01 abril 2026

ÚLTIMO DISCURSO DO - BRAVO! - DEPUTADO FEDERAL MILTON GARCIA DUTRA (PTB/RS), CASSADO PELO GOLPE CIVIL/MILITAR DE 1º DE ABRIL DE 1964

 

Deputado Federal Milton Garcia Dutra - PTB/RS 

Por Yamil E Souza Dutra*

O último discurso de meu pai, Milton Garcia Dutra, na Câmara dos Deputados, em abril de 1964, ao ter seu mandato de deputado, livremente eleito pelo povo do Rio Grande do Sul, cassado pelos militares golpistas e usurpadores dos poderes democráticos!
O registro está documentado no Diário do Congresso Nacional, abril de 1964., pag 3.:

"O SR. MILTON DUTRA:
Sr. Presidente, na manhã de hoje li uma relação de nomes de brasileiros que tiveram seus direitos políticos suspensos pelo Comando Revolucionário. Entre esses nomes estava o meu.
Quando a esta Casa cheguei, foi-me comunicado que, num entendimento unânime, se pretendia que implicitamente tivesse perdido o meu mandato de Deputado.
Realmente, Sr. Presidente, aquele foi o dia da minha vida que jamais encontrarei entre os vivos para assistir a esta ignomínia. Estudante pobre, que lutou com sacrifícios para se formar, que veio para a política sob o comando ideológico de Alberto Pasqualini e pautou sua existência pelos ditames da moral e pelo exemplo de homem honrado que foi meu pai, nunca me ocupei dos cargos públicos obtidos por concurso e tive a honra de representar o Município, seus cidadãos, na Câmara de Vereadores, o Estado, por duas vezes, na Assembleia Legislativa, e agora aqui, pela vontade dos eleitores.
Estou também na tribuna para afirmar que o convívio democrático dos políticos do Brasil me assegura que estes dias de trevas hão de ser sucedidos por uma madrugada esplendorosa.
O fato é episódio daqueles mesmos que hoje se derramam pelos excessos hão de sofrer inspiração divina para se reencontrarem na tradição do povo brasileiro, inimigo da violência, jamais concorde com o arbítrio.
Promotor de Justiça, sempre exerci a minha função como representante da sociedade e como fiscal da execução das leis. Transformei todos os réus que acusei em homens que me respeitaram porque nunca excedi os limites de uma acusação justa.
Não transigi com a improbidade e nunca me servi do poder para obter vantagens pessoais. Secretário de Estado no Rio Grande do Sul, deixei marcada minha passagem pelo trabalho e esforço, que me valeram o maior prêmio que o Rio Grande concede aos que lutam pela economia do Estado.
Posso conjecturar, as razões pelas quais o Comando Revolucionário chegou a essa decisão. Talvez se quisesse punir a lealdade de um homem, talvez se queira dizer que um amigo não pode ser amigo e que um companheiro político não pode se comportar como tal.
Se os motivos da cassação foram esses, recebo este fato como a honra máxima de minha vida política.
Mas, se foram de ordem pessoal, se me querem atribuir atos que me desonrem, afirmo que hei de bater às portas de todos os tribunais do mundo, se preciso, na restauração de minha dignidade.
Exijo, Sr. Presidente, desta tribuna que venham a público os vitoriosos e digam perante a Nação, especialmente perante meu Estado, as razões pelas quais me cassaram o direito de influir na vida do meu País, de ajudar meu povo e de me colocar a serviço, particularmente de suas classes mais humildes."

*Advogado, Procurador - trabalhou como Senior Advisor na empresa Brazilian Bar Association, além de ter estudado Information Sciences na instituição de ensino University of Maryland, College Park 
 
**Via Face do Autor.

***O bravo Ex-Deputado Milton Garcia Dutra (advogado e promotor) nasceu em  11/11/1916, em Santiago do Boqueirão/RS e  faleceu em 22/03/2008 em Porto Alegre/RS. - Grifos e Edição final deste Blog. (JG)

31 março 2026

DITADURA NUNCA MAIS!!!!

