22 abril 2017

Terra




* Terra - Caetano Veloso

Uma lista suspeita



Por Paulo Muzell*
A partir da Ação Penal 470, mas especialmente com o início da Lava Jato, o país assiste a uma sucessão de vazamentos seletivos que antecedem shows midiáticos. Os alvos são, invariavelmente, Lula e o PT.
Depois de um suspense que durou meses, Rodrigo Janot enviou ao Supremo e algumas semanas depois Fachin liberou a lista completa dos delatados pelas empreiteiras investigadas na operação Lava Jato.
Numa relação de mais de duzentos nomes só constam políticos, nenhum membro do judiciário, do ministério público ou da polícia federal. É muito estranho que não conste o nome de nenhum magistrado. A ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ex-presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon sentenciou: “delação da Odebrecht sem pegar judiciário não é delação”. Coincidentemente, nas últimas décadas a Odebrecht foi beneficiada por sentenças favoráveis em praticamente todas suas demandas judiciais.
A lista Janot-Fachin é uma verdadeira “salada de frutas”: mistura tudo. Há denúncias de doações de campanha, caixa 2, propina para obtenção de benefícios fiscais, propina para fraudar licitações e para aprovação de Medidas Provisórias (MPs), dentre outras ilicitudes, abrangendo um período de vinte anos. O anúncio teve o efeito de uma bomba que atingiu um Executivo e um Legislativo já muito fragilizados. O conluio mídia-Supremo-Janot/Ministério Público gerou um monstro cuja missão inicial era acabar com Lula e o PT. Acontece que este “moedor de carne” se descontrolou, passou a atacar e a atingir mortalmente também os partidos do centro-direita. A consequência foi que Judiciário, Ministério Público e mídia ganharam crescente protagonismo e vão ocupando o centro da arena política. Os políticos dos mais diversos partidos deverão secundarizar – pelo menos temporariamente – suas diferenças ideológicas e, como classe, iniciar o contra-ataque. Aumenta a tensão, o confronto dos poderes. É perigoso e indesejável que servidores públicos, agentes do Estado – que existem para zelar e assegurar o cumprimento da constituição e das leis, com poderes de punir e reprimir – passem operar como agentes políticos com total apoio e cobertura de uma mídia que representa o que de pior existe na oligarquia brasileira. Uma mídia concentrada nas mãos de meia dúzia de famílias poderosas, entreguista, sem nenhum compromisso com a verdade ou com um projeto de construção nacional. Uma mídia que defende com unhas e dentes os vergonhosos privilégios da Casa Grande.
O listão coloca no mesmo saco suspeitas “leves”, sobre as quais não existe prova, junto com delitos graves, comprovados ou sobre os quais há indícios fortes, comprometedores. Os prejuízos são evidentes porque mesmo que depois de feita a apuração se constate a total inocência de um suspeito listado, que sequer se tornou réu, seu nome já foi lançado ao descrédito. É ato ilegal e irresponsável que a condenação pública preceda a apuração dos fatos.
Não é possível confiar na imparcialidade de um Supremo que tem como ministros Alexandre Moraes, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Dias Toffoli e Roberto Barroso, só para citar os piores. Ou num Procurador Geral da República que luta para emplacar um terceiro mandato e que defende uma “conveniente” interpretação da Constituição que protege Michel Temer, que não pode ser investigado por atos anteriores ao seu mandato. Não se pode confiar nos operadores da Lava Jato que acusam sem provas, baseados em “convicções” e vazam delações, gravações clandestinas, ilegais, denúncias não fundamentadas, deixando o mundo político de joelhos, à sua mercê.
Vivemos num país em que a sonegação atinge o montante de 500 bilhões de reais por ano e em que o peso maior da carga tributária é suportado pelos assalariados e pela população mais pobre. Os episódios de sonegação fiscal são “esquecidos” pela mídia por que ela deles participa. Nos 70 investigados na operação Zelotes lá estão os grandes bancos (Santander, Bradesco), a Gerdau e a RBS. Alguns anos atrás a Globo criou uma empresa fantasma em um paraíso fiscal para sonegar milhões de impostos num contrato de transmissão dos jogos da Copa. Recentemente tivemos o escândalo envolvendo uma decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (o CARF) que beneficiou o Itaú. O banco se recusou recolher 25 bilhões de impostos no episódio de fusão com o Unibanco. Um jogo com cartas marcadas: o relator do processo foi Luiz Fabiano Penteado, representante da Confederação Nacional das Instituições Financeiras no Conselho. Há, também, o “presentão” do governo Temer às Teles. Sob o pretexto de estimular os investimentos em telefonia o Senado aprovou e Temer pretende sancionar um projeto de lei que as beneficiaria com a transferência de patrimônio público e perdão de multas num montante que atingiria os 105 bilhões de reais!
Sob o pretexto de combater a corrupção a Lava Jato com o apoio do Ministério Público e do Supremo colocou no governo o que Ciro Gomes classifica como um “bando de ladrões”. A corrupção, que sempre existiu e que já era grande, aumentou.
Falando sobre o circo midiático armado com a divulgação do listão Janot-Fachin, Emílio Odebrecht, o velho patriarca da empresa declarou estranhar que só agora fossem anunciadas com grande alarde e como novidade as supostas ou reais ilicitudes. “Isso tudo é muito velho, é feito há muitos e muitos anos. Por que não fizeram isso há 10, 20, trinta anos atrás? A mídia sabia, a Globo sabia”, declarou.
.oOo.
*Paulo Muzell é economista. - via Sul21

