28 outubro 2026

ROTA DE FUGA - Flávio Bolsonaro fugiu pela Argentina na noite de terça (27) e fez escala no Equador antes de seguir para os EUA

Senador cruzou a ponte para Puerto Iguazú às 22h50 e embarcou em jatinho que desviou do espaço aéreo brasileiro



O candidato derrotado na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), fugiu do Brasil pela fronteira com a Argentina na noite de terça-feira (27) e, depois de uma escala no Equador, segue para os Estados Unidos nesta quarta-feira (28). O bolsonarista é investigado por lavagem de dinheiro e estava impedido de deixar o país.

O jatinho particular em que estão o senador, a esposa e as duas filhas decolou de Guayaquil às 6h22, no horário de Brasília, com previsão de chegada ao aeroporto executivo de Opa-locka, em Miami, por volta das 10h40, segundo o site de monitoramento aéreo FlightAware. Para chegar ao destino, o voo evitou o espaço aéreo brasileiro e sobrevoou o Paraguai, a Bolívia e o Peru.

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, a família atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província de Misiones, às 22h50 de terça-feira. Quarenta minutos depois, às 23h30, teria embarcado em Puerto Iguazú em um Gulfstream G400 da empresa Baires Fly, com destino informado a Guayaquil. De acordo com a emissora argentina C5N, o senador cruzou a fronteira em uma van e estava em uma fazenda em Foz do Iguaçu desde a noite anterior.

Segundo a migração argentina, todos os integrantes da família apresentaram documentos de viagem válidos. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado o cancelamento de todos os passaportes brasileiros do senador, inclusive os diplomáticos. Flávio Bolsonaro tem também um passaporte italiano, concedido em 2023, durante o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni, que, pela decisão de Moraes, também deveria ter sido entregue.

Aval de Trump

Com a fuga, Flávio Bolsonaro [foto] segue o caminho do irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que está foragido nos Estados Unidos depois de ser condenado por coação no curso do processo que levou à prisão do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na terça-feira, o Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que vai conceder vistos ao senador e à família.

Nesta quarta, o presidente Donald Trump disse aprovar a ida de Flávio Bolsonaro ao país e voltou a atacar, sem provas, a eleição brasileira. “Bem, eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível”, afirmou. A decisão do governo Trump foi criticada por um comitê do Partido Democrata, e parlamentares argentinos pediram a investigação da passagem do senador pelo país.

Ordem descumprida

A fuga ocorreu depois de Flávio Bolsonaro descumprir a ordem de Moraes, que o proibia de deixar o país e determinava a entrega dos passaportes até as 11h de terça-feira. A decisão foi tomada na noite de domingo (25), dia do segundo turno, num processo em que o senador e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro, num suposto esquema que envolveria empresas do advogado e casas de apostas.

Willer Tomaz, apontado como figura central nas fraudes contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), também está foragido no exterior. O senador é investigado ainda em um inquérito sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, e o ministro Flávio Dino mandou a Polícia Federal (PF) apurar suspeitas de financiamento estrangeiro na campanha dele.

No pedido ao STF, a PF apontou riscos “concretos e atuais” de fuga, com base em três elementos: a recomendação pública de Eduardo Bolsonaro para que o irmão deixasse o país em caso de derrota, o “expressivo poder econômico” do senador e a existência de estruturas no exterior que poderiam viabilizar uma permanência prolongada.

Um dia antes de fugir, Flávio Bolsonaro negou em vídeo que pretendesse deixar o país e atacou a decisão. “A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo, de 23/10, de que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte?”, disse.

O mandato de Flávio Bolsonaro no Senado termina em 31 de janeiro, quando ele perde o foro privilegiado. Para o sociólogo Thiago Esteves, professor da Universidade Federal de Ciência e Inovação do Rio de Janeiro (UFIRJ), a fuga tem relação direta com isso.

“Ele está fugindo porque sabe muito bem o que ele fez. Sem imunidade parlamentar, os malfeitos que ele, porventura, tenha cometido serão investigados”, afirmou ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. “Ele assinou sua sentença de culpa.”

