07 novembro 2025

05 novembro 2025

Foco tem que ser nos cabeças do crime organizado, diz Lula sobre medidas de segurança pública

Presidente defendeu aprovação do PL Antifacção

Presidente Lula | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil


Da Agência Brasil*

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (4) que o governo federal está empenhado em medidas para “quebrar a espinha dorsal” de grupos que atuam no tráfico de drogas e no crime organizado. Ele defendeu a aprovação do projeto de lei que endurece penas a integrantes e líderes de facções.

“Com mais inteligência, integração entre as forças de segurança e foco nos cabeças do crime – quem financia e comanda as facções”, escreveu o presidente em uma postagem na plataforma X.

Desde 2023, segundo Lula, as ações capitaneadas pelo governo federal retiraram R$ 19,8 bilhões das mãos de criminosos, no que chamou de “maior prejuízo já imposto ao crime, enfraquecendo lideranças e redes financeiras”. O número de operações da Polícia Federal saltou, de acordo com o presidente, de 1.875, em 2022, para 3.393 em 2024. Em 2025, já são 2.922 até outubro.

Nas rodovias, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 850 toneladas de drogas em 2024.

“Para sustentar esses avanços, o governo enviou ao Congresso o PL [projeto de lei] Antifacção, que endurece as penas e asfixia financeiramente as facções; e a PEC da Segurança Pública, que moderniza e integra as forças policiais, incorpora as Guardas Municipais e garante recursos permanentes para estados e municípios”, acrescentou o presidente.

Mais cedo, Lula, que está em Belém para a Cúpula do Clima, na COP30, conversou com jornalistas de agências internacionais de notícias e afirmou que a megaoperação policial das forças policiais no Rio de Janeiro, na semana passada, foi “desastrosa”.  A incursão nos complexos de favelas da Maré e da Penha resultou na morte de 121 pessoas, incluindo quatro policiais.

*Via Sul21

03 novembro 2025

ANTÔNIO GRINGO FARÁ SHOW EM SANTIAGO/RS NESTE SÁBADO

 


*CARTÕES À VENDA POR R$ 40,00 COM OS/AS ORGANIZADORES/AS (CONTATO PELO FONE/WHATS ACIMA)

Clara Charf: morre aos 100 anos a ativista pela memória e militante histórica do PT

Alagoana foi esposa de Carlos Marighella, lutou contra a ditadura e é símbolo de resistência

    Clara Charf - Créditos: Agência Brasil
Clara

Nesta segunda-feira (3), morreu Clara Charf, notória e histórica militante socialista brasileira, aos 100 anos de idade. Ela integrou a Aliança Nacional Libertadora, onde conheceu seu cônjuge Carlos Marighella e, depois, foi uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores, com marcante luta pelas mulheres e trabalhadores.

Militante comunista, Clara seguiu para exílio em 1969 após o assassinato de seu marido e viveu em Cuba por uma década. Retornou ao Brasil após a Lei da Anistia, dedicando-se à militância política e feminista, iniciando sua trajetória no PT, onde trabalhou nas secretarias de mulheres e de relações internacionais.

Entre os anos 80 e 2010, Charf teve um trabalho intenso na defesa das mulheres e, a partir de 2003,foi a comandante da Associação Mulheres pela Paz, que chegou a indicar 1000 mulheres para o Nobel da Paz de 2005.

100 anos de Clara Charf

O trecho abaixo é a reprodução de uma matéria da ABr, publicada em 17 de julho deste ano, dos jornalistas Luiz Claudio Ferreira, Repórter da Agência Brasil, e Mara Régia di Perna, Jornalista da Rádio Nacional,

Força, sorriso aberto, obstinação e uma estrada feita de paixões. Apaixonada pela liberdade, pela família, por um grande amor e pelo país. Quem testemunhou a trajetória da ativista brasileira Clara Charf, que completa, nesta quinta-feira (17), 100 anos de idade, a define como uma mulher à frente do seu tempo. 

Quem a acompanhou em algum momento enumera que Clara é uma mulher que precisou se reinventar e superar os dias duros, de prisão, assassinato do companheiro Carlos Marighella (foto), exílio e recomeços.

