28 janeiro 2026

A morte do Jornalismo*

A sociedade não percebe o que isso significa

   Jornalismo (Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/ABr)

Por Alex Solnik*

Comete crime quem atende pacientes no hospital ou no consultório sem ter um diploma de médico e o registro formal no Conselho Regional de Medicina (CRM). O paciente atendido por um leigo ou um charlatão corre o risco de ficar mais doente e, no caso extremo, vir a óbito.

Quem pretende desenhar ou construir casas, prédios, viadutos e estradas, tem que se formar arquiteto ou engenheiro, e obter o registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) ou no Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo (CAU/UF) para exercer a profissão. Se um leigo ou um charlatão assume desenhar ou construir, o prédio corre o risco de cair, e seus moradores, acabar sob escombros. 

O mesmo se dá com advogados, que obrigatoriamente têm que estudar Direito e só podem exercer a profissão depois de passar pelo crivo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Caso contrário, poderão levar à condenação aqueles que pretendem defender.

O Jornalismo, embora seja tão fundamental quanto a Medicina, a Arquitetura, a Engenharia e a Advocacia virou terra de ninguém, onde qualquer um, mesmo sem nem saber escrever corretamente, sem nenhum diploma, sem passar pelo crivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), se arvora em “informar”, “opinar” e “formar opiniões”, sem conhecer os requisitos mínimos da profissão, como a obrigatoriedade de “consultar os dois lados” e só transformar um assunto em notícia se as cinco questões básicas - quem, onde, quando, como e por que - podem ser respondidas por completo.

A consequência dessa torre de Babel é a desinformação, proposital ou não, que distorce fatos, confunde a opinião pública e destrói a credibilidade da imprensa.

As chamadas “redes sociais”, onde leigos e charlatães encontram campo fértil para disseminar seu ódio, suas mentiras e suas idiossincrasias, sem vergonha e sem freios, permitem que o jornalismo seja assassinado minuto a minuto, dia a dia, sob o olhar complacente da sociedade, que não percebe o que isso significa. 

É verdade que há jornalistas diplomados e experientes que não seguem as boas práticas do Jornalismo, como também há médicos, advogados e engenheiros transgressores. Mas isso não pode ser usado como argumento para abolir a exigência dos diplomas. 

Também é verdade que jornais e revistas podem disseminar meias verdades ou distorcer fatos de acordo com seus interesses. Não há como negar. 

Só que, em razão de suas tiragens serem limitadas, não provocam tantos danos quanto as “redes sociais” que, ao divulgar essas mesmas “notícias” atingem milhões de pessoas em poucos minutos. 

A morte do Jornalismo não é só um atentado à informação correta, tão fundamental para a sociedade quanto um prédio bem construído, um doente bem medicado, um injustiçado bem defendido.

A morte do Jornalismo leva, em última análise, à morte da Democracia.

Quando todos são “jornalistas”, ninguém é.   

*Jornalista - via Brasil247

26 janeiro 2026

"A PRÉ-CANDIDATURA DO COMPANHEIRO EDEGAR PRETTO AO GOVERNO DO RS É IRREVERSÍVEL" (NOTA OFICIAL DA DIREÇÃO ESTADUAL DO PT/RS)

 

Edegar Pretto e o Presidente Lula

 

"A pré-candidatura do companheiro Edegar Pretto ao governo do Rio Grande  do Sul é uma questão definida para o PT do Rio Grande do Sul. A pré-candidatura do Edegar, atual presidente da Conab e ex-presidente da Assembleia Legislativa do RS, foi aclamada pelo partido em 30 de novembro passado, durante a realização do Encontro Estadual do partido, que reuniu, em Porto Alegre, dirigentes, militantes e lideranças petistas de todas as regiões gaúchas.

 

Destaco ainda que a pré-candidatura do Edegar é uma construção absolutamente coletiva e que resulta da realização de inúmeros encontros regionais e setoriais realizados ao longo de 2025. 

 

O conjunto do nosso partido tem plena confiança não só no potencial eleitoral do Edegar, como na sua capacidade de trabalho e de articulação política.

