05 abril 2026

Com 66 bilhões de árvores plantadas, China lidera luta mundial contra desertificação*

Em abril, 2 mil pessoas plantaram áreas verdes no deserto de Tengger, em ação coordenada entre Estado e sociedade civil

‘Milagre verde’: Fazenda Florestal Mecânica de Saihanba, na China, cuja cobertura florestal aumentou de 11,4% para 82% | Crédito: CGTN

A China intensificou seus esforços para combater a desertificação, fenômeno que já afeta cerca de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, ou 27% do território nacional, impactando diretamente a vida de aproximadamente 400 milhões de pessoas. Nas últimas décadas, o país conseguiu reverter a expansão dessas áreas degradadas, transformando o controle da degradação do solo em uma política de Estado com resultados concretos.

No deserto de Tengger, o quarto maior da China, que cobre cerca de 44 mil quilômetros quadrados nas províncias de Ningxia, Gansu e Mongólia Interior, dunas móveis já ameaçaram cidades, estradas e áreas agrícolas. No início de abril, na cidade de Zhongwei, província autônoma Hui de Ningxia, cerca de 2 mil pessoas participaram da instalação de quadrículas de palha, técnica tradicional que fixa a areia e permite o crescimento de vegetação resistente. A ação contou com drones, sensores de solo e monitoramento por satélite, otimizando o planejamento e acompanhamento do terreno.

Ao longo dos anos, Zhongwei construiu um cinturão verde de 153 quilômetros na borda do deserto, recuperando cerca de 146 mil hectares de terras degradadas. Para 2026, a meta é expandir esse processo para mais 30 mil hectares, fortalecendo a proteção ambiental, reduzindo a erosão, preservando o Rio Amarelo, garantindo segurança hídrica e alimentar para milhões de pessoas e diminuindo o impacto de tempestades de areia.

Programa Três-Norte de Barreiras Verdes: estratégia nacional contra a desertificação

Essas ações integram políticas nacionais mais amplas, como o Programa Três-Norte de Barreiras Verdes, que foi iniciado em 1978 e é considerado o maior projeto de reflorestamento do mundo, com mais de 66 bilhões de árvores plantadas em 13 províncias do norte, nordeste e noroeste da China. Conhecida como a “Grande Muralha Verde” da China, é uma iniciativa colossal iniciada em 1978 para combater a desertificação no norte do país. Visando ser concluído até 2050, o projeto planta barreiras de árvores e vegetação para reter areia, reduzir tempestades e recuperar ecossistemas, aumentando a cobertura florestal de 12% para mais de 23%.

O programa utiliza espécies nativas resistentes à seca, como TamarixPopulus e Caragana korshinskii, além de arbustos e gramíneas adaptadas, gerando múltiplos benefícios: fixação da areia, aumento da retenção de água no solo, redução da sedimentação no Rio Amarelo, criação de corredores ecológicos contínuos, absorção de milhões de toneladas de CO₂ por ano, proteção de espécies nativas e redução das tempestades de areia que afetam o norte da China, incluindo Pequim. O projeto visa cobrir mais de 4,5 mil quilômetros, utilizando dados de satélite e novas estratégias de restauração de pastagens para aumentar a sustentabilidade, não apenas plantando árvores, mas recuperando ecossistemas.

O reflorestamento fortalece a biodiversidade, cria micro-habitats para fauna local, melhora a fertilidade do solo e protege áreas agrícolas e pastagens. Além disso, ajuda a reduzir ventos fortes, tempestades de areia e os efeitos de secas prolongadas, aumentando a resiliência climática da região.

O impacto social é igualmente relevante. O programa emprega e capacita milhares de pessoas, envolve escolas, universidades e ONGs em atividades de plantio, manutenção e monitoramento, promovendo educação ambiental, mobilização comunitária e consciência sobre sustentabilidade. Agricultores locais recebem treinamento em manejo sustentável do solo e reflorestamento, gerando emprego e renda adicional para as comunidades rurais.

A integração de tecnologias avançadas, como drones autônomos, sensores de umidade e modelos de inteligência artificial, permite monitoramento em tempo real, planejamento estratégico e previsão de áreas críticas, garantindo resultados sustentáveis e eficientes.

