19 junho 2026

Stuart Angel terá diploma póstumo pela UFRJ

Estudante morto pela ditadura receberá homenagem da UFRJ em cerimônia no dia 7 de julho*

Stuart Angel terá diploma póstumo pela UFRJ (Foto: Reprodução)

Stuart Angel Jones, estudante de economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) morto por agentes da ditadura militar, será homenageado com um diploma póstumo em cerimônia marcada para 7 de julho, às 16h30, no salão dourado da instituição, 55 anos após seu desaparecimento político, informa a Folha de São Paulo.

O anúncio foi feito pelo centro acadêmico que leva o nome de Stuart Angel, aluno do Instituto de Economia da UFRJ. A homenagem busca reconhecer simbolicamente uma trajetória interrompida pela repressão do regime militar, que impediu o jovem de concluir a graduação após ser sequestrado e morto em maio de 1971, aos 25 anos.

A imagem usada para divulgar a diplomação mostra Stuart sorridente, com o braço direito erguido e segurando um canudo de formatura. A cena, no entanto, nunca ocorreu. O estudante foi impedido de concluir o curso depois de ser capturado por agentes da repressão durante o período da ditadura militar, que vigorou entre 1964 e 1985.

Stuart Angel era militante do MR-8, organização armada de resistência ao regime militar, e se tornou um dos desaparecidos políticos mais conhecidos do país. Sua história ganhou repercussão nacional e internacional sobretudo pela atuação de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, que denunciou repetidamente a morte do filho e a ocultação de seu corpo.

A irmã de Stuart, a jornalista Hildegard Angel, comentou a homenagem nesta sexta-feira (5) e lembrou que o estudante não pôde completar sua formação universitária por causa da violência de Estado. “Como tantos outros estudantes naqueles anos sombrios, ele não pode concluir seus estudos”, afirmou.

Ao compartilhar a notícia da diplomação póstuma, Hildegard também recordou que Stuart foi assassinado na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. Segundo ela, a família segue sem saber o paradeiro dos restos mortais do jovem, “se em terra ou se no mar”.

O caso de Stuart Angel foi relatado à Comissão Nacional da Verdade em 2014 pelo ex-guerrilheiro Alex Polari. De acordo com o depoimento, Stuart foi submetido a tortura até a morte para que revelasse o paradeiro de Carlos Lamarca, ex-capitão do Exército e líder da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária).

Segundo o relato apresentado à comissão, Stuart teve a boca amarrada próxima ao escapamento de um jipe que circulava no pátio da prisão, sendo forçado a inalar gás carbônico. O episódio tornou-se um dos símbolos da brutalidade da repressão contra opositores políticos durante a ditadura militar.

Somente em 2019 a morte de Stuart Angel passou a constar oficialmente em seu atestado de óbito como “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistêmica e generalizada à população identificada como opositora política ao regime ditatorial de 1964 a 1985”.

A ausência de informações sobre o corpo do filho levou Zuzu Angel a transformar sua dor em denúncia pública. A estilista procurou autoridades brasileiras e estrangeiras, concedeu entrevistas e levou às passarelas desfiles que chamavam atenção para o desaparecimento de Stuart.

A busca de Zuzu por respostas também foi retratada na música “Angélica”, composta por Chico Buarque e Miltinho um ano depois da morte da estilista, em 1976. Um dos versos da canção afirma: “Só queria embalar meu filho, que mora na escuridão do mar”.

O anúncio da diplomação póstuma foi feito na data em que Zuzu Angel completaria aniversário. Ela nasceu em 5 de junho de 1921 e morreu em um acidente posteriormente atribuído a agentes da ditadura.

Antes de morrer, Zuzu entregou a Chico Buarque um bilhete no qual responsabilizava os mesmos autores da morte de Stuart por qualquer atentado contra sua vida. “Se algo vier a acontecer comigo, se eu aparecer morta, por acidente, assalto ou qualquer outro meio, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho”, escreveu.

Em agosto do ano passado, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, ligada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, entregou à família de Zuzu Angel a certidão de óbito retificada da estilista. O documento passou a informar que sua morte também foi violenta e causada pelo Estado brasileiro.

Para Hildegard Angel, a homenagem a Stuart na UFRJ reafirma a necessidade de preservar a memória das vítimas da ditadura e de manter a busca por respostas sobre os desaparecidos políticos. “Aquele período de chumbo continua a assombrar nossas vidas e a memória do país”, disse.

A irmã de Stuart também afirmou que os sobreviventes carregam a responsabilidade de seguir cobrando verdade e localização dos restos mortais das vítimas. Para ela, “os que ficaram, os que esqueceram de matar”, têm o compromisso de continuar buscando a verdade e os restos mortais dos desaparecidos.

*Fonte:  Brasil247

...

**Stuart Angel Jones era casado com a jovem Sônia Maria de Moraes Lopes Angel Jones, também presa, torturada e assassinada pela ditadura civil-militar em 1973. Sônia (que era santiaguense) será homenageada em Ato a ser realizado no dia 27 de junho, às 19 horas, no Espaço Cultural Strazzabosco, em Santiago/RS. (Nota deste Editor). 

18 junho 2026

Dois pesos e duas medidas: Wagner é massacrado enquanto Flávio Bolsonaro e Ibaneis seguem blindados

Autorizada por André Mendonça, operação da PF levanta dúvidas sobre critérios de investigação e o uso político do sistema de justiça

Dinheiro apreendido no hotel em que Wagner mora: espetáculo da PF, mas o senador tem explicação plausível (Foto: Polícia Federal)


Por Joaquim de Carvalho*

A operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, produziu um forte impacto político e midiático. Não apenas pela relevância institucional do parlamentar, um dos principais articuladores do governo no Congresso, mas também pelos elementos conhecidos até agora da investigação.

