29 maio 2026

“A soberania do Brasil é inegociável”, diz o governo Lula, em nota, após ação de Trump

Governo também deplorou a atuação da família Bolsonaro contra os interesses nacionais

Lula e Donald Trump - 23 de setembro de 2025 (Foto: Reuters)

Por Otávio Rosso*

O governo federal divulgou nesta quinta-feira (28) uma dura nota oficial em resposta às movimentações de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos. No documento, publicado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Palácio do Planalto acusa integrantes da família Bolsonaro de incentivarem interferência estrangeira em assuntos internos brasileiros e os classifica como “falsos patriotas”.

A manifestação ocorre após o governo dos Estados Unidos avançar na classificação de facções criminosas latino-americanas como organizações terroristas. Embora reafirme a disposição do Brasil para cooperar internacionalmente no combate ao crime organizado, o Planalto sustenta que a soberania nacional não está em discussão.

“O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias”, afirma a nota.

O governo destaca que o enfrentamento dessas organizações criminosas “é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro”. Segundo o texto, o terror imposto por facções em comunidades está ligado à busca de lucro por meio de atividades ilícitas, especialmente o tráfico de drogas e armas, e não deve ser confundido com o terrorismo internacional motivado por razões ideológicas, políticas ou religiosas.

Nesse contexto, o Planalto acusa adversários políticos de tentarem explorar o tema de forma oportunista. “A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos”, diz a nota.

Em um dos trechos mais contundentes do documento, o governo dirige críticas diretas à família Bolsonaro. “É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, afirma.

A nota também menciona “falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”. Embora não cite nomes, a referência ocorre em meio às articulações de aliados do ex-presidente junto a autoridades norte-americanas.

O governo aproveitou a manifestação para destacar medidas recentes de combate ao crime organizado. Entre elas, está a aprovação de uma nova legislação contra facções e milícias que prevê penas de até 80 anos de prisão. Segundo o texto, trata-se da maior punição prevista atualmente na legislação brasileira.

Além disso, o Planalto ressaltou o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que busca atingir tanto os operadores das facções quanto suas estruturas financeiras e de comando. “O Governo do Brasil conduz o programa ‘Brasil contra o Crime Organizado’, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima”, registra a nota.

Ao tratar da cooperação internacional, o governo afirma que o crime organizado transnacional exige esforços conjuntos entre países. Nesse sentido, informa ter apresentado em 16 de abril ao Departamento de Estado dos Estados Unidos uma proposta baseada em inteligência e cooperação internacional.

“O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil”, destaca o documento.

O Planalto afirma que continuará aberto a iniciativas de cooperação. “Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos”, diz a nota.

Ao mesmo tempo, o governo faz um alerta contra possíveis medidas unilaterais adotadas por países estrangeiros. Segundo o texto, ações desse tipo “podem enfraquecer o combate aos criminosos”, prejudicar o compartilhamento de informações entre forças policiais e provocar impactos econômicos relevantes.

A nota menciona inclusive riscos ao sistema financeiro nacional e ao Pix. “Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros”, afirma.

Na conclusão, o governo reforça que não aceitará ingerências externas e reafirma o princípio da soberania nacional. “A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.”

Leia a nota na íntegra:

Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro.

O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional.

A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.

É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.

Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima.

O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos. O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.

Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.

Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.

Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país.

A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.

*Fonte: Brasil247

28 maio 2026

“É um dia histórico para a classe trabalhadora”, diz líder do PT após aprovação do fim da escala 6x1

Pedro Uczai celebra PEC da jornada de 40 horas, destaca articulação de Lula e afirma que medida garante mais tempo para família e qualidade de vida*

Pedro Uczai, uma espécie de cartaz postado pelo deputado nas redes sociais e um protesto pelo fim da escala 6x1 no Brasil (Foto: Thiago Cristino/Câmara dos Deputados I Letycia Bond/Agência Brasil I Reprodução (X/PedroUczai))

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), comemorou nesta quarta-feira (27) a aprovação da PEC 221/19, que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e extingue a escala 6x1, instituindo o modelo 5x2 sem redução salarial. Em discurso no plenário, o parlamentar classificou a votação como uma vitória histórica da classe trabalhadora brasileira.

“É um dia histórico para a classe trabalhadora do nosso país”, afirmou Uczai, ao celebrar a aprovação da proposta, que agora seguirá para análise do Senado Federal.

