15 maio 2026

O escândalo que implodiu o candidato Bolsonaro*

Caso Banco Master transforma Flávio Bolsonaro de herdeiro eleitoral da extrema direita em símbolo de uma engrenagem financeira e política que pode implodir a direita em 2026

     Flávio Bolsonaro - Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Por Gustavo Tapioca*

O dia 13 de maio pode entrar para a história política recente como a data em que o nome Bolsonaro deixou de ser apenas um ativo eleitoral da extrema direita e passou a ser também um problema. 

A coincidência é curiosa. O 13 é o número de Lula e do PT. Mas, desta vez, quem apareceu no centro da tempestade foi Flávio Bolsonaro, o senador que sonhava herdar o espólio eleitoral do pai e se apresentar como candidato natural da extrema direita e da direita em 2026. 

O problema é que, no caminho entre o sonho presidencial e a realidade dos fatos, surgiu Daniel Vorcaro, o Banco Master, o BRB, os R$ 12 bilhões do banco público de Brasília, o empréstimo milionário usado por Flávio para comprar sua mansão no Lago Sul e sua íntima ligação com Vorcaro, revelada em detalhes na gravação que estourou na quarta-feira, 13.  

O caso deixou de ser bancário 

Durante meses, o Caso Banco Master foi tratado como mais um escândalo financeiro brasileiro. Um banco que cresceu rápido demais. Operações suspeitas. Relações perigosas com o poder. Fundos públicos expostos. Governadores, senadores, dirigentes de bancos e operadores políticos obrigados a se explicar. 

A prisão de Daniel Vorcaro, a ofensiva da Polícia Federal, as investigações sobre políticos do Centrão e da extrema direita e as conexões de Flávio Bolsonaro com esse ambiente deslocaram o escândalo para outro patamar. 

O que está em jogo agora não é apenas a queda de um banqueiro e a derrocada de um candidato a presidente nas eleições de outubro. 

É a exposição de um método. 

O sobrenome que virou risco 

Durante anos, o bolsonarismo operou como uma máquina política blindada. Escândalos passavam. Investigações surgiam. Denúncias explodiam. E, ainda assim, o sobrenome Bolsonaro permanecia funcionando como ativo eleitoral quase automático dentro da extrema direita. 

O Caso Banco Master alterou essa lógica. 

O vídeo que circulou nas redes políticas de Brasília — reunindo informações já publicadas sobre as relações entre Daniel Vorcaro, o Banco Master, figuras do bolsonarismo e operações envolvendo recursos públicos — ajudou a cristalizar uma percepção que começa a se espalhar no próprio campo conservador: o problema deixou de ser apenas Daniel Vorcaro.  

O problema começa a se aproximar perigosamente do núcleo político do bolsonarismo. A sucessão de fatos, quando colocada em sequência, ganha outro significado:  

a expansão meteórica do Banco Master durante o governo Bolsonaro;  

a atuação do Banco Central no período Jair Bolsonaro/Campos Neto;  

a proximidade de figuras da extrema direita com o banqueiro;  

os bilhões movimentados por fundos públicos e bancos estatais;  

os R$ 12 bilhões aplicados pelo BRB;  

e, no meio desse circuito, o empréstimo milionário obtido por Flávio Bolsonaro para a compra de sua mansão no Lago Sul. 

Separados, eram episódios. Juntos, começam a desenhar um sistema. 

A mansão no Lago Sul 

Flávio Bolsonaro sempre tentou tratar a compra da mansão no Lago Sul como assunto privado. Não é. 

Um senador da República, filho do ex-presidente, provável candidato da extrema direita à Presidência, beneficiado por um empréstimo milionário em um banco público de Brasília, não pode exigir que o país aceite a explicação como se fosse uma operação comum de mercado. 

Ainda mais quando o mesmo banco público aparece no centro de uma das operações mais controversas do escândalo: o aporte bilionário no Banco Master. 

O caso da mansão deixou de ser apenas uma curiosidade patrimonial. 

Virou símbolo. 

