01 setembro 2026

FOI GOLPE - Podcast do Brasil de Fato marca os 10 anos do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff

Ataque à democracia brasileira, queda da primeira mulher eleita à presidência significou a ascensão da extrema direita


Discurso de Dilma Rousseff no palácio presidencial da Alvorada | Crédito: Evaristo Sá/AFP

Por Igor Carvalho, editado por Rodrigo Gomes, no BdF*

O dia 31 de agosto de 2016 entrou para a história do Brasil. Dilma Rousseff, a primeira mulher eleita à Presidência da República no Brasil, pelo PT, era cassada pelo Congresso Nacional, em um ambiente hostil, pautado pela misoginia e pela violência política de gênero. Essa história é contada no podcast “O golpe contra Dilma – 10 anos depois”, lançado pelo Brasil de Fato, nesta segunda-feira (31).

Antes, em 17 de abril, Dilma e o país acompanharam um dos episódios mais insalubres da história política brasileira. Durante horas, deputados correram ao microfone para declarar seus votos pela admissibilidade do processo de impeachment. Entre os discursos, muitos dedicaram sua manifestação a familiares, amigos e eleitores.

Porém, um deles chocou ao dedicar seu voto à memória de Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador da ditadura militar. Era Jair Bolsonaro, agora ex-presidente, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado. Mas aquele ataque à democracia, confirmado pelo golpe, significava, também, a ascensão da extrema direita no país.

Protagonista do golpe, Eduardo Cunha, que era presidente da Câmara dos Deputados à época, usou o pedido de impeachment, assinado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale e Janaína Paschoal, como moeda de troca com o Palácio do Planalto.

Cunha enfrentava um pedido de cassação de seu mandato, que estava na Comissão de Ética da Casa, e tentou barganhar: não pautaria o impeachment de Dilma Rousseff no plenário em troca dos votos petistas pela sua absolvição no colegiado. O PT não topou.

Esse e outros bastidores que contextualizam o momento político que derrubou a ex-presidenta estão no novo podcast do Brasil de Fato:

31 agosto 2026

NO NOS MOVERAN! - Joan Baez

 


*Via YouTube

Em números — Globo favorece Flávio Bolsonaro

 



Por Jeferson Miola*

Terminei artigo sobre a entrevista do presidente Lula no Jornal Nacional dizendo que “a Globo se condenou a fazer com Flávio Bolsonaro o mesmo tipo de entrevista inquisitorial e policialesca, com perguntas insistentes durante um longo tempo sobre a ficha criminal do gângster”.

Disse ainda que, “se não fizer isso, que seria o mínimo de isonomia jornalística, a Globo assumirá que a entrevista do Lula terá sido uma poderosa peça de propaganda contra sua reeleição”.

A entrevista de Flávio Bolsonaro no Jornal Nacional não deixa dúvidas sobre a escolha da Globo de se perfilar ao lado de Donald Trump, Marco Rubio e Bolsonaros na guerra para impedir a reeleição de Lula.

Os entrevistadores César Tralli e Renata Vasconcellos dispensaram tratamentos distintos ao Lula e a Flávio. Tiveram uma condescendência escandalosa com as omissões, contradições e mentiras deslavadas do gângster-filho.

A diferença de tratamento não ficou restrita à incisividade e vilania das perguntas, mas é comprovada nas estatísticas das duas entrevistas, que confirmam a decisão editorial e institucional da Globo de prejudicar Lula e favorecer Flávio Bolsonaro.

Praticamente metade do tempo da entrevista de Lula, ou seja, 18min 50seg, 47,1% da duração total, foi utilizado para fustigá-lo em relação à corrupção. E com uma abordagem agressiva, inquisitorial e condenatória:

Os jornalistas sacrificaram a abordagem de temas essenciais, como a ameaça estrangeira ao país, terras raras, juros, SUS etc., para fixar a idéia de associação de Lula e do PT com corrupção.

Mas, por outro lado, o arquicorrupto Flávio, cuja trajetória pessoal e familiar é marcada por ilícitos e corrupção com mandatos parlamentares, foi inquirido sobre corrupção em apenas 31,1% do tempo total da entrevista, durante 11min e 55seg – 7 minutos a menos que Lula. Algo inexplicável em relação a quem é beneficiário da maior fraude financeira do país.

