18 novembro 2018

A DERROTA DA DEMOCRACIA



Coluna Crítica & Autocrítica - nº 143

Por Júlio Garcia**

*‘Direito que não se baseia em provas, não é direito’ - Dando sequência ao modesto ‘balanço’ da última – e trágica – campanha eleitoral (e de suas inevitáveis consequências!) que estamos realizando neste espaço, socializo com os(as) prezados(as) leitores este artigo do Sociólogo, Cientista Político e Professor Emir Sader (foto)  ‘A DERROTA DA DEMOCRACIA’, originalmente publicado no site Brasil247. O título já dispensa maiores comentários.

Leiam a seguir:

“Não foi a derrota de um candidato, de um partido ou da esquerda. Foi uma derrota da democracia, quando quem é eleito despreza a democracia e elogia a ditadura, faz apologia da tortura, diz que a ditadura deveria ter matado 30 mil pessoas. Quando quem ganhou discrimina as mulheres, os negros, os estudantes, os LGBT, os professores, os servidores públicos, perdeu a democracia.

Quando se propõe a extinção do Ministério do Trabalho, se quer o retorno do que havia antes: “Questão social é questão de polícia”, do Washington Luís. Perde a democracia. Quando se propõe a violação da autonomia universitária, perde a democracia.

A democracia foi derrotada desde o momento em que quem liderava todas as pesquisas para triunfar no primeiro turno foi condenado sem provas, conforme o juiz que o condenou, só com convicções. Direito que não se baseia em provas, não é direito. A democracia seguiu perdendo quando o STF declarou, reiteradamente, isento esse juiz. Quando, posteriormente, foi preso sem a presunção de inocência, prevista na Constituição. E foi impedido de concorrer, sem fundamento jurídico algum.

A democracia voltou a ser derrotada, quando uma gigantesca campanha de notícias falsas, difundidas por milhões de robôs, foram difundidas, financiadas por empresários, cometendo crime eleitoral, que o TSE deixou passar barato. A democracia foi derrotada, quando o eleito condenou seus adversários à prisão ou ao exilio. Quando desqualificou órgãos da imprensa e excluiu a vários deles de sua entrevista coletiva.

Enfim, quando uma presidenta eleita foi destituída sem nenhuma alegação jurídica suficiente, se rompia com a democracia. Quando se governa, no lugar dela, com o programa neoliberal da oposição, que havia sido derrotado por quatro vezes, sucessivamente. O Brasil passou a viver um regime de exceção, em que o Judiciário se cala diante das maiores violações da Constituição, em que os meios de comunicação condenam as pessoas sob simples suspeita, em que o habeas corpus é concedido para uns e não para outros.

Para consolidar o regime de exceção, o juiz que perseguiu e excluiu o candidato favorito, aceitou ser ministro do governo que se beneficiou dessas medidas. Um juiz que aceita participar do governo de um presidente que se pronuncia a favor da pena de morte, da ditadura militar e da tortura.

Estamos no limbo constitucional, sem Judiciário, sem meios de comunicação democratizados, com um presidente que envergonha o país no exterior, ainda mais do que o atual já havia feito. Com um governador eleito do Rio que diz que governar é cavar túmulos, que prega a execução sumária pela polícia de pessoas de que se desconfia que portem armas, que prega o bombardeio de zonas consideradas perigosas, como a Rocinha, onde ele nunca esteve, mas considera como zona perigosa.

Entramos num regime de exceção em que a democracia é a principal vítima, junto com os direitos dos trabalhadores, o mundo da cultura e da educação. Em que as profissões de maior risco passam a ser jornalistas, professores, artistas.

Perdeu a democracia, porque segue a brutal crise econômica e social em que o país foi jogado, com 27 milhões de desempregados e a ameaça de falsificar os critérios para calculá-los, em lugar de lutar contra o desemprego.

O túnel em que o Brasil foi metido não tem ainda prazo para terminar. A derrota da democracia é sempre a derrota do povo, do país, da soberania e da dignidade nacional.”
...

**Júlio César Schmitt Garcia é Advogado, Pós-Graduado em Direito do Estado, Assessor Parlamentar, Midioativista. Foi um dos fundadores do PT e da CUT. - Publicado originalmente no Jornal A Folha (do qual é Colunista) em 16/11/2018. 

