30 setembro 2026

MANIFESTAÇÃO PÚBLICA DO COMITÊ 'COLIGAÇÃO COM O POVO' (II)– SANTIAGO/RS

 


O COMITÊ COLIGAÇÃO COM O POVO – SANTIAGO RS, formado pelo Partido Democrático Trabalhista – PDT, Partido dos Trabalhadores – PT, PSOL, Partido Verde – PV, PCdoB, Rede Sustentabilidade e Avante, vem novamente a público manifestar sua solidariedade ao povo de Santiago diante das graves consequências da tempestade e da intensa precipitação de granizo que atingiram nosso Município no último sábado, 26 de setembro.

Os números que vêm sendo divulgados e, principalmente, aquilo que todos nós podemos testemunhar nas ruas, nos bairros e nas comunidades do interior demonstram a dimensão da adversidade que Santiago enfrenta. Milhares de famílias foram atingidas, residências sofreram graves danos, escolas, estabelecimentos comerciais e serviços essenciais foram afetados, impondo à nossa comunidade um enorme esforço de reconstrução.

Neste momento, nossa preocupação maior está voltada às famílias que mais precisam da presença e da solidariedade do Poder Público e da sociedade: os trabalhadores e as trabalhadoras, as famílias de baixa renda, os idosos, as pessoas em situação de vulnerabilidade e as comunidades mais carentes, tanto da cidade quanto do interior do Município.

O Governo Federal, liderado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também está ciente da grave situação enfrentada por Santiago, e estão sendo buscadas e providenciadas as medidas necessárias para que a União possa contribuir com os esforços de assistência e reconstrução, especialmente em favor dos setores e das comunidades mais duramente atingidos pela intempérie.

É justamente nos momentos de maior dificuldade que o Estado deve estar presente. Reconstruir Santiago significa reconstruir casas, recuperar escolas e serviços públicos, apoiar os pequenos comerciantes e produtores, atender as comunidades do interior e, sobretudo, garantir condições dignas às famílias que perderam aquilo que conquistaram com muitos anos de trabalho.

Defendemos, portanto, a união dos esforços dos Governos Federal, Estadual e Municipal, acima de qualquer diferença partidária. A tragédia não escolhe partido político, ideologia ou condição social. E a resposta do Poder Público também não pode fazer qualquer distinção. Todo recurso, toda ajuda e toda iniciativa capaz de contribuir para a reconstrução de Santiago deve ser recebida, apoiada e destinada, com transparência e prioridade, a quem efetivamente mais necessita.

Foi com esse espírito de respeito e solidariedade que decidimos cancelar a carreata política prevista para o próximo dia 3 de outubro. 

Entendemos que este é o momento de concentrarmos nossas energias na assistência às famílias atingidas e na reconstrução de nossa cidade.

Mas suspender uma carreata não significa suspender nossos sonhos, nossas convicções ou nossa caminhada.

Mesmo diante das dificuldades, nossa campanha continua. Continua porque a democracia não pode parar. Continua porque o futuro do Brasil está em discussão. Continua porque estão em jogo os direitos, as oportunidades e as condições de vida de milhões de brasileiros e brasileiras.

Seguiremos defendendo um Brasil que coloque as pessoas em primeiro lugar; que valorize o trabalho e quem vive dele; que proteja os mais humildes nos momentos de dificuldade; que fortaleça a saúde, a educação, a habitação e as políticas sociais; que apoie quem produz no campo e na cidade; e que tenha capacidade de responder com solidariedade e presença do Estado quando uma comunidade é atingida por uma calamidade.

As adversidades destes dias reforçam uma convicção: nenhuma família deve ser abandonada quando mais precisa. Uma sociedade verdadeiramente justa é aquela que não deixa ninguém para trás, especialmente nos momentos em que a vida impõe suas maiores dificuldades.

Nossa campanha, portanto, prosseguirá com responsabilidade, respeito e sensibilidade diante do momento vivido por Santiago. Haverá tempo para as manifestações políticas e para a mobilização eleitoral. Agora, acima de tudo, é tempo de ajudar, reconstruir e cuidar das pessoas.

A política que defendemos é exatamente essa: a política que está ao lado das pessoas quando elas mais precisam.

Santiago haverá de se reconstruir. E essa reconstrução será resultado da união de nossa comunidade, da solidariedade entre as pessoas e da atuação conjunta de todas as esferas do Poder Público.

Seguimos juntos. Pela reconstrução de Santiago, pela proteção de nossa gente e pela defesa de um Brasil que cuide de seu povo, dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Santiago/RS, 29 de setembro de 2026.

COMITÊ COLIGAÇÃO COM O POVO – SANTIAGO/RS

PDT – PT – PSOL – PV – PCdoB – REDE SUSTENTABILIDADE – AVANTE

Eleições 2026 - Lula confirma à Globo que não participará do debate da emissora

Emissora confirma encontro com Flávio Bolsonaro, Caiado, Augusto Cury e Zema; Renan Santos tenta vaga na Justiça.


