Balanço de campo e cidade aponta 'guinada' no Planalto e lista entraves impostos pela direita no Congresso
Por Rodrigo Chagas*
Em 2025, movimentos populares do campo e da cidade voltaram às ruas e às redes, unificaram pautas e arrancaram vitórias importantes na disputa com um Congresso hostil. O ano marcou, na avaliação dessas organizações, uma saída da defensiva e a retomada de capacidade de iniciativa, com impacto direto na agenda nacional e na correlação de forças.
É a partir dessa leitura que o Brasil de Fato ouviu oito lideranças e lutadores populares para fazer um balanço do ano. A reportagem reúne as avaliações sobre os principais embates do terceiro governo Lula em 2025, as contradições e limites impostos pelo Legislativo e pelas elites econômicas e as projeções de luta que começam a desenhar o cenário de 2026.
Nas entrevistas, uma ideia aparece como síntese do período: a pressão popular ajudou a empurrar o Palácio do Planalto para uma postura mais altiva e combativa na defesa da soberania e no enfrentamento aos interesses do andar de cima. Essa mudança é localizada sobretudo no segundo semestre, quando a disputa com o Congresso se intensificou e a mobilização social ganhou escala, em uma conjuntura que, segundo as fontes, também foi marcada por tensões internacionais e pela reorganização da extrema direita.
A reorganização do campo popular teve como eixo uma aposta de unidade: o Plebiscito Popular, realizado nacionalmente a partir de 1º de julho. A consulta reuniu três perguntas, sobre taxação dos super-ricos, isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 e fim da escala 6×1. Na reta final, o processo ampliou o prazo até 12 de outubro, com mutirões de votação, e, em quatro de novembro, o resultado foi entregue ao presidente do Senado, com a marca de “mais de dois milhões” de votos.
A iniciativa, avaliam entrevistados, ajudou a dar forma a uma agenda classista capaz de dialogar com o cotidiano e reabrir a disputa política. “A principal vitória foi a gente ter demonstrado capacidade de iniciativa política das organizações em unidade”, disse Camila Morais, do Levante Popular da Juventude. Na mesma direção, Ana Priscila, da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), afirmou que 2025 foi o ano em que o campo popular conseguiu avançar do esforço de “leitura” para a “ação” coletiva. “A gente viu que a pauta da escala 6×1 tava ganhando muita força nas ruas”, avaliou, ao defender que vitórias só viriam com pressão popular, e não apenas por negociação institucional.
Ao longo da reportagem, as avaliações também destacam que o enfrentamento ao Congresso se tornou um eixo incontornável. “As ambições mais genuínas de um progressismo estão bloqueadas pelas ambições nada republicanas do centrão”, analisou Charles Trocate, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM). Para Ana Carolina Vasconcelos, do Movimento Brasil Popular, o governo passou a apostar mais na politização social em meio aos impasses no Legislativo. Gilmar Mauro, do MST, sintetizou a lição do período ao afirmar que “não dá mais para governar à frio”. (...)
*CLIQUE AQUI para ler na íntegra (via BrasildeFato)

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