11 março 2026

Jornada exaustiva - ‘A redução da jornada de trabalho é plenamente sustentável’, diz Luiz Marinho sobre a PEC da escala 6×1

Proposta é uma das principais apostas do governo Lula neste ano

Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (à direita), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) | Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Por Luiza Melo*

O fim da escala 6×1 foi tema de debate na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (10). Na ocasião, o colegiado convidou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que defendeu a redução da jornada de trabalho e disse que a proposta é “plenamente sustentável” do ponto de vista econômico.

“Nós temos que, de fato, fazer a escuta com os setores da economia, com vários setores, e analisar conjuntamente qual é o melhor para a economia brasileira. Nós estamos seguros que a redução de jornada para 40 horas semanais é plenamente factível, é plenamente e sustentável. Até porque nós já perdemos a oportunidade de estar a 40 horas [semanais] há muitos anos”, declarou. 

Para o ministro, a redução da jornada laboral levaria ao aumento da produtividade, melhoria da qualidade de vida e a diminuição de doenças psíquicas desencadeadas por uma jornada exaustiva. Ele ainda disse que é preciso se espelhar em outros países que já adotam um modelo moderno. “Nós estamos num país global e, portanto, temos que enfrentar esse debate, participar desse debate e com muita ciência, com muito estudo ir avançando”.

A proposta é uma das principais apostas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste ano. O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou as ruas em 2025 a partir da mobilização do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que denuncia os efeitos da jornada exaustiva de trabalho sobre a saúde física e mental dos trabalhadores brasileiros.

Resistência

Os possíveis impactos na economia estão entre as principais resistências em relação à proposta. Alguns setores alegam que a aprovação do texto desencadearia em colapso econômico e prejuízos financeiros aos empregadores. 

Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado em 10 de fevereiro, concluiu que a redução da jornada para 40 horas semanais teria impacto inferior a 1% no custo operacional de grandes setores como indústria e comércio

Na avaliação de Marinho, a redução para 36 horas semanais não é viável no momento do ponto de vista econômico. “Nós estamos falando que, no momento, a economia suporta a redução para 40 horas semanais, não 36 horas semanais. Se o parlamento brasileiro desejar caminhar para estabelecer a jornada máxima do Brasil em 36 horas semanais, tem que calcular no tempo melhor. Na nossa avaliação não caberia implantar imediatamente as 36 horas semanais”, alegou.

Há também um esforço de lideranças da direita para barrar a votação no Congresso. Em um evento com empresários, os presidentes do PL, Valdemar da Costa Neto, e do União Brasil, Antônio Rueda, assumiram publicamente que trabalharam para atrasar a análise. Para os caciques, o tema às vésperas das eleições pode fortalecer a reeleição de Lula. 

No entanto, nos últimos meses, houve uma inclinação favorável do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de pautar o projeto. A principal legenda a encabeçar a iniciativa hoje é o Partido dos Trabalhadores (PT). A sigla entende a necessidade de dar apoio ao andamento do texto e que o Centrão entendeu a “urgência e sensibilidade” do tema a ponto de caminhar com a proposta.

Relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que está em análise na Casa Legislativa, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) afirma que está na hora de pôr fim à escala 6×1, vista pelo parlamentar como uma “escravidão moderna”. 

“Esse debate, na minha opinião, é um debate vitorioso na sociedade brasileira. Não é exceção, é regra. A sociedade fez uma opção. Nós, legisladores, devemos ou não confirmar esta opção da sociedade brasileira pelo modelo da escala de trabalho. Ou seja, quantos dias ele quer trabalhar. E a sociedade fez a opção 5×2. Não é 4×3, não é 6×1, é 5×2. Essa é minha opção”, pontuou. 

Mulheres são as mais afetadas

O impacto da escala 6×1 recai principalmente sobre as mulheres, que, muitas vezes, precisam manter dois turnos de trabalho, se dividindo entre e a jornada laboral e o trabalho doméstico não remunerado. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2022, as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas, enquanto os homens dedicam 11,7 horas.

