25 outubro 2012

Direita apostou quase tudo no tal “mensalão”


A evidência maior da forte e decisiva aposta da direita brasileira no escândalo do chamado “mensalão” foi dado ontem pelo Jornal Nacional da TV Globo.

Cerca de vinte dos trinta minutos do principal noticiário (ideológico) do programa jornalístico da emissora da família Marinho foi dedicado ao julgamento do STF, exaltando - sempre de forma didático-moralista - os altos feitos da maior corte do Poder Judiciário brasileiro.

Já se viu que a massa brasileira não presta a atenção nos resultados do julgamento do STF. Os resultados ainda parciais das presentes eleições municipais indicam que o tema “mensalão” passou longe da consciência dos eleitores brasileiros. E não foi por falta de insistência no assunto, haja vista o discurso do candidato tucano José Serra em São Paulo, tentando direcionar o debate para questões extra-políticas, de natureza moral, de sexualidade da vida privada, e sobretudo da religiosidade como o último refúgio do pensamento canalha.

Arrisco dizer que o pífio resultado do mensalão no imaginário popular face o contraste com que a direita apostou no tema moral pode trazer maiores e melhores dividendos ao lulismo-dilmismo no poder.

Me explico: o governo Dilma pode, agora, afirmar que passou por uma prova de fogo e que saiu mais forte, mais limpo e menos comprometido com os malfeitos de qualquer quadrante do seu vasto espectro de alianças, tanto as permanentes, quantos as de ocasião. Reforça o fato de que a quase totalidade dos ministros da alta corte tenham sido nomeados tanto por Lula quanto por Dilma.

[A nomeação do “valente” ministro Joaquim Barbosa foi trazida - e insistida - por Frei Betto.]

Ora, quem poderá acusar Lula e Dilma de não serem republicanos? De não respeitarem a divisão de poderes? De pressionarem o Poder Judiciário? Quem?


Mesmo sabendo que o STF se outorgou o direito de tribunal de exceção (vedado pela Constituição brasileira de 1988) ao fazer uso corriqueiro da “teoria do domínio do fato”, cujas origens remontam o forjado Direito hitlerista como forma de consolidação do poder nazifascista na primeira metade do século 20.

Como alguém lembrou, hoje, vivemos no País uma situação de “insegurança jurídica” (tão alegado pelos bedeis do neoliberalismo, em outro contexto), no que diz respeito aos direitos e garantias individuais. Se na sua rua há um intenso (e conhecido) tráfico de drogas, você pode ser julgado e condenado pelo fato de ser conhecedor de crime continuado e não ter dado parte às autoridades policiais e judiciais do País. A teoria do domínio de fato inexige provas. Todos sabiam que naquela rua havia comércio criminoso de drogas, como você, pacato cidadão, desconhecia esse fato e o omitiu das autoridades? Pelo tribunal de exceção dos doutos ministros do STF você será condenado, inapelavelmente, mesmo que nos autos não conste nenhuma prova contra você.

Pois bem, mesmo com um auto-consentimento (inconstitucional, diga-se de passagem) do STF, mesmo com um tribunal de exceção ad hoc, ou seja, para o fim específico de criminalizar a chamada “cúpula do PT”, mesmo calculando a data exata dos julgamentos de modo a coincidir com o calendário eleitoral de 2012, mesmo assim, a população brasileira não tomou conhecimento da armação preparada pela direita e exposta como espetáculo na bisonha mídia brasileira.

Lula e Dilma seguem firmes, leves e fortes. E a direita está desnorteada (sem Norte) e desorientada (sem Oriente).

*Por Cristóvão Feil, Editor do Blog Diario Gauche http://diariogauche.blogspot.com.br/

A VERTIGEM DO SUPREMO



O Portal  247 publica em primeira mão a reportagem de Raimundo Rodrigues Pereira, um dos mais consagrados jornalistas brasileiros e editor da Retrato do Brasil, sobre o julgamento da Ação Penal 470; amparado em documentos, ele demonstra que o desvio de R$ 73,8 milhões do Banco do Brasil, por meio da Visanet, simplesmente não ocorreu... (...)

CLIQUE AQUI para ler na íntegra (Via Blog O Boqueirão Online).

24 outubro 2012

As críticas ao julgamento do mensalão





Por Osvaldo Ferreira*
 
Pouco importa que o tal "mensalão" tenha produzido renovação no PT. O que importa é que este julgamento foi viciado pelas pressões midiáticas, adotou doutrinas externas que pegaram a defesa dos acusados de calças curtas, ignorou preceitos fundamentais da constituição federal e do código de processo penal dela derivado e mais, serviu ao aparato midiático partidarizado para influenciar as eleições de 2012. Nesta semana em que se encerram as eleições serão prolatadas as sentenças dos acusados. Jamais presenciei na história do meu país tamanho apequenamento e aviltamento do judiciário. Ocorreram crimes graves praticados pelo PT, mas todos na órbita da Justiça Eleitoral e o caixa-dois é o mais evidente e grave!

Um tribunal que quer ser constitucional e corte máxima, com figuras pusilânimes como Marco Aurélio, que defendeu nesta semana a ditadura militar (fora em outro país perderia seu cargo de imediato, ou renunciaria), Gilmar Mendes, juiz gângster, associado ao que há de mais podre no Brasil, por isso nomeado por FHC ( autor de dois HCs gangurus a Dantas), Barbosa, juiz que não é juiz, mas promotor raivoso que não se investiu de suas responsabilidades constitucionais e se vende ao aparato midiático representante do que há de mais criminoso que é a Veja, cá prá nós, merece respeito de quem?

