26 outubro 2026

Como a imprensa internacional noticiou vitória histórica de Lula*

 

Lula e Donald Trump durante encontro em Kuala Lumpur, na Malásia
Lula e Donald Trump durante encontro em Kuala Lumpur, na Malásia, em outubro de 2025. Foto: Reprodução


DCM* - A imprensa internacional tratou a vitória do presidente Lula (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) como um freio à guinada de extrema-direita na América Latina e uma derrota para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Reeleito no domingo (25), o petista garantiu o quarto mandato após reverter o resultado do primeiro turno.

Veículos estrangeiros também destacaram o caráter inédito da virada desde a redemocratização. A disputa apertada e a extensão da trajetória política do petista apareceram nas análises de jornais e redes de televisão dos Estados Unidos e da Europa.

A Associated Press definiu Lula como um “crítico de Trump”.

AP noticia vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno. Foto: Reprodução

A CNN afirmou que o petista derrotou um “aliado de Trump” e manteve o Brasil à esquerda em uma região que tem elegido governos de direita.

CNN diz que Lula venceu “aliado de Trump”. Foto: Reprodução

O Washington Post avaliou que o resultado impediu a maior democracia latino-americana de aderir a essa tendência.

“Lula vence a reeleição no Brasil, desafiando a guinada à direita na América Latina”, diz Wasghinton Post. Foto: Reprodução

Já o Financial Times classificou a reeleição como um golpe nas pretensões de Trump de ampliar a influência dos Estados Unidos na região.

Financial Times cita vitória de Lula em “votação apertada”. Foto: Reprodução

Veículos destacam disputa apertada e virada eleitoral

A BBC e o Financial Times descreveram a apuração como uma disputa voto a voto. O Wall Street Journal chamou o desfecho de surpresa e apontou que Lula prolonga uma das carreiras políticas mais duradouras da América Latina.

Wall Street Journal lembra que Lula tem uma das “carreiras políticas mais longas da América”. Foto: Reprodução

O espanhol El País classificou o resultado como uma “virada épica”, capaz de frear o avanço da extrema direita no Brasil e dar “um balão de oxigênio” à esquerda no mundo.

El País elogia “virada épica” de Lula contra Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

Para o New York Times, a vitória transmite um recado ao movimento de extrema-direita que conquistou presidências latino-americanas e recebeu apoio de Trump. O jornal apontou que o resultado interrompeu uma sequência de sete vitórias da direita na região em 18 meses.

New York Times lembra que Flávio Bolsonaro não aceitou derrota. Foto: Reprodução

O Le Monde afirmou que o Brasil não acompanhou a mudança à direita observada em países como Argentina, Chile e Colômbia. O jornal francês avaliou que Lula reduziu a desvantagem do primeiro turno ao atrair parte dos eleitores que haviam se abstido.

Le Monde destaca “derrota da extrema-direita”. Foto: Reprodução

O argentino La Nación informou que a abstenção caiu para 19,21%, o menor índice em 20 anos. O diário também descreveu como “pouco conciliador” o discurso de Lula, que disse que o Brasil “não aceita ser o quintal de ninguém”, prometeu regular as redes sociais e chamou Flávio de “representante do milicianismo”.

La Nación cita “virada inédita” de Lula. Foto: Reprodução
*Via Diário do Centro do Mundo - DCM

BRASIL - Em virada histórica, Lula é reeleito presidente da República*

Presidente supera Flávio Bolsonaro no segundo turno após terminar atrás do adversário na primeira votação e conquista novo mandato no Palácio do Planalto




Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), em uma virada histórica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). Após terminar o primeiro turno na segunda colocação, Lula reverteu a vantagem do adversário e conquistou mais quatro anos à frente do Palácio do Planalto. Com 100% das urnas apuradas, o petista recebeu 51,79% dos votos (64.256.232), contra 48,21% do candidato da extrema direita (59.826.041). Esta é a primeira vez que um candidato derrotado no primeiro turno vence no segundo. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro (PL), pai do adversário nesta eleição, por 50,9% a 49,1%.