A PEC aprovada pela Câmara estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e prevê uma transição gradual até a implementação definitiva da jornada de 40 horas semanais. O texto aprovado é resultado de negociações conduzidas entre parlamentares da base governista, partidos do Centrão e lideranças sindicais.

Uczai destaca articulação política de Lula

Durante o pronunciamento, Pedro Uczai atribuiu a aprovação da PEC à articulação política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao diálogo construído entre diferentes forças do Congresso Nacional.

“Foi uma construção política do Presidente Lula, esse grande sindicalista e estadista, junto com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com Alencar Santana (PT-SP) e Léo Prates (Republicanos-BA), nosso relator, junto com este Parlamento. É um grande acordo da democracia para favorecer trabalhadores e trabalhadoras deste país”, declarou.

Segundo o líder petista, a proposta representa um avanço civilizatório nas relações de trabalho e responde a uma demanda crescente da sociedade brasileira por mais equilíbrio entre vida profissional e qualidade de vida.

“Dois dias para viver”, afirma deputado

Em um dos trechos mais enfáticos do discurso, Uczai ressaltou os impactos sociais da mudança constitucional e afirmou que a aprovação da PEC permitirá aos trabalhadores recuperar tempo para a vida pessoal, familiar e educacional.

O parlamentar afirmou que a nova regra garantirá “dois dias para a família, dois dias para a juventude trabalhar e estudar, dois dias para as mulheres descansarem, ficarem com os filhos, dois dias para viver”.

A proposta aprovada estabelece que, dois meses após a promulgação da futura emenda constitucional, os trabalhadores passarão automaticamente a ter direito a dois dias de descanso semanal remunerado. Nesse mesmo prazo, a jornada semanal será reduzida de 44 para 42 horas. A implementação das 40 horas ocorrerá 14 meses após a promulgação da PEC.

Mobilização popular foi decisiva, diz Uczai

Pedro Uczai também atribuiu a vitória à pressão popular nas ruas e nas redes sociais. Segundo ele, a mobilização social foi determinante para consolidar maioria em torno da proposta.

“Graças à mobilização social, graças à mobilização das ruas, graças à mobilização nas redes sociais, alcançamos esta conquista histórica. A luta faz a lei, a mobilização faz a lei mudar”, afirmou.

Nos últimos anos, o debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou força em sindicatos, movimentos sociais e entre especialistas em saúde do trabalho, que apontam impactos negativos das jornadas extensas sobre saúde mental, produtividade e convivência familiar.

Líder do PT critica oposição bolsonarista

Durante o discurso, o líder do PT fez duras críticas à extrema-direita e acusou parlamentares da oposição de tentarem obstruir a votação da PEC.

Segundo Uczai, deputados ligados ao bolsonarismo apresentaram propostas que ampliavam o prazo de transição para até dez anos e chegaram a defender jornadas semanais de até 52 horas.

“Perdeu as condições morais para apresentar destaques”, disse o deputado, ao mencionar a posição da bancada do PL, que, segundo ele, reuniu 62 parlamentares contrários ao texto principal na semana anterior à votação.

O petista também criticou propostas defendidas pela oposição, como a implementação imediata da escala 4x3, classificando a iniciativa como “demagogia”.

“Muita mentira, muito proselitismo político”, declarou.

Em outro momento do discurso, Uczai citou divisões internas da extrema-direita e mencionou nominalmente o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“A produtividade aumenta com trabalhadores satisfeitos”

O líder do PT defendeu o equilíbrio do acordo aprovado pela Câmara e afirmou que a transição gradual preserva tanto os interesses dos trabalhadores quanto do setor produtivo.

“Nós vamos cumprir o acordo, porque temos responsabilidade com o setor empresarial e com o setor produtivo, junto com os trabalhadores. O setor produtivo ganha em produtividade, ganha com trabalhadores mais satisfeitos, e ganham as famílias brasileiras”, afirmou.

A PEC também prevê regras específicas para setores essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, além de mecanismos de adaptação para microempreendedores individuais (MEIs), pequenas empresas e contratos terceirizados da administração pública.

Referência bíblica marca encerramento do discurso

Ao final da fala no plenário, Pedro Uczai utilizou uma metáfora religiosa para dimensionar o significado histórico da aprovação da proposta.

