10 maio 2026

Confira todos os pontos da excelente entrevista do presidente Lula nos Estados Unidos*

Lula defendeu a soberania brasileira, cobrou multilateralismo, criticou guerras e anunciou avanços em comércio, minerais críticos e combate ao crime

   Presidente Lula durante coletiva de imprensa nos EUA (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Lula concedeu uma longa entrevista coletiva em Washington após a reunião de três horas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e apresentou um balanço detalhado das conversas entre os dois governos. A coletiva, transmitida ao vivo pela TV 247, abordou temas centrais da relação bilateral, como comércio, tarifas, crime organizado, minerais críticos, soberania nacional e geopolítica internacional.

Ao lado de ministros brasileiros, Lula afirmou que o encontro marcou “um passo importante” na reconstrução das relações entre Brasil e Estados Unidos e destacou que o Brasil está disposto a dialogar “com qualquer país do mundo”, sem abrir mão da democracia e da soberania nacional.

Lula diz que Brasil e Estados Unidos deram “passo importante”

Lula afirmou que a reunião consolidou uma nova etapa na relação bilateral entre os dois países.

“Eu saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática, histórica que o Brasil tem com os Estados Unidos”, declarou.

Segundo ele, o Brasil quer ampliar a cooperação econômica com os Estados Unidos sem abandonar a política externa multilateral. O presidente lembrou que os EUA foram historicamente o principal parceiro comercial do Brasil durante o século XX, mas perderam espaço para a China a partir de 2008.

“O Brasil passou a ter na China o seu principal parceiro comercial”, afirmou.

Lula disse ter explicado a Trump que os Estados Unidos precisam voltar a olhar para a América Latina com mais interesse econômico e estratégico.

Comércio e tarifas dominaram parte da conversa

Um dos principais temas tratados foi o impasse comercial envolvendo a chamada “sessão 301”, mecanismo usado pelos Estados Unidos para investigar práticas comerciais consideradas desleais.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo brasileiro reiterou aos norte-americanos que não há justificativa para sobretaxas contra produtos brasileiros.

Lula explicou que propôs um prazo de 30 dias para que equipes técnicas dos dois países encontrem uma solução.

“Quem tiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder”, afirmou.

O presidente também rebateu críticas sobre tarifas brasileiras.

“A média do imposto que nós cobramos de vocês é 2.7%”, disse.

Segundo Lula, o objetivo é impedir que a burocracia paralise os acordos.

“A máquina pública é eterna. O presidente tem prazo de validade”, declarou.

Lula critica unilateralismo e defende multilateralismo

Durante a coletiva, Lula voltou a defender o fortalecimento do multilateralismo e criticou políticas unilaterais adotadas por grandes potências.

O presidente afirmou que o acordo entre Mercosul e União Europeia, além de negociações com Canadá, Japão e Singapura, fazem parte da estratégia brasileira para fortalecer a integração global.

“Isso dá uma dimensão de defesa do multilateralismo contra o unilateralismo colocado em prática pelas taxações do presidente Trump”, afirmou.

Combate ao crime organizado foi tema central

Lula afirmou que o combate ao crime organizado internacional foi tratado “muito seriamente” na reunião.

Segundo ele, o Brasil quer construir uma cooperação internacional ampla contra facções criminosas, tráfico de drogas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

“O território de uma cidade, de um bairro, é do povo, não é de crime organizado”, declarou.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, detalhou que Brasil e Estados Unidos ampliaram a cooperação entre aduanas e órgãos financeiros para combater lavagem de dinheiro e tráfico internacional.

Segundo Haddad, operações conjuntas permitiram apreender mais de meia tonelada de armas irregulares vindas dos Estados Unidos entre maio de 2025 e abril de 2026.

O ministro também revelou que mais de uma tonelada de drogas sintéticas provenientes dos Estados Unidos foi identificada no Brasil.

Lula anunciou ainda que o governo brasileiro lançará um novo plano nacional de combate ao crime organizado.

“Quem escapou até a semana que vem, tudo bem. Quem não escapou, não vai escapar mais”, afirmou.

