27 fevereiro 2026

MUDAR PARA MELHOR - Fim da escala 6×1 aumenta produtividade e pode gerar 4,5 milhões de novos empregos, diz estudo da Unicamp

Pesquisa simulou cenários a partir da redução da escala de 44 para 36 horas e conclui que país está pronto para mudança

Manifestação pelo fim da escala 6×1: pauta deve ser votada no Congresso ainda no primeiro semestre de 2026 | Crédito: Letycia Bond/Agência Brasil

Por Carolina Bataier*

Ao reduzir a jornada laboral de 44 para 36 horas semanais, o Brasil pode ganhar 4,5 milhões de novos postos de trabalho – a depender de ações políticas e engajamento dos setores produtivos para a adaptação à nova realidade. Além disso, o país ganha em produtividade, já que trabalhadores descansados executam suas tarefas com mais agilidade e precisão.

Nesse sentido, a redução da jornada de trabalho elevaria em cerca de 4% os níveis de produtividade no país, segundo projeções do “Dossiê 6×1”, um compilado de artigos produzidos por pesquisadores do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) do Instituto de Economia (IE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Os números são apresentados em um levantamento que simulou cenários a partir da redução da jornada de 44 para 36 horas semanais, considerando o aumento na produtividade dos trabalhadores somado a compensações internas dos setores produtivos.

Os resultados estão no artigo “Considerações Sobre a Redução da Jornada de Trabalho: criação de postos de trabalho e aumento da produtividade dos trabalhadores e das trabalhadoras”, de autoria de Marilane Teixeira, Clara Saliba, Caroline Lima de Oliveira e Lilia Bombo.

As projeções são otimistas, contrariando os argumentos alarmistas sobre o impacto econômico da redução da jornada de trabalho, indicando que a mudança na estrutura laboral não afetará a economia do país. “Parte significativa da literatura econômica que discute o assunto parte de modelos que assumem, como regra, que qualquer redução na quantidade de horas trabalhadas levará, inevitavelmente, à redução da produção e da renda – ignorando, assim, os ajustes dinâmicos que historicamente ocorrem no mercado de trabalho”, indica o artigo.

A própria experiência brasileira aponta em sentido contrário às projeções negativas sobre o assunto. O artigo remonta à redução da jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais, estabelecida pela Constituição de 1988 para afirmar que “em razão da diminuição do tempo de trabalho e possível melhora na qualidade de vida do trabalhador, viu-se um aprimoramento no desempenho das funções, o que explicaria, em algum nível, o aumento da produtividade do trabalho a uma taxa média anual de 6,5% entre os anos 1990 e 2000”.

A pesquisa lembra que “nenhuma das variáveis em jogo está dada, e a resposta do mercado às mudanças na legislação sobre jornada de trabalho dependerá, também, da capacidade de articulação política dos atores envolvidos – em todos os lados”.

Ao dedicar menos tempo ao trabalho – no entanto, sem perdas salariais – a classe trabalhadora pode dedicar mais tempo a outras atividades igualmente importantes para uma vida digna.

“Além do evidente aumento nas horas de lazer que, por si só, representa um salto de qualidade de vida, pois, uma jornada reduzida amplia o tempo disponível para outras duas esferas fundamentais, inclusive, ao funcionamento da sociedade capitalista”, indica o estudo.

Outro artigo do dossiê, assinado pela pesquisadora Monica Simone Pereira Olivar, destaca os benefícios da redução da jornada na saúde dos trabalhadores. “A diminuição da carga horária reduz a exposição a ambientes e condições potencialmente insalubres e acidentes de trabalho. O descanso, pois, está intrinsecamente relacionado ao direito à saúde e ao equilíbrio entre a vida profissional e pessoal”, afirma a pesquisadora, no artigo “Escala 6×1 e a saúde de trabalhadoras e trabalhadores”.

O “Dossiê 6×1” é composto por 37 artigos, escritos por 63 autores, entre professores, pesquisadores, membros do Judiciário, auditores fiscais do trabalho e representantes sindicais. Também participaram da elaboração 18 pareceristas. O material está sendo publicado semanalmente de forma simultânea em 19 sites, incluindo o do IE.

Brasileiro trabalha muito

O dossiê, realizado por pesquisadores do Cesit com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que aproximadamente 21 milhões de trabalhadores brasileiros cumprem jornada superior às 44 horas semanais previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Indica também que 76,3% das pessoas ocupadas no Brasil têm jornadas superiores a 40 horas semanais, sendo que 58,7% de todos os empregados trabalham entre 40 e 44 horas semanais. Para Teixeira, essas são evidências de que o brasileiro está entre os que mais trabalham no mundo.

