23 junho 2026

Juliana Brizola lidera corrida ao Piratini, aponta pesquisa Real Time Big Data

Candidata aparece com 37% das intenções de voto, cinco pontos à frente de Luciano Zucco; em segundo turno, há empate técnico

Juliana Brizola (PDT) e Zucco (PL). Fotos: Divulgação/Juliana Brizola e Marina Ramos/Câmara dos Deputados

A candidata Juliana Brizola (PDT) aparece na liderança da disputa pelo governo do Rio Grande do Sul, segundo pesquisa do Instituto Real Time Big Data. Na simulação de primeiro turno, ela registra 37% das intenções de voto, cinco pontos percentuais à frente do deputado federal Luciano Zucco (PL), que soma 32%.

Na sequência, aparecem Gabriel Souza (MDB), com 18%, e Marcelo Maranata (PSDB), com 3%. Os votos nulos e brancos representam 5%, mesmo percentual dos entrevistados que não souberam ou preferiram não responder.

O levantamento também testou seis cenários de segundo turno. No confronto considerado mais provável neste momento, entre Juliana Brizola e Luciano Zucco, a candidata do PDT mantém vantagem numérica, aparecendo com 44% contra 41%. No entanto, o resultado configura empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Outros 7% disseram que votariam em branco ou nulo e 8% disseram não saber.

A pesquisa aponta ainda que Juliana e Zucco venceriam Gabriel Souza. A pedetista teria 47% contra 35% do emedebista, enquanto Zucco teria 42% contra 37% de Gabriel.

A Real Time Big Data entrevistou 1,6 mil pessoas entre os dias 20 e 22 de junho. A pesquisa foi registrada no TSE sob o código RS-07063/2026.

*Com informações da Carta Capital.

**Via Sul21

19 junho 2026

Stuart Angel terá diploma póstumo pela UFRJ

Estudante morto pela ditadura receberá homenagem da UFRJ em cerimônia no dia 7 de julho*

Stuart Angel terá diploma póstumo pela UFRJ (Foto: Reprodução)

Stuart Angel Jones, estudante de economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) morto por agentes da ditadura militar, será homenageado com um diploma póstumo em cerimônia marcada para 7 de julho, às 16h30, no salão dourado da instituição, 55 anos após seu desaparecimento político, informa a Folha de São Paulo.

O anúncio foi feito pelo centro acadêmico que leva o nome de Stuart Angel, aluno do Instituto de Economia da UFRJ. A homenagem busca reconhecer simbolicamente uma trajetória interrompida pela repressão do regime militar, que impediu o jovem de concluir a graduação após ser sequestrado e morto em maio de 1971, aos 25 anos.

A imagem usada para divulgar a diplomação mostra Stuart sorridente, com o braço direito erguido e segurando um canudo de formatura. A cena, no entanto, nunca ocorreu. O estudante foi impedido de concluir o curso depois de ser capturado por agentes da repressão durante o período da ditadura militar, que vigorou entre 1964 e 1985.

Stuart Angel era militante do MR-8, organização armada de resistência ao regime militar, e se tornou um dos desaparecidos políticos mais conhecidos do país. Sua história ganhou repercussão nacional e internacional sobretudo pela atuação de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, que denunciou repetidamente a morte do filho e a ocultação de seu corpo.

A irmã de Stuart, a jornalista Hildegard Angel, comentou a homenagem nesta sexta-feira (5) e lembrou que o estudante não pôde completar sua formação universitária por causa da violência de Estado. “Como tantos outros estudantes naqueles anos sombrios, ele não pode concluir seus estudos”, afirmou.

Ao compartilhar a notícia da diplomação póstuma, Hildegard também recordou que Stuart foi assassinado na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. Segundo ela, a família segue sem saber o paradeiro dos restos mortais do jovem, “se em terra ou se no mar”.

O caso de Stuart Angel foi relatado à Comissão Nacional da Verdade em 2014 pelo ex-guerrilheiro Alex Polari. De acordo com o depoimento, Stuart foi submetido a tortura até a morte para que revelasse o paradeiro de Carlos Lamarca, ex-capitão do Exército e líder da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária).

