03 janeiro 2026

Lula repudia agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela e cobra reação internacional

Os EUA “ultrapassam uma linha inaceitável” com “afronta gravíssima” à soberania venezuelana, diz o presidente brasileiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247* - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente neste sábado (3) a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, classificando a ação como um grave desrespeito ao direito internacional e um risco direto à estabilidade global. Para o chefe de Estado brasileiro, os bombardeios em território venezuelano e o sequestro do presidente do país representam uma escalada inaceitável que ameaça a ordem internacional.

A manifestação foi feita em uma postagem divulgada pelo próprio presidente Lula, na qual ele expressa a posição oficial do Brasil diante do episódio. Segundo o presidente, os acontecimentos configuram uma violação explícita de princípios fundamentais que regem as relações entre Estados soberanos.

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou Lula. Na avaliação do presidente, ações dessa natureza abrem caminho para um cenário de instabilidade generalizada. “Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, declarou.

Lula destacou que a condenação ao uso da força está em consonância com a política externa historicamente adotada pelo Brasil. “A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, afirmou, reforçando o compromisso brasileiro com soluções pacíficas e diplomáticas.

O presidente também fez referência ao histórico de intervenções externas na região, alertando para os impactos de longo prazo desse tipo de ação. “A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”, disse.

Na mensagem, Lula defendeu uma reação firme da comunidade internacional, especialmente por meio das Nações Unidas. “A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio”, afirmou. Ao final, reiterou a posição do governo brasileiro: “O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”.

(*Por Guilherme Levorato, no Brasil247)

Não à agressão militar de Trump à Venezuela! Solidariedade total ao povo venezuelano e seu governo!


Na madrugada deste sábado 3 de janeiro, o território da República Bolivariana da Venezuela foi bombardeado por aviões dos Estados Unidos, violando assim de forma unilateral a soberania do país vizinho, num verdadeiro ato de guerra ao arrepio de qualquer norma do direito internacional.

Desde setembro do ano passado iniciou-se uma escalada agressiva contra a Venezuela com a concentração inédita de forças navais militares dos EUA no Mar Caribe, que já havia provocado a destruição de mais de 30 embarcações em nome de um pretenso combate ao narcotráfico, com o saldo de mais de cem mortos. Em seguida houve os casos de pirataria praticados pelo governo Trump ao sequestrar navios com petróleo venezuelano. 

Agora essa operação, que visa derrubar o governo Maduro para botar a mão nas riquezas do país, atinge diretamente o solo venezuelano, com ataques aéreos em Caracas e nos estados de Miranda, Arágua e La Guaira.

Trata-se de uma ação de guerra que afeta toda a América Latina e Caribe e que deve ser rechaçada por todos os governos que defendem a soberania nacional e a paz, não só em nossa região, mas em todo o mundo. O que pede uma ação comum de governos como os de Lula, Petro, Sheinbaum e outros em defesa da Venezuela agredida.

Exigimos também, diante do anúncio feito pela vice-presidente da Venezuela Delci Rodrigues de que o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cília Flores é desconhecido, e de notícias que ambos foram sequestrados por agentes dos EUA, o seu aparecimento e libertação imediata.

O povo venezuelano está saindo às ruas em todo o país para enfrentar a agressão imperialista, exigindo que “Devolvam Maduro”. O Diálogo e Ação Petista* convoca seus aderentes a somar-se a todos os chamados de mobilizações em defesa da Venezuela e seu governo contra a agressão do governo Trump, o mesmo que prometeu acabar com as guerras no mundo e só faz aumentá-las, como se vê nas ameaças atuais ao Irã e agora nos ataques ao território venezuelano.

Um ataque à Venezuela é um ataque à soberania de todos os povos da América Latina e como tal deve ser rechaçado. A hora é da mobilização contra o imperialismo estadunidense personificado por Trump, em solidariedade ao povo irmão da Venezuela.

Sem prejuízo de manifestações imediatas, propomos que se prepare o dia de luta de 8 de janeiro, próxima quinta-feira, integrando a defesa da Venezuela numa grande Jornada Nacional pela cadeia sem qualquer anistia para Bolsonaro e generais golpistas, os quais, inclusive, sempre foram serviçais do imperialismo estadunidense.

