01 fevereiro 2026

DOIS POEMAS DE MANUEL BANDEIRA

   


Vou-me embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

 

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

 

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d’água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

 

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcaloide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

 

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada. 

..... 

Desencanto


Eu faço versos como quem chora

De desalento… de desencanto…

Fecha o meu livro, se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto.

 

Meu verso é sangue. Volúpia ardente…

Tristeza esparsa… remorso vão…

Dói-me nas veias. Amargo e quente,

Cai, gota a gota, do coração.

 

E nestes versos de angústia rouca,

Assim dos lábios a vida corre,

Deixando um acre sabor na boca.

— Eu faço versos como quem morre.

29 janeiro 2026

Lembrando José Martí - Marcha das Tochas em Cuba: ‘O anti-imperialismo é um amor profundo à liberdade’

Milhares de jovens acendem tochas em homenagem a José Martí e pela soberania e unidade da América Latina

Cubanos participam da Marcha das Tochas no 173º aniversário do Herói Nacional José Martí (líder da independência de Cuba da Espanha e fundador do Partido Revolucionário Cubano) em Havana | Crédito: Adalberto Roque/AFP

“Não viemos apenas para lembrar, viemos para continuar a obra de Martí”, foram as palavras com que Litza Elena González Desdín, presidente nacional da Federação Estudantil Universitária (FEU), deu início à tradicional Marcha das Tochas.

Sob o lema “Unidade e resistência”, milhares de jovens se reuniram na emblemática escadaria da Universidade de Havana, na noite de terça-feira (27), onde ouviram o discurso da dirigente estudantil minutos antes de acender as milhares de tochas que iluminariam a mobilização.

“Martí vive na resistência daqueles que nunca desistem diante das dificuldades; naqueles que jamais se ajoelham diante do opressor; naqueles que defendem o valor das ideias como uma força insuperável; e vive em nós, jovens que sabemos que o anti-imperialismo é um amor profundo à liberdade”, afirmou González Desdín, em meio a aplausos.

Horas antes do pôr do sol, estudantes universitários e do ensino médio começaram a ocupar as imediações da universidade. Organizada pela Federação Estudantil Universitária, a Marcha das Tochas acontece todos os anos para comemorar o nascimento de José Martí, considerado o Apóstolo da Pátria.

Este ano, o que deveria ser um encontro em comemoração ao Herói Nacional e ao centenário de seu “melhor discípulo”, Fidel Castro, transformou-se em uma marcha de luto, mas também de luta anti-imperialista. A mobilização ocorreu em um contexto marcado pelas crescentes ameaças do governo dos Estados Unidos contra Cuba e por um clima de luto nacional, após a morte de 32 internacionalistas cubanos caídos em combate durante o ataque perpetrado contra a Venezuela. (...)

“Compatriotas, estamos vivendo tempos muito conturbados, nos quais o império e seu imperador, Donald Trump, querem impor a ordem das bombas, dos sequestros, da perseguição, da destruição e da morte, e pretendem nos fazer voltar ao fascismo destruidor”, denunciou González Desdín, que também condenou “nos termos mais enérgicos a covarde agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela e o sequestro do presidente daquela nação irmã, Nicolás Maduro Moros, e de sua companheira Cilia Flores”.

Em um dos momentos mais emocionantes da jornada, acrescentou: “Nunca esqueceremos que, naquela noite de 3 de janeiro, na madrugada mais sombria, os cubanos perdemos fisicamente 32 de nossos filhos mais valentes, muitos deles jovens, que, no cumprimento de seu dever, caíram sob o bombardeio dos atacantes. Eles são uma inspiração constante para nossa geração; são paradigmas da história da luta por uma América unida, por uma Pátria cada vez mais soberana. Para eles, honra e glória para sempre”.

Pátria é humanidade

Nascido em Havana, em 1853, José Martí foi poeta, pensador, educador e, acima de tudo, revolucionário. Fundador do Partido Revolucionário Cubano (PRC), que tinha como objetivo lutar pela independência de Cuba e de Porto Rico, Martí se tornou uma das principais figuras do ciclo de guerras de independência no final do século 19.

Desde muito jovem, uniu-se às fileiras independentistas, atividade pela qual foi preso e exilado ainda adolescente. Aos 15 anos, publicou o poema Abdala, no qual delineava seu conceito de pátria:

“O amor, mãe, à Pátria / não é o amor ridículo à terra / nem à erva que pisam nossos pés / é o ódio invencível a quem a oprime / é o rancor eterno a quem a ataca”.