Segundo o relato apresentado à comissão, Stuart teve a boca amarrada próxima ao escapamento de um jipe que circulava no pátio da prisão, sendo forçado a inalar gás carbônico. O episódio tornou-se um dos símbolos da brutalidade da repressão contra opositores políticos durante a ditadura militar.

Somente em 2019 a morte de Stuart Angel passou a constar oficialmente em seu atestado de óbito como “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistêmica e generalizada à população identificada como opositora política ao regime ditatorial de 1964 a 1985”.

A ausência de informações sobre o corpo do filho levou Zuzu Angel a transformar sua dor em denúncia pública. A estilista procurou autoridades brasileiras e estrangeiras, concedeu entrevistas e levou às passarelas desfiles que chamavam atenção para o desaparecimento de Stuart.

A busca de Zuzu por respostas também foi retratada na música “Angélica”, composta por Chico Buarque e Miltinho um ano depois da morte da estilista, em 1976. Um dos versos da canção afirma: “Só queria embalar meu filho, que mora na escuridão do mar”.

O anúncio da diplomação póstuma foi feito na data em que Zuzu Angel completaria aniversário. Ela nasceu em 5 de junho de 1921 e morreu em um acidente posteriormente atribuído a agentes da ditadura.

Antes de morrer, Zuzu entregou a Chico Buarque um bilhete no qual responsabilizava os mesmos autores da morte de Stuart por qualquer atentado contra sua vida. “Se algo vier a acontecer comigo, se eu aparecer morta, por acidente, assalto ou qualquer outro meio, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho”, escreveu.

Em agosto do ano passado, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, ligada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, entregou à família de Zuzu Angel a certidão de óbito retificada da estilista. O documento passou a informar que sua morte também foi violenta e causada pelo Estado brasileiro.

Para Hildegard Angel, a homenagem a Stuart na UFRJ reafirma a necessidade de preservar a memória das vítimas da ditadura e de manter a busca por respostas sobre os desaparecidos políticos. “Aquele período de chumbo continua a assombrar nossas vidas e a memória do país”, disse.

A irmã de Stuart também afirmou que os sobreviventes carregam a responsabilidade de seguir cobrando verdade e localização dos restos mortais das vítimas. Para ela, “os que ficaram, os que esqueceram de matar”, têm o compromisso de continuar buscando a verdade e os restos mortais dos desaparecidos.

*Fonte:  Brasil247

...

**Stuart Angel Jones era casado com a jovem Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones, também presa, torturada e assassinada pela ditadura civil-militar em 1973. Sônia (que era santiaguense) será homenageada em Ato a ser realizado no dia 27 de junho (sábado), às 18,30 horas, no Espaço Cultural Strazzabosco, em Santiago/RS. (Nota deste Editor). 

18 junho 2026

Dois pesos e duas medidas: Wagner é massacrado enquanto Flávio Bolsonaro e Ibaneis seguem blindados

Autorizada por André Mendonça, operação da PF levanta dúvidas sobre critérios de investigação e o uso político do sistema de justiça

Dinheiro apreendido no hotel em que Wagner mora: espetáculo da PF, mas o senador tem explicação plausível (Foto: Polícia Federal)


Por Joaquim de Carvalho*

A operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, produziu um forte impacto político e midiático. Não apenas pela relevância institucional do parlamentar, um dos principais articuladores do governo no Congresso, mas também pelos elementos conhecidos até agora da investigação.

Pelo que foi divulgado da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, não teria sido apontado um ato de ofício praticado por Jaques Wagner em benefício do Banco Master ou de qualquer outro interessado. Trata-se de um dado relevante. Em investigações envolvendo agentes públicos, a demonstração de uma contrapartida concreta vinculada ao exercício do cargo costuma ser elemento essencial para caracterizar eventual favorecimento indevido.