Todos às ruas!

Trump tire suas patas da Venezuela!

Viva a luta dos povos contra o imperialismo!

São Paulo, 3 de janeiro de 2026

*Fonte: site do DAP

31 dezembro 2025

Retrospectiva - Nas ruas e nas lutas, movimentos populares empurraram governo Lula a enfrentar elites em 2025

Balanço de campo e cidade aponta 'guinada' no Planalto e lista entraves impostos pela direita no Congresso

Manifestação em São Paulo pelo fim da escala 6×1 | Crédito: Letycia Bond/Agência Brasil

Por Rodrigo Chagas*

Em 2025, movimentos populares do campo e da cidade voltaram às ruas e às redes, unificaram pautas e arrancaram vitórias importantes na disputa com um Congresso hostil. O ano marcou, na avaliação dessas organizações, uma saída da defensiva e a retomada de capacidade de iniciativa, com impacto direto na agenda nacional e na correlação de forças.

É a partir dessa leitura que o Brasil de Fato ouviu oito lideranças e lutadores populares para fazer um balanço do ano. A reportagem reúne as avaliações sobre os principais embates do terceiro governo Lula em 2025, as contradições e limites impostos pelo Legislativo e pelas elites econômicas e as projeções de luta que começam a desenhar o cenário de 2026.

Nas entrevistas, uma ideia aparece como síntese do período: a pressão popular ajudou a empurrar o Palácio do Planalto para uma postura mais altiva e combativa na defesa da soberania e no enfrentamento aos interesses do andar de cima. Essa mudança é localizada sobretudo no segundo semestre, quando a disputa com o Congresso se intensificou e a mobilização social ganhou escala, em uma conjuntura que, segundo as fontes, também foi marcada por tensões internacionais e pela reorganização da extrema direita.

A reorganização do campo popular teve como eixo uma aposta de unidade: o Plebiscito Popular, realizado nacionalmente a partir de 1º de julho. A consulta reuniu três perguntas, sobre taxação dos super-ricos, isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 e fim da escala 6×1. Na reta final, o processo ampliou o prazo até 12 de outubro, com mutirões de votação, e, em quatro de novembro, o resultado foi entregue ao presidente do Senado, com a marca de “mais de dois milhões” de votos.

A iniciativa, avaliam entrevistados, ajudou a dar forma a uma agenda classista capaz de dialogar com o cotidiano e reabrir a disputa política. “A principal vitória foi a gente ter demonstrado capacidade de iniciativa política das organizações em unidade”, disse Camila Morais, do Levante Popular da Juventude. Na mesma direção, Ana Priscila, da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), afirmou que 2025 foi o ano em que o campo popular conseguiu avançar do esforço de “leitura” para a “ação” coletiva. “A gente viu que a pauta da escala 6×1 tava ganhando muita força nas ruas”, avaliou, ao defender que vitórias só viriam com pressão popular, e não apenas por negociação institucional.

Ao longo da reportagem, as avaliações também destacam que o enfrentamento ao Congresso se tornou um eixo incontornável. “As ambições mais genuínas de um progressismo estão bloqueadas pelas ambições nada republicanas do centrão”, analisou Charles Trocate, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM). Para Ana Carolina Vasconcelos, do Movimento Brasil Popular, o governo passou a apostar mais na politização social em meio aos impasses no Legislativo. Gilmar Mauro, do MST, sintetizou a lição do período ao afirmar que “não dá mais para governar à frio”. (...)

*CLIQUE AQUI para ler na íntegra (via BrasildeFato)

30 dezembro 2025

"Inundar a região de merda"

Estratégias da ultradireita para corroer o debate público, explorar o descontentamento social e enfraquecer a democracia liberal por meio da desinformação

Steve Bannon (Foto: Elizabeth Frantz / Reuters)

Por Emir Sader*

Outra das minhas leituras preferidas dos últimos tempos é o livro “Desquiciados – Los vertiginosos cambios que impulsa la ultraderecha”, coordenado por Alejandro Grimson.

