14 fevereiro 2026

O Samba na Avenida: Liberdade de Expressão Cultural e Risco Eleitoral

 

Por José Geraldo de Sousa Junior*

A escola de samba Acadêmicos de Niterói está homenageando o presidente Lula no Carnaval de 2026 com o enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”. O samba-enredo, interpretado por Emerson Dias, retrata a trajetória de Lula, desde sua origem humilde até sua atuação política, passando pela luta sindical e pelo combate à fome, como se vê em parte de sua letra.

É… TEM FILHO DE POBRE VIRANDO DOUTOR

COMIDA NA MESA DO TRABALHADOR

A FOME TEM PRESSA, BETINHO DIZIA

É.. TEU LEGADO É ESPELHO DAS MINHAS LIÇÕES

SEM TEMER TARIFAS E SANÇÕES

ASSIM QUE SE FIRMA A SOBERANIA

SEM MITOS FALSOS, SEM ANISTIA

O desfile acontece no dia 15 de fevereiro de 2026, domingo, a partir das 22h. O enredo é uma crítica social e um resgate da história do Brasil, com referências à religiosidade católica e à luta da classe trabalhadora. Afinal, Lula pode até ser candidato, mas antes de tudo é personagem maiúsculo da História, da História do Brasil e da História do Mundo, que em meu tempo de ginasiano era denominada História Universal.

Não surpreende que numa conjuntura política exacerbada, tensionando projetos antagônicos de sociedade, à esquerda, ao centro e à direita, tudo seja misturado no caldeirão da disputa e já se apresentem as petições de impugnação e de criminalização desses projetos. De fato, contra o desfile já são várias as representações e elas ainda se acumularão, até o desfile e depois dele, quando a disputa se desloca das urnas para os tribunais.

Enquanto escrevo, ouço em https://www.website.agenciaradioweb.com.br/meuplayer.php?idmateria=NjMxMjQ=, reportagem do competente radialista Allan Barbosa, a partir da chamada “Planalto teme por crimes eleitorais com samba-enredo a Lula”, entrevistando o advogado e analista político Melillo Dinis, meu companheiro coordenador do Grupo de Análise de Conjuntura Social da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Melillo chama a atenção para riscos associados à possibilidade de caracterização de propaganda antecipada e abuso de poder, tanto mais acentua Allan, quando conduzirá o TSE nas eleições dois ministros que foram indicados pelo Presidente Bolsonaro e que conhecem a decisão da justiça eleitoral em face da reunião do ex-Presidente com diplomatas no Alvorada, resultando em sua condenação a inelegibilidade. Ainda que as diferenças sejam gritantes, entre um ato cultural espontâneo e um ato político forte na agenda eleitoral.

De toda sorte, ontem (11/2), a Justiça Federal rejeitou, duas ações apresentadas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Escola de Samba Acadêmicos de Niterói por causa do enredo escolhido pela agremiação para apresentar na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. O juiz federal Francisco Valle Brum justificou que os pedidos não cumprem os requisitos necessários para a abertura de processo e afirmou que não houve demonstração concreta de dano ao patrimônio público (fonte O Correio Brazilense).

E hoje (12/2), com voto dos ministros e ministras Kassio Nunes, André Mendonça e Carmen Lúcia, o TSE negou ação contra tributo a Lula na Sapucaí, claro que rejeitando a liminar pretendida. Para a relatora, ministra Estela Aranha, não é possível classificar propaganda eleitoral antecipada, já que o desfile não ocorreu, além do que “ainda que não possa ser considerada propaganda antecipada a simples reprodução dos fatos nas redes sociais não prejudica uma nova análise após o desfile”. A ação prossegue mas os pontos fixados para a discussão ativam o que tem sido a manifestação conceitual e ordenadora do TSE nesse assunto.

Com efeito, a diferenciação entre crítica política legítima e propaganda eleitoral é um dos pontos em que mais claramente se revela a tensão constitutiva do direito eleitoral em uma ordem democrática. De um lado, a proteção robusta da liberdade de expressão e do pluralismo político; de outro, a necessidade de assegurar igualdade de chances na disputa eleitoral. A jurisprudência recente do Tribunal Superior Eleitoral tem buscado resolver essa tensão por meio de uma inflexão relevante de perspectiva. Em vez de vigiar o conteúdo político do discurso, procura identificar sua funcionalidade eleitoral.

