16 maio 2026

Semeadura - Kleiton e Kledir

 


*Via YouTube

Internacional - 78 anos da Nakba

 



Por Misa Boito*

O dia 15 de maio de 1948 ficou cravado na história do povo palestino como a Nakba (catástrofe, em árabe). Catástrofe iniciada pela criação do Estado de Israel pela ONU com a deportação de sua região histórica.

Cerca de 700 mil palestinos foram expulsos de suas casas. Hoje, as novas gerações vivem em campos de refugiados (Líbano, Jordânia e Síria) ou espalhadas pelo mundo. No Brasil, há cerca de 200 mil palestinos. 2 milhões, na Faixa de Gaza e 3 milhões na Cisjordânia.

Na diáspora o povo palestino não perdeu o ímpeto de resistência, da Faixa de Gaza à Cisjordânia, dos que vivem dentro das fronteiras de 1948 (interior do Estado de Israel) e pelo mundo afora, a resistência ressoa, ganha cada vez mais conexão com o movimento dos trabalhadores e dos povos, como demonstram as manifestações contra o genocídio de Israel desde outubro de 2023.

Até o início do século 20, na região conviviam palestinos, muçulmanos (maioria), cristãos, drusos, coptas e judeus. Uma convivência que começou a ser trincada pela colonização sionista. O Mandato Britânico da Palestina (1920-1948), foi um período de gestação da criação do Estado de Israel em 1948, o qual foi um acordo entre grandes potências assinado pela União Soviética de Stalin para a criação de dois estados (um judeu e outro palestino).

A política de colonização de judeus europeus para a região foi ampliada depois da Declaração Balfour (1917), onde o secretário da Relações Exteriores britânico, prometeu ao banqueiro judeu Lord Rothschild, apoio ao estabelecimento de um “lar nacional para o povo judeu” na região. O incentivo à migração para a região não guardava raiz nos interesses do povo, da maioria dos trabalhadores ou intelectuais, mas sim nos interesses de burgueses e banqueiros judeus. A grande maioria dos refugiados do holocausto não foi para Israel.

A política sionista desde o início teve a resistência do povo palestino. Em abril de 1936, a greve geral por quatro meses foi uma manifestação massiva contra o domínio britânico exigindo o fim da imigração (orquestrada pelos magnatas judeus), a proibição da venda de terras e a independência.

Depois da Segunda Guerra Mundial, o holocausto, a campanha pela criação do “lar para os judeus” na palestina ganha corpo. Para o imperialismo e a burguesia judaica, a exploração do holocausto, uma verdadeira tragédia para o povo judeu, virou propaganda para a política sionista.

Concentrada nos Estados Unidos, mas com tentáculos em vários países (no Brasil representada pela CONIB), a burguesia sionista explora a fraude de amalgamar o combate ao sionismo (carrasco do povo palestino) ao antissemitismo. 

Desde 1948, nas chaves das casas das quais foram expulsos, famílias palestinas simbolizam a exigência do direito ao retorno. Os dois estados não vieram e nunca virão. Israel consolidou-se como um estado repressivo com a colaboração dos EUA, mas também das elites árabes, além da complacência, e até apoio, da maioria dos partidos de esquerda e das centrais sindicais. Esta traição faz parte da tragédia palestina.

Cada vez mais os palestinos são confinados a menores territórios (ver mapa). Desde os Acordos de Oslo (1993), a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) abandonou a sua a bandeira original. Mas é a perspectiva de um único estado laico e democrático do Rio (Jordão) ao Mar (Mediterrâneo), que continua sendo o que pode dar a palestinos e judeus o direito de viverem em paz.

A catástrofe deve ser lembrada para reforçar a luta contra sua continuidade. A campanha internacional contra o sequestro pelas forças sionistas de dois ativistas da flotilha da ajuda humanitária a Gaza (Thiago Ávila e Saif Abu), hoje libertos, e a campanha pela libertação dos 14 médicos de Gaza encarcerados, estão inscritas nesta luta. 78 anos de catástrofe, chega!

