Lula está plenamente preparado para a campanha e para os debates. Tem um discurso plenamente articulado sobre a situação do Brasil, sobre os seus governos e sobre as perspectivas futuras para o país
Foto: Ricardo Stuckert
Por Emir Sader*
Chegou o ano das novas eleições presidenciais, junto com as de governadores e parlamentares, para a Câmara e o Senado.
Claro que a eleição presidencial é a que tem consequências maiores para o Brasil. Começa a guerrilha da manipulação das pesquisas, de que a mídia tradicional se vale para todo tipo de especulação, o que revela uma clara incomodação com o favoritismo do Lula e com a falta de um candidato competitivo da direita.
Lula é candidato forte à reeleição, ao seu quarto mandato. Fernando Haddad sairá do governo para coordenar a campanha.
Lula está plenamente preparado para a campanha e para os debates. Tem um discurso plenamente articulado sobre a situação do Brasil, sobre os seus governos e sobre as perspectivas futuras para o país.
O prestígio do Lula se reflete no interesse de uma quantidade enorme de candidatos, de vários partidos, de que ele os apoie nos seus estados. Não apenas no Nordeste, mas em vários outros estados do Centro-Sul e do Sul do país também.
A direita parece se concentrar agora em um filho do Bolsonaro, o Flávio, indicado por ele como seu candidato. Não é o favorito dos grandes empresários — da chamada Faria Lima —, que é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Este cometeu muitos erros, inclusive o de apoiar firmemente Bolsonaro, mesmo depois da condenação e da prisão deste, com a ideia de herdar seus votos e de retribuir o apoio que teve de Bolsonaro para chegar a ser governador de São Paulo.
Mas confiava que, sendo o preferido dos grandes empresários e contando com boa posição nas pesquisas, fosse o candidato da oposição. Vacilava, porque poderia, perdendo as eleições presidenciais, ficar sem o governo de São Paulo e sem nenhum mandato.
As pesquisas, confiáveis ou não, manipuladas ou não, revelam que Bolsonaro tem um poder ainda alto de transferência, de forma que seu filho Flávio está em melhor situação nas pesquisas, enquanto o apoio do eleitorado a Tarcísio é claramente menor.
Na campanha, as falácias de supostas heranças do governo Bolsonaro ficaram escandalosamente claras. Em um debate, além da capacidade de argumentação de Lula, os dados dos governos Lula e os do governo Bolsonaro são escandalosamente desfavoráveis a este.
Além da questão democrática, em que o filho de Bolsonaro terá de arcar com o ônus do compromisso, juridicamente comprovado, de seu pai com a tentativa de golpe do 8/1. Não haverá como tentar desvinculá-lo, até porque foi condenado e preso por esse compromisso.
Em suma, as condições são muito favoráveis a Lula, tanto nas condições de ponto de partida, mesmo em pesquisas não confiáveis. Dá para imaginar que a campanha e os debates o fortaleçam mais ainda.
De alguma forma, a direita está conformada com a reeleição de Lula. Trata de tentar manter o controle do Senado e da Câmara, para dificultar, na medida do possível, um eventual novo mandato de Lula. Mas o próprio Centrão está enfraquecido. Um setor do Centrão, que tem dificuldades de ficar longe do governo, se aproxima de Lula.
Essas são as condições do começo da campanha. Treino é treino, jogo é jogo, é verdade. Mas, no jogo, Lula é insuperável.
*Fonte: Revista Fórum