Seu epílogo tem como título o que eu enunciei como nome deste artigo. Frase de Steve Bannon, que explicou desta maneira sua afirmação: “Os democratas não interessam. A verdadeira oposição são os meios de comunicação. E o modo de tratar com eles é inundar a região de merda”. 

Os líderes da ultradireita de massas consideram que se trata do seguinte: canalizar o muito legítimo descontentamento social, desafiando os limites da democracia e estressando diariamente a população até que todos estejamos fora de juízo. Isto é chave, porque impede pensar estrategicamente.

Em quase todos os países da América e da Europa aconteceram duas coisas: ou o tradicional partido de direita se converteu em um de extrema direita, ou surgiu uma nova força de extrema direita.

Na América Latina, eles têm um programa econômico neoliberal radicalizado, que pode aceitar uma cota de políticas sociais com transferências monetárias aos setores mais desprotegidos, combinada com todo o conservadorismo cultural que a sociedade lhes permita.

A luta cultural é concebida como guerra, com inimigos a derrotar. Só há ganhadores e perdedores. Assim, se coloca em prática uma narrativa de complô e paranoica, que vê um inimigo em qualquer um que se atreva a expressar sua dissidência.

“A versão neoliberal de uma visão maniqueísta do mundo é a divisão entre trabalhadores e preguiçosos”, afirma Natascha Strobl em seu livro “A nova direita” (2022). Os líderes da extrema direita buscam não cumprir as regras da política, com a premissa de que é melhor ser mal-educado ou politicamente incorreto do que fazer parte do establishment.

Os líderes da extrema direita constroem para si mesmos o lugar de “salvadores” e, ao mesmo tempo, de “vítimas” das conspirações da velha política e dos meios de comunicação.

Na estratégia neoliberal confluem três instrumentos: a pós-verdade, as fake news e as teorias do complô. O Dicionário de Oxford definiu a pós-verdade como essa condição pela qual “os fatos objetivos influenciam menos na formação da opinião pública do que as referências a emoções e crenças pessoais”. As coordenadas básicas do debate público ficam corroídas.

Esses instrumentos buscam várias coisas: gerar um estado de ansiedade sem precedentes, mas também criar uma realidade paralela. Buscam que seus eleitores, ou a maioria deles, vivam mentalmente uma “realidade” que seja imune aos dados, aos argumentos e aos fatos.

Há três temas em que existem importantes diferenças entre essas forças: a economia, os valores e a geopolítica. Além disso, têm em comum o fato de que não negam formalmente a democracia, mas criticam a democracia liberal, qualificando-a como não democracia, isto é, como algo desvinculado da vontade do povo.

Já faz quase um século que a informação foi definida como o inverso da probabilidade. Não é notícia que não chova no Saara; não é notícia que a extrema direita insulte e estigmatize. Que meios de comunicação vão repetir cada um dos insultos que os governos de extrema direita proferem contra os que pensam diferente ou contra os opositores? A contribuição ao debate público é gerar informação (o contrário da probabilidade) e análise plural.

*Via Brasil247

28 dezembro 2025

AS 10 CANÇÕES MAIS POLÊMICAS DA HISTÓRIA DO BRASIL*


*Via YouTube

Morre Brigitte Bardot, um dos maiores ícones do século 20

Atriz francesa foi uma das grandes divas do cinema, símbolo sexual e cantora de sucesso, eternizada na canção erótica Je t’aime moi non plus

Brigitte Bardot morreu aos 91 anos (Foto: Reprodução)


247* - Brigitte Bardot, ícone absoluto do cinema francês e um dos maiores símbolos do século 20, morreu nesta quinta-feira, aos 91 anos. A morte da atriz foi anunciada pela Fundação Brigitte Bardot, que não detalhou a hora do ocorrido. Em comunicado, a entidade descreveu Bardot como uma “atriz e cantora de renome mundial, que optou por abandonar sua prestigiada carreira para dedicar sua vida e energia ao bem-estar animal e à sua fundação”.