Pelo que foi divulgado da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, não teria sido apontado um ato de ofício praticado por Jaques Wagner em benefício do Banco Master ou de qualquer outro interessado. Trata-se de um dado relevante. Em investigações envolvendo agentes públicos, a demonstração de uma contrapartida concreta vinculada ao exercício do cargo costuma ser elemento essencial para caracterizar eventual favorecimento indevido.

Isso não significa que a investigação não deva prosseguir ou que novos fatos não possam surgir. Significa apenas que, até o momento, o debate público parece ter sido influenciado mais pelo impacto visual da operação do que pela apresentação de elementos objetivos contra o senador.

As imagens dos dólares e euros apreendidos em um cofre utilizado por Wagner em Brasília ganharam destaque nacional. As cédulas organizadas em fileiras produziram o efeito simbólico desejado por qualquer operação de grande repercussão: a associação imediata entre dinheiro em espécie e suspeita de irregularidade.

Mas o espetáculo visual não substitui a prova.

A explicação apresentada pelo senador é, ao menos em tese, plausível e verificável. Segundo sua defesa, os 55 mil dólares e 33 mil euros encontrados pela Polícia Federal correspondem a diárias recebidas do Senado Federal para missões oficiais no exterior. Como as despesas teriam sido realizadas com cartão de crédito, os valores não foram utilizados e permaneceram guardados. Wagner afirma possuir documentação capaz de comprovar a origem legal dos recursos.

O mesmo ocorre em relação ao apartamento mencionado na investigação. O senador sustenta que o imóvel jamais integrou seu patrimônio e afirma que a proposta apresentada a Augusto Lima envolvia a aquisição de uma unidade ainda em construção para posterior recompra por sua filha.

São alegações defensivas que precisarão ser confrontadas com as provas. 

Outro aspecto chama atenção. A investigação parece buscar conexões com fatos ocorridos muito antes do surgimento do próprio Banco Master. A privatização da rede Cesta do Povo, por exemplo, ocorreu em 2017. O Banco Master só seria criado dois anos depois, em 2019. A distância temporal entre os eventos não impede investigações, mas suscita questionamentos sobre a centralidade desses fatos dentro de um caso que tem origem em operações financeiras muito mais recentes.

E é justamente nesse ponto que surge uma pergunta incômoda.

Existem episódios contemporâneos e diretamente relacionados ao universo financeiro do Banco Master que, ao menos aparentemente, teriam prioridade investigativa. O principal deles envolve as operações entre o banco e o BRB, que alcançaram cifras bilionárias e geraram enorme repercussão pública, incluindo questionamentos sobre ativos de alto risco e negócios estimados em cerca de R$ 12 bilhões.

Entretanto, não se viu até agora o mesmo aparato ostensivo direcionado a personagens políticos associados a essas operações.

A comparação é inevitável. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, não foi alvo de buscas ou medidas semelhantes. Tampouco houve operação de igual repercussão envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, apesar da divulgação de mensagens e áudios relacionados a pedidos de apoio financeiro para o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Evidentemente, a simples diferença de tratamento não prova perseguição política. Mas a ausência de critérios aparentes e uniformes alimenta dúvidas legítimas.

Numa democracia, a credibilidade das instituições depende não apenas da legalidade de seus atos, mas também da percepção de imparcialidade. Quando determinados agentes públicos são submetidos a operações de alto impacto midiático e outros personagens ligados ao mesmo ambiente de interesses permanecem fora do foco ostensivo, abre-se espaço para questionamentos sobre seletividade.

Talvez seja injusto concluir que exista motivação política. Mas também seria ingênuo ignorar que a política brasileira está repleta de investigações que, ao longo da história recente, produziram efeitos políticos antes mesmo de produzirem sentenças.

A própria nota divulgada pela assessoria de Jaques Wagner procura enfatizar esse aspecto ao lembrar que o senador "não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados". A defesa também afirma que "o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar" e que os valores apreendidos são "fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais".

A palavra final caberá à Justiça.

Mas a política não espera o fim dos processos.

Por essa razão, Jaques Wagner deveria considerar um afastamento temporário da liderança do governo no Senado. Não como admissão de culpa, mas como gesto de responsabilidade institucional. O precedente existe. Em 1993, o então ministro-chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, acertou com o presidente Itamar Franco seu licenciamento do cargo para dedicar-se integralmente à própria defesa diante de denúncias que surgiram contra ele. A lógica era simples: preservar o governo enquanto os fatos eram esclarecidos. Posteriormente inocentado, Hargreaves retornou ao cargo com sua reputação restabelecida.

O mesmo raciocínio poderia ser aplicado agora.

Se Jaques Wagner está convicto de sua inocência — e sua nota pública demonstra essa confiança —, um afastamento temporário da liderança lhe permitiria concentrar-se na apresentação de documentos e esclarecimentos, sem transferir ao governo Lula o desgaste político decorrente da investigação.

A presunção de inocência deve ser preservada. Mas a prudência política também é uma virtude republicana.

Num momento em que pairam dúvidas não apenas sobre os fatos investigados, mas também sobre os critérios adotados para investigar, a melhor resposta talvez seja aquela que fortalece simultaneamente a defesa do senador e a estabilidade do governo: transparência, serenidade e um afastamento temporário até que a verdade prevaleça.

*Jornalista - Fonte: Brasil247

**Leia também: Governo não irá "botar nada para debaixo do tapete", diz Guimarães sobre ação da PF que teve Jaques Wagner como alvo

14 junho 2026

Alcolumbre e bolsonaristas sabotam tramitação da PEC pelo fim da escala 6×1 no Senado


Por Milton Alves*

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), opera abertamente para atrasar a tramitação da PEC que acaba com escala 6×1. Para levar a cabo o seu intento nefasto, Alcolumbre tem o apoio dos senadores bolsonaristas e do Centrão corrupto.

Até o momento, Alcolumbre não tomou as medidas necessárias para fazer andar a PEC no Senado, como reunir as lideranças partidárias para combinar o rito da tramitação e despachar o texto para o exame e deliberação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Segundo reportagem da Agência Brasil, o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), disse que não recebeu informação sobre a data de envio da PEC à Comissão. Uma reunião entre Otto e Alcolumbre, prevista para esta semana, foi desmarcada pelo presidente do Senado. 

