21 abril 2026

Tiradentes e a soberania nacional: por que esta causa ainda é tão atual no Brasil*

O sonho de um Brasil soberano ainda é a grande causa nacional

  Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (Foto: Reprodução)

Celebrado em 21 de abril, o feriado de Tiradentes, que homenageia o inconfidente Joaquim José da Silva Xavier, permanece como um dos símbolos mais poderosos da luta pela soberania nacional no Brasil. Mais de dois séculos após sua execução pela Coroa portuguesa, a causa que o levou ao patíbulo – a resistência contra a exploração externa e a defesa de um projeto de nação independente – segue atual. Em 2026, esse debate ganha novo fôlego com o presidente Lula, que se coloca na disputa por um quarto mandato com a soberania como eixo central de seu projeto político.

A comparação entre Tiradentes e o momento político contemporâneo não é meramente retórica. Trata-se de uma leitura histórica que evidencia como o Brasil, em diferentes períodos, enfrentou desafios semelhantes: a tensão entre dependência externa e autonomia nacional, entre elites alinhadas a interesses estrangeiros e forças que defendem um projeto soberano.

Lula usa o boné
Lula usa o boné "O Brasil é dos brasileiros"(Photo: RICARDO STUCKERT)

A inconfidência e o nascimento da ideia de soberania

Tiradentes foi o rosto mais conhecido da Inconfidência Mineira, movimento que emergiu no final do século XVIII em reação à exploração econômica imposta por Portugal. A cobrança excessiva de impostos, como a derrama, simbolizava um sistema colonial que drenava riquezas do território brasileiro para sustentar a metrópole.

Mais do que uma revolta fiscal, a Inconfidência representava um embrião de pensamento nacional. Inspirados por ideias iluministas e pela independência dos Estados Unidos, os inconfidentes defendiam a criação de uma república no Brasil, rompendo com o domínio externo.

Tiradentes, ao assumir publicamente a responsabilidade pelo movimento, tornou-se mártir. Sua execução, em 1792, foi um recado brutal da Coroa: qualquer tentativa de autonomia seria reprimida com rigor. Ainda assim, seu legado atravessou gerações e ajudou a consolidar a noção de que o Brasil deveria ser dono de seu próprio destino.

A soberania como eixo do projeto de Lula

No Brasil contemporâneo, a soberania reaparece como tema central em meio a disputas geopolíticas e econômicas globais. O presidente Lula, ao buscar um quarto mandato, tem reiterado a necessidade de fortalecer a autonomia nacional em áreas estratégicas, como energia, indústria, tecnologia e política externa.

Após décadas de políticas neoliberais que reduziram a capacidade do Estado e ampliaram a dependência externa, o atual governo aposta em um modelo que combina estabilidade macroeconômica com intervenção ativa para estimular o desenvolvimento. A reindustrialização, o fortalecimento de empresas públicas e a integração regional são pilares dessa estratégia.

lula-discurso-brics
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante declaração à imprensa, na Sala de Coletiva. Rio de Janeiro - RJ - 07/07/2025(Photo: Ricardo Stuckert / PR)Ricardo Stuckert / PR

A política externa também reflete essa visão. O Brasil tem atuado de forma mais assertiva em fóruns multilaterais, reforçando sua participação no BRICS e defendendo uma ordem internacional multipolar. Trata-se de uma tentativa de reduzir a dependência em relação às grandes potências tradicionais e ampliar o espaço de decisão soberana.

Dependência ontem e hoje

Se no tempo de Tiradentes a exploração se dava de forma direta, com a transferência de riquezas para Portugal, no mundo contemporâneo os mecanismos são mais sofisticados. A dependência tecnológica, financeira e industrial funciona como uma nova forma de subordinação.

O Brasil, apesar de sua dimensão continental e riqueza de recursos naturais, ainda enfrenta desafios estruturais. A desindustrialização precoce, a vulnerabilidade externa e a influência de interesses estrangeiros em setores estratégicos são questões que limitam sua autonomia.

