06 março 2012

Concurso de Miss


 

Miss: rainha de quê?


*Por Marília Arraes

 Sinto-me especialmente feliz por conseguir me indignar frente a coisas simples e relativamente bem aceitas pela sociedade. Um exemplo são os tradicionais concursos de miss.

Quantas mulheres, ao longo da história, dedicaram suas vidas a combater o machismo, a conquistar o espaço que temos hoje. Mulheres que viveram e enxergaram além do seu tempo e, por isso, foram estigmatizadas, hostilizadas e sofreram todas as "sanções sociais" possíveis.

Hoje, procuramos nos qualificar profissional e intelectualmente. Aprendemos idiomas estrangeiros para alcançar novas culturas e novas oportunidades - não, apenas, por ser obrigação de uma moça fina. Batalhamos, todos os dias, no mercado de trabalho, para receber, no mínimo, o mesmo salário que os homens, ao executar o mesmo trabalho. Brigamos em casa para que nossos companheiros dividam as tarefas domésticas e, consequentemente, compatilhem conosco o "terceiro expediente". No trabalho, elogios e assédio ainda se confundem e as dúvidas sempre pairam sobre quem não se submete. Afinal, é mais fácil encontrar uma subalterna vadia, do que um chefe tarado.

Nosso corpo é só nosso e, por isso, temos que brigar, ainda, com a Igreja e com o Estado, para que compreendam isso e nos permitam cuidar dele como nos convenha. Por falar em corpo, temos mesmo que cuidar dele muito bem, porque há grandes chances de sermos discriminadas, caso estejamos muito distante dos padrões de beleza. Quantas são admiradas por serem chefes de família, por criarem seus filhos e serem mães e pais ao mesmo tempo? Tenho a certeza, também, de que hoje as mães sonham que suas filhas ocupem, em igual quantidade e qualidade, cargos de chefia, diretorias, presidências. Poucas décadas atrás, o principal anseio das mães para felicidade de suas filhas era mais difícil de alcançar: que fizessem um bom casamento (seja lá o que isso significasse), tivessem muitos filhos e fossem felizes para sempre.

Em meio a todo esse contexto, vemos concursos de beleza de todo tipo. Miss disso ou daquilo, musa, garota, rainha, princesa. Desfilam, dançam, respondem abobrinhas, coisas ridículas e medíocres ou, no mínimo, memorizadas e falsamente vomitadas ao microfone. São ridicularizadas, servem de chacota, seja por serem bonitas e terem falado absurdos, seja por não cumprirem com os padrões - locais ou "universais" - de beleza imposto nos concursos. No final, a vencedora ganha uma faixa, um cetro e uma coroa. Acena doce e passivamente à multidão, chora de emoção, agradece, vai embora. Em resumo, representa tudo o que sempre nos tentaram impor e que esbravejamos para não permitir. Aceitam pacificamente discriminação social e racismo evidentes em TODOS esses concursos, e assumem, tacitamente, que a beleza é o que uma mulher pode oferecer de melhor. Afinal, o que mais elas oferecem nesse concurso? Habilidades? Conhecimentos? Cultura?

Esse ano, o Miss Universo acontecerá no Brasil. Para quê? Não precisamos de uma rainha, temos uma presidenta eleita pelo voto direto. Já colocamos a faixa no peito de uma mulher que não é bonita, não é jovem, nem loira, alta e magra. Tem o corpo castigado por lutar pela democracia e pelo povo do seu país. Por não ser doce, dócil, passiva, submissa, tem fama de ser dura, fria, grossa. E, no Brasil governado por esta mulher, tantas outras morrem assassinadas por seus companheiros; morrem de parto ou de complicações por aborto inseguro; são violentadas e exploradas sexualmente; trabalham no campo e na cidade, em casas de família, na informalidade e não têm seus direitos trabalhistas respeitados. Para que uma rainha da beleza, se temos mais de 22 milhões de mulheres chefes de família. Em nossa História, recente e remota, temos tantas mulheres que nos orgulham e nos fazem acreditar que vale à pena lutar por um mundo melhor. Não, definitivamente não precisamos de títulos como esses.

Por tudo isso e em respeito às mulheres do Mundo, eu não assisto ao concurso de Miss. E você?

*Marília Arraes (foto) é vereadora do Recife/PE,  pelo PSB.
Fonte: http://www.mariliaarraes.com.br/blog.php

05 março 2012

'O que eles querem deter?'



O que temem os oficiais da reserva do Clube Militar?

Subiu - de 98, na semana passada - para 647 o total de assinaturas do manifesto de militares da reserva com críticas à presidenta Dilma Rousseff e ao ministro Celso Amorim (Defesa). Questionaram uma presumida anuência da presidenta sobre as posições relativas ao período da ditadura militar e à importância da Comissão da Verdade explicitadas por duas ministras suas, Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Eleonora Menicucci (Proteção à Mulher). E, ainda que a presidenta – chefe em comando das Forças Armadas - tenha determinado a retirada do manifesto dos militares da página do Clube Militar na internet e a punição dos autores do documento, eles não se intimidaram. Engrossaram suas fileiras.

Sabemos que os militares da reserva têm o direito de se manifestar. Ironicamente, esses militares invocam, hoje, as mesmas garantias individuais que a ditadura suprimiu. E, a propósito da ditadura, o país vai, sim, descobrir seu passado e os crimes cometidos naquele período. Esse é o papel tanto da Comissão da Verdade, quanto da Justiça. A cada dia, vêm à tona revelações de testemunhas e a localização de provas e documentos oficiais.