Durante muito tempo, a Justiça Eleitoral brasileira operou com um olhar mais restritivo sobre manifestações políticas fora do período oficial de campanha, temendo que qualquer antecipação do debate eleitoral comprometesse a paridade entre os concorrentes. A reforma introduzida pela Lei 13.165/2015 e sua leitura jurisprudencial posterior, contudo, deslocaram o eixo interpretativo. O reconhecimento explícito de espaços legítimos de pré-campanha e a enumeração de condutas permitidas no art. 36-A da Lei das Eleições sinalizaram uma abertura maior ao debate público. A partir daí, o TSE passou a afirmar com mais nitidez que a mera manifestação política, ainda que valorativa, parcial ou engajada, não se confunde com propaganda eleitoral antecipada.

Nesse contexto, o critério que se consolidou como núcleo distintivo é o do pedido explícito de voto. A Corte tem reiterado que, em regra, somente a presença de um chamamento direto ao eleitor — a solicitação clara de apoio eleitoral — autoriza a caracterização de propaganda antecipada ilícita. Essa orientação não se limita a um formalismo vocabular, mas indica uma preocupação de fundo, vale dizer, evitar que a regulação eleitoral se converta em mecanismo de contenção do debate político. A democracia pressupõe circulação livre de ideias, avaliações sobre governos, críticas a políticas públicas e juízos sobre lideranças. Se toda tomada de posição mais enfática pudesse ser lida como propaganda, o efeito seria um empobrecimento do espaço público e uma inibição indevida da cidadania discursiva.

Isso não significa, porém, que a Justiça Eleitoral seja indiferente aos efeitos eleitorais da comunicação política. O que a jurisprudência procura é distinguir entre o discurso que participa do debate público e aquele que já integra uma estratégia de persuasão eleitoral típica de campanha. Para tanto, a análise raramente se limita à literalidade das palavras empregadas. O Tribunal recorre com frequência à ideia de exame do “conjunto da obra”, considerando contexto, circunstâncias e finalidade. A linguagem utilizada, o momento em que a manifestação ocorre, o meio de difusão, o alcance da mensagem e a eventual vinculação com pré-candidaturas ou estruturas de campanha são elementos que ajudam a revelar se se trata de opinião política ou de promoção eleitoral.

A crítica política legítima, nessa moldura, é compreendida como parte do funcionamento normal do regime democrático. Ela pode ser dura, unilateral, apaixonada e até estrategicamente orientada por preferências ideológicas. Ainda assim, permanece protegida enquanto não se converte em convocação ao voto ou em construção de imagem eleitoral associada a uma candidatura. Elogiar qualidades de uma liderança, defender ideias que ela representa ou criticar adversários não basta, por si só, para configurar propaganda. O que desloca a manifestação para o campo do ilícito é sua transformação em ato de captação de sufrágio.

O tempo também desempenha um papel relevante, mas não absoluto. A proximidade das eleições naturalmente intensifica o escrutínio, pois aumenta o risco de que mensagens aparentemente opinativas tenham finalidade eleitoral imediata. Ainda assim, a Corte tem sinalizado que o calendário eleitoral não suspende a liberdade de expressão. A cidadania política não entra em recesso até o início oficial da campanha. O que se busca evitar é o uso desequilibrado de recursos, meios de comunicação ou estratégias profissionais para antecipar, de forma disfarçada, a disputa eleitoral.

Por trás dessa orientação está uma leitura constitucional que atribui peso elevado à liberdade de expressão e ao pluralismo político. O TSE dialoga, nesse ponto, com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que tem afirmado de modo consistente a posição preferencial da liberdade de expressão no sistema constitucional. A intervenção estatal sobre o discurso político tende a ser vista como medida excepcional, justificável apenas quando há risco concreto à lisura e à igualdade da competição eleitoral. Assim, a proteção da igualdade de chances não é abandonada, mas passa a operar como contrapeso, não como ponto de partida.

O resultado é uma mudança de paradigma. A Justiça Eleitoral procura menos policiar opiniões e mais coibir a conversão disfarçada do debate em campanha. A linha divisória entre crítica e propaganda não está na intensidade do posicionamento, nem no fato de a manifestação favorecer simbolicamente alguém, mas na presença de finalidade eleitoral direta. Em outras palavras, o problema não é que o discurso seja político — isso é inerente à democracia —, mas que ele funcione como ato de campanha fora das regras e do tempo próprios.

Essa orientação revela uma compreensão mais madura da esfera pública democrática. O eleitor não é visto como sujeito passivo a ser protegido do excesso de discurso político, mas como cidadão capaz de formar juízo em meio ao pluralismo de vozes. Ao mesmo tempo, preserva-se a ideia de que a disputa eleitoral deve ocorrer em condições minimamente equânimes. A jurisprudência, assim, procura equilibrar dois riscos opostos. O de uma campanha permanente sem regras e o de uma censura eleitoral que sufoque o debate público. Na tensão entre esses polos, a Corte tem optado por errar menos contra a liberdade e intervir apenas quando o discurso deixa de ser política em sentido amplo e se torna, inequivocamente, campanha.

