01 novembro 2026

Porto Alegre: deu pra ti, baixo astral*

Há uma dinâmica social em curso na Capital que evidencia que as condições políticas para a construção de uma alternativa democrática e popular estão maduras


   Foto: Marcelo Pires/Sul21

Por Gerson Almeida (*)

As sucessivas vitórias de Lula na cidade de Porto Alegre mostram que estão maduras as condições para a construção de uma alternativa política que supere os mais de 20 anos de governos neoliberais à frente da prefeitura. Desde a última administração popular, em 2005, o orçamento da cidade voltou a ser capturado pelos interesses de grandes grupos econômicos e a população foi afastada da definição das prioridades de investimentos. O resultado foi uma inversão no processo de universalização do acesso aos serviços urbanos básicos, educação de qualidade, moradia digna, políticas avançadas de gestão ambiental e de assistência social.

Isso fica evidente na queda acentuada dos indicadores sociais na cidade, como demonstrado no relatório do Índice de Progresso Social do Brasil (IPS), que avalia a capacidade da sociedade de atender às necessidades humanas básicas, garantir qualidade de vida e ampliar oportunidades para que todos os indivíduos possam atingir seu potencial.

A outrora cidade, orgulhosa da sua qualidade de vida, rola ladeira abaixo e disputa os humilhantes últimos lugares em inclusão social (5526 de 5570 municípios), moradia (4.649), segurança pessoal (4.464) e acesso ao conhecimento básico (4.627). Isso avalia a educação no município antes do Ensino Superior (Sul21, 20/05/26).

No ranking do Instituto Trata Brasil sobre saneamento básico, um indicador universalmente reconhecido como fundamental para medir a qualidade de vida da população, a trajetória de Porto Alegre é de acentuada queda: em 2016, a cidade ocupava a 38ª posição e mergulhou para a 63ª posição, em 2026, regredindo em todos os indicadores, como coleta de esgoto, perda de água tratada, investimentos baixos, etc. Essa decadência social e ambiental da cidade é um fator decisivo para o deslocamento eleitoral dos porto-alegrenses, que tem dado repetidas vitórias ao presidente Lula.

Neste segundo turno (2026), Lula obteve o seu maior percentual de votação (55,84%) e a sua votação absoluta recorde (456.019 votos), mostrando um crescimento consistente.

Esse vigor das candidaturas do campo democrático-popular em Porto Alegre foi confirmado na vitória de Juliana Brizola (PDT), que teve 338.394 (45,78%) dos votos válidos para o governo gaúcho, contra 324.823 (43,94%) de Zucco. Em 2022, Edegar Pretto, na sua primeira eleição majoritária, obteve 258.063 (32,26%), apenas 7.707 votos a menos do que o então governador Eduardo Leite, que disputava a reeleição. Naquela eleição, o PDT lançou candidatura própria, o ex-deputado Vieira da Cunha, que obteve 19.386 votos, número maior do que a diferença obtida por Leite.

A eleição para o Senado também mostrou a imensa adesão dos porto-alegrenses às propostas da esquerda. Manuela D’Ávila (Psol) obteve a maior votação, 340.437 votos, e o Paulo Pimenta (PT), em sua primeira eleição majoritária, conquistou 331.518 votos. Outro dado relevante é constatar que, entre os 10 deputados estaduais mais votados na cidade, 7 estão no campo democrático-popular: 3 (Psol), 3 (PT), 1 (PDT).

Há, portanto, uma dinâmica social em curso na cidade de Porto Alegre, que dá evidentes mostras de que as condições políticas para a construção de uma alternativa democrática e popular para a administração municipal estão maduras. A histórica virada que reelegeu o presidente Lula mostrou que, quando conseguimos entrar em sintonia com a vontade popular, despertamos uma energia social capaz de superar qualquer barreira.

Essa energia é despertada pela unidade do campo democrático-popular, em torno de propostas voltadas à melhoria das condições de vida de todos e da afirmação de um projeto de mundo mais igualitário, mais justo e ambientalmente sustentável. É hora de reafirmar que outra Porto Alegre é possível.

