20 março 2009

'Gilmar Mendes, o censor'













Carta aberta aos jornalistas do Brasil

*Por Leandro Fortes

No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado Comitê de Imprensa, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha. Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do Comitê de Imprensa, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa.

Nesta carta, contudo, falo somente por mim.

Durante a gravação, aliás, em ambiente muito bem humorado e de absoluta liberdade de expressão, como cabe a um encontro entre velhos amigos jornalistas, discutimos abertamente questões relativas à Operação Satiagraha, à CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, às ações contra Protógenes Queiroz e, é claro, ao grampo telefônico – de áudio nunca revelado – envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Em particular, discordei da tese de contaminação da Satiagraha por conta da participação de agentes da Abin e citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista CartaCapital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto.

Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro. O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.

Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.

Sem levar em conta o ridículo da situação (o programa já havia sido veiculado seis vezes pela TV Câmara, além de visto e baixado por milhares de internautas), esse episódio revela um estado de coisas que transcende, a meu ver, a discussão pura e simples dos limites de atuação do ministro Gilmar Mendes. Diante desta submissão inexplicável do presidente da Câmara dos Deputados e, por extensão, do Poder Legislativo, às vontades do presidente do STF, cabe a todos nós, jornalistas, refletir sobre os nossos próprios limites. Na semana passada, diante de um questionamento feito por um jornalista do Acre sobre a posição contrária do ministro em relação ao MST, Mendes voltou-se furioso para o repórter e disparou: “Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta”. Como assim? Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes? Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos?

Apelo, portanto, que as entidades de classe dos jornalistas, em todo o país, tomem uma posição clara sobre essa situação e, como primeiro movimento, cobrem da Câmara dos Deputados e da TV Câmara uma satisfação sobre esse inusitado ato de censura que fere os direitos de expressão de jornalistas e, tão grave quanto, de acesso a informação pública, por parte dos cidadãos. As eventuais disputas editoriais, acirradas aqui e ali, entre os veículos de comunicação brasileiros não pode servir de obstáculo para a exposição pública de nossa indignação conjunta contra essa atitude execrável levada a cabo dentro do Congresso Nacional, com a aquiescência do presidente da Câmara dos Deputados e da diretoria da TV Câmara que, acredito, seja formada por jornalistas.

Sem mais, faço valer aqui minha posição de total defesa do direito de informar e ser informado sem a ingerência de forças do obscurantismo político brasileiro, apoiadas por quem deveria, por dever de ofício, nos defender.

Leandro Fortes
Jornalista

Brasília, 19 de março de 2009

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**Para ler mais, clique no sítio da Carta Capital, que diz: "Gilmar Mendes, o censor". Veja também, na TV Viomundo, o programa que Gilmar Mendes não quer que você veja.

***Fonte: Sítio Vi o Mundo: http://www.viomundo.com.br/

19 março 2009

'Não tenho medo da morte, só da desonra'





Delegado Protógenes diz que faria tudo de novo, com mais agentes

Apesar do desgaste que sofreu desde o anúncio da Operação Satiagraha, com seu afastamento do comando das investigações e indiciamento pelos crimes de violação de sigilo funcional e interceptação de comunicações telefônicas sem autorização judicial, o delegado Protógenes Queiroz disse que não se arrepende do que fez e "faria tudo de novo, só que com um plus". "Com mais esforço do que fiz e com maior número de policiais e agentes da Abin, que muito dignificaram o trabalho da Satiagraha e que se colocaram à disposição 24 horas por dia", afirmou, em entrevista ao portal de notícias UOL.

O delegado teria utilizado 300 agentes federais no dia da deflagração da operação, em 8 de julho. Segundo ele, durante as investigações, apenas quatro atuaram e por isso foi necessário utilizar 84 homens da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A operação custou R$ 400 mil.

Ele defendeu que os policiais federais tenham as mesmas prerrogativas de juízes, promotores e procuradores do Ministério Público (MP). Hoje, os policiais federais não têm direito à inamovibilidade, que proíbe que juízes, promotores e procuradores sejam transferidos contra sua vontade, nem a vitaliciedade, pela qual a perda de um cargo só pode ocorrer por meio de sentença judicial. "Há um desequilíbrio. Tanto a magistratura quanto o MP têm prerrogativas que a PF não tem", disse. Segundo ele, é preciso que haja mudança na legislação para que os policiais federais passem a ter as mesmas prerrogativas.

Na avaliação do delegado, é impossível fazer operações com o objetivo de combater o crime organizado sem realizar escutas telefônicas. "Há necessidade de utilizar esse instrumento. Sem ele, é impossível combater o crime organizado no mundo", afirmou. Protógenes disse concordar com a necessidade de haver autorização judicial e fiscalização do Ministério Público para grampear linhas telefônicas. "Não complica o trabalho da polícia. Pelo contrário, nos auxilia", opinou.

O delegado ressaltou também ser necessário aumentar o prazo das escutas telefônicas. "É o adequado e necessário para identificar todas as ramificações de uma organização criminosa", disse. O ideal, na avaliação dele, seria um mínimo de 12 meses e um máximo de 24 meses. Atualmente, o máximo é de 60 dias. Ele voltou a dizer que todas as escutas que realizou durante a Operação Satiagraha foram autorizadas pela Justiça e que auditorias realizadas pela Polícia Federal não encontraram interceptações ilegais. "Nada foi encontrado", reiterou.

CPI dos Grampos

Protógenes disse que ainda não recebeu notificação formal para depor na CPI dos Grampos no dia 1º de abril e afirmou que somente dará "nome aos bois" se os parlamentares apresentarem documentos que comprovem que a investigação coordenada pelo delegado Amaro Vieira Ferreira, da Corregedoria da PF, já não corre mais sob segredo de Justiça. "Eu não tive acesso aos dados disponibilizados à CPI, mas quando tiver acesso, evidentemente, se o sigilo estiver levantado, vou poder esclarecer tudo. Item por item", afirmou.

Sobre os rumores de que poderá sair preso após depor à CPI, ele afirmou estar preparado para tudo e disse não ver motivação para isso. Na avaliação dele, os deputados da comissão têm "posicionamentos equilibrados" e não será necessário ingressar com habeas-corpus preventivo para evitar a prisão. "Não há necessidade, se porventura não houver indício concreto de que vai ocorrer. Se ocorrer, o STF está aí disponível para socorrer. Acredito que não vai haver necessidade. E o povo brasileiro vai estar acompanhando", afirmou.

Carreira política

O delegado disse que não tem interesse em seguir carreira política, mas ponderou que "não pode desprezar toda essa vontade popular". Segundo ele, há grupos no Rio e em São Paulo interessados na possibilidade de que ele dispute algum cargo eletivo. "Para falar a verdade, eu não tenho simpatia para ser político não, e sim para ser delegado de polícia. Mas não posso desprezar toda essa vontade popular. Tenho de considerar com muito respeito e carinho", afirmou.

O delegado disse que nunca afirmou que agia em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que a investigação tinha o interesse do Gabinete de Segurança Institucional, órgão que faz parte da Presidência.