A deputada Lídice da Mata (PSB-BA) alegou que a luta pela redução da jornada de trabalho está intrinsecamente ligada ao movimento de mulheres. “As mulheres brasileiras que trabalham, querem essa jornada diminuída. Eu sou uma mulher que defende a família, especialmente, a família dos que mais precisam nesse país”, pontuou. 

Segundo a parlamentar, as empregadas domésticas e as mulheres pobres são as que mais sofrem com a jornada dupla. “São para estas que nós estamos lutando contra a jornada 6×1, por uma jornada de trabalho digna que permita que o trabalhador e que a trabalhadora brasileira, possa ter direito à vida dedicada à sua família”, completou. 

Diferentes propostas 

Hoje, diferentes propostas sobre a redução da jornada de trabalho tramitam simultaneamente no Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados, estão apensadas a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), que propõe jornada de 36 horas semanais no modelo 4×3, e a PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que prevê redução gradual até 36 horas. 

Também na Câmara está o PL 5989/2025, de autoria do deputado Vicentinho (PT-SP), que fixa a jornada máxima em 40 horas semanais. No Senado, a PEC 148/2015, apresentada pelo senador Paulo Paim (PT-RS), estabelece redução inicial para 40 horas com diminuição progressiva.

O protagonismo para a pauta já é calculado pelo PT, que pretende usar como bandeira de campanha eleitoral em qualquer contexto. Caso seja aprovada, a PEC será usada como mais uma vitória popular para o Brasil. Somada à isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o fim do 6×1 entraria em um pacote de entregas considerado “transformador” para o país.

Além da CCJ, será criada uma comissão especial para discutir o tema na Câmara. A ideia é que o texto passe por essas comissões em abril para ser votado em maio no plenário.

*Editado por: Maria Teresa Cruz - Fonte: BdF

09 março 2026

Folha [de SP] é porta-voz de bolsonaristas da PF na guerra contra Lula

 


Por Jeferson Miola*

Em matéria assinada pela jornalista Mônica Bergamo [8/3], o jornal Folha de São Paulo afirma que “a possibilidade de a PF [Polícia Federal] pedir a prisão de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, divide a corporação e está elevando a tensão em Brasília”.

Esta afirmação, totalmente disparatada e inventada, é produto de versões produzidas por bolsonaristas incrustrados na PF, não um desdobramento de investigações em andamento.

A própria matéria reconhece isso ao dizer que, devido ao sigilo do processo que tramita no STF, “não é possível saber oficialmente se, junto com o pedido de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha, autorizado por Mendonça, os policiais encarregados da investigação solicitaram também que ele fosse preso”.

Embora a Folha reconheça que “não é possível saber oficialmente” se foi solicitada a prisão, a diz que “a discussão interna, no entanto, existe”, e “delegados que têm trânsito no gabinete do ministro do STF André Mendonça defendem a ideia”.

Ora, o próprio jornal assumiu que não sabe se o pedido de prisão é realidade ou fantasia, mas mesmo assim transformou em notícia o que não passa de manipulação criminosa de policiais bolsonaristas da PF interessados em atingir o presidente Lula e comprometer a reeleição dele.

A Folha de São Paulo precisa esclarecer porque dá publicidade não a um fato, mas a uma nítida manipulação de um fato, sabendo de antemão dos efeitos altamente prejudiciais desta mentira para o governo e para a imagem do presidente da República?

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, da defesa de Fábio Luís, manifestou perplexidade e indignação. Ele declarou à Folha acreditar “que tudo não passe de fofoca. Não havia nem sequer justificativa para a PF fazer o pedido de quebra dos sigilos, já que o Fábio havia comunicado ao Supremo a disposição voluntária, espontânea e efetiva de colaborar com as investigações”.

A Folha de São Paulo assumiu a posição política e editorial de combate sem tréguas a Lula, do mesmo modo que há duas semanas assumiu a vanguarda da reação patronal-escravocrata ao fim da jornada 6×1 – ou seja, um lado claro da história.