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Crédito: Ricardo Stuckert/PR

Por Igor Carvalho*

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comunicou à TV Globo que o mandatário não participará do debate da próxima quinta-feira (31) com os candidatos à presidência da República.

A informação foi anunciada pela emissora, que também confirmou a realização do debate com a participação de Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). O último comparecerá por força de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou que os candidatos do Novo sejam incluídos no debate.

Lula e Flávio Bolsonaro ainda não participaram dos debates presidenciais e, com essa decisão, o confronto entre os dois principais candidatos da corrida pelo Palácio do Planalto ficará para um eventual segundo turno.

Renan Santos (Missão) afirmou que irá à Justiça tentar uma decisão liminar que o coloque no debate da TV Globo. O candidato aparece mais bem posicionado que Caiado e Zema em diversas pesquisas.

*Fonte: BdF - Editado por: Gia Matheus AlmeidaFacebook


24 setembro 2026

BRASIL: Sai Datafolha: Lula lidera nos dois turnos e caminha para o tetra

Presidente lidera disputa presidencial contra o senador no; eventual segundo turno tem empate técnico de 47% a 45%


   Presidente Lula


Por Paulo Emílio, no Brasil247*

A corrida presidencial entra na última semana antes do primeiro turno com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrando 40% das intenções de voto, contra 36% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em uma eventual segunda rodada entre os dois, o cenário é de empate técnico: 47% para o presidente e 45% para o senador, aponta pesquisa pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (24)

O levantamento foi realizado na terça-feira (22) e na quarta-feira (23), com 2.002 eleitores. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Encomendada pela Folha de São Paulo e pela TV Globo, a pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-00304/2026.

Disputa permanece concentrada em Lula e Flávio

Em relação à rodada anterior, Lula oscilou um ponto para cima no primeiro turno, passando de 39% para 40%. Flávio permaneceu com os mesmos 36%. No cenário de segundo turno, os dois também oscilaram um ponto: o presidente passou de 46% para 47%, enquanto o senador foi de 44% para 45%.

Os demais candidatos permanecem em patamares inferiores. Augusto Cury (Avante) aparece com 5%, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, e Renan Santos (Missão), com 3%. Romeu Zema (Novo) e Samara (UP) registram 1% cada.

Brancos e nulos somam 5%, enquanto 2% dos entrevistados se declaram indecisos.

A estabilidade entre os demais concorrentes mantém a corrida concentrada nos dois candidatos que lideram o levantamento. A rodada anterior do instituto já havia registrado Lula com 39% e Flávio com 36%, além de 46% a 44%, respectivamente, na simulação de segundo turno.

Voto útil ganha peso na reta final

Com Lula e Flávio Bolsonaro concentrando a maior parte das intenções de voto, as duas campanhas intensificaram a disputa pelo chamado voto útil no primeiro turno.

O movimento busca atrair principalmente eleitores que hoje declaram preferência pelas candidaturas que aparecem abaixo dos dois líderes. A estratégia já vinha sendo adotada pelas duas campanhas diante do cenário apertado mostrado pelo Datafolha.

Nesse contexto, cada ponto percentual assume importância adicional para as campanhas. O Datafolha ressalta, no entanto, que pesquisas eleitorais representam um retrato das preferências manifestadas pelos entrevistados durante o período de coleta e não uma previsão do resultado das urnas.

Pesquisa capta semana de forte movimentação política

O levantamento foi realizado em uma semana marcada por acontecimentos que entraram diretamente no debate eleitoral, entre eles a redução da intensidade da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o anúncio de reajuste de 15% no Bolsa Família e a discussão sobre ingerência externa na campanha.

No caso do programa social, o reajuste tornou-se objeto de disputa política. Adversários de Lula acusaram o governo de adotar uma medida de caráter eleitoral, enquanto o tema ganhou espaço na reta final da campanha.

O assunto é particularmente relevante para o presidente porque Lula já registrava vantagem entre os beneficiários do Bolsa Família antes do anúncio. Na rodada anterior citada pela Folha, o petista tinha maioria nesse segmento do eleitorado.

Política externa entra no centro da campanha

Outro eixo da disputa que ganhou força nos últimos dias foi a política externa. Lula discursou na terça-feira na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), levando ao debate internacional críticas ao que seu governo considera uma atuação da administração de Donald Trump favorável ao seu adversário na eleição brasileira.

Na avaliação do governo, a questão envolve diferentes frentes, entre elas a disputa comercial, manifestações de aliados de Trump sobre a lisura da eleição brasileira e o debate sobre segurança pública.

Depois do discurso de Lula, Trump liderou uma reunião com países governados pela direita nas Américas na qual organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho foram declaradas terroristas.

O governo brasileiro rejeita essa abordagem. Flávio Bolsonaro, por outro lado, incorporou o episódio à campanha e passou a acusar Lula de leniência na área de segurança.

Do outro lado, o presidente tem direcionado suas críticas à atuação dos Estados Unidos na América Latina e às ações de Trump na região.  *Via 247 - Edição final deste Blog.

