15 agosto 2018

O maior registro de uma candidatura da história brasileira



Por Beatriz Cerqueira*


Depois de 15 dias de greve de fome, Frei Sérgio entrou naquele suntuoso  espaço acompanhado por um médico e recebendo auxílio para se deslocar. Ele, Adolfo Perez Esquivel (prêmio Nobel da Paz) e uma delegação composta por representação dos movimentos sociais, Igrejas, uma deputada do Podemos/Espanha, artistas e juristas fomos todos recebidos pela Presidente do STF, Carmen Lúcia. Para defender a liberdade do Presidente Lula.

Esquivel foi contundente e magnífico ao afirmar que Lula é um preso político, vítima de um golpe de estado que depôs a presidenta Dilma Rousseff, golpe que tem a complacência do Poder Judiciário. Destacou o que Lula representa para a América Latina e para o mundo. Ressaltou que democracia e direitos humanos são indivisíveis. Resgatou os golpes de estado com caráter jurídico e outras lideranças que foram seus alvos como Lugo, Rafael Corrêa e Manoel Zelaia. À ministra também lembrou "são 50 anos lutando pela liberdade do povo."

A articulação dos juristas pela democracia, através da Carol, resgatou a situação de exceção que vivemos ao lembrar que no Brasil hoje quem é inocente tem que provar a sua inocência e não mais o contrário. Entregou um abaixo assinado com mais de 240 mil assinaturas de intelectuais e juristas do mundo pela liberdade do Lula. Também resgatou todo o diálogo que a articulação tem feito com o Papa Francisco.

Pelos movimentos sociais e Frente Brasil Popular eu relatei à ministra um diagnóstico do resultado do golpe de 2016: 28 milhões de pessoas desempregadas ou subempregadas sendo 3 milhões em Minas Gerais, 12 milhões de famílias que já não conseguem comprar um botijão de gás, a educação e saúde que tiveram os investimentos congelados e perdemos o recurso do pré-sal, as pessoas estão perdendo a condição de moradia. Morando na rua como em Belo Horizonte que já são mais de 6 mil pessoas nesta situação! Reafirmamos nosso compromisso de continuar a luta contra o golpe e pela liberdade do Lula. As eleições se ganham nas urnas, não retirando quem tem a preferência do povo de concorrer!

O ator Osmar Prado questionou à ministra quantos cadáveres ainda teremos como resultados do golpe que estamos vivendo. Lembrou Dona Marisa Letícia, lembrou o reitor Luiz Carlos Cancellier. Reforçou o pedido de todos nós "faça valer a presunção de inocência"! E terminou perguntando "quem tem medo de Luiz Inacio Lula da Silva?

Frei Sergio emocionou todos que tinham coração naquela sala. Da sua profissão de fé disse a ministra de onde vem, as casas que frequenta (do povo pobre e humilde) e diagnosticou: a vida do povo piorou, a estrutura do estado brasileiro está deixando nosso povo no abandono, nossa justiça está ficando desacreditada. Falou representando os outros 6 companheiros que também estão em greve de fome.

Esquivel nos disse que em setembro fará o pedido de indicação do Presidente Lula para Nobel da Paz por tudo o que fez de combate à fome em nosso país!

A greve de fome dos 7 companheiros continua! A Marcha Lula livre já chegou em Brasília! 

Esta quarta-feira será o maior registro de uma candidatura da história brasileira pois será feito por milhares de brasileiros e brasileiras em Brasília!

*Professora, coordenadora-geral do Sind-UTE MG e presidente da CUT Minas - Via Brasil 247

14 agosto 2018

Lula no The New York Times: Eu quero democracia, não impunidade

Há um golpe de direita em andamento no Brasil, mas a justiça prevalecerá 

By Luiz Inácio Lula da Silva*

 
O ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva escreveu este artigo de opinião da prisão.

CURITIBA, Brasil - Dezesseis anos atrás, o Brasil estava em crise; seu futuro incerto. Nossos sonhos de nos transformarmos em um dos países mais prósperos e democráticos do mundo pareciam ameaçados. A ideia de que um dia nossos cidadãos poderiam desfrutar dos padrões de vida confortáveis ​​de nossos colegas na Europa ou em outras democracias ocidentais parecia estar desaparecendo. Menos de duas décadas após o fim da ditadura, algumas feridas daquele período ainda estavam cruas.