“Além disso, temos um nível de informalidade muito alto que, em geral, ultrapassa em muito as 44 horas. Há, ainda, os casos de horas extras. A partir das reformas trabalhistas de 2017, abriu-se a possibilidade de pagamento de horas extras com banco de horas, e não em remuneração”, lembra a pesquisadora, em entrevista ao site do Jornal da Unicamp. “Esse argumento de que o Brasil já trabalha pouco, definitivamente, não serve”, afirma.

A economista lembra que 18% da força de trabalho faz entre 45 horas e 49 horas semanais, e 58,7% que fazem entre 40 e 44. “Se a redução já é possível em vários segmentos, por que no comércio e serviços ela não pode ocorrer?”, questiona a professora.

A redução da jornada de trabalho deverá ser votada no Congresso Nacional ainda neste semestre. Uma das propostas em tramitação proíbe a chamada escala 6×1 (um dia de descanso a cada seis de trabalho), substituindo-a pela 4×3 (quatro de trabalho e três de folga a cada semana). De acordo com o estudo, essa mudança atingiria diretamente 76 milhões de trabalhadores.

Caso a redução seja para 40 horas semanais, na escala 5×2, a alteração afetaria a vida de aproximadamente 45 milhões de trabalhadores.

*Editado por: Nathallia Fonseca - Via BdFFacebook


26 fevereiro 2026

Paulo Pimenta denuncia “fraude” de Carlos Viana na CPMI do INSS

Deputado anuncia ação contra o presidente da comissão: “o senhor está dando um golpe na votação”

Carlos Viana e Paulo Pimenta (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)


247* - Por Guilherme Levorato O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) acusou o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), de cometer uma “fraude” durante a condução de uma votação simbólica no colegiado. Segundo o parlamentar, o resultado proclamado não refletiu o número real de votos contrários aos requerimentos em análise, o que, em sua avaliação, configura uma violação ao regimento e ao processo democrático.

A denúncia foi feita em pronunciamento no plenário da comissão. Na ocasião, Pimenta afirmou que houve erro material na contagem e pediu a anulação imediata do resultado. O episódio ocorreu no contexto das deliberações da CPMI que investiga irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Em sua fala, o deputado classificou o episódio como grave e direcionou críticas à condução da sessão. “O que aconteceu é algo muito grave. Atenta contra a democracia e o parlamento. Peço que a imprensa ajude a sociedade a tomar conhecimento de uma ação ilegal realizada no plenário dessa comissão há poucos minutos pelo presidente, senador Carlos Viana”, declarou.

Pimenta detalhou o que, segundo ele, teria sido o cenário da votação. “No momento da votação, isto a imprensa pode comprovar pelas imagens, votaram, levantaram a manifestaram seu posicionamento contrário a senadora Soraya Thronicke, Randolfe Rodrigues, Jussara Lima, Jaques Wagner, Tereza Leitão, deputado Damião Feliciano, Átila Lira, Cléber Verde, Orlando Silva, Romero Rodrigues, Paulo Pimenta, Alencar Santana, Neto Carleto e Rogério correia. Portanto, 14 parlamentares votaram contra a aprovação dos requerimentos.”

O deputado também argumentou que apenas os titulares teriam direito a voto naquele momento. “No momento da votação, pelo contraste visual entre todas as pessoas que estavam sentadas, só tinham direito a voto os titulares: Izalci Lucas, Eduardo Girão, Rogério Marinho, Coronel Fernanda, Adriana Ventura, Alfredo Gaspar e Marcel Van Hattem. Portanto, no momento da votação, pelo contraste, o resultado da votação foi 14 a 7. O regimento é claro no sentido de que o contraste da votação simbólica se dá por maioria ou minoria entre os presentes. Portanto, foi 14 a 7 a votação. Não existe essa interpretação de que o quórum seria o total. Isso não tem previsão regimental.”

Com base nessa interpretação, Pimenta solicitou formalmente a revisão do resultado. “Diante disso, requeiro a vossa Excelência que anule o resultado por erro material da contagem e que o Vossa Excelência anuncie o resultado verdadeiro, baseado nas imagens. Não havendo, por parte de Vossa Excelência, esse entendimento, comunico que vamos interpretar como uma ação deliberada pelo senhor para fraudar o resultado da votação.”

O parlamentar anunciou ainda que pretende recorrer a outras instâncias do Legislativo. “E diante deste fato, iremos até o presidente do Congresso Nacional para solicitar a imediata anulação da votação e, ao mesmo tempo, vamos fazer uma representação no Conselho de Ética do Congresso contra Vossa Excelência por decisão de fraudar o resultado da votação, mesmo que todas as pessoas que estão aqui saibam que o resultado é outro. O senhor está dando um golpe na votação. E nós vamos buscar a responsabilização regimental com a anulação dessa votação fraudulenta. Lamento, mas teremos que fazer uma representação no Conselho de Ética por ser o autor desta fraude.”

