21 fevereiro 2020

Helena Chagas: o motim é a política do Estado policial


Helena Chagas, n’Os Divergentes, toca na questão essencial para que se perceba o perigo da escalada de pressões das forças policiais, em várias partes do país, praticamente encostando na parede os governos estaduais para exigir vantagens em suas remunerações.
Não é o “primeiro capítulo”, pois antes já conseguira impor aos governos estaduais uma política de encobrimento dos abusos cometido por parte das forças policiais onde, 99% das vezes, a culpa das mortes fica na conta dos mortos.
Agora, porém, os grupos que se acostumaram a “tocar o terror” nas periferias e favelas parece disposto a usar o mesmo método em cidades inteiras, para cobrar ao Estado recompensa em dinheiro.
Mesmo depois de tudo o que ocorreu, um deputado bolsonarista diz que será recebido pelo Exército – que assumiu parte da segurança pública em Fortaleza, “para negociar”.
É óbvio que não pode haver negociação sem a volta da disciplina e do funcionamento normal.
Mas o que temos, diz bem Helena, é um presidente da República que, diante dos disparos de PMs encapuzados, defende “o excludente de ilicitude para os militares que, neste conflito, matassem alguém”. (Fernando Brito, jornalista)

Estado Policial

Helena Chagas, n’Os Divergentes
Pode-se apontar a família Gomes como chegada a certos destemperos, e até se considerar exagerado o ato do senador Cid Gomes de subir numa retroescavadeira e invadir o batalhão de PMs amotinados. Mas seu irmão, Ciro Gomes, está coberto de razão ao responsabilizar o governo Bolsonaro pelo estado de coisas que levou um bando de policiais mascarados a disparar tiros a esmo. A bala que hoje está alojada no pulmão do senador poderia tê-lo matado – a ele ou a qualquer das pessoas ali presentes. O que se destaca no episódio é a autoconfiança dos participantes de uma greve ilegal, agindo como se o país não tivesse nem governo nem Constituição.
O que se ressalta, acima de tudo, é a incapacidade dos poderes constituídos de fazer cumprir a lei e a mensagem dúbia que é passada pelo próprio presidente da República. Jair Bolsonaro assinou o decreto de garantia da lei e da ordem e mandou o Exército para o Ceará, mas ao mesmo tempo defendeu o excludente de ilicitude para os militares que, neste conflito, matassem alguém.
Faltou pouco para Bolsonaro defender sua aplicação aos PMs que atiraram em Cid Gomes, caso ele tivesse morrido. E ainda disse que “aquele cara lá” (o baleado) não agiu corretamente. Se agiu ou não agiu corretamente, nada justifica que tenha sido atacado a balas por PMs mascarados.
O episódio, que pode se estender a outros estados, mostra que o país começa a entrar perigosamente naquele ponto em que se transforma em Estado policial. Enaltecidos pelo poder federal, ganhando a cada dia mais favores e benesses, os militares abriram o caminho da supervalorização para as forças de segurança. PMs se sentem fortalecidos por Bolsonaro para fazer greves e encarar a briga com os governadores dos estados – aqueles que, em tese, deveriam ser seus comandantes.
A banalização do uso de armas – por militares e civis – é outro ingrediente perigoso introduzido pelo atual governo. E as primeiras escaramuças do Carnaval – normalmente uma festa pacífica – começam a mostrar isso.
Os movimentos das PMs que se alastram pelo país não são mais uma questão orçamentária e salarial. Trata-se agora de um problema institucional, a exigir a intervenção do Legislativo e do Judiciário.
*Via Tijolaço

