15 janeiro 2026

Entramos no ano eleitoral

Lula está plenamente preparado para a campanha e para os debates. Tem um discurso plenamente articulado sobre a situação do Brasil, sobre os seus governos e sobre as perspectivas futuras para o país

     Foto: Ricardo Stuckert

Por Emir Sader*

Chegou o ano das novas eleições presidenciais, junto com as de governadores e parlamentares, para a Câmara e o Senado.

Claro que a eleição presidencial é a que tem consequências maiores para o Brasil. Começa a guerrilha da manipulação das pesquisas, de que a mídia tradicional se vale para todo tipo de especulação, o que revela uma clara incomodação com o favoritismo do Lula e com a falta de um candidato competitivo da direita.

Lula é candidato forte à reeleição, ao seu quarto mandato. Fernando Haddad sairá do governo para coordenar a campanha.

Lula está plenamente preparado para a campanha e para os debates. Tem um discurso plenamente articulado sobre a situação do Brasil, sobre os seus governos e sobre as perspectivas futuras para o país.

O prestígio do Lula se reflete no interesse de uma quantidade enorme de candidatos, de vários partidos, de que ele os apoie nos seus estados. Não apenas no Nordeste, mas em vários outros estados do Centro-Sul e do Sul do país também.

A direita parece se concentrar agora em um filho do Bolsonaro, o Flávio, indicado por ele como seu candidato. Não é o favorito dos grandes empresários — da chamada Faria Lima —, que é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Este cometeu muitos erros, inclusive o de apoiar firmemente Bolsonaro, mesmo depois da condenação e da prisão deste, com a ideia de herdar seus votos e de retribuir o apoio que teve de Bolsonaro para chegar a ser governador de São Paulo.

Mas confiava que, sendo o preferido dos grandes empresários e contando com boa posição nas pesquisas, fosse o candidato da oposição. Vacilava, porque poderia, perdendo as eleições presidenciais, ficar sem o governo de São Paulo e sem nenhum mandato.

As pesquisas, confiáveis ou não, manipuladas ou não, revelam que Bolsonaro tem um poder ainda alto de transferência, de forma que seu filho Flávio está em melhor situação nas pesquisas, enquanto o apoio do eleitorado a Tarcísio é claramente menor.

Na campanha, as falácias de supostas heranças do governo Bolsonaro ficaram escandalosamente claras. Em um debate, além da capacidade de argumentação de Lula, os dados dos governos Lula e os do governo Bolsonaro são escandalosamente desfavoráveis a este.

Além da questão democrática, em que o filho de Bolsonaro terá de arcar com o ônus do compromisso, juridicamente comprovado, de seu pai com a tentativa de golpe do 8/1. Não haverá como tentar desvinculá-lo, até porque foi condenado e preso por esse compromisso.

Em suma, as condições são muito favoráveis a Lula, tanto nas condições de ponto de partida, mesmo em pesquisas não confiáveis. Dá para imaginar que a campanha e os debates o fortaleçam mais ainda.

De alguma forma, a direita está conformada com a reeleição de Lula. Trata de tentar manter o controle do Senado e da Câmara, para dificultar, na medida do possível, um eventual novo mandato de Lula. Mas o próprio Centrão está enfraquecido. Um setor do Centrão, que tem dificuldades de ficar longe do governo, se aproxima de Lula.

Essas são as condições do começo da campanha. Treino é treino, jogo é jogo, é verdade. Mas, no jogo, Lula é insuperável.

*Fonte: Revista Fórum

10 janeiro 2026

José Genoino: o estágio atual do imperialismo significa saque e pilhagem

Ex-deputado afirma que ofensiva contra a Venezuela revela a face mais brutal do imperialismo contemporâneo

Nicolás Maduro cercado por agentes dos Estados Unidos (Foto: Reuters/Eduardo Munoz)

247* - A crise envolvendo a Venezuela, segundo o ex-deputado federal e ex-presidente nacional do PT, José Genoino, não pode ser compreendida a partir de disputas retóricas sobre democracia ou direitos humanos. Para ele, o que está em curso é uma expressão direta e sem disfarces do imperialismo em sua fase atual, marcada pela apropriação violenta de riquezas estratégicas e pela imposição da força. A avaliação foi feita durante participação no programa Giro das Onze, em que Genoino adotou um tom de indignação e alerta diante do cenário internacional.