(*) Sociólogo, foi vereador e secretário do Meio Ambiente de Porto Alegre. - Fonte: Sul21

31 outubro 2026

Disque 100 - Denúncias de violência política ao Ministério dos Direitos Humanos saltam 350% durante o mês das eleições

Balanço reúne 189 casos no período eleitoral, impulsionados por episódios de assédio no trabalho e retaliações pós-urnas

O Disque 100 (Disque Direitos Humanos) é um serviço gratuito de atendimento telefônico e digital do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. | Crédito: Reprodução/MDHC


O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) registrou um aumento de 350% nas denúncias de violência política recebidas pelo canal Disque 100 entre os dias 1º e 25 de outubro. De acordo com o balanço divulgado pela pasta nesta sexta-feira (30), o serviço contabilizou 90 registros no período, frente a 20 ocorrências notificadas ao longo de todo o mês de setembro.

Na comparação entre períodos idênticos, do 1º ao 25º dia de cada mês, o crescimento atingiu 592,3%, saltando de 13 para 90 chamados. As datas das votações do primeiro e do segundo turnos, em 4 e 25 de outubro, concentraram 30% do total mensal, com 19 e 8 denúncias registradas, respectivamente.

Além do Disque 100, o ministério recebeu 41 relatórios entregues por parlamentares e partidos em reunião com a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, e mais 38 notificações por canais parceiros. No total, a pasta reuniu 189 denúncias acumuladas em setembro e outubro.

Todos os registros foram formalmente encaminhados para investigação do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), da Polícia Federal (PF), da Defensoria Pública da União (DPU), do Ministério Público (MP), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC). Os relatos envolvem episódios de violência política de gênero, agressões étnico-raciais e restrições ao direito ao voto.

Casos no ambiente de trabalho

A disparada de denúncias coincide com a multiplicação de episódios de coação e agressões registrados no período eleitoral. No âmbito trabalhista, o MPT contabilizou 3,3 mil denúncias de assédio eleitoral em 2026, das quais 2,6 mil foram formalizadas apenas no mês de outubro.

Em apenas 48 horas após a confirmação das urnas no segundo turno, o órgão recebeu 530 notificações relativas a ameaças de demissão, cortes de contratos de autônomos e retaliações a trabalhadores por posicionamento político.

Entre os casos emblemáticos ocorridos no mês, a 4ª Vara do Trabalho de Fortaleza determinou a reintegração urgente de 22 funcionários de uma confecção no Ceará. Os trabalhadores foram dispensados sumariamente no primeiro dia útil após a votação, sob ofensas verbais do proprietário do estabelecimento relativas às suas escolhas eleitorais.

Em resposta à escalada de violações, o governo federal e órgãos de fiscalização lançaram uma força-tarefa conjunta para apurar perseguições, notificar plataformas digitais sobre listas de boicote e responsabilizar infratores civil e criminalmente.

*Fonte: Redação do BdF - Editado por: Gia Matheus Almeida

30 outubro 2026

*NOTA POLÍTICA DA COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO PT - VIVA LULA PRESIDENTE!

 


O povo brasileiro escreveu, no último domingo, mais uma página extraordinária de sua história. Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito pela quarta vez presidente da República, com 51,8% dos votos válidos. Foram 64 milhões de brasileiras e brasileiros que escolheram o 13, na maior votação nominal já recebida por um candidato à Presidência. Pela primeira vez na história democrática do país, um candidato que chegou ao segundo turno em segundo lugar venceu as eleições. O primeiro operário eleito presidente do Brasil tornou-se também o primeiro brasileiro a promover uma virada eleitoral do primeiro para o segundo turno!

Foi uma vitória construída pelo povo, com coragem, esperança e uma extraordinária capacidade de mobilização. Entre o primeiro e o segundo turno, conquistamos mais de 10 milhões de votos, crescemos em todas as unidades da federação e viramos o resultado em mais de 100 municípios, enquanto nosso adversário conseguiu fazê-lo em apenas um. O Brasil registrou ainda o menor índice de abstenção desde 2006. Milhões de brasileiros e brasileiras decidiram que não ficariam à margem da história.

