Blog do Júlio Garcia
13 fevereiro 2026
11 fevereiro 2026
Cuba resiste
Donald Trump está fazendo de tudo para sufocar Cuba, cuja vitória revolucionária ainda não foi aceita pelos Estados Unidos
Por Emir Sader*
Donald Trump está fazendo de tudo para sufocar Cuba, cuja vitória revolucionária ainda não foi aceita pelos Estados Unidos.
Agora, o presidente americano emitiu o que chamou de "ordem executiva", ameaçando com medidas severas os países que continuam fornecendo petróleo a Cuba.
Fiz três perguntas a um amigo cubano, Abel Prieto, presidente da Casa de las Américas, sobre a situação real na ilha, especialmente considerando a quantidade de notícias falsas disseminadas pelos principais veículos de comunicação controlados pelos Estados Unidos.
Abel respondeu com uma carta, que reproduzo aqui na íntegra.
"Este é um esforço cruel para nos sufocar e forçar a sempre presente 'mudança de regime'. Eles ameaçam sancionar qualquer país que nos venda petróleo, paralisando, assim, a economia, a produção e os serviços à população e promovendo uma crise política."
Ele então detalha as medidas tomadas pelo governo cubano "para priorizar as necessidades básicas da população, saúde pública, educação e assistência aos setores mais vulneráveis". "Além disso, estão em curso esforços para acelerar os investimentos já realizados na instalação de parques solares e no uso de fontes de energia renováveis." Abel relata que, no ano passado, "conseguiram instalar cerca de 50 parques fotovoltaicos em todas as províncias". Esses parques estão sendo instalados em maternidades, policlínicas e lares de idosos.
Da mesma forma, do ponto de vista energético, estão protegendo centros de produção associados a exportações, irrigação elétrica, cultivo de tabaco, entre outros.
"Juntamente com a tentativa de nos sufocar, as operações de guerra psicológica por meio da mídia digital, financiadas pelos ianques, estão se multiplicando a cada dia", escreve Abel. "É por isso que estamos trabalhando intensamente para preparar nosso povo para travar a batalha nas redes sociais sem ser manipulado."
Abel então recorda: "O povo cubano passou por experiências muito difíceis ao longo de todos esses anos: a invasão da Baía dos Porcos, a Crise dos Mísseis de Cuba, a guerra biológica, furacões devastadores, o colapso do socialismo na Europa, as Leis Torricelli e Helms-Burton e a pandemia da COVID-19."
Ele relata as homenagens prestadas aos 32 cubanos que morreram defendendo o governo venezuelano contra o sequestro do presidente daquele país.
E conclui dizendo que: "Apesar das enormes carências e dificuldades que enfrentamos hoje, estou convencido de que não há, nem haverá, uma crise política em Cuba. O decreto de Trump só serviu para radicalizar nosso povo, nos unir ainda mais e nos tornar mais anti-imperialistas e antifascistas."
E termina com: "Um grande abraço, querido Emir."
*Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros. Fonte: Brasil247
09 fevereiro 2026
46 anos do PT: a atualidade de seu Manifesto de Fundação e a luta pela Constituinte Soberana*
Em plena ditadura militar e sob o peso da Lei de Segurança Nacional, em 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo, representantes do Movimento Pró-PT vindos de 17 Estados brasileiros lançaram o manifesto de fundação do partido e reuniram as 101 assinaturas exigidas à época para sua formalização legal. O nascimento do PT e poucos anos depois da CUT, vieram na esteira de uma onda de greves e mobilizações que aceleraram o fim do regime e inauguraram uma nova etapa na representação política dos trabalhadores.
Expressando a necessidade de construir um partido empenhado comprometido com mudança da ordem, seu manifesto afirma: “O Partido dos Trabalhadores nasce da vontade de independência política dos trabalhadores, já cansados de servir de massa de manobra para os políticos e os partidos comprometidos com a manutenção da atual ordem econômica, social e política.”
Fruto dessa correta orientação, oito anos depois, a bancada de 16 deputados do PT votou contra o texto da Constituição de 1988. Lula, então deputado, profere discurso irretocável: “Entramos aqui querendo 40 horas semanais e ficamos com 44 horas; entramos aqui querendo férias em dobro e ficamos apenas com um terço a mais nas férias; entramos aqui querendo o fim da hora extra ou, depois, a hora extra em dobro, e ficamos apenas com 50%, recebendo menos do que aquilo que o Tribunal já dava.”
