08 junho 2014

Para Agir como o PT Agia!



Eleições 2014

Prezad@s Amig@s e Companheir@s: Conforme eu tinha postado nos blogues que edito - e  no face - dia 06/06 era o 'Dia D' (não só o do aniversário do famoso desembarque dos Aliados nas praias da Normandia, em 1944, mas também o dia em que eu deveria decidir se seria ou não candidato à uma vaga na AL/RS nestas eleições).

Então, depois de quase dois meses de consultas, reflexões e avaliações, -realizadas de forma coletiva com @s companheir@s com quem milito mais diretamente e que propuseram minha candidatura -, informo que decidi aceitar o desafio, a responsabilidade - e a honrosa missão! - de ser CANDIDATO à uma vaga na AL/RS nas eleições de outubro - e dar minha modesta contribuição para reeleger nosso Projeto no Estado e no País. Temos consciência das dificuldades que enfrentaremos, disputando uma eleição ainda sob o signo da hegemonia do poder econômico, num sistema eleitoral viciado e arcaico, mas entendemos que, com o apoio da nossa aguerrida militância - e dos amig@s -, poderemos surpreender positivamente.

Minha plataforma de campanha (além da discussão e encaminhamento das demandas localizadas e pontuais que priorizarei), para quem tiver interesse, está sintetizada nas bandeiras aprovadas no Encontro Nacional do Diálogo e Ação Petista, realizado dia 11 de maio em SP. Meus Comitês de Campanha também serão Comitês da Cidadania em apoio ao Plebiscito pela Constituinte para a Reforma Política "para destravar as aspirações de justiça social e soberania do povo brasileiro".

-Então, vamos à luta - "Para Agir como o PT Agia!"

"Sinto mais uma vez sob meus calcanhares as costelas de Rocinante; volto à estrada com o escudo ao braço" (Che)


*Via meu facebook e http://o-boqueirao.blogspot.com.br/

07 junho 2014

Encontro do PT/RS lança Tarso, Abgail, Olívio e candidatos à Assembléia Legislativa e à Câmara dos Deputados



Porto Alegre/RS - Lideranças e militantes petistas de todo o Rio Grande do Sul participaram ontem (06/06) em Porto Alegre do 21º Encontro Estadual do PT/RS. Com a presença da presidenta e pré-candidata à reeleição, Dilma Rousseff, e do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, os delegados presentes ao encontro aprovaram as indicações dos partidos da Unidade Popular pelo Rio Grande para compor a chapa majoritária no estado, com o companheiro Tarso Genro, pré-candidato à reeleição, a companheira Abgail Pereira (PCdoB), pré-candidata a vice-governadora, e o ex-governador e Presidente de Honra do PT/RS, Olívio Dutra, pré-candidato ao Senado Federal. Os 300 delegados também aprovaram as diretrizes do Programa de Governo, em votações conduzidas pelo presidente estadual, Ary Vanazzi.
Dilma: “Chegou a hora da verdade vencer as mentiras”
A presidenta Dilma Rousseff respondeu com dureza às críticas de setores da mídia e da oposição aos governos do PT. “Se nas eleições de Lula, a esperança venceu o medo, nessa eleição a verdade vai vencer toda mentira e desinformação semeada pelo País”, afirmou.
Dilma disse ser preciso proteger o futuro do Brasil, pois ainda há quem queira “voltar ao passado”, e relembrou as conquistas do País durante 11 anos de governo PT, com a transformação social vivida pelos brasileiros. A presidenta garantiu que o modelo de gestão implantado pelo partido não está esgotado, como a oposição tenta afirmar. “Todos os dados mostram que este processo continua e se aprofundou em relação a 2003”, disse.
Lula defende divulgação dos avanços no Brasil nos últimos 11 anos
Lula contou estar impressionado com a falta de conhecimento da juventude sobre os avanços ocorridos no país nos últimos 11 anos. “Eu vou chamar a atenção de uma coisa que está acontecendo nesse país: eu acho que por conta do tratamento que a imprensa tem dado ao governo, o povo brasileiro não sabe 30% do que o governo da presidenta Dilma está fazendo.” Para o ex-presidente, isso não é por acaso. “Eu me dei conta que o que está acontecendo de errado é um processo de desinformação premeditado nesse país.”
Tarso defende crescimento com inclusão e justiça social
Ao destacar o desenvolvimento econômico do Brasil nos 12 anos dos governos Lula e Dilma e a retomada do crescimento no Rio Grande nos últimos quatro anos, o governador Tarso Genro defendeu que de nada adianta crescer economicamente sem distribuir renda e melhorar a vida das pessoas. Tarso também comparou o Brasil com o cenário internacional: “Enquanto a Europa está encurralada pela crise do modelo neoliberal, nós aqui, liderados por Lula e Dilma, crescemos, distribuímos renda e apontamos para um futuro com mais justiça e igualdade".
 Sujeitos e não objetos, diz Olívio
Olívio Dutra destacou que “somos todos militantes para a construção desta história, para consolidarmos a transformação deste país em uma grande Nação. Nosso projeto incorpora as pessoas do bem deste estado e deste país, onde as pessoas são sujeitos e não objetos. É esta política deve funcionar bem e melhor para a maioria e não para poucos”. (Com a Agência PT de Notícias, Instituto Lula, PTSul e sítio do PT/RS)
...
*NOTA do Editor do Blog: Além da definição das candidaturas majoritárias do PT e da Unidade Popular pelo Rio Grande, foram chanceladas também as pré-candidaturas do PT à Câmara dos Deputados e à Assembléia Legislativa gaúcha. Este Editor teve sua pré-candidatura confirmada e também deverá concorrer a uma vaga para a AL/RS nestas eleições. (Júlio Garcia)

05 junho 2014

Amanhã é o 'Dia D'


Ainda em Santiago, viajo amanhã cedo para Porto Alegre. À tardinha, participo na AL/RS do Encontro Estadual do PT/RS com a Presidenta Dilma, ex-presidente Lula, Governador Tarso, sua futura vice Abgail, com o ex-governador futuro Senador Olívio e demais comp@s. Depois do lançamento da chapa majoritária e das candidaturas proporcionais à Câmara dos Deputados e à Assembléia Legislativa e da aprovação das Diretrizes do Programa de Governo e Tática Eleitoral, participo do jantar no Galpão Crioulo do Parque da Harmonia.