Em resposta, o presidente da comissão, senador Carlos Viana, afirmou ter seguido estritamente o regimento interno do Senado. “Esta presidência presta os seguintes esclarecimentos quanto ao regimento interno do Senado: artigo 293, primeiro: os senadores que aprovarem a matéria deverão permanecer sentados, levantando-se os que votarem pela rejeição. Esta presidência contou duas vezes sete votos.”

Viana explicou que, após a concessão de verificação de votação, não seria possível nova conferência antes do prazo regimental. “Concedida a verificação de votação e constatada a existência do número, não será permitida nova verificação antes do decurso de uma hora. Os requerimentos foram submetidos à verificação nominal de modo que a nova verificação é impossível regimentalmente. Estávamos, portanto, impedidos de fazer uma votação nominal e obrigados a votar simbolicamente.”

O senador acrescentou que, em votações simbólicas, não se contabilizam todos os votos individualmente. “Destaca-se que, em uma votação simbólica, não se contam todos os votos. Se não, estaríamos falando de votação nominal. Em votações simbólicas, costuma-se observar visualmente os votantes. Olhando o plenário, parecia ter mais pessoas sentadas. Todavia, suplentes e não membros poderiam estar presentes, o que sequer é considerado normalmente numa votação simbólica.”

Segundo ele, houve uma contagem dos votos contrários, mas não seria possível registrar todos nominalmente. “Todavia, em razão de uma ser uma votação importante, esta presidência foi além e contou os votos contrários. Porém, não há como contar todos, se não estaríamos fazendo uma votação nominal. Por isso, contaram apenas os votantes contra. De tal forma, não há como proclamar outro resultado senão a aprovação dos requerimentos. Ainda que considerasse 13 ou 14 parlamentares contra, isso seria insuficiente para rejeitar os itens.”

*Fonte: Brasil247

Caso Marielle - ‘Um recado para quem debochou da morte da minha irmã’, diz Anielle Franco após condenação dos assassinos de Marielle e Anderson

Julgamento no STF condenou os irmãos a 76 anos pela morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes

A ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle Franco, Anielle Franco durante ato que pede Justiça por Marielle e Anderson, em frente ao Tribunal de Justiça, no centro do Rio de Janeiro | Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

As famílias da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, assassinados em 2018, se pronunciaram em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (25), após o fim do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou os responsáveis pelos crime: mandantes, executores e cúmplices. Em falas emocionadas, familiares e companheiros de luta da dupla destacaram a defesa da democracia e a importância da decisão que, segundo eles, vai contra a “certeza de impunidade” presente em determinadas camadas da sociedade.

Dentre os cinco réus condenados pelo STF estão os irmãos Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, e Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, ambos apontados pela Polícia Federal como mandantes do crime.

“É um dia muito difícil para todos nós, porque não tem como não relembrar tudo o que aconteceu naquele 14 de março”, iniciou a ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle, Anielle Franco. “Mas eu vou tirar do meu peito uma fala que ecoa dentro de mim há oito anos, e falo isso com muita dignidade: que o dia de hoje seja também um recado para a parcela da sociedade que debochou da morte da minha irmã”, disse. “A violência política de gênero e raça levou a minha irmã há oito anos atrás, e precisa ser aniquilada neste país. Agora, antes de falarem da índole de Marielle, vão ter que lidar com os fatos”, completou a ministra.

Anielle Franco comentou ainda o fato de que a condenação ocorreu numa quarta-feira, mesmo dia da semana em que Marielle foi assassinada. “Para a gente, não é coincidência”, disse. Dentro das religiões de matriz africana, a quarta-feira é atribuída ao orixá Xangô, relacionado à justiça e à sabedoria.

Marinete da Silva, mãe da vereadora, também pontuou a defesa da democracia como pilar da condenação e elogiou o trabalho do STF, definindo a Corte como “guardiã da justiça” no país. Visivelmente emocionada, ela pediu que o legado de Marielle seja preservado e protegido. “Para que o mundo saiba quem foi minha filha”, completou. Ela descreveu o momento como “mais um dever cumprido desta família que há oito anos caminha e luta” e “um alívio, porque a pergunta que ecoava no mundo era ‘quem mandou matar Marielle'”, declarou.

A palavra “alívio” também foi usada por Agatha Arnaus, viúva do motorista Anderson Gomes. Ela destacou a importância política do julgamento que, segundo ela, é também em defesa de pessoas que, como Anderson e Marielle, “fizeram o bem”.

Já Luyara Franco, filha de Marielle, ressaltou a coragem e a luta das famílias nos últimos oito anos. “Continuamos ecoando a pergunta sobre quem mandou matar Marielle e Anderson”, lembrou. Ela reforçou o trabalho político da mãe e disse que “o dia de hoje é uma resposta aos 25.502 eleitores que votaram nela”.

