06 junho 2026

O déjà vu da vassalagem do clã bolsonarista

No hiato entre o tarifaço de Trump e a submissão dos Bolsonaro, repete-se o velho esquema de ataques à soberania em nome de interesses familiares e eleitorais

Donald Trump, Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro (Foto: Donald Trump/Redes sociais)

Por Elisabeth Lopes*

Nas últimas semanas, o Brasil tem assistido à reincidência de um déjà vu de sabotagem nacional promovido pelo clã Bolsonaro, resultante de pedidos ao governo trumpista de ingerências nos assuntos brasileiros. Movidos pela obsessão mesquinha por ganhos pessoais, os irmãos comportam-se como os mais vis traidores da pátria, reles mercadores da nossa dignidade. Para esses falsos patriotas, o projeto de assalto ao poder justifica qualquer baixeza, inclusive o ato de rifar e alienar o que uma nação e seu povo, que se prezam, têm de mais precioso: a soberania nacional e a altivez de jamais se curvar diante de outro país.

Na semana passada, em um movimento para desviar o foco de seu envolvimento umbilical com o ex-banqueiro malfeitor Daniel Vorcaro, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu a Washington a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Sob a justificativa hipócrita do combate ao crime, os filhos do ex-presidente condenado pela tentativa de golpe de Estado convidaram o lobo para o galinheiro ao chancelarem esse pretexto, abrindo as portas para que o imperialismo americano legitime intervenções diretas no território nacional, ataque nossa soberania, prejudique instituições financeiras e sabote a cooperação policial autônoma. É a síntese perfeita do “complexo de vira-lata” em sua versão mais perigosa, o sacrifício da segurança e da independência do Brasil no âmbito do oportunismo familiar com fins eleitoreiros.

Nesta semana, após a investigação comercial da Seção 301, por razões meramente políticas, os EUA sinalizaram uma proposta de 25% de sobretaxa sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de práticas cerceadoras ao comércio estadunidense, com vinte menções ao Pix, entre outros questionamentos que não se sustentam na atual conjuntura do Brasil. O cronograma dessa investida prevê um período de consultas públicas até o início de julho, com a data-limite de 15 de julho de 2026 para que os EUA tomem a decisão final sobre a aplicação ou não da tarifa.

No dia seguinte, como se não bastasse a sobretaxa de 25%, a arrogância estadunidense anunciou um novo tarifaço de 12,5%, cinicamente camuflado sob alegações de combate ao trabalho forçado na produção brasileira. Na análise de negociadores, o que o império promove é um massacre comercial cumulativo. A junção das duas penalidades joga uma barreira alfandegária asfixiante de 37,5% contra as exportações do Brasil.

Flávio Bolsonaro tenta se descolar do anúncio dessas propostas de tarifaço; no entanto, resta impossível para qualquer bom entendedor engolir os argumentos falaciosos do senador de que não tem nada a ver, sobretudo depois da postagem de Trump sobre o efusivo encontro com Flávio, publicada em rede social no mesmo dia do golpe de novas taxações. Trump escreveu: “Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca, um jovem inteligente que ama muito o seu país”.

Numa esperada virada de chave, Trump explicita, sem a falsa máscara de “química” com Lula, que tipo de governante brasileiro prefere que seja eleito em outubro: um jovem capacho do imperialismo, um traidor da pátria que jamais amou seu país, que age unicamente para defender seus mesquinhos interesses individuais e familiares. Um jovem, nem tanto, que, ao longo de sua vida, nunca trabalhou como os verdadeiros patriotas brasileiros, que acordam cedo, pegam condução lotada para, horas depois, chegarem ao local de trabalho, submetidos a uma massacrante escala 6x1; um sujeito supostamente esperto, embora plenamente incapaz de dirigir um país.

Sem nenhuma sombra de dúvida, Flávio Bolsonaro é o candidato ideal de Trump para presidir o Brasil a partir de janeiro de 2027. O jovem sujeito improdutivo que se tornou político pelo parasitismo do “Cê é fi de quem?” (frase da camiseta usada por Flávio em um evento em Minas Gerais) e que continuou ineficaz desde 2003, quando se elegeu deputado estadual, até os dias de hoje como senador; um indivíduo que coleciona amizades íntimas com criminosos milicianos e parlamentares ligados ao crime organizado; um lacaio que trata como irmão um ex-banqueiro acusado de se apropriar de recursos públicos e apontado como protagonista de um dos maiores escândalos financeiros do país, cuja proximidade entre ambos se tornou ainda mais controversa após o recebimento de uma vultosa quantia de Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai, fato cercado por crescentes suspeitas de irregularidades, desvios obscuros e questionamentos sobre a aplicação do montante para além do custeio da produção cinematográfica.