A propósito de minha - possível - candidatura, como havia informado anteriormente, amanhã é o prazo final para minha decisão (se deverei mesmo concorrer a deputado estadual pelo PT nas próximas eleições). A tendência que se cristaliza é de que eu saia mesmo candidato, mas ainda estou auscultando a posição d@s companheir@s e amig@s sobre a melhor decisão a tomar... (via face)
...

*Nota: curiosamente, foi no dia 06 de junho de 1944  que os aliados desembarcaram nas praias da Normandia - o Dia  D - que marcou a 'virada' na 2ª guerra mundial e a posterior derrota dos nazi-fascistas...

04 junho 2014

Olívio Dutra: “O Orçamento Participativo deu vez e voz para quem até então não tinha tido vez nem voz”




Por Matheus Piovesan,  no Sul21* 
Experiência bem-sucedida criada em Porto Alegre e hoje reproduzida em 3 mil cidades ao redor do mundo, o Orçamento Participativo (OP) foi saudado em plenária organizada durante a 14ª Conferência do Observatório Internacional de Democracia Participativa. O evento realizado em Canoas desde a terça-feira (3) segue até quinta-feira e deve reunir mais de mil pessoas de 25 nacionalidades que participarão das discussões levantadas por 80 painelistas, entre eles, autoridades locais, sociólogos, cientistas políticos, acadêmicos e representantes de organizações não-governamentais de todo o mundo.
Entre o final da manhã e o início da tarde desta quarta-feira (4), a plenária reuniu políticos e pensadores nacionais e internacionais para fazer um balanço desta ferramenta que surgiu em 1989, completando atualmente 25 anos de existência, e hoje chega a dezenas de países.
Saiba mais:
O destaque da plenária foi a presença de Olívio Dutra, considerado o pai do Orçamento Participativo, já que a experiência foi criada durante sua gestão na prefeitura da capital gaúcha. Com uma efusiva salva de palmas, o petista lembrou o contexto em que foi concebido o OP.
“O Orçamento surgiu da necessidade de discutir a receita pública gerada em Porto Alegre, não só na área urbana como também na rural. Era uma necessidade de incluir a cidadania. Ele queria discutir o papel do poder público não só ao receber essa receita, mas ao distribui-la. O Orçamento deu vez e voz para quem até então não tinha tido vez e voz”, afirmou Olívio.
O político acrescentou ainda que: “o Orçamento Participativo é o caminho para conquistarmos uma sociedade com justiça, igualdade e respeito, mas centrado na dignidade do ser humano”.
Na coluna vertebral dos governos
Secretário de Governança Local de Porto Alegre, Cezar Busatto lembrou o OP nasceu de dois anseios que se completavam: um movimento social de luta por direitos e um movimento político de busca por diálogo, representado pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Para ele, a força do Orçamento em Porto Alegre reside em seu enraizamento nas comunidades e nas associações de bairro, e sua grande ameaça, atualmente, é a falta de compromisso do governo com as demandas que lá surgem. Fazendo um mea culpa, Busatto afirma: “Na ânsia de atender às comunidades, aprovamos as demandas, mas depois não temos capacidade de fazê-las. E isso faz com que o processo perca força”.
Com presença em cerca de 3 mil cidades ao redor do globo, o Orçamento Participativo obteve grande êxito internacional porque aborda um ponto crucial da disputa do poder público. “Ele discute um processo participativo que trata da coluna vertebral do Estado: o orçamento público, que é onde se dá grande parte a disputa das grandes classes e de grupos sociais. Historicamente, o movimento das classes sociais foi excluído desse processo”, explica o professor Luciano Fedozzi, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Organizador de um livro que retrata as experiências do Orçamento Participativo pelo mundo nestes 25 anos, o português Nelson Dias, da Associação In Loco, acredita que a sociedade mundial vive um período paradoxal. Enquanto no Brasil são discutidas ferramentas de democracia participativa, países europeus registram quedas alarmantes de participação no pleito eleitoral. A imagem que a sociedade passa, para ele, é de que o voto é um falso poder e que os grandes grupos que influenciam, de fato, nas políticas públicas não são elegíveis. Mas, apesar deste cenário diversificado, ele vê com esperança o futuro da democracia: “Eu sou um otimista. É a confirmação de que a democracia está grávida de outra democracia, a democracia participativa”.
O evento teve ainda intervenções de outros gestores internacionais, como Ginny Browne, da Participatory Budgeting Project, de São Francisco, Estados Unidos.
*Via http://www.sul21.com.br/

Comitê Popular pela Constituinte Exclusiva p/Reforma Política - Santiago/RS



* Reunião para a formação do Comitê Popular em Santiago - hoje, 18,30 h - Sindicato dos Servidores Públicos Municipais

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01 junho 2014

Constituinte para destravar as mudanças!



Há um ano o país vive sob o signo do anseio por mudanças que avancem no atendimento das aspirações de justiça social e soberania do povo brasileiro. O entrave a essas mudanças, representado pelas atuais instituições, em particular o atual Congresso, colocou na ordem do dia a necessidade de uma Constituinte Exclusiva e Soberana para fazer a reforma do sistema político porque, como sinalizaram as ruas em junho de 2013, com esse Congresso não dá!