Lula também não poupou o latifúndio nem a tutela militar, em vigor até hoje, e adubo para a tentativa de golpe em 8 de janeiro: “Sobre a questão da reforma agrária, esta Assembleia Nacional Constituinte teve o prazer de dar aos camponeses brasileiros um texto mais retrógrado do que aquele que era o Estatuto da Terra, elaborado na época do Marechal Castello Branco. Os militares continuam intocáveis, como se fossem cidadãos de primeira classe, para, em nome da ordem e da lei, poderem repetir o que fizeram em 1964 (…).”
E conclui: “Ainda não foi desta vez que a classe trabalhadora pôde ter uma Constituição efetivamente voltada para os seus interesses (…) E a questão do capital continua intacta (…). É por isto que o Partido dos Trabalhadores vota contra o texto e, amanhã, por decisão do nosso diretório – decisão majoritária – o Partido dos Trabalhadores assinará a Constituição, porque entende que é o cumprimento formal da sua participação nesta Constituinte.”
É preciso lembrar como o Congresso funcionava à época. De manhã, era Constituinte, de tarde, legislava normalmente… na verdade uma “constituinte meia bomba”. Não se tratava de uma constituinte soberana. De lá para cá, o texto de 1988, teve inúmeros retrocessos como a reforma da previdência, trabalhista e fim do monopólio estatal do petróleo, para citarmos apenas alguns exemplos.
As regras de sub-representação seguem, o voto não é proporcional, não existe voto em lista, o financiamento eleitoral privado continua liberado e o Congresso inimigo do povo agora é turbinado pelas bilionárias emendas parlamentares que contaminaram até o PT. O judiciário, por sua vez, se enrola entre interesses de poderosos como o caso do Banco Master mostra. Daí a atualidade do Manifesto do PT, 46 anos depois de sua fundação, e da necessidade histórica de uma Constituinte, mas Soberana desta vez, com plenos poderes, e não instalada submissa ao STF, com o Exército ditando Art. 142 da GLO, etc… Em 2026, o povo brasileiro ainda precisa de instituições e uma Constituição que seja sua.
Agir como o PT agia, viva o Partido dos Trabalhadores!
*Via site do Diálogo e Ação Petista - DAP (Negritos e grifos deste Blog)
46 anos do PT - O que está em jogo é a democracia do país, aponta Lula em discurso sobre as eleições de 2026
Durante ato político em Salvador, presidente defende diálogo, soberania e compromisso com valores que fundaram o PT
06 fevereiro 2026
A extrema direita global prepara o cerco às eleições brasileiras
A extrema direita não se organiza como partido tradicional, mas como rede transnacional de influência política. Seu núcleo é a guerra cultural permanente
Steve Bannon (Foto: Elizabeth Frantz / Reuters)Por Gustavo Tapioca*
A entrevista do crítico e analista João Cezar de Castro Rocha divulgada nesta quarta-feira, 4, pelo YouTube lança luz sobre um erro estratégico que a democracia brasileira insiste em repetir. Tratar a extrema direita como fenômeno local, episódico ou espontâneo. Os documentos associados ao caso Epstein, longe de serem apenas um escândalo moral, funcionam como mapa de uma engrenagem internacional de poder, onde circulam dinheiro, influência política, chantagem e guerra cultural.
Nesse teatro, o Brasil não é periferia. É campo de testes.
O método global da extrema direita
A extrema direita do século XXI não se organiza como partido tradicional, mas como rede transnacional de influência política. Seu núcleo é a guerra cultural permanente. Ou seja, a destruição deliberada da noção de verdade factual, o ataque sistemático às instituições e a conversão do conflito político em espetáculo emocional contínuo.
O principal formulador desse método é Steve Bannon, que transformou a política em engenharia do caos. A lógica é simples e brutal. Inundar o espaço público com desinformação, escândalos, teorias conspiratórias e ataques pessoais até que nenhuma checagem seja capaz de conter o fluxo. O objetivo não é convencer, mas desorganizar cognitivamente a sociedade.
Essa estratégia foi aplicada com êxito nos Estados Unidos sob Donald Trump e rapidamente exportada. Plataformas digitais fornecem a infraestrutura; igrejas e influenciadores garantem capilaridade social; empresários financiam a operação; e operadores políticos fazem a adaptação local. Trata-se de um projeto global, com execução descentralizada.