No Giro das Onze, da TV 247, Genoino afirmou que os acontecimentos recentes escancararam uma lógica histórica que volta a se impor de maneira aberta. “O imperialismo botou às favas o escrúpulo, a vergonha, a mentira. Escancarou tudo”, declarou, ao sustentar que já não há esforço para ocultar interesses econômicos e geopolíticos por trás das ações contra a Venezuela. Na sua leitura, as ilusões sobre um imperialismo moderado foram descartadas, restando apenas a realidade do confronto e da espoliação.

Ao tratar diretamente da Venezuela, Genoino foi enfático ao rejeitar as justificativas oficiais usadas para legitimar a ofensiva externa. “É uma invasão militar dos Estados Unidos para obter o petróleo. É disso que se trata. Não é democracia, não é direitos humanos, não é nada, é saque”, afirmou. Em outro momento, sintetizou sua análise ao dizer que “o estágio atual do imperialismo significa saque e pilhagem”, relacionando essa prática a uma trajetória histórica do capitalismo baseada na exploração de povos e territórios.

O ex-deputado também destacou que, embora a experiência venezuelana tenha dilemas e problemas, isso não autoriza sua deslegitimação ou submissão a forças externas. “Eu sou defensor da Venezuela, da soberania”, afirmou, ressaltando que nenhum país está isento de contradições e que processos políticos reais são sempre marcados por limites e conflitos. Para ele, o essencial é defender o direito dos povos de construírem seus próprios caminhos sem coerção imperial.

Genoino direcionou críticas duras à cobertura da grande mídia internacional e à sua reprodução no Brasil, argumentando que há uma tentativa deliberada de suavizar ou normalizar a violência. Segundo ele, veículos evitam termos que explicitariam a gravidade do que ocorreu, enquanto a mídia brasileira atua de forma subalterna. “Nenhum canal de televisão aberto fala em sequestro”, disse, ao alertar para o risco de se aceitar como normal aquilo que considera uma ruptura grave das normas internacionais.

Na avaliação do ex-parlamentar, o papel dos Estados Unidos nesse processo tem um responsável claro. Ele apontou Donald Trump como o principal agressor e afirmou ter reagido com revolta às declarações públicas do republicano. Para Genoino, a política externa norte-americana opera sem pudor, mobilizando poder militar e econômico para garantir o controle de recursos estratégicos, especialmente na América Latina.

A conclusão apresentada no programa foi a de que não há espaço para neutralidade ou acomodação. Genoino defendeu que a resposta ao imperialismo deve ser política e social, articulada em torno da denúncia, da solidariedade internacional e da resistência organizada. Em sua visão, aceitar a narrativa dominante ou relativizar a agressão significa abrir mão da soberania e legitimar uma ordem internacional baseada, mais uma vez, na força e na pilhagem.

*Fonte: Brasil247

09 janeiro 2026

Pelo Brasil, protestos contra ataque à Venezuela marcam atos que relembram 8 de janeiro

De Porto Alegre a Porto Velho, atos uniram a questão da democracia à soberania dos países latino-americanos

Em Porto Alegre, no ato contra o golpe de 8 de janeiro também houve protesto contra o ataque à Venezuela - Crédito: Rafa Dotti

*Da Redação BdF - Ocorridos nesta quinta-feira (8) em diversas cidades do país, os atos Brasil nas Ruas pela Democracia, que relembraram e condenaram a tentativa de golpe de estado do dia 8 de janeiro de 2023, também incorporaram diversas manifestações contra o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro.

Na maioria dos atos, foi comum não só discursos sobre os dois temas, mas cartazes que repudiavam a invasão estadunidense, além de bandeiras venezuelanas.

No Rio de Janeiro, a concentração foi na Cinelândia e contou com representantes de partidos de esquerda, centrais sindicais e movimentos populares. “É primeira vez na história do Brasil que a gente tem prisão de golpistas. A cúpula golpista está toda presa. É a data que marca a tentativa de golpe dessa gente que é inimiga da democracia no Brasil, inimiga do povo brasileiro. Essa data tem que ser um marco”, afirmou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Rio de Janeiro, Sandro Alex de Oliveira Cezar.