Protógenes disse não temer por sua segurança, mas pela de sua família. Ele citou a frase dita pelo vice-presidente José Alencar ao deixar o Hospital Sírio-Libanês, 27 dias após passar por uma cirurgia de 18 horas, para a retirada de tumores no abdome: "Eu sou um ser que acredita muito em Deus, sou católico e rezo e oro todos os dias pela minha saúde, de meus familiares e do povo brasileiro. Não temo nada, só temo a Deus, e utilizo sempre a frase lapidada pelo vice-presidente: 'Não tenho medo da morte, só da desonra'." (Com o Portal de Notícias Uol e Agência Estado)

18 março 2009

Anistia









'Flávio Koutzii é anistiado pela União'

O companheiro lutador Flávio Koutzii (foto) foi, finalmente, anistiado pela União, conforme noticiado no dia de hoje: "Militante da luta contra a ditadura no Brasil e na Argentina, onde foi preso e torturado, o ex-deputado estadual Flavio Koutzii (PT), 65 anos, teve a anistia política reconhecida pela União e receberá uma pensão mensal de R$ 2 mil.
De acordo com ato do ministro da Justiça, Tarso Genro, publicado no Diário da União, Koutzii receberá R$ 176.033,33 referentes ao pagamento da pensão retroativo a 2001, e o direito de validar no MEC o diploma de mestre em Sociologia na École des Hautes Etudes en Sciences Sociales, de Paris.
Nos anos de 1960, quando estudava Economia na UFRGS, Koutzii participou da fundação do Partido Operário Comunista (POC). Perseguido pela ditadura militar, deixou o país em 1970. Passou pelo Chile e pela França até estabelecer-se na Argentina, onde ficou até 1979, após cumprir quatro anos de prisão. A volta definitiva ao Brasil só ocorreria em 1984, depois de nova passagem pela França." (Jornal ZH)

***

A seguir, após realizar uma 'busca no baú', o blog divulga a íntegra do histórico depoimento concedido pelo companheiro Flávio Koutzii ao Portal da Fundação Perseu Abramo, em 28/08/1999:

Depoimento de Flávio Koutzii*

A anistia foi resultado de uma ampla mobilização da sociedade brasileira pelo redemocratização do país, que se expressava na retomada da luta sindical simbolizada nas greves do ABC, a resistência dos intelectuais, a agitação estudantil e, especificamente, o trabalho dos comitês pela anistia, os CBAs. No meu caso específico, a "anistia" ocorreu cerca de um mês e meio antes, em junho de 1979, quando fui libertado dos cárceres argentinos após quatro anos de prisão.

Naquele momento, éramos três brasileiros – e gaúchos - presos em países vizinhos, com a incrível coincidência de termos o mesmo nome. Eu fora detido em 1975, na Argentina, onde estava exilado. O jornalista Flávio Tavares e a jovem Flávia Schilling haviam sido presos pela ditadura uruguaia. Houve uma intensa campanha dos comitês brasileiros pela anistia em favor da nossa libertação, com repercussões no exterior, que certamente pressionou os governos argentino e uruguaio a nos libertar.

Saí do Brasil em 1970, quando a atividade dos grupos políticos de esquerda se tornou cada vez mais precária pelo recrudescimento da repressão desde a edição do AI-5. Passei pelo Chile, onde acompanhei a primeira fase do Governo de Allende, e me transferi para a Argentina, onde retomei minha militância. Fui seqüestrado e, depois, formalmente processado e preso por atividades políticas um pouco antes do Golpe Militar do general Videla.

Posso dizer que o trabalho constante, intenso e sistemático dos comitês pela anistia e dos meus familiares não apenas encurtou minha permanência nas prisões como também pode ter salvo a minha vida. A ditadura Videla foi uma das mais sanguinárias das que assolaram a América latina nos anos 60 e 70, sendo responsável por mais de 300 assassinatos reconhecidos e pelo desaparecimento de 30 mil pessoas. Portanto, a insegurança era permanente, inclusive dentro das prisões.

A campanha dos comitês que produziam noticiários sobre a minha situação de brasileiro preso na Argentina, as repercussões das visitas da Cruz Vermelha e entidades e diplomatas significava uma denúncia permanente da ditadura Videla, fazendo com que minha presença eu me tornasse um incômodo para o governo militar. Eu estava condenado a seis anos e meio de prisão e acabei, fruto deste campanha, sendo indultado pelos militares. Como não podia retornar ao Brasil, fui para a França como refugiado político, sob a proteção das Nações Unidas. Só estive no Brasil em dezembro, para rever familiares e agradecer pessoalmente as entidades e pessoas que lutaram pela minha libertação.

Decidi permanecer na França para terminar o curso de sociologia e trabalhar psiquicamente minha experiência nas prisões argentinas que funcionavam para aniquilar o ser humano, quebrar suas referências e destruir suas vontades. Relatei esta experiência na tese que defendi na França e que, quando retornei definitivamente ao Brasil, em 1984, foi transformada no livro "Pedaços de Morte no Coração". No final das contas, entre o Chile, a Argentina e a França, foram 14 anos longe do Brasil, de Porto Alegre, da minha cidade, dos familiares, dos amigos. Quem viveu a impossibilidade de estar sabe exatamente a importância, o valor e a alegria de retornar.
...
*Flávio Koutzii foi ex-preso político brasileiro na Argentina, durante 4 anos. Foi vereador e deputado estadual pelo PT/Rs; foi também Chefe da Casa Civil do RS no Governo Olívio Dutra. Atualmente é assessor especial da Presidência do TJ/RS.

El Salvador














Triunfo Popular em El Salvador

A bancada do PT na Câmara dos Deputados divulgou, ontem, nota saudando a vitória do jornalista Mauricio Funes (foto) nas eleições presidenciais em El Salvador. Leia a seguir:

A Bancada do PT na Câmara dos Deputados saúda o triunfo popular obtido por Mauricio Funes e pela heróica Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional nas eleições presidenciais de domingo último na República de El Salvador.

A vitória de Mauricio Funes e da FFMLN é fruto de um heróico esforço do povo de El Salvador, que suportou os sacrifícios de uma guerra civil cruel e prolongada que terminou em acordos de paz que asseguraram importantes avanços democráticos.

Agora com o triunfo de Mauricio Funes e da FFMLN abrem-se perspectivas de ampliação das conquistas democráticas e de adoção de políticas que busquem o desenvolvimento econômico com distribuição de renda e justiça social.

Esta vitória das forças democráticas e progressistas em um pequeno país da América Central, habitado por um povo que jamais fugiu à luta, é muito importante para toda América Latina.

*Fonte: Agência Informes

17 março 2009

Lula e Obama




Imprensa internacional destaca reunião de Lula e Obama

Os principais diários, agências de notícias e telejornais do mundo, ao contrário da mídia brasileira, dedicaram boa parte de suas editorias políticas ao encontro dos presidentes Lula e Barack Obama ocorrido no sábado (14) em Nova York. Confira abaixo os destaques dos principais jornais internacionais.

Clarin
- O diário da Argentina afirma que o presidente Lula pediu a Barack Obama uma aproximação com Cuba, Venezuela e Bolívia e a construção de uma nova relação de "confiança e não-ingerência" entre Washington e a América Latina.

El País
- O periódico da Espanha destaca que Lula e Obama impulsionam um novo modelo de relações com o continente americano. "Nasce a aliança Obama-Lula", diz o título da reportagem, que aponta para a "necessidade de encontrar na reunião do G-20 uma resposta conjunta e decisiva para a crise econômica", opinião compartilhada pelos dois presidentes. O jornal espanhol de domingo foi além e, na reportagem "Nasce a aliança Obama-Lula", saudou do encontro o "novo modelo de relações no continente americano".

La Nación - O jornal argentino destaca a informalidade da coletiva, ao apontar que "o Salão Oval se encheu do calor brasileiro". "O certo é que Obama tratou de dar calor e um toque de informalidade ao corolário do encontro com seu par brasileiro."

The New York Times - O diário diz que Lula pressionou o presidente dos EUA a diminuir as tarifas que deixam os "biocombustíveis do Brasil fora do mercado norte-americano". Segundo a coluna 'Toda Mídia', da Folha, o New York Times noticiou o encontro, mas abrindo o texto pela resposta de Obama ao questionamento chinês dos títulos do Tesouro. Sobre o Brasil, destacou de Obama o "maravilhoso encontro de mentes".

Washington Post - Tratou da reunião na capa, mas um dia antes e sublinhando a disputa por Sean. Depois, publicou longa reportagem sobre as relações diplomáticas, com o secretário-assistente de Estado para a região, Thomas Shannon, descrevendo o Brasil como um país "à beira da grandeza" -e como "o tipo de parceiro que nós queremos".