A grande protagonista desta vitória foi a mobilização popular. O Brasil viu florescer uma impressionante onda de participação política. A juventude ocupou as ruas, organizou grandes manifestações, reuniu multidões, mobilizou escolas e universidades e mostrou que uma nova geração está disposta a assumir seu lugar na construção do futuro do país. Os estudantes, com sua irreverência, criatividade e capacidade de organização, estiveram na linha de frente dessa jornada. Das grandes manifestações às brigadas de diálogo nas periferias, aos fandoms, a juventude demonstrou que a política pode voltar a ser espaço de esperança, pertencimento e transformação. Quando a democracia é ameaçada os artistas e intelectuais se posicionam porque não existe cidadania plena sem Cultura, nem democracia sem liberdade de expressão.

Com coragem, os idosos foram às urnas. As mulheres, a população LGBT e o povo negro também foram protagonistas desta vitória. Nas ruas, nas redes, nas comunidades, nos locais de trabalho e nas famílias se mobilizaram em defesa da democracia, dos direitos e de um futuro de mais igualdade. Merece destaque também o protagonismo das pessoas idosas [60+], cuja experiência, memória histórica e trajetória de participação nas lutas sociais e democráticas foram fundamentais nessa mobilização. Da mesma forma, os povos indígenas tiveram papel relevante na defesa da democracia, da soberania nacional, dos territórios, dos direitos originários e da preservação ambiental. São sujeitos históricos e políticos indispensáveis à construção de um Brasil mais justo, democrático e plural. Foram vozes decisivas na defesa da vida, no enfrentamento à misoginia, ao racismo, ao preconceito LGBT e na afirmação de que não há democracia verdadeira sem a participação, a liberdade e a igualdade. 

Nossa militância escreveu uma das mais belas páginas da história do Partido dos Trabalhadores. Em cada cidade, em cada bairro, nas periferias e no interior do país, milhares de companheiras e companheiros fizeram o que sempre souberam fazer: organizar o povo, conversar, escutar, convencer e transformar esperança em ação coletiva. A militância que nunca desistiu, que enfrentou os momentos mais difíceis da nossa história, mostrou mais uma vez sua potência. A virada nasceu das ruas, do trabalho coletivo, da generosidade e da convicção de que o Brasil vale cada esforço.

Nas redes sociais, a mobilização também foi extraordinária. O “Exército do Lula”, liderado por André Janones, somou-se à força da militância, dos comunicadores populares e de milhões de apoiadores, contribuindo para transformar o debate digital e enfrentar a desinformação. 

Esta foi uma vitória que ultrapassou as fronteiras partidárias. Ao lado dos partidos aliados, dos movimentos populares, dos sindicatos, dos artistas, dos intelectuais e de amplos setores da sociedade civil, também setores liberais, conservadores e da direita democrática que reconheceram a gravidade da ameaça representada pela continuidade do bolsonarismo. Apesar das diferenças políticas, compreenderam que a defesa da democracia deveria estar acima das disputas eleitorais. 

Vencemos defendendo a soberania nacional, a democracia e um projeto de desenvolvimento comprometido com a vida do povo brasileiro. Defendemos o SUS público, a educação em tempo integral, a universalização das creches, o enfrentamento à violência, a ampliação das políticas sociais, o fim da escala 6×1, a tarifa zero, e a utilização das riquezas nacionais para produzir desenvolvimento, empregos e oportunidades no Brasil.

Enfrentamos a mentira, o negacionismo, a violência política e as tentativas de interferência estrangeira no processo democrático brasileiro. Vamos articular o desenvolvimento nacional à distribuição de renda, à valorização dos salários, à ampliação dos direitos trabalhistas, à redução da jornada e ao enfrentamento das desigualdades de classe, étnico-raciais, de gênero e regionais, integrando a sustentabilidade ambiental e a valorização do trabalho no campo e na cidade.

Lula foi eleito para fazer mudanças. O novo mandato deve abrir um ciclo de transformações estruturais, com destaque para a reforma do Sistema de Justiça, a reforma do Sistema Político-Eleitoral e a regulação democrática das grandes plataformas digitais. É preciso aprofundar a democracia, enfrentar desigualdades históricas e garantir que o desenvolvimento do Brasil se traduza em melhores condições de vida para sua população.