Símbolo de um país em que a elite política fala em moralidade pública enquanto circula com desenvoltura pelos corredores onde dinheiro público, bancos, favores e poder se encontram. 

As velhas sombras de Flávio 

O Caso Banco Master não surge no vazio. 

Antes de Daniel Vorcaro, antes do BRB, antes dos R$ 12 bilhões, antes da mansão no Lago Sul, Flávio Bolsonaro já carregava uma longa história de relações políticas nebulosas, explicações mal resolvidas e proximidades incômodas com personagens do submundo fluminense. 

O caso mais emblemático é o de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope, apontado como chefe do grupo de milicianos conhecido como Escritório do Crime e morto na Bahia em 2020. 

Adriano não era um estranho no universo bolsonarista. Sua mãe e sua ex-mulher trabalharam no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O próprio Flávio homenageou Adriano com a Medalha Tiradentes, uma das principais condecorações da Alerj, quando ele já tinha histórico criminal conhecido. 

Esses fatos nunca foram politicamente irrelevantes. 

Eles compõem uma biografia pública marcada pela convivência entre mandato, polícia, milícia, dinheiro suspeito e proteção política. 

Por isso, o Caso Master não deve ser lido como um acidente isolado na trajetória de Flávio Bolsonaro. Ele se soma a uma sequência de episódios que sempre cercaram o senador:  

as rachadinhas, o operador Fabrício Queiroz, os depósitos inexplicados, as relações com personagens do crime organizado e, agora, o circuito financeiro que passa por Daniel Vorcaro, Banco Master e BRB. 

A novidade não está apenas no escândalo. 

A novidade está na repetição do padrão. 

Onde há Flávio, quase sempre há uma zona cinzenta entre o público e o privado, entre mandato e negócio, entre poder político e interesses inconfessáveis. 

Esse é o ponto que torna o Caso Master tão devastador para sua pretensão presidencial. Ele não inaugura uma suspeita. Ele reabre uma biografia. 

A versão que começou a ruir 

A crise de Flávio Bolsonaro ganhou novo capítulo quando a produtora responsável pelo documentário Dark Horse desmentiu publicamente a versão apresentada pelo senador sobre sua relação com Daniel Vorcaro. 

Depois da repercussão dos áudios e das revelações envolvendo o Banco Master, Flávio passou a sustentar que os recursos ligados ao banqueiro teriam sido destinados ao financiamento do documentário sobre Jair Bolsonaro, numa tentativa de afastar suspeitas de vínculos políticos ou financeiros mais profundos. 

A explicação começou a desmoronar rapidamente. 

A produtora do filme negou ter recebido dinheiro de Vorcaro e afirmou que a obra não foi financiada pelo banqueiro. O desmentido atingiu diretamente uma das principais linhas de defesa construídas pelo entorno de Flávio Bolsonaro desde o início da crise.  

O problema político não está apenas na contradição. 

Está na sequência. 

A cada nova revelação, a narrativa muda. A cada nova pressão, surge uma nova versão. E, quanto mais versões aparecem, maior se torna a percepção de que o bolsonarismo tenta administrar politicamente um problema cuja dimensão aparenta desconhecer completamente. 

O episódio amplia a sensação de descontrole em torno do caso e aprofunda o desgaste do senador justamente quando ele tentava se consolidar como herdeiro eleitoral da extrema direita. 

Em crises políticas dessa magnitude, há um momento decisivo: aquele em que a opinião pública deixa de discutir apenas o escândalo e começa a questionar também a credibilidade das explicações. 

O Caso Master parece ter chegado exatamente a esse ponto. 

O mundo começou a olhar para o Caso Master 

Até esta quarta-feira, dia 13 de maio, o escândalo do Banco Master parecia restrito ao noticiário político brasileiro.  

Na manhã desta quinta-feira, 14, a crise envolvendo Flávio Bolsonaro ultrapassou definitivamente as fronteiras nacionais e entrou no radar da grande imprensa internacional.  

