*Via YouTube
Diretor Aurélio Michelis faz a conexão entre o passado e o presente
Por Luiz Carlos Azenha*
Aurélio Michelis dirigiu Honestino, que está em cartaz nos cinemas. Bruno Gagliasso faz o papel do líder estudantil que foi desaparecido pela ditadura militar brasileira aos 23 anos de idade.
Assim como Anistia 79, também lançado neste agosto de 2026, Honestino resgata memória da ditadura militar (1964-1985) que nos infelicitou.
Faltando semanas para a eleição presidencial no Brasil, com o cerco dos Estados Unidos se fechando, os diretores dos dois filmes traçaram paralelos entre o passado e o presente.
Aurélio Michelis relembrou uma História da infância, que ainda está viva: os bastidores da batalha pelos recursos naturais brasileiros.
Seguem trechos da entrevista — e o vídeo com a íntegra.
Aurélio Michelis: Eu tenho saudade daquilo que não foi. Do futuro que não aconteceu. Uma vez saiu no Jornal de Manaus uma notícia de que jorrava petróleo à flor da terra em Nova Olinda do Norte, que é um município que tem no Amazonas que hoje se chama Coari. É onde hoje tem a maior reserva de gás da Petrobras. Quando eu era criança, as pessoas recolhiam o óleo que brotava e o colocavam na lamparina. Você lembra da lamparina? Você conheceu? Aquele espécie de fio que você colocava o combustível, tinha uma ponta que saía um algodão e se iluminava, antes de ter energia elétrica.
Saiu nessa matéria, falava que apesar de o petróleo jorrar, técnicos norte-americanos que vieram avaliar, consideraram que não era comerciável o petróleo. O meu avô fez um comentário assim, ele era muito engraçado, ele falou assim: “Realmente esse petróleo respeita as fronteiras políticas, porque na Venezuela tem petróleo, quando chega na fronteira do Brasil, ele dá meia curva”.
Então, essa realidade de manipulação, ela não é nova. Todas as vezes que o Brasil se impõe, todas as vezes que o Brasil quer se colocar, como ele merece ser, porque o tamanho do nosso país, um país continental, com uma variedade de recursos naturais que poucos países possuem… é claro que um país vizinho tão guloso como são os Estados Unidos, um país que está em guerra há mais de 200 anos, um país que fomenta a arma, o guerreiro, sanguinário… Então, é complicado. O Brasil, quando se coloca com essa potencialidade, começa a sofrer essas ameaças. É só ver a questão do PIX, a tentativa de interferência nas eleições brasileiras.
Aurélio Michelis: O Honestino [Guimarães] fazia parte de um grupo de luta maioísta, de luta de massas. mas tudo bem, o inimigo era muito mais poderoso, então, de certa forma, essa geração sofreu um revés muito forte, porque a resposta da ditadura, que era protegida pelos Estados Unidos, a gente não pode esquecer.
No ano em que o Ernestino foi morto, assassinado — eu não gosto de falar de desaparecido, ele foi assassinado — seu corpo até hoje não foi encontrado, mas ele foi assassinado com 23 anos de idade, no Rio de Janeiro.
Em 1973, o Richard Nixon, que era o presidente dos Estados Unidos, faz um discurso onde ele diz, para onde for o Brasil, irá toda a América Latina. Então, ele estava sinalizando que, naqueles países, onde naquele momento estavam o Allende no poder [no Chile], na Argentina havia já o Perón — tinha voltado, havia todo um governo híbrido ali, lutando pela democracia — no Peru estava o [Juan Velasco] Alvarado, que era um general que se dizia nacionalista e por aí afora e na Bolívia estava o [Hugo] Banzer, que também era um militar nacionalista.
Desde 1964 o Brasil já estava na ditadura e nesse ano [1973] o Honestino é sequestrado e assassinado. Então, a minha vontade era fazer essa leitura, trazer essa atmosfera, mostrar que hoje, qual é o discurso dos canalhas que dirigem os Estados Unidos da América do Norte? O discurso é que a América do Sul é o quintal deles. Eles não vão admitir, eles vão fazer de tudo para interferir na eleição da Colômbia, na eleição do Peru, na eleição…
Na Argentina vão manter um ser sem nenhuma característica de Humanidade, lá no Chile também estão desmontando as conquistas realizadas pós-ditadura Pinochet e no Brasil nós estamos sob essa ameaça também. Felizmente nós temos o Lula, que tem o carisma de um líder mundial — e isso é uma grande barreira para que nós possamos defender a frágil democracia brasileira. E, com isso, ter a liberdade para falar sobre o Honestino! -
*Fonte: Revista Fórum

Júlio C. S. Garcia*
Eu canto
com profundo prazer, com emoção
o povo que optou por ser livre
e que por isso sangrou.