*Misa Boito, integrante do Comitê Nacional do DAP (Diálogo e Ação Petista)

-Via https://militante.petista.org.br/

Porto Alegre/RS: PT protocola pedido de cassação contra Mauro Pinheiro (PP) após episódio envolvendo Juliana de Souza (PT)

Pinheiro arrancou microfone de pedestal enquanto vereadora estava falando durante sessão*

Momento em que Pinheiro arranca microfone de Juliana. Foto: Fernando Antunes/CMPA

Nesta sexta-feira (15), a vereadora Juliana de Souza (PT) anunciou que seu mandato e o Partido dos Trabalhadores tomarão duas medidas contra o vereador Mauro Pinheiro (PP): denunciá-lo à Ouvidoria Especializada de Gênero, Raça e Diversidades do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) e pedir a cassação de seu mandato. As ações ocorrem após Pinheiro arrancar o microfone de Juliana durante fala da vereadora em sessão da Câmara Municipal na quarta-feira (13).

Em nota, a parlamentar explica que as medidas institucionais formais contra Pinheiro foram tomadas em “resposta à agressão e em defesa da democracia, das prerrogativas parlamentares e do direito das mulheres à participação política”.

A Ouvidoria Especializada deverá apurar o episódio como manifestação de violência política de gênero, enquanto a instituição responsável por avaliar a cassação de Pinheiro será a Comissão Ética da Câmara. Como informa a vereadora, o pedido de cassação foi protrocolado por entender que a conduta do vereador é “incompatível com o decoro parlamentar e representa um grave ataque ao exercício democrático do mandato de uma mulher eleita”.

“O que aconteceu não é um caso isolado. É parte de uma escalada de violência e intimidação contra mulheres na política, especialmente contra aquelas que enfrentam os interesses da extrema direita e se recusam a se calar diante dos abusos de poder”, complementa Juliana de Souza.

A situação que provocou o pedido de cassação aconteceu na noite em que a Câmara aprovou, por 23 votos a favor e dez contra, o projeto da Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS). Uma sessão naturalmente acalorada entre a base governista e a oposição subiu a temperatura nos tempos de fala na tribuna.

A vereadora Comandante Nádia (PL), na tribuna, acusou os vereadores da oposição de “gostar de pobreza” por não apoiarem o Plano Diretor e a LUOS. Nádia chamou as declarações críticas dos vereadores da oposição de “espetáculo”. Depois que Nádia saiu da tribuna, Giovani Culau (PCdoB) e Juliana de Souza pediram para falar no microfone aparte da Câmara, localizado em frente à mesa diretora.

“A vereadora [Nádia] que falou que nós demos um ‘espetáculo’, deu um espetáculo de fuga do tema da emenda. Porque ela talvez esteja nervosa, porque acabou de vazar um áudio do seu presidente pedindo dinheiro para o Vorcaro”, disse Juliana de Souza, em alusão ao áudio do pré-candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL), negociando R$ 134 milhões para a produção do filme “Dark Horse” — sobre Jair Bolsonaro — com o ex-diretor do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Foi neste momento, pouco antes da vereadora conseguir completar o nome “Vorcaro”, que Pinheiro, já próximo de Juliana, parte em direção ao pedestal e arranca o microfone. Pinheiro o entrega ao presidente da Câmara, Moisés Barboza (PSDB), que repreende sua ação. Então, é instaurada uma confusão que envolve outros vereadores, como Alexandre Bublitz (PT). A sessão precisou ser suspensa por dois minutos por Barboza até que os ânimos se acalmassem para prosseguir com a votação de emendas da LUOS. 

*Fonte: Sul21

15 maio 2026

O escândalo que implodiu o candidato Bolsonaro*

Caso Banco Master transforma Flávio Bolsonaro de herdeiro eleitoral da extrema direita em símbolo de uma engrenagem financeira e política que pode implodir a direita em 2026

     Flávio Bolsonaro - Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Por Gustavo Tapioca*

O dia 13 de maio pode entrar para a história política recente como a data em que o nome Bolsonaro deixou de ser apenas um ativo eleitoral da extrema direita e passou a ser também um problema. 