No Rio, o ato Brasil nas Ruas pela Democracia foi na Cinelândia | Crédito: Fernando Velloso/Brasil de Fato

Em Porto Alegre, o protesto foi na Esquina Democrática. O presidente da Associação Cultural José Marti/RS, Fabiano Zalazar, aproveitou o momento para pedir uma salva de palmas às pessoas que morreram por causa do ataque na Venezuela. “Aos 32 combatentes cubanos, que morreram em combate, que foram assassinados e aos mais de cem civis venezuelanos, que foram assassinados”, disse Zalazar, destacando a resistência dos venezuelanos ao ataque.

O ex-prefeito de Porto Alegre, Raul Pont (PT), destacou que a trama golpista no Brasil a uma escalada da direita no mundo. “É uma direita que continua encastelada, que continua contra o povo e cada vez mais subordinada, não só a uma direita brasileira, mas subordinada cada vez mais a um processo que nós estamos vivendo hoje no mundo inteiro, sob o império norte-americano”, afirmou petista.

Em São Paulo, integrantes de movimentos populares, juristas e lideranças políticas se reuniram na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco, centro da capital paulista. Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo jurídico Prerrogativas, destacou o caráter educativo da mobilização ao afirmar que “nós precisamos registrar fatos como os que infelizmente ocorreram no país para que eles não voltem a se repetir. A memória tem esse caráter fortemente pedagógico. Nós não podemos esquecer, jamais, para que a coisa não se repita”.

Ainda nesta quinta-feira, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) evitou falar sobre a Venezuela durante cerimônia alusiva aos três anos dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, com a presença de ministros, governadores de estados, parlamentares e lideranças sociais.

“O dia 8 de janeiro marca a vitória da nossa democracia sobre os que tentaram tomar o poder pela força. Vencemos os que defendiam a ditadura e a tortura, e os que planejaram assassinatos de autoridades. Derrotamos os traidores da pátria que queriam devolver o Brasil ao mapa da fome”, declarou o presidente.

Ato em Belo Horizonte reivindica a soberania dos povos latinos americanos | Crédito: Ana Maria Vasconcellos/Brasil de Fato
Em São Luís, o protesto foi no Largo do Carmo | Crédito: Mariana Castro / MST
Em Porto Velho (foto abaixo), manifestantes se concentraram na Praça Madeira Mamoré | Crédito: Luciana Oliveira

03 janeiro 2026

Lula repudia agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela e cobra reação internacional

Os EUA “ultrapassam uma linha inaceitável” com “afronta gravíssima” à soberania venezuelana, diz o presidente brasileiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247* - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente neste sábado (3) a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, classificando a ação como um grave desrespeito ao direito internacional e um risco direto à estabilidade global. Para o chefe de Estado brasileiro, os bombardeios em território venezuelano e o sequestro do presidente do país representam uma escalada inaceitável que ameaça a ordem internacional.

A manifestação foi feita em uma postagem divulgada pelo próprio presidente Lula, na qual ele expressa a posição oficial do Brasil diante do episódio. Segundo o presidente, os acontecimentos configuram uma violação explícita de princípios fundamentais que regem as relações entre Estados soberanos.

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou Lula. Na avaliação do presidente, ações dessa natureza abrem caminho para um cenário de instabilidade generalizada. “Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, declarou.

Lula destacou que a condenação ao uso da força está em consonância com a política externa historicamente adotada pelo Brasil. “A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, afirmou, reforçando o compromisso brasileiro com soluções pacíficas e diplomáticas.

O presidente também fez referência ao histórico de intervenções externas na região, alertando para os impactos de longo prazo desse tipo de ação. “A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”, disse.

Na mensagem, Lula defendeu uma reação firme da comunidade internacional, especialmente por meio das Nações Unidas. “A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio”, afirmou. Ao final, reiterou a posição do governo brasileiro: “O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”.

(*Por Guilherme Levorato, no Brasil247)

Não à agressão militar de Trump à Venezuela! Solidariedade total ao povo venezuelano e seu governo!


Na madrugada deste sábado 3 de janeiro, o território da República Bolivariana da Venezuela foi bombardeado por aviões dos Estados Unidos, violando assim de forma unilateral a soberania do país vizinho, num verdadeiro ato de guerra ao arrepio de qualquer norma do direito internacional.