O Grupo Folha, assim como Globo, Estadão e outras famílias da mídia dominante sentiram “cheiro de sangue” com a recuperação da expectativa eleitoral do bloco anti-Lula. Neste “cenário de oportunidade”, se jogaram de cabeça com seus jornalismos de guerra.

Nessa guerra, a mídia emprega armas sujas, e não tem limite das imundícies que lança mão. Exemplo notório foi a edição impressa da Folha da 6ª feira passada, 6/3, que destacou como escândalo que “Filho de Lula movimentou R$ 19,5 milhões em 4 anos”.

A Folha agiu assim, com esta manchete de capa criminalizadora, mesmo depois de receber dos advogados de Fábio Luís os esclarecimentos com informações concretas que desmentem categoricamente a matéria baseada em dados manipulados e vazados criminosamente por alguém – ou pela CPMI, ou pela PF.

Portanto, é óbvio que depois de ter conhecido no dia anterior os esclarecimentos, a Folha jamais poderia estampar na capa da edição do dia seguinte a manchete falsa sobre suposta movimentação financeira irregular do filho do presidente.

No entanto, a Folha fez isso, como faz novamente agora, com esta insinuação canalha sobre a prisão de Fábio Luiz.

Este jornal que um dia classificou a ditadura sanguinária como “ditabranda” assumiu o posto de porta-voz dos setores bolsonaristas da PF que querem destruir Lula para abrir o caminho para a barbárie com Flávio Bolsonaro.

Obs. a foto que ilustra este artigo é de autoria de Gabriela Biló/Folhapress, de 18 de janeiro de 2023. Em certa medida a imagem é uma metáfora perfeita sobre o sentimento de ódio antipetista da Folha.

*Editor do Blog do Jeferson Miola, fonte desta postagem

08 março 2026

O jornalismo de guerra da Globo recria o PowerPoint da Lava Jato

PowerPoint exibido na GloboNews insinua vínculo político entre Vorcaro e Lula e reaviva práticas associadas à Lava Jato em ano eleitoral

O jornalismo de guerra da Globo recria o PowerPoint da Lava Jato (Foto: Reprodução/GloboNews)

Por Florestan Fernandes Jr*

O PowerPoint apresentado na sexta-feira (6) na GloboNews, mostrando as conexões de Daniel Vorcaro com representantes de lideranças políticas, empresariais e judiciais, nos remete diretamente ao dia 16 de setembro de 2016. Naquela ocasião, o ex-procurador da República Deltan Dallagnol apresentou à imprensa um PowerPoint acusando o então ex-presidente Lula de ser o chefe de um esquema de corrupção investigado pela Lava Jato.

Trata-se, essencialmente, do mesmo modus operandi: criar a falsa impressão de que Lula estaria envolvido com Daniel Vorcaro. A sequência de fotos dos personagens inseridos nessa teia atribuída ao banqueiro parece ter um único objetivo: trazer para dentro do escândalo o chefe da Nação. A própria disposição das imagens revela isso, já que a fotografia do presidente Lula aparece em primeiro lugar. Além disso, a imagem escolhida pelo criador do PowerPoint reforça essa intenção da narrativa oferecida ao telespectador.

Lula aparece sorrindo, com a faixa presidencial ao peito, o que quer "comunicar" o uso do cargo em benefício próprio. Ou seja, é toda uma engenharia visual buscando desconstruir a imagem do presidente da República em ano eleitoral.

O neo-PowerPoint da Globo não explica, porém, o papel de cada um dos personagens ali representados. Nenhum esclarecimento foi feito de que o presidente só esteve uma única vez com o banqueiro do Master. O encontro ocorreu no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, a pedido de Vorcaro, que na época ainda não era alvo de qualquer investigação.