20 fevereiro 2020

Apatifam-nos

O apatifamento de uma nação começa pela degradação do discurso 


Por Luis Fernando Veríssimo*
"Apatifar", nos diz o “Aurélio”, significa tornar desprezível, aviltar, envilecer. Pessoas se apatifam, nações inteiras podem se apatifar, ou serem apatifadas. O mundo hoje vive uma assustadora onda de contágio viral que, espera-se, acabará controlada ou, eventualmente, desaparecerá. Já patifaria não mata, mas também contagia, com a diferença de que não tem nem perspectiva de cura.
É impossível observar o Brasil de hoje sem a sensação de estar assistindo a uma pantomima tragicômica, a decomposição de um Estado que, dissessem o que dissessem de governos anteriores — inclusive os lamentáveis —, mantinham, pelo menos, a linha, o que é mais do que se pode dizer da atuação de Bolsonaro & Filhos no palco do poder.
Agora se entende por que Bolsonaro insistia em dizer que não houve um golpe em 64 nem uma ditadura militar nos 20 anos seguintes: ele queria montar o seu próprio regime militar, enchendo o Planalto de generais de fatiota que deixam seus tanques no estacionamento e entram pela rampa principal, rindo da gente. Implícita nessa original tomada do poder está a ideia imorredoura de que só uma casta iluminada, os militares, sabem governar um país.
O apatifamento de uma nação começa pela degradação do discurso público e pela baixaria como linguagem corriqueira, adotada nos mais altos níveis de uma sociedade embrutecida. Apatifam-nos pelo exemplo. Milícias armadas impõem sua lei do mais forte e mais assassino com licença tácita para matar. Há uma guerra aberta com a área de cultura, e a ameaça de um retrocesso obscurantista nas prioridades de um governo que ainda não aceitou Copérnico, o que dirá Darwin. Aumentam os cortes de gastos sociais, além de cortes em direitos históricos dos trabalhadores. Aumenta a defloração da Amazônia. Aumentam as ameaças à imprensa.
E aumenta a suspeita de que na Universidade de Chicago o Paulo Guedes só assistiu às aulas de bobagens para dizer caso a economia não deslanche.
*Luis Fernando Veríssimo (foto) é jornalista e escritor. Publicado originalmente em O Globo

18 fevereiro 2020

Folha [de S.Paulo] diz em editorial que Bolsonaro é chefe de bando e terá curto prazo

O jornal Folha de S. Paulo publicou um editorial sem meias palavras dirigido à truculência de Jair Bolsonaro. Nele, se lê: "Ao entrar no seu centésimo ano, a Folha está convicta de que o jogo sujo encontrará a resposta das instituições democráticas. Elas, como o jornalismo, têm vocação de longo prazo. Jair Bolsonaro, não"

(Foto: Marcos Corrêa/PR | Webysther Nunes)

247* - O jornal Folha de S. Paulo publicou um editorial sem meias palavras dirigido à truculência de Jair Bolsonaro. Nele, se lê: "Ao entrar no seu centésimo ano, a Folha está convicta de que o jogo sujo encontrará a resposta das instituições democráticas. Elas, como o jornalismo, têm vocação de longo prazo. Jair Bolsonaro, não."

O jornal diz ainda que "Jair Bolsonaro atiça as falanges governistas contra o jornal e seus profissionais, mas seu alvo final não é um veículo nem tampouco a imprensa profissional. Ele faz carga contra o edifício constitucional da democracia brasileira."
E acrescenta: "frustraram-se, faz tempo, as expectativas de que a elevação do deputado à suprema magistratura pudesse emprestar-lhe os hábitos para o bom exercício do cargo. É a Presidência que vai se contaminando dos modos incivis, da ignorância entranhada, do machismo abjeto e do espírito de facção trazidos pelo seu ocupante temporário."

Nota oficial da ABI




Nesta terça-feira, mais uma vez, para vergonha dos brasileiros que têm o mínimo de educação e civilidade, o presidente da República, Jair Bolsonaro, é ofensivo e agride, de forma covarde, a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo.

Este comportamento misógino desmerece o cargo de Presidente da República e afronta a Constituição Federal.

O que temos visto e ouvido, quase cotidianamente, não se trata de uma questão política ou ideológica. Cada dia mais fica patente que o presidente precisa, urgentemente, de buscar um tratamento terapêutico.