Foi também esse o sentimento que marcou o Ato pela Constituinte realizado em 10 de maio em São Paulo (SP) com mais de 700 militantes vindos de 14 estados. Ato amplo, sua conclusão foi direto ao ponto “É preciso dar a palavra ao povo. O meio para isso é a convocação de uma Assembleia Constituinte, unicameral, proporcional, sem financiamento empresarial e com voto em lista. Não tem outro jeito, é o único meio.” (moção adotada).

A atividade representou um impulso na campanha do Plebiscito Popular pela Constituinte Soberana e Exclusiva do Sistema Político que agora deve ir para a rua. A luta pela Constituinte coloca também a questão: a quem compete, em primeiro lugar, a responsabilidade de abrir a saída política que o movimento direto das massas exigiu?

Num ano que já começou marcado pela polarização que se desenha nas eleições presidenciais com Aécio Neves e Eduardo Campos buscando recuperar o terreno perdido pelo imperialismo, o ato se colocou ao lado da única candidatura capaz de abrir a saída que destrave o atendimento das aspirações reprimidas. “Dilma, não hesite, convoque a Constituinte”, foi a palavra de ordem que ganhou o plenário, no encerramento da atividade.

Sim, é responsabilidade do PT e de sua candidata à reeleição convocar a Constituinte para abrir o caminho para as mudanças. Daí que se espera da presidente Dilma o compromisso com o resultado do Plebiscito Popular entre 1 e 7 de setembro.

Animados pelo resultado do ato, no dia seguinte, representantes do Diálogo Petista e das chapas Constituinte Por Terra Trabalho e Soberania (PED 2013) realizaram um encontro nacional.

À véspera da Copa, numa situação em que a mídia, inclusive com manipulações que confundem justos movimentos reivindicativos, insufla o “não vai ter Copa”, os delegados do Encontro Nacional assumiram um compromisso. Fazer chegar ao maior número de petistas, nas próximas semanas, os resultados do encontro, submetê-los à discussão e organizar a luta.

É o que se propõem a fazer as “reuniões de volta” do Encontro que começam a ser convocadas nos 14 estados presentes para formar os grupos de base do Diálogo e Ação Petista. Reuniões abertas a todos os petistas que estejam dispostos, mantendo o compromisso com as bandeiras originais do nosso partido, a sair a campo.

Sair a campo na luta para fazer do Plebiscito Popular uma verdadeira força para avançar as condições para que o povo mobilizado imponha a convocação da Constituinte. Sair a campo pelo voto Dilma para mudar!

É o caminho para derrotar os representantes diretos do imperialismo e livrar o país da política imperialista que sobrevive sustentando-se nas atuais instituições, e que nega à maioria oprimida da nação uma verdadeira democracia. Uma democracia que permita avançar conquistas como a reforma agrária, serviços públicos, empregos e direitos, acabando com o superávit primário para pagar a dívida, e avançar, enfim, em nossa soberania. (Editorial do jornal 'O Trabalho')

*Edição e grifos deste Blog

Se ...




Se

Rudyard Kipling 

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,


E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,

Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar --sem que a isso só te atires,
De sonhar --sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais --tu serás um homem, ó meu filho!


(Tradução de Guilherme de Almeida)

31 maio 2014

Olívio Dutra defende uma 'Reforma Política profunda'




Por Marco Weissheimer, no Sul21*

O ex-governador e agora pré-candidato ao Senado, Olívio Dutra, deu uma aula pública, na noite desta quarta-feira, no pátio da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Olívio foi convidado por estudantes para participar do lançamento do Comitê da UFRGS para o Plebiscito Popular pela Constituinte Exclusiva e Soberana da Reforma do Sistema Político, movimento que está sendo construído por centenas de organizações em defesa da transformação do sistema político brasileiro. Esse movimento culminará em uma votação a ser realizada entre os dias 1 e 7 de setembro, onde a população responderá a seguinte pergunta: “você é a favor de uma constituinte exclusiva e soberana do Sistema Político?”.

Aluno do curso de Letras da UFRGS, Olívio falou sobre a importância da Reforma Política para o avanço da democracia brasileira. O ex-governador apontou a fragmentação da esquerda como um dos obstáculos que atrapalham a aprovação de uma Reforma Política profunda. “Costumo dizer que, se deus nos deu dois ouvidos e uma boca, talvez tenha sido para nos sugerir que ouvíssemos mais e falássemos menos. Nós precisamos aprender a nos ouvir mais uns aos outros”, afirmou.

Ele defendeu uma Reforma Política profunda, que não fique apenas na superfície, e lembrou das dificuldades que o campo popular e progressista já enfrentou para mudar o sistema político saído da ditadura. (...)

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30 maio 2014

Os órfãos de Joaquim Barbosa


Órfão da toga justiceira, Aécio Neves tenta vestir uma fantasia de justiceiro social, esgarçada pela estreiteza dos interesses que representa.

Por Saul Leblon, na Carta Maior*

Joaquim Barbosa deixa a cena política como um farrapo do personagem desfrutável que se ofereceu um dia ao conservadorismo brasileiro.

Na verdade, não era  mais funcional ter a legenda política associada a ele.

Sua permanência à frente do STF  tornara-se insustentável.

Vinte e quatro horas antes de comunicar a aposentadoria,  já era identificado pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, como um fator de insegurança jurídica para o país.

A OAB o rechaçava.

O mundo jurídico manifestava constrangimento diante da incontinência autoritária.

A colérica desenvoltura com que transgredia  a fronteira que separa o sentimento de  vingança e ódio da ideia de justiça, inquietava os grandes nomes do Direito.

Havia um déspota sob a toga que presidia a Suprema Corte do país.

E ele não hesitava em implodir o alicerce da equidistância republicana que  confere à Justiça o consentimento legal,  a distingui-la dos linchamentos falangistas.