Voltando ao programa da radioweb compreendo e acompanho a interpretação de Melillo, sabendo que ela carrega uma advertência e não uma conclusão. Leitor de Ulrich Beck, para quem o risco não é apenas um problema individual, mas sim uma questão social e política que afeta a todos, Melillo emprestou suas leituras para a Análise de Conjuntura Social que o Grupo de Análise de Conjuntura Social prepara para o episcopado brasileiro (CNBB), lembrando, como aparece no texto – A CONJUNTURA INTERNACIONAL EM 2026 – a única constante é a mudança https://www.cnbb.org.br/wp-content/uploads/test-for-pdf/Analise-de-Conjuntura-Social-A-CONJUNTURA-INTERNACIONAL.pdf – que “Parte de uma cultura em crise é a indefinição de como descrevê-la. Há um cheiro crescente de riscos. O risco é um conceito muito “moderno”. Pressupõe decisões que tentam fazer das consequências imprevisíveis das decisões civilizacionais decisões previsíveis e controláveis. O risco repousa no fato de que nossas decisões civilizacionais envolvem consequências e perigos globais, e isso contradiz radicalmente a linguagem institucionalizada do controle – e mesmo a promessa de controle – que é irradiada ao público global na eventualidade de catástrofes”.

Dito em alemão essa é uma forma sofisticada de conceituar opções de risco. Há ainda as sensíveis e cotidiana ilustradas no pensamento de Riobaldo Tartarana, em Grande Sertões, Veredas (João Guimarães Rosa), no atinar que “Viver é muito perigoso” e que “A vida é assim, um rio que corre para o mar, e a gente não sabe o que vai encontrar no caminho“. O Samba da Acadêmicos de Niterói na avenida, na melhor tradição de retirar da História os grandes legados, desfilará no ritmo da liberdade de expressão cultural ao homenagear um grande brasileiro e sua obra política. Fazer história implica risco, inclusive eleitoral.

(*) José Geraldo de Sousa Junior é professor titular na Faculdade de Direito e ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB) - Fonte: Brasil Popular

11 fevereiro 2026

Cuba resiste

Donald Trump está fazendo de tudo para sufocar Cuba, cuja vitória revolucionária ainda não foi aceita pelos Estados Unidos

Cuba condena e denuncia a nova escalada do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos (Foto: Granma)

Por Emir Sader*

Donald Trump está fazendo de tudo para sufocar Cuba, cuja vitória revolucionária ainda não foi aceita pelos Estados Unidos.

Agora, o presidente americano emitiu o que chamou de "ordem executiva", ameaçando com medidas severas os países que continuam fornecendo petróleo a Cuba.

Fiz três perguntas a um amigo cubano, Abel Prieto, presidente da Casa de las Américas, sobre a situação real na ilha, especialmente considerando a quantidade de notícias falsas disseminadas pelos principais veículos de comunicação controlados pelos Estados Unidos.

Abel respondeu com uma carta, que reproduzo aqui na íntegra.

"Este é um esforço cruel para nos sufocar e forçar a sempre presente 'mudança de regime'. Eles ameaçam sancionar qualquer país que nos venda petróleo, paralisando, assim, a economia, a produção e os serviços à população e promovendo uma crise política."

Ele então detalha as medidas tomadas pelo governo cubano "para priorizar as necessidades básicas da população, saúde pública, educação e assistência aos setores mais vulneráveis". "Além disso, estão em curso esforços para acelerar os investimentos já realizados na instalação de parques solares e no uso de fontes de energia renováveis." Abel relata que, no ano passado, "conseguiram instalar cerca de 50 parques fotovoltaicos em todas as províncias". Esses parques estão sendo instalados em maternidades, policlínicas e lares de idosos.

Da mesma forma, do ponto de vista energético, estão protegendo centros de produção associados a exportações, irrigação elétrica, cultivo de tabaco, entre outros.

"Juntamente com a tentativa de nos sufocar, as operações de guerra psicológica por meio da mídia digital, financiadas pelos ianques, estão se multiplicando a cada dia", escreve Abel. "É por isso que estamos trabalhando intensamente para preparar nosso povo para travar a batalha nas redes sociais sem ser manipulado."

Abel então recorda: "O povo cubano passou por experiências muito difíceis ao longo de todos esses anos: a invasão da Baía dos Porcos, a Crise dos Mísseis de Cuba, a guerra biológica, furacões devastadores, o colapso do socialismo na Europa, as Leis Torricelli e Helms-Burton e a pandemia da COVID-19."

Ele relata as homenagens prestadas aos 32 cubanos que morreram defendendo o governo venezuelano contra o sequestro do presidente daquele país.

