05 junho 2026

Pesquisa Vox mostra arrancada de Lula no 1º turno e queda significativa de Flávio Bolsonaro

Lula lidera com 42,1%, contra 33,6% de Flávio Bolsonaro, e vê vantagem crescer em nova pesquisa Vox Brasil

Lula e Flávio Bolsonaro (Foto: Ricardo Stuckert/PR I Andressa Anholete/Agência Senado)

Por Guilherme Levorato*

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um cenário estimulado de primeiro turno para a eleição presidencial, segundo levantamento do Instituto Vox Brasil divulgado nesta sexta-feira (5) pela Exame. Lula registra 42,1% das intenções de voto, contra 33,6% de Flávio, uma diferença de 8,5 pontos percentuais.

A pesquisa indica avanço do presidente em relação às rodadas anteriores. Desde meados de maio, Lula subiu 7,8 pontos percentuais, passando de 34,3% para 42,1%. No mesmo período, Flávio Bolsonaro recuou 2,9 pontos, de 36,5% para 33,6%.

No mesmo levantamento, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) aparece em terceiro lugar, com 6,9% das intenções de voto. Na sequência está o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), com 5,1%.

Renan Santos (Missão) registra 3,1%, seguido por Aécio Neves (PSDB), com 2,1%, Joaquim Barbosa (DC), com 1,1%, Augusto Cury (Avante), com 0,5%, e Cabo Daciolo, com 0,3%. Brancos, nulos e nenhum somam 2,9%, enquanto 2,3% dos entrevistados disseram não saber ou preferiram não responder.

O levantamento é o primeiro divulgado após a visita de Flávio Bolsonaro ao presidente Donald Trump e depois da decisão do governo dos Estados Unidos de declarar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Parte da coleta também ocorreu após a ameaça do governo norte-americano de impor um novo tarifaço contra produtos brasileiros.

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Lula tem vantagem entre mulheres e baixa renda

O recorte por gênero mostra Lula com desempenho superior entre as mulheres. Nesse grupo, o presidente alcança 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 30,8%. A vantagem é de 15,2 pontos percentuais.

Entre os homens, o cenário é numericamente favorável ao senador do PL. Flávio registra 40,1%, contra 37,8% de Lula, uma diferença de 2,3 pontos percentuais.

Por faixa etária, Lula obtém seus melhores resultados entre eleitores com mais de 60 anos. No grupo de 60 a 69 anos, o presidente tem 44,8%, ante 32,9% de Flávio Bolsonaro. Entre os entrevistados com mais de 69 anos, Lula chega a 46,9%, enquanto o senador registra 31,0%.

Flávio Bolsonaro tem seu melhor desempenho entre eleitores de 35 a 44 anos. Nessa faixa, ele aparece com 40,8% das intenções de voto, contra 36,5% de Lula.

No recorte de renda, a vantagem de Lula é mais ampla entre os entrevistados que ganham até dois salários mínimos. Nesse grupo, o presidente registra 55,1%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 23,5%.

Entre os eleitores com renda superior a dez salários mínimos, o quadro se inverte. Flávio aparece com 41,7%, enquanto Lula registra 32,9%.

Escolaridade mostra diferenças entre os candidatos

A pesquisa também aponta diferenças relevantes por escolaridade. Lula lidera entre os grupos com menor nível de instrução. Entre eleitores analfabetos, o presidente registra 53,2%, contra 24,1% de Flávio Bolsonaro.

À medida que o grau de escolaridade aumenta, a distância entre os dois diminui. Entre os entrevistados com ensino superior completo, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente, com 39,1%, enquanto Lula tem 38,4%.

Segundo os dados do levantamento, há uma relação inversa entre escolaridade e desempenho dos dois principais nomes no cenário pesquisado. Lula perde vantagem conforme aumenta o nível de instrução, enquanto Flávio Bolsonaro amplia sua participação entre os segmentos mais escolarizados.

Lula e Flávio concentram maiores índices de rejeição

O Instituto Vox Brasil também mediu a rejeição dos possíveis candidatos. Nesse indicador, os entrevistados informam em quais nomes não votariam de forma alguma. Como a pergunta permite múltiplas respostas, a soma dos percentuais pode ultrapassar 100%.

Lula aparece com a maior rejeição, com 49,2%. Flávio Bolsonaro vem logo em seguida, com 48,3%.

Aécio Neves é o terceiro nome mais rejeitado, com 41,3%. Depois aparecem Romeu Zema, com 25,7%, Joaquim Barbosa, com 23,3%, Ronaldo Caiado, com 21,7%, e Renan Santos, com 19,5%.