Da reunião participaram os ministros Rui Costa, da Casa Civil; Alexandre Silveira, de Minas e Energia; e Gabriel Galípolo, que à época ainda não presidia o Banco Central. Segundo os participantes, Vorcaro pretendia convencer o governo a apoiar a venda do Master para o Banco de Brasília, algo que o Banco Central, já sob a gestão de Galípolo, não apenas deixou de autorizar como tomou uma medida que Campos Neto não havia tomado: pedir a liquidação do Banco Master.

O fato de Vorcaro ter dito, em troca de mensagens com a namorada, que o encontro teria sido muito bom não constitui prova de que o presidente o ajudou. Ao contrário: Lula não se envolveu no assunto e deixou, de forma republicana, as decisões sobre o Master nas mãos da diretoria do Banco Central.

Os vazamentos que voltam a todo vapor em mais um ano eleitoral nos remetem, inevitavelmente, à Lava Jato. Os jornalistas que recebem as informações privilegiadas são os mesmos. Seus “furos” de reportagem continuam produzindo narrativas com impacto direto no ambiente político e eleitoral. Pelo visto, os investigadores que alimentam esses vazamentos também podem ser os mesmos.

Na realidade, todos nós fomos, de alguma forma, lenientes com os abusos da Lava Jato. É espantoso ver Deltan Dallagnol e Sergio Moro ainda presentes na vida política, disputando espaços de poder ao lado daqueles que foram diretamente beneficiados pelas armações promovidas pela chamada “força-tarefa”.

O neo-PowerPoint não é apenas um recurso gráfico de televisão; é um símbolo da persistência de um método: insinuar, sugerir e induzir conclusões antes mesmo que os fatos sejam comprovados. O Brasil já viu esse filme antes e sabe muito bem quais foram os danos institucionais, políticos e democráticos provocados por esse tipo de espetáculo travestido de jornalismo. A cadela do lavajatismo, tal qual a do fascismo, segue no cio.

*Jornalista e escritor - Via Brasil247

07 março 2026

Mobilização: Atos pelo Dia Internacional da Mulher tomam as ruas no domingo (8)

Atos do 8 de março vão levar às ruas pautas como o fim da escala 6x1 e o direito ao aborto legal


Ato unificado pelo Dia Internacional de Luta da Mulher | Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil


Atos em diferentes cidades do país vão marcar neste domingo, 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. O fim da escala 6×1 e a garantia do aborto legal estão entre as pautas de destaque das mobilizações, que também devem homenagear vítimas de feminicídio e exigir o combate à violência de gênero.

O Dia Internacional da Mulher tem origem nas mobilizações de mulheres socialistas no fim do século 19 e no início do século 20. As reivindicações incluíam, naquele momento, o direito ao voto, o reconhecimento de direitos civis e o acesso ao trabalho e ao espaço público.

Um incêndio em uma fábrica nos Estados Unidos que matou mais de 100 operárias no início do século 20 é muitas vezes citado como origem da data. O episódio teve impacto no movimento operário, mas historiadores apontam que não foi o fato que criou o Dia Internacional da Mulher. (...)

*CLIQUE AQUI (via BdF) para continuar lendo e ver as programações

06 março 2026

André Mendonça terá papel central nas eleições de 2026, por Luís Nassif*

No horizonte das eleições, Mendonça e a PF jorrando vazamentos, em conluio com grandes jornais, consolidando candidaturas bolsonaristas.

     André Mendonça e Jair Bolsonaro - foto de Evaristo Sá - AFP - Reprodução

Por Luís Nassif*

Não há mais margem para dúvidas. O grande personagem das eleições de 2026 será o Ministro bolsonarista do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.

Digo bolsonarista não apenas por ter sido nomeado por Jair Bolsonaro, mas porque mostrou, no inquérito do Banco Master, que trabalhará alinhado com o bolsonarismo.

Ontem ocorreu uma chuva de vazamentos do inquérito do Banco Master. Atribuiu-se à CPMI do INSS. É um sofisma. Logo no início do inquérito do Master, a Polícia Federal vazou mensagens contidas no celular de Daniel Vorcaro. A postura de Dias Toffoli foi trazer o inquérito para o STF e indicar peritos sérios, que impedissem os vazamentos.