O obscurantismo vira ali, originalmente, o cavalo receptivo a um enxerto capaz de atalhar o acesso a um poder que sistematicamente lhe fora negado pelas urnas. 

Barbosa retribuía a ração de holofotes e bajulações mercadejando ações cuidadosamente dirigidas ao desfrute da propaganda conservadora. 

Na indisfarçada  perseguição a José Dirceu, atropelou decisão de seus pares pondo em risco  um sistema prisional em que 77 mil sentenciados desfrutam o mesmo semiaberto subtraído ao ex-ministro.

Desde o início do julgamento da AP 470  deixaria  nítido o propósito de atropelar o rito, as provas e os autos, em sintonia escabrosa com a sofreguidão midiática. (...)

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Reforma Política: Santiago/RS organiza seu Comitê Popular


"Porque, com esse Congresso, não dá!"

No próximo dia 04/06, quarta-feira, às 18,30 horas, diversas lideranças sindicais, comunitárias, estudantis e políticas locais promovem reunião em Santiago/RS com o objetivo de criarem o Comitê Popular Municipal em apoio ao Plebiscito pela Constituinte Exclusiva para fazer a Reforma Política no Brasil.

O Plebiscito Popular ocorrerá de 01 a 7 de  Setembro/2014 em todo o país. A reunião será realizada na sede do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais  de Santiago, localizado na  Rua Tito Beccon, nº 1925, Centro.

-Tod@s estão convidad@s!

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28 maio 2014

Oportunista



*Charge do Kayser -  'centroavante'

Por que regular a mídia é um passo essencial para o avanço do Brasil



Por Paulo Nogueira, do DCM*

O argumento mais imbecil contra a regulamentação da mídia é a que a associa com “censura”.
Na grande definição de Eça, há aí uma mistura de má fé cínica com obtusidade córnea.
Todas as sociedades desenvolvidas regulam sua mídia. Estabelecem regras para diversas questões que são simplesmente ignoradas no vale tudo nacional.
Por exemplo: direito de resposta. Na Dinamarca, se você comete uma injustiça cabal, é obrigado a se retratar rapidamente e em espaço nobre.
Por exemplo: a Veja atribuiu a Gushiken um gasto exorbitante com dinheiro público numa refeição. Isto se provou calúnia, mentira, e não fato.
Gushiken, atacado na honra, jamais teve uma reparação na revista.
É certo isso? É bom isso? É certo e é bom apenas para as empresas de mídia, que recebem licença para matar moralmente seus inimigos.
Fiscal tem que ser fiscalizado. A mídia se coloca como fiscal, sem ter aliás recebido delegação popular para isso, mas se recusa a ser fiscalizada. É um paradoxo, e é um horror para a sociedade.
Nos Estados Unidos, para evitar o monopólio de opinião (e de negócio) e estimular a pluralidade, nenhum grupo pode ser dono de múltiplas mídias, como a Globo.
A Globo usa seus diversos braços, ou garras, de forma selvagem, para asfixiar a concorrência.
Um executivo da Unilever me contou que, nas negociações sobre publicidade, a Globo enfia o G1 goela abaixo do anunciante.
Para a livre concorrência, é um pesadelo. Para o monopólio da Globo – que hoje detém 60% da publicidade do Brasil com apenas 20% da audiência – é um sonho. Para a sociedade, uma tragédia.
Veja na prática: uma única voz que represente o conservadorismo e os interesses da Globo se multiplica por todas as mídias, e isso manieta a opinião pública.
Merval Pereira, digamos. Ele está no Globo, na Globonews, na CBN, no G1 etc etc. Ou Míriam Leitão. Ou Jabor.
Mais uma vez, é bom para a Globo, e para os colunistas que são sua voz. Estes, graças à superexposição, acabam tendo enormes facilidades para ganhar dinheiro em palestras nas quais vão repetir o que a Globo quer que eles digam.
Você vai encontrar feroz resistência à ideia da regulação nas grandes empresas de mídia – e em seus colunistas. Estes extraem vantagens consideráveis do status quo. Seus mensalões são duradouros e protegidos com imenso cuidado por quem abastece seus bolsos.
Há um conflito de interesses entre os colunistas da grande mídia e a regulação. Isso não pode ser esquecido pelo leitor.
Para os políticos conservadores, vale o mesmo. No ambiente de grande concentração que há, está garantida a eles uma formidável cobertura pelas empresas de mídia.
Com uma desconcentração, essa mamata tende a desaparecer. Não serão protegidos escândalos de partidos amigos.
Há anos, para ficar num caso, Robson Marinho, do PSDB, exerce o inacreditável cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo sendo, comprovadamente, corrupto.
Isso só tem sido possível graças à leniência da grande mídia sobre corrupção em outros partidos que não sejam o PT.
O quadro atual favorece coisas como o acobertamento da sonegação bilionária da Globo, também.
A Folha, amiga e sócia da Globo, jamais cobriu um caso em que existem documentos apavorantes. Apenas para comparação: se a sonegação fosse da Carta Capital, Mino Carta já estaria na cadeia há muito tempo, sob pressão da Globo, Folha, Veja e Estadão.
Finalmente: é o estado atual de coisas que leva a uma família de mídia ter a maior fortuna do Brasil.
Você pode dizer o seguinte: por que o PT demorou tanto a colocar isso na pauta? Medo? Cálculo? Esperou a internet se consolidar como uma força alternativa para mitigar a previsível campanha anti-Brasil que virá?
Para mim, é uma mistura das duas coisas. Mas o que importa é que, ainda que com grande atraso, a regulação seja debatida.
Importante: as ruas terão que se manifestar, para que este avanço se realize.
Que manifestações como as de junho tornem impossível negar aos brasileiros um passo tão importante.
*Jornalista, Editor do Diário do Centro do Mundo (fonte desta postagem)
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/

27 maio 2014

Criado o Comitê Popular p/Constituinte para fazer a Reforma Política em CANOAS/RS




'PORQUE, COM ESSE CONGRESSO, NÃO DÁ!'