Nesse contexto, a defesa da soberania ganha contornos modernos. Não se trata apenas de independência política formal, mas de capacidade real de decidir sobre os rumos econômicos e sociais do país.

O papel das elites e a disputa de projetos

Um elemento que aproxima o período de Tiradentes do Brasil atual é o comportamento das elites. No século XVIII, parte significativa das elites coloniais mantinha vínculos estreitos com a metrópole, beneficiando-se do sistema vigente.

Hoje, a situação se repete sob novas formas. Segmentos do mercado financeiro e grupos econômicos frequentemente resistem a políticas que ampliem o papel do Estado ou reduzam a dependência externa, defendendo agendas alinhadas a interesses globais.

Essa disputa entre projetos – um voltado à soberania nacional e outro à integração subordinada ao sistema internacional – está no centro do debate político brasileiro.

Lula e a construção de um projeto nacional

Ao longo de seus mandatos, o presidente Lula buscou fortalecer o papel do Estado como indutor do desenvolvimento. Programas de inclusão social, expansão do crédito, valorização do salário mínimo e investimentos em infraestrutura foram marcas de seus governos anteriores.

No atual contexto, essas iniciativas são retomadas com um componente adicional: a necessidade de reposicionar o Brasil em um cenário global cada vez mais competitivo e fragmentado.

lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa em defesa da soberania nacional - 17/7/2025 (Photo: Ricardo Stuckert/PR)Ricardo Stuckert/PR

A defesa de empresas estratégicas, como a Petrobras, e a ampliação de investimentos em ciência e tecnologia são vistas como fundamentais para garantir a soberania. Ao mesmo tempo, a integração com países da América Latina e do Sul Global aparece como alternativa à dependência histórica de centros hegemônicos.

A atualidade da causa de Tiradentes

Mais de 200 anos após sua morte, Tiradentes permanece como símbolo de resistência e de luta por um Brasil soberano. Sua figura transcende o episódio histórico da Inconfidência Mineira e se conecta a um debate permanente sobre o futuro do país.

Em 2026, com o presidente Lula colocando a soberania no centro da disputa política, essa herança ganha nova relevância. A questão que se coloca é se o Brasil será capaz de consolidar um projeto nacional autônomo ou continuará preso a ciclos de dependência.

A história sugere que a luta pela soberania é contínua e exige mobilização política e social. Tiradentes pagou com a vida por defender essa causa. Hoje, ela se manifesta nas escolhas políticas, econômicas e estratégicas que definirão o destino do país nas próximas décadas.

lula-defesa
12.02.2025 - Cerimônia de 1 ano da Nova Indústria Brasil e Missão 6: Soberania e Defesa nacionais(Photo: Ricardo Stuckert/PR)Ricardo Stuckert/PR

Nesse sentido, a memória de Tiradentes não é apenas um tributo ao passado, mas um convite à reflexão sobre o presente e o futuro do Brasil.

*Fonte: Redação do site Brasil247

20 abril 2026

Dia do Livro inspira programação nacional da Noite das Livrarias*

Porto Alegre, Canoas e Caxias do Sul terão atividades com autores e música

Foto: Bettina Gehm/Sul21

Por Fernanda Bastos*

Quem gosta de frequentar livrarias de rua poderá esticar a visita na próxima quinta-feira (23), durante a Noite das Livrarias. O evento é realizado em alusão ao Dia do Livro, celebrado mundialmente na data, e acontece em diferentes espaços do país de forma simultânea. A ideia é começar às seis da tarde e se estender pela noite, conforme a movimentação. No Rio Grande do Sul, participam da iniciativa as livrarias Baleia, na Capital, Pandorga, em Canoas, e Do arco da velha, em Caxias do Sul.