22 setembro 2026

Falou firme: Na ONU, Lula critica bets e escala 6×1: ‘Tecno-oligarcas querem neoliberalismo sem regras’

 

Presidente levou às Nações Unidas temas que ganharam relevância na campanha eleitoral, como fim da escala 6x1


Lula discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU 2026 | Crédito: Ricardo Stuckert


Em discurso de abertura na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22), o presidente Lula (PT) falou de temas da política brasileira que tem rondado sua campanha eleitoral, como a proibição das casas de aposta tipo bets, o fim da escala 6×1 e a regulamentação das big techs.

“Empresas que conhecem os riscos de seus produtos transferem para as famílias a impossível tarefa de enfrentar os algoritmos. A indústria bilionária das bets transforma o vício em lucro. Sua disseminação vertiginosa está endividando e destruindo lares. O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio”, disse o presidente.

A promessa de enquadrar as bets ganhou tração na última semana, quando Lula passou a ser mais enfático ao falar em proibição das casas de aposta, marcando uma guinada na campanha do petista.

Segundo fontes ouvidas pelo Brasil de Fato, Lula pretende assinar, na quarta-feira (23), uma Medida Provisória (MP) para uma regulamentação mais firme das bets. Jogos e cassinos online, como o chamado Jogo do Tigrinho, devem ser proibidos. Já as apostas esportivas não serão proibidas, como vinha sendo alardeado desde a quinta-feira (17), mas devem sofrer maiores restrições de publicidade.

Fim da escala 6×1

Outro tema amplamente presente na campanha eleitoral que Lula levou à ONU foi o fim da escala 6×1. Aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, é incerto quando a PEC deverá ir ao plenário da Câmara. O governo, no entanto, encampa a pauta e trata como central para o debate eleitoral.

“O trabalhador precisa de tempo para descansar, se qualificar e conviver com a família”, disse Lula na ONU. “No Brasil, concretizar esse objetivo passa pelo fim da chamada escala 6×1 para garantir ao trabalhador dois dias livres por semana.”

“Essa mudança é fundamental para aliviar a sobrecarga doméstica que ainda recai sobre as mulheres. Estamos construindo um Brasil em que as mulheres não precisam pedir licença para ocupar espaços de poder ou se inserir no mercado de trabalho”, afirmou, sendo ovacionado em seguida.

‘Tecno-oligarcas’

O presidente também arremeteu contra empresas estrangeiras de tecnologia, as chamadas big techs, que estiveram no centro de pressões dos EUA contra o Brasil. Em julho, um grupo de senadores republicanos chegou a enviar uma carta ao representante comercial estadunidense no Brasil criticando a política regulatória brasileira sobre plataformas digitais.

“Seria uma omissão histórica imperdoável não enfrentar o desafio da regulamentação das big techs e da inteligência artificial. Um punhado de tecno-oligarcas quer ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital, sem regras nem transparência”, disse Lula no plenário das Nações Unidas.

Lula mencionou regulamentação da inteligência artificial, algo que seria citado pelo presidente que o seguiu na tribuna, o estadunidense Donald Trump, que defendeu menos regulações às tecnologias.

“Estão promovendo uma corrida sem freios éticos à revelia da ONU e do Painel Científico sobre Inteligência Artificial”, disse Lula. Como adverte o Papa Leão 14, “as decisões sobre tecnologia nunca devem ser separadas da consciência e da responsabilidade”.

*Fonte: Redação do Brasil de Fato

20 setembro 2026

Lula vai à ONU com defesa da soberania e da democracia no centro do discurso

Presidente embarca neste domingo para Nova York e abre os discursos da Assembleia Geral na terça-feira; multilateralismo, reforma da ONU e não interferência externa também estarão entre os temas

   Presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (20) para Nova York, onde participará da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Na terça-feira (22), caberá ao presidente brasileiro fazer o primeiro pronunciamento entre os chefes de Estado, seguindo a tradição diplomática que há décadas reserva ao Brasil a abertura dos discursos do debate geral.

A defesa da democracia, da soberania nacional e do princípio da não interferência nos assuntos internos dos países deverá ocupar espaço importante na passagem de Lula pelas Nações Unidas, em um momento de tensão entre Brasília e Washington e a poucas semanas das eleições presidenciais brasileiras.

O presidente tem reiterado publicamente que pretende defender o direito dos brasileiros de decidirem seu próprio futuro sem interferência estrangeira. A posição ganha peso diante das pressões exercidas pelo governo de Donald Trump sobre temas relacionados à política interna brasileira.

Recentemente, veio a público que, durante as negociações comerciais de 2025, representantes do governo Trump apresentaram ao Brasil uma série de exigências que incluíam a participação irrestrita de pessoas descritas pelo lado norte-americano como “dissidentes políticos” nas eleições de 2026. O governo brasileiro rejeitou a formulação e afirmou não reconhecer a existência de presos ou dissidentes políticos no país.