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O disparate é enorme também em relação à quantidade de perguntas feitas aos candidatos sobre corrupção. O JN inquiriu Lula o dobro de vezes que questionou Flávio: em 10 das 15 perguntas. A cada três perguntas feitas a Lula, duas foram sobre corrupção:

Devem ser lembradas, ainda, as interrupções e réplicas feitas pela dupla de jornalistas da Globo a Lula na inquirição sobre corrupção, postura não observada em relação a Flávio.

Um momento específico da entrevista de Flávio evidenciou a conduta totalmente faccional dos entrevistadores. Foi na pergunta sobre a proximidade dele com Rodrigo Bacellar, o deputado aliado preso por envolvimento com o Comando Vermelho.

O questionamento com a resposta durou apenas 38 segundos [sim, 38 segundos!], sem que Tralli e Renata o interpelassem, como fizeram repetidamente com Lula.

A jornalista Neide Duarte, que trabalhou 42 anos na Globo, criticou duramente a opção falsificadora e manipuladora da Globo na entrevista de Lula. Ela disse: “vocês [Globo] continuam nessa batalha para derrubar Lula. Descaradamente agora”.

A Globo tirou o simulacro de imparcialidade e isonomia e vestiu a camiseta do time do Trump, dos Bolsonaro e da extrema-direita. Entrou com tudo na eleição para tentar impedir o quarto mandato de Lula.

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*Fonte: Viomundo

30 agosto 2026

A Globo está onde sempre esteve: contra o Brasil e os brasileiros

Caíram as máscaras. Não há mais ilusões. A Globo reafirmou seu eterno golpismo*

Presidente Lula durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo - Crédito: Ricardo Stuckert


Por Leonardo Attuch*

O editorial publicado neste domingo pelo jornal O Globo, em que o grupo afirma que “não há do que se desculpar” por sua atuação durante a Lava Jato, tem pelo menos uma virtude: desfaz ilusões.

Depois de tudo o que aconteceu no Brasil na última década, depois dos 580 dias de prisão de Luiz Inácio Lula da Silva, da anulação de suas condenações, do reconhecimento da parcialidade de Sergio Moro pelo Supremo Tribunal Federal no processo do tríplex e da destruição de empresas, empregos e capacidade produtiva nacional, a Globo decidiu que não tem nada a rever.

Talvez seja melhor assim. Porque a frase permite compreender que a Globo está exatamente onde sempre esteve: contra o Brasil e contra os brasileiros.

Não se trata de um desvio ocasional, de um erro jornalístico ou de uma escolha infeliz feita durante a cobertura de determinado acontecimento. Trata-se de uma posição histórica.

A Globo é e sempre foi um dos mais poderosos aparelhos ideológicos das classes dominantes brasileiras e do imperialismo. Nos grandes confrontos sobre os destinos do País, quase invariavelmente colocou seu imenso poder de comunicação a serviço daqueles que defendem um Brasil subordinado, desigual e incapaz de exercer plenamente sua soberania. Mudam os personagens, mudam os pretextos, mudam as campanhas, mas o lado permanece essencialmente o mesmo.

Essa história não começou com Lula, Dilma Rousseff ou a Lava Jato. Antes mesmo da existência da Rede Globo de Televisão, o jornal O Globo integrou o campo político e midiático que combateu Getúlio Vargas, especialmente na crise que culminou no suicídio do presidente, em 24 de agosto de 1954. A Carta-Testamento transformou a morte de Vargas numa denúncia histórica contra as forças nacionais e estrangeiras que se levantavam contra seu projeto de desenvolvimento.

A reação popular ao suicídio foi explosiva e atingiu também os veículos identificados com a campanha contra Getúlio. Carros de O Globo foram incendiados por manifestantes.

Não se trata de celebrar a violência contra empresas ou trabalhadores da imprensa, mas de registrar o tamanho da revolta e a percepção, já naquele momento, de que determinados meios de comunicação não eram simples observadores da crise brasileira. Eram atores políticos.

Dez anos depois, não haveria sequer espaço para dúvidas. O Globo apoiou o golpe militar de 1964 que derrubou o presidente constitucional João Goulart e instaurou uma ditadura que duraria 21 anos. O golpe foi vendido como defesa da democracia e produziu exatamente o contrário: cassações, censura, perseguições políticas, prisões, torturas, assassinatos e exílio.