Uma Procuradoria Geral da República que recebeu documentos à disposição do público há mais de um ano sobre a privataria tucana e que se cala, de forma desonrada, anti republicana e prevaricadora, após se sentar bundosamente, fétidamente, sobre investigações da PF da operação Monte Carlo, espera o que do brasileiro muito bem informado sobre esta república?

Nós aguardamos ansiosos as palavras do Ministro da Justiça, que ainda está a dizer a que veio nesta república, Senhor José Eduardo Martins Cardozo. Aguardamos ansiosos as manifestações dos senhores parlamentares do Partido dos Trabalhadores, pois deputados tem pela CF liberdade absoluta de manifestação, já que estamos cansados de receber a pecha como eleitores do PT, atuantes do PT, defensores do PT e aqui em São Paulo de defensores da candidatura de Haddad, de mensaleiros, corruptos, trambiqueiros, etc. 

Exigimos a manifestação dos deputados e senadores do PT sobre o julgamento absurdo, sem provas, casuístico, colado ao calendário eleitoral de 2012 do STF, e demais provocações de Ministros do STF, como Marco Aurélio defendendo a ditadura militar ou Gilmar Mendes que participou de ato de lançamento de mais um livro de jornalista da Revista Veja vilipendiando petistas, militantes, Lula e os senhores mesmos. Não aceitamos mais acovardamento. É bom ser deputados, é bom ser senadores, mas saibam que isso depende de nossos votos!!!! Deixem de se acovardar e respondam à altura à nossa indignação! 

Exigimos a manifestação de vocês! Já!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Mandem sua indignação aos senadores do PT:

ana.rita@senadora.gov.br 
pinheiro@senador.gov.br
wellington.dias@senador.gov.br
jorgeviana.acre@senador.gov.br

*Via  Luis Nassif Online http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/

23 outubro 2012

'Você é um juiz de merda!'


No romance autobiográfico “Código da Vida”, o ex-ministro da Justiça Saulo Ramos conta como ajudou a nomear Celso de Mello para o STF e como rompeu com o ex-pupilo; o ministro havia dado um voto contra José Sarney, que o nomeara, por pressão da Folha de S. Paulo, mas apenas porque a votação já estava decidida em favor do ex-presidente; depois disso, ambos romperam e Saulo disparou: “Você é um juiz de m...”

247 - Responsável ontem pela comparação entre  o PT e duas organizações criminosas que roubam e matam (o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital), o ministro Celso de Mello, “decano” do Supremo Tribunal Federal, é saudado há vários anos pelos meios de comunicação como uma espécie de herói por sua defesa constante da liberdade de expressão.

Essa conexão com os meios de comunicação foi apontada em 2007 pelo ex-ministro da Justiça, Saulo Ramos, que foi um dos articuladores de sua ida para o Supremo Tribunal Federal. Naquele ano, Saulo publicou o romance “Código da Vida”, com pitadas autobiográficas, em que falou sobre o ex-pupilo Celso de Mello.

Segundo Saulo, o ministro deu um voto contra José Sarney, que o nomeou, por pressão da Folha da S. Paulo, que questionava sua independência – assim como muitos jornais fazem hoje em relação a Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski. E essa revelação teria sido feita pelo próprio Mello a Saulo numa conversa telefônica reproduzida no livro.

Além de confessar a pressão da Folha, Mello teria dito ainda a Saulo que votou contra Sarney apenas porque a votação já estava decidida em favor do ex-presidente, que pôde mudar seu domicílio eleitoral para o Amapá, onde se elegeu senador. Ou seja: se fosse necessário, ele votaria de outra maneira.

A ligação terminou com o rompimento definitivo entre ambos. “Você é um juiz de merda”, disparou Saulo.

Confira trecho do livro:

"…a Suprema Corte estava em meio recesso, e o Ministro Celso de Mello, meu ex-secretário na Consultoria Geral da República, me telefonou:

E continua:

Veio o dia do julgamento do mérito. Sarney ganhou, mas o último a votar foi o Ministro Celso de Mello, que votou pela cassação da candidatura Sarney.

Deus do céu! O que deu no Garoto? Votou contra o Presidente que o nomeara, depois de ter demonstrado grande preocupação ( o assunto do telefonema para o “padrinho” ) com a hipótese de Marco Aurélio de Mello ( primo do Collor ) ser o relator.

Continuando a narrativa:

Apressou-se ele próprio a me telefonar, explicando:
- Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto…votei contra para desmentir a Folha de São Paulo ( que na véspera noticiou o voto certo em favor de Sarney )…

O Presidente já estava vitorioso e não precisava mais do meu…Mas fique tranquilo. Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do Presidente…

O Senhor entendeu?

- Entendi.

ENTENDI QUE VOCÊ É UM JUIZ DE MERDA!

Bati o telefone e nunca mais falei com ele.

Muitos advogados sabiam que Celso de Mello havia sido meu secretário na Consultoria da República e nomeado Ministro do Supremo por empenho meu. (fls. 169 /176 do livro Código da Vida)".

22 outubro 2012

'NUNCA FIZ PARTE NEM CHEFIEI QUADRILHA'



Mais uma vez, a decisão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal de me condenar, agora por formação de quadrilha, mostra total desconsideração às provas contidas nos autos e que atestam minha inocência. Nunca fiz parte nem chefiei quadrilha.