Vamos construir uma estratégia nacional de soberania digital e tecnológica, com investimentos em ciência, inteligência artificial e tecnologias nacionais, proteção de dados e democratização do acesso digital. É necessário enfrentar a dependência tecnológica e a concentração de poder das grandes plataformas, assegurando que essas transformações estejam a serviço da democracia, do desenvolvimento nacional e dos direitos da população sem fazer ajuste em cima dos mais pobres.

O povo brasileiro nos confiou mais quatro anos para governar o país. Nossa responsabilidade é fazer deste período um tempo de grandes realizações, ampliando conquistas, fortalecendo direitos e aprofundando o diálogo com a sociedade. Como afirmou o presidente Lula, este será um governo de muito diálogo.

Cabe ao PT ser uma ponte permanente entre o governo, os partidos políticos, os movimentos sociais e os diferentes setores da sociedade, mantendo viva a energia democrática que se expressou nas eleições. Vamos defender um governo com participação do povo nas decisões políticas, com orçamento participativo e mobilizado para garantir o programa que elegeu Lula Presidente!

A celebração desta conquista não diminui nossa responsabilidade diante dos desafios que permanecem. A fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil apenas dois dias depois do resultado do segundo turno, em meio às denúncias e investigações de corrupção, revela a gravidade do momento político.

Flávio Bolsonaro, foragido nos EUA, escreveu uma carta se intitulando “o verdadeiro presidente”, sem reconhecer o resultado da eleição com base em falsas alegações sobre as eleições. Contesta o resultado de eleições legítimas, auditáveis e transparentes, que manifestaram a soberania popular para escolha de representantes para câmaras estaduais e federal, Senado, Governos e Presidência, e foram reconhecidas pelo TSE e por todos os partidos políticos, inclusive, pelo PL. 

Não é a primeira vez que a família Bolsonaro não reconhece o resultado das eleições. Em 2022, contestaram os resultados planejando uma tentativa de golpe de estado e assassinato do presidente e vice presidente eleitos. Esta tentativa, desarmada pelas instituições democráticas, culminou na prisão de Jair Bolsonaro e dos militares envolvidos. Mas a tentativa, através da carta de Flávio, de conclamar a interferência externa, representa um novo degrau da reação autoritária por parte dos derrotados nas urnas. 

A posição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante do resultado eleitoral e de sua presença em território norte-americano também exige atenção. O Brasil não aceitará que interesses estrangeiros interfiram em sua democracia, nem que disputas políticas sirvam de pretexto para desrespeitar a vontade soberana do povo brasileiro, em eleições amplamente fiscalizadas e reconhecidas por sua lisura. 

Também nos preocupam profundamente os episódios de violência política registrados durante os últimos dias da campanha e após a votação. No dia 24 de outubro, a vereadora Iara Pimentel, do PT de Montes Claros (MG), foi atingida por uma pedrada no rosto durante uma carreata.

Há denúncias de homicídios, tentativas de homicídio, agressões, ameaças e intimidações, além de graves relatos de assédio eleitoral nos ambientes de trabalho, com ameaças de demissão, perseguições e constrangimentos contra trabalhadores e trabalhadoras que votaram em Lula. É inadmissível que o exercício livre do voto, um dos direitos mais fundamentais da democracia, seja ameaçado por qualquer forma de violência ou coerção. O Ministério Público do Trabalho deve estar especialmente atento às denúncias de assédio eleitoral, atuando com rigor na investigação e responsabilização dos envolvidos. 

Orientamos também que os diretórios municipais e estaduais comuniquem todas as ocorrências de violência política e assédio eleitoral ao Diretório Nacional, por meio do formulário disponibilizado em pt.org.br, para o acompanhamento dos casos, o encaminhamento das denúncias aos órgãos competentes e a adoção das providências cabíveis.

A vitória eleitoral não encerra a tarefa de defender a democracia. Transformar a vitória eleitoral em organização popular permanente, fortalecendo os núcleos de base e os diretórios do PT, no campo e na cidade. Para isso, é necessário ampliar a formação política, promover plenárias territoriais, fortalecer os movimentos populares, sociais e sindicais e criar espaços permanentes de escuta e participação.

