho e ganha mal; é uma pobreza de desamparo, um monte de gente que ficou a ver navios, ao deus-dará. E aqui vale uma nota de rodapé: o samba nasceu disso, das populações escravas tentando se estabelecer na Gamboa, no Rio, e recuperando suas tradições. Esse é um detalhe para destacar a ideia do José Miguel Wisnik, no livro dele (Veneno Remédio: O Futebol e o Brasil – Companhia das Letras, 2008); até isso que foi tão trágico teve para a cultura brasileira um saldo espetacular."
Elites e privilégios
"Parece que a elite, e a classe média também, pois ela sempre se identifica com a elite – isso está no Marx – teve muito pouca responsabilidade social pela quantidade de privilégios que teve. Eu não estou dizendo que não trabalhou, que é uma elite só rentista, como aconteceu mais recentemente, mas é uma elite que tinha poucos deveres sociais. Pagava pouco imposto em relação a tudo o que ganhava.
"As fazendas antigamente tinham as colônias onde os trabalhadores moravam. Quando começa a mecanização do campo, os fazendeiros dispensam, onde ele tinha 300 empregados ele fica com três, e os outros viram boia-fria, vão morar nas favelas, nas periferias das cidades. Em 2005, 2006 por aí, eu vi uma conferência do (João Pedro) Stédile, líder do MST em que ele disse que numa cidade como Ribeirão Preto, com a cana-de-açúcar, havia mortes por exaustão (entre os cortadores de cana), o cara ganhava por tonelada e mortes por exaustão são até algo pior do que trabalho escravo.
"Nessa época, a população carcerária de Ribeirão Preto já era maior do que a população rural. Tinha mais gente que foi expulsa do campo e que foi para as favelas do que morando no campo. Esse é o modelo de desenvolvimento do Brasil.
"Os governos do PT vieram com um discurso que não era um discurso revolucionário. E diminuir a desigualdade custou alguma coisa para a elite? Não! No governo Lula, os milionários ficaram mais milionários. Então, é uma disputa aí sim de narrativas, mas também de perda de mínimos privilégios. Dou exemplo com a questão das cotas nas universidades."
"Videologias"
"Na verdade, 'videologias' não foi um conceito, foi só uma brincadeira que a gente fez porque a gente gostava muito do livro Mitologias, do Barthes (Roland Barthes – 1915-1980), então, a gente inventou essa palavra para a nova mitologia, via televisão. Não sei seu eu faria hoje algum adendo ao livro, mas acho que isso só se sofisticou. Eu diria que nada mudou qualitativamente, mas se sofisticou por um lado, e por outro talvez, ao contrário, na medida em que começou a haver uma insatisfação detectável na classe média, que é o principal público da televisão.
"Não estou dizendo que a elite não vê televisão, mas a grande massa está nas classes B e C – pelo menos antigamente era assim, quando eu estudei a ascensão da Globo, e pode ser que não seja mais, que eu esteja falando bobagem, mas essa classe que tem sido representada na televisão. Minha tese de mestrado foi uma pesquisa sobre a Globo durante a ascensão do regime militar, nos anos 1970, na verdade, não ligando diretamente com a ditadura, mas ligando com o tipo de discurso que ela conseguiu disseminar na época do chamado milagre, Brasil Grande etc. A Globo foi a primeira emissora que ocupou a rede Embratel.
"E isso não foi ao acaso. Eu tive acesso a documentos da Escola Superior de Guerra, havia reuniões de executivos da Globo com gente de alta patente do governo militar, e ministro da Educação, da Cultura etc., dizendo que havia polos de insatisfação no Brasil. E eles diziam que as pessoas não sabiam ainda como este país progrediu. 'Temos de levar a modernidade e a notícia do milagre brasileiro nos rincões isolados.' Então, a integração do Brasil pela Globo foi feita como um projeto de política cultural e de política ideológica. A Globo foi a primeira a ocupar a rede Embratel nos anos 1970.
