06 maio 2026

Genoino diz que Lula deve ouvir as ruas e afirma que o Congresso atual é o 'quartel-general do golpe da extrema direita'

 

Genoino diz que Lula deve ouvir as ruas e afirma que o Congresso atual é o ‘quartel-general do golpe da extrema direita’

247* - O ex-presidente do Partido dos Trabalhadores José Genoino afirmou nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, da TV 247, que o presidente Lula deve intensificar a relação com as ruas, concentrando forças na população, na disputa eleitoral e em uma pauta popular. O petista demonstrou apoio a propostas importantes como melhorias das condições socioeconômicas da classe trabalhadora e criticou parlamentares opositores do governo, ao definir o atual Congresso como “o quartel-general do golpe da extrema direita”.

Na entrevista, o ex-presidente do PT defendeu enfrentamento político e comentou a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal, e a derrubada do veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria, que redefine o cálculo de penas para crimes de golpe e, por consequência, reduz as penas de condenados por ações golpistas. 

Segundo Genoino, o governo federal precisa priorizar a mobilização social e o debate público fora das negociações restritas ao Parlamento - Senado e Câmara dos Deputados. “Temos que priorizar as ruas e a disputa eleitoral, com pauta popular”.

O ex-dirigente não defendeu o abandono do diálogo institucional, mas sustentou que o governo deve apresentar sua posição de forma mais firme antes de negociar com deputados e senadores. “Tem que dialogar? Sim. Mas primeiro você enfrenta, diz o que quer. O Partido dos Trabalhadores está muito à mercê do jogo parlamentar”, opinou Genoino.

Estratégias do campo progressista

Genoino também analisou a decisão do Senado que rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A derrota representou um revés político para o governo Lula e abriu debate sobre a capacidade de articulação do Planalto no Congresso.

Para o ex-presidente do PT, o problema não se resume a uma suposta traição de aliados ou parlamentares. Ele afirmou que o governo errou na estratégia adotada durante o processo. “Não é que houve traição”, disse Genoino. Na sequência, ele completou a avaliação sobre a condução política do governo. “Eles erraram”, afirmou.

*Redação do Brasil247 - fonte desta postagem

05 maio 2026

Dia M 2026 - Boitempo celebra aniversário de Karl Marx com debates e feira de livros no Rio e em São Paulo

Evento marca os 208 anos do comunista alemão com foco em lutas anti-imperialistas, automação e combate à extrema direita

 Celebrações do aniversário de Marx serão iniciadas no dia 9 de maio, no Rio de  Janeiro | Crédito: Divulgação/Boitempo

Por Kaique Dalapola* - Nesta terça-feira (5), celebra-se o aniversário de 208 anos do comunista Karl Marx, autor de “O Capital”. Para marcar a data, a editora Boitempo realiza o “Dia M”, uma jornada de debates e formação política que começa no Rio de Janeiro e também contará com atividades em São Paulo ao longo do mês de maio.

No Rio, o evento principal será realizado no dia 9 de maio, no Armazém da Utopia, na Zona Portuária. A programação gratuita busca aproximar a teoria marxista dos desafios contemporâneos, como o avanço da inteligência artificial e a ascensão de movimentos de extrema direita no século 21.

Entre os destaques internacionais está o professor Aaron Benanav, da Universidade Cornell, autor de “Automação e o futuro do trabalho”. Ele participará de uma mesa sobre automação e a escala de trabalho 6×1, discutindo saídas possíveis para o modelo atual de emprego.

O cenário geopolítico também terá espaço central nos debates. Mesas redondas abordarão as encruzilhadas anti-imperialistas envolvendo China, Palestina, Irã e Venezuela, com a participação de especialistas como Elias Jabbour, Badra El Cheikh e Juliane Furno.

A programação carioca será encerrada com uma aula inaugural do “Curso Livre Marx-Engels”, ministrada por José Paulo Netto. O intelectual, considerado o mais notório marxista brasileiro, discutirá a importância de ler e interpretar Marx nos dias de hoje.