20 abril 2017

Ao ordenar que Lula compareça a 87 audiências, Moro tem atitude rasteira


Janio de Freitas - Jornalista da FSP

A exigência de mais acusações a Lula, como condição para reconhecer ao ex-presidente da OAS o direito à delação premiada, de uma parte indica que à Lava Jato continuam faltando provas de muitas ilegalidades que atribuiu (e difundiu) ao seu principal alvo; de outra, reacende o problema do facciosismo com que procuradores deturpam a função constitucional do Ministério Público.
A Lava Jato quer, além de novidades acusatórias, saciar a sua obsessão com o mal afamado apartamento no Guarujá, que Leo Pinheiro diz ser da OAS, não se efetivando a compra que Marisa iniciou e Lula rejeitou.
Apesar da intimidação a Leo Pinheiro, a expectativa da Lava Jato está mais no grupo de funcionários e ex-dirigentes que o acompanhariam na delação. É a continuada prioridade às delações, em detrimento de investigações. Só o atual estágio de “negociação” com Leo Pinheiro e a OAS já consumiu quatro meses. Nem parece que a Polícia Federal recolheu numeroso material na empreiteira e na cooperativa financiadora do apartamento, para base documental de investigações e eventuais provas.
Por essas e muitas outras no gênero, tem sentido a preocupação no Judiciário com a probabilidade de muitas prescrições.
Assim como têm razão os ministros do Supremo que negam a responsabilidade do tribunal na lentidão judicial desse caso. O ritmo de valsa está no Ministério Público, tanto na Lava Jato como na Procuradoria Geral da República.
Estava com endereço errado, por exemplo, a pressa cobrada do ministro Edson Fachin para examinar, decidir caso a caso e liberar o pacotaço proveniente de delações da Odebrecht.
O acúmulo desse material na Lava Jato, em vez da remessa ao Supremo em lotes sucessivos, resultou em atraso nas duas pontas. A Lava Jato acumulou para ser retumbante na entrega. É a prioridade ao escândalo.
O retorno da Lava Jato à fase em que tinha controle sobre seus rumos, sem envolver o PSDB e o PMDB como a Odebrecht obrigou, não se deu só em procuradores e policiais.
O juiz Sergio Moro ofereceu mais uma demonstração de como concebe o seu poder e o próprio Judiciário. Palavras suas, na exigência escrita de que Lula compareça às audiências das 87 testemunhas propostas por sua defesa:
“Já que este julgador terá que ouvir 87 testemunhas da defesa de Luiz Inácio Lula da Silva (…), fica consignado que será exigida a presença do acusado Luiz Inácio Lula da Silva nas audiências na quais serão ouvidas as testemunhas arroladas por sua defesa, a fim de prevenir a insistência na oitiva de testemunhas irrelevantes, impertinentes ou que poderiam ser substituídas, sem prejuízo, por provas emprestadas”. É a vindita explicitada.
Um ato estritamente pessoal. De raiva, de prepotência. É uma atitude miúda, rasteira. Incompatível com a missão de juiz. De um “julgador”, como Moro se define.
O Judiciário não é lugar para mesquinhez.
*Via Viomundo

19 abril 2017

OS DELATORES INVADIRAM NOSSAS CASAS



Por Moisés Mendes*

Até no intervalo dos jogos de futebol na TV aparece um delator dizendo que falou com alguém que viu um amigo do Lula dizendo a um sujeito de barba que deveria informar Emílio Odebrecht que um tio de Lula precisava de uma prótese de quadril que custa R$ 2 milhões.

Há delatores de Lula a qualquer hora. Delatam Lula quase dormindo. Um dia perdi o sono e liguei a TV às três da madrugada e tinha um executivo da Odebrecht delatando Lula ao vivo na GloboNews. Há delatores plantonistas.

