12 setembro 2019

OAB denuncia governo Bolsonaro na ONU por posições sobre ditadura militar


Ordem dos Advogados do Brasil ainda pediu que as Nações Unidas 'redobrem a atenção para esse grave retrocesso institucional no Brasil'

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em parceria com o Instituto Vladimir Herzog, denunciou nesta quinta-feira (11/09) à Organização das Nações Unidas (ONU) as ameaças do governo do presidente Jair Bolsonaro contra o "frágil processo de redemocratização" no país, após o mandatário iniciar um desmonte dos mecanismos de justiça e memória sobre a ditadura militar brasileira. A OAB ainda pediu para que a ONU "redobre a atenção" com governo Bolsonaro sobre as posturas do presidente em relação ao regime militar e as práticas de tortura e perseguição política realizadas à época.
"As políticas de justiça de transição estão sendo desmanteladas, seja por subfinanciamento ou pela substituição de funcionários por membros que não têm experiência ou afinidade com o tema e que, às vezes, minam o sofrimento dos sobreviventes e as atrocidades cometidas durante a ditadura", disse o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Hélio Leitão, em discurso na ONU. (...)
CLIQUE AQUI para ler na íntegra (via Ópera Mundi).

CHARGE



*Charge do Beto

11 setembro 2019

Neoliberalismo precisa da violência, diz historiadora sobre 46 anos do golpe no Chile

Segundo Joana Salém, com Bolsonaro, Brasil enfrenta um “choque neoliberal” inspirado no modelo da ditadura de Pinochet

Na manhã do dia 11 de setembro, de 1973, Salvador Allende anuncia resistência ao golpe no Palácio La Moneda, no Chile / Foto: Luis Orlando Lagos Vásques