Mobilização em Havana presta homenagem a José Martí, no 173º aniversário de seu nascimento
Milhares se reuniram pela soberania dos países latino-americanos na noite de terça (27) | Crédito: Enrique González (Enro)/Cubadebate.
As ideias de Martí não apenas impulsionaram a luta pela libertação de Cuba, mas também projetaram uma visão latino-americana diante do domínio das grandes potências. Por isso, mais de um século após seu nascimento, seu pensamento continua sendo referência ética e política para os povos da região.
A figura do Apóstolo da Pátria também foi uma das principais fontes de inspiração da Revolução Cubana. Em 1953, durante o centenário de seu nascimento, um grupo de jovens estudantes e trabalhadores, entre eles Fidel Castro, protagonizou a primeira Marcha das Tochas em oposição à ditadura de Fulgencio Batista. Aquela mobilização estudantil, realizada na madrugada do dia 27 de janeiro, tornou-se um antecedente do ataque ao Quartel Moncada e um dos marcos iniciais do processo revolucionário que triunfaria seis anos depois.
Desde então, todo dia 27 de janeiro, na véspera do aniversário do nascimento de José Martí, milhares de jovens cubanos se mobilizam para prestar-lhe homenagem. Este ano, quando a Marcha das Tochas completou 71 anos de realização ininterrupta, o legado martiano voltou a ser convocado como um ponto de encontro para a defesa da soberania, da unidade latino-americana e da resistência frente ao imperialismo. -*Editado por: Luís Indriunas - Via Brasil de Fato

28 janeiro 2026

A morte do Jornalismo*

A sociedade não percebe o que isso significa

   Jornalismo (Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/ABr)

Por Alex Solnik*

Comete crime quem atende pacientes no hospital ou no consultório sem ter um diploma de médico e o registro formal no Conselho Regional de Medicina (CRM). O paciente atendido por um leigo ou um charlatão corre o risco de ficar mais doente e, no caso extremo, vir a óbito.

Quem pretende desenhar ou construir casas, prédios, viadutos e estradas, tem que se formar arquiteto ou engenheiro, e obter o registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) ou no Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo (CAU/UF) para exercer a profissão. Se um leigo ou um charlatão assume desenhar ou construir, o prédio corre o risco de cair, e seus moradores, acabar sob escombros. 

O mesmo se dá com advogados, que obrigatoriamente têm que estudar Direito e só podem exercer a profissão depois de passar pelo crivo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Caso contrário, poderão levar à condenação aqueles que pretendem defender.

O Jornalismo, embora seja tão fundamental quanto a Medicina, a Arquitetura, a Engenharia e a Advocacia virou terra de ninguém, onde qualquer um, mesmo sem nem saber escrever corretamente, sem nenhum diploma, sem passar pelo crivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), se arvora em “informar”, “opinar” e “formar opiniões”, sem conhecer os requisitos mínimos da profissão, como a obrigatoriedade de “consultar os dois lados” e só transformar um assunto em notícia se as cinco questões básicas - quem, onde, quando, como e por que - podem ser respondidas por completo.

A consequência dessa torre de Babel é a desinformação, proposital ou não, que distorce fatos, confunde a opinião pública e destrói a credibilidade da imprensa.

As chamadas “redes sociais”, onde leigos e charlatães encontram campo fértil para disseminar seu ódio, suas mentiras e suas idiossincrasias, sem vergonha e sem freios, permitem que o jornalismo seja assassinado minuto a minuto, dia a dia, sob o olhar complacente da sociedade, que não percebe o que isso significa. 

É verdade que há jornalistas diplomados e experientes que não seguem as boas práticas do Jornalismo, como também há médicos, advogados e engenheiros transgressores. Mas isso não pode ser usado como argumento para abolir a exigência dos diplomas. 

Também é verdade que jornais e revistas podem disseminar meias verdades ou distorcer fatos de acordo com seus interesses. Não há como negar. 

Só que, em razão de suas tiragens serem limitadas, não provocam tantos danos quanto as “redes sociais” que, ao divulgar essas mesmas “notícias” atingem milhões de pessoas em poucos minutos. 

A morte do Jornalismo não é só um atentado à informação correta, tão fundamental para a sociedade quanto um prédio bem construído, um doente bem medicado, um injustiçado bem defendido.

A morte do Jornalismo leva, em última análise, à morte da Democracia.