Os documentos ligados ao caso Epstein ajudam a revelar o pano de fundo dessa engrenagem: redes internacionais de poder que operam fora do escrutínio público, atravessando fronteiras, regimes políticos e sistemas jurídicos. Não se trata de conspiração abstrata, mas de ecossistema real, que combina dinheiro, chantagem, impunidade e propaganda.
O Brasil como laboratório
A eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, não foi um acidente histórico nem um surto irracional do eleitorado. Foi a primeira grande vitória da extrema direita global fora do eixo EUA–Europa, construída a partir de guerra digital em larga escala.WhatsApp, fake news industriais, disparos ilegais, ataques coordenados à imprensa, ao STF e ao sistema eleitoral não foram excessos laterais. Foram métodos. O Brasil reuniu condições ideais: alta penetração de aplicativos fechados, ausência de regulação das plataformas e uma crise política profunda após 2016.
O erro decisivo foi tratar aquele processo como algo superado com a derrota eleitoral de Bolsonaro em 2022. A rede não se dissolveu. Ela se profissionalizou. Aprendeu com os erros, ampliou financiamento, refinou linguagem e passou a operar com maior sofisticação técnica e narrativa.
De 2018 a 2026: a mutação da guerra digital
Em 2018, a desinformação tinha um objetivo central: ganhar votos. Em 2026, o objetivo é mais profundo e mais perigoso: quebrar a governabilidade democrática, independentemente do resultado das urnas.
A advertência de João Cezar de Castro Rocha é direta. O que foi visto em 2018 será quase nada diante do que está sendo preparado. A nova fase combina inteligência artificial, vídeos sintéticos, microsegmentação emocional e ataques simultâneos às instituições.O plano mínimo é impedir a vitória no primeiro turno. O plano máximo é transformar o segundo turno em um campo de exaustão democrática, onde o processo eleitoral já nasce sob suspeita permanente. Não se trata apenas de disputar a eleição, mas de deslegitimar antecipadamente o vencedor.
O alvo central é Lula
Nesse cenário, STF, TSE e mídia voltam a ser alvos prioritários. Não por acaso. Sem árbitros legítimos, a democracia se converte em conflito bruto. A extrema direita aposta na corrosão institucional preventiva: se tudo é apresentado como fraudulento, qualquer derrota vira golpe; qualquer vitória do adversário vira usurpação.
O alvo central dessa estratégia é Lula. O objetivo não é apenas derrotá-lo eleitoralmente, mas impedir que governe, mesmo que vença. Um presidente reeleito, porém, sitiado desde o primeiro dia, pressionado por campanhas de ódio permanentes, Congresso hostil e opinião pública intoxicada por desinformação.É a produção deliberada de um presidente pato manco, fabricado antes mesmo da posse.
Bolsonaro, Bannon, Trump: a mesma engrenagem
Não há linha pontilhada aqui — há linha direta. Bolsonaro não foi um corpo estranho ao bolsonarismo global: foi expressão local do método de Bannon, aplicado com entusiasmo por Trump e adaptado às condições brasileiras. A retórica antissistema, o ataque às instituições, a fabricação industrial de mentiras e o flerte permanente com a ruptura democrática obedecem ao mesmo manual, operado por redes internacionais que continuam ativas.O bolsonarismo não acabou porque Bolsonaro perdeu. Ele persiste porque faz parte de uma arquitetura global de poder que não depende de eleições para sobreviver.
Democracia sob cerco
“Sem medo de ser feliz” foi o slogan de um tempo em que eleições decidiam projetos de país. Hoje, a disputa é mais elementar: se o voto ainda vale alguma coisa.
A extrema direita globalista não precisa vencer para ganhar. Basta impedir que o vencedor governe. Basta transformar a democracia em um ritual vazio, permanentemente sabotado por dentro.
O alerta de João Cezar de Castro Rocha não é retórico. É estratégico. Ou o Brasil entende que enfrenta uma operação internacional de guerra política, ou seguirá reagindo como se estivesse diante de episódios isolados.
Em outubro, não estará em jogo apenas quem governa o país. O Brasil não escolherá apenas um presidente. Escolherá se o voto continuará sendo instrumento de soberania popular ou se será convertido em um rito vazio, cercado por mentiras industriais, ódio organizado e uma extrema direita global que não reconhece limites, não aceita derrotas e trabalha sistematicamente para transformar a democracia em uma formalidade sitiada.
*Jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia e MA pela Universidade de Wisconsin-Madison. Ex-diretor de redação do Jornal da Bahia, foi assessor de Comunicação Social da Telebrás, consultor em Comunicação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do (IICA/OEA). Autor de "Meninos do Rio Vermelho", publicado pela Fundação Casa de Jorge Amado. - Fonte: site Brasil247
05 fevereiro 2026
SOLIDARIEDADE - ‘Plantar árvores é permanecer’: ação do MST homenageia Cuba e Venezuela, um mês após ataque dos Estados Unidos
Em Brasília, ação de plantio ocorreu nas embaixadas da Venezuela e Cuba e pediu liberdade para Maduro e Cilia*
03 fevereiro 2026
Ex-deputado e lutador social, Frei Sérgio Görgen morre aos 70 anos*
Lutador histórico da causas populares, o religioso sofreu um infarto em casa, na comunidade dos Franciscanos em Candiota/RS
Frei Sergio Görgen | Foto: Joana Berwanger/Sul21
Faleceu na manhã desta terça-feira (3) o frade franciscano Sérgio Antônio Görgen, 70 anos, conhecido como Frei Sérgio. Lutador histórico da causas populares, em especial na defesa dos pequenos agricultores e camponeses, o religioso e ex-deputado estadual sofreu um infarto em casa, na comunidade dos Franciscanos em Candiota (RS). O falecimento foi confirmado pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), entidade da qual era dirigente.
“É com imenso pesar, mas guiados pela esperança que ele sempre semeou, que o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) comunica o falecimento de seu dirigente histórico, Frei Sérgio Antônio Görgen. Frade franciscano, escritor e intelectual orgânico das causas populares, Frei Sérgio foi mais do que um dirigente; foi um pastor que escolheu o “cheiro das ovelhas” e o barro das trincheiras. Sua partida deixa um vazio imenso na luta social brasileira, mas seu legado de soberania alimentar e dignidade camponesa permanece vivo em cada semente crioula plantada neste solo”, diz nota divulgada pelo MPA.
Frei Sérgio foi deputado estadual pelo PT entre 1999 e 2002. O falecimento foi lamentado por uma série de políticos da esquerda gaúcha e lideranças de movimentos sociais em postagens nas redes sociais.
“Estou muito dolorido. Perdi um camarada de 40 anos de luta, Frei Sergio Gorgen, franciscano. Enfrentamos juntos muitas batalhas, algumas perdemos, mas sempre vencemos com o povo organizado. Deixa um legado para toda militância camponesa do Brasil. Vamos sentir muitas saudades”, escreve João Pedro Stédile, dirigente do MST.
“Com enorme tristeza recebi, nesta manhã, a notícia do falecimento do amigo e companheiro Frei Sérgio Görgen, lutador incansável do povo da terra, liderança histórica do MPA e ex-deputado estadual do nosso partido. Frade franciscano, militante das causas populares, dedicou sua vida à defesa da agricultura camponesa, da soberania alimentar, da democracia e da dignidade do povo do campo, sempre unindo fé, coragem e compromisso político”, escreveu o deputado estadaul Miguel Rossetto (PT).
“Triste notícia. Faleceu Frei Sérgio Görgen, franciscano, liderança do Movimento dos Pequenos Agricultores, deputado estadual do PT/RS e, essencialmente, um homem que dedicou a vida à luta contra a desigualdade”, lamentou o deputado federal Elvino Bohn Gass (PT).
“O Brasil e o Rio Grande do Sul se despedem de um grande lutador, um professor de coerência e coragem. Frei Sérgio sempre me lembrava das razões pelas quais lutamos e de ao lado de quem devemos estar. Meu abraço a seus companheiros e companheiras de luta”, disse a ex-deputada Manuela d’Ávila (PSOL).
Desde a fundação do Sul21, em 2010, Frei Sérgio escreveu uma série de artigos de opinião, sendo uma de suas últimas contribuições em 2024, “Questões emergentes no tempo em que vivemos”.
Natural do Rio Grande do Sul, Frei Sérgio dedicou sua militância à articulação política e espiritual dos excluídos. Foi peça fundamental na fundação do MPA em 1996.