A coincidência é curiosa. O 13 é o número de Lula e do PT. Mas, desta vez, quem apareceu no centro da tempestade foi Flávio Bolsonaro, o senador que sonhava herdar o espólio eleitoral do pai e se apresentar como candidato natural da extrema direita e da direita em 2026. 

O problema é que, no caminho entre o sonho presidencial e a realidade dos fatos, surgiu Daniel Vorcaro, o Banco Master, o BRB, os R$ 12 bilhões do banco público de Brasília, o empréstimo milionário usado por Flávio para comprar sua mansão no Lago Sul e sua íntima ligação com Vorcaro, revelada em detalhes na gravação que estourou na quarta-feira, 13.  

O caso deixou de ser bancário 

Durante meses, o Caso Banco Master foi tratado como mais um escândalo financeiro brasileiro. Um banco que cresceu rápido demais. Operações suspeitas. Relações perigosas com o poder. Fundos públicos expostos. Governadores, senadores, dirigentes de bancos e operadores políticos obrigados a se explicar. 

A prisão de Daniel Vorcaro, a ofensiva da Polícia Federal, as investigações sobre políticos do Centrão e da extrema direita e as conexões de Flávio Bolsonaro com esse ambiente deslocaram o escândalo para outro patamar. 

O que está em jogo agora não é apenas a queda de um banqueiro e a derrocada de um candidato a presidente nas eleições de outubro. 

É a exposição de um método. 

O sobrenome que virou risco 

Durante anos, o bolsonarismo operou como uma máquina política blindada. Escândalos passavam. Investigações surgiam. Denúncias explodiam. E, ainda assim, o sobrenome Bolsonaro permanecia funcionando como ativo eleitoral quase automático dentro da extrema direita. 

O Caso Banco Master alterou essa lógica. 

O vídeo que circulou nas redes políticas de Brasília — reunindo informações já publicadas sobre as relações entre Daniel Vorcaro, o Banco Master, figuras do bolsonarismo e operações envolvendo recursos públicos — ajudou a cristalizar uma percepção que começa a se espalhar no próprio campo conservador: o problema deixou de ser apenas Daniel Vorcaro.  

O problema começa a se aproximar perigosamente do núcleo político do bolsonarismo. A sucessão de fatos, quando colocada em sequência, ganha outro significado:  

a expansão meteórica do Banco Master durante o governo Bolsonaro;  

a atuação do Banco Central no período Jair Bolsonaro/Campos Neto;  

a proximidade de figuras da extrema direita com o banqueiro;  

os bilhões movimentados por fundos públicos e bancos estatais;  

os R$ 12 bilhões aplicados pelo BRB;  

e, no meio desse circuito, o empréstimo milionário obtido por Flávio Bolsonaro para a compra de sua mansão no Lago Sul. 

Separados, eram episódios. Juntos, começam a desenhar um sistema. 

A mansão no Lago Sul 

Flávio Bolsonaro sempre tentou tratar a compra da mansão no Lago Sul como assunto privado. Não é. 

Um senador da República, filho do ex-presidente, provável candidato da extrema direita à Presidência, beneficiado por um empréstimo milionário em um banco público de Brasília, não pode exigir que o país aceite a explicação como se fosse uma operação comum de mercado. 

Ainda mais quando o mesmo banco público aparece no centro de uma das operações mais controversas do escândalo: o aporte bilionário no Banco Master. 

O caso da mansão deixou de ser apenas uma curiosidade patrimonial. 

Virou símbolo. 

Símbolo de um país em que a elite política fala em moralidade pública enquanto circula com desenvoltura pelos corredores onde dinheiro público, bancos, favores e poder se encontram. 