Bardot foi não apenas uma das maiores atrizes do século 20, mas o maior símbolo sexual de sua geração, transformando a imagem feminina no cinema e influenciando a moda, o comportamento e a música.

Nascida em Paris em 1934, Bardot iniciou sua carreira como modelo e rapidamente se tornou um rosto indispensável do entretenimento europeu. Ela conquistou reconhecimento mundial a partir da década de 1950, especialmente após o sucesso explosivo de “E Deus Criou a Mulher” (1956), filme que redefiniu os limites da sensualidade nas telas e colocou Bardot no centro do imaginário global.

A atriz também ficou eternizada pela canção “Je t’aime moi non plus”, gravada em 1967 ao lado de Serge Gainsbourg. A música, que mais tarde ganharia nova versão com Jane Birkin, tornou-se um dos registros mais eróticos e icônicos da história da música popular, marcando definitvamente a imagem pública de Bardot como musa e referência da liberdade sexual.

Ao longo da carreira, Bardot protagonizou dezenas de filmes, entre eles “Viva Maria!” (1965), “A Verdade” (1960) e “Contempt” (1963), este dirigido por Jean-Luc Godard e considerado uma obra-prima do cinema moderno. Seu rosto, fotografado por nomes como Richard Avedon e Sam Lévin, tornou-se símbolo universal da beleza feminina.

Nos anos 1970, Bardot decidiu abandonar definitivamente o cinema e dedicar sua vida à causa animal, fundando em 1986 a Fundação Brigitte Bardot, organização internacional de defesa dos direitos dos animais. Sua atuação na militância rendeu reconhecimento mundial e a transformou em uma das vozes mais influentes do ativismo ambiental na Europa.

Apesar da aposentadoria precoce das telas, o impacto cultural de Bardot jamais diminuiu. Sua estética inspirou gerações de atrizes, modelos e estilistas, e sua imagem continua sendo revisitada em livros, exposições e obras audiovisuais. Para críticos, Bardot sintetizou um momento único da transformação dos costumes no século 20 — e permanece como referência tanto artística quanto social.

A morte de Brigitte Bardot encerra um capítulo fundamental da história do cinema e da cultura pop mundial. Sua beleza, seu talento e sua atitude libertária moldaram épocas e influenciaram milhões. Mas sua figura — como atriz, musa e defensora dos animais — seguirá viva, indelével, na memória coletiva. *Fonte: Brasil247

26 dezembro 2025

Globo repete o roteiro da farsa da Lava Jato e inicia nova operação contra o Brasil

 

O ministro Alexandre de Moraes, em cima. Embaixo, à esquerda, os irmãos Marinho, do Grupo Globo. À direita, jornalistas que participaram da entrevista ao “Roda Viva” com Sérgio Moro em 20 de janeiro de 2020, entre eles Malu Gaspar (penúltima em pé). Moro deixou o Ministério da Justiça em abril de 2020. Em novembro do mesmo ano, Malu lançou o livro “A Organização: a Odebrecht e o esquema de corrupção que chocou o mundo”, no qual faz exaltação de Sergio Moro. Fotos: STF e reprodução

Por Ângela Carrato*

Sem citar nomes de fontes, a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, publicou na segunda-feira (22), texto cujo objetivo é óbvio: levantar dúvidas sobre a atuação do ministro do STF, Alexandre de Moraes, no caso do banco Master e fornecer munição para os combalidos centrão e extrema-direita.

O que a jornalista fez lembra as primeiras notícias que apareceram em O Globo, nos idos de 2014, quando a oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff ainda não tinha tomado as proporções que tomou. Com cara de quem não quer nada, aqueles textos acabaram por ajustar o foco e entrou em cena a Operação Lava Jato.

Operação cujo alvo-fim, soube-se muito depois, era o ex-presidente Lula.

Sobre Malu Gaspar, é importante não perder de vista seu lavajatismo militante.

O livro, por ela escrito, “A Organização: a Odebrecht e o esquema de corrupção que chocou o mundo”, lançado seis meses após a saída de Moro do Ministério da Justiça, possivelmente seria peça importante para Moro em eventual campanha para a presidência da República.