O partido deve incorporar novas formas de organização e mobilização, renovar sua comunicação e ampliar sua presença nos territórios, transformando o apoio eleitoral em força social organizada. 

É fundamental preservar a participação social, fortalecer a organização popular e manter abertos os caminhos de diálogo e mobilização que tornaram possível esta conquista. Vamos também fortalecer o diálogo do PT com as diferentes tradições religiosas, respeitando a liberdade de consciência e a laicidade do Estado.

Construir convergências em torno da democracia, da justiça social, da solidariedade e da dignidade humana, enfrentando a intolerância religiosa e a instrumentalização da fé contra os direitos e a democracia.

Orientamos os diretórios, os movimentos sociais e as centrais sindicais a seguirem organizados, contribuindo para a defesa das instituições democráticas e para o acompanhamento da implementação do projeto aprovado nas urnas. 

A população negra brasileira teve papel decisivo na vitória de Lula e na mobilização popular em defesa da democracia, da soberania nacional e de um país com menos desigualdades. Nas periferias, nos movimentos sociais, nas redes e nas ruas, negras e negros estiveram na linha de frente da campanha, enfrentando o racismo, a desinformação e as desigualdades que historicamente limitam sua participação política. Esse protagonismo deve se traduzir em mais políticas de igualdade racial, maior representação política negra e combate ao racismo estrutural e institucional.

O PT deve convocar sua militância, os setoriais, as secretarias de combate ao racismo, os mandatos parlamentares e o movimento negro para uma ampla mobilização no Novembro Negro, com o 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, como marco de luta, reflexão e organização. É fundamental ocupar ruas e redes com atos, plenárias, formação e debates nos territórios, reafirmando que não há democracia plena sem justiça racial, reparação histórica e igualdade de oportunidades. 

A juventude que tomou as ruas deve ter um lugar central neste novo momento. O PT precisa abrir suas portas, renovar suas formas de participação e construir, com os jovens, novos caminhos de organização política. Orientamos a realização de uma ampla campanha de filiação de jovens ao Partido dos Trabalhadores, articulada a espaços de escuta, formação, participação e acolhimento dessa geração que demonstrou tanta disposição para construir o futuro do Brasil. Cabe ao PT assumir sua responsabilidade histórica na continuidade e no aprofundamento do projeto democrático e popular, formando novas lideranças, renovando suas práticas e fortalecendo sua organização para os desafios do período pós-Lula.

No dia 5 de janeiro de 2027, o Presidente Lula tomará pela quarta vez posse como Presidente da República, para seu último mandato na função. Será um dia histórico, marcando essa trajetória de lutas e transformações do Brasil. Por isso, para celebrar esse dia, convidamos os diretórios estaduais, parlamentares, sindicatos, movimentos sociais a organizarem caravanas para a militância estar presente e festejar a posse em Brasília. 

Convocamos para o dia 13 de novembro de 2026 uma reunião do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, destinada ao balanço das eleições e à análise da conjuntura política. A partir desse debate, será elaborado um documento com a síntese política aprofundada do partido sobre a vitória histórica alcançada e as orientações para o próximo ciclo.

Celebramos esta conquista com alegria, gratidão e consciência histórica. O Brasil demonstrou que a democracia tem raízes profundas, que a esperança pode vencer o medo e que a luta social é capaz de transformar os rumos de uma nação. Das mãos dos trabalhadores  à ousadia dos estudantes, da coragem das mulheres à perseverança de nossa militância, milhões de brasileiros e brasileiras fizeram desta vitória uma construção coletiva.

O Brasil escreveu uma página extraordinária de sua história. Agora, é tempo de transformar a força dessa vitória em um novo ciclo de democracia, direitos, soberania e justiça social.

