04 julho 2026

Ameaça disfarçada - Projeto de lei da bancada ruralista usa agricultura familiar como pretexto para ampliar desmatamento

Em semana esvaziada no Congresso, deputados aprovam projeto que pode dar anistia de dois anos para grandes desmatadores

Área de floresta atingida por incêndios e convertida em pastagem em Rondônia, nas proximidades de Porto Velho. | Crédito: Rogério Assis/Greenpeace

Por Luís Indriunas*

No meio de uma semana esvaziada no Congresso Nacional, a bancada ruralista conseguiu avançar com mais uma ameaça à preservação ambiental e aos povos do campo. Dessa vez, com a desculpa de que vai proteger a agricultura familiar.

Numa sessão de apenas 39 minutos na quinta-feira (02), a Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para o projeto de lei 2.898/2025, que altera a Lei dos Crimes Ambientais e estabelece um prazo de até 24 meses para que o infrator se regularize antes da aplicação de sanções. Ou seja, seria necessário esperar dois anos para serem aplicadas punições como apreensão de animais, produtos e equipamentos, destruição ou inutilização de produtos, suspensão da venda e da fabricação de produtos ou embargo das atividades ao desmatador.

Encabeçado pelo deputado federal Luiz Mosquini (MDB-RO), o projeto de lei foi apresentado sob pretexto de proteger a agricultura familiar, mas, na verdade, pode beneficiar grandes proprietários de terras e dar chance para mais violações, segundo a avaliação do Observatório do Clima.

“A agricultura familiar necessita ter atenção prioritária em termos de fomento a atividades ambientalmente sustentáveis. Não é isso que traz essa proposta. A agricultura familiar foi utilizada como argumento nesse projeto de lei para enfraquecer o controle dos órgãos do Sisnama [Sistema Nacional do Meio Ambiente], permitir a continuidade de práticas que constituem infração e inviabilizar a cessação dos danos ambientais. É mais uma afronta do Congresso contra o meio ambiente”, afirma Suely Araujo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima.

O deputado usa como parâmetro de pequenos agricultores propriedades com até 4 módulos fiscais. Os módulos fiscais são unidades de medida para as propriedades, fixados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que variam entre 5 hectares e 110 hectares, dependendo do município. Em algumas regiões, eles são bem grandes. No estado de Mosquini, Rondônia, um módulo é de 60 hectares. Assim, fazendas com até 240 hectares, ou 336 campos de futebol, seriam beneficiadas.

Em nota técnica, o observatório aponta ainda que, na prática, o PL “amplia significativamente o alcance da proposta e pode impedir o embargo de imóveis onde tenham ocorrido desmatamentos ilegais de grande extensão, favorecendo a continuidade da infração e aumentando o risco de novos desmatamentos”.

Para os críticos à proposta, a legislação já tem proteção para o pequeno agricultor. Na seção da Câmara, o deputado Helder Salomão (PT-ES) lembrou o decreto 6.514/2008, que estabelece que, no caso de áreas irregularmente desmatadas ou queimadas, o embargo não alcança as atividades de subsistência.

“Se flexibiliza uma legislação de maneira desnecessária sob o pretexto de proteger o pequeno agricultor, mas, para o pequeno, para subsistência, ele já está protegido.”

Mosquini e o ‘Pacote da Destruição’

A manobra feita pela bancada ruralista em plena Copa do Mundo se insere no chamado “Pacote da Destruição”, um conjunto de medidas legislativas para enfraquecer a legislação socioambiental brasileira em diversas frentes, dos agrotóxicos a terras indígenas. Mosquini, que é presidente de uma comissão da Frente Parlamentar da Agropecuária, sempre está à frente dessa constante pressão do agronegócio contra a pauta ambiental.

Em maio, na chamada “Semana do Agro”, o deputado tentou emplacar uma proposta que proibia embargos baseados exclusivamente em detecção remota de supressão de vegetação, ou seja, restringia a fiscalização por satélites, prática comum na vigilância dos órgãos ambientais. “É como não usar radar para controlar velocidade”, disse o coordenador do MapBiomas, Tasso Azevedo, ao Brasil de Fato.