“Eu, que fiz quatro anos de teologia, lembro que Deus criou o mundo em seis dias — esse é o primeiro texto da Bíblia — e, no sétimo, descansou, porque o povo escravizado não descansava nem um dia e lutou para conquistar um dia de libertação. Milhares de anos depois, hoje nós conquistamos o 5x2”, declarou.

A proposta agora seguirá para o Senado Federal, onde precisará ser aprovada em dois turnos por três quintos dos senadores para ser promulgada.

*Fonte: Brasil247

27 maio 2026

No domingo, Colômbia decide entre avanço ou retrocesso

Eleição na Colômbia opõe continuidade do projeto de Gustavo Petro ao avanço da direita, em meio a violência, fake news e disputa sobre segurança pública

No domingo, Colômbia decide entre avanço ou retrocesso (Foto: Reuters)


Por Tereza Cruvinel*

Bogotá - No próximo domingo (31), os colombianos vão às urnas escolher entre a continuidade do primeiro governo de esquerda do país, elegendo o candidato apoiado pelo presidente Gustavo Petro, Iván Cepeda [foto acima], ou o retrocesso, com a volta da direita ao poder.

O resultado terá forte influência sobre o quadro político da América Latina, pois representará também a derrota ou a vitória de um governo progressista do continente que Donald Trump gostaria de ver interrompido. Desnecessário recordar aqui as escaramuças que ele já teve com o presidente Petro.

Por seus múltiplos aspectos, o pleito e o resultado importam muito ao Brasil. A violência e as fake news, com uso da inteligência artificial, vêm dominando a campanha, algo que tende a se repetir no Brasil. O tema dominante é o da segurança pública, que opõe à política de “paz total” de Petro a defesa do endurecimento pela oposição. O governo Lula acompanha com atenção este aspecto, que pode ter reflexos aqui.

As pesquisas desta última semana de campanha dizem que Cepeda, que concorre pelo partido governista Pacto Histórico, mantém o favoritismo, oscilando entre 44% e 45% de preferência, mas, segundo analistas locais, ele ainda precisa crescer alguns pontos para ganhar no primeiro turno de domingo.

Diferentemente de Lula, Petro não é candidato, pois não há reeleição na Colômbia, mas o pleito é tido como um plebiscito sobre seu governo. Suas políticas públicas de inclusão social têm garantido alta aprovação a seu governo, o que não tem acontecido com Lula, apesar de os resultados serem tão positivos quanto os conseguidos pelo colombiano.

O tema candente da segurança será importante na campanha brasileira, embora nossos problemas nesta área não sejam tão graves como os da Colômbia, que enfrenta a violência do narcotráfico, de paramilitares e de grupos guerrilheiros dissidentes das Farcs.

Cepeda enfrentará dois candidatos de direita. Um é Abelardo de la Espriella, um advogado rico e exótico, admirador de Milei, Trump e Bukele. Ele está em segundo lugar. Outra é Paloma Valencia, do partido Centro Democrático, embora seja mesmo de extrema direita e herdeira de uma oligarquia escravista. É apoiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, que vem tendo forte protagonismo na campanha, enquanto Petro faz o que pode por Cepeda. No ano passado, o senador Miguel Uribe, que pretendia ser candidato, foi morto a tiros em Bogotá. Os três candidatos têm registrado ameaças.

Em toda a sua história, a Colômbia foi governada por partidos conservadores, mais ou menos direitistas. Petro atuou como guerrilheiro no grupo M-19, foi preso político e torturado e, em 1990, assinou o acordo de paz com o governo colombiano, que propiciou a conversão de sua organização em partido político legal. Sua chegada à presidência, em 2022, foi uma ruptura com a hegemonia conservadora e uma aposta dos colombianos em seu programa de governo, que propunha políticas de inclusão social, desenvolvimento econômico e combate às drogas e aos cartéis, mas buscando a segurança e a pacificação internas. O programa “Paz total”.

E de fato ele produziu, em quatro anos, aumentos expressivos do salário-mínimo e da renda e queda do desemprego. No combate às drogas, ele trocou a ênfase na repressão pelo maior uso da inteligência e pela asfixia de figuras da elite envolvidas com o tráfico.

O tema da segurança, emblema da polarização, é objeto das mais fortes ações de desinformação. A escolha dos colombianos será entre persistir nas negociações de paz conduzidas por Petro ou adotar a linha dura bukelista contra o narcotráfico e os guerrilheiros, defendida pelo segundo colocado.

