10 dezembro 2016

Assim a Odebrecht destituiu o Governo Golpista! (PHA*)


Delação de Claudio Leite Filho nem o Moro conseguirá ignorar. Nem o Moro!
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Conversa Afiada cumpre o doloroso dever de divulgar o trecho da delação do Vice-Presidente de Suborno da Odebrecht, que encerra a breve carreira de um Presidente Traíra, e Breve.
Com ele, dirigem-se à cadeia o Eliseu, que o ACM chamava de "Quadrilha", o gatinho angorá, o essa porra Jucá e aquela turma que invadiu o Palácio de Governo.
Conversa Afiada teve acesso a esse documento histórico graças a desinteressado vazamento do destemido Rogério Correia, do PT, líder do anti-aecismo na Assembléia Legislativa de Minas:

 

ARY VANAZZI (PT) SERÁ NOVAMENTE PREFEITO DE SÃO LEOPOLDO/RS


Ary Vanazzi, prefeito eleito de São Leopoldo/RS


NOTA AO POVO DE SÃO LEOPOLDO

1. No final da tarde de hoje 09/12/2016, sexta feira, recebemos a grata notícia que a Ministra Rosa Weber, em decisão monocrática, deferiu nosso recurso junto ao TSE e, portanto, referendou o registro da candidatura do companheiro Vanazzi a prefeito de São Leopoldo. 

2. Na prática, tal decisão confirma o resultado das urnas na nossa cidade que, por maioria, escolheu Vanazzi e Paulete como prefeito e vice-prefeita de São Leopoldo.

3. A vontade do povo de São Leopoldo prevaleceu. (...)

CLIQUE AQUI para continuar lendo (via 'O Boqueirão Online')

Nota dos advogados do ex-Presidente Lula sobre denúncia da operação Zelotes




A denúncia ofertada hoje (09/12/2016) pelo Ministério Público Federal contra o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu filho Luis Claudio Lula da Silva, dentre outras pessoas, baseia-se em procedimentos que tramitavam de forma oculta e sem acesso à Defesa. 
 
Nem mesmo após a divulgação da denúncia, por meio de nota, foi permitido que a Defesa tivesse acesso ao teor da acusação. Essa recorrente forma de atuação do Ministério Público Federal, de transformar a denúncia em um espetáculo midiático em detrimento da defesa, abala a cada dia o já sucumbindo Estado Democrático de Direito no País, além de impedir, neste momento, o enfrentamento dos fundamentos utilizados pelos Procuradores da República que subscrevem o documento. (...)


CLIQUE AQUI para ler na íntegra.

*Via http://www.lula.com.br/ 

09 dezembro 2016

Coluna C&A (via 'O Boqueirão Online')




Crítica & Autocrítica  - nº 112

“Os Golpistas sabem que não valem nada - Lava Jato só se sustenta com o uso da força” -  O artigo do professor Wanderley Guilherme dos Santos, no Blog Conversa Afiada, editado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim (PHA) sintetiza, de forma muito contundente – mas apropriada -, a situação caótica vivenciada por nossa frágil democracia (hoje, como visto está, praticamente nos seus estertores): 

“Toda a equipe da Lava Jato está comprometida com atos e declarações que a tornam incapacitada para concluir com isenção e sucesso a investigação.

A tendência, dada a total ilegalidade do sistema institucional brasileiro desde o impedimento de Dilma Rousseff, indica a multiplicação de arbitrariedades e conflito entre os participantes do golpe, na medida em que cada um sabe que os demais perderam legitimidade desde o assalto que promoveram juntos.
Cada um se comporta como melhor lhe aprouver e os demais justificam a aberração com novos estupros constitucionais.
Nenhuma instituição dos três poderes vale coisa alguma, hoje, e se sustenta pela ameaça (implícita) do uso da força.”
***
*Diálogo Nacional Itinerante (I) – Na noite de 25/11 foi realizada (conforme tínhamos aqui nesta coluna anunciado, cartaz acima)  a Plenária convocada pelo Diálogo e Ação Petista – o DAP (articulação supra tendencial do PT nacional), em Porto Alegre, na sede do PT Municipal. Dentre outros pontos, foi analisada a atual conjuntura a nível de país, o enfrentamento ao governo golpista, bem como a necessidade de aprofundar a discussão sobre a 'Reconstrução do PT' (na linha de"Agir como o PT Agia") e as tarefas pertinentes à preparação ao III Congresso do partido que ocorrerá no próximo mês de março. (Leia mais sobre as propostas do DAP  Clicando Aqui).  (...)
-Continue lendo a coluna clicando AQUI