Cochilei na frente da TV e tive um pesadelo em que William Waack ouvia um delator numa daquelas suas entrevistas sobre a vida boa e inocente dos tucanos. Mas ele falava mais do que o delator.

Um outro sujeito que vi na TV de madrugada tentava e não conseguia delatar Dilma, apesar do esforço do procurador que o interrogava. E um terceiro delatava José Dirceu... por causa do mensalão.

Percebi que os delatores de Aécio saíram de catálogo. E os delatores de Serra desistiram, porque não adianta nada mesmo.

É tanto vídeo com delatores, da manhã à noite, que uma prima minha de Rosário me disse que se afeiçoou por alguns deles.

*Jornalista, Editor do Blogue do Moisés Mendes - via face

(Edição final deste Blog)

18 abril 2017

Irritado com número de testemunhas em favor de Lula, Moro o obriga a comparecer a 87 audiências e parar de viajar pelo país



Num julgamento, a defesa expõe seus argumentos, apresenta suas testemunhas em favor de seu cliente. A acusação faz o mesmo, em sentido contrário. E o juiz, ouvindo os dois lados, forma sua convicção para proferir a sentença.

Não é assim com o juiz Moro, pelo menos em relação ao específico caso envolvendo o ex-presidente Lula. O justiceiro de Curitiba aparentemente se irritou com as 87 testemunhas de defesa elencadas pelos advogados de Lula e resolveu punir o ex-presidente obrigando-o a comparecer a todas as audiências.

“Já que este julgador terá que ouvir oitenta e sete testemunhas da Defesa de Luiz Inácio Lula da Silva, além de dezenas de outras, embora em menor número arroladas pelos demais acusados, fica consignado que será exigida a presença do acusado Luiz Inácio Lula da Silva nas audiências nas quais serão ouvidas as testemunhas arroladas por sua própria Defesa, a fim prevenir a insistência na oitiva de testemunhas irrelevantes, impertinentes ou que poderiam ser substituídas, sem prejuízo, por prova emprestadas”, determinou Moro. [Fonte: Estadão]

Aparentemente é só uma disputa de poder, em que o juiz de primeira instância de Curitiba quer se ombrear com o presidente mais popular da história do Brasil e uma das figuras políticas mais importantes da atualidade no mundo.

Mas, se a gente levar em conta que até o Datafolha anda sondando o nome de Moro em suas pesquisas visando as eleições presidenciais do ano que vem e somar a isso o fato de que o comparecimento de Lula às 87 audiências vai obrigá-lo a ficar quase que ilhado em Curitiba, sem poder levar sua mensagem ao povo brasileiro, é possível imaginar que haja mais do que irritação na atitude de Moro.

Prender Lula em Curitiba, ao menos por enquanto apenas fazendo-o comparecer às audiências, e colocando-se como o anti-Lula, Moro faz o jogo dos que o projetam como futuro candidato a fazer frente ao ex-presidente.

A verdade é que o julgamento de Lula por Moro é cada vez menos jurídico e mais político - agora até mesmo político eleitoral -, o que o torna suspeito de julgar o ex-presidente, pois com uma canetada tem o poder de atrapalhar ou até mesmo barrar a candidatura de Lula.

Uma ilegalidade só possível num país em que o STF está sob golpe, por omissão ou compactuação.

*Por Antonio Mello, Editor do Blog do Mello (fonte desta postagem).

17 abril 2017

Devagar: Odebrecht está longe de ser a “dona da verdade”. Ela é criminosa



Há {cinco} dias estamos às voltas com as delações da Odebrecht, que embora envolvam praticamente todo o meio político, todos sabem que visam, essencialmente, atingir aquele que tem a chance real de vencer as eleições de 2018.O que observo, porém, diz respeito a todos: é preciso provas e provas, até agora, não apareceram, exceto em raríssimos casos.
Provas materiais – contas ou formas de pagamento – ou mesmo circunstanciais: “foi aqui, com o fulano, sicrano e beltrano, no dia tal, no lugar tal”.
Não é crível que centenas de milhões ou mais, até, deu R$ 3 bilhões possam ter sido pagos na base da “mochilinha”.
Todas as declarações da Odebrecht, por seus donos e executivos, precisam de provas, porque são testemunhos – parece que se esqueceram disso – de dirigentes uma empresa que corrompeu meio mundo não por ser “boazinha” com os políticos, mas para obter vantagens.
Ainda mais porque seus dirigentes foram, evidentemente, levados a delatar num negócio que rendeu, no atacado, acordos com a empresa e, no varejo, gordas indenizações para os executivos e ex-executivos da empresa.
E que envolviam a promessa de Marcelo Odebrecht, filho do dono da empresa, mofar  eternamente na cadeia.
A imprensa se porta como se as delações sejam a verdade. Podem ser em muitas coisas, mas podem não ser em algumas que geram repercussão. Mas também vão deixando claro quem era o candidato que a empresa desejava ver no Palácio do Planalto, e não era Dilma Rousseff.
A seguir, publico ótima reflexão sobre isso do professor Roberto Moares.
Há fatos concretos alegados pelos delatores. Mas é preciso que estes sejam provados.
Não apenas em relação a Lula, mas a todos.
A Justiça, num estado democrático, precisa de provas para punir.
A mídia, no estado em que estamos, as dispensa.
Como aos promotores da República de Curitiba, bastam-lhe as convicções.
(Por Fernando Brito, jornalista, Editor do Tijolaço - fonte desta postagem)
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15 abril 2017

A anatomia da mentira deslavada – Denúncia de Marcelo Odebrecht contra Lula é uma farsa



Por Bajonas Teixeira, colunista do Cafezinho*
A primeira coisa que chama atenção na denúncia de Marcelo Odebrecht, é que já começa com duas versões, as duas contadas pelo mesmo Marcelo: primeiro diz que destinou a Lula 35 milhões mas, logo depois, sobe esse valor para 40 milhões. E faz isso sem explicação nenhuma. A hipótese mais provável é que essa falta de explicação tenha uma boa explicação: agradar à Lava Jato e angariar os benefícios de uma delação premiada.
Em toda essa denúncia não há sequer uma prova, não há o mínimo indício, não existem comprovantes, nenhuma gravação, nenhum cheque, nenhum local em que os encontros tivessem ocorrido, nada enfim que pudesse gerar a menor expectativa de comprovação.
Vejamos o que ele diz. Primeiro, afirma que o valor destinado a Lula seria de 35 milhões:
A gente sabia que ia ter demandas de Lula, a questão do instituto, para outras coisas. Então vamos pegar e provisionar uma parte desse saldo, aí botamos R$ 35 milhões no saldo ‘amigo’, que é Lula, para uso que fosse orientação de Lula“.
No entanto, logo a seguir, como se fosse vítima de amnésia, ou fosse um péssimo ator que esqueceu o script e se vê obrigado a improvisar, diz que o valor foi de 40 milhões:
“A gente botou 40 milhões que viriam para atender demandas que viessem de Lula. Eu sei disso… É, veja bem, o Lula nunca me pediu diretamente, essa informação eu combinei via Palocci. Óbvio que ao longo de alguns usos, ficou claro que era pro Lula porque ele teve usos que ficou evidente para mim que era uso.”
É engraçado, não? Um juiz com um detector de mentiras implantado no cérebro, ou com uma sensibilidade medianamente apurada para a mentira, teria parado o depoimento aí e perguntado meio enfezado: “Afinal, o senhor deu 35 ou 40 milhões para o ex-presidente Lula?”. Claro que teria feito isso, justamente porque se trata de uma informação vital. Mas Moro, para o espanto de quem analisa a situação, nada disse, como se não estivesse percebendo o despropósito.
Mas o pior está por vir.
O ridículo ‘saldo’ Amigo
Diz Marcelo Odebrecht que o combinado foi destinar um fundo exclusivo para as desmandas de Lula, para “a questão do instituto, para outras coisas”. Primeiro, não se vê bem o motivo para constituir um “fundo” apenas para supostas despesas de Lula. E, menos ainda, quando se está no momento da sua saída do poder, 2010,  já que Dilma assumiria em 01 de janeiro de 2011. Se fosse para constituir tal “provisão”, por que não fizeram antes, quando Lula estava no auge da sua glória e poder? Porque deixaram o suborno para depois de sua saída do poder?  Esquisito, não?
A lógica do mundo político sempre foi “rei morto, rei posto”. Saindo Lula do Planalto, que nem podia voltar após dois mandatos e pela idade, qualquer interesse seria imediatamente transferido para Dilma. E ponto final.
O mais curioso é que, depois de ter dito que constituiu uma provisão financeira, um fundo, exclusivo para Lula – e sem que Lula precisasse pedir, já que tudo teria sido combinado com Palocci –, Marcelo Odebrecht diz uma pérola: só depois, através de alguns usos é que “ficou claro”, “que ficou evidente para mim”, que era mesmo para Lula.
Mas como?? Como pode ter dito que combinou com Palocci criar um fundo para atender às demandas de dinheiro de Lula se, em seguida, diz que só depois foi que se convenceu, por “certos usos”, que o dinheiro era pra Lula?? Não faz sentido, é absurdo.
O que há de mais cômico, porém, é que ele conclui sua denúncia com essa baboseira digna de um débil mental:
“As duas únicas comprovações que eu teria de que Lula, de certo modo, tinha conhecimento dessa provisão foi quando veio o pedido para a compra do terreno do instituto IL [INSTITUTO LULA]”.
Isso é uma aberração intelectual: ele começa dizendo que a Odebrecht decidiu criar um fundo para Lula, sem que Lula tenha pedido, para despesas como o Instituto, e, depois, vem nos dizer que foi através de despesas do instituto (compra do terreno) que concluiu que o fundo era para Lula. É pura idiotice.
Como dizia Sócrates aquele que, a cada vez, apresenta versões diferentes sobre as mesmas coisas é um mentiroso. E, não há dúvida possível, Marcelo Odebrecht está contando mentiras grosseiras e ridículas. Mas que farão sucesso, porque são justamente as mentiras que a Lava Jato queria ouvir. E quer ouvir porque Sérgio Moro tem pressa em sentenciar Lula e, se possível, prendê-lo.

