14 agosto 2026

ACABOU: Kassab decreta a derrota de Flávio Bolsonaro*

Em jantar com a elite paulistana, Kassab, vice de Caiado e presidente do PSD, diz que o Centrão fechou com Lula — e que isso sepulta a candidatura de Flávio Bolsonaro.

- Tarcísio de Freitas com Gilberto Kassab e Flávio Bolsonaro (Eduardo Knapp Folhapress / Marina Uezima Brazil Photo Press via AFP)


Por Renato Rovai*

Em jantar com a elite paulistana na casa do ex-tucano Andrea Matarazzo, o presidente do PSD e vice na chapa de Ronaldo Caiado afirmou que o Centrão fechou com Lula e que isso inviabiliza a candidatura do filho de Bolsonaro

Gilberto Kassab não é homem de fazer prognóstico eleitoral por impulso. Kassabão é a raposa felpuda mais experiente do Centrão, presidente nacional do PSD e agora vice na chapa de Ronaldo Caiado — e quando ele fala algo em público, é porque já fez a conta do que isso pode render.

Além de Andrea Matarazzo e de empresários paulistas, o jantar teve “figuras ilustres” como o ex-ministro da Saúde Mandetta e a eterna socialité Narcisa Tamborindeguy do “ai que loucura”.

Era a plateia certa para esse tipo de recado: não é para o eleitor, é para o mercado e para o próprio Centrão se convencer de que apostar no filho de Bolsonaro é apostar no cavalo errado.

“Quando a campanha começar, isso vai ficar claro”, disse Kassab, explicando que o Centrão, ao não fechar com Flávio, já declarou — na prática — que seu candidato é Lula.

Aqui está o ponto que poucos analistas e comentaristas estão captando: essa frase não é retórica de bastidor. Ela tem efeito prático, mensurável, no horário eleitoral gratuito.

90% do tempo de TV e rádio é distribuído proporcionalmente ao tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados. Isso significa que, quando partidos do Centrão — Republicanos, PP, União Brasil — deixam de compor com Flávio, o tempo desses partidos simplesmente some do lado bolsonarista e é dividido por todos os outros. O que favorece Lula e o próprio PSD.

Foi exatamente isso que Kassab descreveu ao dizer que o PSD sai de 30 segundos para 2 minutos e 20 — o que ele, com o humor ácido de sempre, chamou de tempo de “uma novela”.

Ainda há outro efeito essa distribuição do tempo de propaganda, Lula poderá fazer duas coisas ao mesmo tempo — mostrar o que fez de concreto no governo e desconstruir Flávio Bolsona, expondo o entorno dele.

Foi essa a aposta que o próprio Kassab fez no jantar. Que durante a campanha, Lula vai destruir Flávio.

O recado por trás do recado é o seguinte: o Centrão, que historicamente se vende ao melhor pagador e evita compromisso público antes da hora, já escolheu de que lado vai ficar. E quando o fisiologismo se antecipa dessa forma, é porque a conta interna do poder já foi fechada. Ou seja, o cavalo já passou selado. E o nome dele é Lula, segundo Kassab.

*Via Revista Fórum

12 agosto 2026

Pesquisa CNT/MDA mostra que Lula está muito próximo de vencer no primeiro turno

Presidente lidera cenários e atinge 52,6% de potencial de voto

      Presidente Lula - Crédito: Ricardo Stuckert/PR

247* – O presidente Lula (PT) lidera todos os cenários de intenção de voto para a eleição presidencial de 2026 e registra números que o deixam no limite de uma vitória em primeiro turno, segundo dados da 169ª Pesquisa CNT de Opinião, realizada pelo Instituto MDA e contratada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

Na pesquisa estimulada de primeiro turno, Lula aparece na liderança isolada com 42,4% das intenções de voto. Seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), figura em segundo lugar com 28,7%. Na sequência, aparecem Ronaldo Caiado (4%), Romeu Zema (3,3%), Renan Santos (2,8%), Augusto Cury (1,2%). Os demais não chegam a 1%. Os votos brancos e nulos somam 6,8%, enquanto os indecisos representam 7,2%.