Foi bom que o episódio das críticas dos oficiais da reserva ocorresse. O nível desse grupo de reservistas foi tornado público com a insólita entrevista de seu líder, o general Luiz Eduardo Rocha Paiva. Entre suas pérolas (leia mais neste blog), o general declarou que a violenta repressão ocorrida na Argentina e Chile se deu pelo caráter “hispânico” desses povos.

Quem os está estimulando a falar?

“São países com a veia espanhola muito radical e muito açodada e são condições diferentes do país”, afirmou. Daí, raciocinou o militar, a razão da intensidade da repressão naquele país. A afirmação foi feita apesar de todos sabermos que o presidente Salvador Allende, à época, liderava um governo democrático e pacífico.

Mas o que temem esses militares e quem os está estimulando a se manifestar desta forma? Os torturadores e os que participaram dos crimes da ditadura, ou certa direita, saudosa dos tempos passados, quando golpes eram dados com o apoio dos Estados Unidos em toda América Latina?

O que eles querem deter? As investigações, ou a roda da história no Brasil e na América Latina? Nós e a sociedade democrática, todos partidos, não devemos nos intimidar com essas manifestações. Ao contrário.

Com a palavra, o Congresso Nacional

Devemos apoiar a presidenta Dilma Rousseff e a sua autoridade, como comandante supremo das Forças Armadas. Com a palavra os partidos e o Congresso Nacional, as entidades e os movimentos sociais, os empresários e os trabalhadores, seus sindicatos e centrais. (por José Dirceu) 

Fonte: http://www.zedirceu.com.br

02 março 2012

Denúncia!


Israel invade e fecha duas estações de TV na Palestina

Ataque aconteceu de madrugada e incluiu destruição e confisco de computadores, transmissores e outros equipamentos

Ramala/Palestina - Brasil de Fato - Às duas da manhã de quarta-feira, 29 de fevereiro, sob uma temperatura abaixo de zero, soldados do exército israelense entraram na cidade de Ramala, onde fica a sede da Autoridade Nacional Palestina, e invadiram duas estações de televisão, Al-Watan, canal privado, e Al-Quds Educacional, operada pela Universidade de Al-Quds (nome árabe de Jerusalém).

Além de prender quatro funcionários da Watan, incluindo jornalistas – liberados mais tarde –, os soldados levaram computadores, arquivos financeiros, todos os equipamentos de transmissão, arrasaram escritórios e redação e finalmente fecharam as estações de TV. De acordo com a jornalista palestina radicada em Viena Kawther Salam, a incursão foi aprovada pelos ministros israelenses da Defesa, Ehud Barak, das Comunicações, Moshe Kahlon e pelos generais Avi Mizrahi e Motti Almoz.

“Fomos surpreendidos pelos soldados”, disse um dos funcionários da Watan à agência palestina de notícias Ma’an. “Eles nos prenderam e promoveram uma enorme bagunça nos escritórios. Ficaram particularmente furiosos quando viram a foto de Khader Adnan (prisioneiro político que fez greve de fome durante 66 dias, até a Suprema Corte de Israel decidir por sua libertação, em 20 de fevereiro) na parede da nossa sala.”

Lideranças palestinas criticaram com veemência a ação israelense. Mustafá Barghouti, secretário-geral do partido político Iniciativa Nacional Palestina, emitiu uma declaração condenando o ato, que “não é apenas uma violação de direitos humanos e da lei humanitária mas também uma quebra do acordo que proíbe às forças militares israelenses a entrada ou a realização de operações na área A”. A área A, segundo os acordos de Oslo, compreende as cidades palestinas e está sob a responsabilidade administrativa e policial da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Abdel Nasser Al-Najjar, presidente do Sindicato dos Jornalistas Palestinos em Ramala, denunciou a ação israelense como “crime contra a mídia palestina, para impedir que a verdade chegue ao mundo”. O primeiro ministro Salam Fayyad, além de condenar a incursão nas estações de TV, esteve na Watan assim que soube do ataque. Mahmoud Abbas, presidente da ANP, condenou a ação do exército israelense como “um assalto flagrante contra a liberdade de expressão e da mídia”. Apesar do discurso, fontes palestinas denunciaram à jornalista Kawther Salam que o exército de Israel avisou a ANP sobre a ação antes que ela fosse realizada. “Segundo essas fontes, o comando militar da ANP em Ramala ordenou a suas tropas que não ficassem no caminho do exército israelense, para não interferir, de modo nenhum, no ataque às estações de TV”, disse ela. “Isso mostra de que lado a lealdade da ANP está”, completou.

O governo israelense alegou que a ação se deveu ao fato de a frequência de ambos os canais interferir nas comunicações do aeroporto de Tel Aviv e da rede sem fio do país, o que foi desmentido por Mashoor Abu Dakka, ministro palestino das Telecomunicações e da Tecnologia da Informação. “As frequências das emissões de TV não são as mesmas do aeroporto ou da rede sem fio de Israel”, afirmou ele em entrevista coletiva na quinta-feira, 1º. de março. “O Ministério das Comunicações israelense jamais se queixou desse tipo de interferência por parte da Watan e da Al-Quds Educacional”, disse Dakka, o que, de acordo com ele, levanta dúvidas sobre os verdadeiros objetivos do ataque.

