17 fevereiro 2026

O desfile da Acadêmicos de Niterói que a Globo não mostrou

Ângela Carrato: ''A Acadêmicos de Niterói, além da história do Lula, contou também a história recente do Brasil, que a mídia golpista, Globo à frente, tenta escamotear''.Fotos: Laís Reverte/Mídia Ninja e Ângela Carrato

Por Ângela Carrato*

Lindo, emocionante e impactante.

Assim pode ser definida a apresentação da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que abriu o desfile do grupo especial nesta noite de domingo (15/2).

Em pouco mais de uma hora, foi contada a história de Lula, o menino pobre nordestino, que escapou da seca, da pobreza e da fome e se tornou o melhor presidente do Brasil e um dos líderes políticos mais respeitados no mundo.

Antes mesmo do começo do desfile as arquibancadas do sambódromo já cantavam sem parar o lindo samba enredo e o refrão Lu-lá, Lu-lá, ressoava por toda a avenida.

A chegada de Lula foi simplesmente maravilhosa. Todo vestido de branco e com o inseparável chapéu, esbanjava carisma e alegria.

Claro que a TV Globo não mostrou nada disso.

Detentora exclusiva dos direitos de transmissão sobre o desfile carioca, a emissora da família Marinho fez de tudo para jogar o evento para baixo.

Começou a transmissão atrasada, deu voz a uma turma de repórteres e comentaristas que se fixaram no óbvio e ignoraram o importante.

Nada disso foi por acaso.

Nos últimos dias a direção da Globo chegou a pensar em nem transmitir o desfile, a partir da falsa alegação dos setores de oposição de que o evento se constituiria em campanha eleitoral antecipada.

Como ficaria óbvia a censura patronal ao desfile, foi elaborado um protocolo para a cobertura, que toda a equipe da Globo devia seguir.

Pelo protocolo, as referências a Lula seriam as menores possíveis, o mesmo se dando em relação à sua presença.

Tanto que ele foi mostrado uma única vez e en passant. Algo no mínimo inusitado em se tratando de uma homenagem.

O barulho da oposição foi tamanho que a esquerda caviar também chegou a embarcar na conversa de que o “mais prudente” seria ele nem comparecer ao desfile.

Foi feito todo tipo de terrorismo: se Lula for, corre o risco de ser vaiado ou ficar inelegível.
Nada mais distante da realidade.

A Acadêmicos de Niterói desfilou e, além da história do Lula, contou também a história recente do Brasil, que a mídia golpista, Globo à frente, tenta escamotear.

O carro da comissão de frente, o abre-alas, por exemplo, sintetizou muito bem o golpe contra a presidente Dilma Rousseff, os governos golpistas de Michel Temer e Jair Bolsonaro, sem falar no próprio Bolsonaro condenado e pagando pelo que fez atrás das grades.

Não faltou, neste carro, nem a cena do Jair com tornozeleira tentando fugir.

Claro que a Globo corre destas imagens como o diabo da cruz.

Para a cena golpista ficar perfeita, faltou apenas incluir a própria TV da família Marinho nela.

Ao contrário de outras coberturas, a Globo preferiu planos muito abertos feitos do alto por drones ou closes ultra rápidos. Agindo assim evitou mostrar a euforia que tomou conta do sambódromo e também as imagens incríveis que a escola trouxe sobre Lula, sua vida e a própria vida brasileira.

Por tudo isso adorei o desfile e detestei a transmissão da Globo.

A Acadêmicos de Niterói nos proporcionou um espetáculo de cultura popular, de música, de dança e sobretudo de história de um país que voltou a dar certo.

Um Brasil que venceu o medo.

Daí o ódio que a classe dominante – da qual a familia Marinho é parte – nutre contra Lula.

Daí esta cobertura torta e enviesada de um desfile tão importante e significativo.

Cobertura tão enviesada que suprimiu até o seu final apoteótico, com as arquibancadas gritando “sem anistia para golpistas”.

Não faltarão, nos próximos dias, os urubus de sempre, na mídia e fora dela, falando que o desfile foi um “absurdo”, “campanha eleitoral antecipada”.

Para esses velhos e novos corvos só tenho a dizer que a campanha começa apenas em agosto e que Lula sequer ainda é candidato.

Parabéns Acadêmicos de Niterói!

Parabéns Lula pela merecidíssima homenagem!