17 novembro 2018

A atitude estúpida da juíza que enquadrou Lula




Por Andre Araujo**

Os pasquins da direita, quase todos, estão se esbaldando com a "bronca" da juíza Gabriela Hardt no Lula. "Enquadrou o Lula" dizem quase todos.  É espantoso pela ignorância da situação histórica de prisioneiro  versus captor, uma relação documentada em dez mil anos de historia conhecida.

O prisioneiro está na relação de falta de liberdade resultante de sua condição, não existe um dialogo de iguais entre um prisioneiro e o detentor de sua liberdade. Jamais se pode dizer que um juiz "enquadrou" um prisioneiro porque ele já está enquadrado pela própria prisão. MAS o prisioneiro sempre pode manifestar seu protesto sobre sua condição, até os Imperadores Romanos admitiam esse direito.

No Julgamento de Nuremberg o Marechal Albrecht Kessekring, comandante de todas as forças alemãs na Itália, ao ser interrogado pelo Promotor americano Robert Jackson, que era então Procurador Geral dos Estados Unidos, lhe deu uma resposta ríspida: "O senhor não entende nada de operações militares e sua pergunta é idiota", Jackson respondeu " De fato o senhor entende mais do eu que nunca fui a uma guerra. Diante de suas explicações  lhe peço desculpas". Kesselring explicou que nunca poderia ter dado aquela ordem de que era acusado, pela própria logica de uma operação militar.

Os interrogatórios em Nuremberg e no  Tribunal Internacional de Crimes de Guerra de Tokyo foram milhares e não consta que algum juiz "enquadrou" algum prisioneiro, cada um deles teve o DIREITO de manifestar sua opinião, que ficou registrada, sem que nenhum juiz se sentisse "intimidado" e muito menos reclamasse do "tom" do prisioneiro. O prisioneiro tem o direito de responder como quiser.

Um juiz tem uma posição superior, NA CIRCUNSTANCIA, ao réu prisioneiro e não lhe cabe, por absurdo, se dizer intimidado pelo réu prisioneiro, se este está preso como pode intimidar?

A mídia direitista, na sua espantosa ignorância, está dando credenciais de "heroína" à juíza porque deu bronca a Lula, adoraram aquilo que acham a "humilhação" de Lula, é um espetáculo degradante.

Juiz é juiz,  prisioneiro é prisioneiro, não existe "enquadramento" e "intimidação" nessa relação milenar.

*Via GGN
...

**Andre Araujo é Advogado formado pelo Mackenzie, dirigente sindical patronal por 16 anos como diretor tesoureiro do Sindicato Nac. da Indústria Eletroeletrônica-SINAEES e da ABINEE-Assoc. Bras. da Ind. Eletroeletrônica, presidente da EMPLASA - estatal do Estado de São Paulo, diretor financeiro da PRODAM - estatal da Prefeitura de S.Paulo, membro do Conselho de Administração da CEMIG-Cia. Energética de Minas Gerais.

O assassinato de Lula



Por Mario Marona, em seu facebook* O interrogatório tirânico e desrespeitoso a que Lula foi submetido na semana passada, ao vivo para que todos vissem, fez lembrar que o maior líder popular do Brasil desde Vargas está sendo assassinado num cubículo da polícia política.

Isto acontece diante de um povo anestesiado.

A mídia se apropriou e apoiou manifestações contra a democracia em 2013, e assistimos inertes, quando muito nos dividindo em debates na internet.

A presidenta recém-eleita foi derrubada por um impeachment sem que tivesse cometido qualquer crime, e ficamos murmurando e brigando nas redes sociais.

Lula foi preso sem provas para não se eleger presidente e pacificar o país, e deixamos passar, com medo da acusação de ser a favor da corrupção e contra um juiz que, restou provado, não só é faccioso como tem partido.

Um terço do eleitorado brasileiro colocou na presidência um protofascista troglodita e ignorante e não soubemos nos unir para impedir o que pode ser o maior e mais trágico vexame de nossa história.

Agora, sabemos que Lula está sendo assassinado e, se não fosse por alguns teimosos, a situação desumana que enfrenta nem seria percebida.

Somos mesmo um povo desqualificado vivendo num país sem futuro?