Liderança internacional e cooperação

Globalmente, a desertificação afeta cerca de 40% das terras do planeta, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Desde que aderiu à Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação em 1994, a China compartilha experiência, tecnologia e especialistas com países africanos e da Ásia Central, fortalecendo a cooperação Sul-Sul. Seus projetos são referência internacional em fóruns da ONU e da FAO, mostrando que é possível combinar mobilização social, conhecimento tradicional e tecnologia avançada para enfrentar um dos principais desafios ambientais do século 21.

Além disso, as ações chinesas contribuem para mitigar as mudanças climáticas, absorvendo CO₂ e reduzindo a intensidade de tempestades de areia. A combinação de tradição, inovação tecnológica, participação comunitária e políticas públicas colocou a China como líder mundial na luta contra a desertificação, promovendo desenvolvimento sustentável, segurança alimentar, adaptação climática e preservação da biodiversidade.

*Por Bruno Falci, Editado por: Rafaella Coury - via BdF

04 abril 2026

Entrevistas - "Lula venceu com Alckmin e vai vencer novamente", diz Gleisi Hoffmann

Gleisi Hoffmann defende a manutenção da chapa e destaca o papel político e administrativo do vice-presidente

Gleisi Hoffmann (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

247* - A confirmação de Geraldo Alckmin como vice na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa de 2026 foi tratada pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, como um movimento de consolidação política do governo e da estratégia eleitoral do campo governista. Ao comentar a decisão, ela afirmou que a permanência de Alckmin reforça uma composição que já demonstrou capacidade de vitória e que, na avaliação dela, reúne condições para repetir o resultado na próxima eleição.

Em entrevista ao programa Boa Noite 247, Gleisi disse que havia expectativa em torno do futuro político de Alckmin e afirmou que a decisão de Lula encerrou as especulações sobre a possibilidade de o vice disputar o governo de São Paulo. Segundo a ministra, a definição foi recebida de forma positiva dentro do governo. “Acho que foi muito importante. Já era algo que todo mundo estava ansioso para saber, como que seria o destino do Alckmin, se ele ficaria mesmo candidato a vice ou iria para São Paulo. E o presidente bateu o martelo que ele é o candidato a vice”, declarou.

Ao desenvolver o argumento, Gleisi associou a confirmação de Alckmin à estabilidade da aliança que sustenta o governo federal desde 2022. Na leitura dela, a composição preserva um arranjo que funcionou politicamente e que segue tendo utilidade no cenário atual. “Acho que isso consolida uma chapa que é vitoriosa, foi vitoriosa e será vitoriosa novamente”, afirmou. A ministra ainda observou que a decisão foi “bastante aplaudida” e atribuiu a recepção favorável ao espaço que o vice-presidente construiu tanto no Executivo quanto na base social de apoio ao governo.

Na entrevista, Gleisi procurou destacar não apenas o peso eleitoral de Alckmin, mas também sua atuação no exercício do cargo. Segundo ela, o vice-presidente acumulou credenciais políticas e administrativas ao longo do mandato, sobretudo à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. “O vice-presidente Geraldo Alckmin tem cumprido um papel importante como vice-presidente, mas também como ministro do Desenvolvimento, da Indústria e Comércio”, disse. Em seguida, acrescentou: “Tem sido sempre muito responsável, leal. Enfim, todo mundo gosta muito dele”.

A ministra enquadrou a escolha dentro de uma lógica de continuidade. Ao lembrar que Lula repetiu em 2006 uma fórmula política anterior, ela sugeriu que a manutenção de Alckmin segue o mesmo raciocínio de preservar uma composição considerada funcional. “A chapa que deu certo vai dar certo de novo. O presidente Lula repete a fórmula que fez na sua reeleição de 2006”, afirmou.

A defesa da permanência de Alckmin foi apresentada por Gleisi num contexto mais amplo de balanço do governo. Ao relatar a reunião ministerial realizada no último dia de sua passagem pela Secretaria de Relações Institucionais, ela disse que o encontro serviu para consolidar entre os integrantes do governo a narrativa sobre os resultados entregues pela administração Lula. Na avaliação da ministra, o peso político da chapa não pode ser dissociado do desempenho administrativo do governo ao longo do mandato.

Segundo Gleisi, a reunião teve o objetivo de alinhar ministros que deixam o governo para disputar as eleições e aqueles que permanecem na gestão, de modo que todos possam sustentar publicamente o legado acumulado até aqui. “Esse balanço do governo, ele queria que todos os ministros que estão saindo, que estão entrando, se apropriassem disso”, afirmou. Para ela, esse processo de apropriação política dos resultados é decisivo porque “as entregas que esse governo está fazendo” também funcionam como “instrumento de disputa política”.

