28 abril 2026

Lula tem toda a razão!*

 

18/04/2026: O presidente Lula da Silva, durante a 1ª Reunião da Mobilização Progressista Global, em Barcelona, na Espanha. Foto: Ricardo Stuckert/PR


Por Paulo Kliass*

Lula participou, em 18 de abril de 2026, de um importante evento em Barcelona, capital da Catalunha, na Espanha. O Presidente brasileiro falou durante a 1ª Reunião da Mobilização Progressista Global, iniciativa que esteve a cargo de lideranças socialistas europeias, tais como Pedro Sanchez (Presidente do governo da Espanha) e Stefan Lövfen (Presidente do Partido Socialista Europeu).

Mobilização Progressista Global tem por lema a bandeira: “Unindo as forças progressistas do mundo por um futuro mais justo, igualitário e sustentável”.

A intervenção de Lula chamou a atenção das forças políticas presentes no evento por suas críticas contundentes ao modelo econômico e social imposto pelo neoliberalismo aos povos e países do mundo.

Tendo em vista a amplitude da divulgação do conclave, por todo o planeta as palavras do líder foram registradas com atenção e entusiasmo.

Em aparente oposição às políticas públicas levados a cabo pelas próprias forças progressistas quando chegavam ao poder, ele deixou aberta uma leitura de que se tratava também de uma autocrítica por tudo aquilo que vem sendo realizado em seu terceiro mandato à frente da república brasileira.

As colocações de Lula foram muito bem recebidas e festejadas por todos aqueles que tinham maiores expectativas quanto à linha a ser implementada por seu governo a partir de janeiro de 2023.

Afinal, a grande maioria das promessas feitas por ele durante a campanha eleitoral ainda não foram colocadas em prática. Por outro lado, o discurso causou um pouco de estranheza e cautela naqueles representantes dos interesses do financismo e das classes dominantes brasileira de forma geral.

Como estamos às vésperas de um novo processo eleitoral, permanece o receio de que Lula resolva trazer para seu quarto mandato tudo aquilo que estava contido em sua fala no evento.

Que volte o Lula do Velho Testamento

Trata-se da conhecida repetição da postura de Lula em campanhas eleitorais. Ele costuma forçar um pouco a barra pela esquerda, com a intenção de empolgar sua torcida e envolvê-la com mais dedicação no embate eleitoral.

Alguns analistas apelam também para a figura do “Lula do Velho Testamento” no intuito de promover a analogia com as posições de Lula antes de se tornar Presidente pela primeira vez em 2003.

sua manifestação no encontro remontava às raízes do movimento conservador, em termos de política econômica, que tomou conta do globo a partir da década de 1980. Parecia que outra persona estava com o microfone à mão, denunciando as mazelas do modelo perverso e toda a sorte de equívocos que foram sendo cometidos desde então. Senão, vejamos:

(…) “A esquerda progressista foi vítima do discurso do Consenso de Washington. Muita gente nova aqui não se lembra, mas quem tem 80 anos, como eu, se lembra, porque já tinha bons anos nos anos 80. E eu agora fico analisando o que é que está acontecendo no mundo.” (…) [GN]

E segue na crítica:

(…) “O projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança.” (…) [GN]

E na sequência, como se fosse um profundo mea culpa do desempenho do Partido dos Trabalhadores no Brasil e outras forças de esquerda em experiência pelo mundo afora, Lula não poupa palavras para descrever o processo que tenta analisar:

(…) “Governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam a austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema.” (…) [GN]

Na verdade, é como se Lula assumisse para si a crítica que sempre lhe foi endereçada por setores mais autênticos do campo progressista, que usam a metáfora do governo violino: “segura com a esquerda e toca com a direita”. E ele segue:

(…) “O primeiro mandamento para os progressistas tem que ser a coerência. Não podemos nos eleger com um programa e implementar outro. Não podemos trair a confiança do povo.” (…) [GN]

A seguir Lula reconhece as frustrações que foram sendo causadas na população pelos diferentes governos de esquerda que não conseguiram – ou não ousaram – implementar os programas para os quais haviam sido eleitos.