O 'novo' Devido Processo Legal...



*Charge do KAYSER  ('justiceiro')

14 abril 2017

SEGREDOS DE ESTADO - Emílio Odebrecht: 'Por que não fizeram isso há 10, 15, 30 anos?'

Segundo "patriarca" de construtora alvo da Lava Jato, "imprensa toda sabia" que práticas hoje consideradas criminosas eram um "negócio institucionalizado" no país
por Redação RBA*

Odebrecht
"O que me entristece é que a imprensa toda sabia que efetivamente o que acontecia era isso", disse Emílio
São Paulo – O empresário Emílio Odebrecht, ao qual analistas e imprensa se referem como “patriarca” da empreiteira considerada um dos grandes alvos da Operação Lava Jato, afirmou em depoimento a procuradores da República, em Brasília, que a mídia sempre soube dos fatos hoje denunciados como escândalo. Ele manifestou perplexidade e “tristeza” com a dimensão dada às revelações, que, graças aos elos estabelecidos com a Petrobras, serviram de combustível para o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff e continua a alimentar a crise política.
 "O que me entristece (...) é que a imprensa toda sabia que efetivamente o que acontecia era isso. Por que agora estão fazendo isso? Por que não fizeram isso há 10, 15, 30 anos?", questionou Odebrecht. "A imprensa sabia disso e agora fica com essa demagogia."
Segundo ele, as informações divulgadas a partir das investigações da Força Tarefa estão longe de ser novidade e são conhecidas de políticos, empresários e imprensa há 30 anos.
"O que me surpreende é quando vejo todos esses poderes, até a imprensa, todos como se fosse uma surpresa. Me incomoda isso. Não exime em nada nossa responsabilidade. Não exime em nada nossa benevolência. Não exime em nada que nós praticamente passamos a olhar isso com normalidade. Porque em 30 anos, é difícil não ver isso como normalidade”, disse Odebrecht. De acordo com o depoimento do empresário, as práticas que hoje são sinônimo de crime eram um "negócio institucionalizado" no país.
Iniciada em março de 2014, a Lava Jato é considerada por diversos analistas um catalisador da grave crise econômica e política brasileira e responsável por iniciar a destruição da indústria naval do Brasil.

Memória técnica

Em seminário realizado em São Paulo ainda no final de 2014, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo já alertava para os riscos de se comprometer os investimentos no país, fundamentais para a então esperada retomada de um crescimento econômico a médio prazo. “Tem de separar as malfeitorias e punir. Tem de substituir a direção das empresas e preservá-las. Porque não se vai reinventar de repente uma grande construtora que participou, por exemplo, de Itaipu e outras grandes obras. Você não vai substituir a memória técnica dessas empresas por outra que se vai inventar na hora”, afirmou na ocasião.
destruição da indústria naval brasileira começou com a Operação Lava Jato em 2014. No segundo mandato do governo Dilma Rousseff, o setor empregava 83 mil trabalhadores. Depois da crise, com o agravamento da recessão, são pouco mais de 30 mil.
Em debate na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, há um ano, o jurista Gilberto Bercovici e o jornalista Luis Nassif também discutiram o tema com abordagem semelhante. “Ninguém é contra combater a corrupção, mas não se pode violar direitos e garantias individuais, nem se pode punir empresas no lugar de punir pessoas”, afirmou Bercovici, professor de Direito Econômico da Universidade de São Paulo (USP), no evento.

13 abril 2017

Canção Final



Oh! se te amei, e quanto!
Mas não foi tanto assim.
Até os deuses claudicam
em nugas de aritmética.

Meço o passado com régua
de exagerar as distâncias.
Tudo tão triste, e o mais triste
é não ter tristeza alguma.

É não venerar os códigos
de acasalar e sofrer.
É viver tempo de sobra
sem que me sobre miragem.

