15 março 2026

Entrevista - Pedro Serrano: Lula é o alvo final do ataque ao STF

Jurista afirma que ataques contra Alexandre de Moraes e outros ministros alimentam uma estratégia da direita para enfraquecer a democracia

Pedro Serrano: Lula é o alvo final do ataque ao STF (Foto: Antonio Augusto/STF | Divulgação)


247* – O jurista Pedro Serrano afirmou, em entrevista à TV 247, que a escalada de ataques contra o Supremo Tribunal Federal e, em especial, contra o ministro Alexandre de Moraes, não pode ser analisada de forma isolada nem simplificada. Para ele, a ofensiva política, midiática e parlamentar em curso ultrapassa a figura de um magistrado e integra um movimento mais amplo, cujo objetivo é enfraquecer as instituições democráticas e atingir o presidente Lula.

Ao participar de debate no canal, Serrano sustentou que o caso vem sendo explorado de maneira perigosa pela direita e pela extrema direita, que tentam transformar suspeitas, vazamentos e notícias ainda sem comprovação material em instrumento de desestabilização institucional. Em uma das falas centrais da entrevista, ele foi direto: “É óbvio que o alvo é Lula, mas não é que é Lula o alvo final. O alvo final é a democracia, são os direitos”.

Ataques ao Supremo e o alvo político da ofensiva

Ao longo da entrevista, Serrano reagiu à intensificação de pressões por CPI, impeachment de ministros do STF e até falas públicas defendendo o fechamento da Corte. Para ele, esse ambiente não corresponde a uma crítica republicana ao Judiciário, mas a uma investida destrutiva contra a própria democracia brasileira.

Segundo o jurista, “defender a Constituição é defender o Supremo Tribunal Federal” e, no atual cenário político, não há separação entre a preservação da ordem democrática e a defesa do campo que derrotou o bolsonarismo em 2022. Em sua avaliação, o sentido político do ataque é evidente: “Defender a Constituição Democrática é defender a candidatura Lula. Eu não tenho a menor dúvida nisso”.

Serrano argumentou que o Supremo teve papel decisivo na contenção de investidas autoritárias recentes e, por isso, tornou-se alvo prioritário dos setores que pretendem reabrir um ciclo de ruptura institucional no País. Para ele, o discurso que mistura denúncias ainda inconclusas com pedidos de afastamento de ministros e campanhas de destruição da Corte representa um “imenso tiro no pé” para os democratas.

Complexidade do caso exige cautela, diz Serrano

O conselheiro editorial do Brasil 247 afirmou que o tema é complexo e que justamente por isso deve ser tratado com responsabilidade. Em sua análise, uma das formas de evitar o autoritarismo é não simplificar questões que exigem distinções institucionais delicadas.

Ele defendeu a preservação da autonomia entre os sistemas democrático, midiático e judicial, sem que um pretenda substituir o outro. Nesse ponto, criticou tanto eventuais abusos judiciais contra a imprensa quanto a tentativa de setores da mídia de assumir o papel de julgadores.

Para Serrano, o jornalismo tem legitimidade para divulgar informações de interesse público, inclusive sobre contratos, suspeitas e conflitos potenciais envolvendo pessoas próximas a autoridades. Mas traçou uma linha clara entre noticiar e sentenciar: “A imprensa não faz juízos de justiça, ela divulga informações e tem proteção para isso”.

Na mesma linha, ele condenou a passagem imediata da notícia para a condenação política sumária. Ao comentar manifestações públicas que defenderam impeachment de ministros e até o fechamento do STF com base em apurações ainda preliminares, afirmou: “Falar em fechar o Supremo, falar em impeachment de ministro com base em notícia que acabou de sair, isso é óbvio que não é uma crítica republicana, é uma crítica que quer destruir a democracia”.

Relação entre imprensa, Justiça e democracia

Um dos eixos mais fortes da entrevista foi a defesa da necessidade de equilíbrio institucional. Serrano afirmou que tanto o jornalismo quanto a advocacia são essenciais à democracia e não podem ser tratados de maneira seletiva. Ao mesmo tempo em que condenou qualquer medida de censura contra jornalistas ou de quebra arbitrária de sigilo de fonte, também rejeitou o que classificou como devassa indevida sobre a relação entre advogado e cliente.

Em seu entendimento, contratos elevados de escritórios de advocacia só podem se converter em objeto legítimo de investigação criminal quando houver indícios concretos de comportamento ilícito do agente público eventualmente relacionado ao caso. Até aqui, segundo ele, esse patamar não foi atingido. “Até agora eu não vi nada concreto”, afirmou.