 

O desempenho dele à frente da Conab é um atestado disso. Registro que, em todos os diálogos que tenho mantido com o presidente nacional do PT, o companheiro Edinho Silva, em nenhum momento foi questionada a nossa estratégia, ou seja nossa chapa está, reitero, definida com a pré-candidatura de Edegar Pretto governador e Paulo Pimenta Pimenta senador.  Esta decisão é  irreversível.

 

O PT está unido, coeso e muito bem representado pelo Edegar, pelo Pimenta e também pelo nome da companheira Manuela D'Ávila (PSOL) para a disputa da outra vaga do Senado.  E seguimos mobilizados e abertos para construir uma frente capaz de retomar o Palácio Piratini e de reeleger o presidente Lula.

 

Respeitamos todos pré-candidatos, mas chegou a hora do Rio Grande voltar a ter um governo comprometido de fato com o povo gaúcho e de voltar a ter um projeto de desenvolvimento concreto e para todos.

 

Valdeci Oliveira, Presidente do PT-RS

 

  Porto Alegre/RS, 24 de janeiro de 2026."

...


*Edição final deste Blog.

REFORMA AGRÁRIA - Em encontro do MST, Lula critica agressão à Venezuela e genocídio em Gaza

Presidente participou do ato de encerramento do 14° Encontro Nacional do MST, em Salvador (BA)


Presidente Lula em cerimônia de encerramento do encontro nacional do MST, em Salvador (BA). | Crédito: Wellington Lenon/MST

Por Leonardo Fernandes*

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta sexta-feria (23) do ato de encerramento do 14° Encontro Nacional do Movimento Sem Terra (MST), em Salvador (BA). No discurso, Lula criticou a agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira dama e deputada nacional, Cilia Flores.

“Eu fico toda noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Eu não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no mar do Caribe. Ele sabia que todo dia tinha uma ameaça. Todo dia tinha uma ameaça. Ou seja, os caras entram à noite na Venezuela, vão no forte, que é um quartel onde morava o Maduro, e leva o Maduro embora. E ninguém soube que o Maduro foi embora. Ou seja, como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América do Sul”, declarou o presidente.

Lula ressaltou que a América do Sul é um território com histórico de paz. “A gente não tem armas nucleares, a gente não tem bomba atômica, a gente só tem gente pobre que quer trabalhar e quer viver, que quer comer, quer almoçar, quer jantar, quer estudar. A gente não quer guerra. Então, o que nós temos para mostrar para eles é o nosso caráter e a nossa dignidade”, afirmou.

“A gente não tem arma, mas a gente tem caráter e dignidade e a gente não vai baixar a cabeça para ninguém, quem quer que seja”, completou o mandatário, que ainda fez referência ao avanço da extrema direita em diversos países latino-americanos.

“Vocês estão acompanhando o que está acontecendo na América Latina? Vocês estão acompanhando o que aconteceu no Chile, o que aconteceu na Argentina, o que aconteceu com a Venezuela, o que aconteceu com o Paraguai, o que aconteceu com o Equador, vocês estão acompanhando o que aconteceu com a Costa Rica, em Honduras e o que está acontecendo no mundo com a eleição do presidente Trump para presidente dos Estados Unidos. Vocês estão acompanhando e vocês estão percebendo que nós estamos vivendo um momento muito crítico na política mundial”, declarou. 

Ainda no contexto da geopolítica internacional, Lula criticou os planos do governo dos Estados Unidos e do regime israelense para a Faixa de Gaza, após a destruição promovida por Israel. 

“Não queremos mais Guerra Fria. Nós não queremos mais Gaza. Vocês viram a fotografia do que eles vão tentar fazer em Gaza? Um resort. Ou seja, derrubaram, mataram mais de 70 mil pessoas para dizer: ‘Nós vamos agora recuperar Gaza e fazer hotel de luxo’. E o povo que morreu e as pessoas pobres que estão lá, vão morar onde?”, questionou o presidente, que afirmou ainda que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propõe “criar uma nova ONU” para que ele seja o dono do organismo. 

