06 outubro 2026

Lula e Alckmin pretendem dialogar com todas as lideranças que não querem o Brasil “entregue às milícias”

Campanha do presidente prepara ofensiva por novas alianças no segundo turno e pretende apresentar a disputa contra Flávio Bolsonaro como um confronto entre projetos distintos para o futuro do país

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin pretende ampliar o diálogo político no segundo turno e buscar o apoio de lideranças e setores da sociedade que rejeitem o projeto representado por Flávio Bolsonaro (PL). A estratégia foi detalhada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, após o primeiro turno da eleição presidencial.

“Nós vamos conversar com todas as lideranças que queiram construir um Brasil que não se entregue às milícias”, afirmou Edinho. O dirigente petista disse que a campanha buscará interlocução com forças políticas dispostas a discutir o futuro do país, independentemente das posições assumidas na primeira etapa da eleição.

A campanha considera que o segundo turno abre uma nova etapa da disputa, na qual Lula e Alckmin procurarão evidenciar as diferenças entre os dois projetos que chegaram à votação decisiva. “O segundo turno é uma outra eleição. Nós sabemos que é uma eleição de confronto direto de projetos”, afirmou Edinho após reunião da coordenação da campanha em Brasília.

Dois projetos em confronto

Segundo Edinho, a campanha pretende contrapor a trajetória e as propostas do presidente Lula ao projeto político de Flávio Bolsonaro. O presidente do PT tem associado o adversário a grupos milicianos do Rio de Janeiro e sustenta que essas relações precisam fazer parte do debate sobre segurança pública no segundo turno.

Entre os episódios mencionados nesse debate está a homenagem concedida por Flávio Bolsonaro, quando deputado estadual, ao ex-capitão da Polícia Militar Adriano da Nóbrega, posteriormente apontado pelo Ministério Público como integrante de milícia. O gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio também empregou a mãe e a ex-mulher de Nóbrega. Flávio afirma que, quando concedeu a homenagem, Adriano era reconhecido por sua atuação policial e não havia acusações contra ele.

Edinho sustenta que Lula representa, em contraste, um projeto “humanista”, voltado às pessoas, à proteção da natureza e ao desenvolvimento sustentável. A campanha pretende enfatizar também temas como soberania nacional, políticas sociais, geração de emprego e renda e defesa das instituições democráticas.

Alianças mais amplas

A busca por novas alianças deverá ultrapassar o campo tradicional da esquerda. Antes mesmo da votação do primeiro turno, Edinho já havia sinalizado a intenção de conversar com partidos e lideranças de centro e centro-direita.

A avaliação da campanha é que a diferença estreita registrada no primeiro turno torna especialmente importante a construção de uma frente política mais ampla. Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%, levando a eleição para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

A estratégia inclui ainda ampliar a mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas e intensificar a presença do presidente na campanha. Lula pretende participar de debates no segundo turno, depois de ter ficado fora dos confrontos televisivos da primeira etapa.

Reformas e futuro do país

Edinho também reconheceu que a crise de credibilidade das instituições, particularmente do sistema político e do Judiciário, teve impacto sobre o ambiente eleitoral. Lula passou a defender publicamente mudanças institucionais e uma reforma do Judiciário, tema que deverá aparecer na campanha do segundo turno.

Para o presidente do PT, o eleitorado conhece a experiência acumulada por Lula em seus mandatos e terá agora a oportunidade de comparar diretamente as propostas apresentadas pelos dois candidatos.

A orientação da campanha será, portanto, combinar a defesa das realizações do governo com uma discussão sobre os próximos anos. Depois de um primeiro turno concentrado na prestação de contas, Edinho afirma que a nova etapa será dedicada principalmente ao confronto entre projetos. “Já que nós prestamos contas, nós queremos fazer o confronto de projeto”, declarou.