Ao comentar a controvérsia envolvendo a advogada Viviane Barci, Serrano insistiu que a advocacia empresarial de alto nível opera com formatos contratuais complexos, inclusive com parcerias entre escritórios. Ele observou que avaliações apressadas sobre honorários, pareceres e tempo de produção de trabalhos jurídicos tendem a distorcer a realidade da atividade profissional.

Vazamentos seletivos e pré-julgamento

Serrano foi enfático ao condenar vazamentos seletivos de investigações em andamento. Segundo ele, esse tipo de prática atinge dois pilares centrais: o direito das pessoas envolvidas e a própria eficácia das apurações. Em sua formulação, “a investigação que não é sigilosa não funciona”.

O jurista afirmou que a divulgação criminosa de trechos pinçados de inquéritos favorece tanto a destruição de reputações quanto a obstrução das investigações, já que permite que suspeitos organizem defesas, escondam provas e reajam antes da conclusão dos procedimentos legais. Para ele, transformar uma investigação ampla em espetáculo focado apenas no STF serve para desviar a atenção de outros interesses poderosos eventualmente implicados.

Serrano disse ainda que jornalistas podem receber e publicar informações vazadas, mas advertiu que esse material deve ser tratado com extremo rigor ético e técnico, justamente porque provém de uma origem ilícita. Em uma das falas mais incisivas da entrevista, declarou: “O jornalista pode receber uma informação criminosamente vazada de um agente policial e divulgar. Juridicamente ele não responde por nada, nem deve responder, mas ele tá recebendo informação que é um crime”.

A partir daí, fez uma advertência ao campo jornalístico: “Ele tem que tomar cuidado com essa informação, porque se o sujeito comete um crime para vazar informação para ele, que tem algum interesse”. Em sua avaliação, o risco de manipulação política ou econômica é evidente quando o profissional não investiga a rede de interesses por trás do vazamento.

Exposição da intimidade e misoginia

Outro ponto contundente da entrevista foi a crítica à divulgação de conversas de natureza íntima, inclusive envolvendo a ex-namorada do banqueiro Daniel Vorcaro. Serrano classificou esse tipo de exposição como perverso, desprovido de interesse público e revelador de um componente misógino.

Segundo ele, a circulação desse material representa grave violação de direitos fundamentais. “Essa moça, ex-namorada do Vorcaro, vê a intimidade dela revelada dessa forma pública”, disse. Em seguida, endureceu o tom: “Isso é perverso e mais do que isso, é uma extrema vulneração ao direito de intimidade dela e uma forte manifestação misógena”.

Na avaliação do jurista, a utilização de elementos privados e sexuais sem relação objetiva com o objeto da investigação não apenas degrada o debate público, como corrói parâmetros mínimos de civilidade jurídica e ética jornalística.

O papel da Polícia Federal e os limites da autonomia

Questionado sobre a atuação da Polícia Federal e sobre a possibilidade de vazamentos internos usados para atingir politicamente o governo, Serrano defendeu uma distinção entre autonomia funcional e impunidade administrativa. Ele reconheceu que a PF, como polícia judiciária, tem autonomia na condução de investigações, mas ressaltou que não possui liberdade para cometer crimes funcionais.

Nesse ponto, sustentou que o governo e a direção da PF têm o dever de agir quando houver indícios de vazamento ilícito. “Eles não têm autonomia para cometer crime”, afirmou. Em seguida, reforçou: “Vazar informação sigilosa é crime e crime grave quando é um policial que faz, porque prejudica a própria investigação”.

Sobre a hipótese citada no debate de que integrantes da PF estariam cogitando a prisão do filho do presidente Lula, Serrano classificou o simples vazamento dessa possibilidade como um fato gravíssimo. “Se existe a pretensão de algum delegado ou agente prender o filho do presidente Lula, ele cometeu crime de vazamento de informação por ter divulgado isso”, declarou.

Mais adiante, defendeu providências duras caso a autoria seja confirmada: “Ao detectar qual foi o agente da Polícia Federal que fez isso, tem que ser afastado das suas funções, aberto o processo para ser demitido”.

CPI, sigilo e responsabilização

Serrano também abordou a atuação das CPIs e disse que o acesso a material sigiloso não autoriza sua divulgação pública. Para ele, parlamentares, assessores ou quaisquer agentes que revelem ilegalmente conteúdo protegido também cometem crime e devem ser investigados.

Em sua avaliação, o compartilhamento de dados íntimos ou irrelevantes para o objeto da investigação deveria ter sido submetido a filtros rigorosos, com supressão de trechos sem interesse público. A divulgação indiscriminada, disse, afronta direitos e pode contaminar todo o ambiente institucional em torno do caso.

