15 outubro 2026

“Quem trabalha também merece tempo para viver. Bora celebrar”, diz Lula, após fim da escala 6×1

Presidente comemora aprovação da PEC no Senado, destaca mobilização popular e afirma que trabalhadores terão mais tempo para descansar, acompanhar os filhos e conviver com suas famílias



247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a aprovação, pelo Senado Federal, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, com a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, dois dias de descanso remunerado e manutenção dos salários. Em publicação nas redes sociais, Lula destacou a importância da mobilização popular para a votação da proposta e celebrou a perspectiva de mais qualidade de vida para os trabalhadores brasileiros.

“Quem trabalha também merece tempo para viver. Bora, celebrar!”, escreveu o presidente, ao compartilhar uma mensagem sobre a aprovação da proposta, que recebeu 75 votos favoráveis e apenas um contrário nos dois turnos de votação realizados nesta quarta-feira (14). (...)

*CLIQUE AQUI para continuar lendo (via Brasil247)

14 outubro 2026

Manifestação pela ‘virada’ de Lula reúne milhares em Porto Alegre; veja fotos

Mobilização começou na Esquina Democrática no fim da tarde desta terça-feira (13) e seguiu em caminhada em direção à Praça da Alfândega

    Foto: Marcelo Pires/Sul21

Sul21* - Milhares de pessoas se reuniram no fim da tarde desta terça-feira (13), na Esquina Democrática, no Centro Histórico de Porto Alegre, em um ato de apoio à candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mobilização começou às 18h e ocupou o cruzamento entre a Rua dos Andradas e a Avenida Borges de Medeiros.

Por volta das 19h, os manifestantes começaram a caminhar pelas ruas do Centro. O ato contou com carros de som e a participação de lideranças políticas dos partidos que integram a coligação de Lula na disputa presidencial. Ao fim da mobilização, os manifestantes se dirigiram à Praça da Alfândega.

A mobilização foi convocada com o lema “Bota pra Virar!”, em referência à busca por votos para o segundo turno. Na votação de 4 de outubro, Lula ficou em segundo lugar no resultado nacional, atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Em Porto Alegre, porém, o petista foi o mais votado no primeiro turno. Na divulgação do ato, os organizadores destacaram o resultado na Capital e convocaram apoiadores a ampliar a mobilização no Rio Grande do Sul.

A manifestação integra uma série de atos em apoio a Lula realizados em diferentes cidades do país. No domingo (11), houve mobilizações em São Paulo, Recife e Goiânia, entre outras cidades.

O ato em Porto Alegre ocorre na véspera da visita de Flávio Bolsonaro à Capital. O candidato do PL participará, nesta quarta-feira (14), de uma mobilização com apoiadores e lideranças políticas no Largo Glênio Peres, no Centro Histórico, ao lado do governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL). No primeiro turno, Lula também realizou um comício no local.

Flávio deve cumprir agendas em Alvorada, Canoas e Porto Alegre. A programação na Capital também prevê a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que acompanhará o candidato em atividades de campanha no segundo turno.

Confira fotos da manifestação:

Foto: Marcelo Pires/Sul21
Foto: Marcelo Pires/Sul21
Foto: Marcelo Pires/Sul21
Foto: Marcelo Pires/Sul21

Foto: Marcelo Pires/Sul21
Foto: Marcelo Pires/Sul21
Foto: Marcelo Pires/Sul21
Foto: Marcelo Pires/Sul21
Foto: Marcelo Pires/Sul21
Foto: Marcelo Pires/Sul21
*Fonte: Sul21

Senado deve votar hoje fim da escala 6×1

Proposta em análise nesta quarta-feira reduz a jornada de 44 para 40 horas; senadores articulam promulgação antes do segundo turno



Por José Reinaldo*

O Senado deve votar nesta quarta-feira (14), em dois turnos, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que encerra a escala 6×1, assegura duas folgas remuneradas por semana e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas.

Segundo o g1, parlamentares articulam a conclusão da tramitação para permitir a promulgação até quinta-feira (22), antes do segundo turno das eleições.