Matematicamente, a definição da eleição no primeiro turno exige que o candidato vencedor obtenha mais de 50% dos votos válidos, superando a soma de todos os seus concorrentes diretos. Na amostragem da pesquisa CNT/MDA, a soma de todos os adversários de Lula atinge 43,4% das intenções de voto. Dessa forma, caso Lula consiga atrair apenas 0,6% dos votos que hoje estão distribuídos entre seus oponentes, ele alcançará 43,0% contra 42,8% do conjunto da oposição, garantindo numericamente a maioria absoluta necessária para vencer o pleito em primeiro turno. Essa pequena margem de crescimento pode ser alcançada ao longo da própria campanha eleitoral, impulsionada pelo início da propaganda no rádio e na televisão, pelo fortalecimento dos palanques regionais e pela mobilização de sua base aliada. Cabe destacar que o Instituto MDA foi o que apresentou o maior índice de acerto no resultado final das últimas eleições presidenciais, o que confere ainda maior relevância estratégica e precisão analítica a esse cenário.

O levantamento revela ainda a força do potencial eleitoral de Lula: 52,6% dos entrevistados afirmam que votariam nele com certeza ou que poderiam votar na sua candidatura.

Nas simulações de segundo turno, o presidente vence com folga todos os adversários testados:

  • Lula x Flávio Bolsonaro: Lula lidera com 48% contra 39,1% de Flávio Bolsonaro (brancos/nulos: 10,6%; indecisos: 2,3%).
  • Lula x Romeu Zema: Lula marca 49,1% frente a 34,9% do ex-governador mineiro (brancos/nulos: 11,8%; indecisos: 4,2%).
  • Lula x Ronaldo Caiado: Lula vence por 47,9% a 35,9% (brancos/nulos: 11,7%; indecisos: 4,5%).
  • Lula x Renan Santos: Lula soma 48,5% contra 33% (brancos/nulos: 13,6%; indecisos: 4,9%).
  • Lula x Augusto Cury: Lula alcança 48,6% diante de 32,4% (brancos/nulos: 13,4%; indecisos: 5,6%).

O levantamento do Instituto MDA para a CNT foi realizado de maneira presencial entre os dias 5 e 9 de agosto de 2026, com 2.002 entrevistas distribuídas proporcionalmente pelo país. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06935/2026.

*Fonte: https://www.brasil247.com/

07 agosto 2026

UNINDO ESFORÇOS - A mídia independente traz a antítese do mercado e do capital, aponta debate com jornalistas na Flipei

Representantes de mídias progressistas resgatam história da imprensa e examinam desafios de sustentabilidade financeira*

Jornalistas da mídia independente durante debate na Flipei. | Crédito: Luís Indriunas/Brasil de Fato

Por Luís Indriunas*

A mídia independente tem um papel fundamental para a democracia, sendo a antítese do jornalismo de mercado, mas carece de apoio político e financeiro para fazer parte da construção do país. O debate “Desafios do jornalismo independente e progressista”, ocorrido nesta quinta-feira (6) na 8ª Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei), reuniu jornalistas que atuam em alguns dos principais veículos independentes para discutir a série de desafios do jornalismo progressista. Sob mediação da jornalista Dri Delorenzo, o debate também incluiu questões de mudanças tecnológicas, como as redes sociais e a inteligência artificial.

“A gente tem uma grande redação que pode construir, sim, coisas muito melhores. Agora, a grande discussão é que as nossas mídias deveriam conseguir também fazer parte da construção de um projeto de país, estar dentro desse pensar o projeto do país”, disse Renato Rovai, fundador e diretor da Revista Fórum, uma das primeiras iniciativas nesse modelo que se consolidou ao longo das últimas décadas.

“Nós somos uma mídia séria, que faz jornalismo, que não planta fake news, que obviamente tem campo, tem lado. Mas que lado é esse? É o lado da antítese do capital puro e simples, do mercado”, completou.

Da democratização à polarização

Dentro desse contexto, o fundador do Jornal GGN, Luis Nassif, fez um resgate da história do jornalismo desde a ditadura até a redemocratização. “É tudo uma questão de mercado”, disse o jornalista no início da sua fala.

Nassif lembra que, após a ditadura, quando toda a imprensa atuava numa só direção, os grandes jornais perceberam um mercado para diferentes opiniões, a partir da redemocratização. É o caso da Folha de S.Paulo, que começou a ter vários colunistas de esquerda e a cobrir temas caros ao campo progressista.