A ABI conclama a sociedade brasileira a reagir às demonstrações do “Cavalão”, como era conhecido Bolsonaro na caserna, e requer à Procuradoria Geral da República que cumpra o seu papel constitucional, denunciando a quebra de decoro pelo ex-capitão Jair Bolsonaro.


Paulo Jeronimo de Sousa
Presidente da Associação Brasileira de Imprensa

*Via Face - Edição final deste Blog

Morre Ana Godoy, primeira vereadora do PT em Porto Alegre


Ex-vereadora Ana Godoy foi homenageada pela bancada do PT em março de 2019 | Foto: Ederson Nunes/CMPA

Da Redação*
Faleceu nesta segunda-feira (17) a ex-vereadora de Porto Alegre Ana Alves Godoy. Nascida em 1939, em Veranópolis, Ana foi a primeira vereadora do Partido dos Trabalhadores na Capital, ocupando uma cadeira na Câmara entre 1983 e 1988. Ela era portadora de doença pulmonar obstrutiva crônica e sofria com limitações de movimento. Deixa 4 filhos, 18 netos e 10 bisnetos.

Ana Godoy foi doméstica, cozinheira, comerciária, morou em diferentes bairros da cidade como Restinga, Vila Cruzeiro, Auxiliadora, Cidade Baixa, Lomba do Pinheiro, Sarandi, Parque dos Mayas, Rubem Berta, muitas vezes em condições precárias. Residia, atualmente, no bairro Mário Quintana.
Ela ajudou a fundar várias associações de moradores, contribuiu na fundação do Partido dos Trabalhadores, foi presidente da Zonal 113, trabalhou no Departamento Municipal de Habitação e foi conselheira do Orçamento Participativo. Escreveu o livro “Vila Esmeralda, uma voz dos que não tem vez”, pela Editora Vozes, relatando um pouco de suas vivências na organização comunitária da Lomba do Pinheiro.
Candidata a vereadora, ficou na suplência do primeiro vereador do PT da Capital, Antônio Hohfeldt, por seis anos. O partido promovia a rotatividade de suplentes e, nessa condição, Ana Godoy assumiu inúmeras vezes a vereança. Em 2007, recebeu da Câmara de Vereadores o título honorífico de Líder Comunitária.
A ex-vereadora foi homenageada na Câmara em março do ano passado. “Ela semeou melhorias nas condições de vida em todos os lugares por onde passou com determinação e mobilização coletiva. Sua trajetória é uma inspiração para as novas gerações dessa incansável trabalho e compreensão de que a organização social é fundamental para transformar a realidade”, disse na ocasião o então líder da bancada do PT na Câmara, Marcelo Sgarbossa.
O corpo de Ana Godoy é velado no Plenário Otávio Rocha da Câmara, que suspendeu os trabalhos nesta tarde [segunda-feira] em homenagem à ex-vereadora.
*Fonte: Sul21

17 fevereiro 2020

PT sai em defesa dos petroleiros: todo apoio à greve!