A expectativa de votação depende do encerramento da quinta e última sessão de discussão prevista para o primeiro turno. Para realizar também a segunda votação nesta quarta, os senadores precisarão dispensar ou encurtar os prazos regimentais.

Pelas regras do Senado, deve haver um intervalo de cinco dias úteis entre os turnos, além de outras três sessões de discussão. Um requerimento dos parlamentares pode acelerar esse procedimento e viabilizar a análise das duas etapas no mesmo dia.

De acordo com a reportagem, tanto governistas quanto integrantes da oposição afirmam que há apoio suficiente para aprovar a mudança. A previsão de promulgação até o dia 22 integra a articulação política em torno da proposta, mas ainda depende do avanço da tramitação.

Redução da jornada será gradual

O texto recebeu aprovação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 2 de setembro. A proposta altera a Constituição para estabelecer o limite de 40 horas de trabalho por semana e garantir dois dias de descanso remunerado, um deles preferencialmente aos domingos.

A implementação está dividida em duas etapas. O cronograma prevê que, em dois meses, a jornada semanal passe de 44 para 42 horas, já com direito aos dois dias de repouso remunerado.

Um ano depois desse período inicial de dois meses, o limite cairá para 40 horas semanais. Assim, a redução da carga horária será progressiva, enquanto a ampliação das folgas está prevista para a primeira etapa.

O texto também estabelece uma exceção: a mudança não será aplicada aos trabalhadores que tenham ensino superior e recebam mensalmente mais de duas vezes e meia o teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Conforme o valor informado na reportagem, esse corte corresponde a remunerações superiores a R$ 21.188 por mês.

Discussão ganhou espaço após o primeiro turno

A primeira sessão de discussão da PEC ocorreu em 6 de outubro, dois dias depois do primeiro turno das eleições. Desde então, a proposta passou a integrar as articulações do Senado na reta final da disputa eleitoral.

Segundo o g1, a maioria dos senadores do PL não participou daquela sessão, e aliados do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) tentaram esvaziar o debate.

A reportagem também cita uma proposta alternativa apresentada por Marinho, que permite diminuir a jornada com redução proporcional do salário. Já o texto previsto para votação estabelece a redução do limite semanal de trabalho e a garantia de dois dias de descanso remunerado.

*Fonte:  site Brasil247 (Edição final deste Blog)

13 outubro 2026

“É Lula ou o abismo”, diz Paulo Nogueira Batista Júnior

Economista avalia que o segundo turno está em aberto e adverte: não há equivalência entre um estadista experiente e a capitulação do país*


A disputa pelo segundo turno da eleição presidencial não está decidida e carrega em jogo o próprio destino do Brasil. A avaliação contundente é do economista Paulo Nogueira Batista Júnior, ex-diretor executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (o Banco dos Brics). Em enrevista ao jornalista Leonardo Attuch, editor da TV 247, Paulo Nogueira alertou para a urgência da mobilização popular e destacou que a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva representa a única barreira real contra a destruição das conquistas sociais e institucionais da nação.

Segundo o economista, a recente onda de manifestações populares em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador revela que o campo democrático e a juventude acordaram para a gravidade do momento histórico. Para ele, uma virada eleitoral é plenamente viável, desde que cada apoiador assuma a responsabilidade de buscar votos além da própria bolha política.

“Não é pelo Lula que se está falando isso. O Lula é hoje o instrumento que nós temos para evitar que a gente caia no abismo. Se você que está me ouvindo conseguir dois votos, ou um voto que seja, já terá feito a sua parte.”

— Paulo Nogueira Batista Júnior 

O risco da falsa equivalência

Ao dialogar com setores da esquerda crítica e com eleitores indecisos tentados pelo voto nulo ou pela abstenção, Paulo Nogueira rechaçou com veemência a armadilha de colocar as duas candidaturas no mesmo patamar. Ele lembrou que, embora tenha divergências pontuais com a condução econômica do atual governo, a comparação entre os projetos é descabida.