Mil Carmens Lúcia não dão uma Dilma Rousseff

carmen e dilma
Por Luís Carlos Bolzan, especial para o Viomundo*
Em menos de 48 horas o Judiciário brasileiro desce ao seu mais profundo degrau na história do país.
Em foto de rara de felicidade, imagem eterniza momento de cumplicidade entre juiz Sérgio Moro e senador Aécio Neves (PSDB/MG).
Aos sorrisos e muito à vontade, cena simboliza a mais constrangedora demonstração de promiscuidade entre juiz e político delatado inúmeras vezes, sendo o juiz responsável por processo que apura delações contra vários políticos, entre eles o próprio senador Aécio Neves. A pretensão de isenção sucumbe diante da imagem explícita de afinidade entre ambos.
Não bastasse isso, nessa quarta-feira (07/12), outro fato inusitado e escandaloso atinge a República.
Após liminar do ministro do Marco Aurélio Mello pelo afastamento de Renan Calheiros (PMDB/AL) da presidência do Senado,  a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Carmen Lúcia, pauta para apenas 48 horas depois o julgamento pelo plenário da decisão monocrática do seu colega.
Em decisão divergente de julgamento anterior de mesma matéria, ainda não findado pelo pedido de vistas de Dias Tóffoli, três ministros mudam seus votos e decidem com outros três (6 x 3) que Renan pode ser mantido na presidência do Senado, mas fica fora da linha sucessória da presidência da República.
A decisão deixa dúvidas em vários aspectos:
Por que réu pode assumir presidência de um Poder da República e não de outro?
Senado é menos importante?
É ninho de corruptos e por isso não sofrer com presidência sem prestígio?
Senado é galinheiro ou pocilga desprezível?
Como ficará outra votação sob pedido de vistas que ainda não se encerrou?
Ministros que mudaram seus votos já divulgados mudarão seus votos? Ou manterão “um voto lá e outro cá”, completamente divergentes?
Fato espantoso é que toda mídia nacional alardeava resultado desde a manhã da quarta-feira, portanto antes de começar sessão e mais de 8 horas antes do término da votação, demonstrando que todos já sabiam como votariam ministros do Supremo.
A sequência fica ainda mais sinistra e deprimente pela divulgação por meio da imprensa de medida adotada pelo Senado durante sessão do STF, retirando urgência de projeto de lei do senador Renan Calheiros, que trata de punições a agentes públicos, inclusive, juízes, promotores e policiais, quando cometem crimes por abuso de autoridade.
Acordo entre STF e Senado para livrar Renan ou infeliz coincidência dos tempos políticos e judiciais?
Sim, Papai Noel está chegando e parece que nos altos escalões do poderes da República ele veio mais cedo.
Seria este realmente o motivo?
Há quem diga maldosamente que as capas pretas não seriam togas, mas mantos de verdugos prontos a assassinar a democracia em troca de aposentadoria integral sem ter que trabalhar 50 anos, bastando para isso a certeza de cometer abusos crimes para gozar da regalia que demais trabalhadores assalariados do país não têm.
A sincronia do tempo jurídico e da necessidade política se faz presente também nas súplicas governamentais divulgadas à exaustão pela mídia amiga, desde um dia antes, dada a pauta do Senado marcada para dia 13 de dezembro, sobre PEC 55, também conhecida como PEC da morte.
Calafrios percorreram Palácio do Planalto e redações da grande mídia ao se darem conta de que, com afastamento de Renan, quem assumiria seria um senador do PT, Jorge Viana (AC).
Ou seja, poderia colocar em risco a certeza da vitória de seu saco de bondades para rentistas detentores de títulos da dívida pública.
Com a decisão do STF tudo seguirá como planejado pelo golpismo.
O governo poderá entregar ao “mercado” de especuladores seu primeiro trunfo: a morte do SUS, da educação e de outras políticas públicas para deleite de donos do capital vadio viciado em dinheiro público.
Vício que hoje já consome cerca de R$500 bilhões por ano do orçamento público, aproximadamente 5 vezes mais que orçamento do SUS federal.
Mas o corte tem que ser em políticas públicas essenciais para população e preservação da despesa inútil de juros?
STF demonstrou concordar com caminho dada a precisa sincronia de sua decisão e necessidade do governo.
E pensar que muitos criticaram Lula quando este se referiu ao Supremo como acovardado? Talvez não fosse covardia, mas simples vilania?
Carmen Lúcia exigiu respeito aos juízes depois que Renan se referiu a um juiz de primeira instância como “juizeco”. Parece que a ministra não se deu conta que respeito se conquista, e o STF definitivamente jogou o pouco respeito que ainda tinha junto ao povo brasileiro pela janela.
Também foi a Ministra Carmen Lúcia que protagonizou frase festejada por setores da sociedade Brasileia em 2015. Disse ela:
Na história recente de nossa pátria, houve um momento em que a maioria de nós brasileiros, acreditou no mote segundo o qual uma esperança tinha vencido o medo. Depois, nos deparamos com ação penal 470 e descobrimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança. Agora parece que se constatar que o escárnio venceu o cinismo.
Uma frase não poderia ser mais precisa para o momento atual. Sim, ministra, o escárnio venceu o cinismo nestas últimas horas, “como nunca antes na história desse país”.
Apesar das frases de efeito, a ministra Carmen Lúcia mostrou seu real e diminuto tamanho, assim como do STF que preside. Não basta fraseologia. A república precisa de atitude. Não se curvar diante do poder da corrupção nem de interesses espúrios.
Dilma Rousseff não se curvou. Enfrentou e não cedeu. Foi golpeada.
Carmen Lúcia com sua fraseologia vergou e sucumbiu e ficou. Pagar o preço da permanência é o sinal da morte moral.
Mil Carmens Lúcia não dão uma Dilma Rousseff.
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PS do Viomundo: A presidenta Dilma Rousseff foi eleita uma das 10 mulheres de 2016 pelo pelo jornal Financial Times, por sua capacidade de resiliência em meio ao processo de impeachment.