Essa vocação entreguista e vassala atinge o ápice do ridículo na patética carta enviada por Flávio Bolsonaro ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, após a repercussão do tarifaço. Em um misto de delírio e bajulação rasteira, o senador incapaz de formular um projeto de governo e já se oferecendo como futura marionete presidencial chegou ao desplante de prometer entregar sua equipe de transição, de bandeja, aos interesses da Casa Branca. Ao apelar pelo recuo na proposta de tarifas a Rubio, enquanto argumenta um cenário caótico da economia brasileira, ele demonstra sua total inaptidão para ser presidente. Sua promessa de submeter o destino do Brasil à tutela americana demonstra sua rendição prévia e subserviente e que, se pudesse, rifaria a soberania nacional em troca de uma foto de aprovação na Casa Branca.

A bizarrice da família se acentua quando Eduardo Bolsonaro sai em defesa do Zelle, o sistema de transferências dos EUA, sugerindo que o Brasil abandone o Pix para adotar o modelo americano. Acontece que o Zelle é uma ferramenta privada, cara e fragmentada, absolutamente inferior. O Pix, por sua vez, humilha o concorrente norte-americano em eficiência e alcance, por ser um bem público regulado pelo Banco Central, por oferecer liquidação imediata em segundos e com custo zero para o cidadão, além de possuir uma segurança institucional que o mercado privado americano jamais conseguirá replicar.

Não é surpresa que o imperialismo em tensionamento, diante de sua superação hegemônica mundial pela China, almeje um político rasteiro no cargo de presidente do Brasil, em vez de um estadista como o presidente Lula, que não se curva e não negocia, em hipótese nenhuma, a soberania do país. Com toda a certeza, um líder dessa estirpe não é bem-vindo pelos EUA. Um governante que intimida a onipotência americana por meio de sua projeção internacional na defesa de uma nova ordem mundial, um presidente reconhecido mundialmente que ousa anunciar sua ida à Cúpula do G7 na França, com a missão explícita de costurar uma reação multilateral à ofensiva protecionista de Donald Trump e restabelecer o equilíbrio global frente ao arbítrio de Washington, sem sombra de dúvida, assusta pela coragem e determinação.

Esse embate constante nos fóruns globais reflete a perda de controle da Casa Branca sobre as estruturas de poder que antes dominava com facilidade. Exemplo categórico disso é que o ataque ao Pix se tornou, na avaliação estadunidense, um problema geopolítico e comercial para os Estados Unidos, justamente por ter minimizado o monopólio das maiores empresas de pagamento do mundo. Relatórios do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) já vinham apontando a ferramenta brasileira como uma suposta “barreira comercial” sob o argumento falacioso de que o Banco Central do Brasil atua de forma injusta por ser, ao mesmo tempo, o regulador do mercado e o operador do Pix, prejudicando empresas norte-americanas como Visa, Mastercard e as Big Techs apoiadoras do Make America Great Again de Trump. Na realidade, o que incomoda o governo americano é a perda de bilhões de dólares em taxas de intermediação e o avanço de modalidades como o Pix Parcelado, que ameaçam diretamente o império dos cartões de crédito tradicionais. Além do mais, uma escalada do Pix internacional também abre caminhos alternativos ao domínio global do dólar e esvazia a dependência do sistema SWIFT.

Esse sistema revolucionário não nasceu do dia para a noite; ele começou a ser pensado em 2016 pelo corpo técnico do Banco Central do Brasil e foi lançado em novembro de 2020 com o objetivo de modernizar o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), a partir de uma infraestrutura pública aberta e gratuita para pessoas físicas. É preciso desmistificar a narrativa falsa de que o Pix foi uma criação do governo Bolsonaro, ao contrário do que afirmam postagens enganosas de seus filhos nas redes sociais. Na verdade, na véspera do lançamento da ferramenta, o próprio ex-presidente demonstrou desconhecer o projeto ao ser questionado por um apoiador, respondendo que ainda iria se informar com o presidente do Banco Central.