*Ângela Carrato é jornalista, professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG e membro do Conselho Deliberativo da ABI - Fonte: Viomundo

16 fevereiro 2026

Nota: Inexiste irregularidade eleitoral em desfile, afirma jurídico do PT

A concepção, desenvolvimento e execução do desfile ocorreram de forma autônoma pela agremiação carnavalesca, sem participação do PT ou de Lula




Nota do Jurídico do Partido dos Trabalhadores*

O Partido dos Trabalhadores esclarece, diante de questionamentos públicos sobre o desfile carnavalesco que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que:

1. O enredo apresentado é manifestação típica da liberdade de expressão artística e cultural, plenamente assegurada pela Constituição Federal. A concepção, desenvolvimento e execução do desfile ocorreram de forma autônoma pela agremiação carnavalesca, sem participação, financiamento, coordenação ou qualquer ingerência do Partido dos Trabalhadores ou do presidente Lula;

2. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral é firme no sentido de que manifestações políticas e culturais espontâneas de artistas constituem exercício legítimo da liberdade de expressão, inclusive em contextos eleitorais e em eventos públicos;

3. Nos termos do art. 36-A da Lei das Eleições, não configura propaganda eleitoral antecipada a mera exaltação de qualidades pessoais de agente político, sobretudo quando realizada por terceiros e sem pedido explícito de voto, elemento indispensável para caracterização de irregularidade eleitoral, inexistente no caso;

4. O Tribunal Superior Eleitoral já analisou as medidas judiciais apresentadas sobre o tema, indeferindo pedidos liminares. As demais iniciativas judiciais foram indeferidas;

5. À luz desses elementos, não há fundamento jurídico para qualquer discussão sobre inelegibilidade relacionada ao episódio;

6. O Partido dos Trabalhadores reafirma que atua em estrita observância à legislação eleitoral, tendo orientado previamente seus filiados e apoiadores quanto às regras aplicáveis ao período de pré-campanha.

O Partido reitera seu respeito às instituições e à Justiça Eleitoral, confiante na prevalência da Constituição, da liberdade artística e da segurança jurídica.

Brasília, 16 de fevereiro de 2026

*Via https://pt.org.br/

Acadêmicos de Niterói homenageia Lula na Sapucaí e leva recados políticos ao carnaval do Rio

Enredo sobre a trajetória do presidente abre o Grupo Especial, cita Janja e faz alusão a Bolsonaro como “palhaço preso”

Acadêmicos de Niterói homenageia Lula na Sapucaí e leva recados políticos ao carnaval do Rio (Foto: Lucas Victorio | Riotur)


247* – A Acadêmicos de Niterói abriu os desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio neste domingo, 15 de fevereiro de 2026, na Marquês de Sapucaí, com um enredo que homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e transforma sua trajetória em narrativa carnavalesca, com referências diretas ao PT, alusão a Jair Bolsonaro e repercussão imediata no ambiente político. Desfile sobre o presidente Lula na Sapucaí encerrou com o público gritando “sem anistia”. 

A escola levou para a avenida o samba-enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, apresentando um recorte simbólico da história do presidente, com início em 1952.

Na encenação, o ator e humorista Paulo Vieira interpretou Lula durante a apresentação, enquanto o presidente assistia ao desfile no camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro e chegou a descer para a avenida.

A própria escola destacou a dimensão histórica do homenageado. “A liderança política de Lula marcou definitivamente a história do Brasil. Eleito deputado constituinte e presidente da República, Luiz Inácio subiu ao Palácio do Planalto após receber mais de 52 milhões de votos. Alguns dirão que ele bancou o camaleão, disfarçando de verde e amarelo sua coloração essencialmente vermelha”, afirmou a agremiação.

PT, número 13 e grito de guerra na avenida

O samba-enredo trouxe referências explícitas ao universo do PT. A letra reproduziu um dos gritos de guerra associados à militância e mencionou, em duas passagens, o número de urna do partido.

Um dos trechos destacados foi literal: “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”.

Janja também é citada na composição, assim como o filme “Ainda Estou Aqui”, conectando elementos culturais à narrativa política apresentada pela escola.

Na letra, Eurídice Ferreira de Mello, mãe de oito filhos, narra a viagem de “13 noites e 13 dias” com a família em um caminhão “pau-de-arara”, entre Garanhuns, no interior de Pernambuco, e a periferia de Guarujá, no litoral paulista, em alusão à trajetória do chefe do Executivo.

Ausência de Janja e presença de Fafá de Belém

Apesar de ser aguardada no último carro alegórico, a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, não desfilou na homenagem da Acadêmicos de Niterói.

No lugar dela, entrou Fafá de Belém. Segundo pessoas que acompanharam o desfile ao lado de Lula, Janja chegou a passar pela Marquês de Sapucaí, mas retornou pouco depois ao camarote em que o presidente acompanhava a apresentação.

