28 maio 2026

“É um dia histórico para a classe trabalhadora”, diz líder do PT após aprovação do fim da escala 6x1

Pedro Uczai celebra PEC da jornada de 40 horas, destaca articulação de Lula e afirma que medida garante mais tempo para família e qualidade de vida*

Pedro Uczai, uma espécie de cartaz postado pelo deputado nas redes sociais e um protesto pelo fim da escala 6x1 no Brasil (Foto: Thiago Cristino/Câmara dos Deputados I Letycia Bond/Agência Brasil I Reprodução (X/PedroUczai))

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), comemorou nesta quarta-feira (27) a aprovação da PEC 221/19, que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e extingue a escala 6x1, instituindo o modelo 5x2 sem redução salarial. Em discurso no plenário, o parlamentar classificou a votação como uma vitória histórica da classe trabalhadora brasileira.

“É um dia histórico para a classe trabalhadora do nosso país”, afirmou Uczai, ao celebrar a aprovação da proposta, que agora seguirá para análise do Senado Federal.

A PEC aprovada pela Câmara estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e prevê uma transição gradual até a implementação definitiva da jornada de 40 horas semanais. O texto aprovado é resultado de negociações conduzidas entre parlamentares da base governista, partidos do Centrão e lideranças sindicais.

Uczai destaca articulação política de Lula

Durante o pronunciamento, Pedro Uczai atribuiu a aprovação da PEC à articulação política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao diálogo construído entre diferentes forças do Congresso Nacional.

“Foi uma construção política do Presidente Lula, esse grande sindicalista e estadista, junto com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com Alencar Santana (PT-SP) e Léo Prates (Republicanos-BA), nosso relator, junto com este Parlamento. É um grande acordo da democracia para favorecer trabalhadores e trabalhadoras deste país”, declarou.

Segundo o líder petista, a proposta representa um avanço civilizatório nas relações de trabalho e responde a uma demanda crescente da sociedade brasileira por mais equilíbrio entre vida profissional e qualidade de vida.

“Dois dias para viver”, afirma deputado

Em um dos trechos mais enfáticos do discurso, Uczai ressaltou os impactos sociais da mudança constitucional e afirmou que a aprovação da PEC permitirá aos trabalhadores recuperar tempo para a vida pessoal, familiar e educacional.

O parlamentar afirmou que a nova regra garantirá “dois dias para a família, dois dias para a juventude trabalhar e estudar, dois dias para as mulheres descansarem, ficarem com os filhos, dois dias para viver”.

A proposta aprovada estabelece que, dois meses após a promulgação da futura emenda constitucional, os trabalhadores passarão automaticamente a ter direito a dois dias de descanso semanal remunerado. Nesse mesmo prazo, a jornada semanal será reduzida de 44 para 42 horas. A implementação das 40 horas ocorrerá 14 meses após a promulgação da PEC.

Mobilização popular foi decisiva, diz Uczai

Pedro Uczai também atribuiu a vitória à pressão popular nas ruas e nas redes sociais. Segundo ele, a mobilização social foi determinante para consolidar maioria em torno da proposta.

“Graças à mobilização social, graças à mobilização das ruas, graças à mobilização nas redes sociais, alcançamos esta conquista histórica. A luta faz a lei, a mobilização faz a lei mudar”, afirmou.

Nos últimos anos, o debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou força em sindicatos, movimentos sociais e entre especialistas em saúde do trabalho, que apontam impactos negativos das jornadas extensas sobre saúde mental, produtividade e convivência familiar.

Líder do PT critica oposição bolsonarista

Durante o discurso, o líder do PT fez duras críticas à extrema-direita e acusou parlamentares da oposição de tentarem obstruir a votação da PEC.

Segundo Uczai, deputados ligados ao bolsonarismo apresentaram propostas que ampliavam o prazo de transição para até dez anos e chegaram a defender jornadas semanais de até 52 horas.

“Perdeu as condições morais para apresentar destaques”, disse o deputado, ao mencionar a posição da bancada do PL, que, segundo ele, reuniu 62 parlamentares contrários ao texto principal na semana anterior à votação.

O petista também criticou propostas defendidas pela oposição, como a implementação imediata da escala 4x3, classificando a iniciativa como “demagogia”.

“Muita mentira, muito proselitismo político”, declarou.

Em outro momento do discurso, Uczai citou divisões internas da extrema-direita e mencionou nominalmente o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“A produtividade aumenta com trabalhadores satisfeitos”

O líder do PT defendeu o equilíbrio do acordo aprovado pela Câmara e afirmou que a transição gradual preserva tanto os interesses dos trabalhadores quanto do setor produtivo.

“Nós vamos cumprir o acordo, porque temos responsabilidade com o setor empresarial e com o setor produtivo, junto com os trabalhadores. O setor produtivo ganha em produtividade, ganha com trabalhadores mais satisfeitos, e ganham as famílias brasileiras”, afirmou.

A PEC também prevê regras específicas para setores essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, além de mecanismos de adaptação para microempreendedores individuais (MEIs), pequenas empresas e contratos terceirizados da administração pública.

Referência bíblica marca encerramento do discurso

Ao final da fala no plenário, Pedro Uczai utilizou uma metáfora religiosa para dimensionar o significado histórico da aprovação da proposta.

“Eu, que fiz quatro anos de teologia, lembro que Deus criou o mundo em seis dias — esse é o primeiro texto da Bíblia — e, no sétimo, descansou, porque o povo escravizado não descansava nem um dia e lutou para conquistar um dia de libertação. Milhares de anos depois, hoje nós conquistamos o 5x2”, declarou.

A proposta agora seguirá para o Senado Federal, onde precisará ser aprovada em dois turnos por três quintos dos senadores para ser promulgada.

*Fonte: Brasil247

27 maio 2026

No domingo, Colômbia decide entre avanço ou retrocesso

Eleição na Colômbia opõe continuidade do projeto de Gustavo Petro ao avanço da direita, em meio a violência, fake news e disputa sobre segurança pública

No domingo, Colômbia decide entre avanço ou retrocesso (Foto: Reuters)


Por Tereza Cruvinel*

Bogotá - No próximo domingo (31), os colombianos vão às urnas escolher entre a continuidade do primeiro governo de esquerda do país, elegendo o candidato apoiado pelo presidente Gustavo Petro, Iván Cepeda [foto acima], ou o retrocesso, com a volta da direita ao poder.

O resultado terá forte influência sobre o quadro político da América Latina, pois representará também a derrota ou a vitória de um governo progressista do continente que Donald Trump gostaria de ver interrompido. Desnecessário recordar aqui as escaramuças que ele já teve com o presidente Petro.

Por seus múltiplos aspectos, o pleito e o resultado importam muito ao Brasil. A violência e as fake news, com uso da inteligência artificial, vêm dominando a campanha, algo que tende a se repetir no Brasil. O tema dominante é o da segurança pública, que opõe à política de “paz total” de Petro a defesa do endurecimento pela oposição. O governo Lula acompanha com atenção este aspecto, que pode ter reflexos aqui.

As pesquisas desta última semana de campanha dizem que Cepeda, que concorre pelo partido governista Pacto Histórico, mantém o favoritismo, oscilando entre 44% e 45% de preferência, mas, segundo analistas locais, ele ainda precisa crescer alguns pontos para ganhar no primeiro turno de domingo.

Diferentemente de Lula, Petro não é candidato, pois não há reeleição na Colômbia, mas o pleito é tido como um plebiscito sobre seu governo. Suas políticas públicas de inclusão social têm garantido alta aprovação a seu governo, o que não tem acontecido com Lula, apesar de os resultados serem tão positivos quanto os conseguidos pelo colombiano.

O tema candente da segurança será importante na campanha brasileira, embora nossos problemas nesta área não sejam tão graves como os da Colômbia, que enfrenta a violência do narcotráfico, de paramilitares e de grupos guerrilheiros dissidentes das Farcs.

Cepeda enfrentará dois candidatos de direita. Um é Abelardo de la Espriella, um advogado rico e exótico, admirador de Milei, Trump e Bukele. Ele está em segundo lugar. Outra é Paloma Valencia, do partido Centro Democrático, embora seja mesmo de extrema direita e herdeira de uma oligarquia escravista. É apoiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, que vem tendo forte protagonismo na campanha, enquanto Petro faz o que pode por Cepeda. No ano passado, o senador Miguel Uribe, que pretendia ser candidato, foi morto a tiros em Bogotá. Os três candidatos têm registrado ameaças.

Em toda a sua história, a Colômbia foi governada por partidos conservadores, mais ou menos direitistas. Petro atuou como guerrilheiro no grupo M-19, foi preso político e torturado e, em 1990, assinou o acordo de paz com o governo colombiano, que propiciou a conversão de sua organização em partido político legal. Sua chegada à presidência, em 2022, foi uma ruptura com a hegemonia conservadora e uma aposta dos colombianos em seu programa de governo, que propunha políticas de inclusão social, desenvolvimento econômico e combate às drogas e aos cartéis, mas buscando a segurança e a pacificação internas. O programa “Paz total”.

E de fato ele produziu, em quatro anos, aumentos expressivos do salário-mínimo e da renda e queda do desemprego. No combate às drogas, ele trocou a ênfase na repressão pelo maior uso da inteligência e pela asfixia de figuras da elite envolvidas com o tráfico.

O tema da segurança, emblema da polarização, é objeto das mais fortes ações de desinformação. A escolha dos colombianos será entre persistir nas negociações de paz conduzidas por Petro ou adotar a linha dura bukelista contra o narcotráfico e os guerrilheiros, defendida pelo segundo colocado.

Assim, nesta reta final da disputa, fake news circulam intensamente associando candidatos aos narcotraficantes e às guerrilhas. Cepeda naturalmente é a principal vítima. Em um vídeo que viralizou estes dias, por exemplo, ele aparece dizendo que vai incorporar guerrilheiros às Forças Armadas.

A violência, porém, atinge também a oposição. Dois assessores da campanha de Abelardo de la Espriella foram assassinados no início deste mês.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, na semana passada, o senador republicano Bernie Moreno afirmava que Trump pode não reconhecer o resultado da eleição colombiana.

Lula também está de olho na Colômbia. A vitória de Petro é fundamental para conter o avanço da direita e do trumpismo no continente.

*Fonte: https://www.brasil247.com/

25 maio 2026

VÍDEO: A revelação-bomba de Costa Neto sobre Flávio Bolsonaro visitar Vorcaro após prisão

Presidente do PL deu versão à GloboNews que desmente categoricamente a versão do senador pré-candidato à Presidência de que teria ido ver o banqueiro “para pôr fim à relação”

- O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em entrevista à GloboNews - Imagem: Frame de vídeo da GloboNews

Por Henrique Rodrigues*

O cenário político e a corrida sucessória presidencial foram severamente impactos nesta segunda-feira (25) após uma entrevista de forte repercussão concedida à GloboNews pelo presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto. Ele apresentou elementos inéditos que alteram substantivamente a linha de defesa do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) quanto às motivações reais de sua visita ao banqueiro Daniel Vorcaro após a prisão deste, em novembro do ano passado. A manifestação do dirigente partidário desconstituiu de forma categórica a versão oficial até então sustentada pelo parlamentar.

A revelação invalida a narrativa de contenção de danos e de distanciamento que o clã Bolsonaro vinha estruturando junto à opinião públicaem relação ao caso. Até este momento, a justificativa formal protocolada por Flávio Bolsonaro para explicar seu deslocamento a São Paulo baseava-se na premissa de que a reunião na residência do ex-dono do Banco Master ocorrera exclusivamente para “pôr um fim na relação” entre as partes, motivada pela gravidade da persecução penal que aponta fraudes financeiras e desvios estimados em R$ 12 bilhões.

Entretanto, as palavras de Costa Neto estabeleceram que o comparecimento do senador teve caráter de cobrança, visando receber o restante dos valores previamente exigidos para o financiamento da cinebiografia Dark Horse, obra audiovisual sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Do aporte total, originalmente de R$ 134 milhões, o fraudador havia transferido “apenas” R$ 61 milhões antes de sua prisão pela Polícia Federal. Segundo o presidente do PL, o propósito da visita de Flávio Bolsonaro receber os R$ 73 milhões restantes. Ou seja, o senador queria mais dinheiro do criminoso.

A naturalização do absurdo choca jornalistas

O momento mais estarrecedor da entrevista ocorreu quando Valdemar da Costa Neto tentou justificar a conduta do pré-candidato do PL, gerando imediata reação de perplexidade e consternação entre os jornalistas da GloboNews. Sem demonstrar constrangimento, o dirigente tentou normalizar o fato de um senador da República ir à casa de um criminoso recém-preso para exigir dezenas de milhões de reais de origem ilícita.

“Nós não temos dúvidas do que ele [Vorcaro] fez e que foi uma barbaridade para o país, mas isso é normal… O que o Flávio fez é natural, é a coisa mais normal do mundo”, disparou o presidente do PL.

Imediatamente interpelado pelos entrevistadores sobre qual parte específica da história seria considerada “normal”, Costa Neto subiu o tom do absurdo e completou, escancarando a cobrança financeira:

“Visitar o Vorcaro, porque o Vorcaro tinha ajudado ele… E ele queria terminar a relação com o Vorcaro com ‘olha, vai me pagar, vai me pagar o restante, dá pra me pagar o restante?’…”

Impacto político e o peso das mentiras

A declaração de Valdemar complica de forma severa a situação jurídica e política de Flávio Bolsonaro. O episódio comprova que o senador não apenas faltou com a verdade perante a opinião pública, mas que, mesmo tendo plena ciência dos graves crimes financeiros imputados a Daniel Vorcaro, manteve o interesse em extrair recursos do esquema criminoso sob o pretexto de financiar a peça de propaganda familiar.

A revelação joga por terra o discurso de ética e combate à corrupção da pré-campanha do PL e fornece munição pesada para adversários políticos. Aliados de Flávio nos bastidores do Congresso já avaliam que o estrago provocado pelo “sincericídio” do próprio presidente da legenda terá reflexos profundos e imediatos no isolamento de sua candidatura ao Palácio do Planalto.  *Fonte: Revista Fórum

Veja o vídeo com a confissão:

24 maio 2026

REDUÇÃO DA JORNADA - Atos pelo fim da escala 6×1 ocorrem neste domingo (24) em diversas capitais*

Mobilizações pressionam Congresso pela votação da pauta, prevista para esta semana

Trabalhadores e trabalhadoras protestam contra a escala 6×1 | Crédito: Elineudo Meira/@fotografia.75

O domingo (24) será de mobilizações em diversas capitais brasileiras pelo fim da escala 6×1 (confira abaixo os locais). Os atos são convocados pelo conjunto de movimentos aglutinados nas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, junto do movimento Vida Além do Trabalho (VAT).  As mobilizações têm o objetivo de pressionar o Congresso pela aprovação da redução do limite de jornada de trabalho semanal para 40 horas e redução da escala de 6 para 5 dias de trabalho, com dois dias de descanso remunerado. 

Nesta segunda-feira (25) está prevista a leitura do parecer do deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), relator da proposta na Comissão Especial sobre o Fim da Escala 6×1 Vida Digna ao Trabalhador, e a expectativa é que o relatório da comissão seja votado até a próxima quinta-feira (28) no plenário da Casa. 

A proposta do governo é de aprovação do projeto com implementação imediata. Já os parlamentares do Centrão e da direita chegaram a apresentar, no último dia 14, uma emenda à PEC 221/2019 que prevê uma transição de até dez anos para a redução da jornada de trabalho. O texto permitia o aumento das jornadas semanais para até 52 horas, mas após uma ampla repercussão negativa, líderes dos partidos retiraram as assinaturas para a emenda. Para avançar, a proposta de redução da jornada de trabalho precisa de ao menos 308 votos favoráveis em dois turnos de votação na Câmara dos Deputados. 

*Fonte: BdF


23 maio 2026

Lula avança, Flávio derrete e arrasta a direita para o escândalo

Depois dos áudios com Daniel Vorcaro, Datafolha confirma o estrago: o filho de Jair deixa de ser solução eleitoral e vira problema até para o campo conservador

A candidatura de Flávio Bolsonaro começou a derreter antes mesmo de existir oficialmente. 

Bastou a revelação dos áudios e mensagens entre o senador e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para que a direita brasileira entrasse em modo de emergência. O que até poucos dias atrás era vendido como plano de sucessão do bolsonarismo — o zero um de Jair Bolsonaro como candidato natural contra Lula — passou a ser tratado como risco político, problema eleitoral e ameaça de contaminação para candidaturas conservadoras em todo o país. 

A crise já não é apenas jurídica, nem apenas moral. É eleitoral. É estratégica. É de sobrevivência política. 

A Reuters registrou que Flávio busca uma reunião com Donald Trump em Washington justamente em meio à crise provocada por seus vínculos com Vorcaro. A agência destacou que a pré-campanha do senador perdeu força após a revelação de que ele obteve recursos do banqueiro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, embora antes tivesse negado contato com Vorcaro. 

Nesta sexta-feira, 22, o Datafolha confirmou o estrago. (...)

*CLIQUE AQUI para continuar lendo (na íntegra) a postagem de Gustavo Tapioca na Revista Fórum.

20 maio 2026

Cuba condena acusação “desprezível” dos EUA contra Raúl Castro

Governo cubano diz que medida do Departamento de Justiça dos EUA é “infame provocação política” contra o líder da Revolução

  Raúl Castro (Foto: REUTERS/Adalberto Roque)

Por José Reinaldo*

O Governo Revolucionário de Cuba condenou a acusação feita pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra o General do Exército Raúl Castro Ruz, líder da Revolução Cubana, e afirmou que a medida representa uma provocação política contra o país. As informações são do Granma.

Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira (20), em Havana, o governo cubano afirma que “condena veementemente a desprezível acusação” apresentada por Washington neste mesmo dia e sustenta que “o governo dos Estados Unidos não possui legitimidade nem jurisdição para realizar essa ação”. Segundo o comunicado, trata-se de “um ato desprezível e infame de provocação política”.

Manipulação desonesta

A nota do governo cubano afirma que a acusação se baseia na manipulação desonesta do incidente que levou à queda, em fevereiro de 1996, de duas aeronaves operadas pela organização Brothers to the Rescue, sediada em Miami, sobre o espaço aéreo cubano.

As aeronaves da organização realizavam “repetidas violações do espaço aéreo cubano para fins hostis”, algo que “era de conhecimento público”. O governo cubano também acusa os Estados Unidos de distorcerem “outras verdades históricas sobre o evento que usa como pretexto”.

O comunicado afirma que Washington omite “as inúmeras queixas formais apresentadas por Cuba” ao Departamento de Estado, à Administração Federal de Aviação dos EUA e à Organização da Aviação Civil Internacional. De acordo com a nota, essas queixas tratavam de “mais de 25 violações graves e deliberadas do espaço aéreo cubano” entre 1994 e 1996.

Cuba diz que fez alertas formais aos EUA

O governo cubano afirma ainda que os Estados Unidos ignoraram “os avisos públicos e oficiais emitidos pelas autoridades cubanas” sobre a inadmissibilidade das violações de seu espaço aéreo. A nota também menciona “as mensagens de alerta transmitidas diretamente ao Presidente dos Estados Unidos” sobre a gravidade e as possíveis consequências das transgressões.

A nota assinala que a resposta cubana ao episódio foi “um ato de legítima defesa”, protegido pela Carta das Nações Unidas, pela Convenção de Chicago de 1944 sobre Aviação Civil Internacional e pelos princípios da soberania aérea e da proporcionalidade.

O comunicado sustenta que os Estados Unidos, “que já foram vítimas do uso da aviação civil para fins terroristas”, não permitiriam “a violação hostil e provocativa do espaço aéreo estrangeiro sobre seu território” e agiriam “com o uso da força”.

A cumplicidade dos EUA

A nota do Governo Revolucionário afirma que a “inação do governo dos EUA” diante dos alertas enviados por Cuba revelou “sua cumplicidade no planejamento e execução, a partir de seu território, de ações violentas, ilegais e terroristas contra o governo e o povo cubano”.

Destaca-se ainda que essa prática foi “recorrente e sistemática desde o triunfo da Revolução até os dias atuais”. O governo cubano também classifica como “extremamente cínico” que a acusação seja feita pelos Estados Unidos.

O comunicado afirma que Washington “assassinou quase 200 pessoas e destruiu 57 embarcações em águas internacionais do Caribe e do Pacífico”, longe do território norte-americano, com “uso desproporcional da força militar”. Segundo a nota, as ações foram justificadas por “supostos vínculos com operações de tráfico de drogas que nunca foram comprovadas”.

Para o governo cubano, tais atos se qualificam como “crimes de execuções extrajudiciais, de acordo com o Direito Internacional”, e como “assassinatos, segundo as próprias leis dos EUA”.

Cuba vê tentativa de justificar punições contra o povo cubano

O texto afirma que a acusação contra Raúl Castro se soma a “tentativas desesperadas de elementos anticubanos de construir uma narrativa fraudulenta”. Segundo Havana, o objetivo é “justificar a punição coletiva e implacável contra o nobre povo cubano”.

O comunicado também relaciona a acusação ao “fortalecimento de medidas coercitivas unilaterais”, incluindo o que classifica como “injusto e genocida bloqueio energético” e “ameaças de agressão armada”.

Apoio a Raúl Castro e defesa da Revolução

Ao final da nota, Cuba reafirma “seu compromisso com a paz” e “sua firme determinação em exercer o direito inalienável à autodefesa”, reconhecido pela Carta das Nações Unidas.

O comunicado também afirma que o povo cubano reafirma sua “decisão inabalável de defender a Pátria e sua Revolução Socialista” e expressa, “com a maior força e firmeza”, seu “apoio irrestrito e inabalável” ao General do Exército Raúl Castro Ruz, “Líder da Revolução Cubana”.

A nota termina com a palavra de ordem: “Pátria ou morte, nós venceremos.”

*Via Brasil247

19 maio 2026

AtlasIntel: Flávio Bolsonaro cai seis pontos no 2º turno após revelações sobre pedido de dinheiro a Vorcaro; Lula lidera todos os cenários*

Com 48,9%, vantagem de Lula foi a 7 pontos; pesquisa indicou empate técnico nas três rodadas anteriores

Os pré-candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) | Crédito: Ricardo Stuckert/PR e Daniel Ramalho/AFP

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente em todos os cenários de primeiro e segundo turno testados para a eleição presidencial de 2026. O destaque do levantamento é a queda de seis pontos percentuais do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno contra Lula. A queda ocorre após as revelações sobre o pedido de R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes financeiras, para bancar a cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Agora, o petista aparece com 48,9% das intenções de voto, contra 41,8% do senador do PL. Na rodada anterior, realizada em abril, Flávio tinha 47,8%, enquanto Lula somava 47,5%, o que indica uma oscilação negativa de seis pontos para o parlamentar. O cenário de empate técnico também foi observado nas medições de fevereiro e março.

No primeiro turno, a vantagem de Lula segue consolidada contra o senador bolsonarista. O atual presidente contabiliza 47% das intenções de voto, contra 34,3% do filho de Jair Bolsonaro.

A pesquisa também mostra Lula à frente em disputas contra outros nomes da direita e da extrema direita, como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Michele Bolsonaro (PL).

Segundo o instituto, foram ouvidas 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio, por meio da metodologia Atlas RDR, baseada em recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06939/2026.

*Editado por: Geisa Marques - Fonte: BrasildeFato