28 agosto 2026

CUT completa 43 anos: Central nasceu da luta e da organização da classe trabalhadora

Fundada em 28 de agosto de 1983, em meio à crise econômica e à luta pela redemocratização do país, Central nasceu da mobilização de trabalhadores e se tornou uma das principais organizações sindicais do país*

Nascida em meio a uma crise econômica grave nos anos 1980, com desemprego em patamares altos e em plena ditadura militar, a CUT completa 43 anos nesta sexta-feira (28). Fundada em 28 de agosto de 1983, a Central surgiu em um período de intensa mobilização sindical, reunindo trabalhadores e trabalhadoras de diferentes categorias e regiões do país.

A criação da CUT também representou um desafio à legislação sindical vigente na época, que impunha restrições à organização conjunta de trabalhadores de diferentes categorias.

A Central foi a primeira organização sindical de caráter intersindical e intercategorial criada no país após o golpe militar de 1964 e também a primeira central sindical brasileira construída a partir de um processo de organização pelas bases de trabalhadores.

Ao longo dessas mais de quatro décadas, a CUT teve atuação determinante nas lutas e conquistas de todos os principais direitos da classe trabalhadora como a política de valorização real do salário mínimo, o fortalecimento dos processos de negociação coletiva, a redução da jornada de trabalho para 44 horas nos anos 1980.

Além dessas, fazem parte da história da CUT diversas lutas por avanços nos direitos das mulheres, população negra, lutando pela igualdade racial e de gênero e a luta pela democracia, seja pelo fim da ditadura e eleições diretas (Diretas Já!) na primeira década, seja nos dias atuais contra os ataques da extrema direita.

Ao completar 43 anos, a CUT se mantém centrada nas principais demandas dos trabalhadores, como a recém conquistada isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, o fim da escala 6x1, a luta pelo fim da violência contra a mulher e a regulamentação de novas formas de trabalho, como aplicativos, por exemplo.

Nesse cenário, a CUT também projeta os próximos desafios da classe trabalhadora. Em mensagem sobre a data, o presidente nacional da Central, Sergio Nobre, destacou a importância das eleições e convocou sindicatos, ramos, estaduais e militantes para a preparação do 15º Congresso Nacional da CUT (15º Concut), previsto para 2027.

“O Brasil vive, mais uma vez, um momento decisivo. Nas eleições, cada trabalhadora e cada trabalhador terá a oportunidade de ir às urnas e escolher quem realmente representa os seus interesses.”

Sergio Nobre defendeu a mobilização para a escolha de representantes comprometidos com a democracia e com os direitos sociais. “Vamos trabalhar para eleger representantes da classe trabalhadora comprometidos com a democracia, os direitos sociais e um Brasil mais justo e soberano.”

O presidente da CUT também convocou a militância e as entidades filiadas a iniciarem a preparação para o próximo congresso da Central, que deverá discutir estratégias e os caminhos da organização sindical.

“Desde já, convocamos nossa militância, nossos sindicatos, ramos e estaduais a se prepararem para o 15º Congresso Nacional da CUT, o 15º Concut, que acontecerá em 2027. Vamos, juntos, renovar nossas estratégias e construir os novos caminhos da organização sindical.”

Na mensagem pelos 43 anos da CUT, Sergio Nobre ressaltou ainda a trajetória da Central e a perspectiva de continuidade da atuação sindical. 

A CUT chega aos 43 anos de história com muita garra, coragem e esperança. Aguerrida no presente e sempre preparada para o futuro
- Sergio Nobre
O surgimento de uma Central que faz parte da história do país

Ponto de partida – ‘A’ Conclat

A história começou com a 1º Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), em 1981, na Praia Grande, litoral de São Pauulo, que reuniu mais de 5 mil trabalhadores e trabalhadoras de todas as regiões do país. Ao todo, 5.059 delegados participaram da fundação da CUT, representando 912 entidades, entre sindicatos urbanos e rurais, associações pré-sindicais, associações de funcionários públicos, federações e entidades nacionais.

