27 dezembro 2021

História: 45 anos de luta de classe e internacionalismo



Em novembro de 1976 surge a OSI, atual corrente O Trabalho do PT

Por Júlio Turra*

Em 1976 o Brasil estava sob ditadura militar. Nesse tempo de repressão, ocorreu a unificação de grupos trotskistas em nosso país, sob impulso do Comitê de Organização pela Reconstrução da 4ª Internacional (CORQUI, criado em 1972). 

No início do ano, o Grupo Outubro, a Fração Bolchevique Trotskista (FBT) e a Organização de Mobilização Operária (OMO), fundiram-se na Organização Marxista Brasileira (OMB). Em novembro, numa conferência clandestina na Praia Grande (SP), a OMB unificou-se com a Organização Comunista 1º de Maio, criando a Organização Socialista Internacionalista (OSI). Meses antes, em julho, as suas tendências estudantis haviam se somado na “Liberdade e Luta”, que marcou época na luta por “Abaixo a Ditadura”

No terreno sindical, os militantes da OSI animavam grupos de oposição ao peleguismo, defendendo sindicatos livres e uma central sindical independente. O jornal “O Trabalho” aparece em 1º de Maio de 1978, coincidindo com a onda de greves iniciada no ABC e que se espalharia pelo país, abalando a ditadura.

 “Por um Partido Operário” 

Nas eleições de 1978, a OSI, junto com outras forças políticas e sindicais, fez campanha por “Nem Arena, nem MDB, voto nulo por um Partido Operário”. Os anos seguintes foram de campanhas pela liberdade dos presos políticos, pela Anistia, pela libertação de Lula e demais sindicalistas presos. O apoio à revolução na Nicarágua e à luta do “Solidarnosc” contra a burocracia stalinista da Polônia dava então a dimensão internacional do nosso combate.

Diante das iniciativas para formar um Partido dos Trabalhadores (1980-81), a OSI decidiu engajar-se no mesmo, defendendo um caráter independente (“partido sem patrões”) para o PT. Seus militantes jogaram também um papel relevante na fundação da CUT em 1983. 

A entrada da OSI no PT levou à sua mudança de nome, primeiro para Fração 4ª Internacional e depois para Corrente O Trabalho (OT). Como OT, fomos à luta por Diretas Já (1984), participamos de greves gerais, da luta por uma Constituinte Soberana em 1986 - frustrada pela manobra de dar poderes constituintes ao Congresso - das vitórias eleitorais do PT, de Lula – declinando o convite a integrar o seu primeiro governo, dadas diferenças que tínhamos com seu programa – e de Dilma.

Um fio condutor 

Não se trata aqui de resumir uma trajetória política de 45 anos, mas sim de destacar o seu fio condutor: independência de classe e internacionalismo. 

A luta contra o sistema imperialista que leva a humanidade ao abismo, exige a solidariedade ativa com os trabalhadores e povos de todo o mundo. O que, por sua vez, pede um quadro internacional. A OSI nasceu do combate pela reconstrução da 4ª Internacional e hoje OT é a sua seção brasileira. 

Mas, não somos a direção “autoproclamada” da revolução. A 4ª Internacional e suas seções se lançam à tarefa de, em pé de igualdade com forças de origens diversas, estabelecer quadros amplos de discussão e ação contra o imperialismo num terreno de classe. É assim com o Acordo Internacional dos Trabalhadores e Povos (Barcelona 1991) e o Comitê Internacional de Ligação e Intercâmbio (Argel 2017). No Brasil, nossos militantes constroem o Diálogo e Ação Petista [DAP], lado a lado com petistas de distintas origens que querem “agir como o PT agia”. 

Os desafios permanecem 

Sim, pois o sistema imperialista - como mostra a pandemia e seus efeitos sobre a humanidade, ou a crise climática que decorre da ganância pelo lucro - só é capaz de sobreviver atacando os direitos e conquistas dos trabalhadores e povos. 

Ao mesmo tempo, esse sistema falido busca atrelar organizações políticas e sindicais dos explorados a um “consenso” que preserve a propriedade e os privilégios de uma minoria capitalista. Desafios que têm tradução em cada país e também no Brasil. Questões abordadas na edição 109 da revista A Verdade (órgão teórico da 4ª Internacional - ver abaixo).

Nós, militantes da corrente O Trabalho do PT, orgulhosos de sua trajetória de luta e dos ensinamentos que ela nos deu, estaremos sempre ao lado dos explorados e oprimidos na luta para terminar com a exploração capitalista e a opressão. Viva os 45 anos da seção brasileira da 4ª Internacional! A luta continua! 

...

A Verdade 109 traz dossiê sobre a ecologia

O “Dossiê: Bens comuns, transição ecológica e energética e ‘economia verde’’’ é o principal conjunto de textos da revista A Verdade 109 que acaba de ser publicada em português e já está à venda com os militantes da corrente O Trabalho. 

A Verdade é a revista teórica da 4ª Internacional, que analisa e debate os problemas da luta de classes mundial, sendo uma ferramenta indispensável para armar os que se batem para libertar a humanidade do sistema de exploração no qual vivemos. 

O dossiê se inicia com textos teóricos de décadas atrás, de Trotsky e do camarada Gerard Bloch, sobre a relação entre marxismo e ciência. Em seguida, outros seis textos analisam a política do imperialismo hoje em relação à devastação do meio ambiente provocada pelo capitalismo, sob diferentes prismas: a estreiteza do mercado mundial, a ação do capital financeiro, a atuação das multinacionais, o desenvolvimento da esfera digital, a questão da energia eólica e os interesses em jogo no desmatamento da Amazônia e do Pantanal Matogrossense. 

O que se ressalta é a sanha destruidora do sistema capitalista em relação à natureza, sua incapacidade inata de mudar esse cenário e suas tentativas permanentes de associar as organizações políticas e sindicais do movimento operário com iniciativas de ilusórias uniões de interesses, como forma de tentar barrar a via da revolução. 

A revista traz ainda as Notas do Secretariado Internacional da 4ª Internacional de análise da situação A Verdade 109 traz dossiê sobre a ecologia mundial, com destaque para o cenário de pandemia e a resposta de “união nacional” dada pelo imperialismo em todo canto, e um importante artigo sobre a unidade da luta do povo palestino, tanto na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, quanto no interior do Estado de Israel. 

Com o tema central, o dossiê sobre ecologia, a Corrente O Trabalho vai organizar a discussão desta edição 109 na retomada do ano. Adquira seu exemplar: R$ 25,00. 

Um tema que interessa a todos, mas em particular à juventude, que se preocupa com o mundo e o planeta que lhes oferece como “futuro” o sistema capitalista, e vive em condições cada vez mais precárias, para aqueles que não possam pagar o valor de capa, a revista será vendida a R$ 10,00.

...

*Júlio Turra  foi militante estudantil (Liberdade e Luta...), militante sindical e um dos fundadores do PT e da CUT. Atualmente é Assessor Político da Direção Executiva da CUT Nacional, da corrente O Trabalho do PT e do Diálogo e Ação Petista - DAP (Articulação supra tendencial do PT). 

-Fonte: Jornal O Trabalho - Edição final e grifos deste Editor.

Nenhum comentário: