Reproduzimos abaixo o texto de Markus Sokol [foto], do Comitê Nacional do DAP, publicado na edição 958 do Jornal O Trabalho.
No mês que vem, 23 a 26 de abril, está marcado o 8º Congresso do PT, em Brasília. Quem sabe quem está efetivamente engajado?
Ele foi convocado pelo Diretório Nacional de dezembro. Será composto pela metade dos delegados já eleitos no Processo Eleitoral Direto de julho de 2025, que também elegeu todas as direções, inclusive o atual Diretório Nacional, formalizado no Encontro Nacional dos delegados em agosto de 2025.
Para que, então, um Congresso?
Em tese, para além das resoluções políticas de agosto, ficou pendente a revisão do estatuto e do próprio PED, adiada há vários anos (só um congresso pode dispor dos estatutos).
Mas estamos vendo uma revisão feita pela cúpula das cúpulas, sem participação das bases.
A corrente de Lula, o CNB, tem ampliado sua maioria. É muito difícil acreditar que ela faça, de cima para baixo, a revisão da engrenagem que fez e ampliou a sua maioria isolada. A engrenagem que empoderou a cúpula, a qual prolongou os seus mandatos e os dos parlamentares, que esvaziou os debates limitados à “mobilização” pelas máquinas dos filiados para votar. Rolam milhões. A compra de votos é visível em vários locais, há intimidação e até fraude que não costuma ser punida.
É verdade que tem muita gente insatisfeita, até algumas lideranças, mas isso vai mudar? Mantido o Fundo Partidário, o Fundão Eleitoral e as Emendas Parlamentares, no essencial, é improvável.
A “Fase de Debates”
No caminho do Congresso, a pauta foi sendo ampliada, de modo que hoje são cinco pontos: Programa do PT, Conjuntura e Tática Eleitoral, Programa de Governo, Estatutos e Fundação Perseu Abramo. É muita ambição!
Foram criados cinco Grupos de Trabalho que publicaram há duas semanas os cinco textos base que somam umas 150 páginas https://congresso.pt.org.br/.
Caso o leitor não saiba, pode verificar, até dia 22 de março estamos em plena “Fase de Debates”. O autor não saberia dizer onde. O que está dito no site é que é um “processo de escuta”… via uma ficha a ser enviada por lá. Mas sem transparência, nem contraditório, isso não é debate. Parece mais o PC da China, em cujo Congresso dezenas de milhões de militantes podem enviar propostas por meio digital.
Aqui, no dia 22 serão publicados os Projetos de Resolução. Aqueles delegados eleitos no ano passado terão até 5 de abril para apresentar emendas.
Vão consultar quem além da sua consciência, os líderes de bancada?
Daí, os GTs tem uma semana, até o dia 12 de abril, para “sistematizar as propostas e publicar a versão final dos Projetos de Resolução” que, a seu critério, irão a voto no plenário. Maravilha!
Antissistema
O PT foi muitos anos “contra tudo que está aí”, contra o imperialismo e pelo socialismo, e era diabolizado pela direita por que estava pelo “nós contra eles”.
Agora, para ser sintético, os textos políticos emanados de GT, menos um dos dois alternativos da AE, todos defendem alianças de fato com alguns “deles”. Aí não cabe Reestatização, Imposto de Grandes Fortunas ou Reforma Agrária.
No frigir dos ovos, todos os textos defendem que para ser melhor o próximo governo de Lula precisamos eleger mais senadores e deputados – quando todos eles (menos os lunáticos!) sabem que com as atuais regras eleitorais não vai mudar a relação de forças.
Por isso, a centralidade da Reforma Política para uma Constituinte Soberana, naturalmente, com Lula presidente.
Uma questão é saber se o Congresso do PT está disposto a abrir o debate no bojo das eleições. É a melhor forma de dar credibilidade e confiança, em falta nas pesquisas, para o justo mote “antissistema” que Lula e Edinho sinalizaram.
*Via site do Diálogo e Ação Petista - DAP - (Edição final deste Blog).

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