*Via YouTube
Por Milton Alves*
Após meses da aprovação da PEC pelo fim da escala 6×1 na Câmara de Deputados, com uma esmagadora votação a favor da medida, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, obedecendo as ordens do empresariado barrou a tramitação da proposta.
A ação sabotadora de Alcolumbre, que sequer encaminhou a proposta para exame da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), contrariou a vontade de milhões de trabalhadores e, ao mesmo tempo, enterrou a compulsão ilusionista dos dirigentes das centrais sindicais e parlamentares de esquerda, que apostaram nos conchavos e cafezinhos no Congresso ao invés de impulsionar a mobilização da classe trabalhadora.
A nova promessa de tramitação da PEC em agosto, em pleno processo eleitoral, é mais uma maracutaia procrastinadora de Alcolumbre, um dos maestros do Centrão corrupto, serviçal do ex-banqueiro Vorcaro.
Agora, Alcolumbre e seus nobres colegas gozam de férias nababescas em resorts de luxo – aqui e no exterior – ou em suas opulentas mansões em áreas exclusivas de cidades do litoral, com os bolsos recheados por um generoso salário de R$ 46 mil reais por mês e milhões de reais de emendas secretas à disposição para corromper agentes políticos e perpetuar as oligarquias partidárias, como comprovam os recentes escândalos envolvendo as figuras carimbadas de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e do mercurial Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, durante o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff.
Enquanto isso, no chão de fábrica, lojas, aplicativos e escritórios, os trabalhadores enfrentam as extenuantes jornadas de trabalho, baixos salários e metas desumanas de produção, um universo distante dos privilégios de Alcolumbre e dos demais senadores.
A atual composição patronal e direitista do Senado indica que o futuro da PEC pelo fim da escala 6×1 está em questão. A saída é retomar a pressão por baixo, a mobilização nas ruas e nas redes sociais. Alguns setores sindicais defendem a proposta da organização de um acampamento em Brasília no início dos trabalhos legislativos para pressionar os senadores.
Nas eleições de outubro, a demanda por uma reforma política radical é uma pauta irrecusável para abrir caminho na direção de mudanças profundas das instituições políticas do país, que, atualmente, apenas favorecem a dominação do ‘andar de cima’ em detrimento dos legítimos anseios do povo trabalhador.
*Milton Alves, jornalista e integrante do Comitê Nacional do Diálogo e Ação Petista – DAP (fonte desta postagem)
Chanceler diz que tarifas de 25% têm motivação política e que governo brasileiro não se curvou a exigências 'desmedidas'
Por Isegun Oliveira*
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (16) que a decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros tem motivação política e classificou como “inaceitáveis” e “ofensivas” as declarações do secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, contra o Brasil. Segundo o chanceler, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscou diálogo desde o início da crise, mas enfrentou exigências consideradas “desmedidas” durante as negociações.
Ao rebater as justificativas apresentadas por Washington para a adoção das tarifas, Vieira associou diretamente a medida à carta enviada pelo presidente Donald Trump ao governo brasileiro, na qual o republicano condicionou a suspensão da sobretaxa à interrupção do processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O ministro também criticou a publicação feita por Marco Rubio nas redes sociais durante a madrugada. Segundo Vieira, o secretário de Estado “ataca de forma grosseira e arrogante o chefe de Estado de um país amigo” e demonstra inquietação com a postura adotada pelo Brasil nas negociações.
“Claramente o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações”, declarou.
De acordo com o chanceler, entre as exigências feitas pelos norte-americanos estava a abertura “total, irrestrita e exclusiva” de setores inteiros da economia brasileira para empresas dos Estados Unidos, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros. “Em outras palavras, exigiam a capitulação”, disse.
Vieira também contestou o argumento comercial utilizado por Washington para justificar as medidas. Segundo ele, os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424 bilhões na balança de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Além disso, afirmou que, em 2025, 76% das importações estadunidenses entraram no mercado brasileiro sem pagamento de imposto de importação, incluindo oito dos dez principais produtos exportados pelos EUA ao Brasil.