Os temas prioritários discutidos na Conclat, diziam respeito aos ataques aos direitos da classe trabalhadora, como o direito ao trabalho, sindicalismo, saúde e previdência social, políticas salarial, econômica, agrária e problemas nacionais. Porém, acima de tudo, a luta era pela reconquista da democracia, que era usurpada pelo regime militar – um período de em que a classe trabalhadora sofreu na pele todos os retrocessos e horrores da ditadura.

Como resultado da Conclat, foi criada a Comissão Nacional Pró-CUT que, dois anos depois, deu origem à Central Única dos Trabalhadores.

Fundação da CUT – ‘O’ Conclat

O 1º Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) foi realizado no galpão dos antigos estúdios cinematográficos Vera Cruz, em São Bernardo do Campo (SP). Foi naquele espaço que delegados e delegadas aprovaram a criação da nova central sindical.

Novamente, mais de cinco mil representantes de trabalhadores comparecem ao encontro.

Assim, após deliberaram sobre as pautas prioritárias de reivindicação da classe trabalhadora, no dia 28 de agosto de 1983, então, nasceu a CUT.

Contexto: a crise econômica e mobilização

A fundação da CUT ocorreu em meio a uma profunda crise econômica. O país enfrentava inflação elevada, recessão, aumento do desemprego e perda do poder de compra dos salários, além de uma dívida externa superior a US$ 100 bilhões.

Um mês antes da fundação da Central, trabalhadores e trabalhadoras realizaram uma greve geral em todo o país. Na indústria paulista, somente nos dois primeiros meses de 1983, cerca de 47 mil trabalhadores foram demitidos, número próximo ao total de dispensas registradas durante todo o ano anterior.

Além das dificuldades econômicas, o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar. Nesse contexto, o congresso de fundação da CUT aprovou uma agenda de lutas que incluía o fim da Lei de Segurança Nacional e do regime militar, o combate ao desemprego, reajustes periódicos dos salários, reforma agrária, liberdade e autonomia sindical.

A defesa da cidadania e o combate ao autoritarismo também estavam entre as pautas da nova Central, em um período marcado pela repressão política e por restrições às liberdades democráticas.

Primeira direção

Para o primeiro ano de atuação, foi escolhida uma coordenação-geral liderada por Jair Meneguelli, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, atual Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que naquele período estava sob intervenção.

Em 1984, foi eleita a primeira direção da Central com chapa completa, tendo Meneguelli como primeiro presidente da CUT.

Organização presente em todo o país

Ao longo de 43 anos, a CUT ampliou sua presença e passou a reunir entidades de diferentes ramos da atividade econômica. Atualmente, a Central conta com 3.960 entidades filiadas, 7,9 milhões de associados e associadas e uma base de 25,8 milhões de trabalhadores e trabalhadoras.

De caráter classista, autônomo e democrático, a CUT organiza trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, dos setores público e privado, ativos e inativos.

Entre seus princípios está a defesa da liberdade e da autonomia sindical, com independência em relação ao Estado, governos, empregadores, partidos políticos e instituições religiosas.

Desde sua fundação, a Central participa de mobilizações e debates relacionados às condições de trabalho, à defesa de direitos e às transformações políticas, econômicas e sociais do Brasil.

Ao completar 43 anos nesta sexta-feira (28), a CUT refoça sua atuação sindical por meio das entidades filiadas e da organização de trabalhadores e trabalhadoras em diferentes setores da economia brasileira.

Assista ao vídeo especial em celebração aos 43 anos da CUT e conheça um pouco dessa história de luta, resistência e conquistas da classe trabalhadora!

*Escrito por: Walber Pinto | Editado por: André Accarini - Fonte: https://www.cut.org.br/

20 agosto 2026

O filme e a realidade - Lula, para que ainda possamos falar em Honestino

Diretor Aurélio Michelis faz a conexão entre o passado e o presente




Por Luiz Carlos Azenha*

Aurélio Michelis dirigiu Honestino, que está em cartaz nos cinemas. Bruno Gagliasso faz o papel do líder estudantil que foi desaparecido pela ditadura militar brasileira aos 23 anos de idade.