O Partido dos Trabalhadores ofereceu esperança, uma alternativa que poderia mudar essas tendências. Por essa razão, mais que qualquer outra, vencemos nas urnas em 2002. Tornei-me o primeiro líder trabalhista a ser eleito presidente do Brasil. Inicialmente, o mercado financeiro se abalou; mas o crescimento econômico que seguiu tranquilizou o mercado. Nos anos seguintes, os governos do Partido dos Trabalhadores que chefiei reduziram a pobreza em mais da metade em apenas oito anos. Nos meus dois mandatos, o salário mínimo aumentou 50%. Nosso programa Bolsa Família, que auxiliou famílias pobres ao mesmo tempo em que garantiu que as crianças recebessem educação de qualidade, ganhou renome internacional. Nós provamos que combater a pobreza era uma boa política econômica.

Então este progresso foi interrompido. Não através das urnas, embora o Brasil tenha eleições livres e justas. Em vez disso, a presidente Dilma Rousseff sofreu impeachment e foi destituída do cargo por uma ação que até mesmo seus oponentes admitiram não ser uma ofensa imputável. Depois, eu fui mandado para a prisão, por um julgamento questionável de acusações de corrupção e lavagem de dinheiro.

Meu encarceramento foi a última fase de um golpe em câmera lenta destinado a marginalizar permanentemente as forças progressistas no Brasil.  (...)

CLIQUE AQUI para continuar lendo (via The New York Times)

12 agosto 2018

O “strip-tease” do arbítrio


Na imprensa deste final de semana, assiste-se ao espetáculo obsceno da revelação de como as instituições judiciais se tornaram tão adeptas do Direito quanto aqueles “capangas lá do Mato Grosso” que ficaram tristemente famosos numa sessão do Supremo tribunal Federal.

Na Veja, o desembargador João Gebran Neto diz que agiu ilegalmente para “evitar um mal maior” – a soltura de Lula por algumas horas, até que o monólito da Justiça pudesse esmagá-lo outra vez – e atropelou a decisão do desembargador Rogério Favreto:

O desembargador Gebran Neto admitiu a amigos que ignorou a letra fria da lei ao dar decisão contrária à soltura de Lula, desconsiderando a competência do juiz de plantão. Gebran  alegou que era a única saída para evitar um erro ainda mais danoso: libertar o petista.

Gebran, está claro, o fez com as “costas quentes” que lhe deu o presidente do TRF-4, Carlos Eduardo Thompson Flores que, relata o chefe da Polícia Federal, Rogério Galloro,  ao Estadão, telefonou aos que tinham a obrigação de cumprir a ordem e, a revogou de “gogó” e, ele sim, sem jurisdição para isso.

O segundo momento tenso para a PF envolveu a ordem de soltar Lula dada pelo desembargador Rogerio Favreto e a contraordem de Moro e dos desembargadores Gebran Neto e Thompson Flores, do TRF-4.
 
Eu estava no Park Shopping, em Brasília, dei uma mordida no sanduíche, toca o telefone. Avisei para a minha mulher: ‘Acabou o passeio’. 

 Em algum momento a PF pensou em soltar o ex-presidente?
 
Diante das divergências, decidimos fazer a nossa interpretação. Concluímos que iríamos cumprir a decisão do plantonista do TRF-4. Falei para o ministro Raul Jungmann (Segurança Pública): ‘Ministro, nos vamos soltar’. Em seguida, a (procuradora-geral da Republica   ) Raquel Dodge me ligou e disse que estava protocolando no STJ (Superior Tribunal de Justiça) contra a soltura. ‘E agora?’ Depois foi o (presidente do TRF-4) Thompson (Flores) quem nos ligou. ‘Eu estou determinando, não soltem’. O telefonema dele veio antes de expirar uma hora. Valeu o telefonema.

Num país minimamente sério, o Conselho Nacional de Justiça estariam abrindo procedimentos contra Gebran, Flores e o Ministério Público instaurando uma investigação contra o próprio diretor da PF.

Desde quando “vale o telefonema” diante de um mandado judicial? Desde quando, sem ser provocado, um juiz decide que outra decisão judicial representa “um mal maior”?

Imagino que os nossos grandes juristas do STF devam estar achando, a esta altura, como explicações e justificativas para isso, ou os confeitos que estejam preparando para enfeitar o coronelato de roça que praticam os algozes de Lula.

Na Justiça brasileira, porém, isso já não enoja ninguém.

*Por Fernando Brito, jornalista - Editor do Blog Tijolaço, fonte desta postagem.