E conclui dizendo que: "Apesar das enormes carências e dificuldades que enfrentamos hoje, estou convencido de que não há, nem haverá, uma crise política em Cuba. O decreto de Trump só serviu para radicalizar nosso povo, nos unir ainda mais e nos tornar mais anti-imperialistas e antifascistas."

E termina com: "Um grande abraço, querido Emir."

*Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros. Fonte: Brasil247

09 fevereiro 2026

46 anos do PT: a atualidade de seu Manifesto de Fundação e a luta pela Constituinte Soberana*

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Em plena ditadura militar e sob o peso da Lei de Segurança Nacional, em 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo, representantes do Movimento Pró-PT vindos de 17 Estados brasileiros lançaram o manifesto de fundação do partido e reuniram as 101 assinaturas exigidas à época para sua formalização legal. O nascimento do PT e poucos anos depois da CUT, vieram na esteira de uma onda de greves e mobilizações que aceleraram o fim do regime e inauguraram uma nova etapa na representação política dos trabalhadores.

Expressando a necessidade de construir um partido empenhado comprometido com mudança da ordem, seu manifesto afirma: “O Partido dos Trabalhadores nasce da vontade de independência política dos trabalhadores, já cansados de servir de massa de manobra para os políticos e os partidos comprometidos com a manutenção da atual ordem econômica, social e política.” 

Fruto dessa correta orientação, oito anos depois, a bancada de 16 deputados do PT votou contra o texto da Constituição de 1988. Lula, então deputado, profere discurso irretocável: “Entramos aqui querendo 40 horas semanais e ficamos com 44 horas; entramos aqui querendo férias em dobro e ficamos apenas com um terço a mais nas férias; entramos aqui querendo o fim da hora extra ou, depois, a hora extra em dobro, e ficamos apenas com 50%, recebendo menos do que aquilo que o Tribunal já dava.”

Lula também não poupou o latifúndio nem a tutela militar, em vigor até hoje, e adubo para a tentativa de golpe em 8 de janeiro: “Sobre a questão da reforma agrária, esta Assembleia Nacional Constituinte teve o prazer de dar aos camponeses brasileiros um texto mais retrógrado do que aquele que era o Estatuto da Terra, elaborado na época do Marechal Castello Branco. Os militares continuam intocáveis, como se fossem cidadãos de primeira classe, para, em nome da ordem e da lei, poderem repetir o que fizeram em 1964 (…).”

E conclui: “Ainda não foi desta vez que a classe trabalhadora pôde ter uma Constituição efetivamente voltada para os seus interesses (…) E a questão do capital continua intacta (…). É por isto que o Partido dos Trabalhadores vota contra o texto e, amanhã, por decisão do nosso diretório – decisão majoritária – o Partido dos Trabalhadores assinará a Constituição, porque entende que é o cumprimento formal da sua participação nesta Constituinte.”

É preciso lembrar como o Congresso funcionava à época. De manhã, era Constituinte, de tarde, legislava normalmente… na verdade uma “constituinte meia bomba”. Não se tratava de uma constituinte soberana. De lá para cá, o texto de 1988, teve inúmeros retrocessos como a reforma da previdência, trabalhista e fim do monopólio estatal do petróleo, para citarmos apenas alguns exemplos.

As regras de sub-representação seguem, o voto não é proporcional, não existe voto em lista, o financiamento eleitoral privado continua liberado e o Congresso inimigo do povo agora é turbinado pelas bilionárias emendas parlamentares que contaminaram até o PT. O judiciário, por sua vez, se enrola entre interesses de poderosos como o caso do Banco Master mostra. Daí a atualidade do Manifesto do PT, 46 anos depois de sua fundação, e da necessidade histórica de uma Constituinte, mas Soberana desta vez, com plenos poderes, e não instalada submissa ao STF, com o Exército ditando Art. 142 da GLO, etc… Em 2026, o povo brasileiro ainda precisa de instituições e uma Constituição que seja sua.

Agir como o PT agia, viva o Partido dos Trabalhadores!

*Via site do Diálogo e Ação Petista - DAP (Negritos e grifos deste Blog)

46 anos do PT - O que está em jogo é a democracia do país, aponta Lula em discurso sobre as eleições de 2026

Durante ato político em Salvador, presidente defende diálogo, soberania e compromisso com valores que fundaram o PT

Lula destacou a necessidade de fortalecer o arco de alianças do partido para enfrentar o processo eleitoral | Crédito: João Valadares/PT

Em ato político que celebrou os 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou os desafios do processo eleitoral deste ano e convocou a militância a fazer a disputa de narrativas contra a extrema direita. O discurso foi realizado na manhã deste sábado (7) no Trapiche Barnabé, no bairro do Comércio, em Salvador (BA), ao lado de ministros de Estado, parlamentares e dirigentes de todo país.