Numa longa entrevista conduzida pelo jornalista Joe Leahy, chefe da sucurasal brasileira do FT, Dilma fala sobre o golpe que a tirou da Presidência, sobre crise econômica, seu passado militante e seus passeios matinais de bicicleta.
Dilma afirma: “Por que não poderia ceder à tentação de amarrar-me a uma das colunas do Palácio? Porque nesta fase, a melhor arma é a crítica, a conversa, o diálogo, o debate.”
Dilma aparece ao lado de figuras como Hillary Clinton, primeira mulher candidata à presidência dos EUA, e a cantora e ativista Beyonce.
Simone Biles, ginasta norte-americana
Jean Liu, presidente da Didi Chuxing, maior empresa de transportes da Cinha
Dilma Rousseff, ex-presidente do Brasil
Mary Berry, apresentadora da BBC
Maria Grazia Chiuri, primeira mulher a dirigir a Dior
Njideka Akunyili Crosby, artista plastica nigeriana
Margrethe Vestager, líder do partido Social-liberal da Dinamarca
Phoebe Waller-Bridge & Vicky Jones, autoras da série Fleabag
Hillary Clinton – primeira mulher candidata à Presidência dos EUA
Beyonce – cantora, ativista e ícone
*Viomundo - Fonte desta postagem

08 dezembro 2016

A República inaugurada em 1988 está de joelhos


Carmen Lucia e Celso de Mello: Renan foi mantido de forma
 pouco ortodoxa

O caso Renan Calheiros escancara o protagonismo do Judiciário, que não encontra freios na esfera da legalidade

