*Caetano Veloso e Gilberto Gil
Médica cubana participa de agendas na Europa para falar sobre os impactos das sanções econômicas ao seu país
Por Mônica Cabanas*
Médica pediatra e referência internacional na área da saúde e da cooperação internacional, a cubana Aleida Guevara está na Europa nos meses de março e abril de 2026, participando de uma intensa agenda de debates, conferências e encontros públicos.
A passagem pelo continente incluiu atividades em países como Espanha, Alemanha e Suíça, dentro de iniciativas que reúnem jornalistas, profissionais da saúde e movimentos sociais e sociedade em geral para discutir a realidade cubana e os impactos das sanções econômicas sobre o país.
Ao longo da turnê, Aleida Guevara integrou mesas de debate e diálogos públicos em cidades como Berlim, Frankfurt e Berna. Na capital alemã recebeu, no dia 11 de abril, o Prêmio Rosa Luxemburgo 2026, concedido pelo jornal junge Welt, em reconhecimento à sua trajetória como médica e ao seu trabalho continuado em ações de solidariedade e cooperação em saúde.
Filha de Ernesto Che Guevara, Aleida construiu uma trajetória própria, marcada pela atuação no sistema público de saúde cubano e pela participação em missões médicas internacionais.
Na entrevista exclusiva ao Brasil de Fato RS, ela comenta a conjuntura atual de Cuba, os desafios impostos pelo cenário geopolítico e a importância do diálogo entre povos frente a um mundo atravessado por crises e desigualdades. (...)
*CLIQUE AQUI para ler na íntegra a entrevista (via BdF)
Agremiação se uniu à frente de esquerda que já contava com PDT, PT, PCdoB, PV, Rede Sustentabilidade e PSB
Foto: Cristiane LeitePor Fernanda Bastos*
O PSOL formalizou nesta quarta-feira (22) o apoio à candidatura ao Palácio Piratini de Juliana Brizola (PDT). A chapa encabeçada por Juliana tem Edegar Pretto (PT) como candidato a vice-governador. Com a formalização do PSOL, o bloco ainda deve lançar, para disputar o Senado, as candidaturas de Manuela d’Ávila, do PSOL, e Paulo Pimenta, do PT. A composição reúne também PCdoB, PV, Rede Sustentabilidade e PSB.
Na semana passada, o PT já havia formalizado o apoio à candidatura de Juliana, seguindo orientação da direção nacional do partido, que visa a fortalecer a chapa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa era de que todos os partidos da aliança também se juntassem aos petistas, mas o PSOL iniciou uma discussão para referendar, em suas instâncias internas, a decisão.
O apoio foi sacramentado no feriado (21) e formalizado nesta quarta-feira (22), na sede do PDT. Diversas lideranças dos partidos apoiadores da chapa de Juliana se reuniram nesta tarde na sede dos pedetistas, em Porto Alegre. Durante o encontro, o vereador e presidente municipal do PSOL, Roberto Robaina, reafirmou que “o apoio crítico não diz respeito à campanha, mas ao governo”, referindo-se à intenção do partido de separar o momento da eleição com o da disputa por ocupação de cargos em um eventual governo de Juliana, assim como da independência política da bancada na Assembleia Legislativa. Na ocasião, o PSOL entregou um documento com dez pontos que considera importantes para o programa, como a política do cuidado e a agenda de proteção ao meio ambiente.
Juliana salientou a importância do ingresso do PSOL na campanha contra a extrema direita no RS e no país. “É uma grande demonstração do nosso campo, porque a direita é organizada e a gente sofria essas críticas de a esquerda não se unir, mas chegou a um limite, que essa necessidade foi maior que nossas diferenças. E que bom, porque sentar na mesa com gente que pensa igual é uma tarefa muito fácil para nós. Porque ficar do lado do povo mais sofrido nunca foi tarefa fácil”. Juliana também minimizou as ilações de falta de unidade que possam gerar o conceito de apoio crítico do PSOL. “O motivo que está fazendo a gente se unir é algo muito maior. Ninguém está fazendo aqui uma união de faz de conta, de que vai sentar no sofá de casa até a eleição. Porque a gente não pode. Todos esses partidos que fazem parte dessa aliança, dessa coligação, trabalham há muito tempo pelo povo brasileiro, mesmo que com diferenças”, destacou Brizola.