"Mas o que acontece? O teatro de esquerda, que era muito bom nos anos 1960, estava sendo perseguido, censurado, eles trouxeram esses caras para a TV. E o discurso desses caras, como o Lauro César Muniz, era de quem tinha esperança e diziam assim: 'Em vez de eu fazer um discurso de esquerda radical para 100 espectadores, a gente faz um discurso moderado para 30 mil, ou para 300 mil, e pode ser que seja melhor'. Mas a gente nunca vai saber se esse cálculo estava certo ou não. O Augusto Boal não fez isso, ele foi um que se exilou, o centro do teatro do oprimido continuou fazendo alguma coisa por aqui, ele voltou, e segurou o teatro do oprimido enquanto deu, até morrer praticamente.
"Mas os que foram para a televisão – e quando eu escrevi sobre eles era uma perspectiva muito radical, no sentido de julgar demais, mas talvez eles tivessem uma sincera esperança de que isso (a conciliação de classes) fosse possível. E as novelas das oito, particularmente, sempre fizeram essa conciliação."
Colaborou Paulo Donizetti de Souza
Com ataque a Lula, Lava Jato pode incendiar o país
Por Jeferson Miola*
A força-tarefa da Lava Jato se embrenhou numa armadilha. Dependendo da opção dos seus agentes, poderá abrir um capítulo de grave conflitividade social no país, e não conseguirá ficar livre da responsabilidade pela espiral de conflito e violência.
Pela primeira vez desde que iniciou, a Operação é contestada pela quase unanimidade jurídica e política. É o saldo da tresloucada acusação dos procuradores ao ex-presidente Lula.
Para acusar e incriminar Lula, os inquisidores do Ministério Público usaram o rascunho do acordo anulado de delação do empreiteiro Leo Pinheiro. Atribuíram ao ex-presidente, com zero de prova, mas muita convicção, o papel de “comandante máximo”, “grande general” e “maestro” do esquema de corrupção na Petrobrás.
A denúncia dos procuradores agora está com o justiceiro Sérgio Moro, que terá de decidir entre duas alternativas: ou [1] aceita a denúncia e instala o processo através do qual, se sabe de antemão, ele condenará Lula sem causa; ou [2] arquiva a denúncia por falta absoluta de provas e “excesso de convicções”.
A segunda hipótese é praticamente improvável, porque Moro estaria contrariando o epílogo épico planejado para a Lava Jato há dois anos e meio, que é a condenação e prisão do Lula como o “comandante máximo” da corrupção no Brasil. O justiceiro dificilmente arquivaria esta denúncia, mesmo que delirante, porque passaria recibo do padrão de funcionamento da Lava Jato, baseado em arbitrariedades e atropelos. Significaria uma derrota estratégica e desmoralizante da Operação.
A hipótese de Moro aceitar a denúncia para condenar Lula é a mais provável, coerente inclusive com práticas criminosas antecedentes. Em outros momentos cruciais para a Lava Jato, Moro não hesitou em agir ao arrepio da Lei e do Estado de Direito. Assim procedeu na condução coercitiva do Lula com o objetivo fracassado de prendê-lo, em 4 de março; e assim atuou na interceptação e divulgação ilegal de conversas telefônicas da Presidente Dilma, em 16 de março.
Para a perpetração dos abusos e violências, Moro conta com o respaldo do STF, que tem sido conivente com a regressão jurídica e com os retrocessos no campo do direito, como ficou patente por ocasião dos episódios de 4 e 16 de março e outros. Com isso, a Suprema Corte legitima o Estado de exceção que se vive no país com o golpe.
É cada vez mais cristalino que a Lava Jato foi montada para atingir de morte Dilma, Lula e o PT. Na verdade, a oligarquia golpista usou o combate à corrupção apenas para tomar de assalto o poder com o golpe jurídico-parlamentar. Como derrubaram Dilma, agora precisam aniquilar Lula, inviabilizando por todos os meios seu retorno à Presidência do país na próxima eleição.