(…) “Mas o progressismo não conseguiu superar o pensamento econômico dominante.” (…)  [GN]

(…) “Ainda assim, nós sucumbimos à ortodoxia” (….) [GN]

(…) “Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo. ” (…) [GN]

Ao não rever os fundamentos da política econômica neoliberal, os diferentes governos progressistas tornaram-se sócios de tal modelo e terminaram por implementar políticas públicas à frente de seus governos com as consequências perversas derivadas das diretrizes do Consenso de Washington.

As decorrências de tal postura se apresentam nas opções políticas que a população passa a adotar a partir da falência do modelo que começa a se exaurir.

(…) “E a gente vai ficando com medo e a gente vai tentando agradar o mercado, a gente vai tentando agradar o empresário, e o que acontece é que nós vamos ficando desmoralizados.” (…)

Com isso, vem a reviravolta na direção política dos países e um certo encantamento da população com as promessas da extrema direita, a partir de suas críticas cínicas e mentirosas ao sistema e ao establishment. E Lula avança em seu correto diagnóstico

(…) “A extrema direita soube capitalizar o mal-estar das promessas não cumpridas do neoliberalismo. ” (…)

(…) “Eles querem que as pessoas acreditem que qualquer um pode chegar lá. Alimentam a falácia da meritocracia.” (…)

a população quer “(…) Um trabalho digno, com jornada de trabalho equilibrada. Um salário que permita uma vida confortável.” (…)

Ora, para ser coerente com seu discurso e seu diagnóstico, é razoável supor que Lula deveria propor mudanças para seu quarto mandato. Afinal, ele tem toda a razão em sua análise retrospectiva das causas dos fracassos das políticas neoliberais colocadas em prática por governos progressistas, inclusive os que foram presididos por ele.

O momento atual é de extrema delicadeza política e eleitoral. Lula deveria aproveitar as dicas deixadas por ele mesmo no encontro em Barcelona e abandonar alguns dos dogmas da austeridade fiscal.

Essa é a condição necessária para colocar imediatamente em marcha um programa emergencial de ajuda às famílias endividadas e de apoio às políticas públicas voltadas à população mais carente.

Mas para isso ele precisa flexibilizar as amarras do Arcabouço Fiscal proposto a ele por Fernando Haddad ainda em 2023. O primeiro passo é vencer as eleições e impedir o retorno da extrema direita, na figura do filho de Bolsonaro.

A missão de Lula para 2027/30

No entanto, Lula precisaria ir além. Aproveitando o diagnóstico que ele mesmo apresentou no fórum progressista, Lula deveria iniciar um amplo debate a esse respeito.

Seria essencial que ele convocasse economistas e especialistas do campo progressista para elaborar um programa de governo para seu próximo mandato. Um conjunto de medidas que signifiquem a ruptura com aquilo mesmo que ele criticou perante as forças de esquerda e centro esquerda de todo o globo.

Uma alternativa para entrar para a História com uma plataforma que seja apresentada como um “contra programa” ao Consenso de Washington. Uma tentativa de mostrar aos povos de todos os continentes que, sim, um outro mundo é possível. Um movimento forte para provar que esta consigna do Fórum Social Mundial ainda permanece viva e necessária.

Lula tem toda a razão!

Governos de esquerda não podem praticar políticas de direita.

Governos de esquerda não podem sucumbir à ortodoxia econômica e devem propor uma alternativa ao neoliberalismo.

Governos de esquerda não podem limitar suas ações a apenas agradar o mercado e se esquecer de suas missões de transformação da sociedade para atender às necessidades da grande maioria da população.

Governos de esquerda devem dar um passo à frente e não se contentarem em apenas serem meros gestores das mazelas do modelo neoliberal concentrador de renda/patrimônio e espoliador dos mais pobres.