Enquanto milhares de brasileiros pagavam o preço da ditadura, as Organizações Globo cresceram extraordinariamente. Foi durante o regime militar que a Rede Globo se consolidou nacionalmente, construiu uma posição dominante na formação da opinião pública brasileira e adquiriu uma capacidade de influência política sem paralelo entre empresas privadas do País.

A ditadura precisava de instrumentos capazes de produzir consenso, enquanto a Globo precisava das condições políticas, econômicas e regulatórias que permitissem sua expansão. Os interesses convergiram.

Somente em 2013, quase meio século depois do golpe, a Globo reconheceu publicamente que apoiar a ruptura de 1964 havia sido um erro. O pedido de desculpas poderia ter representado um verdadeiro acerto de contas com a história, mas a Globo já preparava mais um golpe. Naquele exato momento, o Brasil começava a ingressar em um novo ciclo de desestabilização política que terminaria, três anos depois, com a derrubada da presidenta Dilma Rousseff.

As chamadas “jornadas de junho de 2013” foram incentivadas e amplificadas pela Globo e seus jornalistas. Vieram depois as manifestações contra Dilma, a Lava Jato, a demonização da política e a fabricação de um ambiente no qual derrubar uma presidenta legitimamente eleita passou a ser apresentado como solução para os problemas nacionais.

Em 2016, Dilma foi afastada por um golpe parlamentar apoiado entusiasticamente pela Globo. Se em 2013 o grupo pedia desculpas por ter apoiado o golpe de 1964, três anos depois já participava da legitimação de uma nova ruptura democrática, desta vez sem tanques nas ruas.

Deste golpe, a Globo nunca pediu desculpas. E não pedirá, porque reconhecer o erro significaria admitir também responsabilidade pelos retrocessos econômicos e sociais que vieram depois – e que fazem parte do programa econômico da Globo, ou seja, do neoliberalismo.

O governo Michel Temer implementou uma agenda que jamais teria recebido respaldo popular nas urnas, com congelamento dos gastos públicos, reforma trabalhista, enfraquecimento da proteção social e redução da capacidade do Estado brasileiro de promover desenvolvimento e combater desigualdades.

Paralelamente, a Lava Jato produzia uma das maiores destruições econômicas autoinfligidas da história brasileira. Em vez de punir empresários e executivos que tivessem cometido crimes e preservar empresas, empregos, tecnologia e capacidade produtiva, o Brasil permitiu que suas maiores construtoras fossem devastadas. Companhias brasileiras que competiam internacionalmente em engenharia pesada foram destruídas ou dramaticamente reduzidas, milhares de fornecedores foram atingidos e uma cadeia produtiva inteira sofreu consequências que o País sente até hoje.

Milhões de trabalhadores pagaram uma conta que não era deles. Projetos foram interrompidos, investimentos desapareceram, famílias perderam renda e a capacidade brasileira de competir em grandes obras de infraestrutura no exterior foi duramente atingida.

A Globo não apenas cobriu a Lava Jato. Transformou-a num espetáculo permanente e seus protagonistas em heróis nacionais. Procuradores e juízes passaram a ocupar o imaginário brasileiro como integrantes de uma cruzada moral supostamente acima da política, das garantias individuais e, em determinados momentos, do próprio escrutínio jornalístico que deveria acompanhar qualquer concentração extraordinária de poder.

Foi nesse ambiente que surgiu o infame PowerPoint de Deltan Dallagnol. Lula aparecia no centro de uma teia de acusações que, reproduzida massivamente pela imprensa e pela televisão, produziu perante milhões de brasileiros uma condenação política antes mesmo da condenação judicial. A presunção de inocência foi substituída pela presunção televisiva de culpa.

Em abril de 2018, a ofensiva atingiu seu objetivo principal. Lula foi condenado por Sergio Moro, preso por 580 dias e impedido de disputar a eleição presidencial daquele ano, na qual aparecia como favorito. Jair Bolsonaro venceu aquela eleição e, poucas semanas depois, o juiz que havia condenado o principal adversário do candidato vencedor abandonou a magistratura para se tornar ministro da Justiça do novo governo.

Mais tarde, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações de Lula e declarou Sergio Moro parcial no processo do tríplex. São fatos de uma gravidade histórica extraordinária. O principal candidato à Presidência foi retirado da eleição, o beneficiário político de sua ausência chegou ao Planalto e o juiz responsável pela condenação tornou-se ministro desse mesmo governo.