A razão era óbvia. O caso Master tem tudo para repetir a Lava Jato 1. Há um sentimento disseminado de corrupção, um caso que envolve dezenas de personagens. Nessas circunstâncias, as investigações são comandadas pela cobertura jornalística, e esta se submete ao vazamento de informações. Quando há a parceria mídia-PF – como agora – o desfecho é previsível.

Antes, tinha-se uma operação comandada por um juiz de 1a instância, com a mídia garantindo a onda que intimidou os tribunais superiores. A operação foi desmanchada quando cessou a cobertura midiática e o STF pode decidir sem pressão.

Agora tem-se uma Lava Jato 2 em que o Sérgio Moro de ocasião é um Ministro da Suprema Corte. É totalmente dele a responsabilidade pela chuva de vazamentos do inquérito. Os principais suspeitos do caso Master são políticos bolsonaristas e do Centrão. Ao enviar o inquérito para o Congresso, era óbvio que a consequência seria o vazamento das informações, de acordo com os interesses do Centrão. Firmou-se ali, sem nenhuma sutileza, o pacto que deverá marcar a campanha eleitoral desse ano, com a PF e Mendonça jorrando vazamentos, em conluio com grandes jornais, visando consolidar as candidaturas bolsonaristas.

E vai se queixar para quem? Para o bispo? Fosse um juiz de tribunal superior, e se o Conselho Nacional de Justiça funcionasse, Mendonça estaria respondendo a um inquérito sobre seu estratagema, para vazar as informações.

Do mesmo modo, teria que explicar as razões que levaram à quebra do sigilo de Lulinha, se as suspeitas se referiam expressamente às supostas ligações com o tal careca do INSS.

O país entra desarmado em uma eleição que poderá definir o nosso futuro como nação. Tem-se a situação esdrúxula de um candidato umbilicalmente ligado às milícias, ao Escritório do Crime, a processos nítidos de enriquecimento ilícito, sendo levado ao poder por essa aliança terrível de mídia, mercado, Centrão e um Ministro do Supremo atuando como articulador da orquestra.

*Jornalista - Editor do site GGN (fonte desta postagem)

05 março 2026

Desemprego no Brasil fica em 5,4% e renda bate recorde histórico

Dados do IBGE mostram menor taxa de desocupação da história e rendimento médio de R$ 3.652 no trimestre encerrado em janeiro

Presidente Lula com trabalhadores da Nova Dutra. Só em 2024, a renda real do trabalho da metade mais pobre do país cresceu 10,7%. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247* - A taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,4% no trimestre móvel encerrado em janeiro de 2026, mantendo o menor nível da série histórica iniciada em 2012. O resultado representa estabilidade em relação ao trimestre anterior e queda de 1,1 ponto percentual frente ao mesmo período do ano passado. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (5) pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o levantamento, o país tinha cerca de 5,9 milhões de pessoas desocupadas no período analisado — o menor contingente registrado desde o início da série comparável. O número ficou estável na comparação trimestral, mas apresentou redução de 17,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, o que corresponde a aproximadamente 1,2 milhão de pessoas a menos em situação de desemprego.

Ao mesmo tempo, o rendimento médio real habitual alcançou R$ 3.652, estabelecendo o maior valor já registrado na série histórica da pesquisa. O indicador avançou 2,8% em relação ao trimestre anterior e apresentou crescimento de 5,4% na comparação anual.

Outro recorde foi registrado na massa de rendimento real habitual — soma de todos os rendimentos do trabalho pagos no país — que chegou a R$ 370,3 bilhões. O montante aumentou 2,9% frente ao trimestre anterior, o equivalente a mais R$ 10,5 bilhões, e cresceu 7,3% em relação ao mesmo período de 2025, com acréscimo de R$ 25,1 bilhões.

A população ocupada atingiu 102,7 milhões de pessoas, também o maior número da série histórica. O total permaneceu estável no trimestre, mas avançou 1,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior, o que representa cerca de 1,7 milhão de trabalhadores a mais.