 

José Dirceu

Por José Dirceu*

31 de março é data para não esquecer jamais. Em 1964, neste mesmo dia, deu-se o início de uma longa noite de 21 anos, que mergulhou o Brasil na censura, na perseguição política, na tortura e na negação das liberdades mais básicas.

Foi o dia em que tanques substituíram o voto. Um momento a partir do qual a Constituição foi rasgada, muitos brasileiros pagaram com a própria vida, e outros foram levados ao exílio ou ao silêncio forçado, com marcas que não desapareceram. Mas tantos, como eu, enfrentaram e resistiram em nome da democracia e da verdadeira liberdade de cada brasileiro e cada brasileira.


Lembrar o 31 de março é um ato de responsabilidade com o presente e com o futuro. E alertar para os grupos saudosos daquele período, que tentam reescrever sua história ou minimizar seus crimes. E que sonham com o autoritarismo e a anistia a golpistas.
Democracia é uma construção diária, que exige memória, vigilância e compromisso permanente. Avançaremos não com sombras e sim com mais liberdade, mais justiça e mais participação popular.


**Edição final deste Blog

Nova Esplanada - Alckmin deixa ministério da Indústria e será novamente vice na chapa de Lula

Em reunião ministerial, Lula afirmou que 18 ministros deixarão o governo para disputar o pleito

O presidente Lula e o seu vice, Geraldo Alckmin, durante evento de anúncios de investimentos em urbanização de favelas | Crédito: Ricardo Stuckert/Presidência da República


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta terça-feira (31), que o vice-presidente Geraldo Alckmin deixará o ministério da Indústria. Em uma reunião ministerial, o mandatário disse que Alckmin será novamente vice na chapa para disputar a presidência. Por determinação da lei eleitoral, todos os ministros que forem disputar cargos públicos devem deixar seus cargos seis meses antes da disputa. 

O encontro teve a participação de ministros e de secretários que ocuparão os postos deixados pelo alto escalão que disputará o pleito.

Segundo Lula, 14 ministros já formalizaram a saída da Esplanada para disputar cargos nas eleições, enquanto outros quatro ainda devem pedir para sair nos próximos dias. O presidente agradeceu o “empenho” e o trabalho de todos que ocuparam o alto escalão ao longo dos últimos três anos.

“É necessário que vocês sejam candidatos para mudar a política. Hoje é o dia da dissolução, e eu sou muito grato pelos serviços que vocês prestaram ao meu governo. Não tenho preocupação em olhar para vocês e comparar com outros governos. Nós fizemos mais e com mais precisão. Ainda mais comparando com o governo que substituímos. Nós pegamos o Ibama com 700 funcionários a menos. O país foi montado para não funcionar, e agora está preparado para funcionar”, disse Lula.

Outro nome a deixar a Esplanada será o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Ele disputará o Senado na Bahia e dará lugar a Miriam Belchior, que era secretária-executiva da Casa Civil. Ela já havia sido ministra do Planejamento durante a gestão de Dilma Rousseff. 

Costa foi o segundo a discursar na reunião. Ele apresentou dados e indicadores econômicos dos ministérios ao longo dos três anos de gestão petista. O ministro destacou a queda na desigualdade e a queda recorde do desemprego no país (5,4%), alcançando a menor taxa da série histórica.

A maioria dos ministros deixará o governo para disputar a corrida ao Senado. Alguns devem concorrer à Câmara dos Deputados. Outros não têm ainda uma definição, como é o caso de Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos, que não definiu que cargo irá disputar.

A substituição em alguns ministérios também será definida na reunião. Anielle Franco, na Igualdade Racial, e Márcio França, no Empreendedorismo, não têm nome certo para a troca.

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, deixará o cargo só em junho para ser marketeiro da campanha de Lula. Ele já havia coordenado a comunicação da campanha de 2022.

*Por Lorenzo Santiago - Editado por: Rafaella Coury - Via BdF

30 março 2026

O antifascismo não tem dono e a direita precisa entrar no debate

Quando esses setores se retiram do debate sobre o autoritarismo, eles deixam o campo livre para que o radicalismo avance sem contrapesos

   Foto: Guilherme Santos/Sul21


Por Andréa Sommer (*)

A ideia de que o combate ao fascismo é um papel exclusivo da esquerda é um grande equívoco. No senso comum, nas redes sociais, conversas informais, criou-se a narrativa de que pessoas de direita estariam, “por natureza”, distantes dessa pauta. No entanto, se olharmos para os fundamentos da ciência política e para a história das instituições, essa divisão não resiste a uma análise séria e profunda.