EM 29 DE OUTUBRO DE 2026 - Fonte: https://pt.org.br/


(Edição final deste Blog)

28 outubro 2026

ROTA DE FUGA - Flávio Bolsonaro fugiu pela Argentina na noite de terça (27) e fez escala no Equador antes de seguir para os EUA

Senador cruzou a ponte para Puerto Iguazú às 22h50 e embarcou em jatinho que desviou do espaço aéreo brasileiro



O candidato derrotado na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), fugiu do Brasil pela fronteira com a Argentina na noite de terça-feira (27) e, depois de uma escala no Equador, segue para os Estados Unidos nesta quarta-feira (28). O bolsonarista é investigado por lavagem de dinheiro e estava impedido de deixar o país.

O jatinho particular em que estão o senador, a esposa e as duas filhas decolou de Guayaquil às 6h22, no horário de Brasília, com previsão de chegada ao aeroporto executivo de Opa-locka, em Miami, por volta das 10h40, segundo o site de monitoramento aéreo FlightAware. Para chegar ao destino, o voo evitou o espaço aéreo brasileiro e sobrevoou o Paraguai, a Bolívia e o Peru.

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, a família atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província de Misiones, às 22h50 de terça-feira. Quarenta minutos depois, às 23h30, teria embarcado em Puerto Iguazú em um Gulfstream G400 da empresa Baires Fly, com destino informado a Guayaquil. De acordo com a emissora argentina C5N, o senador cruzou a fronteira em uma van e estava em uma fazenda em Foz do Iguaçu desde a noite anterior.

Segundo a migração argentina, todos os integrantes da família apresentaram documentos de viagem válidos. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado o cancelamento de todos os passaportes brasileiros do senador, inclusive os diplomáticos. Flávio Bolsonaro tem também um passaporte italiano, concedido em 2023, durante o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni, que, pela decisão de Moraes, também deveria ter sido entregue.

Aval de Trump

Com a fuga, Flávio Bolsonaro [foto] segue o caminho do irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que está foragido nos Estados Unidos depois de ser condenado por coação no curso do processo que levou à prisão do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na terça-feira, o Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que vai conceder vistos ao senador e à família.

Nesta quarta, o presidente Donald Trump disse aprovar a ida de Flávio Bolsonaro ao país e voltou a atacar, sem provas, a eleição brasileira. “Bem, eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível”, afirmou. A decisão do governo Trump foi criticada por um comitê do Partido Democrata, e parlamentares argentinos pediram a investigação da passagem do senador pelo país.

Ordem descumprida

A fuga ocorreu depois de Flávio Bolsonaro descumprir a ordem de Moraes, que o proibia de deixar o país e determinava a entrega dos passaportes até as 11h de terça-feira. A decisão foi tomada na noite de domingo (25), dia do segundo turno, num processo em que o senador e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro, num suposto esquema que envolveria empresas do advogado e casas de apostas.

Willer Tomaz, apontado como figura central nas fraudes contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), também está foragido no exterior. O senador é investigado ainda em um inquérito sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, e o ministro Flávio Dino mandou a Polícia Federal (PF) apurar suspeitas de financiamento estrangeiro na campanha dele.

No pedido ao STF, a PF apontou riscos “concretos e atuais” de fuga, com base em três elementos: a recomendação pública de Eduardo Bolsonaro para que o irmão deixasse o país em caso de derrota, o “expressivo poder econômico” do senador e a existência de estruturas no exterior que poderiam viabilizar uma permanência prolongada.

Um dia antes de fugir, Flávio Bolsonaro negou em vídeo que pretendesse deixar o país e atacou a decisão. “A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo, de 23/10, de que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte?”, disse.

O mandato de Flávio Bolsonaro no Senado termina em 31 de janeiro, quando ele perde o foro privilegiado. Para o sociólogo Thiago Esteves, professor da Universidade Federal de Ciência e Inovação do Rio de Janeiro (UFIRJ), a fuga tem relação direta com isso.

“Ele está fugindo porque sabe muito bem o que ele fez. Sem imunidade parlamentar, os malfeitos que ele, porventura, tenha cometido serão investigados”, afirmou ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. “Ele assinou sua sentença de culpa.”

