19 julho 2011

Artigo


Agenda para um espanhol indignado

*Por Emir Sader

O correspondente do jornal espanhol El País no Brasil não se conforma. Diz que não entende como aqui não há um movimento dos jovens indignados, como no seu país. Com tanta corrupção, diz ele, certamente leitor assíduo da velha mídia e menos da realidade concreta. Palocci, Ministério dos Transportes, processo do mensalão. Onde está a juventude brasileira? Perdeu a capacidade de se indignar? Está corrompida? Está envelhecida? Não tem os valores morais da juventude do velho continente?

Ele se indigna no lugar da nossa juventude, com um país carcomido pelos hábitos corruptores da velha politica populista e patrimonialista. Aderiu ao Cansei.

Dá pena. Ele não entende nem o nosso país, nem o dele. Acha que os jovens se indignam com a corrupção, na forma que a velha mídia a trata, como mercadoria de denúncia contra o Estado, a política, os governos, etc. etc.

Se comparasse a situação do seu país e do nosso poderia entender bem um ou até mesmo os dois países. Sugerimos uma agenda para sua visão obnubilada.

Por que não compara a popularidade do Zapatero com a do Lula? Por que será que um é enxotado – até mesmo por editorial do seu jornal, chegado ao PSOE, que diz que se ele quer fazer algo de bem pra Espanha, deve ir embora imediatamente – e o outro saiu do governo com 87% de popularidade e 4% de rejeição, mesmo tendo toda a mídia contra? O que é indignante: ter Zapatero como dirigente máximo do país ou a Lula?

Não lhe indigna saber que o seu país, que foi colonizador, se apropriando das riquezas produzidas pelos escravos neste país, que continua a explorar mediante os grandes bancos, petroleiras, companhias de telecomunicação a este continente, se encontra, há já quase 4 anos em crise. Enquanto nós, explorados, dominados, submetidos aos organismos internacionais que vocês apoiam, saímos a quase três anos da crise. Não lhe indigna isso?

Não lhe indigna que aqui todos os imigrantes podem se legalizar e ser tratados com igualdade de direitos, enquanto no seu país semanalmente chegam embarcações com centenas de pessoas provenientes da África – que vocês ajudaram a espoliar -, vários deles já mortos, e são presos e devolvidos a seu continente de origem, tratados como seres inferiores, rejeitados, humilhados e ofendidos?

Não lhe indigna que aqui, com muito menor quantidade de recursos, estamos próximos do pleno emprego, enquanto no seu país o desemprego bate recordes, chega a praticamente 50% para os jovens? Em condições que as elites ricas esbanjam dinheiro pelo mundo afora? Não lhe indigna isso?

Daria para continuar falando muito mais. Se lhe indignassem essas coisas, teria saído com os jovens espanhóis que continuam a ocupar ruas e praças, indignados, eles sim, com tudo isso que passa no seu país. Eles defendem os imigrantes, os desempregados, todos vítimas principais do governo que seu jornal apoiou até ontem.

Não lhe indigna que Lula seja um líder mundial, que vá à África propor medidas de luta contra a fome, enquanto o seu país rejeita os africanos e continua a explorar os recursos daquele continente?

Creio que, no fundo, o que indigna ao jornalista espanhol é que seu país perdeu a competição para sediar os Jogos Olímpicos, derrota com que não se conforma, então tenta desvalorizar o Rio e o Brasil, com denúncias reiteradas e multiplicadas sobre problemas de insegurança pública, de atraso nas obras da Copa e das Olimpíadas.

O que indigna é sua incapacidade de não compreender nem o seu país, nem o país sobre o qual ele deveria fazer cobertura que permitisse que os leitores compreendessem o Brasil. Mas ele não compreende sequer o seu país, como vai compreender o nosso?

É indignante realmente. Estivesse na Espanha, estaria com os jovens indignados, contra um governo como o que tem eles, com uma mídia como a que tem eles.

*Emir Sader (foto) é sociólogo, professor universitário e blogueiro.

Fonte: Blog do Emir (Ag. Carta Maior)

17 julho 2011

Apesar do PiG, aprovação do Governo Federal continua em alta...


Não é (só) a economia, estúpido

                                    Eduardo Guimarães*  escreve:

O filme a que o país assistiu durante os oito anos do governo Lula continua sendo reprisado. Todos os dias, sete dias por semana, trinta dias por mês os grandes meios de comunicação impressos e eletrônicos martelam denúncias contra o governo federal.

Os colunistas dos jornais ou da internet, os analistas políticos da TV ou do rádio aludem, sem parar, a uma “crise moral” que teria se abatido sobre a nação e a debitam exclusivamente ao PT. Parece que só o PT governa alguma coisa, no Brasil.

Apesar de a popularidade de Dilma ser menor do que a de Lula ao fim de seu mandato, pelo menos até o momento não há indícios de que este governo tenha sido minimamente afetado pelo bombardeio midiático.

Muito pelo contrário: a única perda visível na imagem de Dilma parece provir de onde ela difere de Lula, ou seja, por ser menos combativa do que o antecessor ao não responder aos ataques da imprensa e da oposição.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada no mês passado, 49% dos brasileiros consideravam ótimo ou bom o governo Dilma, 38% consideravam regular e 10% consideravam ruim ou péssimo. Em março, eram 47%, 34% e 7%, respectivamente.

A demissão do ex-ministro Antonio Palocci, segundo o próprio Datafolha, não alterou a opinião dos brasileiros sobre o governo petista, mas parece ter atingido alguns aspectos da imagem pessoal da presidente.

O episódio, segundo a pesquisa, pode ter influenciado a queda na percepção que a população tem da presidente no quesito “decisão”. Apesar de a maioria julgar Dilma decidida (62%), 34% a classificavam como “indecisa”, taxa duas vezes maior do que a de março (15%).

A presidente também sofreu prejuízo de imagem no aspecto inteligência. A taxa dos que a julgavam muito inteligente caíra de 85% para 76% e a dos que a julgavam pouco inteligente subira de 9% para 20%.

O que dizem esses números? Podem ser vistos de acordo com o gosto do freguês. Apesar de a aprovação ao governo ter subido, a presidente perdeu aprovação pessoal. Ou seja, a população pode ter considerado que ela não foi corajosa como Lula ao enfrentar o primeiro ataque ao seu governo.

Se considerarmos que esses escândalos permearam os dois mandatos de Lula e ele só fazia ganhar aprovação, pode-se inferir que a maioria não dava crédito à mídia. Em todos aqueles momentos, o ex-presidente manteve uma postura altiva enquanto que Dilma se mostrou intimidada.