Lula tem diante de si a oportunidade histórica de encerrar sua biografia à frente do Palácio do Planalto deixando para o povo brasileiro e de todo o mundo um legado à altura de seu discurso em Barcelona.

Em 2022 ele havia prometido fazer neste terceiro mandato mais e melhor do que havia realizado nos dois primeiros. Infelizmente, não conseguiu.

Que agora ele desperte para a imensa responsabilidade da nova missão que o aguarda – o quadriênio 2027/30.

*Paulo Kliass é doutor em economia e membro da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental do governo federal. - Fonte: Viomundo

27 abril 2026

1º DE MAIO E A LUTA PELO FIM DA ESCALA 6x1

 



Por Milton Alves*

A tônica dos atos e manifestações convocadas para o 1° de Maio será o da luta pelo fim da desumana escala 6X1 sem redução de salários, bandeira histórica dos trabalhadores.

A luta pela redução da jornada de trabalho entra numa fase decisiva, após a iniciativa do governo Lula de apresentar um Projeto de Lei (PL) com urgência constitucional no último dia 14, que tem até 45 dias para ser votado pela Câmara dos Deputados.

Por outro lado, na quarta-feira (22), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou a admissibilidade das propostas de Erika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG). A PEC 8/2025 da deputada Erika Hilton, que tem o apoio do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), prevê semana de quatro dias e limite de 36 horas de jornada semanal. Já a PEC 221/2019 do deputado petista, reduz a jornada das atuais 44 para 36 horas semanais, com uma longa transição de dez anos para ser implantada.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que uma Comissão especial será instalada para preparar a votação das PECs em plenário ainda no mês de maio. Ele corre pra passar na frente dos 45 dias do projeto de Lula.

Motta opera um caminho diferente da proposta defendida pelo presidente Lula para a aprovação da medida. O processo via PEC implica um maior tempo de tramitação, o que facilita a ação da extrema direita para barrar o projeto este ano e do lobby empresarial para, caso não barre, descaracterizar a proposta (com compensações fiscais etc.). Eles realizam uma intensa e agressiva campanha de mídia.

Os barões da mídia divulgam a mentira de sempre: a redução da jornada vai “quebrar as empresas, gerar desemprego e perda de competividade”. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) quer que uma eventual redução de jornada seja negociada por setor, e não implementada de forma geral.

Há uma surda queda de braço entre o governo e o presidente da Câmara. O projeto de Lula não terá um caminho fácil no Congresso inimigo do povo, dominado pelos partidos corruptos do Centrão e pela extrema direita bolsonarista a serviço do patronato, que bloqueiam ou desnaturam as pautas populares.

Essa é uma das razões pelas quais o DAP levantará neste 1º de Maio a luta por uma Reforma Política radical. Não se opõe a aprovar a redução da escala 6X1 agora, ao contrário, a luta aumentará a confiança do povo nas suas forças para as questões como a revogação das contrarreformas trabalhista e previdenciária de Temer-Bolsonaro.

O projeto de Lula – PL 1838/26 – apoiado pelas centrais sindicais, pretende reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, garantir dois dias de descanso remunerado e consolidar a escala 5×2, sem corte de salários.

Nos próximos dias, a tendência é de acirramento da disputa em torno desta pauta extremamente popular que reforça o cardápio eleitoral de Lula e do PT na corrida presidencial.

É preciso intensificar a pressão política sobre o Congresso, transbordando a luta pelo fim da escala 6×1 para as ruas, redes sociais, locais de trabalho, moradia e estudo. O 1° de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores (as), que nasceu da luta pela redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias, é um momento especial para ampliar a batalha política de classe pela redução da jornada sem redução salarial.