Assim como Anistia 79, também lançado neste agosto de 2026, Honestino resgata memória da ditadura militar (1964-1985) que nos infelicitou.

Faltando semanas para a eleição presidencial no Brasil, com o cerco dos Estados Unidos se fechando, os diretores dos dois filmes traçaram paralelos entre o passado e o presente.

Anita Leandro destacou, em entrevista à Fórum, o legado da ditadura que ainda nos assombra, concretizado em PMs que matam civis como se estivéssemos em guerra.

Aurélio Michelis relembrou uma História da infância, que ainda está viva: os bastidores da batalha pelos recursos naturais brasileiros.

Seguem trechos da entrevista — e o vídeo com a íntegra.

Sobre o futuro que não veio

Aurélio Michelis: Eu tenho saudade daquilo que não foi. Do futuro que não aconteceu. Uma vez saiu no Jornal de Manaus uma notícia de que jorrava petróleo à flor da terra em Nova Olinda do Norte, que é um município que tem no Amazonas que hoje se chama Coari. É onde hoje tem a maior reserva de gás da Petrobras. Quando eu era criança, as pessoas recolhiam o óleo que brotava e o colocavam na lamparina. Você lembra da lamparina? Você conheceu? Aquele espécie de fio que você colocava o combustível, tinha uma ponta que saía um algodão e se iluminava, antes de ter energia elétrica.

Saiu nessa matéria, falava que apesar de o petróleo jorrar, técnicos norte-americanos que vieram avaliar, consideraram que não era comerciável o petróleo. O meu avô fez um comentário assim, ele era muito engraçado, ele falou assim: “Realmente esse petróleo respeita as fronteiras políticas, porque na Venezuela tem petróleo, quando chega na fronteira do Brasil, ele dá meia curva”.

Então, essa realidade de manipulação, ela não é nova. Todas as vezes que o Brasil se impõe, todas as vezes que o Brasil quer se colocar, como ele merece ser, porque o tamanho do nosso país, um país continental, com uma variedade de recursos naturais que poucos países possuem… é claro que um país vizinho tão guloso como são os Estados Unidos, um país que está em guerra há mais de 200 anos, um país que fomenta a arma, o guerreiro, sanguinário… Então, é complicado. O Brasil, quando se coloca com essa potencialidade, começa a sofrer essas ameaças. É só ver a questão do PIX, a tentativa de interferência nas eleições brasileiras.

Quem foi Honestino?

Aurélio Michelis: O Honestino [Guimarães] fazia parte de um grupo de luta maioísta, de luta de massas. mas tudo bem, o inimigo era muito mais poderoso, então, de certa forma, essa geração sofreu um revés muito forte, porque a resposta da ditadura, que era protegida pelos Estados Unidos, a gente não pode esquecer.

No ano em que o Ernestino foi morto, assassinado — eu não gosto de falar de desaparecido, ele foi assassinado — seu corpo até hoje não foi encontrado, mas ele foi assassinado com 23 anos de idade, no Rio de Janeiro.

Em 1973, o Richard Nixon, que era o presidente dos Estados Unidos, faz um discurso onde ele diz, para onde for o Brasil, irá toda a América Latina. Então, ele estava sinalizando que, naqueles países, onde naquele momento estavam o Allende no poder [no Chile], na Argentina havia já o Perón — tinha voltado, havia todo um governo híbrido ali, lutando pela democracia — no Peru estava o [Juan Velasco] Alvarado, que era um general que se dizia nacionalista e por aí afora e na Bolívia estava o [Hugo] Banzer, que também era um militar nacionalista.