Para os brasileiros, o Pix significou uma das maiores ferramentas de inclusão financeira e digital da história, permitindo que milhões de pessoas saíssem da informalidade e que pequenos comerciantes e vendedores ambulantes passassem a receber o dinheiro de suas vendas na hora, sem ficar reféns dos prazos de 30 dias e das taxas abusivas das maquininhas de cartão. Ao transformar o celular na principal carteira do país e virar sinônimo de praticidade no cotidiano, o Pix provou que o Brasil pode liderar a vanguarda tecnológica financeira mundial, e a reação protecionista americana com menções diretas ao Pix é a prova definitiva de que a soberania digital brasileira mexeu com os interesses dos EUA.

O sucesso do Pix no Brasil transformou o país em uma vitrine de tecnologia financeira. O receio dos Estados Unidos não é apenas perder mercado em território brasileiro, mas sim que o modelo de infraestrutura pública e gratuita se espalhe por outros países, ameaçando o monopólio dos cartões de crédito e das remessas internacionais em outras regiões. Países da Ásia, América Latina e África querem adotar o sistema de pagamento instantâneo a exemplo do Pix.

Em reação ao anúncio da proposta dessa sobretaxa de 25% contra os produtos nacionais, o governo brasileiro emitiu uma nota oficial manifestando profunda indignação contra essa nova investida dos EUA. A nota sinaliza que, a pretexto de punir supostas práticas desleais e mirando inclusive infraestruturas soberanas como o Pix, o governo estadunidense impõe uma violência econômica infundada contra um parceiro com quem acumula um superávit. Refere ainda que a retaliação é politicamente motivada e sabotada internamente pela extrema-direita bolsonarista, que atua como linha de apoio estrangeira contra a própria pátria. Enquanto o Brasil garante tarifa zero para 76% das importações norte-americanas (incluindo petróleo e gás), Washington responde sufocando as exportações brasileiras, que já atingiram o menor patamar histórico de participação, forçando o país a acionar sua Lei de Reciprocidade para defender sua soberania e proteger os empregos nacionais.

Nesse horizonte de prepotência, os Estados Unidos entram com carga estridente na campanha eleitoral contra o presidente Lula. O coadjuvante ativo dessa ofensiva é Marco Rubio, cuja atuação revela uma psique comprometida e neurotizada em relação à sua própria latinidade. Cubano de origem, Rubio é uma figura complexada e frustrada, mas movida por uma ambição desmedida, o desejo de suceder a Donald Trump, que, num passado recente, o ridicularizou publicamente. Para provar sua lealdade ao império, Rubio projeta seu auto-ódio contra os governos progressistas da América Latina. O ápice desse ressentimento materializou-se nesta terça-feira (2), em audiência no Senado americano, quando ele rejeitou abertamente os vizinhos do sul e afirmou que o Brasil não integra o grupo de nações amigáveis aos interesses estadunidenses no hemisfério ocidental, contrariando a histórica relação amigável entre o Brasil e os EUA, que perdura há mais de duzentos anos.

A ojeriza do “tal Rubio”, como Lula acertadamente o chamou ao se referir a Marco Rubio, aplicou, não por acaso, a sua costumeira diretriz ideológica na escolha do novo embaixador dos EUA no Brasil, Daniel Perez. Recém-indicado por Donald Trump, Perez é presidente da Câmara da Flórida e, assim como Rubio, um filho de imigrantes cubanos que ascendeu na ala mais radical do Partido Republicano. O diplomata chega a Brasília sob o apadrinhamento direto de Marco Rubio, consolidando uma política de trincheira na América Latina. Juntos, padrinho e afilhado operam o mesmo mecanismo psicológico de negação. Utilizam sua ascendência latina não como ponte diplomática, mas como escudo ideológico para perseguir governos progressistas e enquadrar o hemisfério ocidental aos interesses da Casa Branca.

Vale ressaltar que os interesses americanos no Brasil vão além do Pix e alcançam setores altamente estratégicos. O Brasil é visto pelos EUA como um ponto estratégico de abastecimento para sua transição energética e segurança tecnológica. Esse interesse se traduz na extração e controle de minerais críticos para a indústria de defesa americana, no uso do território para tecnologia de satélites e no aproveitamento da matriz energética limpa do país para sustentar a infraestrutura de seus data centers. Esse intuito de exploração de recursos não vem sozinho; ele exige uma estrutura de força militar e alinhamento político para se consolidar no continente. O jornalista Jamil Chade, em publicação na revista CartaCapital, revela, inclusive, a articulação do “Escudo das Américas”, uma aliança moldada nos termos da OTAN, mas sob o controle irrestrito dos EUA. Segundo a análise de Chade, o tratado visa impor a supremacia de Washington por meio da militarização e da dependência regional, já atraindo cerca de dez nações, entre as quais Argentina, Chile, Paraguai e Panamá. Nesse contexto geopolítico, a ascensão de Flávio Bolsonaro à Presidência representaria o encaixe perfeito para os planos de subordinação defendidos pelo poder americano.