“Opera-se uma falsa equivalência quando se diz que ‘os dois são ruins’. De um lado, temos um político veterano, experiente, respeitado internacionalmente e que já provou sua responsabilidade. Do outro, um aventureiro sem qualquer preparo para o cargo mais importante da República.”

— Paulo Nogueira Batista Júnior

O economista pontuou que o desafio central até o dia da votação reside no diálogo direto e paciente nas ruas, no trabalho e no círculo familiar, sobretudo com as parcelas do eleitorado que se abstiveram no primeiro turno. “A eleição não está perdida. As pessoas estão começando a ver o perigo real e a energia das ruas mostra que a virada está acontecendo”, concluiu. - 

*Clique Aqui para assistir a entrevista, na íntegra.

**Edição final deste Blog - Via Redação do Brasil247

11 outubro 2026

Eleições 2026 - Diretor da Vox explica por que Lula passou Flávio Bolsonaro na sua pesquisa de 2º turno

Instituto Vox Brasil, em novo levantamento, apontou liderança numérica do presidente Lula contra Flávio Bolsonaro

       - Presidente Lula - Foto: Ricardo Stuckert

Por Lucas Vasques*

Nova pesquisa Vox Brasil, divulgada nesta sexta-feira (9), inverteu a liderança numérica na simulação de segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL): o presidente aparece agora com 44,2% das intenções de voto, contra 42,7% do senador.

Em entrevista à Exame, Alberto Barros, diretor e analista político do instituto, atribuiu a mudança à abstenção de eleitores de Lula no primeiro turno, que não compareceram às urnas no dia 4 de outubro, mas mantêm a intenção de voto no petista para o segundo turno.

Em oito dias, a diferença entre os dois candidatos virou de lado. No levantamento da Vox Brasil divulgado em 1º de outubro, Flávio Bolsonaro liderava com 48,2% das intenções de voto contra 45,2% de Lula, uma vantagem numérica de 3 pontos percentuais a favor do senador.

Apesar da inversão, os dois levantamentos indicam empate técnico, considerando a margem de erro de 2,15 pontos percentuais. O que chama atenção, porém, é a magnitude da oscilação de Flávio Bolsonaro no intervalo: o senador recuou 5,5 pontos percentuais em menos de duas semanas, enquanto Lula oscilou apenas 1 ponto, dentro da própria margem de erro.

Explicação da Vox Brasil

“O Lula não perdeu o seu eleitor. O eleitor dele simplesmente não foi votar. Ele não foi para o Flávio, ele não foi para candidato nenhum, ele não foi votar”, destacou Alberto Barros.

Segundo ele, a mudança na liderança numérica se explica principalmente pela queda de Flávio Bolsonaro, de 48,2% para 42,7%, e não por um crescimento expressivo de Lula, que oscilou apenas 1 ponto percentual.

Estratégia rejeição dos candidatos

Ainda segundo Barros, Lula mantém base sólida em segmentos como Nordeste, mulheres e católicos, e tem intensificado a campanha justamente nesses grupos, acrescentando também o eleitorado estudantil ao foco de mobilização.

Os índices de rejeição recuaram para ambos os candidatos no período. A rejeição a Lula caiu de 52,8% para 45,2%, e a de Flávio Bolsonaro de 49,1% para 44,2%. A queda simultânea sugere que o segundo turno ainda está em aberto e que nenhum dos dois consolidou uma imagem definitiva junto ao eleitorado indeciso.

O diretor da Vox Brasil não identifica uma resistência específica ao nome de Flávio Bolsonaro como principal fator explicativo para o recuo do senador nas pesquisas. A interpretação do instituto aponta para a remobilização da base petista como o movimento mais relevante neste momento da disputa.