A vitória representa uma recuperação eleitoral expressiva do presidente, que havia obtido 45,16% dos votos válidos no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 47,03%. De acordo com os resultados divulgados pelo TSE, o candidato do PL abriu uma vantagem superior a 2,2 milhões de votos naquela etapa da disputa, impondo ao petista o desafio de conquistar novos apoios nas três semanas seguintes.

A eleição presidencial de 2026 foi marcada pela forte polarização política e pelo confronto entre dois projetos antagônicos de governo. De um lado, Lula defendeu a continuidade das políticas sociais, a valorização do salário mínimo, os investimentos públicos e a atuação do Estado na promoção do desenvolvimento econômico. Do outro, Flávio Bolsonaro, herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, apresentou-se como representante da oposição de direita, concentrando sua campanha em críticas à gestão petista, na segurança pública e em propostas econômicas de orientação liberal.

A disputa também foi atravessada por embates sobre a democracia, o funcionamento das instituições e o legado político do bolsonarismo. Durante a campanha, os candidatos trocaram acusações e buscaram mobilizar eleitores indecisos, em uma corrida especialmente intensa após o resultado apertado do primeiro turno. A votação deste domingo ainda foi marcada por dificuldades no transporte de eleitores em diferentes regiões do país, que levaram o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a determinar a prorrogação do horário de votação até as 19h.

Com o resultado, Lula, de 80 anos, conquista seu quarto mandato como presidente da República, um feito inédito na história política brasileira. Eleito pela primeira vez em 2002 e reeleito em 2006, o petista retornou ao poder em 2023, após derrotar Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Sua trajetória, iniciada no movimento sindical do ABC paulista, passa a incluir mais uma vitória nacional, desta vez diante do filho do ex-presidente.

O novo mandato, previsto para começar em 5 de janeiro de 2027, terá como desafios a manutenção do crescimento econômico, o controle da inflação, a geração de empregos, a redução das desigualdades e a articulação política com o Congresso Nacional. A reeleição também mantém Geraldo Alckmin (PSB) na Vice-Presidência da República e consolida a permanência do projeto político liderado por Lula no comando do governo federal até 2030.

*Por Paulo Emílio - Fonte: Brasil 247  - **Edição final deste Blog

25 outubro 2026

O POVO, UNIDO, JAMAIS SERÁ VENCIDO!

 


ENCERRAMENTO - Em ato final de campanha, Lula arrasta milhares na Paulista em clima de emoção e defesa da democracia

Multidão acompanhou o presidente e aliados com cantos, homenagens e lágrimas na tarde deste sábado (24)

Lula agita bandeira do Brasil sobre um carro, em meio a milhares de pessoas espremidas na avenida Paulista

BdF - O Ato final da campanha do presidente da República e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi tomado de emoção e sentimento de defesa da democracia na avenida Paulista, em São Paulo (SP), na tarde deste sábado (24). 

Desde o meio-dia, duas horas antes do início oficial da concentração, a avenida Paulista já estava tomada pelo vermelho misturado com bandeiras do Brasil, LGBT+, movimentos populares, partidos, organizações estudantis e times de futebol.

Famílias inteiras, pessoas de todas as idades, crenças, etnias e regiões, algumas que viajaram a noite toda para estar em São Paulo, neste sábado, a exemplo da estudante Isabelle Ramos, que veio do Paraná, onde estuda, para participar da manifestação e votar neste domingo (25). (...) *CLIQUE AQUI para ler na íntegra.

24 outubro 2026

Lula no debate da Globo: ‘não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos’

O petista também lançou a alcunha de miliciano para Flávio Bolsonaro

Lula e Flávio Bolsonaro no debate da Globo | Crédito: Foto; Reprodução/TV Globo


No segundo bloco do debate da TV Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi chamado de “nove dedos” por Flávio Bolsonaro (PL). O presidenciável petista repreendeu seu adversário imediatamente.

“Ele disse uma grande asneira que não levarei para casa. Ele me chamou de nove dedos. Saiba de uma coisa, se tem alguém que sabe o que é o mundo do trabalho, sou eu, trabalhando à noite, com 17 anos. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos”, afirmou o presidente, que seguiu repreendendo Flávio Bolsonaro.

