14 abril 2026

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ*

 



A história da Fundação Oswaldo Cruz começou em 25 de maio de 1900, com a criação do Instituto Soroterápico Federal, na bucólica Fazenda de Manguinhos, Zona Norte do Rio de Janeiro. Inaugurada originalmente para fabricar soros e vacinas contra a peste bubônica, a instituição experimentou, desde então, uma intensa trajetória, que se confunde com o próprio desenvolvimento da saúde pública no país.

Pelas mãos do jovem bacteriologista Oswaldo Cruz, o Instituto foi responsável pela reforma sanitária que erradicou a epidemia de peste bubônica e a febre amarela da cidade. E logo ultrapassou os limites do Rio de Janeiro, com expedições científicas que desbravaram as lonjuras do país. O Instituto também foi peça chave para a criação do Departamento Nacional de Saúde Pública, em 1920.

Durante todo o século 20, a instituição vivenciou as muitas transformações políticas do Brasil.  Perdeu autonomia com a Revolução de 1930 e foi foco de muitos debates nas décadas de 1950 e 1960. Com o golpe de 1964, foi atingida pelo chamado Massacre de Manguinhos: a cassação dos direitos políticos de alguns de seus cientistas. Mas, em 1980, conheceu de novo a democracia, e de forma ampliada. Na gestão do sanitarista Sergio Arouca, teve programas e estruturas recriados, e realizou seu 1º Congresso Interno, marco da moderna Fiocruz. Nos anos seguintes, foi palco de grandes avanços, como o isolamento do vírus HIV pela primeira vez na América Latina.

Já centenária, a Fiocruz desenha uma história robusta nos primeiros anos do século 21. Teve enfim seu estatuto publicado, tornou-se Centro Colaborador para Saúde Global e Cooperação Sul-Sul da OMS e participou do lançamento do primeiro volume da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), em parceria com o Ministério da Saúde e o IBGE. Em 2016 elegeu a primeira mulher presidente em sua história, Nisia Trindade de Lima, reeleita em 2021 para um segundo mandato, e dois anos depois foi sede do maior evento da área de saúde da América Latina, o 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva - Abrascão 2018. A trajetória de expansão nacional da Fundação também ganhou novos passos nesta segunda década, com a inauguração da Fiocruz Ceará, a criação de escritórios como o de Mato Grosso do Sul e o de Moçambique, na África, além da inauguração do Fioantar, laboratório permanente de pesquisas na Antartica, e do lançamento da TV Canal Saúde.

Nesse caminho que se alimenta de conquistas e de desafios sempre renovados, o início do novo século também contou com uma série de grandes avanços científicos, com feitos como o deciframento do genoma do BCG (bactéria usada na vacina contra a tuberculose), e protagonismo em diversos desafios para a saúde pública brasileira e internacional. A Fiocruz atuou como um dos principais centro de pesquisa e produtor de conhecimento na pandemia de Infleunza A(H1N1), na epidemia de zika e microcefalia de 2105/2016 e na pandemia de Covid-19. Nesta, teve papel estratégico na produção de uma das vacinas contra a doença, entregando milhões de doses de imunizantes ao SUS e ajudando a proteger a população brasileira. A assinatura do acordo pela Fiocruz com o Reino Unido também objetivou garantir a produção totalmente nacional da vacina com a transferência total de tecnologia, eliminando os riscos de dependência nacional. Com mais de 120 anos de história, a tradicional e inovadora Fiocruz é desafiada constantemente pelas intensas e cada vez mais aceleradas transformações sociais do mundo que, ao mesmo tempo, são o combustível para a instituição reforçar sua vocação pioneira na área da saúde e da ciência. (...)

*Conheça mais sobre  a história da Fiocruz (e outros temas pertinentes à Fundação) clicando AQUI. 

**Com o Site da Fiocruz

Flávio é o esqueleto ambulante da extrema direita

“O filho ungido não precisa se esforçar muito para esconder os ossos do bolsonarismo”

    Flávio Bolsonaro e Tereza Cristina (Foto: Agência Senado)

Por Moisés Mendes*

Até nos jornalões procuram os esqueletos no armário de Flávio Bolsonaro, enquanto o próprio candidato cata os ossos da fome do desgoverno do seu pai, para atribuir a ossada ao governo de Lula. O efeito da nova busca ao passado do filho ungido pode ser zero. Nada.

Todo mundo sabe o que ele fez por suas relações e até homenagens a criminosos e pela capacidade de escapar dos cercos do sistema de Justiça. Sabem ou fingem não saber, porque a imagem de Flávio está, como dizem no mercado financeiro, precificada há muito tempo.

Flávio tem preço, tem etiqueta, tem especificação do material de que foi feito e tem alertas sobre os danos que pode sofrer se for exposto à luz. Mesmo assim, o Estadão publicou no sábado, dia 11, que o filho é uma página em branco.

O jornal deu na capa, em destaque, a chamada para a entrevista do marqueteiro Jorge Gerez, que trabalha para Ratinho Júnior. Segundo o especialista em imagem pública, ninguém sabe de onde Flávio veio e o que pretende da vida. Essa seria a sua vantagem.