Claro que a imprensa, que só sabe atacar o PT onde ele é governo e que poupa a oposição onde ela é governo, prefere debitar a perda de aprovação pessoal de Dilma ao fato de ela não ter demitido Palocci rapidamente. Mas se levarmos em conta que Lula declarou, reiteradas vezes, que ela não deveria demiti-lo, o dado que vem a seguir desmonta essa teoria.

Para 77% dos brasileiros, o ex-presidente Lula participa das decisões do governo de sua sucessora. A participação dele, porém, não é vista de forma negativa. Pelo contrário, 64% disseram que ele deveria participar até mais deste governo.

Detalhe: Dilma tem 49% de aprovação, mas 64% dizem que Lula deve interferir mais… Perceberam?

Ora, se Lula declarou publicamente, mais de uma vez, que Dilma não deveria demitir Palocci sob pressão e os entrevistados da pesquisa declararam que ele deve continuar interferindo no governo, a perda de imagem dela pode se dever a não ter seguido o conselho do padrinho político.

De qualquer forma, a perenidade da aprovação dos governos Lula e Dilma em um cenário em que o bombardeio da mídia não pára um só dia enquanto que os governos de oposição recebem tratamento inverso, não sendo sequer fiscalizados, é um fenômeno a ser estudado.


Tornou-se lugar comum a direita midiática dizer que o povo foi “subornado” pelo bom andamento da economia. O mais curioso é que, enquanto diz isso, também esgrime com uma tal de “herança maldita” deixada por Lula que, pelo visto, só essa direita vê – ou diz que vê.

Mas será só isso? Será só a economia forte, a geração progressiva de empregos, o aumento do salário médio, entre outros, que fazem o povo ignorar a “corrupção” petista em vez de votar na “honestíssima” oposição que a mídia pinta?

Será que ninguém enxerga que é impossível que só existam escândalos de corrupção de um lado? Será que ninguém se impressiona com bombardeio como esse só contra um lado e que não pára um só dia há quase nove anos?

O mais provável é que a repetição incessante dessa estratégia massacrante contra um lado e o silêncio total em favor do outro, quebrado apenas por elogios a este, tenha feito o país entender, definitivamente, que a imprensa não é confiável ao tratar de política.

*Eduardo Guimarães é Representante Comercial e Editor do Blog da Cidadania

**Fotos: 1- A então Ministra Chefe da Casa Civil,  Dilma Rousseff, com o Presidente  Lula,  no início da campanha eleitoral vitoriosa do ano passado; 2- Eduardo Guimarães e este blogueiro conversando durante o 1º Encontro de Blogueiros Gaúchos, em junho deste ano, em Porto Alegre.

PiG: Partido da Imprensa Golpista (brilhante definição do PHA)

Mano a Mano



* Mano a Mano - Carlos Gardel -  de Gardel e José Razzano / Celedonio Flores

Mano a Mano 

Rechiflao en mi tristeza, te evoco y veo que has sido
de mi pobre vida paria sólo una buena mujer
tu presencia de bacana puso calor en mi nido
fuiste buena, consecuente, y yo sé que me has querido
como no quisiste a nadie, como no podrás querer.

Se dio el juego de remanye cuando vos, pobre percanta,
gambeteabas la pobreza en la casa de pensión:
hoy sos toda una bacana, la vida te ríe y canta,
los morlacos del otario los tirás a la marchanta
como juega el gato maula con el misero ratón.

Hoy tenés el mate lleno de infelices ilusiones
te engrupieron los otarios, las amigas, el gavión
la milonga entre magnates con sus locas tentaciones
donde triunfan y claudican milongueras pretensiones
se te ha entrado muy adentro en el pobre corazón.


Nada debo agradecerte, mano a mano hemos quedado,
no me importa lo que has hecho, lo que hacés ni lo que harás;
los favores recibidos creo habértelos pagado
y si alguna deuda chica sin querer se había olvidado
en la cuenta del otario que tenés se la cargás.


Mientras tanto, que tus triunfos, pobres triunfos pasajeros,
sean una larga fila de riquezas y placer;
que el bacán que te acamala tenga pesos duraderos
que te abrás en las paradas con cafishios milongueros
y que digan los muchachos: "Es una buena mujer".


Y mañana cuando seas deslocado mueble viejo
y no tengas esperanzas en el pobre corazón
si precisás una ayuda, si te hace falta un consejo
acordate de este amigo que ha de jugarse el pellejo
p'ayudarte en lo que pueda cuando llegue la ocasión.

Composição: Gardel e José Razzano / Celedonio Flores
...

*Homenagem singela  do Blog ao 'tio Danilo'.

16 julho 2011

Ministério dos Transportes



Ministro Passos nega irregularidades e diz que pode haver mais substituições no Dnit

“Tenho clara a determinação da presidenta de fazer ajustes e promover a demissão de quem tenha comprovadamente conduta inadequada daquela de um servidor público”

Brasília - O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, negou hoje (16) que haja qualquer irregularidade em obras de rodovias apontadas na edição desta semana da revista IstoÉ.

“É preciso esclarecer que, ainda que o Ministério dos Transportes tivesse feito suplementação de obra, seja por decreto, seja por projeto de lei, o Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do governo federal bloqueia que se empenhe e se pague algo com impedimento do Tribunal de Contas da União (TCU)”, disse o ministro.

A reportagem da IstoÉ diz que Paulo Sérgio Passos, que é filiado ao PR, liberou recursos de R$ 78 milhões para obras irregulares de empreiteiras que doaram mais de R$ 5 milhões a candidatos do partido nas eleições do ano passado. As obras são da BR-317, BR-265 e BR-101.

O ministro convocou entrevista (foto) para detalhar a situação de cada uma das três rodovias citadas pela revista e explicar os aditivos que foram feitos. Sobre as doações ao PR pelas empreiteiras, Passos disse que não tinha conhecimento e que não vê relação entre as duas coisas.

O ministro disse ter tido clara a determinação da presidenta Dilma Rousseff para fazer os ajustes necessários, e não descartou a possibilidade de novas substituições no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit). “Tenho clara a determinação da presidenta de fazer ajustes e promover a demissão de quem tenha comprovadamente conduta inadequada daquela de um servidor público”. Passos disse também que não vê a necessidade de instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar as denúncias envolvendo o Ministério dos Transportes.