Em entrevista concedida à imprensa internacional em novembro de 2017, o ainda pouco conhecido Paulo Guedes, cotado para chefiar o Ministério da Economia, já sinalizava qual seria sua política frente à pasta em uma eventual vitória de Jair Bolsonaro. “Os últimos trinta anos foram um desastre – corrompemos a democracia e estagnamos a economia […] Deveríamos ter feito o que os Chicago Boys defendiam”.
O apelido, originalmente jocoso, foi dado a um grupo de jovens responsáveis por formularem a política econômica da ditadura chilena de Augusto Pinochet (1973-1990) com base na ideologia de Milton Friedman, professor da Universidade de Chicago.
O regime de exceção tomou curso no país vizinho há exatos 46 anos, em 11 de setembro de 1973, quando o presidente Salvador Allende acabou morto. A versão mais aceita é a de que ele teria se suicidado durante a invasão do Palácio de La Moneda pelas tropas golpistas.
Com Pinochet no poder, o ideário neoliberal dos Chicago Boys não foi apenas defendido, mas rigorosamente implementado. As medidas reverteram uma série de iniciativas sociais colocadas em prática pelos governos de Eduardo Frei Montalva (1964-1970) e Allende (1970-1973), e suas consequências são sentidas ainda hoje.
“Esse projeto neoliberal radical precisa da violência para ser implementado. O exemplo chileno é o mais emblemático”, afirma Joana Salém, doutoranda em história econômica pela Universidade de São Paulo (USP).
Em entrevista ao Brasil de Fato, a pesquisadora disse que o Brasil, sob a tutela de Guedes, já passa por um processo de “choque neoliberal”  fortemente inspirado no modelo implementado no Chile durante a ditadura Pinochet. “É muito importante entender que o projeto do atual ministro da Economia [do Brasil], que colocou muitos de seus asseclas na estrutura do Estado para desconstruir a nossa Constituição, [tem como] modelo o Chile".
Confira a entrevista na íntegra: 
Brasil de Fato: O Chile, durante o governo de Salvador Allende, passou por uma experiência inédita com a tentativa de transição ao socialismo fora da luta armada. Em linhas gerais, como poderíamos definir a política econômica de Allende?
Joana Salém: Desde a Aliança para o Progresso, formada em 1961, os EUA tinham uma agenda de reformas para a América Latina que tinha em vista evitar novas Revoluções Cubanas.
Eles avaliavam que as contradições do capitalismo latino-americano eram tão agudas que era preciso atenuar algumas delas a partir de um conjunto de reformas financiadas pelos próprios EUA. Ou seja, com tutelas e critérios próprios do capitalismo para evitar revoluções socialistas.
O governo anterior ao de Allende [Unidade Popular] é um governo da Democracia Cristã, do presidente Eduardo Frei. Ele foi um dos presidentes que mais recebeu financiamento externo dos EUA na história. Esse financiamento foi utilizado para a realização de reformas agrárias, educacionais, tributárias. Houve um aumento dos salários, uma relativa redistribuição de renda e algumas modernizações econômicas e sociais. 
A ideia de que esse período de reformas frearia um processo mais radicalizado, no entanto, foi equivocada. No caso chileno, aconteceu exatamente o contrário. As mudanças proporcionadas pelo governo Frei aceleraram uma demanda de mudanças mais radicais, estruturais, profundas na sociedade. Essa vontade se manifestou nas eleições de 1970, quando Allende foi eleito com um programa explicitamente transitório para o socialismo. 
O governo Allende expropriou 6 milhões de hectares em três anos. Isso representa a maior quantidade de terras expropriadas dentro da lei na história de um país. Ou seja, muitas reformas agrárias que expropriaram essa mesma quantidade de terras ocorreram por fora da lei, de uma maneira disruptiva. E muitas reformas agrárias que ocorreram dentro da lei não foram tão massivas quanto essa. 
Ao mesmo tempo tinha os EUA, que financiaram o processo reformista anterior do Chile e que acreditavam que a pior coisa que poderia acontecer seria uma via chilena ao socialismo, porque isso retirava dos EUA a crítica à guerrilha. Ou seja, se é possível construir o socialismo por dentro da lei, de uma forma pacífica, a crítica da violência revolucionária propagada pelos EUA perdia força. Para os EUA, derrubar e destruir o exemplo chileno era muito importante
O comando central do Exército traiu Allende, entre eles Pinochet, que naquele momento era comandante-em-chefe das Forças Armadas, e praticou aquele ato de violência extrema e inaceitável que foi o bombardeio do Palácio de La Moneda no dia 11 de setembro, ainda mais para um país que se considerava legalista e a democracia mais estável da América Latina. 
Após a queda de Allende, o país adotou uma postura inversa, passando por um “tratamento de choque” neoliberal. Em que consistiam essas medidas aplicadas pelo governo militar em consonância com os novos economistas do regime?
O projeto neoliberal chileno foi pioneiro, no sentido de adotar a ideologia de Milton Friedman, um economista, professor da Universidade de Chicago, que tinha escrito uma série de livros sobre liberdade econômica nos anos 1940 e 1950. Ele vai trabalhar no governo Pinochet. Fazem uma parceria e, então, a ditadura acaba sendo a pioneira na implementação de certas políticas neoliberais radicais.
Entre 1973 e 1978, são tomadas algumas medidas, mas o projeto se consolida, inclusive do ponto de vista constitucional, em 1980. As principais reformas, que até hoje caracterizam a sociedade chilena, são feitas em 1979 por José Piñera, irmão do atual presidente, Sebastián Piñera. Além disso, a Constituição de 1980 consolida o conceito de Estado Subsidiário.
Podemos dizer que o projeto por trás da Constituição chilena de 1980 e da brasileira de 1988 tem alguns pontos de oposição. No Chile, subsidia o setor privado para que ele garanta, de acordo com as necessidades do mercado, os serviços que a sociedade necessita: educação, saúde, aposentadoria, alimentação, etc. 
Isso gerou um sistema de financiamento privado da educação, um sistema de previdência 100% privatizado e um de trabalho desregulamentado, com poucas garantias, além de um regime de trabalho informal predominante, como é atualmente. 
A ditadura gerava um baixíssimo poder de negociação da sociedade em relação ao poder autoritário do Estado. Mas esse baixo poder de negociação se perpetuou na democracia, porque existe uma série de restrições aos sindicatos e ao direito de greve, por exemplo. 