Esse mesmo marqueteiro vai pisando no que diz e chega ao ponto de dizer, ao comparar Flávio e o gângster argentino da criptomoeda, que “Milei é um cientista, uma pessoa com muito conteúdo”. Pelos disparates, a entrevista seria um desastre até uns 10 anos atrás. Hoje, não dá nada.

Tanto que o mesmo Estadão, que apresentou o mais novo extremista moderado como se fosse um Collor de 1989, informa nesta segunda-feira, dois dias depois, que o filho tem um passado sombrio. E publica no título do editorial: “Os ‘esqueletos’ de Flávio Bolsonaro”.

O jornal adverte: “Não demorou para que o passivo do senador – sobre rachadinhas e milicianos – começasse a aparecer. E o candidato, ao dizer que não sabia de nada, escolheu ofender a inteligência do eleitor”.

E aí vem a lista, no Estadão e nos jornalões que redescobrem a folha corrida do filho escolhido, tudo o que se sabe sobre o envolvimento de Flávio com suspeitas e investigações de desvios de verbas públicas, com milicianos e com a compra de imóveis da família com dinheiro vivo ou morto.

É um passivo sem fim. O Globo destacou hoje que o delegado da Polícia Federal Erick Ferreira Blatt, flagrado furtando um vidro de carpaccio de trufa (que custa R$ 300) em um supermercado do Recife, é ‘conhecido’ dos Bolsonaros. Não é amigo há uma década, é conhecido. Seria amigo se a relação fosse com Lula.

Quem sai a pesquisar no Google para saber quem é o delegado desdobre que ele engavetou uma investigação contra Flávio em 2022, sobre um dos casos brabos de ocultação de imóveis e lavagem de dinheiro.

Nessa busca, aparecem links aleatórios para outros textos e lá está a seguinte chamada, no Globo de 11 de fevereiro de 2022: “Flávio Bolsonaro diz que se encontrou com Queiroz e tratou de eleição: Ele é ficha-limpa, falei para ir à luta”.

Queiroz foi e não se elegeu deputado estadual. Flávio recomendava ao ex-assessor que se virasse, enquanto já estavam engavetadas, por decisão do STF, as investigações sobre as rachadinhas.

Agora, há uma semana, em 6 de abril, em entrevista a um podcast, Flávio disse ao tentar se afastar do ex-parceiro:

"O Queiroz cuidava de uma parte da minha assessoria que trabalhava na rua, fazia panfletagem, evento, e tinha autonomia sobre esse pessoal. Ele falou que, de algumas pessoas que ele tinha empregado, ele cobrava uma parte do salário, mas obviamente não tinha minha concordância. Ele fala que eu jamais tive conhecimento disso."

Em 2022, Flávio deu corda para que Queiroz buscasse um mandato, mas agora é mais cuidadoso. O que se sabe é que o ex-assessor virou subsecretário da Segurança e Ordem Pública de Saquarema, no Rio de Janeiro.

O sistema de Justiça que pegou Braga Netto, o mais poderoso general da era Bolsonaro, não consegue pegar Flávio nem Queiroz. Como não pegou e talvez nunca mais pegue os grandes financiadores do gabinete do ódio, dos bloqueios de estradas e da invasão de Brasília no 8 de janeiro.

O delegado amigo de Flávio, que engavetou a investigação de 2022, o ex-assessor agora xerife da guarda municipal de Saquarema, os amigos milicianos homenageados solenemente – todos estão por aí, descontando-se os que já foram executados em queima de arquivo.

Flávio, o sujeito que o Estadão apresenta como página em branco, para dar voz na capa aos que falam por ele, mesmo que sejam bobagens, é também o homem dos esqueletos que a grande imprensa escondeu até agora.

Decidiram mostrar alguns ossos, mas em cena rápida, e quem não viu não verá mais. Porque esse é o jogo dos jornalões. Mostram, em flashes eventuais, os podres da extrema direita, mas querem mesmo é bater todos os dias em Lula.

Por isso é ilusória a sensação de que em algum momento todos os ossos escondidos pela família irão desabar sobre Flávio. Porque são ossos expostos há muito tempo. Todo mundo conhece cada detalhe desse acervo, o crânio, a clavícula, o fêmur, a tíbia.

Todos conhecem a fíbula que segura a tornozeleira de Bolsonaro. Conhecem ossadas avulsas e cadáveres inteiros. Poucas páginas são mais preenchidas do que o histórico da família de Flávio Bolsonaro, que o Estadão apresentou como sendo imaculada.

Se encontrarem amanhã um cemitério ocupado só com ossos do bolsonarismo, a reação pode ser a mais natural, porque não é nessa área que Flávio será abalado.

Essa é a eleição em que valores e referências sobre bons modos não valem um fêmur descarnado. Até porque Flávio é o próprio esqueleto vivo e ambulante da extrema direita. Os outros são os outros.  

*Jornalista - Porto Alegre/RS - Fonte: Brasil247

13 abril 2026

AS 10 CANÇÕES MAIS POLÊMICAS DA HISTÓRIA DO BRASIL*


 

*Via YouTube

ARTE REVOLUCIONÁRIA - Chico Buarque e Silvio Rodríguez se reúnem com brigada do MST em Cuba

Dois dos principais compositores do Brasil e de Cuba se reuniram com o movimento na Casa das Américas, em Havana

Silvio Rodríguez se reuniu com Chico Buarque e brigada do MST em Cuba | Crédito: Francisco Proner


BdF* - Os cantores e compositores Chico Buarque e Silvio Rodriguez se reuniram nesta sexta-feira (10) com a brigada do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que atua na cidade de Havana, capital de Cuba.