No entanto, Alcolumbre enviou à CCJ a PEC apresentada pelos bolsonaristas – e elaborada pelas federações patronais – contra o fim da 6×1, uma proposta que mantém a atual escala de trabalho e implanta a contratação por hora trabalhada, violando os dispositivos de proteção contidos na CLT.

Alcolumbre manobra para ganhar tempo na tentativa de esvaziar a PEC do governo Lula e até mesmo adiar a votação do projeto para depois das eleições de outubro. Ele faz o seu jogo sujo de olho no calendário legislativo, o recesso no Senado tem início no dia 18 de julho.

A aprovação da PEC pelo fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados foi resultado da mobilização social nas redes, das ações de rua do movimento VAT (vida Além do Trabalho), das audiências públicas nos parlamentos municipais e estaduais e dos atos organizados pelos sindicatos.  Ou seja, foi a combinação das diversas formas de pressão e de luta que obrigou a maioria da Câmara aprovar o projeto.

A sabotagem de Alcolumbre, de Rogerio Marinho (PL) e Flávio Bolsonaro (PL), a serviço do patronato reacionário e escravista, teve início no dia seguinte da vitória dos trabalhadores na Câmara dos Deputados.

Na verdade, Alcolumbre escalou a proposta dos patrões e da extrema direita para embaralhar o processo e travar a aprovação da PEC do fim da 6×1, garantindo a continuidade da atual jornada de trabalho e a superexploração da classe trabalhadora.

A saída para garantir a conquista obtida na Câmara (5×2, redução da jornada de 44 horas para 40 horas semanais, e sem redução de salário) só será possível com a pressão organizada dos trabalhadores e dos sindicatos.

Nos próximos dias, a tarefa é ganhar as ruas, intensificar as atividades nas portas de fábricas e nas redes sociais pelo fim da escala 6×1.

Nesta sexta-feira (12), a revista semanal Veja apresentou a denúncia que o senador Davi Alcolumbre recebeu a mega propina de R$ 155 milhões de reais do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, engrossando o escândalo BolsoMarster.

O repasse dessa montanha de dinheiro foi descoberto pela Polícia Federal no curso das investigações do caso, que envolve as principais lideranças políticas do bolsonarismo – como Flávio Bolsonaro – e do Centrão, Ciro Nogueira e Davi Alcolumbre, entre outros propineiros do baixo clero.

Resta saber, o nível do impacto político da denúncia na agenda do Senado. De toda forma, é ampliar a pressão sobre o Congresso inimigo do povo.

*Milton Alves é membro do Comitê Nacional do DAP Associação e membro do Diretório Estadual do PT-PR - Fonte: site do DAP Nacional

10 junho 2026

Quaest: Lula é o mais patriota para quase metade dos eleitores, à frente de Flávio Bolsonaro

A pesquisa apontou também melhora na aprovação do governo federal associada ao programa Desenrola 2.0

Lula

- O presidente Lula - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Julinho Bittencourt*

A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera entre os eleitores quando o tema é patriotismo e defesa dos interesses do Brasil. Segundo o levantamento, 47% dos entrevistados consideram Lula o político que melhor representa esse discurso, contra 37% que apontam o senador Flávio Bolsonaro (PL). O resultado surge em meio ao debate nacional sobre o novo pacote de tarifas imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, tema que tem dominado a agenda política e econômica nas últimas semanas.

Lula mais patriota

A pesquisa indica vantagem do presidente em diferentes cenários eleitorais. Na simulação de primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 29%. Em um eventual segundo turno, o petista venceria por 45% a 35%, abrindo uma vantagem de seis pontos percentuais sobre candidatos da oposição.

Reação ao tarifaço e avaliação do governo

O levantamento também mediu a percepção da população sobre a atuação do governo diante das tarifas norte-americanas. Para 47% dos entrevistados, a postura adotada por Lula no episódio foi correta. Já a aprovação do governo federal registrou 47%, enquanto a desaprovação ficou em 48%, configurando um empate técnico dentro da margem de erro.

Desenrola 2.0 ajuda a impulsionar aprovação do governo

Além do cenário eleitoral, a pesquisa apontou melhora na percepção do governo federal associada ao programa Desenrola 2.0, iniciativa voltada à renegociação de dívidas da população. De acordo com o diretor da Quaest, Felipe Nunes, o programa contribuiu diretamente para a redução do número de brasileiros endividados.

Menos brasileiros endividados

Os dados do levantamento mostram uma melhora nos indicadores financeiros da população:

  • O percentual de pessoas que se declaravam com muitas dívidas caiu de 28% para 23%.
  • Já o índice de brasileiros que afirmam não ter mais nenhuma dívida subiu para 30%.
  • Segundo a Quaest, o Desenrola 2.0 já alcançou diretamente cerca de 10% da população brasileira.

Programa tem apoio majoritário

A aceitação do Desenrola 2.0 já havia aparecido em pesquisas anteriores do instituto. Na rodada de maio, 50% dos brasileiros avaliaram o programa como uma boa ideia para ajudar a população a sair do endividamento. Entre os entrevistados, 38% disseram que a iniciativa ajuda muito, enquanto 27% afirmaram que ajuda pouco. Um dos pontos mais populares do programa foi a regra que prevê o bloqueio temporário de apostas online para quem renegociar dívidas: 79% dos entrevistados aprovaram a medida.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07661/2026.

*Fonte: https://revistaforum.com.br/

09 junho 2026

A esquerda brasileira capitulou?

