19 março 2026

Em resolução, PT deixa claro que há dois projetos distintos de Nação em disputa*

Comissão Executiva Nacional destaca que projeto de Lula enfrenta privilégios históricos; o outro lado quer preservar os interesses das elites


RESOLUÇÃO POLÍTICA DA COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO PT 

16 de março de 2026 

1. O Brasil se aproxima de um momento decisivo de sua história. As pesquisas de opinião indicam um cenário de polarização política no país, resultado direto da disputa entre dois projetos profundamente distintos de nação. Não se trata apenas de uma disputa eleitoral, mas de uma escolha histórica entre caminhos opostos para o desenvolvimento do Brasil, para a democracia e para o futuro do povo brasileiro. É, sobretudo, uma disputa entre um projeto que enfrenta privilégios históricos e outro que busca preservá-los. 

2. Não temos dúvidas de que, quando esses projetos forem mais profundamente comparados com o debate público que uma campanha eleitoral permite, a maioria do povo brasileiro saberá qual lado representa seus interesses. 

3. De um lado está o Brasil que respeita a ciência, que investe nas universidades públicas, fortalece o SUS, valoriza a cultura e entende que conhecimento, saúde e educação são pilares de um projeto de desenvolvimento soberano. É também o Brasil que reconhece as desigualdades produzidas pelo racismo estrutural e defende políticas afirmativas, como as cotas raciais, fundamentais para ampliar oportunidades, democratizar o acesso à educação e formar novas lideranças negras. Do outro lado está o Brasil do negacionismo, do racismo, que sabotou a compra de vacinas durante a pandemia, espalhou mentiras contra a ciência, extinguiu o Ministério da Cultura e atacou as universidades públicas, tratando o conhecimento como inimigo e criminalizando a arte e o pensamento crítico. 

4. De um lado está o projeto que entende que a economia deve servir ao desenvolvimento do país, à geração de empregos, à distribuição de renda e à redução das desigualdades. Um projeto que valoriza os trabalhadores, as empresas brasileiras, promove investimento e desenvolvimento, fortalece o mercado interno e busca a justiça tributária, diminuindo impostos para quem vive de salário e cobrando mais dos super ricos. Do outro lado está o projeto neoliberal que governou para o mercado financeiro e trata a economia como instrumento para proteger privilégios e os interesses de banqueiros e rentistas. 

5. O escândalo do Banco Master é o retrato desse modelo. O banco foi fundado e operou livremente durante o governo Bolsonaro, período em que acumulou fortes indícios de gestão fraudulenta, corrupção e irregularidades. Diante de tantas evidências, cabe perguntar: por que o Banco Central, então sob a gestão de Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, não tomou as medidas necessárias para intervir e proteger o sistema financeiro e os recursos públicos? Criado e expandido nesse ambiente político, o banco manteve relações estreitas com setores da direita brasileira e com governos alinhados ao bolsonarismo. Não por acaso, Daniel Vorcaro e o Banco Master doaram milhões para campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, enquanto lideranças da extrema direita, como o deputado Nikolas Ferreira, utilizaram diversas vezes o jatinho de Vorcaro. Soma-se a isso o fato de que o servidor do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização da autarquia e também nomeado durante o governo Bolsonaro, atuava na prática como um empregado-consultor do próprio dono do banco. Governadores bolsonaristas chegaram a adquirir títulos podres com dinheiro público e foi o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, bolsonarista, que tentou uma manobra para salvar o Banco Master com recursos públicos. Esses elementos revelam que não se trata de um episódio isolado, mas de um sistema de relações promíscuas entre operadores políticos, interesses financeiros e setores do Estado que protege privilégios de poucos em detrimento do interesse nacional. 

6. Ao contrário, no governo do presidente Lula, as instituições de controle e investigação têm plena autonomia para atuar no combate à corrupção. Não por acaso, foi durante o Governo Lula que o Banco Master passou a ser investigado e sofreu intervenção, demonstrando que o compromisso do atual governo é com a transparência, a legalidade e a defesa do interesse público. 

7. O contraste também é evidente quando observamos os resultados econômicos recentes. O governo do Presidente Lula recolocou o Brasil no rumo do crescimento com distribuição de renda, justiça social e responsabilidade fiscal. O país voltou a crescer acima de 3%, o desemprego atingiu a menor taxa da série histórica, a renda do trabalhador voltou a subir, temos a menor inflação de um mandato presidencial desde a redemocratização, a desigualdade voltou a cair e o salário mínimo voltou a ter aumento real. O Brasil saiu novamente do Mapa da Fome e retomou políticas públicas que haviam sido desmontadas. Mostrando o acerto da política econômica coordenada pelo Ministro Fernando Haddad. 

8. No governo Bolsonaro, ao contrário, o país assistiu ao retorno da fome, à precarização do trabalho e a cenas dramáticas como as filas para compra de osso. O preço dos combustíveis disparou, chegando a nove reais o litro da gasolina em diversas regiões do país, enquanto o governo se mostrava incapaz de proteger o povo brasileiro dos efeitos da crise internacional. 

9. O governo do presidente Lula tem adotado medidas concretas e emergenciais para proteger a economia e o bolso do povo brasileiro diante das oscilações do mercado internacional de petróleo no contexto de guerras. Entre elas, estão a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, a criação de um subsídio temporário para produtores e importadores e a adoção de um imposto de exportação sobre o petróleo para compensar perdas de arrecadação e evitar impactos fiscais, agindo de forma totalmente diferente do que fez Jair Bolsonaro. O objetivo é impedir que a alta internacional do petróleo se traduza automaticamente em aumento do preço da gasolina e do diesel no Brasil. São medidas que demonstram que é possível governar pensando no bolso do trabalhador, defendendo o poder de compra da população e garantindo que os custos das crises internacionais não recaiam sobre quem vive do próprio trabalho. A atual forma de gestão da Petrobras, comprometida com o interesse público e com a soberania energética nacional, permite que o Brasil utilize seus recursos estratégicos para proteger a população e garantir desenvolvimento e estabilidade econômica. (...)