Isso não significa que a investigação não deva prosseguir ou que novos fatos não possam surgir. Significa apenas que, até o momento, o debate público parece ter sido influenciado mais pelo impacto visual da operação do que pela apresentação de elementos objetivos contra o senador.

As imagens dos dólares e euros apreendidos em um cofre utilizado por Wagner em Brasília ganharam destaque nacional. As cédulas organizadas em fileiras produziram o efeito simbólico desejado por qualquer operação de grande repercussão: a associação imediata entre dinheiro em espécie e suspeita de irregularidade.

Mas o espetáculo visual não substitui a prova.

A explicação apresentada pelo senador é, ao menos em tese, plausível e verificável. Segundo sua defesa, os 55 mil dólares e 33 mil euros encontrados pela Polícia Federal correspondem a diárias recebidas do Senado Federal para missões oficiais no exterior. Como as despesas teriam sido realizadas com cartão de crédito, os valores não foram utilizados e permaneceram guardados. Wagner afirma possuir documentação capaz de comprovar a origem legal dos recursos.

O mesmo ocorre em relação ao apartamento mencionado na investigação. O senador sustenta que o imóvel jamais integrou seu patrimônio e afirma que a proposta apresentada a Augusto Lima envolvia a aquisição de uma unidade ainda em construção para posterior recompra por sua filha.

São alegações defensivas que precisarão ser confrontadas com as provas. 

Outro aspecto chama atenção. A investigação parece buscar conexões com fatos ocorridos muito antes do surgimento do próprio Banco Master. A privatização da rede Cesta do Povo, por exemplo, ocorreu em 2017. O Banco Master só seria criado dois anos depois, em 2019. A distância temporal entre os eventos não impede investigações, mas suscita questionamentos sobre a centralidade desses fatos dentro de um caso que tem origem em operações financeiras muito mais recentes.

E é justamente nesse ponto que surge uma pergunta incômoda.

Existem episódios contemporâneos e diretamente relacionados ao universo financeiro do Banco Master que, ao menos aparentemente, teriam prioridade investigativa. O principal deles envolve as operações entre o banco e o BRB, que alcançaram cifras bilionárias e geraram enorme repercussão pública, incluindo questionamentos sobre ativos de alto risco e negócios estimados em cerca de R$ 12 bilhões.

Entretanto, não se viu até agora o mesmo aparato ostensivo direcionado a personagens políticos associados a essas operações.

A comparação é inevitável. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, não foi alvo de buscas ou medidas semelhantes. Tampouco houve operação de igual repercussão envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, apesar da divulgação de mensagens e áudios relacionados a pedidos de apoio financeiro para o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Evidentemente, a simples diferença de tratamento não prova perseguição política. Mas a ausência de critérios aparentes e uniformes alimenta dúvidas legítimas.

Numa democracia, a credibilidade das instituições depende não apenas da legalidade de seus atos, mas também da percepção de imparcialidade. Quando determinados agentes públicos são submetidos a operações de alto impacto midiático e outros personagens ligados ao mesmo ambiente de interesses permanecem fora do foco ostensivo, abre-se espaço para questionamentos sobre seletividade.

Talvez seja injusto concluir que exista motivação política. Mas também seria ingênuo ignorar que a política brasileira está repleta de investigações que, ao longo da história recente, produziram efeitos políticos antes mesmo de produzirem sentenças.

A própria nota divulgada pela assessoria de Jaques Wagner procura enfatizar esse aspecto ao lembrar que o senador "não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados". A defesa também afirma que "o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar" e que os valores apreendidos são "fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais".

A palavra final caberá à Justiça.

Mas a política não espera o fim dos processos.

Por essa razão, Jaques Wagner deveria considerar um afastamento temporário da liderança do governo no Senado. Não como admissão de culpa, mas como gesto de responsabilidade institucional. O precedente existe. Em 1993, o então ministro-chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, acertou com o presidente Itamar Franco seu licenciamento do cargo para dedicar-se integralmente à própria defesa diante de denúncias que surgiram contra ele. A lógica era simples: preservar o governo enquanto os fatos eram esclarecidos. Posteriormente inocentado, Hargreaves retornou ao cargo com sua reputação restabelecida.