O encontro ocorreu por ocasião da visita do artista brasileiro à ilha socialista, que começou na última terça-feira (7). Chico foi recebido por Silvio, um dos expoentes da chamada Nova Trova Cubana e um dos principais cantores do país.

Participaram da reunião José Maria Vitier, Frank Fernández, Carlos Alfonso, Ele Valdés, Augusto Blanca, Frank Delgado, Ray Fernández, Fidel Dias Castro, Lea Cárdenas, Guille Villar, Henrique Carballea, entre outros artistas e membros da Casa das Américas. Também participou o embaixador do Brasil em Cuba, Christian Vargas.

O movimento entregou a Silvio produtos da reforma agrária e a bola do movimento, tão simbólica para Chico que por muitas vezes jogou no campo Sócrates Brasileiro, na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF). Sílvio foi convidado a vir jogar uma partida no campo e brincou que acha que será difícil pelo questão física.

“Foi um encontro importante com os principais músicos de Cuba, em um lugar simbólico para os dois, quando Chico esteve em Cuba em 1981, a Casa das Américas. Chico e Silvio têm grande importância para a militância dos movimentos populares e de esquerda na América Latina, a partir das suas obras musicais e seus exemplos de luta. São paradigma e mistério que nos acompanha”, disse Nívia Regina, da Brigada do MST em Cuba.

Pelas redes sociais, o MST celebrou a reunião citando o clássico poema “Os que lutam”, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, dizendo que “há os que lutam a vida toda. Esses são os imprescindíveis”.

O trecho também é citado na abertura de uma das mais clássicas canções de Silvio Rodríguez, “Sueño Con Serpientes”, que deve ser regravada por Chico durante sua passagem por Cuba, como foi anunciado pelos próprios artistas.

“Chico Buarque e Silvio Rodríguez, juntamente dos militantes do MST residentes em Cuba, Marcelo Durão e Nívea Regina, se reúnem com coletivo de artistas cubanos. Lutar sempre! Toda solidariedade ao povo Cubano”, escreveu o movimento em suas redes sociais.

A reunião que envolveu trabalhadores da cultura e outros militantes ocorreu na popular Casa das Américas, espaço que é símbolo da resistência cultural cubana e tem como princípio — desde sua fundação em 1959, no ano da Revolução — promover a integração entre artistas da América Latina.

Nas imagens do encontro publicadas pelo MST, também é possível ver a referência feita ao “Encuentro Canción Protesta”, histórico festival realizado em 1967 na própria Casa das Américas que reuniu expoentes da música política e das canções de protesto de vários lugares do mundo. Estiveram presentes nomes como Angel Parra, Alfredo Zitarrosa e Carlos Puebla. Nenhum brasileiro compareceu e a divulgação do encontro no Brasil foi proibida pelos militares que governavam o país naquele momento.

Chico, por sua vez, esteve em Cuba pela última vez em janeiro de 1992, período em que o país enfrentava uma crise de abastecimento como consequência do bloqueio dos EUA, agravada pelo fim da União Soviética. Chico participou de uma brigada brasileira de solidariedade ao lado de nomes como Frei Betto e Ziraldo.

Bloqueio dos EUA

Desde que passou a obstaculizar o comércio petroleiro entre Venezuela e Cuba, os EUA vêm ameaçando com cada vez mais contundência o governo cubano.

O presidente Donald Trump chegou a dizer que teria “a honra de tomar Cuba”, em uma espécie de ameaça intervencionista, mas sem detalhar o que incluiria a ação.

Dependente de combustíveis fósseis para alimentar sua matriz energética, Cuba viu sua crise piorar com a perda do fornecimento petroleiro venezuelano após o ataque dos EUA em 3 de janeiro e o sequestro do presidente Nicolás Maduro.

Desde então, o país vem aplicando medidas para flexibilizar a economia e pede diálogo com Washington, de modo “respeitoso e soberano”, como disse o presidente Miguel Díaz-Canel em entrevista à emissora estadunidense NBC exibida nesta quinta-feira (9).

Dois carregamentos de petróleo vindos da Rússia já conseguiram contornar o bloqueio dos EUA e fornecer algum alívio à ilha.

Além disso, movimentos de diversos países se mobilizam para levar ajuda ao país socialista que sofre com sanções econômicas e financeiras impostas por Washington há mais de 60 anos.

*Por Lucas Estanislau -  Editado por: Thaís Ferraz

-Fonte: BdF

12 abril 2026

Lula mantém dianteira no Datafolha apesar da pressão da direita

Levantamento mostra liderança consistente de Lula na largada, enquanto narrativa sobre segundo turno tenta antecipar um desgaste ainda não confirmado

05.02.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião, no Palácio do Planalto, sobre o anúncio das ações no âmbito do acordo judicial para a regularização fundiária da Gleba da Quinta do Lebrã da cidade de Teresópolis (RJ). Brasília - DF. Fotos: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

Por Esmael Moraes*

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue na frente no primeiro turno da nova pesquisa Datafolha, com 39% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 35% de Flávio Bolsonaro (PL). Na espontânea, quando o eleitor responde sem ver a lista de nomes, Lula abre 26% a 16%. O instituto ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios, entre terça-feira (7) e quinta-feira (9), com margem de erro de dois pontos e registro BR-03770/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

É por aí que a análise precisa começar.