Por Roberto Amaral*
A crise institucional está instalada, e o País à beira do caos. Crise alimentada por um STF irresponsável, um Congresso sem representatividade e impopular, e a presidência da República chefiada por um presidente ilegítimo, frágil e tíbio. Todas as condições estão dadas para o impasse em que afinal nos metemos.
A economia se deteriora a olhos vistos. A recessão transmuda-se em depressão e não há perspectiva de restauração no curto prazo. A promessa de recuperação econômica realizou-se como fraude: informa o IBGE que o PIB encolheu 2,9% no terceiro trimestre, dando continuidade a uma sequência de dez meses de queda.
Pela sétima vez são reduzidas as projeções do PIB. Devemos chegar ao final do ano com uma retração de 3,43%. Nenhum setor da economia está respondendo aos paliativos governamentais. Os investimentos privados, cuja atração era o passaporte para todas as maldades, caíram 29%. O BNDES reduziu seu desembolso em 35%.
Com exceção do agronegócio, o quadro geral é de redução da atividade econômica em todas as áreas e setores, com destaque para a o setor industrial, o que mais sofre na depressão. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, o desemprego em dezembro é de 12% e tende a continuar em alta. A burguesia industrial dá sinais de inquietação, pois já vê no final do túnel um Brasil próximo da tragédia grega, afundado na depressão, a outra face de nossa inépcia e da opção neoliberal pela inserção subordinada na globalização.
A federação se esfacela com a falência generalizada de Estados e municípios. Minas Gerais e Rio Grande do Sul já declararam ‘calamidade financeira’; no Rio de Janeiro a crise, aguda, é financeira, administrativa e moral e caminha para a convulsão social, fomentado pela falência da administração pública, mas alimentada igualmente por uma repressão policial que lembra os piores momentos da ditadura militar.
Para 2017, a indústria paulista prevê uma nova leva de 150 mil desempregados. O desemprego cresce em nível assustador em todo o país e a resposta do governo é aumentar o arrocho: reforma da Previdência, penalizando o trabalhador, ‘flexibilização’ da CLT, terceirização, redução dos investimentos por 20 anos. É o fracasso rotundo do reajuste.
O plano político, reflexo, é igualmente desolador: a crise dos Poderes e das instituições se faz acompanhar pela crise dos partidos e da representação. Em seis meses uma presidente da República, eleita, é substituída, pelo Congresso, por um presidente sem voto, seis ministros de Estado são demitidos por corrupção (e na raia mais dois esperam sua vez, um deles já com seus bens bloqueados pela Justiça), o presidente da Câmara é afastado pelo STF que também afastou de suas funções, em decisão pelo menos polêmica, o presidente do Senado Federal, para logo restituí-lo de modo também pouco ortodoxo, separando o cargo de presidente do Senado da pessoa do sr. Calheiros, para fim de avaliação dos critérios de moralidade e probidade administrativa. Quando o círculo se fechará?
A preeminência do Judiciário, em sua fase de protagonismo populista, não encontra freios na esfera da legalidade, pois não há mais poderes que lhe possam fazer face. Corre solto como potro selvagem no campo limpo, sem rédeas, sem limites, num trote de ziguezagues. O STF, outrora guardião da Constituição, é o primeiro a ofendê-la.
Outrora guardião da ordem, é o primeiro a instaurar a insegurança jurídica, com seguidas decisões temerárias, de discutível fundamento constitucional, e seus membros se dão ao luxo de, entre uma vilegiatura e outra, uma viagem e outra, um passeio e outro, um convescote e outro, uma palestra aqui outra acolá, um chopp no shopping da moda, palestras nas entidades patronais, tudo fora de Brasília, se digladiarem, em plenário e na troca de farpas em entrevistas à imprensa que os incensa e os inebria.
A política, o espaço legítimo e próprio para a construção dos consensos, foi judicializada, depois de desmoralizada como instrumento de realização do bem comum. A direita grita morte à política, anatematizada como responsável pela crise, estrutural, cevada por séculos de exploração de um capitalismo predador, pelo reinado de uma classe dominante alheia aos interesses de seu país e de sua gente.   
Esse quadro de acefalia, disfunção administrativa e conflito entre os poderes, assentado sobre uma crise econômica das mais graves, é inédito em toda a história recente e indica o esgotamento da República inaugurada pela espezinhada (até pelo STF!) Constituição de 1988.
O regime está de joelhos. Não se trata mais de intentar a salvação do doente terminal, mas de estabelecer sua sucessão mediante uma repactuação, difícil, dificílima mas ingente e urgente em país dividido politicamente, no qual as forças em antagonismo são levadas ao paroxismo.
As lideranças políticas nacionais sobreviventes, de todos os matizes, precisam agir enquanto há o que fazer. São chamadas a negociar e construir, para além das divergências de hoje – se pretendem salvar-se salvando a via política – um programa de transição, desta para uma nova república, sem ruptura democrática. É o que o país pede, a crise exige, porque os riscos institucionais são a realidade cotidiana de nossos dias.  
Toda e qualquer alternativa, de curto a médio prazos, porém, passa pela eleição direta antecipada do presidente da República. Só ela emprestará legitimidade, e só um líder ungido pela vontade da soberania popular poderá reconciliar o país e conduzi-lo na longa travessia que se avizinha, sem indicar ainda porto seguro.
Se a eleição direta é conditio sine qua non para a saída institucional, a questão que a realidade põe de manifesto é como chegar a ela preservando a ordem constitucional desafiada pelo Judiciário judicante, pelo Executivo inepto, pelo Legislativo desapartado da sociedade. Como realizar eleições realmente livres e limpas sem um reforma eleitoral profunda, sem a democratização dos meios de comunicação de massas, e como realizar tudo isso com esse Congresso, esse que temos? 
Para tanto é fundamental abrir o diálogo entre contrários, retirar da pauta propostas econômicas e sociais não legitimadas pelo voto popular, para que possa ser construído um ambiente próprio ao entendimento.
Uma vez mais, para o nosso campo a alternativa está nas ruas. Na mobilização popular. Foi a mobilização popular que impôs à ditadura a Anistia, foi a mobilização popular que implodiu o Colégio Eleitoral que a ditadura criara para eleger seu delfim em 1984. Foi o povo nas ruas que assegurou a convocação da Constituinte. Mas, antes, é preciso ganhar as ruas, pois hoje a direita também nelas se manifesta, clamando por retrocessos inimagináveis há pouco tempo.
A tarefa fundamental que hoje se coloca para as forças progressistas é assegurar, até como instrumento para solução da crise, a continuidade da ordem democrática.
...
*Cientista político, ex-ministro da Ciência e Tecnologia e ex-presidente do PSB. Autor de Socialismo, morte e ressurreição (ed. Vozes).