*CLIQUE AQUI para ler na íntegra (via Blog O Boqueirão Online)

18 março 2026

Resistência - Presidente de Cuba denuncia ameaças dos EUA de derrubar a ordem constitucional no país*

Díaz-Canel advertiu que qualquer tentativa de agressão externa encontrará resistência indomável por parte do povo

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel | Crédito: Handout / CUBA TV / AFP) / USO EDITORIAL RESTRITO – CRÉDITO OBRIGATÓRIO “AFP PHOTO / HANDOUT

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, denunciou a escalada da hostilidade por parte dos Estados Unidos (EUA), observando que o governo estadunidense ameaça publicamente e quase diariamente derrubar a ordem constitucional na nação caribenha pela força.

Por meio de sua conta oficial na rede social X, o chefe de Estado cubano alertou sobre as ambições imperialistas de Washington de se apoderar dos recursos, propriedades e economia da ilha, usando como pretexto as dificuldades econômicas que o próprio bloqueio dos EUA gerou ao longo de mais de seis décadas.

Díaz-Canel afirmou que a crise atual é resultado direto de uma feroz guerra econômica meticulosamente orquestrada pela Casa Branca. “Eles usam um pretexto ultrajante: as severas limitações da economia fragilizada que eles vêm atacando e tentando isolar há mais de seis décadas”, enfatizou o presidente.

O líder cubano descreveu essas ações como uma punição coletiva contra todo o povo cubano, com o objetivo de forçá-lo a se render, sufocando seus setores vitais , como energia e alimentos.

“Eles pretendem e anunciam planos para tomar o controle do país, de seus recursos, de suas propriedades e até mesmo da própria economia, que buscam sufocar para nos forçar a render “, denunciou Díaz-Canel em sua publicação.

Em um contexto de alta tensão regional, marcado pela retórica intervencionista de figuras da administração estadunidense, como o secretário de Estado Marco Rubio, o presidente cubano reafirmou a vontade soberana de sua nação.

Díaz-Canel afirmou que, diante de qualquer cenário de agressão externa, o país possui uma determinação inabalável. “Cuba está acompanhada de uma certeza: qualquer agressor externo encontrará uma resistência inexpugnável “, declarou ele sob a hashtag #CubaEstáFirme.

Esta nova denúncia surge em um momento em que a ilha enfrenta uma situação energética crítica, agravada pela Ordem Executiva 14380 dos EUA, que visa ativamente o fornecimento de combustível a Cuba numa tentativa de forçar uma mudança de regime, paralisando o país .

Guerra econômica e ameaças de intervenção imperial

O presidente Donald Trump intensificou sua hostilidade em relação a Cuba, chamando-a de “nação enfraquecida” e afirmando que seria uma honra tomar o controle da ilha pela força. Sob os auspícios da Ordem Executiva de 29 de janeiro, Washington impôs um embargo total de petróleo, classificando Cuba como uma ameaça extraordinária para justificar sanções contra países terceiros que tentem fornecer combustível.

Essa estratégia de estrangulamento econômico paralisou serviços vitais como hospitais e transportes, deixando o país sem petróleo bruto por mais de três meses. Enquanto o Secretário de Estado Marco Rubio promove essa punição coletiva como ferramenta política, o presidente Miguel Díaz-Canel denuncia essas ações como violações do direito internacional e tentativas de subjugar o povo cubano por meio da fome e da privação de energia.

Especialistas apontam que essa escalada visa desviar a atenção dos fracassos internos de Trump, como a guerra paralisada no Irã e seus baixos índices de aprovação. Diante das ameaças de intervenção para forçar uma mudança de regime, Cuba mantém uma postura de resistência, alertando que qualquer agressão externa será recebida com a determinação inabalável de seu povo.

O mundo rejeita a opressão contra o povo cubano

Apesar do bloqueio e das constantes ameaças da administração Trump, diversos países reafirmaram sua firme posição de solidariedade a Cuba, rejeitando a política de pressão máxima que busca estrangular a economia da ilha. Nações como Rússia e China lideraram a condenação internacional, classificando o bloqueio energético como uma interferência inaceitável e uma violação da soberania. Na região, a liderança do México , juntamente com os países do ALBA-TCP (como Venezuela, Nicarágua e Bolívia ), tem sido fundamental para manter o fornecimento de suprimentos e ajuda humanitária, desafiando as advertências de tarifas e sanções diretas emitidas por Washington.

Esse apoio multilateral foi fortemente sentido na Assembleia Geral das Nações Unidas, onde uma esmagadora maioria de 187 países, incluindo blocos importantes da África, Ásia e América Latina, historicamente votou contra o bloqueio, deixando os Estados Unidos e Israel em isolamento diplomático quase total. Da mesma forma, grupos de solidariedade e sindicatos em países europeus como Espanha, Itália e França organizaram comboios de ajuda humanitária para romper simbolicamente o bloqueio, demonstrando que a comunidade internacional reconhece as medidas de punição coletiva contra o povo cubano como um crime que viola o direito internacional humanitário.