Sem primeiro turno, não existe segundo turno.

A velha mídia preferiu vender o susto do eventual empate adiante, mas o dado bruto da largada eleitoral continua sendo outro: Lula ainda é o nome mais forte da disputa quando se olha a fotografia inicial da corrida.

No cenário estimulado, os 39% de Lula equivalem a algo perto de 45% dos votos válidos desse quadro, enquanto Flávio Bolsonaro fica na casa de 40%. Não dá vitória em primeiro turno, mas dá liderança real, material, verificável — e não um detalhe estatístico.

Esse é o ponto que a manchete apressada tenta empurrar para debaixo do tapete.

Quando o noticiário abre com “Lula perde vantagem no segundo turno”, ele desloca o centro da leitura. Em vez de discutir quem lidera a eleição de fato na largada, passa a vender a ideia de enfraquecimento inevitável. Isso ajuda a criar ambiente político, midiático e financeiro para pressionar o presidente a recuar da reeleição.

A operação é transparente.

A direita precisa de um adversário menos duro do que Lula em outubro. O bolsonarismo sabe que, goste-se ou não dele, o presidente ainda concentra voto popular, memória política e capilaridade social. Por isso, interessa espalhar a tese de que sua candidatura virou problema antes mesmo de a campanha começar para valer.

Os números do próprio Datafolha não autorizam esse enterro antecipado.

Lula aparece com 39%, Flávio com 35%, Ronaldo Caiado (Partido Social Democrático, PSD) com 5% e Romeu Zema (Novo) com 4%. A soma dos nomes da direita passa Lula, é verdade, mas essa conta só funciona no papel. No primeiro turno, esse bloco sai dividido, e divisão de candidatura não vira voto automaticamente para um só candidato.

Na espontânea, o retrato é ainda mais eloquente.

Lula marca 26%. Flávio Bolsonaro tem 16%. Jair Bolsonaro, mesmo inelegível, aparece com 2%, e Caiado também com 2%. Há 42% que ainda não sabem responder. Isso mostra duas coisas ao mesmo tempo: Lula ainda ocupa o centro da lembrança do eleitor, e a disputa está aberta para muita briga narrativa daqui até 4 de outubro de 2026.

O segundo turno, claro, merece atenção.

Flávio Bolsonaro aparece com 46% contra 45% de Lula. Caiado perde por 45% a 42%. Zema também, 45% a 42%. Todos os cenários estão dentro da margem de erro. Em português claro: não há virada consolidada; há empate técnico.

A diferença entre fato e torcida mora aí.

  • Fato: Lula segue líder no primeiro turno;
  • Fato: os cenários de segundo turno apertaram;
  • Torcida: transformar aperto em sentença de morte eleitoral.

Também pesa o dado da rejeição. Lula tem 48%, e Flávio Bolsonaro, 46%. Os dois concentram amor e ódio em um país ainda rachado. Isso explica por que a eleição continua polarizada e por que o “centro” segue patinando. Caiado e Zema têm rejeição menor, mas também têm muito menos densidade eleitoral até aqui.

No fundo, o que está em curso é uma guerra de clima.

Parte da imprensa corporativa, em sintonia com interesses do mercado, tenta vender a fadiga de Lula antes da hora. O objetivo político é claro: assustar o Planalto, aumentar o barulho sobre alternativa “menos conflitiva” e empurrar o presidente para a defensiva.

Só que pesquisa não substitui campanha.

Ainda faltam meses de exposição, palanque, alianças, televisão, rua, economia, crises e confronto direto. A eleição geral está marcada para 4 de outubro. Se ninguém passar de 50% dos votos válidos no primeiro turno, o segundo será em 25 de outubro.

Portanto, a dianteira de Lula continua de pé no terreno que realmente decide quem chega vivo à fase final: o primeiro turno. O resto, por enquanto, é disputa para fabricar medo, testar nervos e arrancar recuo. Resta saber se Lula vai afrouxar o sutiã ou se vai chamar a extrema direita para o corpo a corpo nas urnas.

**Jornalista e blogueiro paranaense, Esmael Morais é responsável pelo Blog do Esmael, um dos sites políticos mais acessados do seu estado. Fonte: https://www.brasil247.com/

10 abril 2026

Edegar Pretto desiste de candidatura a governador [RS] e anuncia ‘frente política’ em apoio a Juliana Brizola*

PT, PV, PCdoB, Rede e PSB participaram de anúncio oficial, com a expectativa de adesão do PSOL ao grupo

     Edegar Pretto, presidente da Conab (Foto: Luiza Castro/Sul21)


Por Lucas Azeredo*

Após uma semana de indefinição, Edegar Pretto, ao lado de lideranças políticas de outros quatro partidos da esquerda gaúcha, anunciou, nesta quinta-feira (9), que sua candidatura se transformará em uma “frente política” em torno de Juliana Brizola (PDT) na corrida pelo Piratini. Pretto, que ainda não oficializou o seu futuro nas eleições de 2026, reiterou o apoio à pré-candidata do PDT e destacou que o principal objetivo para outubro é a reeleição de Lula.