Ser de direita, seja na vertente liberal, conservadora ou democrata-cristã e ser antifascista não é contradição. Na verdade, é uma condição para a sobrevivência do próprio conservadorismo e do liberalismo. Afinal, se você defende eleições livres, a separação de poderes e a alternância no comando, você está, na prática, rejeitando a essência do fascismo.

Regimes autoritários não surgem do nada. Eles não dependem apenas de líderes radicais, mas da cumplicidade de quem deveria vigiar as instituições. Na Itália de Mussolini ou na Alemanha de Hitler, a democracia não ruiu num piscar de olhos, mas foi corroída quando parcelas importantes da sociedade decidiram que “flexibilizar” certas regras em nome de um inimigo comum era aceitável.

O perigo começa quando a polarização cega o cidadão para o fato de que a democracia depende, fundamentalmente, do direito de discordar. Se você acredita que a oposição deve manifestar-se sem medo de perseguição e que a imprensa deve ser livre para criticar qualquer governo, você já opera princípios antifascistas.

Porto Alegre sedia a 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos. O evento coloca a capital gaúcha no centro de um debate global urgente sobre os riscos do autoritarismo. A pergunta incômoda, mas necessária, é: quantas pessoas da direita democrática estarão atentas a essas discussões?

Não se trata de concordar com todas as teses que serão apresentadas, mas de entender que o extremismo é uma ameaça universal. Historicamente, a direita democrática sempre foi o fiel da balança na manutenção da estabilidade institucional e da segurança jurídica. Quando esses setores se retiram do debate sobre o autoritarismo, eles deixam o campo livre para que o radicalismo avance sem contrapesos.

Na democracia, o conflito é normal e saudável. O problema surge quando a política deixa de ser uma disputa de projetos e passa a ser uma lógica de eliminação do adversário. Quando essa linha se apaga, todos perdem, independentemente da ideologia.

O fascismo não ataca apenas um lado, ele tira liberdades individuais e a própria possibilidade de participação política de todos os cidadãos. Fugir dessa reflexão pode ter consequências graves. No fim das contas, a questão central de 2026 não é se você se identifica com a direita ou com a esquerda. A pergunta que define o nosso tempo é: se a democracia começar a ser ameaçada por ideias autoritárias, de que lado da história você estará?

(*) Jornalista/Cientista Política - Fonte: Sul21

29 março 2026

50 ANOS DA FORMATURA EM DIREITO DO MEU PAI, DR. JOSÉ NUNES GARCIA*

 









*Visitando (sexta-feira, 20/03/2026) as dependências da Faculdade de Direito de Santo Ângelo/RS - CNEC (e o hotel onde ele se hospedava) - com meu querido pai, colega, sócio, companheiro e amigo Dr. José Nunes Garcia, no dia em que ele comemorou 50 ANOS de sua Formatura no Curso de Direito por essa Faculdade.
**Parabéns e muitas felicidades, Doutor (hoje também Defensor Público Inativo)!!!

**Via Face

28 março 2026

ANTIFASCISMO - Entre instituições e ruas: lideranças defendem mobilização popular contra o fascismo

Debate na Conferência Internacional Antifascista em Porto Alegre aponta limites da ação institucional


Debate reuniu parlamentares de diversos paises na Assembleria legisdlativa do RS | Crédito: Vinícius Manfron

Por *

A atuação institucional diante do avanço da extrema direita foi o eixo da mesa “Papel e limites da ação institucional na luta democrática”, realizada nesta quinta-feira (26), em Porto Alegre, durante a 1ª Conferência Internacional Antifascista pela soberania dos povos. O encontro destacou a importância da articulação global, da mobilização popular e da atuação institucional para enfrentar o fascismo, o neoliberalismo e as desigualdades sociais.

