*Via YouTube
Diretor Aurélio Michelis faz a conexão entre o passado e o presente
Por Luiz Carlos Azenha*
Aurélio Michelis dirigiu Honestino, que está em cartaz nos cinemas. Bruno Gagliasso faz o papel do líder estudantil que foi desaparecido pela ditadura militar brasileira aos 23 anos de idade.
Assim como Anistia 79, também lançado neste agosto de 2026, Honestino resgata memória da ditadura militar (1964-1985) que nos infelicitou.
Faltando semanas para a eleição presidencial no Brasil, com o cerco dos Estados Unidos se fechando, os diretores dos dois filmes traçaram paralelos entre o passado e o presente.
Aurélio Michelis relembrou uma História da infância, que ainda está viva: os bastidores da batalha pelos recursos naturais brasileiros.
Seguem trechos da entrevista — e o vídeo com a íntegra.
Aurélio Michelis: Eu tenho saudade daquilo que não foi. Do futuro que não aconteceu. Uma vez saiu no Jornal de Manaus uma notícia de que jorrava petróleo à flor da terra em Nova Olinda do Norte, que é um município que tem no Amazonas que hoje se chama Coari. É onde hoje tem a maior reserva de gás da Petrobras. Quando eu era criança, as pessoas recolhiam o óleo que brotava e o colocavam na lamparina. Você lembra da lamparina? Você conheceu? Aquele espécie de fio que você colocava o combustível, tinha uma ponta que saía um algodão e se iluminava, antes de ter energia elétrica.
Saiu nessa matéria, falava que apesar de o petróleo jorrar, técnicos norte-americanos que vieram avaliar, consideraram que não era comerciável o petróleo. O meu avô fez um comentário assim, ele era muito engraçado, ele falou assim: “Realmente esse petróleo respeita as fronteiras políticas, porque na Venezuela tem petróleo, quando chega na fronteira do Brasil, ele dá meia curva”.
Então, essa realidade de manipulação, ela não é nova. Todas as vezes que o Brasil se impõe, todas as vezes que o Brasil quer se colocar, como ele merece ser, porque o tamanho do nosso país, um país continental, com uma variedade de recursos naturais que poucos países possuem… é claro que um país vizinho tão guloso como são os Estados Unidos, um país que está em guerra há mais de 200 anos, um país que fomenta a arma, o guerreiro, sanguinário… Então, é complicado. O Brasil, quando se coloca com essa potencialidade, começa a sofrer essas ameaças. É só ver a questão do PIX, a tentativa de interferência nas eleições brasileiras.
Aurélio Michelis: O Honestino [Guimarães] fazia parte de um grupo de luta maioísta, de luta de massas. mas tudo bem, o inimigo era muito mais poderoso, então, de certa forma, essa geração sofreu um revés muito forte, porque a resposta da ditadura, que era protegida pelos Estados Unidos, a gente não pode esquecer.
No ano em que o Ernestino foi morto, assassinado — eu não gosto de falar de desaparecido, ele foi assassinado — seu corpo até hoje não foi encontrado, mas ele foi assassinado com 23 anos de idade, no Rio de Janeiro.
Em 1973, o Richard Nixon, que era o presidente dos Estados Unidos, faz um discurso onde ele diz, para onde for o Brasil, irá toda a América Latina. Então, ele estava sinalizando que, naqueles países, onde naquele momento estavam o Allende no poder [no Chile], na Argentina havia já o Perón — tinha voltado, havia todo um governo híbrido ali, lutando pela democracia — no Peru estava o [Juan Velasco] Alvarado, que era um general que se dizia nacionalista e por aí afora e na Bolívia estava o [Hugo] Banzer, que também era um militar nacionalista.
Desde 1964 o Brasil já estava na ditadura e nesse ano [1973] o Honestino é sequestrado e assassinado. Então, a minha vontade era fazer essa leitura, trazer essa atmosfera, mostrar que hoje, qual é o discurso dos canalhas que dirigem os Estados Unidos da América do Norte? O discurso é que a América do Sul é o quintal deles. Eles não vão admitir, eles vão fazer de tudo para interferir na eleição da Colômbia, na eleição do Peru, na eleição…
Na Argentina vão manter um ser sem nenhuma característica de Humanidade, lá no Chile também estão desmontando as conquistas realizadas pós-ditadura Pinochet e no Brasil nós estamos sob essa ameaça também. Felizmente nós temos o Lula, que tem o carisma de um líder mundial — e isso é uma grande barreira para que nós possamos defender a frágil democracia brasileira. E, com isso, ter a liberdade para falar sobre o Honestino! -
*Fonte: Revista Fórum

Júlio C. S. Garcia*
Eu canto
com profundo prazer, com emoção
o povo que optou por ser livre
e que por isso sangrou.
