03 janeiro 2026

Lula repudia agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela e cobra reação internacional

Os EUA “ultrapassam uma linha inaceitável” com “afronta gravíssima” à soberania venezuelana, diz o presidente brasileiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247* - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente neste sábado (3) a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, classificando a ação como um grave desrespeito ao direito internacional e um risco direto à estabilidade global. Para o chefe de Estado brasileiro, os bombardeios em território venezuelano e o sequestro do presidente do país representam uma escalada inaceitável que ameaça a ordem internacional.

A manifestação foi feita em uma postagem divulgada pelo próprio presidente Lula, na qual ele expressa a posição oficial do Brasil diante do episódio. Segundo o presidente, os acontecimentos configuram uma violação explícita de princípios fundamentais que regem as relações entre Estados soberanos.

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou Lula. Na avaliação do presidente, ações dessa natureza abrem caminho para um cenário de instabilidade generalizada. “Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, declarou.

Lula destacou que a condenação ao uso da força está em consonância com a política externa historicamente adotada pelo Brasil. “A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, afirmou, reforçando o compromisso brasileiro com soluções pacíficas e diplomáticas.

O presidente também fez referência ao histórico de intervenções externas na região, alertando para os impactos de longo prazo desse tipo de ação. “A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”, disse.

Na mensagem, Lula defendeu uma reação firme da comunidade internacional, especialmente por meio das Nações Unidas. “A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio”, afirmou. Ao final, reiterou a posição do governo brasileiro: “O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”.

(*Por Guilherme Levorato, no Brasil247)

Não à agressão militar de Trump à Venezuela! Solidariedade total ao povo venezuelano e seu governo!


Na madrugada deste sábado 3 de janeiro, o território da República Bolivariana da Venezuela foi bombardeado por aviões dos Estados Unidos, violando assim de forma unilateral a soberania do país vizinho, num verdadeiro ato de guerra ao arrepio de qualquer norma do direito internacional.

Desde setembro do ano passado iniciou-se uma escalada agressiva contra a Venezuela com a concentração inédita de forças navais militares dos EUA no Mar Caribe, que já havia provocado a destruição de mais de 30 embarcações em nome de um pretenso combate ao narcotráfico, com o saldo de mais de cem mortos. Em seguida houve os casos de pirataria praticados pelo governo Trump ao sequestrar navios com petróleo venezuelano. 

Agora essa operação, que visa derrubar o governo Maduro para botar a mão nas riquezas do país, atinge diretamente o solo venezuelano, com ataques aéreos em Caracas e nos estados de Miranda, Arágua e La Guaira.

Trata-se de uma ação de guerra que afeta toda a América Latina e Caribe e que deve ser rechaçada por todos os governos que defendem a soberania nacional e a paz, não só em nossa região, mas em todo o mundo. O que pede uma ação comum de governos como os de Lula, Petro, Sheinbaum e outros em defesa da Venezuela agredida.

Exigimos também, diante do anúncio feito pela vice-presidente da Venezuela Delci Rodrigues de que o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cília Flores é desconhecido, e de notícias que ambos foram sequestrados por agentes dos EUA, o seu aparecimento e libertação imediata.

O povo venezuelano está saindo às ruas em todo o país para enfrentar a agressão imperialista, exigindo que “Devolvam Maduro”. O Diálogo e Ação Petista* convoca seus aderentes a somar-se a todos os chamados de mobilizações em defesa da Venezuela e seu governo contra a agressão do governo Trump, o mesmo que prometeu acabar com as guerras no mundo e só faz aumentá-las, como se vê nas ameaças atuais ao Irã e agora nos ataques ao território venezuelano.

Um ataque à Venezuela é um ataque à soberania de todos os povos da América Latina e como tal deve ser rechaçado. A hora é da mobilização contra o imperialismo estadunidense personificado por Trump, em solidariedade ao povo irmão da Venezuela.

Sem prejuízo de manifestações imediatas, propomos que se prepare o dia de luta de 8 de janeiro, próxima quinta-feira, integrando a defesa da Venezuela numa grande Jornada Nacional pela cadeia sem qualquer anistia para Bolsonaro e generais golpistas, os quais, inclusive, sempre foram serviçais do imperialismo estadunidense.

Todos às ruas!

Trump tire suas patas da Venezuela!

Viva a luta dos povos contra o imperialismo!

São Paulo, 3 de janeiro de 2026

*Fonte: site do DAP