Os heróis e os anônimos.
A América Latina
(vulcão em atividade permanente).
O fogo descendo pelas encostas das
neves andinas,
Eternas, desafiadoras, majestosas...
E madrastas.
Che Guevara eternizando seu exemplo
nos vales e montanhas bolivianas.
Eu canto o feito épico
de Lamarca lutando contra a fome
e as injustiças no Vale da Ribeira.
[As lutas - e o sacrifício! - de Prestes, Olga, Stuart, Sônia, Zuzu, Basilícia, Victor Jara, Osvaldão, Camilo Torres, Honestino Guimarães, Raúl Sendic, Marighella...]
As crianças da Nicarágua
entoando suas canções sandinistas
(que falam em um porvir
com rios de leite e mel).
Eu canto a epopeia vivenciada
pelos povos, todos, de nosso imenso
e explorado continente
(do Altiplano, das savanas, dos pampas
sem fronteiras,
da Amazônia infinita, das selvas
colombianas...).
Eu canto
os camponeses, os índios
despojados de suas terras.
Os combatentes mortos no Peru
nas selvas do Araguaia
nas ruas de Santiago...
Toda a resistência conhecida
(ou anônima)
que houve, ou que haverá (?!) em nossa
Pátria Grande
Eu canto.
A coragem da mulher salvadorenha,
chilena, brasileira, uruguaya...
A saga das loucas
da Plaza de Mayo.
De todas as esposas/mães/irmãs/amigas
de todas as fortes, calejadas,
saudosas, resistentes
companheiras dos desaparecidos
latino-americanos...
Por todo o sangue derramado
pelos povos.
Por tudo isso dito, e pelo que ficou
Ainda guardado, esperando o seu
momento,
E c o a n d o :
-EU CANTO!
....
*Este poema (que integra os meus livros Cara & Coragem (Volumes I e II) também recebeu ‘Menção Honrosa’ no XXI Concurso Literário Felippe D’Oliveira, Santa Maria/RS, em 1997.
Uma análise das fragilidades políticas, contradições ideológicas e desdobramentos judiciais que enfraquecem o projeto político da direita no cenário eleitoral brasileiro
Por Emir Sader*
A direita só conseguiu chegar ao governo, depois da ditadura militar, quando usou o lawfare e impôs um impeachment indevido à Dilma e prendeu Lula, também de forma injusta, como o próprio Judiciário reconheceu posteriormente.
Depois, veio o flagrante com o Vorcaro, a tentativa de golpe para tentar impedir a posse do Lula, pelo qual o Bolsonaro está em prisão domiciliar, o discurso da mulher do Bolsonaro revelando a forma como eles tratam as mulheres, além de outras circunstâncias, todas negativas. Além de que o candidato da direita não tem nada a propor. Diz que vai resgatar o mandato do pai, massacrado pela própria mídia como um mandato desastroso, que não deixou nada de positivo.
A direita brasileira está presa na armadilha de ser bolsonarista, de querer herdar os votos do ex-presidente em prisão domiciliar, mas, ao mesmo tempo, herdar todas as consequências negativas da imagem da família.
A direita brasileira não tem compromisso com a democracia. Em condições democráticas, perde as eleições e, por isso, busca outros caminhos. Assim, em tempos de consolidação da democracia, se vê condenada à derrota e ao fracasso.
A direita conta com a força do capital especulativo, que sobrevive graças às taxas de juros altíssimas, o que dificulta a retomada de um ciclo longo expansivo da economia.
A disputa sobre os temas centrais na mídia é uma questão central. A insistência no tema da inflação e dos seus riscos, posto em prática pela grande mídia, joga a favor da direita e da especulação financeira.
Seja por estes riscos e pelos efeitos psicológicos do medo da inflação, seja por dificuldades para superar estes problemas, os governos do PT esbarram nessa questão. Não logram impor a questão social, das desigualdades sociais, como a mais importante no país. Encontram na grande mídia um obstáculo difícil de superar, pelo poder que essa mídia tem.