Atualmente, Clara tem apenas lapsos de memória, como explica a irmã caçula, Sara Grinspum, de 94 anos. Elas vivem juntas em São Paulo. Sarita, como é chamada em casa, afirma que Clara foi uma companheira sempre presente, ainda mais depois que a mãe delas, Ester, morreu precocemente com apenas 40 anos de idade, vítima de tuberculose.

“A minha irmã sempre prezou muito pela liberdade e pela vontade de ajudar as pessoas”, disse Sarita, em entrevista à Agência Brasil. Clara, referência e ídola da irmã, não foi mãe. "Na vida dela, não tinha como", explica.

A documentarista Isa Grinspum Ferraz, autora do premiado documentário Marighella (2012), sobre o tio guerrilheiro assassinado pela ditadura militar em 1969, diz que Clara tem uma história de 100 anos intensamente vividos. “Desde sempre, Clara foi uma pessoa inquieta, que queria transformar o mundo e que queria ser uma mulher livre”, explica. 

A sobrinha recorda que Clara quis (e conseguiu) ser aeromoça nos anos 1940, quando a profissão sofria com estereótipos. “Ela queria voar, ser livre, criar coisas e [tinha] uma preocupação social muito forte, muito grande”. Isa pondera que a tia tem uma trajetória de exemplo ao aderir à militância por justiça desde os 16 anos de idade. 

Depois que se ligou ao Partido Comunista Brasileiro, Clara se casou em 1947 com o também ativista Carlos Marighella. Após o golpe militar, o guerrilheiro, nos últimos anos de vida, participou da luta armada, o que fez Clara temer muito pelo destino. Ela também era perseguida por agentes da ditadura e foi presa. “Clara é uma mulher apaixonada pelo Brasil, pela América Latina e pelas lutas dos povos do mundo por melhores condições de vida”, revela Isa.

Exilada

Isa Grinspum reconhece que a tia viveu profundas dores com a perda do companheiro de vida, assassinado pela repressão em São Paulo. Mesmo assim, avalia, ela sempre foi uma pessoa muito otimista e alegre.

Depois do assassinato de Marighella, Clara foi para o exílio em Cuba naqueles tempos em que o Brasil vivia sob a legislação opressiva do ato institucional número 5 (AI-5), que revogava todas as liberdades individuais. Marighella era o inimigo número 1 da ditadura. A companheira dele, por consequência, também era perseguida. 

“Para nós, as crianças da família, sempre foi muito difícil estar longe da tia Clara. Ela passou 10 anos no exílio. Para nós, era um vácuo”, revela. A família ficou seis anos sem notícias. “Fomos reencontrá-la depois, em 1975, em Portugal. Foi um encontro muito emocionante”, recorda a sobrinha. 

Esse encontro também é citado pela irmã, Sara, como um dos grandes momentos de sua vida. “Quando a vimos, nos abraçamos muito e estávamos todos emocionados. É inesquecível”. Clara voltou ao Brasil em 1979, depois da lei de anistia. 

Luta pela democracia

Desde que voltou ao Brasil, Clara se engajou na luta política. “Ela passou a ficar muito próxima da luta das mulheres, das liberdades, dos direitos e por uma condição social sempre mais justa e igualitária. Justiça é uma palavra importante para Clara”. Inclusive, foi candidata a deputada estadual em 1982, pelo Partido dos Trabalhadores, recebeu 20 mil votos, mas não se elegeu.

Nordestina e filha de judeus

Clara Charf, a mais velha de três irmãos, nasceu em Maceió, em Alagoas, depois que os pais, judeus russos, fugiram da Europa. O pai, Gdal, trabalhou como mascate. Mesmo assim, Clara conseguiu aprender inglês e piano. A família mudou-se para Recife onde a comunidade judaica já havia se estabelecido. Na capital pernambucana, a matriarca Ester morreu de tuberculose com apenas 40 anos de idade. 