Merecemos o destino a que estamos sendo conduzidos?

Nós mesmos construímos esta fatalidade, com covardia e omissão?

Está difícil responder não a alguma dessas perguntas.

(*Via Brasil247)

Confira a íntegra do depoimento de Lula:


15 novembro 2018

A caminho do hospício



Da ponta do fuzil, o entreguismo amplo, geral e irrestrito.

O próximo governo vai realizar uma verdadeira revolução cultural para impor a lei do mais forte e um projeto que nega os valores da civilização 

    Protegido pelo youtuber Mamãefalei, o futuro senador Eduardo promete
o assassinato pacífico


Por Mino Carta*

No país material e moralmente devastado pelos efeitos do golpe de 2016, Jair Bolsonaro prepara-se para exercer a Presidência da República. Há quem o defina como fascista ou nazista, de extrema-direita ou super-reacionário. Bolsonaro, entretanto, é tão único como será seu governo e o próprio Brasil. Qualquer comparação é impossível.

Estamos diante da exasperação de tudo quanto sofremos em dois anos e alguns meses, através de uma série de atentados à razão.

Os ricos se dão ares de contemporaneidade do mundo, e ignoram o miserável estado da sua incultura e da sua imoralidade, a maioria pobre não passa de uma grei incrédula e sempre amedrontada, pronta a dar seu aval não a um populismo rasteiro, e sim ao reinado da violência demente. Não há exemplo igual, ou mesmo parecido.

Valores e princípios da civilidade são sepultados com o apoio do exército de ocupação e o beneplácito do Judiciário que jogou ao lixo a Constituição e permitiu todos os desmandos praticados pelo estado de exceção, e até se antecipou ao futuro presidente pela boca de um certo Toffoli, capaz de revisar a história dos últimos 54 anos na definição do golpe de 1964, do qual resultou a ditadura, como “movimento”.

Ali está, no soturno palácio do Supremo o grupelho pomposo que se prontifica a legalizar a ilegalidade, embora ninguém seja tão representativo da injustiça como Sérgio Moro, ministro da Justiça dotado de plenos poderes para fiscalizar a vida de todos, o inquisidor de Curitiba em quem Luigi Ferrajoli identificou “a negação da imparcialidade”.

Só no Brasil o fenômeno Bolsonaro, primitivo, desvairado, delirante, seria possível. Leiam, na página ao lado, os pontos principais da ação do próximo governo e entendam por que se trata da proposta de uma verdadeira revolução cultural a colocar pobres contra pobres.

A mais falada revolução cultural do século passado, promovida por Mao Tsé-tung ao cabo da Longa Marcha, foi tão comentada a ponto de levar um enfant gâté de uma belle époque nova-iorquina a brindar o mundo da arte moderníssima com o retrato do líder chinês, realizado com a técnica de colorir ao acaso uma foto prismada. Andy Warhol inspira a capa da edição de CartaCapital desta semana.

Quanto à revolução, destinada a derramar cada vez mais sangue nas calçadas, ela assume propósitos mais largos. É a revolução que prega a lei do mais forte ao sabor do ódio desmotivado, o entreguismo amplo, geral e irrestrito, a repressão na mira do fuzil, a reedição da arcaica visão de que atrás de cada esquina agacha-se um comunista degustador de criancinhas.

Segundo o pensador do bolsonarismo, Olavo de Carvalho, FHC é comunista e não vai faltar quem acredite. É a conclusão de um enredo de 518 anos, a moral de uma história excepcionalmente sombria, a infelicitar um país credenciado a ser potência mundial e enfim reduzido a escombros.

Neste momento, minha única esperança é que a razão nasça da loucura, algum dia que almejo próximo. No mais, aviso: cidadãs e cidadãos, vocês nunca verão terra igual à de Bolsonaro.

-Leia também "Entre o horror e a demência" - clicando Aqui

*Jornalista, Editor da Revista Carta Capital (fonte desta postagem).