Assim, nesta reta final da disputa, fake news circulam intensamente associando candidatos aos narcotraficantes e às guerrilhas. Cepeda naturalmente é a principal vítima. Em um vídeo que viralizou estes dias, por exemplo, ele aparece dizendo que vai incorporar guerrilheiros às Forças Armadas.

A violência, porém, atinge também a oposição. Dois assessores da campanha de Abelardo de la Espriella foram assassinados no início deste mês.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, na semana passada, o senador republicano Bernie Moreno afirmava que Trump pode não reconhecer o resultado da eleição colombiana.

Lula também está de olho na Colômbia. A vitória de Petro é fundamental para conter o avanço da direita e do trumpismo no continente.

*Fonte: https://www.brasil247.com/

25 maio 2026

VÍDEO: A revelação-bomba de Costa Neto sobre Flávio Bolsonaro visitar Vorcaro após prisão

Presidente do PL deu versão à GloboNews que desmente categoricamente a versão do senador pré-candidato à Presidência de que teria ido ver o banqueiro “para pôr fim à relação”

- O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em entrevista à GloboNews - Imagem: Frame de vídeo da GloboNews

Por Henrique Rodrigues*

O cenário político e a corrida sucessória presidencial foram severamente impactos nesta segunda-feira (25) após uma entrevista de forte repercussão concedida à GloboNews pelo presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto. Ele apresentou elementos inéditos que alteram substantivamente a linha de defesa do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) quanto às motivações reais de sua visita ao banqueiro Daniel Vorcaro após a prisão deste, em novembro do ano passado. A manifestação do dirigente partidário desconstituiu de forma categórica a versão oficial até então sustentada pelo parlamentar.

A revelação invalida a narrativa de contenção de danos e de distanciamento que o clã Bolsonaro vinha estruturando junto à opinião públicaem relação ao caso. Até este momento, a justificativa formal protocolada por Flávio Bolsonaro para explicar seu deslocamento a São Paulo baseava-se na premissa de que a reunião na residência do ex-dono do Banco Master ocorrera exclusivamente para “pôr um fim na relação” entre as partes, motivada pela gravidade da persecução penal que aponta fraudes financeiras e desvios estimados em R$ 12 bilhões.

Entretanto, as palavras de Costa Neto estabeleceram que o comparecimento do senador teve caráter de cobrança, visando receber o restante dos valores previamente exigidos para o financiamento da cinebiografia Dark Horse, obra audiovisual sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Do aporte total, originalmente de R$ 134 milhões, o fraudador havia transferido “apenas” R$ 61 milhões antes de sua prisão pela Polícia Federal. Segundo o presidente do PL, o propósito da visita de Flávio Bolsonaro receber os R$ 73 milhões restantes. Ou seja, o senador queria mais dinheiro do criminoso.

A naturalização do absurdo choca jornalistas

O momento mais estarrecedor da entrevista ocorreu quando Valdemar da Costa Neto tentou justificar a conduta do pré-candidato do PL, gerando imediata reação de perplexidade e consternação entre os jornalistas da GloboNews. Sem demonstrar constrangimento, o dirigente tentou normalizar o fato de um senador da República ir à casa de um criminoso recém-preso para exigir dezenas de milhões de reais de origem ilícita.

“Nós não temos dúvidas do que ele [Vorcaro] fez e que foi uma barbaridade para o país, mas isso é normal… O que o Flávio fez é natural, é a coisa mais normal do mundo”, disparou o presidente do PL.

Imediatamente interpelado pelos entrevistadores sobre qual parte específica da história seria considerada “normal”, Costa Neto subiu o tom do absurdo e completou, escancarando a cobrança financeira:

“Visitar o Vorcaro, porque o Vorcaro tinha ajudado ele… E ele queria terminar a relação com o Vorcaro com ‘olha, vai me pagar, vai me pagar o restante, dá pra me pagar o restante?’…”

Impacto político e o peso das mentiras

A declaração de Valdemar complica de forma severa a situação jurídica e política de Flávio Bolsonaro. O episódio comprova que o senador não apenas faltou com a verdade perante a opinião pública, mas que, mesmo tendo plena ciência dos graves crimes financeiros imputados a Daniel Vorcaro, manteve o interesse em extrair recursos do esquema criminoso sob o pretexto de financiar a peça de propaganda familiar.