Pela Petrobras, pela soberania e pelo Brasil!
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(Crédito: FUP)
Nota da Comissão Executiva Nacional do PT - O Partido dos Trabalhadores, conforme resolução de sua Executiva Nacional em 7 de fevereiro, manifesta total apoio e solidariedade à greve nacional dos petroleiros e petroleiras, que entra hoje no 17º. dia de mobilização em todo o país.
O movimento é em defesa da Petrobras e a favor do Brasil e do povo brasileiro.
O PT denuncia a violenta pressão do Tribunal Superior do Trabalho contra os sindicatos da categoria e denuncia a censura da Rede Globo e da mídia empresarial, que escondem da população as reivindicações e a força do movimento.
A greve foi desencadeada pelo processo ilegal de demissão de 114 petroleiros e petroleiras da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR). Este é mais um passo no processo de destruição da maior empresa do povo brasileiro, um crime que começou no governo do golpista Michel Temer e continua com Bolsonaro.
A política de deliberada destruição da Petrobrás só interessa aos concorrentes estrangeiros da empresa e aos inimigos do desenvolvimento soberano do Brasil.
O plano de destruição envolve a entrega dos gasodutos, da distribuidora de combustíveis, da distribuidora de gás, das reservas do Pré-Sal e, com o fechamento da Fafen-PR, entra na etapa de entrega das fábricas e refinarias.
A Petrobrás já reduziu em mais de 20% a produção de combustíveis para importar de refinarias dos Estados Unidos, pagando em dólar pelo que sabemos e podemos produzir aqui mesmo.
Sob controle de Temer e agora de Bolsonaro, os preços dos combustíveis foram atrelados às variações no mercado internacional do petróleo e à cotação do dólar, o que deixa a população totalmente vulnerável aos especuladores.
É por essas razões que o gás de cozinha se tornou inacessível para o povo mais pobre e os preços do diesel e da gasolina para o consumidor sobem constantemente, aumentando o custo de vida e colocando em risco o transporte de mercadorias.
Tudo isso vem sendo denunciado pelo movimento e censurado pela grande mídia brasileira.
Além de apoiar firmemente o movimento, o PT convoca seus filiados a divulgar por todos os meios as reivindicações e as denúncias dos trabalhadores e trabalhadoras da Petrobrás.
TODO APOIO À GREVE NACIONAL DOS PETROLEIROS E PETROLEIRAS
EM DEFESA DA PETROBRÁS, DA SOBERANIA E DO BRASIL

DENUNCIAR A CENSURA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES
Brasília, 17 de fevereiro de 2020
...

14 fevereiro 2020

Direita na Igreja Católica quer o impeachment do papa Francisco



Por Célio Gomes*

“É surreal”. “É um absurdo”. “É lamentável”. “É o fim da picada”. “É uma tristeza”. Falanges da direita mais brucutu, aquela que caiu no colo do miliciano Jair Bolsonaro, não se conformam com o Papa Chico. Os termos que acabo de reproduzir foram usados por diferentes seguidores do capitão da tortura para classificar o encontro entre o líder da Igreja Católica e o ex-presidente Lula. A indignação de senhoras e rapazes que dizem pregar os valores da família tomou conta dos altares e sacristias das profanas redes sociais.
O presidente também não resistiu à “provocação” do papa e reagiu, é claro, com sua habitual grosseria. Como pode um condenado por corrupção receber tamanha atenção do santo homem? Essa é a ladainha dos carolas, essa turma que reza pra Jesus e defende milícias nos pontos mais pobres do país. O chororô da seita que segue os Bolsonaro é a melhor piada dos últimos dias.
No encontro com o Papa Francisco, Lula diz que tratou de ideias para um mundo mais justo. Ou seja, o cara foi lá fazer campanha em favor do pensamento de esquerda, dizem os católicos que acham bonito quando um gay é assassinado. São os tolerantes que babam quando o presidente ou um de seus filhotes defendem abertamente a violência contra adversários – ou contra minorias vulneráveis.
Alguns políticos ligados ao tosco presidente escreveram as maiores baboseiras sobre a viagem de Lula ao Vaticano. Faz sentido. É difícil para esses cristãos de araque ter de engolir a postura do papa. Eles sentem saudade do papa anterior, Bento 16, um notório reacionário, ao contrário do homem que o sucedeu no trono de Pedro. O gesto de Francisco, sem dúvida, tem forte simbolismo.
O fato é que o mundo lá fora sabe o que houve no processo da Lava Jato contra Lula. Um juizinho inculto, que não consegue escrever uma frase no Twitter sem espancar a língua portuguesa, cometeu uma antologia de crimes para condenar o ex-presidente – sem uma miserável prova. É o que o The Intercept provou de modo definitivo. Pela sentença, Sergio Moro ganhou um ministério.
Na condução da Lava Jato, Moro inventou histórias, indicou testemunhas ao Ministério Público e protegeu aliados como Fernando Henrique Cardoso. Também ficou claro que os advogados de Lula foram sistematicamente prejudicados pelo magistrado de meia pataca. O cabo eleitoral de Bolsonaro usou a toga para fazer politicagem, num caso escabroso que envergonha o Judiciário.
É sempre necessário ressaltar: o suposto combate à corrupção – esse mantra falacioso de Moro e alguns procuradores – foi usado por eles para barrar a candidatura do petista e deixar o caminho livre para Bolsonaro. É uma página vexatória da Justiça brasileira, uma bandidagem que ainda terá de ser devidamente julgada pelo STF. Lula foi linchado por um bando de porcarias a serviço da política.
Soube que garotões “conservadores”, ilustres analfabetos da “direita alagoana”, caíram na histeria sem fim nas mensagens virtuais. Os mais desajustados acham possível uma campanha pelo “impeachment” de Francisco. Para esses maluquetes, o papa trai mandamentos e profecias.
É comédia a perder de vista. Essas cabeças ocas não conseguem enxergar que suas ideias representam, quando muito, um monumento à ridicularia. Pelo teor das sandices publicadas, vejo que tem gente pensando seriamente em abandonar o catolicismo. O papa deve estar preocupado!
Francisco, o argentino, tenta levar adiante uma agenda que privilegia a defesa das causas sociais. Por isso mesmo é alvo de ataques sórdidos, desferidos por católicos saudosistas da Inquisição. Para essa rapaziada, solidariedade e pacifismo são demandas para se resolver na base do fuzil ou da pistola.
Como não sou católico, nem sigo ordens de nenhuma esfera sobrenatural, fico à vontade para escrever sobre esses temas. A iniciativa do papa ao receber Lula em audiência particular é um recado ao Brasil e ao mundo. Degenerados que rastejam pelo miliciano Bolsonaro ficaram apopléticos.
*Blogueiro, no site Cada Minuto 