Desde 1964 o Brasil já estava na ditadura e nesse ano [1973] o Honestino é sequestrado e assassinado. Então, a minha vontade era fazer essa leitura, trazer essa atmosfera, mostrar que hoje, qual é o discurso dos canalhas que dirigem os Estados Unidos da América do Norte? O discurso é que a América do Sul é o quintal deles. Eles não vão admitir, eles vão fazer de tudo para interferir na eleição da Colômbia, na eleição do Peru, na eleição…

Na Argentina vão manter um ser sem nenhuma característica de Humanidade, lá no Chile também estão desmontando as conquistas realizadas pós-ditadura Pinochet e no Brasil nós estamos sob essa ameaça também. Felizmente nós temos o Lula, que tem o carisma de um líder mundial — e isso é uma grande barreira para que nós possamos defender a frágil democracia brasileira. E, com isso, ter a liberdade para falar sobre o Honestino! - 

*Fonte: Revista Fórum

Diretor de filme sobre líder morto pela ditadura celebra a trajetória de Honestino Guimarães e Lula

19 agosto 2026

EU CANTO!

 


EU CANTO!

    Júlio C. S. Garcia*


Eu canto

com profundo prazer, com emoção

o povo que optou por ser livre

e que por isso sangrou.

 

Os heróis e os anônimos.

A América Latina

(vulcão em atividade permanente).

 

O fogo descendo pelas encostas das neves andinas,

Eternas, desafiadoras, majestosas...

E madrastas.

 

Che Guevara eternizando seu exemplo

nos vales e montanhas bolivianas.

 

Eu canto o feito épico

de Lamarca lutando contra a fome

e as injustiças no Vale da Ribeira. 

[As lutas - e o sacrifício! - de Prestes, Olga, Stuart, Sônia, Zuzu, Basilícia, Victor Jara, Osvaldão, Camilo Torres, Honestino Guimarães, Raúl Sendic, Marighella...]


As crianças da Nicarágua

entoando suas canções sandinistas

(que falam em um porvir

com rios de leite e mel).

 

Eu canto a epopeia vivenciada

pelos povos, todos, de nosso imenso

e explorado continente

(do Altiplano, das savanas, dos pampas sem fronteiras,

da Amazônia infinita, das selvas colombianas...).

 

Eu canto

os camponeses, os índios

despojados de suas terras.

Os combatentes mortos no Peru

nas selvas do Araguaia

nas ruas de Santiago...

 

Toda a resistência conhecida

(ou anônima)

que houve, ou que haverá (?!) em nossa

Pátria Grande

Eu canto.

 

A coragem da mulher salvadorenha,

chilena, brasileira, uruguaya...

A saga das loucas

da Plaza de Mayo.

 

De todas as esposas/mães/irmãs/amigas

de todas as fortes, calejadas, saudosas, resistentes

companheiras dos desaparecidos latino-americanos...

 

Por todo o sangue derramado

pelos povos.

Por tudo isso dito, e pelo que ficou

Ainda guardado, esperando o seu momento,

     E c o a n d o :

           -EU CANTO!

....

*Este poema (que integra os meus livros Cara & Coragem (Volumes I e II) também recebeu ‘Menção Honrosa’ no XXI Concurso Literário Felippe D’Oliveira, Santa Maria/RS, em 1997.

18 agosto 2026

Opinião: Por que a direita está sendo derrotada no Brasil

Uma análise das fragilidades políticas, contradições ideológicas e desdobramentos judiciais que enfraquecem o projeto político da direita no cenário eleitoral brasileiro


Vídeo gerado por IA mostrando o ex-presidente Jair Bolsonaro no lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro - Crédito: REUTERS/Bia Borges

Por Emir Sader*

A direita só conseguiu chegar ao governo, depois da ditadura militar, quando usou o lawfare e impôs um impeachment indevido à Dilma e prendeu Lula, também de forma injusta, como o próprio Judiciário reconheceu posteriormente.

Depois, veio o flagrante com o Vorcaro, a tentativa de golpe para tentar impedir a posse do Lula, pelo qual o Bolsonaro está em prisão domiciliar, o discurso da mulher do Bolsonaro revelando a forma como eles tratam as mulheres, além de outras circunstâncias, todas negativas. Além de que o candidato da direita não tem nada a propor. Diz que vai resgatar o mandato do pai, massacrado pela própria mídia como um mandato desastroso, que não deixou nada de positivo.