‘Lamber botas’

No PL, a fuga foi recebida com constrangimento. O senador Rogério Marinho (PL-RN), um dos coordenadores da campanha de Flávio, disse que os aliados não sabiam do plano, mas defendeu o bolsonarista. “Nós, evidentemente, não fomos informados, mas até compreendo caso o senador Flávio tenha saído do Brasil com sua família”, afirmou. Para Marinho, a ordem de entrega dos passaportes seria “a preparação de uma coisa mais persecutória”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (25), classificou a fuga como “vergonhosa” e lembrou que, quando foi investigado na Operação Lava Jato, entregou o passaporte a pedido da Justiça. “Isso é uma falta de respeito com eleitores dele. Falta de respeito que ele teve com a democracia brasileira. Eu perdi em 1989. Fui lamber minhas feridas e fiquei aqui. Eu perdi em 1994. Fui lamber minhas feridas e fiquei aqui. Eu perdi 1998 e fiquei aqui”, disse.

O presidente também questionou o patriotismo do adversário. “O Brasil é a segunda pátria dele. A primeira pátria dele é lamber botas dos Estados Unidos”, afirmou.

*Via Redação do BdF - Editado por: Geisa Marques

**Edição final deste Blog

‘Flávio foge da justiça, da polícia e da verdade’, critica dirigente do PT

Secretário do partido afirma que senador deixou o país por temor de ser preso devido a denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro



Por Guilherme Levorato*

Diante do embarque do senador e ex-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos após a derrota nas urnas e com a proximidade do fim do seu mandato parlamentar, o Secretário Nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares [foto], criticou duramente a conduta do parlamentar. De acordo com o dirigente partidário, a viagem repentina evidencia o pavor do senador em encarar a responsabilização penal por suspeitas de esquemas de corrupção, informa a CartaCapital.

Valadares destacou as sucessivas mudanças de postura do parlamentar em um curto intervalo de tempo. O dirigente recordou que o senador iniciou o dia contestando o resultado do pleito e convocando militantes, passou a declarar que comandaria a oposição no Congresso após ser isolado politicamente e, ao final do dia, optou por deixar o território nacional. “Todo valentão é um covarde. Quanto mais brada, quanto mais grita, mais covarde ele é. De manhã, Flávio disse que não ia reconhecer as eleições e convocou seus seguidores a ir para as ruas. À tarde, isolado pelo próprio partido, mudou o discurso e disse que ia liderar a oposição e que não desistiria do Brasil. À noite, na calada da noite, fugiu do país. Não aguentou 24h sequer”, disse Éden.

Na avaliação do dirigente do PT, a atitude retrata uma conduta recorrente na família, comparando a situação à do seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL), que se encontra nos Estados Unidos, e às ações de Jair Bolsonaro (PL). Para Éden, a atitude demonstra desrespeito direto com os eleitores que deram voto ao projeto do grupo. “Flávio segue o roteiro do irmão foragido e do pai que tentou quebrar a tornozeleira e pegou o caminho da fuga. Deixa para trás quem votou nele, quem acreditou neles. Mas nunca foi sobre o Brasil. Nunca foi sobre ser de direita ou ser conservador. Sempre foi sobre os interesses da própria família. Não tem compromisso com o país, não tem amor pelo Brasil; tem apenas projeto de poder, tem apenas a intenção de cobrir seus crimes, se safar da justiça”.

O representante petista observou ainda que a saída do país representa um ato de desconsideração não apenas com os apoiadores e com a própria legenda política, mas também com o Poder Legislativo, onde o senador ainda exerce mandato. “Não importam seus apoiadores, não importam seus seguidores, a bancada no Senado, na Câmara… Não importa nada”.

Além disso, Valadares antecipou que aliados do bolsonarismo tentarão construir uma narrativa fictícia de perseguição política para ocultar investigações sobre lavagem de dinheiro, corrupção e remessa ilegal de divisas associadas a apurações envolvendo Daniel Vorcaro, o advogado Willer Tomaz e desvios nas aposentadorias do INSS. “E, apesar do discurso que o seu Nikolas e outros enganadores vão falar, Flávio não está fugindo de perseguição alguma. Foi candidato e perdeu na urna. Mas, depois da derrota, ele lembrou que é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro — investigação instaurada por André Mendonça. Ele lembrou que está todo enrolado no escândalo do Banco Master e nas bets de Willer Thomaz. Ele lembrou da ilha de Richarlison, das milícias, da rachadinha”.

Por fim, o secretário reafirmou que o movimento do senador é motivado exclusivamente pelo receio de uma eventual ordem de prisão e expressou o desejo de que o episódio sirva para conscientizar a base eleitoral do parlamentar. “Flávio foge da justiça. Foge da polícia. Foge da verdade. E deixa para trás quem acreditou nas suas mentiras. Larga a mão de quem caminhou ao seu lado. Dá um tapa na cara de quem foi para a rua defender a mudança. Flávio queria ser presidente para não ser preso. Fugiu para não ser preso. Mas que sua fuga sirva para tirar da prisão da mentira quem acreditou nele. O Brasil tem presidente, tem Constituição, tem lei, tem governo. Que tenha oposição de verdade, e não uma família fugindo da justiça”.