O primeiro grande alerta veio da Bloomberg, que publicou análise sobre o impacto político das revelações envolvendo Daniel Vorcaro, os áudios divulgados pelo Intercept Brasil e a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. 

A avaliação foi devastadora: a candidatura presidencial de Flávio pode ter sido inviabilizada antes mesmo de ganhar corpo eleitoral, segundo relato do Brasil 247 sobre a análise da Bloomberg.  

Poucas horas antes, a Associated Press já havia registrado a dimensão internacional do escândalo. A agência destacou que Flávio negou irregularidades após a revelação de que teria pedido milhões a Daniel Vorcaro para financiar Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. A AP também apontou que as mensagens de voz publicadas pelo Intercept Brasil colocaram sob pressão a versão inicial do senador, que antes havia negado ligação com Vorcaro.  

O simbolismo é evidente. 

No início da semana, Flávio ainda tentava se apresentar como herdeiro natural do bolsonarismo. Em poucos dias, passou a ser tratado por parte da imprensa internacional como um candidato ferido antes mesmo da largada. 

Quando Bloomberg e Associated Press começam a tratar um escândalo brasileiro como risco para a sucessão presidencial, o problema deixa de ser apenas doméstico. 

Vira crise de credibilidade. 

E Brasília entendeu o recado. 

A direita começa a sangrar 

A crise atinge Flávio em seu ponto mais sensível: a tentativa de se apresentar como sucessor “limpo”, viável e competitivo de Jair Bolsonaro. 

Até aqui, a extrema direita trabalhava com uma hipótese simples: se Jair não puder disputar, outro Bolsonaro disputará por ele. 

Mas o Caso Master complicou essa equação. 

Pela primeira vez desde o surgimento do bolsonarismo, aliados começam a admitir reservadamente que o sobrenome Bolsonaro deixou de funcionar apenas como proteção política e passou a produzir desgaste, risco e contaminação eleitoral. 

O herdeiro virou passivo. 

E, quando o herdeiro vira passivo, toda a sucessão entra em crise. 

A fila vai andar 

O Caso Banco Master não para em Flávio. 

A fila é longa. 

Ciro Nogueira já foi alcançado pela Polícia Federal. Davi Alcolumbre terá de explicar os R$ 400 milhões da previdência dos servidores do Amapá aplicados no Master. Ibaneis Rocha terá de responder pelo papel do BRB. Cláudio Castro e outros governadores, prefeitos e operadores políticos também aparecem no radar de um escândalo que envolve dinheiro público, fundos previdenciários e relações promíscuas entre poder político e sistema financeiro. 

O que parecia um problema de banco começa a se revelar como um problema de regime. 

A engrenagem subterrânea 

É exatamente aí que reside o potencial explosivo do caso. 

O que ameaça a direita brasileira não é apenas a prisão de um banqueiro ou mais um escândalo financeiro em Brasília. 

É a possibilidade de que a investigação revele o funcionamento subterrâneo de uma engrenagem política, financeira e institucional muito mais ampla do que se imaginava inicialmente. 

Uma engrenagem em que bancos crescem sob proteção política, recursos públicos são expostos a riscos privados, parlamentares circulam como intermediários de interesses e dirigentes públicos tratam patrimônio coletivo como instrumento de aliança. 

O Banco Master pode ser apenas a porta de entrada. 

Atrás dela, pode haver muito mais. 

O efeito sobre 2026 

A extrema direita chegou a 2026 tentando vender a ideia de renovação dinástica: Jair fora do jogo, Flávio no lugar do pai, Michelle como alternativa, Eduardo como operador internacional, o clã ainda no centro da cena. 

Mas o Caso Master atinge esse roteiro no coração. 

Porque o bolsonarismo sempre se alimentou de uma fantasia moral: a ideia de que representava o combate à corrupção, à velha política e aos conchavos de Brasília. 

Agora, o que aparece é o oposto. 

A velha política está ali. 

O banco suspeito está ali. 

O dinheiro público está ali. 

O empréstimo milionário está ali. 

O Centrão está ali. 

A versão de Flávio desmentida está ali. 