“O meu desejo, e que foi compartilhado aqui pelos demais, é que nós vamos nos apresentar, a partir de agora, como uma frente política, não individualmente cada partido”, declarou Edegar Pretto.

O anúncio veio na sequência de uma reunião do PT junto ao PV, Rede Sustentabilidade, PCdoB e o PSB, que recebeu os partidos em sua sede. De acordo com Pretto, a reunião ocorreu para “prestigiar” o novo momento do PSB com Beto Albuquerque no comando e negou qualquer rusga com a direção do PT-RS.

Segundo Pretto, a frente ampla da esquerda deve contar, além do PDT de Brizola, com o PSOL. Os socialistas, no entanto, sempre defenderam uma aliança com Pretto liderando a chapa.

Edegar disse que conversou com a pré-candidata ao Senado pelo PSOL, Manuela D’Ávila, e com o vereador e presidente do PSOL de Porto Alegre, Roberto Robaina, sobre a adesão do partido à coalizão. Segundo ele, o PSOL tem “muita disposição para a manutenção da unidade desta frente”.

O agora ex-candidato petista fez questão de destacar que não fará nenhuma mobilização de “enfrentamento” à decisão do PT nacional que orientou o fim da sua candidatura. Nesta terça-feira (7), o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT se reuniu e divulgou uma resolução definindo a necessidade de “uma tática eleitoral conjunta com o PDT, e demais partidos do campo democrático, sob a liderança da companheira Juliana Brizola, como expressão política dessa estratégia no Estado do Rio Grande do Sul”.

Porém, Pretto pediu paciência para realizar a transição de uma chapa do PT para essa nova frente dos partidos de esquerda, que foi oficializada na reunião desta quinta. “Obviamente que isso não se dá automaticamente, não se dá de uma hora para outra”, comentou.

“No meu partido, a avaliação necessária que nós faremos será na executiva de amanhã (10), no diretório. No início da semana, os demais partidos que aqui estavam também estão com as suas reuniões marcadas”, disse Edegar.

Sobre Juliana Brizola, Pretto destacou a “convivência muito fraterna” que tem com a candidata desde os tempos de Assembleia Legislativa e que tem, junto com ela, um “compromisso com o nosso Rio Grande do Sul”. “Nós aqui somos daqueles que acreditam que o nosso Estado pode muito mais”, manifestou.

“Temos diferença, obviamente, dos partidos, mas tem algo que é maior que nos une”, reforçou Pretto. “Acho que as diferenças que nós temos, e que continuam, são menores do que o grande desafio da eleição do presidente Lula e da gente ter um novo projeto de desenvolvimento para o Rio Grande do Sul”.

Edegar não confirmou o seu papel na sequência dessa corrida eleitoral com a desistência de liberar a chapa. Ele destaca que o partido tem tempo para tomar uma decisão, e que irá discutir junto ao diretório o melhor caminho para ele e para o partido. “Eu fui pré-candidato em uma decisão coletiva, unânime, democrática, tirada no PT. E é lá de novo que eu vou buscar a orientação [sobre] qual é o caminho que eu devo seguir”, ressaltou.

Mesmo com a indefinição e o período transitório para estabelecer a nova frente política, Pretto declarou sua confiança na vitória nas urnas em outubro. “Eu acredito firmemente que nós estaremos no segundo turno e nós venceremos essas eleições. ‘Nós’ esta frente política constituída que está mais fortalecida ainda”, garantiu.

*Fonte: Sul21

07 abril 2026

INTI ILLIMANI - EL PAÍS QUE SOÑAMOS





 *Via YouTube

Sul Global - Ao enviar mais de 100 mil toneladas de petróleo, Rússia desafia bloqueio dos EUA e reforça laços com Cuba

Em meio à crise energética global, Moscou prepara nova ajuda de petróleo a Cuba e obtém ganhos geopolíticos na região

Esta é a segunda viagem do navio Anatoly Kolodkin à ilha levando petróleo | Crédito: Presidência de Cuba/Reprodução


Por Serguei Monin*

A Rússia segue desafiando o bloqueio dos EUA a Cuba e planeja enviar uma segunda embarcação com petróleo à ilha caribenha como ajuda humanitária. Na segunda-feira (30), um petroleiro russo com mais de 100 mil toneladas de petróleo chegou à ilha em meio à crise energética causada pelas restrições de Washington.

O desembarque do petroleiro russo na ilha foi a primeira chegada de ajuda energética a Cuba em três meses, após os Estados Unidos pressionarem a Venezuela e o México a reduzirem ou interromperem o fornecimento de energia a Cuba. Como resultado, a ilha não recebe petróleo desde 9 de janeiro, uma interrupção que levou a uma deterioração contínua do sistema energético e a dificuldades para a população, que depende do combustível para serviços essenciais e para o funcionamento da economia.

Em entrevista ao Brasil de Fato, o analista geopolítico, Hugo Albuquerque, aponta que a movimentação da Rússia evidencia a importância estratégica de Cuba para Moscou, representando “uma plataforma central para a Rússia na América Latina e no continente americano”.