O debate, mediado pelas deputadas federais Maria do Rosário (PT/TS) e Daiana Santos (PCdoB/RS), reuniu lideranças como o senador uruguaio Oscar Andrade, a eurodeputada espanhola Ana Miranda, o eurodeputado português João Oliveira, Abdul Osmanu (conselheiro municipal dos Estados Unidos), o deputado Glauber Braga (Brasil), o deputado Erkan Baş (Turquia) e a ex-deputada argentina Vilma Ripoll.

O papel da institucionalidade na América Latina: avanços e limites

O senador Oscar Andrade, do Partido Comunista do Uruguai e da Frente Ampla, iniciou a fala questionando se é possível triunfar contra um sistema econômico que classificou como perverso e cruel. Ele afirmou que “não há limites” para a luta dos povos, incluindo a atuação institucional.

Ele destacou que a conquista de governos progressistas trouxe avanços, mas também revelou limites. “Ter o governo é melhor que não ter, é indiscutível, mas não é suficiente para enfrentar um bloco de poder hegemônico.”

Andrade também apontou dificuldades comuns na região, como o distanciamento entre governos e suas bases sociais. “Muitas vezes terminamos em confronto com a base social que nos deu nascimento”, afirmou, citando experiências no Brasil, Uruguai, Argentina e Equador.

Outro ponto crítico, segundo ele, é o abandono da disputa no campo das ideias. “Confundimos o incremento de políticas sociais com a construção de uma população mais solidária”, disse. Segundo ele, isso pode resultar em reações de setores populares influenciados pelo individualismo e pela meritocracia.

Para o senador, o desafio é articular estratégias de longo prazo com ações táticas imediatas, avaliando não apenas resultados de governo, mas também avanços na consciência social e na organização popular. “Não há forma de defender a democracia se a democracia não se radicaliza. Não há saída nacional. A saída é global e passa pela unidade dos povos”, concluiu.

Senador uruguaio Oscar Andrade | Crédito: Nacho Lemus/Telesur

Extrema direita na Europa: avanço e apoio institucional

A eurodeputada Ana Miranda, do Bloco Nacionalista Galego, resgatou a memória do Fórum Social Mundial de Porto Alegre, realizado há 25 anos, e defendeu a continuidade do internacionalismo. “Aquele espírito de que outro mundo é possível deve continuar.”

Miranda destacou a luta pela soberania dos povos, citando a Galiza, onde vive, uma comunidade autónoma da Espanha, além da Palestina e da República Saaraui, como exemplos de territórios que reivindicam reconhecimento e autodeterminação.

A parlamentar criticou o cenário europeu, denunciando “três grupos parlamentares neofascistas, neonazis, racistas e xenófobos no Parlamento Europeu” que utilizam instrumentos democráticos para disseminar discursos de ódio. Também relatou episódios de censura contra deputados antifascistas, enquanto parlamentares de extrema direita permanecem impunes.

Ela resgatou ainda a relação histórica entre a América Latina e povos europeus perseguidos pelo fascismo, destacando o acolhimento de exilados galegos no continente. Para a eurodeputada, o antifascismo é inseparável da política de esquerda. “Não se pode fazer política de esquerda se não é antifascista, anti-imperialista e anticapitalista.”

Mobilização de massas: essencial para mudanças além das instituições

O eurodeputado João Oliveira, do Partido Comunista Português, destacou a importância da conferência diante da ofensiva imperialista, especialmente dos Estados Unidos. Ele também saudou povos como os de Cuba, Venezuela, Palestina e Irã, países símbolos de resistência contra o imperialismo.

Oliveira apresentou quatro pontos centrais, entre eles a necessidade de articular ação institucional e luta popular. “A ação institucional tem mais relevância quanto mais estiver ligada à luta dos trabalhadores e dos povos”, afirmou.

Ele também alertou para o risco do “atentismo”, ou seja, a expectativa de mudanças apenas pela via institucional, e defendeu uma concepção ampliada de democracia, que inclua dimensões econômicas, sociais, culturais e participativas.

Por fim, enfatizou que o combate ao fascismo deve ser feito a partir do confronto de classe. “O fascismo é um instrumento do capital, a expressão violenta da ditadura do capital sobre os trabalhadores e os povos”, afirmou. “Compreender essa raiz é fundamental para enfrentar a extrema direita, que avança em instituições como o Parlamento Europeu com o apoio de forças conservadoras e social-democratas.”