A paz social no Brasil está ameaçada pelo ataque que setores das instituições jurídicas e policiais do Estado, capturadas por militantes partidários golpistas e antipetistas, desferem contra a democracia, a Constituição e o Estado de Direito.
A violência fascista contra o Lula, se concretizada pela força-tarefa da Lava Jato com a cumplicidade das instâncias do Judiciário e o acobertamento da mídia dominante, mudará o padrão da luta política e do conflito social.
O povo trabalhador certamente não ficará passivo diante da injustiça contra Lula e da tentativa de assassinato do maior líder popular de todos os tempos.
*Postado originalmente na Carta Maior
O que foi a Revolução Farroupilha?
A Revolução Farroupilha passou para a história como uma das revoltas por liberdade no Brasil da época do Império, no século 19. Segundo os livros tradicionais, o movimento começou em protesto aos impostos altos cobrados no charque, no sal e em outros produtos da região Sul, e queria a independência em relação ao governo central.
O historiador Moacyr Flores, autor de diversos livros sobre a Revolta, frutos de suas pesquisas de mestrado e doutorado, contesta essa versão. Ele considera a Revolução Farroupilha como uma guerra civil, já que colocou os rio-grandenses uns contra os outros. "Foi uma guerra iniciada pelos grandes proprietários rurais, chamados estancieiros. O Império, que já cobrava impostos das propriedades urbanas, decidiu cobrar impostos sobre as propriedades da zona rural", explica.
Segundo o professor, a população de Porto Alegre foi a favor da cobrança na zona rural, pois pequenos proprietários da capital eram taxados. "Por que não os grandes estancieiros?", questiona o pesquisador.
Por esse motivo, os farroupilhas, liderados por Bento Gonçalves, tomaram o poder em Porto Alegre, no dia 20 de setembro de 1835, expulsando de lá o presidente da província e empossando o vice. Para o historiador, aí começa um período inédito nas revoltas brasileiras, já que pela primeira vez os "rebeldes" conseguem implantar uma República. O governo apoiado por Bento Gonçalves teve seis ministérios, serviço de correio, tratados com outros países (o Uruguai foi um deles) e uma polícia própria. "Não houve, no entanto, aplicação de ideias liberais, ou tentativa de qualquer mudança social. Esse governo se caracterizou como uma ditadura, reprimindo duramente qualquer opinião contrária", diz.
Outro engano, segundo ele, é achar que os negros lutaram pelos farroupilhas em favor da conquista de sua liberdade. "Não houve negros do lado dos estancieiros, pois estes não colocaram seus escravos para batalhar, sempre os mantiveram em trabalho nas fazendas. Os negros que participaram estavam do lado do Império e eram da chamada Infantaria Negra", afirma. Mesmo o nome "farroupilha", não seria derivado de "farrapos", referente ao estado desgastado dos revolucionários. "Farroupilha é o nome do partido dos liberais exaltados, fundado em 1832", esclarece.
A Revolta terminou em 1845 por um tratado de paz estabelecido entre os revolucionários e Duque de Caxias. Parte do "fracasso" da república farroupilha deveu-se à sua não aceitação por parte da população do Rio Grande do Sul. "Porto Alegre já era uma cidade comercial, então é claro que ninguém apoiava uma guerra, pois sempre há pilhagens e muito prejuízo para todos", explica o professor.
A visão romântica da história dos farrapos foi estabelecida, segundo o pesquisador, em 1947, com a criação dos Centros de Tradição Gaúcha (CTG). Após a Segunda Guerra Mundial, iniciou-se no Rio Grande do Sul um movimento de valorização da terra e origens que culminou com a abertura desses locais. "Houve então uma apropriação do gauchismo como símbolo de identidade, modificando a interpretação de toda essa história, colocando os revoltosos como heróis", conta. É, conforme diz o professor, "a invenção das tradições", citando o título do livro do historiador Eric Hobsbawn.