As velhas sombras de Flávio 

O Caso Banco Master não surge no vazio. 

Antes de Daniel Vorcaro, antes do BRB, antes dos R$ 12 bilhões, antes da mansão no Lago Sul, Flávio Bolsonaro já carregava uma longa história de relações políticas nebulosas, explicações mal resolvidas e proximidades incômodas com personagens do submundo fluminense. 

O caso mais emblemático é o de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope, apontado como chefe do grupo de milicianos conhecido como Escritório do Crime e morto na Bahia em 2020. 

Adriano não era um estranho no universo bolsonarista. Sua mãe e sua ex-mulher trabalharam no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O próprio Flávio homenageou Adriano com a Medalha Tiradentes, uma das principais condecorações da Alerj, quando ele já tinha histórico criminal conhecido. 

Esses fatos nunca foram politicamente irrelevantes. 

Eles compõem uma biografia pública marcada pela convivência entre mandato, polícia, milícia, dinheiro suspeito e proteção política. 

Por isso, o Caso Master não deve ser lido como um acidente isolado na trajetória de Flávio Bolsonaro. Ele se soma a uma sequência de episódios que sempre cercaram o senador:  

as rachadinhas, o operador Fabrício Queiroz, os depósitos inexplicados, as relações com personagens do crime organizado e, agora, o circuito financeiro que passa por Daniel Vorcaro, Banco Master e BRB. 

A novidade não está apenas no escândalo. 

A novidade está na repetição do padrão. 

Onde há Flávio, quase sempre há uma zona cinzenta entre o público e o privado, entre mandato e negócio, entre poder político e interesses inconfessáveis. 

Esse é o ponto que torna o Caso Master tão devastador para sua pretensão presidencial. Ele não inaugura uma suspeita. Ele reabre uma biografia. 

A versão que começou a ruir 

A crise de Flávio Bolsonaro ganhou novo capítulo quando a produtora responsável pelo documentário Dark Horse desmentiu publicamente a versão apresentada pelo senador sobre sua relação com Daniel Vorcaro. 

Depois da repercussão dos áudios e das revelações envolvendo o Banco Master, Flávio passou a sustentar que os recursos ligados ao banqueiro teriam sido destinados ao financiamento do documentário sobre Jair Bolsonaro, numa tentativa de afastar suspeitas de vínculos políticos ou financeiros mais profundos. 

A explicação começou a desmoronar rapidamente. 

A produtora do filme negou ter recebido dinheiro de Vorcaro e afirmou que a obra não foi financiada pelo banqueiro. O desmentido atingiu diretamente uma das principais linhas de defesa construídas pelo entorno de Flávio Bolsonaro desde o início da crise.  

O problema político não está apenas na contradição. 

Está na sequência. 

A cada nova revelação, a narrativa muda. A cada nova pressão, surge uma nova versão. E, quanto mais versões aparecem, maior se torna a percepção de que o bolsonarismo tenta administrar politicamente um problema cuja dimensão aparenta desconhecer completamente. 

O episódio amplia a sensação de descontrole em torno do caso e aprofunda o desgaste do senador justamente quando ele tentava se consolidar como herdeiro eleitoral da extrema direita. 

Em crises políticas dessa magnitude, há um momento decisivo: aquele em que a opinião pública deixa de discutir apenas o escândalo e começa a questionar também a credibilidade das explicações. 

O Caso Master parece ter chegado exatamente a esse ponto. 

O mundo começou a olhar para o Caso Master 

Até esta quarta-feira, dia 13 de maio, o escândalo do Banco Master parecia restrito ao noticiário político brasileiro.  

Na manhã desta quinta-feira, 14, a crise envolvendo Flávio Bolsonaro ultrapassou definitivamente as fronteiras nacionais e entrou no radar da grande imprensa internacional.  

O primeiro grande alerta veio da Bloomberg, que publicou análise sobre o impacto político das revelações envolvendo Daniel Vorcaro, os áudios divulgados pelo Intercept Brasil e a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. 