Embora tenha reconhecido que a responsabilização por vazamentos oriundos de CPIs historicamente enfrenta dificuldades, Serrano afirmou esperar que a apuração alcance todos os envolvidos, inclusive fora da PF, se houver provas.

Sem “passar pano”, mas com responsabilidade institucional

Ao longo do debate, Serrano insistiu que defender cautela, devido processo legal e contenção institucional não significa blindar ministros ou impedir investigações. Ao contrário, ele afirmou explicitamente que ministros do Supremo devem ser investigados se houver base fática e autorização formal para isso.

Sua divergência está na tentativa de substituir o rito legal por campanhas de demolição política. “Não tô contra investigar ministro, não”, afirmou. Mas emendou que não se pode propor cassação, impeachment ou fechamento da Corte “por causa de uma notícia de jornal”.

Essa é, talvez, a síntese central de sua intervenção: a democracia exige controle, investigação e liberdade de imprensa, mas também exige limites, provas e responsabilidade. Quando esses freios são abandonados, o que entra em cena não é justiça, mas uma engrenagem de exceção já conhecida da história recente do Brasil.

Ao fim, Serrano reiterou que o momento pede serenidade e firmeza institucional. Em sua leitura, a instrumentalização do caso para atingir o STF, desgastar o governo e cercar politicamente o presidente Lula compõe uma estratégia mais ampla de ataque à democracia brasileira. E deixou claro o seu alerta: “Entrar nessa vibe destruidora do Supremo, que a extrema direita, aliás, faz no mundo inteiro em relação ao judiciário hoje, me parece um imenso erro”.

*Fonte: Brasil247

13 março 2026

Quinze anos de Brasil 247: a comunicação do lado certo da História, que forma consciência e tem compromisso com o Brasil

Levar a sociedade brasileira da desinformação à verdade, da ignorância à consciência, da dependência à soberania. A frase que sintetiza nossa missão histórica

   15 anos do Brasil 247 (Foto: Brasil 247)

Por Leonardo Attuch*

Neste 13 de março de 2026, o Brasil 247 completa quinze anos de existência reafirmando os princípios que orientaram sua trajetória desde a publicação da primeira notícia, nesta mesma data, no já distante 2011: compromisso com a democracia, defesa dos interesses nacionais, busca rigorosa da verdade, fortalecimento da consciência crítica da sociedade e atuação jornalística voltada à construção de um Brasil soberano, justo e protagonista em uma ordem multipolar.

Ao longo deste período, o Brasil 247 se consolidou como um projeto de comunicação comprometido não apenas com a divulgação de fatos, mas também com a interpretação dos processos políticos, econômicos e sociais que moldam a realidade brasileira e internacional. Em um tempo marcado pela avalanche de informações, pela guerra de narrativas e pela disseminação da desinformação, o exercício do jornalismo exige agilidade, mas também contexto, responsabilidade, independência editorial e clareza de propósito.

Foi a partir dessa compreensão que o Brasil 247 construiu sua identidade. Desde o início, o projeto se propôs a ser um veículo comprometido com a qualidade da informação e com a ampliação da capacidade crítica da sociedade brasileira. A informação, quando produzida com rigor e responsabilidade, não apenas esclarece acontecimentos: ela permite compreender estruturas, identificar interesses em disputa e situar o Brasil em seu tempo histórico.

Essa visão levou o Brasil 247 a ocupar, em momentos decisivos da vida nacional, uma posição clara e coerente. Estivemos na linha de frente da denúncia do golpe de estado de 2016 contra a presidenta Dilma Rousseff, quando parte expressiva da mídia tradicional optou por naturalizar a ruptura democrática. Também denunciamos, de forma sistemática, o lawfare empreendido contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontando o uso político do sistema de Justiça como instrumento de perseguição e desequilíbrio institucional.

Ao agir dessa forma, o Brasil 247 não apenas tomou posição diante de episódios centrais da história recente do País. Também reafirmamos uma concepção de jornalismo segundo a qual neutralidade diante da injustiça, da manipulação e da ruptura democrática não é isenção: é cumplicidade. Estar do lado certo da História significou, nesses anos, defender a legalidade democrática, os direitos políticos do maior líder popular da história do País, a soberania nacional e o direito do povo brasileiro de decidir seu próprio destino.