Diante das dificuldades da família, a filha mais velha foi para o Rio de Janeiro tentar emprego com 20 anos de idade. Filiou-se ao Partido Comunista em 1946. Foi lá que conheceu Carlos Marighella, como explica o escritor Mário Magalhães na biografia sobre o guerrilheiro. 

Ele revela que Clara, inicialmente, foi vender jornal em um bonde. O pai Gdal não viu com bons olhos essa atividade, nem depois o namoro com o comunista não-judeu. Mesmo assim, Clara não desistiu do amor. E graças ao conhecimento do idioma inglês conseguiu uma vaga para ser aeromoça.

A união do casal fez com que ambos lutassem juntos em ideais de transformação do Brasil durante a ditadura. Após a morte de Marighella, exílio forçado e depois retorno, Clara participou no Partido dos Trabalhadores pela democracia e também pela luta das mulheres.  

Mulheres pela Paz

Em 2005, Clara Charf passou a coordenar no Brasil o movimento Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo, que nasceu na Suíça. A ideia foi promover a indicação coletiva de mil mulheres para o Prêmio Nobel da Paz de 2005. No Brasil, seria preciso escolher 52 mulheres ativistas. 

São muitas vidas em intensidade. De aeromoça a dirigente comunista, de companheira de Carlos Marighella a coordenadora de projetos internacionais de paz, a militância de Clara Charf é histórica.

A professora Vera Vieira, atual dirigente da Associação Mulheres pela Paz, recorda que foi chamada por Clara para colaborar quando era coordenadora executiva de uma organização não governamental chamada Rede Mulher de Educação. “Houve uma sintonia muito grande entre nós duas. Ela sempre teve o poder da fala. E as pessoas a aplaudiam de pé onde ela chegava”, avalia.

O legado de Clara para a associação é imensurável, na avaliação de Vera Vieira, ao abarcar projetos de conscientização pelos direitos das mulheres. Ela diz que faltam recursos financeiros, mas tem conseguido parcerias para atividades, como a do ano passado em que foi desenvolvido um projeto financiado pelo Ministério das Mulheres contra a violência de gênero. “Estamos na luta em busca de novos projetos”, assegura.

Vera aponta que Clara se dedicou diretamente à causa até que os efeitos do alzheimer passaram a impedi-la de viajar ou agir diretamente. “A gente continua a levar a mensagem da Clara Charf, desse conceito ampliado de paz que se alicerça na justiça social e na segurança humana”, afirma a dirigente. 

Visibilidade

Para o centenário, a Associação Mulheres pela Paz busca expandir a visibilidade da história da ativista. Com apoio da jornalista Patrícia Negrão, a pretensão é encontrar recursos para publicar um livro com  entrevistas de pessoas que passaram pela vida da Clara. Não há até agora uma biografia sobre ela. “Ela é uma pessoa muito à frente do tempo dela”, assegura.

Tem a mesma opinião outro cineasta, Sílvio Tendler, também documentarista da história de Carlos Marighella. Ele explica que a busca por denunciar o que ocorreu com o marido de Clara a levou a abrir as memórias do que havia ocorrido. “Ela me dava todos os contatos e facilitou tudo. Até mesmo de pessoas que representavam uma certa dor para ela, ela não se negou a nada e foi muito generosa”, diz o cineasta. 

A cineasta Isa Grinspum Ferraz também entende que a história da tia precisa ter mais visibilidade e defende que artistas podem contar uma trajetória fundamental e inédita do país. Isa Ferraz diz que o envolvimento emocional tão especial com a tia a impede de fazer um novo filme sobre a família. No entanto, recomenda que um filme ou um livro, por exemplo, devem ser feitos o quanto antes em vista de haver ainda pessoas que são testemunhas desse percurso. 

“Hoje, Clara está com problemas de memória, mas sempre que tem momentos de lucidez, ela está falando em melhorar a vida das pessoas e de como poderia ajudar”, diz Isa. A irmã, Sarita, também defende que mais histórias de Clara sejam recuperadas. Às vezes, ela faz discursos e conversamos sobre os direitos das mulheres. Às vezes, ela esquece, mas nós conversamos bastante”. A força, o sorriso e os ideais resistiram ao tempo.