Em um contexto de ditadura, como era a ditadura Pinochet, e de terrorismo de Estado, de medo, de intimidação, de perseguição, censura, era difícil oferecer resistência. Ou seja, o neoliberalismo radical precisa de um governo autoritário, ditatorial, terrorista, intimidatório, para funcionar. As medidas neoliberais radicais são muito impopulares. E em uma sociedade relativamente democrática, a população oferece resistência. A opinião pública gera uma mudança de comportamento dos parlamentares, gera pressões.
Em um governo autoritário que não se preocupa com a opinião pública, ou que não está interessado em absorver nenhum tipo de demanda popular, essas medidas são mais possíveis do que em um governo que pretende relativamente receber essas demandas.
Em essência, o Estado subsidiário é isso. Atua como fiador do mercado, e nunca como atuante ativo nas políticas públicas em defesa de um tipo de direito social ou de um tipo de modelo de sociedade. E esse projeto neoliberal radical precisa da violência para ser implementado. O exemplo chileno é o mais emblemático.
Ainda hoje, décadas após o fim da ditadura, o país não conseguiu romper com a estrutura de Estado criada durante os anos de Pinochet. Qual resultado do neoliberalismo chileno podemos observar hoje e por que é tão difícil romper com esse formato de Estado?
Uma metodologia pode ser a de olhar os movimentos sociais mais importantes do Chile hoje e entender quais são as lutas travadas em relação aos efeitos mais perversos do neoliberalismo radical. Eu destacaria a questão educacional, a luta dos estudantes – que alteraram os rumos da história chilena recente. 
Alguns desses estudantes se tornaram representativos ao ponto de serem eleitos deputados e defendem a gratuidade na educação pública, o financiamento público da educação pública e o fim do lucro das escolas privadas.
Existe toda uma mistura, uma confusão entre público e privado que é resultado do neoliberalismo radical, para que essas fronteiras não estejam mesmo claras. Tudo opera na ótica da empresa e do negócio, inclusive as universidades e escolas públicas. É um efeito muito perverso desse neoliberalismo. 
Ao mesmo tempo, o sistema de previdência. Existem inúmeros dados que mostram como o pensionado chileno é extremamente mal remunerado, pior remunerado que o aposentado brasileiro. Existem dados que revelam que algumas pessoas alcançam uma aposentadoria equivalente a 15% de um salário mínimo. Existe uma média dos aposentados chilenos que mostram que cerca de 60 ou 70% dos aposentados ganham menos de um salário mínimo. Muito menos.
A direita chilena, consciente de que era possível ampliar a socialização da economia dentro da lei, criou uma nova legislação, uma nova estrutura institucional que tornava praticamente impossível realizar direitos sociais a partir da lei. Além disso, existe outro problema que é a Concertación [coligação de partidos de centro, centro-esquerda e esquerda que governou o Chile de 1990 a 2010]. 
Esses partidos, que foram responsáveis pela redemocratização do país, também foram cúmplices e pactuaram com o modelo constitucional, econômico e social do neoliberalismo chileno. Aprofundaram alguns desses setores do neoliberalismo.
Isso é fruto da conivência com esses setores de centro – ou centro-esquerda –, com o que foi o modelo econômico e social da ditadura. Isso também leva a essas perpetuações. Por isso, os movimentos sociais chilenos contemporâneos são tão importantes nessas lutas contra o neoliberalismo. Os partidos tradicionais de centro e centro-esquerda são absolutamente coniventes com o modelo da ditadura. 
O Brasil, sob a tutela de Paulo Guedes, um dos "Chicago Boys", como ministro da Economia, corre o risco de passar por um processo parecido ao que ocorreu no Chile?
Já são “Chicago Olds”. Acho que já estamos sofrendo [as consequências de um modelo neoliberal]. Em vários sentidos. Por um lado, há uma desconstrução da nossa Constituição de 1988. Não é preciso realizar uma nova Constituição para destruir a de 1988. É possível apenas descaracterizá-la a partir de diversas medidas relacionadas com a privatização dos direitos sociais. 
A reforma da Previdência, recém aprovada na Câmara e agora tramitando no Senado, é um aspecto do choque neoliberal. Ao mesmo tempo, a capitalização, que é o que existe no Chile, não passou. Mas isso não significa que o governo atual não vá querer colocar a capitalização em algum outro projeto: reforma tributária, trabalhista, a tal da carteira verde e amarela. 
É preciso ficar de olho, porque o projeto estratégico do Paulo Guedes é o Chile. Então é muito importante olhar para o Chile hoje e entender que o projeto do atual ministro da Economia, que colocou muitos de seus asseclas na estrutura do Estado para desconstruir a nossa Constituição, o modelo é o Chile.
Ao mesmo tempo, esse Dia do Fogo, o desmatamento da Amazônia, o processo de repressão aos movimentos sociais do campo e da cidade é também um processo relacionado ao neoliberalismo. O neoliberalismo radical precisa da violência. 
E quando um presidente ou seus ministros autorizam a violência – para não dizer que praticam a violência –, ela vai sendo feita de uma maneira aparentemente autônoma nas bases da sociedade, pelas classes proprietárias e pelas classes mais gananciosas do capitalismo brasileiro, a partir de uma lógica que é de apropriação privada de recursos coletivos, seja da educação, da saúde da terra ou do trabalho. 
Ao mesmo tempo, acho importante registrar que esse choque neoliberal não é propriamente um raio em céu azul. O processo neoliberal brasileiro começou no governo Collor, se aprofundou no governo FHC e ganhou uma nova cara no governo Lula. Mas ele está aí há 30 anos. 
Se a gente acredita que o neoliberalismo começou agora com o governo Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes, a gente está caindo na narrativa do Paulo Guedes, que diz que tudo que aconteceu nos últimos 30 anos é de esquerda e que agora chegou o primeiro governo de direita. Não é assim. 
É importante registrar que se trata de uma mudança de intensidade, não exatamente de sentido do processo histórico brasileiro. Porque a desindustrialização já existe desde os anos 1980, a priorização de uma economia extrativista também já existe desde os anos 1990 e é preciso perceber alguma continuidade. Se não a gente cai no mito invertido do Paulo Guedes.
Edição: Rodrigo Chagas
*Fonte: Brasil de Fato - https://www.brasildefato.com.br