Fonte: Agência Brasil  -  Edição final deste blog

15 julho 2011

Luto


Luto: Faleceu o Dr. Danilo Garcia da Rosa

Acabo de saber que faleceu o meu prezado e estimado tio-avô Danilo Garcia da Rosa. A triste notícia chegou-me através do Blog do amigo Ruy Gessinger. O 'Dr. Danilo' (foto), como era mais conhecido, era advogado e oficial reformado do Exército brasileiro. Foi vereador pelo PDT, Presidente da Câmara de Vereadores de Santiago e do Jockey Club local.

O 'tio Danilo' sempre foi para mim e para meu pai  uma espécie 'mocinho',  intelectual consciente, aventureiro, destemido, além de ser considerado - até pelos adversários - um homem de fibra, corajoso, honrado.   Meu primeiro voto, aliás, foi para ele, no (nem tão) distante ano de 1976, quando elegeu-se vereador pelo MDB (oposição) em Santiago/RS. Bom, tem tantas histórias... que eu deixarei para contar depois...

O velório ocorre na Capela F do Cemitério São Miguel e Almas (Av. Prof. Oscar Pereira, 400 - Porto Alegre/RS). O sepultamento será realizado neste sábado,  16/07, às 11 horas, no mesmo cemitério.
...

*Então, hoje pela manhã - uma manhã cinza e chuvosa aqui na Região Metropolitana de Porto Alegre -  participamos da difícil mas necessária tarefa de  sepultar o 'tio Danilo'. Muitos amigos, familiares, conterrâneos e admiradores presentes.

Agora a pouco, acessando o Blog do meu caro amigo Ruy Gessinger, deparei-me com este belo depoimento, que  dá um pouco da dimensão do que foi e o que representou para a nossa geração o 'Dr. Danilo':

'Quando cheguei a Santiago para assumir como juiz, havia poucos advogados na Comarca e faziam parte da Sub-seção de Santa Maria. Poucos advogados, mas muito bem preparados. Todos, sem nenhuma exceção.
Homens nobres, de fibra, lhanos de trato.
O dr. Danilo tinha a finesse de um nobre, a humildade de um puro, a elegância de um príncipe.
Tinha seus gostos: há que os respeitar.
Entre eles, os cavalos.
Muito amigo, muito cordial. Amava Santiago como poucos.
Talvez tivesse tido adversários. Inimigos, não: nunca o ouvi falar mal de ninguém.
Muita prosa ele e eu tivemos ao pé do fogo. Por ter eu casado com sua sobrinha, me considerava um parente.
A última imagem que guardo dele era seu dorso ereto e altivo sobre um cavalo, lá na nossa estância.

Esse era da verdadeira cepa campeira. Da antiga nobreza rural.'

-(Atualizado às 14,45 h de 16/07/2011) 

O PiG* em ação...


 'Requentando' - Charge do Kayser

*PiG: Partido da Imprensa Golpista

14 julho 2011

Salve o 14 de julho!



* La Marseillais - com Plácido Domingo e coro

A MARSELHESA      

Avante, filhos da Pátria,
O dia da Glória chegou.
O estandarte ensangüentado da tirania
Contra nós se levanta.
Ouvis nos campos rugirem
Esses ferozes soldados?
Vêm eles até nós
Degolar nossos filhos, nossas mulheres.

Às armas cidadãos!
Formai vossos batalhões!
Marchemos, marchemos!
Nossa terra do sangue impuro se saciará!

O que deseja essa horda de escravos
de traidores, de reis conjurados?
Para quem são esses ignóbeis entraves
Esses grilhões há muito tempo preparados?
Franceses! Para vocês, ah! que ultraje!
Que elans deve ele suscitar!
Somos nós que se ousa criticar sobre voltar à antiga escravidão!
Que! essas multidões estrangeiras
Fariam a lei em nossos lares!
Que! as falanges mercenárias
Arrasariam nossos fiéis guerreiros
Grande Deus! por mãos acorrentadas
Nossas frontes sob o jugo se curvariam
E déspotas vis tornar-se-iam
Mestres de nossos destinos!

Às armas cidadãos!
Formai vossos batalhões!
Marchemos, marchemos!
Nossa terra do sangue impuro se saciará!

Estremeçam, tiranos! e vocês pérfidos,
Injúria de todos os partidos,
Tremei! seus projetos parricidas
Vão enfim receber seu preço!
Somos todos soldados para combatê-los,
Se nossos jovens heróis caem,
A França outros produz
Contra vocês, totalmente prontos para combatê-los!


Franceses, em guerreiros magnânimes,
Levem, carreguem ou suspendam seus tiros!
Poupem essas tristes vítimas, que contra vocês se armam a contragosto.
Mas esses déspotas sanguinários
Mas esses cúmplices de Bouillé,
Todos esses tigres que, sem piedade,
Rasgam o seio de suas mães!...

Entraremos na batalha
Quando nossos antecessores não mais lá estarão.
Lá encontraremos suas marcas
E o traço de suas virtudes.
Bem menos ciumentos de suas sepulturas
Teremos o sublime orgulho
De vingá-los ou de seguí-los.


Amor Sagrado pela Pátria
Conduza, sustente nossos braços vingativos.

Liberdade, querida liberdade
Combata com teus defensores!
Sob nossas bandeiras, que a vitória
Chegue logo às tuas vozes viris!
Que teus inimigos agonizantes
Vejam teu triunfo e nossa glória.

Às armas cidadãos!
Formai vossos batalhões!
Marchemos, marchemos!
Nossa terra do sangue impuro se saciará!

             Claude Rouget de Lisle


Queda da Bastilha em 14 de julho de 1789.

13 julho 2011

Porto Alegre - Eleições 2012 - II


PT LANÇOU  HOJE  A 'CARTA A PORTO ALEGRE'

Porto Alegre enche de orgulho quem aqui nasceu, ou a escolheu para morar, e encanta os visitantes. Sua beleza natural, o charme de suas ruas e esquinas tradicionais, a alegria e a inteligência de sua gente compõem as cores de uma cidade multifacetada pela diversidade. A capital dos gaúchos teve um quê de vanguarda, protagonizou momentos importantes da história brasileira com muitas contribuições à democracia e à cidadania deste país. A edição do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, é um exemplo emblemático da importância da nossa gestão na cidade para o mundo. Infelizmente, seus avanços foram paralisados pela inércia das últimas gestões.

Com a participação da população e da Frente Popular, o PT de Porto Alegre teve a honra de ajudar a escrever algumas páginas da trajetória de nossa querida cidade. O PT acumulou, nos 16 anos em que esteve à frente do Paço Municipal, ricas e variadas experiências de gestão e planejamento participativo, além de apostar no controle social sobre o Estado. Num processo de co-gestão da cidade através do Orçamento Participativo, conselhos, movimentos sociais e quatro congressos da cidade foram construídos resultados importantes na melhoria da qualidade de vida e cidadania.