*Por Yuri Ferreira e Abr - Fonte: Revista Fórum

31 outubro 2025

Violações à ADPF - ‘Pessoas foram degoladas’, dizem moradores à Defensoria Pública após massacre no Rio de Janeiro

Em entrevista ao BdF*, defensora pública aponta série de descumprimentos da ADPF das Favelas em massacre no Rio

Moradores ficam ao lado de corpos alinhados na Praça São Lucas, na favela Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, Brasil, em 29 de outubro de 2025, após a Operação Contenção. - PABLO PORCIUNCULA / AFP


operação policial realizada na última terça-feira (28), que resultou em um massacre nos complexos do Alemão e da Penha, zona norte do Rio de Janeiro, deixou mais de 124 mortos, entre civis e policiais, e entrou para a história como a ação mais letal já registrada no estado. 

Informações iniciais sobre a chamada Operação Contenção indicam graves irregularidades e a provável violação da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, conhecida como a “ADPF das Favelas”, julgada em abril deste ano e que tem como principal objetivo reduzir a letalidade policial. Remoção irregular de corpos, ausência de socorro médico e execuções sumárias foram denunciadas por moradores à Defensoria Pública do Rio de Janeiro (DPRJ).

As imagens de dezenas de corpos enfileirados em praça pública causaram indignação e levantaram o questionamento sobre como a ADPF está funcionando no estado fluminense. 

Moradores se comovem com corpo sem vida na praça São Lucas, na favela Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro em 29 de outubro de 2025, após a Operação Contenção. Foto: Pablo Porciuncula/AFP

Em entrevista ao Brasil de Fato, a defensora pública Rafaela Garcez, coordenadora de Defesa Criminal da DPRJ, relatou denúncias de extrema violência feitas por familiares das vítimas. “Houve relatos de que pessoas foram degoladas. A cabeça foi totalmente cortada. Isso não coaduna com uma situação de combate”, afirmou.

Além disso, ela afirmou que o local na área no alto da Serra da Misericórdia, onde mais de 40 corpos foram encontrados, não foi preservado pela polícia. “Esse local deveria ter sido preservado e os corpos retirados pela perícia oficial. Como isso não ocorreu, o local do fato não será periciado. Não há como apurar se houve confronto ou execução”, disse.

Ela lembrou que a remoção dos corpos foi uma atitude desesperada dos moradores que não receberam nenhum socorro do Estado, ou presença imediata da perícia na mata onde os corpos foram deixados. “O Estado abandonou as vítimas. As famílias agiram porque o poder público não demonstrou que iria retirar os corpos. Todo mundo tem direito de velar seus mortos”, aponta.

Nesta quinta-feira (30), a coordenadora de Defesa Criminal, disse ter sido impedida de acompanhar o trabalho de necropsia dos corpos dos mortos durante o massacre. “Disseram que o Ministério Público já faria essa análise. Queríamos somar forças e garantir transparência, mas estamos de mãos atadas enquanto as perícias já estão em andamento.”

Diante disso a Defensoria peticionou ao STF pedindo autorização para acompanhar as perícias de forma independente.

‘Operação de sucesso’

O governador do estado do Rio de Janeiro, Claudio Castro, classificou a ação como uma operação de inteligência bem-sucedida, sendo, segundo ele, resultado de mais de um ano de investigação contra o crime organizado. Mas, para Marcela Cardoso, advogada da organização Redes da Maré, a operação foi mal sucedida. “Nenhuma perícia foi realizada. Uma série de serviços essenciais públicos foram suspensos, um terror generalizado no Rio de Janeiro. Não houve perícia, não houve preservação de local de crime”, afirmou.

Cardoso disse que bombeiros e Defesa Civil se recusaram a recolher os corpos, e que as famílias foram obrigadas a fazer isso por conta própria. “Os corpos iam ficar lá ad eternum. As famílias apenas garantiram o direito básico de enterrar seus parentes com dignidade”, disse.

