26 novembro 2025

"Esse país deu uma lição de democracia ao mundo", diz Lula sobre golpistas presos

Presidente Lula reforçou que o julgamento da trama golpista não sofreu com interferências políticas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Por Leonardo Sobreira, no 247*

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (26) que a democracia brasileira saiu fortalecida após a prisão do núcleo central da trama golpista, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e militares do alto escalão do governo anterior. 

Lula reforçou que o julgamento não sofreu com interferências políticas, afirmou que a "democracia vale para todos" e relatou estar "feliz" pela maturidade do sistema democrático brasileiro, que se mostrou resiliente mesmo diante de ameaças externas sem precedentes, principalmente dos Estados Unidos. 

"Sem nenhum alarde a justiça brasileira mostrou sua força, não se amedrontou com as ameaças de fora e fez um julgamento primoroso, sem acusação da oposição, e sim da própria quadrilha. Pela primeira vez, tem alguém preso por tentativa de golpe, um ex-presidente e generais estrelados, numa demonstração de que a democracia vale para todos e não é privilégio de ninguém. É um direito de 215 milhões de brasileiros. Estou feliz porque esse país mostrou estar maduro para exercer sua democracia na mais alta plenitude", disse Lula na cerimônia de sanção do projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha R$ 5 mil por mês, realizada no Palácio do Planalto, em Brasília-DF. 

"Esse país ontem deu uma lição de democracia ao mundo", afirmou Lula no evento. 

O Supremo Tribunal Federal (STF) decretou na terça-feira (25) o trânsito em julgado da ação penal contra Bolsonaro, na qual ele foi condenado a mais de 27 anos por liderar a trama golpista após as eleições de 2022. No mesmo dia, o ex-presidente passou a cumprir sua pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde já estava em prisão preventiva. 

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23 novembro 2025

Dignidade versus covardia

 

O presidente Lula foi para a prisão nos braços do povo, em 7 de abril de 2018, e saiu dela, em 9 de novembro de 2019, também nos braços do povo. Fotos: Paulo Pinto e Ricardo Stuckert


Por Fábio Buonavita*

Algumas coisas começam a fazer sentido para além da trama golpista — e é exatamente isso que deve estar apavorando Bolsonaro.

E aí entram as comparações inevitáveis.

Na prisão de Lula, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, estávamos eu, Agnes Franco, meu filho João Gabriel (hoje presidente do Sindsep-SP) e muita gente que ficou ali porque Lula já tinha negociado com a PF a data e o horário para se entregar.

Mesmo injustiçado, mesmo diante de um claro caso de lawfare — que depois ficou mais do que comprovado — Lula manteve a serenidade e afirmou sua inocência.

Naquele dia, todo mundo estava disposto a resistir. Havia tensão, indignação, o sentimento de que o país estava cometendo uma violência política contra um inocente.

Mas foi o próprio Lula quem pediu calma. Ele disse que aceitaria a sentença da Justiça — mesmo sabendo que era uma farsa — porque tinha certeza de que a verdade prevaleceria. E prevaleceu.

No caminhão de som, deixou uma espécie de testamento político: Boulos, Haddad, Manuela, Gleisi… Foi uma passagem de bastão simbólica, de esperança, não de caos.

E ali, naquela fala, muita gente desabou. Nós três — eu, João e Agnes — choramos sem parar, junto da multidão que ocupava a frente da casa do deputado Barba, de onde saiu aquela foto histórica: Lula sendo carregado para dentro do sindicato, já consciente do que viria a seguir.

Houve quem defendesse fuga, exílio, qualquer saída dramática. Mas Lula não fugiu. Não se escondeu. Não pediu proteção divina para driblar a Justiça. Entrou de cabeça erguida. Foi um gesto de coragem política e de respeito ao país.

Pois é. Como não comparar?

Agora vemos Bolsonaro se enrolando nos próprios depoimentos, se incriminando sem perceber, dizendo bobagens, contradições, as mesmas bravatas de sempre — só que agora com consequências reais.

E, para completar, monta uma falsa vigília, convoca um “deus dos Exércitos” sob encomenda, prepara um teatro para criar um suposto clima de resistência e, no fundo, facilitar sua fuga. Já estava até tentando tirar a tornozeleira.