A denúncia de Miguel Díaz-Canel nas redes sociais aponta que as ameaças dos EUA são um pretexto para encobrir uma guerra econômica de seis décadas que agora atinge o setor energético. Diante desse cenário de planos de estrangulamento e interferência, o presidente reafirmou que Cuba mantém uma resistência inabalável e que a soberania da ilha não está sujeita a chantagem ou à força de qualquer potência estrangeira.

*Editado por: Telesur - Via BdFConteúdo originalmente publicado em: Telesur

17 março 2026

Os arautos das pautas negativas

A grande mídia e grande parte dos chamados podcasts progressistas também agem como arautos do caos

     Microfones da imprensa | Foto: Divulgação/Agência Senado


Por Céli Pinto (*) 

Não há dúvidas de que o planeta e o Brasil estão passando por momentos de grande dificuldade política. A ascensão da extrema-direita no mundo, legitimada por eleições em democracias liberais, tem determinado um ritmo alucinante de desmonte de qualquer coisa parecida com o processo civilizatório existente no planeta.

A pergunta que os mais atentos e preocupados faziam na década de 1930 – o que sobraria depois de Hitler e do nazismo? – cabe perfeitamente nos dias de hoje. Não podemos ser ingênuos e repetir velhas e surradas fórmulas, como a de que Hitler era um louco e Trump também o é. Se ambos são insanos, não tem a menor importância; o importante são as condições de emergência que deram espaço para que tais lideranças se criassem. A Europa, a famosa civilizada, culta e democrática Europa, se comporta novamente da mesma forma, fazendo cara de paisagem, quando não apoiando, sem pudor, os desvarios de uma extrema-direita que sabe muito bem o que quer. Exceção honrosa deve ser feita ao governo espanhol, na pessoa de seu primeiro-ministro, Pedro Sánchez.

Também não há dúvidas de que o total desarranjo internacional se reflete na política dos países periféricos, por mais distantes que estejam das guerras, e aí se encontra o Brasil. O caos inaugurado pelo segundo governo de Trump tem respingado na política brasileira de forma não desprezível: cassação de passaportes de autoridades, imposição de tarifas exorbitantes, ameaça de considerar como terroristas os grupos marginais do crime organizado, envio de um assessor da ultra-extrema-direita para visitar Bolsonaro na prisão e, por último, mas não menos importante, sugestão de mandar presidiários estrangeiros condenados nos EUA para prisões brasileiras.

Mas o governo brasileiro, através de sua eficiente diplomacia e da própria intervenção do presidente Lula, tem dado conta razoavelmente bem, até agora, das ameaças estadunidenses.

Ademais, temos um governo que, em seu quarto ano de mandato, está entregando um país completamente recuperado de um quadro de absoluto destrambelhamento recebido do governo Bolsonaro em todas as áreas. É o melhor governo do mundo? O governo Lula poderia ter feito mais em muitas áreas? Não, não é o melhor governo do mundo (na verdade, tenho minhas dúvidas…), mas o governo, apesar de ser vítima de sequestro pelo reacionarismo nada ético de parte do Congresso Nacional, que cobra muito caro por qualquer apoio, tem feito muito. Basta um olhar atento para os dados da economia, do desemprego, das políticas sociais, para as políticas  dirigidas à saúde, à educação, para a reforma fiscal e os novos limites de pagamento do Imposto de Renda, para vislumbrar um quadro que nos permite olhar para o futuro, por mais difícil que ele seja após as guerras trumpistas, sem pânico.

A despeito disso, aí entra uma variável que ameaça todos os esforços que o governo tem feito para minimizar as consequências da herança maldita e do cenário caótico internacional, que atende pelo nome de mídia, a mesma que se jacta de ser livre, objetiva e, no limite, salvadora da democracia brasileira.

O argumento que gostaria de dividir com o leitor e a leitora, sem nenhuma aproximação a teorias conspiratórias, que abomino, é que a mídia brasileira está, de forma muito aberta e simplista, para não dizer simplória, reduzindo a política brasileira a um amontoado de escândalos com nome e sobrenome. E não me refiro aqui apenas à grande mídia, a culpada de sempre, mas também a  quase todos os podcasts ditos progressistas e antifascistas, que não vou nomeá-los, para não correr o risco de ser processada, como tem, repetindo a exaustão, o âncora de um deles.

A grande mídia e grande parte dos chamados podcasts progressistas também agem como arautos do caos. Parecem estar simplesmente em busca de audiência e sabem que o sensacionalismo com nomes e sobrenomes, escândalos com vultuosas somas e troca de mensagens íntimas entre um meliante fantasiado de banqueiro e sua namorada alimentam o apetite popular. E esta figura abjeta, que gasta dezenas de milhões de reais em festas patéticas para se manter com a cabeça fora d’água, aparece na mesma página de uma instituição como o Supremo Tribunal Federal, criando uma mélange geral.

Quem não é profissional das ciências humanas, mas cidadão e cidadã que têm a vida levada pelos afazeres e preocupações cotidianas, percebe Vorcaro, Toffoli, Alexandre de Moraes, Banco Master, Supremo Tribunal Federal e INSS como a mesma coisa, todos ligados equivocadamente ao governo do presidente Lula. Isso acontece não porque sejam ignorantes, despreparados ou politicamente infantis, mas porque resultam da construção deliberada de um sujeito político mal informado. Não estou aqui defendendo quem quer que seja a priori, até porque o mundo dos privilégios, alguns mais do que imorais ilegais, brasilienses está aí para quem quiser ver há décadas. Quero apenas chamar a atenção para um perigoso e, para mim, pouco sério deslocamento que vem acontecendo, protagonizado pelos chamados formadores de opinião. Estes, na maioria das vezes, não honram o grande teórico da comunicação e da esfera pública Jürgen Habermas, morto recentemente aos 96 anos. 