“Essa luta é se a gente vai permitir que esse país continue sendo democrático ou se vai ser um país fascista, como eles queriam construir. O que está em jogo é a democracia desse país”, apontou o presidente. “Nós precisamos ganhar as eleições para consolidar nesse país a democracia, a liberdade de expressão, para melhorar a vida do povo trabalhador.”

Lula também ressaltou a defesa da soberania do Brasil e da América Latina como um dos pontos centrais da narrativa política que deve conduzir o partido e a base aliada nestas eleições.

“O nosso país é soberano. A gente quer trabalhar com todo mundo, mas a gente não quer voltar a ser colonizado. O nosso país é solidário ao povo cubano, que é vítima de um massacre de especulação dos Estados Unidos contra eles. Nós temos que dizer em alto e bom som que o problema da Venezuela tem que ser resolvido pelo povo da Venezuela e não pelos Estados Unidos ou pelo Trump”, destacou.

Compromisso e diálogo com o povo

Ao resgatar sua trajetória sindical e construção do PT nas últimas quatro décadas, Lula afirma viver hoje, aos 80 anos, “na sua melhor passagem pelo planeta Terra”. No entanto, o dirigente também teceu duras críticas ao atual momento da política brasileira. O orçamento secreto, descrito por Lula como o “sequestro do orçamento do Executivo”, foi apontado como um dos exemplos da deterioração da política nacional.

“O orçamento secreto foi o sequestro do orçamento do Executivo para que deputados e senadores tivessem liberdade de usar a mesma quantidade de dinheiro que sobra para o governo federal. Pra mim isso não é normal. Acho grave que o PT votou favorável”, criticou.

À militância do PT, o presidente cobrou o compromisso com os valores que levaram à fundação do partido, o diálogo com as periferias e a defesa dos interesses dos trabalhadores.

“Vocês têm a obrigação moral de não deixar esse partido ser um que vai para a vala comum da política deste país”, destacou.

Edinho Silva, presidente nacional do PT, também ressaltou a necessidade de formação política da militância e a capacidade do partido de construir alianças com a sociedade.

“O PT não pode ser um partido que defende privilégios. Somos um instrumento para a ascensão social do povo brasileiro. Para vencer as eleições, precisamos de um partido forte, sem projetos individuais, comprometido com um projeto coletivo de transformação da vida do povo brasileiro”, defendeu.

PT 46 anos

O ato político finalizou o encontro de celebração dos 46 anos do PT, que teve início na última quinta-feira (5). Ao longo de três dias, militantes e dirigentes do partido se reuniram para discutir a conjuntura política, estratégias eleitorais e o futuro do projeto de governo.

A programação contou com debates sobre temas como “Paz, Integração e Soberania: um olhar sobre a América Latina”, “Comunicação, Democracia e Soberania”, “Justiça Climática, Democracia e Desenvolvimento” e “Cultura, mobilização social e economia criativa”. Além de lideranças do governo, os painéis também trouxeram a contribuição de representantes de organizações e movimentos populares, como João Paulo Rodrigues, direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); Bianca Borges, presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE); e Sérgio Nobre, presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

*Por Redação do BdF- Salvador/BH - Editado por: Lorena Andrade - Fonte: Brasil de Fato

06 fevereiro 2026

A extrema direita global prepara o cerco às eleições brasileiras

A extrema direita não se organiza como partido tradicional, mas como rede transnacional de influência política. Seu núcleo é a guerra cultural permanente

                                  Steve Bannon (Foto: Elizabeth Frantz / Reuters)

Por Gustavo Tapioca*

A entrevista do crítico e analista João Cezar de Castro Rocha divulgada nesta quarta-feira, 4, pelo YouTube lança luz sobre um erro estratégico que a democracia brasileira insiste em repetir. Tratar a extrema direita como fenômeno local, episódico ou espontâneo. Os documentos associados ao caso Epstein, longe de serem apenas um escândalo moral, funcionam como mapa de uma engrenagem internacional de poder, onde circulam dinheiro, influência política, chantagem e guerra cultural.

Nesse teatro, o Brasil não é periferia. É campo de testes.

O método global da extrema direita

A extrema direita do século XXI não se organiza como partido tradicional, mas como rede transnacional de influência política. Seu núcleo é a guerra cultural permanente. Ou seja, a destruição deliberada da noção de verdade factual, o ataque sistemático às instituições e a conversão do conflito político em espetáculo emocional contínuo.

O principal formulador desse método é Steve Bannon, que transformou a política em engenharia do caos. A lógica é simples e brutal. Inundar o espaço público com desinformação, escândalos, teorias conspiratórias e ataques pessoais até que nenhuma checagem seja capaz de conter o fluxo. O objetivo não é convencer, mas desorganizar cognitivamente a sociedade.