“O governo de Israel quer controlar as frequências UHF das TVs palestinas para usá-las em telefones de quarta geração, que utilizam as ondas [eletromagnéticas] das televisões e precisam delas para funcionar”, denunciou o ministro. “Acreditamos que Israel quer construir um sistema digital baseado nessas frequências”, acrescentou, e manifestou a preocupação de que a ação israelense possa expandir-se para outras estações de TV e rádio palestinas.

Ainda na quinta-feira (01), jornalistas, sociedade civil e o primeiro-ministro Salam Fayyad participaram de uma manifestação em frente à Watan, em protesto contra a invasão e o fechamento das duas emissoras.

Esse não foi o primeiro ataque de Israel às duas estações de TV. Em 2002 o exército invadiu ambas e confiscou seus transmissores. Em 2008, soldados do exército e da polícia, bem como funcionários da Administração Civil e do Ministério das Comunicações israelense, destruíram e vasculharam as rádios Wan FM, BBC e Freedom Radio Al-Huryyah, e a TV Al-Majed, de Hebron. (por Baby Siqueira Abrão, Correspondente no Oriente Médio).

Foto acima: instalações do canal Watan, em Ramala           


http://www.brasildefato.com.br/node/8934

29 fevereiro 2012

Debate - II


A dificuldade de ser governo


Wladimir Pomar* escreve:

Há alguns anos atrás, quando petistas, comunistas, socialistas e democratas progressistas se encontravam na oposição ao governo ditatorial em fim de era e, depois, aos governos burgueses liberais e neoliberais, a equação era relativamente simples. Trabalhar na base da sociedade, estimular a luta de classes, empreender uma ferrenha oposição às políticas antipopulares e antidemocráticas, e desfraldar a bandeira socialista, apesar das dúvidas já existentes sobre o significado do socialismo e seus caminhos.

No início dos anos 1980, havia certo senso comum nessas correntes de esquerda de que o único caminho para resolver os problemas estruturais da sociedade brasileira consistia em realizar uma revolução política e social. Sem esta não seria possível eliminar a excessiva concentração da terra e das riquezas; resolver o caos da urbanização explosiva, com grandes populações desempregadas, favelizadas e miseráveis; extinguir a miséria disseminada na maior parte da população rural; elevar os baixos salários industriais, comerciais e nos serviços; superar a educação sofrível; resolver os graves problemas de saúde por falta de saneamento; romper o oligopólio estrangeiro sobre os principais ramos industriais e o oligopólio privado nacional sobre alguns outros ramos econômicos; adensar as cadeias produtivas incompletas; reduzir os desequilíbrios regionais; dar um salto do desenvolvimento científico e tecnológico insuficiente; transformar a democratização lenta e estreita numa democracia participativa; reformar profundamente a justiça corporativa e ineficiente etc. etc.

Escaldados com as derrotas da luta armada contra o regime militar, muitos gostavam de frisar que tal revolução deveria ser por meios democráticos, aqui mais no sentido de ser por meios pacíficos. Embora não se conheça na história qualquer revolução que não tenha contado com a participação democrática da maior parte do povo, a idéia comum era de que, de uma forma ou outra, tal revolução teria que ocorrer.

Naquela época, pensar na possibilidade de que as correntes de esquerda poderiam, algum dia, tornar-se governo central no contexto da democracia liberal burguesa era quase uma heresia. A participação na institucionalidade burguesa, como nos parlamentos e mesmo nas prefeituras, era tida como aproveitamento das brechas para marcar posição. Mas essa visão começou a ser questionada pelos resultados práticos das eleições para a Constituinte, em 1986, para a prefeitura de São Paulo, em 1988, e para a presidência da República, em 1989. No caso da eleição presidencial, porém, a suposição de que se poderia ir além da marcação de posição, e vencer a disputa, ainda foi alvo de chacota por algum tempo.

A derrota eleitoral de 1989, paradoxalmente uma vitória política, causou uma tormenta interna nos partidos de esquerda. Algo até então impensável – tornar-se governo do país no contexto das regras impostas pela burguesia - se tornou palpável. Alguns chegaram até a afobar-se.
Sem extrair todas as lições de 1989, pensaram que tal possibilidade já seria viável em 1994.

Mas o pior no embaralhamento dos pensamentos foi que, com a abertura dessa possibilidade, não foram poucos os que embarcaram nas reformas neoliberais, como se elas fossem reformas estruturais democráticas e populares, e abandonaram a perspectiva socialista. Não mais consideravam essa perspectiva a garantia de que as reformas estruturais seguissem um rumo que tivesse a maioria do povo brasileiro como beneficiário. Com isso, perderam o norte estratégico. E o trabalho na base da sociedade começou a ser abandonado e substituído quase completamente pelo trabalho de conquistas institucionais.

Por outro lado, também paradoxalmente, algumas correntes que não distinguem os diversos conteúdos contraditórios da democracia, enxergaram a chegada da esquerda ao governo central como possibilidade de resolver todos os problemas estruturais da sociedade brasileira numa penada. Na velha mania voluntarista que marca a história da esquerda brasileira, achavam que bastaria vontade política para um governo de esquerda passar a limpo o Brasil.