“Quando entra a democracia, entram o pacto das diretas e o pacto da Constituinte. Com esse pacto, os jornais que sempre recaíam para a direita passam a disputar todos os públicos.” É um momento em que os jornais garantiam liquidez e estavam protegidos dos impactos dos mercados internacionais de mídia. No entanto, dois fenômenos acabaram com esse modelo: a crise financeira de 2008 e o início da internet.

Nesse momento, ao mesmo tempo em que a mídia independente cresce, os grandes jornais adotam, como destaca, o modelo Murdoch [megaempresário de mídia estadunidense], que “espalha toda sorte de ataques contra a esquerda”.

Desse período, destacam-se a cobertura da mídia comercial do mensalão e, depois, do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Neste momento, a mídia independente assume papel fundamental no combate ao discurso da classe dominante contra os governos progressistas.

Nassif aponta que, após as manifestações de julho de 2013, surge uma polarização incentivada pela mídia comercial. O diretor do Jornal GGN lembra que esse movimento contou também com uma articulação para bloquear o investimento publicitário na mídia independente, com até mesmo um seminário para agências publicitárias, promovido pela editora Abril, que comparava a cobertura editorial dos veículos progressistas a grupos radicais da internet. “Nesse momento, o mercado publicitário se fechou à mídia independente”, contou.

A essa articulação somam-se as mudanças constantes dos algoritmos das big techs, que diminuem o faturamento pelas visualizações. “Na verdade, atualmente, o único modelo que garante ainda a imprensa independente é o apoio dos leitores”, concluiu.

Novas lutas pela democracia

Florestan Fernandes Júnior, do Conselho Editorial do Brasil 247, aponta que a história da mídia independente está presente na luta pela democracia, lembrando que ela surge combatendo a ditadura e passa recentemente pelo golpe de 8 de janeiro. “São duas lutas que marcam a nossa geração: uma ditadura com censura e o governo Bolsonaro, que queria impor um sistema autocrático.”

A partir da crise financeira apontada por Nassif, o diretor do Diário do Centro do Mundo (DCM), Kiko Nogueira, destacou a dificuldade de manter um jornalismo de qualidade para além do jornalismo de comentaristas, apostando na reportagem.

“Os recursos são muito parcos para isso. Então a mídia cresceu, a mídia começou com muita opinião, entrevistas, mas há muita opinião e pouca reportagem, pouca produção própria de conteúdo”, destacou.

“A mídia independente talvez enfrente hoje dificuldades ainda maiores do que as vividas nos quatro anos do Bolsonaro. Se, durante o governo anterior, o desafio era resistir aos ataques à democracia e à liberdade de imprensa. Agora, a preocupação é garantir condições mínimas de sustentabilidade para que esse jornalismo continue existindo”, completou Fernandes Júnior.

Dentro desse contexto desafiador, a coordenadora de jornalismo do Brasil de Fato, Monyse Ravena, lembra que há uma discussão do próprio lugar do jornalismo na sociedade. “A gente tem um momento de bastante desvalorização da informação produzida a partir do jornalismo. Você tem uma espécie de concorrência muito direta com outros produtores de conteúdo, como os influenciadores, e uma lógica de produção de conteúdo que prioriza esses outros formatos. Assim, o próprio lugar do jornalismo como esse, fiador da notícia, dos acontecimentos, está posto em cheque”.

Quanto à crise de recursos, Ravena lembra que “no princípio, no fim, é sobre a propriedade dos meios de produção que vai definir esse contexto. Então, essas grandes empresas, essas grandes plataformas não estão sob o nosso poder, não foram criadas a partir desse lugar e a gente tem esses efeitos no cotidiano.”

A coordenadora do Brasil de Fato coloca ainda outro obstáculo atual, que é um processo “muito feroz de judicialização”. “Todo mundo aqui enfrenta isso no cotidiano e isso também é um reflexo um pouco dessa disputa, que, no fim, é uma disputa de visão de mundo.”

*Editado por: Gia Matheus Almeida - Via BdF

05 agosto 2026

REAÇÃO - Governo diz que alegações dos EUA para cancelar visto da embaixadora são falsas e buscam interferir nas eleições

Em nota, a Secretaria de Comunicação diz que medida 'não é um fato isolado' e recorda outras hostilidades, como tarifas

A embaixadora brasileira Maria Luísa Viotti | Crédito: José Cruz/Agência Brasil

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República emitiu nesta terça-feira (4) uma nota criticando a decisão dos Estados Unidos de cancelar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

“As duas justificativas apresentadas [pelos EUA] são falsas”, afirma a nota.

Segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, o cancelamento é uma resposta à demora das autoridades brasileiras em conceder o aval diplomático para que Daniel Perez, um republicano filho de cubanos, assuma a embaixada dos EUA no Brasil.

Uma outra razão oculta para o cancelamento seria a negativa dos vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que viajariam ao Brasil, há cerca de dez dias. Eram eles, o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson. Ambos tinham audiências marcadas com a Justiça Eleitoral.

Na nota, o governo brasileiro justifica as negativas porque eles “planejavam visitar o país para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional”.

A nota lembra ainda que autoridades como ministros da Suprema Corte e funcionários de primeiro escalão do Poder Executivo tiveram seus vistos cancelados pelo governo de Donald Trump.

“A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo”, completa a nota.

Leia a nota na íntegra:

“O Governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo Departamento de Estado dos EUA de alterar o visto da embaixadora do Brasil em Washington.

As duas justificativas apresentadas são falsas.

O processo de concessão de agrément é confidencial e o nome designado só deveria vir a público depois de concedida a anuência, conforme estipula o artigo 4 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

O governo dos Estados Unidos anunciou publicamente o nome de seu candidato antes de apresentar o pedido formal de agrément ao governo brasileiro.

O Brasil segue estritamente o direito internacional. Não há regra na Convenção de Viena estipulando prazo para a concessão do agrément. O pedido norte-americano ainda se encontra em análise.

Os dois funcionários do governo norte-americano que tiveram seus vistos de entrada no Brasil negados planejavam visitar o país para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional.

Vale recordar que seguem em vigor sanções individuais sobre autoridades brasileiras, notadamente o cancelamento de vistos para os EUA, com base na alegação infundada de perseguição política ao ex-presidente Bolsonaro. Entre essas autoridades estão ministros da Suprema Corte e funcionários de primeiro escalão do Poder Executivo.

O governo brasileiro não poupou esforços para resolver essas diferenças. O próprio presidente Lula, em sua visita a Washington em maio último, entre outros assuntos, solicitou ao presidente Trump o levantamento das sanções individuais.

A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo.

Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente.

Em linha com sua tradição diplomática, o governo brasileiro se opõe à lógica de confrontação e reitera a defesa do diálogo e da negociação em todas as suas relações internacionais.”

*Fonte: Redação do BdF Editado por: Gia Matheus AlmeidaFacebook


31 julho 2026

GAUDÊNCIO SETE LUAS

 


*Leopoldo Rassier · Luiz Coronel · Marco Aurélio Vasconcellos ·

Lula tem 43% contra 29% de Flávio Bolsonaro e vence todos no segundo turno, aponta pesquisa Alfa Inteligência

Lula supera todos os adversários no segundo turno, aponta pesquisa da Alfa Inteligência encomendada pela TMC

   Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Crédito: Ricardo Stuckert

247* – A Alfa Inteligência realizou, por encomenda da TMC (Transamérica Media Company), entre os dias 23 e 28 de julho de 2026, pesquisa nacional sobre a disputa presidencial de 2026. O levantamento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04488/2026 e encomendado pela TMC, ouviu 2.700 eleitores em todo o país e apresenta cenários eleitorais, avaliação do governo, percepção da população e os impactos do caso Banco Master.

Cenário estimulado – primeiro turno

No principal cenário de primeiro turno, o presidente Lula (PT) lidera com 43% das intenções de voto. Em seguida, aparecem Flávio Bolsonaro (PL), com 29%, Ronaldo Caiado (PSD), com 7%, Romeu Zema (Novo), com 6%, e Renan Santos, com 3%.

Na comparação com a pesquisa nacional realizada pela Alfa Inteligência em junho, Lula avançou três pontos percentuais, passando de 40% para 43%, enquanto Flávio Bolsonaro oscilou de 31% para 29%.

Cenário estimulado – segundo turno

Nos cenários de segundo turno, Lula aparece à frente de todos os adversários testados. Contra Flávio Bolsonaro, registra 48%, contra 41% do senador. Em eventual disputa contra Ronaldo Caiado, vence por 45% a 40%. Diante de Romeu Zema, marca 46% contra 37%. Já contra Renan Santos, registra 46%, enquanto o adversário alcança 32%.