Os heróis e os anônimos.
A América Latina
(vulcão em atividade permanente).
O fogo descendo pelas encostas das
neves andinas,
Eternas, desafiadoras, majestosas...
E madrastas.
Che Guevara eternizando seu exemplo
nos vales e montanhas bolivianas.
Eu canto o feito épico
de Lamarca lutando contra a fome
e as injustiças no Vale da Ribeira.
[As lutas - e o sacrifício! - de Prestes, Olga, Stuart, Sônia, Zuzu, Basilícia, Victor Jara, Osvaldão, Camilo Torres, Honestino Guimarães, Raúl Sendic, Marighella...]
As crianças da Nicarágua
entoando suas canções sandinistas
(que falam em um porvir
com rios de leite e mel).
Eu canto a epopeia vivenciada
pelos povos, todos, de nosso imenso
e explorado continente
(do Altiplano, das savanas, dos pampas
sem fronteiras,
da Amazônia infinita, das selvas
colombianas...).
Eu canto
os camponeses, os índios
despojados de suas terras.
Os combatentes mortos no Peru
nas selvas do Araguaia
nas ruas de Santiago...
Toda a resistência conhecida
(ou anônima)
que houve, ou que haverá (?!) em nossa
Pátria Grande
Eu canto.
A coragem da mulher salvadorenha,
chilena, brasileira, uruguaya...
A saga das loucas
da Plaza de Mayo.
De todas as esposas/mães/irmãs/amigas
de todas as fortes, calejadas,
saudosas, resistentes
companheiras dos desaparecidos
latino-americanos...
Por todo o sangue derramado
pelos povos.
Por tudo isso dito, e pelo que ficou
Ainda guardado, esperando o seu
momento,
E c o a n d o :
-EU CANTO!
....
*Este poema (que integra os meus livros Cara & Coragem (Volumes I e II) também recebeu ‘Menção Honrosa’ no XXI Concurso Literário Felippe D’Oliveira, Santa Maria/RS, em 1997.
Uma análise das fragilidades políticas, contradições ideológicas e desdobramentos judiciais que enfraquecem o projeto político da direita no cenário eleitoral brasileiro
Por Emir Sader*
A direita só conseguiu chegar ao governo, depois da ditadura militar, quando usou o lawfare e impôs um impeachment indevido à Dilma e prendeu Lula, também de forma injusta, como o próprio Judiciário reconheceu posteriormente.
Depois, veio o flagrante com o Vorcaro, a tentativa de golpe para tentar impedir a posse do Lula, pelo qual o Bolsonaro está em prisão domiciliar, o discurso da mulher do Bolsonaro revelando a forma como eles tratam as mulheres, além de outras circunstâncias, todas negativas. Além de que o candidato da direita não tem nada a propor. Diz que vai resgatar o mandato do pai, massacrado pela própria mídia como um mandato desastroso, que não deixou nada de positivo.
A direita brasileira está presa na armadilha de ser bolsonarista, de querer herdar os votos do ex-presidente em prisão domiciliar, mas, ao mesmo tempo, herdar todas as consequências negativas da imagem da família.
A direita brasileira não tem compromisso com a democracia. Em condições democráticas, perde as eleições e, por isso, busca outros caminhos. Assim, em tempos de consolidação da democracia, se vê condenada à derrota e ao fracasso.
A direita conta com a força do capital especulativo, que sobrevive graças às taxas de juros altíssimas, o que dificulta a retomada de um ciclo longo expansivo da economia.
A disputa sobre os temas centrais na mídia é uma questão central. A insistência no tema da inflação e dos seus riscos, posto em prática pela grande mídia, joga a favor da direita e da especulação financeira.
Seja por estes riscos e pelos efeitos psicológicos do medo da inflação, seja por dificuldades para superar estes problemas, os governos do PT esbarram nessa questão. Não logram impor a questão social, das desigualdades sociais, como a mais importante no país. Encontram na grande mídia um obstáculo difícil de superar, pelo poder que essa mídia tem.