Desde setembro do ano passado iniciou-se uma escalada agressiva contra a Venezuela com a concentração inédita de forças navais militares dos EUA no Mar Caribe, que já havia provocado a destruição de mais de 30 embarcações em nome de um pretenso combate ao narcotráfico, com o saldo de mais de cem mortos. Em seguida houve os casos de pirataria praticados pelo governo Trump ao sequestrar navios com petróleo venezuelano. 

Agora essa operação, que visa derrubar o governo Maduro para botar a mão nas riquezas do país, atinge diretamente o solo venezuelano, com ataques aéreos em Caracas e nos estados de Miranda, Arágua e La Guaira.

Trata-se de uma ação de guerra que afeta toda a América Latina e Caribe e que deve ser rechaçada por todos os governos que defendem a soberania nacional e a paz, não só em nossa região, mas em todo o mundo. O que pede uma ação comum de governos como os de Lula, Petro, Sheinbaum e outros em defesa da Venezuela agredida.

Exigimos também, diante do anúncio feito pela vice-presidente da Venezuela Delci Rodrigues de que o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cília Flores é desconhecido, e de notícias que ambos foram sequestrados por agentes dos EUA, o seu aparecimento e libertação imediata.

O povo venezuelano está saindo às ruas em todo o país para enfrentar a agressão imperialista, exigindo que “Devolvam Maduro”. O Diálogo e Ação Petista* convoca seus aderentes a somar-se a todos os chamados de mobilizações em defesa da Venezuela e seu governo contra a agressão do governo Trump, o mesmo que prometeu acabar com as guerras no mundo e só faz aumentá-las, como se vê nas ameaças atuais ao Irã e agora nos ataques ao território venezuelano.

Um ataque à Venezuela é um ataque à soberania de todos os povos da América Latina e como tal deve ser rechaçado. A hora é da mobilização contra o imperialismo estadunidense personificado por Trump, em solidariedade ao povo irmão da Venezuela.

Sem prejuízo de manifestações imediatas, propomos que se prepare o dia de luta de 8 de janeiro, próxima quinta-feira, integrando a defesa da Venezuela numa grande Jornada Nacional pela cadeia sem qualquer anistia para Bolsonaro e generais golpistas, os quais, inclusive, sempre foram serviçais do imperialismo estadunidense.

Todos às ruas!

Trump tire suas patas da Venezuela!

Viva a luta dos povos contra o imperialismo!

São Paulo, 3 de janeiro de 2026

*Fonte: site do DAP

31 dezembro 2025

Retrospectiva - Nas ruas e nas lutas, movimentos populares empurraram governo Lula a enfrentar elites em 2025

Balanço de campo e cidade aponta 'guinada' no Planalto e lista entraves impostos pela direita no Congresso

Manifestação em São Paulo pelo fim da escala 6×1 | Crédito: Letycia Bond/Agência Brasil

Por Rodrigo Chagas*

Em 2025, movimentos populares do campo e da cidade voltaram às ruas e às redes, unificaram pautas e arrancaram vitórias importantes na disputa com um Congresso hostil. O ano marcou, na avaliação dessas organizações, uma saída da defensiva e a retomada de capacidade de iniciativa, com impacto direto na agenda nacional e na correlação de forças.

É a partir dessa leitura que o Brasil de Fato ouviu oito lideranças e lutadores populares para fazer um balanço do ano. A reportagem reúne as avaliações sobre os principais embates do terceiro governo Lula em 2025, as contradições e limites impostos pelo Legislativo e pelas elites econômicas e as projeções de luta que começam a desenhar o cenário de 2026.

Nas entrevistas, uma ideia aparece como síntese do período: a pressão popular ajudou a empurrar o Palácio do Planalto para uma postura mais altiva e combativa na defesa da soberania e no enfrentamento aos interesses do andar de cima. Essa mudança é localizada sobretudo no segundo semestre, quando a disputa com o Congresso se intensificou e a mobilização social ganhou escala, em uma conjuntura que, segundo as fontes, também foi marcada por tensões internacionais e pela reorganização da extrema direita.