A Baleia vai misturar livros com artes gráficas, apresentando artistas independentes convidados a partir da curadoria da equipe da loja. A discotecagem será comandada pela livreira Nanni Rios. Ela se entusiasma com a forma como a programação foi recebida pelo público. “As pessoas celebram com essa camada a mais: não é uma livraria fazendo evento, é um circuito de livrarias. É uma ação nacional, expressiva, que denota realmente uma cultura sendo valorizada”, diz. “A noite é sempre esse espaço para descoberta de potência do diferente. Então é muito simbólico no Dia do Livro estarmos fora do horário comercial para esse evento que é tão focado no encontro”, conclui.

Em Caxias, a Do Arco Da Velha também investe em uma programação diversa, com um palco que ganhou título em homenagem a Clarice Lispector “A hora da estrela”. Os autores vão se revezar dando dicas de livros enquanto um DJ fará acompanhamento musical. “A ideia é não serem palestras, nem sarau, ou uma coisa assim mais comportada. A ideia é que seja uma coisa descontraída. E a gente vai tentar estender para a calçada”, projeta o livreiro Guilherme R. Martinato.

A Pandorga convida o público para uma leitura compartilhada de textos de escritoras clássicas e contemporâneas. Em diálogo com movimentos como o Leia Mulheres, vai dar mais espaço para autorias que costumam ser menos prestigiadas. “Nossa expectativa é trazer o público que, muitas vezes, opta pela compra virtual por falta de tempo para frequentar a livraria e que vai poder nos conhecer em função dessa programação noturna”, destaca a livreira Lúcia Barcelos.

A iniciativa coletiva surgiu pela mobilização dos mesmos organizadores do Mapa das Livrarias de Rua de São Paulo, que buscaram ampliar para todo o território brasileiro as ações de visibilidade e fortalecimento das livrarias independentes e de rua. A inspiração vem de eventos internacionais, em especial a Noche de las Librerías, em Buenos Aires, e La Noche de los Libros, em Madri.

*Fonte: Sul21

19 abril 2026

Ícone no mundo: “Extremismo impõe um novo desafio”, diz Lula em discurso ovacionado no GPM

Presidente brasileiro foi a grande estrela do Global Progressive Mobilisation e gerou até tumulto diante de uma plateia que o aplaudia a cada palavra

- O presidente Lula discursa no evento final do Global Progressive Mobilisation - Foto: Henrique Rodrigues


Por Henrique Rodrigues*- De BARCELONA, Espanha – O centro de convenções Fira Barcelona testemunhou, na tarde deste sábado (18), um fenômeno político que extrapolou os protocolos diplomáticos habituais. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva fez a penúltima fala (apenas sucedido por Pedro Sánchez, o anfitrião, no púlpito) do Global Progressive Mobilisation (GPM), consolidando-se como a figura central da esquerda global contemporânea. Em um auditório completamente lotado, onde não restava espaço sequer nos corredores laterais, Lula foi recebido com uma euforia reservada a ídolos da cultura pop, mas entregou um discurso de densidade política que deixou chefes de Estado e de governo visivelmente impressionados.

A atmosfera era de catarse. Antes mesmo de iniciar sua fala, delegações de inúmeros países, da América Latina à Europa, passando por representantes africanos, entoaram em uníssono o tradicional canto “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”. A reação delirante do público, sobretudo por se tratar de um evento fora do Brasil, gerou expressões de surpresa em autoridades estrangeiras presentes, que assistiam, quase incrédulas, à conexão magnética do brasileiro com a plateia internacional.

Diagnóstico do retrocesso e a autocrítica progressista

Lula não optou pelo caminho fácil do discurso meramente celebrativo. Pelo contrário, elevou o tom para fazer um diagnóstico severo sobre as falhas das esquerdas e o avanço da extrema direita global. Com um semblante sério, o presidente brasileiro confrontou o auditório com uma realidade incômoda sobre a economia mundial e a gestão das crises recentes.