*Por Renata Costa in http://acervo.novaescola.org.br/
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Massacre de Porongos ainda é polêmico porque questiona ‘heróis farroupilhas’, diz historiadora
19 setembro 2016
18 setembro 2016
A hora e a vez de Sua Majestade, a Hipocrisia
Lula advertiu os golpistas do Poder Judiciário:
'se acreditam que esta história está chegando ao final, se preparem, porque
está apenas começando'
Por Eric Nepomuceno, para o Página/12*
Existem frases que dispensam comentários e rechaçam desmentidos. Nesta quarta-feira (14/9), quando os jovens promotores da equipe do Ministério Público Federal, responsáveis pela Operação Lava-Jato, disseram que não há provas contra o ex-presidente Lula da Silva, mas sim convicção, ficou claro que o processo contra o político brasileiro está muito mais próximo da Santa Inquisição que da Justiça.
Os abusos e inconsistências apresentadas ao público pelo fiscal encarregado da Lava-Jato, o predicador evangélico Deltan Dallagnol tiveram o efeito de um bumerangue na opinião pública.
Fascinado e ofuscado pelas luzes da glória, o jovem e messiânico promotor cometeu erros jurídicos dignos de um menino pedante que não sabe sequer o endereço da escola de direito. O mais evidente e escandaloso desses erros primários foi ter dedicado a maior parte do tempo de sua exposição a apontar Lula como chefe de uma organização criminosa, o centro de um universo solar de corrupção, segundo ele.
Provas? Não há, nenhuma. Mas há convicção, como sentenciou um de seus também jovens assistentes. Baseadas em que? Em dados e indícios. Sendo assim, por que não denunciá-lo por formação de quadrilha? Silêncio.
A reação negativa foi imediata. Da conservadora Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a diários claramente comprometidos com o golpe institucional que destituiu a presidenta Dilma Rousseff (também sem provas e sem crime) e instalou o usurpador Michel Temer na cadeira presidencial, surgiram diversas críticas, com mais ou menos ênfase ao espetáculo circense oferecido pelo irresponsável e vaidoso promotor Deltan Dallagnol, que tenta projetar uma imagem de salvador da pátria, ao estilo do que a imprensa vem comprando ultimamente, mas que até gora vem mostrando um desempenho bastante desastrado.
Foi ele o autor, por certo, da mais grave e extensa de todas as ações cujo objetivo claríssimo é eliminar do cenário político brasileiro o mais popular dos dirigentes das últimas seis ou sete décadas. Entregou em bandeja de prata, aos detratores de Lula da Silva, um arsenal estrondoso.
Porém, ao mesmo tempo, sua oferta se mostrou uma faca de dois gumes. Era claro que Lula reagiria. Ao transformar seu discurso num feroz pronunciamento político, o pobre Deltan entrou num campo de batalha no qual ele é um torpe e risível amador, e onde Lula é insuperável.
É verdade que ele conseguiu fornecer munição aos que não podem superar Lula nas urnas eleitorais. Alguns, sem limites para a sua hipocrisia, usaram essas mesmas ferramentas para reforçar o discurso violento contra o líder petista. O senador Aécio Neves, por exemplo, um dos cabeças da manobra que resultou no golpe contra Dilma, foi um dos primeiros: logo após ouvir a emotiva defesa pessoal apresentada por Lula da Silva, reclamou da falta de algum tipo de confissão, de mea-culpa por parte dele.
Aécio se esquece que é ele, precisamente, um dos políticos mais denunciados nas delações dentro da Operação Lava-Jato. Claro que ele sabe que jamais deixará de contar com o manto protetor de um sistema judiciário absolutamente politizado, que o vem protegendo de ter que testemunhar, evadindo assim qualquer necessidade de confessar o que seja – e assim continuará sendo.