*Fonte: Brasil247 - Edição final deste Blog

26 outubro 2026

Como a imprensa internacional noticiou vitória histórica de Lula*

 

Lula e Donald Trump durante encontro em Kuala Lumpur, na Malásia
Lula e Donald Trump durante encontro em Kuala Lumpur, na Malásia, em outubro de 2025. Foto: Reprodução


DCM* - A imprensa internacional tratou a vitória do presidente Lula (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) como um freio à guinada de extrema-direita na América Latina e uma derrota para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Reeleito no domingo (25), o petista garantiu o quarto mandato após reverter o resultado do primeiro turno.

Veículos estrangeiros também destacaram o caráter inédito da virada desde a redemocratização. A disputa apertada e a extensão da trajetória política do petista apareceram nas análises de jornais e redes de televisão dos Estados Unidos e da Europa.

A Associated Press definiu Lula como um “crítico de Trump”.

AP noticia vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno. Foto: Reprodução

A CNN afirmou que o petista derrotou um “aliado de Trump” e manteve o Brasil à esquerda em uma região que tem elegido governos de direita.

CNN diz que Lula venceu “aliado de Trump”. Foto: Reprodução

O Washington Post avaliou que o resultado impediu a maior democracia latino-americana de aderir a essa tendência.

“Lula vence a reeleição no Brasil, desafiando a guinada à direita na América Latina”, diz Wasghinton Post. Foto: Reprodução

Já o Financial Times classificou a reeleição como um golpe nas pretensões de Trump de ampliar a influência dos Estados Unidos na região.

Financial Times cita vitória de Lula em “votação apertada”. Foto: Reprodução

Veículos destacam disputa apertada e virada eleitoral

A BBC e o Financial Times descreveram a apuração como uma disputa voto a voto. O Wall Street Journal chamou o desfecho de surpresa e apontou que Lula prolonga uma das carreiras políticas mais duradouras da América Latina.

Wall Street Journal lembra que Lula tem uma das “carreiras políticas mais longas da América”. Foto: Reprodução

O espanhol El País classificou o resultado como uma “virada épica”, capaz de frear o avanço da extrema direita no Brasil e dar “um balão de oxigênio” à esquerda no mundo.

El País elogia “virada épica” de Lula contra Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

Para o New York Times, a vitória transmite um recado ao movimento de extrema-direita que conquistou presidências latino-americanas e recebeu apoio de Trump. O jornal apontou que o resultado interrompeu uma sequência de sete vitórias da direita na região em 18 meses.

New York Times lembra que Flávio Bolsonaro não aceitou derrota. Foto: Reprodução

O Le Monde afirmou que o Brasil não acompanhou a mudança à direita observada em países como Argentina, Chile e Colômbia. O jornal francês avaliou que Lula reduziu a desvantagem do primeiro turno ao atrair parte dos eleitores que haviam se abstido.

Le Monde destaca “derrota da extrema-direita”. Foto: Reprodução

O argentino La Nación informou que a abstenção caiu para 19,21%, o menor índice em 20 anos. O diário também descreveu como “pouco conciliador” o discurso de Lula, que disse que o Brasil “não aceita ser o quintal de ninguém”, prometeu regular as redes sociais e chamou Flávio de “representante do milicianismo”.

La Nación cita “virada inédita” de Lula. Foto: Reprodução
*Via Diário do Centro do Mundo - DCM

BRASIL - Em virada histórica, Lula é reeleito presidente da República*

Presidente supera Flávio Bolsonaro no segundo turno após terminar atrás do adversário na primeira votação e conquista novo mandato no Palácio do Planalto




Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), em uma virada histórica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). Após terminar o primeiro turno na segunda colocação, Lula reverteu a vantagem do adversário e conquistou mais quatro anos à frente do Palácio do Planalto. Com 100% das urnas apuradas, o petista recebeu 51,79% dos votos (64.256.232), contra 48,21% do candidato da extrema direita (59.826.041). Esta é a primeira vez que um candidato derrotado no primeiro turno vence no segundo. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro (PL), pai do adversário nesta eleição, por 50,9% a 49,1%.

A vitória representa uma recuperação eleitoral expressiva do presidente, que havia obtido 45,16% dos votos válidos no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 47,03%. De acordo com os resultados divulgados pelo TSE, o candidato do PL abriu uma vantagem superior a 2,2 milhões de votos naquela etapa da disputa, impondo ao petista o desafio de conquistar novos apoios nas três semanas seguintes.