É isso.

A diferença entre Lula e Bolsonaro cabe num único parágrafo: um enfrentou a maior injustiça da vida com dignidade, o outro tenta escapar da própria culpa fabricando caos.

Além de tudo, Bolsonaro é — e sempre foi — um covarde.

*Fábio Buonavita, superintendente do Ibama em SP, membro da Executiva Frente Ampla Democrática Socioambiental (Fads) e voluntário na Feira Esquerda Livre.

Fonte: Viomundo

22 novembro 2025

Moraes cita plano de fuga e violação de tornozeleira ao ordenar prisão de Bolsonaro

Ministro do STF cita possibilidade de o ex-presidente buscar abrigo na embaixada dos EUA antes da prisão preventiva

O ministro do STF Alexandre de Moraes durante o julgamento do Núcleo 4 da trama golpista (Ação Penal 2694) - 14/10/2025 (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

247*- O ministro Alexandre de Moraes, do STF, fundamentou a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com base no risco de fuga e na violação de sua tornozeleira eletrônica na madrugada de sábado (22). As informações constam em reportagem publicada originalmente pela Folha de S.Paulo, fonte à qual esta matéria credita o conteúdo utilizado.

Segundo a Folha de S.Paulo, Moraes relatou que o equipamento de monitoramento, usado por Bolsonaro desde julho, foi rompido às 0h08 de sábado (22). Para o ministro, a violação ocorreu em meio ao tumulto gerado pela vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em frente ao condomínio do ex-presidente, o que poderia ter sido utilizado como cobertura para uma tentativa de fuga.

Na decisão, Moraes registrou: "O Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou a esta Suprema Corte a ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico do réu Jair Messias Bolsonaro, às 0h08min do dia 22/11/2025". O ministro acrescentou que "a informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho".

Outro ponto que pesou na determinação da prisão foi a avaliação de que Bolsonaro poderia tentar abrigo diplomático. Moraes observou que o condomínio do ex-presidente fica a aproximadamente 13 quilômetros da embaixada dos Estados Unidos, trajeto estimado em cerca de 15 minutos de carro. Ele afirmou ainda que Bolsonaro teria cogitado uma “fuga para a embaixada da Argentina, por meio de solicitação de asilo político àquele país”.

A Polícia Federal cumpriu o mandado de prisão preventiva na manhã de sábado (22), levando Bolsonaro da residência onde cumpria prisão domiciliar desde 4 de agosto à Superintendência da PF em Brasília. O deslocamento foi feito por um comboio com pelo menos cinco veículos, que chegou ao local por volta das 6h. A PF informou que agiu por determinação do STF, do qual Moraes é relator no processo que apura a trama golpista.

Aliados relataram que Bolsonaro apresentava soluços, mas se mantinha sereno no momento em que foi detido. Até a publicação desta matéria, sua defesa ainda não havia se manifestado publicamente.

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20 novembro 2025

Negritude viva: de Zumbi à consciência negra

 

   Foto: Luiza Castro/Sul21

Por Denise Pessôa (*)

O 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, líder do maior quilombo do país e símbolo da resistência à escravidão, nos lembra que a luta por liberdade, dignidade e igualdade é histórica e permanente. É o momento de reafirmar que a Câmara dos Deputados deve avançar na análise de projetos que combatam o racismo, garantindo políticas públicas que promovam justiça social para o povo negro.

O Brasil ainda não reconhece plenamente a centralidade da população negra na construção de sua história, cultura e economia. Apesar de sermos parte essencial do país, ainda enfrentamos barreiras para ocupar os espaços de poder, decisão e memória que nos pertencem.

Como deputada federal, atuo para que políticas previstas em lei cheguem de fato à população negra. No governo Lula, a retomada e fortalecimento de políticas de igualdade racial já geram impactos positivos e criam oportunidades. A Lei Aldir Blanc, com editais que incluem recorte racial, garante que artistas e espaços culturais afro-brasileiros tenham acesso a recursos. A Lei de Cotas nas Universidades Federais reserva vagas para estudantes negros, promovendo inclusão no ensino superior.