“O extremismo impõe um novo desafio… O campo progressista conseguiu avançar na pauta dos direitos, a situação dos trabalhadores, das mulheres, das pessoas negras e das minorias é muito melhor hoje do que no passado, e não é coincidência que a reação das forças reacionárias tenha vindo de forma tão violenta com a misoginia, o racismo e o discurso de ódio. Mas o progressismo não conseguiu superar o pensamento econômico dominante. O projeto neoliberal prometeu prosperidade, mas entregou fome, desigualdade e insegurança. Provocou crise atrás de crise. E ainda assim nós sucumbimos à ortodoxia. Nós temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo”, disse Lula, em forte tom.

O silêncio absoluto que se seguiu à frase foi interrompido por uma salva de palmas que durou quase meio minuto. Para os analistas presentes, a fala marca um momento de inflexão, onde o Brasil se coloca como o principal crítico da manutenção de modelos econômicos que, na visão de Lula, pavimentam o caminho para o autoritarismo ao não entregarem bem-estar social real às populações.

Anatomia da extrema direita

O presidente brasileiro também utilizou o palco em Barcelona para detalhar a gravidade das ameaças institucionais que o Brasil enfrentou recentemente, conectando-as a um movimento global de desestabilização. Sem poupar adjetivos, ele descreveu as contradições morais daqueles que atacam o sistema democrático sob o pretexto de defender valores tradicionais ou a liberdade de expressão.

“O risco que a extrema direita representa à democracia não é retórico, é real. No Brasil, ela planejou um golpe de Estado, orquestrou um plano que previa tanque na rua e que previa o assassinato do presidente eleito, do vice-presidente e do presidente da Justiça Eleitoral. O Papa Leão XIV disse que a democracia corre o risco de se tornar uma máscara para o domínio das elites econômicas e tecnológicas. Nosso papel é o de desmascarar essas forças, desmascarar esses que dizem estar ao lado do povo, mas que governam para os mais ricos. Que dizem ser patriotas, mas põem a soberania a venda e pedem sanções contra o seu próprio país. Os que proclamam defender a família, mas fecham os olhos para a violência contra as mulheres e o abuso sexual de crianças, e que se declaram os donos da verdade mas vivem de espalhar mentiras e desinformação. Os que se consideram homens de Deus, mas que não têm amor ao próximo. Os que falam em liberdade, mas perseguem quem é diferente”, afirmou o líder brasileiro, sob aplausos que o interrompiam a cada sentença.

A citação ao pontífice e a descrição detalhada das tramas golpistas no Brasil serviram para dar peso histórico à sua tese de que o embate atual não é apenas partidário, mas civilizatório.

Um chamado à coragem política

Caminhando para o encerramento, Lula instou os líderes progressistas e a juventude presente a abandonarem a timidez no debate público. O presidente destacou que a moderação excessiva diante de ameaças radicais pode ser interpretada como fraqueza ou conivência.

“Nós não podemos ter medo de falar mais alto, e falar com responsabilidade. E não devemos ter medo de contrapor argumentos”, enfatizou, deixando claro que a disputa narrativa deve ser direta e baseada na realidade dos fatos e das necessidades populares.

Tumulto na saída e impacto diplomático

A saída de Lula do pavilhão principal da Fira Barcelona foi digna de um evento de grandes proporções. Eram tantos os admiradores, militantes de movimentos sociais europeus e jornalistas de veículos de todo o mundo tentando se aproximar do brasileiro que um princípio de tumulto foi registrado. Seguranças tiveram dificuldade para conter o “empurra-empurra” enquanto o público tentava tocar o presidente ou conseguir uma declaração extra.

O impacto de sua fala no GPM deve ecoar nas próximas reuniões multilaterais. Em Barcelona, ficou nítido que, para o mundo, o Brasil não apenas voltou ao jogo diplomático, mas voltou como um dos seus principais protagonistas, capaz de mobilizar corações e mentes muito além de suas fronteiras.