Mulheres choram ao lado de um homem morto deitado entre uma fileira de corpos na praça São Lucas, na favela Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro. Foto: Pablo Porciuncula / AFP

Os relatos iniciais recebidos pela advogada é de que os corpos que foram encontrados estavam com vestígios evidentes de “práticas de execução e tortura”. São pessoas que teriam sido “amarradas, com tiros na face e nas costas”, além de moradores que teriam sido coagidos.

Ela comparou o episódio a outras ações policiais no país. “A maior apreensão de fuzis da história do Rio foi feita num condomínio de luxo na Barra da Tijuca, sem uma única morte. A Polícia Federal desarticulou o esquema financeiro do PCC sem nenhuma baixa. No Alemão, tivemos mais de uma centena de mortos.”

CNDH aciona o STF

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), que atua como amicus curiae na ADPF 635, enviou uma manifestação urgente ao STF, denunciando os possíveis descumprimentos das ordens judiciais.

A entidade afirmou que o governo do Rio violou o plano de redução da letalidade policial e as medidas de transparência impostas pela Corte, ao realizar “a operação mais letal da história do estado”.

O processo da ADPF, antes sob relatoria do ministro Luís Roberto Barroso, agora aposentado, passou para Alexandre de Moraes, que determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste em até 24 horas sobre os pedidos de fiscalização e novas diligências. O ministro também solicitou que o governador Cláudio Castro apresentasse informações formais sobre a operação.

ADPF das Favelas ignorada

A ADPF das Favelas conta com mais de 20 medidas obrigatórias para reduzir a letalidade policial no Rio, incluindo o respeito ao período de entrada e saída das unidades escolares, o uso de câmeras corporais e em viaturas, a preservação de locais de crime, a presença de ambulâncias durante operações e o envio imediato de relatórios ao Ministério Público.

Proposta em 2019 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), com apoio de movimentos de favelas e entidades civis, a ADPF 635 foi criada para denunciar o uso desproporcional da força policial no Rio e as violações de direitos humanos em comunidades periféricas. Durante a pandemia, o ministro Edson Fachin havia determinado restrições a operações nas favelas, salvo em situações excepcionais.

Sociedade aguarda respostas

Na quarta-feira (29), o Ministério Público Federal (MPF) também havia pedido acesso aos protocolos adotados pelo IML. O documento pede a descrição completa das lesões externas e internas, a identificação dos projéteis nos corpos e extração para encaminhamento pericial, o exame radiográfico dos poli baleados, o croqui com lesão dos corpos, as fotografias de todas as lesões encontradas nos cadáveres, das características individualizantes; e item de discussão contendo trajetória dos projéteis e distância dos disparos.

Já nesta quinta-feira (30), a Defensoria Pública da União (DPU) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para acompanhar a perícia dos corpos dos mortos na Operação Contenção, realizada pelas polícias do Rio de Janeiro. 

A Defensoria Pública da União já solicitou ao governo do Rio informações formais sobre a operação e respostas aos quesitos previstos na ADPF. Para Rafaela Garcez, o caso simboliza o fracasso da política de segurança pública do Rio. “Se o Estado se comprometeu com o Supremo a reduzir a letalidade e, ainda assim, mais de 120 pessoas morrem em uma única ação, ele falhou.”

A reportagem questionou o governo do Rio de Janeiro sobre os possíveis descumprimentos da ADPF. Foi solicitada uma manifestação acerca da denúncia dos moradores sobre a suposta execução dos suspeitos com práticas de tortura. 

O Brasil de Fato perguntou o motivo de a polícia do RJ não ter retirado os corpos da mata após operação e o porquê da área não ter sido isolada após os alegados confrontos entre policiais e supostos traficantes. 

Foi indagado também por que a Defensoria não pode acompanhar os trabalhos no IML nesta quinta-feira (30), quantas ambulâncias estavam disponíveis na operação, se os policiais estavam com as câmeras das fardas ligadas durante toda a operação e se haviam câmeras nas viaturas dos policiais. Até o fechamento da reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto às manifestações.