A Lava Jato só conseguiu o intento desejado, porque a maioria do Congresso Nacional apoiou o golpe contra Dilma, uma vez que não havia crime de responsabilidade, e o STF passou por cima da legislação vigente, aceitando pressões dos militares e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ).

Os seis anos de governos golpistas de Michel Temer e Jair Bolsonaro só foram possíveis, porque a aliança entre maioria parlamentar e STF se manteve. Aliança que começou a ruir quando a Suprema Corte, diante das evidências dos desmandos do então juiz Sergio Moro, não teve outro caminho a não ser colocá-lo sob suspeição e anular as sentenças contra Lula.

A vitória de Lula na eleição para presidente em 2022 era um dado com o qual Bolsonaro e seus aliados não contavam. Não apenas eles.

Contra Lula, como sempre estavam a classe dominante, que se pauta pelos interesses de Washington, parcela significativa dos militares e a totalidade do chamado mercado financeiro.

A tentativa de golpe de estado com uma semana de Lula no poder, não foi e não pode ser entendida como fruto apenas da frustração de Bolsonaro. Ela precisa ser vista como parte de um roteiro adotado pela extrema-direita nacional e internacional para manter o Brasil submisso aos interesses dos Estados Unidos, de Israel e da Inglaterra, o chamado Ocidente político.

Em 2026, haverá eleição para presidente da República. Lula será candidato à reeleição, com grandes chances de vitória. Como direita e extrema-direita brasileiras se encontram fragilizadas e divididas, de novo o grupo Globo parece assumir, de forma não caracterizada, o papel de principal partido de oposição no país.

Desde meados de 1930, este tipo de comportamento da mídia é alvo de estudo e denúncias por parte do renomado filósofo italiano Antônio Gramsci.

Nos dias atuais, existe uma ampla e consistente bibliografia sobre o assunto. Mesmo assim, a mídia corporativa brasileira continua atuando sem qualquer constrangimento e poucos se dão conta do seu papel nefasto para a democracia.

É aí que entra em cena, novamente, o grupo Globo.

Se seus proprietários, a bilionária família Marinho, continuam onde sempre estiveram – inimiga de governos progressistas e ao lado dos ricos e poderosos – a realidade brasileira mudou e muito.

Não existe mais aquela aliança entre a maioria do Congresso Nacional e o STF. Desde a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023, a relação entre os três Poderes alterou-se substancialmente.

Se no Congresso, em especial na Câmara dos Deputados, ainda predomina uma maioria golpista e sem compromisso com o Brasil e o povo brasileiro, no Senado o golpismo é menor.

Já o STF se colocou como guardião da democracia e vem se somando, neste tipo de ação, ao terceiro governo Lula e à defesa da democracia.

Há, no entanto, um ponto de convergência entre o governo Lula e ministros do STF, que vem desagradando profundamente a esta mídia: o combate à corrupção no “andar de cima”.

Enquanto os “bandidos” eram pobres, pretos e moradores de favelas, não havia problema serem mortos às centenas, como fez o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.

Quando a corrupção exposta passou a ser a de poderosas fintechs, com sedes na avenida Faria Lima, coração financeiro de São Paulo, que lavam dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) ou a do dirigente do recém liquidado Banco Master, começam os problemas.

Você leitor(a) atento(a) deve ter observado que as operações da Polícia Federal envolvendo ricos e poderosos desaparecem da mídia em prazo recorde.

Não se fala mais no andamento da Operação Carbono Oculto e muito menos nos desdobramentos do fim do banco Master, que ainda não pagou ninguém e certamente jogará para as calendas gregas clientes com depósitos superiores a R$ 250 mil.

Tanto a Operação Carbono Oculto quanto a liquidação extrajudicial do Master expuseram ligações e atuações nada republicanas de parlamentares e governadores oposicionistas. A mais recente operação da PF, Valor Total, realizada há poucos dias, encontrou na casa do líder da oposição na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcanti, R$ 469,7 mil em dinheiro. (...)