*Milton Alves é jornalista e membro do Comitê Nacional do Diálogo e Ação Petista - DAP 

**Via https://militante.petista.org.br/

24 abril 2026

CUBA RESISTE - ‘Não existe maior estímulo do que ver meu povo lutando’, afirma Aleida Guevara*

Médica cubana participa de agendas na Europa para falar sobre os impactos das sanções econômicas ao seu país

Médica pediatra e referência internacional na área da saúde e da cooperação internacional, a cubana Aleida Guevara concedeu entrevista ao Brasil de Fato RS | Crédito: Divulgação/Embaixada de Cuba

Por Mônica Cabanas*

Médica pediatra e referência internacional na área da saúde e da cooperação internacional, a cubana Aleida Guevara está na Europa nos meses de março e abril de 2026, participando de uma intensa agenda de debates, conferências e encontros públicos.

A passagem pelo continente incluiu atividades em países como Espanha, Alemanha e Suíça, dentro de iniciativas que reúnem jornalistas, profissionais da saúde e movimentos sociais e sociedade em geral para discutir a realidade cubana e os impactos das sanções econômicas sobre o país.

Ao longo da turnê, Aleida Guevara integrou mesas de debate e diálogos públicos em cidades como Berlim, Frankfurt e Berna. Na capital alemã recebeu, no dia 11 de abril, o Prêmio Rosa Luxemburgo 2026, concedido pelo jornal junge Welt, em reconhecimento à sua trajetória como médica e ao seu trabalho continuado em ações de solidariedade e cooperação em saúde.

Filha de Ernesto Che Guevara, Aleida construiu uma trajetória própria, marcada pela atuação no sistema público de saúde cubano e pela participação em missões médicas internacionais.

Na entrevista exclusiva ao Brasil de Fato RS, ela comenta a conjuntura atual de Cuba, os desafios impostos pelo cenário geopolítico e a importância do diálogo entre povos frente a um mundo atravessado por crises e desigualdades. (...)

*CLIQUE AQUI para ler na íntegra a entrevista (via BdF)

23 abril 2026

‘A necessidade é maior que nossas diferenças’, diz Juliana Brizola sobre apoio do PSOL

Agremiação se uniu à frente de esquerda que já contava com PDT, PT, PCdoB, PV, Rede Sustentabilidade e PSB

   Foto: Cristiane Leite

Por Fernanda Bastos*

O PSOL formalizou nesta quarta-feira (22) o apoio à candidatura ao Palácio Piratini de Juliana Brizola (PDT). A chapa encabeçada por Juliana tem Edegar Pretto (PT) como candidato a vice-governador. Com a formalização do PSOL, o bloco ainda deve lançar, para disputar o Senado, as candidaturas de Manuela d’Ávila, do PSOL, e Paulo Pimenta, do PT. A composição reúne também PCdoB, PV, Rede Sustentabilidade e PSB.

Na semana passada, o PT já havia formalizado o apoio à candidatura de Juliana, seguindo orientação da direção nacional do partido, que visa a fortalecer a chapa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa era de que todos os partidos da aliança também se juntassem aos petistas, mas o PSOL iniciou uma discussão para referendar, em suas instâncias internas, a decisão.

O apoio foi sacramentado no feriado (21) e formalizado nesta quarta-feira (22), na sede do PDT. Diversas lideranças dos partidos apoiadores da chapa de Juliana se reuniram nesta tarde na sede dos pedetistas, em Porto Alegre. Durante o encontro, o vereador e presidente municipal do PSOL, Roberto Robaina, reafirmou que “o apoio crítico não diz respeito à campanha, mas ao governo”, referindo-se à intenção do partido de separar o momento da eleição com o da disputa por ocupação de cargos em um eventual governo de Juliana, assim como da independência política da bancada na Assembleia Legislativa. Na ocasião, o PSOL entregou um documento com dez pontos que considera importantes para o programa, como a política do cuidado e a agenda de proteção ao meio ambiente.