Cabo Daciolo registra 18,1% de rejeição, enquanto Augusto Cury aparece com 16,5%. Entre os entrevistados, 6,9% não souberam responder à pergunta sobre rejeição, e 2,3% afirmaram não rejeitar nenhum dos nomes apresentados.

Aprovação e desaprovação do governo estão empatadas

A pesquisa também avaliou a percepção dos entrevistados sobre a gestão do presidente Lula. O resultado mostra equilíbrio entre aprovação e desaprovação do governo federal.

Segundo o levantamento, 49,1% aprovam a administração Lula, enquanto 49,3% desaprovam o governo. Outros 1,6% não souberam responder ou preferiram não opinar.

Os dados indicam melhora gradual na avaliação presidencial ao longo das últimas semanas. Em 14 de maio, a aprovação era de 45,1%, enquanto a desaprovação chegava a 51,5%. Na rodada divulgada em 20 de maio, os índices passaram para 46,1% e 50,4%, respectivamente.

Na comparação com a primeira pesquisa da série, a aprovação do governo avançou quatro pontos percentuais. No mesmo período, a desaprovação recuou 2,2 pontos.

A diferença entre aprovação e desaprovação é de 0,2 ponto percentual, dentro da margem de erro. Na prática, os números indicam empate técnico na avaliação da gestão Lula.

O Instituto Vox Brasil ouviu 2.100 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 1º e 3 de junho. A margem de erro é de 2,15 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 08016/2026.

*Fonte: Brasil247

03 junho 2026

FILME 'BASILICIA' SERÁ EXIBIDO DIA 12 DE JUNHO NO MEMORIAL PRESTES, EM PORTO ALEGRE/RS

 


*Documentário dirigido pelos cineastas argentinos Gustavo  Carbonell e Gastón Gulart que conta a história (e o sacrifício, em 1936) da jovem Basilicia Savinski, filha de imigrantes ucranianos, que se tornou um símbolo da luta e da resistência pelo direito das famílias rurais no então Território Nacional de Missiones, na Argentina.

Basilicia Savisnki integra também o grupo de seis Revolucionários homenageados nos 'Caminhos Revolucionários II' (Sônia Maria de Moraes Angel Jones, Ernesto Che Guevara, Luis Carlos Prestes, Andres Guacurani e Sepé Tiarajú) no ano em que se comemora os 400 anos das Missões (vide card abaixo).




*BASILICIA "Cuando la historia la escriben los que luchan".

Assista ao trailer do filme:



02 junho 2026

‘Extrema direita bolsonarista é colonial, entreguista, antinacional e representa o império dos EUA’, dispara Uczai

"Vendilhões, vassalos de Trump e traidores da pátria", afirmou o líder do PT em referência à família Bolsonaro


  Pedro Uczai (Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados)

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai, reagiu com duras críticas nesta terça-feira (2) à proposta dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e acusou a extrema direita bolsonarista de agir contra os interesses nacionais. A medida partiu do Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) e provocou reação política no Brasil.

Em postagem na rede social X, antigo Twitter, Uczai associou a iniciativa dos EUA às articulações de aliados e familiares de Jair Bolsonaro (PL) junto ao governo do presidente estadunidense, Donald Trump. "É a extrema-direita bolsonarista, colonial, entreguista e antinacional atuando como correia de transmissão do império. Vendilhões! Vassalos de Trump! Traidores da pátria!", escreveu o petista.

O deputado do PT também mirou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em suas críticas. "É imperialismo econômico contra a soberania nacional, a pedido de Flávio Bolsonaro, que foi lá entregar o Pix para os EUA", afirmou Uczai. O parlamentar também disse que o senador da extrema-direita desembarcou em Washington para "se alinhar a Trump contra" o Brasil.

Segundo o líder petista, Trump "ataca o Brasil com um novo tarifaço, mirando nossas empresas, nossas exportações, os empregos e a renda dos trabalhadores brasileiros".

O deputado também afirmou que a ofensiva mira o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. "Agora querem atingir o patrimônio público do povo brasileiro, gratuito, eficiente e soberano, para favorecer bancos, rentistas e gigantes norte-americanas dos cartões, que lucram com taxas abusivas, juros e endividamento popular", escreveu.

Investigação sobre o Pix começou nos Estados Unidos

A ação contra o Pix — sistema de pagamentos desenvolvido pelo Banco Central do Brasil — começou nos Estados Unidos em 15 de julho de 2025, quando o governo do presidente Donald Trump anunciou a abertura de investigação sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil.