Alegoria faz alusão a Bolsonaro como “palhaço preso”

A agremiação também levou para a avenida uma alegoria com alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro, representado como um palhaço na prisão.

Com feição triste e espantada, a figura vestia trajes listrados, tradicionalmente associados à representação de presidiários na dramaturgia. O palhaço utilizava ainda uma tornozeleira eletrônica com sinais de violação, em referência a episódio que levou à revogação da prisão domiciliar do ex-presidente, em novembro do ano passado.

Reação da oposição e questionamentos sobre verba pública

A participação de Lula gerou forte repercussão, especialmente entre políticos de direita, que o acusaram de fazer propaganda eleitoral antecipada e de utilizar dinheiro público para se promover. Segundo o relato, opositores chegaram a acionar a Justiça contra a participação do presidente no desfile.

Neste ano, o Governo Federal destinou R$ 12 milhões em verba pública para escolas do grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro. A Acadêmicos de Niterói deve receber R$ 1 milhão pela participação no desfile.

Com o enredo centrado na trajetória do presidente, referências diretas ao PT e alegorias com forte carga política, a abertura do Grupo Especial transformou a Sapucaí em palco não apenas de espetáculo cultural, mas também de intensa disputa simbólica sobre o Brasil contemporâneo.

*Fonte: Brasil247

15 fevereiro 2026

'Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil' (Samba-Enredo da Acadêmicos de Niterói/RJ)

 



Quanto custa a fome? Quanto importa a vida
Nosso sobrenome é Brasil da Silva
Vale uma nação, vale um grande enredo
Em Niterói, o amor venceu o medo
Vale uma nação, vale um grande enredo
Em Niterói, o amor venceu o medo

Olê, olê, olê, olá
Vai passar nessa avenida mais um samba popular
Olê, olê, olê, olá
Lula, Lula

Eu vi brilhar a estrela de um país
No choro de Luiz, a luz de Garanhuns
Lugar onde a pobreza e o pranto
Se dividem para tantos
E a riqueza multiplica para alguns

Me via nos olhares dos meus filhos
Assombrados e vazios
Com o peito em pedaços
Parti atrás do amor e dos meus sonhos
Peguei os meus meninos pelos braços
Brilhou um Sol da pátria incessante
Pro destino retirante
Te levei, Luiz Inácio

Por ironia, treze noites, treze dias
Me guiou Santa Luzia, São José alumiou
Da esquerda de Deus Pai, da luta sindical
À liderança mundial

Vi a esperança crescer
E o povo seguir sua voz
Revolucionário é saber
Escolher os seus heróis
Zuzu Angel, Henfil, Vladimir
Que pagaram o preço da raiva
Nós ainda estamos aqui
No Brasil de Rubens Paiva

Lute pra vencer
Aceite se perder
Se o ideal valer
Nunca desista
Não é digno fugir
Nem tão pouco permitir
Leiloarem isso aqui
A prazo, à vista

É, tem filho de pobre virando doutor
Comida na mesa do trabalhador
A fome tem pressa, Betinho dizia
É, teu legado é o espelho das minhas lições
Sem temer tarifas e sanções
Assim que se firma a soberania
Sem mitos falsos, sem anistia

Quanto custa a fome? Quanto importa a vida
Nosso sobrenome é Brasil da Silva
Vale uma nação, vale um grande enredo
Em Niterói, o amor venceu o medo
Vale uma nação, vale um grande enredo
Em Niterói, o amor venceu o medo

Olê, olê, olê, olá
Vai passar nessa avenida mais um samba popular
Olê, olê, olê, olá
Lula, Lula

Eu vi brilhar a estrela de um país
No choro de Luiz, a luz de Garanhuns
Lugar onde a pobreza e o pranto
Se dividem para tantos
E a riqueza multiplica para alguns

Me via nos olhares dos meus filhos
Assombrados e vazios
Com o peito em pedaços
Parti atrás do amor e dos meus sonhos
Peguei os meus meninos pelos braços
Brilhou um Sol da pátria incessante
Pro destino retirante
Te levei, Luiz Inácio

Por ironia, treze noites, treze dias
Me guiou Santa Luzia, São José alumiou
Da esquerda de Deus Pai, da luta sindical
À liderança mundial

Vi a esperança crescer
E o povo seguir sua voz
Revolucionário é saber
Escolher os seus heróis
Zuzu Angel, Henfil, Vladimir
Que pagaram o preço da raiva
Nós ainda estamos aqui
No Brasil de Rubens Paiva

Lute pra vencer
Aceite se perder
Se o ideal valer
Nunca desista
Não é digno fugir
Nem tampouco permitir
Leiloarem isso aqui
A prazo, à vista