Avaliação do governo

A pesquisa mostra melhora na avaliação do presidente Lula em relação ao levantamento realizado pela Alfa Inteligência em junho. A aprovação da forma de governar passou de 42% para 47%, enquanto a desaprovação recuou de 56% para 51%. Outros 2% não souberam ou preferiram não responder.

Percepção sobre a qualidade de vida

Segundo a pesquisa, 48% dos brasileiros acreditam que a vida das pessoas melhorou nos últimos anos, enquanto 44% avaliam que piorou. Outros 4% entendem que a situação permaneceu igual.

Caso Banco Master e a influência na eleição

O levantamento mostra que o caso do Banco Master alcançou ampla repercussão nacional. Entre os entrevistados que acompanharam o episódio, 99% o classificam como sério ou muito sério. Para 45%, tanto o governo quanto a oposição possuem responsabilidade pelo caso. Outros 31% atribuem maior responsabilidade à oposição ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto 21% responsabilizam principalmente o governo Lula.

Apesar da elevada repercussão, a pesquisa indica que o episódio ainda não alterou de forma significativa a organização do voto, reforçando mais as convicções políticas já existentes do que provocando mudanças nas preferências eleitorais.

Metodologia

O levantamento ouviu 2.700 eleitores, com 16 anos ou mais, entre os dias 23 e 28 de julho de 2026. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-04488/2026.

Os detalhes da pesquisa Alfa Inteligência
Os detalhes da pesquisa Alfa Inteligência
*Via Redação do site 247

28 julho 2026

América Latina - Governo vê alinhamento entre Trump, Milei e Flávio Bolsonaro para impulsionar extrema direita na América Latina

Movimentos recentes dos líderes da extrema direita internacional não são isolados e fazem parte de uma estratégia

Os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei | Crédito: Saul Loeb/AFP


Por Isegun Oliveira*

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que há uma ação articulada entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, da Argentina, Javier Milei, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para impulsionar a pré-candidatura do parlamentar à Presidência da República em 2026. A leitura, feita por interlocutores do Palácio do Planalto ouvidos pelo Brasil de Fato, é de que os movimentos recentes dos dois líderes da extrema direita internacional não são isolados e fazem parte de uma estratégia política coordenada.

Segundo integrantes do governo, tanto as manifestações de Trump sobre a política brasileira quanto a presença de Milei em atos ao lado de Flávio Bolsonaro são interpretadas como acenos diretos à campanha do senador. A avaliação é que os gestos procuram conferir legitimidade internacional ao nome de Flávio e vinculá-lo ao bloco de lideranças da extrema direita global.

Nos bastidores, auxiliares de Lula afirmam que a sequência dos acontecimentos reforçou a percepção de uma ofensiva organizada. Para o governo, Trump amplia a pressão sobre o Brasil ao intensificar críticas ao Executivo brasileiro, enquanto Milei busca dar um verniz internacional ao projeto eleitoral de Flávio Bolsonaro ao participar de agendas políticas em seu favor.

A leitura ocorre em meio ao agravamento da crise diplomática entre Brasil e Argentina. Após os ataques de Milei ao presidente Lula durante a convenção nacional do PL, em São Paulo, o Itamaraty decidiu chamar o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas, medida considerada inédita na história recente da relação bilateral. O governo também passou a acompanhar com mais atenção os próximos passos da diplomacia argentina, sem abandonar a orientação de evitar uma escalada pública do conflito.

Embora reconheça a gravidade do episódio, Lula tem mantido a estratégia de não responder diretamente às provocações de Milei. A ordem no Planalto continua sendo concentrar a reação no campo institucional, por meio do Itamaraty, para evitar que o embate político seja explorado eleitoralmente pela oposição.

Embaixador convocado

A convocação do embaixador Julio Glinternick Bitelli para consultas em Brasília (DF) sinaliza que o governo Lula pretende reavaliar os rumos da relação bilateral. Durante o período em que permanecer na capital federal, o diplomata deverá apresentar uma análise detalhada da situação política na Argentina e discutir, com o chanceler Mauro Vieira, os próximos passos da política externa brasileira diante do agravamento da crise.

*Editado por: Rafaella Coury - Fonte: BrasildeFatoacebook