Bem vistas as coisas, quando Lula foi eleito em 2002, os partidos de esquerda ainda se digladiavam internamente em torno do que deveria ser feito numa situação que não constava do manual da revolução brasileira, nem de qualquer outra. Não havia unidade em torno de um programa democrático e popular que, no contexto do domínio econômico e da hegemonia ideológica e política capitalista, estrangeira e nacional, pudesse ser implementado não só para administrar o desenvolvimento capitalista, mas também para aumentar a força social das classes populares e introduzir reformas que apontassem no rumo de uma mudança estrutural mais profunda na sociedade brasileira.

Os oito anos de governo Lula e um ano de governo Dilma já acumularam uma razoável experiência sobre o que deve constar nesse programa democrático e popular. Porém, a falta de uma sistematização mais coerente em torno dos pontos principais desse programa, por parte dos partidos de esquerda, não tem contribuído positivamente nem para as diretrizes do governo de coalizão, nem para a ação política e ideológica da própria militância de esquerda. O que explica, em certa medida, por que uma parte dessa militância está meio à parte do recente ressurgimento da luta das classes populares no Brasil, e outra parcela está simplesmente contra os projetos de desenvolvimento econômico do governo, seja por motivos ecológicos, seja porque tais projetos seriam de interesse dos grandes capitalistas.

Paralelamente, tomam corpo duas idéias relativamente convergentes sobre a luta de classes no processo de aplicação de um programa democrático-popular no quadro da democracia-liberal. Uma diz que tal programa não leva, necessariamente, a uma elevação da luta de classes no Brasil. Outra diz que tal programa simplesmente impede a luta de classes. Nessas condições, não é difícil encontrar militantes para quem seria melhor que a situação estivesse pior. Assim, os trabalhadores e o povo se sentiriam estimulados a lutar.

Como, apesar das melhorias, a situação da maior parte de nosso povo ainda é angustiante, não se pode descartar que a direita política entre por essa brecha para utilizar parte da esquerda como ponta de lança no desencadeamento de lutas selvagens em grupos descontentes pelo descompasso entre a ascensão dos miseráveis e certa paralisia na melhoria das condições de vida da classe média baixa.

Portanto, por outro lado, se há quem pense que estamos no melhor dos mundos, será preciso cair na real e realizar um esforço mais consistente para resolver os problemas teóricos e práticos colocados pela situação inusitada de ser governo e, ao mesmo tempo, ter que participar na luta de classes da sociedade brasileira.

*Wladimir Pomar (foto) é escritor e analista político.

Fonte: Correio da Cidadania  - http://www.correiocidadania.com.br

'Precisamos ousar e acreditar...'

 

Carnaval de Porto Alegre: um passo à frente

   
  Paulo Ferreira*  escreve:

Todos os anos, as ruas e passarelas do Brasil são tomadas pela alegria da festa mais conhecida no mundo. Expressão genuína da cultura popular, o Carnaval envolve variados setores sociais num processo de superação da artificial separação entre cultura popular e a dita ¨alta cultura¨, sem que seus protagonistas percam a liderança e a originalidade desta grande manifestação do Brasil que somos, da raiz popular que originou o Carnaval.

Desde o surgimento do Carnaval no Brasil, o povo sempre evocou justiça, liberdade, igualdade. Os dias de folia são os mais democráticos e as desigualdades de todo gênero repousam diante do mundo maravilhoso criado por mestres-salas, porta-bandeiras, passistas, carnavalescos, ritmistas, extraordinários profissionais que encantam as pessoas. Pobres em sua imensa maioria, os profissionais da alegria mostram que ninguém quer só comida, saneamento, água tratada, escolas, saúde e moradia - direitos básicos, que não deveriam faltar para ninguém, mas insuficientes.

Neste ano, a parceria entre a Estado Maior da Restinga e o IBRAVIN (Instituto Brasileiro do Vinho) deu à tricolor da zonal sul o bicampeonato. Contudo, para além da conquista, vale destacar que tal parceria expressa a inconformidade do Carnaval de Porto Alegre com suas limitações. A união entre Restinga e Ibravin criou condições para um projeto de carnaval que aliou inteligência de gestão, criatividade e vínculo com um setor produtivo tradicional do nosso estado. Foi possível qualificar o espetáculo e ampliar a visibilidade dos vinhos e espumantes brasileiros.

O potencial do Carnaval de Porto Alegre foi comprovado pela presença de mais de 60 mil pessoas a cada noite de desfiles e pelos altos índices de audiência registrados pelos meios de comunicação. Esta força capacita as escolas de samba para disputar fundos públicos e privados de financiamento, com resultados evidentes na qualificação do espetáculo. Porém, embora tenhamos avançado na compreensão de que o Carnaval deve ser tratado como um projeto comum de todos os dirigentes das escolas, avança lentamente a necessária profissionalização e formalização das agremiações.

Parabéns à AECPARS, presidida pelo abnegado e talentoso Ademir Moraes, nosso querido Urso. Parabéns aos dirigentes das escolas que, diante de imensas dificuldades, mostram que o Carnaval, além de uma grande festa, também é um elemento indutor do desenvolvimento social e econômico. As mais de oito mil pessoas que trabalham no Carnaval de Porto Alegre entre outubro a fevereiro exemplificam quão inclusivo é este espetáculo.