A reorganização do campo popular teve como eixo uma aposta de unidade: o Plebiscito Popular, realizado nacionalmente a partir de 1º de julho. A consulta reuniu três perguntas, sobre taxação dos super-ricos, isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 e fim da escala 6×1. Na reta final, o processo ampliou o prazo até 12 de outubro, com mutirões de votação, e, em quatro de novembro, o resultado foi entregue ao presidente do Senado, com a marca de “mais de dois milhões” de votos.

A iniciativa, avaliam entrevistados, ajudou a dar forma a uma agenda classista capaz de dialogar com o cotidiano e reabrir a disputa política. “A principal vitória foi a gente ter demonstrado capacidade de iniciativa política das organizações em unidade”, disse Camila Morais, do Levante Popular da Juventude. Na mesma direção, Ana Priscila, da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), afirmou que 2025 foi o ano em que o campo popular conseguiu avançar do esforço de “leitura” para a “ação” coletiva. “A gente viu que a pauta da escala 6×1 tava ganhando muita força nas ruas”, avaliou, ao defender que vitórias só viriam com pressão popular, e não apenas por negociação institucional.

Ao longo da reportagem, as avaliações também destacam que o enfrentamento ao Congresso se tornou um eixo incontornável. “As ambições mais genuínas de um progressismo estão bloqueadas pelas ambições nada republicanas do centrão”, analisou Charles Trocate, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM). Para Ana Carolina Vasconcelos, do Movimento Brasil Popular, o governo passou a apostar mais na politização social em meio aos impasses no Legislativo. Gilmar Mauro, do MST, sintetizou a lição do período ao afirmar que “não dá mais para governar à frio”. (...)

*CLIQUE AQUI para ler na íntegra (via BrasildeFato)

30 dezembro 2025

"Inundar a região de merda"

Estratégias da ultradireita para corroer o debate público, explorar o descontentamento social e enfraquecer a democracia liberal por meio da desinformação

Steve Bannon (Foto: Elizabeth Frantz / Reuters)

Por Emir Sader*

Outra das minhas leituras preferidas dos últimos tempos é o livro “Desquiciados – Los vertiginosos cambios que impulsa la ultraderecha”, coordenado por Alejandro Grimson.

Seu epílogo tem como título o que eu enunciei como nome deste artigo. Frase de Steve Bannon, que explicou desta maneira sua afirmação: “Os democratas não interessam. A verdadeira oposição são os meios de comunicação. E o modo de tratar com eles é inundar a região de merda”. 

Os líderes da ultradireita de massas consideram que se trata do seguinte: canalizar o muito legítimo descontentamento social, desafiando os limites da democracia e estressando diariamente a população até que todos estejamos fora de juízo. Isto é chave, porque impede pensar estrategicamente.

Em quase todos os países da América e da Europa aconteceram duas coisas: ou o tradicional partido de direita se converteu em um de extrema direita, ou surgiu uma nova força de extrema direita.

Na América Latina, eles têm um programa econômico neoliberal radicalizado, que pode aceitar uma cota de políticas sociais com transferências monetárias aos setores mais desprotegidos, combinada com todo o conservadorismo cultural que a sociedade lhes permita.

A luta cultural é concebida como guerra, com inimigos a derrotar. Só há ganhadores e perdedores. Assim, se coloca em prática uma narrativa de complô e paranoica, que vê um inimigo em qualquer um que se atreva a expressar sua dissidência.

“A versão neoliberal de uma visão maniqueísta do mundo é a divisão entre trabalhadores e preguiçosos”, afirma Natascha Strobl em seu livro “A nova direita” (2022). Os líderes da extrema direita buscam não cumprir as regras da política, com a premissa de que é melhor ser mal-educado ou politicamente incorreto do que fazer parte do establishment.

Os líderes da extrema direita constroem para si mesmos o lugar de “salvadores” e, ao mesmo tempo, de “vítimas” das conspirações da velha política e dos meios de comunicação.

Na estratégia neoliberal confluem três instrumentos: a pós-verdade, as fake news e as teorias do complô. O Dicionário de Oxford definiu a pós-verdade como essa condição pela qual “os fatos objetivos influenciam menos na formação da opinião pública do que as referências a emoções e crenças pessoais”. As coordenadas básicas do debate público ficam corroídas.