É, tem filho de pobre virando doutor
Comida na mesa do trabalhador
A fome tem pressa, Betinho dizia
É, teu legado é o espelho das minhas lições
Sem temer tarifas e sanções
Assim que se firma a soberania
Sem mitos falsos, sem anistia

Quanto custa a fome? Quanto importa a vida
Nosso sobrenome é Brasil da Silva
Vale uma nação, vale um grande enredo
Em Niterói, o amor venceu o medo
Vale uma nação, vale um grande enredo
Em Niterói, o amor venceu o medo

Olê, olê, olê, olá
Vai passar nessa avenida mais um samba popular
Olê, olê, olê, olá
Lula, Lula
Olê, olê, olê, olá
Vai passar nessa avenida mais um samba popular
Olê, olê, olê, olá
Lula, Lula

Olê, olê, olê, olá
Lula, Lula
Olê, olê, olê, olá
Lula, Lula

...


*Composição: Teresa Cristina / André Diniz / Paulo César Feital / Fred Camacho / Junior Fionda / Arlindinho / Lequinho / Thiago Oliveira / Tem-Tem Jr..

14 fevereiro 2026

O Samba na Avenida: Liberdade de Expressão Cultural e Risco Eleitoral

 

Por José Geraldo de Sousa Junior*

A escola de samba Acadêmicos de Niterói está homenageando o presidente Lula no Carnaval de 2026 com o enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”. O samba-enredo, interpretado por Emerson Dias, retrata a trajetória de Lula, desde sua origem humilde até sua atuação política, passando pela luta sindical e pelo combate à fome, como se vê em parte de sua letra.

É… TEM FILHO DE POBRE VIRANDO DOUTOR

COMIDA NA MESA DO TRABALHADOR

A FOME TEM PRESSA, BETINHO DIZIA

É.. TEU LEGADO É ESPELHO DAS MINHAS LIÇÕES

SEM TEMER TARIFAS E SANÇÕES

ASSIM QUE SE FIRMA A SOBERANIA

SEM MITOS FALSOS, SEM ANISTIA

O desfile acontece no dia 15 de fevereiro de 2026, domingo, a partir das 22h. O enredo é uma crítica social e um resgate da história do Brasil, com referências à religiosidade católica e à luta da classe trabalhadora. Afinal, Lula pode até ser candidato, mas antes de tudo é personagem maiúsculo da História, da História do Brasil e da História do Mundo, que em meu tempo de ginasiano era denominada História Universal.

Não surpreende que numa conjuntura política exacerbada, tensionando projetos antagônicos de sociedade, à esquerda, ao centro e à direita, tudo seja misturado no caldeirão da disputa e já se apresentem as petições de impugnação e de criminalização desses projetos. De fato, contra o desfile já são várias as representações e elas ainda se acumularão, até o desfile e depois dele, quando a disputa se desloca das urnas para os tribunais.

Enquanto escrevo, ouço em https://www.website.agenciaradioweb.com.br/meuplayer.php?idmateria=NjMxMjQ=, reportagem do competente radialista Allan Barbosa, a partir da chamada “Planalto teme por crimes eleitorais com samba-enredo a Lula”, entrevistando o advogado e analista político Melillo Dinis, meu companheiro coordenador do Grupo de Análise de Conjuntura Social da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Melillo chama a atenção para riscos associados à possibilidade de caracterização de propaganda antecipada e abuso de poder, tanto mais acentua Allan, quando conduzirá o TSE nas eleições dois ministros que foram indicados pelo Presidente Bolsonaro e que conhecem a decisão da justiça eleitoral em face da reunião do ex-Presidente com diplomatas no Alvorada, resultando em sua condenação a inelegibilidade. Ainda que as diferenças sejam gritantes, entre um ato cultural espontâneo e um ato político forte na agenda eleitoral.

De toda sorte, ontem (11/2), a Justiça Federal rejeitou, duas ações apresentadas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Escola de Samba Acadêmicos de Niterói por causa do enredo escolhido pela agremiação para apresentar na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. O juiz federal Francisco Valle Brum justificou que os pedidos não cumprem os requisitos necessários para a abertura de processo e afirmou que não houve demonstração concreta de dano ao patrimônio público (fonte O Correio Brazilense).

E hoje (12/2), com voto dos ministros e ministras Kassio Nunes, André Mendonça e Carmen Lúcia, o TSE negou ação contra tributo a Lula na Sapucaí, claro que rejeitando a liminar pretendida. Para a relatora, ministra Estela Aranha, não é possível classificar propaganda eleitoral antecipada, já que o desfile não ocorreu, além do que “ainda que não possa ser considerada propaganda antecipada a simples reprodução dos fatos nas redes sociais não prejudica uma nova análise após o desfile”. A ação prossegue mas os pontos fixados para a discussão ativam o que tem sido a manifestação conceitual e ordenadora do TSE nesse assunto.