Juliana salientou a importância do ingresso do PSOL na campanha contra a extrema direita no RS e no país. “É uma grande demonstração do nosso campo, porque a direita é organizada e a gente sofria essas críticas de a esquerda não se unir, mas chegou a um limite, que essa necessidade foi maior que nossas diferenças. E que bom, porque sentar na mesa com gente que pensa igual é uma tarefa muito fácil para nós. Porque ficar do lado do povo mais sofrido nunca foi tarefa fácil”. Juliana também minimizou as ilações de falta de unidade que possam gerar o conceito de apoio crítico do PSOL. “O motivo que está fazendo a gente se unir é algo muito maior. Ninguém está fazendo aqui uma união de faz de conta, de que vai sentar no sofá de casa até a eleição. Porque a gente não pode. Todos esses partidos que fazem parte dessa aliança, dessa coligação, trabalham há muito tempo pelo povo brasileiro, mesmo que com diferenças”, destacou Brizola.

Edegar Pretto enfatizou a unidade alcançada ainda na preparação da campanha e reafirmou que o campo da esquerda estará forte para enfrentar a extrema direita nas esferas estadual e nacional. “A gente não vai recuado, a gente vai organizado, com força. A escolha que fizemos tem como prioridade o projeto nacional e a mudança aqui no RS”, comemorou.

Durante o encontro, as lideranças dos partidos fizeram menção ao crescimento do campo da direita, que nesta eleição vai ser representada pelo pré-candidato ao governo do RS deputado federal Luciano Zucco (PL). A chapa ainda deverá ter como vice a deputada estadual Silvana Covatti (PP), em a aliança entre PL, Progressistas, Novo, Republicanos e Podemos.

Conforme o coordenador de campanha de Juliana Brizola, Vieira da Cunha, as reuniões para elaboração do futuro programa de governo da aliança começam na próxima segunda-feira com a presença de todos os partidos aliados. O objetivo é fazer o debate culminar em um seminário, em junho, como preparação para as convenções partidárias, que, no pleito deste ano, devem acontecer entre 20 de julho e 5 de agosto.

*Fonte: Sul21

22 abril 2026

O que muda com as novas regras do Minha Casa, Minha Vida, que passam a valer nesta quarta

 

Casas do programa Minha Casa, Minha Vida. Foto: Reprodução


Por Francine Eustáquio*

As novas regras do Minha Casa, Minha Vida entram em vigor nesta quarta-feira (22) com ampliação relevante do acesso ao financiamento habitacional. O programa passa a atender famílias com renda de até R$ 13 mil e imóveis de até R$ 600 mil, o que amplia o alcance e reposiciona a política habitacional para atingir também a classe média. Com informações do G1.

Os limites de renda foram atualizados em todas as faixas: a faixa 1 subiu de R$ 2.850 para R$ 3.200; a faixa 2 passou de R$ 4.700 para R$ 5.000; a faixa 3 foi de R$ 8.600 para R$ 9.600; e a faixa 4 avançou de R$ 12 mil para R$ 13 mil. Com isso, famílias que antes ficavam fora do programa ou pagavam juros mais altos passam a ter acesso a condições melhores de crédito.

Também houve aumento nos valores máximos dos imóveis financiados. Nas faixas 1 e 2, os limites vão de R$ 210 mil a R$ 275 mil, dependendo da localidade. Na faixa 3, o teto subiu de R$ 350 mil para R$ 400 mil. Já na faixa 4, o valor máximo passou de R$ 500 mil para R$ 600 mil, ampliando o acesso a imóveis maiores ou melhor localizados.

As mudanças ainda reduzem o custo do financiamento para parte dos compradores. Quem tinha renda entre R$ 4.700,01 e R$ 5 mil, por exemplo, antes pagava cerca de 8,16% ao ano e agora passa a pagar 7% ao ano. Já famílias com renda entre R$ 8.600,01 e R$ 9.600 deixam juros próximos de 10% ao ano e passam a ter taxas de até 8,16% ao ano.