Assim como ocorreu há duas semanas, repete-se a condenação com base em indícios, uma vez que apenas o corréu Roberto Jefferson sustenta a acusação contra mim em juízo. Todas as suspeitas lançadas à época da CPI dos Correios foram rebatidas de maneira robusta pela defesa, que fez registrar no processo centenas de depoimentos que desmentem as ilações de Jefferson.


Como mostra minha defesa, as reuniões na Casa Civil com representantes de bancos e empresários são compatíveis com a função de ministro e em momento algum, como atestam os testemunhos, foram o fórum para discutir empréstimos. Todos os depoimentos confirmam a legalidade dos encontros e também são uníssonos em comprovar que, até fevereiro de 2004, eu acumulava a função de ministro da articulação política. Portanto, por dever do ofício, me reunia com as lideranças parlamentares e partidárias para discutir exclusivamente temas de importância do governo tanto na Câmara quanto no Senado, além da relação com os estados e municípios.

Sem provas, o que o Ministério Público fez e a maioria do Supremo acatou foi recorrer às atribuições do cargo para me acusar e me condenar como mentor do esquema financeiro. Fui condenado por ser ministro.

Fica provado ainda que nunca tive qualquer relação com o senhor Marcos Valério. As quebras de meus sigilos fiscal, bancário e telefônico apontam que não há qualquer relação com o publicitário. 

Teorias e decisões que se curvam à sede por condenações, sem garantir a presunção da inocência ou a análise mais rigorosa das provas produzidas pela defesa, violam o Estado Democrático de Direito.

O que está em jogo são as liberdades e garantias individuais. Temo que as premissas usadas neste julgamento, criando uma nova jurisprudência na Suprema Corte brasileira, sirvam de norte para a condenação de outros réus inocentes país afora. A minha geração, que lutou pela democracia e foi vítima dos tribunais de exceção, especialmente após o Ato Institucional número 5, sabe o valor da luta travada para se erguer os pilares da nossa atual democracia. Condenar sem provas não cabe em uma democracia soberana.

Vou continuar minha luta para provar minha inocência, mas sobretudo para assegurar que garantias tão valiosas ao Estado Democrático de Direito não se percam em nosso país. Os autos falam por si. Qualquer consulta às suas milhares de páginas, hoje ou amanhã, irá comprovar a inocência que me foi negada neste julgamento. 

São Paulo, 22 de outubro de 2012

José Dirceu
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*Grifos deste Blog

Inaugurada a Praça Jornalista DANIEL HERZ



Porto Alegre/RS - Na presença de familiares, amigos, colegas de trabalho e profissionais da área da comunicação foi realizado neste sábado (20.10) ato de descerramento de placa nomeando Praça no bairro Rubem Berta de jornalista Daniel Koslowsky Herz (foto ao lado). A escolha do homenageado partiu da iniciativa de amigos e jornalistas, companheiros em sua trajetória pela democratização dos meios de comunicação.

“Trata-se de uma justa honraria ao grande militante, professor, sindicalista, escritor, estrategista político, pesquisador e empresário que Daniel Herz foi”
, observou o vereador Adeli Sell (PT), proponente da homenagem. “O que seria da TV a cabo sem uma legislação adequada?” emendou o parlamentar ao lembrar que a Lei do Cabo foi uma das principais realizações de Herz, pois disciplinou os serviços de TV por assinatura a cabo, criando os canais comunitários, universitários, públicos e legislativos e adotou os conceitos de universalização dos serviços, compartilhamento de infraestrutura e controle público. 


Emociados com o ato, os familiares agradeceram pela iniciativa da Câmara Municipal. “É uma emoção e um reconhecimento muito grande ouvir de todos vocês a importância que o nosso Daniel teve para a sociedade. Saber que publicamente é reconhecido é uma honra para todos nós”, disse Célia Stadnik, víuva do jornalista falecido em 2006. Os filhos Fernando (27), Guilherme (21) e Ada (16) também acompanharam o ato. 



Sindjors

Da sua trajetória, merece destaque o fato de ter sido um dos fundadores do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Rio Grande do Sul em 1992, aos 37 anos. Sua contribuição foi fundamental em diversos aspectos, principalmente depois que passou a atuar, no mesmo ano, como diretor da Federação Nacional dos Jornalistas.
 
"No momento em que o Brasil retoma o Conselho de Comunicação no Congresso Nacional, vemos a importância que se dá à memória do Daniel, reconhecendo o trabalho que teve pela democratização da Comunicação. Por isso o Sindicato está na luta pelo Conselho Estadual de Comunicação, e esse papel o Daniel soube fazer muito bem. O Sindicato está fazendo o que ele propôs, de uma verdadeira democracia na Comunicação, ao contrário dos donos da mídia, que estão querendo apenas o monopólio. É uma honra poder homenagear Daniel Herz", relatou José Maria Rodrigues Nunes, presidente do SINDJORS.

Na oportunidade, Nunes entregou aos familiares medalha em comemoração aos 70 anos do Sindicato dos Jornalistas, celebrado neste ano.

A praça que ganhou o nome de Daniel Herz está localizada na rua Paulo Renato Ketzer de Souza com rua José Miguel da Conceição, Zona Norte da cidade. O local é referência importante para a comunidade, sendo utilizada para esportes e lazer.

Por Tatiana Feldens (reg. Prof. 13654) 
Fonte:  http://blogdoadeli.blogspot.com.br/
...
Nota do  Editor do Blog: Mais do que merecida a homenagem ao companheiro  Daniel,  a quem tive a honra de conhecer.  Daniel Herz também deixou, dentre outras,  uma grande contribuição para entendermos os mecanismos que estão por detrás dos bastidores da chamada 'grande mídia', atualíssima aliás: o livro 'A História Secreta da Rede Globo',  sua tese de mestrado, editado pela Universidade de Brasília e pela Tche,  livro que foi uma das fontes de inspiração para o documentário Muito Além do Cidadão Kane. Sugiro, por óbvio,  a leitura atenta do mesmo. (JG)

21 outubro 2012

Pelotas/RS: 'A maré subiu e é vermelha! Agora é MARRONI 13!'




Pelotas/RS - O centro da cidade parou na manhã de sábado (20) para assistir ao ato público que trouxe a Pelotas algumas das maiores lideranças do PT e do PSB do Rio Grande do Sul e no Brasil. Entre os participantes estavam o vice-governador do Rio Grande do Sul, Beto Grill (PSB), o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT) e o senador Paulo Paim (PT), além de deputados estaduais e federais dos dois partidos.


"Sou filho desta terra e quero o melhor para ela. E o melhor para Pelotas é, sem dúvida, Marroni prefeito", discursou o vice-governador que participou do ato acompanhado dos deputados estaduais Catarina Paladini, Vicente Selistre, do deputado federal José Luis Stédile e do Secretário de Infraestrutura do RS, Beto Albuquerque.

O senador Paulo Paim aproveitou sua fala para defender a necessidade de manter Pelotas alinhada com as políticas e projetos dos governos estadual e federal para garantir a retomada do desenvolvimento do município. “No dia 7, foi a vez de Rio Grande escolher um prefeito alinhado com os governos estadual e federal. No dia 28, será a vez de Pelotas eleger Marroni prefeito. Em parceria com a presidenta Dilma, o Marroni e a Dulce vão trazer tudo o que Pelotas sonhou e não teve", disse para depois completar: "Tucano hoje é símbolo de atraso. O Rio Grande não é terra de tucano, é terra de quero-quero e eu quero Marroni. Por mais alto que um tucano voe, ele jamais vai alcançar a nossa estrela", discursou arrancando longos minutos de aplausos dos espectadores.

Após declarar seu apoio à candidatura de Marroni e Dulce Härter no início desta semana, o deputado Catarina participou neste sábado de sua primeira atividade de rua e empolgou a militância e a população com suas palavras: “Há muito tempo, em Pelotas, não se faz política para quem mais precisa. Nossas comunidades estão carentes. Marroni é a mudança de verdade e, por isso, estou com ele nesta caminhada", declarou.

Para Marroni, a grande quantidade e qualidade dos apoios recebidos comprova que os partidos de esquerda estão decididos a garantir que o projeto popular do PT e seus aliados derrote as propostas neoliberais, que já causaram tantos danos ao Rio Grande do Sul e ao Brasil com os governos desastrosos de FHC e Yeda Crusius.

"O que está em jogo nesta eleição é muito mais do que uma disputa entre dois candidatos, é uma disputa de projetos. O projeto ultrapassado, que quebrou o Brasil e o Rio Grande, contra o projeto do Lula e da Dilma, que tirou milhões de brasileiros da miséria”, disse para depois completar: “A mudança que Pelotas quer é a mudança da administração, e não apenas a mudança do rosto do prefeito. Para isso acontecer, depende de cada um de nós. Vamos pra rua e vamos ganhar esta eleição!"

A real reforma do Estado



(Entrevista concedida pela Ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, à revista CartaCapital)
Após nove anos, completados no sábado 20, o Bolsa Família tornou-se um programa social aclamado no mundo. A quase totalidade dos preconceitos e mitos que alimentavam a oposição à sua existência foi desmentida pelos fatos. O programa não colocou sob o cabresto de Lula e do PT o voto dos eleitores mais pobres. Como é depositado direto em uma conta do cadastrado, ele eliminou a intermediação que sustentava os coronéis locais nos quatro cantos do País. Não fez vicejar uma geração de preguiçosos e vagabundos dispostos a trocar um emprego pelo benefício mensal que varia de 32 a 306 reais. Não transformou as mulheres em parideiras, prontas a colocar filhos no mundo em troca dos caraminguás ofertados pelo governo. A taxa de natalidade das beneficiárias está em queda, como acontece entre as demais mulheres. Muito menos desvinculou o benefício de metas escolares. Ao contrário. Os dados mostram que o controle tornou-se mais eficiente. A frequência das crianças beneficiadas pelo Bolsa é de 95,5%. A taxa de aprovação supera a da média dos alunos da rede pública (80% a 75%). A evasão escolar é 50% menor.
Desmistificação. Nove anos depois, os fatos derrubaram os preconceitos contra o programa. Foto: Bruno Spada/MDS
Integrante da equipe que montou o programa em 2003, a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, fala a seguir do êxito do Bolsa Família e vai além. Segundo ela, o cadastro único originado pela inclusão dos beneficiados, que permitiu a elaboração do mapa da pobreza, tem sido responsável por uma verdadeira reforma do Estado brasileiro. “A partir das inúmeras informações que o cadastro único gera, estamos reorganizando a oferta de serviços públicos no País. Teremos um Estado mais efetivo, mais eficiente no atendimento às demandas, principalmente da população mais necessitada.”
CartaCapital: O Bolsa Família completa nove anos. O que fez dele um programa social tão bem-sucedido?