10 setembro 2019

Como a Globo chocou o seu ovo da serpente

Assim como a Lava Jato, a Globo tornou-se vítima de seu excesso de poder.



Por Luis Nassif*
No período áureo do chamado jornalismo de esgoto, Veja se incumbia das fake news, Globo dava dimensão nacional às matérias, mas sem sujar as mãos: limitava-se a repercutir no Jornal Nacional todas as capas da Veja.
Anotei, na época, que a Globo era a melhor não apenas por ser a maior, mas por ter a melhor visão estratégica da instrumentalização do jornalismo.
Corrijo: a Globo cavou sua própria sepultura com a estratégia do impeachment, de se aliar a Eduardo Cunha e acelerar a queda de Dilma Rousseff. O epitáfio está na matéria de hoje, da Folha, sobre os planos de expansão da Amazon no Brasil. O Pacote Prime, a R$ 9,90 por mês, dará acesso a filmes, música, livros, jogos, revistas. Mas não apenas isso: a frete grátis para todo o país, na compra de produtos da Amazon.
O modelo de negócios da Time, nos anos 50, incluía catálogo de vendas, se não me engano de produtos da Sears. Era uma maneira de aproveitar o fator público e a rede de distribuição para expandir o catálogo de produtos seu serviço de logística para toda sorte de produto.
A Amazon nem precisa de parceria. Já faz as vendas de livros eletrônicos, montou um eficientíssimo sistema de logística, tem catálogo de filmes, paga as editoras à vista, em vez do consignado. E há um mês contratou João Mesquita, executivo que dirigia a Globoplay, principal projeto da Globo para enfrentar a Netflix, a Amazon e outras empresas OTT (de streaming de vídeo). Também deu início às co-produções exclusivas.
Não é a única frente no caminho da Globo. Em publicidade, Google e Facebook já ultrapassaram a Globo no Brasil. Cada uma delas, incluindo a Amazon, vale 30 Globos em faturamento e 200 em valor de mercado. Os grandes grupos internacionais de mídia estão se juntando aos de comunicação, casos como Comcast/Universal ou AT&T/HBO, Time Warner. E, internamente, enfrentará cada vez mais a aliança Bolsonaro com Record e SBT.
A Globo terá que se juntar ao Magazine Luiza se quiser enfrentar a Amazon e dificilmente terá condições de comprar o próximo Brasileirão sem um parceiro internacional.
Em 2015, um acordo com PT e com Dilma poderia ter sido a salvação da Globo. Toda a lógica econômica de Dilma era de fortalecimento de empresas nacionais. Não haveria maiores dificuldades para aceitar uma política similar às dos países europeus, regulamentando e controlando as gigantes de tecnologia americana, como Google, Facebook e Amazon.
Do mesmo modo, a Globo nunca aceitou uma Lei Geral das Telecomunicações, confiando em seu poder de lobby individual. Uma Lei da Mídia protegeria a Globo. Dificilmente haveria TVs de bispos ou uma SBT devendo mais de R$ 4 bilhões no CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).
Agora, a Globo está sozinha, com os Bolsonaro e seu internacionalismo raso tratando-a como inimiga e pretendendo abrir todas as facilidades para a entrada de grupos estrangeiros. Assim como a Lava Jato, a Globo tornou-se vítima de seu excesso de poder.
Mas era tão poderosa que podia se permitir ser defendida pelo seu então advogado, Luis Roberto Barroso, com um dos pareceres mais ridículos jamais escritos sobre o fenômeno da globalização das mídias:
 “A primeira questão a ser enfrentada diz respeito ao fato de que as empresas genuinamente brasileiras que atuam nesse mercado não podem ter mais de 30% de capital estrangeiro, por imposição constitucional. Admitir-se empresas com 100% de capital estrangeiro fazendo jornalismo ou televisão no Brasil não apenas viola a Constituição como cria uma competição desigual. Imagine se um jogo de futebol em que um dos times devesse observar as regras tradicionais e o outro pudesse pegar a bola com a mão, fazer faltas livremente e marcar gols em impedimento. A injustiça seria patente.”
Existem (…) razões mais substantivas para que as regras sejam mantidas e respeitadas. O Brasil é um país cioso de suas tradições culturais, que  incluem uma belíssima música popular, o melhor futebol do planeta, novelas premiadas mundo afora e cobertura jornalística acerca dos fatos de interesse nacional.
Entregar o jornalismo e a televisão ao controle estrangeiro poderia criar um ambiente de surpresas indesejáveis. No noticiário e na programação, teríamos touradas ou jogos de beisebol. Ou, quem sabe, de hora em hora, entraria em tela cheia a imagem do camarada Mao, grande condutor dos povos. Como matéria de destaque, uma reportagem investigativa provando que Carlos Gardel era uruguaio e não argentino. Pura emoção. À noite, um documentário defenderia a internacionalização da Amazônia.”
*Jornalista - Editor do Jornal GGN (fonte desta postagem).