A avaliação foi devastadora: a candidatura presidencial de Flávio pode ter sido inviabilizada antes mesmo de ganhar corpo eleitoral, segundo relato do Brasil 247 sobre a análise da Bloomberg.  

Poucas horas antes, a Associated Press já havia registrado a dimensão internacional do escândalo. A agência destacou que Flávio negou irregularidades após a revelação de que teria pedido milhões a Daniel Vorcaro para financiar Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. A AP também apontou que as mensagens de voz publicadas pelo Intercept Brasil colocaram sob pressão a versão inicial do senador, que antes havia negado ligação com Vorcaro.  

O simbolismo é evidente. 

No início da semana, Flávio ainda tentava se apresentar como herdeiro natural do bolsonarismo. Em poucos dias, passou a ser tratado por parte da imprensa internacional como um candidato ferido antes mesmo da largada. 

Quando Bloomberg e Associated Press começam a tratar um escândalo brasileiro como risco para a sucessão presidencial, o problema deixa de ser apenas doméstico. 

Vira crise de credibilidade. 

E Brasília entendeu o recado. 

A direita começa a sangrar 

A crise atinge Flávio em seu ponto mais sensível: a tentativa de se apresentar como sucessor “limpo”, viável e competitivo de Jair Bolsonaro. 

Até aqui, a extrema direita trabalhava com uma hipótese simples: se Jair não puder disputar, outro Bolsonaro disputará por ele. 

Mas o Caso Master complicou essa equação. 

Pela primeira vez desde o surgimento do bolsonarismo, aliados começam a admitir reservadamente que o sobrenome Bolsonaro deixou de funcionar apenas como proteção política e passou a produzir desgaste, risco e contaminação eleitoral. 

O herdeiro virou passivo. 

E, quando o herdeiro vira passivo, toda a sucessão entra em crise. 

A fila vai andar 

O Caso Banco Master não para em Flávio. 

A fila é longa. 

Ciro Nogueira já foi alcançado pela Polícia Federal. Davi Alcolumbre terá de explicar os R$ 400 milhões da previdência dos servidores do Amapá aplicados no Master. Ibaneis Rocha terá de responder pelo papel do BRB. Cláudio Castro e outros governadores, prefeitos e operadores políticos também aparecem no radar de um escândalo que envolve dinheiro público, fundos previdenciários e relações promíscuas entre poder político e sistema financeiro. 

O que parecia um problema de banco começa a se revelar como um problema de regime. 

A engrenagem subterrânea 

É exatamente aí que reside o potencial explosivo do caso. 

O que ameaça a direita brasileira não é apenas a prisão de um banqueiro ou mais um escândalo financeiro em Brasília. 

É a possibilidade de que a investigação revele o funcionamento subterrâneo de uma engrenagem política, financeira e institucional muito mais ampla do que se imaginava inicialmente. 

Uma engrenagem em que bancos crescem sob proteção política, recursos públicos são expostos a riscos privados, parlamentares circulam como intermediários de interesses e dirigentes públicos tratam patrimônio coletivo como instrumento de aliança. 

O Banco Master pode ser apenas a porta de entrada. 

Atrás dela, pode haver muito mais. 

O efeito sobre 2026 

A extrema direita chegou a 2026 tentando vender a ideia de renovação dinástica: Jair fora do jogo, Flávio no lugar do pai, Michelle como alternativa, Eduardo como operador internacional, o clã ainda no centro da cena. 

Mas o Caso Master atinge esse roteiro no coração. 

Porque o bolsonarismo sempre se alimentou de uma fantasia moral: a ideia de que representava o combate à corrupção, à velha política e aos conchavos de Brasília. 

Agora, o que aparece é o oposto. 

A velha política está ali. 

O banco suspeito está ali. 

O dinheiro público está ali. 

O empréstimo milionário está ali. 

O Centrão está ali. 

A versão de Flávio desmentida está ali. 

A imprensa internacional está ali. 