O texto aprovado pela Câmara retirou a vedação direta, mas passou a exigir notificação prévia antes da aplicação de medidas cautelares, ou seja, uma manobra semelhante à que está sendo proposta agora, dando tempo para que o desmatamento prossiga.

O estado de Mosquini acumulou mais de 611 mil hectares de vegetação nativa perdidos desde 2019 e ostentou médias anuais de desmatamento acima de 100 mil hectares durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), político que o deputado apoia. A área desmatada caiu de 145 mil hectares em 2022, no último ano de Bolsonaro, para 15 mil hectares no ano passado.

O maior doador individual do deputado é o empresário e fazendeiro Sérgio Botelho Teixeira, sócio-diretor da Italac, que recebeu uma multa de R$ 5,5 milhões do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em dezembro de 2025 por desmatamento de reserva legal em uma fazenda no Tocantins. Desde 2018, Teixeira doou R$ 250 mil para campanhas eleitorais de Mosquini.

A unidade da Italac fica em Jaru (RO) e tem uma capacidade instalada de 1,3 milhão de litros, produzindo diversos derivados de leite, do composto lácteo ao doce de leite.

À BBC News Brasil, o deputado disse que não tinha conhecimento da multa aplicada à fazenda do empresário. A defesa de Teixeira disse que a multa aplicada pelo Ibama ocorreu devido a um engano em registros cadastrais da fazenda e que o assunto está sendo analisado pela Justiça Federal.

*Editado por: Gia Matheus Almeida - Fonte: BdF

01 julho 2026

Ato homenageia santiaguense vítima da ditadura e relembra lutas por direitos humanos em Santiago/RS*



Na noite do último sábado, 27/06,  o Espaço Strazzabosco, em Santiago/RS, recebeu um importante ato em homenagem póstuma à santiaguense Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones, uma das vítimas da ditadura civil-militar brasileira (que durou 21 longos anos). O encontro reuniu participantes de Santiago e Região para um momento de memória, reflexão e valorização da luta pelos direitos humanos.

A atividade integrou a programação do projeto Caminhos Revolucionários II, coordenado por Antônio Prestes Braga (Santo Ângelo) e Júlio Garcia (Santiago). O evento Caminhos Revolucionários II (que também foi realizado em Porto Alegre e São Leopoldo/RS) foi marcado por denúncias dos crimes praticados pela ditadura, por homenagens às vítimas da mesma (como foi o caso de Sônia) e debates sobre a importância da preservação da memória histórica.


Além da homenagem à santiaguense, o público acompanhou a exibição do documentário-ficção “Basílicia Sawicki”, que retrata a história da jovem missioneira argentina filha de imigrantes ucranianos sacrificada no início do século passado durante sua luta pelos direitos dos pequenos agricultores, resgatando um importante capítulo das lutas populares na América Latina. Na oportunidade, usaram da palavra Júlio César Schmitt Garcia e Antônio Prestes Braga (pelos Caminhos Revolucionários II) e Iara Chagas Castiel (representando a Comissão Executiva Municipal do PT).


O ato destacou a relevância de manter viva a memória daqueles que perderam a vida em defesa da democracia, da justiça social e dos direitos humanos, promovendo um espaço de reflexão sobre o passado e seus ensinamentos para as novas gerações.

O evento foi realizado no Espaço Cultural Strazzabosco e reuniu integrantes do projeto, convidados e membros da comunidade local e regional. 

*Com o site Santiago News

Lula sobe mais de 2 pontos e amplia liderança no 1º turno, mostra AtlasIntel

Principal adversário do presidente, Flávio Bolsonaro saiu de 39% em abril para 36,6% em junho

Presidente Lula e Flávio Bolsonaro - Crédito Ricardo Stuckert/Pr - Waldemir Barreto/Ag. Senado 

Por Guilherme Levorato*

O presidente Lula (PT) ampliou sua vantagem na disputa presidencial de 2026 e chegou a 46,3% das intenções de voto no principal cenário de primeiro turno testado pela AtlasIntel/Bloomberg. Principal adversário do presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saiu de 39% em abril para 36,6% em junho, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (1º).