Para Oliveira, o enfrentamento ao fascismo exige a construção de uma alternativa baseada na justiça social, na igualdade, na soberania e nos interesses dos trabalhadores e dos povos.

Contra-revolução global e precarização do trabalho

O deputado turco Erkan Baş afirmou que o mundo vive uma nova fase histórica, marcada por uma ofensiva global do capital, que definiu como uma contra-revolução de âmbito internacional. “Não estamos apenas diante de uma crise do capitalismo. O que estamos vivendo é um processo de contra-revolução organizada em escala mundial. Entramos em um novo período”, declarou.

Segundo ele, imperialismo e fascismo atuam de forma articulada, combinando guerras multidimensionais, tecnologias avançadas, formas autoritárias de política e um Estado reduzido a aparato de repressão. O objetivo, afirmou, é “liquidar todos os direitos e liberdades conquistados pelos trabalhadores e pelos povos”.

Para o deputado, essa dinâmica tem impactos diretos nas condições de vida. “Milhões de pessoas trabalham mais horas, mais dias e mais anos, e ainda assim vivem pior. Pela primeira vez, a nova geração é mais pobre que a anterior.”

Baş também denunciou a precarização do trabalho na Turquia. Segundo ele, nos últimos 25 anos, pelo menos 35 mil trabalhadores morreram no que são chamados de acidentes de trabalho, mas que ele considera “assassinatos no local de trabalho”. Destacou que 98% dessas mortes ocorreram em locais sem organização sindical, o que classificou como uma forma de “classicídio”.

Para o parlamentar, “neste período de reestruturação, o parlamento não é um local de soluções, é um campo de batalha”.

Ele reforçou que a transformação política depende da organização popular. “As pessoas não devem ser objeto da política, mas sujeitos dela. Sindicatos, organizações locais e a unidade da classe trabalhadora são a base.” E concluiu: “Não há salvação individual. A libertação só pode ser coletiva.”

Organização popular e internacionalismo nos Estados Unidos

O conselheiro municipal de Connecticut (EUA), Abdul Osmanu, fez um apelo à organização internacional da classe trabalhadora e ao enfrentamento direto ao fascismo e ao imperialismo. Jovem, negro, muçulmano e socialista, ele destacou sua trajetória e afirmou: “é o nosso momento de agir”.

Osmanu citou experiências brasileiras, como o orçamento participativo de Porto Alegre, que influenciaram iniciativas em sua cidade, ampliando a participação popular.

Ele criticou a separação entre política doméstica e internacional. “Os problemas da Palestina, do Irã, do Sudão e da Venezuela também são problemas dos Estados Unidos”. Filho de imigrantes ganeses, também criticou o papel de instituições internacionais na produção de desigualdades globais e defendeu o enfrentamento ao imperialismo como condição para a libertação dos povos. “Se não desmantelarmos o imperialismo, nossos povos não serão livres, e nós também não seremos.”

Ao final, reforçou o chamado à ação coletiva: “A filosofia interpreta o mundo, mas o ponto é transformá-lo.”

“Aquele espírito de que outro mundo é possível deve continuar”, enfatizou a eurodeputada Ana Miranda | Crédito: Vinícius Manfron

Diagnóstico de crise exige articulação internacional

O deputado Glauber Braga (Psol/RJ) afirmou que o momento exige um diagnóstico duro da realidade global. “Eu fico me perguntando se não seria o caso de começarmos com o diagnóstico de que nós estamos no fundo do poço.” Segundo ele, esse reconhecimento não é sinal de pessimismo, mas condição para a superação. “A consciência de que a gente está no fundo do poço talvez seja uma necessidade para que a gente possa sair dele.”

Braga avaliou que não há mais “grau de recurso” dentro da institucionalidade e que a saída passa pela articulação internacional. “As armas estão com eles. A grana está com eles. Os veículos de comunicação, as big techs, estão com eles. O que nós temos é a consciência de que somos classe trabalhadora”, declarou.

