Os EUA “ultrapassam uma linha inaceitável” com “afronta gravíssima” à soberania venezuelana, diz o presidente brasileiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)247* - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente neste sábado (3) a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, classificando a ação como um grave desrespeito ao direito internacional e um risco direto à estabilidade global. Para o chefe de Estado brasileiro, os bombardeios em território venezuelano e o sequestro do presidente do país representam uma escalada inaceitável que ameaça a ordem internacional.
A manifestação foi feita em uma postagem divulgada pelo próprio presidente Lula, na qual ele expressa a posição oficial do Brasil diante do episódio. Segundo o presidente, os acontecimentos configuram uma violação explícita de princípios fundamentais que regem as relações entre Estados soberanos.
“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou Lula. Na avaliação do presidente, ações dessa natureza abrem caminho para um cenário de instabilidade generalizada. “Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, declarou.
Lula destacou que a condenação ao uso da força está em consonância com a política externa historicamente adotada pelo Brasil. “A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, afirmou, reforçando o compromisso brasileiro com soluções pacíficas e diplomáticas.
O presidente também fez referência ao histórico de intervenções externas na região, alertando para os impactos de longo prazo desse tipo de ação. “A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”, disse.
Na mensagem, Lula defendeu uma reação firme da comunidade internacional, especialmente por meio das Nações Unidas. “A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio”, afirmou. Ao final, reiterou a posição do governo brasileiro: “O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”.
(*Por Guilherme Levorato, no Brasil247)