Tereza Campello: Até então, o Brasil nunca tinha tido um programa de transferência de renda com o objetivo de aliviar a pobreza e se constituir como parte da rede de proteção social não contributiva do Brasil. O que havia antes eram vários pequenos programas de transferência vinculados a objetivos específicos. Tinha, por exemplo, o Vale-Gás, de apenas 7 reais, concedido a uma pequena parcela dos brasileiros, para auxiliar na compra de gás de cozinha. Tinha o Bolsa Alimentação, de compra de leite, e o Bolsa Escola. No governo Lula, simplificamos as coisas. Em vez de vários programas fragmentados, o que dificultava inclusive o entendimento dos beneficiários, pois um vizinho recebia o Vale-Gás, o outro o Bolsa Alimentação e um terceiro o Bolsa Escola, unimos todos em um só. Adotamos o critério da impessoalidade. Os beneficiários recebem o dinheiro diretamente em uma conta, usam o cartão. Não há intermediários. E o alcance passou a ser muito maior. Quando se juntavam todos os programas anteriores ao governo Lula, a soma de beneficiados era de 4 milhões de famílias. Hoje chegamos a 13 milhões. Um em cada quatro brasileiros recebe o Bolsa Família.

CC: Os críticos dizem que o programa transfere renda sem cobrar, por exemplo, a frequência na escola.

TC: Não é verdade. Foi após a criação do Bolsa Família e o surgimento do cadastro único que o governo passou a ter de fato um controle das condicionalidades. Antes se sabia, no máximo, se a criança estava, por exemplo, matriculada na escola. Atualmente, controlamos a frequência escolar de 15 milhões de estudantes. Os alunos cujas famílias estão no programa têm frequência acima da média dos demais estudantes da rede pública de ensino. No caso de quem recebe o Bolsa, a frequência atinge 95,5%. Dos menos de 5% cuja frequência não é regular, perto de 30% têm motivos: geralmente, as crianças ficaram doentes por um período ou a família mudou de endereço e não conseguiu vaga na escola. No restante dos casos em que não há justificativa, trabalhamos para que as crianças voltem a frequentar a sala de aula. Perceba: os beneficiários do Bolsa Família vivem em famílias extremamente pobres, com indicadores infinitamente piores do que aqueles do restante da população. Outro dado: a evasão escolar entre quem recebe o benefício é 50% menor do que a média. Sabe por quê?

CC: Imagino.

TC: As mães não deixam as crianças faltar. Os jovens sentem o peso da perda do benefício, caso abandonem a escola e a família deixe de receber o Bolsa Família. Pensam duas vezes antes de largar os estudos. As crianças do programa também têm um índice de vacinação maior. Todos os indicadores mostram que o programa tem sido e continuará sendo ­fundamental para o rompimento do ciclo de pobreza entre gerações. Os filhos não estarão destinados a ser extremamente pobres só pelo fato de seus pais o serem. Teremos crianças mais educadas, mais bem alimentadas, mais amparadas.

“O cadastro permitiu traçar o mapa da pobreza. Com ele, podemos levar os serviços públicos aos mais carentes”. Foto: Isadora Pamplona
CC: O governo esperava o efeito macroeconômico do Bolsa Família, um dos fatores responsáveis pela expansão recente da economia brasileira?

TC: Imaginávamos um efeito nas economias locais, um impacto microeconômico, digamos. Mas os efeitos gerais sobre a economia nacional, não. Esse efeito, aliás, ainda merece mais estudos acadêmicos. Sabemos que cada real repassado pelo Bolsa Família gera 1,44 real para a economia. Isso demole, portanto, a tese de que o programa é um desperdício de dinheiro, um gasto despropositado. O Bolsa possibilitou ao Brasil criar um colchão de renda permanente que nos impede de chegar ao fundo do poço em momentos de crise. São 50 milhões de brasileiros que continuam a comprar arroz, feijão, roupas…

CC: Havia quem não confiasse na capacidade dos beneficiários de gerir o próprio dinheiro, não?

TC: Sim, mesmo no governo. Mas prevaleceu a noção, inclusive determinada pelo presidente Lula, de permitir a completa autonomia das famílias. Para alguns, o dinheiro só poderia ser usado para comprar comida. Para outros, seria necessário criar um exército de servidores públicos para controlar o gasto dos pobres. É o velho preconceito. Caso eu receba um dinheiro a mais, vou gastar de forma irresponsável ou vou tentar poupar? Se qualquer um na classe média raciocina assim, por que seria diferente com os mais ­pobres?

CC: Sem falar na tese de que as mulheres teriam mais filhos para receber mais ­benefícios.

TC: Quanto alguém da classe média aceitaria receber para ter um filho a mais? Alguém imagina que 30 reais seria suficiente para as pessoas saírem por aí fazendo crianças? A decisão de transferir o dinheiro diretamente aos beneficiados, sem intermediário, foi fundamental. Assim como a parceria com os municípios. Sem os acordos com as prefeituras, o Bolsa Família não teria chegado aonde chegou, em todos os cantos do País. Outro ponto: prefeitos de todos os partidos se engajaram no projeto. Os convênios não foram firmados apenas com os representantes da base aliada.