Valor - Destaca pesquisa inédita sobre a imagem do Brasil no Congresso americano encomendada pela Fiesp a um escritório de lobby nos EUA e diz que uma das conclusões é que, ao contrário do que se poderia imaginar, deputados e senadores americanos evitam colocar no mesmo balaio Brasil, Argentina e Venezuela. O governo brasileiro não recebe dos parlamentares dos EUA rótulos como "esquerdista" ou "antiamericano". E o temor que o presidente Lula inspirou quando ganhou as eleições em 2002 é passado. Hoje, o ex-líder sindical é visto com simpatia pela nova legislatura, de maioria democrata. (Com a Agência Informes)

16 março 2009

À deriva...









Crítica & Autocrítica – nº 53

* Depois de duas tentativas frustradas, a base governista da governadora Yeda Crusius na AL conseguiu manter o veto ao projeto de lei que abonava os dias parados por professores e policiais em função de reivindicações salariais em 2008. Segundo o líder da bancada do PT, deputado Elvino Bohn Gass “a governadora decretou a pena de morte dos trabalhadores e transformou deputados de sua própria base em carrascos. Ao apertar o botão pela manutenção do veto, estes parlamentares mexeram nos míseros contracheques de professores e policiais. Será que o governo Yeda merece todo este sacrifício?”
...

* Por falar na governadora Yeda Crusius (PSDB), a onda de escândalos no seu governo parece não ter fim. Fomos surpreendidos com mais uma gravíssima denúncia, realizada agora pelo ex-ouvidor da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, advogado Adão Paiani, filiado ao PSDB, sobre o uso ilegal do sistema Guardião, que estaria sendo a utilizado pela secretaria de Segurança do RS para realizar escutas telefônicas autorizadas judicialmente, mas que estariam servindo para pressionar e chantagear políticos no Estado.
...

* Não é exagero: tudo indica que o governo Yeda está muito próximo da fase terminal. O descontrole é total, a começar pela governadora, em ações e declarações - em todos os sentidos. Seu (des)governo sangra dia-a-dia, cada vez com maior intensidade. É já quase um ‘zumbi’ político, apesar da blindagem da ‘mídia amiga’. Um barco à deriva...
...

* Mas, para essa nova denúncia de arapongagem via grampos telefônicos (denúncia essa que não saiu da ‘oposição, mas de um membro do governo tucano e correligionário seu), certamente a revista Veja não dará capa, assim como também a Rede Globo não dará maior destaque. Mídia atenta e imparcial é isso aí... A propósito, onde andam mesmo aqueles que acusam o governo federal de ‘policialesco'? Onde estão aqueles que acusam ensandecidamente a Polícia Federal e querem a cabeça do delegado Protógenes? E os nossos sempre atentos blogueiros terrunhos, onde andam, mesmo?
...

* Foi também, no mínimo, muito frágil e estranho o posicionamento da direção da OAB gaúcha em relação às denúncias do ex-procurador. Se a moda pega...
...

* O tesoureiro nacional do PT, companheiro Paulo Ferreira, foi homenageado por ocasião do transcurso de seu aniversário, na semana passada, com uma grande festa realizada no Sava Clube (beira do Guaíba), no bairro Ipanema, em Porto Alegre. Presentes muitos amigos, familiares e correligionários políticos, vereadores, deputados. Este colunista foi convidado e também esteve lá para cumprimentar o companheiro Ferreira que, para quem não sabe, é também conterrâneo santiaguense.
...

* Mas, sem dúvida, todos os holofotes estavam voltados para um convidado especial: o ex-ministro José Dirceu, que fazia alguns anos não visitava o Rio Grande do Sul. (...) Indagado sobre seu futuro político, Zé Dirceu falou: "Não estou preparando meu retorno (ao Congresso). Quero que o Supremo Federal me julgue. Já fui absolvido na primeira instância e em todos os inquéritos fui inocentado. Espero ser julgado até 2011. Depois disso, vou pleitear anistia na Câmara e no Senado". (...)
...

* A decisão tomada na semana passada pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), de baixar em 1,5 ponto percentual a taxa Selic foi saudada pelo líder do Governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), que a considerou "muito boa": "É importante lembrar que o Brasil, diante da crise financeira global, tem opções como essa de reduzir os juros para alavancar a economia".
...

* Fontana ressaltou que a crise que atinge a economia de todo o planeta é resultante de "uma grande irresponsabilidade daqueles que comandam o centro das finanças". O deputado petista observou que o governo brasileiro está conseguindo manter investimentos, aumentar o salário mínimo, reduzir os juros e manter suas reservas internacionais.
...

*A taxa Selic, agora, é de 11,25% ao ano.
...

* Concordo no geral com as palavras do deputado Henrique Fontana, mas com uma ressalva: a exemplo do que pensam vários economistas e analistas brasileiros, assim como também a CUT e outros setores do movimento sindical, a baixa da taxa Selic poderia – e deveria - ter sido maior, acima de dois pontos, haja vista a necessidade de realavancar a economia nacional para que os efeitos perversos de mais essa crise capitalista seja o menos danoso possível para o Brasil, que não foi responsável por ela. Sobretudo, para evitar o desemprego, sempre a maior ameaça que paira sobre as cabeças do povo trabalhador.
...

* Lamentavelmente o maior empecilho para que a taxa Selic seja reduzida substancialmente é o excesso de conservadorismo da direção do Banco Central, a partir das ações (ou da falta delas) de seu presidente, o tucano Henrique Meirelles, que navega na contramão da tendência dos bancos centrais mundiais e parece ser na verdade, o principal ‘inimigo na trincheira’ na guerra que a equipe econômica do governo Lula deflagra contra a crise que nos ameaça. (Por Júlio Garcia, especial para ‘O Boqueirão’)

***

**Crítica & Autocrítica: coluna que mantenho
(i)regularmente no Blog 'O Boqueirão' http://oboqueirao.zip.net

Laquê

















*Charge do Kayser

15 março 2009

Poema

















Cenas de junho

'Amanhã, vai ser outro dia...' (Chico Buarque)


Em frente ao Palácio
estudantes protestam na tarde gelada
a polícia de 'choque' defende o poder

(questionado)

nas alcovas sombrias
a continuidade dos desmandos é tramada
e o saque voraz das coisas do povo

(continuado)

sem pejo
sem controle
e sem dó
alongando a indecência
que agride as consciências
e que mantém incólume
a injustiça
e instiga a revolta

..........

Na tarde invernal
bandeiras vermelhas tremulam ao vento
na praça do povo
que grita de fome
de raiva
& de dor
preparando a desforra

(que virá... que virá...
que virá...)

Júlio Garcia- junho/2008

Provas & provas...









Contra PSDB, jornais exigem provas

'Imagine se um ex-assessor do governo da Bahia, do PT, tivesse morrido, poucos dias antes de depor ao Ministério Público, num caso que envolve corrupção? Imagine as manchetes a essa altura: "Ex-assessor petista aparece morto em Brasília". Seria manchete semana inteira, com matéria na [i]Veja[/i], e editorial na [i]Folha'[/i]. - Rodrigo Vianna

Do blog de Rodrigo Vianna: Em 2005, Roberto Jefferson deu uma entrevista exclusiva à Folha, em que lançava dezenas de acusações contra o governo federal. Foi nessa entrevista, também, que Jefferson cunhou a expressão "Mensalão".

Vocês se lembram da manchete da Folha de S. Paulo na época? Não? Então, relembremos:

"PT dava mesada de R$ 30 mil a parlamentares, diz Jefferson".

Agora, comparemos com o título da última sexta-feira (20/02/2009 - no "pé" da primeira página da Folha), sobre a denúncia do PSOL de Luciana Genro contra Yeda Crusius, governadora do PSDB:

"Sem provas, PSOL acusa tucanos de corrupção no RS".

Por que este "sem provas" tão cuidadoso, no título da última sexta-feira (20/02/2009)? Por uma questão de isonomia, o correto seria "Governo tucano tem corrupção e caixa dois, diz PSOL".