Diante de tudo isso, não resta dúvida de que a subserviência do clã Bolsonaro e de seus aliados vem sendo amplamente rechaçada nas redes sociais. Em um certeiro tiro no pé, os movimentos dessa família nociva ao país acabaram se convertendo num bom cabo eleitoral em favor do presidente Lula. Por outro lado, como previsível, os pré-candidatos da direita alinhada ao bolsonarismo, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), ignorando deliberadamente o papel entreguista de Flávio Bolsonaro na crise, transformaram a ameaça do tarifaço em plataforma eleitoral, jogando a culpa do ataque imperialista nas costas da política externa do Planalto.

Ao final, o que se vê é mais um capítulo do déjà vu da vassalagem bolsonarista. Resta saber se, nas urnas de outubro, a teimosia de uma parte inacreditável de brasileiros optará por abandonar de vez essa tonalidade política obscura marcada pelo entreguismo, pela dependência externa e pela traição aos interesses nacionais.

*Elisabeth Lopes é Advogada, especializada em Direito do Trabalho, pedagoga e Doutora em Educação - Fonte: Brasil247

05 junho 2026

Dia Mundial do Meio Ambiente 2026: O Que é, Origem e Como Comemorar

 



O Dia Mundial do Meio Ambiente é uma data global criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e celebrada em 5 de junho. A iniciativa convida governos, empresas, escolas e cidadãos comuns a refletir sobre a saúde do planeta e a colocar em prática ações concretas de proteção ambiental. Em 2026, a celebração completa mais de cinco décadas de existência e segue como o maior evento de mobilização ecológica do mundo.

Mais do que uma data simbólica, o Dia Mundial do Meio Ambiente serve de alavanca para campanhas de conscientização, novas políticas públicas e a divulgação de pesquisas científicas. Neste guia, você entende a origem da data, o papel da ONU, como o Brasil participa e o que cada pessoa pode fazer no dia 5 de junho — e nos outros 364 dias do ano. (...)

*CLIQUE AQUI para continuar lendo, na íntegra, a importante postagem oriunda do site Mundo Ecologia

Pesquisa Vox mostra arrancada de Lula no 1º turno e queda significativa de Flávio Bolsonaro

Lula lidera com 42,1%, contra 33,6% de Flávio Bolsonaro, e vê vantagem crescer em nova pesquisa Vox Brasil

Lula e Flávio Bolsonaro (Foto: Ricardo Stuckert/PR I Andressa Anholete/Agência Senado)

Por Guilherme Levorato*

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um cenário estimulado de primeiro turno para a eleição presidencial, segundo levantamento do Instituto Vox Brasil divulgado nesta sexta-feira (5) pela Exame. Lula registra 42,1% das intenções de voto, contra 33,6% de Flávio, uma diferença de 8,5 pontos percentuais.

A pesquisa indica avanço do presidente em relação às rodadas anteriores. Desde meados de maio, Lula subiu 7,8 pontos percentuais, passando de 34,3% para 42,1%. No mesmo período, Flávio Bolsonaro recuou 2,9 pontos, de 36,5% para 33,6%.

No mesmo levantamento, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) aparece em terceiro lugar, com 6,9% das intenções de voto. Na sequência está o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), com 5,1%.

Renan Santos (Missão) registra 3,1%, seguido por Aécio Neves (PSDB), com 2,1%, Joaquim Barbosa (DC), com 1,1%, Augusto Cury (Avante), com 0,5%, e Cabo Daciolo, com 0,3%. Brancos, nulos e nenhum somam 2,9%, enquanto 2,3% dos entrevistados disseram não saber ou preferiram não responder.

O levantamento é o primeiro divulgado após a visita de Flávio Bolsonaro ao presidente Donald Trump e depois da decisão do governo dos Estados Unidos de declarar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Parte da coleta também ocorreu após a ameaça do governo norte-americano de impor um novo tarifaço contra produtos brasileiros.