Se tal postura é feita sem intenção pela mídia de todas as cores, desculpem-me, formam um agrupamento de incompetentes, incapazes de entender a complexidade do momento. Se agem assim por acharem que dá audiência, doem, como diz certo comediante. A hegemonia da pauta negativa não pode ser entendida como “é o que é notícia”, mas como o que vem sendo construído como notícia única. Não há inocentes nesta jogada, como não havia na década de 1930 na Europa.

(*) Professora emérita da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, cientista política e historiadora.

Fonte: Sul21

15 março 2026

Entrevista - Pedro Serrano: Lula é o alvo final do ataque ao STF

Jurista afirma que ataques contra Alexandre de Moraes e outros ministros alimentam uma estratégia da direita para enfraquecer a democracia

Pedro Serrano: Lula é o alvo final do ataque ao STF (Foto: Antonio Augusto/STF | Divulgação)


247* – O jurista Pedro Serrano afirmou, em entrevista à TV 247, que a escalada de ataques contra o Supremo Tribunal Federal e, em especial, contra o ministro Alexandre de Moraes, não pode ser analisada de forma isolada nem simplificada. Para ele, a ofensiva política, midiática e parlamentar em curso ultrapassa a figura de um magistrado e integra um movimento mais amplo, cujo objetivo é enfraquecer as instituições democráticas e atingir o presidente Lula.

Ao participar de debate no canal, Serrano sustentou que o caso vem sendo explorado de maneira perigosa pela direita e pela extrema direita, que tentam transformar suspeitas, vazamentos e notícias ainda sem comprovação material em instrumento de desestabilização institucional. Em uma das falas centrais da entrevista, ele foi direto: “É óbvio que o alvo é Lula, mas não é que é Lula o alvo final. O alvo final é a democracia, são os direitos”.

Ataques ao Supremo e o alvo político da ofensiva

Ao longo da entrevista, Serrano reagiu à intensificação de pressões por CPI, impeachment de ministros do STF e até falas públicas defendendo o fechamento da Corte. Para ele, esse ambiente não corresponde a uma crítica republicana ao Judiciário, mas a uma investida destrutiva contra a própria democracia brasileira.

Segundo o jurista, “defender a Constituição é defender o Supremo Tribunal Federal” e, no atual cenário político, não há separação entre a preservação da ordem democrática e a defesa do campo que derrotou o bolsonarismo em 2022. Em sua avaliação, o sentido político do ataque é evidente: “Defender a Constituição Democrática é defender a candidatura Lula. Eu não tenho a menor dúvida nisso”.

Serrano argumentou que o Supremo teve papel decisivo na contenção de investidas autoritárias recentes e, por isso, tornou-se alvo prioritário dos setores que pretendem reabrir um ciclo de ruptura institucional no País. Para ele, o discurso que mistura denúncias ainda inconclusas com pedidos de afastamento de ministros e campanhas de destruição da Corte representa um “imenso tiro no pé” para os democratas.

Complexidade do caso exige cautela, diz Serrano

O conselheiro editorial do Brasil 247 afirmou que o tema é complexo e que justamente por isso deve ser tratado com responsabilidade. Em sua análise, uma das formas de evitar o autoritarismo é não simplificar questões que exigem distinções institucionais delicadas.

Ele defendeu a preservação da autonomia entre os sistemas democrático, midiático e judicial, sem que um pretenda substituir o outro. Nesse ponto, criticou tanto eventuais abusos judiciais contra a imprensa quanto a tentativa de setores da mídia de assumir o papel de julgadores.

Para Serrano, o jornalismo tem legitimidade para divulgar informações de interesse público, inclusive sobre contratos, suspeitas e conflitos potenciais envolvendo pessoas próximas a autoridades. Mas traçou uma linha clara entre noticiar e sentenciar: “A imprensa não faz juízos de justiça, ela divulga informações e tem proteção para isso”.

Na mesma linha, ele condenou a passagem imediata da notícia para a condenação política sumária. Ao comentar manifestações públicas que defenderam impeachment de ministros e até o fechamento do STF com base em apurações ainda preliminares, afirmou: “Falar em fechar o Supremo, falar em impeachment de ministro com base em notícia que acabou de sair, isso é óbvio que não é uma crítica republicana, é uma crítica que quer destruir a democracia”.

Relação entre imprensa, Justiça e democracia

Um dos eixos mais fortes da entrevista foi a defesa da necessidade de equilíbrio institucional. Serrano afirmou que tanto o jornalismo quanto a advocacia são essenciais à democracia e não podem ser tratados de maneira seletiva. Ao mesmo tempo em que condenou qualquer medida de censura contra jornalistas ou de quebra arbitrária de sigilo de fonte, também rejeitou o que classificou como devassa indevida sobre a relação entre advogado e cliente.

Em seu entendimento, contratos elevados de escritórios de advocacia só podem se converter em objeto legítimo de investigação criminal quando houver indícios concretos de comportamento ilícito do agente público eventualmente relacionado ao caso. Até aqui, segundo ele, esse patamar não foi atingido. “Até agora eu não vi nada concreto”, afirmou.

Ao comentar a controvérsia envolvendo a advogada Viviane Barci, Serrano insistiu que a advocacia empresarial de alto nível opera com formatos contratuais complexos, inclusive com parcerias entre escritórios. Ele observou que avaliações apressadas sobre honorários, pareceres e tempo de produção de trabalhos jurídicos tendem a distorcer a realidade da atividade profissional.