CC: O programa atingiu seu limite ou ainda há muitas famílias a ser incluídas?

TC: No máximo, 500 mil famílias, o que dá cerca de 2 milhões de brasileiros.

CC: Outros países adotam programas de transferência de renda por tempo determinado. No Brasil, alguns especialistas cobram a criação de “portas de saída”. Por quantos anos mais o Bolsa Família será necessário?

TC: No momento, nosso esforço é para incluir famílias, não para excluí-las. O Brasil cresce menos neste momento, mas não está estagnado. Continua a gerar oportunidades para quem tem educação superior, para os de nível médio e para aqueles de baixa escolaridade. Continuamos a criar 1,5 milhão de empregos por ano. Em um país estagnado, como foi o nosso caso em passado recente, qual é a porta de saída para os mais pobres? Nações que adotam programas de tempo determinado optam pelo quê? As famílias terão chance de receber uma renda por um prazo. Se até lá não conseguirem se incluir, voltarão para a miséria. O Brasil acertou ao adotar um programa de tempo indeterminado. A população miserável do nosso país foi excluída durante séculos. Não teve chance de receber educação, de se alimentar. Uma criança desnutrida, com verminose, sem estímulos educacionais, tem sua vida adulta condenada, com baixa capacidade de desenvolvimento, mesmo se ela tentar estudar depois. Outra informação importante: metade dos beneficiários do Bolsa Família tem menos de 18 anos. Qual a “porta de saída” para esse público? Certamente, não está no mercado de trabalho. Está na sala de aula. De qualquer forma, fazemos um enorme esforço de qualificação profissional. Por meio do Brasil Sem Miséria, oferecemos cursos profissionalizantes do Pronatec. Temos quase 500 mil vagas para a população de baixa renda.

Bons alunos. A taxa de aprovação dos beneficiários é maior do que a mediana dos estudantes do ensino público. Foto: Celso Júnior/AE
CC: E arrumar um emprego não significa sair da miséria.

TC: Muita gente acredita que os mais pobres não trabalham. Este não é o problema. Em geral, eles conseguem vagas de trabalho precário. Ficam dois, três meses, e depois são dispensados. É comum na construção civil, por exemplo. A obra acaba e o sujeito fica sem emprego. Dos adultos do Bolsa Família, 72% trabalham. A “empregabilidade” é praticamente igual à da população em faixa de renda similar que está fora do programa. É outro mito derrubado. O Bolsa Família não desencadeou, como muitos acreditavam, o tal efeito preguiça.

CC: O Brasil tem dado muitas consultorias a delegações estrangeiras. O que mais os países querem aprender com a experiência do Bolsa Família?

TC: Muitas coisas. Mas eu diria que a nossa grande tecnologia é o cadastro único de beneficiados. Por meio dele foi possível traçar um mapa da pobreza no País. Tenho dito que o Bolsa Família, por meio do cadastro único, possibilita uma verdadeira reforma do Estado brasileiro.

CC: Como assim?

TC: Parte da esquerda rejeita qualquer discussão sobre a reforma do Estado, por associá-la a uma bandeira do neoliberalismo. Como se representasse a defesa de um Estado mínimo. Não é disso que falo. Defendo um Estado mais efetivo, mais eficiente no cumprimento da demanda da maioria da população. O cadastro único nos permite reorganizar a oferta de serviços públicos. Todo mundo quer mais creches, certo? Mas imagine se o governo federal se limitar a repassar os recursos. Em que lugares haverá ampliação das creches? Provavelmente, nas cidades mais ricas e nos bairros mais bem localizados. Dessa forma, não se consegue que os equipamentos públicos, uma unidade de saúde, uma escola, uma creche, sejam instalados nas localidades em que vivem os mais pobres.

CC: O Estado acaba por reforçar as desigualdades, certo?

TC: Sim. A ideia tem sido usar o cadastro único para reordenar essa oferta de serviços públicos, de várias formas. Dou um exemplo: cruzamos o cadastro do Bolsa com aquele das escolas e das matrículas no Brasil. Levantamos todas as unidades que têm mais de 50% dos estudantes entre os beneficiários do programa. Partimos do princípio de que uma escola com 50% de alunos no Bolsa Família fica em um bairro pobre e a outra metade dos alunos também é pobre. Ao todo, são 60 mil estabelecimentos no País. Separamos aquelas com condições de oferecer ensino em tempo integral. Para isso, a escola precisa de quadra de esportes, horários disponíveis, espaço etc… Metade tem condições. Com essa informação, procuramos cada um dos prefeitos. Perguntamos o motivo de a escola não promover mais educação e nos oferecemos para ajudar. O objetivo é induzir a ampliação da oferta de educação nos bairros mais pobres e, em geral, mais violentos. A experiência tem sido interessante. Hoje há oferta de cursos de fotografia, de judô, de caratê, de teatro, de música… A escola vira um espaço de participação e de vida comunitária para todos, principalmente para a juventude. O mesmo tem acontecido na saúde.

CC: De que maneira?