A imprensa internacional está ali. 

E o sobrenome Bolsonaro também está ali. 

O escândalo que pode decidir a eleição 

O Caso Banco Master ainda está longe do desfecho. A investigação vai avançar. Novos nomes devem surgir. Novas explicações serão exigidas. Novos documentos podem aparecer. 

Mas uma coisa já mudou. 

Flávio Bolsonaro não atravessou ileso a primeira grande tempestade de sua pré-candidatura. 

A pergunta que se impõe agora é simples: como alguém que precisa explicar sua relação com um banco público, um banqueiro preso, uma mansão milionária, uma produtora que desmente sua versão e um escândalo bilionário poderá se apresentar ao país como solução moral para 2026? 

O bolsonarismo queria transformar Flávio em herdeiro. 

O Caso Master transformou o herdeiro em prova viva daquilo que a extrema direita sempre fingiu combater. 

E, se a investigação avançar até o fim, o escândalo pode não apenas implodir uma candidatura. 

Pode implodir a direita que tentou fazer de um sobrenome condenado seu último projeto de poder. 

E torna provável a reeleição de Lula no primeiro turno. 

*Jornalista - Fonte: Revista Fórum

14 maio 2026

Cai a máscara de Flávio Bolsonaro*

Ele é personagem central do caso BolsoMaster e tem que ser preso

                        Flávio Bolsonaro (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Por Reimont Otoni* 

A revelação do áudio de 8 de setembro de 2025, em que Flávio Bolsonaro cobra 134 milhões de reais de Daniel Vorcaro, para o filme sobre o pai presidiário, e a exposição de mensagens de whatsapp trocadas entre os dois, no dia 16 de novembro, na véspera da primeira prisão do banqueiro, jogam por terra qualquer resquício de decência do senador e candidato à presidência. 

No áudio, além de cobrar o dinheiro prometido, dos quais 65 milhões foram efetivamente depositados, Flávio deixa claro que sabe dos problemas que o parceiro vem enfrentando no novo Banco Central, sem a presença do bolsonarista Roberto Campos Neto. Mas, na troca de mensagens, a proximidade é mais explícita; na véspera da prisão de Vorcaro, repito, o 01 da família Bolsonaro  escreve: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. Soa como um pedido de orientação.

As versões que Flávio Bolsonaro apresenta não se sustentam nem por poucas horas ou poucos minutos. 

Ao ser abordado por um jornalista do Intercept Brasil (que revelou o escândalo), antes da publicação do material revelador, o Senador negou, debochou e acusou o profissional de militante, abandonando uma entrevista.

Pouco depois, quando a bomba explodiu, confirmou acuado, mas disse que Vorcaro era apenas um investidor privado (com um investimento milionário no filme, quase o triplo do orçamento total do premiadíssimo “Ainda estou aqui”). Mas não deu nem uma hora para a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme, desmentir a versão, em nota em que afirmou que “não recebeu um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro”

Flavio ainda tentou emplacar a narrativa de que não havia dinheiro público na produção. Mas há e não é pouco. 

Karina Ferreira da Gama, dona Go Up Entertainment,também é presidente da Academia Nacional de Cultura (ANC), empresa que recebeu, via emendas parlamentares de deputados do PL, R$ 2,6 milhões para produção de uma série sobre "heróis nacionais". A empresária é ainda sócia do Instituto Conhecer Brasil, que recebeu mais de R$ 100 milhões da prefeitura de São Paulo para fornecer internet Wi-Fi em comunidades de baixa renda da cidade, e ganhou, também em 2025, dois milhões de reais em emendas do deputado Mário Frias, ex-ministro de Bolsonaro e idealizador do filme sobre ídolo. Segundo Frias, a produção teve ainda muito apoio da SPCine, da prefeitura de São Paulo, e do governo Tarcísio de Freiras, que negam. O próprio banco Master é um poço de dinheiro público, incluindo os fundos de previdência de estados como o Rio de Janeiro.

Não há detergente que limpe tanta sujeira.