A direita brasileira está presa na armadilha de ser bolsonarista, de querer herdar os votos do ex-presidente em prisão domiciliar, mas, ao mesmo tempo, herdar todas as consequências negativas da imagem da família.

A direita brasileira não tem compromisso com a democracia. Em condições democráticas, perde as eleições e, por isso, busca outros caminhos. Assim, em tempos de consolidação da democracia, se vê condenada à derrota e ao fracasso.

A direita conta com a força do capital especulativo, que sobrevive graças às taxas de juros altíssimas, o que dificulta a retomada de um ciclo longo expansivo da economia.

A disputa sobre os temas centrais na mídia é uma questão central. A insistência no tema da inflação e dos seus riscos, posto em prática pela grande mídia, joga a favor da direita e da especulação financeira.

Seja por estes riscos e pelos efeitos psicológicos do medo da inflação, seja por dificuldades para superar estes problemas, os governos do PT esbarram nessa questão. Não logram impor a questão social, das desigualdades sociais, como a mais importante no país. Encontram na grande mídia um obstáculo difícil de superar, pelo poder que essa mídia tem.

Diante disso, o mandato do Lula, mesmo sem maioria no Congresso e tendo que fazer alianças com setores de centro, apresenta resultados positivos, de todos os pontos de vista. Tem problemas, que ficam transferidos para o quarto mandato, se conseguir eleger um Congresso menos desfavorável que o atual.

Mas tem, principalmente, que formular um projeto para o futuro do Brasil. Pode contar com a possibilidade de dirigir o país por um bom tempo. Possibilidade que tem que aproveitar, sendo capaz de formular o projeto do tipo de Estado, de sociedade, de cultura, de comunicação que deseja para o país e encontrar as forças para colocá-lo em prática. O resultado das eleições deste ano é decisivo para que essa possibilidade se torne realidade.

*Fonte: https://www.brasil247.com/

16 agosto 2026

Eleições 2026 - Lula inicia campanha no mesmo estádio onde fez discurso histórico durante greve de 1979

Milhares acompanharam o lançamento da campanha à reeleição neste domingo (16)


Geraldo Alckmin e Fernando Haddad também discursaram no lançamento da campanha de Lula à reeleição | Crédito: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início à sua campanha à reeleição neste domingo (16). O discurso do petista de 80 anos de idade foi acompanhado por milhares de apoiadores, concentrados no gramado do Estádio 1º Maio, em São Bernardo do Campo (SP), mesmo local onde, em março de 1979, Lula discursou nas assembleias da Grande Greve do ABC.

Usando o chapéu panamá que virou sua marca, Lula justificou o acessório por conta da radioterapia para tratar um câncer de pele. 

“Sou muito agradecido porque Deus sempre foi muito generoso comigo. Deus fez vocês e vocês fizeram o Lula ser o que ele é. Portanto, obrigado a vocês, trabalhadores e trabalhadoras desse país, que um dia tiveram consciência de apostar em um igual. A quantidade de diploma mostra o conhecimento, mas a inteligência é saber utilizar esse conhecimento em benefício de quem e para quem”, disse.

Lula fez uma breve retrospectiva das greves dos metalúrgicos entre 1978 e 1980, afirmando ter tido as maiores lições de política da sua vida nesse período. Quase 48 anos depois, aquele líder sindical disputa sua sétima eleição, buscando o quarto mandato na presidência, algo inédito na história do país.

Retrospectiva

O ato resgatou imagens de Lula discursando naquele mesmo estádio para um mar de trabalhadores metalúrgicos. As históricas greves dos anos 1970 fortaleceram o caminho para a redemocratização no Brasil e deram origem ao Partido dos Trabalhadores (PT). Na sequência, depoimentos de membros do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC relembraram que a luta por melhores condições de trabalho encontrou uma grande referência na liderança de Lula em São Bernardo do Campo.

Lula afirmou que os trabalhadores deram um voto de confiança para a sua capacidade, assim como o povo brasileiro anos depois. “Muito obrigado a cada homem e mulher, em cada estado do país, cada trabalhador que teve a coragem de levantar e dizer que vai colocar na Presidência da República um peão quase analfabeto porque tenho o diploma primário e o curso do Senai [de torneiro mecânico]”, agradeceu. 