Moro é um capanga de milicianos!



O jornalista Rodrigo Vianna é mais uma das novidades da TV Afiada para 2020! Desta vez, ele analisa com exclusividade a ofensiva bolsonarista contra a jornalista Patricia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, responsável por revelar, ainda no final de 2018, uma rede de disseminação de fake news via WhatsApp na campanha que levou Jair Bolsonaro à Presidência da República.

O baixo nível dos ataques dos bolsonaristas, amplificados pelo senador Eduardo Bolsonaro, é mais uma tentativa de lançar uma cortina de fumaça na semana em que deveriam explicar as relações do clã com Adriano da Nóbrega, o miliciano morto na Bahia.

Diante desse esgoto, é possível pensar em estabelecer algum diálogo?

Assista à TV Afiada* e saiba muito mais!

Como enfrentar a tática bolsonarista de "mover a trave", de desqualificar os oponentes?

Uma dica: o deputado Glauber Braga apontou o caminho.

*Via YouTube

13 fevereiro 2020

Lula e o Papa: sinal aos fariseus


Aos incomodados minions e adjacentes, que estão vociferando nas redes pelo Papa ter recebido Lula no Vaticano, para uma conversa sobre justiça social, urrando pelo fato de que Francisco dê a mão a quem chamam de ‘condenado”, vale lembrar.
Em setembro do ano passado, Jair Bolsonaro ajoelhou-se e recebeu a imposição das mãos de Edir Macedo, participou de lives com Silas Malafaia, viajou no avião presidencial com Marco Feliciano, para ficar apenas nos mais notórios nomes de outras religiões.
Não sei se é possível perceber a diferença de significado dos personagens…
Quem quiser, use Provérbios 13:20.
“Aquele que anda com homens sábios será sábio, mas um companheiro de tolos será destruído.”
(Por Fernando Brito, jornalista, Editor do Tijolaço)

Desde a Ditadura um militar não chefiava a Casa Civil!

Mello Franco: Bolsonaro recorre à caserna para substituir Onyx
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A propósito da saída do ministro Onyx Lorenzoni - o chuveiro, segundo Renan Calheiros - da chefia da Casa Civil e sua substituição pelo general Walter Braga Netto, o Conversa Afiada* reproduz trechos da coluna de Bernardo Mello Franco no Globo desta quinta-feira 13/II:
O convite ao general Braga Netto cria uma situação inédita em Brasília. Pela primeira vez desde o fim da ditadura, a Casa Civil será chefiada por um militar. Isso não ocorria desde que o general Golbery do Couto e Silva deixou o governo Figueiredo. Ele esvaziou as gavetas em agosto de 1981, três meses depois do atentado do Riocentro.