Tivemos a ousadia de inverter prioridades e de formular políticas públicas capazes de enfrentar grandes temas, como a necessidade de reforma urbana à sustentabilidade ambiental, do crescimento econômico às soluções em mobilidade. Tudo isto com a firme decisão de enfrentar o passivo social existente, combatendo de forma corajosa as desigualdades, promovendo a justiça fiscal, o saneamento ambiental, a infraestrutura, a saúde, a educação e a cultura. Fizemos nossas gestões perseguindo o sentido de que só vale a pena governar se for para transformar.

Neste momento, estamos trabalhando para fazer dar certo nossos governos Dilma e Tarso, além de acompanhar e construir as pautas dos movimentos sociais e organizações da sociedade civil que justamente perseguem uma vida digna e plena de direitos. No entanto, o debate eleitoral de 2012 tem sido antecipado. Na imprensa, existem cogitações sobre a posição do PT no próximo ano, quase sempre sem ouvir o ator principal das especulações: o próprio PT, querendo decidir por nós. Por isso, reiteramos que não abriremos mão do nosso protagonismo nas eleições 2012. Através desta carta à cidade, afirmamos que nossa preocupação inicial é com a cidade, sua perspectiva de futuro, com a falta de desenvolvimento da nossa capital e com os problemas que só se agravam.

O governo municipal, desde abril do ano passado dirigido por Fortunati, não só manteve a mesma composição dos partidos de centro e direita e personalidades conservadoras do período Fogaça, como optou pela continuidade de toda a herança das crises na saúde, burocratização e clientelismo do OP, sucateamento da máquina pública e descaso com os servidores públicos, serviços prestados e abandono da cidade.

Queremos retomar na cidade um ambiente com desenvolvimento econômico e social ambientalmente sustentável e de democracia participativa e popular. Conceitos esses, que estiveram expressos e foram vitoriosos em lutas recentes ocorridas na cidade, que combinaram a luta por direito à moradia digna com a preservação da natureza.

O PT e as organizações sindicais, comunitárias, populares e ambientalistas devem trabalhar na constituição de um forte movimento em busca de uma reforma urbana adequada às características de nossa cidade, especialmente prevendo a adequação do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (PDDUA) ao Estatuto da Cidade, e a regularização fundiária, com as demandas dos setores médios pela qualidade ambiental e cultural. Com esta aliança entre o movimento popular e os setores médios é que poderemos recolocar Porto Alegre no patamar de referência internacional de políticas públicas.

A vitória do PT em Porto Alegre passa por um amplo debate com a militância partidária e com a população na construção de um programa de governo democrático e popular, buscando a constituição de uma política de alianças no campo popular e com os movimentos sociais. Este é um convite às organizações sociais para tratar de alternativas ao desenvolvimento da cidade, que privilegiem as dimensões social e ambiental, além de encontrar caminhos para enfrentar o colapso da mobilidade (vias estruturais e transporte coletivo), recuperar a qualidade dos serviços públicos e das políticas de saúde, educação, segurança, cultura e infraestrutura urbana.

Portanto, a representação política e social do PT leva a afirmação legítima do seu protagonismo nas eleições 2012. A democracia que queremos não se encerra nas eleições, mas vai além, com processos de participação popular, oportunizando o encontro de opiniões, ideias, sonhos de uma vida melhor. E é por aí que começamos o debate com a sociedade. Vamos a ele!

Partido dos Trabalhadores de Porto Alegre – Julho de 2011
...

-Leia mais sobre o lançamento da 'Carta a Porto Alegre'  Clicando Aqui
Foto: Vereador Adeli Sell, Presidente do PT da capital gaúcha, fazendo uso da palavra no Ato de lançamento da 'Carta a Porto Alegre' (Créditos: Tatiana Feldens - Asscom/PT/Poa).

-Edição e grifos deste blog

11 julho 2011

Anunciadas novas Escolas Técnicas no RS


SEGUEM OS GRANDES DEBATES NA AL/RS

Secretário de Educação Profissional do MEC anuncia a criação de mais oito Escolas Técnicas no RS

Porto Alegre/RS - Com o Plenário 20 de Setembro da Assembleia Legislativa lotado por representações de vários municípios, deputados federais e estaduais e representantes de importantes setores da educação, o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (MEC), Eliezer Pacheco (foto), participou da audiência pública Expansão da Rede de Educação Profissional e Tecnológica no Rio Grande do Sul, de mais uma edição dos Grandes Debates, promovidos pelo Parlamento gaúcho, em parceria com a Câmara dos Deputados, pelo programa Destinos e Ações para o Rio Grande.

Eliezer fez uma exposição do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego (Pronatec), apresentando as ações que visam ampliar a oferta de vagas na educação profissional brasileira, e do atual panorama do país. “O grande mérito do presidente Lula não foi apenas a expansão, mas, principalmente, ter colocado a educação profissional na pauta do país, pois sempre tivemos um preconceito muito grande com o assunto. Víamos a educação profissional unicamente sob a ótica da formação da mão-de-obra para o capital e não levávamos em consideração a importância da qualificação do trabalhador”, enfatizou.

Dados

Criado em 1990, o Pronatec - cujo projeto de reformulação encontra-se para ser votado pelo Congresso Nacional -, atualmente beneficia estudantes do Ensino Médio da rede pública e trabalhadores, de forma gratuita, a partir de cursos técnicos e da formação inicial e continuada. Segundo Eliezer Pacheco, para o desenvolvimento do programa são usados quatro meios: a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, o Brasil Profissionalizado, Escola Técnica Aberta do Brasil (e-TEC) e Sistema S. “A rede federal conta hoje com 402 unidades em funcionamento, sendo 39 no Rio Grande do Sul. A meta até 2014 é de 555 no Brasil e mais oito no Estado. Cabe dizer que em 2002 tínhamos apenas oito no RS”, ressaltou.

Conforme o secretário, o Brasil Profissionalizado, constituído de convênios para construções, reformas e ampliação de infraestrutura e recursos pedagógicos, atinge 154 escolas técnicas ou de ensino médio de 99 municípios gaúchos, totalizando R$ 54 milhões em investimentos, e o e-TEC abrange 13 municípios do Estado. Já em relação ao Sistema S, o secretário do MEC garantiu que o Senai e o Senac devem aplicar 2/3 (dois terços) da receita na oferta de educação profissional e o SESI e o SESC, 1/3 (um terço).