Ele se emocionou ao lembrar da morte da mãe, dona Lindu, em 1980, quando estava preso por conta da greve. “No tempo da ditadura militar, um delegado de polícia permitiu que eu fosse ao enterro da minha mãe. Agora, no regime democrático, um ministro que indiquei não permitiu que eu fosse ao enterro do seu irmão”, pontuou. 

O presidente relacionou o surgimento do PT à luta sindical, por terem identificado a necessidade de eleger políticos comprometidos com as pautas da classe trabalhadora. “Eu dizia que odiava política, pensava que era esperto. É preciso gostar da política para escolher corretamente, senão a gente passa o ano inteiro brigando com o patrão, mas chega na eleição e elege o patrão. É uma contradição colocar a raposa no galinheiro. Essa descoberta política eu tive aqui no estádio”, disse.


Estádio Euclides da Cunha, em São Bernardo do Campo (SP), no lançamento da campanha de Lula (PT)
Estádio Euclides da Cunha, em São Bernardo do Campo (SP), no lançamento da campanha de Lula (PT) | Crédito: Ricardo Stuckert

Compromissos

Para além da retrospectiva da sua trajetória e do simbolismo do Estádio Euclides da Cunha, o presidente também comentou o momento atual da política e criticou a extrema direita. “O povo brasileiro não vai aceitar que a mentira vença a verdade”, disse Lula.

“O esforço que eu faço todo dia é para não falhar com vocês. Podem ter certeza da minha lealdade, é por isso que tenho muito orgulho de estar aqui 47 anos depois. Enquanto for vivo, não vou parar de lutar. Essa direita ficava dando risada de idosos morrendo por falta de oxigênio [na pandemia de covid-19], é responsável por 400 mil pessoas na covid. O que essa gente pensa para o povo brasileiro?”, questionou.

Ministério da Segurança Pública

Ao abordar a segurança pública, Lula afirmou que pretende continuar mirando na estrutura financeira das organizações criminosas, mas também vai enfrentar aqueles que tentam se impor por meio da violência em territórios vulneráveis.  

“Se for aprovada a PEC da Segurança Pública, vou criar o Ministério da Segurança Pública para dividir a responsabilidade com estados e municípios para libertar o povo, prendendo todo mundo que acha que é dono de uma favela ou bairro pobre”, garantiu.

Ainda no tema da violência, o presidente reafirmou a defesa das mulheres e pediu que os homens se eduquem a esse respeito. “Mulheres desse país, não abaixem a cabeça nunca porque nós, homens, precisamos aprender a respeitar vocês como companheiras, não como serviçais”, enfatizou.

Ato de lançamento do presidente Lula (PT) à reeleição em São Bernardo do Campo (SP)
Ato de lançamento do presidente Lula (PT) à reeleição em São Bernardo do Campo (SP) | Crédito: Ricardo Stuckert

Futuro e terras raras

Diversos programas foram destacados pelo presidente Lula como feitos importantes dos seus governos, sobretudo na educação. Ele relacionou o futuro do país com escolas em tempo integral, ensino superior e oportunidade dos jovens se desenvolverem em diferentes áreas com qualidade.

“O Brasil tem 300 e poucas faculdades, eu e Dilma [Rousseff] em apenas 16 anos, fizemos 200. Isso é pensar no futuro. O futuro significa formar os nossos jovens. Se preparem porque vai ter mais. […] Vamos terminar o mandato com 800 Institutos Federais”, disse.

Ao tratar do futuro do país, o candidato do PT defendeu a exploração de terras raras sem interferências externas. “Queremos colocar as meninas e os meninos para estudarem como explorar esses minérios, como produzir celulares, chips, baterias elétricas. Ninguém vai explorar nossos minerais críticos. Nós que vamos explorar em benefício do povo brasileiro”, enfatizou.

*Editado por: Monyse Ravena - Via Redação BdF