Ser antirracista não é apenas condenar o ódio: é garantir dignidade e acesso. É assegurar que a juventude negra tenha direito à vida, que os terreiros sejam reconhecidos e quilombos titulados, que mulheres negras tenham igualdade e que a história afro-brasileira seja ensinada e valorizada com orçamento público garantido.

Atuo com firmeza nesse compromisso: propondo reeducação de agressores em crimes de racismo e acolhimento às vítimas, a expansão de recursos que fortalecem a luta negra nos territórios, como formação de lideranças, economia solidária e projetos culturais.

A negritude precisa ser reconhecida como parte viva, potente e central do Brasil. Nas universidades, escolas, cultura, fé e espaços de decisão, a população negra deve ocupar todos os lugares que lhe pertencem. É por ela que sigo com firmeza, compromisso político e profundo respeito aos nossos ancestrais.

(*) Deputada Federal (PT/RS) e presidente da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados - Fonte: Sul21

19 novembro 2025

Governadores sob pressão: as conexões políticas no escândalo Banco Master

O episódio desnuda algo que há anos se repete no sistema financeiro brasileiro: a socialização das perdas e a privatização dos ganhos

Banco Master (Foto: Divulgação)

Por Florestan Fernandes Jr*

A operação Compliance Zero, que atingiu toda a cúpula do Banco Master, expõe mais do que um caso isolado de descontrole ou má gestão; revela um padrão de relações perigosas entre instituições financeiras privadas e bancos públicos que deveriam servir ao interesse coletivo, não ao resgate de grupos específicos.

As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal apontam um cenário que, se confirmado, é gravíssimo: emissão de R$ 50 bilhões em CDBs sem lastro, uso de ativos inexistentes para simular liquidez e a participação de dirigentes do Banco de Brasília (BRB) em transações que chegaram a movimentar R$ 12,2 bilhões sem documentação adequada. Tudo isso no exato período em que o BRB tentava comprar o próprio Banco Master, operação que foi barrada pelo Banco Central.

O que emerge desses fatos é a suspeita de que recursos de um banco público teriam sido usados para socorrer uma instituição privada que afundava em sua própria crise de liquidez. Entre 2024 e 2025, o BRB teria injetado R$ 16,7 bilhões no Master, um valor que em qualquer país sério seria motivo para abrir imediatamente CPIs, afastamentos e responsabilizações administrativas.

E o problema não para aí. O caso alcança também o Rioprevidência, fundo responsável pelas aposentadorias de servidores do Rio de Janeiro, que aplicou R$ 2,6 bilhões em fundos ligados ao Master, mesmo diante de alertas do Tribunal de Contas do Estado. O risco era claro, mas foi ignorado. E quando um fundo previdenciário, que administra o futuro de milhares de famílias, toma decisões temerárias, a pergunta que se impõe é: quem estava sendo protegido? Certamente, não o servidor público.

O episódio desnuda algo que há anos se repete no sistema financeiro brasileiro: a socialização das perdas e a privatização dos ganhos. Recursos públicos, diretos ou indiretos, acabam absorvendo prejuízos que deveriam recair exclusivamente sobre quem tomou decisões arriscadas, opacas ou fraudulentas. Com a palavra, os governadores bolsonaristas Claudio Castro e Ibaneis Rocha.

É urgente que o caso seja investigado com a máxima transparência. Que haja responsabilização política, administrativa e criminal.

O escândalo do Banco Master e do BRB não é apenas um problema financeiro. É um alerta sobre governança, sobre o uso do dinheiro público e sobre o limite, já ultrapassado, da tolerância nacional com esquemas que colocam o interesse privado acima do coletivo.

No fim, a intervenção e a liquidação extrajudicial do Banco Master não encerram o problema; certamente a liquidação levará muitos anos. O importante é que cada etapa desse processo seja conduzida com absoluta transparência. Que os culpados sejam identificados, que os arranjos escusos entre dirigentes públicos e interesses privados venham à luz e que o dinheiro dos servidores, dos contribuintes e das instituições públicas seja recuperado.