“Ele nunca trabalhou na vida e não sabe o que é uma carteira profissional. O primeiro emprego que ele teve foi um emprego falso arrumado pelo pai dele. Agora, quer me chamar de nove dedos?”, perguntou.

“Nove dedos” é a forma pejorativa com que a extrema-direita chama Lula, em referência ao acidente de trabalho sofrido pelo petista quando trabalhava em uma prensa como metalúrgico. Na época do acidente, o presidente tinha apenas 17 anos.

“Milhões de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal, em jornadas que não podemos trabalhar. Eu era menor e não podia trabalhar. Não vou aceitar que um grã-fino, com uma prática política muito duvidosa, venha me chamar de nove dedos”, finalizou.

Quando Flávio Bolsonaro teve seu tempo aberto para réplica, reconheceu o erro. “Lula, te peço desculpas.”

*Editado por: Monyse Ravena - Via Redação do BdF

Lula vence Flávio Bolsonaro em todos os grupos de indecisos no debate da Globo

 

Lula vence Flávio Bolsonaro em todos os grupos de indecisos no debate da Globo

Por Marcelo Hailer*

Eleitores indecisos que acompanharam o debate presidencial da TV Globo entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), na noite desta sexta-feira (23), identificaram mudanças de posicionamento do candidato do PL em temas sociais, interpretadas como uma tentativa de agradar ao eleitorado. A percepção foi registrada em dez grupos de pesquisa qualitativa, distribuídos por cinco cidades brasileiras e acompanhados simultaneamente por um instituto de São Paulo. As informações são do Metrópoles.

Segundo o coordenador dos grupos, Flávio foi considerado “bem treinado”, mas não conseguiu convencer os participantes, especialmente no terceiro bloco do debate, quando Lula teve o melhor desempenho na avaliação de todos os grupos analisados.

Indecisos identificam mudanças de posição de Flávio Bolsonaro

A principal percepção dos participantes foi a de que Flávio Bolsonaro não defendeu suas posições com convicção, mas procurou apresentar respostas que acreditava serem mais bem recebidas pelos eleitores.

Segundo o coordenador da pesquisa, a impressão de que o candidato do PL mudou de opinião ao longo do debate apareceu em comentários espontâneos dos participantes durante o terceiro bloco do confronto.

A avaliação dos grupos também revelou mudanças no desempenho dos candidatos ao longo da noite.

No segundo bloco, Flávio Bolsonaro havia sido considerado o melhor em dois grupos, enquanto os demais apontaram empate entre os candidatos.

No terceiro bloco, porém, o cenário mudou: Lula foi avaliado como o melhor desempenho pelos dez grupos, sem exceção.

De acordo com o coordenador, Flávio chegou ao debate preparado, mas o treinamento não foi suficiente para transmitir credibilidade aos eleitores indecisos, que demonstraram atenção às contradições percebidas nas respostas do candidato.

Temas sociais provocaram desconfiança entre os eleitores

Os participantes identificaram mudanças de posicionamento de Flávio Bolsonaro em três temas específicos: reajuste das aposentadorias, aumento real do salário mínimo e direito à licença-maternidade.

As questões têm impacto direto sobre as classes C e D, perfil dos eleitores que participaram dos grupos de discussão, e estão entre as pautas historicamente defendidas pelo PT.

Segundo o coordenador da pesquisa, a estratégia de Lula de insistir nesses assuntos ao longo do debate teve repercussão positiva entre os indecisos e os participantes que admitiram a possibilidade de mudar de voto.

Ao explorar essas questões, o presidente conseguiu estabelecer um contraste entre suas posições e as respostas apresentadas pelo adversário, segundo a avaliação dos grupos.

Outro momento que repercutiu negativamente para Flávio Bolsonaro foi o confronto sobre sua atuação na defesa de um policial militar acusado de matar uma menina.

“A defesa do assassino de uma menina pegou muito mal para ele”, afirmou o coordenador dos grupos qualitativos.