Como num filme de pastelão, Flávio Bolsonaro se enrola a cada vez que abre a boca. Como numa fita de terror, ele derrete publicamente, ao estilo “The Walking Dead”.  E a extrema direita, conhecida por abandonar seus pares e parças, já corre para descartar o 01 e apontar substitutos na família. Michele volta a ser cotada.

Mas não há heróis e nem heroínas entre eles; todos e todas fazem parte da mesma trama, são cúmplices. Cada um joga com o perfil do personagem que assume em cada ocasião. Mentem, racham, inventam e manipulam de acordo com a conveniência de momento. 

Michele, por exemplo, jamais explicou as relações nada republicanas com Fabrício Queiroz, incluindo cheques depositados em suas contas. Não foi investigada pelas jóias recebidas de presente do governo da Arábia Saudita, avaliadas em R$ 16,5 milhões, que a família tentou esconder e guardar para si. Nunca deu satisfação sobre as despesas pagas pelo tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, principal ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, para si e pessoas próximas.

Não há heróis, nem heroínas. Por isso, o descarte de Flávio Bolsonaro, que está se configurando, não pode e nem vai virar impunidade. Ele precisa ser preso e ter o passaporte retido, como solicitei à Procuradoria Geral da República, para que não fuja como é praxe da família e seus seguidores. Flávio Bolsonaro é personagem central nas investigações do escândalo do Bolsomaster, tem que responder por isso, nos termos da lei. Esse é um filme que o Brasil precisa ver para se livrar dessa praga.

*Reimont Otoni é Deputado Federal (PT/RJ) - Fonte: Brasil247

13 maio 2026

Programas sociais ajudam Lula a recuperar apoio popular, aponta Quaest*

Desenrola 2.0 é aprovado pela maioria da população e reforça percepção positiva sobre ações do governo


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cerimônia de entrega da Barragem Panelas II e anúncio da retomada das obras da Barragem Igarapeba - Cupira (PE) - 02/12/2025 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Via 247* - A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira mostra que programas sociais e econômicos do governo Lula começam a produzir impacto político positivo junto à população. O principal destaque é o novo Desenrola 2.0, que recebeu apoio majoritário dos brasileiros e aparece como um dos motores da recuperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a pesquisa, 50% dos entrevistados consideram o Desenrola 2.0 uma boa ideia porque ajuda famílias endividadas a sair do vermelho. Apenas 23% afirmaram que o programa é uma má ideia por estimular novo endividamento.

A percepção positiva é ainda mais forte entre setores populares e eleitores independentes. Entre os lulistas, 75% aprovam o programa. Entre eleitores sem alinhamento ideológico forte, o apoio também supera com folga a rejeição.

O levantamento mostra ainda que 38% acreditam que o Desenrola 2.0 ajudará muito as pessoas a saírem das dívidas, enquanto outros 27% afirmam que ajudará um pouco. Apenas 33% disseram que o programa não terá efeito relevante.

Outro dado importante é o amplo apoio à proposta de restringir apostas online para quem aderir ao programa. Segundo a pesquisa, 79% dos brasileiros defendem a proibição temporária das apostas para beneficiários do Desenrola 2.0.

A medida recebeu apoio até mesmo em setores conservadores do eleitorado. Entre os bolsonaristas, 68% são favoráveis à restrição.

Os dados sugerem que o governo Lula conseguiu recuperar parte da iniciativa política ao voltar a apostar em programas voltados ao cotidiano da população, especialmente em temas ligados ao endividamento, crédito e custo de vida.

A pesquisa também mostra que os beneficiários de programas sociais seguem como uma das principais bases de sustentação do presidente. Entre os beneficiários do Bolsa Família, Lula mantém ampla vantagem eleitoral e índices superiores de aprovação.