“O multilateralismo está sendo substituído pelo unilateralismo e a lei do mais forte está prevalecendo”, apontou Lula.

Viva o MST

O presidente agradeceu ao MST por seus 42 anos de existência. “Companheiros sem terra, obrigado pela existência de vocês, pois, sem esse movimento, o Brasil possivelmente não teria chegado aonde chegou. Sou grato a quem teve coragem de lutar, como minha mãe dizia para eu teimar. Temos que teimar porque ninguém nos dá nada de graça, ou conquistamos, ou não temos nada”, disse. 

Lula ainda corroborou com as críticas feitas pelo MST ao agronegócio. “Quando criticamos o agronegócio, 90% das críticas são verdadeiras. No entanto, é preciso mostrar que o pequeno e médio produtor é quem produz o alimento que vai para a nossa mesa e luta contra o agrotóxico. O agronegócio produz para exportar e os pequenos produzem para a gente comer”, afirmou. 

Por outro lado, o presidente saudou a iniciativa do MST de lançar candidaturas aos parlamentos estaduais e federal. 

“Eu fiquei muito feliz hoje quando vocês me apresentaram um conjunto de companheiros do MST que vão ser candidato das próximas eleições. Graças a Deus, vocês tomaram a decisão de entrar na política. Vocês sabem qual é a desgraça de quem não gosta de política? É que é governado por quem gosta. E se quem gosta não gosta de nós, não vai acontecer nunca as coisas que nós queremos”, destacou.
Bandeira gigante do Brasil foi estendida no evento do MST em Salvador.
Bandeira gigante do Brasil foi estendida no evento do MST em Salvador. | Crédito: Ricardo Stuckert/PR
O presidente finalizou seu discurso com um chamado ao combate à violência de gênero. “Nesta campanha e vou dizer em alto e bom som. O homem que levantar a mão para bater em uma mulher não precisa votar em mim para presidente da República. Será um voto amaldiçoado se eu aceitar um voto desse”, finalizou. 
Lula esteve acompanhado dos ministros, Guilherme Boulos, da Secretaria Geral da Presidência, Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social, Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, e Márcia Lopes, das Mulheres, além do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). 

Carta do MST ao povo brasileiro 

Diante das autoridades, a deputada estadual de Pernambuco, Rosa Amorim (PT), e o dirigente nacional do MST, Márcio Santos, fizeram a leitura de uma carta endereçada ao presidente Lula e ao povo brasileiro, em que condena a agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira dama e deputada nacional, Cilia Flores.

“Vivemos um momento de mudança de época, caracterizado por guerras e pelo avanço do imperialismo em nosso continente. A agressão à Venezuela, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada Cilia Flores, foi uma mensagem atroz para os povos de todo o mundo, especialmente da nossa América Latina. Os interesses envolvidos são o saque dos nossos bens comuns da natureza, como petróleo, minérios, terras raras, águas e florestas, além da tentativa de impedir o avanço do multilateralismo e da soberania dos povos”, diz o texto, que menciona ainda a ofensiva sionista contra o povo palestino, as tentativas de golpe nos países do Sahel, em especial em Burkina Faso, bem como realiza inúmeras investidas para desestabilizar países como Cuba, Haiti, Colômbia, México e Irã. 

O documento faz críticas ao modelo de desenvolvimento baseado no agronegócio, “um braço do capital nacional e internacional no campo”. “Enquanto modelo hegemônico de agricultura, o agronegócio está baseado em commodities para o mercado, na destruição e apropriação dos bens comuns da natureza e no uso intensivo de agrotóxicos que contaminam o solo, a água e o ar, colocando em risco a garantia de uma vida saudável”, afirma o texto. 

O movimento passa então a tecer críticas ao “bloqueio” da reforma agrária no país. “A reforma agrária, enquanto projeto estratégico do país, está bloqueada pela burguesia brasileira e pelo avanço do modelo do agronegócio no campo, que controla a maior parte do Congresso Nacional, dos meios de comunicação e do poder judiciário. Por essas razões, tivemos poucas conquistas efetivas de políticas públicas massificadas capazes de enfrentar a pobreza no campo e melhorar a vida do povo. Isso se expressa no fato de ainda termos mais de 100 mil famílias acampadas no Brasil”, diz o documento.