Essa mesma linha editorial levou o Brasil 247 a acompanhar e apoiar o processo de reconstrução democrática do País, incluindo a luta pela volta do presidente Lula ao poder e a defesa, desde já, de sua reeleição, por compreender que seu projeto político está vinculado à retomada do desenvolvimento, à valorização do Estado nacional, à inclusão social e à afirmação soberana do Brasil no cenário internacional.

Ao completar quinze anos, o Brasil 247 também reafirma que sua atuação não se restringe ao campo estrito da política institucional. Seu compromisso é mais amplo: trata-se da defesa permanente dos interesses nacionais e do direito ao desenvolvimento com justiça social. Em um mundo atravessado por transformações geopolíticas profundas, pela emergência de uma ordem multipolar e pela reorganização das relações de poder globais, o Brasil necessita de um jornalismo capaz de compreender a centralidade desses processos e de situar o País como sujeito histórico, e não como mero objeto das decisões alheias.

Por isso, neste aniversário de quinze anos, atualizamos e apresentamos de forma ainda mais clara a formulação que sintetiza nossa missão histórica e editorial: 

Levar a sociedade brasileira da desinformação à verdade, da ignorância à consciência, da dependência à soberania.

A nova formulação não representa uma ruptura com o caminho percorrido até aqui. Ao contrário: ela condensa, em termos mais diretos, o sentido do trabalho desenvolvido desde 2011. Combater a desinformação significa defender o jornalismo como instrumento de esclarecimento público. Levar da ignorância à consciência significa fortalecer a capacidade crítica da sociedade, ampliando a compreensão sobre os processos que definem a vida nacional. E conduzir da dependência à soberania significa afirmar o direito de o Brasil construir seu próprio projeto de desenvolvimento, com autonomia, justiça social e protagonismo internacional.

Essa missão traduz uma visão de País e uma concepção de jornalismo. Traduz a convicção de que a democracia depende de cidadãos bem informados, de que a informação de qualidade é condição para a emancipação coletiva e de que a soberania nacional exige também soberania informacional, cultural e política.

Quinze anos depois de sua fundação, o Brasil 247 renova, assim, seu compromisso com um jornalismo ético, independente e intelectualmente engajado com o futuro do Brasil. Renova sua disposição de contribuir para o debate público, enfrentar a desinformação, qualificar a compreensão da realidade e defender, sem ambiguidades, a democracia, os interesses nacionais e o desenvolvimento com justiça social.

Mais do que celebrar uma trajetória, este aniversário marca a reafirmação de um sonho coletivo. Um projeto jornalístico, político no sentido mais elevado da palavra e comprometido com a construção de um Brasil mais consciente, mais soberano, mais democrático e mais justo.

Conheça a missão do Brasil 247.

Leia a carta-manifesto do Brasil 247.

Conheça os dez princípios editoriais do Brasil 247.

*Jornalista e editor-responsável pelo 247 (fonte desta postagem)

12 março 2026

A visão externa sobre o país, e o pessimismo militante da mídia, por Luís Nassif*

Volta do procurador que inventou as pedaladas tem intenção clara: desmerecer os bons indicadores da economia por guerra eleitoral.

   Foto de Marcelo Camargo - Agência Brasil [Presidente Lula e Márcio Pochmann]


Pedi ao Gemini, o IA do Google, um resumo do que a imprensa ocidental e a chinesa falaram do Brasil durante o dia de ontem.

Deu isso:

1. Cenário Internacional: na imprensa Ocidental Brasil em Foco

O Brasil amanhece sob os holofotes da imprensa internacional, que destaca o país como um pilar de estabilidade institucional e parceiro estratégico indispensável no cenário global. A iminente cúpula entre os presidentes Lula e Donald Trump é o principal assunto, com os Estados Unidos buscando garantir o fornecimento de terras raras e lítio para reduzir sua dependência da China.

  • No campo econômico, a perspectiva é otimista. Agências como Reuters e o Wall Street Journal repercutem os dados positivos da inflação e a expectativa de manutenção da meta fiscal, posicionando o Brasil como um dos destinos preferenciais para capital estrangeiro em 2026.
  • Além disso, a cooperação militar brasileira na vigilância das fronteiras amazônicas é vista pela imprensa europeia como fundamental para a contenção de crises e a manutenção da segurança na América do Sul.