O mesmo raciocínio poderia ser aplicado agora.

Se Jaques Wagner está convicto de sua inocência — e sua nota pública demonstra essa confiança —, um afastamento temporário da liderança lhe permitiria concentrar-se na apresentação de documentos e esclarecimentos, sem transferir ao governo Lula o desgaste político decorrente da investigação.

A presunção de inocência deve ser preservada. Mas a prudência política também é uma virtude republicana.

Num momento em que pairam dúvidas não apenas sobre os fatos investigados, mas também sobre os critérios adotados para investigar, a melhor resposta talvez seja aquela que fortalece simultaneamente a defesa do senador e a estabilidade do governo: transparência, serenidade e um afastamento temporário até que a verdade prevaleça.

*Jornalista - Fonte: Brasil247

**Leia também: Governo não irá "botar nada para debaixo do tapete", diz Guimarães sobre ação da PF que teve Jaques Wagner como alvo

14 junho 2026

Alcolumbre e bolsonaristas sabotam tramitação da PEC pelo fim da escala 6×1 no Senado


Por Milton Alves*

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), opera abertamente para atrasar a tramitação da PEC que acaba com escala 6×1. Para levar a cabo o seu intento nefasto, Alcolumbre tem o apoio dos senadores bolsonaristas e do Centrão corrupto.

Até o momento, Alcolumbre não tomou as medidas necessárias para fazer andar a PEC no Senado, como reunir as lideranças partidárias para combinar o rito da tramitação e despachar o texto para o exame e deliberação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Segundo reportagem da Agência Brasil, o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), disse que não recebeu informação sobre a data de envio da PEC à Comissão. Uma reunião entre Otto e Alcolumbre, prevista para esta semana, foi desmarcada pelo presidente do Senado. 

No entanto, Alcolumbre enviou à CCJ a PEC apresentada pelos bolsonaristas – e elaborada pelas federações patronais – contra o fim da 6×1, uma proposta que mantém a atual escala de trabalho e implanta a contratação por hora trabalhada, violando os dispositivos de proteção contidos na CLT.

Alcolumbre manobra para ganhar tempo na tentativa de esvaziar a PEC do governo Lula e até mesmo adiar a votação do projeto para depois das eleições de outubro. Ele faz o seu jogo sujo de olho no calendário legislativo, o recesso no Senado tem início no dia 18 de julho.

A aprovação da PEC pelo fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados foi resultado da mobilização social nas redes, das ações de rua do movimento VAT (vida Além do Trabalho), das audiências públicas nos parlamentos municipais e estaduais e dos atos organizados pelos sindicatos.  Ou seja, foi a combinação das diversas formas de pressão e de luta que obrigou a maioria da Câmara aprovar o projeto.

A sabotagem de Alcolumbre, de Rogerio Marinho (PL) e Flávio Bolsonaro (PL), a serviço do patronato reacionário e escravista, teve início no dia seguinte da vitória dos trabalhadores na Câmara dos Deputados.

Na verdade, Alcolumbre escalou a proposta dos patrões e da extrema direita para embaralhar o processo e travar a aprovação da PEC do fim da 6×1, garantindo a continuidade da atual jornada de trabalho e a superexploração da classe trabalhadora.

A saída para garantir a conquista obtida na Câmara (5×2, redução da jornada de 44 horas para 40 horas semanais, e sem redução de salário) só será possível com a pressão organizada dos trabalhadores e dos sindicatos.

Nos próximos dias, a tarefa é ganhar as ruas, intensificar as atividades nas portas de fábricas e nas redes sociais pelo fim da escala 6×1.

Nesta sexta-feira (12), a revista semanal Veja apresentou a denúncia que o senador Davi Alcolumbre recebeu a mega propina de R$ 155 milhões de reais do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, engrossando o escândalo BolsoMarster.