Edegar Pretto enfatizou a unidade alcançada ainda na preparação da campanha e reafirmou que o campo da esquerda estará forte para enfrentar a extrema direita nas esferas estadual e nacional. “A gente não vai recuado, a gente vai organizado, com força. A escolha que fizemos tem como prioridade o projeto nacional e a mudança aqui no RS”, comemorou.
Durante o encontro, as lideranças dos partidos fizeram menção ao crescimento do campo da direita, que nesta eleição vai ser representada pelo pré-candidato ao governo do RS deputado federal Luciano Zucco (PL). A chapa ainda deverá ter como vice a deputada estadual Silvana Covatti (PP), em a aliança entre PL, Progressistas, Novo, Republicanos e Podemos.
Conforme o coordenador de campanha de Juliana Brizola, Vieira da Cunha, as reuniões para elaboração do futuro programa de governo da aliança começam na próxima segunda-feira com a presença de todos os partidos aliados. O objetivo é fazer o debate culminar em um seminário, em junho, como preparação para as convenções partidárias, que, no pleito deste ano, devem acontecer entre 20 de julho e 5 de agosto.
*Fonte: Sul21
Casas do programa Minha Casa, Minha Vida. Foto: Reprodução
Por Francine Eustáquio*
As novas regras do Minha Casa, Minha Vida entram em vigor nesta quarta-feira (22) com ampliação relevante do acesso ao financiamento habitacional. O programa passa a atender famílias com renda de até R$ 13 mil e imóveis de até R$ 600 mil, o que amplia o alcance e reposiciona a política habitacional para atingir também a classe média. Com informações do G1.
Os limites de renda foram atualizados em todas as faixas: a faixa 1 subiu de R$ 2.850 para R$ 3.200; a faixa 2 passou de R$ 4.700 para R$ 5.000; a faixa 3 foi de R$ 8.600 para R$ 9.600; e a faixa 4 avançou de R$ 12 mil para R$ 13 mil. Com isso, famílias que antes ficavam fora do programa ou pagavam juros mais altos passam a ter acesso a condições melhores de crédito.
Também houve aumento nos valores máximos dos imóveis financiados. Nas faixas 1 e 2, os limites vão de R$ 210 mil a R$ 275 mil, dependendo da localidade. Na faixa 3, o teto subiu de R$ 350 mil para R$ 400 mil. Já na faixa 4, o valor máximo passou de R$ 500 mil para R$ 600 mil, ampliando o acesso a imóveis maiores ou melhor localizados.
As mudanças ainda reduzem o custo do financiamento para parte dos compradores. Quem tinha renda entre R$ 4.700,01 e R$ 5 mil, por exemplo, antes pagava cerca de 8,16% ao ano e agora passa a pagar 7% ao ano. Já famílias com renda entre R$ 8.600,01 e R$ 9.600 deixam juros próximos de 10% ao ano e passam a ter taxas de até 8,16% ao ano.
Os dados mais recentes mostram o peso crescente do programa no setor. Em 2025, o Minha Casa, Minha Vida atingiu recorde de 669.065 unidades contratadas, após uma trajetória de crescimento que saiu de cerca de 257 mil em 2009 e passou por níveis como 462 mil em 2015 e 491 mil em 2021. Mesmo com oscilações, o programa voltou a ganhar força e se consolidou como principal motor da construção habitacional.
Outro ponto relevante é a mudança no perfil dos beneficiários. Em 2009, a faixa 2 representava 54,4% das contratações e a faixa 1 tinha 32,4%. Já em 2025, há uma distribuição mais equilibrada, com 35,7% na faixa 1, 29% na faixa 2, 29,8% na faixa 3 e 4,5% na faixa 4. Esse movimento indica maior presença da classe média no programa, tendência reforçada pelas novas regras. Na prática, a mudança que entra em vigor nesta quarta amplia o alcance, aumenta o poder de compra e adapta o programa à realidade atual do mercado imobiliário.

O sonho de um Brasil soberano ainda é a grande causa nacional
Celebrado em 21 de abril, o feriado de Tiradentes, que homenageia o inconfidente Joaquim José da Silva Xavier, permanece como um dos símbolos mais poderosos da luta pela soberania nacional no Brasil. Mais de dois séculos após sua execução pela Coroa portuguesa, a causa que o levou ao patíbulo – a resistência contra a exploração externa e a defesa de um projeto de nação independente – segue atual. Em 2026, esse debate ganha novo fôlego com o presidente Lula, que se coloca na disputa por um quarto mandato com a soberania como eixo central de seu projeto político.