Diante disso, o mandato do Lula, mesmo sem maioria no Congresso e tendo que fazer alianças com setores de centro, apresenta resultados positivos, de todos os pontos de vista. Tem problemas, que ficam transferidos para o quarto mandato, se conseguir eleger um Congresso menos desfavorável que o atual.
Mas tem, principalmente, que formular um projeto para o futuro do Brasil. Pode contar com a possibilidade de dirigir o país por um bom tempo. Possibilidade que tem que aproveitar, sendo capaz de formular o projeto do tipo de Estado, de sociedade, de cultura, de comunicação que deseja para o país e encontrar as forças para colocá-lo em prática. O resultado das eleições deste ano é decisivo para que essa possibilidade se torne realidade.
*Fonte: https://www.brasil247.com/
Milhares acompanharam o lançamento da campanha à reeleição neste domingo (16)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início à sua campanha à reeleição neste domingo (16). O discurso do petista de 80 anos de idade foi acompanhado por milhares de apoiadores, concentrados no gramado do Estádio 1º Maio, em São Bernardo do Campo (SP), mesmo local onde, em março de 1979, Lula discursou nas assembleias da Grande Greve do ABC.
Usando o chapéu panamá que virou sua marca, Lula justificou o acessório por conta da radioterapia para tratar um câncer de pele.
“Sou muito agradecido porque Deus sempre foi muito generoso comigo. Deus fez vocês e vocês fizeram o Lula ser o que ele é. Portanto, obrigado a vocês, trabalhadores e trabalhadoras desse país, que um dia tiveram consciência de apostar em um igual. A quantidade de diploma mostra o conhecimento, mas a inteligência é saber utilizar esse conhecimento em benefício de quem e para quem”, disse.
Lula fez uma breve retrospectiva das greves dos metalúrgicos entre 1978 e 1980, afirmando ter tido as maiores lições de política da sua vida nesse período. Quase 48 anos depois, aquele líder sindical disputa sua sétima eleição, buscando o quarto mandato na presidência, algo inédito na história do país.
O ato resgatou imagens de Lula discursando naquele mesmo estádio para um mar de trabalhadores metalúrgicos. As históricas greves dos anos 1970 fortaleceram o caminho para a redemocratização no Brasil e deram origem ao Partido dos Trabalhadores (PT). Na sequência, depoimentos de membros do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC relembraram que a luta por melhores condições de trabalho encontrou uma grande referência na liderança de Lula em São Bernardo do Campo.
Lula afirmou que os trabalhadores deram um voto de confiança para a sua capacidade, assim como o povo brasileiro anos depois. “Muito obrigado a cada homem e mulher, em cada estado do país, cada trabalhador que teve a coragem de levantar e dizer que vai colocar na Presidência da República um peão quase analfabeto porque tenho o diploma primário e o curso do Senai [de torneiro mecânico]”, agradeceu.
Ele se emocionou ao lembrar da morte da mãe, dona Lindu, em 1980, quando estava preso por conta da greve. “No tempo da ditadura militar, um delegado de polícia permitiu que eu fosse ao enterro da minha mãe. Agora, no regime democrático, um ministro que indiquei não permitiu que eu fosse ao enterro do seu irmão”, pontuou.
O presidente relacionou o surgimento do PT à luta sindical, por terem identificado a necessidade de eleger políticos comprometidos com as pautas da classe trabalhadora. “Eu dizia que odiava política, pensava que era esperto. É preciso gostar da política para escolher corretamente, senão a gente passa o ano inteiro brigando com o patrão, mas chega na eleição e elege o patrão. É uma contradição colocar a raposa no galinheiro. Essa descoberta política eu tive aqui no estádio”, disse.

Para além da retrospectiva da sua trajetória e do simbolismo do Estádio Euclides da Cunha, o presidente também comentou o momento atual da política e criticou a extrema direita. “O povo brasileiro não vai aceitar que a mentira vença a verdade”, disse Lula.
“O esforço que eu faço todo dia é para não falhar com vocês. Podem ter certeza da minha lealdade, é por isso que tenho muito orgulho de estar aqui 47 anos depois. Enquanto for vivo, não vou parar de lutar. Essa direita ficava dando risada de idosos morrendo por falta de oxigênio [na pandemia de covid-19], é responsável por 400 mil pessoas na covid. O que essa gente pensa para o povo brasileiro?”, questionou.