Parlamento como tribuna e limites das mudanças institucionais

A ex-deputada argentina Vilma Ripoll ressaltou a importância da atuação parlamentar como espaço de disputa, mas com limites claros. “É importante integrar os parlamentos, porque é uma tribuna das posições de esquerda.”

Segundo ela, esse espaço permite levar demandas populares para dentro das instituições, mas não é suficiente para promover mudanças estruturais. “Desde essas instituições não vão vir as mudanças de fundo.”

Ripoll citou exemplos recentes na Argentina, como mobilizações no Hospital Garrahan e nas universidades, para mostrar que avanços dependem da pressão popular. “É a mobilização fora do Congresso que dinamiza e leva força para dentro.”

Ao final a deputada Daiana Santos ressaltou a importância da relação direta com as massas. “A luta institucional só ganha força quando ouve as massas. Não vamos avançar contra esse fascismo sem essa compreensão, que está no dia a dia e em cada ação coletiva”, afirmou. Para a parlamentar a soberania significa garantir comida na mesa, segurança e atenção ao campo e à cidade, sempre com foco na classe trabalhadora.

Já a deputada Maria do Rosário [PT/RS] reforçou a importância da unidade dos socialistas e do campo popular. “Não nos conformamos com ação puramente institucional; ação institucional e luta de massas se misturam. Nossa missão é enfrentar os avanços da extrema direita no Brasil e no mundo”, declarou.

*Fonte: Brasil de Fato - BdF

27 março 2026

Marcha antifascista ganha as ruas de Porto Alegre

Ativistas exaltaram escolha da capital gaúcha como palco do evento, rememorando a cidade que ficou conhecida mundialmente por receber o Fórum Social Mundial


Parlamentares, figuras públicas e ativistas tomaram ruas do Centro Histórico nesta quinta, 26

Foto: Igor Sperotto


Por Niara Aureliano, no Extra Classe*

Ativistas de pelo menos 50 países, que participam da 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, se somaram a representantes dos movimentos sociais e população para tomar as ruas de Porto Alegre na noite da quinta, 26 de março, entoando palavras de ordem em diversos idiomas. A articulação pretende construir e aprovar, entre 26 e 29 de março, uma agenda global para frear o avanço da extrema direita em todo o mundo.

No primeiro dia de debates, parlamentares do Brasil, Espanha, Itália, Portugal, Venezuela, Chile, Turquia e Cuba compartilharam experiências sobre o limite da institucionalidade e o aprofundamento da democracia em governos populares. Em seguida, a partir do Largo Glênio Peres, marcharam pelo Centro Histórico. Segundo os organizadores, a Conferência conta com mais de 4.300 participantes.

Nacionalidades, rostos e idiomas diversos

As investidas imperialistas em países na América Latina e Oriente Médio emergenciam o encontro, avaliam organizadores da Conferência. Disputas geopolíticas e o crescimento de movimentos políticos identificados com a extrema direita exigem uma resposta global dos movimentos antifascistas.

Presidente estadual da CUT, Amarildo Cenci

Foto: Igor Sperotto

De acordo com o presidente da CUT-RS Amarildo Cenci, a questão da guerra contra o Irã foi debatida com a presença jornalista Brenno Altman, de ascendência judaica, especialista em sionismo e conflitos do Oriente Médio, envolvendo Israel.

“A mesa refletiu sobre o quanto essa questão hoje é de interesse de todo o planeta, da humanidade. Se acontecer de aquele ser derrotado e massacrado, será uma nova uma Palestina, uma Líbia, uma Síria”, explica, como o ataque à Venezuela seria tentativa dos EUA de subordinar todo mundo aos interesses.

“Segue-se o compromisso de que a gente, a humanidade, tem que se juntar nessa hora por paz, mas uma paz com justiça, com igualdade e com soberania dos povos. Atrás do imperialismo existe um capitalismo exagerado; atrás de um capitalismo exagerado e do imperialismo, tem fascismo, autoritarismo, morte, miséria e é isso que nós precisamos combater”, reflete Cenci.

Silvia Saravia veste vermelho, no centro da foto, com a camiseta do grupo Libres Del Sur

Foto: Niara Aureliano

Da Argentina, o grupo Libres Del Sur trouxe jovens e trabalhadores das províncias de Córdoba, Chaco, Corrientes, San Luis, San Juan, Missiones e Neuquén.