Lula foi recebido no evento pelas crianças sem terra.
Lula foi recebido no evento pelas crianças sem terra. | Crédito: Ricardo Stuckert/PR
“Esse bloqueio caminha no sentido contrário à construção de um projeto de país, uma vez que a reforma agrária popular é a expressão da disputa contra o modelo hegemônico do agronegócio e apresenta um caminho para a superação da crise civilizatória e do colapso ambiental que vivemos. Reforçamos que a força do agronegócio vem do seu projeto destrutivo de morte e violência, subsidiado pelo Estado brasileiro de diversas formas, como inúmeras renúncias fiscais, créditos concedidos e perdões de dívidas altamente prejudiciais para o povo brasileiro, além da flexibilização da legislação ambiental e agrária conduzida pelo Congresso Nacional, inimigo do povo e da natureza” afirma.
“Essa hegemonia dificulta a realização de uma reforma agrária popular capaz de enfrentar a concentração fundiária e garantir a produção de alimentos saudáveis para toda a sociedade brasileira”, completa o texto que, por outro lado, reafirma o apoio do MST à candidatura de Lula e de governos estaduais comprometidos com o nosso programa de reforma agrária popular”. (...)
*CLIQUE AQUI para continuar lendo (via BrasildeFato)Facebook


19 janeiro 2026

Cinema nacional - Tela Brasil: plataforma gratuita de streaming será lançada em 2026*

Iniciativa do Ministério da Cultura vai ampliar acesso às obras produzidas no país



“O Agente Secreto” se passa durante a ditadura civil-militar brasileira | Crédito: Divulgação

O governo federal, por meio do Ministério da Cultura (MinC), anunciou que o lançamento da plataforma de streaming Tela Brasil está previsto para os primeiros meses de 2026. A iniciativa promete reunir centenas de produções audiovisuais de forma gratuita, e assim ampliar o acesso do público às obras. 

Em meio a celebrações das recentes conquistas do cinema nacional, a expectativa para o lançamento da plataforma ganhou ampla repercussão. Mas ao contrário do que vem sendo compartilhado nas redes sociais, o serviço ainda não está disponível. 

Em nota, o MinC avalia que as reações positivas da população à política pública “demonstram o orgulho e o desejo da sociedade brasileira de acessar sua Cultura”. Segundo o governo, a plataforma e seus aplicativos estão em fase final de testes e as informações oficiais serão divulgadas em breve. (...)

*CLIQUE AQUI para continuar lendo (via BdF)

17 janeiro 2026

"Fiz o que tinha que fazer", diz Moraes após mandar Bolsonaro para Papudinha

Por decisão do ministro do STF, Bolsonaro foi transferido da Superintendência da PF na capital federal para a Papudinha

Brasília (DF) - 10/09/2025 - O ministro Alexandre de Moraes, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), no quarto dia do julgamento dos réus do Núcleo 1 da trama golpista, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

247* - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ironizou a transferência do ex-presidente preso Jair Bolsonaro, da Superintendência da Polícia Federal em Brasília-DF, ao presídio da Papudinha. Sem citar nomes, o magistrado afirmou, durante cerimônia de colação de grau da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), na quinta-feira (15), já ter feito o que "tinha que fazer". As declarações foram divulgadas pelo site Congresso em Foco.

Mais cedo, por decisão de Moraes, Bolsonaro foi transferido da Superintendência da PF na capital federal para a Papudinha.

"Ninguém cumpriu os três minutos, quase tive que tomar umas medidas. Mas eu me contive. Acho que hoje já fiz o que tinha que fazer", declarou Moraes, ao comentar a extensão dos discursos anteriores, nos quais os demais professores ultrapassaram os três minutos combinados para a cerimônia.