Sem a destruição política de Lula e sua exclusão da eleição de 2018, o fascismo e o bolsonarismo provavelmente não teriam chegado à Presidência da República. A Globo pode ter posteriormente entrado em conflito com Jair Bolsonaro, especialmente quando seu governo passou a atacá-la diretamente, mas isso não apaga sua responsabilidade na criação do ambiente político que tornou possível a ascensão da extrema direita. O fascismo bolsonarista não caiu do céu: germinou no terreno preparado pela criminalização generalizada da política, pela destruição da confiança nas instituições e pela transformação da Lava Jato numa cruzada moral.

A história produziu então uma de suas grandes ironias. O homem que havia sido preso, impedido de disputar uma eleição e submetido durante anos a um processo de destruição de reputação recuperou seus direitos políticos, derrotou Bolsonaro nas urnas e voltou à Presidência da República. Lula retornou ao Palácio do Planalto depois de sobreviver a uma das maiores operações de perseguição política da história brasileira recente.

Mesmo depois de tudo o que sofreu, Lula não transformou seu terceiro mandato numa guerra contra a Globo. Ao contrário, procurou estabelecer uma relação civilizada, institucional e pragmática com o maior conglomerado de comunicação do País. Compreendeu que governar o Brasil exige diálogo inclusive com aqueles que trabalharam contra seu projeto político e contra sua própria liberdade.

Na sabatina da Globo, Lula cobrou algo elementar: um pedido de desculpas pela forma como foi tratado durante a Lava Jato e, em particular, pelo espetáculo do PowerPoint que ajudou a apresentá-lo aos brasileiros como culpado antes de qualquer julgamento definitivo. Não pediu censura, não pediu submissão e não pediu que a imprensa deixasse de investigar governos. Pediu apenas que uma instituição com enorme poder reconhecesse os próprios erros diante dos fatos revelados pela história.

A resposta chegou neste domingo: “Não há do que se desculpar”.

Pronto. Caíram as máscaras e, com elas, qualquer ilusão de que a Globo estivesse disposta a fazer um acerto de contas sério com sua própria história. O grupo que levou quase meio século para admitir que errou ao apoiar o golpe de 1964 agora se recusa a reconhecer qualquer responsabilidade pelo ambiente político e midiático que ajudou a construir durante a Lava Jato.

A questão, evidentemente, transcende Lula e diz respeito a projetos de Brasil. De um lado, existe historicamente um projeto de construção de uma nação soberana, industrializada, socialmente integrada, capaz de controlar seus recursos estratégicos, reduzir desigualdades e exercer autonomia no sistema internacional. Esse impulso apareceu, com suas diferentes características e contradições, em Getúlio Vargas, João Goulart e, mais recentemente, nos governos Lula e Dilma.

Do outro lado está o projeto de um Brasil subordinado, dependente, socialmente desigual, financeirizado e permanentemente condicionado pelos interesses de suas elites econômicas e pelos centros internacionais de poder. Sempre que esses dois projetos entraram em choque, a Globo soube de que lado ficar. Combateu Getúlio, apoiou o golpe contra João Goulart, prosperou durante a ditadura, apoiou a derrubada de Dilma, transformou a Lava Jato em espetáculo e ajudou a construir o ambiente que levou Lula à prisão e o retirou da eleição de 2018.

A Globo pode até afirmar que não deve desculpas. Os brasileiros têm o direito de olhar para sua história e chegar à conclusão oposta. Deve desculpas pelo apoio ao golpe de 1964, como ela própria finalmente reconheceu em 2013; deve uma autocrítica profunda por seu papel na crise que culminou no golpe parlamentar contra Dilma; deve explicações pela transformação da Lava Jato em espetáculo permanente; e deve refletir sobre sua participação na construção do ambiente que permitiu a prisão de Lula, sua exclusão da eleição e a posterior ascensão do bolsonarismo.

Depois de Getúlio, 1964, junho de 2013, 2016, Lava Jato e 2018, já não há espaço para ilusões. Lula tentou construir uma relação civilizada e pragmática depois de retornar à Presidência. A Globo respondeu neste domingo que “não há do que se desculpar”.

Que assim seja. Cada um escolheu seu lugar na história.