*Via Brasil247

11 novembro 2025

Último concerto de VíCTOR JARA


Nascido numa família de camponeses, Jara se tornou um reconhecido diretor de teatro, dedicando-se ao desenvolvimento da arte no país, dirigindo uma vasta gama de obras locais, assim como clássicos da cena mundial. Simultaneamente, desenvolveu uma carreira no campo da música, desempenhando um papel central entre os artistas neo-folclóricos que estabeleceram o movimento da Nueva Canción Chilena, que gerou uma revolução na música popular de seu país durante o governo de Salvador Allende. Também era professor, tendo lecionado Jornalismo na Universidade do Chile.

Logo após o golpe militar de 11 de setembro de 1973, Jara foi preso, torturado e fuzilado. Seu corpo foi abandonado na rua de uma favela de Santiago [Chile].[2]

Em Portugal há uma banda musical chamada Brigada Victor Jara, em homenagem ao ativista chileno.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/

10 novembro 2025

SUSTENTABILIDADE - Lula na abertura da COP30: "É momento de impor uma nova derrota aos negacionistas"; vídeo

 


Presidente Lula fez uma dura crítica aos "negacionistas", que "controlam algoritmos, semeiam o ódio, espalham o medo": "A COP30 será a COP da verdade".

*CLIQUE AQUI para ler (e ver) na íntegra (via Revista Fórum)

08 novembro 2025

‘Mundo está distante de atingir meta do Acordo de Paris’ reconhece Lula na Cúpula do Clima

No segundo dia do encontro, presidente afirma que faltam esforços para manter o aquecimento global em 1,5ºC

O que nos cabe perguntar hoje é: estamos realmente fazendo o melhor possível? A resposta é: ainda não”, declarou Lula - Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O presidente Lula (PT) assumiu que, no atual ritmo de mitigação da crise climática, os governos estão longe de manter o aumento da temperatura global em 1,5ºC.

“O que nos cabe perguntar hoje é: estamos realmente fazendo o melhor possível? A resposta é: ainda não”, declarou Lula, na sessão 10 anos do Acordo de Paris: Contribuições Nacionalmente Determinadas e Financiamento, na tarde desta sexta-feira (7), no segundo e último dia da Cúpula do Clima, em Belém, capital do Pará.

O presidente lembrou que 100 países, representando quase 73% das emissões globais, apresentaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), conjunto de ações para a redução das emissões nacionais e para a adaptação aos impactos das alterações climáticas. As metas, no entanto, ficam longe do esperado para os bons resultados na contenção do avanço da crise climática.

“Em sua maioria, as novas NDCs avançaram ao abranger todos os setores econômicos e todos os gases do efeito estufa. Mas o planeta ainda caminha para um aquecimento de cerca de dois graus e meio”, afirmou Lula.

Em vigor desde novembro de 2016, o Acordo de Paris é um tratado internacional adotado por 195 Partes na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21), em Paris, França, em 2015. O acordo se baseia no entendimento de que cada país fará o melhor que estiver ao seu alcance para evitar o aumento das temperaturas em mais de 1,5ºC.

Até o momento, no entanto, nada indica que isso será possível. “Fazer da COP30 a ‘COP da verdade’ implica em reconhecer a ciência e os inegáveis progressos. Significa, entretanto, admitir uma verdade desagradável: o mundo ainda está distante de atingir o objetivo do Acordo de Paris”, afirmou o presidente.

Em sua fala, Lula reforçou o objetivo de que o encontro em Belém seja um ponto de virada nas projeções mais catastróficas. “Isso significa não apenas implementar o que já foi acordado, mas também adotar medidas adicionais capazes de preencher a lacuna entre a retórica e a realidade. Por isso, é fundamental que saiamos da COP30 com o compromisso de acelerar o alinhamento de nossas NDCs à Missão 1.5 com a qual nos comprometemos em Dubai”, declarou o presidente.

Na COP28, realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em 2023, as partes realizaram a conclusão do primeiro “balanço global” dos esforços mundiais para combater a crise climática a partir do que foi estabelecido pelo Acordo de Paris. O diagnóstico apontou para um progresso muito lento em todas as áreas da ação climática, desde a redução das emissões de gases de efeito estufa até o fortalecimento da resiliência às mudanças climáticas e o fornecimento de apoio financeiro e tecnológico às nações vulneráveis.

Diante das péssimas projeções, os participantes responderam com uma decisão sobre como acelerar a ação em todas as áreas até 2030.