Quando todos são “jornalistas”, ninguém é.   

*Jornalista - via Brasil247

26 janeiro 2026

"A PRÉ-CANDIDATURA DO COMPANHEIRO EDEGAR PRETTO AO GOVERNO DO RS É IRREVERSÍVEL" (NOTA OFICIAL DA DIREÇÃO ESTADUAL DO PT/RS)

 

Edegar Pretto e o Presidente Lula

 

"A pré-candidatura do companheiro Edegar Pretto ao governo do Rio Grande  do Sul é uma questão definida para o PT do Rio Grande do Sul. A pré-candidatura do Edegar, atual presidente da Conab e ex-presidente da Assembleia Legislativa do RS, foi aclamada pelo partido em 30 de novembro passado, durante a realização do Encontro Estadual do partido, que reuniu, em Porto Alegre, dirigentes, militantes e lideranças petistas de todas as regiões gaúchas.

 

Destaco ainda que a pré-candidatura do Edegar é uma construção absolutamente coletiva e que resulta da realização de inúmeros encontros regionais e setoriais realizados ao longo de 2025. 

 

O conjunto do nosso partido tem plena confiança não só no potencial eleitoral do Edegar, como na sua capacidade de trabalho e de articulação política.

 

O desempenho dele à frente da Conab é um atestado disso. Registro que, em todos os diálogos que tenho mantido com o presidente nacional do PT, o companheiro Edinho Silva, em nenhum momento foi questionada a nossa estratégia, ou seja nossa chapa está, reitero, definida com a pré-candidatura de Edegar Pretto governador e Paulo Pimenta Pimenta senador.  Esta decisão é  irreversível.

 

O PT está unido, coeso e muito bem representado pelo Edegar, pelo Pimenta e também pelo nome da companheira Manuela D'Ávila (PSOL) para a disputa da outra vaga do Senado.  E seguimos mobilizados e abertos para construir uma frente capaz de retomar o Palácio Piratini e de reeleger o presidente Lula.

 

Respeitamos todos pré-candidatos, mas chegou a hora do Rio Grande voltar a ter um governo comprometido de fato com o povo gaúcho e de voltar a ter um projeto de desenvolvimento concreto e para todos.

 

Valdeci Oliveira, Presidente do PT-RS

 

  Porto Alegre/RS, 24 de janeiro de 2026."

...


*Edição final deste Blog.

REFORMA AGRÁRIA - Em encontro do MST, Lula critica agressão à Venezuela e genocídio em Gaza

Presidente participou do ato de encerramento do 14° Encontro Nacional do MST, em Salvador (BA)


Presidente Lula em cerimônia de encerramento do encontro nacional do MST, em Salvador (BA). | Crédito: Wellington Lenon/MST

Por Leonardo Fernandes*

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta sexta-feria (23) do ato de encerramento do 14° Encontro Nacional do Movimento Sem Terra (MST), em Salvador (BA). No discurso, Lula criticou a agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira dama e deputada nacional, Cilia Flores.

“Eu fico toda noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Eu não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no mar do Caribe. Ele sabia que todo dia tinha uma ameaça. Todo dia tinha uma ameaça. Ou seja, os caras entram à noite na Venezuela, vão no forte, que é um quartel onde morava o Maduro, e leva o Maduro embora. E ninguém soube que o Maduro foi embora. Ou seja, como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América do Sul”, declarou o presidente.

Lula ressaltou que a América do Sul é um território com histórico de paz. “A gente não tem armas nucleares, a gente não tem bomba atômica, a gente só tem gente pobre que quer trabalhar e quer viver, que quer comer, quer almoçar, quer jantar, quer estudar. A gente não quer guerra. Então, o que nós temos para mostrar para eles é o nosso caráter e a nossa dignidade”, afirmou.

“A gente não tem arma, mas a gente tem caráter e dignidade e a gente não vai baixar a cabeça para ninguém, quem quer que seja”, completou o mandatário, que ainda fez referência ao avanço da extrema direita em diversos países latino-americanos.

“Vocês estão acompanhando o que está acontecendo na América Latina? Vocês estão acompanhando o que aconteceu no Chile, o que aconteceu na Argentina, o que aconteceu com a Venezuela, o que aconteceu com o Paraguai, o que aconteceu com o Equador, vocês estão acompanhando o que aconteceu com a Costa Rica, em Honduras e o que está acontecendo no mundo com a eleição do presidente Trump para presidente dos Estados Unidos. Vocês estão acompanhando e vocês estão percebendo que nós estamos vivendo um momento muito crítico na política mundial”, declarou. 