Por que o mesmo "sem provas" não apareceu na manchete quando Jefferson deu sua entrevista?

Hum...

Bem, talvez para a Folha, Jefferson valha mais do que o PSOL. Gosto não se discute. Ou, mais provável: qualquer denúncia contra o partido de Serra (o editorialista preferido da família Frias) merece todo cuidado! Por que a sigla "PSDB" não aparece nem na primeira página, nem na manchete de página interna?

(Isso me lembra a cobertura da Globo, na reta final da eleição de 2006. Os aloprados que tentaram comprar o dossiê contra Serra eram "petistas". O Freud Godoy era "petista". Na hora de falar de Abel Pereira, um sujeito que intermediaria negócios na gestão de Barjas Negri (PSDB) no Ministério da Saúde, aí ninguém falava em "governo do PSDB". A fórmula era: "ministro no governo anterior".)

Mas, voltemos ao caso da corrupção no Rio Grande do Sul. A denúncia é gravíssima. E já há um cadáver. Marcelo Cavalcante, ex-assessor de Yeda Crusius, apareceu morto no Lago Paranoá, em Brasília. Ele deveria ter uma reunião com o Ministério Público Federal em Brasília, logo após o Carnaval.
Hum, hum...

Imagine se um ex-assessor do governo da Bahia, do PT, tivesse morrido, poucos dias antes de depor ao Ministério Público, num caso que envolve corrupção? Imagine as manchetes a essa altura? Eu imagino: "Ex-assessor petista aparece morto em Brasília". Seria manchete semana inteira, com matéria na Veja, e editorial na Folha.

*Fonte: Blog do Rodrigo Vianna http://www.rodrigovianna.com.br/, via Carta Maior

13 março 2009

A próxima capa da 'Veja'











EXTRA! EXTRA!

Do Blog do Kayser, mais este 'furo' jornalístico: 'A capa da Veja da próxima semana certamente será assim. Afinal, há graves denúncias de espionagem ilegal e de seu uso para a prática de chantagens. A Veja, coerente, imparcial e sempre preocupada com o Estado Policialesco e com a Grampolândia, não deixará por menos. No mínimo, fará uma capa igual à dedicada ao Protógenes e sua tenebrosa máquina de espionagem. Aguardemos. Devidamente sentados, é claro.' (http://blogdokayser.blogspot.com/)

*Bravo, Kayser. Genial! (Júlio Garcia)

Economia II





'Mídia brasileira continua olhando para trás'


Escreve o sociólogo e blogueiro Cristóvão Feil, no blog Diário Gauche: "A mídia brasileira procede como se a presente crise do sistemão fosse mesmo a marolinha lulista, como se tudo fosse voltar ao normal em poucas semanas. Não é e não vai. O que está acontecendo agora no mundo conhecido é definitivo – saibamos todos. Nada será como antes. Ninguém sabe bem como será, mas o presente está rompendo com o passado e forjando um futuro diferente, para o qual deveremos ter outros olhos e outros sentidos para perceber e experimentar.

Ligo a televisão e vejo o ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, na qualidade de “especialista” dando pitacos furadíssimos sobre o futuro da economia brasileira. Na TV Globo, oito e meia da noite. Inacreditável.

Maílson como “especialista” sobre o futuro. Inacreditável. Esse é o padrão da mídia brasuca.

Você assiste e lê diariamente no rádio, na TV, nos jornais, os velhos cães comedores de ovelha da ditadura, do governo Sarney (caso de Maílson), do governo Collor e do Farol de Alexandria virem a público – com a face mais amadeirada da paróquia – darem sua palavra de “especialistas” sobre o futuro. Gente que ajudou a montar tijolo por tijolo a fortaleza hegemônica do capital financeiro no País. Hoje, quando os fundamentos do sistema começam a ruir no mundo todo, eles seguem sendo ouvidos e prestigiados pela mídia, como se tudo fosse um leve resfriado infantil.

Esses “especialistas” – todos – , inclusive os comentaristas das emissoras, as velhas raposas já sem focinho, como a inefável Mirian Leitão, fazem parte do passado. Não têm a mais mínima responsabilidade e conhecimento para falar do presente e do futuro.

Nos primórdios do que hoje é a decadente indústria automotiva, lá pelo final do século 19, proliferavam, tanto nos Estados Unidos, quanto na Inglaterra, as pequenas oficinas que montavam de forma improvisada os veículos movidos a motor de explosão. Os carros vinham, então, com dois assentos, um para o condutor, outro para o mecânico. O comprador casava com o mecânico. Cada carro era único, mesmo aquele “fabricado”pela mesma oficina-montadora. Henry Ford viu isso e não se conformou. Tratou de padronizar a produção, com engenho e método. Adotando os ensinamentos cartesianos do engenheiro Frederik Taylor, funda o paradigma da produção seriada de mercadorias, revolucionando o sistema e criando a sociedade de consumo tal como a conhecemos.

A mídia brasileira não se deu conta que os paradigmas e conceitos com os quais opera estão obsoletos. Continua “fabricando automóveis” com os velhos mecânicos da manufatura artesanal.

Enquanto o Financial Times dedica uma página inteira ao pensador Slavoj Zizek, o New York Times tem como colunistas semanais, Nouriel Roubini e Paul Krugman, a TV Globo está ouvindo e dando credibilidade a Maílson da Nóbrega, velho taifeiro de terceira classe dos banqueiros tupinambás.

Coisas da vida."

*Pescado do http://www.diariogauche.blogspot.com/

Economia




Deputado Henrique Fontana elogia decisão do Copom de baixar os juros para alavancar economia

O líder do Governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), considerou "muito boa" a decisão tomada ontem pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), de baixar em 1,5 ponto percentual a taxa Selic. "É importante lembrar que o Brasil, diante da crise financeira global, tem opções como essa de reduzir os juros para alavancar a economia". Com a decisão do Copom, a taxa básica de juros passou a ser de 11,25%.

Ao ressaltar que a crise que atinge a economia de todo o planeta é resultante de "uma grande irresponsabilidade daqueles que comandam o centro das finanças", o deputado observou que o governo brasileiro está conseguindo manter investimentos, aumentar o salário mínimo, reduzir os juros e manter suas reservas internacionais.

Fator previdenciário – Henrique Fontana disse ainda que o fim do fator previdenciário – previsto no PL 3299/08, do Senado, que agora tramita na Câmara – está entre as prioridades do governo, em uma negociação mediada pelo relator, o deputado Pepe Vargas (PT-RS), com as centrais sindicais. Henrique Fontana afirmou que o governo considera injusto o fator previdenciário. "Trata-se de um mecanismo que penaliza justamente os trabalhadores que começaram a trabalhar mais cedo", criticou.

Fontana citou como base de discussão a proposta na qual trabalha Pepe Vargas, o chamado sistema 85/95. De acordo com esse cálculo, seriam somados a idade e o tempo de contribuição, de forma a alcançar o número 85 no caso das mulheres e 95 dos homens, para a obtenção da aposentadoria.

Redução da jornada – Perguntado sobre a posição do governo quanto à redução da jornada de trabalho, Fontana disse que se trata de uma boa proposta. "O governo tem de fazer um esforço enorme para preservar o emprego e a renda neste momento", declarou, ressaltando que é necessário "lembrar ao setor produtivo que o mercado interno é a grande alavanca da economia".
O líder do Governo Lula afirmou que a redução da jornada é uma medida que historicamente tem sido tomada de tempos em tempos, devido ao avanço tecnológico. "Os problemas previstos por alguns setores nunca se comprovaram, pois a economia se acomoda com essas novas regras." (Com a Agência Informes)

12 março 2009

Intervozes









CRIMINALIZAÇÃO DAS LUTAS SOCIAIS: UM PADRÃO DE COBERTURA DA MÍDIA BRASILEIRA

*Carta aberta do Intervozes

Entre o final de fevereiro e início de março, a mídia corporativa iniciou mais uma campanha contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Telejornais, jornais impressos, revistas, rádios e sites da internet pertencentes aos grandes conglomerados de mídia dedicaram-se a difundir sua indignação com os agricultores sem terra. As colunas de muitos articulistas e, especialmente, os editoriais destes veículos, transformaram-se em verdadeiros canais destiladores do preconceito e da ira.