Com efeito, a diferenciação entre crítica política legítima e propaganda eleitoral é um dos pontos em que mais claramente se revela a tensão constitutiva do direito eleitoral em uma ordem democrática. De um lado, a proteção robusta da liberdade de expressão e do pluralismo político; de outro, a necessidade de assegurar igualdade de chances na disputa eleitoral. A jurisprudência recente do Tribunal Superior Eleitoral tem buscado resolver essa tensão por meio de uma inflexão relevante de perspectiva. Em vez de vigiar o conteúdo político do discurso, procura identificar sua funcionalidade eleitoral.

Durante muito tempo, a Justiça Eleitoral brasileira operou com um olhar mais restritivo sobre manifestações políticas fora do período oficial de campanha, temendo que qualquer antecipação do debate eleitoral comprometesse a paridade entre os concorrentes. A reforma introduzida pela Lei 13.165/2015 e sua leitura jurisprudencial posterior, contudo, deslocaram o eixo interpretativo. O reconhecimento explícito de espaços legítimos de pré-campanha e a enumeração de condutas permitidas no art. 36-A da Lei das Eleições sinalizaram uma abertura maior ao debate público. A partir daí, o TSE passou a afirmar com mais nitidez que a mera manifestação política, ainda que valorativa, parcial ou engajada, não se confunde com propaganda eleitoral antecipada.

Nesse contexto, o critério que se consolidou como núcleo distintivo é o do pedido explícito de voto. A Corte tem reiterado que, em regra, somente a presença de um chamamento direto ao eleitor — a solicitação clara de apoio eleitoral — autoriza a caracterização de propaganda antecipada ilícita. Essa orientação não se limita a um formalismo vocabular, mas indica uma preocupação de fundo, vale dizer, evitar que a regulação eleitoral se converta em mecanismo de contenção do debate político. A democracia pressupõe circulação livre de ideias, avaliações sobre governos, críticas a políticas públicas e juízos sobre lideranças. Se toda tomada de posição mais enfática pudesse ser lida como propaganda, o efeito seria um empobrecimento do espaço público e uma inibição indevida da cidadania discursiva.

Isso não significa, porém, que a Justiça Eleitoral seja indiferente aos efeitos eleitorais da comunicação política. O que a jurisprudência procura é distinguir entre o discurso que participa do debate público e aquele que já integra uma estratégia de persuasão eleitoral típica de campanha. Para tanto, a análise raramente se limita à literalidade das palavras empregadas. O Tribunal recorre com frequência à ideia de exame do “conjunto da obra”, considerando contexto, circunstâncias e finalidade. A linguagem utilizada, o momento em que a manifestação ocorre, o meio de difusão, o alcance da mensagem e a eventual vinculação com pré-candidaturas ou estruturas de campanha são elementos que ajudam a revelar se se trata de opinião política ou de promoção eleitoral.

A crítica política legítima, nessa moldura, é compreendida como parte do funcionamento normal do regime democrático. Ela pode ser dura, unilateral, apaixonada e até estrategicamente orientada por preferências ideológicas. Ainda assim, permanece protegida enquanto não se converte em convocação ao voto ou em construção de imagem eleitoral associada a uma candidatura. Elogiar qualidades de uma liderança, defender ideias que ela representa ou criticar adversários não basta, por si só, para configurar propaganda. O que desloca a manifestação para o campo do ilícito é sua transformação em ato de captação de sufrágio.

O tempo também desempenha um papel relevante, mas não absoluto. A proximidade das eleições naturalmente intensifica o escrutínio, pois aumenta o risco de que mensagens aparentemente opinativas tenham finalidade eleitoral imediata. Ainda assim, a Corte tem sinalizado que o calendário eleitoral não suspende a liberdade de expressão. A cidadania política não entra em recesso até o início oficial da campanha. O que se busca evitar é o uso desequilibrado de recursos, meios de comunicação ou estratégias profissionais para antecipar, de forma disfarçada, a disputa eleitoral.

Por trás dessa orientação está uma leitura constitucional que atribui peso elevado à liberdade de expressão e ao pluralismo político. O TSE dialoga, nesse ponto, com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que tem afirmado de modo consistente a posição preferencial da liberdade de expressão no sistema constitucional. A intervenção estatal sobre o discurso político tende a ser vista como medida excepcional, justificável apenas quando há risco concreto à lisura e à igualdade da competição eleitoral. Assim, a proteção da igualdade de chances não é abandonada, mas passa a operar como contrapeso, não como ponto de partida.