“Cuba ser asfixiada, eu entendo que não seja opção para Moscou, se Moscou tem alguma pretensão de ter uma relação com a América Latina e ter uma projeção para a América Latina. E Cuba, a mesma coisa. A quem Cuba pode apelar para contrabalançar o poder norte-americano é à Rússia, em certo sentido, no curto prazo, por duas questões: pela questão energética e pela questão militar”, argumenta.

O analista aponta que o rompimento do bloqueio dos EUA contra Cuba só seria possível por parte de uma ação com a presença da Rússia, por conta do poder militar e por conta do fato de que a Rússia é superavitária em petróleo. Ao mesmo tempo, Hugo Albuquerque observa que, neste contexto, a Rússia aproveitou o fato de que eventuais tensões no trânsito do petróleo a Cuba tenderia a pressionar os preços internacionais, o que, por sua vez, também criaria um cenário de ganhos estratégicos e econômicos para Moscou.

“Qual era o risco da Rússia perder o petroleiro? Perder o petroleiro era, na verdade, um ótimo jeito, um ótimo investimento para Moscou, porque no momento atual a Rússia está ganhando a guerra no Irã. Isso é um fato. Não participa diretamente no front, mas se favorece com o aumento do preço internacional do petróleo, com o isolamento da Ucrânia, com o enfraquecimento dos EUA [..] Então não custa nada para a Rússia, até com o dinheiro a mais que ela está ganhando com o petróleo, abastecer Cuba e manter a sua presença geopolítica ali, já que os americanos não se furtam de cercar o entorno russo”, argumenta.

Ao comentar a ajuda ao país caribenho, a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, reforçou a posição russa de defender a suspensão do bloqueio a Cuba. De acordo com ela, “Moscou sempre ajudou Cuba, enquanto os EUA sempre mantiveram o país sob um bloqueio”.

A diplomata também falou sobre a aliança histórica entre Moscou e Havana, aproveitando para criticar a contradição do discurso de países ocidentais em relação a questões humanitárias em outros Estados soberanos. Segundo ela, não se trata de um pedido ou exigência para suspender o bloqueio, mas de reconhecer a situação enfrentada por um país independente cuja população sofre com a escassez de bens essenciais, medicamentos, alimentos e combustível, sendo alvo direto dos EUA.

“Cuba é nosso amigo e parceiro mais próximo no Caribe. Posso reafirmar, mais uma vez, nossa inabalável solidariedade com o governo e o povo irmão de Cuba. Nossas relações com a Ilha da Liberdade têm uma longa tradição histórica. Desde os tempos soviéticos, temos fornecido aos nossos amigos cubanos toda a ajuda e assistência possíveis”

Nesse contexto, na última quinta-feira (2), a Rússia anunciou que pretende enviar um segundo navio petroleiro a Cuba. O anúncio foi feito pelo Ministro da Energia, Sergei Tsivilev, durante um fórum em São Petersburgo, que contou com a participação de representantes cubanos. O ministro destacou que Moscou não vai abandonar os cubanos em um momento de apuros.

A continuidade do apoio energético a Cuba e o enfrentamento russo aos bloqueios dos EUA colocaram em xeque a posição de Donald Trump, que se viu obrigado a recuar e flexionar a retórica em relação à entrada do petroleiro russo á ilha caribenha.

Depois de muita especulação, ao ser confirmada a chegada do petroleiro russo a Cuba, Donald Trump indicou uma mudança de posição e afirmou que não tinha “nenhum problema” com qualquer país enviando petróleo à ilha. No entanto, para o analista Hugo Albuquerque, os EUA só tinham a perder com a manutenção do bloqueio e a flexibilização na verdade teria representado uma vitória geopolítica russa.

“O Trump ele poderia fazer o que ele quisesse. Ele podia tentar sequestrar esse petroleiro, ele poderia tentar afundar ele. Mas o custo disso para os mercados de petróleo ia ser grande. E era uma situação onde, se uma vez que a Rússia mandou o petroleiro, se o petroleiro chegasse em Cuba, a Rússia venceria. Se o petroleiro não chegasse, a Rússia venceria também. Por essa razão, a Rússia devia ter mandado o petroleiro. O único jeito da Rússia não ganhar algo nessa questão era não mandar o petroleiro, não mandar petroleiros para cá, porque Cuba cairia e cairia na mão americana”, afirma.

Segundo o analista, o recuo de Trump se deve ao fato de que as consequências econômicas das suas ações têm se mostrado desfavoráveis. Este cenário teria aberto uma janela de oportunidade para Moscou reforçar a sua posição na América Latina através da ajuda humanitária a Cuba.

Neste contexto, a importância de Cuba para a Rússia, para Hugo Albuquerque, representa um “fortalecimento de setores na América Latina que estão alinhados pelo menos com essa luta anti-imperialista que a Rússia precisa ter hoje em dia”.

“Acho que assistir Cuba cair é fora de questão. Isso representaria uma derrota muito grande para o papel da Rússia aqui no hemisfério. Eu entendo que Cuba é uma pequena vitória e pode se tornar uma vitória ainda maior, porque se a Rússia consegue se afirmar e consegue garantir essa linha de suprimentos num momento em que há um racha entre europeus e americanos, num momento que há uma crise no mercado de petróleo que favorece a Rússia no curto e médio prazo, a Rússia se fortalece”, completa.