Eles denunciam que o país padece sob o comando do presidente Javier Milei e asseguram que os danos serão de médio a longo prazo no que diz respeito aos recursos naturais e à indústria, por exemplo. Isso porque a política é de submissão aos interesses dos Estados Unidos e não aos interesses do povo argentino.

“Cremos que é importante contar que na Argentina não é toda a população que apoia Milei. Queremos contar que há muitos grupos enfrentando e que estamos convencidos e convencidas que vamos derrotá-lo! Dizemos que vamos jogá-lo na lata de lixo da história porque o que ele está propondo não é uma receita nova, como afirma, mas receitas antigas que já sabemos que falharão, empobrecerão nosso povo e lhe tirarão a soberania”, declara a argentina Silvia Saravia, porta-voz do grupo.

Porto Alegre de lutas

Representantes exaltaram a escolha da capital gaúcha como palco do primeiro encontro internacional antifascista. Experiências de participação popular, como o orçamento participativo, também foram rememoradas. A convocatória do evento destacou a Porto Alegre núcleo de resistência popular que reuniu mais de 20 mil ativistas de 117 países em 2012, quando da realização do Fórum Social Mundial.

Vereadora da capital, Natasha Ferreira (PT)

Foto: mandato Natasha Ferreira

A radicalidade esperada da agenda a ser construída durante a Conferência Antifascista deve ter como base a participação popular. “Cada vez mais, as pessoas não querem saber da política e isso é bom para a extrema direita. Nós precisamos fazer o inverso, chamar as pessoas a participar, tomarem conta dos espaços e transformar o parlamento naquilo que ele deve ser”, defende a vereadora de Porto Alegre Natasha Ferreira (PT).

“De fato, inclusive, a gente está votando o plano diretor em Porto Alegre. Plano diretor que é dos empresários, completamente atravessado. Estamos lutando para que as pessoas mais pobres não sofram com os efeitos climáticos que acontecem em Porto Alegre, como as enchentes, verão escaldante, ventania que causa falta de energia. Fruto da precarização de uma cidade que não tem investimento em adaptação e mitigação da crise climática” alerta.

Porto Alegre deverá ser vanguarda para as lutas antifascistas do mundo, almejam os organizadores. Para os participantes, destacam-se ainda as lutas progressistas e suas dificuldades no Sul do país.

Shahla Othman, presidente do Comitê Catarinense em Solidariedade ao Povo Palestino

Foto: Igor Sperotto

Shahla Othman, presidente do Comitê Catarinense de Solidariedade ao povo palestino Khader Othman, chegou à capital gaúcha na quarta, 25 de março, para participar da Conferência e reforçou que a luta contra o fascismo no Sul do país precisa ser mais forte e estar melhor organizada.

Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), de 2025, enfatizou o crescimento de células neonazistas no sul e sudeste do Brasil, e a disseminação de discursos de ódio de direita extrema.

“A luta contra o fascismo aqui no Sul, principalmente, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, tem que ser muito mais forte do que é. Contra o fascismo, contra o imperialismo, contra o sionismo. Sou filha de palestino. Meu pai foi expulso em 1967. Preso, torturado e expulso de suas terras porque ele fazia jornais para denunciar os crimes de Israel lá em 1967. Meu pai nasceu em 1939. Não existia Israel ainda, era Palestina”, conta Shahla.

 

América Latina

Erlon Schüler, diretor do Sinpro/RS

Foto: Igor Sperotto

Para o diretor do Sinpro/RS, Erlon Schüler, a atuação dos movimentos progressistas deve também focar nas pautas antirracistas, antimisóginas e antiLGBTfóbicas, em destaque na marcha – que chamou atenção com a presença de delegações do continente africano e americano – e de mulheres.

Todas essas lutas se entrelaçam, para combater também a entrega de riquezas e defender a soberania dos povos latino-americanos, o que passa pelo parlamento.