Ao abordar a segurança pública, Lula afirmou que pretende continuar mirando na estrutura financeira das organizações criminosas, mas também vai enfrentar aqueles que tentam se impor por meio da violência em territórios vulneráveis.
“Se for aprovada a PEC da Segurança Pública, vou criar o Ministério da Segurança Pública para dividir a responsabilidade com estados e municípios para libertar o povo, prendendo todo mundo que acha que é dono de uma favela ou bairro pobre”, garantiu.
Ainda no tema da violência, o presidente reafirmou a defesa das mulheres e pediu que os homens se eduquem a esse respeito. “Mulheres desse país, não abaixem a cabeça nunca porque nós, homens, precisamos aprender a respeitar vocês como companheiras, não como serviçais”, enfatizou.

Diversos programas foram destacados pelo presidente Lula como feitos importantes dos seus governos, sobretudo na educação. Ele relacionou o futuro do país com escolas em tempo integral, ensino superior e oportunidade dos jovens se desenvolverem em diferentes áreas com qualidade.
“O Brasil tem 300 e poucas faculdades, eu e Dilma [Rousseff] em apenas 16 anos, fizemos 200. Isso é pensar no futuro. O futuro significa formar os nossos jovens. Se preparem porque vai ter mais. […] Vamos terminar o mandato com 800 Institutos Federais”, disse.
Ao tratar do futuro do país, o candidato do PT defendeu a exploração de terras raras sem interferências externas. “Queremos colocar as meninas e os meninos para estudarem como explorar esses minérios, como produzir celulares, chips, baterias elétricas. Ninguém vai explorar nossos minerais críticos. Nós que vamos explorar em benefício do povo brasileiro”, enfatizou.
*Editado por: Monyse Ravena - Via Redação BdF
Em jantar com a elite paulistana, Kassab, vice de Caiado e presidente do PSD, diz que o Centrão fechou com Lula — e que isso sepulta a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Por Renato Rovai*
Em jantar com a elite paulistana na casa do ex-tucano Andrea Matarazzo, o presidente do PSD e vice na chapa de Ronaldo Caiado afirmou que o Centrão fechou com Lula e que isso inviabiliza a candidatura do filho de Bolsonaro
Gilberto Kassab não é homem de fazer prognóstico eleitoral por impulso. Kassabão é a raposa felpuda mais experiente do Centrão, presidente nacional do PSD e agora vice na chapa de Ronaldo Caiado — e quando ele fala algo em público, é porque já fez a conta do que isso pode render.
Além de Andrea Matarazzo e de empresários paulistas, o jantar teve “figuras ilustres” como o ex-ministro da Saúde Mandetta e a eterna socialité Narcisa Tamborindeguy do “ai que loucura”.
Era a plateia certa para esse tipo de recado: não é para o eleitor, é para o mercado e para o próprio Centrão se convencer de que apostar no filho de Bolsonaro é apostar no cavalo errado.
“Quando a campanha começar, isso vai ficar claro”, disse Kassab, explicando que o Centrão, ao não fechar com Flávio, já declarou — na prática — que seu candidato é Lula.
Aqui está o ponto que poucos analistas e comentaristas estão captando: essa frase não é retórica de bastidor. Ela tem efeito prático, mensurável, no horário eleitoral gratuito.
90% do tempo de TV e rádio é distribuído proporcionalmente ao tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados. Isso significa que, quando partidos do Centrão — Republicanos, PP, União Brasil — deixam de compor com Flávio, o tempo desses partidos simplesmente some do lado bolsonarista e é dividido por todos os outros. O que favorece Lula e o próprio PSD.
Foi exatamente isso que Kassab descreveu ao dizer que o PSD sai de 30 segundos para 2 minutos e 20 — o que ele, com o humor ácido de sempre, chamou de tempo de “uma novela”.
Ainda há outro efeito essa distribuição do tempo de propaganda, Lula poderá fazer duas coisas ao mesmo tempo — mostrar o que fez de concreto no governo e desconstruir Flávio Bolsona, expondo o entorno dele.
Foi essa a aposta que o próprio Kassab fez no jantar. Que durante a campanha, Lula vai destruir Flávio.