Um golpe que cai



Carta Maior* - Por que o golpe se despedaça na sarjeta como um bêbado trôpego, sem que ninguém consiga recolocá-lo de pé e apesar da extrema boa vontade da mídia e do mercado com esse frango desossado que se amarrota sob o próprio peso? 
Falta ao bêbado golpista algo que não se improvisa quando um ciclo de crescimento de uma nação se esgota e outro pede para ser construído: um projeto pactuado de futuro no qual a maioria da sociedade se enxergue e com o qual se identifique. 
O oposto ocorre no Brasil agora --na verdade já ocorria desde 2012 quando se esgotou o fôlego contracíclico do Estado brasileiro e a desordem neoliberal no mundo não deu sinais de arrefecimento.

Se o PT demorou a perceber o esgotamento de uma era do capitalismo desregulado, e que os bons tempos de comercio mundial crescendo o dobro do PIB não voltariam mais, o golpe foi além. 
Continuou a apostar  na autossuficiente restauração de um neoliberalismo tardio, enquanto seus fundamentos estrebuchavam no plano mundial, em altos decibéis a partir da vitória de Donald Trump nos EUA. 
A aliança da mídia com a escória, o dinheiro e o judiciário tucanizado foi urdida para derrubar o PT . 
O grande consenso dos derrotados em 2002, 2006, 2010 e 2014 teve notável eficácia nesse impulso. (...)

CLIQUE AQUI* para continuar lendo o artigo le Saul Leblon na Carta Maior.