Agora o governo de Jair Bolsonaro passa a ter nove militares entre os 22 ministros. Isso inclui as quatro pastas com assento no Planalto. Já estavam lá os generais Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), além do major da PM Jorge Oliveira (Secretaria-Geral).

Eleito por um partido nanico, Bolsonaro apelou aos militares para compensar a falta de quadros sem dividir poder com o Congresso. Logo passou a esvaziar os auxiliares de farda. Isolou o vice Hamilton Mourão e demitiu o general Santos Cruz. Os dois haviam entrado em colisão com o guru do clã presidencial, Olavo de Carvalho.

No auge do conflito, o autoproclamado filósofo disse que a contribuição dos militares à cultura nacional se limitava a “cabelo pintado e voz impostada”. A ala verde-oliva ensaiou uma rebelião, mas preferiu engolir as humilhações calada.(...)

12 fevereiro 2020

Porta dos Fundos e o RH de Bolsonaro: “para trabalhar no governo, tem que ser imbecil”

Baixaria sexual, Hans River e ataque contra jornalista para esconder o cadáver miliciano


Leia na coluna de Cleber Lourenço: "Hans River levantou a bola e o bolsonarismo adorou. Nada como um barraco com baixaria sexual envolvendo uma mulher para desviar o foco da suspeita morte de Adriano Magalhães"


Por Cleber Lourenço*









Infelizmente, mais uma vez, a Folha viveu a fábula do sapo e do escorpião. Se por um lado o jornal aplaude os descalabros de Paulo Guedes e, assim, chancela os absurdos do governo Bolsonaro, por outro sofre com desvairados e delinquentes apoiadores do governo.

baixaria generalizada envolvendo a jornalista Patrícia Campos Mello dispensa comentários. Um show de obscenidades e machismo que o Congresso jamais deveria ter permitido que acontecesse dentro de suas paredes. Uma degradação da civilidade e da moralidade que ilustra perfeitamente a perversão que a suposta “nova política” causa ao país.
Já avisei aqui outras vezes: precisamos acabar com a nova política antes que ela acabe com o país.
Acontece que Hans River levantou a bola e o bolsonarismo adorou.
Nada como um barraco com baixaria sexual envolvendo uma mulher para desviar o foco da suspeita morte de Adriano Magalhães e os misteriosos fatos.
Tudo, é claro, com o patrocínio do deputado Eduardo Bolsonaro. E sua tropa de delinquentes não perderam tempo.
O deputado Márcio Jerry, inclusive, ressaltou também que a baixaria tinha como objetivo desviar a atenção da opinião pública.
A baixaria vem também na mesma semana em que o país se pergunta o que Eduardo Bolsonaro fazia em Salvador, a quatro horas de distância da cidade onde o miliciano, amigo de seu irmão, foi morto.
Tudo isso sob a trilha sonora do retumbante silêncio do ministro da Justiça Sérgio Moro.
Gostaria também de deixar claro que este blog foi o primeiro a apontar tais estranhezas.
É claro que depois de apontadas as inconsistências na operação que matou o miliciano, a milícia digital iria tentar desviar o foco usando baixaria. Óbvio que contra uma mulher.
Decidiram ofuscar tudo com machismo.
É meu dever como jornalista não deixar que tais estranhezas saiam de foco por conta de polêmicas colocadas de forma tão vil.