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Lula tem vantagem entre mulheres e baixa renda

O recorte por gênero mostra Lula com desempenho superior entre as mulheres. Nesse grupo, o presidente alcança 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 30,8%. A vantagem é de 15,2 pontos percentuais.

Entre os homens, o cenário é numericamente favorável ao senador do PL. Flávio registra 40,1%, contra 37,8% de Lula, uma diferença de 2,3 pontos percentuais.

Por faixa etária, Lula obtém seus melhores resultados entre eleitores com mais de 60 anos. No grupo de 60 a 69 anos, o presidente tem 44,8%, ante 32,9% de Flávio Bolsonaro. Entre os entrevistados com mais de 69 anos, Lula chega a 46,9%, enquanto o senador registra 31,0%.

Flávio Bolsonaro tem seu melhor desempenho entre eleitores de 35 a 44 anos. Nessa faixa, ele aparece com 40,8% das intenções de voto, contra 36,5% de Lula.

No recorte de renda, a vantagem de Lula é mais ampla entre os entrevistados que ganham até dois salários mínimos. Nesse grupo, o presidente registra 55,1%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 23,5%.

Entre os eleitores com renda superior a dez salários mínimos, o quadro se inverte. Flávio aparece com 41,7%, enquanto Lula registra 32,9%.

Escolaridade mostra diferenças entre os candidatos

A pesquisa também aponta diferenças relevantes por escolaridade. Lula lidera entre os grupos com menor nível de instrução. Entre eleitores analfabetos, o presidente registra 53,2%, contra 24,1% de Flávio Bolsonaro.

À medida que o grau de escolaridade aumenta, a distância entre os dois diminui. Entre os entrevistados com ensino superior completo, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente, com 39,1%, enquanto Lula tem 38,4%.

Segundo os dados do levantamento, há uma relação inversa entre escolaridade e desempenho dos dois principais nomes no cenário pesquisado. Lula perde vantagem conforme aumenta o nível de instrução, enquanto Flávio Bolsonaro amplia sua participação entre os segmentos mais escolarizados.

Lula e Flávio concentram maiores índices de rejeição

O Instituto Vox Brasil também mediu a rejeição dos possíveis candidatos. Nesse indicador, os entrevistados informam em quais nomes não votariam de forma alguma. Como a pergunta permite múltiplas respostas, a soma dos percentuais pode ultrapassar 100%.

Lula aparece com a maior rejeição, com 49,2%. Flávio Bolsonaro vem logo em seguida, com 48,3%.

Aécio Neves é o terceiro nome mais rejeitado, com 41,3%. Depois aparecem Romeu Zema, com 25,7%, Joaquim Barbosa, com 23,3%, Ronaldo Caiado, com 21,7%, e Renan Santos, com 19,5%.

Cabo Daciolo registra 18,1% de rejeição, enquanto Augusto Cury aparece com 16,5%. Entre os entrevistados, 6,9% não souberam responder à pergunta sobre rejeição, e 2,3% afirmaram não rejeitar nenhum dos nomes apresentados.

Aprovação e desaprovação do governo estão empatadas

A pesquisa também avaliou a percepção dos entrevistados sobre a gestão do presidente Lula. O resultado mostra equilíbrio entre aprovação e desaprovação do governo federal.

Segundo o levantamento, 49,1% aprovam a administração Lula, enquanto 49,3% desaprovam o governo. Outros 1,6% não souberam responder ou preferiram não opinar.

Os dados indicam melhora gradual na avaliação presidencial ao longo das últimas semanas. Em 14 de maio, a aprovação era de 45,1%, enquanto a desaprovação chegava a 51,5%. Na rodada divulgada em 20 de maio, os índices passaram para 46,1% e 50,4%, respectivamente.

Na comparação com a primeira pesquisa da série, a aprovação do governo avançou quatro pontos percentuais. No mesmo período, a desaprovação recuou 2,2 pontos.

A diferença entre aprovação e desaprovação é de 0,2 ponto percentual, dentro da margem de erro. Na prática, os números indicam empate técnico na avaliação da gestão Lula.

O Instituto Vox Brasil ouviu 2.100 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 1º e 3 de junho. A margem de erro é de 2,15 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 08016/2026.