O nível de ocupação — proporção de pessoas empregadas entre aquelas em idade de trabalhar — ficou em 58,7%. O indicador apresentou estabilidade frente ao trimestre anterior, quando estava em 58,8%, e registrou crescimento de 0,5 ponto percentual na comparação anual.

Segundo a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beriguy, os dados indicam um cenário de estabilidade no mercado de trabalho, mesmo com os efeitos sazonais típicos do início do ano.

“Os resultados do trimestre encerrado em janeiro de 2026 apontam fundamentalmente para a estabilidade dos indicadores de ocupação. Embora a entrada do mês de janeiro tenda a reduzir o contingente de trabalhadores, muitas vezes devido à dispensa de temporários, os efeitos favoráveis de novembro e dezembro reduziram o impacto desse movimento sazonal”, explicou.

A taxa de subutilização da força de trabalho — que reúne pessoas desempregadas, subocupadas ou disponíveis para trabalhar — ficou em 13,8%. O índice permaneceu estável em relação ao trimestre anterior, mas apresentou queda de 1,8 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado.

Já o número de pessoas desalentadas, aquelas que desistiram de procurar trabalho, somou 2,7 milhões no país. O contingente manteve-se estável no trimestre e recuou 15,2% na comparação anual, o equivalente a 476 mil pessoas a menos nessa condição.

Outro indicador que apresentou melhora foi a taxa de informalidade, que atingiu 37,5% da população ocupada — o menor nível desde julho de 2020. Isso corresponde a aproximadamente 38,5 milhões de trabalhadores informais. No trimestre anterior, a taxa era de 37,8%, enquanto no mesmo período de 2024 havia sido de 38,4%.

Adriana Beriguy destacou que a informalidade vem apresentando trajetória de queda nos últimos anos.

“A taxa de informalidade vem em queda desde 2022, com aceleração dessa trajetória a partir de 2023. Especificamente no atual trimestre, a retração da taxa esteve associada à tendência de queda do emprego sem carteira no setor privado e de expansão da cobertura de registro no CNPJ dos trabalhadores por conta própria”, afirmou.

O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado — excluindo empregados domésticos — totalizou 39,4 milhões. O contingente permaneceu estável na comparação trimestral e cresceu 2,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, representando aumento de cerca de 800 mil trabalhadores.

Entre os empregados sem carteira no setor privado, o total ficou em 13,4 milhões, com estabilidade tanto na comparação trimestral quanto na anual. Já os trabalhadores por conta própria somaram 26,2 milhões, mantendo-se estáveis no trimestre e registrando crescimento de 3,7% em relação ao ano anterior.

No caso do trabalho doméstico, o número de pessoas ocupadas foi de 5,5 milhões, também estável no trimestre, mas com redução de 4,5% na comparação anual.

A análise por setores de atividade mostra que, frente ao trimestre anterior, houve aumento do número de ocupados nos segmentos de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas, com crescimento de 2,8%, e em Outros serviços, que avançou 3,5%.

Em contrapartida, a Indústria geral apresentou retração de 2,3% no número de trabalhadores ocupados.

Na comparação anual, os maiores avanços ocorreram nos setores de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas, com crescimento de 4,4%, e na Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que registrou aumento de 6,2%.

Por outro lado, o grupamento de serviços domésticos apresentou queda de 4,2% no número de trabalhadores em relação ao mesmo período do ano passado.

*Por Guilherme Levorato - via Brasil 247

04 março 2026

Ajuda Humanitária - Governo brasileiro enviará a Cuba alimentos e insumos para a produção agrícola*

Governo brasileiro e organizações sociais reforçam cooperação com Cuba frente ao bloqueio dos EUA

Uma mulher olha para seu celular em uma rua de Havana em 23 de fevereiro de 2026. | Crédito: (Foto de YAMIL LAGE / AFP)

O governo do Brasil anunciou que enviará, nesta semana, um carregamento de alimentos e insumos destinados à produção agrícola em Cuba, no âmbito de um programa de cooperação bilateral. A informação foi divulgada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, durante a 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, que começou na última segunda-feira (2), em Brasília (DF).