14 novembro 2018

Por causa de ameaças de Bolsonaro, Cuba desiste do Mais Médicos e vai retirar 8.500 profissionais, que representam metade do programa


Isso pode significar a saída de dezenas de milhares de médicos que estão atendendo nos sertões, na Amazônia brasileira, na periferia das grandes cidades, nas áreas mais vulneráveis… É isso que pode acontecer quando se coloca o espírito da guerra, da ideologização, do conflito na frente dos interesses sobretudo do povo brasileiro, do povo que mais sofre e mais precisa. Dia triste para saúde publica provocado por uma ação despreparada e conflituosa do atual presidente eleito do nosso país. Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde, no twitter
Mais uma perda imposta ao povo: o desmonte do Mais Médicos. Impressionante o desconhecimento e a partidarização de tudo para alimentar fantasmas e viver de factoides. Minha gratidão ao trabalho correto e solidário dos médicos cubanos. O povo sabe o valor do trabalho deles. Ricardo Coutinho, governador da Paraíba, no twitter
O Ministério da Saúde apontou que o Mais Médicos é responsável por 48% das equipes de Atenção Básica em municípios com 10 mil habitantes e em 1.100 municípios o programa é responsável por 100% da Atenção Básica. Qual vai ser o plano emergencial para esses locais? Rita Lisauskas perguntando a Jair Bolsonaro, no twitter
1.575 municípios só possuem médicos cubanos do Programa, sendo que 80% desses municípios são pequenos (menos de 20 mil habitantes) e localizados em regiões vulneráveis; existem 300 médicos cubanos atuando nas aldeias indígenas. Isso é 75% dos médicos que atuam na saúde indígena do país. Manuela D’Avila, no twitter
O presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Junqueira, avalia que o anúncio de retirada dos profissionais cubanos do programa Mais Médicos pode levar a uma desassistência temporária da população atendida por eles, que são mais da metade dos profissionais participantes do programa. Segundo Junqueira, são 24 milhões de brasileiros nas áreas onde os cubanos trabalham, principalmente em locais de difícil acesso, como reservas indígenas. O Globo
DECLARAÇÃO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE PÚBLICA
O Ministério da Saúde Pública da República de Cuba, comprometido com os princípios solidários e humanistas que durante 55 anos têm guiado a cooperação médica cubana, participa desde seus começos, em agosto de 2013, no Programa Mais Médicos para o Brasil.
A iniciativa de Dilma Rousseff, nessa altura presidenta da República Federativa do Brasil, tinha o nobre propósito de garantir a atenção médica à maior quantidade da população brasileira, em correspondência com o princípio de cobertura sanitária universal promovido pela Organização Mundial da Saúde.
Este programa previu a presença de médicos brasileiros e estrangeiros para trabalhar em zonas pobres e longínquas desse país.
A participação cubana nele é levada a cabo por intermédio da Organização Pan-americana da Saúde e se tem caracterizado por ocupar vagas não cobertas por médicos brasileiros nem de outras nacionalidades.
Nestes cinco anos de trabalho, perto de 20 mil colaboradores cubanos ofereceram atenção médica a 113 milhões 359 mil pacientes, em mais de 3 mil 600 municípios, conseguindo atender eles um universo de até 60 milhões de brasileiros na altura em que constituíam 88% de todos os médicos participantes no programa.
[Veja acima o documentário Vem de Cuba, sobre o programa Mais Médicos, que hoje tem cerca de 8.500 médicos cubanos espalhados pelo Brasil]
Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história.
O trabalho dos médicos cubanos em lugares de pobreza extrema, em favelas do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador de Baía, nos 34 Distritos Especiais Indígenas, sobretudo na Amazônia, foi amplamente reconhecida pelos governos federal, estaduais e municipais desse país e por sua população, que lhe outorgou 95% de aceitação, segundo o estudo encarregado pelo Ministério da Saúde do Brasil à Universidade Federal de Minas Gerais.