E o sobrenome Bolsonaro também está ali. 

O escândalo que pode decidir a eleição 

O Caso Banco Master ainda está longe do desfecho. A investigação vai avançar. Novos nomes devem surgir. Novas explicações serão exigidas. Novos documentos podem aparecer. 

Mas uma coisa já mudou. 

Flávio Bolsonaro não atravessou ileso a primeira grande tempestade de sua pré-candidatura. 

A pergunta que se impõe agora é simples: como alguém que precisa explicar sua relação com um banco público, um banqueiro preso, uma mansão milionária, uma produtora que desmente sua versão e um escândalo bilionário poderá se apresentar ao país como solução moral para 2026? 

O bolsonarismo queria transformar Flávio em herdeiro. 

O Caso Master transformou o herdeiro em prova viva daquilo que a extrema direita sempre fingiu combater. 

E, se a investigação avançar até o fim, o escândalo pode não apenas implodir uma candidatura. 

Pode implodir a direita que tentou fazer de um sobrenome condenado seu último projeto de poder. 

E torna provável a reeleição de Lula no primeiro turno. 

*Jornalista - Fonte: Revista Fórum

14 maio 2026

Cai a máscara de Flávio Bolsonaro*

Ele é personagem central do caso BolsoMaster e tem que ser preso

                        Flávio Bolsonaro (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Por Reimont Otoni* 

A revelação do áudio de 8 de setembro de 2025, em que Flávio Bolsonaro cobra 134 milhões de reais de Daniel Vorcaro, para o filme sobre o pai presidiário, e a exposição de mensagens de whatsapp trocadas entre os dois, no dia 16 de novembro, na véspera da primeira prisão do banqueiro, jogam por terra qualquer resquício de decência do senador e candidato à presidência. 

No áudio, além de cobrar o dinheiro prometido, dos quais 65 milhões foram efetivamente depositados, Flávio deixa claro que sabe dos problemas que o parceiro vem enfrentando no novo Banco Central, sem a presença do bolsonarista Roberto Campos Neto. Mas, na troca de mensagens, a proximidade é mais explícita; na véspera da prisão de Vorcaro, repito, o 01 da família Bolsonaro  escreve: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. Soa como um pedido de orientação.

As versões que Flávio Bolsonaro apresenta não se sustentam nem por poucas horas ou poucos minutos. 

Ao ser abordado por um jornalista do Intercept Brasil (que revelou o escândalo), antes da publicação do material revelador, o Senador negou, debochou e acusou o profissional de militante, abandonando uma entrevista.

Pouco depois, quando a bomba explodiu, confirmou acuado, mas disse que Vorcaro era apenas um investidor privado (com um investimento milionário no filme, quase o triplo do orçamento total do premiadíssimo “Ainda estou aqui”). Mas não deu nem uma hora para a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme, desmentir a versão, em nota em que afirmou que “não recebeu um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro”

Flavio ainda tentou emplacar a narrativa de que não havia dinheiro público na produção. Mas há e não é pouco. 

Karina Ferreira da Gama, dona Go Up Entertainment,também é presidente da Academia Nacional de Cultura (ANC), empresa que recebeu, via emendas parlamentares de deputados do PL, R$ 2,6 milhões para produção de uma série sobre "heróis nacionais". A empresária é ainda sócia do Instituto Conhecer Brasil, que recebeu mais de R$ 100 milhões da prefeitura de São Paulo para fornecer internet Wi-Fi em comunidades de baixa renda da cidade, e ganhou, também em 2025, dois milhões de reais em emendas do deputado Mário Frias, ex-ministro de Bolsonaro e idealizador do filme sobre ídolo. Segundo Frias, a produção teve ainda muito apoio da SPCine, da prefeitura de São Paulo, e do governo Tarcísio de Freiras, que negam. O próprio banco Master é um poço de dinheiro público, incluindo os fundos de previdência de estados como o Rio de Janeiro.

Não há detergente que limpe tanta sujeira.