Entre as iniciativas do Programa, Eliezer Pacheco destacou as bolsas de formação do estudante e do trabalhador. “A bolsa de formação do estudante, por exemplo, pretende ofertar vagas em cursos técnicos concomitantes aos alunos do ensino médio público. Neste ano, temos capacidade para ofertar 125 mil vagas e, até 2014, serão 140 mil”, disse. Ele ainda acrescentou informações sobre o FIES Técnico. “Como tínhamos apenas o FIES para os cursos superiores privados, abrimos uma linha de crédito para facilitar o acesso de estudantes e trabalhadores empregados ao ensino técnico e profissional.”

Proeja

Eliezer Pacheco destacou ainda o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Proeja), que combina a formação inicial e continuada com os ensinos médio e fundamental. De acordo com o debatedor, em 2010 foram investidos R$ 4,4 milhões no Rio Grande do Sul, o que garantiu bons resultados. “O maior problema EJA é a evasão e com o Proeja conseguimos reduzir a evasão significativamente, pois o trabalhador vê no programa uma perspectiva profissional”, revelou Eliezer.

Finalizando, o secretário definiu o Pronatec como uma política pública elaborada por todos os envolvidos na educação do Brasil. “O Pronatec é uma mobilização de todos os ofertantes de educação do país, vertebrado pela rede federal. Às vezes, ouvimos críticas por também colocarmos dinheiro no setor privado, mas nada se compara ao que está sendo investido no setor público. A rede pública não dá conta da demanda atual. Então, a opção é obrigar o setor privado a oferecer vagas gratuitas ou impedir milhões de brasileiros a terem acesso à educação profissional. A educação tem resultados à médio e longo prazos, mas precisamos de respostas imediatas para o país”, disse.

Também estiveram presentes na iniciativa, o presidente da AL/RS, Adão Villaverde (PT); o representante da Câmara dos Deputados, o deputado federal Ronaldo Zülke (PT); o secretário de Estado da Educação, José Clóvis de Azevedo; a secretária de Educação de Porto Alegre, Cleci Jurach; a presidente da Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia, a parlamentar Juliana Brizola (PDT); a relatora da subcomissão de Educação Profissional, deputada Marisa Formolo (PT); e a coordenadora do Comitê Regional pelo Ensino Técnico, deputada Ana Affonso (PT), que entregou requerimento junto à Comissão de Educação, solicitando a realização da audiência pública.

*Fonte: sítio PTSul   - Edição e grifos deste blog

08 julho 2011

'Sou inocente das acusações que me fazem e vou prová-lo no STF'


Aguardo o julgamento do STF com serenidade 

                                            *Por José Dirceu

Muitos de vocês leram hoje as manchetes de vários jornais informando que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou ao Supremo Tribunal Federal as alegações finais da Procuradoria com pedido de condenação de 36 dos 38 da ação penal 447, chamada pela mídia de “mensalão”. Suas acusações contra mim não trazem qualquer prova material ou testemunhal. São meras ilações extraídas de sua interpretação peculiar sobre minha biografia.

A vocês que acompanham minha trajetória de 46 anos dedicados à construção de um Brasil mais justo, democrático e forte, gostaria de dizer que estou tranquilo. Continuarei me defendendo, ainda com mais ânimo e dedicação. Não o faço apenas para demonstrar minha inocência, submetido à agressão constitucional de inversão do ônus da prova, graças à fusão de interesses conservadores. Lutarei com ainda mais energia, porque o que está em jogo, acima da minha honra e liberdade, é a imagem do Partido dos Trabalhadores e do projeto de transformação social que representa.

Este momento não difere de outros em minha vida. Já fui banido pela ditadura militar, quando perdi minha nacionalidade, fui cassado e tive os meus direitos políticos suspensos por 10 anos em 1969. Em 2005, a Câmara dos Deputados me cassou o mandato de deputado federal, que obtive com o voto de mais de 556 mil paulistas. A decisão foi tomada sem provas, num fato inédito na história do país.

Confio no STF

Sou inocente das acusações que me fazem e vou prová-lo no STF, corte que, confio, julgará a ação com base nos autos e nas provas, na Constituição e na lei. Vou aguardar o julgamento com serenidade, pois sei que, ao final desse doloroso processo, se imporá a justiça e cairá por terra a farsa montada contra mim.

Aproveito para agradecer as manifestações de apoio que tenho diariamente recebido de amigos, militantes, apoiadores ou, simplesmente, de brasileiros que não concordam com o achincalhamento público que tenho sofrido nos últimos seis anos.

*José Dirceu (foto) foi líder estudantil,  preso político e esteve exilado pela ditadura militar. Retornou clandestinamente ao Brasil e continuou a luta pelas liberdades democráticas. Ex-ministro do governo Lula, ex-deputado federal, foi também fundador e Presidente Nacional do Partido dos Trabalhadores. É advogado e consultor. Integra a  Direção Nacional do PT e edita o Blog do Zé Dirceu (fonte desta postagem).

05 julho 2011

Debate

                          Capitalismo e  reforma






 Por

Wladimir Pomar* 

As críticas de ultra-esquerda aos governos Lula e Dilma continuam batendo na tecla de que ambos não fazem nada mais do que consolidar o capitalismo no Brasil. Lula não teria discutido, e Dilma continuaria sem discutir, a reforma da educação, que deveria abarcar os conceitos de amplitude e horizontalização. Nem a reforma agrária, que continuaria escondida, como se não fosse necessária. Nem a reforma urbana, abarcando os problemas relacionados com os locais onde as pessoas vivem, trabalham e circulam.

O mesmo estaria acontecendo com a reforma da saúde e dos transportes públicos, com a proteção ambiental e da qualidade do solo, do ar e da água, assim como com o volume de investimento em ciência, tecnologia e pesquisa. A diferença entre a privatização anterior e a privatização dos governos petistas estaria em que estes colocariam as empresas públicas como instrumento a favor dos interesses privados. Portanto, o que existiria seria o aprofundamento do capitalismo.

Dilma estaria, assim, reforçando as tendências neoliberais, ao mesmo tempo em que daria continuidade ao assistencialismo do Programa Bolsa Família. No entanto, ainda segundo a ultra-esquerda, o que o Brasil precisaria seria autonomia, promoção da independência, que só se faria com reformas urbana, agrária, na educação, nos transportes e na infra-estrutura, para transformar a sociedade. Isto ainda não seria uma revolução, mas seria uma reforma que reestruturaria o que existe, dando à sociedade novo sentido, direção e conteúdo.