Ser socialista, comunista em nossos dias, não capitular ideologicamente é um compromisso com a dignidade não apenas pessoal, mas histórica*

    Foto: Guilherme Santos/Sul21

Por Eliezer Pacheco (*) 

O mundo contemporâneo, novamente, vive sob a ameaça do fascismo, embora matizado pelas marcas de um novo tempo. Este fenômeno coincide com o debacle do mundo socialista e o consequente recuo das correntes de esquerda que tem encontrado dificuldades em entender este ressurgimento da direita em geral e do fascismo em particular. Ainda são válidas as reflexões de Ortega e Gasset no final da década de 20:

O fascismo tem uma feição enigmática porque, nele aparecem conteúdos os mais opostos. Afirma o autoritarismo e organiza a rebelião. Combate a democracia contemporânea e, por outro lado, não crê na restauração de qualquer regime antigo.

As dificuldades em entender o fascismo é histórica e não se limita a esquerda brasileira. Desde seu surgimento existem teorias não marxistas que o explicam como relacionado à natureza humana, outros a partir da psicologia das massas, à questões emocionais, etc.

Para Laclau,

Encontramos, assim, em todos estes esquemas interpretativos, a tendência a explicar o fascismo em termos do indivíduo isolado e de sua natureza peculiar. O indivíduo rompeu seus vínculos de integração social e se apresenta como massa indiferenciada face à ação dos demagogos.

Certamente, as correntes marxistas seguiram em outra direção, apresentando-o como a ditadura direta do capital monopolista. A mais criativa destas análises marxistas é a de Nico Poulantzas, que não o vê como um fenômeno histórico produto apenas da realidade italiana e alemã mas como uma possibilidade histórica de desenvolvimento do capitalismo que pode ser implantada em uma conjuntura específica de crise política. Para ele, esta crise é uma crise de hegemonia, decorrente também da derrota estratégica do movimento operário e popular e a incapacidade de determinada fração das classes dominantes em dar direção política ao  bloco no poder, à crise de legitimidade e de representação dos partidos tradicionais e à emergência da pequena burguesia como força política organizada. (4)

Não é objeto deste artigo discutir a natureza do fascismo, nos limitando apenas a ressaltar sua complexidade.

Em razão disto e de uma certa pobreza teórica, a esquerda brasileira nas últimas décadas não conseguiu sustentar o debate ideológico com a direita, com suas diversas variantes, inclusive a fascista. Parte da responsabilidade cabe à grande influência dos marxistas liberais da USP (Fernando Henrique, Gianotti, Francisco Weffort e outros) liderados pelo primeiro, desde a década de 60 até nossos dias. Estes, submetidos a uma concepção acadêmica e legalista do marxismo, o destituíram de sua feição revolucionária e, ao longo das últimas décadas avançaram em direção ao liberalismo. A intelectualidade do PCB, que possuía acúmulo e massa crítica para se contrapor a isto, foi massacrada ou dispersada pelo golpe de 64 e a ditadura imposta. O PCdoB sempre foi irrelevante teoricamente. Desta forma, a esquerda brasileira foi recuando cada vez mais até abandonar a prática, os conceitos e os princípios básicos de uma concepção de esquerda, revolucionária, aproximando-se do liberalismo. Não chega sequer a ser Social Democrata limitando-se a um “melhorismo”, a defesa da inclusão e da democracia. Não me refiro aos pequenos grupos da pequena-burguesia doutrinária pois não contam na real disputa político-ideológica e estão distante do mundo do trabalho. A esquerda clássica PT, PSOL, PCdoB, PSB e parte do PDT, na retórica se reivindicam do socialismo, mas silenciam sobre a transição para esta mudança. Certamente, também contribuiu para este recuo ideológico a institucionalização e burocratização destes partidos e do movimento sindical. O MST é uma exceção no movimento social brasileiro.

Qual o programa e a ação para chegar ao socialismo? Sem isto, torna-se uma mera profissão de fé. Será que imaginam que será através de uma PEC aprovada por 2/3 do Congresso Nacional? Nem o mais rematado utopista acreditaria nisto. Como será então a transição? Ao silenciar sobre isto, a esquerda brasileira foi perdendo o rumo e recuando cada vez mais (3).

Quando lembramos que há 61 anos atrás o governo trabalhista de João Goulart propunha as chamadas Reformas de Base (urbana, agrária, universitária, bancária etc.) percebemos o tamanho do recuo. Hoje, a esquerda se limita a defender a inclusão nesta sociedade desigual, a cidadania liberal-burguesa e a democracia liberal, bandeiras que podemos chamar de liberais-progressistas. Na tentativa de encontrar um rumo, isto é agravado pela adesão de boa parte da esquerda ao “identitarismo liberal” gestado nos laboratórios do Partido Democrata dos EUA, certamente, com alguma contribuição da CIA. Este, segmenta as lutas, ignora a questão das classes sociais, esquecendo que em todas estas “identidades” existem ricos e pobres, explorados e exploradores e, desta forma, ficam a dar voltas. É como o cachorro tentado morder o próprio rabo.

Submetido à concepção liberal-burguesa ela, assim como a direita, também classifica todos os regimes que não adotam este sistema como “ditaduras”, fazendo eco às posições do imperialismo. Assim, Cuba, Russia, Venezuela, Irã, Vietnã, etc., são ditaduras, apesar de terem instituições sólidas e rotatividade no poder. Alguns destes como a Venezuela, além de eleições periódicas, realizam plebiscitos para ouvir a opinião pública. Alguns enfrentam graves problemas decorrentes de décadas de bloqueio econômico da maior potência mundial. A Venezuela e Russia tiveram suas divisas depositadas na Europa e EUA confiscadas. Em contrapartida os EUA, onde a grande burguesia distribuída em dois partidos, monopoliza o poder numa verdadeira plutocracia, é apresentada como a “maior democracia” do mundo. Incrivelmente, alguns setores da esquerda brasileira comungam destas posições.

Na verdade, vivenciamos atualmente, uma profunda crise de legitimidade das Democracias Liberais, desmoralizadas pelo domino do poder econômico, pelo distanciamento entre representantes e representados e pela corrupção. A esquerda, acuada pelo avanço mundial das forças de direita e sem condições político-ideológicas de apresentar uma alternativa revolucionária, passa a ser a principal defensora da Democracia Liberal, com todas as suas mazelas. A direita fascista se apresenta como a contestadora deste sistema moribundo e tem propostas alternativas representadas pelo neofascismo, capitalizando a insatisfação popular com este sistema. A esquerda passa de revolucionário a conservadora, invertendo os papeis e criando uma enorme confusão ideológica nas massas.