*Fonte: Redação do Brasil247

05 outubro 2026

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL - ‘Eleição atípica’ coloca ‘golpistas no segundo turno’ e antecipa ‘tempos difíceis para a democracia’, avalia cientista político

José Henrique Artigas observa 'avalanche de votos da extrema direita' e aumento da capilaridade no país*


 Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. | Crédito: Sites oficiais

A definição do próximo presidente do Brasil ficou para o segundo turno, dia 25 de outubro, após a disputa acirrada do primeiro turno colocar Flávio Bolsonaro (PL), com 47,03%, um pouco à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve 45,16%. A legenda mais identificada com o bolsonarismo conseguiu a maior bancada da história do Congresso, com 121 deputados federais e 28 senadores.

O resultado surpreendeu, porque as pesquisas de intenção de votos, especialmente as divulgadas na semana que antecedeu o primeiro turno, apontavam para uma disputa apertada, mas com Lula na frente.

O cientista político José Henrique Artigas, professor do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal da Paraíba (CCHLA-UFPB), reforça que o resultado, com base nas análises de tendência, acabou sendo surpreendente e destaca os resultados positivos da composição do legislativo para a extrema direita.

“Houve uma verdadeira avalanche de votos atribuídos a extrema direita particularmente ao PL de Flavio Bolsonaro. Essa eleição coloca o PL como partido mais forte do Brasil, que conquistou o maior número de parlamentares e de governos estaduais, principalmente em cima do Centrão. O somatório dos partidos de esquerda e centro-esquerda mudou muito pouco em relação à composição de 2022. Partidos como PP e União Brasil deram espaço para o PL. Isso jamais aconteceu na história do país”, avalia.

Artigas reforça que a eleição “foi atípica” e compara com o movimento de 2018. “Flávio Bolsonaro conseguiu vencer em estados onde, em 2022, Lula havia garantido a vitória”, pontua.

Para o cientista político, ainda que Lula consiga reverter o cenário e sair vitorioso no segundo turno, “terá um caminho dificílimo para enfrentar”. Artigas observa que a tendência de crescimento da direita, desde 2018, já vinha se consolidando, mas alerta que o que está em evidência não é mais uma “oposição do Centrão liberal”. “Estamos falando de uma oposição da extrema direita golpista. A extrema direita do PL flerta com o golpe, com o autoritarismo e, portanto, com o rompimento da ordem institucional estabelecida”, resume.

O analista questiona a ideia de que há um “avanço conservador” no Brasil. Para ele, trata-se de um “retrocesso conservador e avanço reacionário”. José Henrique Artigas alerta que, caso se torne presidente, o primeiro ato de Flávio será anistiar seu pai, Jair Bolsonaro, e os golpistas do 8 de janeiro.

“É um grupo de golpistas que quer destruir as instituições. São representantes eleitos que claramente querem retroceder a antes de 1988. Que nos preparemos para tempos muito difíceis. A democracia que conseguiu se sustentar após crises vai ter que demonstrar muito mais resistência e resiliência. Toda a corja golpista sairá da cadeia, caso Flávio ganhe”, ressalta.

Profunda transformação da comunicação

O analista político observa uma mudança na última década na forma em que grupos e lideranças políticas se conectam com o eleitorado, apontando para uma perda de relevância da forma de comunicação tradicional para os algoritmos nas plataformas das redes sociais. Nesse sentido, o campo conservador conseguiu, com mais habilidade, capturar essa dinâmica.

Artigas compara o atual cenário de marketing político aos anos 1930, quando o nazismo e o fascismo ganhavam capilaridade e a mensagem era dirigida a grupos muito específicos. Ele avalia que “o debate não aconteceu pelas vias tradicionais e não foi para as ruas”, garantindo a vitória a figuras como Nikolas Ferreira, que concentram sua atuação nas redes sociais.

“O mecanismo hoje de inteligência artificial, que orienta a captura de dados, acaba dificultando manifestações coletivas. A propaganda eleitoral é orientada ao indivíduo, bombardeado pelos algoritmos”, observa.