A ministra sustentou que o atual mandato de Lula reúne um volume de realizações superior ao de administrações anteriores do próprio presidente e da ex-presidente Dilma Rousseff. “Esse é um governo que, do ponto de vista histórico, foi o que mais fez entregas”, declarou. De acordo com ela, os dados apresentados na reunião, especialmente pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, apontam resultados expressivos em áreas como políticas sociais, infraestrutura e desenvolvimento econômico.

Dentro dessa leitura, a presença de Alckmin na chapa aparece, no discurso de Gleisi, como um elemento que ajuda a dar coesão à mensagem de continuidade. Ao mencionar a atuação do vice também no campo econômico, ela vinculou sua permanência não só à composição política necessária para a eleição, mas à tentativa de associar a chapa a resultados concretos do governo. O argumento central da ministra é que a aliança Lula-Alckmin não se resume a uma conveniência eleitoral, mas expressa um arranjo que, sob sua ótica, se mostrou funcional na administração e tende a seguir desempenhando esse papel numa eventual recondução.

Ao final, a fala de Gleisi delineia uma estratégia clara: transformar a confirmação de Alckmin em sinal de previsibilidade política, de unidade governista e de continuidade de gestão. Nessa formulação, a repetição da chapa serve para reafirmar uma identidade eleitoral já testada, ao mesmo tempo em que busca apresentar o vice-presidente como parte integrante dos resultados que o governo pretende levar ao debate público em 2026.

*Fonte: https://www.brasil247.com/

02 abril 2026

Partido - 8º Congresso do PT. Congresso?

 

Reproduzimos abaixo o texto de Markus Sokol [foto], do Comitê Nacional do DAP, publicado na edição 958 do Jornal O Trabalho.

No mês que vem, 23 a 26 de abril, está marcado o 8º Congresso do PT, em Brasília. Quem sabe quem está efetivamente engajado?

Ele foi convocado pelo Diretório Nacional de dezembro. Será composto pela metade dos delegados já eleitos no Processo Eleitoral Direto de julho de 2025, que também elegeu todas as direções, inclusive o atual Diretório Nacional, formalizado no Encontro Nacional dos delegados em agosto de 2025.

Para que, então, um Congresso? 

Em tese, para além das resoluções políticas de agosto, ficou pendente a revisão do estatuto e do próprio PED, adiada há vários anos (só um congresso pode dispor dos estatutos).

Mas estamos vendo uma revisão feita pela cúpula das cúpulas, sem participação das bases. 

A corrente de Lula, o CNB, tem ampliado sua maioria. É muito difícil acreditar que ela faça, de cima para baixo, a revisão da engrenagem que fez e ampliou a sua maioria isolada. A engrenagem que empoderou a cúpula, a qual prolongou os seus mandatos e os dos parlamentares, que esvaziou os debates limitados à “mobilização” pelas máquinas dos filiados para votar. Rolam milhões. A compra de votos é visível em vários locais, há intimidação e até fraude que não costuma ser punida.

É verdade que tem muita gente insatisfeita, até algumas lideranças, mas isso vai mudar? Mantido o Fundo Partidário, o Fundão Eleitoral e as Emendas Parlamentares, no essencial, é improvável.

A “Fase de Debates”

No caminho do Congresso, a pauta foi sendo ampliada, de modo que hoje são cinco pontos: Programa do PT, Conjuntura e Tática Eleitoral, Programa de Governo, Estatutos e Fundação Perseu Abramo. É muita ambição! 

Foram criados cinco Grupos de Trabalho que publicaram há duas semanas os cinco textos base que somam umas 150 páginas https://congresso.pt.org.br/.

Caso o leitor não saiba, pode verificar, até dia 22 de março estamos em plena “Fase de Debates”. O autor não saberia dizer onde. O que está dito no site é que é um “processo de escuta”… via uma ficha a ser enviada por lá. Mas sem transparência, nem contraditório, isso não é debate. Parece mais o PC da China, em cujo Congresso dezenas de milhões de militantes podem enviar propostas por meio digital.

Aqui, no dia 22 serão publicados os Projetos de Resolução. Aqueles delegados eleitos no ano passado terão até 5 de abril para apresentar emendas. 

Vão consultar quem além da sua consciência, os líderes de bancada? 