Essa estratégia foi aplicada com êxito nos Estados Unidos sob Donald Trump e rapidamente exportada. Plataformas digitais fornecem a infraestrutura; igrejas e influenciadores garantem capilaridade social; empresários financiam a operação; e operadores políticos fazem a adaptação local. Trata-se de um projeto global, com execução descentralizada.

Os documentos ligados ao caso Epstein ajudam a revelar o pano de fundo dessa engrenagem: redes internacionais de poder que operam fora do escrutínio público, atravessando fronteiras, regimes políticos e sistemas jurídicos. Não se trata de conspiração abstrata, mas de ecossistema real, que combina dinheiro, chantagem, impunidade e propaganda.

O Brasil como laboratório

A eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, não foi um acidente histórico nem um surto irracional do eleitorado. Foi a primeira grande vitória da extrema direita global fora do eixo EUA–Europa, construída a partir de guerra digital em larga escala.WhatsApp, fake news industriais, disparos ilegais, ataques coordenados à imprensa, ao STF e ao sistema eleitoral não foram excessos laterais. Foram métodos. O Brasil reuniu condições ideais: alta penetração de aplicativos fechados, ausência de regulação das plataformas e uma crise política profunda após 2016.

O erro decisivo foi tratar aquele processo como algo superado com a derrota eleitoral de Bolsonaro em 2022. A rede não se dissolveu. Ela se profissionalizou. Aprendeu com os erros, ampliou financiamento, refinou linguagem e passou a operar com maior sofisticação técnica e narrativa.

De 2018 a 2026: a mutação da guerra digital

Em 2018, a desinformação tinha um objetivo central: ganhar votos. Em 2026, o objetivo é mais profundo e mais perigoso: quebrar a governabilidade democrática, independentemente do resultado das urnas.

A advertência de João Cezar de Castro Rocha é direta. O que foi visto em 2018 será quase nada diante do que está sendo preparado. A nova fase combina inteligência artificial, vídeos sintéticos, microsegmentação emocional e ataques simultâneos às instituições.O plano mínimo é impedir a vitória no primeiro turno. O plano máximo é transformar o segundo turno em um campo de exaustão democrática, onde o processo eleitoral já nasce sob suspeita permanente. Não se trata apenas de disputar a eleição, mas de deslegitimar antecipadamente o vencedor.

O alvo central é Lula

Nesse cenário, STF, TSE e mídia voltam a ser alvos prioritários. Não por acaso. Sem árbitros legítimos, a democracia se converte em conflito bruto. A extrema direita aposta na corrosão institucional preventiva: se tudo é apresentado como fraudulento, qualquer derrota vira golpe; qualquer vitória do adversário vira usurpação.

O alvo central dessa estratégia é Lula. O objetivo não é apenas derrotá-lo eleitoralmente, mas impedir que governe, mesmo que vença. Um presidente reeleito, porém, sitiado desde o primeiro dia, pressionado por campanhas de ódio permanentes, Congresso hostil e opinião pública intoxicada por desinformação.É a produção deliberada de um presidente pato manco, fabricado antes mesmo da posse.

Bolsonaro, Bannon, Trump: a mesma engrenagem

Não há linha pontilhada aqui — há linha direta. Bolsonaro não foi um corpo estranho ao bolsonarismo global: foi expressão local do método de Bannon, aplicado com entusiasmo por Trump e adaptado às condições brasileiras. A retórica antissistema, o ataque às instituições, a fabricação industrial de mentiras e o flerte permanente com a ruptura democrática obedecem ao mesmo manual, operado por redes internacionais que continuam ativas.O bolsonarismo não acabou porque Bolsonaro perdeu. Ele persiste porque faz parte de uma arquitetura global de poder que não depende de eleições para sobreviver.

Democracia sob cerco

“Sem medo de ser feliz” foi o slogan de um tempo em que eleições decidiam projetos de país. Hoje, a disputa é mais elementar: se o voto ainda vale alguma coisa.

A extrema direita globalista não precisa vencer para ganhar. Basta impedir que o vencedor governe. Basta transformar a democracia em um ritual vazio, permanentemente sabotado por dentro.

O alerta de João Cezar de Castro Rocha não é retórico. É estratégico. Ou o Brasil entende que enfrenta uma operação internacional de guerra política, ou seguirá reagindo como se estivesse diante de episódios isolados.

Em outubro, não estará em jogo apenas quem governa o país. O Brasil não escolherá apenas um presidente. Escolherá se o voto continuará sendo instrumento de soberania popular ou se será convertido em um rito vazio, cercado por mentiras industriais, ódio organizado e uma extrema direita global que não reconhece limites, não aceita derrotas e trabalha sistematicamente para transformar a democracia em uma formalidade sitiada.

*Jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia e MA pela Universidade de Wisconsin-Madison. Ex-diretor de redação do Jornal da Bahia, foi assessor de Comunicação Social da Telebrás, consultor em Comunicação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do (IICA/OEA). Autor de "Meninos do Rio Vermelho", publicado pela Fundação Casa de Jorge Amado. - Fonte: site Brasil247

05 fevereiro 2026

SOLIDARIEDADE - ‘Plantar árvores é permanecer’: ação do MST homenageia Cuba e Venezuela, um mês após ataque dos Estados Unidos

Em Brasília, ação de plantio ocorreu nas embaixadas da Venezuela e Cuba e pediu liberdade para Maduro e Cilia*

Mudas de araucária, baobá e graviola foram plantadas nas embaixadas de Cuba e Venezuela, em Brasília. | Crédito: Camila Araújo/MST

Plantar árvores é permanecer. Essa é uma forma com que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tem expressado sua solidariedade aos povos do mundo decididos a ser livres. E para marcar um mês da agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, o MST realizou nesta terça-feira (3) um ato simbólico de plantio de árvores em diversas partes do país. Em Brasília, a ação ocorreu nas embaixadas da Venezuela e de Cuba

Ceres Hadich, da direção nacional do movimento, explica que, além do simbolismo, para o MST, essa é também uma forma de promover o debate com suas bases e promover a solidariedade internacional como um eixo unificador dos trabalhadores ao redor do mundo. 

“É uma ação que massifica, envolve a nossa base, envolve a nossa militância, politiza e traz esse debate para a sociedade brasileira, que também é muito importante”, esclarece a dirigente. 

“Essa é uma ação que está acontecendo aqui em Brasília, nas embaixadas de Cuba e Venezuela, mas em todo o Brasil a gente motivou a nossa militância a se somar em uma ação de plantio de árvores, que, para nós, está se transformando em uma cultura de resistência, mas também em anunciar esperança e resiliência para tempos difíceis”, afirma Hadich.

Para quem recebe, ações como essa enchem de esperança um povo que, ainda agredido, segue de pé, aponta o embaixador venezuelano no Brasil, Manuel Vadell.

“O MST sempre foi solidário com a Revolução Bolivariana e com a luta de todos os povos da América Latina e do mundo. Então, não esperávamos menos do MST e do povo brasileiro. Não temos nada mais além de agradecer ao MST, pois seguiremos caminhando juntos. E que tenham a confiança de que a Venezuela triunfará e teremos em breve o presidente Maduro e a companheira Cilia livres”, afirmou o diplomata.

“O povo venezuelano respondeu com uma grande unidade, uma maturidade impressionante em torno do comando da Revolução Bolivariana, em torno de todas as instruções que deixou o presidente Maduro e aí estamos unidos na rua, mobilizados tanto pela liberdade do presidente e de Cilia como pelas ações de governo para melhorar cada dia a vida do nosso povo”, completa.

Na embaixada de Cuba, os militantes sem terra homenagearam os militares cubanos mortos durante a agressão militar estadunidense na Venezuela, e destacaram a força do povo cubano que, há décadas, resiste a um bloqueio unilateral dos sucessivos governos dos Estados Unidos, intensificado pela política belicista de Donald Trump.

Para isso, Francisco Dal Chiavon explica que até a escolha das mudas esteve carregada de simbolismos. 

“Aqui, plantamos plantas no mesmo berço. Por quê? Por aquilo que representa a unidade entre Brasil e Cuba, o Movimento Sem Terra e o movimento revolucionário cubano. Nós entendemos que essa unidade tem que ser profunda, e a raiz desta araucária pode descer à profundidade de 40 metros. Ela tem as raízes muito profundas para poder, em um período de seca, extrair a água e se manter sempre verde. Então, que a nossa amizade, que a nossa relação política e ideológica também seja profunda e seja permanente”, explica o militante sem terra.

Por sua vez, o embaixador cubano, Adolfo Curbelo Castellanos, relaciona o plantio de árvores à construção histórica do movimento de solidariedade a Cuba conduzido pelo MST. 

“É uma iniciativa bonita, realmente com muito simbolismo, não só pelo que representa, como explicou a companheira do MST, o que representa plantar uma árvore, mas porque isto ficará aqui para sempre como um símbolo da expressão de solidariedade militante de sempre do MST para com Cuba e para com a revolução cubana e como uma expressão do sentimento profundo solidário que há no Brasil”, considera o embaixador. 