*Nas fotos  acima, um flagrante da reunião de fundação do Comitê Popular em apoio ao Plebiscito p/Constituinte p/Reforma Política - ontem, em Canoas/RS.

*A reunião contou com a participação de dezenas de representantes de movimentos sociais, igrejas, associações de bairros, sindicatos e dos partidos: PT, PV e PC do B. Também se fez presente a deputada estadual Stela Farias (PT), coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa do Plebiscito da Reforma Política da AL/RS que assim se manifestou:  "Nosso mandato crê que a reforma política e eleitoral é urgente e crucial para o futuro do país. O financiamento de campanhas torna o debate político esvaziado. Cerca de 70% dos 513 deputados no Congresso Nacional estavam entre as campanhas mais caras. Temos que romper com esta situação."




*A primeira reunião de trabalho do Comitê Popular Municipal de Canoas pela Constituinte Soberana para fazer a Reforma Política será realizada na próxima sexta-feira, dia 30/05, às 18,30 h no Sindicato dos Metalúrgicos (Rua Caramurú, 330 - centro). 

*Este Editor (na foto acima, intervindo) esteve presente no evento e também integra a Coordenação Municipal do Comitê. (fotos via face)

-Para maiores informações  sobre o Plebiscito e como participar clique AQUI

OLÍVIO DUTRA NO SENADO




*Charge do Latuff  (via Sul 21)

26 maio 2014

CANOAS/RS ORGANIZA SEU COMITÊ MUNICIPAL PELA CONSTITUINTE PARA FAZER A REFORMA POLÍTICA



Nesta segunda-feira, 26/05, às 19 horas, ocorrerá reunião em Canoas da  Frente Parlamentar em apoio ao Plebiscito da Constituinte Exclusiva pela Reforma Política. O objetivo é articular o Comitê Popular Municipal para organizar o Plebiscito pela Reforma Política que ocorrerá de 01 a 7 de  Setembro/2014 em todo o país. A reunião contará também com a  presença da Deputada Estadual Stela Farias (PT/RS), coordenadora da Frente Parlamentar pela Reforma Política da AL/RS.

A reunião será realizada no Sindicato dos Professores Municipais de Canoas,  Rua 15 de Janeiro, 121, sala 203. Este Editor já confirmou presença o evento.

-CLIQUE AQUI para ler mais sobre o tema. Articule você também umComitê pela Constituinte para fazer a Reforma Política em seu município, bairro, escola e/ou local de trabalho! (Júlio Garcia)

http://o-boqueirao.blogspot.com.br/

25 maio 2014

CONSTITUINTE



*Charge do  - grande! - Henfil (sempre atual!).

**ET: Todo apoio ao Plebiscito pela Constituinte para fazer a Reforma Política, a ser realizado em todo o país de 1 a 7 de setembro deste ano! Henfil, com certeza, se aqui estivesse, estaria na linha de frente, apoiando! (Júlio Garcia)

24 maio 2014

Carta aos companheiros presos






José Genoíno, José Dirceu, Delúbio Soares e João Paulo Cunha foram condenados sem provas porque fazem parte de uma história que incomoda.

Por Hamilton Pereira (Pedro Tierra), na Carta Maior*

     (Para ser lida em voz alta com os companheiros que chegam à militância...) 


                                       (Brasília, fevereiro / maio de 2014)

A aventura de construir um partido de base popular que viesse a representar de maneira independente os interesses dos trabalhadores na sociedade brasileira, ainda sob a ditadura empresarial-militar imposta ao país pelo golpe de abril de 1964, percorre a esta altura, cerca de três décadas e meia. Se pensarmos bem, tempo relativamente curto, considerados os cinco séculos desde o desembarque dos colonizadores portugueses nesses trópicos. 

Depois das grandes mobilizações sociais catalisadas por S. Bernardo do Campo, no final dos anos 70, e das históricas assembleias do Estádio de Vila Euclides, o 10 de fevereiro de 1980, reuniu, no Colégio Sion, sob os olhos distraídos das velhas elites oligárquicas, vencedoras em 1964 e algum nervosismo das novas elites nutridas pela ditadura empresarial-militar, variadas vertentes dos movimentos populares e sindicais que resistiram a ela para constituir sob a liderança dos operários do ABC um instrumento que organizasse e unificasse sua ação.

Estavam amadurecidas as condições para dar forma a um organismo que representasse as aspirações de uma classe social que estava incluída, como mão-de-obra, no setor de ponta da economia – a indústria automobilística – mas excluída da arena política, que se revelou capaz pelo instrumento das greves, das mobilizações de massas e da ação parlamentar de estabelecer alianças com diferentes setores sociais para por abaixo uma tirania já em declínio. 

A reforma política articulada para dividir as oposições à ditadura empresarial-militar percebeu o PT como um acidente, um ovo indesejado na incubadora do general Golbery. O PT foi diagnosticado inicialmente como um incômodo a ser digerido e eliminado pela repressão pura e simples ou pela própria dinâmica do metabolismo institucional da transição pelo alto engendrada por seu principal estrategista. 

Ao forçar as portas daquele sistema político concebido para abrigar as disputas, sob estrito controle da legislação emanada do regime ditatorial, entre os grandes senhores da indústria, das finanças, do agronegócio nascente e dos antigos monopólios de comunicação nutridos pelo regime, o Partido dos Trabalhadores cometeu um crime. 