Criado em novembro de 2020, o Pix consolidou-se como um dos principais meios de pagamento do país. No fim de novembro, o sistema acumulou 178,9 milhões de usuários, segundo números divulgados pela Agência Brasil em 6 de dezembro de 2025.

Dados do Banco Central também indicam que o Pix atende mais de 170 milhões de pessoas físicas, o equivalente a mais de 80% da população brasileira. O sistema tornou-se peça central nas transações cotidianas de trabalhadores, empresas e pequenos negócios.

Bolsonarismo busca apoio no trumpismo

A postagem de Uczai também faz referência às articulações da família Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump com o objetivo de pressionar autoridades brasileiras em favor de anistia para políticos e eleitores condenados por ações golpistas.

Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos no último dia 25 e retornou no dia 28. O ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do senador, vive em território estadunidense e busca apoio da extrema-direita trumpista.

No Brasil, Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar após condenação pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão na investigação sobre a trama golpista. O inquérito resultou em 29 condenações, mas os filhos do ex-mandatário não foram condenados nesta apuração.

Em outra investigação, o Supremo Tribunal Federal também condenou mais de 1,4 mil pessoas por envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. As decisões fazem parte da resposta institucional aos ataques contra as sedes dos Três Poderes em Brasília (DF).


*Via Redação do site Brasil247 

01 junho 2026

"Vamos desbaratar essa quadrilha", afirma Lindbergh após operação contra ONG ligada à produtora de Dark Horse

Deputado cobrou apuração de repasses ligados a Dark Horse, além de citar Flávio Bolsonaro, Mário Frias e Eduardo Bolsonaro. 

Lindbergh Farias, Mario Frias, Eduardo, Jair e Flávio Bolsonaro (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados I Reprodução)


O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) cobrou nesta segunda-feira (1) uma investigação mais ampla sobre o fluxo financeiro ligado ao filme Dark Horse, produção biográfica sobre Jair Bolsonaro (PL). Em postagem divulgada na rede social X, antigo Twitter, o parlamentar afirmou que as apurações precisam alcançar os responsáveis políticos e financeiros ligados ao projeto. O petista mencionou o ex-mandatário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

O petista comentou a operação da Polícia Civil contra a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade de propriedade de Karina Gama, que também aparece como sócia da Go UP, produtora responsável pelo filme. Investigadores apuram suspeita de fraudes em contratos de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo. O contrato sob investigação foi firmado pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) com o objetivo de instalar 5 mil pontos de acesso à internet sem fio em comunidades periféricas da capital paulista.

"O cerco está se fechando. Karina Gama vai ser presa, mas quem está por trás dela é Flávio Bolsonaro, Mário Frias e Eduardo Bolsonaro. Muita coisa precisa ser explicada por essa turma", escreveu Lindbergh em referência à operação da Polícia Civil, deflagrada nesta segunda-feira, que teve a ONG como alvo pela suspeita de irregularidades em um contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo.

"A PC investiga suspeita de fraudes em contratos de R$ 108 milhões sem efetivação do serviço. Muita coisa precisa ser explicada por essa turma. Já pedimos à Interpol para investigar onde estão os 61 milhões que o Flávio pediu ao Vorcaro. Vamos seguir o caminho do dinheiro e desbaratar essa quadrilha", acrescentou Lindbergh.

Ao falar sobre a operação contra a ONG, o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), fez críticas à investigação da Polícia Civil e sinalizou que a apuração é consequência de perseguição política.

Além da nova operação contra a ONG, o Intercept Brasil divulgou em 13 de maio uma reportagem mostrando que o senador Flávio Bolsonaro negociou com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, um financiamento de R$ 134 milhões para o filme. Do valor total pedido pelo parlamentar, R$ 61 milhões foram repassados.

Detido e em processo de colaboração premiada, o empresário é investigado pela Polícia Federal após acusações de envolvimento em um esquema de fraudes financeiras que, segundo a PF, movimentou ao menos R$ 12 bilhões. Inicialmente, a proposta de delação feita pela equipe do ex-banqueiro foi rejeitada pela PF. A corporação apontou "seletividade" dos fatos que envolvem as irregularidades.

Quem também está detido, em prisão domiciliar, é Jair Bolsonaro, após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de reclusão no inquérito da trama golpista. Foi a pena mais alta entre as 29 condenações anunciadas pela Corte.