Nesse contexto, Lula já indicou a mensagem que pretende transmitir ao presidente norte-americano: as eleições brasileiras dizem respeito exclusivamente ao povo brasileiro. A soberania, portanto, deverá aparecer em seu discurso não apenas como conceito diplomático, mas também como defesa da autonomia das instituições nacionais.

Eduardo Bolsonaro atua em Washington

A tensão aumentou nos últimos dias com a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do comentarista Paulo Figueiredo em Washington. Ambos afirmaram ter mantido reuniões com integrantes do governo Trump e defendido novas sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Eduardo também passou a se definir como “dissidente político” e fez alegações, sem apresentar provas, sobre uma eventual tentativa do STF de impedir uma vitória de seu irmão, Flávio Bolsonaro, na eleição presidencial.

Outra frente de pressão partiu do deputado republicano Chris Smith. O parlamentar enviou uma carta à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), pedindo maior monitoramento da situação brasileira e das eleições. Smith mencionou questões envolvendo o STF, o ministro Alexandre de Moraes e o caso Banco Master.

A OEA, por sua vez, já havia firmado em agosto acordo com o governo brasileiro para o envio de uma Missão de Observação Eleitoral às eleições gerais de 4 de outubro.

Multilateralismo e reforma da ONU

Além da soberania e da democracia, Lula deverá retomar bandeiras tradicionais da política externa brasileira, como o fortalecimento do multilateralismo, a promoção da paz e a reforma das instituições de governança global. Segundo o Itamaraty, a reforma das Nações Unidas está entre os temas previstos para a participação brasileira.

Lula vem defendendo há anos uma mudança na composição e no funcionamento do Conselho de Segurança da ONU, argumentando que a estrutura criada no pós-Segunda Guerra Mundial já não representa adequadamente a distribuição de poder do século XXI.

Em seu discurso na Assembleia Geral de 2024, o presidente afirmou que a reforma deveria alcançar a composição, os métodos de trabalho e o direito de veto do Conselho de Segurança, além de ampliar a representação de regiões como América Latina e África.

O respeito ao direito internacional, a solução pacífica de conflitos e a proteção das populações civis também deverão integrar a mensagem brasileira em Nova York, em meio a conflitos que desafiam a capacidade de atuação das instituições multilaterais.

Encontro com Guterres

Na terça-feira, antes de discursar no plenário, Lula terá encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres. A programação presidencial também prevê reuniões bilaterais durante a permanência em Nova York.

O tema oficial da 81ª Assembleia Geral é “Restaurando a confiança, administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos”. Para o Brasil, a reunião ocorre em um momento em que soberania, democracia e não interferência externa deixaram de ser apenas princípios abstratos da diplomacia e passaram a ocupar o centro do debate político nacional.

*Via Redação do Brasil247

Instituto de Mendonça recebeu R$ 5,2 milhões de ex-sócio de Vorcaro

 

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

O Instituto Iter, ligado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, holding controlada pelo empresário mineiro Lucas Kallas, ex-parceiro de negócios de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, segundo a coluna de Cézar Feitoza no UOL. O repasse integrou um contrato de mútuo conversível firmado em abril de 2024, modalidade que permite à credora transformar o valor em participação societária ou cobrar a devolução do dinheiro.

O contrato previa R$ 5,9 milhões em repasses, mas o Iter interrompeu a operação e iniciou a devolução dos recursos em janeiro de 2026. No mês seguinte, Mendonça se tornou relator das investigações sobre o Banco Master após sorteio no STF. O instituto afirmou que decidiu antecipar o vencimento da dívida porque já tinha sustentabilidade financeira.

Em nota, o Iter informou que fixou a taxa Selic para a devolução e já pagou cerca de 5,3% do total devido. A entidade disse que depositou todos os recursos em sua conta de pessoa jurídica e os aplicou exclusivamente na estruturação e nas atividades institucionais.

A negociação envolveu o presidente do Iter e ex-ministro da Educação Victor Godoy Veiga, além de Carlos Adel de Freitas e Eduardo Soares de Couto, representantes da Cedro. O instituto declarou que Mendonça e Kallas não discutiram os termos da operação. O ministro deixou a entidade no início de setembro, e o Iter afirmou que ele atuava apenas como docente no âmbito acadêmico, sem receber dividendos ou participação nos resultados.

Relações empresariais de Lucas Kallas com negócios ligados a Vorcaro


Kallas foi sócio em empresas que também tiveram investimentos de grupos de Vorcaro. A Cedro detinha 8% da companhia de biotecnologia Biomm no fim de 2023; em fevereiro de 2024, a gestora WNT, ligada ao banqueiro e Nelson Tanure, comprou ações da empresa. Kallas também investiu na Latache Capital e adquiriu 33% da gestora em 2025.

A Cedro alegou que Vorcaro não manteve qualquer vínculo societário ou empresarial com seus negócios ou controladas. A holding declarou que investimentos de fundos e instituições financeiras em companhias abertas não configuram sociedade comercial e afirmou que deixou a Biomm e a Latache em abril de 2026 para concentrar investimentos na mineração.