De acordo com os dados da AtlasIntel/Bloomberg, Lula avançou 2,3 pontos percentuais em relação à rodada de abril, quando aparecia com 44%. Já Flávio recuou 2,4 pontos no mesmo intervalo, reduzindo sua competitividade no primeiro turno.

No cenário estimulado, Renan Santos (Missão) aparece na terceira posição, com 7,8% das intenções de voto. Em seguida vêm Ronaldo Caiado (PSD), com 2,9%, Romeu Zema (Novo), com 2%, e Joaquim Barbosa (DC), com 1%. Aécio Neves (PSDB) soma 0,7%, Samara Martins (UP) tem 0,6%, Augusto Cury (Avante) registra 0,5%, Cabo Daciolo (Mobiliza) aparece com 0,2%, enquanto Rui Costa Pimenta (PCO) e Edmilson Costa (PCB) marcam 0,1% cada. Hertz Dias (PSTU) não pontuou.

Brancos e nulos somam 1,2%, enquanto 0,1% dos entrevistados disseram não saber em quem votariam. O resultado reforça a concentração da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, embora o crescimento de Renan Santos também tenha sido registrado pelo levantamento: ele passou de 5% em abril para 7,8% em junho.

A pesquisa também mediu o desempenho de Lula e Flávio por segmentos do eleitorado. O presidente atinge seu melhor resultado entre eleitores com 60 anos ou mais, faixa em que chega a 54,6%, e no Nordeste, onde registra 57,7%. Entre os eleitores que votaram em Lula em 2022, 88,4% afirmam que repetiriam o voto.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, apresenta melhor desempenho entre eleitores de 25 a 34 anos, segmento em que alcança 41,4%. O senador também tem seus melhores percentuais entre evangélicos, com 42,9%, no Sudeste, com 42,6%, e entre eleitores que votaram em Jair Bolsonaro em 2022, grupo no qual chega a 74,8%.

Nas simulações de segundo turno, Lula também aparece à frente de Flávio Bolsonaro. Segundo a AtlasIntel/Bloomberg, o presidente marca 48,8%, contra 42,3% do senador. Em maio, os dois estavam empatados numericamente com 48%, de acordo com o InfoMoney.

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg ouviu 4.999 eleitores entre os dias 26 e 30 de junho. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04582/2026.

*Fonte: Brasil247

26 junho 2026

COMPANHEIRA SÔNIA: PRESENTE!!!! -ATO EM SANTIAGO/RS SERÁ NESTE SÁBADO, dia 27/06

 


A história da professora  santiaguense Sônia Angel, trucidada pela ditadura aos 27 anos


Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones nasceu em 9 de novembro de 1946, em Santiago do Boqueirão, Estado do Rio Grande do Sul, filha de João Luiz Moraes e Cléa Lopes de Moraes.

Foi morta aos 27 anos em 1973, em São Paulo. Estudou no colégio de Aplicação da antiga Faculdade Nacional de Filosofia e, posteriormente, na Faculdade de Economia e Administração da UFRJ, mas não chegou a se formar, sendo desligada pelo Decreto nº477, de 24 de setembro de 1969.

No Rio, trabalhava como professora de Português no Curso Goiás.

Casou-se, em 18 de agosto de 1968, com Stuart Edgar Angel Jones, militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).

Em 1° de Maio de 1969, foi presa por ocasião das manifestações de rua na Praça Tiradentes/RJ com mais três estudantes, levada para o DOPS e, posteriormente, para o Presídio Feminino São Judas Tadeu. Somente foi libertada em 6 de agosto de 1969, quando foi julgada e absolvida por unanimidade pelo Superior Tribunal Militar. Passou a viver na clandestinidade.

Em maio de 1970 exilou-se na França, onde se matriculou na Universidade de Vincennes e, para se sustentar, trabalhou na Escola de Línguas Berlitz, em Paris, onde lecionava Português.