09 setembro 2019

Lula e Dilma foram vítimas de ‘molecagem jurídica’ da Lava Jato



"Foi encampado exatamente um Estado de exceção, com desrespeito a liberdades individuais e direitos fundamentais", avalia o cientista político Paulo Nicoli Ramirez
São Paulo – Para o cientista político Paulo Nicoli Ramirez, as últimas revelações da Vaza Jato, publicadas neste domingo (8) pelo jornal Folha de S.Paulo em parceria com o The Intercept Brasil, revelam que os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff foram vítimas de uma “molecagem jurídica”. As conversas mantidas pelos procurados mostram que havia consciência da ilegalidade cometida pelo então juiz Sergio Moro, quando decidiu divulgar conversas captadas após fim do prazo legal que tratavam da nomeação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil, mas ainda assim preferiram apostar em suposto apoio da opinião pública, insuflada pela mídia tradicional que dava suporte aos desmandos cometidos pela Lava Jato.
“É muito capaz que esse processo seja anulado, dado o nível de chacota com que é tratado o vazamento das ligações de Dilma com Lula. Fora o fato de que, por uma questão de soberania nacional, por si só é um crime qualquer indivíduo – e ainda mais o Judiciário – revelar ligações telefônicas de uma presidenta da República. Talvez em outros países, como os EUA, fosse considerado como um crime contra a Nação. Sergio Moro, em qualquer outro lugar, estaria preso, assim como Dallagnol. Isso não é um processo jurídico, é uma molecagem jurídica o que foi feita contra Lula e Dilma”, afirma o professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp) em entrevista os jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria para o Jornal Brasil Atual desta segunda-feira (9).
Ele diz que esses diálogos também reafirmam que Dilma foi vítima de um golpe movido pela Lava Jato e pelo Congresso Nacional, apoiados pela mídia. “As pessoas foram, de alguma maneira, direcionadas, alienadas e até mesmo manipuladas a  adotarem posturas críticas contra o PT”, afirma o professor. Ele destaca que, no governo Temer, nomes investigados na Lava Jato foram escolhidos ministros, sem que houvesse o mesmo “estardalhaço” causado em torno da nomeação de Lula. “Foi encampado exatamente um Estado de exceção, com desrespeito a liberdades individuais e direitos fundamentais. Romperam com a garantia de um processo minimamente isento de qualquer interferência política.”
O cientista político classifica as relações da mídia com setores do Judiciário como exemplo do fascismo: “Tanto na Itália como na Alemanha nazista, o que reforçava o caráter de ódio, e até mesmo as manipulações jurídicas para que judeus e marxistas fossem condenados, era exatamente a aclamação pública mediada pelos meios de comunicação.”

O Supremo precisa reagir


Ele também explicou que o Poder Judiciário se comporta como um “estamento burocrático”, citando o clássico da sociologia brasileira Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro. “São elites políticas e econômicas que se perpetuam no poder por filiação, jogos de amizade e conluios políticos. O que há de positivo na Lava Jato é começar a detectar, ao menos, esse fenômeno. O Judiciário brasileiro não é isento. Está carregado de ideologias conservadoras que se articulam contra o processo de democratização da nossa sociedade”, disse Ramirez.
Segundo o professor, caberá ao Supremo Tribunal Federal reagir às novas mensagens. Segundo ele, a demora em agir se daria justamente por conta das gradativas revelações trazidas pelo The Intercept Brasil e demais veículos parceiros da Vaza Jato. Por outro lado, ele chama a atenção para tentativas de coação contra a Suprema Corte, por parte de militares e grupos bolsonaristas, que defendem o discurso golpista de fechamento do STF.
Sobre a imprensa, em especial a Rede Globo, haverá de chegar um dia que deverá, mais uma vez, pedir desculpas à população brasileira por ter apoiado e incentivado a série de desmandos cometidos por Moro e pelos procuradores da Lava Jato, assim como fizeram, em 2013, em relação ao apoio editorial ao golpe de 1964.