Duas matérias veiculadas em seqüência no domingo (01/03) por um dos principais programas da TV Globo, o Fantástico, demonstram o grau de sofisticação desta campanha ideológica. Uma matéria mostrava um beneficiado pela reforma agrária tentando vender um lote que conquistou; a outra abordava o desmatamento promovido em um assentamento na Amazônia. Em meio a um turbilhão de denúncias contra o MST, seria mera coincidência a exibição de duas matérias expondo as contradições da reforma agrária – feita de forma incompleta e improvisada pelo Estado brasileiro – em um dos programas de maior audiência da TV brasileira, ainda que sem citar nominalmente o movimento? Certamente não.

A campanha da mídia é uma das muitas facetas do processo de ataque em curso contra o MST. No Rio Grande do Sul, este processo de perseguição é encabeçado pelo promotor do Ministério Público gaúcho Gilberto Thums e pela governadora Yeda Crusius (PSDB), que juntos ordenaram o fechamento de escolas do MST no início do ano letivo de 2009. Tal campanha se alimenta também das declarações da conservadora União Democrática Ruralista (UDR), do secretário de Justiça do Estado de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, e, sobretudo, do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes.

Causa espanto observar o maior chefe da Justiça brasileira aderir sem pudores à militância e ao discurso ideológico da direita brasileira. Ele cobra agilidade nas investigações dos recursos públicos destinados aos sem terra. Tal atitude, contudo, não foi verificada quando grandes empresas e fazendeiros, também beneficiados pelo dinheiro público, estiveram envolvidos direta ou indiretamente com a morte de centenas de trabalhadores rurais, sindicalistas e missionários, com a contaminação e destruição do meio ambiente, o trabalho escravo e o infantil, a expulsão de comunidades tradicionais de suas terras, a grilagem, a corrupção de políticos e de funcionários públicos. Não podemos esquecer também da benevolência e tratamento dispensado ao banqueiro Daniel Dantas, por duas vezes preso e por duas vezes solto pelo mesmo STF. Mais espanto ainda causam os meios de comunicação ao cobrirem de forma acrítica as declarações de Gilmar Mendes.

Estas articulações políticas conservadoras, às quais os grandes grupos de comunicação brasileiros estão historicamente ligados, tornam estes veículos incapazes de refletir os problemas do povo brasileiro. Todos os espaços dedicados às denúncias contra o MST tratam o tema como um caso de polícia, mas não há uma reflexão mais profunda sobre a questão agrária no Brasil, que aborde os sem terra como um problema social, herdeiros de uma dívida histórica do Estado brasileiro. Não se fala que nosso país é o segundo, em todo o mundo, em concentração de terras.

Não se fala que em um país com uma infinidade de terras férteis, milhares de brasileiros continuam a ser expulsos do campo, enquanto outros milhões ainda padecem de fome.

Não se fala que os sem terra têm nas ocupações um método de luta social para fazer avançar a reforma agrária. Não se fala que uma medida provisória que impede o repasse do Estado a cooperativas agrícolas ligadas a movimentos que ocupem terras tende a punir, na verdade, cooperados e assentados que já estão nas terras, além de atravancar o processo de reforma agrária e prestar um desserviço aos interesses do país, por impedir o desenvolvimento dos assentamentos.

Não se fala, também, que é ao redor da monocultura das grandes propriedades que se concentram as áreas de maior índice de violência no campo, fazendo do agronegócio o grande gerador de conflitos e mortes no meio rural. Por outro lado, o mesmo agronegócio, financiador assíduo da grande mídia, é exaltado como modelo de desenvolvimento.

Tão importante quanto apurar os responsáveis e circunstâncias da morte de quatro pistoleiros a serviço de fazendeiros é não deixar de noticiar e de se apurar devidamente as dezenas de mortes de sem terra, de indígenas, de quilombolas, de lutadores da reforma agrária e dos direitos humanos no campo brasileiro. É importante saber também por que as contradições da reforma agrária são tão exploradas e atacadas, e pouco se fala dos problemas gerados pelo modelo de monocultura, pela grilagem de terras, pelas milícias dos produtores rurais, pela destruição do nosso ambiente ou pela violência que reina no interior do país a mando de grandes fazendeiros.

Nós do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social acreditamos que isso acontece porque a mídia não é democrática no Brasil. Porque a comunicação no país hoje está em mãos de pouquíssimos grupos privados, cada vez mais poderosos. Porque esses grupos não possuem ligação com o povo brasileiro, com seus interesses, objetivos, sonhos e esperanças.

Para nós, a luta do povo brasileiro por seus direitos não pode mais ser criminalizada, nem pelos meios de comunicação, nem pelo Estado. Deve, ao contrário, ser entendida como uma necessidade histórica de transformações sociais há muito esperadas e adiadas em nosso país.

Infelizmente, os meios de comunicação têm se mostrado incapazes de promover uma reflexão aprofundada e um debate democrático, a partir de múltiplas visões, sobre a estrutura agrária e o modelo de desenvolvimento do país. A todos aqueles que desejam ver no Brasil uma verdadeira democracia, deixamos o convite para engrossar as fileiras do movimento pela democratização das comunicações no país – que em 2009 vivenciará a primeira Conferência Nacional sobre o tema.

*Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
Março de 2009
**Fonte: Blog Fazendo Media http://www.fazendomedia.com

11 março 2009

'Um outro modo de ser e de estar no mundo'








O que é ser zapatista

*Por Guga Dorea

"Na atual globalização o mundo está se tornando quadrado e estão atribuindo cantos às minorias indóceis. No entanto, surpresa. O mundo é redondo, e uma característica da redondeza é não ter cantos. Queremos que não existam nunca mais cantos onde se possa desfazer dos indígenas, da gente que incomoda, para escondê-la como se esconde o lixo para que ninguém veja".

Com essa entrevista, concedida pelo subcomandante Marcos ao editor da revista Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet, pretendo iniciar aqui uma série de artigos sobre os já chamados neozapatistas. Desde 1994, quando o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) deflagrou o que foi para muitos uma inesperada guerra contra o então governo monolítico do México, representado pelo Partido Revolucionário Institucional (PRI), grande parte da esquerda, não só a brasileira, entrou em um estado de alerta e de entusiasmo. Qual era o conteúdo programático de uma guerrilha que emergiu de uma hora para outra combatendo, de frente, um governo que estava no poder há mais de 70 anos e que insistia em afirmar e reafirmar o seu falso teor democrático?

Que democracia é essa que pretendiam os zapatistas? De um lado, veio a comemoração. Afinal, em um momento de crise da esquerda internacional os zapatistas teriam resgatado a idéia de revolução e transformação. Logo, e não poderia ter sido diferente, a direita rotulou o movimento zapatista de atrasado, isolado e mesmo xenófobo.

Para alguns setores da esquerda, no entanto, após o entusiasmo veio a perplexidade e preocupação. Como pensar a transformação do capitalismo sem a tomada de poder? Parafraseando o pensador John Holloway, como mudar o mundo sem tomar o poder? Logo então proclamaram: é um movimento de pavio curto, pois é exclusivamente indígena e não pertence à classe operária. Os zapatistas não passam de sociais democratas ou revisionistas, além de etnicista, disseram outros, tanto da direita, como da própria esquerda.

Nesse contexto, o "inesperado" conflito bélico, conflagrado pelos zapatistas no início de 1994, talvez tenha significado muito mais do que a simples proposição luta armada/tomada do poder de Estado, sendo essa dualidade vista em grande parte da historiografia da esquerda revolucionária como a única e inexorável forma de encontrarmos no final da linha o ideal, muitas vezes profético, do denominado socialismo.