Nesse sentido, Artigas avalia que esse formato comunicacional acaba alavancando o projeto principal da extrema direita, que era aumentar a capilaridade. “Desde 2022, o PL vinha se reorientando a aumentar a capilaridade. Em 2018, ainda como PSL, ele tinha certa dificuldade de avançar pelo país. A partir de 2022, eles conseguem a capilarização. E isso terá um impacto imenso. Caso eleito para a presidência, Flávio vai navegar em mar tranquilo, semelhante ao segundo governo Trump, com capacidade de impor e não negociar a presidência do Senado e a presidência da Câmara”, afirma.

“Hugo Motta e Davi Alcolumbre que coloquem suas barbas de molho, porque estavam com a expectativa de reeleição [na presidência da Câmara e Senado]”. Para ele, o segundo turno se trata de disputar essas forças do Centrão.

Para Artigas, o voto útil foi uma tendência e acabou sendo um fiel da balança. Além disso, o cientista político avalia que a campanha de Flávio sai vitoriosa do primeiro turno, garantindo pelo menos cinco palanques importantes estaduais, contra quatro de Lula. “Campanha de Flávio sai do primeiro turno com tendência de crescimento, conseguindo votos úteis de outros candidatos da direita. Não acredito que haverá grandes mudanças no campo bolsonarista”, aponta.

Já para o campo lulista, Artigas avalia que a mudança deverá ser drástica e critica a campanha que, segundo ele, “ficou muito focada no passado e em denúncias contra Flávio”, como os escândalos do Banco Master, que não colam e não surtem o impacto esperado. “Apesar da diferença proporcional de votos ser relativamente pequena, o grau de calcificação desde o início da campanha revela a grande dificuldade de conquista de indecisos e um arco muito restrito da possibilidade de mudar de opinião”, pondera.

*Por Afonso Bezerra, Ana Rosa Carrara e Maria Tereza Cruz no site BrasildeFato

04 outubro 2026

EDITORIAIS - Sim, o presidente Lula merece um quarto mandato e tem o apoio do Brasil 247*

A reconstrução foi o primeiro passo. O próximo é transformar o país, com melhores empregos, mais igualdade, mais tecnologia e mais soberania

Lula assumiu, em 2023, um país devastado: instituições sob ataque, fome de volta, orçamento capturado. Reconstruiu o Estado sem abrir mão da democracia.

Os resultados estão aí. O Brasil saiu do Mapa da Fome, o desemprego chegou aos menores níveis da série histórica, a renda do trabalhador voltou a crescer, a inflação caiu para a meta e o real se fortaleceu.

A reforma tributária, enterrada por décadas, foi aprovada. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil corrige uma injustiça antiga e passa a conta aos super-ricos.

O desmatamento na Amazônia caiu, e o Brasil sediou a COP30 em Belém como protagonista da agenda climática. Bolsa Família, Pé-de-Meia, Minha Casa Minha Vida e o Novo PAC voltaram ao centro da ação do Estado.

Na frente externa, Lula enfrentou o tarifaço estadunidense com soberania, sem se curvar. Na frente institucional, o STF condenou Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado. Quem tentou derrubar a democracia pela violência responde por isso.

Nada disso se fez sozinho. Geraldo Alckmin trouxe interlocução com o setor produtivo e a política industrial. Marina Silva reergueu a política ambiental, e Simone Tebet deu rumo ao planejamento. Esther Dweck modernizou a gestão pública, e Bernard Appy desenhou a reforma tributária. Aloizio Mercadante recolocou o BNDES a serviço do desenvolvimento, e Magda Chambriard conduziu a Petrobras de volta ao investimento nacional. É um time de peso, e o contraste com o desmonte anterior é enorme.

Lula repete que o Brasil não aceitará ser apenas exportador de matéria-prima e importador de tecnologia. O quarto mandato será o da reindustrialização.

Os minerais críticos são o centro dessa virada. O país detém reservas estratégicas de lítio, nióbio, grafita e terras raras, e o marco da exploração deve condicionar a mineração à transformação local. O minério fica aqui e vira baterias, ímãs, semicondutores e equipamentos de alta tecnologia, fabricados por trabalhadores brasileiros.