A viúva da vereadora, Mônica Benício, que exerce hoje o mesmo cargo que a esposa exerceu no Rio de Janeiro, destacou “um recado político, muito debatido hoje, de que o corpo de Marielle é um corpo entendido como descartável. Um corpo de mulher, negra, periférica, socialista. E o recado político é que se acreditou que [o crime] não ia gerar a comoção que gerou. Mas no dia 14 de março de 2018, o Brasil inteiro chorava porque entendia que o que acontecia ali era não só um ataque aos direitos humanos, mas à democracia”, disse. “O que nós perdemos é irreparável, mas a democracia precisa ser reparada”, destacou.

*Editado por: Nathallia Fonseca - Via Redação do BdF

23 fevereiro 2026

Cuba, a Espanha do século XXI*

 

O quadro Guernica, de Pablo Picasso, lembra a destruição, em 1937, da cidade basca, no Norte da Espanha, por bombardeios de aviões fornecidos pela Alemanha nazifascista. O crítico de arte Robert Rosenblum analisa a obra: "Ela equivale a uma imagem do fim do mundo, sobretudo do mundo moderno, como o conhecemos. Um clarão ofuscante de chamas, em seguida a sensação do caos definitivo. Mulheres e crianças gritando, um touro, um cavalo, uma visão de choque e trauma que representa todo o nosso pavor à beira do abismo. Da forma mais impressionante e poderosa, Guernica anuncia a mensagem da guerra, do potencial destrutivo do século 20"


A inação diante de Cuba repete o erro fatal de Munique: apaziguar o agressor só adia a guerra e a torna mais devastadora — a história não perdoa os que se calam diante do fascismo renascente

Por Gabriel Cohn*, em A Terra é Redonda

1.

As atitudes do discípulo menor do senhor Adolf Hitler, com direito a reivindicação análoga à Grande Alemanha (Grossdeutschland) nazista no esgar maníaco da Grande América-MAGA, o senhor Donald Trump, vêm alisando o caminho de tendência atual de fundamental importância.

Trata-se da experiência de pesadelo configurada na repetição passo a passo nos primeiros 30 anos do século XXI do período correspondente no século passado.

Que ninguém se iluda: no ritmo atual teremos no final desta década situação análoga à da Europa em 1939, após as tentativas de apaziguar Hitler em Munique no ano anterior.

O imbróglio geopolítico é no mínimo comparável e o potencial destrutivo é incomparavelmente maior, com uma Europa que mais parece a sua problemática área balcânica da fase inicial do século passado, uma projeção oriental em plena expansão e os Estados Unidos em fase neocolonial maníaca (com bem menos racionalidade do que a obsessão nazista por “espaço vital”).

A expansão agressiva nazista na Europa há um século não ganhou impulso no vácuo.

Foi precedida por um teste decisivo da capacidade de resistência internacional, em condições históricas especialmente expressivas. Deu-se ela há exatos 90 anos, quando a República espanhola de 1936 atraiu sobre si a fúria fascista com seu agente, o general Francisco Franco, como operador do eixo Alemanha-Itália.

A Espanha representava na segunda metade da década de 1930 a cabal síntese dos dilemas que atravessavam as sociedades europeias desde a primeira guerra mundial de 1914-1918 (ou, como se veria depois, desde a primeira etapa da guerra de trinta anos de 1914-1945).

Cortada de alto a baixo pelo conflito entre as forças ultrarreacionárias no poder e os movimentos populares e autonomistas centrados na Catalunha e no País Basco, ela, junto com Portugal, pagava o preço do arrogante desprezo europeu por aquelas sombras de eminência histórica passada.

O historiador britânico Gerald Brennan encontrou uma expressão clara ao falar no “labirinto espanhol”.

O que antes era um caminho sem saída nacional hoje parece ter-se convertido em armadilha em escala planetária, com uma superpotência (que a Alemanha nunca foi) em fase de desagregação e incapaz de sequer gerar objetivos nacionais claros no seu centro.

2.

A península ibérica era em 1936 o território perfeito como campo de provas para o avanço bélico da extrema direita no poder na Alemanha e na Itália, a começar pelo teste de armamentos como os aeronáuticos da Legião Condor, que se imortalizou na destruição da pequena e pacífica Guernica (Condor, sim, como a organização de extermínio dos regimes de ultradireita argentinos, chilenos e brasileiros pouco mais de três décadas depois).

Não se tratava de uma guerra de destruição nacional, era muito mais o uso oportunista de uma plataforma disponível para a preparação de avanços belicosos sem limite. Desde que, e esse era o ponto, não encontrasse oposição armada convincente.