*Fonte: Revista Forum

18 abril 2026

CUBA: 65 ANOS DA RESISTÊNCIA CUBANA AO IMPERIALISMO NORTE-AMERICANO*

Nos 65 anos do ataque à Praia do Girón, governo de Cuba celebra a resistência à ‘hipocrisia do carrasco’ Estados Unidos 


Pessoas seguram fotos do falecido líder Fidel Castro e de seu irmão, o ex-presidente Raúl Castro, durante as comemorações que marcam a vitória no 65º aniversário da invasão da Praia de Girón | Crédito: Yamil Lage/AFP

Documento destaca a defesa da soberania, cita aliados como China e Rússia e relembra soldados mortos na Venezuela

Às vésperas da comemoração dos 65 anos da resistência à tentativa de invasão dos Estados Unidos durante a Revolução Cubana, que será comemorada neste domingo (19), o governo do país caribenho emitiu uma declaração, “Girón é hoje e será para sempre!“.

Após três dias de batalhas em abril de 1961, as tropas comandadas pessoalmente por Fidel Castro detiveram a invasão na Praia de Girón, conhecida também como Baía do Porcos. Na ocasião, cerca 1.100 invasores foram capturados.

O documento inicia lembrando que Cuba “vive sob o cerco permanente do governo dos Estados Unidos, cuja escalada de ameaças se intensificou nos últimos meses”. Faz um resgaste histórico das sanções à ilha, definindo-as como “a hipocrisia do carrasco”. Aponta nominalmente México, Rússia, China e Vietnã como países irmãos que ajudam a superar os bloqueios.

Os 32 combatentes cubanos que morreram durante o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro deste ano, foram lembrados, assim como os jovens que ajudaram a evitar a infiltração de um lancha que invadiu o espaço marítimo na província de Villa Clara, em fevereiro.

“Somos uma nação com uma grande história e convicções a defender; de homens e mulheres pacíficos e solidários; um povo que, a cada dia, com seu trabalho, realiza uma reivindicação de Cuba; e que, como nas areias da Praia do Girón, há 65 anos, sob o grito de ‘Pátria ou Morte’, obterá a vitória em defesa da soberania e do socialismo”, diz a parte final do documento. O texto encerra lembrando que este é também o ano do centenário de Fidel Castro e ratificando o chamado à mobilização nacional e internacional feito em dia 16 de abril pelo primeiro presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez: “Enquanto houver uma mulher ou um homem disposto a dar a vida pela Revolução, estaremos vencendo!’”

Leia a íntegra da declaração:

Declaração do Governo Revolucionário

“Girón é hoje e será para sempre!

Enquanto houver uma mulher ou um homem disposto a dar a vida pela Revolução, estaremos vencendo!

17 de abril de 2026

Cuba vive sob o cerco permanente do governo dos Estados Unidos, cuja escalada de ameaças se intensificou nos últimos meses. Ao brutal cerco energético, que agrava a política genocida de bloqueio das últimas seis décadas, somam-se as declarações de representantes da elite governamental norte-americana sobre pretensões de agressão militar.

O custo material e humano desse bloqueio constitui uma vergonha que recai sobre os ombros do governo do maior império de todos os tempos.

Trata-se de um ato ilegal e desumano, que viola o direito internacional, condenado anualmente por quase todos os países membros da Organização das Nações Unidas e que, conforme confirmam pesquisas recentes, é rejeitado pela maioria dos filhos da pátria de Lincoln.

Diante desse castigo coletivo, o povo cubano oferece os mais nobres e admiráveis exemplos de resistência. Desde que, no passado dia 29 de janeiro, foi decretado o estrangulamento na forma de um Decreto Executivo, tem sido ainda mais estoica a resposta deste povo, que continua enfrentando os desafios da escassez em cada tarefa ou atividade cotidiana.