A soberania exige também uma indústria de defesa forte, com tecnologia nacional. Exige produzir aqui os fármacos e insumos de que o SUS depende, sem ser refém de cadeias externas. E exige fertilizantes nacionais, dos quais o agronegócio e a segurança alimentar dependem.

Energia: autonomia e transição verde

Lula defende a autonomia em combustíveis, com a Petrobras investindo em refino e em novas fronteiras, como a Margem Equatorial. O Brasil tem sol, vento, água, biomassa e hidrogênio verde para liderar a economia de baixo carbono, gerando emprego industrial e tecnologia próprios. Exige, acima disso, uma gestão econômica ambiciosa e responsável, capaz de fazer a economia atingir de novo o grau de investimento, que possa catapultar o padrão de crescimento para níveis asiáticos.

A meta de desmatamento líquido zero até 2030 integra o programa da coligação. Habitação, saneamento, mobilidade urbana e adaptação das cidades ao clima completam a agenda ambiental.

Lula coloca no centro do próximo mandato a escola em tempo integral como compromisso nacional, a tarifa zero no transporte urbano, a justiça tributária ampliada e o reforço da segurança pública. A tarifa zero ainda depende de um modelo de financiamento, e é aí que o debate precisa avançar.

Poucos governantes reuniram, ao longo da história, o que Lula reúne. É um democrata que enfrentou a perseguição sem romper com as instituições. É um humanista que fez do combate à fome o eixo do Estado.

É um articulador capaz de reunir, na mesma chapa e no mesmo governo, adversários de ontem em torno de um projeto de país. É um agregador político que constrói pontes onde outros erguem muros. É um estadista que fala ao mundo em nome do Brasil, com firmeza e sem subserviência.

A reconstrução foi o primeiro passo. O próximo é transformar o país, com melhores empregos, mais igualdade, mais tecnologia e mais soberania.

A mídia corporativa vai seguir semeando a descrença, mas os números e as obras desmentem o catastrofismo.

Com o primeiro turno marcado para este domingo, a escolha é entre voltar ao abismo fascista ou, superando o tempo dos golpes, desenvolver o país ainda mais.

Para avançar nesta imensa tarefa, sim, este Brasil 247 recomenda o voto em Lula e nos candidatos que, nos diversos níveis, podem confluir para guiar o país — e, indiretamente, o planeta — a libertar-se das tenazes do atraso e a caminhar de vez em direção ao desenvolvimento inclusivo e compartilhado, ao diálogo e à paz.

*Brasil247

Eleições 2026 - Quem está certo? Atlas não capta “onda Flávio Bolsonaro” de Datafolha e Quaest

Instituto que opera em toda a América Latina, que sempre mostrou resultados mais apertados para o petista, não mostrou avanço algum de seu oponente de extrema direita, como alardearam seus concorrentes

     - Imagem Ilustrativa - Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil


Por Henrique Rodrigues*

A poucas horas do momento em que milhões de brasileiros depositarão seus votos nas urnas, o ecossistema político nacional é sacudido não por uma reviravolta factual demonstrada nas ruas, mas por uma súbita divergência nas pranchetas dos principais institutos de pesquisa do país. Quase com as seções eleitorais abertas, a divulgação das últimas rodadas de amostragem antes do primeiro turno desenhou um cenário de indagações metodológicas e institucionais. De um lado, Datafolha e Quaest alardearam um abrupto estirão na reta final em favor do candidato da extrema direita, o senador Flávio Bolsonaro (PL), vendendo a narrativa de uma “onda” conservadora de última hora. De outro, o instituto AtlasIntel, cuja atuação se estende por diversos países da América Latina e goza de consolidada reputação de precisão, permaneceu inflexível, sem registrar qualquer inflexão vertical na candidatura bolsonarista no apagar das luzes da campanha.