Vazamentos seletivos e pré-julgamento

Serrano foi enfático ao condenar vazamentos seletivos de investigações em andamento. Segundo ele, esse tipo de prática atinge dois pilares centrais: o direito das pessoas envolvidas e a própria eficácia das apurações. Em sua formulação, “a investigação que não é sigilosa não funciona”.

O jurista afirmou que a divulgação criminosa de trechos pinçados de inquéritos favorece tanto a destruição de reputações quanto a obstrução das investigações, já que permite que suspeitos organizem defesas, escondam provas e reajam antes da conclusão dos procedimentos legais. Para ele, transformar uma investigação ampla em espetáculo focado apenas no STF serve para desviar a atenção de outros interesses poderosos eventualmente implicados.

Serrano disse ainda que jornalistas podem receber e publicar informações vazadas, mas advertiu que esse material deve ser tratado com extremo rigor ético e técnico, justamente porque provém de uma origem ilícita. Em uma das falas mais incisivas da entrevista, declarou: “O jornalista pode receber uma informação criminosamente vazada de um agente policial e divulgar. Juridicamente ele não responde por nada, nem deve responder, mas ele tá recebendo informação que é um crime”.

A partir daí, fez uma advertência ao campo jornalístico: “Ele tem que tomar cuidado com essa informação, porque se o sujeito comete um crime para vazar informação para ele, que tem algum interesse”. Em sua avaliação, o risco de manipulação política ou econômica é evidente quando o profissional não investiga a rede de interesses por trás do vazamento.

Exposição da intimidade e misoginia

Outro ponto contundente da entrevista foi a crítica à divulgação de conversas de natureza íntima, inclusive envolvendo a ex-namorada do banqueiro Daniel Vorcaro. Serrano classificou esse tipo de exposição como perverso, desprovido de interesse público e revelador de um componente misógino.

Segundo ele, a circulação desse material representa grave violação de direitos fundamentais. “Essa moça, ex-namorada do Vorcaro, vê a intimidade dela revelada dessa forma pública”, disse. Em seguida, endureceu o tom: “Isso é perverso e mais do que isso, é uma extrema vulneração ao direito de intimidade dela e uma forte manifestação misógena”.

Na avaliação do jurista, a utilização de elementos privados e sexuais sem relação objetiva com o objeto da investigação não apenas degrada o debate público, como corrói parâmetros mínimos de civilidade jurídica e ética jornalística.

O papel da Polícia Federal e os limites da autonomia

Questionado sobre a atuação da Polícia Federal e sobre a possibilidade de vazamentos internos usados para atingir politicamente o governo, Serrano defendeu uma distinção entre autonomia funcional e impunidade administrativa. Ele reconheceu que a PF, como polícia judiciária, tem autonomia na condução de investigações, mas ressaltou que não possui liberdade para cometer crimes funcionais.

Nesse ponto, sustentou que o governo e a direção da PF têm o dever de agir quando houver indícios de vazamento ilícito. “Eles não têm autonomia para cometer crime”, afirmou. Em seguida, reforçou: “Vazar informação sigilosa é crime e crime grave quando é um policial que faz, porque prejudica a própria investigação”.

Sobre a hipótese citada no debate de que integrantes da PF estariam cogitando a prisão do filho do presidente Lula, Serrano classificou o simples vazamento dessa possibilidade como um fato gravíssimo. “Se existe a pretensão de algum delegado ou agente prender o filho do presidente Lula, ele cometeu crime de vazamento de informação por ter divulgado isso”, declarou.

Mais adiante, defendeu providências duras caso a autoria seja confirmada: “Ao detectar qual foi o agente da Polícia Federal que fez isso, tem que ser afastado das suas funções, aberto o processo para ser demitido”.

CPI, sigilo e responsabilização

Serrano também abordou a atuação das CPIs e disse que o acesso a material sigiloso não autoriza sua divulgação pública. Para ele, parlamentares, assessores ou quaisquer agentes que revelem ilegalmente conteúdo protegido também cometem crime e devem ser investigados.

Em sua avaliação, o compartilhamento de dados íntimos ou irrelevantes para o objeto da investigação deveria ter sido submetido a filtros rigorosos, com supressão de trechos sem interesse público. A divulgação indiscriminada, disse, afronta direitos e pode contaminar todo o ambiente institucional em torno do caso.

Embora tenha reconhecido que a responsabilização por vazamentos oriundos de CPIs historicamente enfrenta dificuldades, Serrano afirmou esperar que a apuração alcance todos os envolvidos, inclusive fora da PF, se houver provas.

Sem “passar pano”, mas com responsabilidade institucional

Ao longo do debate, Serrano insistiu que defender cautela, devido processo legal e contenção institucional não significa blindar ministros ou impedir investigações. Ao contrário, ele afirmou explicitamente que ministros do Supremo devem ser investigados se houver base fática e autorização formal para isso.

Sua divergência está na tentativa de substituir o rito legal por campanhas de demolição política. “Não tô contra investigar ministro, não”, afirmou. Mas emendou que não se pode propor cassação, impeachment ou fechamento da Corte “por causa de uma notícia de jornal”.

Essa é, talvez, a síntese central de sua intervenção: a democracia exige controle, investigação e liberdade de imprensa, mas também exige limites, provas e responsabilidade. Quando esses freios são abandonados, o que entra em cena não é justiça, mas uma engrenagem de exceção já conhecida da história recente do Brasil.

Ao fim, Serrano reiterou que o momento pede serenidade e firmeza institucional. Em sua leitura, a instrumentalização do caso para atingir o STF, desgastar o governo e cercar politicamente o presidente Lula compõe uma estratégia mais ampla de ataque à democracia brasileira. E deixou claro o seu alerta: “Entrar nessa vibe destruidora do Supremo, que a extrema direita, aliás, faz no mundo inteiro em relação ao judiciário hoje, me parece um imenso erro”.