O resultado é uma mudança de paradigma. A Justiça Eleitoral procura menos policiar opiniões e mais coibir a conversão disfarçada do debate em campanha. A linha divisória entre crítica e propaganda não está na intensidade do posicionamento, nem no fato de a manifestação favorecer simbolicamente alguém, mas na presença de finalidade eleitoral direta. Em outras palavras, o problema não é que o discurso seja político — isso é inerente à democracia —, mas que ele funcione como ato de campanha fora das regras e do tempo próprios.

Essa orientação revela uma compreensão mais madura da esfera pública democrática. O eleitor não é visto como sujeito passivo a ser protegido do excesso de discurso político, mas como cidadão capaz de formar juízo em meio ao pluralismo de vozes. Ao mesmo tempo, preserva-se a ideia de que a disputa eleitoral deve ocorrer em condições minimamente equânimes. A jurisprudência, assim, procura equilibrar dois riscos opostos. O de uma campanha permanente sem regras e o de uma censura eleitoral que sufoque o debate público. Na tensão entre esses polos, a Corte tem optado por errar menos contra a liberdade e intervir apenas quando o discurso deixa de ser política em sentido amplo e se torna, inequivocamente, campanha.

Voltando ao programa da radioweb compreendo e acompanho a interpretação de Melillo, sabendo que ela carrega uma advertência e não uma conclusão. Leitor de Ulrich Beck, para quem o risco não é apenas um problema individual, mas sim uma questão social e política que afeta a todos, Melillo emprestou suas leituras para a Análise de Conjuntura Social que o Grupo de Análise de Conjuntura Social prepara para o episcopado brasileiro (CNBB), lembrando, como aparece no texto – A CONJUNTURA INTERNACIONAL EM 2026 – a única constante é a mudança https://www.cnbb.org.br/wp-content/uploads/test-for-pdf/Analise-de-Conjuntura-Social-A-CONJUNTURA-INTERNACIONAL.pdf – que “Parte de uma cultura em crise é a indefinição de como descrevê-la. Há um cheiro crescente de riscos. O risco é um conceito muito “moderno”. Pressupõe decisões que tentam fazer das consequências imprevisíveis das decisões civilizacionais decisões previsíveis e controláveis. O risco repousa no fato de que nossas decisões civilizacionais envolvem consequências e perigos globais, e isso contradiz radicalmente a linguagem institucionalizada do controle – e mesmo a promessa de controle – que é irradiada ao público global na eventualidade de catástrofes”.

Dito em alemão essa é uma forma sofisticada de conceituar opções de risco. Há ainda as sensíveis e cotidiana ilustradas no pensamento de Riobaldo Tartarana, em Grande Sertões, Veredas (João Guimarães Rosa), no atinar que “Viver é muito perigoso” e que “A vida é assim, um rio que corre para o mar, e a gente não sabe o que vai encontrar no caminho“. O Samba da Acadêmicos de Niterói na avenida, na melhor tradição de retirar da História os grandes legados, desfilará no ritmo da liberdade de expressão cultural ao homenagear um grande brasileiro e sua obra política. Fazer história implica risco, inclusive eleitoral.

(*) José Geraldo de Sousa Junior é professor titular na Faculdade de Direito e ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB) - Fonte: Brasil Popular

11 fevereiro 2026

Cuba resiste

Donald Trump está fazendo de tudo para sufocar Cuba, cuja vitória revolucionária ainda não foi aceita pelos Estados Unidos

Cuba condena e denuncia a nova escalada do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos (Foto: Granma)

Por Emir Sader*

Donald Trump está fazendo de tudo para sufocar Cuba, cuja vitória revolucionária ainda não foi aceita pelos Estados Unidos.

Agora, o presidente americano emitiu o que chamou de "ordem executiva", ameaçando com medidas severas os países que continuam fornecendo petróleo a Cuba.

Fiz três perguntas a um amigo cubano, Abel Prieto, presidente da Casa de las Américas, sobre a situação real na ilha, especialmente considerando a quantidade de notícias falsas disseminadas pelos principais veículos de comunicação controlados pelos Estados Unidos.

Abel respondeu com uma carta, que reproduzo aqui na íntegra.

"Este é um esforço cruel para nos sufocar e forçar a sempre presente 'mudança de regime'. Eles ameaçam sancionar qualquer país que nos venda petróleo, paralisando, assim, a economia, a produção e os serviços à população e promovendo uma crise política."