A eleição presidencial de 2026 foi marcada pela forte polarização política e pelo confronto entre dois projetos antagônicos de governo. De um lado, Lula defendeu a continuidade das políticas sociais, a valorização do salário mínimo, os investimentos públicos e a atuação do Estado na promoção do desenvolvimento econômico. Do outro, Flávio Bolsonaro, herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, apresentou-se como representante da oposição de direita, concentrando sua campanha em críticas à gestão petista, na segurança pública e em propostas econômicas de orientação liberal.

A disputa também foi atravessada por embates sobre a democracia, o funcionamento das instituições e o legado político do bolsonarismo. Durante a campanha, os candidatos trocaram acusações e buscaram mobilizar eleitores indecisos, em uma corrida especialmente intensa após o resultado apertado do primeiro turno. A votação deste domingo ainda foi marcada por dificuldades no transporte de eleitores em diferentes regiões do país, que levaram o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a determinar a prorrogação do horário de votação até as 19h.

Com o resultado, Lula, de 80 anos, conquista seu quarto mandato como presidente da República, um feito inédito na história política brasileira. Eleito pela primeira vez em 2002 e reeleito em 2006, o petista retornou ao poder em 2023, após derrotar Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Sua trajetória, iniciada no movimento sindical do ABC paulista, passa a incluir mais uma vitória nacional, desta vez diante do filho do ex-presidente.

O novo mandato, previsto para começar em 5 de janeiro de 2027, terá como desafios a manutenção do crescimento econômico, o controle da inflação, a geração de empregos, a redução das desigualdades e a articulação política com o Congresso Nacional. A reeleição também mantém Geraldo Alckmin (PSB) na Vice-Presidência da República e consolida a permanência do projeto político liderado por Lula no comando do governo federal até 2030.

*Por Paulo Emílio - Fonte: Brasil 247  - **Edição final deste Blog

25 outubro 2026

O POVO, UNIDO, JAMAIS SERÁ VENCIDO!

 


ENCERRAMENTO - Em ato final de campanha, Lula arrasta milhares na Paulista em clima de emoção e defesa da democracia

Multidão acompanhou o presidente e aliados com cantos, homenagens e lágrimas na tarde deste sábado (24)

Lula agita bandeira do Brasil sobre um carro, em meio a milhares de pessoas espremidas na avenida Paulista

BdF - O Ato final da campanha do presidente da República e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi tomado de emoção e sentimento de defesa da democracia na avenida Paulista, em São Paulo (SP), na tarde deste sábado (24). 

Desde o meio-dia, duas horas antes do início oficial da concentração, a avenida Paulista já estava tomada pelo vermelho misturado com bandeiras do Brasil, LGBT+, movimentos populares, partidos, organizações estudantis e times de futebol.

Famílias inteiras, pessoas de todas as idades, crenças, etnias e regiões, algumas que viajaram a noite toda para estar em São Paulo, neste sábado, a exemplo da estudante Isabelle Ramos, que veio do Paraná, onde estuda, para participar da manifestação e votar neste domingo (25). (...) *CLIQUE AQUI para ler na íntegra.

24 outubro 2026

Lula no debate da Globo: ‘não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos’

O petista também lançou a alcunha de miliciano para Flávio Bolsonaro

Lula e Flávio Bolsonaro no debate da Globo | Crédito: Foto; Reprodução/TV Globo


No segundo bloco do debate da TV Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi chamado de “nove dedos” por Flávio Bolsonaro (PL). O presidenciável petista repreendeu seu adversário imediatamente.

“Ele disse uma grande asneira que não levarei para casa. Ele me chamou de nove dedos. Saiba de uma coisa, se tem alguém que sabe o que é o mundo do trabalho, sou eu, trabalhando à noite, com 17 anos. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos”, afirmou o presidente, que seguiu repreendendo Flávio Bolsonaro.

“Ele nunca trabalhou na vida e não sabe o que é uma carteira profissional. O primeiro emprego que ele teve foi um emprego falso arrumado pelo pai dele. Agora, quer me chamar de nove dedos?”, perguntou.

“Nove dedos” é a forma pejorativa com que a extrema-direita chama Lula, em referência ao acidente de trabalho sofrido pelo petista quando trabalhava em uma prensa como metalúrgico. Na época do acidente, o presidente tinha apenas 17 anos.

“Milhões de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal, em jornadas que não podemos trabalhar. Eu era menor e não podia trabalhar. Não vou aceitar que um grã-fino, com uma prática política muito duvidosa, venha me chamar de nove dedos”, finalizou.