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16 janeiro 2026

DEPUTADA FEDERAL MARIA DO ROSÁRIO (PT/RS) CONCEDERÁ ENTREVISTA À RÁDIO SANTIAGO FM

 


A entrevista com a Deputada Federal Maria do Rosário, do PT gaúcho, à Rádio Santiago FM (Programa Olho Vivo, com o radialista Jones Diniz), será realizada na próxima terça-feira, dia 20/01, às 8,10 horas. Na pauta, análise da atual conjuntura política (internacional, nacional e estadual), balanço do seu mandato, eleições deste ano, dentre outros importantes temas.

-Não deixe de acompanhar (pelo rádio ou via internet). 

15 janeiro 2026

Entramos no ano eleitoral

Lula está plenamente preparado para a campanha e para os debates. Tem um discurso plenamente articulado sobre a situação do Brasil, sobre os seus governos e sobre as perspectivas futuras para o país

     Foto: Ricardo Stuckert

Por Emir Sader*

Chegou o ano das novas eleições presidenciais, junto com as de governadores e parlamentares, para a Câmara e o Senado.

Claro que a eleição presidencial é a que tem consequências maiores para o Brasil. Começa a guerrilha da manipulação das pesquisas, de que a mídia tradicional se vale para todo tipo de especulação, o que revela uma clara incomodação com o favoritismo do Lula e com a falta de um candidato competitivo da direita.

Lula é candidato forte à reeleição, ao seu quarto mandato. Fernando Haddad sairá do governo para coordenar a campanha.

Lula está plenamente preparado para a campanha e para os debates. Tem um discurso plenamente articulado sobre a situação do Brasil, sobre os seus governos e sobre as perspectivas futuras para o país.

O prestígio do Lula se reflete no interesse de uma quantidade enorme de candidatos, de vários partidos, de que ele os apoie nos seus estados. Não apenas no Nordeste, mas em vários outros estados do Centro-Sul e do Sul do país também.

A direita parece se concentrar agora em um filho do Bolsonaro, o Flávio, indicado por ele como seu candidato. Não é o favorito dos grandes empresários — da chamada Faria Lima —, que é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Este cometeu muitos erros, inclusive o de apoiar firmemente Bolsonaro, mesmo depois da condenação e da prisão deste, com a ideia de herdar seus votos e de retribuir o apoio que teve de Bolsonaro para chegar a ser governador de São Paulo.

Mas confiava que, sendo o preferido dos grandes empresários e contando com boa posição nas pesquisas, fosse o candidato da oposição. Vacilava, porque poderia, perdendo as eleições presidenciais, ficar sem o governo de São Paulo e sem nenhum mandato.

As pesquisas, confiáveis ou não, manipuladas ou não, revelam que Bolsonaro tem um poder ainda alto de transferência, de forma que seu filho Flávio está em melhor situação nas pesquisas, enquanto o apoio do eleitorado a Tarcísio é claramente menor.

Na campanha, as falácias de supostas heranças do governo Bolsonaro ficaram escandalosamente claras. Em um debate, além da capacidade de argumentação de Lula, os dados dos governos Lula e os do governo Bolsonaro são escandalosamente desfavoráveis a este.

Além da questão democrática, em que o filho de Bolsonaro terá de arcar com o ônus do compromisso, juridicamente comprovado, de seu pai com a tentativa de golpe do 8/1. Não haverá como tentar desvinculá-lo, até porque foi condenado e preso por esse compromisso.

Em suma, as condições são muito favoráveis a Lula, tanto nas condições de ponto de partida, mesmo em pesquisas não confiáveis. Dá para imaginar que a campanha e os debates o fortaleçam mais ainda.

De alguma forma, a direita está conformada com a reeleição de Lula. Trata de tentar manter o controle do Senado e da Câmara, para dificultar, na medida do possível, um eventual novo mandato de Lula. Mas o próprio Centrão está enfraquecido. Um setor do Centrão, que tem dificuldades de ficar longe do governo, se aproxima de Lula.

Essas são as condições do começo da campanha. Treino é treino, jogo é jogo, é verdade. Mas, no jogo, Lula é insuperável.

*Fonte: Revista Fórum