2. Imprensa Chinesa (Xinhua, Global Times e CGTN)

  • Na China, a cobertura da imprensa estatal destaca o Brasil como seu principal parceiro estratégico de longo prazo na América Latina, com foco no fortalecimento do bloco BRICS.
  • A agência de notícias Xinhua elogia a postura diplomática brasileira no conflito do Oriente Médio, enaltecendo a decisão do país de “não ceder a pressões” e manter uma neutralidade ativa, em linha com a posição de Pequim.
  • No front econômico, a estabilidade do agronegócio brasileiro é tratada como uma questão de segurança nacional pela mídia chinesa. O jornal Global Times anuncia novos investimentos em portos no Nordeste para garantir o fornecimento de soja e milho, visto como vital diante de possíveis bloqueios logísticos globais.
  • Por fim, o Brasil é apresentado como um laboratório para o futuro, com o People’s Daily destacando parcerias em energia limpa e tecnologia, como o hidrogênio verde e a expansão de carros elétricos chineses na região.

3. Resumo do Clima Econômico nos Jornais Brasileiros:

O tom é de “respiro tenso”. O mercado celebra a trégua no preço do petróleo, mas os editoriais de política e sociedade focam na queda da aprovação do governo devido ao custo de vida e na crise de grandes empresas nacionais.

Esse será o jogo durante 2026, com a mídia exercitando diuturnamente o pessimismo e procurando jogar o caso Master nas costas do governo, além da fabricação de falsos escândalos.

É significativa a volta do procurador do Tribunal de Contas da União, Júlio Marcelo de Oliveira, que inventou as pedaladas fiscais que embasaram o impeachment de Dilma Rousseff, agora investindo contra o presidente do IBGE, Márcio Pochmann, e insinuando a possibilidade de manipulação dos dados em ano eleitoral. A intenção óbvia é desmerecer os bons indicadores da economia, um dos trunfos de Lula.

É importante notar que Júlio Marcelo volta à cena política pelas mãos de Miriam Leitão, colunista de O Globo e, durante a Lava Jato e o impeachment, a jornalista que mais se empenhou na produção de fatos negativos, alguns claramente manipulados

As suspeitas de Júlio Marcelo foram levantadas por Miriam mesmo antes da posse de Pochmann. Fica nítido, portanto, que a “denúncia” foi articulada por ela.

Leia o artigo “Com a Lava Jato 2, a volta do criador das ´pedaladas´” para entender o tamanho da armação.

Para Miriam se expor novamente, é sinal maior de que as Organizações Globo recorreram novamente ao apito de cachorro, para enquadrar seus jornalistas em mais uma guerra santa. Ontem, comentaristas da Globonews “acusavam” o governo de tentar jogar a crise do Master na conta de Roberto Campos Neto.

As pesquisas eleitorais

Há alguns pontos a se considerar para as eleições, à luz desse tiroteio da grande mídia.

Flávio Bolsonaro, por enquanto, está jogando sozinho. Significa que o jogo ainda não começou para valer. O homem que, pouco tempo atrás, propôs que os Estados Unidos bombardeassem a Baía de Guanabara, agora é apresentado como um símbolo da moderação.

Seu currículo é escondido, as suspeitas de lavagem de dinheiro, de ligação com o escritório do crime, o subfaturamento na compra de uma mansão em Brasília, tudo é ignorado pela mídia.

Mas, por enquanto, é campanha de um lado só. Por isso mesmo, as pesquisas eleitorais servem de aviso, mas não podem ser superestimadas. Quando o outro time entrar em campo, o jogo se inverte. As fragilidades de Flávio serão expostas e as conquistas do governo serão apregoadas.

O ponto que pega é uma Selic a 15%.

*Fonte: GGN

11 março 2026

Jornada Continental pelo Direito à Migração e em Defesa da Soberania Nacional - Dia 12/03, em Porto Alegre/RS

 


Jornada exaustiva - ‘A redução da jornada de trabalho é plenamente sustentável’, diz Luiz Marinho sobre a PEC da escala 6×1

Proposta é uma das principais apostas do governo Lula neste ano

Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (à direita), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) | Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Por Luiza Melo*

O fim da escala 6×1 foi tema de debate na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (10). Na ocasião, o colegiado convidou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que defendeu a redução da jornada de trabalho e disse que a proposta é “plenamente sustentável” do ponto de vista econômico.

“Nós temos que, de fato, fazer a escuta com os setores da economia, com vários setores, e analisar conjuntamente qual é o melhor para a economia brasileira. Nós estamos seguros que a redução de jornada para 40 horas semanais é plenamente factível, é plenamente e sustentável. Até porque nós já perdemos a oportunidade de estar a 40 horas [semanais] há muitos anos”, declarou. 

Para o ministro, a redução da jornada laboral levaria ao aumento da produtividade, melhoria da qualidade de vida e a diminuição de doenças psíquicas desencadeadas por uma jornada exaustiva. Ele ainda disse que é preciso se espelhar em outros países que já adotam um modelo moderno. “Nós estamos num país global e, portanto, temos que enfrentar esse debate, participar desse debate e com muita ciência, com muito estudo ir avançando”.