Coluna Crítica & Autocrítica - nº 134



Por Júlio Garcia**

*Eleições 2018: Com as escolhas dos nomes dos(as) candidatos(as) finalizadas pelos partidos políticos, está praticamente definido o cenário eleitoral para as eleições de outubro próximo.

*Se alguém ainda tinha dúvida sobre a candidatura do ex-Presidente Lula, agora é definitivo: o PT, em sua convenção Nacional, reafirmou que seu candidato será mesmo Lula, tendo como vice o ex-prefeito de São Paulo e ex-Ministro da Educação, Fernando Haddad.

*Todavia, caso se confirme mais uma violência contra Lula (preso injustamente em Curitiba, vale recordar, condenado sem provas num processo viciado comandado pelo parcial juiz Moro - e com a cumplicidade covarde e/ou cúmplice de parcela significativa do judiciário, aplaudido pela mídia conservadora e golpista e seus satélites locais e regionais), seu vice Haddad assumirá a titularidade e representará Lula na campanha. A deputada Manuela, do PCdoB, será então a candidata a vice-Presidente na chapa integrada pelo PT/PROS/PCdoB/PCO.

*No RS o candidato de Lula a governador é Miguel Rossetto, do Partido dos Trabalhadores, tendo como vice a vereadora Ana Afonso, do PT de São Leopoldo. Para o Senado vamos trabalhar para reeleger o bravo senador Paulo Paim (PT) e a companheira Abigail Pereira (PCdoB). “Vamos tirar o Estado da crise construida por eles – e sem vender o Estado do Rio Grande do Sul”, enfatizou Miguel Rossetto.

*Prezados(as) leitores(as): Não vamos desaproveitar mais essa chance que teremos daqui a menos de 60 dias. Está na hora do Brasil e do Rio Grande virarem essa página trágica de sua história recente e voltarem a crescer, com democracia, inclusão social, geração de empregos e renda, respeitabilidade internacional e participação popular. Por isso, em 7 de outubro ... é Lula Lá & Rossetto Aqui!

*Conforme já havia externado, muito embora honrado ficasse com a indicação do meu nome realizada por vários(as) companheiros(as) e amigos(as) para novamente concorrer a uma vaga na AL/RS nas eleições de outubro próximo, agradeci a lembrança e decidi “passar” desta vez, priorizando assim meu trabalho como Advogado. Também priorizarei – especialmente neste período eleitoral - a reeleição do companheiro e amigo Deputado Federal Marco Maia, do PT/RS (ex-presidente da Câmara dos Deputados - na foto acima com o Presidente Lula), cujo Mandato assessoro em Santiago e Região, bem como trabalharei pela reeleição do Deputado Estadual Nelsinho Metalúrgico, vice-presidente da AL/RS, com quem o Deputado Marco Maia faz forte “dobrada” na maior parte do Estado.

*A propósito, esta semana, em Canoas/RS (no Sindicato dos Metalúrgicos), realizamos importante reunião do Mandato do Deputado Marco Maia, oportunidade em que discutimos os ajustes finais da campanha pela sua reeleição, agendas, prioridades, bem como sobre nossas candidaturas majoritárias e proporcionais. Clima de muito otimismo, garra e vontade de vencer, em que pese a conjuntura difícil que vivemos...

*Uma curiosidade: todos os candidatos que estou apoiando nestas eleições - com exceção da companheira Abigail Pereira (PCdoB), que é pedagoga - são (ou foram) lideranças Sindicais, também todos Metalúrgicos: Lula, Rossetto, Paim, Marco Maia e Nelsinho Metalúrgico. Todos petistas, testados e forjados nas lutas do povo. -Vamos em frente! #A luta segue!!!
...

**Advogado, Assessor Parlamentar, Midioativista. Foi um dos fundadores do PT e da CUT. - Publicado originalmente no Jornal A Folha (do qual é Colunista), em 10/08/2018. (Via Portal O Boqueirão Online)

11 agosto 2018

Lula ganhou o debate. Opinião, acredite, de Miriam Leitão


Por Fernando Brito*

Na análise que faz do debate entre os candidatos a Presidente, hoje,  a coluna de Miriam Leitão, imagina-se com que dor no coração, admite que, “Lula venceu o debate por uma espécie de W.O. às avessas“, por não ter sido apontado como responsável pelas desgraças que vive o país.