08 setembro 2019

Luto em Porto Alegre: Mesmo com adiamento, ato espontâneo reúne milhares de pessoas

Protesto [no dia 7 de Setembro] denunciou ataques do governo Bolsonaro à educação pública, à soberania nacional e às políticas ambientais


Mesmo com o adiamento do Ato Nacional em defesa da Educação e da Amazônia convocado pelos estudantes em Porto Alegre, por conta do tempo chuvoso que se abateu sobre a região neste feriado da Independência (7), cerca de duas mil pessoas se reuniram no Parque da Redenção e saíram em caminhada pelas ruas da cidade. Os manifestantes, assim como nas outras 131 cidades brasileiras que registraram protestos e manifestações da 25ª edição do Grito dos Excluídos, denunciaram as ações do atual governo contra a educação pública e a soberania nacional e o desmatamento na Amazônia.
A concentração teve início às 15h. Ao chegarem no ponto de encontro, todos vestindo roupas pretas em luto e luta pelo Brasil, os manifestantes se depararam com centenas de militares, carros e caminhões do exército ao redor do Monumento ao Expedicionário, que participavam do encerramento da Semana da Pátria. O sentimento inicial de tensão aos poucos deu lugar a faixas, gritos de ordem e discursos realizados mesmo sem aparelho de som. (...)
CLIQUE AQUI para ler na íntegra (via Brasil de Fato)

06 setembro 2019

40 ANOS DA HISTÓRICA GREVE DOS BANCÁRIOS DE PORTO ALEGRE/RS

Bancários na Galeria

Deputada Sofia Cavedon homenageia os 40 anos da greve dos bancários de 79 na Assembleia Legislativa


O dia 5 de setembro de 1979 era uma quarta-feira. Também foi o primeiro dia da greve proibida dos bancários de Porto Alegre em plena ditadura militar. Exatos 40 anos depois, a deputada estadual Sofia Cavedon (PT) fez uma homenagem na tarde desta quinta-feira (5), no espaço do Grande Expediente da Assembleia Legislativa, ao SindBancários e aos heróis dessa que foi uma paralisação que desafiou o golpe de 64 e ensinou os bancários a lutar.
Na tribuna do Plenário 20 de Setembro, a parlamentar refez a trajetória da greve, estruturou o contexto daquele tempo e fez alerta sobre um período sem democracia da nossa história e que ameaça voltar agora.
Na mesa diretora, além do presidente em exercício da Assembleia, deputado Giuseppe Riesgo (Novo), e do presidente do SindBancários, Everton Gimenis, figurava um dos símbolos da greve de 1979. O ex-presidente do SindBancários, ex-deputado federal constituinte, ex-prefeito de Porto Alegre, ex-governador do Estado, e bancário aposentado do Banrisul, Olívio Dutra, recebeu uma justa homenagem da deputada.
A diretora da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg Corrêa, o secretário de Comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr, e a representante do senador Paulo Paim (PT-RS), Abigail Pereira, completaram a mesa.
Sofia começou o seu discurso remontando o contexto da incipiente luta por direitos humanos e melhores condições de vida de 40 anos atrás. A deputada chamou os bancários e os dirigentes do SindBancários da época de “heróis da democracia que enfrentaram a ditadura militar”. E lembrou da história de um operário no mesmo período em São Paulo.
Sofia na tribuna
Santo Dias da Silva foi assassinado pela polícia militar na porta de uma fábrica, em São Paulo, durante a explosão de greves de metalúrgicos um ano antes na região do ABC. Em 1979, um movimento por moradia surgia em Canoas. A primeira ocupação dessa jornada de luta por teto ocorreu em 7 de setembro de 1979. O nome do território foi chamado Vila Santo Operário, no bairro Matias Velho. É por isso, disse Sofia, que o Grito dos Excluídos será realizado lá este ano, marcando o aniversário de 40 anos.
“Aqui no Rio Grande do Sul, surgiu em setembro de 1979, o movimento Terras de Sepé Tiaraju, germe do nascimento do MST. Não vale o feminicídio, a guerra, o ódio, o latifúndio, o racismo. A vida vem em primeiro lugar”, ressaltou Sofia.
O primeiro dia da greve
A deputada recordou que o dia 5 de setembro foi o primeiro da greve de 79. Ela lembrou da prisão de Olívio Dutra, então presidente do SindBancários, do diretor já falecido Felipe Nogueira, da militante e depois diretora Ana Santa Cruz, e do dirigente Namir Bueno.
Olívio sentado
Sofia lembrou que Ana é mãe do presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, insultado pelo presidente Jair Bolsonaro, em julho. Ela foi esposa do desaparecido político Fernando Santa Cruz, que foi preso, torturado e assassinado pela repressão, em 1974. Bolsonaro havia dito que sabia como Fernando morrera na ditadura e que podia contar para o dirigente da OAB.
“Infelizmente, nos dias de hoje, se repete o que os bancários viveram com a greve de 1979. Tivemos um golpe em 2016. Tivemos a reforma trabalhista e a quase aprovada reforma da Previdência. Em 2018, tivemos a prisão política de Lula”, enumerou Sofia.
Filha de advogado do Sindicato tinha oito anos na greve de 1979
O primeiro aparte ao discurso de Sofia veio da filha de um personagem da greve. A deputada Luciana Genro (Psol) lembrou da participação de seu pai Tarso Genro, advogado do Sindicato em 1979.
O ex-prefeito da Capital e ex-governador foi o primeiro advogado desde que o golpe de 64 a entrar com um habeas corpus, pedindo que os bancários presos na greve fossem soltos. “Acompanhei a greve dos bancários com oito anos. Foi uma participação muito importante do meu pai em uma greve muito importante”, recordou Luciana.
O deputado Rodrigo Lorenzon (DEM) pediu aparte para explicar que seu partido, o Democratas, tem uma divergência histórica com o PT de Olívio Dutra e usou Voltaire, filósofo francês do Iluminismo, para exaltar o movimento. “O PT e o Democratas protagonizam o maior antagonismo nos últimos anos. Nas nossas diferenças, temos que encontrar as soluções. Cito Voltaire: ‘Discordo do que você disse, mas defenderei até a morte o seu direito de dizer’”, finalizou o deputado.
Plenário aberto (2)
O deputado Pepe Vargas (PT) lembrou dos 16 dirigentes presos em todo o Estado durante a greve de 1979, da ausência de dimensão histórica das gerações de agora da dificuldade que era em 79 organizar e manter uma greve e o contexto de luta pela anistia que se desenhava há 40 anos.
“Fazer a greve era um tabu. As gerações de hoje não têm a dimensão da dificuldade. Em 79, eu estava entrando na faculdade [Pepe é formado em Medicina] e começávamos a criar a UNE [União Nacional dos Estudantes]. A greve sofreu uma repressão absurda do regime militar”, salientou Pepe.
Para o deputado Elton Weber (PSB), a greve dos bancários era legítima em 1979. “Quando se faz uma greve, havia um motivo para fazer. Havia um motivo, que era a valorização dos trabalhadores bancários”, assinalou.
Ademir na AL1
A homenagem foi acompanhada também pelo presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, e por vários dirigentes e militantes do SindBancários, além de diversos aposentados da categoria.
*Fonte: CUT-RS com SindBancários e Assembleia Legislativa - Via  http://cutrs.org.br