Diante disso, o mandato do Lula, mesmo sem maioria no Congresso e tendo que fazer alianças com setores de centro, apresenta resultados positivos, de todos os pontos de vista. Tem problemas, que ficam transferidos para o quarto mandato, se conseguir eleger um Congresso menos desfavorável que o atual.
Mas tem, principalmente, que formular um projeto para o futuro do Brasil. Pode contar com a possibilidade de dirigir o país por um bom tempo. Possibilidade que tem que aproveitar, sendo capaz de formular o projeto do tipo de Estado, de sociedade, de cultura, de comunicação que deseja para o país e encontrar as forças para colocá-lo em prática. O resultado das eleições deste ano é decisivo para que essa possibilidade se torne realidade.
*Fonte: https://www.brasil247.com/
Milhares acompanharam o lançamento da campanha à reeleição neste domingo (16)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início à sua campanha à reeleição neste domingo (16). O discurso do petista de 80 anos de idade foi acompanhado por milhares de apoiadores, concentrados no gramado do Estádio 1º Maio, em São Bernardo do Campo (SP), mesmo local onde, em março de 1979, Lula discursou nas assembleias da Grande Greve do ABC.
Usando o chapéu panamá que virou sua marca, Lula justificou o acessório por conta da radioterapia para tratar um câncer de pele.
“Sou muito agradecido porque Deus sempre foi muito generoso comigo. Deus fez vocês e vocês fizeram o Lula ser o que ele é. Portanto, obrigado a vocês, trabalhadores e trabalhadoras desse país, que um dia tiveram consciência de apostar em um igual. A quantidade de diploma mostra o conhecimento, mas a inteligência é saber utilizar esse conhecimento em benefício de quem e para quem”, disse.
Lula fez uma breve retrospectiva das greves dos metalúrgicos entre 1978 e 1980, afirmando ter tido as maiores lições de política da sua vida nesse período. Quase 48 anos depois, aquele líder sindical disputa sua sétima eleição, buscando o quarto mandato na presidência, algo inédito na história do país.
O ato resgatou imagens de Lula discursando naquele mesmo estádio para um mar de trabalhadores metalúrgicos. As históricas greves dos anos 1970 fortaleceram o caminho para a redemocratização no Brasil e deram origem ao Partido dos Trabalhadores (PT). Na sequência, depoimentos de membros do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC relembraram que a luta por melhores condições de trabalho encontrou uma grande referência na liderança de Lula em São Bernardo do Campo.
Lula afirmou que os trabalhadores deram um voto de confiança para a sua capacidade, assim como o povo brasileiro anos depois. “Muito obrigado a cada homem e mulher, em cada estado do país, cada trabalhador que teve a coragem de levantar e dizer que vai colocar na Presidência da República um peão quase analfabeto porque tenho o diploma primário e o curso do Senai [de torneiro mecânico]”, agradeceu.
Ele se emocionou ao lembrar da morte da mãe, dona Lindu, em 1980, quando estava preso por conta da greve. “No tempo da ditadura militar, um delegado de polícia permitiu que eu fosse ao enterro da minha mãe. Agora, no regime democrático, um ministro que indiquei não permitiu que eu fosse ao enterro do seu irmão”, pontuou.
O presidente relacionou o surgimento do PT à luta sindical, por terem identificado a necessidade de eleger políticos comprometidos com as pautas da classe trabalhadora. “Eu dizia que odiava política, pensava que era esperto. É preciso gostar da política para escolher corretamente, senão a gente passa o ano inteiro brigando com o patrão, mas chega na eleição e elege o patrão. É uma contradição colocar a raposa no galinheiro. Essa descoberta política eu tive aqui no estádio”, disse.

Para além da retrospectiva da sua trajetória e do simbolismo do Estádio Euclides da Cunha, o presidente também comentou o momento atual da política e criticou a extrema direita. “O povo brasileiro não vai aceitar que a mentira vença a verdade”, disse Lula.
“O esforço que eu faço todo dia é para não falhar com vocês. Podem ter certeza da minha lealdade, é por isso que tenho muito orgulho de estar aqui 47 anos depois. Enquanto for vivo, não vou parar de lutar. Essa direita ficava dando risada de idosos morrendo por falta de oxigênio [na pandemia de covid-19], é responsável por 400 mil pessoas na covid. O que essa gente pensa para o povo brasileiro?”, questionou.
Ao abordar a segurança pública, Lula afirmou que pretende continuar mirando na estrutura financeira das organizações criminosas, mas também vai enfrentar aqueles que tentam se impor por meio da violência em territórios vulneráveis.