Então qual a saída para a esquerda? Não há outra fora do resgate de sua identidade revolucionária, apresentando um Projeto Democrático-Popular com ampla participação das massas, orientado para o socialismo, com propostas concretas para esta transição e com profundas transformações de nossas instituições: Sistema Politico, Forças Armadas, Policias, Judiciário, Sistema Financeiro, estrutura agrária e urbana, etc. Certamente, nos dias atuais, com a complexidade da sociedade, esta transição é muito mais complexa do que nos primórdios do capitalismo. Raríssimos são autores que trataram disto. 

Necessitamos de uma esquerda que seja uma alternativa ao corrompido liberalismo-burguês e ao fascismo genocida. Uma esquerda que seja esquerda, revolucionária, no sentido mais amplo desta palavra. Acredito que o acirramento das contradições no Brasil e no mundo fará ressurgir esta esquerda que será revolucionária, mas sem se submeter ao “esquerdismo” pequeno-burguês doutrinário, identitarista.  Que veja esta revolução não como uma profissão de fé, mas resultado da dura luta de classes de nosso tempo, apontando os caminhos para atingir este objetivo. Ser socialista, comunista em nossos dias, não capitular ideologicamente é um compromisso com a dignidade não apenas pessoal, mas histórica.

(*) Professor de História pela Universidade Federal de Santa Maria, Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul

1.Ortega Gasset, José. Sobre el Fascismo. Madri, 1927.

2. Laclau, Ernesto. Política e Ideologia na Teoria Marxista. Capitalismo, Fascismo e Populismo. Rio de Janeiro: Paz na Terra, 1979. p.91/92.

3.Poulantzas, Nico. Fascismo e Ditadura. A III Internacional face ao fascismo. Enunciado Publicações, 2021

**Postado originalmente no site Sul21

06 junho 2026

O déjà vu da vassalagem do clã bolsonarista

No hiato entre o tarifaço de Trump e a submissão dos Bolsonaro, repete-se o velho esquema de ataques à soberania em nome de interesses familiares e eleitorais

Donald Trump, Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro (Foto: Donald Trump/Redes sociais)

Por Elisabeth Lopes*

Nas últimas semanas, o Brasil tem assistido à reincidência de um déjà vu de sabotagem nacional promovido pelo clã Bolsonaro, resultante de pedidos ao governo trumpista de ingerências nos assuntos brasileiros. Movidos pela obsessão mesquinha por ganhos pessoais, os irmãos comportam-se como os mais vis traidores da pátria, reles mercadores da nossa dignidade. Para esses falsos patriotas, o projeto de assalto ao poder justifica qualquer baixeza, inclusive o ato de rifar e alienar o que uma nação e seu povo, que se prezam, têm de mais precioso: a soberania nacional e a altivez de jamais se curvar diante de outro país.

Na semana passada, em um movimento para desviar o foco de seu envolvimento umbilical com o ex-banqueiro malfeitor Daniel Vorcaro, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu a Washington a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Sob a justificativa hipócrita do combate ao crime, os filhos do ex-presidente condenado pela tentativa de golpe de Estado convidaram o lobo para o galinheiro ao chancelarem esse pretexto, abrindo as portas para que o imperialismo americano legitime intervenções diretas no território nacional, ataque nossa soberania, prejudique instituições financeiras e sabote a cooperação policial autônoma. É a síntese perfeita do “complexo de vira-lata” em sua versão mais perigosa, o sacrifício da segurança e da independência do Brasil no âmbito do oportunismo familiar com fins eleitoreiros.

Nesta semana, após a investigação comercial da Seção 301, por razões meramente políticas, os EUA sinalizaram uma proposta de 25% de sobretaxa sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de práticas cerceadoras ao comércio estadunidense, com vinte menções ao Pix, entre outros questionamentos que não se sustentam na atual conjuntura do Brasil. O cronograma dessa investida prevê um período de consultas públicas até o início de julho, com a data-limite de 15 de julho de 2026 para que os EUA tomem a decisão final sobre a aplicação ou não da tarifa.

No dia seguinte, como se não bastasse a sobretaxa de 25%, a arrogância estadunidense anunciou um novo tarifaço de 12,5%, cinicamente camuflado sob alegações de combate ao trabalho forçado na produção brasileira. Na análise de negociadores, o que o império promove é um massacre comercial cumulativo. A junção das duas penalidades joga uma barreira alfandegária asfixiante de 37,5% contra as exportações do Brasil.

Flávio Bolsonaro tenta se descolar do anúncio dessas propostas de tarifaço; no entanto, resta impossível para qualquer bom entendedor engolir os argumentos falaciosos do senador de que não tem nada a ver, sobretudo depois da postagem de Trump sobre o efusivo encontro com Flávio, publicada em rede social no mesmo dia do golpe de novas taxações. Trump escreveu: “Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca, um jovem inteligente que ama muito o seu país”.

Numa esperada virada de chave, Trump explicita, sem a falsa máscara de “química” com Lula, que tipo de governante brasileiro prefere que seja eleito em outubro: um jovem capacho do imperialismo, um traidor da pátria que jamais amou seu país, que age unicamente para defender seus mesquinhos interesses individuais e familiares. Um jovem, nem tanto, que, ao longo de sua vida, nunca trabalhou como os verdadeiros patriotas brasileiros, que acordam cedo, pegam condução lotada para, horas depois, chegarem ao local de trabalho, submetidos a uma massacrante escala 6x1; um sujeito supostamente esperto, embora plenamente incapaz de dirigir um país.