Quando Flávio Bolsonaro teve seu tempo aberto para réplica, reconheceu o erro. “Lula, te peço desculpas.”

*Editado por: Monyse Ravena - Via Redação do BdF

Lula vence Flávio Bolsonaro em todos os grupos de indecisos no debate da Globo

 

Lula vence Flávio Bolsonaro em todos os grupos de indecisos no debate da Globo

Por Marcelo Hailer*

Eleitores indecisos que acompanharam o debate presidencial da TV Globo entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), na noite desta sexta-feira (23), identificaram mudanças de posicionamento do candidato do PL em temas sociais, interpretadas como uma tentativa de agradar ao eleitorado. A percepção foi registrada em dez grupos de pesquisa qualitativa, distribuídos por cinco cidades brasileiras e acompanhados simultaneamente por um instituto de São Paulo. As informações são do Metrópoles.

Segundo o coordenador dos grupos, Flávio foi considerado “bem treinado”, mas não conseguiu convencer os participantes, especialmente no terceiro bloco do debate, quando Lula teve o melhor desempenho na avaliação de todos os grupos analisados.

Indecisos identificam mudanças de posição de Flávio Bolsonaro

A principal percepção dos participantes foi a de que Flávio Bolsonaro não defendeu suas posições com convicção, mas procurou apresentar respostas que acreditava serem mais bem recebidas pelos eleitores.

Segundo o coordenador da pesquisa, a impressão de que o candidato do PL mudou de opinião ao longo do debate apareceu em comentários espontâneos dos participantes durante o terceiro bloco do confronto.

A avaliação dos grupos também revelou mudanças no desempenho dos candidatos ao longo da noite.

No segundo bloco, Flávio Bolsonaro havia sido considerado o melhor em dois grupos, enquanto os demais apontaram empate entre os candidatos.

No terceiro bloco, porém, o cenário mudou: Lula foi avaliado como o melhor desempenho pelos dez grupos, sem exceção.

De acordo com o coordenador, Flávio chegou ao debate preparado, mas o treinamento não foi suficiente para transmitir credibilidade aos eleitores indecisos, que demonstraram atenção às contradições percebidas nas respostas do candidato.

Temas sociais provocaram desconfiança entre os eleitores

Os participantes identificaram mudanças de posicionamento de Flávio Bolsonaro em três temas específicos: reajuste das aposentadorias, aumento real do salário mínimo e direito à licença-maternidade.

As questões têm impacto direto sobre as classes C e D, perfil dos eleitores que participaram dos grupos de discussão, e estão entre as pautas historicamente defendidas pelo PT.

Segundo o coordenador da pesquisa, a estratégia de Lula de insistir nesses assuntos ao longo do debate teve repercussão positiva entre os indecisos e os participantes que admitiram a possibilidade de mudar de voto.

Ao explorar essas questões, o presidente conseguiu estabelecer um contraste entre suas posições e as respostas apresentadas pelo adversário, segundo a avaliação dos grupos.

Outro momento que repercutiu negativamente para Flávio Bolsonaro foi o confronto sobre sua atuação na defesa de um policial militar acusado de matar uma menina.

“A defesa do assassino de uma menina pegou muito mal para ele”, afirmou o coordenador dos grupos qualitativos.

O episódio foi apontado como um dos momentos mais negativos do debate para o candidato do PL, segundo as avaliações dos participantes.

Como foi realizada a pesquisa qualitativa

O levantamento acompanhou dez grupos de eleitores indecisos que assistiram ao debate presidencial da TV Globo.

Os participantes foram divididos igualmente entre cinco grupos de homens e cinco de mulheres, todos com idades entre 25 e 60 anos e pertencentes às classes C e D.

A pesquisa foi conduzida por um instituto sediado em São Paulo, com grupos distribuídos por cinco capitais: Fortaleza (CE), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro (RJ).

O objetivo foi acompanhar, em tempo real, as reações dos eleitores indecisos às declarações, propostas e confrontos entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Diferentemente das pesquisas quantitativas, os levantamentos qualitativos não medem intenção de voto nem permitem projetar resultados eleitorais.

Esse tipo de pesquisa busca compreender as percepções, motivações e reações dos participantes, sem representar estatisticamente o conjunto do eleitorado brasileiro.

Assim, os resultados mostram como os grupos analisados reagiram ao desempenho dos candidatos, mas não permitem concluir que essas avaliações sejam compartilhadas pela maioria dos eleitores indecisos.

*Via Fórum