07 dezembro 2016

A indecência de Moro e Aécio na festa da IstoÉ

Indecente
Indecente

Uma sociedade, para funcionar, deve ser regida pelo conceito de “common decency”, decência geral.
Foi o que escreveu o britânico George Orwell, o grande intelectual britânico autor de clássicos como 1984 e a Revolução dos Bichos.
As fotos da festa da IstoÉ que tomaram de assalto as redes sociais nas últimas horas são, simplesmente, indecentes. Revelam almas visceralmente corrompidas.
Era uma festa de entrega de prêmios. Desde o início a comédia se anunciou. Temer recebeu o prêmio de Brasileiro do Ano.
A gozação na internet começou aí. Temer o Homem do Ano? Vistas as coisas, é algo que até sua mulher Marcela teria deficuldade em concordar.
Temer é, na realidade, o Fracasso do Ano. Ou a Pinguela do Ano, para usar a expressão de FHC.
Mas o pior viria com a divulgação das fotos da festa. Uma particularmente chocou os internautas. Nela, Moro e Aécio aparecem num pequeno grupo num momento de intimidade típico dos chamados amigos do peito.
Conversam animadamente. Abaixo deles, sozinho e ignorado, está Temer em seu melhor papel: o de personagem decorativo.
A foto viralizou instantaneamente.
Como assim? O chefe da Lava Jato entretido fraternalmente com um homem que é citado em múltiplas delações?
A Lava Jato já tem uma imagem de partidarismo e falta de isenção. Isso lhe minou a credibilidade. Foram uns fiascos as manifestações pró-Moro no último final de semana no país. Moro é uma moeda em baixa.
A foto em si é o que se poderia definir como incriminadora. Um juiz pode fazer muitas coisas, mas não se deixar fotografar numa situação tão comprometedora.
A barreira da decência foi espetacularmente rompida. Não foi sequer descuido. É como se o grupo que destruiu a democracia, e atirou o país numa crise pavorosa, estivesse mostrando que não dá a menor importância para o que pensam dele.
Num mundo menos imperfeito, Moro seria afastado de suas funções por conduta indecorosa, incompatível com aquilo que se espera de um juiz.
Mas o mundo é o que é: restaram ao menos as redes sociais para expor a realidade bizarra, ridícula, absurda — indecente — que estamos vivendo neste 2016.
-Por Paulo Nogueira, Editor do Diário do Centro do Mundo (fonte desta postagem)

05 dezembro 2016

Xadrez do desmonte da democracia


Por Luis Nassif, no GGN*

Peça 1 – os referenciais para analisar a crise

Os referenciais em torno dos quais montaremos nossos cenários:
1.O maior agente político continua sendo a massa dos bestificados que saem às ruas impulsionados pelo ódio e pela intolerância exarados pela mídia e pela Lava Jato.
2.Quase todas palavras de ordem pré-impeachment se esvaziaram. Agora, o alvo da mobilização é o Congresso, com todos seus defeitos, o último setor de manifestação do voto popular. E a turba sendo engrossada por procuradores e juízes, em uma nítida perda de rumo das instituições.
3.Agora, se tem um Judiciário brigando com o Legislativo, procuradores de Força-Tarefa assumindo a liderança da classe, se sobrepondo ao Procurador Geral, em um quadro de indisciplina generalizada e crescente.
4.Esse clímax se dará com a revelação das delações da Odebrecht, tornando mais aguda a crise, a desmoralização da política e a busca de saídas milagrosas.
5.Se terá então a crise econômica se ampliando, o vácuo político se acentuando, e massas raivosas atrás de qualquer solução, por mais ilusória que seja, como esse cavalo de batalha contra a Lei Anti-abusos.
Vamos montar, por partes, esse mapa do inferno.

Peça 2 – o fim de Temer, o breve

A economia se moverá seguindo o roteiro abaixo:
1.O governo Michel Temer acabou. Trata-se de um político menor e pior do que as piores avaliações sobre ele.
2.A era Henrique Meirelles também acabou.
3.O país está à beira de uma depressão, com convulsão social e com um governo sem diagnóstico e sem condição de comandar a recuperação.  Mas o mercado insistirá em uma última tentativa, seguindo o jogo das expectativas sucessivas, conforme você poderá conferir no artigo “Como o marketing reduziu a economia a um produto de boutique”( https://is.gd/WXBqJW).
Henrique Meirelles e sua tropa deixarão de ser a equipe brilhante que salvaria a economia. Daqui para a frente, serão colocados no limbo, e a nova equipe brilhante será a do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que é um Meirelles elevado à tríplice potência.
O problema da equipe econômica que assumiu as rédeas é que o seu objetivo não é o de recuperação da economia, impedindo um desastre social, mas o de destruir qualquer vestígio do modelo anterior, um ideologismo barato e cego, marca, aliás, de boa parte do pensamento econômico brasileiro.