Além dos debates, o público poderá participar de sessões de autógrafos e de uma feira de livros com títulos da Boitempo e da Boitatá, voltada ao público infantil. O evento tem o apoio de diversas entidades, incluindo o Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações (Sinttel-Rio) e fundações de direitos humanos.

Após a programação de formação, o Armazém da Utopia recebe o espetáculo “O Dragão”, da Companhia Ensaio Aberto. A peça, baseada em um texto de 1939, utiliza uma fábula para narrar a luta de um povo contra a dominação e a busca pela verdadeira liberdade.

Em São Paulo, a celebração também integra o calendário do mês de maio. A capital paulista, sede da editora, receberá pensadores e debates gratuitos que reforçam o legado de Marx para a compreensão das desigualdades sociais e das lutas por direitos.

Boitempo, que desenvolve um trabalho sistemático de tradução da obra de Marx e Engels desde 1998, reafirma com o Dia M seu compromisso com a formação de novos leitores. Atualmente, a coleção dedicada aos autores conta com 37 volumes no catálogo brasileiro.

A diretora da Boitempo, Ivana Jinkings, destaca que o evento consolidou-se como um espaço de construção de cidadania e reflexão. “Nosso esforço é para que essa obra fundamental alcance cada vez mais pessoas e nos ajude a entender temas urgentes, como o mundo do trabalho hipertecnológico”.

As inscrições para as atividades no Rio de Janeiro devem ser feitas previamente por meio da plataforma Sympla, uma vez que a entrada é gratuita e sujeita à lotação do espaço.

Serviço – Festa de Aniversário de Marx (Dia M)

Rio de Janeiro

  • Data: 9 de maio de 2026, a partir das 10h.
  • Local: Armazém da Utopia (Avenida Rodrigues Alves, s/n, Armazém 6, Santo Cristo).
  • Inscrições: Gratuitas, via Sympla.
  • Programação: Debates sobre fascismo, geopolítica, automação e aula com José Paulo Netto.

São Paulo

04 maio 2026

IMPORTANTE (E GRATIFICANTE!) ATIVIDADE LITERÁRIA NO COLÉGIO ESTADUAL MONSENHOR ASSIS, EM SANTIAGO/RS

 








Acima, alguns registros fotográficos das Palestras (seguidas de perguntas, debates e 'bate-papos') sobre Poesia, em particular, além de outros temas pertinentes) que proferi  quinta-feira, 30/04, para mais de 100 alunos/as e professores/as de várias turmas do Colégio Estadual Monsenhor Assis, de Santiago/RS (que este ano está completando 50 anos de atividades!). Na ocasião, também apresentei aos presentes meu segundo livro de poemas (Cara & Coragem - Volume II - Poemas Reunidos).

O convite me foi gentilmente realizado pela Direção do Colégio Monsenhor Assis e pela Casa do Poeta de Santiago/RS (à qual, com muita honra, também integro). - Júlio C. S. Garcia

03 maio 2026

DIVA POP - Shakira dedica show no Rio de Janeiro às mulheres e mães solo brasileiras

Mega show reuniu mais de 2 milhões de pessoas na praia de Copacabana, zona sul do Rio

Shakira atrasou o show em 1h para atender demandas familiares, após ser avisada de que o pai voltou a ter problemas de saúde | Crédito: Rafael Catarcione/Prefeitura do Rio


Um dos grandes nomes do pop mundial, Shakira encantou o público em Copacabana com muitas referências ao Brasil e principalmente às mulheres. A cantora subiu ao palco com um macacão verde amarelo e dedicou seu show às mães solo, que somam mais de 20 milhões no país.

“Nós, mulheres, cada vez que caímos, nos levantamos mais sábias, mais fortes e mais resilientes. As mulheres já não choram. Por isso, esse show é para todas nós. Sozinhas podemos ser mais vulneráveis, mas juntas somos invencíveis”, disse em português na abertura do show. Ela fez referência à recente traição conjugal do então marido que levou à separação do casal e à necessidade de assumir a criação dos dois filhos.

