Pinheiro arrancou microfone de pedestal enquanto vereadora estava falando durante sessão*
Momento em que Pinheiro arranca microfone de Juliana. Foto: Fernando Antunes/CMPANesta sexta-feira (15), a vereadora Juliana de Souza (PT) anunciou que seu mandato e o Partido dos Trabalhadores tomarão duas medidas contra o vereador Mauro Pinheiro (PP): denunciá-lo à Ouvidoria Especializada de Gênero, Raça e Diversidades do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) e pedir a cassação de seu mandato. As ações ocorrem após Pinheiro arrancar o microfone de Juliana durante fala da vereadora em sessão da Câmara Municipal na quarta-feira (13).
Em nota, a parlamentar explica que as medidas institucionais formais contra Pinheiro foram tomadas em “resposta à agressão e em defesa da democracia, das prerrogativas parlamentares e do direito das mulheres à participação política”.
A Ouvidoria Especializada deverá apurar o episódio como manifestação de violência política de gênero, enquanto a instituição responsável por avaliar a cassação de Pinheiro será a Comissão Ética da Câmara. Como informa a vereadora, o pedido de cassação foi protrocolado por entender que a conduta do vereador é “incompatível com o decoro parlamentar e representa um grave ataque ao exercício democrático do mandato de uma mulher eleita”.
“O que aconteceu não é um caso isolado. É parte de uma escalada de violência e intimidação contra mulheres na política, especialmente contra aquelas que enfrentam os interesses da extrema direita e se recusam a se calar diante dos abusos de poder”, complementa Juliana de Souza.
A situação que provocou o pedido de cassação aconteceu na noite em que a Câmara aprovou, por 23 votos a favor e dez contra, o projeto da Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS). Uma sessão naturalmente acalorada entre a base governista e a oposição subiu a temperatura nos tempos de fala na tribuna.
A vereadora Comandante Nádia (PL), na tribuna, acusou os vereadores da oposição de “gostar de pobreza” por não apoiarem o Plano Diretor e a LUOS. Nádia chamou as declarações críticas dos vereadores da oposição de “espetáculo”. Depois que Nádia saiu da tribuna, Giovani Culau (PCdoB) e Juliana de Souza pediram para falar no microfone aparte da Câmara, localizado em frente à mesa diretora.
“A vereadora [Nádia] que falou que nós demos um ‘espetáculo’, deu um espetáculo de fuga do tema da emenda. Porque ela talvez esteja nervosa, porque acabou de vazar um áudio do seu presidente pedindo dinheiro para o Vorcaro”, disse Juliana de Souza, em alusão ao áudio do pré-candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL), negociando R$ 134 milhões para a produção do filme “Dark Horse” — sobre Jair Bolsonaro — com o ex-diretor do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Foi neste momento, pouco antes da vereadora conseguir completar o nome “Vorcaro”, que Pinheiro, já próximo de Juliana, parte em direção ao pedestal e arranca o microfone. Pinheiro o entrega ao presidente da Câmara, Moisés Barboza (PSDB), que repreende sua ação. Então, é instaurada uma confusão que envolve outros vereadores, como Alexandre Bublitz (PT). A sessão precisou ser suspensa por dois minutos por Barboza até que os ânimos se acalmassem para prosseguir com a votação de emendas da LUOS.
*Fonte: Sul21

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