Há muitas possibilidades que devem ser transformadas em ações concretas, como a conclusão das obras do Porto Seco. Precisamos ousar e acreditar que o impossível pode estar em nossas mãos. O Carnaval de Porto Alegre não cabe mais em arquibancadas improvisadas.

*Paulo Ferreira (foto) é membro do Diretório Nacional do PT e suplente de Deputado Federal (PT/RS)

Fonte: http://pauloferreira.net.br

27 fevereiro 2012

Colômbia


FARC PRESTES A LIBERTAR ÚLTIMOS REFÉNS

 Brasil se prepara para ajudar Colômbia no resgate de reféns sob poder das Farc
 
Brasília/DF – Agência Brasil -  O Ministério da Defesa já organizou a parte logística para apoiar o governo colombiano e a Cruz Vermelha Internacional no resgate de dez reféns, mantidos em cativeiro pelas Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia (Farc). O governo do Brasil colocará à disposição dos colombianos dois helicópteros e um avião-cargueiro Casa C-295 (C-105 Amazonas), além de uma equipe de apoio. Ainda não há definição de data nem local para a libertação dos reféns.

As autoridades brasileiras aguardam também a tramitação burocrática para a consolidação do processo de apoio ao governo da Colômbia. A solicitação é feita por meio do governo colombiano para o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, que encaminha à Defesa.

Concluído o processo burocrático e definida a data aproximada para a libertação dos reféns, as aeronaves seguirão para Manaus, no Amazonas. No local, serão transmitidas as primeiras informações e depois a equipe de apoio deve seguir viagem até São Gabriel da Cachoeira, na fronteira do Brasil com a Colômbia. Só então as Farc deverão informar o local exato do resgate.

Há um ano, a equipe brasileira, com o apoio das aeronaves, ajudou no resgate de cinco reféns, mantidos sob poder das Farc. A operação de libertação levou quatro dias, seguindo um cuidadoso cronograma definido pelo comando da guerrilha.

Em fevereiro de 2011, para garantir o resgate, as Farc fizeram uma série de exigências e o governo colombiano também. Foram assinados protocolos de segurança nos quais ficou garantida a suspensão por 36 horas das operações militares nos locais onde serão entregues os cinco reféns. Em ações anteriores, foram tomadas medidas semelhantes. (por Alex Rodrigues e Renata Giraldi).
...
*Acima, cartaz promocional das Farc-EP  traz como destaque a imagem de seu fundador Manuel Marulanda, o 'Tirofijo',  líder máximo da guerrilha,  falecido  de câncer em 2008.

23 fevereiro 2012

'Racista é a PQP'


 
Racista é a PQP, não PHA!

Leandro Fortes*  escreve:

Paulo Henrique Amorim, assim como eu e muitos blogueiros e jornalistas brasileiros, nos empenhamos há muito tempo numa guerra sem trégua a combater o racismo, a homofobia e a injustiça social no Brasil. Fazemos isso com as poderosas armas que nos couberam, a internet, a blogosfera, as redes sociais. Foi por meio de pessoas como PHA, lá no início desse processo de abertura da internet, que o brasileiro descobriu que poderia, finalmente, quebrar o monopólio da informação mantido, por décadas a fio, pelos poderosos grupos de comunicação que ainda tanto fazem políticos e autoridades do governo se urinar nas calças. PHA consolidou o termo PIG (Partido da Imprensa Golpista) e muitos outros com humor, inteligência e sarcasmo, características cada vez mais raras entre os jornalistas brasileiros. Tem sido ele que, diuturnamente, denuncia essa farsa que é a democracia racial no Brasil, farsa burlesca exposta em obras como o livro “Não somos racistas”, do jornalista Ali Kamel, da TV Globo.

Por isso, classificar Paulo Henrique Amorim de racista vai além de qualquer piada de mau gosto. É, por assim dizer, a inversão absoluta de valores e opiniões que tem como base a interpretação rasa de um acordo judicial, e não uma condenação. Como se fosse possível condenar PHA por racismo a partir de outra acusação, esta, feita por ele, e coberta de fel: a de que Heraldo Pereira, repórter da TV Globo, é um “negro de alma branca”.

O termo é pejorativo, disso não há dúvida. Mas nada tem a ver com racismo. A expressão “negro de alma branca”, por mais cruel que possa ser, é a expressão, justamente, do anti-racismo, é a expressão angustiada de muitos que militam nos movimentos negros contra aqueles pares que, ao longo dos séculos, têm abaixado a cabeça aos desmandos das elites brancas que os espancaram, violentaram e humilharam. O “negro de alma branca” é o negro que renega sua cor, sua raça, em nome dessa falsa democracia racial tão cara a quem dela usufrui. É o negro que se finge de branco para branco ser, mas que nunca será, não neste Brasil de agora, não nesta nação ainda dominada por essa elite abominável, iletrada e predatória – e branca. O “negro de alma branca” é o negro que foge de si mesmo na esperança de ser aceito onde jamais será. Quem finge não saber disso, finge também que não há racismo no Brasil.