“Se for aprovada a PEC da Segurança Pública, vou criar o Ministério da Segurança Pública para dividir a responsabilidade com estados e municípios para libertar o povo, prendendo todo mundo que acha que é dono de uma favela ou bairro pobre”, garantiu.
Ainda no tema da violência, o presidente reafirmou a defesa das mulheres e pediu que os homens se eduquem a esse respeito. “Mulheres desse país, não abaixem a cabeça nunca porque nós, homens, precisamos aprender a respeitar vocês como companheiras, não como serviçais”, enfatizou.

Diversos programas foram destacados pelo presidente Lula como feitos importantes dos seus governos, sobretudo na educação. Ele relacionou o futuro do país com escolas em tempo integral, ensino superior e oportunidade dos jovens se desenvolverem em diferentes áreas com qualidade.
“O Brasil tem 300 e poucas faculdades, eu e Dilma [Rousseff] em apenas 16 anos, fizemos 200. Isso é pensar no futuro. O futuro significa formar os nossos jovens. Se preparem porque vai ter mais. […] Vamos terminar o mandato com 800 Institutos Federais”, disse.
Ao tratar do futuro do país, o candidato do PT defendeu a exploração de terras raras sem interferências externas. “Queremos colocar as meninas e os meninos para estudarem como explorar esses minérios, como produzir celulares, chips, baterias elétricas. Ninguém vai explorar nossos minerais críticos. Nós que vamos explorar em benefício do povo brasileiro”, enfatizou.
*Editado por: Monyse Ravena - Via Redação BdF
Em jantar com a elite paulistana, Kassab, vice de Caiado e presidente do PSD, diz que o Centrão fechou com Lula — e que isso sepulta a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Por Renato Rovai*
Em jantar com a elite paulistana na casa do ex-tucano Andrea Matarazzo, o presidente do PSD e vice na chapa de Ronaldo Caiado afirmou que o Centrão fechou com Lula e que isso inviabiliza a candidatura do filho de Bolsonaro
Gilberto Kassab não é homem de fazer prognóstico eleitoral por impulso. Kassabão é a raposa felpuda mais experiente do Centrão, presidente nacional do PSD e agora vice na chapa de Ronaldo Caiado — e quando ele fala algo em público, é porque já fez a conta do que isso pode render.
Além de Andrea Matarazzo e de empresários paulistas, o jantar teve “figuras ilustres” como o ex-ministro da Saúde Mandetta e a eterna socialité Narcisa Tamborindeguy do “ai que loucura”.
Era a plateia certa para esse tipo de recado: não é para o eleitor, é para o mercado e para o próprio Centrão se convencer de que apostar no filho de Bolsonaro é apostar no cavalo errado.
“Quando a campanha começar, isso vai ficar claro”, disse Kassab, explicando que o Centrão, ao não fechar com Flávio, já declarou — na prática — que seu candidato é Lula.
Aqui está o ponto que poucos analistas e comentaristas estão captando: essa frase não é retórica de bastidor. Ela tem efeito prático, mensurável, no horário eleitoral gratuito.
90% do tempo de TV e rádio é distribuído proporcionalmente ao tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados. Isso significa que, quando partidos do Centrão — Republicanos, PP, União Brasil — deixam de compor com Flávio, o tempo desses partidos simplesmente some do lado bolsonarista e é dividido por todos os outros. O que favorece Lula e o próprio PSD.
Foi exatamente isso que Kassab descreveu ao dizer que o PSD sai de 30 segundos para 2 minutos e 20 — o que ele, com o humor ácido de sempre, chamou de tempo de “uma novela”.
Ainda há outro efeito essa distribuição do tempo de propaganda, Lula poderá fazer duas coisas ao mesmo tempo — mostrar o que fez de concreto no governo e desconstruir Flávio Bolsona, expondo o entorno dele.
Foi essa a aposta que o próprio Kassab fez no jantar. Que durante a campanha, Lula vai destruir Flávio.
O recado por trás do recado é o seguinte: o Centrão, que historicamente se vende ao melhor pagador e evita compromisso público antes da hora, já escolheu de que lado vai ficar. E quando o fisiologismo se antecipa dessa forma, é porque a conta interna do poder já foi fechada. Ou seja, o cavalo já passou selado. E o nome dele é Lula, segundo Kassab.
*Via Revista Fórum