Desde o pós-guerra, os zapatistas vêm "gritando" por justiça, democracia, liberdade e autonomia. Mas o que é, na prática, esse "grito" e como "nós" podemos "gritar" sem a necessidade de pegar em arma e nos tornar zapatistas strito senso? Como ser zapatista em nosso dia-a-dia, em nossa cidade, ou seja, em nossa resistência? E o que é, para os zapatistas, resistir?

Todas essas reflexões, e muitas outras que com certeza emergirão no caminho, são dilemas que venho questionando desde que visitei o México entre os anos de 1994 e 1995, exatamente no período em que se "comemorava" o primeiro ano do levante zapatista. Desde aquele período, todo um pulsar jamais deixou de ecoar em meu modo de ser e de pensar o mundo e a política.

É nessa perspectiva que temáticas políticas, econômicas, sociais e culturais serão tratadas daqui para frente, sempre levando em consideração a importância de se vincular a problemáticas relevantes não só para países como o Brasil, mas também para alguns dilemas enfrentados pelo homem contemporâneo, além da possível influência, nesses 15 anos de existência dos zapatistas, na já chamada nova geração de movimentos anti-sistêmicos na América Latina.

O que é, afinal de contas, o zapatismo, ou melhor, o ser zapatista? No que uma luta por justiça social travada em uma região distante pode estar relacionada ao nosso país? O que nos une é apenas a desigualdade social? Se assim for, seremos tão somente um "nós" solidário com a luta "deles"? Em linhas gerais, o intuito dos artigos será o de procurar mostrar que, na prática, a lição dos zapatistas tende a passar por um necessário redimensionamento de como "nós" habitualmente olhamos o concebido negativamente como "o diferente", sempre visto e tratado como algo menor e inferior.

Os comunicados e as lutas zapatistas, que já ecoam por vários cantos do planeta como uma voz resistente e sem fronteiras, podem pelo menos estar contribuindo para a possível quebra de um paradigma social e político, construído histórica e culturalmente, sobretudo pelo mundo ocidental, de que de um lado temos nós, os iguais, e de outro os rotulados negativamente como diferentes.

Trata-se aqui, e esse pode ser o principal ensinamento dos zapatistas, junto com sua luta política, de positivar e potencializar a diferença. E daí fortalecer a nossa própria luta por um país mais justo, livre e solidário. O EZLN, nesse contexto, pode estar nos revelando um outro modo de ser e de estar no mundo que realmente se contraponha ao cerco massificante e homogeneizante do sistema capitalista.

Esse mesmo sistema que busca se preocupar como "o diferente" apenas quando ele se predispõe a ser "incluído" em suas garras consumistas, visando tão somente o lucro e uma abertura cada vez maior para o chamado, pelo próprio Marcos, novo deus da contemporaneidade: o mercado. Vejamos, só para exemplificar, o que diz o subcomandante a esse respeito. "A estranha alquimia da globalização dos de cima conseguiu a mundialização de um novo dogma: liberação da humanidade é igual à liberação dos mercados... E, como os deuses anteriores, o mercado não caminha com racionalidades de números, estatísticas, leis de oferta e procura, cálculos financeiros. Não, o novo deus tem passo de morte e destruição, de guerra. Apesar disso, nunca irá reconhecer que está destruindo, mas sim que reparte, democraticamente, uma homogeneidade com um vaivém de identidades limitadas: comprador/vendedor. Tudo e, sobretudo, todos os que não podem ou não querem ser uma coisa ou outra, no compasso estridente e frenético do mercado são os outros".

É nesse sentido que como pesquisador do projeto Xojobil convido você agora a embarcar nessa viagem de pensarmos a realidade zapatista como uma disparadora de reflexões sobre nossos comportamentos e conceitos sobre a política e as relações sociais. Talvez possamos estar iniciando aqui uma rede de conversação sobre o que é ser zapatista e não apenas estar nos preocupando em conceituar e compreender o que é o zapatismo. Apesar da distância geográfica, como criar vínculos existenciais com o que se passa por lá? Como os zapatistas concebem, por exemplo, o ser igual e diferente na sociedade contemporânea?

Como fazer política e viver a partir da proposição "caminhar perguntando"? O que é, nesse sentido, o ato de escrever sobre o "zapatismo"? Os zapatistas são apenas um "eles" passíveis de "nossa" ajuda e solidariedade humanitária? Ou os zapatistas "somos nós"? Marcos sempre afirmou em seus comunicados que "não sou ‘eu’ e sim ‘nós’, os mortos e os vivos que lutaram e lutam nesses mais de 500 anos de injustiça, conflitos e tentativas de estabelecer diálogos com os governantes e a sociedade civil".

Marcos, nessa perspectiva, é por si só "vários". Ele, enfim, "somos todos nós". Vamos construir, juntos, o que é o ser zapatista. Caminhando e perguntando.

*Guga Dorea é jornalista, sociólogo e educador. Atualmente é pesquisador dos princípios zapatistas no projeto Xojobil.

Fonte: Correio da Cidadania

10 março 2009

Recados?!!
















Os recados de Veja


*Por Luiz Carlos Azenha

Quando a revista Veja fala que o delegado Protógenes Queiroz teria investigado a vida pessoal da ministra Dilma -- o que ele nega --, qual seria a mensagem embutida nisso?

Quando a revista Veja fala que conseguiu abrir todos os supostos arquivos encontrados em um computador do delegado, menos os nomeados "tucanos", "FHC" e "Serra", qual seria a mensagem embutida nisso?

As perguntas pressupõem que a investigação aconteceu, que os arquivos existem e contém informação cabeluda sobre os investigados. Repito: o delegado nega.

O arquivo nomeado "FHC", por exemplo, teria informações relativas ao filho que o ex-presidente da República tem com a jornalista da Globo?

Paulo Henrique Amorim especula que o frentão Serra-FHC-Globo-Gilmar Mendes-Daniel Dantas busca enfiar o filho do presidente Lula no inquérito que apura os vazamentos dos quais é acusado o delegado Protógenes Queiroz.

Com a CPI dos Grampos reanimada, seria a chance de finalmente criar o clima para derrubar Lula -- ou pelo menos enfraquecê-lo às vésperas das eleições de 2010, exatamente como aconteceu em 2006.

Qual a diferença entre 2006 e 2010? A crise econômica. Naquela época a economia ia de vento em popa e os brasileiros, ficou provado, nem deram bola para as três CPIs que exploravam o "mar de lama". Agora, no entanto, é diferente. Para contribuir com o clima de terra arrasada, temos a justa preocupação de que o Brasil está entregue, outra vez, à dupla Sarney-Collor.

Eu, por mim, teria o máximo prazer de assistir à revelação dos arquivos completos do delegado Protógenes, se eles de fato existem. E, mais ainda, me interesso muito pelo conteúdo dos HDs do Opportunity que foram mandados para a perícia nos Estados Unidos.

*Luiz Carlos Azenha é jornalista, idealizador do sítio coletivo SIVUCA e editor do blog Vi o Mundo

**Pescado do Blog Vi o Mundo

AL/RS




Veto de Yeda: Servidores realizam assembleia e vigília

Nesta terça-feira (10), os servidores públicos do Rio Grande do Sul realizam uma assembleia unificada e, em seguida, uma vigília para acompanhar a votação do veto da governadora ao projeto que abona as faltas de quem participou de greves ou de dias de paralisação no ano passado. No interior do estado serão instalados telões em locais públicos para que os servidores acompanhem o posicionamento dos parlamentares.

Os servidores começarão a chegar em Porto Alegre pela manhã. Organizada pelo Fórum dos Servidores Públicos do RS, a assembleia unificada acontece a partir das 10 horas, no Centro de Eventos do Parque Harmonia. O Fórum é composto por CPERS/Sindicato, Sindsepe, Ugeirm/Sindicato, Simpe, Sindicaixa, Semapi, Sindiágua, Sindjus, Sindet e Federação dos Bancários do RS.

