05 novembro 2017

'Atentado à Democracia'




Coluna Crítica & Autocrítica - nº 120

Por Júlio Garcia*

*Não é novidade que estamos vivendo no país um verdadeiro Estado de Exceção, com a Constituição e a Democracia vilipendiadas, direitos históricos dos trabalhadores conquistados à duras lutas sendo criminosamente retirados, o patrimônio do povo brasileiro entregue 'de mão beijada' à ganância das multinacionais. Também é sabido (parece que menos pela mídia monopolista) que uma Presidenta honesta, eleita legitimamente foi afastada  - sem ter cometido crime algum - através de um golpe parlamentar/midiático/jurídico/empresarial capitaneado por um bando de bandidos (sim, não tem outra denominação para ser dada aos golpistas); pois, com tudo isso ocorrendo, termos ainda que aguentar os absurdos proferidos por segmentos defensores (em que pese serem bastante minoritários) de uma  'intervenção militar' (fascistas ou completamente 'sem noção'), convenhamos, é 'dose para leão'!

*Em que pese sabermos que não existe a mínima possibilidade da maioria dos militares - muito menos do povo brasileiro - aderirem a tal proposta tresloucada e fascista, é importante  não fazermos ouvidos moucos e denunciarmos essa campanha criminosa e golpista que alguns segmentos vinculados ao truculento e preconceituoso deputado Bolsonaro (e a setores ainda mais desequilibrados da extrema-direita) vem tentando fazer no país, como vivandeiras chorosas que vão às portas dos quartéis, como alguns de seus pares (de triste memória)  fizeram em 64. 


*A 'Comissão da Verdade", recentemente, contribuiu para que a sociedade soubesse definitivamente o que representaram os 21 anos de ditadura que infelicitaram nosso país, fazendo milhares de prisões ilegais, trazendo mortes, torturas e, no seu bojo, corrupção sim - só que ignorada pela mídia cúmplice, somada a censura impetrada pelo 'governo civil-militar' (ditadura) golpista de então.  

*A máxima "a pior das democracias é melhor do que a melhor das ditaduras" está, portanto, cada vez mais atual. Só mesmo cegos políticos desconhecedores da história, ignorantes - ou fanáticos - para baterem hoje na tecla da "intervenção militar".

*A propósito desse tema, reproduzo abaixo oportuno artigo postado pelo companheiro Gilmar da Rosa em seu Blog, que tem como título "Sobre a democracia e o fascismo latente". 
 

-Leia a seguir:

"Divergências são próprias das disputas políticas. Há motivos suficientes para se criticar qualquer governo e a experiência do PT no governo federal nestes 13 anos, pode e deve merecer análises críticas, situadas muito além dos espaços domesticados pelos interesses pessoais e partidários. 

Os segmentos mais conservadores e situados à direita do governo - ou seja: para além da direita que já está lá - também possuem o direito de manifestar seus pontos de vista. Observem que os governos nunca foram do PT, foram governos de coalizão, visto que dos 514 deputados o PT tinha 80 e dos 81 senadores apenas 11 são petistas.

Não é porque alguém é um conservador que não possa sustentar opiniões corretas, assim como não é porque alguém é “de esquerda” que não possa defender posições equivocadas. Até aí, tudo bem. Entretanto, quando alguém organiza manifestação de protesto e pede “intervenção militar”, estamos diante de um atentado à democracia. Essa geração pobre de direita, revanchista, igrejeira, fascista, evangélica, militarista e intolerante saiu do armário. Vomitam impropérios sem constrangimento.

"Eles não são apenas politicamente incorretos, são também intelectualmente desonestos e eticamente deploráveis".

É preciso não ter qualquer noção para aplaudir um orador armado e reproduzir chavões da época da guerra fria. A democracia convive perfeitamente com os sem-noção, mas não deve transigir com a proposição do golpe.

Propor o golpe de Estado é, claramente, agredir a ordem fundada no dissenso e adotar a perspectiva da violência.

O momento atual pode expressar apenas um ponto fora da curva, mas pode significar também o “Ovo da Serpente”. O fascismo, aliás, começa sempre que a imbecilidade ousa dizer seu nome. 

Estejamos atentos."
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*Júlio César Schmitt Garcia é advogado, assessor parlamentar e midioativista. (Especial para o Portal O Boqueirão Online).

**Charge do Alpino - Grifos deste Editor.

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