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que ele e Kallas viajaram a Caracas, na Venezuela, no fim de novembro de 2023, para discutir negócios no setor petroleiro.

Kallas não é investigado na Operação Compliance Zero, que apura fraudes bancárias envolvendo Vorcaro e o Banco Master, e a Cedro não figura nos inquéritos do caso.

A Polícia Federal indiciou Kallas em junho por suspeitas de irregularidades na exploração da Mina Granja Corumi, na Serra do Curral, em Belo Horizonte. A defesa afirmou que os fatos já haviam sido investigados e arquivados pela Justiça e declarou que o empresário deixou definitivamente o negócio investigado em 2017.

Mendonça também confirmou um encontro com Vorcaro no Iter, em março de 2025, e disse que trataram de créditos de precatórios; no julgamento do tema, o STF decidiu por unanimidade contra a posição defendida pelo banqueiro.

*Fonte: DCM

16 setembro 2026

OPINIÃO: Parcial no STF, Mendonça tem de ser afastado do TSE*

Articulista aponta atuação político-eleitoral de André Mendonça no caso Master e defende pedido de suspeição do ministro no TSE



Por Ricardo Amaral*

A sessão de terça-feira no STF serviu para expor a parcialidade político-eleitoral do ministro André Mendonça na condução do inquérito do caso Master, o que deve ser motivo para arguir sua suspeição como integrante e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Os fundamentos técnico-jurídicos da parcialidade foram colocados claramente na defesa do ministro Alexandre de Moraes e na questão de ordem do ministro Gilmar Mendes, mas o comando da campanha do presidente Lula ainda não tomou a decisão política de pedir a suspeição de Mendonça no TSE.

Gilmar Mendes apontou a “evidente condução político-eleitoral” de Mendonça, ao lembrar que o ministro bolsonarista conhecia desde maio, pelo menos, o conteúdo do arquivo que usou para acusar Moraes, mas deixou para fazê-lo às vésperas do 7 de setembro. Produziu assim, “um Pixuleco eleitoral” para os atos de Flávio Bolsonaro. A defesa de Moraes traz um encadeamento de fatos e manipulações ilegais para concluir que Mendonça vem atuando “a serviço de um grupo político que quer dar um golpe neste país”, ou seja: Bolsonaro pai e filhos.

Nestas semanas de crise no STF ficou evidente também o tratamento diferenciado nas decisões de Mendonça envolvendo políticos, tanto no inquérito Master quanto no do INSS. Enquanto os sigilos de Fábio Luiz Lula da Silva foram expostos por Mendonça ou via CPI do INSS, o inquérito sobre a corrupção de Flávio Bolsonaro por Daniel Vorcaro no caso Dark Horse só veio à tona na marra, assim como as mensagens no celular de Vorcaro para políticos e ministros bolsonaristas só apareceram por requisição do ministro Cristiano Zanin à Polícia Federal.

Mendonça ainda não examinou nenhuma questão relevante afetando a coligação do presidente Lula na corte eleitoral, mas é questão de tempo e de oportunidade que isso venha a acontecer. Como vice-presidente do TSE, ele é também um dos juízes da propaganda eleitoral. A desfaçatez (na expressão de Gilmar Mendes) com que vem atuando no STF para favorecer a família Bolsonaro (a mesma que usou quando foi ministro do ex-presidente golpista), recomenda fortemente o pedido de suspeição. Antes que seja tarde.

*Jornalista - via Brasil247

14 setembro 2026

SEM LEVANTAR SIGILO - Gilmar Mendes e Zanin pedem à PF acesso à íntegra do celular de Vorcaro; Mendonça é contra

PF informou ao STF que pode fornecer cópias completas dos dados aos ministros


Os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediram acesso à íntegra dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os magistrados defendem que todos os integrantes da Corte tenham acesso ao material antes do julgamento marcado para esta terça-feira (15), que analisará um relatório da Polícia Federal (PF) sobre mensagens atribuídas a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes.

O ministro André Mendonça, relator do caso, se posicionou contra o compartilhamento integral. Segundo ele, a disponibilização dos dados poderia “contribuir para tumultuar” o julgamento e colocar em risco o andamento das investigações. Mendonça sustenta que os elementos necessários para a sessão já estão disponíveis aos ministros.

A Polícia Federal, no entanto, informou ao presidente do STF, Edson Fachin, neste domingo (13), que mantém sob custódia o material original extraído do aparelho e tem condições técnicas de produzir e encaminhar cópias completas aos gabinetes que solicitarem acesso, desde que sejam preservadas as cautelas de sigilo.

A manifestação ocorreu após Fachin dar 24 horas para que a corporação esclarecesse a situação dos dados. Segundo a PF, o material original nunca deixou suas dependências e permanece preservado dentro da cadeia de custódia. A corporação informou ainda que a cópia encaminhada ao gabinete de Mendonça em março foi enviada a pedido do próprio gabinete e não corresponde ao material original.