Recentemente, fui chamado de racista por um idiota do PCdoB, partido do qual sou, eventualmente, eleitor, e onde tenho muitos amigos. Meu crime foi lembrar ao mundo que o vereador Netinho de Paula, pagodeiro recentemente convertido ao marxismo, havia espancado a esposa, em tempos recentes. E que havia dado um soco na cara do repórter Vesgo, do Pânico na TV. Assim como PHA agora, fui vítima de uma tentativa primária de psicologia reversa cujo objetivo era o de anular a questão essencial da discussão: a de que Netinho de Paula era um espancador, não um negro, informação esta que sequer citei no meu texto, por absolutamente irrelevante. Da mesma forma, Paulo Henrique Amorim se referiu a Heraldo Pereira como negro não para desmerecer-lhe a cor e a raça, mas para opinar sobre aquilo que lhe pareceu um defeito: o de que o repórter da TV Globo tinha “a alma branca”, ou seja, vivia alheio às necessidades e lutas dos demais negros do país, como se da elite branca fosse.

Não concordo com a expressão usada por PHA. Mas não posso deixar de me posicionar nesse momento em que um jornalista militante contra o racismo é acusado, levianamente, de ser racista, apenas porque se viu na obrigação de fazer um acordo judicial ruim. Não houve crime, sequer insinuação, de racismo nessa pendenga. Porque se pode falar muita coisa sobre Paulo Henrique Amorim, menos, definitivamente, que ele é racista. Qualquer outra interpretação é falsa ou movida por ma fé e vingança pessoal de quem passou a ser obrigado, desde o surgimento do blog “Conversa Afiada”, a conviver com a crítica e os textos adoravelmente sacanas desse grande jornalista brasileiro.

*Jornalista, Editor do Blog 'Brasília, eu Vi'  (fonte desta postagem).

**Foto: Paulo Henrique Amorim com os blogueiros Carla Kunze, Sr. Cloaca e Júlio Garcia (em maio de 2011, durante o lançamento do Gabinete Digital do Governo Tarso, no Palácio Piratini - Porto Alegre/RS). Créditos da foto: Carina Kunze.

***Ao jornalista - e blogueiro -  Paulo Henrique Amorim, a solidariedade do Editor deste blog. (JG)

Austeridade II



*Charge do Kayser

22 fevereiro 2012

21 fevereiro 2012

Baile de terça-feira gorda




NÃO SEI DANÇAR

Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria...

Abaixo Amiel!
E nunca lerei o diário de Maria Bashkirtseff.
Sim, já perdi pai, mãe, irmãos.
Perdi a saúde também.
É por isso que eu sinto como ninguém o ritmo do jazz-band.

Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu tomo alegria!
Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda.

Mistura muito excelente de chás...
Esta foi açafata...
- Não, foi arrumadeira.
E está dançando com o ex- prefeito municipal:

Tão Brasil!

De fato este salão de sangues misturados parece o Brasil...
Há até a fração incipiente amarela
Na figura de um japonês.
O japonês também dança maxixe:
Acugêlê banzai!

A filha do usineiro de Campos
Olha com repugnância
Pra crioula imoral.
No entanto o que faz a indecência da outra
É dengue nos olhos maravilhosos da moça.
E aquele cair de ombros...
Mas ela não sabe...

Tão Brasil!
Ninguém se lembra de política...
Nem dos oito mil quilômetros de costa...
O algodão de Seridó é o melhor do mundo?... Que me
[importa?
Não há malária nem moléstia de Chagas nem ancilós-
[tomos.
A sereia sibila e o ganzá do jazz-band batuca.

Eu tomo alegria!

Manuel Bandeira - Petrópolis, 1925

17 fevereiro 2012

'Operação Serra' continua...



 José precisa cumprir um mandato até o fim

         José Dirceu*  escreve:

Caso José Serra seja candidato a prefeito e consiga superar os 35% de rejeição que sofre da população - que diz não votar nele de jeito nenhum - ele poderia, eventualmente, vir a ganhar. O que duvido. Mas, se fosse o caso, o que a população gostaria e esperaria dele é que ele cumprisse este mandato até o fim e não transformasse a prefeitura de São Paulo em trampolim para outro posto político - como fez das vezes anteriores.

José não cumpriu integralmente nenhum dos mandatos de senador, prefeito e governador para o qual foi eleito. Senador eleito em 1994 para um mandato de oito anos, passou todos estes anos como ministro do Planejamento e da Saúde do governo FHC.

Só assumiu o mandato depois da derrota em 2002 na disputa pela presidência da República. Ocupou sua cadeira entre novembro/2002 a fevereiro/2003, período entremeado pelo recesso de final ano - quer dizer, foi senador por alguns dias.

Para se eleger prefeito em 2004 ele assinou um termo registrado em cartório pelo qual se comprometia a cumprir o mandato até o fim. Antes da metade do mandato rasgou o papel, renunciou à Prefeitura e saiu candidato a governador, cargo que deixou oito meses antes do término para disputar e perder de novo a presidência da República em 2010. 
...
-Leia também 'A Operação Serra Continua'  CLICANDO AQUI

*José Dirceu é ex-Ministro,  ex-Deputado Federal, ex-Presidente Nacional do PT e  atualmente   membro de sua direção nacional;  é advogado, consultor e editor do Blog do Zé Dirceu  http://www.zedirceu.com.br

15 fevereiro 2012

E a CPI da Privataria?

Ainda sem decisão, CPI da Privataria deve ser negociada em março

Presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), diz que ainda não há definição e empurra decisão para março, quando pretende negociar com deputados de PT e PCdoB. Segundo líder do PT, decisão é só de Maia. Para proponente da CPI, não há motivo para não cumprir regimento da Câmara e instalar comissão.