*Via Revista Fórum

08 outubro 2026

PAPO RETO - ‘Não ataque, converse’, diz cientista política sobre estratégia para o segundo turno*

Larissa Peixoto Gomes destaca a importância do diálogo cotidiano e da mobilização focada em abstenções e eleitores

Militantes e lideranças do PSOL se reúnem no Conic, em Brasília, para organizar a campanha do segundo turno | Crédito: @zeluoficial/midia ninja

A mobilização do campo progressista para o segundo turno está ampliando positivamente nas redes sociais, mas a estratégia é também a conversa, aponta a doutora em ciência política e pesquisadora na Universidade de Edimburgo, Larissa Peixoto Gomes.

“Conversar é essencial, falar com alguém que você conhece: ‘Ah, eu não gosto de nenhum dos dois’. Ok, você não gosta de nenhum dos dois, mas um quer te dar um soco na cara e o outro quer te dar um aperto de mão. Você não gosta que encostem em você, mas você prefere um soco na cara ou um aperto de mão. Eu já vi várias dessas analogias sendo feitas e eu acho que é trabalhar no que você pode falar e quem é o público”, disse Gomes, em entrevista ao Conexão BdF 1ª edição, da Rádio Brasil de Fato.

A cientista política lembrou que há uma certa letargia, provocada por uma massificação de um discurso político. “As pessoas ficam com preguiça de conversar e também há essa dificuldade de conversar com as pessoas que estão massificadas, das pessoas que estão fazendo parte dessa seita bolsonarista.”

Outro ponto que deve ser discutido é a proposta de mudança da Constituição que Flávio Bolsonaro começou a cogitar. “A base de Flávio não conhece a Constituição. Ela não sabe a proteção que a brasileira oferece. Ela não sabe como a Constituição brasileira é vista, por exemplo, no exterior. A Constituição de 1988 é preciosa. A ideia de que, por exemplo, transporte é um direito constitucional, direitos humanos, o que são as garantias que estão nas cláusulas pétreas. O que a Constituição representa para a educação, para o SUS, a farmácia popular, que é uma coisa que muitos brasileiros usam, tudo isso entra num certo risco.”

Esse discurso, no entanto, pode não ter efeito para parte do eleitorado fiel ao bolsonarista, que vai alegar que é fake news, por isso, aposta no eleitorado que se absteve no primeiro turno. “A gente tem que chegar nas abstenções, nos nulos, nas pessoas que não foram, nas pessoas do [Augusto] Cury, nas pessoas do Renan Santos para poder falar”. -*Via Redação do BdF

06 outubro 2026

Lula e Alckmin pretendem dialogar com todas as lideranças que não querem o Brasil “entregue às milícias”

Campanha do presidente prepara ofensiva por novas alianças no segundo turno e pretende apresentar a disputa contra Flávio Bolsonaro como um confronto entre projetos distintos para o futuro do país

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin pretende ampliar o diálogo político no segundo turno e buscar o apoio de lideranças e setores da sociedade que rejeitem o projeto representado por Flávio Bolsonaro (PL). A estratégia foi detalhada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, após o primeiro turno da eleição presidencial.

“Nós vamos conversar com todas as lideranças que queiram construir um Brasil que não se entregue às milícias”, afirmou Edinho. O dirigente petista disse que a campanha buscará interlocução com forças políticas dispostas a discutir o futuro do país, independentemente das posições assumidas na primeira etapa da eleição.

A campanha considera que o segundo turno abre uma nova etapa da disputa, na qual Lula e Alckmin procurarão evidenciar as diferenças entre os dois projetos que chegaram à votação decisiva. “O segundo turno é uma outra eleição. Nós sabemos que é uma eleição de confronto direto de projetos”, afirmou Edinho após reunião da coordenação da campanha em Brasília.

Dois projetos em confronto

Segundo Edinho, a campanha pretende contrapor a trajetória e as propostas do presidente Lula ao projeto político de Flávio Bolsonaro. O presidente do PT tem associado o adversário a grupos milicianos do Rio de Janeiro e sustenta que essas relações precisam fazer parte do debate sobre segurança pública no segundo turno.