Zanin determinou que uma cópia integral fosse entregue ao seu gabinete até as 23h de domingo. Ao justificar a medida, afirmou que não há “hierarquia entre os ministros do STF” e que cabe a cada integrante da Corte definir quais elementos considera necessários para formar sua convicção.

O ministro argumentou ainda que o acesso dos julgadores ao material não representa levantamento do sigilo, uma vez que os integrantes da Corte também estão submetidos ao dever de confidencialidade.

Gilmar Mendes apresentou pedido semelhante. O decano defendeu que os ministros tenham condições de examinar o conjunto dos dados que embasaram o relatório da PF, e não apenas recortes ou sínteses do conteúdo. Para ele, o acesso integral é necessário para avaliar eventuais omissões, contradições e o contexto das mensagens.

Julgamento nesta terça

A discussão ocorre às vésperas da sessão extraordinária convocada para esta terça-feira. O plenário do STF deverá analisar o relatório produzido pela Polícia Federal a partir de mensagens encontradas no celular de Vorcaro e decidir questões relacionadas à possibilidade de investigação de Moraes no caso Master.

A disputa em torno do material se intensificou nos últimos dias. Zanin, Gilmar e o próprio Moraes passaram a cobrar acesso à íntegra dos dados, enquanto Mendonça argumenta que a abertura indiscriminada do conteúdo pode comprometer apurações ainda em andamento.

Na semana passada, Fachin também determinou a ampliação da transparência sobre documentos relacionados ao caso Master, após manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de ministros da Corte contra a divulgação seletiva de peças das investigações.

*Fonte: Redação do BdF - Editado por: Geisa Marques e por este Blog

13 setembro 2026

OPINIÃO* - Direita brasileira em crise

A construção de uma alternativa requereria um aceno do Bolsonaro de que abandonaria o Flávio e apontaria outro nome, perspectiva sobre a qual não há, até agora, nenhum indício

Por Emir Sader*

Foi tudo muito rápido, entre as declarações eufóricas de Flávio Bolsonaro, apoiado em pesquisas que lhe eram favoráveis, já quase como futuro presidente do Brasil, e a situação atual.

A abertura de todos os arquivos ligados ao caso do Master trouxe novas denúncias, ainda mais graves, sobre as relações do Flávio com o Vorcaro e as informações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, com, entre outras, as denúncias evidentes do desvio de dinheiro para o irmão do Flávio nos Estados Unidos.

Até que se chegasse a um editorial do Estadão em que se afirma que Flávio não teria mais condições de ser candidato à presidência da república. Além de outras dissidências na direita, entre elas a declaração de Cury que, segundo pesquisas, teria 8%, de que não apoiará o Flávio em um eventual segundo turno. A própria incapacidade de Flávio para conseguir receber apoio de pelo menos um partido da direita ou da extrema direita já revelava o seu isolamento político.

Haveria margem para a mudança do candidato? Haveria poucos dias, só até o dia 16, para mudar o candidato. É pouco tempo para que o pai do Flávio mudasse sua preferência, sempre reafirmada, por esse seu filho. E, considerando que a direita aderiu ao bolsonarismo, está prisioneira dessa adesão e, em especial, às preferências do Bolsonaro, que até aqui não mostrou nenhum sinal de que poderia mudar de opinião.

Tarcísio, que poderia ter mais força como candidato, já foi descartado por Bolsonaro, que prefere alguém da família. A Michelle foi duramente atacada pelo Flávio, temendo que ela pudesse ser escolhida pelo pai como candidata alternativa. A reaparição dela mostrou que ela poderia ser uma candidata sem as acusações – até aqui, pelo menos – do Flávio e certa frescura como imagem, também pelo trabalho que ela fez entre as mulheres, onde o Lula tem sua mais alta preferência.

As alternativas da direita, nessas condições, não tem tu, vai tu mesmo: permanecer com o Flávio, apesar de tudo, mesmo considerando que o seu desgaste na opinião pública e nas pesquisas deve se refletir negativamente nas pesquisas.

Depois de pesquisas que davam resultados favoráveis a ele, surgiu uma pesquisa do Datafolha que retomava a liderança do Lula, brecando a euforia do Flávio e dos bolsonaristas.

A construção de uma alternativa requereria um aceno do Bolsonaro de que abandonaria o Flávio e apontaria outro nome, perspectiva sobre a qual não há, até agora, nenhum indício.

Uma mudança de candidato, que tem esse obstáculo no lado do bolsonarismo, tem também a dificuldade de que vários dos pequenos candidatos se assanhariam com a perspectiva de que herdassem votos do Flávio, em queda. Mesmo o Cury, que aparece com mais votos nas pesquisas, com declarações desastrosas, em especial sobre as mulheres, teria muitas dificuldades para reunificar a direita.

Com esse novo cenário, em que as hostes do Lula reconquistam a confiança, a direita brasileira está em uma sinuca de bico. Com prazo curto para tomar decisão e sem um comando – que só poderia ser do Bolsonaro, que até aqui não demonstra mudar de opinião – é provável que o cenário atual se consolide, com a reiteração das últimas denúncias, muito pesadas para o Flávio.