Convenhamos, se é isso o que a ultra-esquerda pretende, ela está perdendo o fôlego. Ela já se contenta em reestruturar o que existe (o capitalismo), dando a essa sociedade (capitalista) um novo sentido, direção e conteúdo, através da educação e das reformas urbana, agrária, nos transportes e na infra-estrutura, e da autonomia e independência. Que diferença tem isso com a consolidação e aprofundamento do capitalismo que, segundo ela, Dilma estaria realizando?

Um dos problemas da ultra-esquerda é que continua não distinguindo neoliberalismo de liberalismo. É verdade que ambas são políticas oriundas do capitalismo, do mesmo modo que o democratismo burguês. No entanto, do mesmo modo que o liberalismo foi a política de superação do democratismo burguês, o neoliberalismo é a política de superação do liberalismo.

O democratismo burguês marcou a revolução burguesa, prometendo liberdade, fraternidade e igualdade para todos, enquanto o liberalismo, que o sucedeu, fincou pé na liberdade de compra e venda da força de trabalho pelo capital, na fraternidade da paz social, mesmo que com o auxílio das baionetas, e na igualdade formal das oportunidades, mesmo que a igualdade formal do sufrágio universal tivesse de ser conquistada nas barricadas. De qualquer modo, o liberalismo marcou o período de consolidação do capitalismo, no qual todos os seus ramos gozavam de liberdade, fraternidade e igualdade na concorrência do mercado.

O neoliberalismo, por sua vez, exacerbou a chamada livre competição, mas num período em que o grau de concentração e centralização de algumas corporações empresariais transnacionais alcançaram tal nível que elas negam a competição. Praticam o monopólio e o oligopólio, especialmente financeiro, com preços administrados, que lhes permitem lucros máximos. O neoliberalismo sucedeu o liberalismo, tornando-se política específica das grandes corporações transnacionais, que inclui a destruição das grandes, médias e pequenas empresas capitalistas que lhes fazem cócegas.

A política neoliberal teve como vertente principal as recomendações do Consenso de Washington, que propugnavam a total desregulamentação econômica, financeira e trabalhista, o fim das barreiras nacionais ao livre comércio, a privatização de todos os ativos estatais e públicos e a desmontagem dos Estados nacionais e sua transformação em Estados mínimos, responsáveis por políticas sociais compensatórias.

Paralelamente, como vertente secundária e complementar, a política neoliberal compreendia a financeirização das corporações e a especulação financeira como elementos importantes na maximização dos lucros, e a segmentação dos elos das cadeias produtivas das corporações e sua re-localização em países e regiões que oferecessem melhores condições de mão-de-obra barata, infra-estrutura menos onerosa e estabilidade política e social. O conjunto das vertentes acima é o que se convencionou chamar de globalização.

Nos países que em que seus governos capitularam à vertente das recomendações neoliberais do Consenso de Washington, realizando uma inserção subordinada na globalização, esta representou um desastre, como aconteceu especialmente no Brasil e América Latina, levando à quebradeira do parque industrial e do Estado, e à destruição de uma parte da burguesia local.

No entanto, nos países que não aceitaram o Consenso de Washington, mas aproveitaram o processo de segmentação corporativa das cadeias produtivas para industrializar-se e desenvolver suas forças produtivas, ingressando de forma soberana na globalização, esta contribuiu para sua emergência como novas potências econômicas, reforçando seu capitalismo liberal, seu Estado e, em vários casos, também suas empresas estatais.

Esse duplo resultado do neoliberalismo o levou a perder a hegemonia que alcançara nos anos 1990. O Brasil e vários países da América Latina, que sofreram as conseqüências do Consenso de Washington, têm procurado, desde o início dos anos 2000, ingressar na senda da vertente desenvolvimentista aberta pelos países emergentes, em contraposição àquele Consenso, embora ainda sofrendo a pressão neoliberal. Afinal, o neoliberalismo das corporações transnacionais perdeu terreno, especialmente para o liberalismo, mas não morreu.

Portanto, se quisermos examinar as políticas do governo Lula e Dilma, e não fizermos qualquer distinção entre neoliberalismo e liberalismo, estaremos confundindo a burguesia industrial e comercial com a burguesia financeira, e as empresas nacionais médias e grandes com as empresas corporativas transnacionais. Estaremos colocando tudo num mesmo saco, sem saber o que fazer com suas contradições. O resultado só poderá ser o parto de um rato, como essa reforma de transformar a sociedade através de reformas que não tocam na propriedade dos meios de produção.

*Wladimir Pomar (foto) é escritor e analista político.

Fonte: Correio da Cidadania

03 julho 2011

Solidariedade a Cuba


Brasileiros reafirmam solidariedade à Revolução Cubana

Havana - Granma Internacional - No  último domingo, 26 de junho, em São Paulo, foi encerrada a 19ª Convenção de Solidariedade a Cuba. Os mais de 500 participantes reafirmaram seu respaldo à Revolução cubana e expressaram seu compromisso para incrementar as ações em favor da ilha caribenha.

A Carta de São Paulo, documento que é a declaração final do encontro realizado no Memorial da América Latina, uma das mais belas obras do famoso arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, exalta o crescimento da solidariedade a Cuba neste imenso país sul-americano.

"Diante das ameaças dos Estados Unidos, os que apoiam a Revolução cubana devem estar cada vez mais organizados em sua defesa e para isso nossas campanhas de informação, manifestações nas ruas e pronunciamentos de parlamentares precisam avançar", indica o texto.

Os brasileiros amigos da ilha caribenha concordaram em intensificar as ações em favor da libertação dos cinco antiterroristas cubanos Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, Fernando González, Ramón Labañino e Renê González, presos injustamente nos Estados Unidos há quase 13 anos.

CONTRA O BLOQUEIO

Igualmente, prosseguir na luta pelo fim do criminoso bloqueio econômico, financeiro e comercial que há mais de meio século Washington mantém contra Havana, no vão intento de render o povo cubano que, pelo contrário, resiste e mantém vivo seu espírito internacionalista.

Diante das mentiras e tergiversações da grande imprensa de direita do Brasil sobre a realidade cubana, os brasileiros amigos da ilha destacaram a necessidade de trabalhar para romper esse bloqueio midiático.

Para melhorar e aperfeiçoar esse trabalho no Brasil, os participantes na 19ª Convenção destacaram a importância de enviar uma delegação ao 6º Encontro Continental de Solidariedade a Cuba, que será realizado no México, de 6 a 9 de outubro deste ano.