Daí, os GTs tem uma semana, até o dia 12 de abril, para “sistematizar as propostas e publicar a versão final dos Projetos de Resolução” que, a seu critério, irão a voto no plenário. Maravilha!

Antissistema 

O PT foi muitos anos “contra tudo que está aí”, contra o imperialismo e pelo socialismo, e era diabolizado pela direita por que estava pelo “nós contra eles”.

Agora, para ser sintético, os textos políticos emanados de GT, menos um dos dois alternativos da AE, todos defendem alianças de fato com alguns “deles”. Aí não cabe Reestatização, Imposto de Grandes Fortunas ou Reforma Agrária.

No frigir dos ovos, todos os textos defendem que para ser melhor o próximo governo de Lula precisamos eleger mais senadores e deputados – quando todos eles (menos os lunáticos!) sabem que com as atuais regras eleitorais não vai mudar a relação de forças. 

Por isso, a centralidade da Reforma Política para uma Constituinte Soberana, naturalmente, com Lula presidente.

Uma questão é saber se o Congresso do PT está disposto a abrir o debate no bojo das eleições. É a melhor forma de dar credibilidade e confiança, em falta nas pesquisas, para o justo mote “antissistema” que Lula e Edinho sinalizaram.

*Via site do Diálogo e Ação Petista - DAP - (Edição final deste Blog).


01 abril 2026

Andresito*

 


*Andrés Guacurarí (Comandante Andresito, grande liderança Guarani Missioneira das 'Províncias Unidas do Rio da Prata' na luta contra os invasores Portugueses e Espanhóis (início do Séc. XVIII).

ÚLTIMO DISCURSO DO - BRAVO! - DEPUTADO FEDERAL MILTON GARCIA DUTRA (PTB/RS), CASSADO PELO GOLPE CIVIL/MILITAR DE 1º DE ABRIL DE 1964

 

Deputado Federal Milton Garcia Dutra - PTB/RS 

Por Yamil E Souza Dutra*

O último discurso de meu pai, Milton Garcia Dutra, na Câmara dos Deputados, em abril de 1964, ao ter seu mandato de deputado, livremente eleito pelo povo do Rio Grande do Sul, cassado pelos militares golpistas e usurpadores dos poderes democráticos!
O registro está documentado no Diário do Congresso Nacional, abril de 1964., pag 3.:

"O SR. MILTON DUTRA:
Sr. Presidente, na manhã de hoje li uma relação de nomes de brasileiros que tiveram seus direitos políticos suspensos pelo Comando Revolucionário. Entre esses nomes estava o meu.
Quando a esta Casa cheguei, foi-me comunicado que, num entendimento unânime, se pretendia que implicitamente tivesse perdido o meu mandato de Deputado.
Realmente, Sr. Presidente, aquele foi o dia da minha vida que jamais encontrarei entre os vivos para assistir a esta ignomínia. Estudante pobre, que lutou com sacrifícios para se formar, que veio para a política sob o comando ideológico de Alberto Pasqualini e pautou sua existência pelos ditames da moral e pelo exemplo de homem honrado que foi meu pai, nunca me ocupei dos cargos públicos obtidos por concurso e tive a honra de representar o Município, seus cidadãos, na Câmara de Vereadores, o Estado, por duas vezes, na Assembleia Legislativa, e agora aqui, pela vontade dos eleitores.
Estou também na tribuna para afirmar que o convívio democrático dos políticos do Brasil me assegura que estes dias de trevas hão de ser sucedidos por uma madrugada esplendorosa.
O fato é episódio daqueles mesmos que hoje se derramam pelos excessos hão de sofrer inspiração divina para se reencontrarem na tradição do povo brasileiro, inimigo da violência, jamais concorde com o arbítrio.
Promotor de Justiça, sempre exerci a minha função como representante da sociedade e como fiscal da execução das leis. Transformei todos os réus que acusei em homens que me respeitaram porque nunca excedi os limites de uma acusação justa.
Não transigi com a improbidade e nunca me servi do poder para obter vantagens pessoais. Secretário de Estado no Rio Grande do Sul, deixei marcada minha passagem pelo trabalho e esforço, que me valeram o maior prêmio que o Rio Grande concede aos que lutam pela economia do Estado.
Posso conjecturar, as razões pelas quais o Comando Revolucionário chegou a essa decisão. Talvez se quisesse punir a lealdade de um homem, talvez se queira dizer que um amigo não pode ser amigo e que um companheiro político não pode se comportar como tal.
Se os motivos da cassação foram esses, recebo este fato como a honra máxima de minha vida política.
Mas, se foram de ordem pessoal, se me querem atribuir atos que me desonrem, afirmo que hei de bater às portas de todos os tribunais do mundo, se preciso, na restauração de minha dignidade.
Exijo, Sr. Presidente, desta tribuna que venham a público os vitoriosos e digam perante a Nação, especialmente perante meu Estado, as razões pelas quais me cassaram o direito de influir na vida do meu País, de ajudar meu povo e de me colocar a serviço, particularmente de suas classes mais humildes."