Pouco antes da entrada no palco, uma nuvem de drones iluminou a praia e foi responsável por desenhar no céu uma loba, apelido da cantora dado por fãs após o álbum She Wolf (Loba), lançado em 2009, fazer grande sucesso – e que ganhou novo significado após a separação. Também foram projetados o rosto da cantora e a expressão “Te amo, Brasil”.

Pelo fim da escala 6×1

Além do show de drones, uma outra projeção, fora da programação oficial, provocou euforia entre os presentes. Na fachada do hotel Copacabana Palace, altura em que o palco principal estava colocado, pode-se ler “Fim da escala 6×1”, “Tarifa Zero”, “Busão 0800”, “Sem Anistia” e “Congresso inimigo do povo”. A projeção foi organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Vida Além do Trabalho (VAT) e projetada pelo artista visual Fluxuz.

O show contou com participações de Anitta, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Ivete Sangalo. O encerramento foi com o sucesso Waka Waka, lançado em 2010 para a Copa do Mundo na África do Sul e que contou com a participação de bailarinos do coletivo Dança Maré.

De acordo com projeções da prefeitura do Rio de Janeiro, organizadora do evento, o Todo mundo no Rio deve movimentar cerca de R$ 800 milhões na economia carioca. Esta é a terceira edição do evento que já contou com Madonna e Lady Gaga. Após o novo show, a prefeitura garantiu novas edições até 2028.

Acidente durante montagem

Durante a montagem do palco do show, no dia 26 de abril, o operário Gabriel de Jesus Firmino, de 28 anos, morreu ao ficar imprensado entre dois elevadores. Uma perícia foi realizada, no dia 27 de abril, pela Polícia Civil, para investigar se houve falha na segurança dos trabalhadores. Gabriel Firmino era morador de Magé, na Baixada Fluminense.

Ele era funcionário da empresa MG Coutinho Serviços Cenográficos (Cenoart). O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) informou que a empresa não tem responsável técnico nem registro no conselho para exercer atividades de engenharia.

*Fonte: Redação do site Brasil de Fato - BdF

01 maio 2026

1º de Maio: Lula: alívio aos endividados e crítica à elite que veta direitos ao trabalhador

Em pronunciamento do 1° de Maio, presidente confirma Desenrola Brasil, para negociar dívida com juro baixo e uso do FGTS*

     Presidente Lula - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quinta-feira 30, véspera do Dia do Trabalhador, um pacote de medidas para aliviar o endividamento das famílias brasileiras, com renegociação de dívidas a juros de até 1,99% ao mês, descontos que podem chegar a 90% e possibilidade de saque de até 20% do FGTS. Ao confirmar o novo Desenrola Brasil, Lula também voltou a criticar a resistência da elite econômica à ampliação de direitos e defendeu a redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6×1.

“Minhas amigas e meus amigos, amanhã, 1º de maio, é o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora. Eu quero falar com você, que trabalha duro durante cinco, seis, até sete dias na semana e vê o fruto do seu esforço ir embora para pagar a dívida da sua família”, disse o presidente. Segundo ele, o governo encontrou milhões de brasileiros endividados e essa situação “está sufocando uma parte da sociedade”. Diante desse cenário, anunciou o lançamento do novo Desenrola Brasil já na próxima semana.

O programa vai permitir a renegociação de dívidas como cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e até o Fies, com condições mais acessíveis para os trabalhadores. Lula destacou que a medida busca devolver capacidade de consumo às famílias e aliviar o orçamento doméstico.

O presidente também detalhou que será possível utilizar parte do FGTS para aderir ao programa, com uma regra adicional voltada ao controle do uso desses recursos. “Cada pessoa poderá sacar até 20% do saldo do FGTS, mas quem aderir ao novo Desenrola ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas online (bets)”, afirmou. Em seguida, reforçou o tom crítico e a intenção do governo: “Não é justo que as mulheres trabalhem ainda mais para pagar a riqueza de jogo dos maridos; nosso governo vai colocar um limite à destruição que as bets vêm causando”.