“As exigências crescentes de adaptação vão requerer esforço ainda maior de financiamento. Sem incluir o capital privado, a conta não fechará”, pontuou o presidente.

Realizada nos dias 6 e 7 de novembro de 2025, a Cúpula do Clima antecede a COP30 e é um espaço de debates entre representantes de Governo que abordam temas como clima e natureza, transição energética e os diferentes impactos das tragédias climáticas na humanidade.

07 novembro 2025

05 novembro 2025

Foco tem que ser nos cabeças do crime organizado, diz Lula sobre medidas de segurança pública

Presidente defendeu aprovação do PL Antifacção

Presidente Lula | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil


Da Agência Brasil*

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (4) que o governo federal está empenhado em medidas para “quebrar a espinha dorsal” de grupos que atuam no tráfico de drogas e no crime organizado. Ele defendeu a aprovação do projeto de lei que endurece penas a integrantes e líderes de facções.

“Com mais inteligência, integração entre as forças de segurança e foco nos cabeças do crime – quem financia e comanda as facções”, escreveu o presidente em uma postagem na plataforma X.

Desde 2023, segundo Lula, as ações capitaneadas pelo governo federal retiraram R$ 19,8 bilhões das mãos de criminosos, no que chamou de “maior prejuízo já imposto ao crime, enfraquecendo lideranças e redes financeiras”. O número de operações da Polícia Federal saltou, de acordo com o presidente, de 1.875, em 2022, para 3.393 em 2024. Em 2025, já são 2.922 até outubro.

Nas rodovias, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 850 toneladas de drogas em 2024.

“Para sustentar esses avanços, o governo enviou ao Congresso o PL [projeto de lei] Antifacção, que endurece as penas e asfixia financeiramente as facções; e a PEC da Segurança Pública, que moderniza e integra as forças policiais, incorpora as Guardas Municipais e garante recursos permanentes para estados e municípios”, acrescentou o presidente.

Mais cedo, Lula, que está em Belém para a Cúpula do Clima, na COP30, conversou com jornalistas de agências internacionais de notícias e afirmou que a megaoperação policial das forças policiais no Rio de Janeiro, na semana passada, foi “desastrosa”.  A incursão nos complexos de favelas da Maré e da Penha resultou na morte de 121 pessoas, incluindo quatro policiais.

*Via Sul21

03 novembro 2025

ANTÔNIO GRINGO FARÁ SHOW EM SANTIAGO/RS NESTE SÁBADO

 


*CARTÕES À VENDA POR R$ 40,00 COM OS/AS ORGANIZADORES/AS (CONTATO PELO FONE/WHATS ACIMA)

Clara Charf: morre aos 100 anos a ativista pela memória e militante histórica do PT

Alagoana foi esposa de Carlos Marighella, lutou contra a ditadura e é símbolo de resistência

    Clara Charf - Créditos: Agência Brasil
Clara

Nesta segunda-feira (3), morreu Clara Charf, notória e histórica militante socialista brasileira, aos 100 anos de idade. Ela integrou a Aliança Nacional Libertadora, onde conheceu seu cônjuge Carlos Marighella e, depois, foi uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores, com marcante luta pelas mulheres e trabalhadores.

Militante comunista, Clara seguiu para exílio em 1969 após o assassinato de seu marido e viveu em Cuba por uma década. Retornou ao Brasil após a Lei da Anistia, dedicando-se à militância política e feminista, iniciando sua trajetória no PT, onde trabalhou nas secretarias de mulheres e de relações internacionais.

Entre os anos 80 e 2010, Charf teve um trabalho intenso na defesa das mulheres e, a partir de 2003,foi a comandante da Associação Mulheres pela Paz, que chegou a indicar 1000 mulheres para o Nobel da Paz de 2005.

100 anos de Clara Charf

O trecho abaixo é a reprodução de uma matéria da ABr, publicada em 17 de julho deste ano, dos jornalistas Luiz Claudio Ferreira, Repórter da Agência Brasil, e Mara Régia di Perna, Jornalista da Rádio Nacional,

Força, sorriso aberto, obstinação e uma estrada feita de paixões. Apaixonada pela liberdade, pela família, por um grande amor e pelo país. Quem testemunhou a trajetória da ativista brasileira Clara Charf, que completa, nesta quinta-feira (17), 100 anos de idade, a define como uma mulher à frente do seu tempo. 