29 outubro 2025

Sobe para 134 o número de mortos em chacina policial no Rio

Os próprios moradores retiraram ao menos 50 corpos de uma região de mata

Passageiros tentam embarcar para voltar para casa em dia de caos nos transportes (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

247* - O número de mortos na operação policial no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, subiu para 134 após moradores encontrarem dezenas de corpos em uma área de mata na manhã desta quarta-feira (29). A ação, considerada a mais letal da história do estado, foi realizada um dia antes e deixou a comunidade em estado de choque.

De acordo com informações publicadas pela Agenda do Poder, os próprios moradores retiraram ao menos 50 corpos da mata, localizada na Serra da Misericórdia, epicentro dos confrontos. Fontes ouvidas pela publicação afirmam que o número de mortos pode ultrapassar 100, enquanto os dados oficiais do governo estadual ainda registram 64 óbitos confirmados. Os corpos foram levados para a Praça São Lucas, na Estrada João Lucas, uma das principais vias da região.

Segundo testemunhas, ainda há vítimas na localidade conhecida como Vacaria, outro ponto de intensos tiroteios durante a operação. O ativista Raull Santiago, que ajudou nas buscas e na retirada dos corpos, relatou nas redes sociais a dimensão da tragédia. “Mais lonas foram esticadas para dar conta dos corpos que estão sendo encontrados”, escreveu, ao publicar uma imagem mostrando a cena desoladora na comunidade.

Quatro policiais estão entre as vítimas fatais, e outros nove ficaram feridos. As autoridades afirmam que a operação tinha como alvo o cumprimento de cem mandados de prisão contra integrantes do crime organizado, entre eles Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como um dos líderes do Comando Vermelho nas ruas. O Disque Denúncia anunciou uma recompensa de R$ 100 mil por informações sobre o paradeiro do criminoso — o maior valor oferecido desde o caso de Fernandinho Beira-Mar, preso em 2001.

A repercussão do episódio gerou forte reação política e institucional. A Defensoria Pública denunciou supostas violações de direitos humanos e abusos cometidos durante a operação. O governo federal decidiu enviar uma comitiva ao Rio para discutir medidas de segurança pública, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocar uma reunião de emergência com a cúpula ministerial. Já a Câmara dos Deputados antecipou a votação da PEC da Segurança, diante da escalada da violência.

O governador Cláudio Castro solicitou o envio de dez líderes de facções presos para penitenciárias de segurança máxima, pedido que foi atendido pelo governo federal.

No cenário internacional, o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos manifestou preocupação com a operação. “Estamos horrorizados com a operação policial em andamento nas favelas do Rio de Janeiro”, afirmou a entidade em comunicado publicado nas redes sociais. A Human Rights Watch também condenou a ação, defendendo uma mudança estrutural na política de segurança do estado. “O Rio precisa de uma nova política de segurança pública, que pare de estimular confrontos que vitimizam moradores e policiais”, declarou a organização.

-Leia também: População do Rio coloca cadáveres na rua em protesto contra a chacina policial

*Via Brasil247

27 outubro 2025

80 anos de Lula, o tempo da esperança que não envelhece



      Foto: Acervo pessoal de Nelice Pompeu

Por Nelice Pompeu*

Ver crianças comemorando o aniversário do presidente Lula é enxergar, na pureza dos gestos e nos sorrisos sinceros, o símbolo do Brasil que renasce.

Essas crianças representam o futuro que Lula ajuda a reconstruir, um país de esperança, solidariedade e dignidade para todos.

A imagem, do meu acervo pessoal, mostra crianças de uma ocupação na zona leste em um gesto de celebração simples e profundo. É a expressão mais pura da esperança, do amor e da gratidão de um povo que reconhece em Lula o seu maior líder e a força de um Brasil que volta a sonhar.

Lula não é apenas um presidente, é uma ideia viva que inspira gerações. Seu legado é o de quem plantou esperança onde antes havia desesperança, de quem acreditou que os filhos do povo também têm direito a sonhar, estudar e viver com dignidade.

Hoje ele completa 80 anos e somos nós que ganhamos o presente de tê-lo novamente à frente do país, reconstruindo o Brasil com coragem, amor e compromisso com os que mais precisam.

