Os brasileiros cada vez mais entendem a seriedade do que está em jogo. Até mesmo empresários antes próximos do bolsonarismo percebem a impossibilidade de seguir ao lado de quem sabota a economia nacional
Editorial do site Brasil247*
A imposição de tarifas de 25% sobre exportações aos Estados Unidos, adotada pelo governo de Donald Trump, penaliza gravemente setores inteiros da economia brasileira. Não há por que minimizar os impactos dessa medida hostil. Ela garroteia as condições de progresso de trabalhadores e empreendedores brasileiros e destrói canais de comércio construídos arduamente ao longo de décadas.
Serão afetados 18% do total das exportações brasileiras, como estima o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, ou o equivalente a US$ 7,4 bilhões anuais.
Se o seu impacto não é relativamente tão drástico em termos macroeconômicos, haverá setores afetados existencialmente, como os de calçados e de móveis, para citar apenas dois exemplos de áreas que empregam muitos trabalhadores. A medida afeta, porém, muitas outras exportações, como as de etanol, máquinas agrícolas, máquinas elétricas, vestuário, papel, açúcar orgânico e equipamentos de mineração. São áreas relevantes por representarem, de um modo ou de outro, o Brasil industrial, justamente aquele ameaçado pela competição muitas vezes desigual. O país que é necessário preservar para não ser condenado a mera plataforma de extração de produtos primários. O alvo das tarifas é o Brasil que incorpora tecnologia e cria melhores empregos. Nesse sentido, a ofensiva tarifária completa o trabalho da Lava Jato contra o Brasil.
O que mais causa alarme nesse processo é a evidência de que o governo Trump lança mão de qualquer pretexto para buscar atingir o Brasil. O tarifaço é, antes de tudo, a demonstração mais evidente de que Donald Trump está disposto a tudo em sua intenção descabelada de impedir que o presidente Lula conquiste a reeleição.
De fato, a medida é imposta ao final de um processo que apela a toda sorte de argumentos para punir o país. No relatório que tenta justificar o tarifaço, o Brasil é atacado por subterfúgios lançados sem qualquer critério, assacados do modo aleatório característico do trumpismo, abrindo mão de qualquer máscara de coerência ou racionalidade.
O Brasil vira, então, alvo porque dispõe de um instrumento financeiro como o Pix. Ou por ter leis e uma Justiça soberana e independente, capaz de aplicá-las no âmbito nacional contra big techs norte-americanas.
No mesmo relatório alucinado, a Casa Branca ignora e falseia dados de monitoramento atestados internacionalmente para tentar justificar, a qualquer custo, sua sanha tarifadora, apesar de ser sabido que o governo Trump não dá a mínima para a preservação do meio ambiente e que o Brasil de Lula é campeão na redução do desmatamento.
Nesse vale-tudo de ideias desencontradas entraram até alegações mentirosas sobre trabalho escravo.
São, portanto, meros sofismas de viés arrogante e imperial usados para sacrificar a economia, pressionar a população e atingir o governo Lula. Este não terá outra opção senão agir em reciprocidade, além de buscar novos mercados e novos parceiros comerciais, China e Índia, antes de tudo.
O tarifaço, porém, vai sair pela culatra em seu desígnio de ferir a candidatura de Lula. As pesquisas indicam que a opinião pública sabe dar nomes aos bois. É evidente que Flávio Bolsonaro e sua família traíram o país em diversas ocasiões, operando junto a autoridades norte-americanas para atrair essas sanções ao Brasil. Mais de uma vez, Flávio e sua família reivindicaram publicamente a autoria da traição.
Agora, como maus atores, percebendo que sua perfídia merece o repúdio reservado às quintas-colunas, aos agentes a serviço de interesses alheios ao país, renegam sua real participação no ataque.
A reação já se faz notar. Os brasileiros cada vez mais entendem a seriedade do que está em jogo. Até mesmo empresários antes próximos do bolsonarismo percebem a impossibilidade de seguir ao lado de quem sabota a economia nacional. Daí decorrem a falta de apoio e o afastamento de partidos conservadores, como União Brasil, Progressistas e Republicanos, em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro. Daí se acentua a queda das intenções de voto em Flávio, já abalada por seu currículo de envolvimento com líderes milicianos e outros crimes. O áudio em que negocia recursos milionários com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, agora vem adornado por uma foto de Flávio com o próprio sicário, capanga do banqueiro morto na prisão. Traição ao Brasil e gangsterismo. O que mais falta para o país se unir em torno de um estadista sério, patriota e honesto e dar a Lula uma vitória saneadora no primeiro turno?