No pronunciamento, Lula vinculou as medidas emergenciais a mudanças estruturais no mundo do trabalho. “Encaminhei ao Congresso um projeto de lei para reduzir a jornada de trabalho para no máximo 40 horas semanais, com dois dias livres por semana, sem redução de salário”, disse. E enfatizou, em crítica direta ao modelo atual: “Não faz sentido, com toda a evolução tecnológica, milhões trabalharem seis dias para descansar apenas um”. Segundo ele, “o fim da escala 6×1 garantirá mais tempo com a família, para estudar, cuidar da saúde e viver além do trabalho”.

Ao abordar a resistência histórica a avanços sociais, Lula foi enfático: “A elite brasileira sempre foi contra melhorias como o salário mínimo e as férias, mas o Brasil nunca quebrou por dar direitos; pelo contrário, ficou mais forte porque, quando a vida do trabalhador melhora, a roda da economia gira com mais força”.

Ele também ressaltou ações recentes do governo e o cenário econômico. “Hoje, temos a menor inflação acumulada em 4 anos, a menor taxa de desemprego e o maior rendimento médio da história”, afirmou. Lula citou ainda medidas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, a valorização do salário mínimo e programas sociais voltados à redução do custo de vida.

Ao final, o presidente reconheceu os entraves políticos e voltou a apontar a atuação das elites contra avanços sociais. “Os obstáculos são enormes e o ‘andar de cima’ joga contra cada avanço, mas renovo minha fé no povo brasileiro”, declarou. E concluiu com um recado direto aos trabalhadores: “Você que tem carteira assinada, é MEI, trabalha por aplicativo, faz bico, ensina ou constrói: tenha uma certeza, o Governo do Brasil está do seu lado”.

*Fonte: site do PT Nacional

30 abril 2026

Vergonha - Liderado por Alcolumbre, Congresso derruba veto da Dosimetria e reduz pena de Bolsonaro

Presidente do Senado operou malabarismo de legalidade duvidosa para evitar que benefício se estendesse a autores de crimes hediondos. Clima no plenário é de triunfo bolsonarista total

      O presidente do Senado, Davi Alcolumbre - Imagem: TV Senado/Reprodução

Por Henrique Rodrigues*

A Praça dos Três Poderes sequer pode assimilar a ressaca da noite anterior, quando o nome de Jorge Messias foi rejeitado para o Supremo Tribunal Federal, e já amanheceu nesta quinta-feira tendo que ter estômago para um novo absurdo, que se confirmou ao final do dia. Em uma sessão com falatório generalizado, o Congresso Nacional impôs ao Palácio do Planalto mais uma dolorosa, embora previsível, derrota deste terceiro mandato do presidente Lula. Sob o comando implacável do senador Davi Alcolumbre (União-AP), deputados e senadores derrubaram o veto presidencial ao bizarro Projeto de Lei da Dosimetria, uma manobra legislativa desenhada sob medida para aliviar a situação jurídica de Jair Bolsonaro (PL) e dos demais condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

O placar, um acachapante 318 a 144, foi recebido com gritos de euforia pelas bancadas da oposição, que transformaram o plenário em uma extensão das manifestações de extrema direita da Av. Paulista. A queda do veto não é apenas um revés administrativo para o governo Lula, é a consolidação de uma nova correlação de forças em Brasília, onde o poder Legislativo, agindo como um tribunal revisor, decidiu reescrever as regras do jogo penal para beneficiar aliados políticos de primeira grandeza. No Senado Federal, foram 49 votos para a derrubada e outros 24 votos contra.