Em 27 de setembro de 2016 o Ministério da Saúde Pública, em declaração oficial, informou próximo da data de vencimento do convênio e em meio dos acontecimentos relacionados com o golpe de estado legislativo-judicial contra a Presidenta Dilma Rousseff que Cuba “continuará participando no acordo com a Organização Pan-americana da Saúde para a implementação do Programa Mais Médicos, enquanto sejam mantidas as garantias oferecidas pelas autoridades locais”, o que até o momento foi respeitado.
O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, fazendo referências diretas, depreciativas e ameaçadoras à presença de nossos médicos, declarou e reiterou que modificará termos e condições do Programa Mais Médicos, com desrespeito à Organização Pan-americana da Saúde e ao conveniado por ela com Cuba, ao pôr em dúvida a preparação de nossos médicos e condicionar sua permanência no programa a revalidação do título e como única via a contratação individual.
As mudanças anunciadas impõem condições inaceitáveis que não cumprem com as garantias acordadas desde o início do Programa, as quais foram ratificadas no ano 2016 com a renegociação do Termo de Cooperação entre a Organização Pan-americana da Saúde e o Ministério da Saúde da República de Cuba.
Estas condições inadmissíveis fazem com que seja impossível manter a presença de profissionais cubanos no Programa.
Por conseguinte, perante esta lamentável realidade, o Ministério da Saúde Pública de Cuba decidiu interromper sua participação no Programa Mais Médicos e foi assim que informou a Diretora da Organização Pan-americana da Saúde e os líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam esta iniciativa.
Não aceitamos que se ponham em dúvida a dignidade, o profissionalismo, e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio de seus familiares, prestam serviço atualmente em 67 países.
Em 55 anos já foram cumpridas 600 mil missões internacionalistas em 164 nações, nas quais participaram mais de 400 mil trabalhadores da saúde, que em não poucos casos cumpriram esta honrosa missão mais de uma vez.
Destacam as façanhas de luta contra o ébola na África, a cegueira na América Latina e o Caribe, a cólera no Haiti e a participação de 26 brigadas do Contingente Internacional de Médicos Especializados em Desastres e Grandes Epidemias “Henry Reeve” no Paquistão, Indonésia, México, Equador, Peru, Chile e Venezuela, entre outros países.
Na grande maioria das missões cumpridas, as despesas foram assumidas pelo governo cubano.
Igualmente, em Cuba formaram-se de maneira gratuita 35 mil 613 profissionais da saúde de 138 países, como expressão de nossa vocação solidária e internacionalista.
Em todo momento aos colaborados foi-lhes conservado seu postos de trabalho e o 100 por cento de seu ordenado em Cuba, com todas as garantias de trabalho e sociais, mesmo como os restantes trabalhadores do Sistema Nacional da Saúde.
A experiência do Programa Mais Médicos para o Brasil e a participação cubana no mesmo, demonstra que sim pode ser estruturado um programa de cooperação Sul-Sul sob o auspício da Organização Pan-americana da Saúde, para impulsionar suas metas em nossa região.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a Organização Mundial da Saúde qualificam-no como o principal exemplo de boas práticas em cooperação triangular e a implementação da Agenda 2030 com seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Os povos da Nossa América e os restantes do mundo bem sabem que sempre poderão contar com a vocação humanista e solidária de nossos profissionais.
O povo brasileiro, que fez com que o Programa Mais Médicos fosse uma conquista social, que desde o primeiro momento confiou nos médicos cubanos, aprecia suas virtudes e agradece o respeito, a sensibilidade e o profissionalismo com que foram atendidos, poderá compreender sobre quem cai a responsabilidade de que nossos médicos não possam continuar oferecendo sua ajuda solidária nesse país.
Havana, 14 de novembro de 2018.
*****
*Via Viomundo