TC: A presidenta Dilma Rousseff definiu e conseguiu aprovar nas várias instâncias do Sistema Único de Saúde que as unidades de pronto-atendimento seriam construídas prioritariamente nas regiões localizadas no mapa da pobreza. As UPSs vão ser erguidas principalmente nos bairros mais pobres, onde se concentra a população de mais baixa renda. O mesmo se dará com os centros de referência de assistência social. O objetivo do SUS continua a ser a universalização da saúde e tem tudo a ver com esse propósito de levar os serviços justamente às populações mais carentes. Ninguém imaginava que o Bolsa Família iria se tornar a grande plataforma de hoje. À medida que as famílias entram no programa, seus dados ingressam no cadastro único. E o poder público acessa informações sobre esses brasileiros antes inimagináveis. Sabemos se a família é cigana, quilombola, de comunidade de terreiro, se é indígena. Há informações sobre o total de habitantes de uma determinada comunidade, o nível de escolaridade, aptidões, onde os beneficiários trabalharam. Isso já alterou a forma como o Estado brasileiro trabalhava e vai alterar ainda mais.


*Via www.cartacapital.com.br

20 outubro 2012

Dia do Poeta


Autopsicografia
                                   
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

  Fernando Pessoa

*Singela homenagem do Blog no transcurso do  Dia do Poeta.

'Enquanto lembrar-te de mim, nunca estarei muito longe...'




*Goodbye my love goodbye - Demis Roussos

Cartada tucana



Por Wladimir Pomar*

A campanha para o segundo turno mal começou e o PSDB, principalmente através de Serra, essa personalidade que não teme seu telhado de vidro, decidiu ligar o julgamento do chamado mensalão ao candidato do PT, na disputa pela prefeitura de São Paulo. Aliás, essa era e ainda é a grande esperança da direita política e judiciária: que o julgamento do STF se transforme no julgamento do PT, tanto nas eleições municipais, quanto nas próximas eleições gerais, daqui a dois anos. Até agora não tiveram sucesso, mas há indícios de que o tentarão com mais empenho neste segundo turno, num teste de tudo ou nada com vistas ao futuro.

O STF vai continuar se empenhando em cumprir sua tarefa de arranhar a lei, condenando indivíduos por crimes que não cometeram, e sequer julgando-os por um crime que confessaram, como é o caso do caixa-dois. E os tucanos parecem estar assumindo a tarefa de tentar a cartada de fazer com que o PT se sinta atingido e se defenda por malfeitos que não dizem respeito ao partido.

É evidente que se trata de uma cartada de alto risco, que pode atingir ao próprio PSDB, trazendo para a disputa algo que não tem nada a ver com os problemas que preocupam as populações das cidades em que se trava o segundo turno. Mas ela também contém uma armadilha que pode ser fatal ao PT, principalmente tendo em conta que algumas parcelas parecem ansiosas em fazer com que o partido saia publicamente em defesa dos condenados, por julgarem que estão sendo injustiçados.

A cartada tucana pode funcionar contra seu próprio candidato, que corre o risco de ficar falando sozinho, se o PT não aceitar a provocação e concentrar todos os seus esforços em discutir os grandes e pequenos problemas que afligem parcelas crescentes das populações das cidades em disputa. Como se sabe, tais problemas vão do caótico sistema de transporte urbano ao aumento indescritível da violência, passando pelo emprego, saúde, educação, reformas urbanas que melhorem o saneamento, reduzam a poluição, arborizem as vias urbanas, criem mais espaços públicos de lazer e esportes, e vai por aí afora. Em geral, o primeiro turno mostrou que grandes contingentes da população das cidades querem é ouvir e decidir sobre propostas que ataquem tais problemas.

Mas a cartada tucana pode funcionar contra o PT se este aceitar o embate como se o próprio partido estivesse sendo julgado e se sentisse atingido, da mesma forma que os que estão sendo julgados pelo STF. Em outras palavras, se o PT reconhecer, implicitamente, que está sendo julgado, como sugerem alguns ministros do STF e os partidos de direita. Isso seria a glória para eles, atingindo o objetivo almejado de assistir ao PT colocar a corda no próprio pescoço. Dai em diante, tudo se tornaria possível para a direita.

Em vista disso, os petistas que estão sendo julgados, mesmo que não tenham cometido os crimes que lhe são imputados, deveriam, em seu íntimo, reconhecer que permitiram, por erros diversos, serem envolvidos numa trama que a burguesia e seus agentes estão sempre maquinando para destruir o partido. Dirigentes partidários de um partido de trabalhadores não têm o direito de dar asas ao azar, caírem em armadilhas em que a direita é mestre, e colocarem em risco o partido, e o governo que este dirige.

Por tudo isso, neste momento, basta que reiterem sua inocência e evitem, a todo custo, envolver a militância numa disputa que só pode trazer novos prejuízos ao PT. Devem entender que a reconstrução da verdade sobre sua queda naquela armadilha e trama vai requerer paciência, tempo, sabedoria e desprendimento pessoal. Agora, o mais importante é evitar que a cartada do PSDB encontre ressonância. Mais adiante, a reconstrução da verdade dependerá da reestruturação  ideológica e política, não só do PT, mas da esquerda em geral, para delimitar com mais clareza as diferenças de estilo e de método em relação aos aliados políticos nos governos e nos parlamentos, numa situação inusitada em que a esquerda ganha paulatinamente a hegemonia política, mas não tem poder econômico, não controla o aparato estatal, nem tem hegemonia ideológica. O que não é pouco.

*Wladimir Pomar é analista político e escritor (via  sítio Correio da Cidadania).