Brasília/DF - Carta Maior O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), empurrou para março uma decisão sobre instalar ou não a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Privataria, que investigaria denúncias de desvios de recursos durante privatizações no governo Fernando Henrique Cardoso.

“Nós ainda não temos uma definição sobre isso”, disse Maia nesta terça-feira (14), depois de reunião de líderes dos partidos sobre a pauta de votações.

Autor do pedido de CPI, formulado a partir do livro-denúncia A Privataria Tucana, campeão de vendas no fim de 2011, o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) disse estar confiante.

Segundo ele, Maia vai se reunir com as bancadas de PCdoB e do PT, na primeira semana de março, para avaliar se há sustentação política suficiente para instaurar a CPI. E ele diz que tem.

“Como toda a bancada do PCdoB e 80% da bancada do PT assinaram o requerimento, creio que não haverá problemas para o presidente fazer cumprir o regimento da Casa”, disse à Carta Maior

O líder do PT, Jilmar Tatto (SP), esquivou-se. Disse que a decisão só compete a Marco Maia, que também é petista.
 
Por enquanto, não existe nenhum obstáculo legal ou formal à criação da CPI. Ela atende o requisito básico de reunir o apoio mínimo de 177 deputados (o pedido foi acompanhado de 185 assinaturas válidas).
 
Além disso, pelo regimento da Câmara, só é possível que cinco CPIs funcionem ao mesmo tempo, e isso também não é problema. Atualmente, existem três na Câmara (Tráfico de Pessoas, Trabalho Escravo e Exploração do Trabalho Infantil).
 
Na Secretaria Geral da Mesa Diretora, tramitam ainda mais dois pedidos (Privataria e dos Radares). Para Protógenes, não há risco de que apareça outro pedido de CPI que deixa a da Privataria de fora da lista de cinco.
 
Portanto, a decisão ou não sobre instalar a CPI será apenas política. Ainda que falte um parecer da assessoria jurídica da direção da Câmara, que é comandada por Marco Maia, sobre o objeto de investigação da CPI.  (por Najla Passos)

Fonte: http://www.cartamaior.com.br

Debate - I


O PT quer acabar comigo


 Marcelo Carneiro da Cunha*  escreve:

Estimadíssimos pré-foliões, imagino que já estejam com o samba no pé e o enredo da Unidos da Restinga na ponta da língua, igualzinho a mim. Pois que estamos na semana da maior festa nacional, aquela que as PMs quase fizeram por acabar, e talvez ainda façam. Noves fora, fica a sensação de que existe um oceano para ser atravessado antes que a relação entre nossas polícias e sociedade seja uma soma de interesses e benefícios mútuos, e a noção de que figuras como o lamentável Garotinho e essa Janira do PSOL seguem por aí, para nosso azar.
E, para completar o desconforto dessa época de desconfortos, quem aparece sorridente na festa alheia que não o nosso nobre prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab? E lemos que o nosso estimadíssimo ministro Haddad estaria assim, louquinho para ir ao altar dos insensatos montado pelo Kassab e seu incrível PSD. Que, aliás, já começa a ter a sua mensagem captada pelas massas gaúchas, como mostra essa foto que fiz em POA semana passada e compartilho com todos.

Mas, de volta ao PT e o Kassab, declaro que os possíveis excessos de Biotônico Fontoura na juventude afetaram o meu fígado, que não lida mais tão bem com esses desafios metabólicos. Como alguém – justamente nosso grande presidente Lula, me deixa o DNIT e suas verbas na mão do PR? Como se pode colocar um petebista no comando da Casa da Moeda e sair pra jantar com alguma tranquilidade? Como se deixa o Ministério das Cidades com o PP acreditando que vai restar alguma cidade quando voltar de férias? E como, mas como mesmo, se pode fazer uma aliança com o pior prefeito de São Paulo, desde Celso Pitta, para ganhar a eleição para a prefeitura?

Esse é o mistério da fé.

Marta não foi à festa, e fez bem. Ao menos junto à torcida isso contou pontos. Eu vivo em SP há tempo suficiente para ter visto o desastre Maluf-Pitta e a grande administração que Marta fez. Infelizmente não se soube segurar o terreno conquistado e a consequência foi um breve período Serra que foi sucedido por Kassab, que fez a Cidade Limpa e correu para o abraço. A lei da Cidade Limpa foi um daqueles momentos em que de onde nada se esperava sai algo muito maior do que o esperado. Como um sujeito de direita iria pensar em fazer uma lei que prejudicava os interesses de toda a indústria dos out-doors e similares? Que mudava a fachada e a cultura da cidade de maneira estrutural, e tudo isso sem gastar um vintém! Se o estadista é quem faz omelete sem ovos, ali o Kassab, ou uma boa assessoria, fez. (...)
CLIQUE AQUI para ler o artigo, na íntegra (*via Sul 21).

14 fevereiro 2012

PT/RS : celebração pelos 32 anos

 

Cais Mauá sedia comemoração pelos 32 anos do PT

O Cais Mauá, em Porto Alegre, foi o palco da celebração gaúcha pelos 32 anos de fundação do Partido dos Trabalhadores. Em torno de 500 pessoas, dentre militantes, lideranças partidárias, vereadores e secretários de Estado, além do governador Tarso Genro, reuniram-se no final da tarde de ontem para relembrar e comemorar as mudanças conquistadas pelos governos do PT nas últimas décadas. Além de um ato com as lideranças, integrantes da banda Capitão Rodrigo fizeram uma apresentação artística e comandaram o parabéns.