Faltou chamar, diretamente, de incompetentes aos outros candidatos, o que se explica, talvez,  pela crista lhe ande baixa, depois do vexame a que foi submetida por seus patrões ao ler, repetindo o que lhe ditavam ao ouvido pelo “ponto” eletrônico, sobre as relações entre a Globo e a ditadura, após a entrevista de Jair Bolsonaro.

Fechado numa cela em Curitiba, mantido pelo PT como o candidato ficcional, [Lula] não teve seu legado atacado.

Como disse José Serra em 2010: que bobagem, Miriam!

Certamente acostumados às conversas em salões de restaurantes e salas de embarque de aeroportos, onde Lula é considerado algo como um demônio, D. Miriam e seus auxiliares, julgando-se mais inteligentes que todos ali, não conseguem entender o óbvio: não citaram Lula porque a única forma de “matá-lo”, politicamente, é o silêncio.

Evocar Lula, fora daqueles ambientes de classe média insuflada de ódio, é evocar a lembrança da população de que este pode ser um país menos injusto e mais próspero, exatamente o contrário do que a ele fizeram rezando pela cartilha dos “Cabos Daciolo do Mercado”, que proclama que a salvação virá da livre iniciativa, apenas.

Como são “candidatos de faz-de-conta”, que só têm alguma chance eleitoral com a exclusão de Lula da disputa, o lógico e o natural é que esmerem-se em fazer de conta que Lula não existe.

Não é por outra razão que Lula teve de dar uma clarinada, lá de Curitiba, para que Haddad e Manuela D’Avila se exponham mais. Quer e precisa frustrar o plano de excluí-lo da polêmica pelo silêncio, pelo isolamento na Sibéria de Curitiba.

Os altos estrategistas da direita brasileira sabem disso, mas têm dificuldades em conter o ódio e o ressentimento com que seus porta-vozes crocitam e que os torna obtusos ao ponto de reconhecer-lhe apenas um mérito, o de “não destruir, no primeiro mandato, a herança que recebeu” de Fernando Henrique Cardoso.

E, ao contrário do que fizeram os microcandidatos no debate, não entende que, para o sistema, eles são a mais perfeita tradução do que disse Fernando Henrique Cardoso: “é o que temos”.

Depois D. Miriam não reclame se, de novo, forem lhe dizer o que falar pelo ponto eletrônico.

*Jornalista, Editor do Tijolaço

11 DE AGOSTO - DIA DO ADVOGADO E DA ADVOGADA

Resultado de imagem para sobre o dia do advogado


*Parabéns a todas e todos os colegas pelo nosso dia!!!

Globo abre temporada de caça a Haddad e Dilma



Dias após o anúncio de que será vice na chapa de Lula, Haddad sente o que virá pela frente durante a campanha; no esforço de construir narrativas contra o PT, Globo mira suas armas contra o ex-prefeito de São Paulo e também contra a Dilma Rousseff, que lidera isolada a campanha para o Senado em Minas Gerais

CLIQUE AQUI para ler na íntegra (via Brasil 247)

08 agosto 2018

PT santiaguense reúne hoje seu Diretório Municipal


O Partido dos Trabalhadores - PT de Santiago/RS, seguindo determinação contida na  Resolução tirada na reunião de seu  Diretório Municipal  realizada em 12/07, estará realizando nova 'Reunião Aberta' nesta quarta-feira, 08/08. A pauta será: Conjuntura, campanha Lula Livre, Eleições, Assuntos Gerais  e atividades relativas ao próximo dia 15 de agosto, quando ocorrerá em Brasília a inscrição do nome do ex-Presidente Lula como candidato do partido à Presidência da República.

Todos os filiados e simpatizantes estão convidados(as). A reunião ocorrerá na Associação dos Cabos e Soldados da Brigada Militar (Greminho), situada no Bairro Maria Alice Gomes (próximo a Escola da URI), devendo iniciar às 17,30h. 


06 agosto 2018

Lula: bem-vinda, Manuela. Vamos cada vez mais juntos

Stuckert

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva saudou a deputada Manuela D'Ávila (PCdoB), com uma mensagem em seu twitter na manhã desta segunda (6): "Bem vinda, @ManuelaDavila. Vamos cada vez mais juntos! #OBrasilFelizDeNovo"

CLIQUE AQUI para ler na íntegra (via Brasil 247)

Entenda por que Haddad foi escolhido para ocupar o lugar que é de Manuela

Lula, Haddad e Manuela
Por Joaquim de Carvalho*

Na sexta-feira, publiquei um artigo em que explique a natureza do acordo do PT com o PCdoB, que garantiu à candidatura de Lula quase o dobro de tempo de TV, somados os segundos do PCdoB,  do PROS e do PCO, que integrarão formalmente a aliança. 