05 setembro 2019

Tem que barrar Bolsonaro antes que ele transforme o Brasil no Chile de Pinochet



Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia*
Denunciado, em 2016, no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados por crime de apologia à tortura ao homenagear, no plenário, o comandante do DOI-Codi, Carlos Alberto Brilhante, durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff, o então deputado Jair Bolsonaro escapou.
Hoje, com muito mais poder do que então, e maior responsabilidade por tudo o que diz, ele reincidiu no crime, desta vez parabenizando o ditador Augusto Pinochet, um dos maiores genocidas da história recente por assassinar, dentre outros milhares, o pai da ex-presidente chilena e atual chefe do Alto Comissariado para Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet.
Preso a 14 de setembro de 1973, três dias depois da deposição do presidente eleito, o socialista Salvador Allende, na Academia de Guerra Aérea (AGA), o general da Força Aérea Alberto Bachelet nunca mais saiu de lá com vida, morto sob tortura a 12 de março de 1974, aos 50 anos. Em carta à mulher, Ângela Jeria, afirmou que os torturadores eram seus ex-colegas de armas. Os coronéis Benjamin Cevallos e Ramón Cáceres Jorquera foram condenados e presos pela Justiça chilena em 2012.
Alberto Bachellet e Michelle estão entre as 32 mil pessoas, inclusive crianças, torturadas, comprovadamente, durante a ditadura Pinochet (1973-1990). Mais de 80 mil foram presos e 3000 assassinados. Artistas também foram alvos. As mãos do cantor e compositor Victor Jara, um dos maiores do país, foram esmagadas por coronhadas de seus torturadores. A 16 de setembro de 1973 ele foi fuzilado, no Estádio Chile, e o corpo jogado próxima a uma favela.
Além de prender, assassinar, torturar das formas mais cruéis e covardes ele utilizou contra seus opositores de esquerda gases venenosos, como o sarin, ergueu campos de concentração, cooptou um ex-nazista e ordenou atentados a bomba.
A 30 de setembro de 1974, mandou explodir, em Buenos Aires, o carro em que se encontravam o general Carlos Prats, chefe do Exército de Salvador Allende e sua mulher, Sofia Cuthbert, no que foi o prelúdio da Operação Condor, à qual aderiram Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. 
Dois anos depois, a 21 de dezembro de 1976 eliminou, com a explosão de um carro-bomba, o ex-chanceler chileno Orlando Letelier e sua secretária americana Ronnie Moffit, a poucos quarteirões da Casa Branca, em Washington, onde cumpria exílio depois de sair do campo de concentração da Ilha de Dawson, no Estreito de Magalhães, onde os presos eram submetidos a trabalhos forçados e mantidos em celas superlotadas, com temperaturas abaixo de zero.
Paul Schaefer, ex-enfermeiro do exército nazista alemão que vivia no Chile desde 1961, colaborou com Pinochet para deter, torturar e enterrar opositores num outro campo de concentração, apelidado de "Colônia Dignidade".
A ditadura também desenvolveu armas químicas, como sarin, soman e tabun, o que foi comprovado quando os tribunais chilenos encontraram vestígios de sarin no corpo do ex-presidente Eduardo Frei Montalva, assassinado por septicemia após uma operação de rotina em 1982, quando começou a liderar uma oposição nascente.
Ao exaltar o modelo pinochetista, ao aplaudir os crimes hediondos do ditador Pinochet, preso entre 1998 e 2000 na Inglaterra, por crimes cometidos contra cidadãos espanhóis - Bolsonaro não deixa dúvidas de que não hesitará em recorrer aos mesmos métodos no Brasil, caso julgue necessário.
Tem que barrar Bolsonaro antes que ele prenda todos os democratas num imenso campo de concentração.  