*Advogado, Procurador - trabalhou como Senior Advisor na empresa Brazilian Bar Association, além de ter estudado Information Sciences na instituição de ensino University of Maryland, College Park 
 
**Via Face do Autor.

***O bravo Ex-Deputado Milton Garcia Dutra (advogado e promotor) nasceu em  11/11/1916, em Santiago do Boqueirão/RS e  faleceu em 22/03/2008 em Porto Alegre/RS. - Grifos e Edição final deste Blog. (JG)

31 março 2026

DITADURA NUNCA MAIS!!!!

 

José Dirceu

Por José Dirceu*

31 de março é data para não esquecer jamais. Em 1964, neste mesmo dia, deu-se o início de uma longa noite de 21 anos, que mergulhou o Brasil na censura, na perseguição política, na tortura e na negação das liberdades mais básicas.

Foi o dia em que tanques substituíram o voto. Um momento a partir do qual a Constituição foi rasgada, muitos brasileiros pagaram com a própria vida, e outros foram levados ao exílio ou ao silêncio forçado, com marcas que não desapareceram. Mas tantos, como eu, enfrentaram e resistiram em nome da democracia e da verdadeira liberdade de cada brasileiro e cada brasileira.


Lembrar o 31 de março é um ato de responsabilidade com o presente e com o futuro. E alertar para os grupos saudosos daquele período, que tentam reescrever sua história ou minimizar seus crimes. E que sonham com o autoritarismo e a anistia a golpistas.
Democracia é uma construção diária, que exige memória, vigilância e compromisso permanente. Avançaremos não com sombras e sim com mais liberdade, mais justiça e mais participação popular.


**Edição final deste Blog

Nova Esplanada - Alckmin deixa ministério da Indústria e será novamente vice na chapa de Lula

Em reunião ministerial, Lula afirmou que 18 ministros deixarão o governo para disputar o pleito

O presidente Lula e o seu vice, Geraldo Alckmin, durante evento de anúncios de investimentos em urbanização de favelas | Crédito: Ricardo Stuckert/Presidência da República


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta terça-feira (31), que o vice-presidente Geraldo Alckmin deixará o ministério da Indústria. Em uma reunião ministerial, o mandatário disse que Alckmin será novamente vice na chapa para disputar a presidência. Por determinação da lei eleitoral, todos os ministros que forem disputar cargos públicos devem deixar seus cargos seis meses antes da disputa. 

O encontro teve a participação de ministros e de secretários que ocuparão os postos deixados pelo alto escalão que disputará o pleito.

Segundo Lula, 14 ministros já formalizaram a saída da Esplanada para disputar cargos nas eleições, enquanto outros quatro ainda devem pedir para sair nos próximos dias. O presidente agradeceu o “empenho” e o trabalho de todos que ocuparam o alto escalão ao longo dos últimos três anos.

“É necessário que vocês sejam candidatos para mudar a política. Hoje é o dia da dissolução, e eu sou muito grato pelos serviços que vocês prestaram ao meu governo. Não tenho preocupação em olhar para vocês e comparar com outros governos. Nós fizemos mais e com mais precisão. Ainda mais comparando com o governo que substituímos. Nós pegamos o Ibama com 700 funcionários a menos. O país foi montado para não funcionar, e agora está preparado para funcionar”, disse Lula.

Outro nome a deixar a Esplanada será o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Ele disputará o Senado na Bahia e dará lugar a Miriam Belchior, que era secretária-executiva da Casa Civil. Ela já havia sido ministra do Planejamento durante a gestão de Dilma Rousseff. 

Costa foi o segundo a discursar na reunião. Ele apresentou dados e indicadores econômicos dos ministérios ao longo dos três anos de gestão petista. O ministro destacou a queda na desigualdade e a queda recorde do desemprego no país (5,4%), alcançando a menor taxa da série histórica.