*CLIQUE AQUI para continuar lendo a postagem da jornalista Ângela Carrato, especial para o site Viomundo (fonte desta postagem).

24 dezembro 2025

Coluna Crítica & Autocrítica - nº 239

 



Por Júlio Garcia**

*'SOBRE O PL DA BANDIDAGEM & IMPUNIDADE' - Artigo importante (e contundente!)  do colega advogado Arnóbio Rocha (SP) no site Brasil247, que repostei no Blog do Júlio Garcia, do qual sou Editor:

"Pode-se odiar o que aconteceu ontem [09/12] na Câmara Federal, quadro a quadro, desde a violenta retirada de Glauber Braga e a retirada da imprensa do plenário, mas é um dia histórico (negativo), de exercício de poder, de força e de prova de que a hegemonia política da extrema-direita tem na democracia seu limite — e pode ser ultrapassado sem nenhuma cerimônia.

A violência é a estética da extrema-direita, como era no velho fascismo. Alguns hábitos permanecem no DNA, no inconsciente coletivo. Claro que ela é exercida inclusive para criminalizar os seus inimigos, como se Hugo Motta, por exemplo, fosse a vítima de um Glauber Braga ou de um Lindbergh Farias.

A salvação de Bolsonaro, dos milicos e de tantos criminosos que serão beneficiados com o PL é uma contradição do papo furado de endurecer as penas contra bandidos (é mesmo?). Mais: por via indireta, essa é a maior demonstração de que o Congresso Nacional, principalmente a Câmara, se divorciou da democracia, sem cerimônia — o que significa que o poder das emendas ontem se provou e manda uma mensagem para 2026 de que vão barbarizar.

É uma dura realidade para quem tem apenas 148 votos, quatro a mais do que Dilma teve no impeachment.

Obviamente, abriu-se um flanco enorme para um combate aberto e direto, e impôs aos progressistas a realidade de que não há caminho de conciliação possível, nem espaços para negociar com Hugo Motta e, parece, nem com o rotundo e faminto Davi Alcolumbre. Eles têm dinheiro das emendas, têm poder e votos, dominam o Congresso Nacional da forma que quiserem e contam com o apoio da Faria Lima e de sua mídia. Esse flanco pode ser explorado nas ruas e nas redes sociais?

Depende do apetite do campo progressista e de alguns aliados de centro-direita. O cenário presidencial não se altera, mas o Congresso parece que será pior sem um enfrentamento direto, sem nenhuma concessão a mais, sem negociação com quem é inimigo do povo! Por contradição, assim como no IOF e na PEC da Bandidagem, mais uma vez Hugo Motta nos deu a senha para enfrentar a extrema-direita: expôs-se e expôs o bolsonarismo ao revelar o discurso vazio sobre violência e segurança pública quando se acena com a impunidade.

A esquerda e os progressistas irão para cima deles ou não? É esse o quadro."

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*SOBRE AS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO - UCs - Lamento - mas não me surpreendo - com mais esse ataque de setores ditos 'ruralistas' (liderados por Sindicato Rurais, Farsul e políticos de direita e extrema-direita)  contra as UCs (áreas protegidas que visam a preservação da biodiversidade e dos recursos naturais),  em particular em Santiago, Unistalda, São Luiz Gonzaga, Santo Antônio das Missões, Itacurubi e região. Trata-se, na verdade, de mais um atentado - sem nenhum pudor! - contra nosso já tão devastando Ambiente Natural. 

A propósito, talvez desconhecem os mesmos que nesta Região existe uma das últimas reservas de Pau-Ferro da América Latina (foto acima), além de (ainda) uma rica biodiversidade. Todos os setores (lideranças, entidades representativas, mídias inclusive) minimamente conscientes tem o dever de pronunciar-se e mobilizar-se pois não podemos - de forma alguma - deixar que a destruam.