O crime original de ter nascido

Com voz própria, ainda que desafinada, mas vigorosa, por liberar uma polifonia, àquela altura irreprimível, de reivindicações, desejos, esperanças, agredia com seu timbre dissonante os ouvidos de uma sociedade alfabetizada pelo silêncio. A campanha pelas “Diretas Já”! mobilizou milhões de vozes em torno da proposta do Deputado Dante de Oliveira. Se não venceu de imediato, sacudiu irremediavelmente os alicerces do regime. Com os movimentos sociais em ascensão, sua base primeira, o PT se consolidou como expressão política dos de baixo e como projeto alternativo de desenvolvimento para o Brasil.

A vitória eleitoral de Collor de Melo sobre Lula e o PT, do ponto de vista dos setores conservadores, no segundo turno de 1989, foi exatamente isso: uma vitória eleitoral. Olhando desde o ponto de vista dos trabalhadores: a derrota eleitoral de Lula e do PT em 1989, foi uma derrota eleitoral e, ao mesmo tempo, uma vitória política. Converteu o PT numa força capaz de disputar de forma independente o projeto de desenvolvimento do país. Collor naufragou um ano e nove meses depois de sua posse, sob o peso de forte mobilização popular, particularmente da juventude, e abandonado por seus antigos apoiadores, particularmente a mídia que fizera dele “O caçador de marajás” para fazer frente ao ímpeto das esquerdas lideradas por Lula.
O advento do real no final do governo Itamar Franco, produziu uma reviravolta nas expectativas das esquerdas, em 1994. Consolidou na sociedade a vertente conservadora da transição pelo alto. Ampliou as condições sociais e políticas para o avanço do projeto neoliberal com a eleição de Fernando Henrique Cardozo, uma liderança mais confiável para as forças conservadoras do que o intempestivo Collor de Mello. O sinal político que definiu o duplo caráter do governo FHC foi impresso por duas ações: a mobilização dos tanques contra a greve dos trabalhadores da Petrobrás, em maio de 1995 e a largada para as privatizações do patrimônio público. Esse duplo caráter marcou a passagem do sociólogo ao longo dos oito anos do seu governo: repressão econômica contra os sindicatos nos moldes de Margareth Thatcher – e nos momentos de crise, o uso da força simplesmente – e privatizações de empresas públicas. Cavalgando o discurso do êxito do Real e da estabilidade da economia, FHC, utilizando-se de uma vasta operação de compra de votos de parlamentares, emendou a Constituição em seu próprio benefício e obteve facilmente a reeleição para um segundo mandato.     

Passados vinte e dois anos de batalhas ganhas e perdidas, mas, sobretudo ganhas, o Partido dos Trabalhadores liderou a ampla aliança que venceu as eleições de 2002. Levou à chefia do governo central o operário metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, tendo como Vice um empresário outsider bem sucedido, José Alencar. 

O PT cometeu aí um crime derivado: 

Alcançou algo surpreendente. Inconcebível para os de cima e por isso mesmo imperdoável pelas instituições moldadas à sua semelhança: venceu as eleições dentro das regras estabelecidas por seus adversários, os senhores do agronegócio, da indústria, das finanças, dos meios de comunicação e seus partidos. E pôs à frente do país um homem que encarna tudo que aquelas elites políticas tradicionais, herdeiras da cultura da Casa Grande, rejeitam: ele vem do nordeste do país, região identificada pelos de cima, como paradigma do atraso e da dependência; ele vem do mundo do trabalho num país em que as elites descendentes dos senhores de escravos rejeitam o trabalho como coisa para negros e inferiores; ele vem do chão da fábrica, das ruas e não das universidades nem da caserna que produziram os principais dirigentes da nação. Trata-se, portanto de um despreparado, voluntarista, incapaz de perceber a complexidade da tarefa de conduzir um país das dimensões do Brasil e os condicionamentos impostos à sua inserção no contexto internacional. 

Desmentindo os vaticínios dos pretensos ‘formadores de opinião’, esse homem conduziu o país, sob o fogo quotidiano e implacável da mídia de direita, por dois mandatos à frente de um governo que incorporou no seu percurso, além dos seus aliados tradicionais no campo da esquerda, parcela do centro do espectro político do país (PMDB) e mesmo setores de direita pulverizados em representações partidárias de menor relevância. Um governo complexo que produziu modificações profundas no perfil da distribuição de renda do Brasil, combateu a fome e as desigualdades regionais, deu os passos necessários para consolidar um mercado interno de massas, imprimiu um novo ritmo e uma nova qualidade ao nosso desenvolvimento. 

E, a partir daí, renovou o rosto da diplomacia brasileira e afirmou a imagem do Brasil diante do mundo como nunca na história. Reorientou as relações internacionais para uma perspectiva Sul-Sul, sem deixar as parcerias anteriores, Europa e EUA e ampliou-as firmando novas em extensão e qualidade. Apresentou o país como destino seguro para investimentos, afirmou a soberania pagando as dívidas com o FMI libertando-se da condição humilhante, subalterna de nação tutelada.    

Chegou ao fim do segundo mandato apoiado pela maioria esmagadora da população, independentemente do extrato social, do credo religioso ou da filiação partidária.  As descobertas das jazidas do Pré-Sal e a adoção do Sistema de Partilha para sua exploração, liquidaram naquele momento as tentativas de privatização da empresa símbolo da soberania nacional, a Petrobrás estabelecendo um sólido vínculo programático entre o PT e a tradição trabalhista anterior, vigente no período Vargas. Ao encerrar o segundo mandato do Presidente Lula, o PT cometeu um terceiro crime: 

Elegeu uma mulher pra dirigir o Brasil

No país herdeiro da cultura política do patriarcalismo dos coronéis de rebenque, espora e chapelão, do machismo explícito ou dissimulado, elegeu pela primeira vez na história uma mulher para a Presidência da República: Dilma Rousseff. Militante da resistência à ditadura desde a juventude e da reconstrução da democracia depois de cumprir pena nas prisões do regime. Trouxe consigo os sonhos da geração que se lançou à vida pública para enfrentar a tirania e devolver à nação sua perspectiva de retomada do desenvolvimento democrático e soberano, interrompido pelo golpe empresarial-militar de 1o de abril de 1964. 