Sem nenhuma sombra de dúvida, Flávio Bolsonaro é o candidato ideal de Trump para presidir o Brasil a partir de janeiro de 2027. O jovem sujeito improdutivo que se tornou político pelo parasitismo do “Cê é fi de quem?” (frase da camiseta usada por Flávio em um evento em Minas Gerais) e que continuou ineficaz desde 2003, quando se elegeu deputado estadual, até os dias de hoje como senador; um indivíduo que coleciona amizades íntimas com criminosos milicianos e parlamentares ligados ao crime organizado; um lacaio que trata como irmão um ex-banqueiro acusado de se apropriar de recursos públicos e apontado como protagonista de um dos maiores escândalos financeiros do país, cuja proximidade entre ambos se tornou ainda mais controversa após o recebimento de uma vultosa quantia de Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai, fato cercado por crescentes suspeitas de irregularidades, desvios obscuros e questionamentos sobre a aplicação do montante para além do custeio da produção cinematográfica.

Essa vocação entreguista e vassala atinge o ápice do ridículo na patética carta enviada por Flávio Bolsonaro ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, após a repercussão do tarifaço. Em um misto de delírio e bajulação rasteira, o senador incapaz de formular um projeto de governo e já se oferecendo como futura marionete presidencial chegou ao desplante de prometer entregar sua equipe de transição, de bandeja, aos interesses da Casa Branca. Ao apelar pelo recuo na proposta de tarifas a Rubio, enquanto argumenta um cenário caótico da economia brasileira, ele demonstra sua total inaptidão para ser presidente. Sua promessa de submeter o destino do Brasil à tutela americana demonstra sua rendição prévia e subserviente e que, se pudesse, rifaria a soberania nacional em troca de uma foto de aprovação na Casa Branca.

A bizarrice da família se acentua quando Eduardo Bolsonaro sai em defesa do Zelle, o sistema de transferências dos EUA, sugerindo que o Brasil abandone o Pix para adotar o modelo americano. Acontece que o Zelle é uma ferramenta privada, cara e fragmentada, absolutamente inferior. O Pix, por sua vez, humilha o concorrente norte-americano em eficiência e alcance, por ser um bem público regulado pelo Banco Central, por oferecer liquidação imediata em segundos e com custo zero para o cidadão, além de possuir uma segurança institucional que o mercado privado americano jamais conseguirá replicar.

Não é surpresa que o imperialismo em tensionamento, diante de sua superação hegemônica mundial pela China, almeje um político rasteiro no cargo de presidente do Brasil, em vez de um estadista como o presidente Lula, que não se curva e não negocia, em hipótese nenhuma, a soberania do país. Com toda a certeza, um líder dessa estirpe não é bem-vindo pelos EUA. Um governante que intimida a onipotência americana por meio de sua projeção internacional na defesa de uma nova ordem mundial, um presidente reconhecido mundialmente que ousa anunciar sua ida à Cúpula do G7 na França, com a missão explícita de costurar uma reação multilateral à ofensiva protecionista de Donald Trump e restabelecer o equilíbrio global frente ao arbítrio de Washington, sem sombra de dúvida, assusta pela coragem e determinação.

Esse embate constante nos fóruns globais reflete a perda de controle da Casa Branca sobre as estruturas de poder que antes dominava com facilidade. Exemplo categórico disso é que o ataque ao Pix se tornou, na avaliação estadunidense, um problema geopolítico e comercial para os Estados Unidos, justamente por ter minimizado o monopólio das maiores empresas de pagamento do mundo. Relatórios do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) já vinham apontando a ferramenta brasileira como uma suposta “barreira comercial” sob o argumento falacioso de que o Banco Central do Brasil atua de forma injusta por ser, ao mesmo tempo, o regulador do mercado e o operador do Pix, prejudicando empresas norte-americanas como Visa, Mastercard e as Big Techs apoiadoras do Make America Great Again de Trump. Na realidade, o que incomoda o governo americano é a perda de bilhões de dólares em taxas de intermediação e o avanço de modalidades como o Pix Parcelado, que ameaçam diretamente o império dos cartões de crédito tradicionais. Além do mais, uma escalada do Pix internacional também abre caminhos alternativos ao domínio global do dólar e esvazia a dependência do sistema SWIFT.

Esse sistema revolucionário não nasceu do dia para a noite; ele começou a ser pensado em 2016 pelo corpo técnico do Banco Central do Brasil e foi lançado em novembro de 2020 com o objetivo de modernizar o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), a partir de uma infraestrutura pública aberta e gratuita para pessoas físicas. É preciso desmistificar a narrativa falsa de que o Pix foi uma criação do governo Bolsonaro, ao contrário do que afirmam postagens enganosas de seus filhos nas redes sociais. Na verdade, na véspera do lançamento da ferramenta, o próprio ex-presidente demonstrou desconhecer o projeto ao ser questionado por um apoiador, respondendo que ainda iria se informar com o presidente do Banco Central.

Para os brasileiros, o Pix significou uma das maiores ferramentas de inclusão financeira e digital da história, permitindo que milhões de pessoas saíssem da informalidade e que pequenos comerciantes e vendedores ambulantes passassem a receber o dinheiro de suas vendas na hora, sem ficar reféns dos prazos de 30 dias e das taxas abusivas das maquininhas de cartão. Ao transformar o celular na principal carteira do país e virar sinônimo de praticidade no cotidiano, o Pix provou que o Brasil pode liderar a vanguarda tecnológica financeira mundial, e a reação protecionista americana com menções diretas ao Pix é a prova definitiva de que a soberania digital brasileira mexeu com os interesses dos EUA.

O sucesso do Pix no Brasil transformou o país em uma vitrine de tecnologia financeira. O receio dos Estados Unidos não é apenas perder mercado em território brasileiro, mas sim que o modelo de infraestrutura pública e gratuita se espalhe por outros países, ameaçando o monopólio dos cartões de crédito e das remessas internacionais em outras regiões. Países da Ásia, América Latina e África querem adotar o sistema de pagamento instantâneo a exemplo do Pix.