“Esse ato é importante. Primeiro, porque conjugou o aniversário de Porto Alegre, e com isso, as pessoas estão mais atentas ao que está acontecendo na cidade. Não existe só o South Summit (evento empresarial), que é só para uma parte da população. E estamos em ano de eleição. A direita está se organizando. Eles querem fatias importantes da política, como o Senado, então temos que estar nesses movimentos que antecedem para trocar entre nós, para dizer para as pessoas o que significa esta luta. Esse é o momento de estar na rua”.

Presidente nacional da CTB, Adilson Araujo

Foto: Igor Sperotto

O presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Adilson Araújo, que veio de São Paulo, reforça o direito dos povos e nações à autodeterminação. Para ele, o mundo assiste ao recrudescimento dos fascistas e a tarefa é materializar unidade, solidariedade e defesa da soberania e democracia para os povos de todo o mundo.

“A política genocida praticada e patrocinada pelo imperialismo norte-americano tenta de alguma maneira também se voltar contra a nossa América”, diz. Para Adilson, a América Latina e o Caribe levantam suas bandeiras no sentido de dizer que aqui não há espaço para neofascista. “Nós que tivemos a grandeza de, há 20 anos atrás, no encontro em Mar del Plata, junto com Lula, Tabaré, Hugo Chaves, Fidel e até mesmo Dieguito Maradona: quando Chaves proclamou Alca al carajo! fazer levantar e ecoar esse propósito maior que é lutar pela paz contra a guerra”, finaliza.

*Fonte: Extra Classe

26 março 2026

Conferência Antifascista reúne lideranças políticas internacionais

Resposta à extrema direita deve ter cooperação mundial entre partidos progressistas, movimentos sociais e governos democráticos, afirma Humberto Costa

Evento internacional em Porto Alegre será realizado entre os dias 26 e 29 de março

O Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras participa da  I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, que teve início nesta quinta-feira, 26, em Porto Alegre, e reunirá lideranças políticas, movimentos sociais e organizações de diversos países. A secretária-adjunta de Relações Internacionais do PT, Misiara Oliveira, representa o partido na Conferência.

O evento internacional, que vai até o dia 29 de março de 2026, propõe uma extensa programação composta de conferências e mesas de debates com a participação de representações governamentais, parlamentares e de autoridades antifascistas de várias partes do mundo.

A Conferência, que começou esta tarde com o Fórum de Autoridades Antifascistas, será aberta oficialmente às 18h com a Marcha da 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, no Largo Glênio Peres (em frente ao Mercado Público), na capital gaúcha.

Como marco editorial da  I Conferência Internacional Antifascista, o Núcleo de Cooperação Internacional da Fundação Perseu Abramo (FPA) produziu uma publicação especial que reúne reflexões estratégicas sobre o avanço contemporâneo da extrema direita e os desafios colocados às forças democráticas em escala global. Assinam os artigos o presidente nacional do PT, Edinho Silva; o secretário de Relações Internacionais do PT, Humberto Costa; Mônica Valente, diretora da FPA e secretária-executiva do Foro de São Paulo e Valter Pomar, diretor de Cooperação Internacional da FPA.

O secretário de Relações Internacionais do PT, senador Humberto Costa, em seu artigo “A luta antifascista no século XXI: democracia, soberania e nova ordem internacional”, que compõe a publicação, destaca que “o atual cenário internacional é marcado por uma reorganização transnacional da extrema direita, que não pode ser interpretada como fenômeno isolado ou episódico”. “Trata-se de um processo mais profundo de radicalização política, que exige a atualização do antifascismo como projeto político global”, argumenta o secretário.

Para o titular da SRI-PT, a resposta para as ações da extrema-direita cada vez mais articulada em escala global, também “precisa ser internacionalista, baseada na cooperação entre partidos progressistas, movimentos sociais e governos comprometidos com a democracia”.

programação do evento informa também que “além das conferências principais, o encontro também contará com espaço para atividades autogestionadas, permitindo que militantes, movimentos sociais, coletivos, organizações e participantes em geral realizem suas próprias atividades, discussões, oficinas, lançamentos, rodas de conversa ou experiências formativas”.

Acesse aqui e/ou confira abaixo a íntegra da apresentação, programação e dos artigos da publicação sobre a I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos:

*Da Rede PT de Comunicação - https://pt.org.br/