Em jantar com a elite paulistana, Kassab, vice de Caiado e presidente do PSD, diz que o Centrão fechou com Lula — e que isso sepulta a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Por Renato Rovai*
Em jantar com a elite paulistana na casa do ex-tucano Andrea Matarazzo, o presidente do PSD e vice na chapa de Ronaldo Caiado afirmou que o Centrão fechou com Lula e que isso inviabiliza a candidatura do filho de Bolsonaro
Gilberto Kassab não é homem de fazer prognóstico eleitoral por impulso. Kassabão é a raposa felpuda mais experiente do Centrão, presidente nacional do PSD e agora vice na chapa de Ronaldo Caiado — e quando ele fala algo em público, é porque já fez a conta do que isso pode render.
Além de Andrea Matarazzo e de empresários paulistas, o jantar teve “figuras ilustres” como o ex-ministro da Saúde Mandetta e a eterna socialité Narcisa Tamborindeguy do “ai que loucura”.
Era a plateia certa para esse tipo de recado: não é para o eleitor, é para o mercado e para o próprio Centrão se convencer de que apostar no filho de Bolsonaro é apostar no cavalo errado.
“Quando a campanha começar, isso vai ficar claro”, disse Kassab, explicando que o Centrão, ao não fechar com Flávio, já declarou — na prática — que seu candidato é Lula.
Aqui está o ponto que poucos analistas e comentaristas estão captando: essa frase não é retórica de bastidor. Ela tem efeito prático, mensurável, no horário eleitoral gratuito.
90% do tempo de TV e rádio é distribuído proporcionalmente ao tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados. Isso significa que, quando partidos do Centrão — Republicanos, PP, União Brasil — deixam de compor com Flávio, o tempo desses partidos simplesmente some do lado bolsonarista e é dividido por todos os outros. O que favorece Lula e o próprio PSD.
Foi exatamente isso que Kassab descreveu ao dizer que o PSD sai de 30 segundos para 2 minutos e 20 — o que ele, com o humor ácido de sempre, chamou de tempo de “uma novela”.
Ainda há outro efeito essa distribuição do tempo de propaganda, Lula poderá fazer duas coisas ao mesmo tempo — mostrar o que fez de concreto no governo e desconstruir Flávio Bolsona, expondo o entorno dele.
Foi essa a aposta que o próprio Kassab fez no jantar. Que durante a campanha, Lula vai destruir Flávio.
O recado por trás do recado é o seguinte: o Centrão, que historicamente se vende ao melhor pagador e evita compromisso público antes da hora, já escolheu de que lado vai ficar. E quando o fisiologismo se antecipa dessa forma, é porque a conta interna do poder já foi fechada. Ou seja, o cavalo já passou selado. E o nome dele é Lula, segundo Kassab.
*Via Revista Fórum

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