Agora vou-me. Ou me vão?
Ou é vão ir ou não ir?
Oh! se te amei, e quanto,
quer dizer, nem tanto assim.

Carlos Drummond de Andrade

12 abril 2017

Patos, coxinhas, camisas amarelas ... e deu no que deu!!!




*Charge do Kayser

"Delações premiadas": Nota da Bancada do PT na Câmara dos Deputados

Nota a imprensa2
A propósito da decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato na corte, de determinar a abertura de inquéritos contra dezenas de autoridades, a Bancada do PT na Câmara afirma:
1) É lamentável que mais uma vez haja a divulgação de inquéritos em que sequer os citados tivessem conhecimento do que são acusados;
2) É uma ação que criminaliza a política no País e um sistema que até recentemente permitia o financiamento empresarial de campanhas eleitorais;
3) Delação não é prova, não servindo, portanto, para a condenação antecipada de qualquer pessoa citada nas investigações.
4) Todos os citados das Bancadas do PT na Câmara e no Senado irão provar sua inocência nesse processo.
Brasília, 11 de abril de 2017
Carlos Zarattini (PT-SP), líder do PT na Câmara dos Deputados
https://www.ptnacamara.org.br
....

**NOTA DO DEPUTADO MARCO MAIA - PT/RS

O deputado desconhece o teor das delações mentirosas feitas pelos delatores da Odebrecht. Repudia a divulgação seletiva e vazada de supostos depoimentos. Reafirma que todas as contribuições para as suas campanhas eleitorais foram realizadas dentro do que prevê a legislação eleitoral e, declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral e aprovadas sem nenhuma restrição.

O deputado também já autorizou seus advogados para que adotem as providências judiciais cabíveis contra aqueles que se valem da delação para, imputando falsidades a terceiros, obterem benefícios para si, escapando de suas verdadeiras responsabilidades.

Assessoria de Comunicação - Deputado Marco Maia

...
***Nota do Editor do Blog: É público e notório que a 'vaza jato', mais que uma operação investigativa policial/judicial, é uma operação política, parcial,  seletiva  e, no mínimo, suspeitíssima. Moro e cia, não resta dúvida (com a devida cobertura global)  trabalham com 'dois pesos e duas medidas'... no intuito de prender o Lula, inviabilizá-lo eleitoralmente ...  e destruir o PT.  Os companheiros Marco Maia e Maria do Rosário, assim como o Lula, a Dilma - e todxs os outrxs companheiros(as) 'delatados' por meliantes já confessadamente corruptos - merecem nossa solidariedade irrestrita. O ônus da prova, vale sempre lembrar, é de quem acusa. (Júlio Garcia)

Xadrez da lista de Janot, o senhor do Tempo


Peça 1 – o vazamento da lista da Janot


Por Luis Nassif*
A divulgação da lista de inquéritos autorizados pelo Ministro Luiz Fachin não significa que, enfim, a Lava Jato resolveu tratar as investigações com isonomia, que o pau que dá em Chico dá em Francisco.
O Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot continua dono absoluto do calendário. Através do controle do ritmo das investigações, ele decide monocraticamente quem vai e quem não vai ser condenado.
Durante três anos, toda a carga foi em cima do PT e, especialmente, de Lula. Em três anos de investigações, há cinco ações em andamento contra Lula, uma perseguição impiedosa que culminou com o vazamento, ontem, da suposta delação de Marcelo Odebrecht, sob as barbas do juiz Sérgio Moro e ele alegando a impossibilidade de identificar o vazador. Some-se a informação do procurador Deltan Dallagnol de que o único vazamento efetivo de informações foi para o blogueiro Eduardo Guimarães. O que significa que todas os demais vazamentos ocorreram sob controle estrito da Lava Jato.
Os 83 inquéritos misturam de tudo, de problemas formais de prestação de contas a suspeitas de manipulação de licitações. Independentemente da maior ou menor gravidade das acusações, todos passam à condição de suspeitos e/ou corruptos. Trata-se de uma tática tranquila, que criminaliza as pequenas infrações e dilui as grandes acusações.

Peça 2 – as circunstâncias em jogo


A caçada a Lula tem três pontos frágeis:
1.     Até agora, ausência de uma prova palpável sequer contra ele.
2.     A perseguição implacável contra Lula.
3.     A seletividade das investigações, não investindo contra nenhum aliado do sistema.
Com a divulgação dos inquéritos, há duas intenções óbvias:
1.     O sistema (não a Lava Jato) responde à acusação de seletividade, às vésperas do julgamento do alvo preferencial, Lula.
2.     Ao mesmo tempo, mantém o governo Michel Temer refém.
A suposição de que a lista irá paralisar o mundo político provavelmente não será confirmada. Nas próximas semanas se verá uma aceleração dos trabalhos legislativos, visando aprovar o maior número de medidas antissociais, para garantir o pescoço.