A mais provável perspectiva, então, é a consolidação da liderança do Lula nas pesquisas e o desgaste da candidatura do Flávio, a poucas semanas do primeiro turno.

*Colunista do 247 (fonte desta postagem), Emir Sader (foto acima) é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

11 setembro 2026

Lula deu show no SBT: largou a mão de Moraes, defendeu a PF, cutucou Mendonça e anunciou mudanças nas bets

 

Lula deu show no SBT: largou a mão de Moraes, defendeu a PF, cutucou Mendonça e anunciou mudanças nas bets

Por Marcelo Hailer*

Show do Lula no SBT. O presidente deu uma entrevista que talvez seja uma das melhores dos últimos tempos: tranquilo, suave, assertivo, firme.

E o mais importante é que ele conseguiu fazer movimentos políticos muito claros sem precisar elevar o tom.

Logo no início, Basília Rodrigues e Marina Demori perguntaram sobre o caso Dark Horse e sobre Alexandre de Moraes. Lula foi direto: Fachin agiu corretamente, tudo precisa ser apurado, divulgado e quem tiver que ser punido deve ser punido.

Eu tinha dito antes, no Twitter, que hoje Lula começaria a soltar a mão de Alexandre de Moraes. E vejam: não é uma traição. Lula fez isso com o próprio filho. Ele não vai se comprometer totalmente com alguém se não tem todas as informações do caso.

Ele repetiu, aliás, a mesma frase que usava em relação a si no processo conduzido por Sergio Moro, nos tempos da Lava Jato: “Só uma pessoa sabe o que fez, a própria pessoa”. E completou: “Alguém que errou tem que pagar”.

Lula também repetiu a defesa da abertura dos sigilos. Quando Basília perguntou se isso valeria inclusive para o caso do INSS, a resposta foi sim.

E, se houver ministro do Supremo envolvido, ele também deve responder.

Essa é uma mudança importante de posição política. Lula deixou claro que não aceita que a Suprema Corte se transforme em uma “balbúrdia”. E atribuiu a Fachin, como presidente do STF, a responsabilidade de colocar ordem na casa.

Cobrado sobre o encontro com Daniel Vorcaro, Lula não se esquivou. Lembrou que também recebeu Silvio Santos, lá atrás, quando o banco do dono do SBT quebrou. Ele estava ao vivo no SBT, diga-se…rs.

E contou a conversa: Vorcaro chegou dizendo que estava sendo perseguido por outro banqueiro, com gente jogando por ele no Banco Central e no Planalto. A resposta de Lula: “Isso não vai acontecer no meu governo, mas vai se investigar tudo. Se o seu banco estiver tranquilo, fique tranquilo. Se tiver algum problema, a gente vai fechar o seu banco”.

Mas talvez o recado político mais forte da entrevista tenha sido para André Mendonça.

Lula defendeu Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e o chamou de “companheiro”. Disse que ele realiza um trabalho extraordinário e que a PF nunca trabalhou tanto quanto agora – e que talvez por isso esteja incomodando.

Lula defendeu ainda a reforma do Judiciário. E, por fim anunciou de alguma maneira que haverá um anúncio sobre as bets nos próximos dias: provavelmente uma regulamentação, ou até o fim das bets.

No conjunto, o que vi foi um presidente muito seguro do papel que precisa desempenhar neste momento. E que não tem pinta de que vai perder sua reeleição. Aliás, se disse um homem de sorte. E pediu votos no sortudo, contra os azarados.

*Via Revista Fórum

10 setembro 2026

O burguês, a elite, o intelectual e Lula

Uma reflexão sobre poder, desigualdade e emancipação na trajetória política do presidente

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Por Luiz Marques (*)

“Signos, sonhos, sombras, imagens, quantas mensagens nos trazem”, trecho do poema “Sigilo de fonte”, de Paulo Leminski.


Originalmente, por “burguês” se entende o habitante do burgo, o sítio fortificado do medievo. Em nota à edição inglesa do “Manifesto de 1848″, de Karl Marx e Friedrich Engels, posteriormente, o conceito ganha contorno científico para representar “a classe dos capitalistas modernos, proprietários dos meios da produção social e empregadores do trabalho assalariado”. Não obstante, na linguagem coloquial, incorpora a conotação jocosa e corrosiva da aristocracia – “rico metido à besta”.

Refere-se aos esnobes que mensuram o bom gosto pelo preço das mercadorias, restaurante gourmet, clube de golfe, lancha importada e viagens internacionais. O GPS identifica o perímetro e a posição na hierarquia da sociedade. Indiretamente, o status quo sinaliza o topo da pirâmide social, dividida em partes: “alta, média e baixa”. Troca as diferenças de natureza estrutural pelos degraus na escada vertical do sucesso. Cai no esquecimento o conflito entre a burguesia e o proletariado.