Minerais críticos e terras raras entram no centro da estratégia brasileira

Outro tema de destaque foi a exploração de minerais críticos e terras raras.

Lula afirmou que o Brasil aprovou um novo marco regulatório para garantir soberania sobre esses recursos estratégicos e atrair investimentos internacionais.

“O Brasil não quer ser mero exportador dessas coisas”, declarou.

O presidente disse que o país pretende desenvolver internamente a cadeia industrial ligada aos minerais críticos.

“Nós queremos fazer a mineração, a separação e produzir a riqueza que essas terras raras nos oferecem”, afirmou.

O ministro Alexandre Silveira ressaltou que o Brasil está aberto a investimentos de Estados Unidos, China, Alemanha, França e outros países.

“O Brasil é solo fértil para investimentos pela sua segurança jurídica”, declarou.

Lula critica guerras e cobra reforma da ONU

A coletiva também teve forte conteúdo geopolítico. Lula voltou a criticar guerras e defendeu uma reforma urgente da Organização das Nações Unidas.

“O mundo está precisando de paz”, afirmou.

O presidente disse ter conversado com Trump sobre a necessidade de ampliar o Conselho de Segurança da ONU, incluindo países como Brasil, Índia, México, Japão, Alemanha e nações africanas.

“A geopolítica de 2026 não é a geopolítica de 1945”, declarou.

Lula também afirmou que discutiu a guerra entre Rússia e Ucrânia, os conflitos no Oriente Médio e a situação do Irã.

“Eu acredito muito mais no diálogo do que na guerra”, afirmou.

Lula volta a defender acordo nuclear com o Irã

O presidente revelou que entregou novamente a Trump o acordo nuclear firmado em 2010 entre Brasil, Turquia e Irã.

Segundo Lula, o documento demonstrava que era possível negociar soluções diplomáticas para o enriquecimento de urânio iraniano.

“É possível convencer”, afirmou.

O presidente voltou a defender o desarmamento nuclear global e criticou a ampliação dos arsenais atômicos.

“Quando o mundo tiver nessa turbulência, muita gente se arvora no direito de fazer bomba atômica”, disse.

Lula rejeita interferência estrangeira nas eleições brasileiras

Questionado sobre eventual influência de Trump na política brasileira, Lula afirmou que não acredita em interferência externa nas eleições do Brasil.

“Quem vai decidir a eleição brasileira é o povo brasileiro”, declarou.

O presidente também criticou qualquer tentativa de um governo estrangeiro interferir em processos eleitorais de outros países.

“Não é uma boa política um presidente de outro país ficar interferindo nas eleições de outro país”, afirmou.

Brasil quer regulamentar plataformas digitais sob soberania nacional

Lula afirmou que também discutiu a atuação de plataformas digitais estrangeiras no Brasil.

Segundo ele, o país não pretende proibir empresas norte-americanas, mas quer que todas operem sob regras brasileiras.

“O que nós queremos é o seguinte: entra qualquer plataforma de qualquer país do mundo no Brasil sob a regulamentação soberana do Brasil”, declarou.

Lula faz piada com Trump sobre a Copa do Mundo

Em tom descontraído, Lula contou que brincou com Trump sobre a próxima Copa do Mundo.

“Eu espero que você não venha anular o visto dos jogadores brasileiros”, disse Lula ao presidente norte-americano.

Segundo o presidente brasileiro, Trump reagiu com risadas.

“Ele riu porque agora ele vai rir sempre”, brincou Lula.

Presidente encerra coletiva dizendo que voltou mais otimista

Ao final da entrevista, Lula afirmou que deixou Washington confiante nos resultados futuros da relação bilateral.

“Volto pro Brasil mais otimista”, declarou.

O presidente reforçou que o Brasil está disposto a construir parcerias internacionais sem vetos ideológicos.

“O Brasil está disposto a construir parcerias onde eles quiserem construir parcerias. Não tem veto aos Estados Unidos, como não tem veto à China”, afirmou.

*Fonte: Redação do Brasil247

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