Lula é visionário, pensa nas futuras gerações e planta agora as bases de um Brasil mais justo, humano e solidário.

Os sonhos não envelhecem.

E é nesse Brasil que quero crescer e sonhar.

Lula é mais que um homem público.

É a esperança que pulsa em cada um de nós.

As ideias vivem, resistem e florescem.

E como dizem que Deus é brasileiro, peço a Ele que proteja e dê muita saúde ao nosso presidente Lula, para que siga firme e iluminado nos novos desafios que ainda virão

Parabéns, presidente, pelos seus 80 anos de luta e amor ao povo brasileiro.

Somos todos Lula.

Que venha 2026.

*Nelice Pompeu é professora da rede pública de São Paulo e do Movimento Escolas em Luta. -Fonte: Viomundo

25 outubro 2025

“Extrema-direita vive de trair o povo e bajular o imperialismo”, diz Radde



MAIOR OCUPAÇÃO - MST celebra os 40 anos da ocupação da Fazenda Annoni, marco da luta pela terra no Brasil

Assentamento 16 de Março, em Pontão, norte do Rio Grande do Sul, [está sendo]  palco das comemorações nos dias 24 e 25 de outubro

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) irá celebrar os 40 anos da histórica ocupação da Fazenda Annoni, nos dias 24 e 25 de outubro, no Assentamento 16 de Março, em Pontão, norte do Rio Grande do Sul. O evento contará com a Feira Estadual da Reforma Agrária Popular – MST 40 anos e a Conferência Estadual da Reforma Agrária Popular: Memória, Luta e Desafios Atuais.

A organização é uma parceria do MST com o Instituto Preservar, contando com o apoio de diversas entidades e órgãos governamentais, incluindo a Fundação Banco do Brasil, o Governo do Brasil, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o Instituto Nacional da Reforma Agrária (Incra), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Crehnor.

A celebração contará com intensa programação. Na manhã de sexta-feira (24) haverá a recepção no Instituto Educar e o início do roteiro nos Caminhos da Reforma Agrária. O roteiro inclui sete pontos de visitação, destacando o Educar, a Cooperlat, a Encruzilhada Natalino (o embrião do MST), a Área 10 (local do acampamento original) e a Cooptar (organização coletiva).

Ao meio-dia, está prevista a Cerimônia de Nomeação da Rodovia Caminhos da Reforma Agrária. À tarde, após a Mística e a Abertura Oficial da Feira, serão realizados Espaços de Convergência, que incluem seminários sobre saúde, direitos humanos, cooperação e agroecologia, além de um encontro de escritores e pesquisadores da luta pela terra.

A noite será dedicada à Jornada Socialista – Roseli Nunes e uma Noite Cultural com apresentações artísticas.

No sábado (25), a programação inicia com a Conferência Estadual da Reforma Agrária Popular, que contará com a presença de lideranças como João Pedro Stédile, José Geraldo Souza e Alessandra Gasparotto.

À tarde, haverá Apresentações Artístico-Culturais e o Ato Político em Defesa da Reforma Agrária, com falas de representações do governo, apoiadores institucionais, parceiros, políticos e convidados. O evento será encerrado com uma confraternização, às 20h.

A noite da maior ocupação da História

Rio Grande do Sul foi o início da criação do MST, com o acampamento de Encruzilhada Natalino, da Macali e Brilhante – Foto: Eduardo Vieira da Cunha

A ocupação da Fazenda Annoni, ocorrida na noite de 29 de outubro de 1985, é amplamente reconhecida como um marco histórico na luta pela terra no RS e na fundação do MST. A ação foi precedida por um longo preparo de dois anos, com logística meticulosamente organizada.

Naquela noite de lua cheia, mais de 200 caminhões, ônibus e carros partiram de 32 municípios do estado para ocupar o grande latifúndio, que era majoritariamente improdutivo. Cerca de 7.500 pessoas participaram do que foi, até então, a maior e mais bem planejada ocupação de terras na história do Brasil.