*Editado por: Gia Matheus Almeida - Fonte: BrasildeFato
Não houve significativos “levantes populares” contra o governo, mesmo com a paralisia imposta à grande parte das atividades econômicas e outras áreas
Por Erik de Souza*
Enquanto os países do globo acompanham atentos o desenrolar da Copa do Mundo, a pequena ilha socialista de Cuba passou por mais dois “apagões generalizados” somente na última semana. Chamadas de desconexões do Sistema Elétrico Nacional (SEN), são apagões que afetam completamente os mais de 10 milhões de cubanos até que todas as principais centrais energéticas das regiões do país consigam finalmente voltar a funcionar e se reconectar. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, comentou nas redes sociais que a complexidade da situação possuía um culpado direto: o cerco energético que se soma ao Bloqueio de quase 7 décadas exercido unilateralmente pelo Governo dos Estados Unidos.
Desde o final de janeiro de 2026, após o ataque militar na Venezuela e o sequestro do presidente venezuelano e sua esposa, Donald Trump e seu Secretário de Estado, Marco Rubio, acirraram a pressão para derrubar o governo da Revolução Cubana. Impuseram normas retaliatórias para qualquer país ou empresa que negociasse bens petrolíferos com Cuba, que dependia até então da importação de petróleo venezuelano para manter não só a energia nos lares da sua população, mas o funcionamento de serviços básicos e essenciais, como escolas, hospitais e transportes. A intenção era gerar uma crise humanitária sem precedentes, que provocasse uma convulsão social no país e levasse à renúncia do governo revolucionário.
Apesar das condições de vida em Cuba terem se deteriorado profundamente nos últimos meses devido às medidas estadunidenses, as novas sanções até o momento não produziram o efeito final desejado. Não houve significativos “levantes populares” contra o governo, mesmo com a paralisia imposta à grande parte das atividades econômicas e outras áreas, como a saúde e a educação; e, mesmo com a ameaça de retaliação norte-americana, Cuba recebeu abertamente em março um navio petroleiro russo, em gesto público de solidariedade entre os dois governos. Aliás, por conta da resiliência da população cubana, Trump e Rubio passaram a cada vez mais plantear publicamente a possibilidade de um ataque militar à ilha visando a retomada do status cubano como colônia informal dos EUA, assim como antes de 1959.
É em meio à todas essas dificuldades que Cuba propôs, na última semana, que a Organização das Nações Unidas (ONU) debatesse os efeitos do bloqueio energético ao país.
A representação cubana na ONU já atua, todos os anos, para que seja votada uma resolução solicitando o fim do bloqueio unilateral exercido pelos EUA contra o país. Nos últimos 30 anos, todas essas resoluções foram aprovadas pela quase totalidade dos países membros, com exceção dos próprios Estados Unidos e de Israel, seu protetorado no Oriente Médio; no ano passado, mesmo com uma inédita ofensiva dos diplomatas norte-americanos no órgão, somente 7 países votaram contra o texto aprovado. Dessa vez, a representação da Casa Branca buscou todas as medidas possíveis para evitar que os efeitos do bloqueio energético fossem debatidos, mas foi derrotada por 136 votos favoráveis, 30 abstenções e somente 9 votos contrários ao debate.
Em sua intervenção, o ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, denunciou as medidas desse ano como “ato de guerra”, componentes de uma “guerra não-convencional, multidimensional” já travada pelos EUA contra a ilha há mais de 60 anos. O ministro cubano ainda apontou que, apesar de Cuba resistir contra as expectativas de catástrofe humanitária até o momento, a falta de energia já lega efeitos brutais na saúde, como o aumento na taxa de mortalidade infantil ao nascer e o aumento da mortalidade de cubanos com câncer e outras doenças. Sobre a mesa de negociações aberta entre os dois governos, Parrilla destacou que, apesar da vontade da ilha em avançar nas medidas bilaterais para apaziguar a situação, a vontade do governo norte-americano é somente retornar Cuba à condição de colônia. A resposta da delegação estadunidense na ONU foi negar a existência de bloqueios ou embargos contra o país e dizer para o “regime cubano” simplesmente “acender as luzes para seu povo”. O restante das intervenções, da República Popular da China à União Europeia, pontuaram o efeito negativo do bloqueio para o conjunto da população cubana, sobretudo a parcela que mais depende dos serviços públicos e racionamento de produtos.