A proposta é uma das principais apostas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste ano. O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou as ruas em 2025 a partir da mobilização do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que denuncia os efeitos da jornada exaustiva de trabalho sobre a saúde física e mental dos trabalhadores brasileiros.

Resistência

Os possíveis impactos na economia estão entre as principais resistências em relação à proposta. Alguns setores alegam que a aprovação do texto desencadearia em colapso econômico e prejuízos financeiros aos empregadores. 

Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado em 10 de fevereiro, concluiu que a redução da jornada para 40 horas semanais teria impacto inferior a 1% no custo operacional de grandes setores como indústria e comércio

Na avaliação de Marinho, a redução para 36 horas semanais não é viável no momento do ponto de vista econômico. “Nós estamos falando que, no momento, a economia suporta a redução para 40 horas semanais, não 36 horas semanais. Se o parlamento brasileiro desejar caminhar para estabelecer a jornada máxima do Brasil em 36 horas semanais, tem que calcular no tempo melhor. Na nossa avaliação não caberia implantar imediatamente as 36 horas semanais”, alegou.

Há também um esforço de lideranças da direita para barrar a votação no Congresso. Em um evento com empresários, os presidentes do PL, Valdemar da Costa Neto, e do União Brasil, Antônio Rueda, assumiram publicamente que trabalharam para atrasar a análise. Para os caciques, o tema às vésperas das eleições pode fortalecer a reeleição de Lula. 

No entanto, nos últimos meses, houve uma inclinação favorável do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de pautar o projeto. A principal legenda a encabeçar a iniciativa hoje é o Partido dos Trabalhadores (PT). A sigla entende a necessidade de dar apoio ao andamento do texto e que o Centrão entendeu a “urgência e sensibilidade” do tema a ponto de caminhar com a proposta.

Relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que está em análise na Casa Legislativa, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) afirma que está na hora de pôr fim à escala 6×1, vista pelo parlamentar como uma “escravidão moderna”. 

“Esse debate, na minha opinião, é um debate vitorioso na sociedade brasileira. Não é exceção, é regra. A sociedade fez uma opção. Nós, legisladores, devemos ou não confirmar esta opção da sociedade brasileira pelo modelo da escala de trabalho. Ou seja, quantos dias ele quer trabalhar. E a sociedade fez a opção 5×2. Não é 4×3, não é 6×1, é 5×2. Essa é minha opção”, pontuou. 

Mulheres são as mais afetadas

O impacto da escala 6×1 recai principalmente sobre as mulheres, que, muitas vezes, precisam manter dois turnos de trabalho, se dividindo entre e a jornada laboral e o trabalho doméstico não remunerado. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2022, as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas, enquanto os homens dedicam 11,7 horas.

A deputada Lídice da Mata (PSB-BA) alegou que a luta pela redução da jornada de trabalho está intrinsecamente ligada ao movimento de mulheres. “As mulheres brasileiras que trabalham, querem essa jornada diminuída. Eu sou uma mulher que defende a família, especialmente, a família dos que mais precisam nesse país”, pontuou. 

Segundo a parlamentar, as empregadas domésticas e as mulheres pobres são as que mais sofrem com a jornada dupla. “São para estas que nós estamos lutando contra a jornada 6×1, por uma jornada de trabalho digna que permita que o trabalhador e que a trabalhadora brasileira, possa ter direito à vida dedicada à sua família”, completou. 

Diferentes propostas 

Hoje, diferentes propostas sobre a redução da jornada de trabalho tramitam simultaneamente no Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados, estão apensadas a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), que propõe jornada de 36 horas semanais no modelo 4×3, e a PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que prevê redução gradual até 36 horas. 

Também na Câmara está o PL 5989/2025, de autoria do deputado Vicentinho (PT-SP), que fixa a jornada máxima em 40 horas semanais. No Senado, a PEC 148/2015, apresentada pelo senador Paulo Paim (PT-RS), estabelece redução inicial para 40 horas com diminuição progressiva.

O protagonismo para a pauta já é calculado pelo PT, que pretende usar como bandeira de campanha eleitoral em qualquer contexto. Caso seja aprovada, a PEC será usada como mais uma vitória popular para o Brasil. Somada à isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o fim do 6×1 entraria em um pacote de entregas considerado “transformador” para o país.

Além da CCJ, será criada uma comissão especial para discutir o tema na Câmara. A ideia é que o texto passe por essas comissões em abril para ser votado em maio no plenário.