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**Júlio César Schmitt Garcia é Advogado, Pós-Graduado em Direito do Estado, Consultor, ecologista, 'poeta bissexto', articulista e midioativista. Foi um dos fundadores do PT e da CUT (Nacional e Estadual). Integrou a primeira direção da 1ª Zonal do PT de Porto Alegre e o Diretório Estadual do PT/RS. Também foi Secretário Geral do PT de Canoas/RS, assim como fundador e Presidente do PT de Santiago/RS. -Coluna originalmente publicada no Jornal A Folha (em 19/12/2025), do qual é Colunista (circula em Santiago/RS e Região).

-Via Blog O Boqueirão Online

Desconfiamos porque temos memória

Os fatos atribuídos a ministros do STF são muito graves para que sejam tratados sem o devido processo legal

Fachada do edifício sede do Supremo Tribunal Federal (STF) - Brasília-DF - 09/06/2020 (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Por Carol Proner e Pedro Serrano* - Os fatos atribuídos a ministros do STF são muito graves para que sejam tratados sem o devido processo legal. O sigilo da fonte jornalística é um direito fundamental que protege a identidade do informante de um jornalista. É garantia constitucional que guarda tanto o direito à informação quanto a liberdade de imprensa. As informações sigilosas filtradas ajudam a compor o imaginário da opinião pública, mas não substituem os critérios de justiça. 

É bastante óbvio dizer, mas – não faz muito tempo - essa mesma sociedade que se beneficiou da liberdade de imprensa e do sigilo da fonte foi vítima de manipulação midiática com o propósito alegado de livrar o Brasil da corrupção. Ou alguém se esquece da campanha glorificando figuras como Sérgio Moro, Marcelo Bretas, Deltan Dallagnol? Advogados pela democracia distinguem o necessário combate à corrupção do método usado pela Operação Lava Jato, responsável por desestabilizar setores estratégicos da economia brasileira. 

As informações filtradas na “Vaza Jato” indicam o papel determinante de veículos de imprensa na trama farsesca que usou a justiça para perseguir adversários. Desconfiamos porque temos memória.

*Advogados, Doutores em Direito - Fonte: Brasil247 

23 dezembro 2025

POLÍTICA - Direita fecha o cerco em torno de Moraes para tentar conter Lula, estúpido

 

  Ministro Alexandre de Moraes 


Por Moisés Mendes*

Golpistas ainda impunes, principalmente os empresários financiadores do fascismo, estão em festa com o cerco dos jornalões a Alexandre de Moraes.

É uma estratégia bem articulada de Globo, Folha e Estadão. Todos estão com a mesma pauta. É como se os três funcionassem numa mesma redação e com o mesmo comando.

Hoje o cerco é ao filho de Lula e à mulher de Moraes. Flávio Dino, o caçador das máfias das emendas, que se prepare.

Vinte e nove golpistas, incluindo generais, foram julgados e muitos já estão presos. Moraes enfrentou o fascismo interno, defendeu as eleições e dobrou os golpistas.

Depois, enfrentou o fascismo de Trump, que cercou a família. Ele e Lula venceram as primeiras batalhas.

As corporações de mídia, a velha direita, o que resta de elite empresarial, milicianos, grileiros e outros agregados estão dizendo: agora chega.

O novo fascismo reage com a ajuda da velha grande mídia, como aconteceu em 54, em 55, em 61, em 64, em 2005, em 2013, em 2016, em 2018 e em 2022. As gangues se reaglutinam.

Moraes é o alvo mais visível no momento. Porque a podridão se alastra para além dos limites da política e é preciso pará-lo e impedir o quarto mandato de Lula.

Pegar Moraes é também pegar Lula. A direita quer voltar a respirar. É preciso salvar pelo menos Tarcísio de Freitas, porque os outros não conseguem enfrentar Lula.

Se não é possível vencer Lula agora, que o Supremo seja contido na figura que o representa. Segurem o STF e parem Moraes já para que Lula seja parado em 2026 pelos benefícios do cerco a todos os seus adversários e inimigos.

Flávio Dino sabe o que o espera. O clima é de 2016. O projeto hoje é salvar Tarcísio a qualquer custo. Os jornalões querem ser tutelados pelo homem de Bolsonaro.

*Jornalista/RS - Editor do Blog do Moisés Mendes, fonte desta postagem.  (Edição final deste Editor)