13 novembro 2018

Villas Bôas e Bolsonaro: o motim se alastra e chega ao Planalto


Por Mário Vitor Santos*
A reveladora entrevista à Folha do general Eduardo Villas Bôas traz conclusões de que muitos já adivinhavam mas que são surpreendentes quando afinal vêm à tona em toda a sua realidade. Surpreende a falta de continência (com trocadilho) com que o representante maior das Forças Armadas assume sem pudores o gesto de intervenção militar nas decisões da Justiça.
Da voz do próprio comandante vem a público agora, meses depois, o péssimo exemplo dado aos seus iguais e subordinados. Ao pressionar explicitamente o Supremo Tribunal Federal em abril deste ano via twitter para não libertar Lula e assumir que calculou intervir, Villas Bôas descumpriu o decreto 4.346, de 2002, que proíbe aos militares brasileiros envolver-se em assuntos políticos. De quebra, o general descumpriu também o próprio Regulamento Disciplinar do Exército que classifica manifestação política como transgressão disciplinar. 
Se não é para cumprir as regras que o próprio Exercito cria internamente e nem também as que o país determina democraticamente, o que então faz um comandante de Exército? Será que já vivemos um regime de exceção, estamos de volta ao pesadelo da ditadura de 1964? Os militares já controlam de novo os poderes da República? Como era de se esperar, o STF, em tese responsável pela defesa da legalidade, calou-se, submisso. Um general ameaça o poder democrático e nenhum poder o reprime.
O país está diante de uma situação de aberta ilegalidade, incompatível com a democracia. Há uma força militar que já não presta mais contas a ninguém. Criou-se um poder que pode tudo, sem rédeas, sem respaldo na Constituição. Os militares precisam se dar mais respeito. Suas aventuras por trilhas no passado que se julgava hoje superado custaram sérios prejuízos ao país, metido então em problemas de toda ordem que a historiografia registra. Agora o comandante do Exército lança enorme interrogação sobre a pureza das decisões do STF, que votou sob pressão e decidiu afastar a possibilidade do candidato mais bem colocado nas pesquisas, o ex-presidente Lula, disputar a eleições. A eleição vista assim assume aspectos de fraude. (...)
CLIQUE AQUI para ler na íntegra (via 247*).

40 anos depois, assistimos à saudação coletiva da violência, diz uruguaia sequestrada no RS durante ditadura


“Os comunistas de hoje são os indígenas, os que lutam pelo meio ambiente, os sem terra, 
os sem teto”, disse Lilian | Foto: Guilherme Santos/Sul21
Por Débora Fogliatto*

Em 12 de novembro de 1978, 40 anos atrás, o casal uruguaio Universindo Díaz e Lilian Celiberti, juntamente com seus filhos Camilo e Francesca, foram sequestrados de forma clandestina por militares de seu país de origem na casa onde viviam, em Porto Alegre. Após receber uma ligação na sede da redação local da revista Veja, o jornalista Luiz Cláudio Cunha foi até a residência deles, onde flagrou o sequestro e denunciou a colaboração entre as ditaduras dos países sul-americanos no contexto da Operação Condor.

Neste 12 de novembro de 2018, o Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul e a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa gaúcha trouxeram a Porto Alegre Lilian, agora com 68 anos, e seus filhos em um evento lembrando os 40 anos do ocorrido. Universindo faleceu em 2012. No Memorial do Rio Grande do Sul, além do painel, também acontece uma exposição que conta a história com documentos da época. A palestra contou ainda com a presença de Luiz Cláudio Cunha e da historiadora Ananda Fernandes, responsável pela exposição.

Em suas falas, os três traçaram paralelos entre o contexto da ditadura e a política brasileira atual. “É nosso dever sempre lembrarmos desse período, e agora é um momento mais propício ainda para que a gente lembre o que foram as ditaduras”, disse Ananda, destacando que há pessoas que defendem a volta de uma ditadura no país e mencionando a importância do papel da imprensa na época. “Foi graças à denúncia da imprensa que essa operação, que previa o desaparecimento deles quatro, acabou fracassando. E foi possível estabelecer laços de solidariedade e resistência a partir da atuação da imprensa também”, destacou.
Filho de Lilian, Camilo tinha oito anos quando ocorreu o sequestro | Foto: Guilherme Santos/Sul21
Na época do sequestro, Lilian e o companheiro eram militantes do Partido por la Victoria del Pueblo (PVP) e haviam se mudado para o sul do Brasil após passar um período de exílio na Itália, com a ideia de continuar o trabalho a partir daqui. O fato de serem taxados como comunistas foi o suficiente para serem sequestrados e presos. “Uma vez mais na história todos esses títulos caem sobre as vítimas, sempre há uma criminalização para nos colocarem no lugar de criminoso, essa construção para justificar os abusos de poder”, diz a ativista.

Para ela, a situação é muito significativa nos dias atuais, pois essa prática de criminalização permanece a mesma. “Os comunistas de hoje são os indígenas, os que lutam pelo meio ambiente, os sem terra, os sem teto, os desgraçados desse mundo que se organizam para ter dignidade como pessoas. Há 40 anos, o DOPS se comprometeu e atuou junto com militares brasileiros e uruguaios para nos sequestrar, nos mandar para o Uruguai, nos entregar para a ditadura. Isso só se justifica porque nos pintaram como dois guerrilheiros perigosos e armados e não um casal vivendo com seus dois filhos em casa”, analisa.