*Editado por: Luís Indriunas - Fonte: BdF

03 fevereiro 2026

Ex-deputado e lutador social, Frei Sérgio Görgen morre aos 70 anos*

Lutador histórico da causas populares, o religioso sofreu um infarto em casa, na comunidade dos Franciscanos em Candiota/RS

   Frei Sergio Görgen | Foto: Joana Berwanger/Sul21

Faleceu na manhã desta terça-feira (3) o frade franciscano Sérgio Antônio Görgen, 70 anos, conhecido como Frei Sérgio. Lutador histórico da causas populares, em especial na defesa dos pequenos agricultores e camponeses, o religioso e ex-deputado estadual sofreu um infarto em casa, na comunidade dos Franciscanos em Candiota (RS). O falecimento foi confirmado pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), entidade da qual era dirigente.

“É com imenso pesar, mas guiados pela esperança que ele sempre semeou, que o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) comunica o falecimento de seu dirigente histórico, Frei Sérgio Antônio Görgen. Frade franciscano, escritor e intelectual orgânico das causas populares, Frei Sérgio foi mais do que um dirigente; foi um pastor que escolheu o “cheiro das ovelhas” e o barro das trincheiras. Sua partida deixa um vazio imenso na luta social brasileira, mas seu legado de soberania alimentar e dignidade camponesa permanece vivo em cada semente crioula plantada neste solo”, diz nota divulgada pelo MPA.

Frei Sérgio foi deputado estadual pelo PT entre 1999 e 2002. O falecimento foi lamentado por uma série de políticos da esquerda gaúcha e lideranças de movimentos sociais em postagens nas redes sociais.

“Estou muito dolorido. Perdi um camarada de 40 anos de luta, Frei Sergio Gorgen, franciscano. Enfrentamos juntos muitas batalhas, algumas perdemos, mas sempre vencemos com o povo organizado. Deixa um legado para toda militância camponesa do Brasil. Vamos sentir muitas saudades”, escreve João Pedro Stédile, dirigente do MST.

“Com enorme tristeza recebi, nesta manhã, a notícia do falecimento do amigo e companheiro Frei Sérgio Görgen, lutador incansável do povo da terra, liderança histórica do MPA e ex-deputado estadual do nosso partido. Frade franciscano, militante das causas populares, dedicou sua vida à defesa da agricultura camponesa, da soberania alimentar, da democracia e da dignidade do povo do campo, sempre unindo fé, coragem e compromisso político”, escreveu o deputado estadaul Miguel Rossetto (PT).

“Triste notícia. Faleceu Frei Sérgio Görgen, franciscano, liderança do Movimento dos Pequenos Agricultores, deputado estadual do PT/RS e, essencialmente, um homem que dedicou a vida à luta contra a desigualdade”, lamentou o deputado federal Elvino Bohn Gass (PT).

“O Brasil e o Rio Grande do Sul se despedem de um grande lutador, um professor de coerência e coragem. Frei Sérgio sempre me lembrava das razões pelas quais lutamos e de ao lado de quem devemos estar. Meu abraço a seus companheiros e companheiras de luta”, disse a ex-deputada Manuela d’Ávila (PSOL).

Desde a fundação do Sul21, em 2010, Frei Sérgio escreveu uma série de artigos de opinião, sendo uma de suas últimas contribuições em 2024, “Questões emergentes no tempo em que vivemos”.

Natural do Rio Grande do Sul, Frei Sérgio dedicou sua militância à articulação política e espiritual dos excluídos. Foi peça fundamental na fundação do MPA em 1996.

“Sua trajetória foi marcada pelo sacrifício pessoal em prol do coletivo. Frei Sérgio utilizou seu próprio corpo como ferramenta de denúncia através de cinco greves de fome, destacando-se as lutas por crédito agrícola nos anos 90, a resistência contra a Reforma da Previdência em 2017 e a jornada pela democracia em 2018, em frente ao STF”, diz a nota do MPA.

Como sobrevivente e cronista do Massacre da Fazenda Santa Elmira (1989), ele assumiu a missão de não deixar a história ser escrita apenas pelos vencedores. Através de obras como “Trincheiras da Resistência Camponesa” e “A Gente Não Quer Só Comida”, ele teorizou e defendeu a agricultura camponesa como um verdadeiro projeto de vida.

“Frei Sérgio não apenas pregava o Evangelho, ele o vivia nas trincheiras da luta pela terra. Sua vida foi um testemunho de que a espiritualidade e o compromisso político com os pobres são faces da mesma moeda. Deixa-nos um legado de resistência e de um amor profundo pelo povo simples do campo”, diz o MPA.

*Fonte: Sul21

** Presidente Lula lamenta morte de Frei Sérgio: ‘Lutou pela alimentação do corpo e da alma’