O recado por trás do recado é o seguinte: o Centrão, que historicamente se vende ao melhor pagador e evita compromisso público antes da hora, já escolheu de que lado vai ficar. E quando o fisiologismo se antecipa dessa forma, é porque a conta interna do poder já foi fechada. Ou seja, o cavalo já passou selado. E o nome dele é Lula, segundo Kassab.
*Via Revista Fórum
Presidente lidera cenários e atinge 52,6% de potencial de voto
Presidente Lula - Crédito: Ricardo Stuckert/PR
247* – O presidente Lula (PT) lidera todos os cenários de intenção de voto para a eleição presidencial de 2026 e registra números que o deixam no limite de uma vitória em primeiro turno, segundo dados da 169ª Pesquisa CNT de Opinião, realizada pelo Instituto MDA e contratada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).
Na pesquisa estimulada de primeiro turno, Lula aparece na liderança isolada com 42,4% das intenções de voto. Seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), figura em segundo lugar com 28,7%. Na sequência, aparecem Ronaldo Caiado (4%), Romeu Zema (3,3%), Renan Santos (2,8%), Augusto Cury (1,2%). Os demais não chegam a 1%. Os votos brancos e nulos somam 6,8%, enquanto os indecisos representam 7,2%.
Matematicamente, a definição da eleição no primeiro turno exige que o candidato vencedor obtenha mais de 50% dos votos válidos, superando a soma de todos os seus concorrentes diretos. Na amostragem da pesquisa CNT/MDA, a soma de todos os adversários de Lula atinge 43,4% das intenções de voto. Dessa forma, caso Lula consiga atrair apenas 0,6% dos votos que hoje estão distribuídos entre seus oponentes, ele alcançará 43,0% contra 42,8% do conjunto da oposição, garantindo numericamente a maioria absoluta necessária para vencer o pleito em primeiro turno. Essa pequena margem de crescimento pode ser alcançada ao longo da própria campanha eleitoral, impulsionada pelo início da propaganda no rádio e na televisão, pelo fortalecimento dos palanques regionais e pela mobilização de sua base aliada. Cabe destacar que o Instituto MDA foi o que apresentou o maior índice de acerto no resultado final das últimas eleições presidenciais, o que confere ainda maior relevância estratégica e precisão analítica a esse cenário.
O levantamento revela ainda a força do potencial eleitoral de Lula: 52,6% dos entrevistados afirmam que votariam nele com certeza ou que poderiam votar na sua candidatura.
Nas simulações de segundo turno, o presidente vence com folga todos os adversários testados:
O levantamento do Instituto MDA para a CNT foi realizado de maneira presencial entre os dias 5 e 9 de agosto de 2026, com 2.002 entrevistas distribuídas proporcionalmente pelo país. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06935/2026.
*Fonte: https://www.brasil247.com/
Representantes de mídias progressistas resgatam história da imprensa e examinam desafios de sustentabilidade financeira*
Por Luís Indriunas*
A mídia independente tem um papel fundamental para a democracia, sendo a antítese do jornalismo de mercado, mas carece de apoio político e financeiro para fazer parte da construção do país. O debate “Desafios do jornalismo independente e progressista”, ocorrido nesta quinta-feira (6) na 8ª Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei), reuniu jornalistas que atuam em alguns dos principais veículos independentes para discutir a série de desafios do jornalismo progressista. Sob mediação da jornalista Dri Delorenzo, o debate também incluiu questões de mudanças tecnológicas, como as redes sociais e a inteligência artificial.
“A gente tem uma grande redação que pode construir, sim, coisas muito melhores. Agora, a grande discussão é que as nossas mídias deveriam conseguir também fazer parte da construção de um projeto de país, estar dentro desse pensar o projeto do país”, disse Renato Rovai, fundador e diretor da Revista Fórum, uma das primeiras iniciativas nesse modelo que se consolidou ao longo das últimas décadas.
“Nós somos uma mídia séria, que faz jornalismo, que não planta fake news, que obviamente tem campo, tem lado. Mas que lado é esse? É o lado da antítese do capital puro e simples, do mercado”, completou.
Dentro desse contexto, o fundador do Jornal GGN, Luis Nassif, fez um resgate da história do jornalismo desde a ditadura até a redemocratização. “É tudo uma questão de mercado”, disse o jornalista no início da sua fala.