Os setores sociais conservadores vêm sucessivamente perdendo terreno em todas as frentes onde se trava a disputa política democrática na sociedade. Os partidos que representam esses segmentos reduziram dramaticamente sua representação parlamentar em três pleitos seguidos. E ambos são partidos de atuação caracteristicamente parlamentar. O PSDB que elegeu 99 deputados em 1998 quando foi reeleito FHC, viu reduzida sua bancada a 54 deputados em 2010; e o PFL (Democratas) que em 1998 elegeu 105 deputados ficou reduzido a uma bancada de 43 deputados em 2010. 

Os conservadores se refugiaram nas áreas do Estado que não se submetem ao crivo da cidadania: os órgãos de controle concebidos e constituídos num período em que o país se encontrava estagnado ou com taxas de crescimento inexpressivas, ou no Judiciário, um poder paralítico e oligarquizado. No Brasil, quando um delito é flagrado no exercício de um mandato no Poder Legislativo ou no Executivo, a sociedade já demonstrou a capacidade de removê-lo pelo voto, cassá-lo quando for o caso ou promover o impeachment dos responsáveis, para que sigam vigentes as regras do jogo democrático. Quando acontece um delito no exercício de um poder que só presta contas a si mesmo, o que ocorre? Nada. O judiciário brasileiro se assemelha nesse aspecto a um anacronismo monárquico que subsiste dentro da instituição supostamente republicana.  Protegido pela toga de toda e qualquer aspiração de controle da sociedade. 

No Brasil o cargo de Presidente da Suprema Corte e de Presidente do Conselho Nacional de Justiça, órgão que deveria fiscalizar as ações do Judiciário, são ocupados pela mesma pessoa. Ou seja, ele é fiscal e fiscalizado ao mesmo tempo. Essa distorção produz absurdos jurídicos como foram identificados vários ao longo da Ação Penal 470. Sem um eficaz controle da cidadania abre-se aí um espaço que deriva para o exercício do arbítrio como testemunhamos hoje no tratamento dos prisioneiros condenados naquela ação. O melhor do Brasil ofereceu ao jurista Joaquim Barbosa, a oportunidade de se tornar Ministro e mais tarde Presidente do STF. Conquistou, por seus méritos pessoais, a oportunidade de se afirmar como um Magistrado, escolheu entrar para a história como carcereiro. 

A campanha para arrecadar fundos com o objetivo de pagar as multas impostas pelo STF, no final de 2013, aos companheiros José Genoíno, José Dirceu, Delúbio Soares e João Paulo Cunha em função da sentença proferida na ação 470 impressiona por vários aspectos: a solidariedade, a generosidade, a rapidez da resposta, a transparência e revela a extensa rede de apoios que o Partido dos Trabalhadores teceu na sociedade brasileira. Para avançarmos é necessário estabelecer vínculos com os novos Movimentos Sociais, oxigenar as direções nos três níveis: nos Municípios, nos Estados e em nível Nacional. O Partido deve estar atento à transição geracional inevitável que nos alcança. Para que sejamos capazes de manter a necessária sintonia com os novos atores sociais que emergiram a partir das transformações conduzidas pelo próprio PT, ao consolidar sua presença na cena política do país. Aquela campanha de solidariedade aos nossos companheiros foi uma campanha bela como outras belas mobilizações que a militância do PT ofereceu como testemunho ao país nesses 34 anos.

Bela e insuficiente. Porque não basta reagir com grandeza, solidariedade e presteza a uma condenação injusta, sem provas e às provocações de um escroque togado que mede as instituições pelo metro de sua própria conduta mercantil. É necessário para avançar na construção da sociedade democrática que desejamos estabelecer o debate em torno das relações entre as instituições do Estado que construímos e pactuamos na Constituição de 1988 e sua fonte legitimadora: a cidadania.

As elites conservadoras brasileiras, herdeiras dos senhores de escravos, cultivam ao longo de 500 anos de História um surpreendente – macabro – costume no tratamento daqueles que ousam se levantar contra elas: o esquartejamento. A cabeça de Zumbi, líder dos escravos aquilombados em Palmares, foi exposta no Largo do Carmo, no Recife, no final do século XVII; em 1720, Felipe dos Santos teve o corpo atado às patas dos cavalos que o despedaçaram por se recusar a pagar impostos à coroa portuguesa; em 1792 o corpo do Tiradentes foi esquartejado e exposto em postes na estrada que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais; a cabeça de Antônio Conselheiro, durante quase um século, foi exposta à curiosidade pública num museu da Bahia; o mesmo ocorreu com Lampião, Maria Bonita e seus cangaceiros emboscados nos Angicos, em 1938; mais recentemente, durante os anos da Ditadura Militar registram-se casos de esquartejamento e decapitação na Casa da Morte, em Petrópolis e em São Geraldo do Araguaia, no sul do Pará. 

Impedidas pela reconstrução da Democracia de dedicar-se a esse exercício bizarro para calar seus adversários, as elites conservadoras se entregam nessa etapa da História ao esquartejamento moral dos opositores, servindo-se do machado cego de uma mídia corporativa  que escapa a qualquer tipo de prestação de contas à sociedade...         