Isso diz muito sobre a ditadura do próprio Brasil, na avaliação de Lilian, e sobre o plano Condor em geral, que defendia um tipo de sociedade e de economia específica, que eliminava todos os que pensavam de forma contrária. Eram eliminadas todas as liberdades, ideias e opiniões. “Agora nos encontramos em uma situação paradoxal, porque hoje assistimos à essa saudação coletiva da violência e da eliminação do outro como parte da construção de um presidente futuro. Não tenho palavras para isso além de dizer ‘ele não’”, disse, aplaudida pelo público que lotava a sala Multiuso do Memorial.
Lilian já veio a Porto Alegre em outras ocasiões para falar do episódio, que completou
40 anos | Foto: Guilherme Santos/Sul21
Ela afirmou que, ao longo da vida, aprendeu sobre a necessidade da resistência, de se defender o que pensa em qualquer situação. “Estamos em um momento crucial da história da América Latina, em que se consagrou a igualdade como parte da construção dos estados. Mas essa é uma igualdade que ocultou as diferenças e desigualdades estruturais que condenavam milhões de pessoas à exclusão. Em alguns países, se deixou à margem as populações indígenas, as populações afro-descendentes”, destaca Lilian.

“Nunca fomos todos iguais perante a lei, porque o pobre, o favelado, nunca teve os mesmos poderes perante a lei”, diz ela, defendendo a necessidade de se construir uma igualdade baseada na diversidade, um “mundo com muitos mundos”: “Essa ideia radical de uma sociedade que contém muitos mundos é o que talvez a direita jamais entendeu e a esquerda custou muito a entender. A diversidade é o componente central de uma democracia verdadeira”.

Militante feminista, Lilian citou o movimento argentino Ni Una Menos como um exemplo de mobilização que coloca em evidência fatores anteriormente não percebidos pela sociedade na relação entre homens e mulheres “Vivemos num capitalismo predador que faz da violência seu fio de construção de poder. A violência está nas instituições, nas prisões, na perseguição aos pobres”. Ela relata que se questionou como construir um mundo diferente quando 55 milhões de pessoas elegeram como presidente Jair Bolsonaro. “Esses milhões de pessoas têm que estar hoje num espaço de diálogo, e temos que sair e conversar, porque estou segura de que não há 55 milhões de fascistas no Brasil. Tudo o que temos é a capacidade de diálogo, a abertura à solidariedade e o exercício dessa solidariedade”, defendeu.
Francesca e Camilo, filhos de Lilian, com ela e o jornalista Luiz Cláudio Cunha,  
que colaborou para que o sequestro não fosse levado a cabo | Foto: Guilherme Santos/Sul21
Ela falou, ainda, da necessidade de mudanças na esquerda política e criticou regimes como da Nicarágua, dizendo que um governo que reprime seu povo não pode ser considerado de esquerda. “Defendo uma esquerda humanista, democrática, ecológica, que busca outras formas de produzir e fazer, e seguir questionando o capitalismo depredador. Para construir essa esquerda temos que nos dar as mãos. E isso supõe mudanças radicais, não podemos sair de uma coisa e voltar à outra sem revisar nada. Temos que repensar quem somos, que sociedade somos, o quão livres somos”, defendeu.

Para ela, o único caminho possível para os brasileiros é o da solidariedade e pensamento crítico. “É possível pensar e construir outra sociedade, mas para isso é preciso sermos capazes de mudarmos também a nós mesmos. É momento de reflexão e de revolucionar as cabeças para pensarmos em outros lugares, porque se seguirmos pensando nas mesmas lógicas de poder, seguiremos chegando nos mesmos lugares”.