Nassif lembra que, após a ditadura, quando toda a imprensa atuava numa só direção, os grandes jornais perceberam um mercado para diferentes opiniões, a partir da redemocratização. É o caso da Folha de S.Paulo, que começou a ter vários colunistas de esquerda e a cobrir temas caros ao campo progressista.
“Quando entra a democracia, entram o pacto das diretas e o pacto da Constituinte. Com esse pacto, os jornais que sempre recaíam para a direita passam a disputar todos os públicos.” É um momento em que os jornais garantiam liquidez e estavam protegidos dos impactos dos mercados internacionais de mídia. No entanto, dois fenômenos acabaram com esse modelo: a crise financeira de 2008 e o início da internet.
Nesse momento, ao mesmo tempo em que a mídia independente cresce, os grandes jornais adotam, como destaca, o modelo Murdoch [megaempresário de mídia estadunidense], que “espalha toda sorte de ataques contra a esquerda”.
Desse período, destacam-se a cobertura da mídia comercial do mensalão e, depois, do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Neste momento, a mídia independente assume papel fundamental no combate ao discurso da classe dominante contra os governos progressistas.
Nassif aponta que, após as manifestações de julho de 2013, surge uma polarização incentivada pela mídia comercial. O diretor do Jornal GGN lembra que esse movimento contou também com uma articulação para bloquear o investimento publicitário na mídia independente, com até mesmo um seminário para agências publicitárias, promovido pela editora Abril, que comparava a cobertura editorial dos veículos progressistas a grupos radicais da internet. “Nesse momento, o mercado publicitário se fechou à mídia independente”, contou.
A essa articulação somam-se as mudanças constantes dos algoritmos das big techs, que diminuem o faturamento pelas visualizações. “Na verdade, atualmente, o único modelo que garante ainda a imprensa independente é o apoio dos leitores”, concluiu.
Florestan Fernandes Júnior, do Conselho Editorial do Brasil 247, aponta que a história da mídia independente está presente na luta pela democracia, lembrando que ela surge combatendo a ditadura e passa recentemente pelo golpe de 8 de janeiro. “São duas lutas que marcam a nossa geração: uma ditadura com censura e o governo Bolsonaro, que queria impor um sistema autocrático.”
A partir da crise financeira apontada por Nassif, o diretor do Diário do Centro do Mundo (DCM), Kiko Nogueira, destacou a dificuldade de manter um jornalismo de qualidade para além do jornalismo de comentaristas, apostando na reportagem.
“Os recursos são muito parcos para isso. Então a mídia cresceu, a mídia começou com muita opinião, entrevistas, mas há muita opinião e pouca reportagem, pouca produção própria de conteúdo”, destacou.
“A mídia independente talvez enfrente hoje dificuldades ainda maiores do que as vividas nos quatro anos do Bolsonaro. Se, durante o governo anterior, o desafio era resistir aos ataques à democracia e à liberdade de imprensa. Agora, a preocupação é garantir condições mínimas de sustentabilidade para que esse jornalismo continue existindo”, completou Fernandes Júnior.
Dentro desse contexto desafiador, a coordenadora de jornalismo do Brasil de Fato, Monyse Ravena, lembra que há uma discussão do próprio lugar do jornalismo na sociedade. “A gente tem um momento de bastante desvalorização da informação produzida a partir do jornalismo. Você tem uma espécie de concorrência muito direta com outros produtores de conteúdo, como os influenciadores, e uma lógica de produção de conteúdo que prioriza esses outros formatos. Assim, o próprio lugar do jornalismo como esse, fiador da notícia, dos acontecimentos, está posto em cheque”.
Quanto à crise de recursos, Ravena lembra que “no princípio, no fim, é sobre a propriedade dos meios de produção que vai definir esse contexto. Então, essas grandes empresas, essas grandes plataformas não estão sob o nosso poder, não foram criadas a partir desse lugar e a gente tem esses efeitos no cotidiano.”
A coordenadora do Brasil de Fato coloca ainda outro obstáculo atual, que é um processo “muito feroz de judicialização”. “Todo mundo aqui enfrenta isso no cotidiano e isso também é um reflexo um pouco dessa disputa, que, no fim, é uma disputa de visão de mundo.”
*Editado por: Gia Matheus Almeida - Via BdF
Em nota, a Secretaria de Comunicação diz que medida 'não é um fato isolado' e recorda outras hostilidades, como tarifas