Ainda no contexto da geopolítica internacional, Lula criticou os planos do governo dos Estados Unidos e do regime israelense para a Faixa de Gaza, após a destruição promovida por Israel. 

“Não queremos mais Guerra Fria. Nós não queremos mais Gaza. Vocês viram a fotografia do que eles vão tentar fazer em Gaza? Um resort. Ou seja, derrubaram, mataram mais de 70 mil pessoas para dizer: ‘Nós vamos agora recuperar Gaza e fazer hotel de luxo’. E o povo que morreu e as pessoas pobres que estão lá, vão morar onde?”, questionou o presidente, que afirmou ainda que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propõe “criar uma nova ONU” para que ele seja o dono do organismo. 

“O multilateralismo está sendo substituído pelo unilateralismo e a lei do mais forte está prevalecendo”, apontou Lula.

Viva o MST

O presidente agradeceu ao MST por seus 42 anos de existência. “Companheiros sem terra, obrigado pela existência de vocês, pois, sem esse movimento, o Brasil possivelmente não teria chegado aonde chegou. Sou grato a quem teve coragem de lutar, como minha mãe dizia para eu teimar. Temos que teimar porque ninguém nos dá nada de graça, ou conquistamos, ou não temos nada”, disse. 

Lula ainda corroborou com as críticas feitas pelo MST ao agronegócio. “Quando criticamos o agronegócio, 90% das críticas são verdadeiras. No entanto, é preciso mostrar que o pequeno e médio produtor é quem produz o alimento que vai para a nossa mesa e luta contra o agrotóxico. O agronegócio produz para exportar e os pequenos produzem para a gente comer”, afirmou. 

Por outro lado, o presidente saudou a iniciativa do MST de lançar candidaturas aos parlamentos estaduais e federal. 

“Eu fiquei muito feliz hoje quando vocês me apresentaram um conjunto de companheiros do MST que vão ser candidato das próximas eleições. Graças a Deus, vocês tomaram a decisão de entrar na política. Vocês sabem qual é a desgraça de quem não gosta de política? É que é governado por quem gosta. E se quem gosta não gosta de nós, não vai acontecer nunca as coisas que nós queremos”, destacou.
Bandeira gigante do Brasil foi estendida no evento do MST em Salvador.
Bandeira gigante do Brasil foi estendida no evento do MST em Salvador. | Crédito: Ricardo Stuckert/PR
O presidente finalizou seu discurso com um chamado ao combate à violência de gênero. “Nesta campanha e vou dizer em alto e bom som. O homem que levantar a mão para bater em uma mulher não precisa votar em mim para presidente da República. Será um voto amaldiçoado se eu aceitar um voto desse”, finalizou. 
Lula esteve acompanhado dos ministros, Guilherme Boulos, da Secretaria Geral da Presidência, Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social, Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, e Márcia Lopes, das Mulheres, além do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). 

Carta do MST ao povo brasileiro 

Diante das autoridades, a deputada estadual de Pernambuco, Rosa Amorim (PT), e o dirigente nacional do MST, Márcio Santos, fizeram a leitura de uma carta endereçada ao presidente Lula e ao povo brasileiro, em que condena a agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira dama e deputada nacional, Cilia Flores.

“Vivemos um momento de mudança de época, caracterizado por guerras e pelo avanço do imperialismo em nosso continente. A agressão à Venezuela, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada Cilia Flores, foi uma mensagem atroz para os povos de todo o mundo, especialmente da nossa América Latina. Os interesses envolvidos são o saque dos nossos bens comuns da natureza, como petróleo, minérios, terras raras, águas e florestas, além da tentativa de impedir o avanço do multilateralismo e da soberania dos povos”, diz o texto, que menciona ainda a ofensiva sionista contra o povo palestino, as tentativas de golpe nos países do Sahel, em especial em Burkina Faso, bem como realiza inúmeras investidas para desestabilizar países como Cuba, Haiti, Colômbia, México e Irã. 

O documento faz críticas ao modelo de desenvolvimento baseado no agronegócio, “um braço do capital nacional e internacional no campo”. “Enquanto modelo hegemônico de agricultura, o agronegócio está baseado em commodities para o mercado, na destruição e apropriação dos bens comuns da natureza e no uso intensivo de agrotóxicos que contaminam o solo, a água e o ar, colocando em risco a garantia de uma vida saudável”, afirma o texto. 