11 fevereiro 2020

ESCRITÓRIO DO CRIME - Entenda o papel de Moro no caso do assassinato de miliciano ligado a Flávio Bolsonaro

Ministro não colocou o nome de Nóbrega em lista dos procurados da PF, mas sabia de operação na Bahia

Sergio Moro anunciou lista dos mais procurado do país sem o nome do miliciano e foi cobrado - Foto: Ministério da Justiça

Por Igor Carvalho, do Brasil de Fato* - No último domingo (9),  Adriano Magalhães de Nóbrega, ex-capitão do Bope, foi assassinado em Esplanada, na Bahia, após uma operação policial que devia prendê-lo, mas que teria terminado em uma troca de tiros, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).
O jornal Folha de S. Paulo informou nesta segunda-feira (10), que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, sabia da operação. Segundo o jornal, a pasta comandada pelo ministro cogitou a possibilidade de enviar um helicóptero para dar suporte à polícia baiana, responsável pela operação.
Acusado de comandar milícias em Rio das Ostras, no Rio de Janeiro, Nóbrega era procurado pela Justiça brasileira desde janeiro de 2019, mas ficou de fora da lista com os criminosos mais procurados do país, divulgada por Moro no dia 30 de janeiro.
No dia seguinte à divulgação da lista, a ausência do miliciano levou o PSOL a anunciar que convocaria o ministro Sérgio Moro para que ele prestasse esclarecimentos ao Congresso. 
Relação com Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz
O ex-policial militar estava escondido na fazenda de Gilsinho da Dedé, vereador do PSL em Esplanada (BA). O partido é peça-chave para entender o caso que culminou em uma mandado de prisão expedido contra Nóbrega em janeiro de 2019.
Até novembro de 2018 quando ainda era filiado ao PSL - partido do qual se desligou em outubro de 2019 - o senador Flávio Bolsonaro (sem partido), empregava a mãe e a esposa de Adriano de Nóbrega em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), pois era deputado estadual.
O Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro (MPE-RJ) aponta Nóbrega como um dos responsáveis pelo chamado “Escritório do crime”, de onde teria partido o plano para assassinar a vereadora Marielle Franco.
Homenageado por Flávio Bolsonaro na Alerj em 2003, oportunidade em que recebeu a medalha Tiradentes, mais alta honraria fluminense, Nóbrega é amigo de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador, acusado de recolher parte dos salários dos funcionários do gabinete do político, prática conhecida como “rachadinha.” Os dois trabalharam juntos no 18 Batalhão da Polícia Militar.
Ainda de acordo com a investigação do Ministério Público, as contas de Nóbrega teriam sido utilizadas por Queiroz para fazer depósitos das rachadinhas.
Paulo Emílio Catta Preta, advogado de Nóbrega, anunciou que seu cliente tinha medo de ser assassinado. Seria, segundo o ex-militar, uma “queima de arquivo”. “Ele falou que estava temendo pela vida dele, porque ele tinha certeza, segundo ele me disse, que esta operação para prendê-lo verdadeiramente, mas era para matá-lo”, explicou o defensor, em entrevista ao portal G1.

10 fevereiro 2020

Oscar 2020: confira os discursos e manifestações políticas que marcaram a premiação

Equipe de “Democracia em Vertigem” levantou cartazes em defesa da democracia e dos povos indígenas


Premiação também contou com falas contra o racismo e em defesa da igualdade de gênero - Foto: Divulgação/Twitter