Dallagnol, em sua caminhada rumo ao trono de Torquemada, abriu as largas avenidas para que Lula pratique uma de suas especialidades mais conhecidas: o discurso da indignação. Ao denunciar também a esposa do ex-presidente, dona Marisa Letícia, o triste promotor permitiu que Lula se dirigisse ao seu público se apresentando não como um ex-presidente vítima de uma injustiça cósmica, ou como um dirigente político que tem que ser derrotado por seus adversários por qualquer método – já que no jogo eleitoral ele continua sendo favorito, como indicam as pesquisas.
Permitiu a ele falar como cidadão indignado. Lula contou as humilhações que vem sofrendo com as ações ilegais e abusivas da Polícia Federal, que atuou sob as ordens de outro membro da Santa Inquisição de Curitiba, o provinciano juiz de primeira instância Sérgio Moro. “Chegaram a revisar debaixo do meu colchão”, contou Lula. “O que buscavam ali? O ouro de Moscou?”. O ex-presidente também contou que se levaram os celulares de suas netas. “Eles não tem o direito de humilhar a minha família”, gritou um Lula emocionado, que chorou em mais de um momento.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, outro dos cabeças do golpe, insinuou que a iniciativa do promotor Dallagnol talvez não tenha sido uma ideia brilhante: “é preciso analisar tudo com muita cautela”. Talvez recomendando, com suas palavras, que se a Justiça tenha a mesma cautela com as denúncias contra o seu partido o PSDB, especialmente as que ocorreram em seus mandatos presidenciais, entre 1995 e 2002 – as que são muitas, e que, diferente das do PT e de Lula, vem sendo tratadas com cautela excessiva.
A hipocrisia chega a níveis olímpicos quando se recorda algo que Lula da Silva destacou em seu discurso de quinta-feira (15/9). Há dois anos, a Polícia Federal encontrou um helicóptero carregado com 400 quilos de cocaína. O veículo pertence ao senador Zezé Perrella, amigo pessoal de Aécio Neves, e seu aliado no golpe e em outros negócios não exatamente republicanos. O fato ocorreu meses antes das eleições de 2014, quando Aécio era o principal candidato da oposição contra Dilma Rousseff, e a total omissão do fato na mídia, além da não investigação do Ministério Público, que levou definitivamente a que terminasse em impunidade, ajudou a candidatura do tucano a chegar ao segundo turno, e ameaçar a vitória petista.
“Comigo, dizem não ter provas, apenas convicção. No caso do helicóptero havia provas, pegaram ele lá cheio de cocaína, o que não havia era convicção”, fulminou um Lula da Silva em estado puro, com certa ironia ressaltando a diferença de tratamento por parte das investigações de um caso de outro.
O mesmo Lula, com a mesma indignação, advertiu os golpistas do Poder Judiciário: “se acreditam que esta história está chegando ao final, se preparem, porque está apenas começando”.
Tradução: Victor Farinelli
17 setembro 2016
Perseguição da Lava Jato a Lula é para consolidar o golpe, diz Fernando Morais
Para o escritor e jornalista, esforço das elites para derrubar Dilma seria em vão, caso não consigam inviabilizar Lula em 2018
por Redação RBA*
JAÍLTON GARCIA/RBA
São Paulo – Para o escritor e jornalista Fernando Morais, a tentativa de tirar Lula das eleições presidenciais de 2018, a partir de condenação judicial articulada pela Lava Jato, é parte da estratégia de consolidação do golpe que derrubou a presidenta Dilma em agosto passado. "Essa denúncia maluca, porque o próprio acusador diz que não tem como provar, é a consolidação do golpe", afirma Morais em entrevista à Rádio Brasil Atual na tarde de ontem (15).
"Só um ingênuo poderia acreditar que fariam tudo isso, que iriam juntar mídia, MP, parte do Judiciário, a Fiesp, os grandes bancos, para derrubar Dilma e entregar a presidência para o Lula", analisa o escritor. "Se não pegarem o Lula, não tem golpe, porque o Lula ganha as eleições de 2018."