A discrepância entre os dados traz à tona um debate incômodo sobre o papel preditivo e a responsabilidade pública das pesquisas eleitorais. Até a véspera da divulgação final, o quadro pintado por veículos tradicionalmente contratantes desses levantamentos sugeria relativa estabilidade ou até mesmo avanços pontuais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em colégios eleitorais decisivos do Sudeste, como São Paulo e Minas Gerais. No entanto, no último levantamento oficial, o Datafolha promoveu um ajuste de rota surpreendente: nos votos válidos, cravou Lula com 45% e Flávio Bolsonaro com 42%, indicando um empate técnico na margem de erro de dois pontos e projetando um segundo turno eletrizante, no qual o petista lidera nos votos totais por escassos 47% a 46%.

O movimento da Quaest foi ainda mais acentuado. O instituto, que ao longo de boa parte do calendário eleitoral operou com números destoantes da concorrência e chegou a projetar cenários desfavoráveis para o atual chefe do Executivo, vinha alinhando suas projeções às demais casas nas semanas anteriores. Mas, no balanço final deste sábado (3), a Quaest reportou um salto de quatro pontos percentuais nos votos totais do filho do ex-presidente, que subiu de 34% para 38%, enquanto Lula oscilou de 39% para 40%. Nos votos válidos, o instituto registrou 46% para o candidato do PT contra 45% do representante do PL. Indo além, na simulação de segundo turno em votos totais, a Quaest colocou Flávio à frente pela margem de 44% a 42%, alimentando uma retórica de virada fulminante no encerramento da campanha.

A estabilidade da AtlasIntel e a contradição da “onda”

A narrativa da “onda Flávio Bolsonaro” encontra um obstáculo técnico quando confrontada com os números do levantamento Atlas/Bloomberg. O instituto AtlasIntel, que historicamente trabalhou com margens de vantagem mais estreitas e contidas para Lula ao longo do pleito, e que reportou inclusive melhora nos índices de aprovação da gestão federal na reta final, simplesmente não captou qualquer movimentação atípica ou crescimento vertiginoso da candidatura de extrema direita nas últimas 24 horas.

Nos votos válidos contabilizados pela Atlas, Lula aparece na liderança com 47%, ao passo que Flávio Bolsonaro registra 44,1%, uma margem de 2,9 pontos percentuais que mantém o petista à frente no limite do levantamento, cuja margem de erro é de apenas um ponto. Considerando os votos totais, a variação entre a rodada de 29 de setembro e a atual demonstrou uma oscilação proporcional e sutil de ambos os postulantes: Lula passou de 45,3% para 46,7%, enquanto Flávio moveu-se de 42,2% para 43,8%. Na projeção de segundo turno nos votos válidos, o cenário apontado pela Atlas é de quase absoluta igualdade matemática: 50,1% para o atual presidente contra 49,9% para o senador do PL.

A divergência sistemática suscita reflexões críticas sobre a relação entre os institutos de amostragem, seus contratantes no ecossistema de mídia e os impactos de suas divulgações na psicologia do eleitorado. Não se trata de endossar leituras conspiratórias ou conjecturas levianas, mas de analisar criticamente a mecânica das margens de erro e os incentivos metodológicos em jogo. Datafolha e Quaest são financiados por grandes conglomerados de comunicação, como os grupos Folha e Globo, que mantiveram, ao longo de décadas e no presente pleito, posições editoriais notoriamente críticas e incisivas em relação ao projeto político liderado pelo Partido dos Trabalhadores.

Nesse contexto, torna-se legítimo questionar a dinâmica na qual levantamentos operam oscilações abruptas no limite extremo de suas margens de erro nas vésperas da votação. Ao esticar os intervalos de confiança para sugerir empates dramáticos e subidas relâmpago, esses levantamentos criam um ambiente de comoção artificial que pode condicionar o comportamento de eleitores indecisos e afetar a movimentação do chamado “voto útil”. Caso as urnas confirmem um resultado distante da reação espetacular alardeada na última hora, caberá aos institutos o argumento protocolar de que o dado real encontrava-se “dentro do limite estatístico previsto”, blindando-se contra falhas metodológicas evidentes.