*Fonte: Brasil247

03 junho 2026

FILME 'BASILICIA' SERÁ EXIBIDO DIA 12 DE JUNHO NO MEMORIAL PRESTES, EM PORTO ALEGRE/RS

 


*Documentário dirigido pelos cineastas argentinos Gustavo  Carbonell e Gastón Gulart que conta a história (e o sacrifício, em 1936) da jovem Basilicia Savinski, filha de imigrantes ucranianos, que se tornou um símbolo da luta e da resistência pelo direito das famílias rurais no então Território Nacional de Missiones, na Argentina.

Basilicia Savisnki integra também o grupo de seis Revolucionários homenageados nos 'Caminhos Revolucionários II' (Sônia Maria de Moraes Angel Jones, Ernesto Che Guevara, Luis Carlos Prestes, Andres Guacurani e Sepé Tiarajú) no ano em que se comemora os 400 anos das Missões (vide card abaixo).




*BASILICIA "Cuando la historia la escriben los que luchan".

Assista ao trailer do filme:



02 junho 2026

‘Extrema direita bolsonarista é colonial, entreguista, antinacional e representa o império dos EUA’, dispara Uczai

"Vendilhões, vassalos de Trump e traidores da pátria", afirmou o líder do PT em referência à família Bolsonaro


  Pedro Uczai (Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados)

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai, reagiu com duras críticas nesta terça-feira (2) à proposta dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e acusou a extrema direita bolsonarista de agir contra os interesses nacionais. A medida partiu do Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) e provocou reação política no Brasil.

Em postagem na rede social X, antigo Twitter, Uczai associou a iniciativa dos EUA às articulações de aliados e familiares de Jair Bolsonaro (PL) junto ao governo do presidente estadunidense, Donald Trump. "É a extrema-direita bolsonarista, colonial, entreguista e antinacional atuando como correia de transmissão do império. Vendilhões! Vassalos de Trump! Traidores da pátria!", escreveu o petista.

O deputado do PT também mirou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em suas críticas. "É imperialismo econômico contra a soberania nacional, a pedido de Flávio Bolsonaro, que foi lá entregar o Pix para os EUA", afirmou Uczai. O parlamentar também disse que o senador da extrema-direita desembarcou em Washington para "se alinhar a Trump contra" o Brasil.

Segundo o líder petista, Trump "ataca o Brasil com um novo tarifaço, mirando nossas empresas, nossas exportações, os empregos e a renda dos trabalhadores brasileiros".

O deputado também afirmou que a ofensiva mira o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. "Agora querem atingir o patrimônio público do povo brasileiro, gratuito, eficiente e soberano, para favorecer bancos, rentistas e gigantes norte-americanas dos cartões, que lucram com taxas abusivas, juros e endividamento popular", escreveu.

Investigação sobre o Pix começou nos Estados Unidos

A ação contra o Pix — sistema de pagamentos desenvolvido pelo Banco Central do Brasil — começou nos Estados Unidos em 15 de julho de 2025, quando o governo do presidente Donald Trump anunciou a abertura de investigação sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil.

Criado em novembro de 2020, o Pix consolidou-se como um dos principais meios de pagamento do país. No fim de novembro, o sistema acumulou 178,9 milhões de usuários, segundo números divulgados pela Agência Brasil em 6 de dezembro de 2025.

Dados do Banco Central também indicam que o Pix atende mais de 170 milhões de pessoas físicas, o equivalente a mais de 80% da população brasileira. O sistema tornou-se peça central nas transações cotidianas de trabalhadores, empresas e pequenos negócios.

Bolsonarismo busca apoio no trumpismo

A postagem de Uczai também faz referência às articulações da família Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump com o objetivo de pressionar autoridades brasileiras em favor de anistia para políticos e eleitores condenados por ações golpistas.

Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos no último dia 25 e retornou no dia 28. O ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do senador, vive em território estadunidense e busca apoio da extrema-direita trumpista.

No Brasil, Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar após condenação pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão na investigação sobre a trama golpista. O inquérito resultou em 29 condenações, mas os filhos do ex-mandatário não foram condenados nesta apuração.

Em outra investigação, o Supremo Tribunal Federal também condenou mais de 1,4 mil pessoas por envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. As decisões fazem parte da resposta institucional aos ataques contra as sedes dos Três Poderes em Brasília (DF).


*Via Redação do site Brasil247 

01 junho 2026

"Vamos desbaratar essa quadrilha", afirma Lindbergh após operação contra ONG ligada à produtora de Dark Horse

Deputado cobrou apuração de repasses ligados a Dark Horse, além de citar Flávio Bolsonaro, Mário Frias e Eduardo Bolsonaro. 

Lindbergh Farias, Mario Frias, Eduardo, Jair e Flávio Bolsonaro (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados I Reprodução)


O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) cobrou nesta segunda-feira (1) uma investigação mais ampla sobre o fluxo financeiro ligado ao filme Dark Horse, produção biográfica sobre Jair Bolsonaro (PL). Em postagem divulgada na rede social X, antigo Twitter, o parlamentar afirmou que as apurações precisam alcançar os responsáveis políticos e financeiros ligados ao projeto. O petista mencionou o ex-mandatário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

O petista comentou a operação da Polícia Civil contra a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade de propriedade de Karina Gama, que também aparece como sócia da Go UP, produtora responsável pelo filme. Investigadores apuram suspeita de fraudes em contratos de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo. O contrato sob investigação foi firmado pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) com o objetivo de instalar 5 mil pontos de acesso à internet sem fio em comunidades periféricas da capital paulista.

"O cerco está se fechando. Karina Gama vai ser presa, mas quem está por trás dela é Flávio Bolsonaro, Mário Frias e Eduardo Bolsonaro. Muita coisa precisa ser explicada por essa turma", escreveu Lindbergh em referência à operação da Polícia Civil, deflagrada nesta segunda-feira, que teve a ONG como alvo pela suspeita de irregularidades em um contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo.

"A PC investiga suspeita de fraudes em contratos de R$ 108 milhões sem efetivação do serviço. Muita coisa precisa ser explicada por essa turma. Já pedimos à Interpol para investigar onde estão os 61 milhões que o Flávio pediu ao Vorcaro. Vamos seguir o caminho do dinheiro e desbaratar essa quadrilha", acrescentou Lindbergh.

Ao falar sobre a operação contra a ONG, o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), fez críticas à investigação da Polícia Civil e sinalizou que a apuração é consequência de perseguição política.

Além da nova operação contra a ONG, o Intercept Brasil divulgou em 13 de maio uma reportagem mostrando que o senador Flávio Bolsonaro negociou com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, um financiamento de R$ 134 milhões para o filme. Do valor total pedido pelo parlamentar, R$ 61 milhões foram repassados.

Detido e em processo de colaboração premiada, o empresário é investigado pela Polícia Federal após acusações de envolvimento em um esquema de fraudes financeiras que, segundo a PF, movimentou ao menos R$ 12 bilhões. Inicialmente, a proposta de delação feita pela equipe do ex-banqueiro foi rejeitada pela PF. A corporação apontou "seletividade" dos fatos que envolvem as irregularidades.

Quem também está detido, em prisão domiciliar, é Jair Bolsonaro, após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de reclusão no inquérito da trama golpista. Foi a pena mais alta entre as 29 condenações anunciadas pela Corte.

*Via Redação do site Brasil247  

31 maio 2026

LEGADO - Mais de 100 anos e na linha de frente contra o genocídio em Gaza: homenagens a Edgar Morin

Intelectual francês morreu nesta sexta-feira (29) aos 104 anos*



Edgar Morin foi criador do conceito de “pensamento complexo” e autor de mais de 80 livros | Crédito: LUDOVIC MARIN / POOL / AFP

Para celebrar seu aniversário de 100 anos, em 2021, o filósofo, sociólogo e historiador francês Edgar Morin lançou o livro “Lições de um século de vida”. A obra faz um panorama da trajetória do intelectual e do próprio século 20: seus horrores, suas utopias que deram errado, suas revoluções que trouxeram esperança.

Morin, que faleceu nesta sexta-feira (29) aos 104 anos, foi autor de mais de 80 livros e criou o conceito de “pensamento complexo”, que parte do princípio de que, para lidar com os problemas da contemporaneidade, é preciso superar a fragmentação do conhecimento. Assim Morin propôs a integração de disciplinas como biologia, história e filosofia.

Pensador à frente do seu tempo, Morin alertou em uma conferência em 1982, quando a revolução da informática ainda estava engatinhando, que “se esse processo se tornasse dominante, pela primeira vez o saber seria produzido não para ser pensado, refletido, discutido entre os seres humanos, mas essencialmente para ser armazenado e manipulado por instâncias anônimas”.

O intelectual se manteve ativo até o fim da vida. Jean-Luc Mélenchon, liderança do partido de esquerda radical França Insubmissa, postou homenagens na rede social X e lembrou que, aos 102 anos, Morin participou de protesto contra o genocídio de palestinos em Gaza. “Um exemplo nunca morre”, escreveu.

O presidente francês, Emmanuel Macron, também usou as redes sociais para homenagear Morin: “Soldado da Resistência, militante e homem liberto, escritor e pensador do século, defensor da natureza e das pessoas, Edgar Morin era o humanismo encarnado”.

No Brasil, o teólogo e colunista do Brasil de Fato Leonardo Boff repercutiu a notícia da morte: “Sou profundamente grato a Edgar Morin que marcou muito minha visão do mundo, por aquilo que ele deu como fator fundamental- a complexidade- para entender o processo da evolução, a sociedade humana e cada pessoa”.

A ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, lembrou quando conheceu pessoalmente o intelectual francês: “Foi um momento raro conhecê-lo e recebê-lo na Fiocruz, em 2019. Além da relevância de seu trabalho intelectual, Morin nos encantava com as histórias da resistência ao nazifascismo e de sua participação na resistência francesa”.

*Editado por: Raquel Setz - Redação do BrasildeFato

30 maio 2026

FIESP e oposição armam contraofensiva pela 6×1 no Senado

 



Por Marcelo Carlini*

Na noite de quarta-feira (27/5), Câmara dos Deputados aprovou por 469 x 19 votos projeto de emenda constitucional que põe fim à escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho para 40h semanais. A vitória foi comemorada pelo país e é resultado da pressão popular, do engajamento do governo Lula (PT), das mobilizações de rua, dos debates realizados em associações, Câmaras de Vereadores, das ações realizadas na base das categorias pelos sindicatos e do medo da maioria reacionária do Congresso de ser punida nas eleições de outubro. Mas nada está resolvido, o projeto precisa ser aprovado no Senado e já conta com a reação dos empresários e da oposição. Vale lembrar que por ser emenda constitucional Lula não pode vetar o resultado final.

O texto prevê a extinção imediata da escala de seis dias de trabalho por um de descanso e estabelece um período de 14 meses para a redução da jornada para 40h, com redução de duas horas também de forma imediata. O projeto garante dois dias de descanso, um dos quais preferencialmente aos domingos. Se aprovada, esta medida beneficiará mais de 30 milhões de trabalhadores.

O debate sobre o fim da 6×1 está presente na mesa das famílias, nos locais de trabalho e escolas. Nas panfletagens, o apoio de mais de 70% do povo ao fim da 6×1 e à redução da jornada se confirma, pessoas voltam para pegar panfletos e estudantes pegam e avisam que vão levar para casa. O medo do Congresso inimigo do povo não é de graça.

Há problemas no projeto. Apesar dele não especificar nenhuma compensação aos patrões, ele prevê uma lei ordinária que poderia enviar dinheiro público ou estabelecer novas isenções ficais. Além disso, o fim do controle de jornada para quem ganha mais de R$ 21 mil e tem nível superior também preocupa.

Deputados da oposição já anunciaram o compromisso do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), de dar tramitação a uma PEC que esvaziaria o fim da escala 6×1 e a redução da jornada.

A PEC 12/2026, assinada por 36 senadores da oposição, entre eles Flávio Bolsonaro (PL/RJ) e seu coordenador de campanha Rogério Marinho (PL/RN), permite contratação por hora, “negociada” diretamente entre patrão em empregado, acarretando salários abaixo do mínimo nacional e constitucionalizando o negociado sobre o legislado aprovado na reforma trabalhista de 2017 esvaziando o projeto aprovado na Câmara.

Já Paulo Skaf, presidente da Fiesp, junto com outros empresários cinicamente criticou o “açodamento” na discussão do projeto do fim da 6×1. Ocorre que faz 37 anos que na Constituinte de 1987-1988 se discutia a redução da jornada de 48h semanais para 40h, acabaram ficando as atuais 44h. O que os empresários querem é jogar a votação do Senado para depois de outubro, quando reduzir a pressão eleitoral e tentar enterrar a mudança.

A pressão sobre o Senado deve prosseguir, seja para garantir o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, seja para impedir o andamento do PL 12/2026. Os senadores devem ser pressionados, é hora de novos atos de rua, panfletagens nas categorias, paralisações em entradas de turno organizasdas pelos sindicatos e debates com o povo para enterrar de vez a 6×1 e conquistar mais tempo de descanso.

*Marcelo Carlini é membro da  Direção Estadual do PT/RS

Fonte: site do Diálogo e Ação Petista - DAP Nacional