*Fonte: Brasil247

13 março 2026

Quinze anos de Brasil 247: a comunicação do lado certo da História, que forma consciência e tem compromisso com o Brasil

Levar a sociedade brasileira da desinformação à verdade, da ignorância à consciência, da dependência à soberania. A frase que sintetiza nossa missão histórica

   15 anos do Brasil 247 (Foto: Brasil 247)

Por Leonardo Attuch*

Neste 13 de março de 2026, o Brasil 247 completa quinze anos de existência reafirmando os princípios que orientaram sua trajetória desde a publicação da primeira notícia, nesta mesma data, no já distante 2011: compromisso com a democracia, defesa dos interesses nacionais, busca rigorosa da verdade, fortalecimento da consciência crítica da sociedade e atuação jornalística voltada à construção de um Brasil soberano, justo e protagonista em uma ordem multipolar.

Ao longo deste período, o Brasil 247 se consolidou como um projeto de comunicação comprometido não apenas com a divulgação de fatos, mas também com a interpretação dos processos políticos, econômicos e sociais que moldam a realidade brasileira e internacional. Em um tempo marcado pela avalanche de informações, pela guerra de narrativas e pela disseminação da desinformação, o exercício do jornalismo exige agilidade, mas também contexto, responsabilidade, independência editorial e clareza de propósito.

Foi a partir dessa compreensão que o Brasil 247 construiu sua identidade. Desde o início, o projeto se propôs a ser um veículo comprometido com a qualidade da informação e com a ampliação da capacidade crítica da sociedade brasileira. A informação, quando produzida com rigor e responsabilidade, não apenas esclarece acontecimentos: ela permite compreender estruturas, identificar interesses em disputa e situar o Brasil em seu tempo histórico.

Essa visão levou o Brasil 247 a ocupar, em momentos decisivos da vida nacional, uma posição clara e coerente. Estivemos na linha de frente da denúncia do golpe de estado de 2016 contra a presidenta Dilma Rousseff, quando parte expressiva da mídia tradicional optou por naturalizar a ruptura democrática. Também denunciamos, de forma sistemática, o lawfare empreendido contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontando o uso político do sistema de Justiça como instrumento de perseguição e desequilíbrio institucional.

Ao agir dessa forma, o Brasil 247 não apenas tomou posição diante de episódios centrais da história recente do País. Também reafirmamos uma concepção de jornalismo segundo a qual neutralidade diante da injustiça, da manipulação e da ruptura democrática não é isenção: é cumplicidade. Estar do lado certo da História significou, nesses anos, defender a legalidade democrática, os direitos políticos do maior líder popular da história do País, a soberania nacional e o direito do povo brasileiro de decidir seu próprio destino.

Essa mesma linha editorial levou o Brasil 247 a acompanhar e apoiar o processo de reconstrução democrática do País, incluindo a luta pela volta do presidente Lula ao poder e a defesa, desde já, de sua reeleição, por compreender que seu projeto político está vinculado à retomada do desenvolvimento, à valorização do Estado nacional, à inclusão social e à afirmação soberana do Brasil no cenário internacional.

Ao completar quinze anos, o Brasil 247 também reafirma que sua atuação não se restringe ao campo estrito da política institucional. Seu compromisso é mais amplo: trata-se da defesa permanente dos interesses nacionais e do direito ao desenvolvimento com justiça social. Em um mundo atravessado por transformações geopolíticas profundas, pela emergência de uma ordem multipolar e pela reorganização das relações de poder globais, o Brasil necessita de um jornalismo capaz de compreender a centralidade desses processos e de situar o País como sujeito histórico, e não como mero objeto das decisões alheias.

Por isso, neste aniversário de quinze anos, atualizamos e apresentamos de forma ainda mais clara a formulação que sintetiza nossa missão histórica e editorial: 

Levar a sociedade brasileira da desinformação à verdade, da ignorância à consciência, da dependência à soberania.

A nova formulação não representa uma ruptura com o caminho percorrido até aqui. Ao contrário: ela condensa, em termos mais diretos, o sentido do trabalho desenvolvido desde 2011. Combater a desinformação significa defender o jornalismo como instrumento de esclarecimento público. Levar da ignorância à consciência significa fortalecer a capacidade crítica da sociedade, ampliando a compreensão sobre os processos que definem a vida nacional. E conduzir da dependência à soberania significa afirmar o direito de o Brasil construir seu próprio projeto de desenvolvimento, com autonomia, justiça social e protagonismo internacional.

Essa missão traduz uma visão de País e uma concepção de jornalismo. Traduz a convicção de que a democracia depende de cidadãos bem informados, de que a informação de qualidade é condição para a emancipação coletiva e de que a soberania nacional exige também soberania informacional, cultural e política.

Quinze anos depois de sua fundação, o Brasil 247 renova, assim, seu compromisso com um jornalismo ético, independente e intelectualmente engajado com o futuro do Brasil. Renova sua disposição de contribuir para o debate público, enfrentar a desinformação, qualificar a compreensão da realidade e defender, sem ambiguidades, a democracia, os interesses nacionais e o desenvolvimento com justiça social.

Mais do que celebrar uma trajetória, este aniversário marca a reafirmação de um sonho coletivo. Um projeto jornalístico, político no sentido mais elevado da palavra e comprometido com a construção de um Brasil mais consciente, mais soberano, mais democrático e mais justo.

Conheça a missão do Brasil 247.