A comparação entre Tiradentes e o momento político contemporâneo não é meramente retórica. Trata-se de uma leitura histórica que evidencia como o Brasil, em diferentes períodos, enfrentou desafios semelhantes: a tensão entre dependência externa e autonomia nacional, entre elites alinhadas a interesses estrangeiros e forças que defendem um projeto soberano.

Tiradentes foi o rosto mais conhecido da Inconfidência Mineira, movimento que emergiu no final do século XVIII em reação à exploração econômica imposta por Portugal. A cobrança excessiva de impostos, como a derrama, simbolizava um sistema colonial que drenava riquezas do território brasileiro para sustentar a metrópole.
Mais do que uma revolta fiscal, a Inconfidência representava um embrião de pensamento nacional. Inspirados por ideias iluministas e pela independência dos Estados Unidos, os inconfidentes defendiam a criação de uma república no Brasil, rompendo com o domínio externo.
Tiradentes, ao assumir publicamente a responsabilidade pelo movimento, tornou-se mártir. Sua execução, em 1792, foi um recado brutal da Coroa: qualquer tentativa de autonomia seria reprimida com rigor. Ainda assim, seu legado atravessou gerações e ajudou a consolidar a noção de que o Brasil deveria ser dono de seu próprio destino.
No Brasil contemporâneo, a soberania reaparece como tema central em meio a disputas geopolíticas e econômicas globais. O presidente Lula, ao buscar um quarto mandato, tem reiterado a necessidade de fortalecer a autonomia nacional em áreas estratégicas, como energia, indústria, tecnologia e política externa.
Após décadas de políticas neoliberais que reduziram a capacidade do Estado e ampliaram a dependência externa, o atual governo aposta em um modelo que combina estabilidade macroeconômica com intervenção ativa para estimular o desenvolvimento. A reindustrialização, o fortalecimento de empresas públicas e a integração regional são pilares dessa estratégia.

A política externa também reflete essa visão. O Brasil tem atuado de forma mais assertiva em fóruns multilaterais, reforçando sua participação no BRICS e defendendo uma ordem internacional multipolar. Trata-se de uma tentativa de reduzir a dependência em relação às grandes potências tradicionais e ampliar o espaço de decisão soberana.
Se no tempo de Tiradentes a exploração se dava de forma direta, com a transferência de riquezas para Portugal, no mundo contemporâneo os mecanismos são mais sofisticados. A dependência tecnológica, financeira e industrial funciona como uma nova forma de subordinação.
O Brasil, apesar de sua dimensão continental e riqueza de recursos naturais, ainda enfrenta desafios estruturais. A desindustrialização precoce, a vulnerabilidade externa e a influência de interesses estrangeiros em setores estratégicos são questões que limitam sua autonomia.
Nesse contexto, a defesa da soberania ganha contornos modernos. Não se trata apenas de independência política formal, mas de capacidade real de decidir sobre os rumos econômicos e sociais do país.
Um elemento que aproxima o período de Tiradentes do Brasil atual é o comportamento das elites. No século XVIII, parte significativa das elites coloniais mantinha vínculos estreitos com a metrópole, beneficiando-se do sistema vigente.
Hoje, a situação se repete sob novas formas. Segmentos do mercado financeiro e grupos econômicos frequentemente resistem a políticas que ampliem o papel do Estado ou reduzam a dependência externa, defendendo agendas alinhadas a interesses globais.
Essa disputa entre projetos – um voltado à soberania nacional e outro à integração subordinada ao sistema internacional – está no centro do debate político brasileiro.
Ao longo de seus mandatos, o presidente Lula buscou fortalecer o papel do Estado como indutor do desenvolvimento. Programas de inclusão social, expansão do crédito, valorização do salário mínimo e investimentos em infraestrutura foram marcas de seus governos anteriores.
No atual contexto, essas iniciativas são retomadas com um componente adicional: a necessidade de reposicionar o Brasil em um cenário global cada vez mais competitivo e fragmentado.

A defesa de empresas estratégicas, como a Petrobras, e a ampliação de investimentos em ciência e tecnologia são vistas como fundamentais para garantir a soberania. Ao mesmo tempo, a integração com países da América Latina e do Sul Global aparece como alternativa à dependência histórica de centros hegemônicos.