Não encontrou. O que fez o governo da Frente Popular com tintura socialista na fronteiriça França?

Nenhum passo de solidariedade, para dizer o mínimo, com o resto da Europa igualmente calada, exceto na intervenção cautelosa, mas real com base no movimento comunista, da União Soviética.

O que ficou de luminoso naquele período foi a valorosa valentia combativa da oposição popular no interior da Espanha e o movimento, único em seu alcance e amplitude, de solidariedade até o sacrifício das Brigadas Internacionais, com uma adesão voluntária que incluiu numerosos brasileiros como Mario Pedrosa, a título de exemplo.

Há quem sustente, de modo plausível, que nos encontramos hoje diante de uma sequência de testes desse tipo, com o morticínio em Gaza desempenhando o papel exemplar para outras agressões em cadeia, caso essa logre seu repugnante êxito.

Desafio análogo se apresenta neste momento, com Donald Trump ameaçando a literal sobrevivência do povo cubano e arreganhando os dentes para quem ousar qualquer oposição, por ora só encontrando resposta efetiva no valoroso México, o mesmo que em 1936 vivia a mais consistente revolução nacional na América Latina.

Especialmente atingidos pela provocação, além é claro dos vizinhos mais próximos, são os países nucleares da associação internacional independente BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, com o Brasil envolvido mais do que como mero destaque na sigla.

No Brasil as ações mais fortes de apoio a Cuba vêm do interior da sociedade para além do Estado nacional, como o MST e os petroleiros. Isso é vital, mas insuficiente.

Ameaças à integridade de nações e, no caso extremo como presenciamos agora, quando populações inteiras são postas como alvo de agressão letal, só podem ser contidas com ações decididas e rápidas no plano internacional, antes que o complexo industrial-militar ao Norte se arreganhe demais.

Do contrário, o conflito bélico que com razão se busca evitar corre o risco de se concretizar, como há um século em circunstâncias semelhantes. Não vivemos a melhor hora para se confiar na racionalidade de governantes e representantes, em Washington ou em Miami.

Cabe ao povo a solidariedade a Cuba e a cobrança aos governantes que o representam.

Espanha republicana sim, Cuba independente sim, fascismo nunca mais, com ou sem Adolf ou Donald.

De Lula, Celso Amorim e equipe cabe exigir firmeza e ação pronta.

*Gabriel Cohn é professor emérito da FFLCH- USP. Autor, entre outros livros, de A difícil República (Azougue). [https://amzn.to/4mJBJeM]

**Via Viomundo

22 fevereiro 2026

POLÍTICA - A direita orienta os ‘conselheiros’ de Lula

 



Por Moisés Mendes*

Tenta ser divertida, mas é muito chata uma das alas do debate sobre a homenagem da Acadêmicos de Niterói a Lula. Dizem o que Lula deveria ter feito, não como opinião, mas como um alerta que não foi ouvido.

Tem gente nas redes sociais dizendo que Lula, o mais intuitivo de todos os políticos desde Getúlio Vargas, deveria ouvir o seu Mércio, o mais famoso morador da Aberta dos Morros, em Porto Alegre, e suas advertências infalíveis.

Gente que sabe tudo e saberia mais do que Lula, que não prestou atenção nos seus avisos. Dizem que dona Eulália, da fruteira Nossa Senhora de Lourdes de Cacequi, mandou um sinal amarelo pelo whats para o Planalto.

Que o seu Bento, capataz de fazenda em Sorocaba, avisou um amigo que conhece alguém em Brasília. Vozes conhecidas das esquerdas influenciam seu Bento.

Não vá, Lula, que é fria. Cuidado, Lula, que as arapucas estão onde a gente menos espera. Você experimentou e venceu todas as crueldades da direita, mas não se deu conta de que a homenagem era uma armadilha.

Você, Lula, que eles encarceraram por 580 dias para sair da prisão caindo aos pedaços, você saiu inteiro e conseguiu se reeleger pela terceira vez. Mas agora você foi amador, Lula. É o que dizem os alarmistas profissionais.

Você, que sabia que sairia da prisão mais forte do que entrou, não sabe tudo, Lula. É o que a direita diz e parte da esquerda, inclusive com mandato, repete no mesmo ritmo.

É uma ladainha. A mesma conversinha que contagia parte das esquerdas com os ataques dos jornalões, do centrão e do bolsonarismo ao STF. As esquerdas viraram papagaios da direita.

A direita pauta a esquerda em quase tudo e até nessa história da arapuca da Sapucaí. É cansativo, mas dirão durante muito tempo que Lula caiu numa tocaia.

A escola de Niterói apenas o atraiu para um roteiro bem urdido, sabendo que o TSE logo estará sob o controle de Nunes Marques e André Mendonça.