A Globo está onde sempre esteve: contra as forças populares, contra os interesses nacionais e, portanto, contra o Brasil e os brasileiros.

*Jornalista e escritor. Fonte: Brasil247

28 agosto 2026

CUT completa 43 anos: Central nasceu da luta e da organização da classe trabalhadora

Fundada em 28 de agosto de 1983, em meio à crise econômica e à luta pela redemocratização do país, Central nasceu da mobilização de trabalhadores e se tornou uma das principais organizações sindicais do país*

Nascida em meio a uma crise econômica grave nos anos 1980, com desemprego em patamares altos e em plena ditadura militar, a CUT completa 43 anos nesta sexta-feira (28). Fundada em 28 de agosto de 1983, a Central surgiu em um período de intensa mobilização sindical, reunindo trabalhadores e trabalhadoras de diferentes categorias e regiões do país.

A criação da CUT também representou um desafio à legislação sindical vigente na época, que impunha restrições à organização conjunta de trabalhadores de diferentes categorias.

A Central foi a primeira organização sindical de caráter intersindical e intercategorial criada no país após o golpe militar de 1964 e também a primeira central sindical brasileira construída a partir de um processo de organização pelas bases de trabalhadores.

Ao longo dessas mais de quatro décadas, a CUT teve atuação determinante nas lutas e conquistas de todos os principais direitos da classe trabalhadora como a política de valorização real do salário mínimo, o fortalecimento dos processos de negociação coletiva, a redução da jornada de trabalho para 44 horas nos anos 1980.

Além dessas, fazem parte da história da CUT diversas lutas por avanços nos direitos das mulheres, população negra, lutando pela igualdade racial e de gênero e a luta pela democracia, seja pelo fim da ditadura e eleições diretas (Diretas Já!) na primeira década, seja nos dias atuais contra os ataques da extrema direita.

Ao completar 43 anos, a CUT se mantém centrada nas principais demandas dos trabalhadores, como a recém conquistada isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, o fim da escala 6x1, a luta pelo fim da violência contra a mulher e a regulamentação de novas formas de trabalho, como aplicativos, por exemplo.

Nesse cenário, a CUT também projeta os próximos desafios da classe trabalhadora. Em mensagem sobre a data, o presidente nacional da Central, Sergio Nobre, destacou a importância das eleições e convocou sindicatos, ramos, estaduais e militantes para a preparação do 15º Congresso Nacional da CUT (15º Concut), previsto para 2027.

“O Brasil vive, mais uma vez, um momento decisivo. Nas eleições, cada trabalhadora e cada trabalhador terá a oportunidade de ir às urnas e escolher quem realmente representa os seus interesses.”

Sergio Nobre defendeu a mobilização para a escolha de representantes comprometidos com a democracia e com os direitos sociais. “Vamos trabalhar para eleger representantes da classe trabalhadora comprometidos com a democracia, os direitos sociais e um Brasil mais justo e soberano.”

O presidente da CUT também convocou a militância e as entidades filiadas a iniciarem a preparação para o próximo congresso da Central, que deverá discutir estratégias e os caminhos da organização sindical.

“Desde já, convocamos nossa militância, nossos sindicatos, ramos e estaduais a se prepararem para o 15º Congresso Nacional da CUT, o 15º Concut, que acontecerá em 2027. Vamos, juntos, renovar nossas estratégias e construir os novos caminhos da organização sindical.”

Na mensagem pelos 43 anos da CUT, Sergio Nobre ressaltou ainda a trajetória da Central e a perspectiva de continuidade da atuação sindical. 

A CUT chega aos 43 anos de história com muita garra, coragem e esperança. Aguerrida no presente e sempre preparada para o futuro
- Sergio Nobre
O surgimento de uma Central que faz parte da história do país

Ponto de partida – ‘A’ Conclat

A história começou com a 1º Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), em 1981, na Praia Grande, litoral de São Pauulo, que reuniu mais de 5 mil trabalhadores e trabalhadoras de todas as regiões do país. Ao todo, 5.059 delegados participaram da fundação da CUT, representando 912 entidades, entre sindicatos urbanos e rurais, associações pré-sindicais, associações de funcionários públicos, federações e entidades nacionais.