(Por CPERS/Sindicato)

09 março 2009

'Veja é bandida e irresponsável'






Protógenes chama Veja de mentirosa

A seguir, o blog reproduz alguns trechos da manifestação do delegado Protógenes Queiroz (foto), da Polícia Federal, a respeito de reportagem da revista Veja, edição nº 2103, datada de 11/03/2009, mas que circulou neste final de semana, que traz como manchete principal "A tenebrosa máquina de Espionagem do Dr. Protógenes". Confira:

"Não é a primeira vez que estamos diante de fatos semelhantes publicados de forma bandida e irresponsável envolvendo situação anterior que provocou o desmantelamento do Sistema Brasileiro de Inteligência - SISBIN ( Gabinete de Segurança Institucional, Agência Brasileira de Inteligência; Inteligência das três forças militares - Marinha-Exército-Aeronáutica; Inteligência da Polícia Federal, e outros ). E aqui fica uma pergunta: A quem interessou tal fato ? Hoje vivemos num clima mercantilista corrupto em que a credibiliade de um órgão de imprensa que no passado teve sua importãncia histórica, hoje lamentávelmente constitui parte dessa engenharia política e comercial sórdida disponíveis a serviço de um poder até então não identificado, mas que possivelmente ultrapassam as nossas fronteiras."
...
"É importante afirmar que em minha residência no Rio de Janeiro não foi apreendido nenhum documento ou material, nem tampouco computador contendo dados da operação Satiagraha, conforme se comprova no auto de busca e apreensão na ocasião da diligência."
...
"Os dados cobertos pelo sigilo coletados com autorização judicial e de conhecimento do Ministério Público Federal, em nenhum momento incluiu ou revelou a participação da Exma. Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, do ex-ministro José Dirceu, do Chefe de gabinete da Presidência da República Gilberto Carvalho, do Senador Heráclito Fortes, do Senador ACM Jr., do Ministro Roberto Mangabeira Unger na investigação da Satiagraha."
...

Por fim, o delegado Protógenes Queiroz informa que vai "...ingressar com as medidas judiciais adequadas para corrigir os excessos da referida matéria mentirosa travestida de reportagem."

*Leia mais nos blogs
http://blogdoprotogenes.com.br/ (Blog do Protógenes) e http://www.paulohenriqueamorim.com.br/ (Conversa Afiada)

08 março 2009

8 de Março




No Dia Internacional da Mulher: pelo direito ao aborto, contra o obscurantismo

*Por Emir Sader

O direito jurídico à igualdade veio do direito ao voto das mulheres. Mas os passos decisivos para a emancipação feminina vieram com o divórcio, a pílula e o direito ao aborto. No seu conjunto contribuíram a que as mulheres possam dispor do seu próprio corpo e, em parte, da sua vida. Nada mais era fatal e eterno: nem o casamento, nem a gravidez, a sexualidade se separava da reprodução.

A reação conservadora teve seu epicentro nos EUA – no governo Reagan – com a criminalização do aborto. Conseguiram reverter, na opinião pública – a imagem positiva do direito ao aborto – o direito da mulher dispor do seu próprio corpo – buscando transformá-la em algo negativo: a morte do feto, com as intermináveis discussões sobre se o feto continha uma alma e colocava o movimento feminista na defensiva, tendo que se justificar. Bandos violentos passaram a atacar a médicos que faziam o aborto.

A Igreja teve papel importante e os cristãos de esquerda foram submetidos a dilemas: como religiosos, teriam que se opor ao aborto. Como militantes de esquerda – seja pelo direito da mulher, seja pelas razões sociais, de que a grande maioria os abortos são realizados por mulheres pobres, em condições que afetam perigosamente sua saúde.

A atitude da grande maioria das pessoas de esquerda foi a de separar sua fé cristã da política social e pronunciar-se pelo direito ao aborto. Até porque quem não quiser apelar para ele, tem todo o direito de não fazê-lo. O que não é possível, em um Estado democrático e laico, é cercear a todos de um direito, porque os religiosos o vetam.

Além de que ninguém, em sã consciência, recomenda que alguém faça um aborto, uma experiência inegavelmente dolorosa. Porém do que se trata é de aprovar o direito. Um direito não é um dever. Acolhe-se a ele, quem quiser. O que não pode seguir acontecendo é o cinismo de que realizam-se diariamente milhões de abortos, que é uma realidade inquestionável. Porém as mulheres de classe média e da burguesia, fazem com cuidados médicos, pagando, protegendo-se, enquanto as outras são submetidas a condições de risco grave, que costumam deixar seqüelas muito profundas.

No Brasil existe uma lei que aceita o aborto legal em alguns casos particulares. Seria necessário universalizar esse direito.

O absurdo do tema retornou nesse caso assustador, em que uma menina de 9 anos ficou grávida pela violação do seu pai, foi submetida a um aborto e a equipe médica foi excomungada pela Igreja. Uma atitude obscurantista, que nenhuma pessoa civilizada pode aceitar. Uma instituição medieval, machista, em que as mulheres são consideradas seres inferiores, quer impor seus critérios sobre o conjunto da sociedade. Os religiosos, que acreditam que devam submeter-se disciplinadamente aos ditames dessa instituição, que o façam.

A separação da Igreja do Estado é uma conquista irreversível da democracia. As razões religiosas podem orientar decisões privadas das pessoas, mas nunca definir critérios para a cidadania em sociedades democráticas e republicanas.

Que o Dia Internacional da Mulher sirva para a condenação dessa atitude obscurantista da Igreja e reforce a luta pelo direito da mulher de decidir sobre seu corpo e sobre sua vida.

*Emir Sader
é sociólogo, professor universitario, escritor, militante de esquerda
Fonte: Carta Maior

07 março 2009

Repúdio ao PIG



















'Como é que um jornal pode se dizer compromissado com os seus leitores se esconde deles parte de sua própria História?'

O Ato Público de repúdio ao editorial safado da Folha aconteceu hoje de manhã, conforme estava previsto, em frente à sede do jornal, em São Paulo. Segundo nos informa o jornalista Luiz Carlos Azenha, do blogue Vi o Mundo: "Eu diria que o protesto do Movimento dos Sem Mídia hoje de manhã, diante do prédio da Folha de S. Paulo, na rua Barão de Limeira, foi pequeno -- porém, representativo. A Polícia Militar disse que eram 65 pessoas. Eu, pessoalmente, contei 200. O Eduardo Guimarães, presidente do MSM, diz que havia 300 nomes na lista de presença e acredita que 400 pessoas compareceram.Estavam lá representantes da UNE, da UBES, de vários grupos ligados aos direitos humanos, da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, sindicalistas, parentes de vítimas da ditadura militar, integrantes de partidos políticos, do coletivo Intervozes e de várias outras entidades. O Emerson Luis, do blog Nas Retinas, montou um mini-centro de imprensa num bar das redondezas para blogar. Várias pessoas com as quais conversei viram no encontro o embrião de um movimento que pode se tornar mais abrangente, contra o revisionismo histórico que pretende definir a ditadura militar brasileira como "ditabranda" e por maior acesso público aos meios de comunicação.

Um dos melhores discursos foi feito por Ivan Seixas, ex-preso político que foi torturado ao mesmo tempo que o pai dentro da Operação Bandeirantes, o órgão formado depois de uma parceria entre empresários, policiais e o Exército. Ivan tinha 16 anos de idade quando foi preso e saiu da cadeia aos 21. O pai dele foi morto sob tortura. Ivan lembrou o que todos sabemos: que a família Frias colocou um de seus jornais -- a Folha da Tarde -- a serviço da OBAN e emprestou veículos para o transporte de presos e torturados. Ivan lembrou que Otávio Frias, o patriarca, chegou a morar no prédio do jornal uma temporada por temer represálias dos grupos de esquerda, que sabiam do envolvimento do jornal com a repressão.