O acordo também garantiu palanque para Lula (ele próprio ou quem ele indicar) em mais de dez Estados, e impediu que o tempo de TV do PSB fosse para algum adversário — neste momento, pela decisão de Ciro Gomes de marchar sozinho, o PDT se tornou adversário, não como as candidaturas da direita, como Alckmin e Bolsonaro, mas adversário, na medida em que o alvo é o mesmo, a eleição presidencial. 

Claro que Ciro e o PT buscarão aliança mais à frente, pelas inegáveis afinidades de propostas, mas hoje são adversários — não inimigos. 

Por isso, não faria sentido nenhum abrir mão de um acordo com o PSB para deixá-lo somar forças com Ciro Gomes. Seria suicídio político ou, por outras palavras, representaria abrir mão do esforço para voltar a governar o Brasil, retomando o lugar de que Dilma foi tirada pela força da violência institucional, com aparência de legalidade.

No artigo, escrevi que a vaga de vice estava reservada a Manuela D’Ávila, do PCdoB, e os leitores mais apressados podem dizer que o lugar foi preenchido por Fernando Haddad — portanto, errei. 

Calma, Haddad só está esquentando o lugar, que é de Manuela. Então, por que não colocar Manuela agora? Pela simples razão de que, como vice provisório, falando em nome de Lula, Haddad pleiteará participar de todas as atividades públicas de campanha, inclusive sabatinas pelos órgãos de imprensa e debates. 

Mas isso Manuela não poderia fazer? É a pergunta pertinente. Sim, poderia. 

Mas Manuela é do PCdoB, e, por isso, mais apropriado, é que alguém do PT fale em nome da chapa, e Haddad preenche como ninguém este requisito — além de petista, foi ministro de Lula, coordenou o programa de governo. 

A voz de Haddad será a a voz de Lula. Com esse propósito, é ele quem será registrado como vice. A pergunta óbvia é: então, Haddad é o candidato a presidente? Por enquanto, não. 

O candidato a presidente é Lula e a aliança levará até a último momento a campanha para que Lula tenha o direito de disputar a eleição. 

Com isso, serão duas as campanhas: Lula Livre e Lula presidente — no fundo, significam a mesma coisa. Ao defender Lula Livre, a aliança denuncia o processo violento com que se tirou o PT do Planalto e, em seguida, em uma ação que teve tramitação com rapidez anormal e com uma ação judicial sem provas e demonstração de culpa, se prendeu Lula. 

As duas coisas — o impeachment de Dilma e a prisão de Lula — representam a fotografia do golpe, e é preciso mostrá-la ao eleitor, o que significa radicalizar a democracia: demonstrar a torpeza em todos os seus detalhes e dar ao eleitor a oportunidade de entender que, por conta disso, o alvo não é apenas Dilma, Lula ou o PT. O alvo é a soberania da nação — afastá-los abriu caminho para o saque. Não é à toa que o litro da gasolina custava R$ 2,90 e hoje está em R$ 5,00.

Lula está tendo seus direitos políticos roubados, num processo viciado, mas o roubo maior ocorre no bolso da maioria dos brasileiros. 

Se Lula, por conta desse processo, não puder ser candidato, Haddad será, com Manuela vice. Se Lula puder ser candidato, Haddad cede o lugar de vice para Manuela. Dois nomes serão registrados na justiça eleitoral neste momento — Lula e Haddad —, mas são três os nomes que, informalmente, estão na chapa — além dos dois, Manuela. É uma chapa com três nomes.

Nunca aconteceu isso antes no Brasil, mas também não é sempre que o Brasil sofre um golpe. 

Para combater a violência institucional, há momentos em que o povo pega em armas. Na escola do PT, isso está descartado. O que o partido aprendeu a fazer é disputar eleição. 

Mostrou que, derrotado nas urnas, sabe perder. Mas não abre mão do direito de tentar ganhar. E, ao ganhar, usar o governo como meio de transformar efetivamente o país. No governo já errou, e muito, mas a costura política concluída neste fim de semana mostra que o PT e seus aliados mais próximos, como o PCdoB, não desistiram de tentar.

*Via DCM