O repasse dessa montanha de dinheiro foi descoberto pela Polícia Federal no curso das investigações do caso, que envolve as principais lideranças políticas do bolsonarismo – como Flávio Bolsonaro – e do Centrão, Ciro Nogueira e Davi Alcolumbre, entre outros propineiros do baixo clero.

Resta saber, o nível do impacto político da denúncia na agenda do Senado. De toda forma, é ampliar a pressão sobre o Congresso inimigo do povo.

*Milton Alves é membro do Comitê Nacional do DAP Associação e membro do Diretório Estadual do PT-PR - Fonte: site do DAP Nacional

10 junho 2026

Quaest: Lula é o mais patriota para quase metade dos eleitores, à frente de Flávio Bolsonaro

A pesquisa apontou também melhora na aprovação do governo federal associada ao programa Desenrola 2.0

Lula

- O presidente Lula - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Julinho Bittencourt*

A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera entre os eleitores quando o tema é patriotismo e defesa dos interesses do Brasil. Segundo o levantamento, 47% dos entrevistados consideram Lula o político que melhor representa esse discurso, contra 37% que apontam o senador Flávio Bolsonaro (PL). O resultado surge em meio ao debate nacional sobre o novo pacote de tarifas imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, tema que tem dominado a agenda política e econômica nas últimas semanas.

Lula mais patriota

A pesquisa indica vantagem do presidente em diferentes cenários eleitorais. Na simulação de primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 29%. Em um eventual segundo turno, o petista venceria por 45% a 35%, abrindo uma vantagem de seis pontos percentuais sobre candidatos da oposição.

Reação ao tarifaço e avaliação do governo

O levantamento também mediu a percepção da população sobre a atuação do governo diante das tarifas norte-americanas. Para 47% dos entrevistados, a postura adotada por Lula no episódio foi correta. Já a aprovação do governo federal registrou 47%, enquanto a desaprovação ficou em 48%, configurando um empate técnico dentro da margem de erro.

Desenrola 2.0 ajuda a impulsionar aprovação do governo

Além do cenário eleitoral, a pesquisa apontou melhora na percepção do governo federal associada ao programa Desenrola 2.0, iniciativa voltada à renegociação de dívidas da população. De acordo com o diretor da Quaest, Felipe Nunes, o programa contribuiu diretamente para a redução do número de brasileiros endividados.

Menos brasileiros endividados

Os dados do levantamento mostram uma melhora nos indicadores financeiros da população:

  • O percentual de pessoas que se declaravam com muitas dívidas caiu de 28% para 23%.
  • Já o índice de brasileiros que afirmam não ter mais nenhuma dívida subiu para 30%.
  • Segundo a Quaest, o Desenrola 2.0 já alcançou diretamente cerca de 10% da população brasileira.

Programa tem apoio majoritário

A aceitação do Desenrola 2.0 já havia aparecido em pesquisas anteriores do instituto. Na rodada de maio, 50% dos brasileiros avaliaram o programa como uma boa ideia para ajudar a população a sair do endividamento. Entre os entrevistados, 38% disseram que a iniciativa ajuda muito, enquanto 27% afirmaram que ajuda pouco. Um dos pontos mais populares do programa foi a regra que prevê o bloqueio temporário de apostas online para quem renegociar dívidas: 79% dos entrevistados aprovaram a medida.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07661/2026.

*Fonte: https://revistaforum.com.br/

09 junho 2026

A esquerda brasileira capitulou?

Ser socialista, comunista em nossos dias, não capitular ideologicamente é um compromisso com a dignidade não apenas pessoal, mas histórica*

    Foto: Guilherme Santos/Sul21

Por Eliezer Pacheco (*) 

O mundo contemporâneo, novamente, vive sob a ameaça do fascismo, embora matizado pelas marcas de um novo tempo. Este fenômeno coincide com o debacle do mundo socialista e o consequente recuo das correntes de esquerda que tem encontrado dificuldades em entender este ressurgimento da direita em geral e do fascismo em particular. Ainda são válidas as reflexões de Ortega e Gasset no final da década de 20:

O fascismo tem uma feição enigmática porque, nele aparecem conteúdos os mais opostos. Afirma o autoritarismo e organiza a rebelião. Combate a democracia contemporânea e, por outro lado, não crê na restauração de qualquer regime antigo.