A revelação joga por terra o discurso de ética e combate à corrupção da pré-campanha do PL e fornece munição pesada para adversários políticos. Aliados de Flávio nos bastidores do Congresso já avaliam que o estrago provocado pelo “sincericídio” do próprio presidente da legenda terá reflexos profundos e imediatos no isolamento de sua candidatura ao Palácio do Planalto.  *Fonte: Revista Fórum

Veja o vídeo com a confissão:

24 maio 2026

REDUÇÃO DA JORNADA - Atos pelo fim da escala 6×1 ocorrem neste domingo (24) em diversas capitais*

Mobilizações pressionam Congresso pela votação da pauta, prevista para esta semana

Trabalhadores e trabalhadoras protestam contra a escala 6×1 | Crédito: Elineudo Meira/@fotografia.75

O domingo (24) será de mobilizações em diversas capitais brasileiras pelo fim da escala 6×1 (confira abaixo os locais). Os atos são convocados pelo conjunto de movimentos aglutinados nas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, junto do movimento Vida Além do Trabalho (VAT).  As mobilizações têm o objetivo de pressionar o Congresso pela aprovação da redução do limite de jornada de trabalho semanal para 40 horas e redução da escala de 6 para 5 dias de trabalho, com dois dias de descanso remunerado. 

Nesta segunda-feira (25) está prevista a leitura do parecer do deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), relator da proposta na Comissão Especial sobre o Fim da Escala 6×1 Vida Digna ao Trabalhador, e a expectativa é que o relatório da comissão seja votado até a próxima quinta-feira (28) no plenário da Casa. 

A proposta do governo é de aprovação do projeto com implementação imediata. Já os parlamentares do Centrão e da direita chegaram a apresentar, no último dia 14, uma emenda à PEC 221/2019 que prevê uma transição de até dez anos para a redução da jornada de trabalho. O texto permitia o aumento das jornadas semanais para até 52 horas, mas após uma ampla repercussão negativa, líderes dos partidos retiraram as assinaturas para a emenda. Para avançar, a proposta de redução da jornada de trabalho precisa de ao menos 308 votos favoráveis em dois turnos de votação na Câmara dos Deputados. 

*Fonte: BdF


23 maio 2026

Lula avança, Flávio derrete e arrasta a direita para o escândalo

Depois dos áudios com Daniel Vorcaro, Datafolha confirma o estrago: o filho de Jair deixa de ser solução eleitoral e vira problema até para o campo conservador

A candidatura de Flávio Bolsonaro começou a derreter antes mesmo de existir oficialmente. 

Bastou a revelação dos áudios e mensagens entre o senador e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para que a direita brasileira entrasse em modo de emergência. O que até poucos dias atrás era vendido como plano de sucessão do bolsonarismo — o zero um de Jair Bolsonaro como candidato natural contra Lula — passou a ser tratado como risco político, problema eleitoral e ameaça de contaminação para candidaturas conservadoras em todo o país. 

A crise já não é apenas jurídica, nem apenas moral. É eleitoral. É estratégica. É de sobrevivência política. 

A Reuters registrou que Flávio busca uma reunião com Donald Trump em Washington justamente em meio à crise provocada por seus vínculos com Vorcaro. A agência destacou que a pré-campanha do senador perdeu força após a revelação de que ele obteve recursos do banqueiro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, embora antes tivesse negado contato com Vorcaro. 

Nesta sexta-feira, 22, o Datafolha confirmou o estrago. (...)

*CLIQUE AQUI para continuar lendo (na íntegra) a postagem de Gustavo Tapioca na Revista Fórum.

20 maio 2026

Cuba condena acusação “desprezível” dos EUA contra Raúl Castro

Governo cubano diz que medida do Departamento de Justiça dos EUA é “infame provocação política” contra o líder da Revolução

  Raúl Castro (Foto: REUTERS/Adalberto Roque)

Por José Reinaldo*

O Governo Revolucionário de Cuba condenou a acusação feita pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra o General do Exército Raúl Castro Ruz, líder da Revolução Cubana, e afirmou que a medida representa uma provocação política contra o país. As informações são do Granma.

Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira (20), em Havana, o governo cubano afirma que “condena veementemente a desprezível acusação” apresentada por Washington neste mesmo dia e sustenta que “o governo dos Estados Unidos não possui legitimidade nem jurisdição para realizar essa ação”. Segundo o comunicado, trata-se de “um ato desprezível e infame de provocação política”.

Manipulação desonesta

A nota do governo cubano afirma que a acusação se baseia na manipulação desonesta do incidente que levou à queda, em fevereiro de 1996, de duas aeronaves operadas pela organização Brothers to the Rescue, sediada em Miami, sobre o espaço aéreo cubano.

As aeronaves da organização realizavam “repetidas violações do espaço aéreo cubano para fins hostis”, algo que “era de conhecimento público”. O governo cubano também acusa os Estados Unidos de distorcerem “outras verdades históricas sobre o evento que usa como pretexto”.

O comunicado afirma que Washington omite “as inúmeras queixas formais apresentadas por Cuba” ao Departamento de Estado, à Administração Federal de Aviação dos EUA e à Organização da Aviação Civil Internacional. De acordo com a nota, essas queixas tratavam de “mais de 25 violações graves e deliberadas do espaço aéreo cubano” entre 1994 e 1996.

Cuba diz que fez alertas formais aos EUA

O governo cubano afirma ainda que os Estados Unidos ignoraram “os avisos públicos e oficiais emitidos pelas autoridades cubanas” sobre a inadmissibilidade das violações de seu espaço aéreo. A nota também menciona “as mensagens de alerta transmitidas diretamente ao Presidente dos Estados Unidos” sobre a gravidade e as possíveis consequências das transgressões.

A nota assinala que a resposta cubana ao episódio foi “um ato de legítima defesa”, protegido pela Carta das Nações Unidas, pela Convenção de Chicago de 1944 sobre Aviação Civil Internacional e pelos princípios da soberania aérea e da proporcionalidade.

O comunicado sustenta que os Estados Unidos, “que já foram vítimas do uso da aviação civil para fins terroristas”, não permitiriam “a violação hostil e provocativa do espaço aéreo estrangeiro sobre seu território” e agiriam “com o uso da força”.

A cumplicidade dos EUA

A nota do Governo Revolucionário afirma que a “inação do governo dos EUA” diante dos alertas enviados por Cuba revelou “sua cumplicidade no planejamento e execução, a partir de seu território, de ações violentas, ilegais e terroristas contra o governo e o povo cubano”.

Destaca-se ainda que essa prática foi “recorrente e sistemática desde o triunfo da Revolução até os dias atuais”. O governo cubano também classifica como “extremamente cínico” que a acusação seja feita pelos Estados Unidos.

O comunicado afirma que Washington “assassinou quase 200 pessoas e destruiu 57 embarcações em águas internacionais do Caribe e do Pacífico”, longe do território norte-americano, com “uso desproporcional da força militar”. Segundo a nota, as ações foram justificadas por “supostos vínculos com operações de tráfico de drogas que nunca foram comprovadas”.

Para o governo cubano, tais atos se qualificam como “crimes de execuções extrajudiciais, de acordo com o Direito Internacional”, e como “assassinatos, segundo as próprias leis dos EUA”.

Cuba vê tentativa de justificar punições contra o povo cubano

O texto afirma que a acusação contra Raúl Castro se soma a “tentativas desesperadas de elementos anticubanos de construir uma narrativa fraudulenta”. Segundo Havana, o objetivo é “justificar a punição coletiva e implacável contra o nobre povo cubano”.

O comunicado também relaciona a acusação ao “fortalecimento de medidas coercitivas unilaterais”, incluindo o que classifica como “injusto e genocida bloqueio energético” e “ameaças de agressão armada”.

Apoio a Raúl Castro e defesa da Revolução

Ao final da nota, Cuba reafirma “seu compromisso com a paz” e “sua firme determinação em exercer o direito inalienável à autodefesa”, reconhecido pela Carta das Nações Unidas.

O comunicado também afirma que o povo cubano reafirma sua “decisão inabalável de defender a Pátria e sua Revolução Socialista” e expressa, “com a maior força e firmeza”, seu “apoio irrestrito e inabalável” ao General do Exército Raúl Castro Ruz, “Líder da Revolução Cubana”.

A nota termina com a palavra de ordem: “Pátria ou morte, nós venceremos.”

*Via Brasil247