As classes dirigentes suprem uma “revolução dos gerentes”: os responsáveis pela estratégia e pelos rumos das corporações. A formação de sociedades anônimas, com os acionistas em assentos na mesa de direção de holdings, celebra o chief executive officer (CEO)/diretor executivo; contudo, é refratário ao crachá de burguês. 

O exportador rural de commodities, idem, rejeita o figurino do personagem urbano que se estende do fabricante até a distribuição dos produtos no varejo. Já o emoji do comerciante, que se jacta de atacadões espalhados por cidades, aumenta o preconceito de quem vive só de renda (rentista) contra o alpinismo da burguesia (Lula, investido na função de sindicalista, manifesta respeito pelos proprietários das empresas no ABC paulista. Negocia e recua, levanta as reivindicações e daí avança pari passu com os peões. Garante os direitos nas refregas dos dissídios e dignidade àqueles que dependem, exclusivamente, do trabalho. Não despreza adversários).

2.

“Elite”, na acepção de grupo especial, é um derivativo de “eleito” cujo significado teológico vem a ser “escolhido por Deus”. O significado político aponta para uma escolha do “melhor”. Em ambas as hipóteses, expõe a discriminação dos não escolhidos e as injustiças nascidas das desigualdades sociais, escancarando as chagas de um progresso restrito aos pequenos e seletos núcleos de privilegiados. 

Os vocábulos elitismo e elitista têm viés na soberba. A sugestão alternativa para amenizar o cacoete antidemocrático dos membros da elite é “liderança”. Mas não apaga o essencial, isto é, o fato de existir uma forte linha de separação entre os governantes e os governados. A marca subsiste por detrás da palavra de veludo, o que é inconveniente para o sistema pelo descrédito à ideia de mobilidade social.

Estudado por Robert Michels, na obra “Sociologia dos partidos políticos”, de 1915, o divórcio entre os líderes de uma comunidade política e suas bases obedece a uma “lei férrea da oligarquia”. Ao se debruçar sobre a estruturação interna da social-democracia alemã, o autor percebe a constituição do destacamento de notáveis e suas supostas luzes para compensar uma atávica “incompetência das massas”. 

Se pesquisasse os ciclos de sovietes na Rússia em conjunturas revolucionárias (1905, 1917); ou o Orçamento Participativo (OP) de Porto Alegre no período não revolucionário de fins do século XX, em um contexto de conquistas na América Latina, o sociólogo germânico nuançaria a tese peremptória. Condições políticas, econômicas e técnicas influem na formatação do Zeitgeist/espírito do tempo (Lula forma-se no bojo de mobilizações dos trabalhadores. John D. French, em “Lula e a política da astúcia”, vincula organicamente a biografia do metalúrgico lutador às transformações sociais e políticas ocorridas em São Paulo. É o que, além da dona Lindu, traça o caminho de sua improvável e vitoriosa ascensão).

3.

O “intelectual” integra um segmento particular de “trabalhadores não manuais” (cadres/quadros), os quais se distinguem pela educação livresca para aplicar na análise dos fenômenos históricos seus conhecimentos e valores. Abrange artistas e autodidatas com inserção na cultura e no debate público. Têm independência e ética ao questionar a precarização do labor, o neocolonialismo, as finanças, as inovações tecnológicas, a escala 6 por 1. Não suportam a hipocrisia dos patrões. 

A intelligentsia é uma força auxiliar das classes oprimidas e exploradas. “Não há prática revolucionária sem teoria revolucionária”, diz um famoso bolchevique. A intelecto-militância progressista incide na práxis contra a ascensão da extrema direita no mundo e o genocídio israelense na Faixa de Gaza; em paralelo, defende a democracia representativa/participativa e um enfrentamento à crise climática. 

Os intelectuais de vanguarda desfraldam as “visões de mundo” modernas, com as bandeiras da liberdade, da igualdade e da fraternidade – pessoal e institucional. Compartilham o desejo de emancipação para romper os grilhões que acorrentam a humanidade no capitalismo neoliberal. Assim, constrói-se a ideologia socialista que recupera a chama épica da cruzada dos escravizados, com Spartacus, para derrotar o Império Romano. A memória do acontecimento nutre a utopia hoje, a exemplo das ruínas de etnias originárias sobreviventes do “processo civilizatório”.  

Modernamente o problema se agrava com o monopólio da mídia corporativa, a anfitriã dos regimes de exceção. As entrevistas dos presidenciáveis na Rede Globo dão provas. Na TV aberta fala grosso sobre ilações com um fiador da democracia, mas esbarra no estadista. Com o golpista fala manso, receptiva às vis mentiras. Na GloboNews, critica seus atores pela má performance como se não atuassem sempre com um papel no teatro. “Me engana que eu gosto”, sussurra o ditado.

(Luiz Inácio Lula da Silva é um dos libertadores, em nosso tempo: fundador do Partido dos Trabalhadores, da Central Única dos Trabalhadores e atual presidente do Brasil. Luta pela soberania nacional e pelo empoderamento do povo. Trata-se de uma voz que ressoa na defrontação ao imperialismo estadunidense).

*Fonte: Sul21