As dificuldades em entender o fascismo é histórica e não se limita a esquerda brasileira. Desde seu surgimento existem teorias não marxistas que o explicam como relacionado à natureza humana, outros a partir da psicologia das massas, à questões emocionais, etc.

Para Laclau,

Encontramos, assim, em todos estes esquemas interpretativos, a tendência a explicar o fascismo em termos do indivíduo isolado e de sua natureza peculiar. O indivíduo rompeu seus vínculos de integração social e se apresenta como massa indiferenciada face à ação dos demagogos.

Certamente, as correntes marxistas seguiram em outra direção, apresentando-o como a ditadura direta do capital monopolista. A mais criativa destas análises marxistas é a de Nico Poulantzas, que não o vê como um fenômeno histórico produto apenas da realidade italiana e alemã mas como uma possibilidade histórica de desenvolvimento do capitalismo que pode ser implantada em uma conjuntura específica de crise política. Para ele, esta crise é uma crise de hegemonia, decorrente também da derrota estratégica do movimento operário e popular e a incapacidade de determinada fração das classes dominantes em dar direção política ao  bloco no poder, à crise de legitimidade e de representação dos partidos tradicionais e à emergência da pequena burguesia como força política organizada. (4)

Não é objeto deste artigo discutir a natureza do fascismo, nos limitando apenas a ressaltar sua complexidade.

Em razão disto e de uma certa pobreza teórica, a esquerda brasileira nas últimas décadas não conseguiu sustentar o debate ideológico com a direita, com suas diversas variantes, inclusive a fascista. Parte da responsabilidade cabe à grande influência dos marxistas liberais da USP (Fernando Henrique, Gianotti, Francisco Weffort e outros) liderados pelo primeiro, desde a década de 60 até nossos dias. Estes, submetidos a uma concepção acadêmica e legalista do marxismo, o destituíram de sua feição revolucionária e, ao longo das últimas décadas avançaram em direção ao liberalismo. A intelectualidade do PCB, que possuía acúmulo e massa crítica para se contrapor a isto, foi massacrada ou dispersada pelo golpe de 64 e a ditadura imposta. O PCdoB sempre foi irrelevante teoricamente. Desta forma, a esquerda brasileira foi recuando cada vez mais até abandonar a prática, os conceitos e os princípios básicos de uma concepção de esquerda, revolucionária, aproximando-se do liberalismo. Não chega sequer a ser Social Democrata limitando-se a um “melhorismo”, a defesa da inclusão e da democracia. Não me refiro aos pequenos grupos da pequena-burguesia doutrinária pois não contam na real disputa político-ideológica e estão distante do mundo do trabalho. A esquerda clássica PT, PSOL, PCdoB, PSB e parte do PDT, na retórica se reivindicam do socialismo, mas silenciam sobre a transição para esta mudança. Certamente, também contribuiu para este recuo ideológico a institucionalização e burocratização destes partidos e do movimento sindical. O MST é uma exceção no movimento social brasileiro.

Qual o programa e a ação para chegar ao socialismo? Sem isto, torna-se uma mera profissão de fé. Será que imaginam que será através de uma PEC aprovada por 2/3 do Congresso Nacional? Nem o mais rematado utopista acreditaria nisto. Como será então a transição? Ao silenciar sobre isto, a esquerda brasileira foi perdendo o rumo e recuando cada vez mais (3).