*Editado por: Luís Indriunas - Fonte: BdF

05 abril 2026

Com 66 bilhões de árvores plantadas, China lidera luta mundial contra desertificação*

Em abril, 2 mil pessoas plantaram áreas verdes no deserto de Tengger, em ação coordenada entre Estado e sociedade civil

‘Milagre verde’: Fazenda Florestal Mecânica de Saihanba, na China, cuja cobertura florestal aumentou de 11,4% para 82% | Crédito: CGTN

A China intensificou seus esforços para combater a desertificação, fenômeno que já afeta cerca de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, ou 27% do território nacional, impactando diretamente a vida de aproximadamente 400 milhões de pessoas. Nas últimas décadas, o país conseguiu reverter a expansão dessas áreas degradadas, transformando o controle da degradação do solo em uma política de Estado com resultados concretos.

No deserto de Tengger, o quarto maior da China, que cobre cerca de 44 mil quilômetros quadrados nas províncias de Ningxia, Gansu e Mongólia Interior, dunas móveis já ameaçaram cidades, estradas e áreas agrícolas. No início de abril, na cidade de Zhongwei, província autônoma Hui de Ningxia, cerca de 2 mil pessoas participaram da instalação de quadrículas de palha, técnica tradicional que fixa a areia e permite o crescimento de vegetação resistente. A ação contou com drones, sensores de solo e monitoramento por satélite, otimizando o planejamento e acompanhamento do terreno.

Ao longo dos anos, Zhongwei construiu um cinturão verde de 153 quilômetros na borda do deserto, recuperando cerca de 146 mil hectares de terras degradadas. Para 2026, a meta é expandir esse processo para mais 30 mil hectares, fortalecendo a proteção ambiental, reduzindo a erosão, preservando o Rio Amarelo, garantindo segurança hídrica e alimentar para milhões de pessoas e diminuindo o impacto de tempestades de areia.

Programa Três-Norte de Barreiras Verdes: estratégia nacional contra a desertificação

Essas ações integram políticas nacionais mais amplas, como o Programa Três-Norte de Barreiras Verdes, que foi iniciado em 1978 e é considerado o maior projeto de reflorestamento do mundo, com mais de 66 bilhões de árvores plantadas em 13 províncias do norte, nordeste e noroeste da China. Conhecida como a “Grande Muralha Verde” da China, é uma iniciativa colossal iniciada em 1978 para combater a desertificação no norte do país. Visando ser concluído até 2050, o projeto planta barreiras de árvores e vegetação para reter areia, reduzir tempestades e recuperar ecossistemas, aumentando a cobertura florestal de 12% para mais de 23%.

O programa utiliza espécies nativas resistentes à seca, como TamarixPopulus e Caragana korshinskii, além de arbustos e gramíneas adaptadas, gerando múltiplos benefícios: fixação da areia, aumento da retenção de água no solo, redução da sedimentação no Rio Amarelo, criação de corredores ecológicos contínuos, absorção de milhões de toneladas de CO₂ por ano, proteção de espécies nativas e redução das tempestades de areia que afetam o norte da China, incluindo Pequim. O projeto visa cobrir mais de 4,5 mil quilômetros, utilizando dados de satélite e novas estratégias de restauração de pastagens para aumentar a sustentabilidade, não apenas plantando árvores, mas recuperando ecossistemas.

O reflorestamento fortalece a biodiversidade, cria micro-habitats para fauna local, melhora a fertilidade do solo e protege áreas agrícolas e pastagens. Além disso, ajuda a reduzir ventos fortes, tempestades de areia e os efeitos de secas prolongadas, aumentando a resiliência climática da região.

O impacto social é igualmente relevante. O programa emprega e capacita milhares de pessoas, envolve escolas, universidades e ONGs em atividades de plantio, manutenção e monitoramento, promovendo educação ambiental, mobilização comunitária e consciência sobre sustentabilidade. Agricultores locais recebem treinamento em manejo sustentável do solo e reflorestamento, gerando emprego e renda adicional para as comunidades rurais.

A integração de tecnologias avançadas, como drones autônomos, sensores de umidade e modelos de inteligência artificial, permite monitoramento em tempo real, planejamento estratégico e previsão de áreas críticas, garantindo resultados sustentáveis e eficientes.

Liderança internacional e cooperação

Globalmente, a desertificação afeta cerca de 40% das terras do planeta, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Desde que aderiu à Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação em 1994, a China compartilha experiência, tecnologia e especialistas com países africanos e da Ásia Central, fortalecendo a cooperação Sul-Sul. Seus projetos são referência internacional em fóruns da ONU e da FAO, mostrando que é possível combinar mobilização social, conhecimento tradicional e tecnologia avançada para enfrentar um dos principais desafios ambientais do século 21.

Além disso, as ações chinesas contribuem para mitigar as mudanças climáticas, absorvendo CO₂ e reduzindo a intensidade de tempestades de areia. A combinação de tradição, inovação tecnológica, participação comunitária e políticas públicas colocou a China como líder mundial na luta contra a desertificação, promovendo desenvolvimento sustentável, segurança alimentar, adaptação climática e preservação da biodiversidade.