Para ele, a apresentação da denúncia na quarta-feira (14) pelos procuradores da Lava Jato, sem a revelação de provas, e que virou piada na internet, não tem qualquer valor jurídico. "O que foi visto não é algo que diga respeito à Justiça, é puro marketing."
Ele também comentou a fala do ex-presidente Lula na tarde de ontem (15) para se defender das acusações. "Foi uma coisa muito espontânea e bonita. Dezenas de pessoas me contaram que choraram quando viram. O Lula é isso. Lula é essa pessoa sensível, que se emociona, fica bravo, fala palavrão. É esse o Lula que o povo adora, e vai elegê-lo de novo presidente em 2018."
Para o jornalista, o governo Temer só continuará tendo o apoio e a blindagem do empresariado e da grande imprensa se estabelecer o chamado "ajuste fiscal", que Morais classifica como "brutalidade".
Ele define o plano do "governo golpista" em três pontos: entregar as riquezas nacionais às multinacionais, em especial as reservas do pré-sal, estabelecer teto para os gastos sociais, que representa "garrote no pescoço do trabalhador" e pôr fim a política externa autônoma desenvolvida nos anos Lula e Dilma, e restabelecer a subordinação aos interesses das grandes potências.
"Pra gente evitar que isso aconteça, nós só temos uma arma, que é ir para a rua. Ganhamos no gramado, eles tomaram de nós no tapetão. É fazer o que o Lula, o MST, a CUT, o MTST e demais movimentos sociais estão fazendo: não dar um minuto de sossego para essa gente."
Ouça:
*Via RBA
Debate: "O que queremos: Diretas Já?"
Hoje, temos o mesmo clamor? Diretas já? E basta? O que isso pretende agora? Uma solução pragmática? Corre-se o risco de estarem sendo tramadas as condições para um novo golpe
Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro (via Correio do Brasil*)
Num primeiro momento, foi a Presidenta Dilma Rousseff quem anunciou: reconduzida ao lugar em que foi posta pelo povo, consultaria o povo brasileiro sobre a antecipação das eleições gerais agendadas para 2018. Tendo rompido a bolha com que a envolveram os áulicos de Palácio, ela foi ao povo, conviveu e ouviu. E retornou, contando das críticas duras que ouviu. Admitindo erros sérios, considerou que, estando a ser impugnada pela oposição por rejeição ao “conjunto de sua obra”, aceitaria a precipitação de novas eleições, caso desejado pelos cidadãos. Seria uma forma de pacificação dos ânimos, a recriação das condições de um governo subtraído pelos inconformados.
Dilma Rousseff não foi respeitada, e, antes dela, 54 milhões de brasileiros. E, como foi violentada na sua autoridade, não cabe mais que se lembrem as suas palavras, como se fora uma proposta a valer a qualquer tempo e sob quaisquer condições. Sejamos claros e honestos: a pura e simples antecipação das eleições passa a ser um segundo golpe, um segundo desrespeito à Ordem Constitucional, com o efeito trágico de validação do primeiro, a sua aceitação, o esquecimento de que se criou a ordem urdida pelos canalhas.
Mas, se não tão lógicos e claros, poderíamos aceitar essa solução de compromisso como remédio pacificador dos ânimos, fazendo com que brasileiros, os respeitáveis e os canalhas, passassem a dar-se as mãos? A possibilidade, admitida até mesmo por Mino Carta, vale como voto de intenção, vontade de que seja restabelecida a ordem e a concórdia. Pode-se restabelecer o que nunca existiu? A casa grande jamais concordou com a senzala, apenas a animalizou e explorou.
O povo brasileiro foi ensinado por suas elites à covardia do acomodamento, da continuidade, para que não se enfrente o desafio do que não se experimentou ainda. A História do Brasil, orientada pelo não rompimento,conduzida pelas conversações, negociações, ajustes e acordos, fica abaixo da linha da mediocridade e chega aos limites da covardia. Cultivamos ainda um 7 de setembro, como data da Independência que o Colonizador nos deu. Quem foi Jose Bonifácio, o Patriarca dessa cópia mal feita? (...)