Frente à derrota diplomática, o Governo dos EUA anunciou na segunda-feira (13/07) mais uma leva de sanções à Cuba, destinadas ao setor turístico do país; Trump ainda pontuou que vai tomar “todas as medidas necessárias” sobre a “possibilidade de existência de drones e mísseis iranianos no país”. Diante de todas as medidas coercitivas e ameaças militares, o governo da Revolução Cubana segue buscando alternativas para melhorar as condições de vida na ilha, como o pacote econômico recentemente aprovado pela Assembleia Nacional do Poder Popular, que afrouxa drasticamente o controle sobre o setor privado na economia. A despeito das novas mudanças, as principais lideranças cubanas reafirmam o compromisso com o projeto social da Revolução, o socialismo e a consigna “Pátria ou Morte”.
*Diretor de Relações Internacionais da União Nacional dos Estudantes (UNE) - Via Brasil247
Por Marcelo Zero*
A Copa do Mundo nos EUA de Trump já vinha se mostrando uma aberração esportiva e geopolítica.
No início do ano, a Europa já se mostrava contrária a realização da Copa nesse país, em razão das ameaças de anexação da Groenlândia, das dissensões em relação à Otan, dos tarifaços politicamente motivados, do racismo do ICE, da xenofobia geral do governo Trump etc.
Agora, entretanto, o caldo entornou.
A reversão da punição de um jogador estadunidense, conseguida por Trump com um simples telefonema para Infantino, demonstrou o grau de submissão canina da Fifa ao governo Trump e a incomensurável corrupção de ambos.
A Copa, na realidade, se tornou uma metáfora de um mundo assolado pela violência e pela corrupção de um império decadente.
As relações internacionais se tornaram uma espécie de “mata-mata”, no qual os EUA têm de ganhar sempre por quaisquer meios, lícitos ou ilícitos.
Se tiver de ganhar roubando, comprando o juiz, fazendo insultos racistas, impondo logísticas punitivas (como fizeram com o Irã) ou quebrando a perna dos outros, que seja. “Var” só se for com deep fake feito com IA. E cartões amarelos e vermelhos só valem para os outros.
Só há espaço para um vencedor; os outros, os mais débeis, têm de ficar pelo caminho, frequentemente tendo de aguentar humilhações racistas, como aconteceu, impunemente, no jogo entre Argentina e Egito.
E há uma ironia amarga em toda essa história. O espetáculo, o talento, vêm de imigrantes do Sul Global, mas os louros são apropriados pelo Ocidente.
Os louros e também o dinheiro, que fica com a Fifa e com as grandes companhias patrocinadoras, isso sem falar na jogatina desavergonhada das “bets”.
O Império e a Fifa se complementam. Têm natureza autoritária e corrupta semelhante.
Essa Copa cara, racista, xenófoba e corrupta, transmite ao mundo a ideia de que esporte não deve estar associado à paz, ao respeito às regras, à diversidade e à inclusão, mas sim ao contrário: à violência real e simbólica, à exclusão, a um mundo hobbesiano no qual o grande valor é a força e a “vitória” a qualquer custo, como a distopia que Trump quer impor ao planeta, com o aplauso dos nossos traidores.
Não se poderia esperar outra coisa de uma Copa Trump-Infantino.
Uma Copa tão grotesca e farsesca quanto o prêmio da paz concedido por Infantino a Trump.
*Marcelo Zero é sociólogo e especialista em Relações Internacionais - Fonte: Viomundo
Geandro Ferreira Pinheiro: FECBESP — um corpo estranho à Fiocruz
Conversa com presidente cubano faz parte da apuração de novo documentário produzido pelo Brasil de Fato*
Os corredores do Palácio da Revolução em Havana, capital de Cuba, estão vazios. Do lado de fora, o governo percorre municípios e bairros da ilha, mantendo contato direto com uma população que enfrenta diversas dificuldades no dia a dia.