‘Lamber botas’

No PL, a fuga foi recebida com constrangimento. O senador Rogério Marinho (PL-RN), um dos coordenadores da campanha de Flávio, disse que os aliados não sabiam do plano, mas defendeu o bolsonarista. “Nós, evidentemente, não fomos informados, mas até compreendo caso o senador Flávio tenha saído do Brasil com sua família”, afirmou. Para Marinho, a ordem de entrega dos passaportes seria “a preparação de uma coisa mais persecutória”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (25), classificou a fuga como “vergonhosa” e lembrou que, quando foi investigado na Operação Lava Jato, entregou o passaporte a pedido da Justiça. “Isso é uma falta de respeito com eleitores dele. Falta de respeito que ele teve com a democracia brasileira. Eu perdi em 1989. Fui lamber minhas feridas e fiquei aqui. Eu perdi em 1994. Fui lamber minhas feridas e fiquei aqui. Eu perdi 1998 e fiquei aqui”, disse.

O presidente também questionou o patriotismo do adversário. “O Brasil é a segunda pátria dele. A primeira pátria dele é lamber botas dos Estados Unidos”, afirmou.

*Via Redação do BdF - Editado por: Geisa Marques

**Edição final deste Blog

‘Flávio foge da justiça, da polícia e da verdade’, critica dirigente do PT

Secretário do partido afirma que senador deixou o país por temor de ser preso devido a denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro



Por Guilherme Levorato*

Diante do embarque do senador e ex-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos após a derrota nas urnas e com a proximidade do fim do seu mandato parlamentar, o Secretário Nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares [foto], criticou duramente a conduta do parlamentar. De acordo com o dirigente partidário, a viagem repentina evidencia o pavor do senador em encarar a responsabilização penal por suspeitas de esquemas de corrupção, informa a CartaCapital.

Valadares destacou as sucessivas mudanças de postura do parlamentar em um curto intervalo de tempo. O dirigente recordou que o senador iniciou o dia contestando o resultado do pleito e convocando militantes, passou a declarar que comandaria a oposição no Congresso após ser isolado politicamente e, ao final do dia, optou por deixar o território nacional. “Todo valentão é um covarde. Quanto mais brada, quanto mais grita, mais covarde ele é. De manhã, Flávio disse que não ia reconhecer as eleições e convocou seus seguidores a ir para as ruas. À tarde, isolado pelo próprio partido, mudou o discurso e disse que ia liderar a oposição e que não desistiria do Brasil. À noite, na calada da noite, fugiu do país. Não aguentou 24h sequer”, disse Éden.

Na avaliação do dirigente do PT, a atitude retrata uma conduta recorrente na família, comparando a situação à do seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL), que se encontra nos Estados Unidos, e às ações de Jair Bolsonaro (PL). Para Éden, a atitude demonstra desrespeito direto com os eleitores que deram voto ao projeto do grupo. “Flávio segue o roteiro do irmão foragido e do pai que tentou quebrar a tornozeleira e pegou o caminho da fuga. Deixa para trás quem votou nele, quem acreditou neles. Mas nunca foi sobre o Brasil. Nunca foi sobre ser de direita ou ser conservador. Sempre foi sobre os interesses da própria família. Não tem compromisso com o país, não tem amor pelo Brasil; tem apenas projeto de poder, tem apenas a intenção de cobrir seus crimes, se safar da justiça”.

O representante petista observou ainda que a saída do país representa um ato de desconsideração não apenas com os apoiadores e com a própria legenda política, mas também com o Poder Legislativo, onde o senador ainda exerce mandato. “Não importam seus apoiadores, não importam seus seguidores, a bancada no Senado, na Câmara… Não importa nada”.

Além disso, Valadares antecipou que aliados do bolsonarismo tentarão construir uma narrativa fictícia de perseguição política para ocultar investigações sobre lavagem de dinheiro, corrupção e remessa ilegal de divisas associadas a apurações envolvendo Daniel Vorcaro, o advogado Willer Tomaz e desvios nas aposentadorias do INSS. “E, apesar do discurso que o seu Nikolas e outros enganadores vão falar, Flávio não está fugindo de perseguição alguma. Foi candidato e perdeu na urna. Mas, depois da derrota, ele lembrou que é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro — investigação instaurada por André Mendonça. Ele lembrou que está todo enrolado no escândalo do Banco Master e nas bets de Willer Thomaz. Ele lembrou da ilha de Richarlison, das milícias, da rachadinha”.