Lula não se deu conta disso. Nem o pessoal do seu entorno. Ninguém em Brasília percebeu que, ao invés da bravura e da imaginação dos negros de Niterói, o que havia era uma trama.

Lula enfrenta o jogo sujo de Trump. Avisa ao mundo que irá encarar as big techs. Dá dribles no fascismo nacional e mundial. Mas é ingênuo quando o assunto é Carnaval.

É o que eles repetem. Que Lula caiu na conversa do sambinha de Niterói. Que a homenagem subiu à cabeça dele e de Janja. Que Lula precisa ser mais esperto e não se aliar aos que colocam a tradicional família brasileira dentro de latas de conserva.

Essa é a parte aparentemente divertida da guerra do fascismo contra a Acadêmicos de Niterói, contra os negros e a arte do povo e contra as alegorias que denunciaram a extrema direita enlatada.

Caíram no conto das pautas das Malus Gaspares e nas conversas dos Mervais para dar conselhos a Lula. Alertaram Lula como se fizessem parte da batucada dos jornalões. Recomendaram que Lula se recolhesse a um retiro no Pico dos Marins, na Serra da Mantiqueira.

Curem o porre moralista e parem com isso. Sejam menos influenciáveis pelas homilias da Globo News. Evitem comentários deselegantes sobre um homem com pós-doutorado em como lidar com as pedras, os podres e as latas no seu caminho.

Lula foi empurrado pelo sentimento de que merecia a homenagem, como faz desde o dia em que peitou os ditadores. Lula é sentimento. Olhou para Janja e disse: nóis vai. E foram.

E venceram, porque a racionalidade mais básica e rasa não pode vencer o poder da intuição e dos movimentos genuínos da arte e da política que ainda resiste ao lavajatismo e à tentativa de ressurreição do bolsonarismo.

Lula e Janja foram tão bravos quanto a Acadêmicos de Niterói. Ah, sim, dizem que Lula foi personalista. Assim é na política, meus amigos não foliões. A política não existe sem personalidades e celebridades.

Nem o futebol, nem a Igreja e muito menos uma escola de samba. Lula foi homenageado porque merece até continuar correndo riscos que só ele corre como líder vencedor.

A direita não gostou? Por que a esquerda precisa se incomodar com esse incômodo deles? Se Lula fosse ouvir tudo o que dizem no Natal, na Páscoa e no Carnaval, seria um Tarcísio vacilante qualquer, não seria o Lula.

*Jornalista - Fonte:  Blog do Moisés Mendes

Internacional - Solidariedade com Mélenchon*

 



São Paulo, 21 de fevereiro de 2026

Ao camarada Jean Luc Mélenchon,
Aos camaradas da França Insubmissa,

Queiram receber a nossa mais fraternal solidariedade contra a furiosa campanha da extrema-direita, da direita e da mídia de satanização da LFI.

As provocações não conhecem limites!

Após o trágico assassinato de um fascista em Lyon, no dia 14 de fevereiro – que nada tem a ver com os conhecidos hábitos da LFI – uma onda sem precedentes de calunias foi desatada contra o camarada Mélenchon, os parlamentares e militantes do seu partido. Locais foram covardemente atacados, a sede nacional teve que ser desocupada sob ameaça de bomba.

São os sinais da decadência de um sistema apodrecido que, por cima da democracia, lança mão da violência para intimidar qualquer resistência à sua política social de corte de direitos, que acompanha o apoio a guerras destrutivas pelo mundo e ao genocídio na Palestina.

Desde o Brasil, em luta pela soberania nacional e pelos direitos do nosso povo, compartilhamos que em nenhuma parte vão conseguir calar as vozes da mudança que defendem os direitos e a democracia contra os “podres poderes”.

Vossa luta é a nossa luta!

Markus Sokol
Comitê Nacional do Diálogo e Ação Petista (DAP)

17 fevereiro 2026

O desfile da Acadêmicos de Niterói que a Globo não mostrou

Ângela Carrato: ''A Acadêmicos de Niterói, além da história do Lula, contou também a história recente do Brasil, que a mídia golpista, Globo à frente, tenta escamotear''.Fotos: Laís Reverte/Mídia Ninja e Ângela Carrato

Por Ângela Carrato*

Lindo, emocionante e impactante.

Assim pode ser definida a apresentação da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que abriu o desfile do grupo especial nesta noite de domingo (15/2).

Em pouco mais de uma hora, foi contada a história de Lula, o menino pobre nordestino, que escapou da seca, da pobreza e da fome e se tornou o melhor presidente do Brasil e um dos líderes políticos mais respeitados no mundo.

Antes mesmo do começo do desfile as arquibancadas do sambódromo já cantavam sem parar o lindo samba enredo e o refrão Lu-lá, Lu-lá, ressoava por toda a avenida.