O presidente Miguel Díaz-Canel recebe o Brasil de Fato logo após retornar de uma dessas caminhadas que fazem parte da rotina de sua gestão, nas quais ele conversa com moradores e ouve reivindicações, preocupações e propostas. Enquanto se acomoda para a entrevista, que faz parte de um documentário que o BdF está produzindo, ele conta que, além dessas agendas na capital, todos os meses visita alguma região remota do interior da ilha.
No momento da conversa, a Revolução atravessa um dos períodos mais difíceis de sua história. Desde o fim de janeiro deste ano, Washington intensificou suas medidas de agressão ao ameaçar qualquer país que venda ou forneça petróleo ou combustíveis à ilha e ao ampliar, de forma sem precedentes, o alcance extraterritorial do bloqueio. Essas medidas agravaram a guerra econômica que Cuba enfrenta há mais de 60 anos.
“Você percebe como o povo cubano reage. Não há apagão que apague a nossa vontade, nem escassez que destrua a nossa esperança”, afirma.
“E o povo, em nível comunitário, se organiza. Então, não há transporte, mas todos os dias os médicos, as enfermeiras e os demais profissionais da saúde chegam aos seus postos de trabalho e, mesmo sem luz, atendem seus pacientes. Os professores dão aulas mesmo sem luz, e os camponeses plantam e produzem alimentos mesmo sem combustível. Essa é a imagem dessa resistência heroica e criativa do povo cubano.”
Desprovido de qualquer respaldo legal, o estrangulamento energético imposto pelos Estados Unidos tem um impacto devastador sobre todos os aspectos da vida cotidiana do povo cubano e provoca danos incalculáveis à economia do país.
Impedida de importar petróleo e combustíveis, a ilha foi obrigada a operar com sua limitada produção nacional. Nesse contexto, o fornecimento de energia precisou ser racionalizado para garantir o funcionamento dos setores mais críticos, como saúde e produção de alimentos. Ao mesmo tempo, o país acelera a transição para fontes renováveis de energia, sobretudo a solar fotovoltaica, como estratégia para mitigar os efeitos das agressões promovidas pela Casa Branca.
Sobre a relação com os EUA, Díaz-Canel foi enfático ao afirmar que pretende manter aberta a porta para o diálogo, mas ressaltou que a soberania do país é um princípio que o governo cubano não está disposto a ceder nem a negociar.
“Dialogar, conversar é uma coisa; outra coisa é negociar. Nós sempre defendemos isso, esta é a história da revolução. Sempre, na revolução, defendeu-se a possibilidade de ter uma relação civilizada com os Estados Unidos e de que, pela via do diálogo, sejamos capazes de resolver nossas diferenças bilaterais, sabendo que vamos ter diferenças ideológicas”, afirmou o presidente, insistindo no que pretende levar adiante em eventuais conversas com Donald Trump.
“Mas sempre sob o preceito de que não é negociável, nem na mesa de conversações, o nosso sistema político, a nossa soberania e a nossa autodeterminação. E tem que ser em condições de igualdade. Você não pode conversar, dialogar ou negociar sob pressão. Nós não somos uma nação em disputa, nós não somos uma colônia, nem somos uma possessão para que alguém se aproprie de nós. Somos uma nação soberana, independente e livre, que tomou como decisão da maioria um processo de construção socialista em meio a essas condições tão adversas”, conta o mandatário de Cuba.
Há 13 dias no país caribenho, a reportagem do Brasil de Fato registrou panelaços em duas noites de apagão. O cansaço das pessoas é evidente. A falta de energia, somada ao sufocamento econômico, afeta o cotidiano, obrigando a população a fazer verdadeiros esforços para conseguir dar conta das necessidades mais básicas.
Nas ruas, cubanos afirmam que a situação do país é resultado do bloqueio imposto pelo governo dos EUA. Essa reflexão, para Díaz-Canel, é resultado do acúmulo gerado pela revolução socialista no país.
“A imensa obra social da revolução abriu novos horizontes para as pessoas. Portanto, elas sabem o que se perde ao perder a revolução. E por isso existem essas convicções que se expressam dessa maneira popular, em que você encontra um camponês e ele diz: ‘Eu dou a vida pela revolução, eu vou fazer isso'”, comenta o presidente.
Por fim, Díaz-Canel conta que buscará a paz com os EUA e pediu que as ameaças militares cessem. “O que deveríamos buscar é um mundo melhor. Um mundo em que predomine o multilateralismo, em que se elimine a filosofia da espoliação, a filosofia da guerra, as ameaças, as sanções e os bloqueios unilaterais e coercitivos.”
*Havana/Cuba - Por Gabriel Vera Lopes, Igor Carvalho e Rodrigo Chagas. -Editado por: Rafaella Coury - Fonte: BdF
Da desclassificação da seleção ao uso político da camisa amarela, artigo analisa a degradação simbólica da bandeira nacional
Poucas horas após a desclassificação da seleção brasileira, um balão com o maior de todos os símbolos nacionais, a bandeira do Brasil, apareceu caído no asfalto de uma rua de Guarapari, cidade turística no litoral do Espírito Santo.
Quis o destino que o balão caísse ao lado da sarjeta, passando aos pedestres a impressão de que a nossa bandeira estava perto de ser engolida pelo esgoto da cidade.
O acaso nos leva a uma reflexão. De certa maneira, aquela imagem demonstra o que acontece quando a nossa paixão coletiva e o sentimento patriótico se vinculam a algo que pouco ou nada tem a ver com a verdadeira noção de patriotismo.
Infelizmente, a camisa da seleção brasileira foi alçada à condição de símbolo da Nação por razões que dizem respeito a tudo, menos à qualidade do futebol ou à aderência aos valores de pertencimento e unidade que permeiam o próprio conceito de nação. Passou a servir, inclusive, à manipulação ideológica dos fascistas que tentaram um golpe de Estado.
Há anos, quem acompanha o esporte sabe o que aconteceu. Conhece o desleixo da CBF com o futebol brasileiro e sabe como a principal entidade do esporte no país foi instrumentalizada, servindo aos interesses políticos da ditadura militar. Foi nesse processo que o futebol deixou, gradualmente, de ser um valor para os dirigentes da CBF.
Nesse sentido, vale lembrar que, em maio de 2015, pouco antes de os bolsonaristas transformarem a camisa amarela em traje fascista, o todo-poderoso ex-presidente da CBF, José Maria Marin, foi preso, acusado de envolvimento em um megaesquema de corrupção, durante uma reunião anual da FIFA, em Zurique, na Suíça. As investigações, conhecidas como Fifagate, apuravam crimes de extorsão, fraude e lavagem de dinheiro, envolvendo mais de US$ 100 milhões em propinas relacionadas à comercialização e aos direitos de transmissão de torneios de futebol na América Latina, como a Copa América e a Copa do Brasil.
Marin cumpriu parte da pena na penitenciária do Brooklyn, em Nova York.
Como se pode constatar, a camisa da seleção brasileira já vinha, havia muito tempo, sendo enlameada pelos maiores representantes da própria CBF. Não por acaso, caiu como uma luva para o grupo de golpistas do 8 de Janeiro, todos condenados por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e dano qualificado mediante violência e grave ameaça. Já ali, a CBF deveria ter feito uma ação no sentido de impedir que a imagem da instituição e seu símbolo maior, a camisa da seleção, fossem envolvidos em atos criminosos. Mas nada fez, talvez por concordância ideológica e moral.
A saída da seleção brasileira da Copa do Mundo não poderia ser mais melancólica, tendo em Neymar, principal representante do bolsonarismo no futebol, a expressão de atitudes antidesportivas que envergonham o país. Ao ofender e agredir verbalmente os jogadores da Noruega após uma derrota mais do que justa, Neymar acabou desrespeitando não apenas os adversários, mas todos aqueles que amam o futebol, especialmente os grandes craques do passado, como Garrincha, Pelé, Gérson, Rivellino, Zico, Sócrates, Falcão e tantos outros que sabiam sair de cabeça erguida do campo, reconhecendo a derrota e as qualidades dos adversários.
*Jornalista - Fonte: Brasil247