Quem a acompanhou em algum momento enumera que Clara é uma mulher que precisou se reinventar e superar os dias duros, de prisão, assassinato do companheiro Carlos Marighella (foto), exílio e recomeços.

Atualmente, Clara tem apenas lapsos de memória, como explica a irmã caçula, Sara Grinspum, de 94 anos. Elas vivem juntas em São Paulo. Sarita, como é chamada em casa, afirma que Clara foi uma companheira sempre presente, ainda mais depois que a mãe delas, Ester, morreu precocemente com apenas 40 anos de idade, vítima de tuberculose.

“A minha irmã sempre prezou muito pela liberdade e pela vontade de ajudar as pessoas”, disse Sarita, em entrevista à Agência Brasil. Clara, referência e ídola da irmã, não foi mãe. "Na vida dela, não tinha como", explica.

A documentarista Isa Grinspum Ferraz, autora do premiado documentário Marighella (2012), sobre o tio guerrilheiro assassinado pela ditadura militar em 1969, diz que Clara tem uma história de 100 anos intensamente vividos. “Desde sempre, Clara foi uma pessoa inquieta, que queria transformar o mundo e que queria ser uma mulher livre”, explica. 

A sobrinha recorda que Clara quis (e conseguiu) ser aeromoça nos anos 1940, quando a profissão sofria com estereótipos. “Ela queria voar, ser livre, criar coisas e [tinha] uma preocupação social muito forte, muito grande”. Isa pondera que a tia tem uma trajetória de exemplo ao aderir à militância por justiça desde os 16 anos de idade. 

Depois que se ligou ao Partido Comunista Brasileiro, Clara se casou em 1947 com o também ativista Carlos Marighella. Após o golpe militar, o guerrilheiro, nos últimos anos de vida, participou da luta armada, o que fez Clara temer muito pelo destino. Ela também era perseguida por agentes da ditadura e foi presa. “Clara é uma mulher apaixonada pelo Brasil, pela América Latina e pelas lutas dos povos do mundo por melhores condições de vida”, revela Isa.

Exilada

Isa Grinspum reconhece que a tia viveu profundas dores com a perda do companheiro de vida, assassinado pela repressão em São Paulo. Mesmo assim, avalia, ela sempre foi uma pessoa muito otimista e alegre.

Depois do assassinato de Marighella, Clara foi para o exílio em Cuba naqueles tempos em que o Brasil vivia sob a legislação opressiva do ato institucional número 5 (AI-5), que revogava todas as liberdades individuais. Marighella era o inimigo número 1 da ditadura. A companheira dele, por consequência, também era perseguida. 

“Para nós, as crianças da família, sempre foi muito difícil estar longe da tia Clara. Ela passou 10 anos no exílio. Para nós, era um vácuo”, revela. A família ficou seis anos sem notícias. “Fomos reencontrá-la depois, em 1975, em Portugal. Foi um encontro muito emocionante”, recorda a sobrinha. 

Esse encontro também é citado pela irmã, Sara, como um dos grandes momentos de sua vida. “Quando a vimos, nos abraçamos muito e estávamos todos emocionados. É inesquecível”. Clara voltou ao Brasil em 1979, depois da lei de anistia. 

Luta pela democracia

Desde que voltou ao Brasil, Clara se engajou na luta política. “Ela passou a ficar muito próxima da luta das mulheres, das liberdades, dos direitos e por uma condição social sempre mais justa e igualitária. Justiça é uma palavra importante para Clara”. Inclusive, foi candidata a deputada estadual em 1982, pelo Partido dos Trabalhadores, recebeu 20 mil votos, mas não se elegeu.

Nordestina e filha de judeus

Clara Charf, a mais velha de três irmãos, nasceu em Maceió, em Alagoas, depois que os pais, judeus russos, fugiram da Europa. O pai, Gdal, trabalhou como mascate. Mesmo assim, Clara conseguiu aprender inglês e piano. A família mudou-se para Recife onde a comunidade judaica já havia se estabelecido. Na capital pernambucana, a matriarca Ester morreu de tuberculose com apenas 40 anos de idade. 