Mais de 200 anos após sua morte, Tiradentes permanece como símbolo de resistência e de luta por um Brasil soberano. Sua figura transcende o episódio histórico da Inconfidência Mineira e se conecta a um debate permanente sobre o futuro do país.
Em 2026, com o presidente Lula colocando a soberania no centro da disputa política, essa herança ganha nova relevância. A questão que se coloca é se o Brasil será capaz de consolidar um projeto nacional autônomo ou continuará preso a ciclos de dependência.
A história sugere que a luta pela soberania é contínua e exige mobilização política e social. Tiradentes pagou com a vida por defender essa causa. Hoje, ela se manifesta nas escolhas políticas, econômicas e estratégicas que definirão o destino do país nas próximas décadas.

Nesse sentido, a memória de Tiradentes não é apenas um tributo ao passado, mas um convite à reflexão sobre o presente e o futuro do Brasil.
*Fonte: Redação do site Brasil247
Porto Alegre, Canoas e Caxias do Sul terão atividades com autores e música
Por Fernanda Bastos*
Quem gosta de frequentar livrarias de rua poderá esticar a visita na próxima quinta-feira (23), durante a Noite das Livrarias. O evento é realizado em alusão ao Dia do Livro, celebrado mundialmente na data, e acontece em diferentes espaços do país de forma simultânea. A ideia é começar às seis da tarde e se estender pela noite, conforme a movimentação. No Rio Grande do Sul, participam da iniciativa as livrarias Baleia, na Capital, Pandorga, em Canoas, e Do arco da velha, em Caxias do Sul.
A Baleia vai misturar livros com artes gráficas, apresentando artistas independentes convidados a partir da curadoria da equipe da loja. A discotecagem será comandada pela livreira Nanni Rios. Ela se entusiasma com a forma como a programação foi recebida pelo público. “As pessoas celebram com essa camada a mais: não é uma livraria fazendo evento, é um circuito de livrarias. É uma ação nacional, expressiva, que denota realmente uma cultura sendo valorizada”, diz. “A noite é sempre esse espaço para descoberta de potência do diferente. Então é muito simbólico no Dia do Livro estarmos fora do horário comercial para esse evento que é tão focado no encontro”, conclui.
Em Caxias, a Do Arco Da Velha também investe em uma programação diversa, com um palco que ganhou título em homenagem a Clarice Lispector “A hora da estrela”. Os autores vão se revezar dando dicas de livros enquanto um DJ fará acompanhamento musical. “A ideia é não serem palestras, nem sarau, ou uma coisa assim mais comportada. A ideia é que seja uma coisa descontraída. E a gente vai tentar estender para a calçada”, projeta o livreiro Guilherme R. Martinato.
A Pandorga convida o público para uma leitura compartilhada de textos de escritoras clássicas e contemporâneas. Em diálogo com movimentos como o Leia Mulheres, vai dar mais espaço para autorias que costumam ser menos prestigiadas. “Nossa expectativa é trazer o público que, muitas vezes, opta pela compra virtual por falta de tempo para frequentar a livraria e que vai poder nos conhecer em função dessa programação noturna”, destaca a livreira Lúcia Barcelos.
A iniciativa coletiva surgiu pela mobilização dos mesmos organizadores do Mapa das Livrarias de Rua de São Paulo, que buscaram ampliar para todo o território brasileiro as ações de visibilidade e fortalecimento das livrarias independentes e de rua. A inspiração vem de eventos internacionais, em especial a Noche de las Librerías, em Buenos Aires, e La Noche de los Libros, em Madri.
*Fonte: Sul21
Presidente brasileiro foi a grande estrela do Global Progressive Mobilisation e gerou até tumulto diante de uma plateia que o aplaudia a cada palavra
Por Henrique Rodrigues*- De BARCELONA, Espanha – O centro de convenções Fira Barcelona testemunhou, na tarde deste sábado (18), um fenômeno político que extrapolou os protocolos diplomáticos habituais. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva fez a penúltima fala (apenas sucedido por Pedro Sánchez, o anfitrião, no púlpito) do Global Progressive Mobilisation (GPM), consolidando-se como a figura central da esquerda global contemporânea. Em um auditório completamente lotado, onde não restava espaço sequer nos corredores laterais, Lula foi recebido com uma euforia reservada a ídolos da cultura pop, mas entregou um discurso de densidade política que deixou chefes de Estado e de governo visivelmente impressionados.