Peça 3 – o governo de transição

Com o fim do governo Temer, aventa-se uma eleição indireta com Fernando Henrique Cardoso, trazendo Armínio Fraga para aprofundar o ajuste fiscal.
Aparentemente, essa loucura não se consumará por dois motivos.
Motivo 1 – FHC refugou.
Em duas manifestações seguidas, FHC admitiu o óbvio: sem a recuperação do voto, através de novas eleições diretas, será impossível a implementação de qualquer programa econômico minimamente consistente. Na verdade, FHC tem noção de suas próprias limitações. Em momentos menos graves – como no processo inicial de consolidação do Real e no início do segundo mandato – FHC foi incapaz de uma ação proativa sequer. Limitou-se a seguir o receituário de seus economistas, de um enorme aperto fiscal, que contribuiu, nos dois casos, para uma economia estagnada durante seus dois mandatos.
Motivo 2 – a aposta errada no aperto
Além disso, caiu a ficha da classe empresarial sobre a loucura de persistir nessa política suicida. Mesmo no mercado, a sensação é que a persistência do quadro recessivo não permite ganhos a ninguém, mesmo ao mercado. E abre o risco de algum populismo de direita, que transforme o mercado no bode expiatório.
A discussão que se iniciará agora é sobre o momento e a oportunidade das novas eleições diretas, uma discussão que levará em conta o potencial eleitoral de Lula e do PT e as alternativas do atual grupo de poder.
O fator Nelson Jobim
Com o PSDB pedindo para afastar de si este cálice, o nome mais forte aventado – lembrado pelo Xadrez de algumas semanas atrás – é do ex-Ministro da Defesa e ex-Ministro do Supremo Nelson Jobim. Tem bom trânsito junto ao PSDB e ao PT e familiaridade com as Forças Armadas, pela condução do Plano Nacional de Defesa.
Como presidente, será uma incógnita. Como candidato potencial, é a melhor aposta até agora.
Mas todas essas alternativas caminham sobre o pântano, representado pelo estímulo fascista às manifestações de rua. Abriu-se nova temporada de estímulo à violência, mostrando que a marcha da insensatez se abateu também sobre os operadores da lei.

Peça 4 - sobre a irresponsabilidade dos golpistas

Não era surpresa para quem tem um mínimo de visão e de responsabilidade institucional. O golpe desmontou definitivamente a democracia brasileira, o modelo que garantiu o equilíbrio político do país desde a Constituição de 1988. Uma mescla de aventureirismo, oportunismo, despreparo, covardia promoveu a abertura da Caixa de Pandora.
Agora, a democracia está desmontada, a economia caminhando para uma depressão. E, no momento, o que se tem é o seguinte:
· O Executivo liquidado.
·Uma campanha pesada visando inviabilizar o Congresso.
·Uma briga de foice entre instituições, com uma cegueira generalizada sobre a gravidade do atual momento.
· E a ultradireita sendo definitivamente bancada pela parceria Lava Jato-Globo.
O fato de um mero procurador regional ousar afrontar o Congresso em nome pessoal, ameaçando “pedir demissão” de uma força-tarefa para o qual ele foi indicado, mostra a desmoralização institucional do país e a quebra total de hierarquia no próprio Ministério Público Federal. Qualquer deslumbrado, com um metro e meio de autoridade, e uma tonelada de atrevimento, coloca em corner não apenas o Congresso, mas o próprio Procurador Geral.
Até onde irá esse clima? Difícil saber.
Com a delação da Odebrecht, os procuradores da Lava Jato insuflando as manifestações, a crise se aprofundando, o caldeirão das ruas entrará novamente em ebulição, sem que haja uma saída institucional à vista.
A crise começou seu trabalho de espalhar um pouco de bom senso. Mas ainda é uma gota em um oceano de insensatez.
*Via LuisNassifOnline -  jornalggn.com.br