Em meio a tais urgências, surge também uma teia de calúnias para desacreditar Cuba e seu governo. A partir da máquina midiática dominante, nos é imposta uma guerra desleal, repleta de exageros, mentiras e difamações, que nunca aponta o verdadeiro causador da situação criada e culpa o Governo Revolucionário pela crise que, de forma calculada e fria, é provocada por aqueles que nos agridem. Recorre-se a pretextos tão mentirosos quanto o de que nosso país constitui uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional dos Estados Unidos ou a designação como Estado que supostamente patrocina o terrorismo.

Assim se revela a hipocrisia do carrasco, cujas intenções são descritas no Memorando do subsecretário de Estado Lester Mallory, datado de 6 de abril de 1960 — numa fase tão inicial do processo revolucionário —, quando, em termos muito claros, ele expressa o verdadeiro sentido de sua política criminosa:

‘…empregar rapidamente todos os meios possíveis para enfraquecer a vida econômica de Cuba. (…) Uma linha de ação que, sendo a mais hábil e discreta possível, consiga os maiores avanços na privação de dinheiro e suprimentos a Cuba, para reduzir seus recursos financeiros e os salários reais, provocar fome, desespero e a derrubada do Governo.’

Esse assédio se estendeu também ao plano das relações bilaterais de Cuba com outros países. Os Estados Unidos exercem pressão constante sobre os governos da região, não apenas para que rompam laços diplomáticos com a Ilha, mas também para que abandonem seus próprios povos, expulsando profissionais de saúde que, durante anos, foram um porto de esperança para os mais pobres.

Isolar-nos também faz parte da estratégia deles; no entanto, existem no mundo pilares de dignidade, povos e governos que não se submetem. Aí estão os exemplos do México, da Rússia, da China, do Vietnã e de outros países irmãos. Aí estão os integrantes da Caravana Nuestra América, que, desafiando ameaças, pressões e riscos, em um gesto simbólico, decidiram nos entregar, além da ajuda material, seu apoio; reafirmando a máxima de Martí de que ‘quem se levanta hoje com Cuba se levanta para sempre’.

Herdeiros de um legado histórico, com o sangue mambisa e rebelde em nossas veias, honrando o exemplo e a coragem dos heróis e mártires da Pátria; como os 32 bravos combatentes cubanos que caíram na Venezuela e os jovens que frustraram a infiltração terrorista por Villa Clara, afirmamos hoje que Cuba nunca será um troféu, nem mais uma estrela da constelação norte-americana.

Somos uma nação com uma grande história e convicções a defender; de homens e mulheres pacíficos e solidários; um povo que, a cada dia, com seu trabalho, realiza uma reivindicação de Cuba; e que, como nas areias de Playa Girón, há 65 anos, sob o grito de ‘Pátria ou Morte!’, obterá a vitória em defesa da soberania e do socialismo.

No ano do centenário do Comandante-Chefe Fidel Castro Ruz, artífice da primeira grande derrota do imperialismo ianque na América; com o privilégio de que o General do Exército Raúl Castro Ruz, firme ao lado de seu povo, continue firme no comando; ratificamos o chamado à mobilização nacional e internacional feito neste dia 16 de abril pelo Primeiro Secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e Presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, e reafirmamos suas palavras:

‘Enquanto houver uma mulher ou um homem disposto a dar a vida pela Revolução, estaremos vencendo! O caráter socialista da nossa Revolução não é uma frase do passado, é o escudo do presente e a garantia do futuro!

Girón é hoje e é sempre!’ "

*Com o site Brasil de Fato - BdF

17 abril 2026

Lula desembarca na Espanha para consolidar parcerias e debater ‘temas globais urgentes’

 

Presidente brasileiro iniciou agenda pela Europa nesta quinta (16); nos próximos dias, passará pela Alemanha e por Portugal


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou, nesta quinta-feira (16/04), na cidade espanhola de Barcelona, a primeira parada de sua viagem a três países europeus – Espanha, Alemanha e Portugal.