Os temas prioritários discutidos na Conclat, diziam respeito aos ataques aos direitos da classe trabalhadora, como o direito ao trabalho, sindicalismo, saúde e previdência social, políticas salarial, econômica, agrária e problemas nacionais. Porém, acima de tudo, a luta era pela reconquista da democracia, que era usurpada pelo regime militar – um período de em que a classe trabalhadora sofreu na pele todos os retrocessos e horrores da ditadura.

Como resultado da Conclat, foi criada a Comissão Nacional Pró-CUT que, dois anos depois, deu origem à Central Única dos Trabalhadores.

Fundação da CUT – ‘O’ Conclat

O 1º Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) foi realizado no galpão dos antigos estúdios cinematográficos Vera Cruz, em São Bernardo do Campo (SP). Foi naquele espaço que delegados e delegadas aprovaram a criação da nova central sindical.

Novamente, mais de cinco mil representantes de trabalhadores comparecem ao encontro.

Assim, após deliberaram sobre as pautas prioritárias de reivindicação da classe trabalhadora, no dia 28 de agosto de 1983, então, nasceu a CUT.

Contexto: a crise econômica e mobilização

A fundação da CUT ocorreu em meio a uma profunda crise econômica. O país enfrentava inflação elevada, recessão, aumento do desemprego e perda do poder de compra dos salários, além de uma dívida externa superior a US$ 100 bilhões.

Um mês antes da fundação da Central, trabalhadores e trabalhadoras realizaram uma greve geral em todo o país. Na indústria paulista, somente nos dois primeiros meses de 1983, cerca de 47 mil trabalhadores foram demitidos, número próximo ao total de dispensas registradas durante todo o ano anterior.

Além das dificuldades econômicas, o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar. Nesse contexto, o congresso de fundação da CUT aprovou uma agenda de lutas que incluía o fim da Lei de Segurança Nacional e do regime militar, o combate ao desemprego, reajustes periódicos dos salários, reforma agrária, liberdade e autonomia sindical.

A defesa da cidadania e o combate ao autoritarismo também estavam entre as pautas da nova Central, em um período marcado pela repressão política e por restrições às liberdades democráticas.

Primeira direção

Para o primeiro ano de atuação, foi escolhida uma coordenação-geral liderada por Jair Meneguelli, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, atual Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que naquele período estava sob intervenção.

Em 1984, foi eleita a primeira direção da Central com chapa completa, tendo Meneguelli como primeiro presidente da CUT.

Organização presente em todo o país

Ao longo de 43 anos, a CUT ampliou sua presença e passou a reunir entidades de diferentes ramos da atividade econômica. Atualmente, a Central conta com 3.960 entidades filiadas, 7,9 milhões de associados e associadas e uma base de 25,8 milhões de trabalhadores e trabalhadoras.

De caráter classista, autônomo e democrático, a CUT organiza trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, dos setores público e privado, ativos e inativos.

Entre seus princípios está a defesa da liberdade e da autonomia sindical, com independência em relação ao Estado, governos, empregadores, partidos políticos e instituições religiosas.

Desde sua fundação, a Central participa de mobilizações e debates relacionados às condições de trabalho, à defesa de direitos e às transformações políticas, econômicas e sociais do Brasil.

Ao completar 43 anos nesta sexta-feira (28), a CUT refoça sua atuação sindical por meio das entidades filiadas e da organização de trabalhadores e trabalhadoras em diferentes setores da economia brasileira.

Assista ao vídeo especial em celebração aos 43 anos da CUT e conheça um pouco dessa história de luta, resistência e conquistas da classe trabalhadora!

*Escrito por: Walber Pinto | Editado por: André Accarini - Fonte: https://www.cut.org.br/

20 agosto 2026

O filme e a realidade - Lula, para que ainda possamos falar em Honestino

Diretor Aurélio Michelis faz a conexão entre o passado e o presente




Por Luiz Carlos Azenha*

Aurélio Michelis dirigiu Honestino, que está em cartaz nos cinemas. Bruno Gagliasso faz o papel do líder estudantil que foi desaparecido pela ditadura militar brasileira aos 23 anos de idade.

Assim como Anistia 79, também lançado neste agosto de 2026, Honestino resgata memória da ditadura militar (1964-1985) que nos infelicitou.

Faltando semanas para a eleição presidencial no Brasil, com o cerco dos Estados Unidos se fechando, os diretores dos dois filmes traçaram paralelos entre o passado e o presente.