A manobra malandra” de Alcolumbre: Desmembramento incomum e sem sentido

O protagonista absoluto da jornada foi, de fato, de Alcolumbre. O senador, que parece ter convertido sua atuação parlamentar em uma cruzada movida por um ódio intestinal contra o atual governo, operou nos bastidores com uma agilidade que assustou até os veteranos da Casa. Para garantir a derrubada do veto sem o desgaste político de libertar criminosos comuns, Alcolumbre recorreu a uma “malandragem” regimental de legalidade duvidosa: o desmembramento de um veto integral.

Na prática, o presidente do Congresso fatiou a decisão de Lula. Ele excluiu da votação os trechos que facilitariam a progressão de regime para condenados por feminicídio, milícias e crimes hediondos, dispositivos que colidiam frontalmente com a recém-aprovada Lei Antifacção (Lei nº 15.358/2026). Ao declarar a “prejudicialidade” desses artigos específicos, Alcolumbre limpou o trilho para a oposição. O objetivo foi cirúrgico: permitir a redução das penas de Bolsonaro e dos golpistas de 8 de janeiro, sem abrir as portas das cadeias para faccionados, o que seria um suicídio de imagem para o parlamento.

Manobra sob a lente técnica: O “prejulgamento” como escudo

A manobra, embora revestida de um verniz técnico, é considerada altamente incomum. Como o veto do presidente Lula foi sobre a totalidade do projeto, o rito padrão exigiria uma votação em bloco. No entanto, Alcolumbre justificou a exclusão dos incisos 4 a 10 do art. 112 da Lei de Execução Penal alegando uma questão de temporalidade e finalidade.

“Em virtude do prejulgamento da matéria pela aprovação do PL Antifacção, esta Presidência declara a prejudicialidade dos vetos”, sentenciou Alcolumbre do alto da mesa. Segundo sua tese, como o Congresso endureceu as penas contra o crime organizado em março de 2026, restabelecer as regras brandas da Dosimetria para esses crimes seria um contrassenso. Na realidade, o “malabarismo” serviu para isolar o benefício político, blindando-o de contestações sobre segurança pública e focando apenas na “limpeza” jurídica da cúpula golpista  bolsonarista.

Caminho da aberração: Entenda o PL da Dosimetria

O PL da Dosimetria, classificado por juristas como uma “aberração jurídica”, altera as balizas para a aplicação de penas em crimes políticos e de atentado contra o Estado Democrático de Direito. A aplicação direta ao caso de Jair Bolsonaro é o cerne da proposta. Com a nova regra, as penas projetadas para o ex-presidente perdem sua força coercitiva, abrindo caminho para que ele se livre do regime fechado e recupere, em tempo recorde, seus direitos políticos.

Lula havia vetado o projeto integralmente, alertando que a medida desidratava o poder de punição do Estado contra quem tenta subverter a ordem democrática. No entanto, o veto serviu apenas como combustível para a oposição, que viu na manobra de Alcolumbre a chance de ouro para entregar a “anistia parcial” que o bolsonarismo tanto ansiava, sob a justificativa de corrigir supostos excessos judiciais.

Metido a “presidente em exercício no plenário

Enquanto os votos eram computados, a figura central nas galerias e no “cafezinho” do Senado era o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Pré-candidato à Presidência da República e herdeiro político direto do espólio do pai, Flávio estava visivelmente esfuziante. Circulando pelo plenário com um sorriso de quem já se sente vitorioso no pleito que ainda está por vir, o filho mais velho do ex-presidente agia e falava como se o Palácio do Planalto já fosse seu gabinete de direito.

Ao redor de Flávio, o que se via era uma cena de vassalagem explícita. Os sabujos de sempre, parlamentares de menor expressão e aspirantes a cargos em algum futuro governo, o paparicavam o tempo todo, disputando um espaço em selfies e cochichando estratégias em seu ouvido. A atmosfera alimentada por Alcolumbre permitiu que Flávio se tornasse o mestre de cerimônias de um velório institucional, onde a democracia era ferida sob os aplausos de quem a atacou há três anos.