Leia a carta-manifesto do Brasil 247.

Conheça os dez princípios editoriais do Brasil 247.

*Jornalista e editor-responsável pelo 247 (fonte desta postagem)

12 março 2026

A visão externa sobre o país, e o pessimismo militante da mídia, por Luís Nassif*

Volta do procurador que inventou as pedaladas tem intenção clara: desmerecer os bons indicadores da economia por guerra eleitoral.

   Foto de Marcelo Camargo - Agência Brasil [Presidente Lula e Márcio Pochmann]


Pedi ao Gemini, o IA do Google, um resumo do que a imprensa ocidental e a chinesa falaram do Brasil durante o dia de ontem.

Deu isso:

1. Cenário Internacional: na imprensa Ocidental Brasil em Foco

O Brasil amanhece sob os holofotes da imprensa internacional, que destaca o país como um pilar de estabilidade institucional e parceiro estratégico indispensável no cenário global. A iminente cúpula entre os presidentes Lula e Donald Trump é o principal assunto, com os Estados Unidos buscando garantir o fornecimento de terras raras e lítio para reduzir sua dependência da China.

  • No campo econômico, a perspectiva é otimista. Agências como Reuters e o Wall Street Journal repercutem os dados positivos da inflação e a expectativa de manutenção da meta fiscal, posicionando o Brasil como um dos destinos preferenciais para capital estrangeiro em 2026.
  • Além disso, a cooperação militar brasileira na vigilância das fronteiras amazônicas é vista pela imprensa europeia como fundamental para a contenção de crises e a manutenção da segurança na América do Sul.

2. Imprensa Chinesa (Xinhua, Global Times e CGTN)

  • Na China, a cobertura da imprensa estatal destaca o Brasil como seu principal parceiro estratégico de longo prazo na América Latina, com foco no fortalecimento do bloco BRICS.
  • A agência de notícias Xinhua elogia a postura diplomática brasileira no conflito do Oriente Médio, enaltecendo a decisão do país de “não ceder a pressões” e manter uma neutralidade ativa, em linha com a posição de Pequim.
  • No front econômico, a estabilidade do agronegócio brasileiro é tratada como uma questão de segurança nacional pela mídia chinesa. O jornal Global Times anuncia novos investimentos em portos no Nordeste para garantir o fornecimento de soja e milho, visto como vital diante de possíveis bloqueios logísticos globais.
  • Por fim, o Brasil é apresentado como um laboratório para o futuro, com o People’s Daily destacando parcerias em energia limpa e tecnologia, como o hidrogênio verde e a expansão de carros elétricos chineses na região.

3. Resumo do Clima Econômico nos Jornais Brasileiros:

O tom é de “respiro tenso”. O mercado celebra a trégua no preço do petróleo, mas os editoriais de política e sociedade focam na queda da aprovação do governo devido ao custo de vida e na crise de grandes empresas nacionais.

Esse será o jogo durante 2026, com a mídia exercitando diuturnamente o pessimismo e procurando jogar o caso Master nas costas do governo, além da fabricação de falsos escândalos.

É significativa a volta do procurador do Tribunal de Contas da União, Júlio Marcelo de Oliveira, que inventou as pedaladas fiscais que embasaram o impeachment de Dilma Rousseff, agora investindo contra o presidente do IBGE, Márcio Pochmann, e insinuando a possibilidade de manipulação dos dados em ano eleitoral. A intenção óbvia é desmerecer os bons indicadores da economia, um dos trunfos de Lula.

É importante notar que Júlio Marcelo volta à cena política pelas mãos de Miriam Leitão, colunista de O Globo e, durante a Lava Jato e o impeachment, a jornalista que mais se empenhou na produção de fatos negativos, alguns claramente manipulados

As suspeitas de Júlio Marcelo foram levantadas por Miriam mesmo antes da posse de Pochmann. Fica nítido, portanto, que a “denúncia” foi articulada por ela.

Leia o artigo “Com a Lava Jato 2, a volta do criador das ´pedaladas´” para entender o tamanho da armação.

Para Miriam se expor novamente, é sinal maior de que as Organizações Globo recorreram novamente ao apito de cachorro, para enquadrar seus jornalistas em mais uma guerra santa. Ontem, comentaristas da Globonews “acusavam” o governo de tentar jogar a crise do Master na conta de Roberto Campos Neto.

As pesquisas eleitorais

Há alguns pontos a se considerar para as eleições, à luz desse tiroteio da grande mídia.

Flávio Bolsonaro, por enquanto, está jogando sozinho. Significa que o jogo ainda não começou para valer. O homem que, pouco tempo atrás, propôs que os Estados Unidos bombardeassem a Baía de Guanabara, agora é apresentado como um símbolo da moderação.

Seu currículo é escondido, as suspeitas de lavagem de dinheiro, de ligação com o escritório do crime, o subfaturamento na compra de uma mansão em Brasília, tudo é ignorado pela mídia.

Mas, por enquanto, é campanha de um lado só. Por isso mesmo, as pesquisas eleitorais servem de aviso, mas não podem ser superestimadas. Quando o outro time entrar em campo, o jogo se inverte. As fragilidades de Flávio serão expostas e as conquistas do governo serão apregoadas.

O ponto que pega é uma Selic a 15%.

*Fonte: GGN

11 março 2026

Jornada Continental pelo Direito à Migração e em Defesa da Soberania Nacional - Dia 12/03, em Porto Alegre/RS

 


Jornada exaustiva - ‘A redução da jornada de trabalho é plenamente sustentável’, diz Luiz Marinho sobre a PEC da escala 6×1

Proposta é uma das principais apostas do governo Lula neste ano

Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (à direita), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) | Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Por Luiza Melo*

O fim da escala 6×1 foi tema de debate na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (10). Na ocasião, o colegiado convidou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que defendeu a redução da jornada de trabalho e disse que a proposta é “plenamente sustentável” do ponto de vista econômico.