Gráfico de evolução das contratações ano a ano do programa Minha Casa, Minha Vida. Foto: Divulgação/G1

Os dados mais recentes mostram o peso crescente do programa no setor. Em 2025, o Minha Casa, Minha Vida atingiu recorde de 669.065 unidades contratadas, após uma trajetória de crescimento que saiu de cerca de 257 mil em 2009 e passou por níveis como 462 mil em 2015 e 491 mil em 2021. Mesmo com oscilações, o programa voltou a ganhar força e se consolidou como principal motor da construção habitacional.

Outro ponto relevante é a mudança no perfil dos beneficiários. Em 2009, a faixa 2 representava 54,4% das contratações e a faixa 1 tinha 32,4%. Já em 2025, há uma distribuição mais equilibrada, com 35,7% na faixa 1, 29% na faixa 2, 29,8% na faixa 3 e 4,5% na faixa 4. Esse movimento indica maior presença da classe média no programa, tendência reforçada pelas novas regras. Na prática, a mudança que entra em vigor nesta quarta amplia o alcance, aumenta o poder de compra e adapta o programa à realidade atual do mercado imobiliário.

Gráfico da composição por faixa de renda. Foto: Divulgação/G1

*Fonte: DCM

21 abril 2026

Tiradentes e a soberania nacional: por que esta causa ainda é tão atual no Brasil*

O sonho de um Brasil soberano ainda é a grande causa nacional

  Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (Foto: Reprodução)

Celebrado em 21 de abril, o feriado de Tiradentes, que homenageia o inconfidente Joaquim José da Silva Xavier, permanece como um dos símbolos mais poderosos da luta pela soberania nacional no Brasil. Mais de dois séculos após sua execução pela Coroa portuguesa, a causa que o levou ao patíbulo – a resistência contra a exploração externa e a defesa de um projeto de nação independente – segue atual. Em 2026, esse debate ganha novo fôlego com o presidente Lula, que se coloca na disputa por um quarto mandato com a soberania como eixo central de seu projeto político.

A comparação entre Tiradentes e o momento político contemporâneo não é meramente retórica. Trata-se de uma leitura histórica que evidencia como o Brasil, em diferentes períodos, enfrentou desafios semelhantes: a tensão entre dependência externa e autonomia nacional, entre elites alinhadas a interesses estrangeiros e forças que defendem um projeto soberano.

Lula usa o boné
Lula usa o boné "O Brasil é dos brasileiros"(Photo: RICARDO STUCKERT)

A inconfidência e o nascimento da ideia de soberania

Tiradentes foi o rosto mais conhecido da Inconfidência Mineira, movimento que emergiu no final do século XVIII em reação à exploração econômica imposta por Portugal. A cobrança excessiva de impostos, como a derrama, simbolizava um sistema colonial que drenava riquezas do território brasileiro para sustentar a metrópole.

Mais do que uma revolta fiscal, a Inconfidência representava um embrião de pensamento nacional. Inspirados por ideias iluministas e pela independência dos Estados Unidos, os inconfidentes defendiam a criação de uma república no Brasil, rompendo com o domínio externo.

Tiradentes, ao assumir publicamente a responsabilidade pelo movimento, tornou-se mártir. Sua execução, em 1792, foi um recado brutal da Coroa: qualquer tentativa de autonomia seria reprimida com rigor. Ainda assim, seu legado atravessou gerações e ajudou a consolidar a noção de que o Brasil deveria ser dono de seu próprio destino.

A soberania como eixo do projeto de Lula

No Brasil contemporâneo, a soberania reaparece como tema central em meio a disputas geopolíticas e econômicas globais. O presidente Lula, ao buscar um quarto mandato, tem reiterado a necessidade de fortalecer a autonomia nacional em áreas estratégicas, como energia, indústria, tecnologia e política externa.

Após décadas de políticas neoliberais que reduziram a capacidade do Estado e ampliaram a dependência externa, o atual governo aposta em um modelo que combina estabilidade macroeconômica com intervenção ativa para estimular o desenvolvimento. A reindustrialização, o fortalecimento de empresas públicas e a integração regional são pilares dessa estratégia.