Entre os episódios mencionados nesse debate está a homenagem concedida por Flávio Bolsonaro, quando deputado estadual, ao ex-capitão da Polícia Militar Adriano da Nóbrega, posteriormente apontado pelo Ministério Público como integrante de milícia. O gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio também empregou a mãe e a ex-mulher de Nóbrega. Flávio afirma que, quando concedeu a homenagem, Adriano era reconhecido por sua atuação policial e não havia acusações contra ele.

Edinho sustenta que Lula representa, em contraste, um projeto “humanista”, voltado às pessoas, à proteção da natureza e ao desenvolvimento sustentável. A campanha pretende enfatizar também temas como soberania nacional, políticas sociais, geração de emprego e renda e defesa das instituições democráticas.

Alianças mais amplas

A busca por novas alianças deverá ultrapassar o campo tradicional da esquerda. Antes mesmo da votação do primeiro turno, Edinho já havia sinalizado a intenção de conversar com partidos e lideranças de centro e centro-direita.

A avaliação da campanha é que a diferença estreita registrada no primeiro turno torna especialmente importante a construção de uma frente política mais ampla. Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%, levando a eleição para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

A estratégia inclui ainda ampliar a mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas e intensificar a presença do presidente na campanha. Lula pretende participar de debates no segundo turno, depois de ter ficado fora dos confrontos televisivos da primeira etapa.

Reformas e futuro do país

Edinho também reconheceu que a crise de credibilidade das instituições, particularmente do sistema político e do Judiciário, teve impacto sobre o ambiente eleitoral. Lula passou a defender publicamente mudanças institucionais e uma reforma do Judiciário, tema que deverá aparecer na campanha do segundo turno.

Para o presidente do PT, o eleitorado conhece a experiência acumulada por Lula em seus mandatos e terá agora a oportunidade de comparar diretamente as propostas apresentadas pelos dois candidatos.

A orientação da campanha será, portanto, combinar a defesa das realizações do governo com uma discussão sobre os próximos anos. Depois de um primeiro turno concentrado na prestação de contas, Edinho afirma que a nova etapa será dedicada principalmente ao confronto entre projetos. “Já que nós prestamos contas, nós queremos fazer o confronto de projeto”, declarou.

*Fonte: Redação do Brasil247

05 outubro 2026

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL - ‘Eleição atípica’ coloca ‘golpistas no segundo turno’ e antecipa ‘tempos difíceis para a democracia’, avalia cientista político

José Henrique Artigas observa 'avalanche de votos da extrema direita' e aumento da capilaridade no país*


 Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. | Crédito: Sites oficiais

A definição do próximo presidente do Brasil ficou para o segundo turno, dia 25 de outubro, após a disputa acirrada do primeiro turno colocar Flávio Bolsonaro (PL), com 47,03%, um pouco à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve 45,16%. A legenda mais identificada com o bolsonarismo conseguiu a maior bancada da história do Congresso, com 121 deputados federais e 28 senadores.

O resultado surpreendeu, porque as pesquisas de intenção de votos, especialmente as divulgadas na semana que antecedeu o primeiro turno, apontavam para uma disputa apertada, mas com Lula na frente.

O cientista político José Henrique Artigas, professor do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal da Paraíba (CCHLA-UFPB), reforça que o resultado, com base nas análises de tendência, acabou sendo surpreendente e destaca os resultados positivos da composição do legislativo para a extrema direita.

“Houve uma verdadeira avalanche de votos atribuídos a extrema direita particularmente ao PL de Flavio Bolsonaro. Essa eleição coloca o PL como partido mais forte do Brasil, que conquistou o maior número de parlamentares e de governos estaduais, principalmente em cima do Centrão. O somatório dos partidos de esquerda e centro-esquerda mudou muito pouco em relação à composição de 2022. Partidos como PP e União Brasil deram espaço para o PL. Isso jamais aconteceu na história do país”, avalia.

Artigas reforça que a eleição “foi atípica” e compara com o movimento de 2018. “Flávio Bolsonaro conseguiu vencer em estados onde, em 2022, Lula havia garantido a vitória”, pontua.