“Nós temos que, de fato, fazer a escuta com os setores da economia, com vários setores, e analisar conjuntamente qual é o melhor para a economia brasileira. Nós estamos seguros que a redução de jornada para 40 horas semanais é plenamente factível, é plenamente e sustentável. Até porque nós já perdemos a oportunidade de estar a 40 horas [semanais] há muitos anos”, declarou. 

Para o ministro, a redução da jornada laboral levaria ao aumento da produtividade, melhoria da qualidade de vida e a diminuição de doenças psíquicas desencadeadas por uma jornada exaustiva. Ele ainda disse que é preciso se espelhar em outros países que já adotam um modelo moderno. “Nós estamos num país global e, portanto, temos que enfrentar esse debate, participar desse debate e com muita ciência, com muito estudo ir avançando”.

A proposta é uma das principais apostas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste ano. O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou as ruas em 2025 a partir da mobilização do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que denuncia os efeitos da jornada exaustiva de trabalho sobre a saúde física e mental dos trabalhadores brasileiros.

Resistência

Os possíveis impactos na economia estão entre as principais resistências em relação à proposta. Alguns setores alegam que a aprovação do texto desencadearia em colapso econômico e prejuízos financeiros aos empregadores. 

Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado em 10 de fevereiro, concluiu que a redução da jornada para 40 horas semanais teria impacto inferior a 1% no custo operacional de grandes setores como indústria e comércio

Na avaliação de Marinho, a redução para 36 horas semanais não é viável no momento do ponto de vista econômico. “Nós estamos falando que, no momento, a economia suporta a redução para 40 horas semanais, não 36 horas semanais. Se o parlamento brasileiro desejar caminhar para estabelecer a jornada máxima do Brasil em 36 horas semanais, tem que calcular no tempo melhor. Na nossa avaliação não caberia implantar imediatamente as 36 horas semanais”, alegou.

Há também um esforço de lideranças da direita para barrar a votação no Congresso. Em um evento com empresários, os presidentes do PL, Valdemar da Costa Neto, e do União Brasil, Antônio Rueda, assumiram publicamente que trabalharam para atrasar a análise. Para os caciques, o tema às vésperas das eleições pode fortalecer a reeleição de Lula. 

No entanto, nos últimos meses, houve uma inclinação favorável do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de pautar o projeto. A principal legenda a encabeçar a iniciativa hoje é o Partido dos Trabalhadores (PT). A sigla entende a necessidade de dar apoio ao andamento do texto e que o Centrão entendeu a “urgência e sensibilidade” do tema a ponto de caminhar com a proposta.

Relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que está em análise na Casa Legislativa, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) afirma que está na hora de pôr fim à escala 6×1, vista pelo parlamentar como uma “escravidão moderna”. 

“Esse debate, na minha opinião, é um debate vitorioso na sociedade brasileira. Não é exceção, é regra. A sociedade fez uma opção. Nós, legisladores, devemos ou não confirmar esta opção da sociedade brasileira pelo modelo da escala de trabalho. Ou seja, quantos dias ele quer trabalhar. E a sociedade fez a opção 5×2. Não é 4×3, não é 6×1, é 5×2. Essa é minha opção”, pontuou. 

Mulheres são as mais afetadas

O impacto da escala 6×1 recai principalmente sobre as mulheres, que, muitas vezes, precisam manter dois turnos de trabalho, se dividindo entre e a jornada laboral e o trabalho doméstico não remunerado. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2022, as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas, enquanto os homens dedicam 11,7 horas.

A deputada Lídice da Mata (PSB-BA) alegou que a luta pela redução da jornada de trabalho está intrinsecamente ligada ao movimento de mulheres. “As mulheres brasileiras que trabalham, querem essa jornada diminuída. Eu sou uma mulher que defende a família, especialmente, a família dos que mais precisam nesse país”, pontuou. 

Segundo a parlamentar, as empregadas domésticas e as mulheres pobres são as que mais sofrem com a jornada dupla. “São para estas que nós estamos lutando contra a jornada 6×1, por uma jornada de trabalho digna que permita que o trabalhador e que a trabalhadora brasileira, possa ter direito à vida dedicada à sua família”, completou. 

Diferentes propostas 

Hoje, diferentes propostas sobre a redução da jornada de trabalho tramitam simultaneamente no Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados, estão apensadas a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), que propõe jornada de 36 horas semanais no modelo 4×3, e a PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que prevê redução gradual até 36 horas. 

Também na Câmara está o PL 5989/2025, de autoria do deputado Vicentinho (PT-SP), que fixa a jornada máxima em 40 horas semanais. No Senado, a PEC 148/2015, apresentada pelo senador Paulo Paim (PT-RS), estabelece redução inicial para 40 horas com diminuição progressiva.

O protagonismo para a pauta já é calculado pelo PT, que pretende usar como bandeira de campanha eleitoral em qualquer contexto. Caso seja aprovada, a PEC será usada como mais uma vitória popular para o Brasil. Somada à isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o fim do 6×1 entraria em um pacote de entregas considerado “transformador” para o país.

Além da CCJ, será criada uma comissão especial para discutir o tema na Câmara. A ideia é que o texto passe por essas comissões em abril para ser votado em maio no plenário.

*Editado por: Maria Teresa Cruz - Fonte: BdF