Antes de iniciar sua fala, o jornalista Luiz Cláudio Cunha citou todos os envolvidos no trabalho de reportagem que durou 21 meses e que culminou numa das apurações mais famosas da história brasileira, que o rendeu o prêmio Esso. Em seguida, ele destacou o caráter de colaboração entre as ditaduras que ocorria na época. “O sequestro dos uruguaios é uma operação binacional, os uruguaios que vieram para cá sequestrá-los vieram com sanção do Brasil. Mantinham uma irmandade em nome do terrorismo de Estado, que unificava todos os governos submetidos por ditaduras militares: Argentina, Brasil, Chile, Uruguai e Paraguai”, relatou.
O jornalista falou com preocupação sobre a eleição de Bolsonaro: “tempos sombrios”
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Atualmente, vivemos um momento de defesa do ódio, intolerância e violência, segundo o jornalista. “Hoje há um discurso endêmico no país que defende o ódio, a intolerância e consegue inclusive saudar a ditadura e a tortura. O capitão que acabou ganhando a eleição é um notório defensor da ditadura, nostálgico daquele regime, se orgulha disso, exalta torturadores e tem como livro de cabeceira a obra do mais notório torturador do regime, Brilhante Ustra”, criticou Luiz Cláudio, destacando ainda que Bolsonaro se elegeu com um discurso “completamente vazio, calcado numa retórica totalitária e abrindo a porta de tempos sombrios para todos nós”.

Mencionou, ainda, o fato de o Brasil não ter julgado e prendido os principais militares e torturadores de suas ditaduras, diferentemente do que fez a Argentina, por exemplo. Ele citou o caso do general e ditador Jorge Rafael Videla, condenado à prisão perpétua em 2010 pela morte de 31 prisioneiros após seu golpe de estado. “Bolsonaro deve elogiar a ditadura da Argentina, que foi três vezes mais curta, mas atingiu em apenas sete anos a marca macabra de 30 mil pessoas mortas, a maioria desaparecidas. Mas lá, Videla morreu na cadeia em 2013 aos 87 anos cumprindo pena de prisão perpétua. Foi condenado pela morte de 31 pessoas, bem menos do que as 50 mortes confirmadas de Ustra, ídolo do presidente eleito, o qual morreu livre e solto, como todos os colegas de farda”, criticou o jornalista.

Para ele, o fantasma da ditadura volta a assombrar o Brasil com a eleição de Bolsonaro, assim como o fundamentalismo religioso que o coloca “logo abaixo de Deus”. “Resistimos por causa de gente como vocês, que lutaram e resistiram. Está na hora de juntar as forças outra vez contra a ameaça no horizonte. Obrigado por existirem e resistirem”, finalizou. Após sua fala, foram convidados a se pronunciar ainda outros integrantes da equipe jornalística e ativistas da época, sobreviventes das ditaduras.

*Jornalista do Sul21, fonte desta postagem

12 novembro 2018

FRACASSO ANUNCIADO, DIZ MARCO MAIA SOBRE REFORMA TRABALHISTA



“Disseram que o objetivo da reforma trabalhista era combater o desemprego e a crise econômica no país, mas como já imaginávamos, não há o que comemorar. Empregos não foram criados e a informalidade cresceu”, afirmou o deputado Marco Maia (PT-RS); “Sabe quem ganhou com um ano da reforma trabalhista? A classe trabalhadora que não foi”

Do Sul 247* – No dia em que a Reforma Trabalhista completa um ano, neste domingo (11), o deputado federal Marco Maia (PT-RS) disse que a proposta foi “fracasso anunciado!”.
“Um ano após a reforma trabalhista, os defensores da proposta sustentavam que com a mudança da lei seriam criados 2 milhões de empregos já no primeiro ano de vigência. Mentiram e erraram! A gente avisou”, escreveu o parlamentar no Twitter.
De acordo com o parlamentar, “disseram que o objetivo da reforma trabalhista era combater o desemprego e a crise econômica no país, mas como já imaginávamos, não há o que comemorar. Empregos não foram criados e a informalidade cresceu”.
“Sabe quem ganhou com um ano da reforma trabalhista? A classe trabalhadora que não foi. Essa reforma foi a maior propaganda enganosa do governo Temer.” 
O fracasso anunciado! Um ano após a reforma trabalhista, os defensores da proposta sustentavam que com a mudança da lei seriam criados 2 milhões de empregos já no primeiro ano de vigência. Mentiram e erraram! A gente avisou.
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Disseram que o objetivo da reforma trabalhista era combater o desemprego e a crise econômica no país, mas como já imaginávamos, não há o que comemorar. Empregos não foram criados e a informalidade cresceu.
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