Para o cientista político, ainda que Lula consiga reverter o cenário e sair vitorioso no segundo turno, “terá um caminho dificílimo para enfrentar”. Artigas observa que a tendência de crescimento da direita, desde 2018, já vinha se consolidando, mas alerta que o que está em evidência não é mais uma “oposição do Centrão liberal”. “Estamos falando de uma oposição da extrema direita golpista. A extrema direita do PL flerta com o golpe, com o autoritarismo e, portanto, com o rompimento da ordem institucional estabelecida”, resume.

O analista questiona a ideia de que há um “avanço conservador” no Brasil. Para ele, trata-se de um “retrocesso conservador e avanço reacionário”. José Henrique Artigas alerta que, caso se torne presidente, o primeiro ato de Flávio será anistiar seu pai, Jair Bolsonaro, e os golpistas do 8 de janeiro.

“É um grupo de golpistas que quer destruir as instituições. São representantes eleitos que claramente querem retroceder a antes de 1988. Que nos preparemos para tempos muito difíceis. A democracia que conseguiu se sustentar após crises vai ter que demonstrar muito mais resistência e resiliência. Toda a corja golpista sairá da cadeia, caso Flávio ganhe”, ressalta.

Profunda transformação da comunicação

O analista político observa uma mudança na última década na forma em que grupos e lideranças políticas se conectam com o eleitorado, apontando para uma perda de relevância da forma de comunicação tradicional para os algoritmos nas plataformas das redes sociais. Nesse sentido, o campo conservador conseguiu, com mais habilidade, capturar essa dinâmica.

Artigas compara o atual cenário de marketing político aos anos 1930, quando o nazismo e o fascismo ganhavam capilaridade e a mensagem era dirigida a grupos muito específicos. Ele avalia que “o debate não aconteceu pelas vias tradicionais e não foi para as ruas”, garantindo a vitória a figuras como Nikolas Ferreira, que concentram sua atuação nas redes sociais.

“O mecanismo hoje de inteligência artificial, que orienta a captura de dados, acaba dificultando manifestações coletivas. A propaganda eleitoral é orientada ao indivíduo, bombardeado pelos algoritmos”, observa.

Nesse sentido, Artigas avalia que esse formato comunicacional acaba alavancando o projeto principal da extrema direita, que era aumentar a capilaridade. “Desde 2022, o PL vinha se reorientando a aumentar a capilaridade. Em 2018, ainda como PSL, ele tinha certa dificuldade de avançar pelo país. A partir de 2022, eles conseguem a capilarização. E isso terá um impacto imenso. Caso eleito para a presidência, Flávio vai navegar em mar tranquilo, semelhante ao segundo governo Trump, com capacidade de impor e não negociar a presidência do Senado e a presidência da Câmara”, afirma.

“Hugo Motta e Davi Alcolumbre que coloquem suas barbas de molho, porque estavam com a expectativa de reeleição [na presidência da Câmara e Senado]”. Para ele, o segundo turno se trata de disputar essas forças do Centrão.

Para Artigas, o voto útil foi uma tendência e acabou sendo um fiel da balança. Além disso, o cientista político avalia que a campanha de Flávio sai vitoriosa do primeiro turno, garantindo pelo menos cinco palanques importantes estaduais, contra quatro de Lula. “Campanha de Flávio sai do primeiro turno com tendência de crescimento, conseguindo votos úteis de outros candidatos da direita. Não acredito que haverá grandes mudanças no campo bolsonarista”, aponta.

Já para o campo lulista, Artigas avalia que a mudança deverá ser drástica e critica a campanha que, segundo ele, “ficou muito focada no passado e em denúncias contra Flávio”, como os escândalos do Banco Master, que não colam e não surtem o impacto esperado. “Apesar da diferença proporcional de votos ser relativamente pequena, o grau de calcificação desde o início da campanha revela a grande dificuldade de conquista de indecisos e um arco muito restrito da possibilidade de mudar de opinião”, pondera.

*Por Afonso Bezerra, Ana Rosa Carrara e Maria Tereza Cruz no site BrasildeFato