A chegada de Lula foi simplesmente maravilhosa. Todo vestido de branco e com o inseparável chapéu, esbanjava carisma e alegria.

Claro que a TV Globo não mostrou nada disso.

Detentora exclusiva dos direitos de transmissão sobre o desfile carioca, a emissora da família Marinho fez de tudo para jogar o evento para baixo.

Começou a transmissão atrasada, deu voz a uma turma de repórteres e comentaristas que se fixaram no óbvio e ignoraram o importante.

Nada disso foi por acaso.

Nos últimos dias a direção da Globo chegou a pensar em nem transmitir o desfile, a partir da falsa alegação dos setores de oposição de que o evento se constituiria em campanha eleitoral antecipada.

Como ficaria óbvia a censura patronal ao desfile, foi elaborado um protocolo para a cobertura, que toda a equipe da Globo devia seguir.

Pelo protocolo, as referências a Lula seriam as menores possíveis, o mesmo se dando em relação à sua presença.

Tanto que ele foi mostrado uma única vez e en passant. Algo no mínimo inusitado em se tratando de uma homenagem.

O barulho da oposição foi tamanho que a esquerda caviar também chegou a embarcar na conversa de que o “mais prudente” seria ele nem comparecer ao desfile.

Foi feito todo tipo de terrorismo: se Lula for, corre o risco de ser vaiado ou ficar inelegível.
Nada mais distante da realidade.

A Acadêmicos de Niterói desfilou e, além da história do Lula, contou também a história recente do Brasil, que a mídia golpista, Globo à frente, tenta escamotear.

O carro da comissão de frente, o abre-alas, por exemplo, sintetizou muito bem o golpe contra a presidente Dilma Rousseff, os governos golpistas de Michel Temer e Jair Bolsonaro, sem falar no próprio Bolsonaro condenado e pagando pelo que fez atrás das grades.

Não faltou, neste carro, nem a cena do Jair com tornozeleira tentando fugir.

Claro que a Globo corre destas imagens como o diabo da cruz.

Para a cena golpista ficar perfeita, faltou apenas incluir a própria TV da família Marinho nela.

Ao contrário de outras coberturas, a Globo preferiu planos muito abertos feitos do alto por drones ou closes ultra rápidos. Agindo assim evitou mostrar a euforia que tomou conta do sambódromo e também as imagens incríveis que a escola trouxe sobre Lula, sua vida e a própria vida brasileira.

Por tudo isso adorei o desfile e detestei a transmissão da Globo.

A Acadêmicos de Niterói nos proporcionou um espetáculo de cultura popular, de música, de dança e sobretudo de história de um país que voltou a dar certo.

Um Brasil que venceu o medo.

Daí o ódio que a classe dominante – da qual a familia Marinho é parte – nutre contra Lula.

Daí esta cobertura torta e enviesada de um desfile tão importante e significativo.

Cobertura tão enviesada que suprimiu até o seu final apoteótico, com as arquibancadas gritando “sem anistia para golpistas”.

Não faltarão, nos próximos dias, os urubus de sempre, na mídia e fora dela, falando que o desfile foi um “absurdo”, “campanha eleitoral antecipada”.

Para esses velhos e novos corvos só tenho a dizer que a campanha começa apenas em agosto e que Lula sequer ainda é candidato.

Parabéns Acadêmicos de Niterói!

Parabéns Lula pela merecidíssima homenagem!

*Ângela Carrato é jornalista, professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG e membro do Conselho Deliberativo da ABI - Fonte: Viomundo

16 fevereiro 2026

Nota: Inexiste irregularidade eleitoral em desfile, afirma jurídico do PT

A concepção, desenvolvimento e execução do desfile ocorreram de forma autônoma pela agremiação carnavalesca, sem participação do PT ou de Lula




Nota do Jurídico do Partido dos Trabalhadores*

O Partido dos Trabalhadores esclarece, diante de questionamentos públicos sobre o desfile carnavalesco que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que:

1. O enredo apresentado é manifestação típica da liberdade de expressão artística e cultural, plenamente assegurada pela Constituição Federal. A concepção, desenvolvimento e execução do desfile ocorreram de forma autônoma pela agremiação carnavalesca, sem participação, financiamento, coordenação ou qualquer ingerência do Partido dos Trabalhadores ou do presidente Lula;

2. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral é firme no sentido de que manifestações políticas e culturais espontâneas de artistas constituem exercício legítimo da liberdade de expressão, inclusive em contextos eleitorais e em eventos públicos;

3. Nos termos do art. 36-A da Lei das Eleições, não configura propaganda eleitoral antecipada a mera exaltação de qualidades pessoais de agente político, sobretudo quando realizada por terceiros e sem pedido explícito de voto, elemento indispensável para caracterização de irregularidade eleitoral, inexistente no caso;

4. O Tribunal Superior Eleitoral já analisou as medidas judiciais apresentadas sobre o tema, indeferindo pedidos liminares. As demais iniciativas judiciais foram indeferidas;

5. À luz desses elementos, não há fundamento jurídico para qualquer discussão sobre inelegibilidade relacionada ao episódio;

6. O Partido dos Trabalhadores reafirma que atua em estrita observância à legislação eleitoral, tendo orientado previamente seus filiados e apoiadores quanto às regras aplicáveis ao período de pré-campanha.