O episódio foi apontado como um dos momentos mais negativos do debate para o candidato do PL, segundo as avaliações dos participantes.

Como foi realizada a pesquisa qualitativa

O levantamento acompanhou dez grupos de eleitores indecisos que assistiram ao debate presidencial da TV Globo.

Os participantes foram divididos igualmente entre cinco grupos de homens e cinco de mulheres, todos com idades entre 25 e 60 anos e pertencentes às classes C e D.

A pesquisa foi conduzida por um instituto sediado em São Paulo, com grupos distribuídos por cinco capitais: Fortaleza (CE), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro (RJ).

O objetivo foi acompanhar, em tempo real, as reações dos eleitores indecisos às declarações, propostas e confrontos entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Diferentemente das pesquisas quantitativas, os levantamentos qualitativos não medem intenção de voto nem permitem projetar resultados eleitorais.

Esse tipo de pesquisa busca compreender as percepções, motivações e reações dos participantes, sem representar estatisticamente o conjunto do eleitorado brasileiro.

Assim, os resultados mostram como os grupos analisados reagiram ao desempenho dos candidatos, mas não permitem concluir que essas avaliações sejam compartilhadas pela maioria dos eleitores indecisos.

*Via Fórum

23 outubro 2026

Vox Brasil: Lula tem 50,6% dos votos válidos, Flávio com 49,4%

Cenário indica disputa voto a voto no domingo (25); resultado ainda é de empate técnico*

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Fotos: Ricardo Stuckert e Saulo Cruz/Agência Senado.

Divulgada nesta sexta-feira (23), a pesquisa da Vox Brasil aponta Lula (PT) numericamente à frente de Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto no segundo turno. O petista tem 50,6% dos votos válidos enquanto o senador carioca tem 49,4%. O resultado da pesquisa, que indica uma disputa voto a voto no domingo (25), é um empate técnico, com margem de erro de 2,15 pontos percentuais.

A oscilação desde a última edição do levantamento da Vox, divulgado no domingo (18), foi muito pequena. Lula foi de 51% para 50,6% e Flávio cresceu pouco, indo de 49% para 49,4%.

O que também é pequena é a margem de eleitores aptos a mudar de voto. Quase 95% dos entrevistados pela Vox (94,7%) responderam que sua escolha é definitiva. Ainda, 6% dos eleitores responderam que votarão em branco ou nulo.

A pesquisa também mapeou a rejeição dos candidatos. Flávio lidera, com 47,1% dos eleitores afirmando que não votariam no candidato do PL de jeito algum. Lula tem 44,8% da rejeição.

Mas, por outro lado, a gestão do terceiro mandato de Lula tem uma reprovação maior que a aprovação, segundo o mapeamento. Dos entrevistados, 46,9% aprovam e 48,1% reprovam o governo atual.

O levantamento da Vox Brasil ouviu 2.100 pessoas entre os dias 20 e 22 de outubro e tem uma margem de erro de 2,15 pontos percentuais para mais ou para menos, com um índice de confiança de 95%. A pesquisa está cadastrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código BR-03259/2026.

*Fonte: Sul21

21 outubro 2026

DIREITOS SOCIAIS - Quem ataca o Bolsa Família desconhece a realidade, diz sociólogo sobre proposta de Flávio Bolsonaro

Thiago Esteves afirma que Bolsa Família é o maior programa de distribuição de renda do mundo


  Mais de 19 milhões de famílias são beneficiárias do Bolsa Família | Crédito: Lyon Santos/MDS

Por Larissa Bohrer, Lucas Krupacz e Maria Teresa Cruz*

Apontada como futura ministra da Fazenda de Flávio Bolsonaro (PL) caso ele venha a vencer o segundo turno, a economista Daniella Marques Cosentino declarou, em entrevista à Rádio CBN Bahia, que a equipe pretende ir retirando gradualmente os beneficiários do Bolsa Família.