“O objetivo é consolidar parcerias, atrair investimentos e discutir temas globais urgentes como a defesa da democracia, do multilateralismo e o combate às desigualdades”, escreveu Lula, em publicação nas redes sociais.

A viagem também busca ampliar apoio à candidatura de Michelle Bachelet ao cargo de Secretária-Geral das Nações Unidas (ONU) e ocorre em um momento relevante para as relações com a União Europeia, às vésperas da entrada em vigor provisória do acordo Mercosul-União Europeia, prevista para 1º de maio.

A agenda combina encontros de alto nível político, participação em fóruns multilaterais, reuniões com lideranças empresariais e assinatura de acordos estratégicos.

Nesta sexta-feira (17/04), Lula participará da 1ª Cúpula Brasil-Espanha, momento em que será recepcionado pelo presidente espanhol, Pedro Sánchez. A expectativa do governo brasileiro é de que, durante a cúpula, as convergências entre os dois países sejam ampliadas em temas como multilateralismo, direito internacional e solução pacífica de conflitos.

Há, ainda, a previsão de assinatura de atos e acordos em áreas como igualdade de gênero, economia social solidária, saúde, cultura, empreendedorismo, serviços aéreos, telecomunicações, ciência e tecnologia.

No sábado (18/04), ocorrerá a quarta reunião de alto nível do Fórum de Defesa da Democracia, iniciado em 2024. A reunião terá como foco questões relacionadas a multilateralismo, o que inclui a sucessão da Secretaria-Geral da ONU; desigualdades, com o Brasil defendendo incluir na declaração final aspectos relacionados à violência política e digital de gênero; e combate à desinformação.

Na sequência, no domingo (19/04), Lula embarca para a Alemanha, onde participará da Hannover Messe – a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo – que nesta edição homenageia o Brasil.

No fim de fevereiro, a Agência Brasil esteve na Alemanha para um encontro entre jornalistas e os organizadores da Hannover Messe. Além de conhecer novidades, como um robô cozinheiro, foram tratados temas como a aproximação do Brasil com europeus, com o objetivo de desenvolver a cadeia de exploração e produção de minerais críticos – elemento primordial no cenário de transição energética.

Ainda na Alemanha, o presidente brasileiro terá uma reunião com o chanceler Friedrich Merz. A expectativa da diplomacia brasileira é de que sejam assinados 10 acordos envolvendo os dois países, em temas como defesa, mudanças climáticas, infraestrutura, inteligência artificial, inovações energéticas, bioeconomia, desenvolvimento sustentável, desenvolvimento de aplicativos e pesquisas nas áreas oceânicas e do cerrado brasileiro.

No dia 20, a programação da comitiva passa pela abertura do estande brasileiro na feira Hannover Messe e visita guiada pelos pavilhões. Na Alemanha, Lula ainda participa de um fórum empresarial.

A viagem se encerrará dia 21, com uma rápida visita de Estado a Portugal. Em Lisboa, Lula se encontra com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro. Os encontros abordarão temas da agenda bilateral, como cooperação aeronáutica, ciência, tecnologia e inovação, além de questões relacionadas à imigração e ao combate à xenofobia, bem como temas da comunidade brasileira em Portugal, paz e segurança internacional.

A comitiva contará com 15 ministros, além de presidentes de órgãos como Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Fundação Oswaldo Cruz e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

*Fonte Jornal Brasil Popular e Opera Mundi

16 abril 2026

Edegar Pretto confirma que será vice de Juliana Brizola*-

Posição foi anunciada no início da manhã desta quinta-feira em carta aberta


*Do jornal Correio do Povo, por Flavia Bemfica: 'Edegar Pretto (PT) confirmou, na manhã desta quinta-feira, em carta aberta aos integrantes do partido no Estado que será vice na chapa com Juliana Brizola, pré-candidata ao governo do RS pelo PDT. A decisão ocorre uma semana após a intervenção do PT nacional na pré-candidatura de Pretto, orientando a aliança com o PDT na disputa ao Palácio Piratini.'