O contraste torna-se ainda mais agudo quando se rememora o histórico recente: enquanto o Datafolha indicava, em momentos imediatamente anteriores, um ambiente de estagnação ou contenção da oposição e flertes com patamares elevados de aprovação governamental, a virada súbita apresentada no boletim de encerramento contraria a inércia observada no campo social. Se a AtlasIntel estiver correta ao retratar um quadro de estabilidade cristalizada e avanço residual uniforme de ambos os lados, a “onda” propagada pelas manchetes das últimas horas poderá se revelar não uma dinâmica de rua, mas um artefato de amostragem. O veredito definitivo sairá da apuração oficial das urnas, que dirá qual metodologia captou a real disposição do eleitorado brasileiro e qual cedeu ao ruído da reta final.

*Fonte: Revista Fórum

03 outubro 2026

Lula se aproxima de vitória no 1° turno e ganha de todos no 2°, diz pesquisa CNT/MDA

 

O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

A pesquisa CNT/MDA divulgada neste sábado (3), véspera da eleição, mostra o presidente Lula (PT) com 43,1% das intenções de voto no primeiro turno, contra 38% de Flávio Bolsonaro (PL). Considerados apenas os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, o petista chega a 47,8%, enquanto o senador registra 42,1%.

O resultado coloca Lula a pouco mais de dois pontos do patamar de 50% necessário para encerrar a disputa já neste domingo (4), embora a pesquisa, isoladamente, não permita afirmar que isso ocorrerá.

Na sequência aparecem Augusto Cury (Avante), com 3,2% dos votos totais, Ronaldo Caiado (PSD), com 3%, Renan Santos (Missão), com 1,5%, e Romeu Zema (Novo), com 0,8%. Outros candidatos somam 0,5%. Brancos e nulos representam 4%, enquanto 4,7% ainda estão indecisos. (...)

*CLIQUE AQUI para ler na íntegra a postagem de Augusto de Sousa no DCM.

02 outubro 2026

'VAMOS MATAR A ELEIÇÃO NO PRIMEIRO TURNO', DIZ LULA

‘Enquanto eu tiver perna, não vou permitir que a extrema direita volte’, afirmou o Presidente

   Presidente Lula

Por Leonardo Lucena, no 247*

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou confiança em uma possível vitória no primeiro turno da eleição presidencial, marcada para o próximo domingo (4).

Durante ato em Minas Gerais, o candidato à reeleição também criticou a relação entre o presidenciável da extrema direita brasileira, Flávio Bolsonaro (PL), e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. 

“Vamos matar a eleição no primeiro turno. Enquanto eu tiver perna, não vou permitir que a extrema direita volte. É a eleição mais importante da minha vida. Precisamos derrotar o fascismo”, afirmou Lula. 

Durante o ato, o presidente defendeu a soberania brasileira, atacada pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Americano nenhum vai mandar aqui”, acrescentou.

O presidente citou o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro, preso por envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras. Em tom de crítica, Lula comentou sobre a relação do senador Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro. 

“Criaram um Banco como Banco Master, criaram uma quadrilha do INSS, que roubou cinco milhões de aposentados”, disparou Lula. 

No ato, o candidato à reeleição defendeu políticas públicas elaboradas pelo seu governo para a população mais pobre, especialmente. “Combate feminicídio, investimento no SUS, aumentar salário mínimo além da inflação”, pontuou Lula, que também defendeu o projeto sobre o fim da escala 6×1 e a proposta contra as bets.

Intenções de voto

Números da pesquisa Datafolha mostraram nesta quinta-feira (1) que o presidente Lula manteve a liderança no primeiro e no segundo turno. As estatísticas também apontaram alta na aprovação do governo.

*Com o site Brasil247

Não teve desmaio. Teve desmoronamento*

Flopou o ato apoteótico da campanha de Flávio Bolsonaro, o “debate presidencial da Globo”

                                      Flávio Bolsonaro Foto: Reprodução

Por Hugo Souza, no Come Ananás*

Não teve desmaio. Teve desmoronamento.

