23 abril 2026

‘A necessidade é maior que nossas diferenças’, diz Juliana Brizola sobre apoio do PSOL

Agremiação se uniu à frente de esquerda que já contava com PDT, PT, PCdoB, PV, Rede Sustentabilidade e PSB

   Foto: Cristiane Leite

Por Fernanda Bastos*

O PSOL formalizou nesta quarta-feira (22) o apoio à candidatura ao Palácio Piratini de Juliana Brizola (PDT). A chapa encabeçada por Juliana tem Edegar Pretto (PT) como candidato a vice-governador. Com a formalização do PSOL, o bloco ainda deve lançar, para disputar o Senado, as candidaturas de Manuela d’Ávila, do PSOL, e Paulo Pimenta, do PT. A composição reúne também PCdoB, PV, Rede Sustentabilidade e PSB.

Na semana passada, o PT já havia formalizado o apoio à candidatura de Juliana, seguindo orientação da direção nacional do partido, que visa a fortalecer a chapa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa era de que todos os partidos da aliança também se juntassem aos petistas, mas o PSOL iniciou uma discussão para referendar, em suas instâncias internas, a decisão.

O apoio foi sacramentado no feriado (21) e formalizado nesta quarta-feira (22), na sede do PDT. Diversas lideranças dos partidos apoiadores da chapa de Juliana se reuniram nesta tarde na sede dos pedetistas, em Porto Alegre. Durante o encontro, o vereador e presidente municipal do PSOL, Roberto Robaina, reafirmou que “o apoio crítico não diz respeito à campanha, mas ao governo”, referindo-se à intenção do partido de separar o momento da eleição com o da disputa por ocupação de cargos em um eventual governo de Juliana, assim como da independência política da bancada na Assembleia Legislativa. Na ocasião, o PSOL entregou um documento com dez pontos que considera importantes para o programa, como a política do cuidado e a agenda de proteção ao meio ambiente.

Juliana salientou a importância do ingresso do PSOL na campanha contra a extrema direita no RS e no país. “É uma grande demonstração do nosso campo, porque a direita é organizada e a gente sofria essas críticas de a esquerda não se unir, mas chegou a um limite, que essa necessidade foi maior que nossas diferenças. E que bom, porque sentar na mesa com gente que pensa igual é uma tarefa muito fácil para nós. Porque ficar do lado do povo mais sofrido nunca foi tarefa fácil”. Juliana também minimizou as ilações de falta de unidade que possam gerar o conceito de apoio crítico do PSOL. “O motivo que está fazendo a gente se unir é algo muito maior. Ninguém está fazendo aqui uma união de faz de conta, de que vai sentar no sofá de casa até a eleição. Porque a gente não pode. Todos esses partidos que fazem parte dessa aliança, dessa coligação, trabalham há muito tempo pelo povo brasileiro, mesmo que com diferenças”, destacou Brizola.

Edegar Pretto enfatizou a unidade alcançada ainda na preparação da campanha e reafirmou que o campo da esquerda estará forte para enfrentar a extrema direita nas esferas estadual e nacional. “A gente não vai recuado, a gente vai organizado, com força. A escolha que fizemos tem como prioridade o projeto nacional e a mudança aqui no RS”, comemorou.

Durante o encontro, as lideranças dos partidos fizeram menção ao crescimento do campo da direita, que nesta eleição vai ser representada pelo pré-candidato ao governo do RS deputado federal Luciano Zucco (PL). A chapa ainda deverá ter como vice a deputada estadual Silvana Covatti (PP), em a aliança entre PL, Progressistas, Novo, Republicanos e Podemos.

Conforme o coordenador de campanha de Juliana Brizola, Vieira da Cunha, as reuniões para elaboração do futuro programa de governo da aliança começam na próxima segunda-feira com a presença de todos os partidos aliados. O objetivo é fazer o debate culminar em um seminário, em junho, como preparação para as convenções partidárias, que, no pleito deste ano, devem acontecer entre 20 de julho e 5 de agosto.

*Fonte: Sul21

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