Anita Leandro destacou, em entrevista à Fórum, o legado da ditadura que ainda nos assombra, concretizado em PMs que matam civis como se estivéssemos em guerra.

Aurélio Michelis relembrou uma História da infância, que ainda está viva: os bastidores da batalha pelos recursos naturais brasileiros.

Seguem trechos da entrevista — e o vídeo com a íntegra.

Sobre o futuro que não veio

Aurélio Michelis: Eu tenho saudade daquilo que não foi. Do futuro que não aconteceu. Uma vez saiu no Jornal de Manaus uma notícia de que jorrava petróleo à flor da terra em Nova Olinda do Norte, que é um município que tem no Amazonas que hoje se chama Coari. É onde hoje tem a maior reserva de gás da Petrobras. Quando eu era criança, as pessoas recolhiam o óleo que brotava e o colocavam na lamparina. Você lembra da lamparina? Você conheceu? Aquele espécie de fio que você colocava o combustível, tinha uma ponta que saía um algodão e se iluminava, antes de ter energia elétrica.

Saiu nessa matéria, falava que apesar de o petróleo jorrar, técnicos norte-americanos que vieram avaliar, consideraram que não era comerciável o petróleo. O meu avô fez um comentário assim, ele era muito engraçado, ele falou assim: “Realmente esse petróleo respeita as fronteiras políticas, porque na Venezuela tem petróleo, quando chega na fronteira do Brasil, ele dá meia curva”.

Então, essa realidade de manipulação, ela não é nova. Todas as vezes que o Brasil se impõe, todas as vezes que o Brasil quer se colocar, como ele merece ser, porque o tamanho do nosso país, um país continental, com uma variedade de recursos naturais que poucos países possuem… é claro que um país vizinho tão guloso como são os Estados Unidos, um país que está em guerra há mais de 200 anos, um país que fomenta a arma, o guerreiro, sanguinário… Então, é complicado. O Brasil, quando se coloca com essa potencialidade, começa a sofrer essas ameaças. É só ver a questão do PIX, a tentativa de interferência nas eleições brasileiras.

Quem foi Honestino?

Aurélio Michelis: O Honestino [Guimarães] fazia parte de um grupo de luta maioísta, de luta de massas. mas tudo bem, o inimigo era muito mais poderoso, então, de certa forma, essa geração sofreu um revés muito forte, porque a resposta da ditadura, que era protegida pelos Estados Unidos, a gente não pode esquecer.

No ano em que o Ernestino foi morto, assassinado — eu não gosto de falar de desaparecido, ele foi assassinado — seu corpo até hoje não foi encontrado, mas ele foi assassinado com 23 anos de idade, no Rio de Janeiro.

Em 1973, o Richard Nixon, que era o presidente dos Estados Unidos, faz um discurso onde ele diz, para onde for o Brasil, irá toda a América Latina. Então, ele estava sinalizando que, naqueles países, onde naquele momento estavam o Allende no poder [no Chile], na Argentina havia já o Perón — tinha voltado, havia todo um governo híbrido ali, lutando pela democracia — no Peru estava o [Juan Velasco] Alvarado, que era um general que se dizia nacionalista e por aí afora e na Bolívia estava o [Hugo] Banzer, que também era um militar nacionalista.

Desde 1964 o Brasil já estava na ditadura e nesse ano [1973] o Honestino é sequestrado e assassinado. Então, a minha vontade era fazer essa leitura, trazer essa atmosfera, mostrar que hoje, qual é o discurso dos canalhas que dirigem os Estados Unidos da América do Norte? O discurso é que a América do Sul é o quintal deles. Eles não vão admitir, eles vão fazer de tudo para interferir na eleição da Colômbia, na eleição do Peru, na eleição…

Na Argentina vão manter um ser sem nenhuma característica de Humanidade, lá no Chile também estão desmontando as conquistas realizadas pós-ditadura Pinochet e no Brasil nós estamos sob essa ameaça também. Felizmente nós temos o Lula, que tem o carisma de um líder mundial — e isso é uma grande barreira para que nós possamos defender a frágil democracia brasileira. E, com isso, ter a liberdade para falar sobre o Honestino! - 

*Fonte: Revista Fórum

Diretor de filme sobre líder morto pela ditadura celebra a trajetória de Honestino Guimarães e Lula