Julgamento no STF condenou os irmãos a 76 anos pela morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes
As famílias da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, assassinados em 2018, se pronunciaram em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (25), após o fim do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou os responsáveis pelos crime: mandantes, executores e cúmplices. Em falas emocionadas, familiares e companheiros de luta da dupla destacaram a defesa da democracia e a importância da decisão que, segundo eles, vai contra a “certeza de impunidade” presente em determinadas camadas da sociedade.
Dentre os cinco réus condenados pelo STF estão os irmãos Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, e Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, ambos apontados pela Polícia Federal como mandantes do crime.
“É um dia muito difícil para todos nós, porque não tem como não relembrar tudo o que aconteceu naquele 14 de março”, iniciou a ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle, Anielle Franco. “Mas eu vou tirar do meu peito uma fala que ecoa dentro de mim há oito anos, e falo isso com muita dignidade: que o dia de hoje seja também um recado para a parcela da sociedade que debochou da morte da minha irmã”, disse. “A violência política de gênero e raça levou a minha irmã há oito anos atrás, e precisa ser aniquilada neste país. Agora, antes de falarem da índole de Marielle, vão ter que lidar com os fatos”, completou a ministra.
Anielle Franco comentou ainda o fato de que a condenação ocorreu numa quarta-feira, mesmo dia da semana em que Marielle foi assassinada. “Para a gente, não é coincidência”, disse. Dentro das religiões de matriz africana, a quarta-feira é atribuída ao orixá Xangô, relacionado à justiça e à sabedoria.
Marinete da Silva, mãe da vereadora, também pontuou a defesa da democracia como pilar da condenação e elogiou o trabalho do STF, definindo a Corte como “guardiã da justiça” no país. Visivelmente emocionada, ela pediu que o legado de Marielle seja preservado e protegido. “Para que o mundo saiba quem foi minha filha”, completou. Ela descreveu o momento como “mais um dever cumprido desta família que há oito anos caminha e luta” e “um alívio, porque a pergunta que ecoava no mundo era ‘quem mandou matar Marielle'”, declarou.
A palavra “alívio” também foi usada por Agatha Arnaus, viúva do motorista Anderson Gomes. Ela destacou a importância política do julgamento que, segundo ela, é também em defesa de pessoas que, como Anderson e Marielle, “fizeram o bem”.
Já Luyara Franco, filha de Marielle, ressaltou a coragem e a luta das famílias nos últimos oito anos. “Continuamos ecoando a pergunta sobre quem mandou matar Marielle e Anderson”, lembrou. Ela reforçou o trabalho político da mãe e disse que “o dia de hoje é uma resposta aos 25.502 eleitores que votaram nela”.
A viúva da vereadora, Mônica Benício, que exerce hoje o mesmo cargo que a esposa exerceu no Rio de Janeiro, destacou “um recado político, muito debatido hoje, de que o corpo de Marielle é um corpo entendido como descartável. Um corpo de mulher, negra, periférica, socialista. E o recado político é que se acreditou que [o crime] não ia gerar a comoção que gerou. Mas no dia 14 de março de 2018, o Brasil inteiro chorava porque entendia que o que acontecia ali era não só um ataque aos direitos humanos, mas à democracia”, disse. “O que nós perdemos é irreparável, mas a democracia precisa ser reparada”, destacou.
*Editado por: Nathallia Fonseca - Via Redação do BdF

Nenhum comentário:
Postar um comentário