Com a prisão e desaparecimento de Stuart pelos órgãos brasileiros de repressão política, Sônia decidiu voltar ao Brasil para retomar a luta de resistência. Ingressou na ALN e viajou para o Chile, onde trabalhava como fotógrafa. Posteriormente, em maio de 1973, retornou clandestinamente ao Brasil, indo morar em São Paulo. Em 15 de novembro de 1973 alugou um apartamento em São Vicente, junto com Antônio Carlos Bicalho Lana, com quem se unira. Seu apartamento passou a ser vigiado, sendo presa, juntamente com Antônio Carlos, no mesmo mês, por agentes do DOI-CODI/SP, tendo o II Exército divulgado a notícia de que morrera, após combate, a caminho do hospital (O globo 1º de dezembro de 1973).

Foi assassinada sob torturas no dia 30 de novembro de 1973, juntamente com Antônio Carlos Bicalho Lana. (...) -

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* Nota do Editor: Tenho certeza de que a maioria dos nossos conterrâneos não tem conhecimento de quem foi a Sônia, essa jovem gaúcha trucidada em São Paulo aos 27 anos pelos torturadores a soldo da  odiosa ditadura militar. Esta postagem pretende auxiliar a recompor a verdade histórica e preencher essa lacuna existente na memória do nosso povo.
 
Santiago e o RS estão devendo (e por isso deveriam redimir-se, ainda que tardiamente) uma justa homenagem à esta sua filha, morta precocemente, e de forma tão infame e covarde. Jovem esta que demonstrou coragem, consciência política, determinação e amor ao seu povo - quando muitos vacilaram, se acovardaram ou mesmo traíram a Nação.  (Júlio Garcia)
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*Postado originalmente neste Blog em 22/01/2011.
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**Clique Aqui e Aqui para ler mais sobre Sônia no site do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ e no Wikipedia (também fontes da postagem acima).
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**Após o Ato em homenagem  póstuma à companheira Sônia, será exibido (no Espaço Strazzabosco) o documentário sobre a história da também jovem missioneira argentina  Basilícia Sawicki.  -Todos/as convidados/as!

Teresa Leitão assume liderança do governo com lista de desafios no Senado

Nova líder do governo no Senado terá de destravar pautas de Lula, conter projetos de impacto fiscal e reconstruir diálogo com Alcolumbre

Teresa Leitão (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

Por Guilherme Levorato*

A senadora Teresa Leitão (PT-PE) assume a liderança do governo Lula (PT) no Senado em um momento de forte pressão política para destravar pautas de interesse do Planalto, conter projetos com alto impacto fiscal e recompor a interlocução com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A nova líder do governo no Senado terá de atuar em meio a um calendário apertado, à proximidade das eleições e ao desgaste entre o governo e a cúpula do Senado, relata o jornal O Globo.

Teresa foi escolhida por Lula para substituir Jaques Wagner (PT-BA), que deixou a função após ser alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada às investigações sobre o Banco Master. A nomeação da senadora foi anunciada na quinta-feira (25), em uma tentativa do governo de reorganizar sua articulação na Casa Alta diante de votações consideradas estratégicas pelo Planalto.

Eleita em 2022, Teresa Leitão preside atualmente a Comissão de Educação e Cultura do Senado. Seu nome já era citado nos bastidores por um fator considerado relevante pelo governo: ela não disputará as eleições deste ano, o que, na avaliação de aliados, pode permitir dedicação maior à articulação parlamentar. A escolha de uma mulher para o posto também foi interpretada como um gesto político de Lula a um segmento importante da base petista.

Apesar disso, a nova líder encontrará resistências e limitações. Integrantes da base governista reconhecem que Teresa não tem a mesma capilaridade política de Jaques Wagner entre as bancadas e tampouco mantém relação tão próxima com Alcolumbre. Um ministro do governo, porém, minimiza eventuais dificuldades e sustenta que a senadora tem boa interlocução com o presidente do Senado. Já um aliado de Alcolumbre afirma que a relação entre os dois é apenas cordial, semelhante à mantida com outros parlamentares.

Nesse cenário, o ministro José Guimarães (PT), da Secretaria de Relações Institucionais, deve concentrar esforços no Senado para reforçar a articulação do governo junto à cúpula da Casa. A avaliação no Planalto é que a Câmara dos Deputados já aprovou temas de interesse do Executivo e que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), mantém uma relação mais próxima com Lula.

Ao oficializar a escolha de Teresa Leitão, Lula afirmou que a senadora terá a missão de conduzir a articulação em torno de projetos “de interesse da população brasileira que estão em tramitação”. Entre as prioridades citadas pelo governo estão a PEC do fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública, ambas consideradas bandeiras relevantes da atual gestão.

Além dessas propostas, o Planalto também busca avançar com o projeto sobre minerais críticos. O tema ganhou peso adicional diante das ameaças do governo dos Estados Unidos de impor novas sanções a produtos brasileiros. Para o Executivo, a discussão sobre minerais estratégicos tem relevância econômica e geopolítica, especialmente em um contexto de disputas comerciais internacionais.

O principal obstáculo para a agenda do governo, no entanto, é a relação estremecida entre Lula e Alcolumbre. O afastamento ocorreu após a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). No Planalto, a leitura é que Alcolumbre teve papel central na derrota imposta ao presidente, considerada um revés político significativo.

Desde então, interlocutores foram mobilizados para tentar reconstruir pontes entre os dois. Entre os nomes escalados estão José Guimarães, Hugo Motta, o ministro da Defesa, José Múcio, e o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP). Até o momento, porém, não houve avanço concreto. Embora Lula tenha sinalizado disposição para um encontro, aliados afirmam que ainda não há ambiente político favorável para uma conversa direta.

O tempo também joga contra o governo. O Planalto quer aprovar as principais propostas ainda antes do recesso parlamentar, que começa oficialmente em 18 de julho. A partir de agosto, a tendência é de esvaziamento do Congresso, com deputados e senadores mais voltados às bases eleitorais. Para o governo, votar temas de grande alcance nacional antes desse período permitiria transformar as medidas em vitrines políticas da gestão Lula.

Além de tentar destravar projetos prioritários, Teresa Leitão terá de trabalhar para impedir o avanço das chamadas pautas-bomba, propostas com potencial de elevar fortemente os gastos públicos. No dia 10, o Senado aprovou ou avançou com três matérias que, segundo cálculos do governo federal, podem gerar impacto fiscal de cerca de R$ 300 bilhões.

Entre os textos que preocupam o Planalto estão propostas de renegociação de dívidas rurais, aumento do piso salarial de médicos e aposentadoria especial para enfermeiros. A movimentação contrariou a equipe econômica e acendeu o alerta dentro do governo sobre o risco de novas derrotas em ano eleitoral.

Na semana passada, Alcolumbre também anunciou a votação de outra proposta considerada sensível pelo Executivo: uma PEC que cria aposentadoria especial para agentes de saúde. A tarefa da nova líder, segundo senadores, será ganhar tempo para que o governo apresente alternativas, negocie ajustes ou construa um acordo capaz de reduzir o impacto fiscal das medidas.

A equipe econômica já indicou que poderá recorrer ao Supremo para tentar barrar o avanço de propostas consideradas incompatíveis com a responsabilidade fiscal. A judicialização, no entanto, é vista como uma saída extrema, enquanto a articulação política segue como caminho preferencial para evitar novas derrotas no Congresso.

Outro desafio imediato para Teresa Leitão será a tramitação de Medidas Provisórias. Atualmente, 34 MPs estão em análise no Congresso, muitas delas sem sequer a instalação das comissões mistas responsáveis por examinar os textos antes da votação na Câmara e no Senado. A lentidão nesse processo ameaça a validade de medidas importantes para o governo e amplia a pressão sobre a nova líder.

A chegada de Teresa ao posto ocorre, portanto, em um dos momentos mais delicados da relação entre o Planalto e o Senado. Com pautas estratégicas paradas, risco fiscal crescente e um canal ainda fragilizado com Davi Alcolumbre, a senadora terá de combinar negociação política, capacidade de contenção e articulação interna para tentar reorganizar a base governista na Casa.

*Fonte: Brasil247

25 junho 2026

'Provar a inocência' - Jaques Wagner anuncia saída da liderança do governo no Senado

Senador baiano afirma que decisão foi tomada em comum acordo durante reunião com Lula, e que provará sua inocência*

O senador Jaques Wagner. | Crédito: Lula Marques/Agência Brasil


O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou nesta quarta-feira (24) sua saída do cargo de líder do governo no Senado, após uma reunião de cerca de duas horas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em mensagem nas redes sociais, disse que irá provar sua inocência e dedicar-se à reeleição.

“Acabei de ter uma ótima reunião com o presidente Lula, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal. Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado. Juntos, com humildade e muito trabalho, renovaremos nosso compromisso com o projeto coletivo que vem mudando a Bahia e o Brasil.”

A saída do senador aconteceu dias após Wagner ser alvo da 9ª fase da Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Endereços ligados ao senador em Salvador (BA) e Brasília foram alvos de mandados de busca e apreensão na quinta-feira (18).

Segundo a investigação, o senador é próximo do banqueiro Augusto Lima, o Guga Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e proprietário do Banco Pleno, que também foi liquidado pelo Banco Central (BC) e tem ligações com o Master. Foram encontrados R$ 471 mil em dólares e euros no quarto do hotel onde Wagner estava hospedado em Brasília.

Para a Bandnews, Wagner disse que o dinheiro era de diárias do Senado. Em relação a Guga Lima, o senador disse que pediu ao banqueiro que comprasse o apartamento para, depois, recomprar o imóvel, que seria para sua filha, mas que não houve a transferência do imóvel para ele. 

*Redação do BdF - Editado por: Gia Matheus Almeida 

23 junho 2026

Juliana Brizola lidera corrida ao Piratini, aponta pesquisa Real Time Big Data

Candidata aparece com 37% das intenções de voto, cinco pontos à frente de Luciano Zucco; em segundo turno, há empate técnico

Juliana Brizola (PDT) e Zucco (PL). Fotos: Divulgação/Juliana Brizola e Marina Ramos/Câmara dos Deputados

A candidata Juliana Brizola (PDT) aparece na liderança da disputa pelo governo do Rio Grande do Sul, segundo pesquisa do Instituto Real Time Big Data. Na simulação de primeiro turno, ela registra 37% das intenções de voto, cinco pontos percentuais à frente do deputado federal Luciano Zucco (PL), que soma 32%.

Na sequência, aparecem Gabriel Souza (MDB), com 18%, e Marcelo Maranata (PSDB), com 3%. Os votos nulos e brancos representam 5%, mesmo percentual dos entrevistados que não souberam ou preferiram não responder.

O levantamento também testou seis cenários de segundo turno. No confronto considerado mais provável neste momento, entre Juliana Brizola e Luciano Zucco, a candidata do PDT mantém vantagem numérica, aparecendo com 44% contra 41%. No entanto, o resultado configura empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Outros 7% disseram que votariam em branco ou nulo e 8% disseram não saber.

A pesquisa aponta ainda que Juliana e Zucco venceriam Gabriel Souza. A pedetista teria 47% contra 35% do emedebista, enquanto Zucco teria 42% contra 37% de Gabriel.

A Real Time Big Data entrevistou 1,6 mil pessoas entre os dias 20 e 22 de junho. A pesquisa foi registrada no TSE sob o código RS-07063/2026.

*Com informações da Carta Capital.

**Via Sul21

19 junho 2026

Stuart Angel terá diploma póstumo pela UFRJ

Estudante morto pela ditadura receberá homenagem da UFRJ em cerimônia no dia 7 de julho*

Stuart Angel terá diploma póstumo pela UFRJ (Foto: Reprodução)

Stuart Angel Jones, estudante de economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) morto por agentes da ditadura militar, será homenageado com um diploma póstumo em cerimônia marcada para 7 de julho, às 16h30, no salão dourado da instituição, 55 anos após seu desaparecimento político, informa a Folha de São Paulo.

O anúncio foi feito pelo centro acadêmico que leva o nome de Stuart Angel, aluno do Instituto de Economia da UFRJ. A homenagem busca reconhecer simbolicamente uma trajetória interrompida pela repressão do regime militar, que impediu o jovem de concluir a graduação após ser sequestrado e morto em maio de 1971, aos 25 anos.

A imagem usada para divulgar a diplomação mostra Stuart sorridente, com o braço direito erguido e segurando um canudo de formatura. A cena, no entanto, nunca ocorreu. O estudante foi impedido de concluir o curso depois de ser capturado por agentes da repressão durante o período da ditadura militar, que vigorou entre 1964 e 1985.

Stuart Angel era militante do MR-8, organização armada de resistência ao regime militar, e se tornou um dos desaparecidos políticos mais conhecidos do país. Sua história ganhou repercussão nacional e internacional sobretudo pela atuação de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, que denunciou repetidamente a morte do filho e a ocultação de seu corpo.

A irmã de Stuart, a jornalista Hildegard Angel, comentou a homenagem nesta sexta-feira (5) e lembrou que o estudante não pôde completar sua formação universitária por causa da violência de Estado. “Como tantos outros estudantes naqueles anos sombrios, ele não pode concluir seus estudos”, afirmou.

Ao compartilhar a notícia da diplomação póstuma, Hildegard também recordou que Stuart foi assassinado na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. Segundo ela, a família segue sem saber o paradeiro dos restos mortais do jovem, “se em terra ou se no mar”.

O caso de Stuart Angel foi relatado à Comissão Nacional da Verdade em 2014 pelo ex-guerrilheiro Alex Polari. De acordo com o depoimento, Stuart foi submetido a tortura até a morte para que revelasse o paradeiro de Carlos Lamarca, ex-capitão do Exército e líder da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária).

Segundo o relato apresentado à comissão, Stuart teve a boca amarrada próxima ao escapamento de um jipe que circulava no pátio da prisão, sendo forçado a inalar gás carbônico. O episódio tornou-se um dos símbolos da brutalidade da repressão contra opositores políticos durante a ditadura militar.

Somente em 2019 a morte de Stuart Angel passou a constar oficialmente em seu atestado de óbito como “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistêmica e generalizada à população identificada como opositora política ao regime ditatorial de 1964 a 1985”.

A ausência de informações sobre o corpo do filho levou Zuzu Angel a transformar sua dor em denúncia pública. A estilista procurou autoridades brasileiras e estrangeiras, concedeu entrevistas e levou às passarelas desfiles que chamavam atenção para o desaparecimento de Stuart.

A busca de Zuzu por respostas também foi retratada na música “Angélica”, composta por Chico Buarque e Miltinho um ano depois da morte da estilista, em 1976. Um dos versos da canção afirma: “Só queria embalar meu filho, que mora na escuridão do mar”.

O anúncio da diplomação póstuma foi feito na data em que Zuzu Angel completaria aniversário. Ela nasceu em 5 de junho de 1921 e morreu em um acidente posteriormente atribuído a agentes da ditadura.

Antes de morrer, Zuzu entregou a Chico Buarque um bilhete no qual responsabilizava os mesmos autores da morte de Stuart por qualquer atentado contra sua vida. “Se algo vier a acontecer comigo, se eu aparecer morta, por acidente, assalto ou qualquer outro meio, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho”, escreveu.

Em agosto do ano passado, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, ligada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, entregou à família de Zuzu Angel a certidão de óbito retificada da estilista. O documento passou a informar que sua morte também foi violenta e causada pelo Estado brasileiro.

Para Hildegard Angel, a homenagem a Stuart na UFRJ reafirma a necessidade de preservar a memória das vítimas da ditadura e de manter a busca por respostas sobre os desaparecidos políticos. “Aquele período de chumbo continua a assombrar nossas vidas e a memória do país”, disse.

A irmã de Stuart também afirmou que os sobreviventes carregam a responsabilidade de seguir cobrando verdade e localização dos restos mortais das vítimas. Para ela, “os que ficaram, os que esqueceram de matar”, têm o compromisso de continuar buscando a verdade e os restos mortais dos desaparecidos.

*Fonte:  Brasil247

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**Stuart Angel Jones era casado com a jovem Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones, também presa, torturada e assassinada pela ditadura civil-militar em 1973. Sônia (que era santiaguense) será homenageada em Ato a ser realizado no dia 27 de junho (sábado), às 18,30 horas, no Espaço Cultural Strazzabosco, em Santiago/RS. (Nota deste Editor).