O ministro esclareceu que os insumos serão adquiridos em território brasileiro com recursos fornecidos pelo próprio governo e, posteriormente, disponibilizados à ilha caribenha.

“O Brasil vai enviar, nesta semana, uma ajuda a Cuba para a compra de insumos destinados à produção agrícola. Essa compra será feita no Brasil. Nós vamos disponibilizar os recursos. Também enviaremos alimentos a Cuba”, afirmou Teixeira ao ser questionado pela agência de notícias Prensa Latina.

Segundo informou a agência de notícias cubana, a ajuda faz parte de um programa coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

O envio de doações ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter assinado uma ordem executiva que ameaça impor sanções a qualquer país que “direta ou indiretamente” venda ou forneça petróleo a Cuba. Trata-se de uma medida que, segundo o Coordenador Residente da ONU em Cuba, Francisco Pichón, transformou a escassez de combustíveis “no principal multiplicador de riscos humanitários” e que, durante o último mês, agravou a crise enfrentada pela ilha.

O presidente Lula manifestou-se contra a medida unilateral dos Estados Unidos. No dia 7 de fevereiro, durante o 46º aniversário do Partido dos Trabalhadores (PT) em Salvador, Bahia, Lula afirmou que Cuba é vítima de um “massacre alimentado pela especulação americana” e ressaltou que “nosso país se solidariza com o povo cubano. E nós, como partido, temos que encontrar maneiras de ajudar”.

Além disso, diversas organizações sociais e sindicais brasileiras condenaram a medida e promoveram campanhas de doações em apoio à ilha. A Campanha de Solidariedade com Cuba — promovida por movimentos sociais e sindicais — realizou recentemente o envio de um primeiro carregamento com 1.700 quilos de medicamentos prioritários destinados a hospitais da província de Santiago de Cuba, afetada pelo furacão Melissa.

Segundo os organizadores, a iniciativa responde à escassez provocada pelo bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas, recentemente reforçado com novas sanções no setor energético.

Solidariedade do Brasil

A cooperação brasileira com Cuba não é um fato isolado. No final do ano passado, o governo brasileiro entregou uma doação composta por dez toneladas de alimentos desidratados, 50 purificadores de água e kits de medicamentos.

As doações tinham como objetivo ajudar os afetados pelo furacão Melissa, classificado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma catástrofe “enorme”, que, no final de outubro, atingiu o leste da ilha com categoria três na escala Saffir-Simpson.

Estima-se que a ajuda do Brasil tenha beneficiado mais de 5.500 pessoas nas províncias orientais do país. Na ocasião, o embaixador do Brasil em Havana, Christian Vargas, destacou que a cooperação entre os dois países se fortaleceu desde 2023, com o relançamento de mais de dez projetos de cooperação técnica em áreas como saúde, educação e produção agrícola.

Solidariedade na América Latina

Com o recente anúncio do governo brasileiro, o Brasil se soma aos esforços que também vêm sendo realizados pelo governo de Claudia Sheinbaum para reforçar a cooperação com a ilha caribenha.

Após um primeiro envio de 800 toneladas de alimentos, no último sábado (28), dois navios da Marinha mexicana atracaram na baía de Havana com um segundo carregamento de ajuda humanitária que incluiu 1.200 toneladas de alimentos, além de 23 toneladas adicionais arrecadadas por organizações sociais com o apoio do Governo da Cidade do México.

Segundo anunciou a presidenta Claudia Sheinbaum, que classificou como “muito injusta” a intenção dos Estados Unidos de impor tarifas aos países que exportam petróleo à ilha, os envios de ajuda humanitária continuarão enquanto o governo executar “todas as ações diplomáticas necessárias para restabelecer o envio de petróleo” à ilha, garantindo que “não se pode estrangular um povo assim”.

*Fonte: BdF Editado por: Maria Teresa Cruz