03 setembro 2019

Roda Viva com Greenwald: a vergonha do jornalismo


Imagine o caro leitor, que não é jornalista, o que faria se encontrassem para uma conversa, o jornalista Glenn Greenwald, numa conversa tête a tête.
Claro, ia tentar arrancar dele até onde vão as revelações dos diálogos nas mensagens de Telegram de Deltan Dallagnol.
Mas você não é jornalista, meu caro e minha cara.
Porque jornalismo no Brasil virou defender a versão oficial e os jornalistas que participaram , esta noite, preferiram colocar aquele que conseguiu as informações sob uma “sabatina ética”, indagando de sua vida pessoal e condenando o fato de que, embora verdadeiras, ele não poderia divulgar informações que chegaram a ele por quem as obteve de forma ilegal.
Francamente, deu vergonha da profissão.
Passearam sobre acontecimentos que moldaram a desgraçada história que este país está vivendo e não tiveram interesse no que aconteceu, apenas na suposta ética que seria recusar o conhecimento da verdade, se ela brotasse pelo porão.
Pouco ou nada faltou para que colocassem Greenwald como criminoso por estar publicando fatos verdadeiros o que, na imprensa “morista”, não vem ao caso.
Pouco importa se as mentiras judiciais e as armações possam ter condenado pessoas, porque se condenaram, mesmo dentro de uma patranha judicial, é que são criminosos.
Se inquéritos e processos foram conduzidos de forma ilegal, pouco importa.
O Roda Viva de hoje [02/09] deveria ser copiado e mostrado nas aulas de jornalismo, como exemplo do que pode ser vergonhosa a adesão da imprensa ao poder.
*Por Fernando Brito, jornalista - Editor do Blog Tijolaço.

02 setembro 2019

Se a eleição fosse hoje, Haddad venceria Bolsonaro - Datafolha: "arrependidos" do segundo turno já pularam do barco!

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Haddad em Fortaleza, durante a campanha eleitoral de 2018 (Créditos: Polianna Uchoa/Divulgação/PT Ceará)
Do Conversa Afiada - Joaquim de Carvalho, no Diário do Centro do Mundo, chama atenção para um ponto importante da pesquisa Datafolha divulgada hoje (2/IX), que mostra a alta da rejeição ao presidente Jair Messias:
(...) O dado mais relevante do ponto de vista politico é o dos arrependidos: pessoas que votaram em Bolsonaro no segundo turno, mas não repetiriam o gesto se a eleição fosse hoje. Essa revelação está na análise do diretor do Datafolha, Mauro Paulino. Ele escreveu:

"A prova do diagnóstico está no contingente de arrependidos — um em cada quatro dos que votaram no capitão reformado não repetiria a opção caso o pleito fosse hojegarantindo a Fernando Haddad (PT) uma liderança apertada, mas fora dos limites da margem de erro."

Ou seja, Bolsonaro é considerado hoje produto de um erro admitido por 25% dos seus eleitores no segundo turno. (...)

Bolsonaro foi eleito, em 28/X/2018, com 57.797.847 votos - 55,13% do total de votos válidos.
Se perdesse um quarto desses votos - os "arrependidos", como afirma o diretor do Datafolha -, Bolsonaro teria 43.348.385 votos.
Haddad conseguiu, em outubro, 47.040.906 votos válidos.
Portanto, em tal cenário - sem considerar as possíveis transferências de voto dos "arrependidos" para Haddad - o candidato petista teria 52,04%, contra 47,95% de Bolsonaro.
A tendência de abandono dos que votaram no Jair Messias no segundo turno já havia sido observada em junho pelo Estadão, com base em informações do Instituto Big Data.
Em tempo: segundo o Datafolha, os mais arrependidos são "os que têm entre 45 a 59 anos, faixa especialmente atingida pela reforma da Previdência".

01 setembro 2019

Venceremos!



"Venceremos, venceremos,
mil cadenas habrá que romper,
venceremos, venceremos,
al fascismo sabremos vencer."

*Quilapayún