“Quem está no Bolsa Família vai ter regra de transição, como teve na época do presidente Bolsonaro, de dois anos, para que possa abrir o seu negócio ou aceitar emprego de carteira assinada. Com uma regra de transição por dois anos e o retorno automático caso dê errado. As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família”, declarou a assessora da equipe econômica de Flávio.

A declaração gerou polêmica, já que o programa de redistribuição de renda tem alta aprovação entre os brasileiros.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o sociólogo Thiago Esteves, professor na Universidade Federal de Ciência e Inovação do Rio de Janeiro (UFCI-RJ), critica a proposta e afirma que quem ataca o Bolsa Família “não tem conhecimento da realidade”.

“O Bolsa Família é um programa social que atende 49 milhões de pessoas. Existe uma ideia ideológica de que as pessoas entram no programa porque não querem trabalhar. Mas cabe dizer que 2,5 milhões de pessoas, só esse ano, saíram do programa porque tiveram uma melhora na vida”, afirma.

Esteves critica o fato de que o bolsonarismo chama de gasto tudo que vai beneficiar a vida das pessoas mais pobres. “Não dá para saber se é ignorância ou maldade”, aponta. “Existe uma visão de que os pobres estão nessa condição porque eles querem, e é essa a visão da equipe econômica do Flávio Bolsonaro”, alerta.

O professor elogia a estrutura do programa e os mecanismos de fiscalização para que o recurso chegue, de fato, às famílias que mais precisam.

O sociólogo também destaca que já existem regras para o recebimento do benefício e até mesmo contrapartidas. “As crianças das famílias que recebem o Bolsa Família têm que estar matriculadas nas escolas e têm que comprovar o comparecimento a, no mínimo, 75% do ano letivo. A carteira vacinal também tem que estar completa e as gestantes têm que fazer o pré-natal. São medidas importantíssimas que ajudaram a mudar a cara do Brasil. A médio e longo prazo, a gente tem conseguido tirar as pessoas da pobreza extrema com medidas como essa”, aponta.

*Fonte: BrasildeFato

20 outubro 2026

‘Pra virar’: Lula reúne milhares em caminhada pelo Centro de Porto Alegre nesta segunda (19)

A seis dias do segundo turno, apoiadores ocuparam a Borges de Medeiros com bandeiras, cartazes e palavras de ordem



Por Fernanda Bastos*

A seis dias do segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu milhares de apoiadores nesta segunda-feira (19) em Porto Alegre. O ato no Centro Histórico da Capital foi organizado para mobilizar militantes e eleitores na reta final da campanha.

A Avenida Borges de Medeiros ficou tomada pela militância, que também ocupou vias laterais. A concentração começou ainda no fim da tarde, e a chegada do presidente era aguardada desde pelo menos as 16h, quando centenas de pessoas já se reuniam nos arredores do ponto de partida.

Anunciada por carros de som, a chegada de Lula mobilizou os apoiadores, que levaram cartazes com mensagens de apoio ao presidente. Também havia painéis com críticas a Flávio Bolsonaro (PL) e à extrema direita. Um deles trazia a frase “Não vamos voltar para o armário”, em referência aos direitos da comunidade LGBTQIA+ e de outras populações que podem ser afetadas por um governo conservador.

As palavras de ordem incluíam críticas ao bolsonarismo e a lideranças políticas locais, como o governador eleito Luciano Zucco (PL) e o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), que vêm fazendo campanha para Flávio Bolsonaro no RS. Um dos cânticos mais repetidos durante a passagem do presidente foi “Ele não. O filho também não”, em referência à candidatura de Flávio Bolsonaro e o pai, o ex-presidente, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Além dos cartazes, chamavam a atenção símbolos da identidade nacional, como bandeiras do Brasil e da seleção brasileira, adaptadas com o número 13, o de Lula na urna. Nas imediações, um comerciante de bandeiras arrancava sorrisos dos transeuntes ao dizer que vendia “a bandeira do Brasil, não a de Bolsonaro”.