Peça 3 – as consequências da lista


Com a lista de Janot, tenta-se resgatar a credibilidade perdida do sistema judicial, com a parcialidade e a seletividade gritantes da Lava Jato.
Levaram três anos para iniciar uma investigação contra Aécio, que era mencionado na primeira delação de Alberto Yousseff. Até hoje não iniciaram as investigações contra José Serra, apesar de um relatório sobre Paulo Preto estar na PGR desde março de 2015.
Com o estardalhaço de 83 inquéritos, passado o carnaval inicial, a PGR permanecerá dona do tempo. Acertará contas com Renan Calheiros e Fernando Collor, adiará indefinidamente os inquéritos contra seus aliados e terá às mãos a metralhadora, para apontar contra quem ousar enfrentar seus supremos poderes.
Os objetivos são óbvios:
1.     Tentativa de inabilitar de Lula para 2018, agora sob o manto da isenção.
2.     Vida tranquila para José Serra e Aécio Neves, que terão morte política natural, desde que deixaram a condição de grandes campeões brancos contra a ameaça Lula.
3.     Congresso sob a mira dos inquéritos, deixando de lado qualquer veleidade de coibir abusos do MPF. (CONTINUA)
...
*Continue lendo clicando AQUI. (via Jornal GGN)

10 abril 2017

Jobim diz que “culpa prévia” de Lula é histeria ou oportunismo



Por Fernando Brito*
Sinal político da maior importância o artigo do ex-ministro da Justiça,  da Defesa e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Nélson Jobim, publicado hoje, no Zero Hora gaúcho. Muito longe de ser algo “esquerdista”, é uma referência que o centro político tenta se recompor, em meio a uma epidemia que destruiu os seus canais de exercício da política e levam, quase que inexoravelmente, o PSDB a uma aventura “collorista”.
Critica a histeria gerada pela Lava jato e o oportunismo de quem vê nisso a chance de liquidar o favorito nas pesquisas para a eleição de 2018. E, na minha leitura, manda um recado à cúpula do Judiciário: “Outros, simplesmente são meros espectadores.”, porque “parecem sensíveis à uma ‘patrulha’, que decorre da exaltação das emoções, sabotadora da razão e das garantias constitucionais”

Quando Lula será preso?

Nelson Jobim, no Zero Hora
É pergunta recorrente.
Ouvi em palestras, festas, bares, encontros casuais, etc.
Alguns complementam: “Foste Ministro de Lula e da Dilma, tens que saber…”
Não perguntam qual conduta de Lula seria delituosa.
Nem mesmo perguntam sobre ser, ou não, culpado.
Eles têm como certo a ocorrência do delito, sem descreve-lo.
Pergunto do que se está falando.
A resposta é genérica: é a Lava-Jato.
Pergunto sobre quais são os fatos e os processos judiciais.
Quais as acusações?
Nada sobre fatos, acusações e processos.
Alguns referem-se, por alto, ao Sítio de … (não sabem onde se localiza), ao apartamento do Guarujá, às afirmações do ex-Senador Delcidio Amaral, à Petrobrás, ao PT…
Sobre o ex-Senador dizem que ele teria dito algo que não lembram.
E completam: “está na cara que tem que ser preso”.
Dos fatos não descritos e, mesmo, desconhecidos, e da culpa afirmada em abstrato se segue a indignação por Lula não ter sido, ainda, preso!
[Lembro da ironia de J.L. Borges: “Mas não vamos falar sobre fatos. Ninguém se importa com os fatos. Eles são meros pontos de partida para a invenção e o raciocínio”.]
Tal indignação, para alguns, verte-se em espanto e raiva, ao mencionarem pesquisas eleitorais, para 2018, em que Lula aparece em primeiro lugar.
Dizem: “Essa gente é maluca; esse país não dá…”
Qual a origem dessa dispensa de descrição e apuração de fatos?
Por que a desnecessidade de uma sentença?
Por que a presunção absoluta e certa da culpa?
Por que tal certeza?
Especulo.
Uns, de um facciosismo raivoso, intransigente, esterilizador da razão, dizem que a Justiça deve ser feita com antecipação.
Sem saber, relacionam e, mesmo, identificam Justiça com Vingança.
Querem penas radicais e se deliciam com as midiáticas conduções coercitivas.
Orgulham-se com o histerismo de suas paixões ou ódios.
Lutam por “uma verdade” e não “pela verdade”.
Alguns, porque olham 2018, esperam por uma condenação rápida, que torne Lula inelegível.
Outros, simplesmente são meros espectadores.
Nada é com eles.
Entre estes, tem os que não concordam com o atropelo, mas não se manifestam.
Parecem sensíveis à uma “patrulha”, que decorre da exaltação das emoções, sabotadora da razão e das garantias constitucionais.
Ora, o delito é um atentado à vida coletiva.
Exige repressão.
Mas, tanto é usurpação impedir a repressão do delito, como o é o desprezo às garantias individuais.
A tolerância e o diálogo são uma exigência da democracia – asseguram o convívio.
Nietzsche está certo: As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras.