*CLIQUE AQUI para ler a matéria completa com a carta, na íntegra.

'O Melhor de Som Cubano' *

 


*Via YouTube

15 abril 2026

Nacional - Lula enviará PL do fim da 6×1; Congresso inimigo do povo reage e empresários mentem

 


Por Marcelo Carlini*

Depois e um vai e vem de informações, Lula confirmou em entrevista ao ICL que irá enviar ao Congresso um projeto de lei que colocará fim à escala 6×1, além da redução da jornada de trabalho que hoje é de 44 horas semanais. A previsão é estabelecer uma jornada máxima de 40 horas sem redução de salário.

Segundo a imprensa, no dia 7 de abril o presidente da Câmara, Hugo Motta (REP/PB), pressionou publicamente o líder do governo, José Guimarães (PT/CE), acerca do tema numa reunião de lideranças de bancadas. Isso deu espaço para que Motta anunciasse que o governo havia recuado. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), atribuiu o caso a um “mal-entendido”.

O caminho escolhido por Lula busca acelerar a tramitação, por meio de regime de urgência urgentíssima que trava a pauta, não se vota mais nada. Além disso, o envio de um projeto que não seja uma emenda à Constituição permite que presidência vete possíveis alterações.

A decisão de envio do projeto é positiva. Mesmo com a sabida minoria do governo no parlamento, a pressão popular exercida pela aprovação de 70% dos brasileiros pelo fim da 6×1, segundo pesquisa Datafolha, gera medo nos empresários e nos deputados que manobram para não votar o projeto em ano eleitoral.

Pela previsão dada por Lula, o envio do projeto deve ocorrer antes de 15 de abril, data da Marcha a Brasília convocada pelas centrais, cuja pauta principal é o fim da 6×1 e a redução da jornada.

Segundo estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas beneficiaria diretamente mais de 30 milhões de trabalhadores.

A Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego, que baseia o documento, listou 44 milhões de trabalhadores vinculados à CLT em 2023. Deixando de fora os que não tinham informações sobre jornada de trabalho, 74% (31,7 milhões) tinham jornada de exatamente 44 horas semanais contratuais, além de outros 3% (1,1 milhão) que tinham jornada registrada acima de 44 horas. É possível deduzir que são eles quem estão dentro da escala 6×1, considerando a atual jornada prevista na CLT.

O Ipea também desmente o terrorismo feito pelos empresários ameaçando com desemprego e quebradeira dos negócios, repetindo os mesmos argumentos quando da criação da lei do 13º salário conquistado depois da greve geral de 1962.

Os setores com maior aumento total de gastos seriam as atividades de vigilância, segurança e investigação (6,65%); seleção, agenciamento e locação de mão de obra (6,30%); serviços para edifícios e atividades paisagísticas (5,97%); e correio e outras atividades de entrega (4,30%). O total de vínculos desses setores, porém, é relativamente baixo.

Partindo-se dos setores com mais trabalhadores, o percentual de aumento total de gastos cai ainda mais. O comércio varejista, que tem 6,9 milhões de vínculos, teria aumento total de gastos de 1,04%. No comércio por atacado, onde há 1,9 milhão de vínculos, o impacto seria de 0,41%.

A 2ª Plenária Nacional do DAP realizada no dia 28 de março, que reuniu mais de 300 militantes de 15 estados, reforçou o engajamento na luta pelo fim da 6×1 e a redução da jornada – agora com o estímulo do PL na mão – e pela revogação das reformas da previdência e trabalhista, entulhos deixados por Temer e Bolsonaro. É assim que convocaremos e estaremos nos atos em todo o Brasil!

*Marcelo Carlini é Diretor do Sintrajufe/RS e membro do Diretório Estadual do PT-RS.

Fonte: Site do Diálogo e Ação Petista - DAP