Rescaldo de uma noite para se esquecer

O clima de triunfo hoje é o prolongamento direto da “noite trágica” vivida na quarta (29), quando o nome de Jorge Messias, indicado por Lula para o STF, foi rejeitado de forma humilhante. O episódio quebrou um jejum de 132 anos e foi um recado político sangrento enviado diretamente da mesa de Alcolumbre. Ao barrar o nome de confiança de Lula e, poucas horas depois, liderar a derrubada do veto da Dosimetria, Alcolumbre se posiciona como o verdadeiro “primeiro-ministro” de uma oposição que decidiu paralisar o país.

Instituições em rota de colisão

A derrubada do veto coloca o Brasil em uma encruzilhada perigosa. Se de um lado o Congresso afirma sua autonomia, de outro, sinaliza que crimes contra a democracia são passíveis de perdão político, desde que haja maioria parlamentar. O foco agora se volta inteiramente para o STF. A Corte terá o desafio hercúleo de decidir se aceita essa nova regra de dosimetria ou se a declara inconstitucional por vício de finalidade e desvio de poder.

A matéria agora segue para promulgação imediata por Alcolumbre. Para o Planalto, resta o gosto amargo de uma derrota dupla e a constatação de que o diálogo com o Legislativo, sob a batuta rancorosa do senador amapaense, tornou-se uma via de mão única rumo ao confronto direto. A vitória de hoje é a largada antecipada de uma campanha eleitoral belicosa, onde a oposição descobriu que pode reescrever o Código Penal ao sabor de suas conveniências.

*Fonte: Revista Fórum

Governo Lula considera relação com Alcolumbre rompida de forma definitiva*

Aliados defendem reação política após derrota de Jorge Messias no STF

Davi Alcolumbre e Lula (Foto: Carlos Moura/Agência Senado I Ricardo Stuckert/PR)

O governo Lula passou a considerar rompida de forma definitiva a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre [União Brasil], após a derrota na tentativa de aprovar o nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação, compartilhada por interlocutores do presidente, é de que a atuação do senador comprometeu de maneira irreversível o vínculo político entre o Planalto e a cúpula do Senado.

De acordo com informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o sentimento predominante entre aliados do presidente é de frustração e indignação com a postura de Alcolumbre durante o processo de votação. Embora discursos oficiais indiquem que Lula teria recebido o resultado com tranquilidade, bastidores apontam forte insatisfação dentro do governo.

Pressão política e reação do Planalto

Antes mesmo da conclusão da votação, aliados do presidente já indicavam que Alcolumbre poderia enfrentar consequências políticas. A avaliação era de que o senador mobilizou sua influência para barrar a indicação de Messias, provocando constrangimentos ao governo.

Na manhã da quarta-feira (29), antes da sabatina do advogado-geral da União, interlocutores relataram que Alcolumbre afirmou ter cerca de 50 votos contrários à indicação, o que gerou apreensão entre governistas. O cenário reforçou a percepção de que a derrota seria inevitável.

Estratégia para enfraquecer Alcolumbre

Diante do episódio, integrantes do governo defendem uma reação política mais dura. Entre as propostas está o empenho do presidente Lula para derrotar candidatos apoiados por Alcolumbre no Amapá nas eleições de outubro, com o objetivo de reduzir sua influência em Brasília.

Além disso, aliados pressionam por medidas administrativas, como a demissão de indicados do senador em cargos ligados ao governo federal. A iniciativa é vista como forma de consolidar o rompimento político considerado inevitável por setores do Planalto.

Impacto no Senado e agenda legislativa

Mesmo com pautas relevantes em tramitação no Senado, como o debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1, aliados do presidente avaliam que a manutenção de uma relação institucional com Alcolumbre não deve ser prioridade.

A leitura entre governistas é de que eventuais atrasos na análise dessas propostas poderão ser atribuídos ao próprio presidente do Senado, o que, na visão desses interlocutores, poderia gerar desgaste político para o senador.

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-Leia também: "É hora de desmascarar o Congresso inimigo do povo"

*Fonte: Brasil247