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante declaração à imprensa, na Sala de Coletiva. Rio de Janeiro - RJ - 07/07/2025(Photo: Ricardo Stuckert / PR)Ricardo Stuckert / PR

A política externa também reflete essa visão. O Brasil tem atuado de forma mais assertiva em fóruns multilaterais, reforçando sua participação no BRICS e defendendo uma ordem internacional multipolar. Trata-se de uma tentativa de reduzir a dependência em relação às grandes potências tradicionais e ampliar o espaço de decisão soberana.

Dependência ontem e hoje

Se no tempo de Tiradentes a exploração se dava de forma direta, com a transferência de riquezas para Portugal, no mundo contemporâneo os mecanismos são mais sofisticados. A dependência tecnológica, financeira e industrial funciona como uma nova forma de subordinação.

O Brasil, apesar de sua dimensão continental e riqueza de recursos naturais, ainda enfrenta desafios estruturais. A desindustrialização precoce, a vulnerabilidade externa e a influência de interesses estrangeiros em setores estratégicos são questões que limitam sua autonomia.

Nesse contexto, a defesa da soberania ganha contornos modernos. Não se trata apenas de independência política formal, mas de capacidade real de decidir sobre os rumos econômicos e sociais do país.

O papel das elites e a disputa de projetos

Um elemento que aproxima o período de Tiradentes do Brasil atual é o comportamento das elites. No século XVIII, parte significativa das elites coloniais mantinha vínculos estreitos com a metrópole, beneficiando-se do sistema vigente.

Hoje, a situação se repete sob novas formas. Segmentos do mercado financeiro e grupos econômicos frequentemente resistem a políticas que ampliem o papel do Estado ou reduzam a dependência externa, defendendo agendas alinhadas a interesses globais.

Essa disputa entre projetos – um voltado à soberania nacional e outro à integração subordinada ao sistema internacional – está no centro do debate político brasileiro.

Lula e a construção de um projeto nacional

Ao longo de seus mandatos, o presidente Lula buscou fortalecer o papel do Estado como indutor do desenvolvimento. Programas de inclusão social, expansão do crédito, valorização do salário mínimo e investimentos em infraestrutura foram marcas de seus governos anteriores.

No atual contexto, essas iniciativas são retomadas com um componente adicional: a necessidade de reposicionar o Brasil em um cenário global cada vez mais competitivo e fragmentado.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa em defesa da soberania nacional - 17/7/2025 (Photo: Ricardo Stuckert/PR)Ricardo Stuckert/PR

A defesa de empresas estratégicas, como a Petrobras, e a ampliação de investimentos em ciência e tecnologia são vistas como fundamentais para garantir a soberania. Ao mesmo tempo, a integração com países da América Latina e do Sul Global aparece como alternativa à dependência histórica de centros hegemônicos.

A atualidade da causa de Tiradentes

Mais de 200 anos após sua morte, Tiradentes permanece como símbolo de resistência e de luta por um Brasil soberano. Sua figura transcende o episódio histórico da Inconfidência Mineira e se conecta a um debate permanente sobre o futuro do país.

Em 2026, com o presidente Lula colocando a soberania no centro da disputa política, essa herança ganha nova relevância. A questão que se coloca é se o Brasil será capaz de consolidar um projeto nacional autônomo ou continuará preso a ciclos de dependência.

A história sugere que a luta pela soberania é contínua e exige mobilização política e social. Tiradentes pagou com a vida por defender essa causa. Hoje, ela se manifesta nas escolhas políticas, econômicas e estratégicas que definirão o destino do país nas próximas décadas.

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12.02.2025 - Cerimônia de 1 ano da Nova Indústria Brasil e Missão 6: Soberania e Defesa nacionais(Photo: Ricardo Stuckert/PR)Ricardo Stuckert/PR

Nesse sentido, a memória de Tiradentes não é apenas um tributo ao passado, mas um convite à reflexão sobre o presente e o futuro do Brasil.

*Fonte: Redação do site Brasil247