Muitos apoiadores se surpreenderam com a chegada de Lula em um carro aberto e de baixa altura, acompanhado dos ex-governadores gaúchos Olívio Dutra e Tarso Genro, que também foram prefeitos de Porto Alegre. O veículo permitia que as pessoas trocassem olhares com o presidente, dirigissem palavras de incentivo e fizessem gravações de perto, o que costuma ser incomum em razão da necessidade de proteção das autoridades de alto escalão. A proximidade agradou a militância, que se sentiu recompensada pela espera.

A concentração na principal avenida de acesso ao Centro lembrava um desfile de carnaval, com grupos partidários e comunitários que avançavam em meio à multidão, cada qual com seu modo de expressão, que incluía bandas e cantos específicos. Lideranças da frente de esquerda também acompanharam o percurso em caminhões e carros. Entre elas estavam as deputadas Fernanda Melchionna (PSOL), Denise Pessôa (PT) e Daiana Santos (PCdobB), o coordenador da campanha de Lula no Estado, Edegar Pretto (PT), e as lideranças Paulo Pimenta (PT) e Manuela d’Ávila (PSOL).

A caminhada partiu do Largo dos Açorianos por volta das 18h15 e seguiu pela Avenida Borges de Medeiros até o Mercado Público. Um trajeto que normalmente pode ser percorrido a pé em cerca de 20 minutos levou quase duas horas, devido à quantidade de pessoas. Ao final do ato, por volta das 20h, enquanto parte dos apoiadores começava a voltar para casa, muitos ainda permaneciam nas imediações do Mercado Público e da Esquina Democrática, trocando fotos e impressões sobre a caminhada. 

Mobilização na reta final

Esta foi a segunda passagem de Lula por Porto Alegre durante a campanha presidencial. Em 11 de setembro, antes do primeiro turno, o presidente participou de um comício no Largo Glênio Peres. Na ocasião, defendeu o fortalecimento das políticas de proteção às mulheres, citou a criação do Pacto Contra o Feminicídio e falou sobre a necessidade de aprimorar as políticas de cuidado e de atenção básica. Também apontou o combate à inflação e o avanço da extrema direita como desafios de seu terceiro mandato. No primeiro turno, Lula venceu em Porto Alegre com 48,57% dos votos válidos, contra 41,86% de Flávio Bolsonaro. O resultado contrastou com o cenário estadual, onde o candidato do PL obteve 55,64%, ante 35,73% do petista. Porto Alegre foi uma das cinco capitais brasileiras em que o resultado da disputa presidencial deu derrota para Flávio.
A caminhada desta segunda-feira se soma a outras iniciativas da campanha de Lula no Estado nas últimas semanas, em mobilização para uma virada em todo o estado. No fim de semana, o ato “Mulheres com Lula” também reuniu milhares de pessoas na Orla e no Centro da Capital. Porto Alegre é considerada estratégica pela campanha petista, tanto pelo resultado do primeiro turno quanto pela disputa política na região Sul, onde a direita tem mostrado força nas urnas. 
A mobilização integra a chamada Agenda da Virada, que prevê novos atos até sábado (24). Nesta terça-feira (20), a atividade está marcada para as 18h30, no Viaduto do Brooklin, com a participação do deputado federal eleito Guilherme Cortez (PSOL-SP) e de lideranças locais, como Manuela D’Ávila, Fernanda Melchionna, Matheus Gomes (PSOL) e Giovani Culau (PCdoB).
Adversário de Lula no segundo turno, Flávio Bolsonaro também esteve na Capital na semana passada. Na quarta-feira (14), o senador participou de um ato no Largo Glênio Peres, onde fez críticas a Lula e prometeu “dar o sangue” pelo povo brasileiro. A manifestação ocorreu no mesmo dia em que o Senado votou a proposta de emenda à Constituição que reduz a jornada de trabalho e prevê o fim da escala 6×1.
Foto: Marcelo Pires/Sul21
Veja mais fotos:
Foto: Marcelo Pires/Sul21
Foto: Marcelo Pires/Sul21
Foto: Marcelo Pires/Sul21
Foto: Marcelo Pires/Sul21
Foto: Marcelo Pires/Sul21
Foto: Marcelo Pires/Sul21   
*Fonte: Sul21