Em poucas horas, se não minutos, o ato apoteótico da campanha de Flávio Bolsonaro, vulgo “debate presidencial da Globo”, ruiu diante dos olhos lacrimejantes de Tralli, Gabeira, Pinheiro da Fonseca e armação ilimitada.

Primeiro, a ministra Estela Aranha, do TSE, manda a Globo segurar um pouquinho a onda do enviesamento, proibindo a emissora de exibir um púlpito vazio reservado a Lula, que recusou convite à emboscada.

Depois, Gilmar Mendes manda a Globo alargar a roda, arranjar um púlpito para o coronel Renan Antonio Ferreira dos Santos, o pavor de Flávio Bolsonaro. Não demora um milésimo de segundo e Flávio, todo cagado, anuncia “a decisão de não ir ao debate da Globo”.

Mas Flávio afirma que desistiu de ir ao debate “em função da censura imposta ao evento pelo TSE”, referindo-se à remoção do púlpito fantasma. “A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas”, diz ainda o Zero Zero Zero Zero Zero Um.

O Grupo Globo sobe imediatamente o tom contra o Supremo por intermédio de seus jornalistas amestrados. 

Na GloboNews, Andreia Sadi esperneia que “o Judiciário está dando o tom da campanha presidencial” e ressalta que Estela Aranha é ligada a Flávio Dino. Referindo-se a Dino, Merval Pereira chega a afirmar que “o Supremo proibiu o púlpito através do TSE”. 

Quem assina o jornal O Globo acaba de receber uma notificação push dizendo: “Globo cancela debate de presidenciáveis após decisão do TSE e STF que mudaram as regras”.

A informação do britânico The Guardian de que o governo Trump enviou ao Brasil US$ 1 milhão para desestabilização do STF vira tema secundário, terciário, quaternário. No raiar desta sexta-feira, 2, antevéspera eleitoral, é capaz de virar notícia boa.

Uma nova trama golpista se desenrola à luz do dia, de noite, do dia de novo e noite adentro outra vez. Com a mídia, com tudo.

Olho vivo.

*Via Viomundo

LUTO: FALECEU A DRA. ANA PAULA NICHEL DOS SANTOS, JUIZA DE DIREITO DO FORO DA COMARCA DE SANTIAGO/RS

 


30 setembro 2026

MANIFESTAÇÃO PÚBLICA DO COMITÊ 'COLIGAÇÃO COM O POVO' (II)– SANTIAGO/RS

 


O COMITÊ COLIGAÇÃO COM O POVO – SANTIAGO RS, formado pelo Partido Democrático Trabalhista – PDT, Partido dos Trabalhadores – PT, PSOL, Partido Verde – PV, PCdoB, Rede Sustentabilidade e Avante, vem novamente a público manifestar sua solidariedade ao povo de Santiago diante das graves consequências da tempestade e da intensa precipitação de granizo que atingiram nosso Município no último sábado, 26 de setembro.

Os números que vêm sendo divulgados e, principalmente, aquilo que todos nós podemos testemunhar nas ruas, nos bairros e nas comunidades do interior demonstram a dimensão da adversidade que Santiago enfrenta. Milhares de famílias foram atingidas, residências sofreram graves danos, escolas, estabelecimentos comerciais e serviços essenciais foram afetados, impondo à nossa comunidade um enorme esforço de reconstrução.

Neste momento, nossa preocupação maior está voltada às famílias que mais precisam da presença e da solidariedade do Poder Público e da sociedade: os trabalhadores e as trabalhadoras, as famílias de baixa renda, os idosos, as pessoas em situação de vulnerabilidade e as comunidades mais carentes, tanto da cidade quanto do interior do Município.

O Governo Federal, liderado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também está ciente da grave situação enfrentada por Santiago, e estão sendo buscadas e providenciadas as medidas necessárias para que a União possa contribuir com os esforços de assistência e reconstrução, especialmente em favor dos setores e das comunidades mais duramente atingidos pela intempérie.

É justamente nos momentos de maior dificuldade que o Estado deve estar presente. Reconstruir Santiago significa reconstruir casas, recuperar escolas e serviços públicos, apoiar os pequenos comerciantes e produtores, atender as comunidades do interior e, sobretudo, garantir condições dignas às famílias que perderam aquilo que conquistaram com muitos anos de trabalho.