A atmosfera era de catarse. Antes mesmo de iniciar sua fala, delegações de inúmeros países, da América Latina à Europa, passando por representantes africanos, entoaram em uníssono o tradicional canto “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”. A reação delirante do público, sobretudo por se tratar de um evento fora do Brasil, gerou expressões de surpresa em autoridades estrangeiras presentes, que assistiam, quase incrédulas, à conexão magnética do brasileiro com a plateia internacional.
Diagnóstico do retrocesso e a autocrítica progressista
“O extremismo impõe um novo desafio… O campo progressista conseguiu avançar na pauta dos direitos, a situação dos trabalhadores, das mulheres, das pessoas negras e das minorias é muito melhor hoje do que no passado, e não é coincidência que a reação das forças reacionárias tenha vindo de forma tão violenta com a misoginia, o racismo e o discurso de ódio. Mas o progressismo não conseguiu superar o pensamento econômico dominante. O projeto neoliberal prometeu prosperidade, mas entregou fome, desigualdade e insegurança. Provocou crise atrás de crise. E ainda assim nós sucumbimos à ortodoxia. Nós temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo”, disse Lula, em forte tom.
O silêncio absoluto que se seguiu à frase foi interrompido por uma salva de palmas que durou quase meio minuto. Para os analistas presentes, a fala marca um momento de inflexão, onde o Brasil se coloca como o principal crítico da manutenção de modelos econômicos que, na visão de Lula, pavimentam o caminho para o autoritarismo ao não entregarem bem-estar social real às populações.
O presidente brasileiro também utilizou o palco em Barcelona para detalhar a gravidade das ameaças institucionais que o Brasil enfrentou recentemente, conectando-as a um movimento global de desestabilização. Sem poupar adjetivos, ele descreveu as contradições morais daqueles que atacam o sistema democrático sob o pretexto de defender valores tradicionais ou a liberdade de expressão.
“O risco que a extrema direita representa à democracia não é retórico, é real. No Brasil, ela planejou um golpe de Estado, orquestrou um plano que previa tanque na rua e que previa o assassinato do presidente eleito, do vice-presidente e do presidente da Justiça Eleitoral. O Papa Leão XIV disse que a democracia corre o risco de se tornar uma máscara para o domínio das elites econômicas e tecnológicas. Nosso papel é o de desmascarar essas forças, desmascarar esses que dizem estar ao lado do povo, mas que governam para os mais ricos. Que dizem ser patriotas, mas põem a soberania a venda e pedem sanções contra o seu próprio país. Os que proclamam defender a família, mas fecham os olhos para a violência contra as mulheres e o abuso sexual de crianças, e que se declaram os donos da verdade mas vivem de espalhar mentiras e desinformação. Os que se consideram homens de Deus, mas que não têm amor ao próximo. Os que falam em liberdade, mas perseguem quem é diferente”, afirmou o líder brasileiro, sob aplausos que o interrompiam a cada sentença.
A citação ao pontífice e a descrição detalhada das tramas golpistas no Brasil serviram para dar peso histórico à sua tese de que o embate atual não é apenas partidário, mas civilizatório.
Caminhando para o encerramento, Lula instou os líderes progressistas e a juventude presente a abandonarem a timidez no debate público. O presidente destacou que a moderação excessiva diante de ameaças radicais pode ser interpretada como fraqueza ou conivência.
“Nós não podemos ter medo de falar mais alto, e falar com responsabilidade. E não devemos ter medo de contrapor argumentos”, enfatizou, deixando claro que a disputa narrativa deve ser direta e baseada na realidade dos fatos e das necessidades populares.
A saída de Lula do pavilhão principal da Fira Barcelona foi digna de um evento de grandes proporções. Eram tantos os admiradores, militantes de movimentos sociais europeus e jornalistas de veículos de todo o mundo tentando se aproximar do brasileiro que um princípio de tumulto foi registrado. Seguranças tiveram dificuldade para conter o “empurra-empurra” enquanto o público tentava tocar o presidente ou conseguir uma declaração extra.
O impacto de sua fala no GPM deve ecoar nas próximas reuniões multilaterais. Em Barcelona, ficou nítido que, para o mundo, o Brasil não apenas voltou ao jogo diplomático, mas voltou como um dos seus principais protagonistas, capaz de mobilizar corações e mentes muito além de suas fronteiras.
*Fonte: Revista Forum