Ele então detalha as medidas tomadas pelo governo cubano "para priorizar as necessidades básicas da população, saúde pública, educação e assistência aos setores mais vulneráveis". "Além disso, estão em curso esforços para acelerar os investimentos já realizados na instalação de parques solares e no uso de fontes de energia renováveis." Abel relata que, no ano passado, "conseguiram instalar cerca de 50 parques fotovoltaicos em todas as províncias". Esses parques estão sendo instalados em maternidades, policlínicas e lares de idosos.

Da mesma forma, do ponto de vista energético, estão protegendo centros de produção associados a exportações, irrigação elétrica, cultivo de tabaco, entre outros.

"Juntamente com a tentativa de nos sufocar, as operações de guerra psicológica por meio da mídia digital, financiadas pelos ianques, estão se multiplicando a cada dia", escreve Abel. "É por isso que estamos trabalhando intensamente para preparar nosso povo para travar a batalha nas redes sociais sem ser manipulado."

Abel então recorda: "O povo cubano passou por experiências muito difíceis ao longo de todos esses anos: a invasão da Baía dos Porcos, a Crise dos Mísseis de Cuba, a guerra biológica, furacões devastadores, o colapso do socialismo na Europa, as Leis Torricelli e Helms-Burton e a pandemia da COVID-19."

Ele relata as homenagens prestadas aos 32 cubanos que morreram defendendo o governo venezuelano contra o sequestro do presidente daquele país.

E conclui dizendo que: "Apesar das enormes carências e dificuldades que enfrentamos hoje, estou convencido de que não há, nem haverá, uma crise política em Cuba. O decreto de Trump só serviu para radicalizar nosso povo, nos unir ainda mais e nos tornar mais anti-imperialistas e antifascistas."

E termina com: "Um grande abraço, querido Emir."

*Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros. Fonte: Brasil247

09 fevereiro 2026

46 anos do PT: a atualidade de seu Manifesto de Fundação e a luta pela Constituinte Soberana*

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Em plena ditadura militar e sob o peso da Lei de Segurança Nacional, em 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo, representantes do Movimento Pró-PT vindos de 17 Estados brasileiros lançaram o manifesto de fundação do partido e reuniram as 101 assinaturas exigidas à época para sua formalização legal. O nascimento do PT e poucos anos depois da CUT, vieram na esteira de uma onda de greves e mobilizações que aceleraram o fim do regime e inauguraram uma nova etapa na representação política dos trabalhadores.

Expressando a necessidade de construir um partido empenhado comprometido com mudança da ordem, seu manifesto afirma: “O Partido dos Trabalhadores nasce da vontade de independência política dos trabalhadores, já cansados de servir de massa de manobra para os políticos e os partidos comprometidos com a manutenção da atual ordem econômica, social e política.” 

Fruto dessa correta orientação, oito anos depois, a bancada de 16 deputados do PT votou contra o texto da Constituição de 1988. Lula, então deputado, profere discurso irretocável: “Entramos aqui querendo 40 horas semanais e ficamos com 44 horas; entramos aqui querendo férias em dobro e ficamos apenas com um terço a mais nas férias; entramos aqui querendo o fim da hora extra ou, depois, a hora extra em dobro, e ficamos apenas com 50%, recebendo menos do que aquilo que o Tribunal já dava.”

Lula também não poupou o latifúndio nem a tutela militar, em vigor até hoje, e adubo para a tentativa de golpe em 8 de janeiro: “Sobre a questão da reforma agrária, esta Assembleia Nacional Constituinte teve o prazer de dar aos camponeses brasileiros um texto mais retrógrado do que aquele que era o Estatuto da Terra, elaborado na época do Marechal Castello Branco. Os militares continuam intocáveis, como se fossem cidadãos de primeira classe, para, em nome da ordem e da lei, poderem repetir o que fizeram em 1964 (…).”

E conclui: “Ainda não foi desta vez que a classe trabalhadora pôde ter uma Constituição efetivamente voltada para os seus interesses (…) E a questão do capital continua intacta (…). É por isto que o Partido dos Trabalhadores vota contra o texto e, amanhã, por decisão do nosso diretório – decisão majoritária – o Partido dos Trabalhadores assinará a Constituição, porque entende que é o cumprimento formal da sua participação nesta Constituinte.”

É preciso lembrar como o Congresso funcionava à época. De manhã, era Constituinte, de tarde, legislava normalmente… na verdade uma “constituinte meia bomba”. Não se tratava de uma constituinte soberana. De lá para cá, o texto de 1988, teve inúmeros retrocessos como a reforma da previdência, trabalhista e fim do monopólio estatal do petróleo, para citarmos apenas alguns exemplos.