Em reação ao anúncio da proposta dessa sobretaxa de 25% contra os produtos nacionais, o governo brasileiro emitiu uma nota oficial manifestando profunda indignação contra essa nova investida dos EUA. A nota sinaliza que, a pretexto de punir supostas práticas desleais e mirando inclusive infraestruturas soberanas como o Pix, o governo estadunidense impõe uma violência econômica infundada contra um parceiro com quem acumula um superávit. Refere ainda que a retaliação é politicamente motivada e sabotada internamente pela extrema-direita bolsonarista, que atua como linha de apoio estrangeira contra a própria pátria. Enquanto o Brasil garante tarifa zero para 76% das importações norte-americanas (incluindo petróleo e gás), Washington responde sufocando as exportações brasileiras, que já atingiram o menor patamar histórico de participação, forçando o país a acionar sua Lei de Reciprocidade para defender sua soberania e proteger os empregos nacionais.

Nesse horizonte de prepotência, os Estados Unidos entram com carga estridente na campanha eleitoral contra o presidente Lula. O coadjuvante ativo dessa ofensiva é Marco Rubio, cuja atuação revela uma psique comprometida e neurotizada em relação à sua própria latinidade. Cubano de origem, Rubio é uma figura complexada e frustrada, mas movida por uma ambição desmedida, o desejo de suceder a Donald Trump, que, num passado recente, o ridicularizou publicamente. Para provar sua lealdade ao império, Rubio projeta seu auto-ódio contra os governos progressistas da América Latina. O ápice desse ressentimento materializou-se nesta terça-feira (2), em audiência no Senado americano, quando ele rejeitou abertamente os vizinhos do sul e afirmou que o Brasil não integra o grupo de nações amigáveis aos interesses estadunidenses no hemisfério ocidental, contrariando a histórica relação amigável entre o Brasil e os EUA, que perdura há mais de duzentos anos.

A ojeriza do “tal Rubio”, como Lula acertadamente o chamou ao se referir a Marco Rubio, aplicou, não por acaso, a sua costumeira diretriz ideológica na escolha do novo embaixador dos EUA no Brasil, Daniel Perez. Recém-indicado por Donald Trump, Perez é presidente da Câmara da Flórida e, assim como Rubio, um filho de imigrantes cubanos que ascendeu na ala mais radical do Partido Republicano. O diplomata chega a Brasília sob o apadrinhamento direto de Marco Rubio, consolidando uma política de trincheira na América Latina. Juntos, padrinho e afilhado operam o mesmo mecanismo psicológico de negação. Utilizam sua ascendência latina não como ponte diplomática, mas como escudo ideológico para perseguir governos progressistas e enquadrar o hemisfério ocidental aos interesses da Casa Branca.

Vale ressaltar que os interesses americanos no Brasil vão além do Pix e alcançam setores altamente estratégicos. O Brasil é visto pelos EUA como um ponto estratégico de abastecimento para sua transição energética e segurança tecnológica. Esse interesse se traduz na extração e controle de minerais críticos para a indústria de defesa americana, no uso do território para tecnologia de satélites e no aproveitamento da matriz energética limpa do país para sustentar a infraestrutura de seus data centers. Esse intuito de exploração de recursos não vem sozinho; ele exige uma estrutura de força militar e alinhamento político para se consolidar no continente. O jornalista Jamil Chade, em publicação na revista CartaCapital, revela, inclusive, a articulação do “Escudo das Américas”, uma aliança moldada nos termos da OTAN, mas sob o controle irrestrito dos EUA. Segundo a análise de Chade, o tratado visa impor a supremacia de Washington por meio da militarização e da dependência regional, já atraindo cerca de dez nações, entre as quais Argentina, Chile, Paraguai e Panamá. Nesse contexto geopolítico, a ascensão de Flávio Bolsonaro à Presidência representaria o encaixe perfeito para os planos de subordinação defendidos pelo poder americano.

Diante de tudo isso, não resta dúvida de que a subserviência do clã Bolsonaro e de seus aliados vem sendo amplamente rechaçada nas redes sociais. Em um certeiro tiro no pé, os movimentos dessa família nociva ao país acabaram se convertendo num bom cabo eleitoral em favor do presidente Lula. Por outro lado, como previsível, os pré-candidatos da direita alinhada ao bolsonarismo, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), ignorando deliberadamente o papel entreguista de Flávio Bolsonaro na crise, transformaram a ameaça do tarifaço em plataforma eleitoral, jogando a culpa do ataque imperialista nas costas da política externa do Planalto.

Ao final, o que se vê é mais um capítulo do déjà vu da vassalagem bolsonarista. Resta saber se, nas urnas de outubro, a teimosia de uma parte inacreditável de brasileiros optará por abandonar de vez essa tonalidade política obscura marcada pelo entreguismo, pela dependência externa e pela traição aos interesses nacionais.

*Elisabeth Lopes é Advogada, especializada em Direito do Trabalho, pedagoga e Doutora em Educação - Fonte: Brasil247

05 junho 2026

Dia Mundial do Meio Ambiente 2026: O Que é, Origem e Como Comemorar

 



O Dia Mundial do Meio Ambiente é uma data global criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e celebrada em 5 de junho. A iniciativa convida governos, empresas, escolas e cidadãos comuns a refletir sobre a saúde do planeta e a colocar em prática ações concretas de proteção ambiental. Em 2026, a celebração completa mais de cinco décadas de existência e segue como o maior evento de mobilização ecológica do mundo.

Mais do que uma data simbólica, o Dia Mundial do Meio Ambiente serve de alavanca para campanhas de conscientização, novas políticas públicas e a divulgação de pesquisas científicas. Neste guia, você entende a origem da data, o papel da ONU, como o Brasil participa e o que cada pessoa pode fazer no dia 5 de junho — e nos outros 364 dias do ano. (...)