A maioria dos ministros deixará o governo para disputar a corrida ao Senado. Alguns devem concorrer à Câmara dos Deputados. Outros não têm ainda uma definição, como é o caso de Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos, que não definiu que cargo irá disputar.

A substituição em alguns ministérios também será definida na reunião. Anielle Franco, na Igualdade Racial, e Márcio França, no Empreendedorismo, não têm nome certo para a troca.

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, deixará o cargo só em junho para ser marketeiro da campanha de Lula. Ele já havia coordenado a comunicação da campanha de 2022.

*Por Lorenzo Santiago - Editado por: Rafaella Coury - Via BdF

30 março 2026

O antifascismo não tem dono e a direita precisa entrar no debate

Quando esses setores se retiram do debate sobre o autoritarismo, eles deixam o campo livre para que o radicalismo avance sem contrapesos

   Foto: Guilherme Santos/Sul21


Por Andréa Sommer (*)

A ideia de que o combate ao fascismo é um papel exclusivo da esquerda é um grande equívoco. No senso comum, nas redes sociais, conversas informais, criou-se a narrativa de que pessoas de direita estariam, “por natureza”, distantes dessa pauta. No entanto, se olharmos para os fundamentos da ciência política e para a história das instituições, essa divisão não resiste a uma análise séria e profunda.

Ser de direita, seja na vertente liberal, conservadora ou democrata-cristã e ser antifascista não é contradição. Na verdade, é uma condição para a sobrevivência do próprio conservadorismo e do liberalismo. Afinal, se você defende eleições livres, a separação de poderes e a alternância no comando, você está, na prática, rejeitando a essência do fascismo.

Regimes autoritários não surgem do nada. Eles não dependem apenas de líderes radicais, mas da cumplicidade de quem deveria vigiar as instituições. Na Itália de Mussolini ou na Alemanha de Hitler, a democracia não ruiu num piscar de olhos, mas foi corroída quando parcelas importantes da sociedade decidiram que “flexibilizar” certas regras em nome de um inimigo comum era aceitável.

O perigo começa quando a polarização cega o cidadão para o fato de que a democracia depende, fundamentalmente, do direito de discordar. Se você acredita que a oposição deve manifestar-se sem medo de perseguição e que a imprensa deve ser livre para criticar qualquer governo, você já opera princípios antifascistas.

Porto Alegre sedia a 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos. O evento coloca a capital gaúcha no centro de um debate global urgente sobre os riscos do autoritarismo. A pergunta incômoda, mas necessária, é: quantas pessoas da direita democrática estarão atentas a essas discussões?

Não se trata de concordar com todas as teses que serão apresentadas, mas de entender que o extremismo é uma ameaça universal. Historicamente, a direita democrática sempre foi o fiel da balança na manutenção da estabilidade institucional e da segurança jurídica. Quando esses setores se retiram do debate sobre o autoritarismo, eles deixam o campo livre para que o radicalismo avance sem contrapesos.

Na democracia, o conflito é normal e saudável. O problema surge quando a política deixa de ser uma disputa de projetos e passa a ser uma lógica de eliminação do adversário. Quando essa linha se apaga, todos perdem, independentemente da ideologia.

O fascismo não ataca apenas um lado, ele tira liberdades individuais e a própria possibilidade de participação política de todos os cidadãos. Fugir dessa reflexão pode ter consequências graves. No fim das contas, a questão central de 2026 não é se você se identifica com a direita ou com a esquerda. A pergunta que define o nosso tempo é: se a democracia começar a ser ameaçada por ideias autoritárias, de que lado da história você estará?

(*) Jornalista/Cientista Política - Fonte: Sul21

29 março 2026

50 ANOS DA FORMATURA EM DIREITO DO MEU PAI, DR. JOSÉ NUNES GARCIA*

 









*Visitando (sexta-feira, 20/03/2026) as dependências da Faculdade de Direito de Santo Ângelo/RS - CNEC (e o hotel onde ele se hospedava) - com meu querido pai, colega, sócio, companheiro e amigo Dr. José Nunes Garcia, no dia em que ele comemorou 50 ANOS de sua Formatura no Curso de Direito por essa Faculdade.
**Parabéns e muitas felicidades, Doutor (hoje também Defensor Público Inativo)!!!

**Via Face