Quando lembramos que há 61 anos atrás o governo trabalhista de João Goulart propunha as chamadas Reformas de Base (urbana, agrária, universitária, bancária etc.) percebemos o tamanho do recuo. Hoje, a esquerda se limita a defender a inclusão nesta sociedade desigual, a cidadania liberal-burguesa e a democracia liberal, bandeiras que podemos chamar de liberais-progressistas. Na tentativa de encontrar um rumo, isto é agravado pela adesão de boa parte da esquerda ao “identitarismo liberal” gestado nos laboratórios do Partido Democrata dos EUA, certamente, com alguma contribuição da CIA. Este, segmenta as lutas, ignora a questão das classes sociais, esquecendo que em todas estas “identidades” existem ricos e pobres, explorados e exploradores e, desta forma, ficam a dar voltas. É como o cachorro tentado morder o próprio rabo.

Submetido à concepção liberal-burguesa ela, assim como a direita, também classifica todos os regimes que não adotam este sistema como “ditaduras”, fazendo eco às posições do imperialismo. Assim, Cuba, Russia, Venezuela, Irã, Vietnã, etc., são ditaduras, apesar de terem instituições sólidas e rotatividade no poder. Alguns destes como a Venezuela, além de eleições periódicas, realizam plebiscitos para ouvir a opinião pública. Alguns enfrentam graves problemas decorrentes de décadas de bloqueio econômico da maior potência mundial. A Venezuela e Russia tiveram suas divisas depositadas na Europa e EUA confiscadas. Em contrapartida os EUA, onde a grande burguesia distribuída em dois partidos, monopoliza o poder numa verdadeira plutocracia, é apresentada como a “maior democracia” do mundo. Incrivelmente, alguns setores da esquerda brasileira comungam destas posições.

Na verdade, vivenciamos atualmente, uma profunda crise de legitimidade das Democracias Liberais, desmoralizadas pelo domino do poder econômico, pelo distanciamento entre representantes e representados e pela corrupção. A esquerda, acuada pelo avanço mundial das forças de direita e sem condições político-ideológicas de apresentar uma alternativa revolucionária, passa a ser a principal defensora da Democracia Liberal, com todas as suas mazelas. A direita fascista se apresenta como a contestadora deste sistema moribundo e tem propostas alternativas representadas pelo neofascismo, capitalizando a insatisfação popular com este sistema. A esquerda passa de revolucionário a conservadora, invertendo os papeis e criando uma enorme confusão ideológica nas massas.

Então qual a saída para a esquerda? Não há outra fora do resgate de sua identidade revolucionária, apresentando um Projeto Democrático-Popular com ampla participação das massas, orientado para o socialismo, com propostas concretas para esta transição e com profundas transformações de nossas instituições: Sistema Politico, Forças Armadas, Policias, Judiciário, Sistema Financeiro, estrutura agrária e urbana, etc. Certamente, nos dias atuais, com a complexidade da sociedade, esta transição é muito mais complexa do que nos primórdios do capitalismo. Raríssimos são autores que trataram disto. 

Necessitamos de uma esquerda que seja uma alternativa ao corrompido liberalismo-burguês e ao fascismo genocida. Uma esquerda que seja esquerda, revolucionária, no sentido mais amplo desta palavra. Acredito que o acirramento das contradições no Brasil e no mundo fará ressurgir esta esquerda que será revolucionária, mas sem se submeter ao “esquerdismo” pequeno-burguês doutrinário, identitarista.  Que veja esta revolução não como uma profissão de fé, mas resultado da dura luta de classes de nosso tempo, apontando os caminhos para atingir este objetivo. Ser socialista, comunista em nossos dias, não capitular ideologicamente é um compromisso com a dignidade não apenas pessoal, mas histórica.

(*) Professor de História pela Universidade Federal de Santa Maria, Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul

1.Ortega Gasset, José. Sobre el Fascismo. Madri, 1927.

2. Laclau, Ernesto. Política e Ideologia na Teoria Marxista. Capitalismo, Fascismo e Populismo. Rio de Janeiro: Paz na Terra, 1979. p.91/92.

3.Poulantzas, Nico. Fascismo e Ditadura. A III Internacional face ao fascismo. Enunciado Publicações, 2021

**Postado originalmente no site Sul21