*Jornalista, Editor do Tijolaço (fonte desta postagem)

09 abril 2017

‘O próximo presidente vai ter imensas dificuldades de governar’, diz Dilma ao defender reforma política



A ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) falou na tarde deste sábado (08) durante a Brazil Conference, nos Estados Unidos. O evento é convocado pelas universidades de Harvard e o MIT (Massachussets Institute of Technology). Em sua terceira edição, o evento reúne intelectuais e personalidades brasileiras e internacionais para discutir os principais desafios do Brasil atual. O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), o ator Wagner Moura e o promotor Deltan Dallagnol também estavam na programação.
Durante a palestra, usando de ironia em muitos momentos,Dilma soube driblar risos e interrupções da plateia. “Eu nunca me recusei a responder nada”, afirmou enquanto recebia perguntas do público. Em um momento, apesar de a organização avisar que o tempo estava acabando, disse: “Eu quero responder uma de corrupção”.
Dilma foi mais direta do que em outras falas públicas recentes e pautou questões como eleições diretas e reforma política, sem evitar citar nomes, como Eduardo Cunha (PMDB). Ela qualificou o ex-deputado que aceitou o pedido de impeachment na Câmara, como uma pessoa “conservadora e extremamente preconceituosa”.
“Tem que ter reforma política, senão é ingovernável. Eu precisei de 20 partidos para aprovar uma legislação que só aprovaria com dois terços. Isso é inviável. A existência e fragmentação dos partidos é péssima, até há pouco vivíamos com necessidade de um centro democrático. Esse centro foi hegemonizado pela direita corrupta no brasil. O senhor Eduardo Cunha passou a ser o responsável por esse centro democrático”, analisou ela. “O centro do velho MDB, de Ulysses Guimarães, foi hegemonizado pela direita mais radical do Brasil. Foi isso que aconteceu. Quando entendemos que foi isso, vemos que o próximo presidente vai ter imensas dificuldades de governar”. (...)
CLIQUE AQUI para ler na íntegra (via Sul21)

07 abril 2017

Ao bombardear a Síria Trump ameaça a Humanidade



Ao bombardear a Síria, os EUA colocam a Humanidade à beira de uma guerra apocalíptica cujo desfecho poderia ser o fim da humanidade.

O ataque com mísseis contra uma base aérea síria na província de Homs foi lançado a partir de navios da US Navy baseados na base naval de Rota, em Espanha.

O presidente sírio Bassar Al Assad já tinha negado qualquer responsabilidade no bombardeamento de um hospital com armas químicas e reafirmou a condenação dessa ação terrorista.

Nos Estados Unidos, destacados membros do Congresso, republicanos e democratas, apoiaram a iniciativa de Trump.

Na véspera, Hillary Clinton tinha sugerido que os Estados Unidos bombardeassem a Síria. Recorde-se que ela é partidária do recurso a armas nucleares, tal como a maioria dos generais do Pentágono.

Na Europa, a França, o Reino Unido, a Alemanha, a Espanha e os governos de outros de países da NATO apressaram-se a manifestar o seu apoio ao ataque armado à Síria.

O Presidente da Rússia Vladimir Putin condenou com veemência a agressão dos EUA a um estado soberano, a partir de um pretexto inventado. Anunciou a suspensão do acordo de cooperação com os EUA sobre a prevenção de acidentes no espaço aéreo e pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. O Irão também condenou a agressão.

A China, cujo presidente se encontra de visita aos EUA, limitou-se a uma declaração ambígua.

A primeira conclusão a tirar do trágico acontecimento é a de que o atual ocupante da Casa Branca é um irresponsável, um tresloucado. O fato de ter sido eleito e a popularidade que o envolve são esclarecedores da decadência de uma sociedade para a qual o dinheiro é um valor supremo. Mas convém não esquecer que Trump atua como instrumento de uma máquina de guerra, de interesses econômicos e políticos e de um sistema mediático perverso e poderosíssimo.

O bombardeamento criminoso da Síria abre uma crise cujo desfecho pode ser uma nova guerra mundial, uma crise que põe em causa a continuidade da Humanidade.


OS EDITORES DE ODIARIO.INFO

Fonte: http://www.odiario.info   Foto: AFP