*Via Redação do site Brasil247  

31 maio 2026

LEGADO - Mais de 100 anos e na linha de frente contra o genocídio em Gaza: homenagens a Edgar Morin

Intelectual francês morreu nesta sexta-feira (29) aos 104 anos*



Edgar Morin foi criador do conceito de “pensamento complexo” e autor de mais de 80 livros | Crédito: LUDOVIC MARIN / POOL / AFP

Para celebrar seu aniversário de 100 anos, em 2021, o filósofo, sociólogo e historiador francês Edgar Morin lançou o livro “Lições de um século de vida”. A obra faz um panorama da trajetória do intelectual e do próprio século 20: seus horrores, suas utopias que deram errado, suas revoluções que trouxeram esperança.

Morin, que faleceu nesta sexta-feira (29) aos 104 anos, foi autor de mais de 80 livros e criou o conceito de “pensamento complexo”, que parte do princípio de que, para lidar com os problemas da contemporaneidade, é preciso superar a fragmentação do conhecimento. Assim Morin propôs a integração de disciplinas como biologia, história e filosofia.

Pensador à frente do seu tempo, Morin alertou em uma conferência em 1982, quando a revolução da informática ainda estava engatinhando, que “se esse processo se tornasse dominante, pela primeira vez o saber seria produzido não para ser pensado, refletido, discutido entre os seres humanos, mas essencialmente para ser armazenado e manipulado por instâncias anônimas”.

O intelectual se manteve ativo até o fim da vida. Jean-Luc Mélenchon, liderança do partido de esquerda radical França Insubmissa, postou homenagens na rede social X e lembrou que, aos 102 anos, Morin participou de protesto contra o genocídio de palestinos em Gaza. “Um exemplo nunca morre”, escreveu.

O presidente francês, Emmanuel Macron, também usou as redes sociais para homenagear Morin: “Soldado da Resistência, militante e homem liberto, escritor e pensador do século, defensor da natureza e das pessoas, Edgar Morin era o humanismo encarnado”.

No Brasil, o teólogo e colunista do Brasil de Fato Leonardo Boff repercutiu a notícia da morte: “Sou profundamente grato a Edgar Morin que marcou muito minha visão do mundo, por aquilo que ele deu como fator fundamental- a complexidade- para entender o processo da evolução, a sociedade humana e cada pessoa”.

A ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, lembrou quando conheceu pessoalmente o intelectual francês: “Foi um momento raro conhecê-lo e recebê-lo na Fiocruz, em 2019. Além da relevância de seu trabalho intelectual, Morin nos encantava com as histórias da resistência ao nazifascismo e de sua participação na resistência francesa”.

*Editado por: Raquel Setz - Redação do BrasildeFato

30 maio 2026

FIESP e oposição armam contraofensiva pela 6×1 no Senado

 



Por Marcelo Carlini*

Na noite de quarta-feira (27/5), Câmara dos Deputados aprovou por 469 x 19 votos projeto de emenda constitucional que põe fim à escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho para 40h semanais. A vitória foi comemorada pelo país e é resultado da pressão popular, do engajamento do governo Lula (PT), das mobilizações de rua, dos debates realizados em associações, Câmaras de Vereadores, das ações realizadas na base das categorias pelos sindicatos e do medo da maioria reacionária do Congresso de ser punida nas eleições de outubro. Mas nada está resolvido, o projeto precisa ser aprovado no Senado e já conta com a reação dos empresários e da oposição. Vale lembrar que por ser emenda constitucional Lula não pode vetar o resultado final.

O texto prevê a extinção imediata da escala de seis dias de trabalho por um de descanso e estabelece um período de 14 meses para a redução da jornada para 40h, com redução de duas horas também de forma imediata. O projeto garante dois dias de descanso, um dos quais preferencialmente aos domingos. Se aprovada, esta medida beneficiará mais de 30 milhões de trabalhadores.

O debate sobre o fim da 6×1 está presente na mesa das famílias, nos locais de trabalho e escolas. Nas panfletagens, o apoio de mais de 70% do povo ao fim da 6×1 e à redução da jornada se confirma, pessoas voltam para pegar panfletos e estudantes pegam e avisam que vão levar para casa. O medo do Congresso inimigo do povo não é de graça.

Há problemas no projeto. Apesar dele não especificar nenhuma compensação aos patrões, ele prevê uma lei ordinária que poderia enviar dinheiro público ou estabelecer novas isenções ficais. Além disso, o fim do controle de jornada para quem ganha mais de R$ 21 mil e tem nível superior também preocupa.

Deputados da oposição já anunciaram o compromisso do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), de dar tramitação a uma PEC que esvaziaria o fim da escala 6×1 e a redução da jornada.