O local, que estava em litígio judicial desde 1972, estava coberto principalmente por capim-annoni, uma praga que hoje infesta os campos gaúchos. A mobilização popular foi tão massiva que a Brigada Militar, ao chegar, acabou tendo que organizar o trânsito dos veículos que se dirigiam ao local do acampamento. O acampamento da Annoni foi reconhecido pelo jornal Zero Hora em 1999 como um dos “100 fatos que marcaram o Rio Grande” no século 20.

A luta organizada resultou no assentamento de 1.250 famílias. O período de resistência se estendeu por oito anos, durante os quais os acampados realizaram 36 ocupações de terra, nove greves de fome e marcharam por 27 dias (450 km) até Porto Alegre para visibilizar a luta. As primeiras famílias foram oficialmente assentadas em 1992, com o assentamento definitivo consolidado em 1993.

O assentado Isaías Vedovatto, responsável por cortar os arames para entrar na fazenda em 1985, afirma que a Annoni foi a primeira ocupação após a criação do MST de impacto nacional. “Teve outras, como a Abelardo Luz em Santa Catarina, que foi grande também, mas de impacto, de repercussão nacional e inclusive internacional, foi a Fazenda Annoni.”

Ele lembra que aqui no Rio Grande do Sul foi o início da criação do MST, com o acampamento de Encruzilhada Natalino, da Macali e Brilhante, que foram processos anteriores ou de pré-criação do MST. “Mas a ação que marcou, de fato, e é considerada como a primeira ocupação massiva após a criação do MST no estado foi a Annoni. Então, esse é um marco muito importante. Quando a gente estava organizando para ocupar a fazenda Annoni, a gente estava se organizando para criar o MST.”

Avanços nestes 40 anos

O assentado Isaías Vedovatto foi o responsável por cortar os arames para entrar na fazenda em 1985 – Foto: Pedro Stropasolas

Questionado sobre os avanços nestas quatro décadas, Vedovatto avalia que a Annoni e outros assentamentos desse período foram um celeiro. “Foram 40 anos de aprendizado, para se chegar ao que o movimento defende hoje, a Reforma Agrária Popular.” Para ele, não foi uma elaboração apenas de papel, foi um aprendizado histórico de 40 anos. “É fruto da forma que os assentados produziam, fruto de uma relação da correlação de força, fruto de um debate de como é que o governo encarava a reforma agrária, de um debate com a sociedade.”

Liderança histórica do movimento, Vedovatto reforça que foram muitas experiências que deram erradas, mas também foram aprendizados e foram experiências que deram certo. “Essa é a importância que teve e que a gente tem que ter essa compreensão de um processo histórico. Tudo o que o movimento defende hoje foi um aprendizado de 40 anos.”

O que mais marcou

A lavração da Fazenda Annoni foi um ato político muito importante que contou com a ajuda de muitos agricultores da região – Foto: Eduardo Vieira da Cunha

Vedovatto recorda vários momentos marcantes. “Desde quando se organizava lá na base, a forma que organizava, aquelas reuniões que a gente fazia, que às vezes não ia nem comer na casa no almoço, porque tinha vergonha de chegar nas casas, mas ia convidar as pessoas para ir fazer reunião.”

Também destacou a noite da ocupação: “Quando entramos com aquela multidão, quando combinamos de nos encontrar na Encruzilhada da Barca na noite da ocupação, aonde chegaram os caminhões. Foi muito tenso, porque ali passou a polícia, desde quando chegamos. Quando eu cortei os cinco fios de arame, e o (Egídio) Brunetto que era lá de Santa Catarina começou a entrar com os caminhões. Isso ficou marcado, mas depois no processo de assentamento, de acampamento, teve muitos momentos marcantes…”

Outro fato marcante, na sua opinião, foi a lavração da Fazenda Annoni. “Foi um ato político muito importante que contou com a ajuda de muitos agricultores da região, com mais de 50 tratores ajudando a lavrar a terra.”

Vedovatto se emociona ao destacar que é fruto da Fazenda Annoni. “A minha formação como pessoa foi o acampamento e foi o assentamento da Annoni. Esse foi o coletivo onde eu me moldei do jeito que eu sou hoje, com meus defeitos e minhas qualidades.”