O Partido reitera seu respeito às instituições e à Justiça Eleitoral, confiante na prevalência da Constituição, da liberdade artística e da segurança jurídica.

Brasília, 16 de fevereiro de 2026

*Via https://pt.org.br/

Acadêmicos de Niterói homenageia Lula na Sapucaí e leva recados políticos ao carnaval do Rio

Enredo sobre a trajetória do presidente abre o Grupo Especial, cita Janja e faz alusão a Bolsonaro como “palhaço preso”

Acadêmicos de Niterói homenageia Lula na Sapucaí e leva recados políticos ao carnaval do Rio (Foto: Lucas Victorio | Riotur)


247* – A Acadêmicos de Niterói abriu os desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio neste domingo, 15 de fevereiro de 2026, na Marquês de Sapucaí, com um enredo que homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e transforma sua trajetória em narrativa carnavalesca, com referências diretas ao PT, alusão a Jair Bolsonaro e repercussão imediata no ambiente político. Desfile sobre o presidente Lula na Sapucaí encerrou com o público gritando “sem anistia”. 

A escola levou para a avenida o samba-enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, apresentando um recorte simbólico da história do presidente, com início em 1952.

Na encenação, o ator e humorista Paulo Vieira interpretou Lula durante a apresentação, enquanto o presidente assistia ao desfile no camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro e chegou a descer para a avenida.

A própria escola destacou a dimensão histórica do homenageado. “A liderança política de Lula marcou definitivamente a história do Brasil. Eleito deputado constituinte e presidente da República, Luiz Inácio subiu ao Palácio do Planalto após receber mais de 52 milhões de votos. Alguns dirão que ele bancou o camaleão, disfarçando de verde e amarelo sua coloração essencialmente vermelha”, afirmou a agremiação.

PT, número 13 e grito de guerra na avenida

O samba-enredo trouxe referências explícitas ao universo do PT. A letra reproduziu um dos gritos de guerra associados à militância e mencionou, em duas passagens, o número de urna do partido.

Um dos trechos destacados foi literal: “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”.

Janja também é citada na composição, assim como o filme “Ainda Estou Aqui”, conectando elementos culturais à narrativa política apresentada pela escola.

Na letra, Eurídice Ferreira de Mello, mãe de oito filhos, narra a viagem de “13 noites e 13 dias” com a família em um caminhão “pau-de-arara”, entre Garanhuns, no interior de Pernambuco, e a periferia de Guarujá, no litoral paulista, em alusão à trajetória do chefe do Executivo.

Ausência de Janja e presença de Fafá de Belém

Apesar de ser aguardada no último carro alegórico, a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, não desfilou na homenagem da Acadêmicos de Niterói.

No lugar dela, entrou Fafá de Belém. Segundo pessoas que acompanharam o desfile ao lado de Lula, Janja chegou a passar pela Marquês de Sapucaí, mas retornou pouco depois ao camarote em que o presidente acompanhava a apresentação.

Alegoria faz alusão a Bolsonaro como “palhaço preso”

A agremiação também levou para a avenida uma alegoria com alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro, representado como um palhaço na prisão.

Com feição triste e espantada, a figura vestia trajes listrados, tradicionalmente associados à representação de presidiários na dramaturgia. O palhaço utilizava ainda uma tornozeleira eletrônica com sinais de violação, em referência a episódio que levou à revogação da prisão domiciliar do ex-presidente, em novembro do ano passado.

Reação da oposição e questionamentos sobre verba pública

A participação de Lula gerou forte repercussão, especialmente entre políticos de direita, que o acusaram de fazer propaganda eleitoral antecipada e de utilizar dinheiro público para se promover. Segundo o relato, opositores chegaram a acionar a Justiça contra a participação do presidente no desfile.

Neste ano, o Governo Federal destinou R$ 12 milhões em verba pública para escolas do grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro. A Acadêmicos de Niterói deve receber R$ 1 milhão pela participação no desfile.

Com o enredo centrado na trajetória do presidente, referências diretas ao PT e alegorias com forte carga política, a abertura do Grupo Especial transformou a Sapucaí em palco não apenas de espetáculo cultural, mas também de intensa disputa simbólica sobre o Brasil contemporâneo.

*Fonte: Brasil247