O levantamento Genial/Quaest ouviu 2.004 brasileiros entre os dias 8 e 11 de maio de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

lula-quaest-programas sociais
Gerado por IA | Foto: Ricardo Stuckert

Artigos Relacionados

12 maio 2026

Eleições 2026 - Maior gestora do mundo vê Lula reeleito e ignora nome de Flávio Bolsonaro nos EUA

Analista da BlackRock para a América Latina afirmou em conferência fechada em Nova York que Lula deve vencer em 2026; senador bolsonarista não apareceu na análise


Analista da Blackrock fala sobre Lula e não cita Flávio Bolsonaro - Fotomontagem: SEAUD/PR e Saulo Cruz/Agência Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu como favorito à reeleição de 2026 em uma análise feita pela BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, durante conferência fechada com investidores em Nova York, nos Estados Unidos. No mesmo diagnóstico, o nome de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tratado pelo bolsonarismo como herdeiro eleitoral de Jair Bolsonaro, nem sequer entrou no radar.

A informação foi revelada por Thais Bilenky, em sua coluna no UOL. Segundo a jornalista, Aitor Jauregui, chefe da área de América Latina da BlackRock, afirmou no evento que Lula deve se reeleger, principalmente por causa dos indicadores da economia brasileira.

O peso da avaliação está no endereço e no emissor. A fala ocorreu em Nova York, diante de investidores, e partiu de um executivo da BlackRock, gigante financeira que informou ter US$ 13,9 trilhões sob gestão em 31 de março de 2026, segundo balanço divulgado pela própria companhia.

BlackRock coloca Lula no centro da eleição

A avaliação desmonta, ao menos no olhar de parte do mercado internacional, a tese de que a disputa de 2026 já estaria reorganizada em torno do substituto natural de Jair Bolsonaro. O nome que apareceu no centro da análise foi Lula. O que ficou de fora foi justamente a aposta mais familiar do bolsonarismo: Flávio Bolsonaro.

O senador pelo Rio de Janeiro vem sendo apresentado por aliados como alternativa para manter vivo o espólio político do pai. Mas, na conferência relatada pela coluna, ele não foi tratado como variável decisiva da eleição presidencial.

A ausência chama atenção porque ocorre no momento em que pesquisas recentes passaram a mostrar com mais frequência um confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro. A Fórum vem trazendo  os levantamentos que medem o desempenho dos dois em cenários nacionais para 2026.

Lula, economia e mercado internacional

O diagnóstico atribuído a Jauregui também reforça um ponto que interessa diretamente ao Palácio do Planalto: a economia voltou ao centro da leitura eleitoral feita fora do Brasil. Não se trata apenas de popularidade, rejeição ou guerra cultural. A análise da BlackRock liga a vantagem de Lula ao desempenho dos excelentes indicadores econômicos.

Esse é um terreno que o governo tenta explorar na largada da campanha. Lula busca associar sua candidatura à recuperação de renda, ao emprego e à estabilidade, enquanto a oposição tenta empurrar a disputa para temas de costumes e para a defesa de Jair Bolsonaro.

A Fórum já apontou esse embate em análises sobre a eleição de 2026. Em um dos cenários, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro aparece como teste de força entre a continuidade do governo e a tentativa de reorganização da direita após a inelegibilidade de Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro fica fora do radar

O ponto mais incômodo para o bolsonarismo é que Flávio não foi atacado, criticado ou minimizado. Ele simplesmente não apareceu como eixo da análise. Para uma candidatura que depende de se apresentar como inevitável no campo da direita, a invisibilidade diante de investidores estrangeiros pesa.

A leitura feita em Nova York sugere que, no mercado internacional, Lula é a principal referência para entender a eleição brasileira. Flávio, por enquanto, aparece mais como aposta doméstica do bolsonarismo do que como personagem consolidado no radar de grandes investidores.

Isso não significa que a eleição esteja decidida. A campanha ainda não começou oficialmente, candidaturas podem mudar e o humor do eleitorado pode oscilar. Mas a fala atribuída ao analista da maior gestora do mundo mostra que, fora do Brasil, Lula segue sendo lido como o nome a ser batido em 2026.