Defendemos, portanto, a união dos esforços dos Governos Federal, Estadual e Municipal, acima de qualquer diferença partidária. A tragédia não escolhe partido político, ideologia ou condição social. E a resposta do Poder Público também não pode fazer qualquer distinção. Todo recurso, toda ajuda e toda iniciativa capaz de contribuir para a reconstrução de Santiago deve ser recebida, apoiada e destinada, com transparência e prioridade, a quem efetivamente mais necessita.

Foi com esse espírito de respeito e solidariedade que decidimos cancelar a carreata política prevista para o próximo dia 3 de outubro. 

Entendemos que este é o momento de concentrarmos nossas energias na assistência às famílias atingidas e na reconstrução de nossa cidade.

Mas suspender uma carreata não significa suspender nossos sonhos, nossas convicções ou nossa caminhada.

Mesmo diante das dificuldades, nossa campanha continua. Continua porque a democracia não pode parar. Continua porque o futuro do Brasil está em discussão. Continua porque estão em jogo os direitos, as oportunidades e as condições de vida de milhões de brasileiros e brasileiras.

Seguiremos defendendo um Brasil que coloque as pessoas em primeiro lugar; que valorize o trabalho e quem vive dele; que proteja os mais humildes nos momentos de dificuldade; que fortaleça a saúde, a educação, a habitação e as políticas sociais; que apoie quem produz no campo e na cidade; e que tenha capacidade de responder com solidariedade e presença do Estado quando uma comunidade é atingida por uma calamidade.

As adversidades destes dias reforçam uma convicção: nenhuma família deve ser abandonada quando mais precisa. Uma sociedade verdadeiramente justa é aquela que não deixa ninguém para trás, especialmente nos momentos em que a vida impõe suas maiores dificuldades.

Nossa campanha, portanto, prosseguirá com responsabilidade, respeito e sensibilidade diante do momento vivido por Santiago. Haverá tempo para as manifestações políticas e para a mobilização eleitoral. Agora, acima de tudo, é tempo de ajudar, reconstruir e cuidar das pessoas.

A política que defendemos é exatamente essa: a política que está ao lado das pessoas quando elas mais precisam.

Santiago haverá de se reconstruir. E essa reconstrução será resultado da união de nossa comunidade, da solidariedade entre as pessoas e da atuação conjunta de todas as esferas do Poder Público.

Seguimos juntos. Pela reconstrução de Santiago, pela proteção de nossa gente e pela defesa de um Brasil que cuide de seu povo, dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Santiago/RS, 29 de setembro de 2026.

COMITÊ COLIGAÇÃO COM O POVO – SANTIAGO/RS

PDT – PT – PSOL – PV – PCdoB – REDE SUSTENTABILIDADE – AVANTE

Eleições 2026 - Lula confirma à Globo que não participará do debate da emissora

Emissora confirma encontro com Flávio Bolsonaro, Caiado, Augusto Cury e Zema; Renan Santos tenta vaga na Justiça.


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Crédito: Ricardo Stuckert/PR

Por Igor Carvalho*

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comunicou à TV Globo que o mandatário não participará do debate da próxima quinta-feira (31) com os candidatos à presidência da República.

A informação foi anunciada pela emissora, que também confirmou a realização do debate com a participação de Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). O último comparecerá por força de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou que os candidatos do Novo sejam incluídos no debate.

Lula e Flávio Bolsonaro ainda não participaram dos debates presidenciais e, com essa decisão, o confronto entre os dois principais candidatos da corrida pelo Palácio do Planalto ficará para um eventual segundo turno.

Renan Santos (Missão) afirmou que irá à Justiça tentar uma decisão liminar que o coloque no debate da TV Globo. O candidato aparece mais bem posicionado que Caiado e Zema em diversas pesquisas.

*Fonte: BdF - Editado por: Gia Matheus AlmeidaFacebook