A PEC 12/2026, assinada por 36 senadores da oposição, entre eles Flávio Bolsonaro (PL/RJ) e seu coordenador de campanha Rogério Marinho (PL/RN), permite contratação por hora, “negociada” diretamente entre patrão em empregado, acarretando salários abaixo do mínimo nacional e constitucionalizando o negociado sobre o legislado aprovado na reforma trabalhista de 2017 esvaziando o projeto aprovado na Câmara.

Já Paulo Skaf, presidente da Fiesp, junto com outros empresários cinicamente criticou o “açodamento” na discussão do projeto do fim da 6×1. Ocorre que faz 37 anos que na Constituinte de 1987-1988 se discutia a redução da jornada de 48h semanais para 40h, acabaram ficando as atuais 44h. O que os empresários querem é jogar a votação do Senado para depois de outubro, quando reduzir a pressão eleitoral e tentar enterrar a mudança.

A pressão sobre o Senado deve prosseguir, seja para garantir o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, seja para impedir o andamento do PL 12/2026. Os senadores devem ser pressionados, é hora de novos atos de rua, panfletagens nas categorias, paralisações em entradas de turno organizasdas pelos sindicatos e debates com o povo para enterrar de vez a 6×1 e conquistar mais tempo de descanso.

*Marcelo Carlini é membro da  Direção Estadual do PT/RS

Fonte: site do Diálogo e Ação Petista - DAP Nacional

29 maio 2026

“A soberania do Brasil é inegociável”, diz o governo Lula, em nota, após ação de Trump

Governo também deplorou a atuação da família Bolsonaro contra os interesses nacionais

Lula e Donald Trump - 23 de setembro de 2025 (Foto: Reuters)

Por Otávio Rosso*

O governo federal divulgou nesta quinta-feira (28) uma dura nota oficial em resposta às movimentações de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos. No documento, publicado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Palácio do Planalto acusa integrantes da família Bolsonaro de incentivarem interferência estrangeira em assuntos internos brasileiros e os classifica como “falsos patriotas”.

A manifestação ocorre após o governo dos Estados Unidos avançar na classificação de facções criminosas latino-americanas como organizações terroristas. Embora reafirme a disposição do Brasil para cooperar internacionalmente no combate ao crime organizado, o Planalto sustenta que a soberania nacional não está em discussão.

“O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias”, afirma a nota.

O governo destaca que o enfrentamento dessas organizações criminosas “é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro”. Segundo o texto, o terror imposto por facções em comunidades está ligado à busca de lucro por meio de atividades ilícitas, especialmente o tráfico de drogas e armas, e não deve ser confundido com o terrorismo internacional motivado por razões ideológicas, políticas ou religiosas.

Nesse contexto, o Planalto acusa adversários políticos de tentarem explorar o tema de forma oportunista. “A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos”, diz a nota.

Em um dos trechos mais contundentes do documento, o governo dirige críticas diretas à família Bolsonaro. “É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, afirma.

A nota também menciona “falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”. Embora não cite nomes, a referência ocorre em meio às articulações de aliados do ex-presidente junto a autoridades norte-americanas.

O governo aproveitou a manifestação para destacar medidas recentes de combate ao crime organizado. Entre elas, está a aprovação de uma nova legislação contra facções e milícias que prevê penas de até 80 anos de prisão. Segundo o texto, trata-se da maior punição prevista atualmente na legislação brasileira.

Além disso, o Planalto ressaltou o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que busca atingir tanto os operadores das facções quanto suas estruturas financeiras e de comando. “O Governo do Brasil conduz o programa ‘Brasil contra o Crime Organizado’, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima”, registra a nota.

Ao tratar da cooperação internacional, o governo afirma que o crime organizado transnacional exige esforços conjuntos entre países. Nesse sentido, informa ter apresentado em 16 de abril ao Departamento de Estado dos Estados Unidos uma proposta baseada em inteligência e cooperação internacional.

“O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil”, destaca o documento.

O Planalto afirma que continuará aberto a iniciativas de cooperação. “Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos”, diz a nota.

Ao mesmo tempo, o governo faz um alerta contra possíveis medidas unilaterais adotadas por países estrangeiros. Segundo o texto, ações desse tipo “podem enfraquecer o combate aos criminosos”, prejudicar o compartilhamento de informações entre forças policiais e provocar impactos econômicos relevantes.

A nota menciona inclusive riscos ao sistema financeiro nacional e ao Pix. “Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros”, afirma.

Na conclusão, o governo reforça que não aceitará ingerências externas e reafirma o princípio da soberania nacional. “A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.”

Leia a nota na íntegra:

Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro.

O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional.

A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.

É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.

Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima.

O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos. O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.

Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.

Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.

Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país.

A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.

*Fonte: Brasil247