“Sua trajetória foi marcada pelo sacrifício pessoal em prol do coletivo. Frei Sérgio utilizou seu próprio corpo como ferramenta de denúncia através de cinco greves de fome, destacando-se as lutas por crédito agrícola nos anos 90, a resistência contra a Reforma da Previdência em 2017 e a jornada pela democracia em 2018, em frente ao STF”, diz a nota do MPA.
Como sobrevivente e cronista do Massacre da Fazenda Santa Elmira (1989), ele assumiu a missão de não deixar a história ser escrita apenas pelos vencedores. Através de obras como “Trincheiras da Resistência Camponesa” e “A Gente Não Quer Só Comida”, ele teorizou e defendeu a agricultura camponesa como um verdadeiro projeto de vida.
“Frei Sérgio não apenas pregava o Evangelho, ele o vivia nas trincheiras da luta pela terra. Sua vida foi um testemunho de que a espiritualidade e o compromisso político com os pobres são faces da mesma moeda. Deixa-nos um legado de resistência e de um amor profundo pelo povo simples do campo”, diz o MPA.
*Fonte: Sul21
** Presidente Lula lamenta morte de Frei Sérgio: ‘Lutou pela alimentação do corpo e da alma’
02 fevereiro 2026
Internacional - Greve histórica em Minneapolis sob -23ºC, Obama pede cooperação mas o povo exige: “Abolição do ICE!”
Por Marcelo Carlini*
Na sexta, dia 23 de janeiro, sob o frio congelante de -23 ºC, 75 mil pessoas tomaram as ruas de Minneapolis reagindo ao assassinato da poetisa que participava do trabalho de proteção dos imigrantes, Renee Good pelos agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos). A cidade tem 430 mil habitantes e a conurbação tem cerca de 3 milhões. Um dia depois, na mesma cidade, o enfermeiro Alex Pretti foi executado pelos membros da agência com dez tiros. Desde que Trump assumiu em 2025 já foram mortas 36 pessoas sob custódia desta força de terror.
O governo defendeu os agentes e classificou as vítimas como “terroristas domésticos”. Mas, sob pressão, afastou Gregory Bovino do comando das tropas em Mineápolis e no seu lugar colocou o “czar da fronteira” Tom Homan. Sobre o assassinato de Pretti, Trump mudou o discurso e prometeu “uma investigação”.
A mobilização de Mineápolis teve uma dimensão histórica e desta vez envolveu lideranças sindicais nacionais. A greve foi no bojo de um processo de auto-organização dos vizinhos, em rondas de monitoramento do ICE e em redes de resposta rápida por bairro em defesa dos vizinhos imigrantes. Esta articulação contrapõe-se à ação de tropas fortemente armadas e que contam com um orçamento superior ao FBI.
Numa inserção ao vivo na Globonews, um enviado do canal à cidade relatou que havia sido abordado várias vezes por moradores para que ele dissesse quem era e o que estava fazendo ali, no intuito de descobrir se ele seria um agente do ICE disfarçado de repórter.
Abolição do ICE é bandeira nacional
Apesar da Casa Branca ensaiar um tom conciliatório, é certo que Trump não recuará da sua política de combate ao “inimigo interno” da mesma forma que não recuará por vontade própria de sua ofensiva fora do Estados Unidos. Não há conciliação possível com Trump, diferentemente do que o ex-presidente Barack Obama pede.
Preocupado com o “caos”, Obama lançou nota sobre o assassinato de Alex Pretti dizendo que “isso tem que parar. Espero que, depois desta tragédia mais recente, autoridades desta administração reconsiderem sua maneira de agir e comecem a encontrar meios de trabalhar de maneira construtiva com o governador Walz e com o prefeito Frey.” Mas enquanto Obama pede cooperação, a palavra de ordem que virou bandeira nacional é a abolição do ICE.
Na quarta-feira (28), Bruce Springsteen lançou uma canção “dedicada ao povo de Minneapolis, aos nossos vizinhos imigrantes inocentes e em memória de Alex Pretti e Renee Good”. A música destaca a resistência do povo à “fumaça e às balas de borracha” o uso de “apitos e telefones”, ferramentas para enfrentar as tropas de Trump. No coro com Bruce e o povo de Minneapolis, “ICE fora agora!”
*Marcelo Carlini, membro do Diretório Estadual do PT-RS
-Via site Militante Petista