*Fonte: Por Diego de Abreu Feijó na Revista Fórum

10 maio 2026

Confira todos os pontos da excelente entrevista do presidente Lula nos Estados Unidos*

Lula defendeu a soberania brasileira, cobrou multilateralismo, criticou guerras e anunciou avanços em comércio, minerais críticos e combate ao crime

   Presidente Lula durante coletiva de imprensa nos EUA (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Lula concedeu uma longa entrevista coletiva em Washington após a reunião de três horas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e apresentou um balanço detalhado das conversas entre os dois governos. A coletiva, transmitida ao vivo pela TV 247, abordou temas centrais da relação bilateral, como comércio, tarifas, crime organizado, minerais críticos, soberania nacional e geopolítica internacional.

Ao lado de ministros brasileiros, Lula afirmou que o encontro marcou “um passo importante” na reconstrução das relações entre Brasil e Estados Unidos e destacou que o Brasil está disposto a dialogar “com qualquer país do mundo”, sem abrir mão da democracia e da soberania nacional.

Lula diz que Brasil e Estados Unidos deram “passo importante”

Lula afirmou que a reunião consolidou uma nova etapa na relação bilateral entre os dois países.

“Eu saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática, histórica que o Brasil tem com os Estados Unidos”, declarou.

Segundo ele, o Brasil quer ampliar a cooperação econômica com os Estados Unidos sem abandonar a política externa multilateral. O presidente lembrou que os EUA foram historicamente o principal parceiro comercial do Brasil durante o século XX, mas perderam espaço para a China a partir de 2008.

“O Brasil passou a ter na China o seu principal parceiro comercial”, afirmou.

Lula disse ter explicado a Trump que os Estados Unidos precisam voltar a olhar para a América Latina com mais interesse econômico e estratégico.

Comércio e tarifas dominaram parte da conversa

Um dos principais temas tratados foi o impasse comercial envolvendo a chamada “sessão 301”, mecanismo usado pelos Estados Unidos para investigar práticas comerciais consideradas desleais.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo brasileiro reiterou aos norte-americanos que não há justificativa para sobretaxas contra produtos brasileiros.

Lula explicou que propôs um prazo de 30 dias para que equipes técnicas dos dois países encontrem uma solução.

“Quem tiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder”, afirmou.

O presidente também rebateu críticas sobre tarifas brasileiras.

“A média do imposto que nós cobramos de vocês é 2.7%”, disse.

Segundo Lula, o objetivo é impedir que a burocracia paralise os acordos.

“A máquina pública é eterna. O presidente tem prazo de validade”, declarou.

Lula critica unilateralismo e defende multilateralismo

Durante a coletiva, Lula voltou a defender o fortalecimento do multilateralismo e criticou políticas unilaterais adotadas por grandes potências.

O presidente afirmou que o acordo entre Mercosul e União Europeia, além de negociações com Canadá, Japão e Singapura, fazem parte da estratégia brasileira para fortalecer a integração global.

“Isso dá uma dimensão de defesa do multilateralismo contra o unilateralismo colocado em prática pelas taxações do presidente Trump”, afirmou.

Combate ao crime organizado foi tema central

Lula afirmou que o combate ao crime organizado internacional foi tratado “muito seriamente” na reunião.

Segundo ele, o Brasil quer construir uma cooperação internacional ampla contra facções criminosas, tráfico de drogas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

“O território de uma cidade, de um bairro, é do povo, não é de crime organizado”, declarou.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, detalhou que Brasil e Estados Unidos ampliaram a cooperação entre aduanas e órgãos financeiros para combater lavagem de dinheiro e tráfico internacional.

Segundo Haddad, operações conjuntas permitiram apreender mais de meia tonelada de armas irregulares vindas dos Estados Unidos entre maio de 2025 e abril de 2026.

O ministro também revelou que mais de uma tonelada de drogas sintéticas provenientes dos Estados Unidos foi identificada no Brasil.

Lula anunciou ainda que o governo brasileiro lançará um novo plano nacional de combate ao crime organizado.

“Quem escapou até a semana que vem, tudo bem. Quem não escapou, não vai escapar mais”, afirmou.