"Nesses 32 anos celebramos nossa trajetória de lutas e vitórias na construção de um Brasil que cresce e distribui renda e poder", destacou Paulo Ferreira, integrante do diretório nacional do PT. Para o presidente do PT de Porto Alegre, vereador Adeli Sell, o aprimoramento constante é essencial. "Já se passaram 32 anos e o Brasil que existia quando o PT foi fundado já não é mais o mesmo. Queremos continuar aprendendo com o Brasil, o Rio Grande do Sul e com a nossa militância, buscando sempre um diálogo franco e fraterno com os aliados", comentou.

O presidente do PT/RS, Raul Pont, recordou o encontro de 1980 que resultou na fundação do PT. "Por ironia, reunimos no bairro mais aristocrático de São Paulo, o Higienópolis, os estudantes, jovens e trabalhadores mais irreverentes e revolucionários", afirmou. Segundo Pont, o PT, partido mais democrático do país, tem ampliado as possibilidades de participação dos militantes. "Já temos as eleições diretas para as direções e agora as mulheres conquistaram a igualdade de gênero em todas as instâncias. Temos a obrigação de fazer com que esse partido se renove sempre, porque a vida é esse eterno devir", salientou.

*Texto Natália Alles (MTB 13.601) - Via http://pauloferreira.net.br/index.php/site/noticia/

'Crack, é possível vencer'

 
RS recebe técnicos de Brasília para implantar projeto de combate ao crack

Foi dada a largada na parceria entre os governos federal e estadual na luta contra o crack no Rio Grande do Sul. O enfrentamento à droga, que já era um dos projetos prioritários acompanhados pela Sala de Gestão do Governo do Estado, ganhou novo reforço com a escolha do RS, por parte do Ministério da Justiça, para receber o programa federal "Crack, é possível vencer".

Para elaborar as ações que serão desenvolvidas no Estado, desembarcaram em Porto Alegre na tarde desta segunda-feira (13) 38 técnicos dos ministérios da Justiça, da Saúde, do Desenvolvimento Social, da Casa Civil e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, além de profissionais da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. Eles apresentaram os três eixos nos quais está baseado o plano federal: Cuidado, Prevenção e Autoridade.

O eixo Cuidado está relacionado à saúde e ao tratamento dos usuários, e envolve ações como a abertura de leitos especializados e construção de novos Centros de Atendimento Psicossocial (Caps) funcionando 24h. Também prevê o financiamento de vagas em comunidades terapêuticas reconhecidas pela rede de saúde. No foco Prevenção estão previstas campanhas de conscientização, capacitação de profissionais e trabalho junto às escolas, entre outras iniciativas. Autoridade é o eixo que envolve a segurança, o combate ao tráfico e ao crime organizado, a integração das polícias e o controle das fronteiras.

Por parte do Estado, há cerca de 40 técnicos participando do encontro, representando as secretarias da Justiça e dos Direitos Humanos, que coordenará o projeto gaúcho, de Saúde, de Trabalho e Desenvolvimento Social e de Segurança Pública. Também acompanham o evento os secretários Fabiano Pereira, da Justiça e dos Direitos Humanos, e Airton Michels, da Segurança Pública, que apresentaram dados sobre a situação da droga no RS.

Durante a apresentação, Fabiano lembrou que há mais de 55 mil usuários de crack no RS, e que o tema tem ligação direta com o aumento da criminalidade. Segundo o secretário, 61% dos detentos do Presídio Central de Porto Alegre têm envolvimento com o tráfico de drogas. "Sem dúvida, a repressão e o atendimento na saúde são muito caros a nós, mas a prevenção tem papel fundamental na reversão deste cenário", disse o secretário, acrescentando que o Programa de Oportunidades e Direitos (POD) da SJDH oferecerá alternativas de capacitação profissional, cultura e lazer como instrumentos de prevenção à droga.

Para a secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, o RS possui diferenças marcantes no uso da droga em relação a outros Estados, principalmente nas chamadas "cracolândias". "Não há como comparar a cena de uso daqui com as de São Paulo ou Rio de Janeiro, por exemplo. Aqui são menores e mais esparsas, mas nosso projeto contempla também essas situações". Regina destacou ainda que a meta não é zerar o consumo de crack, mas, sim, cuidar do maior número de dependentes. "Esse é nosso papel, esse é nosso foco", completou a secretária.

O encontro prossegue durante toda esta terça-feira (14) no Novotel, na zona norte da Capital, com a formação de grupos de trabalho por áreas específicas. Às 16h30min, a equipe receberá a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, o governador Tarso Genro e o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati.

*Fonte: http://www.estado.rs.gov.br/

13 fevereiro 2012

Os Sapos



* Interpretação da poesia de Manuel Bandeira com imagens de Tarsila do Amaral


Os Sapos

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vai por cinqüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.

Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."
Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".
Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".

Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio..."

*Poema de  Manuel Bandeira, declamado por Ronald de Carvalho (entre vaias e gritos da platéia)  durante a Semana da Arte Moderna- Teatro Municipal - São Paulo/SP -  15 de fevereiro de 1922.