Por Lu Sudré* - Protestos políticos e discursos em defesas das minorias ocuparam o tapete vermelho do Oscar 2020, que aconteceu em Hollywood, na noite deste domingo (9). Com direito a boné do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), a equipe do documentário Democracia em Vertigem, de Petra Costa, não deixou escapar a oportunidade de defender a democracia na noite mais aguardada do cinema internacional. 
Acompanhados da líder indígena Sônia Guajajara, o grupo  levantou cartazes em defesa da Amazônia e dos povos indígenas. Eles também lembraram os 697 dias de impunidade no caso Marielle Franco, vereadora pelo PSOL-RJ assassinada em março de 2018. Outra mensagem deixada no saguão do Oscar reforçava a necessidade de resistir ao neofascismo que avança em diversos países.
O tom político também esteve presente no discurso de Julia Reichert, co-diretora do Indústria Americana (American Factory), vencedor da categoria de melhor documentário.
 "Nosso filme é de Ohio, mas também da China, e poderia ser de qualquer lugar onde as pessoas vestem um uniforme e vão trabalhar para trazer uma vida melhor para sua família. Trabalhadores e operários têm uma vida cada vez mais difícil. E nós acreditamos que a vida vai melhorar quando os trabalhadores do mundo se unirem", disse Reichert, no palco da cerimônia.
A fala repercutiu nas redes sociais de forma ampla e remete à frase “Trabalhadores do mundo, uni-vos!”, de Karl Marx. 
As desigualdades da sociedade de classes também foram ecoadas pelo filme Parasita, dos coreanos Bong Joon-Ho e Han Jin Won, a grande estrela da noite. O longa sul-coreano retrata a história da família de Ki-taek, que vive em um porão sujo e apertado, e começa a trabalhar para uma família rica.
Parasita concorreu em mais de 10 categorias recebeu as principais premiações da noite. Além melhor filme e melhor filme estrangeiro, o longa também foi premiado com melhor roteiro original, melhor direção e melhor filme estrangeiro.
Representatividade 
A ausência de mulheres e pessoas negras também foi motivo de críticas à academia hollywoodiana, a começar pelos próprios apresentadores, Chris Rock e Steve Martin. E não é por menos: A única atriz negra indicada nas categorias de atuação foi Cynthia Erivo.
A mesma crítica esteve presente no discurso de agradecimento da produtora Karen Rupert Toliver e do diretor Matthew A. Cherry, que produziram o curta Hair Love. A obra levou o prêmio de melhor curta de animação. 
“A representação importa profundamente. Queremos ter mais representatividade na animação. Precisamos normalizar o cabelo negro”, defendeu Toliver. 
Já Natalie Portman trouxe à tona a desigualdade de gênero histórica em premiações como o Oscar. Para entrar no tapete vermelho, a atriz usou uma capa onde o nome de diretoras que não foram indicadas ao Oscar estavam bordados. Apenas cineastas homens foram indicados ao prêmio de melhor diretor neste ano.
"Eu queria reconhecer as mulheres que foram ignoradas pelos seus trabalhos incríveis esse ano", declarou Portman aos jornalistas assim que chegou ao Teatro Dolby, em Los Angeles, onde ocorreu a cerimônia.
Entre as diretoras homenageadas estava Lorene Scarfaria (As Golpistas), Lulu Wang (A Despedida), Greta Gerwig (Adoráveis Mulheres), Mati Diop (Atlantique), Marielle Heller (Um Lindo Dia na Vizinhança), Melina Matsoukas (Queen & Slim), Alma Har'el (Honey Boy) e Céline Sciamma (Retrato de uma Jovem em Chamas). 
Como era esperado, Joaquin Phoenix levou para casa a estatueta dourada por sua atuação em Coringa. O ator interpreta o vilão da DC no longa dirigido por Todd Phillips. Ao receber o prêmio, Phoenix afirmou que ele e os colegas devem "usar a voz em favor daqueles que não têm voz". 
"Quando estamos falando sobre desigualdades e racismo, estamos falando da luta contra a injustiça, a luta contra a noção de que um povo, uma nação, uma raça, um gênero, ou uma espécie tem o poder de dominar a outra", disse Phoenix. 
Ele já havia feito uma crítica no mesmo tom ao levar o prêmio Bafta, da Academia de Cinema Britânica, na mesma categoria. 
“Estou profundamente agradecido. Mas também devo dizer que me sinto em conflito, porque muitos dos meus colegas atores que também merecem [o prêmio] não têm o mesmo privilégio. Acho que lançamos uma mensagem muito clara às pessoas negras: que vocês não são bem-vindos aqui. Essa é a mensagem que estamos enviando às pessoas que tanto contribuíram para o nosso meio e a nossa indústria, fazendo coisas das quais nos beneficiamos”, afirmou na ocasião.
Conhecido pela defesa do meio ambiente e dos animais, o intérprete de Coringa também discursou em defesa de mudanças de hábito por um mundo mais sustentável no Oscar 2020. 
Edição: Leandro Melito - *Via Brasil de Fato