Minerais críticos e terras raras entram no centro da estratégia brasileira

Outro tema de destaque foi a exploração de minerais críticos e terras raras.

Lula afirmou que o Brasil aprovou um novo marco regulatório para garantir soberania sobre esses recursos estratégicos e atrair investimentos internacionais.

“O Brasil não quer ser mero exportador dessas coisas”, declarou.

O presidente disse que o país pretende desenvolver internamente a cadeia industrial ligada aos minerais críticos.

“Nós queremos fazer a mineração, a separação e produzir a riqueza que essas terras raras nos oferecem”, afirmou.

O ministro Alexandre Silveira ressaltou que o Brasil está aberto a investimentos de Estados Unidos, China, Alemanha, França e outros países.

“O Brasil é solo fértil para investimentos pela sua segurança jurídica”, declarou.

Lula critica guerras e cobra reforma da ONU

A coletiva também teve forte conteúdo geopolítico. Lula voltou a criticar guerras e defendeu uma reforma urgente da Organização das Nações Unidas.

“O mundo está precisando de paz”, afirmou.

O presidente disse ter conversado com Trump sobre a necessidade de ampliar o Conselho de Segurança da ONU, incluindo países como Brasil, Índia, México, Japão, Alemanha e nações africanas.

“A geopolítica de 2026 não é a geopolítica de 1945”, declarou.

Lula também afirmou que discutiu a guerra entre Rússia e Ucrânia, os conflitos no Oriente Médio e a situação do Irã.

“Eu acredito muito mais no diálogo do que na guerra”, afirmou.

Lula volta a defender acordo nuclear com o Irã

O presidente revelou que entregou novamente a Trump o acordo nuclear firmado em 2010 entre Brasil, Turquia e Irã.

Segundo Lula, o documento demonstrava que era possível negociar soluções diplomáticas para o enriquecimento de urânio iraniano.

“É possível convencer”, afirmou.

O presidente voltou a defender o desarmamento nuclear global e criticou a ampliação dos arsenais atômicos.

“Quando o mundo tiver nessa turbulência, muita gente se arvora no direito de fazer bomba atômica”, disse.

Lula rejeita interferência estrangeira nas eleições brasileiras

Questionado sobre eventual influência de Trump na política brasileira, Lula afirmou que não acredita em interferência externa nas eleições do Brasil.

“Quem vai decidir a eleição brasileira é o povo brasileiro”, declarou.

O presidente também criticou qualquer tentativa de um governo estrangeiro interferir em processos eleitorais de outros países.

“Não é uma boa política um presidente de outro país ficar interferindo nas eleições de outro país”, afirmou.

Brasil quer regulamentar plataformas digitais sob soberania nacional

Lula afirmou que também discutiu a atuação de plataformas digitais estrangeiras no Brasil.

Segundo ele, o país não pretende proibir empresas norte-americanas, mas quer que todas operem sob regras brasileiras.

“O que nós queremos é o seguinte: entra qualquer plataforma de qualquer país do mundo no Brasil sob a regulamentação soberana do Brasil”, declarou.

Lula faz piada com Trump sobre a Copa do Mundo

Em tom descontraído, Lula contou que brincou com Trump sobre a próxima Copa do Mundo.

“Eu espero que você não venha anular o visto dos jogadores brasileiros”, disse Lula ao presidente norte-americano.

Segundo o presidente brasileiro, Trump reagiu com risadas.

“Ele riu porque agora ele vai rir sempre”, brincou Lula.

Presidente encerra coletiva dizendo que voltou mais otimista

Ao final da entrevista, Lula afirmou que deixou Washington confiante nos resultados futuros da relação bilateral.

“Volto pro Brasil mais otimista”, declarou.

O presidente reforçou que o Brasil está disposto a construir parcerias internacionais sem vetos ideológicos.

“O Brasil está disposto a construir parcerias onde eles quiserem construir parcerias. Não tem veto aos Estados Unidos, como não tem veto à China”, afirmou.

*Fonte: Redação do Brasil247