O Partido dos Trabalhadores não tem avaliado adequadamente a extensão e a profundidade do estrago que sua presença produziu no cenário político, ao longo desses 34 anos, aos interesses dos setores conservadores e – com a projeção que o país adquiriu no cenário internacional – aos interesses dos setores econômico-financeiros dos países capitalistas centrais. Sob a liderança do Presidente Lula, convertemos o Brasil numa das mais importantes economias do mundo. Esse fato determina que os processos sociais e políticos no Brasil deixaram de ser assunto doméstico e que o PT tenha se tornado alvo permanente dos ataques dos setores ligados àqueles interesses. É daí que deriva a fúria com que a mídia conservadora, incapaz de nos derrotar pelo voto, bombardeia o PT, bombardeia a atividade parlamentar, bombardeia a atividade política e seus agentes, os Partidos, buscando criminaliza-los para provocar a repulsa da sociedade e adere a uma perspectiva fascista historicamente conhecida que, ao fim e ao cabo, defende a abolição da Política como forma de resolver os conflitos sociais. 

A mídia de direita se oferece como substituta da falência programática e política dos partidos de direita que sequer têm coragem de se apresentar como tais. Sacrifica dessa forma um dos elementos essenciais do exercício democrático: o direito do cidadão à informação. Se afasta de qualquer vínculo com a verdade factual. O que importa é a versão, não é o fato. Vende opinião como se fosse informação. Em síntese defende de forma implícita – não poucas vezes explícita – a ditadura do grande capital como único mecanismo viável para o desenvolvimento do país.    

O Partido dos Trabalhadores depois de três décadas e meia de protagonismo nas lutas contra a Ditadura empresarial-militar e pela reconstrução da Democracia se encontra numa encruzilhada. Ou aprofundamos o processo de transformação que desencadeamos na sociedade brasileira, produzindo alterações relevantes no sistema político partidário do país e que resultou nos governos Lula e Dilma, nos afirmando como um partido socialista ou sucumbimos a uma espécie de síndrome que acometeu um partido liberal democrático como o PMDB desde a morte do Dr. Ulisses Guimarães: um partido sem projeto nacional, um aglomerado de mandatos incapaz de se por à altura da tradição que construímos e dos desafios para conduzir uma das maiores economias do mundo.    

As eleições de 2014 reúnem, quem sabe, pela primeira vez, as condições de amadurecimento dos novos interesses de classe até agora difusos que vieram ganhando contorno ao longo do período de transição e foram acentuados pela emergência social da última década: para os setores ligados ao capital financeiro, indústria automotiva e segmentos do agronegócio, cujos interesses são expressos no discurso organizado pela mídia de direita, está esgotado o modelo de crescimento com distribuição de renda, inclusão social e combate às desigualdades regionais. Esses setores que ampliaram exponencialmente seus ganhos com a estratégia de crescimento adotada nos últimos doze anos e com a maneira como o Brasil enfrentou a crise de 2008, se inclinam agora, mirando o exemplo europeu, para a radicalização do programa neoliberal de acumulação baseado na redução dos investimentos públicos, no desemprego em massa, na anulação das conquistas alcançadas pelos trabalhadores ao longo do século XX, que alcançaram seu ápice com o “Estado de Bem Estar Social”, sobretudo no pós-guerra.     

Para o Partido dos Trabalhadores o desafio é dar um passo adiante no sentido de não se contentar apenas com o modelo de distribuição de renda em curso. É necessário superar a condição de refém das atuais alianças sociais e eleitorais, ampliar seu diálogo com os setores de classe que emergiram na última década, para por o país em marcha na direção de um modelo que radicalize a democracia, enfrente o problema da distribuição da riqueza como forma de combater as criminosas desigualdades da sociedade brasileira e inclua a agenda da sustentabilidade socioambiental ao novo ciclo de desenvolvimento. 

A radicalização da democracia hoje, no Brasil, se traduz em duas bandeiras: em primeiro lugar a garantia do direito à liberdade informação, negada pelos monopólios da mídia corporativa, constitucionalizando as relações entre a mídia e a sociedade. Apenas isso: pondo em prática o que está assegurado na Constituição de 88; e, em segundo lugar, uma Constituinte Exclusiva capaz de realizar uma Reforma Política assentada no financiamento público de campanha, no voto em lista, que rompa o controle do poder econômico sobre as campanhas eleitorais, principal fonte alimentadora da corrupção do sistema político-eleitoral brasileiro.    

Essa nova etapa exigirá o aprofundamento da política de valorização do Salário Mínimo, pautar o debate e aprovar o Imposto Sobre Grandes Fortunas; implantar o Regime de Partilha na exploração do Pré-sal, que assegure o investimento em educação, portanto, defender a integridade da Petrobrás como garantia de um novo ciclo de desenvolvimento que assegure as condições para o ingresso definitivo do Brasil na sociedade do conhecimento.   

Voltamos para as ruas para encarar a batalha para reeleger Dilma Rousseff, sem esquecer que os companheiros José Genoíno, José Dirceu, Delúbio Soares e João Paulo Cunha foram condenados sem provas porque fazem parte dessa História que lhes contei aqui. Entre as novas tarefas que o Partido dos Trabalhadores deverá cumprir nessa campanha está a recuperação da autoestima dos brasileiros e de sua própria autoestima sistematicamente demolidas pela mídia de direita. Ela não suporta a altivez que conquistamos com os governos Lula e Dilma, diante do mundo. A direita brasileira, à falta de um projeto próprio de desenvolvimento para o país, cultiva a subserviência, herdeira de uma visão colonizada e provinciana do mundo. E retomar nossas bandeiras de compromisso com os trabalhadores e os mais pobres para que as elites conservadoras que há alguns anos expressaram publicamente o desejo de “acabar com essa raça”, entendam, três décadas e meia depois, que viemos para ficar. E lembra-los inspirados em Neruda “Para nascer, nascemos”.  

(*) Hamilton Pereira (o Poeta Pedro Tierra) é militante do Partido dos Trabalhadores.

**Fonte: http://www.cartamaior.com.br/