*Por Bruno Falci, Editado por: Rafaella Coury - via BdF

04 abril 2026

Entrevistas - "Lula venceu com Alckmin e vai vencer novamente", diz Gleisi Hoffmann

Gleisi Hoffmann defende a manutenção da chapa e destaca o papel político e administrativo do vice-presidente

Gleisi Hoffmann (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

247* - A confirmação de Geraldo Alckmin como vice na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa de 2026 foi tratada pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, como um movimento de consolidação política do governo e da estratégia eleitoral do campo governista. Ao comentar a decisão, ela afirmou que a permanência de Alckmin reforça uma composição que já demonstrou capacidade de vitória e que, na avaliação dela, reúne condições para repetir o resultado na próxima eleição.

Em entrevista ao programa Boa Noite 247, Gleisi disse que havia expectativa em torno do futuro político de Alckmin e afirmou que a decisão de Lula encerrou as especulações sobre a possibilidade de o vice disputar o governo de São Paulo. Segundo a ministra, a definição foi recebida de forma positiva dentro do governo. “Acho que foi muito importante. Já era algo que todo mundo estava ansioso para saber, como que seria o destino do Alckmin, se ele ficaria mesmo candidato a vice ou iria para São Paulo. E o presidente bateu o martelo que ele é o candidato a vice”, declarou.

Ao desenvolver o argumento, Gleisi associou a confirmação de Alckmin à estabilidade da aliança que sustenta o governo federal desde 2022. Na leitura dela, a composição preserva um arranjo que funcionou politicamente e que segue tendo utilidade no cenário atual. “Acho que isso consolida uma chapa que é vitoriosa, foi vitoriosa e será vitoriosa novamente”, afirmou. A ministra ainda observou que a decisão foi “bastante aplaudida” e atribuiu a recepção favorável ao espaço que o vice-presidente construiu tanto no Executivo quanto na base social de apoio ao governo.

Na entrevista, Gleisi procurou destacar não apenas o peso eleitoral de Alckmin, mas também sua atuação no exercício do cargo. Segundo ela, o vice-presidente acumulou credenciais políticas e administrativas ao longo do mandato, sobretudo à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. “O vice-presidente Geraldo Alckmin tem cumprido um papel importante como vice-presidente, mas também como ministro do Desenvolvimento, da Indústria e Comércio”, disse. Em seguida, acrescentou: “Tem sido sempre muito responsável, leal. Enfim, todo mundo gosta muito dele”.

A ministra enquadrou a escolha dentro de uma lógica de continuidade. Ao lembrar que Lula repetiu em 2006 uma fórmula política anterior, ela sugeriu que a manutenção de Alckmin segue o mesmo raciocínio de preservar uma composição considerada funcional. “A chapa que deu certo vai dar certo de novo. O presidente Lula repete a fórmula que fez na sua reeleição de 2006”, afirmou.

A defesa da permanência de Alckmin foi apresentada por Gleisi num contexto mais amplo de balanço do governo. Ao relatar a reunião ministerial realizada no último dia de sua passagem pela Secretaria de Relações Institucionais, ela disse que o encontro serviu para consolidar entre os integrantes do governo a narrativa sobre os resultados entregues pela administração Lula. Na avaliação da ministra, o peso político da chapa não pode ser dissociado do desempenho administrativo do governo ao longo do mandato.

Segundo Gleisi, a reunião teve o objetivo de alinhar ministros que deixam o governo para disputar as eleições e aqueles que permanecem na gestão, de modo que todos possam sustentar publicamente o legado acumulado até aqui. “Esse balanço do governo, ele queria que todos os ministros que estão saindo, que estão entrando, se apropriassem disso”, afirmou. Para ela, esse processo de apropriação política dos resultados é decisivo porque “as entregas que esse governo está fazendo” também funcionam como “instrumento de disputa política”.

A ministra sustentou que o atual mandato de Lula reúne um volume de realizações superior ao de administrações anteriores do próprio presidente e da ex-presidente Dilma Rousseff. “Esse é um governo que, do ponto de vista histórico, foi o que mais fez entregas”, declarou. De acordo com ela, os dados apresentados na reunião, especialmente pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, apontam resultados expressivos em áreas como políticas sociais, infraestrutura e desenvolvimento econômico.

Dentro dessa leitura, a presença de Alckmin na chapa aparece, no discurso de Gleisi, como um elemento que ajuda a dar coesão à mensagem de continuidade. Ao mencionar a atuação do vice também no campo econômico, ela vinculou sua permanência não só à composição política necessária para a eleição, mas à tentativa de associar a chapa a resultados concretos do governo. O argumento central da ministra é que a aliança Lula-Alckmin não se resume a uma conveniência eleitoral, mas expressa um arranjo que, sob sua ótica, se mostrou funcional na administração e tende a seguir desempenhando esse papel numa eventual recondução.

Ao final, a fala de Gleisi delineia uma estratégia clara: transformar a confirmação de Alckmin em sinal de previsibilidade política, de unidade governista e de continuidade de gestão. Nessa formulação, a repetição da chapa serve para reafirmar uma identidade eleitoral já testada, ao mesmo tempo em que busca apresentar o vice-presidente como parte integrante dos resultados que o governo pretende levar ao debate público em 2026.

*Fonte: https://www.brasil247.com/