CLIQUE AQUI para continuar lendo o artigo da companheira escritora e midioativista Maria Fernanda Arruda.
16 setembro 2016
‘O PT não faltará a mais um chamado da história’
O PT NÃO FALTARÁ A MAIS UM CHAMADO DA HISTÓRIA (Nota Oficial)
O país assistiu estarrecido ao deprimente espetáculo oferecido pelos promotores da Operação Lava Jato, ao denunciar leviana e irresponsavelmente o ex-presidente Lula, sua esposa Marisa Letícia, o companheiro Paulo Okamoto e outros seis cidadãos. Nas palavras de um dos integrantes do MPF, a confissão é clara: “não temos provas cabais, mas temos convicções”.
Esse ataque à Justiça e ao Estado Democrático de Direito, às vésperas das eleições municipais, faz parte da campanha de linchamento jurídico-midiático contra um grande líder do povo brasileiro e seu partido político.
A vida do presidente Lula tem sido vasculhada há 40 anos. Particularmente de 2014 para cá, agentes do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e no Poder Judiciário tem buscado encontrar um crime para acusá-lo.
Os ataques contra Lula, promovidos em várias frentes simultâneas, configuram um movimento orquestrado de perseguição.
A escalada em curso constitui-se em mais um capítulo do golpe institucional que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, cujo objetivo é reverter as conquistas sociais e políticas dos últimos treze anos, buscando eliminar o ex-presidente da vida política brasileira.
O que pretendem as elites é incriminar Lula, ilegalizar o PT e destruir a esquerda para realizar, sem a sustentação dos votos, um dos mais regressivos e selvagens programas de orientação neoliberal.
O governo usurpador anuncia mudanças que rompem com o legado da Constituição de 1988. A PEC do Estado Mínimo, a 241, se implementada, comprometerá por vinte anos as políticas públicas e os investimentos sociais, especialmente o orçamento para educação e saúde.
Pretendem os golpistas também entregar o Pré-Sal aos grupos internacionais, violar a legislação trabalhista, reduzir as aposentadorias e vender terras brasileiras a estrangeiros.
Para atingir estes objetivos, patrocinam ações repressivas contra manifestações populares e abdicam da soberania nacional em proveito das grandes potencias.
O Partido dos Trabalhadores, solidário à indignação frente aos desmandos das oligarquias, conclama à intensificação da resistência contra o golpe. Somente a mobilização permanente dos trabalhadores, dos jovens e das mulheres, de todos os setores democráticos da sociedade brasileira, será capaz de reverter esse momento amargo de nossa história.
Conclamamos a cidadania, junto à Frente Brasil Popular e à Frente Povo Sem Medo, a lutar pelo fim do governo Temer e pela convocação imediata de eleições diretas para presidente da República, para que se reestabeleça a soberania popular.
Conclamamos os movimentos sociais, os trabalhadores e trabalhadoras, a juventude, os intelectuais, os juristas e todos os democratas do Brasil a uma ampla mobilização pelas Diretas Já, com a reforma do carcomido sistema político; a derrotar o programa neoliberal, antipopular e antinacional do governo usurpador; e a defender nas ruas, a partir de um calendário contínuo de mobilizações, o companheiro Lula – nossa maior liderança e um dos estadistas mais comprometidos com a justiça social, a democracia, a integração latino-americana, a construção de um mundo multipolar, a soberania dos povos e a paz mundial.
Somente a união do povo brasileiro poderá derrotar os usurpadores. As classes trabalhadoras terão papel decisivo nesse processo, impedindo a revogação de direitos e combatendo o arbítrio e o retrocesso.
O PT, como sempre, não faltará ao chamado da história.
São Paulo, 15 de setembro de 2016
Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores
*Via http://www.pt.org.br/
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