Por Misa Boito*
O dia 15 de maio de 1948 ficou cravado na história do povo palestino como a Nakba (catástrofe, em árabe). Catástrofe iniciada pela criação do Estado de Israel pela ONU com a deportação de sua região histórica.
Cerca de 700 mil palestinos foram expulsos de suas casas. Hoje, as novas gerações vivem em campos de refugiados (Líbano, Jordânia e Síria) ou espalhadas pelo mundo. No Brasil, há cerca de 200 mil palestinos. 2 milhões, na Faixa de Gaza e 3 milhões na Cisjordânia.
Na diáspora o povo palestino não perdeu o ímpeto de resistência, da Faixa de Gaza à Cisjordânia, dos que vivem dentro das fronteiras de 1948 (interior do Estado de Israel) e pelo mundo afora, a resistência ressoa, ganha cada vez mais conexão com o movimento dos trabalhadores e dos povos, como demonstram as manifestações contra o genocídio de Israel desde outubro de 2023.
A Palestina antes da criação de Israel
Até o início do século 20, na região conviviam palestinos, muçulmanos (maioria), cristãos, drusos, coptas e judeus. Uma convivência que começou a ser trincada pela colonização sionista. O Mandato Britânico da Palestina (1920-1948), foi um período de gestação da criação do Estado de Israel em 1948, o qual foi um acordo entre grandes potências assinado pela União Soviética de Stalin para a criação de dois estados (um judeu e outro palestino).
A política de colonização de judeus europeus para a região foi ampliada depois da Declaração Balfour (1917), onde o secretário da Relações Exteriores britânico, prometeu ao banqueiro judeu Lord Rothschild, apoio ao estabelecimento de um “lar nacional para o povo judeu” na região. O incentivo à migração para a região não guardava raiz nos interesses do povo, da maioria dos trabalhadores ou intelectuais, mas sim nos interesses de burgueses e banqueiros judeus. A grande maioria dos refugiados do holocausto não foi para Israel.
A política sionista desde o início teve a resistência do povo palestino. Em abril de 1936, a greve geral por quatro meses foi uma manifestação massiva contra o domínio britânico exigindo o fim da imigração (orquestrada pelos magnatas judeus), a proibição da venda de terras e a independência.
1948: burguesia sionista impõe seu interesse
Depois da Segunda Guerra Mundial, o holocausto, a campanha pela criação do “lar para os judeus” na palestina ganha corpo. Para o imperialismo e a burguesia judaica, a exploração do holocausto, uma verdadeira tragédia para o povo judeu, virou propaganda para a política sionista.
Concentrada nos Estados Unidos, mas com tentáculos em vários países (no Brasil representada pela CONIB), a burguesia sionista explora a fraude de amalgamar o combate ao sionismo (carrasco do povo palestino) ao antissemitismo.
Desde 1948, nas chaves das casas das quais foram expulsos, famílias palestinas simbolizam a exigência do direito ao retorno. Os dois estados não vieram e nunca virão. Israel consolidou-se como um estado repressivo com a colaboração dos EUA, mas também das elites árabes, além da complacência, e até apoio, da maioria dos partidos de esquerda e das centrais sindicais. Esta traição faz parte da tragédia palestina.
Cada vez mais os palestinos são confinados a menores territórios (ver mapa). Desde os Acordos de Oslo (1993), a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) abandonou a sua a bandeira original. Mas é a perspectiva de um único estado laico e democrático do Rio (Jordão) ao Mar (Mediterrâneo), que continua sendo o que pode dar a palestinos e judeus o direito de viverem em paz.

Lembrar a Nakba e seguir a luta
A catástrofe deve ser lembrada para reforçar a luta contra sua continuidade. A campanha internacional contra o sequestro pelas forças sionistas de dois ativistas da flotilha da ajuda humanitária a Gaza (Thiago Ávila e Saif Abu), hoje libertos, e a campanha pela libertação dos 14 médicos de Gaza encarcerados, estão inscritas nesta luta. 78 anos de catástrofe, chega!
*Misa Boito, integrante do Comitê Nacional do DAP (Diálogo e Ação Petista)

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