Os convencionais brasileiros exaltaram a necessidade de acompanhar a postura do Brasil na Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a ser criada nos dias 5 e 6 de julho próximo em Caracas, Venezuela, como parte do bicentenário da independência de várias nações da região.

Os delegados assumiram a tarefa de fortalecer a atividade de divulgação dos objetivos da atualização do modelo econômico cubano, discutidos amplamente pelo povo e aprovados no 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba e destinados a aperfeiçoar o socialismo na ilha caribenha.

Da Convenção de Solidariedade a Cuba, organizada pelo Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba, participaram representantes de 16 dos 27 estados brasileiros, assim como uma delegação cubana, encabeçada pela presidente do Instituto Cubano de Amizade com os Povos, Kenia Serrano.

Magali Llort, deputada e mãe de Fernando González, um dos cinco cubanos lutadores contra o terrorismo; Zuleika Romay, presidente do Instituto Cubano do Livro; o coronel da reserva, José Ramón Herrera; a professora do Instituto de Relações Internacionais, Nidia María Alfonso e a jornalista Rosa Miriam Elizalde, coordenadora do site Cubadebate, também integravam a delegação cubana.

AGRADECIMENTO EMOCIONADO

O ato final da convenção foi marcado por muita emoção. Realizado no Memorial da Resistência, instalado no edifício onde funcionava o DOPS, na época da ditadura militar, militantes perseguidos pela ditadura que foram acolhidos em Cuba agradeceram à ilha caribenha pela solidariedade.

Os ex-presos políticos Ivan Seixas, Damaris Lucena, Elsa Lobos e Clara Sharf rememoraram a época de luta contra o regime militar e a firme colaboração da Revolução cubana com todos os companheiros perseguidos.

Seixas contou que nas reuniões dos grupos armados escutavam a Rádio Havana de Cuba, que era uma inspiração muito grande e uma alegria imensa, cada vez que escutavam notícias de que alguns dos companheiros de luta tinham conseguido chegar à ilha.

"Agradecemos por tudo o que fizeram por nós e nós faremos tudo o que pudermos por Cuba".

Damaris Lucena rememorou os horrores vividos na prisão durante a ditadura militar e recordou que foi uma das prisioneiras trocadas pelo cônsul japonês Nobuo Okushi e enviada ao México com seus filhos.

Ela contou que estando no México foi convidada a viajar a Cuba com seus familiares.

"Cuba é meu segundo país e os cubanos são meus irmãos", disse emocionada. "Tudo o que eu e meus filhos tenhamos que fazer por Cuba, faremos", declarou.

Também Elsa Lobo expressou sua eterna gratidão a Cuba pela formação que recebeu nesse país maravilhoso, e exaltou a colaboração recebida de diplomatas cubanos em diferentes países quando trabalhou em um organismo das Nações Unidas ou teve que exilar-se em Paris.

Com lágrimas nos olhos, Clara Sharf, companheira do líder comunista Carlos Marighella, assassinado pela ditadura militar, manifestou a estreita relação existente entre Marighella e a Revolução cubana, assim como seu trabalho na criação das primeiras associações de solidariedade a Cuba no Brasil.

Kenia Serrano, presidente do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (Icap) disse que este ato de agradecimento a seu país se converte em uma oportunidade para que Cuba agradeça aos brasileiros por sua combatividade, solidariedade e apoio ao direito à existência do processo revolucionário cubano.


*Edição e grifos deste blog

02 julho 2011

Abrigo de Vagabundo



*Abrigo de Vagabundo - De Adoniran Barbosa, com  Clara Nunes e o Autor.
(Gravado em agosto de 1979)

Johnbim


No aniversário de FHC, Nelson Jobim joga seu cargo no ventilador

Leandro Fortes*  escreve:

Isolado dentro do Ministério da Defesa desde a chegada do ex-deputado petista José Genoíno, o ministro Nelson Jobim aproveitou um evento tucano – o aniversário de 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – para destilar o fel do ressentimento. Após entoar o que ele mesmo classificou de “monólogo” pró-FHC, Jobim disse que faria um discurso “cheio de vazios”, mas que o amigo tucano iria entendê-los. Diante de uma platéia hostil ao governo, Jobim chegou a anunciar que estava no cargo, exclusivamente, por vontade de FHC. “Se estou aqui, foi por tua causa”, discursou o ministro, para espanto até dos tucanos presentes. Mesmo no evento, todos sabiam que Jobim foi para o cargo, e se mantém até hoje, por causa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No tal discurso, Nelson Jobim sequer falou no nome da presidenta Dilma Rousseff, com quem mantém uma relação superficial e conflituosa, desde que foi obrigado a voltar atrás e apoiar o projeto de criação da Comissão da Verdade, que irá investigar os crimes cometidos durante a ditadura militar. Em 2009, Jobim chegou a anunciar que iria se demitir, junto com os comandantes militares, caso o texto da terceira edição do Plano Nacional de Direitos Humanos não fosse modificado. Para evitar a crise, Lula retirou do documento o termo “repressão política” para se referir à atuação dos quartéis na tortura, assassinato e desaparecimento forçado de presos políticos.

O motim contra o PNDH-3, contudo, foi a última performance de sucesso de Nelson Jobim (foto acima), ministro civil afeito a usar uniformes militares quando está junto de generais. No governo Dilma, foi obrigado a engolir a nomeação de José Genoíno como “assessor especial” e perdeu quase todas as atribuições de relevância da pasta, inclusive o controle sobre as operações militares. No caso da Comissão da Verdade, acabou informalmente subordinado a Genoíno e à ministra Maria do Rosário, secretária nacional de Direitos Humanos.

Foi no rastro desses acontecimentos que Jobim se exasperou diante de FHC, de quem foi ministro da Justiça e a quem deve a indicação ao Supremo Tribunal Federal, onde esteve por dois anos. À vontade na festa tucana, o ministro fez coro às críticas da oposição e de parte da mídia ao estilo de Dilma. Como contraponto, rasgou seda para FHC. “Nunca o presidente (FHC) levantou a voz para ninguém. Nunca criou tensionamento entre aqueles que te assessoravam”. E foi além, ao insinuar que os governos Lula e Dilma demoliram o que ele chamou de “processo político de tolerância, compreensão e criação”, supostamente construído nos tempos do tucanato. “Precisamos ter presente, Fernando, que os tempos mudaram”, falou a FHC.

O arremate final, quase um pedido público de demissão, foi uma citação do dramaturgo Nelson Rodrigues. “Ele dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos. O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia”, afirmou. “E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento”. Mais explícito, impossível.

*Jornalista  - artigo postado originalmente no sítio da  revista Carta Capital
...

*Nota do blog: A propósito deste interessante artigo do jornalista Leandro Fortes, é oportuno colocar aqui o comentário realizado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim - autor do codinome (apropriado, diga-se de passagem) 'Johnbim', que ilustra a chamada da postagem -  no seu blog Conversa Afiada:  

"O Globo informa que o Ministério da Defesa não divulgou nenhuma nota sobre o assunto.
Ou seja, Johnbim não deu nenhuma explicação que pudesse consertar a ofensa política que fez, de público, à Presidenta, ao Nunca Dantes e ao Governo dos dois a que jurou servir.
Johnbim adotou o estilo do ACM, o grande herói da Arena e do PFL: ofender em público e pedir desculpas no privado.
Não há meias palavras: “os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos. O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia.”
Johnbim não tem condições de ficar.
É um caluniador vulgar.
É um tucano fora do ninho.
Tem a linguagem e a elegância de seu melhor e talvez único amigo: o Padim Pade Cerra."

01 julho 2011

Desaparecidos



 
OS DESAPARECIDOS
 
De repente, naqueles dias, começaram
a desaparecer pessoas, estranhamente.
Desaparecia-se. Desaparecia-se muito
naqueles dias.

Ia-se colher a flor oferta
e se esvanecia.
Eclipsava-se entre um endereço e outro
ou no táxi que se ia.
Culpado ou não, sumia-se
ao regressar do escritório ou da orgia.
Entre um trago de conhaque
e um aceno de mão, o bebedor sumia.
Evaporava o pai
ao encontro da filha que não via.
Mães segurando filhos e compras,
gestantes com tricots ou grupos de estudantes
desapareciam.
Desapareciam amantes em pleno beijo
e médicos em meio à cirurgia.
Mecânicos se diluiam
- mal ligavam o tôrno do dia.

Desaparecia-se. Desaparecia-se muito
naqueles dias.
Desaparecia-se a olhos vistos
e não era miopia. Desaparecia-se
até a primeira vista. Bastava
que alguém visse um desaparecido
e o desaparecido desaparecia.
Desaparecia o mais conspícuo
e o mais obscuro sumia.
Até deputados e presidentes esvaneciam.
Sacerdotes, igualmente, levitando
iam, arefeitos, constatar no além,
como os pescadores partiam.

Desaparecia-se. Desaparecia-se muito
naqueles dias.
Os atores no palco
entre um gesto e outro, e os da platéia
enquanto riam.
Não, não era fácil ser poeta naqueles dias.
Porque os poetas, sobretudo
- desapareciam.
Se fosse ao tempo da Bíblia, eu diria
que carros de fogo arrebatavam os mais puros
em mística euforia. Não era. É ironia.
E os que estavam perto, em pânico, fingiam
que não viam. Se abstraíam.
Continuavam seu baralho a conversar demências
com o ausente, como se ele estivesse ali sorrindo
com suas roupas e dentes.

Em toda família à mesa havia
uma cadeira vazia, a qual se dirigiam.
Servia-se comida fria ao extinguido parente
e isto alimentava ficções
- nas salas e mentes
enquanto no palácio, remorsos vivos boiavam
- na sopa do presidente.
As flores olhando a cena, não compreendiam.
Indagavam dos pássaros, que emudeciam.
As janelas das casas, mal podiam crer
- no que viam.
As pedras, no entanto,
gravavam os nomes dos fantasmas
pois sabiam que quando chegasse a hora,
por serem pedras, falariam.

O desaparecido é como um rio:
- se tem nascente, tem foz.
Se teve corpo, tem ou terá voz.
Não há verme que em sua fome
roa totalmente um nome. O nome
habita as vísceras da fera
Como a vítima corrói o algoz.

E surgiam sinais precisos
de que os desaparecidos, cansados
de desaparecerem vivos
iam aparecer mesmo mortos
florescendo com seus corpos
a primavera de ossos.

Brotavam troncos de árvores,
rios, insetos e nuvens em cujo porte se viam
vestígios dos que sumiam.

Os desaparecidos, enfim,
amadureciam sua morte.

Desponta um dia uma tíbia
na crosta fria dos dias
e no subsolo da história
- coberto por duras botas,
faz-se amarga arqueologia.

A natureza, como a história,
segrega memória e vida
e cedo ou tarde desova
a verdade sobre a aurora.

Não há cova funda
que sepulte
- a rasa covardia.
Não há túmulo que oculte
os frutos da rebeldia.
Cai um dia em desgraça
a mais torpe ditadura
quando os vivos saem à praça
e os mortos da sepultura.
  
Affonso Romano de Sant'Anna

Grandes Debates


 Brasil Sem Miséria em debate na AL/RS

Ministra Tereza Campello é a palestrante desta sexta-feira nos 'Grandes Debates' da Assembleia Legislativa do RS

Porto Alegre/RS - AL/RS - Os Grandes Debates da Assembleia Legislativa (AL/RS), promovidos pelo programa Destinos e Ações para o Rio Grande, serão retomados nesta sexta-feira (1º/07), com a Conferência Estadual sobre o plano Brasil Sem Miséria - Erradicação da Miséria no RS, com  a participação da ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello. O evento ocorre às 9h30, no Plenário da AL/RS. A ministra fará conferência sobre o ousado plano do governo federal O Brasil Sem Miséria para retirar 16 milhões de brasileiros da extrema pobreza até 2014, por meio de ações de transferência de renda, acesso a serviços públicos e inclusão produtiva. Participam também do evento o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT); o prefeito José Fortunati (PDT); o presidente da Famurs, Mariovane Weis (PDT), além de deputados federais e estaduais, prefeitos, lideranças sindicais e comunitárias. 

O presidente da ALRS, deputado Adão Villaverde (PT), destaca que a ideia dos Grandes Debates é ousada e só foi viabilizada a partir de uma relação muito estreita com o conjunto da sociedade. Enaltece também a decisão conjunta entre os quatro partidos que compõem a atual Mesa Diretora, de uma gestão compartilhada, que dará sequência à proposta nos quatro anos da atual legislatura. “Este é um conceito desta gestão, de que é preciso fortalecer nossas instituições”, afirma. “As ações concretas e objetivas que sairão destes debates serão encaminhadas aos governos estadual e federal como contribuição para a tomada de medidas e ações que a sociedade está pedindo”, diz. (...)

-Para ler a matéria, na íntegra, Clique Aqui

Foto: Ministra  Tereza Campello sendo recebida pelo presidente da AL/RS, Deputado Adão Villaverde (PT). - Créditos da foto: Imprensa da AL/RS.