19 outubro 2012

Os tucanos, do começo ao fim



Por Emir Sader*

Os tucanos nasceram de forma contingente na política brasileira, apontaram para um potencial forte, tiveram sucesso por via que não se esperava, decaíram com grande rapidez e agora chegam a seu final.

Os tucanos nasceram de setores descontentes do PMDB, basicamente de São Paulo, com o domínio de Orestes Quercia sobre a secção paulista do partido. Tentaram a eleição de Antonio Ermirio de Morais, em 1986, pelo PTB, mas Quércia os derrotou.

Se articularam então para sair do PMDB e formar um novo partido que, apesar de contar com um democrata–cristão histórico, Franco Montoro, optou pela sigla da social democracia e escolheu o símbolo do tucano, para tentar dar-lhe um caráter brasileiro.

O agrupamento foi assim centralmente paulista, incorporando a alguns dirigentes nacionais vinculados a esse grupo, como Tasso Jereisatti, Alvaro Dias, Artur Virgilio, entre outros. Mas o núcleo central sempre foi paulista – Mario Covas, Franco Montoro, FHC .

A canditadura de Covas à presidência foi sua primeira aparição pública nacional. Escondido atrás do perfil de candidatos como Collor, Lula, Brizola, Uysses Guimaraes, Covas tentou encontrar seu nicho com um lema que já apontava para o que terminariam sendo os tucanos – Por um choque de capitalismo.

O segundo capítulo da sua definição ideológica veio no namoro com o governo Collor, que se concretizou na entrada de alguns tucanos no governo - Celso Lafer, Sergio Rouanet. Se revelava a atração que a “modernização neoliberal” tinha sobre os tucanos. O veto de Mario Covas impediu que os tucanos fizessem o segundo movimento, de ingresso formal no governo Collor - o que os teria feito naufragar com o impeachment e talvez tivesse fechado seu posterior caminho para a presidência.

Mas o modelo que definitivamente eles seguiram veio da Europa, da conversão ideológica e política dos socialistas franceses no governo de Mitterrand e no governo de Felipe Gonzalez na Espanha. A social democracia, como corrente, optava por uma adesão à corrente neoliberal, lançada pela direita tradicional, à que ela aderia, inicialmente na Europa, até chegar à América Latina.

No continente se deu um fenômeno similar: introduzido por Pinochet sob ditadura militar, o modelo foi recebendo adesões de correntes originariamente nacionalistas - o MNR da Bolívia, o PRI do México, o peronismo da Argentina – e de correntes social democratas – Partido Socialista do Chile, Ação Democrática da Venezuela, Apra do Peru, PSDB do Brasil.

Como outros governantes das correntes aderidas ao neoliberalismo – como Menem, Carlos Andres Peres, Ricardo Lagos, Salinas de Gortari -, no Brasil os tucanos puderam chegar à presidência, quando a América Latina se transformava na região do mundo com mais governos neoliberais e em suas modalidades mais radicais.

O programa do FHC era apenas uma pobre adaptação do mesmo programa que o FMI mandou para todos os países da periferia, em particular para a América Latina. Ao adotá-lo, o FHC reciclava definitivamente seu partido para ocupar o lugar de centro do bloco de direita no Brasil, quando os partidos de origem na ditadura – PFL, PP – tinham se esgotado. (Quando o Collor foi derrubado, Roberto Marinho disse que a direita já não elegeria mais um candidato seu, dando a entender que teriam que buscar alguém fora de suas filas, o que se deu com FHC.)

O governo teve o sucesso espetacular que os governos neoliberais tiveram em toda a América Latina no seu primeiro mandato: privatizações, corte de recursos públicos, abertura acelerada do mercado interno, flexibilização laboral, desregulamentações. Contava com 3/5 do Congresso e com o apoio em coro da mídia. Como outros governos também, mudou a Constituição para ter um segundo mandato.

Da mesma forma que outros, conseguiu ser reeleger, já com dificuldades, porque seu governo havia projetado a economia numa profunda e prolongada recessão. Negociou de novo com o FMI, foi se desgastando cada vez mais conforme a estabilidade monetária não levou à retomada do crescimento econômico, nem à melhoria da situação da massa da população e acabou enxotado, com apoio mínimo e com seu candidato derrotado.

Aí os tucanos já tinham vivido e desperdiçado seu momento de glória. Estavam condenados a derrotas e à decadência. Se apegaram a São Paulo, seu núcleo original, desde onde fizeram oposição, muito menos como partido – debilitado e sem filiados – e mais como apêndice pautado e conduzido pela mídia privada.

Derrotado três vezes sucessivas para a presidência e perdendo cada vez mais espaços nos estados, o PSDB chega a esta eleição aferrado à prefeitura de São Paulo, onde as brigas internas levaram à eleição de um aliado, que teve péssimo desempenho.

Os tucanos chegam a esta eleição jogando sua sobrevivência em São Paulo, com riscos graves de, perdendo, rumarem para a desaparição politica. Ninguém acredita em Aécio como candidato com possibilidade reais de vencer a eleição para a presidência, menos ainda o Alckmin. Vai terminando a geração que deu à luz aos tucanos como partido e protagonizaram seu auge – o governo FHC – que, pela forma que assumiu, teve sucesso efêmero e condenou – pelo seu fracasso e a imagem desgastada do FHC e do seu governo – à desaparição politica.

*Sociólogo, professor universitário, escritor e blogueiro. (Do  Blog do Emir, via sítio da Agência Carta Maior).