*Editado por: Maria Teresa Cruz - Fonte: BdF

09 março 2026

Folha [de SP] é porta-voz de bolsonaristas da PF na guerra contra Lula

 


Por Jeferson Miola*

Em matéria assinada pela jornalista Mônica Bergamo [8/3], o jornal Folha de São Paulo afirma que “a possibilidade de a PF [Polícia Federal] pedir a prisão de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, divide a corporação e está elevando a tensão em Brasília”.

Esta afirmação, totalmente disparatada e inventada, é produto de versões produzidas por bolsonaristas incrustrados na PF, não um desdobramento de investigações em andamento.

A própria matéria reconhece isso ao dizer que, devido ao sigilo do processo que tramita no STF, “não é possível saber oficialmente se, junto com o pedido de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha, autorizado por Mendonça, os policiais encarregados da investigação solicitaram também que ele fosse preso”.

Embora a Folha reconheça que “não é possível saber oficialmente” se foi solicitada a prisão, a diz que “a discussão interna, no entanto, existe”, e “delegados que têm trânsito no gabinete do ministro do STF André Mendonça defendem a ideia”.

Ora, o próprio jornal assumiu que não sabe se o pedido de prisão é realidade ou fantasia, mas mesmo assim transformou em notícia o que não passa de manipulação criminosa de policiais bolsonaristas da PF interessados em atingir o presidente Lula e comprometer a reeleição dele.

A Folha de São Paulo precisa esclarecer porque dá publicidade não a um fato, mas a uma nítida manipulação de um fato, sabendo de antemão dos efeitos altamente prejudiciais desta mentira para o governo e para a imagem do presidente da República?

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, da defesa de Fábio Luís, manifestou perplexidade e indignação. Ele declarou à Folha acreditar “que tudo não passe de fofoca. Não havia nem sequer justificativa para a PF fazer o pedido de quebra dos sigilos, já que o Fábio havia comunicado ao Supremo a disposição voluntária, espontânea e efetiva de colaborar com as investigações”.

A Folha de São Paulo assumiu a posição política e editorial de combate sem tréguas a Lula, do mesmo modo que há duas semanas assumiu a vanguarda da reação patronal-escravocrata ao fim da jornada 6×1 – ou seja, um lado claro da história.

O Grupo Folha, assim como Globo, Estadão e outras famílias da mídia dominante sentiram “cheiro de sangue” com a recuperação da expectativa eleitoral do bloco anti-Lula. Neste “cenário de oportunidade”, se jogaram de cabeça com seus jornalismos de guerra.

Nessa guerra, a mídia emprega armas sujas, e não tem limite das imundícies que lança mão. Exemplo notório foi a edição impressa da Folha da 6ª feira passada, 6/3, que destacou como escândalo que “Filho de Lula movimentou R$ 19,5 milhões em 4 anos”.

A Folha agiu assim, com esta manchete de capa criminalizadora, mesmo depois de receber dos advogados de Fábio Luís os esclarecimentos com informações concretas que desmentem categoricamente a matéria baseada em dados manipulados e vazados criminosamente por alguém – ou pela CPMI, ou pela PF.

Portanto, é óbvio que depois de ter conhecido no dia anterior os esclarecimentos, a Folha jamais poderia estampar na capa da edição do dia seguinte a manchete falsa sobre suposta movimentação financeira irregular do filho do presidente.

No entanto, a Folha fez isso, como faz novamente agora, com esta insinuação canalha sobre a prisão de Fábio Luiz.

Este jornal que um dia classificou a ditadura sanguinária como “ditabranda” assumiu o posto de porta-voz dos setores bolsonaristas da PF que querem destruir Lula para abrir o caminho para a barbárie com Flávio Bolsonaro.

Obs. a foto que ilustra este artigo é de autoria de Gabriela Biló/Folhapress, de 18 de janeiro de 2023. Em certa medida a imagem é uma metáfora perfeita sobre o sentimento de ódio antipetista da Folha.

*Editor do Blog do Jeferson Miola, fonte desta postagem

08 março 2026

O jornalismo de guerra da Globo recria o PowerPoint da Lava Jato

PowerPoint exibido na GloboNews insinua vínculo político entre Vorcaro e Lula e reaviva práticas associadas à Lava Jato em ano eleitoral

O jornalismo de guerra da Globo recria o PowerPoint da Lava Jato (Foto: Reprodução/GloboNews)

Por Florestan Fernandes Jr*

O PowerPoint apresentado na sexta-feira (6) na GloboNews, mostrando as conexões de Daniel Vorcaro com representantes de lideranças políticas, empresariais e judiciais, nos remete diretamente ao dia 16 de setembro de 2016. Naquela ocasião, o ex-procurador da República Deltan Dallagnol apresentou à imprensa um PowerPoint acusando o então ex-presidente Lula de ser o chefe de um esquema de corrupção investigado pela Lava Jato.

Trata-se, essencialmente, do mesmo modus operandi: criar a falsa impressão de que Lula estaria envolvido com Daniel Vorcaro. A sequência de fotos dos personagens inseridos nessa teia atribuída ao banqueiro parece ter um único objetivo: trazer para dentro do escândalo o chefe da Nação. A própria disposição das imagens revela isso, já que a fotografia do presidente Lula aparece em primeiro lugar. Além disso, a imagem escolhida pelo criador do PowerPoint reforça essa intenção da narrativa oferecida ao telespectador.

Lula aparece sorrindo, com a faixa presidencial ao peito, o que quer "comunicar" o uso do cargo em benefício próprio. Ou seja, é toda uma engenharia visual buscando desconstruir a imagem do presidente da República em ano eleitoral.

O neo-PowerPoint da Globo não explica, porém, o papel de cada um dos personagens ali representados. Nenhum esclarecimento foi feito de que o presidente só esteve uma única vez com o banqueiro do Master. O encontro ocorreu no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, a pedido de Vorcaro, que na época ainda não era alvo de qualquer investigação.

Da reunião participaram os ministros Rui Costa, da Casa Civil; Alexandre Silveira, de Minas e Energia; e Gabriel Galípolo, que à época ainda não presidia o Banco Central. Segundo os participantes, Vorcaro pretendia convencer o governo a apoiar a venda do Master para o Banco de Brasília, algo que o Banco Central, já sob a gestão de Galípolo, não apenas deixou de autorizar como tomou uma medida que Campos Neto não havia tomado: pedir a liquidação do Banco Master.

O fato de Vorcaro ter dito, em troca de mensagens com a namorada, que o encontro teria sido muito bom não constitui prova de que o presidente o ajudou. Ao contrário: Lula não se envolveu no assunto e deixou, de forma republicana, as decisões sobre o Master nas mãos da diretoria do Banco Central.

Os vazamentos que voltam a todo vapor em mais um ano eleitoral nos remetem, inevitavelmente, à Lava Jato. Os jornalistas que recebem as informações privilegiadas são os mesmos. Seus “furos” de reportagem continuam produzindo narrativas com impacto direto no ambiente político e eleitoral. Pelo visto, os investigadores que alimentam esses vazamentos também podem ser os mesmos.

Na realidade, todos nós fomos, de alguma forma, lenientes com os abusos da Lava Jato. É espantoso ver Deltan Dallagnol e Sergio Moro ainda presentes na vida política, disputando espaços de poder ao lado daqueles que foram diretamente beneficiados pelas armações promovidas pela chamada “força-tarefa”.

O neo-PowerPoint não é apenas um recurso gráfico de televisão; é um símbolo da persistência de um método: insinuar, sugerir e induzir conclusões antes mesmo que os fatos sejam comprovados. O Brasil já viu esse filme antes e sabe muito bem quais foram os danos institucionais, políticos e democráticos provocados por esse tipo de espetáculo travestido de jornalismo. A cadela do lavajatismo, tal qual a do fascismo, segue no cio.

*Jornalista e escritor - Via Brasil247

07 março 2026

Mobilização: Atos pelo Dia Internacional da Mulher tomam as ruas no domingo (8)

Atos do 8 de março vão levar às ruas pautas como o fim da escala 6x1 e o direito ao aborto legal


Ato unificado pelo Dia Internacional de Luta da Mulher | Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil


Atos em diferentes cidades do país vão marcar neste domingo, 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. O fim da escala 6×1 e a garantia do aborto legal estão entre as pautas de destaque das mobilizações, que também devem homenagear vítimas de feminicídio e exigir o combate à violência de gênero.

O Dia Internacional da Mulher tem origem nas mobilizações de mulheres socialistas no fim do século 19 e no início do século 20. As reivindicações incluíam, naquele momento, o direito ao voto, o reconhecimento de direitos civis e o acesso ao trabalho e ao espaço público.

Um incêndio em uma fábrica nos Estados Unidos que matou mais de 100 operárias no início do século 20 é muitas vezes citado como origem da data. O episódio teve impacto no movimento operário, mas historiadores apontam que não foi o fato que criou o Dia Internacional da Mulher. (...)

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