Diante das dificuldades da família, a filha mais velha foi para o Rio de Janeiro tentar emprego com 20 anos de idade. Filiou-se ao Partido Comunista em 1946. Foi lá que conheceu Carlos Marighella, como explica o escritor Mário Magalhães na biografia sobre o guerrilheiro. 

Ele revela que Clara, inicialmente, foi vender jornal em um bonde. O pai Gdal não viu com bons olhos essa atividade, nem depois o namoro com o comunista não-judeu. Mesmo assim, Clara não desistiu do amor. E graças ao conhecimento do idioma inglês conseguiu uma vaga para ser aeromoça.

A união do casal fez com que ambos lutassem juntos em ideais de transformação do Brasil durante a ditadura. Após a morte de Marighella, exílio forçado e depois retorno, Clara participou no Partido dos Trabalhadores pela democracia e também pela luta das mulheres.  

Mulheres pela Paz

Em 2005, Clara Charf passou a coordenar no Brasil o movimento Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo, que nasceu na Suíça. A ideia foi promover a indicação coletiva de mil mulheres para o Prêmio Nobel da Paz de 2005. No Brasil, seria preciso escolher 52 mulheres ativistas. 

São muitas vidas em intensidade. De aeromoça a dirigente comunista, de companheira de Carlos Marighella a coordenadora de projetos internacionais de paz, a militância de Clara Charf é histórica.

A professora Vera Vieira, atual dirigente da Associação Mulheres pela Paz, recorda que foi chamada por Clara para colaborar quando era coordenadora executiva de uma organização não governamental chamada Rede Mulher de Educação. “Houve uma sintonia muito grande entre nós duas. Ela sempre teve o poder da fala. E as pessoas a aplaudiam de pé onde ela chegava”, avalia.

O legado de Clara para a associação é imensurável, na avaliação de Vera Vieira, ao abarcar projetos de conscientização pelos direitos das mulheres. Ela diz que faltam recursos financeiros, mas tem conseguido parcerias para atividades, como a do ano passado em que foi desenvolvido um projeto financiado pelo Ministério das Mulheres contra a violência de gênero. “Estamos na luta em busca de novos projetos”, assegura.

Vera aponta que Clara se dedicou diretamente à causa até que os efeitos do alzheimer passaram a impedi-la de viajar ou agir diretamente. “A gente continua a levar a mensagem da Clara Charf, desse conceito ampliado de paz que se alicerça na justiça social e na segurança humana”, afirma a dirigente. 

Visibilidade

Para o centenário, a Associação Mulheres pela Paz busca expandir a visibilidade da história da ativista. Com apoio da jornalista Patrícia Negrão, a pretensão é encontrar recursos para publicar um livro com  entrevistas de pessoas que passaram pela vida da Clara. Não há até agora uma biografia sobre ela. “Ela é uma pessoa muito à frente do tempo dela”, assegura.

Tem a mesma opinião outro cineasta, Sílvio Tendler, também documentarista da história de Carlos Marighella. Ele explica que a busca por denunciar o que ocorreu com o marido de Clara a levou a abrir as memórias do que havia ocorrido. “Ela me dava todos os contatos e facilitou tudo. Até mesmo de pessoas que representavam uma certa dor para ela, ela não se negou a nada e foi muito generosa”, diz o cineasta. 

A cineasta Isa Grinspum Ferraz também entende que a história da tia precisa ter mais visibilidade e defende que artistas podem contar uma trajetória fundamental e inédita do país. Isa Ferraz diz que o envolvimento emocional tão especial com a tia a impede de fazer um novo filme sobre a família. No entanto, recomenda que um filme ou um livro, por exemplo, devem ser feitos o quanto antes em vista de haver ainda pessoas que são testemunhas desse percurso. 

“Hoje, Clara está com problemas de memória, mas sempre que tem momentos de lucidez, ela está falando em melhorar a vida das pessoas e de como poderia ajudar”, diz Isa. A irmã, Sarita, também defende que mais histórias de Clara sejam recuperadas. Às vezes, ela faz discursos e conversamos sobre os direitos das mulheres. Às vezes, ela esquece, mas nós conversamos bastante”. A força, o sorriso e os ideais resistiram ao tempo.

*Por Yuri Ferreira e Abr - Fonte: Revista Fórum