*CLIQUE AQUI para continuar lendo, na íntegra, a importante postagem oriunda do site Mundo Ecologia

Pesquisa Vox mostra arrancada de Lula no 1º turno e queda significativa de Flávio Bolsonaro

Lula lidera com 42,1%, contra 33,6% de Flávio Bolsonaro, e vê vantagem crescer em nova pesquisa Vox Brasil

Lula e Flávio Bolsonaro (Foto: Ricardo Stuckert/PR I Andressa Anholete/Agência Senado)

Por Guilherme Levorato*

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um cenário estimulado de primeiro turno para a eleição presidencial, segundo levantamento do Instituto Vox Brasil divulgado nesta sexta-feira (5) pela Exame. Lula registra 42,1% das intenções de voto, contra 33,6% de Flávio, uma diferença de 8,5 pontos percentuais.

A pesquisa indica avanço do presidente em relação às rodadas anteriores. Desde meados de maio, Lula subiu 7,8 pontos percentuais, passando de 34,3% para 42,1%. No mesmo período, Flávio Bolsonaro recuou 2,9 pontos, de 36,5% para 33,6%.

No mesmo levantamento, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) aparece em terceiro lugar, com 6,9% das intenções de voto. Na sequência está o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), com 5,1%.

Renan Santos (Missão) registra 3,1%, seguido por Aécio Neves (PSDB), com 2,1%, Joaquim Barbosa (DC), com 1,1%, Augusto Cury (Avante), com 0,5%, e Cabo Daciolo, com 0,3%. Brancos, nulos e nenhum somam 2,9%, enquanto 2,3% dos entrevistados disseram não saber ou preferiram não responder.

O levantamento é o primeiro divulgado após a visita de Flávio Bolsonaro ao presidente Donald Trump e depois da decisão do governo dos Estados Unidos de declarar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Parte da coleta também ocorreu após a ameaça do governo norte-americano de impor um novo tarifaço contra produtos brasileiros.

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Lula tem vantagem entre mulheres e baixa renda

O recorte por gênero mostra Lula com desempenho superior entre as mulheres. Nesse grupo, o presidente alcança 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 30,8%. A vantagem é de 15,2 pontos percentuais.

Entre os homens, o cenário é numericamente favorável ao senador do PL. Flávio registra 40,1%, contra 37,8% de Lula, uma diferença de 2,3 pontos percentuais.

Por faixa etária, Lula obtém seus melhores resultados entre eleitores com mais de 60 anos. No grupo de 60 a 69 anos, o presidente tem 44,8%, ante 32,9% de Flávio Bolsonaro. Entre os entrevistados com mais de 69 anos, Lula chega a 46,9%, enquanto o senador registra 31,0%.

Flávio Bolsonaro tem seu melhor desempenho entre eleitores de 35 a 44 anos. Nessa faixa, ele aparece com 40,8% das intenções de voto, contra 36,5% de Lula.

No recorte de renda, a vantagem de Lula é mais ampla entre os entrevistados que ganham até dois salários mínimos. Nesse grupo, o presidente registra 55,1%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 23,5%.

Entre os eleitores com renda superior a dez salários mínimos, o quadro se inverte. Flávio aparece com 41,7%, enquanto Lula registra 32,9%.

Escolaridade mostra diferenças entre os candidatos

A pesquisa também aponta diferenças relevantes por escolaridade. Lula lidera entre os grupos com menor nível de instrução. Entre eleitores analfabetos, o presidente registra 53,2%, contra 24,1% de Flávio Bolsonaro.

À medida que o grau de escolaridade aumenta, a distância entre os dois diminui. Entre os entrevistados com ensino superior completo, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente, com 39,1%, enquanto Lula tem 38,4%.

Segundo os dados do levantamento, há uma relação inversa entre escolaridade e desempenho dos dois principais nomes no cenário pesquisado. Lula perde vantagem conforme aumenta o nível de instrução, enquanto Flávio Bolsonaro amplia sua participação entre os segmentos mais escolarizados.

Lula e Flávio concentram maiores índices de rejeição

O Instituto Vox Brasil também mediu a rejeição dos possíveis candidatos. Nesse indicador, os entrevistados informam em quais nomes não votariam de forma alguma. Como a pergunta permite múltiplas respostas, a soma dos percentuais pode ultrapassar 100%.

Lula aparece com a maior rejeição, com 49,2%. Flávio Bolsonaro vem logo em seguida, com 48,3%.

Aécio Neves é o terceiro nome mais rejeitado, com 41,3%. Depois aparecem Romeu Zema, com 25,7%, Joaquim Barbosa, com 23,3%, Ronaldo Caiado, com 21,7%, e Renan Santos, com 19,5%.

Cabo Daciolo registra 18,1% de rejeição, enquanto Augusto Cury aparece com 16,5%. Entre os entrevistados, 6,9% não souberam responder à pergunta sobre rejeição, e 2,3% afirmaram não rejeitar nenhum dos nomes apresentados.

Aprovação e desaprovação do governo estão empatadas

A pesquisa também avaliou a percepção dos entrevistados sobre a gestão do presidente Lula. O resultado mostra equilíbrio entre aprovação e desaprovação do governo federal.

Segundo o levantamento, 49,1% aprovam a administração Lula, enquanto 49,3% desaprovam o governo. Outros 1,6% não souberam responder ou preferiram não opinar.

Os dados indicam melhora gradual na avaliação presidencial ao longo das últimas semanas. Em 14 de maio, a aprovação era de 45,1%, enquanto a desaprovação chegava a 51,5%. Na rodada divulgada em 20 de maio, os índices passaram para 46,1% e 50,4%, respectivamente.

Na comparação com a primeira pesquisa da série, a aprovação do governo avançou quatro pontos percentuais. No mesmo período, a desaprovação recuou 2,2 pontos.

A diferença entre aprovação e desaprovação é de 0,2 ponto percentual, dentro da margem de erro. Na prática, os números indicam empate técnico na avaliação da gestão Lula.

O Instituto Vox Brasil ouviu 2.100 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 1º e 3 de junho. A margem de erro é de 2,15 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 08016/2026.

*Fonte: Brasil247