Como num filme de pastelão, Flávio Bolsonaro se enrola a cada vez que abre a boca. Como numa fita de terror, ele derrete publicamente, ao estilo “The Walking Dead”.  E a extrema direita, conhecida por abandonar seus pares e parças, já corre para descartar o 01 e apontar substitutos na família. Michele volta a ser cotada.

Mas não há heróis e nem heroínas entre eles; todos e todas fazem parte da mesma trama, são cúmplices. Cada um joga com o perfil do personagem que assume em cada ocasião. Mentem, racham, inventam e manipulam de acordo com a conveniência de momento. 

Michele, por exemplo, jamais explicou as relações nada republicanas com Fabrício Queiroz, incluindo cheques depositados em suas contas. Não foi investigada pelas jóias recebidas de presente do governo da Arábia Saudita, avaliadas em R$ 16,5 milhões, que a família tentou esconder e guardar para si. Nunca deu satisfação sobre as despesas pagas pelo tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, principal ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, para si e pessoas próximas.

Não há heróis, nem heroínas. Por isso, o descarte de Flávio Bolsonaro, que está se configurando, não pode e nem vai virar impunidade. Ele precisa ser preso e ter o passaporte retido, como solicitei à Procuradoria Geral da República, para que não fuja como é praxe da família e seus seguidores. Flávio Bolsonaro é personagem central nas investigações do escândalo do Bolsomaster, tem que responder por isso, nos termos da lei. Esse é um filme que o Brasil precisa ver para se livrar dessa praga.

*Reimont Otoni é Deputado Federal (PT/RJ) - Fonte: Brasil247

13 maio 2026

Programas sociais ajudam Lula a recuperar apoio popular, aponta Quaest*

Desenrola 2.0 é aprovado pela maioria da população e reforça percepção positiva sobre ações do governo


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cerimônia de entrega da Barragem Panelas II e anúncio da retomada das obras da Barragem Igarapeba - Cupira (PE) - 02/12/2025 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Via 247* - A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira mostra que programas sociais e econômicos do governo Lula começam a produzir impacto político positivo junto à população. O principal destaque é o novo Desenrola 2.0, que recebeu apoio majoritário dos brasileiros e aparece como um dos motores da recuperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a pesquisa, 50% dos entrevistados consideram o Desenrola 2.0 uma boa ideia porque ajuda famílias endividadas a sair do vermelho. Apenas 23% afirmaram que o programa é uma má ideia por estimular novo endividamento.

A percepção positiva é ainda mais forte entre setores populares e eleitores independentes. Entre os lulistas, 75% aprovam o programa. Entre eleitores sem alinhamento ideológico forte, o apoio também supera com folga a rejeição.

O levantamento mostra ainda que 38% acreditam que o Desenrola 2.0 ajudará muito as pessoas a saírem das dívidas, enquanto outros 27% afirmam que ajudará um pouco. Apenas 33% disseram que o programa não terá efeito relevante.

Outro dado importante é o amplo apoio à proposta de restringir apostas online para quem aderir ao programa. Segundo a pesquisa, 79% dos brasileiros defendem a proibição temporária das apostas para beneficiários do Desenrola 2.0.

A medida recebeu apoio até mesmo em setores conservadores do eleitorado. Entre os bolsonaristas, 68% são favoráveis à restrição.

Os dados sugerem que o governo Lula conseguiu recuperar parte da iniciativa política ao voltar a apostar em programas voltados ao cotidiano da população, especialmente em temas ligados ao endividamento, crédito e custo de vida.

A pesquisa também mostra que os beneficiários de programas sociais seguem como uma das principais bases de sustentação do presidente. Entre os beneficiários do Bolsa Família, Lula mantém ampla vantagem eleitoral e índices superiores de aprovação.

O levantamento Genial/Quaest ouviu 2.004 brasileiros entre os dias 8 e 11 de maio de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

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Gerado por IA | Foto: Ricardo Stuckert

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