Por fim, o secretário reafirmou que o movimento do senador é motivado exclusivamente pelo receio de uma eventual ordem de prisão e expressou o desejo de que o episódio sirva para conscientizar a base eleitoral do parlamentar. “Flávio foge da justiça. Foge da polícia. Foge da verdade. E deixa para trás quem acreditou nas suas mentiras. Larga a mão de quem caminhou ao seu lado. Dá um tapa na cara de quem foi para a rua defender a mudança. Flávio queria ser presidente para não ser preso. Fugiu para não ser preso. Mas que sua fuga sirva para tirar da prisão da mentira quem acreditou nele. O Brasil tem presidente, tem Constituição, tem lei, tem governo. Que tenha oposição de verdade, e não uma família fugindo da justiça”.

*Fonte: Brasil247 - Edição final deste Blog

26 outubro 2026

Como a imprensa internacional noticiou vitória histórica de Lula*

 

Lula e Donald Trump durante encontro em Kuala Lumpur, na Malásia
Lula e Donald Trump durante encontro em Kuala Lumpur, na Malásia, em outubro de 2025. Foto: Reprodução


DCM* - A imprensa internacional tratou a vitória do presidente Lula (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) como um freio à guinada de extrema-direita na América Latina e uma derrota para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Reeleito no domingo (25), o petista garantiu o quarto mandato após reverter o resultado do primeiro turno.

Veículos estrangeiros também destacaram o caráter inédito da virada desde a redemocratização. A disputa apertada e a extensão da trajetória política do petista apareceram nas análises de jornais e redes de televisão dos Estados Unidos e da Europa.

A Associated Press definiu Lula como um “crítico de Trump”.

AP noticia vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno. Foto: Reprodução

A CNN afirmou que o petista derrotou um “aliado de Trump” e manteve o Brasil à esquerda em uma região que tem elegido governos de direita.

CNN diz que Lula venceu “aliado de Trump”. Foto: Reprodução

O Washington Post avaliou que o resultado impediu a maior democracia latino-americana de aderir a essa tendência.

“Lula vence a reeleição no Brasil, desafiando a guinada à direita na América Latina”, diz Wasghinton Post. Foto: Reprodução

Já o Financial Times classificou a reeleição como um golpe nas pretensões de Trump de ampliar a influência dos Estados Unidos na região.

Financial Times cita vitória de Lula em “votação apertada”. Foto: Reprodução

Veículos destacam disputa apertada e virada eleitoral

A BBC e o Financial Times descreveram a apuração como uma disputa voto a voto. O Wall Street Journal chamou o desfecho de surpresa e apontou que Lula prolonga uma das carreiras políticas mais duradouras da América Latina.

Wall Street Journal lembra que Lula tem uma das “carreiras políticas mais longas da América”. Foto: Reprodução

O espanhol El País classificou o resultado como uma “virada épica”, capaz de frear o avanço da extrema direita no Brasil e dar “um balão de oxigênio” à esquerda no mundo.

El País elogia “virada épica” de Lula contra Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

Para o New York Times, a vitória transmite um recado ao movimento de extrema-direita que conquistou presidências latino-americanas e recebeu apoio de Trump. O jornal apontou que o resultado interrompeu uma sequência de sete vitórias da direita na região em 18 meses.

New York Times lembra que Flávio Bolsonaro não aceitou derrota. Foto: Reprodução

O Le Monde afirmou que o Brasil não acompanhou a mudança à direita observada em países como Argentina, Chile e Colômbia. O jornal francês avaliou que Lula reduziu a desvantagem do primeiro turno ao atrair parte dos eleitores que haviam se abstido.

Le Monde destaca “derrota da extrema-direita”. Foto: Reprodução

O argentino La Nación informou que a abstenção caiu para 19,21%, o menor índice em 20 anos. O diário também descreveu como “pouco conciliador” o discurso de Lula, que disse que o Brasil “não aceita ser o quintal de ninguém”, prometeu regular as redes sociais e chamou Flávio de “representante do milicianismo”.

La Nación cita “virada inédita” de Lula. Foto: Reprodução
*Via Diário do Centro do Mundo - DCM