20 julho 2026

Política na arte Paula - Abramo resgata a luta de sua família contra o fascismo em forma de poesia no livro ‘Fiat Lux’

Autora mexicana detalha obra inspirada no avô, o líder comunista Fúlvio Abramo, e alerta que extrema direita segue viva

Livro de poesia fala da luta antifascista no Brasil | Crédito: Datalhe de Capa


Por Ana Rosa Carrara e 
 Lucas Salum*

Recém-lançado pela poeta e tradutora mexicana Paula Abramo, “Fiat Lux” (Editora 34) tem um título que, em latim, significa “faça-se luz”. A obra recria de forma poética a organização política para combater o fascismo e a luta pelo socialismo no Brasil a partir dos anos 1930.

Neta de Fúlvio Abramo, jornalista e fundador e dirigente da Liga Comunista Internacionalista, a autora inspirou-se em cartas do avô e as histórias da própria família.

“Minha mãe, minha tia Renata e meu pai foram contando algumas histórias de cenas da família que, por um lado, eram bem cotidianas e, por outro lado, estavam sempre atravessadas pela política. Minha família participou em várias gerações de diversos movimentos sociais no Brasil. Então, foi se formando uma espécie de trança de histórias políticas. Não necessariamente se moviam da história com H maiúsculo, mas se moviam em vários planos, como qualquer vida política de qualquer militante, de qualquer pessoa que participa na política”, relata a autora em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato.

Por conta da perseguição da ditadura de Getúlio Vargas, Fúlvio se exilou na Bolívia e, em seus escritos, contou o cotidiano, que sua neta aproximaria de um romance. “As cartas que ele escreveu da Bolívia são documentos maravilhosos das dificuldades que ele teve que enfrentar, mas também falam das paisagens, dos Andes, das cores. O meu livro só não foi romance porque eu não sabia como lidar com todas as lacunas que essa história tinha, e a poesia me permitia um pouco mais de jogo com as lacunas.”

Publicada originalmente no México em 2012, a versão atual, editada para o Brasil, traz os poemas de Paula em dois idiomas: espanhol e português. Mesmo tendo experiência como tradutora da língua espanhola para a língua portuguesa, a autora não é a responsável pela tradução para o português, feita por Gustavo Pacheco. Durante a entrevista, ela explica o que motivou essa escolha:

“É um percurso de vários anos em que pessoas do Brasil leram o livro [editado no México] e às vezes falavam para mim: ‘Por que você não se autotraduz?’ Eu falava: ‘Poxa, mas é tão difícil se autotraduzir, eu vou reescrever o livro’. Eu escrevo pouco porque eu vivo a vida inteira traduzindo”, diz. “Por outro lado, para mim, a maior honra que existe nesse mundo para alguém pode ser o fato de ser traduzido”, conclui.

Para além do resgate das memórias de família presentes nos poemas, a autora destaca que um dos objetivos da recém-publicação do livro no Brasil é contribuir na luta contra o fascismo no país.

“O que me deixava muito pasma nas histórias dessa família era que as lutas não paravam, em diversos níveis. E isso é uma coisa que não ficou no passado. O fascismo está aí e tem que ser combatido constantemente, porque a ameaça de ele voltar é sempre muito presente, e agora a gente está vendo a organização da direita, da extrema direita no mundo, é muito preocupante. A gente tem que saber como isso foi combatido no passado e como a gente tem que continuar combatendo”, pontua a escritora. (...)

*Editado por: Gia Matheus Almeida - Fonte: BdFFacebook


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