O movimento passa então a tecer críticas ao “bloqueio” da reforma agrária no país. “A reforma agrária, enquanto projeto estratégico do país, está bloqueada pela burguesia brasileira e pelo avanço do modelo do agronegócio no campo, que controla a maior parte do Congresso Nacional, dos meios de comunicação e do poder judiciário. Por essas razões, tivemos poucas conquistas efetivas de políticas públicas massificadas capazes de enfrentar a pobreza no campo e melhorar a vida do povo. Isso se expressa no fato de ainda termos mais de 100 mil famílias acampadas no Brasil”, diz o documento.

Lula foi recebido no evento pelas crianças sem terra.
Lula foi recebido no evento pelas crianças sem terra. | Crédito: Ricardo Stuckert/PR
“Esse bloqueio caminha no sentido contrário à construção de um projeto de país, uma vez que a reforma agrária popular é a expressão da disputa contra o modelo hegemônico do agronegócio e apresenta um caminho para a superação da crise civilizatória e do colapso ambiental que vivemos. Reforçamos que a força do agronegócio vem do seu projeto destrutivo de morte e violência, subsidiado pelo Estado brasileiro de diversas formas, como inúmeras renúncias fiscais, créditos concedidos e perdões de dívidas altamente prejudiciais para o povo brasileiro, além da flexibilização da legislação ambiental e agrária conduzida pelo Congresso Nacional, inimigo do povo e da natureza” afirma.
“Essa hegemonia dificulta a realização de uma reforma agrária popular capaz de enfrentar a concentração fundiária e garantir a produção de alimentos saudáveis para toda a sociedade brasileira”, completa o texto que, por outro lado, reafirma o apoio do MST à candidatura de Lula e de governos estaduais comprometidos com o nosso programa de reforma agrária popular”. (...)
*CLIQUE AQUI para continuar lendo (via BrasildeFato)Facebook


19 janeiro 2026

Cinema nacional - Tela Brasil: plataforma gratuita de streaming será lançada em 2026*

Iniciativa do Ministério da Cultura vai ampliar acesso às obras produzidas no país



“O Agente Secreto” se passa durante a ditadura civil-militar brasileira | Crédito: Divulgação

O governo federal, por meio do Ministério da Cultura (MinC), anunciou que o lançamento da plataforma de streaming Tela Brasil está previsto para os primeiros meses de 2026. A iniciativa promete reunir centenas de produções audiovisuais de forma gratuita, e assim ampliar o acesso do público às obras. 

Em meio a celebrações das recentes conquistas do cinema nacional, a expectativa para o lançamento da plataforma ganhou ampla repercussão. Mas ao contrário do que vem sendo compartilhado nas redes sociais, o serviço ainda não está disponível. 

Em nota, o MinC avalia que as reações positivas da população à política pública “demonstram o orgulho e o desejo da sociedade brasileira de acessar sua Cultura”. Segundo o governo, a plataforma e seus aplicativos estão em fase final de testes e as informações oficiais serão divulgadas em breve. (...)

*CLIQUE AQUI para continuar lendo (via BdF)

17 janeiro 2026

"Fiz o que tinha que fazer", diz Moraes após mandar Bolsonaro para Papudinha

Por decisão do ministro do STF, Bolsonaro foi transferido da Superintendência da PF na capital federal para a Papudinha

Brasília (DF) - 10/09/2025 - O ministro Alexandre de Moraes, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), no quarto dia do julgamento dos réus do Núcleo 1 da trama golpista, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

247* - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ironizou a transferência do ex-presidente preso Jair Bolsonaro, da Superintendência da Polícia Federal em Brasília-DF, ao presídio da Papudinha. Sem citar nomes, o magistrado afirmou, durante cerimônia de colação de grau da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), na quinta-feira (15), já ter feito o que "tinha que fazer". As declarações foram divulgadas pelo site Congresso em Foco.

Mais cedo, por decisão de Moraes, Bolsonaro foi transferido da Superintendência da PF na capital federal para a Papudinha.

"Ninguém cumpriu os três minutos, quase tive que tomar umas medidas. Mas eu me contive. Acho que hoje já fiz o que tinha que fazer", declarou Moraes, ao comentar a extensão dos discursos anteriores, nos quais os demais professores ultrapassaram os três minutos combinados para a cerimônia.

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