As regras de sub-representação seguem, o voto não é proporcional, não existe voto em lista, o financiamento eleitoral privado continua liberado e o Congresso inimigo do povo agora é turbinado pelas bilionárias emendas parlamentares que contaminaram até o PT. O judiciário, por sua vez, se enrola entre interesses de poderosos como o caso do Banco Master mostra. Daí a atualidade do Manifesto do PT, 46 anos depois de sua fundação, e da necessidade histórica de uma Constituinte, mas Soberana desta vez, com plenos poderes, e não instalada submissa ao STF, com o Exército ditando Art. 142 da GLO, etc… Em 2026, o povo brasileiro ainda precisa de instituições e uma Constituição que seja sua.

Agir como o PT agia, viva o Partido dos Trabalhadores!

*Via site do Diálogo e Ação Petista - DAP (Negritos e grifos deste Blog)

46 anos do PT - O que está em jogo é a democracia do país, aponta Lula em discurso sobre as eleições de 2026

Durante ato político em Salvador, presidente defende diálogo, soberania e compromisso com valores que fundaram o PT

Lula destacou a necessidade de fortalecer o arco de alianças do partido para enfrentar o processo eleitoral | Crédito: João Valadares/PT

Em ato político que celebrou os 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou os desafios do processo eleitoral deste ano e convocou a militância a fazer a disputa de narrativas contra a extrema direita. O discurso foi realizado na manhã deste sábado (7) no Trapiche Barnabé, no bairro do Comércio, em Salvador (BA), ao lado de ministros de Estado, parlamentares e dirigentes de todo país.

“Essa luta é se a gente vai permitir que esse país continue sendo democrático ou se vai ser um país fascista, como eles queriam construir. O que está em jogo é a democracia desse país”, apontou o presidente. “Nós precisamos ganhar as eleições para consolidar nesse país a democracia, a liberdade de expressão, para melhorar a vida do povo trabalhador.”

Lula também ressaltou a defesa da soberania do Brasil e da América Latina como um dos pontos centrais da narrativa política que deve conduzir o partido e a base aliada nestas eleições.

“O nosso país é soberano. A gente quer trabalhar com todo mundo, mas a gente não quer voltar a ser colonizado. O nosso país é solidário ao povo cubano, que é vítima de um massacre de especulação dos Estados Unidos contra eles. Nós temos que dizer em alto e bom som que o problema da Venezuela tem que ser resolvido pelo povo da Venezuela e não pelos Estados Unidos ou pelo Trump”, destacou.

Compromisso e diálogo com o povo

Ao resgatar sua trajetória sindical e construção do PT nas últimas quatro décadas, Lula afirma viver hoje, aos 80 anos, “na sua melhor passagem pelo planeta Terra”. No entanto, o dirigente também teceu duras críticas ao atual momento da política brasileira. O orçamento secreto, descrito por Lula como o “sequestro do orçamento do Executivo”, foi apontado como um dos exemplos da deterioração da política nacional.

“O orçamento secreto foi o sequestro do orçamento do Executivo para que deputados e senadores tivessem liberdade de usar a mesma quantidade de dinheiro que sobra para o governo federal. Pra mim isso não é normal. Acho grave que o PT votou favorável”, criticou.

À militância do PT, o presidente cobrou o compromisso com os valores que levaram à fundação do partido, o diálogo com as periferias e a defesa dos interesses dos trabalhadores.

“Vocês têm a obrigação moral de não deixar esse partido ser um que vai para a vala comum da política deste país”, destacou.

Edinho Silva, presidente nacional do PT, também ressaltou a necessidade de formação política da militância e a capacidade do partido de construir alianças com a sociedade.

“O PT não pode ser um partido que defende privilégios. Somos um instrumento para a ascensão social do povo brasileiro. Para vencer as eleições, precisamos de um partido forte, sem projetos individuais, comprometido com um projeto coletivo de transformação da vida do povo brasileiro”, defendeu.

PT 46 anos

O ato político finalizou o encontro de celebração dos 46 anos do PT, que teve início na última quinta-feira (5). Ao longo de três dias, militantes e dirigentes do partido se reuniram para discutir a conjuntura política, estratégias eleitorais e o futuro do projeto de governo.

A programação contou com debates sobre temas como “Paz, Integração e Soberania: um olhar sobre a América Latina”, “Comunicação, Democracia e Soberania”, “Justiça Climática, Democracia e Desenvolvimento” e “Cultura, mobilização social e economia criativa”. Além de lideranças do governo, os painéis também trouxeram a contribuição de representantes de organizações e movimentos populares, como João Paulo Rodrigues, direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); Bianca Borges, presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE); e Sérgio Nobre, presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

*Por Redação do BdF- Salvador/BH - Editado por: Lorena Andrade - Fonte: Brasil de Fato