Esses instrumentos buscam várias coisas: gerar um estado de ansiedade sem precedentes, mas também criar uma realidade paralela. Buscam que seus eleitores, ou a maioria deles, vivam mentalmente uma “realidade” que seja imune aos dados, aos argumentos e aos fatos.

Há três temas em que existem importantes diferenças entre essas forças: a economia, os valores e a geopolítica. Além disso, têm em comum o fato de que não negam formalmente a democracia, mas criticam a democracia liberal, qualificando-a como não democracia, isto é, como algo desvinculado da vontade do povo.

Já faz quase um século que a informação foi definida como o inverso da probabilidade. Não é notícia que não chova no Saara; não é notícia que a extrema direita insulte e estigmatize. Que meios de comunicação vão repetir cada um dos insultos que os governos de extrema direita proferem contra os que pensam diferente ou contra os opositores? A contribuição ao debate público é gerar informação (o contrário da probabilidade) e análise plural.

*Via Brasil247

28 dezembro 2025

AS 10 CANÇÕES MAIS POLÊMICAS DA HISTÓRIA DO BRASIL*


*Via YouTube

Morre Brigitte Bardot, um dos maiores ícones do século 20

Atriz francesa foi uma das grandes divas do cinema, símbolo sexual e cantora de sucesso, eternizada na canção erótica Je t’aime moi non plus

Brigitte Bardot morreu aos 91 anos (Foto: Reprodução)


247* - Brigitte Bardot, ícone absoluto do cinema francês e um dos maiores símbolos do século 20, morreu nesta quinta-feira, aos 91 anos. A morte da atriz foi anunciada pela Fundação Brigitte Bardot, que não detalhou a hora do ocorrido. Em comunicado, a entidade descreveu Bardot como uma “atriz e cantora de renome mundial, que optou por abandonar sua prestigiada carreira para dedicar sua vida e energia ao bem-estar animal e à sua fundação”.

Bardot foi não apenas uma das maiores atrizes do século 20, mas o maior símbolo sexual de sua geração, transformando a imagem feminina no cinema e influenciando a moda, o comportamento e a música.

Nascida em Paris em 1934, Bardot iniciou sua carreira como modelo e rapidamente se tornou um rosto indispensável do entretenimento europeu. Ela conquistou reconhecimento mundial a partir da década de 1950, especialmente após o sucesso explosivo de “E Deus Criou a Mulher” (1956), filme que redefiniu os limites da sensualidade nas telas e colocou Bardot no centro do imaginário global.

A atriz também ficou eternizada pela canção “Je t’aime moi non plus”, gravada em 1967 ao lado de Serge Gainsbourg. A música, que mais tarde ganharia nova versão com Jane Birkin, tornou-se um dos registros mais eróticos e icônicos da história da música popular, marcando definitvamente a imagem pública de Bardot como musa e referência da liberdade sexual.

Ao longo da carreira, Bardot protagonizou dezenas de filmes, entre eles “Viva Maria!” (1965), “A Verdade” (1960) e “Contempt” (1963), este dirigido por Jean-Luc Godard e considerado uma obra-prima do cinema moderno. Seu rosto, fotografado por nomes como Richard Avedon e Sam Lévin, tornou-se símbolo universal da beleza feminina.

Nos anos 1970, Bardot decidiu abandonar definitivamente o cinema e dedicar sua vida à causa animal, fundando em 1986 a Fundação Brigitte Bardot, organização internacional de defesa dos direitos dos animais. Sua atuação na militância rendeu reconhecimento mundial e a transformou em uma das vozes mais influentes do ativismo ambiental na Europa.

Apesar da aposentadoria precoce das telas, o impacto cultural de Bardot jamais diminuiu. Sua estética inspirou gerações de atrizes, modelos e estilistas, e sua imagem continua sendo revisitada em livros, exposições e obras audiovisuais. Para críticos, Bardot sintetizou um momento único da transformação dos costumes no século 20 — e permanece como referência tanto artística quanto social.

A morte de Brigitte Bardot encerra um capítulo fundamental da história do cinema e da cultura pop mundial. Sua beleza, seu talento e sua atitude libertária moldaram épocas e influenciaram milhões. Mas sua figura — como atriz, musa e defensora dos animais — seguirá viva, indelével, na memória coletiva. *Fonte: Brasil247