Essas informações a Folha de S. Paulo nunca dividiu com os seus leitores. São esqueletos no armário de uma empresa que pretende cobrar transparência de orgãos federais, estaduais e municipais. Como é que um jornal pode se dizer compromissado com os seus leitores se esconde deles parte de sua própria História? Se não aceita responsabilidade pelo seu passado? Como é que um jornal pode dar apoio material a uma ditadura militar e se dizer defensor da democracia? Ivan sugeriu um pedido formal de desculpas da Folha àqueles que sofreram consequências diretas da aliança entre a empresa e a ditadura militar.

Egmar José de Oliveira, conselheiro da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, informou aos presentes que em breve deverá ser iniciada uma pesquisa nos arquivos para identificar os empresários-financiadores da Operação Bandeirantes, cuja implantação completa 40 anos em julho próximo. A OBAN serviu de modelo para a posterior implantação dos DOI-CODI, os centros de tortura do regime". (...)

* Mais informações nos blogues Vi o Mundo, Cidadania.com, Nas Retinas e Dialógico, que realizaram excelente cobertura - em tempo real - do Ato realizado hoje em São Paulo.

**PIG: Partido da Imprensa Golpista

06 março 2009

'Chegou a hora da verdade'...









Presidente Lula defende fortalecimento do Estado

O presidente Lula defendeu ontem, durante seminário sobre a crise internacional no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o fortalecimento do Estado, a regulamentação do sistema financeiro e os investimentos sociais como ferramentas para a recuperação econômica dos países. "Chegou a hora da verdade e da política. Não tem contemporização. Agora é hora de a gente aproveitar a crise e fazer o que não tivemos coragem de fazer nos últimos 20 anos", afirmou.

Lula defendeu a política social do governo e disse que programas como o Bolsa Família e o Luz para Todos, entre outros, contribuíram para o aumento, no mercado interno, do poder aquisitivo das classes mais pobres da população. A uma platéia formada por empresários, ministros e economistas do exterior, Lula disse que a teoria do Estado mínimo e do Estado como estorvo ao desenvolvimento não se confirmou. "Estou convencido de que a saída para esta crise só acontecerá se os governantes do mundo assumirem o papel de governantes de seus países", disse.

O presidente criticou o receituário neoliberal de gestões anteriores e que, mesmo após o fracasso dessa visão, ainda é defendido como saída por setores da oposição e da mídia. "Muitos chegaram até a falar em choque de gestão. Mas aqui no Brasil, no nosso governo, nunca falamos em choque de gestão. E ainda assim, a dívida líquida do setor público caiu de 57% para 36% do PIB", afirmou Lula.

O presidente disse ainda que instituições federais de crédito do País aumentaram os volumes para o financiamento. Dados apresentados pelo presidente mostram que a Caixa Econômica Federal, nos dois primeiros meses deste ano, disponibilizou um total de crédito de R$ 1,9 bilhão e, no mesmo período do ano passado, o valor foi de cerca de R$ 1 bilhão.

O presidente ressaltou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em seu governo, voltou a ser um banco direcionado para o desenvolvimento. Para 2009, de acordo com ele, o banco de fomento disponibilizará R$ 100 bilhões para garantir o crédito para o capital de giro das empresas que estão fazendo investimentos em infraestrutura. (Ag. Informes)

O PIG NÃO TEM JEITO...






Tarso:’Manchete do jornal é arbitrária e manipuladora’

Saiu no Blog do Mello: De que jornal será que o ministro Tarso Genro está falando? Dou-lhe uma, dou-lhe duas...Ninguém precisa consultar os universitários, Silvio, todo mundo sabe que só pode ser O Globo, o jornal que é golpista há mais de 50 anos:

Logo após a divulgação do suicídio de Getúlio, há quase 55 anos, “caminhões de entrega do jornal oposicionista O Globo foram queimados pela multidão enfurecida” (“Brasil: de Getúlio a Castelo”, Thomas Skidmore, pg.180).

E qual era a manchete a que o ministro se referia no título desta postagem? Esta aqui reproduzida ao lado, que mostra a primeira página de O Globo do dia 3 de março, anteontem. “Lula ataca MST por mortes; Tarso diz que foi só ‘arrojo’”. Era a manchete do dia. E mentirosa, como afirmou o ministro e O Globo teve que engolir.
Ontem, escondidinho na página 12, sem destaque, o jornal publicou o desmentido, sob o seguinte título: “Tarso Genro alega que não falou sobre crimes”.

Como assim, “alega”? Quem alega está na defensiva, se explica, se justifica, e o ministro não alegou nada, o ministro desmentiu a manchete e a reportagem e afirmou o seguinte, em nota:

“Informo que em nenhum momento, por nenhum jornalista, me foi perguntado sobre homicídios que teriam sido cometidos por integrantes do MST em Pernambuco, cuja elucidação e julgamento são de esfera estadual. A vinculação feita pela manchete do jornal é arbitrária e manipuladora, visto que as perguntas que me foram formuladas pela imprensa versavam sobre a atuação dos movimentos sociais no Brasil e sobre a reforma agrária e, ainda, sobre o uso da Força Nacional de Segurança em casos como o de Pernambuco”.

É por isso que não me conformo quando certos jornalistas afirmam que o PIG é uma invenção da blogosfera, coisa de gente sem imaginação – ou com imaginação demais. A mídia é golpista, sim, e não é de hoje. Houve a pressão que levou ao suicídio de Getúlio, ao golpe de 1964, houve a eleição de Collor, a manipulação das eleições de 2006, com o caso dos aloprados, o “caos aéreo”, a “epidemia de febre amarela”... Precisa mais?

A onda agora é a ditabranda, que ainda não foi comprada por toda a mídia. Mas é questão de tempo, se não ficarmos atentos, se não cobrarmos e desmascararmos essa tentativa de fraude histórica que se está desenhando.

Fonte: Blog do Mello http://blogdomello.blogspot.com/

05 março 2009

As provas, digo, 'os filmes'...
















*Charge do KAYSER

'Mulheres Fazendo Arte'








CONVITE

O gabinete da deputada Stela Farias (PT) está realizando desde o dia 02 de março, das 8h30min às 18h30min, a exposição "Mulheres Fazendo Arte" no Hall da Assembléia Legislativa (Praça Marechal Deodoro, 101). A atividade é alusiva ao Dia Internacional da Mulher – 8 de março.

A exposição reúne o trabalho das artistas de Montenegro, Cíntia Freitas, Rosemar Campos, Simone Schäffer e Suzete Garcez, produzido a partir da temática da autonomia feminina. As obras foram realizadas no atelier Oficina do Artesanato, que reúne as artistas. Foram utilizadas técnicas de textura sobre tela, pintura em porongo e madeira, modelagem em papel machê, decoupage e colagem sobre tecido.

A mostra retrata mulheres que fizeram história, como Frida Kahlo, Simone de Beauvoir, Pagu, Lila Ripoll, Camille Claudel, Lélia Gonzalez, Felipa de Souza entre outras personalidades femininas. (Assessoria de Imprensa)

04 março 2009

Em defesa do povo trabalhador




Propostas para enfrentar a crise

A bancada petista apresentou as suas 22 sugestões em defesa do povo e da economia do Rio Grande à Central Única de Trabalhadores e a federações de trabalhadores na manhã desta terça-feira (3), durante café da manhã, na sede da CUT, em Porto Alegre. As entidades consideram positiva a iniciativa da bancada petista, se comprometeram a aprofundar o debate sobre o colapso do capitalismo e revelaram que se engajarão nas agendas da Assembléia Legislativa. Às 17h, o PT levará suas propostas aos dirigentes da Federasul. A idéia é ampliar a discussão em todo o estado. As sugestões foram lançadas em 18 de fevereiro e, no dia seguinte, repassadas ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ivar Pavan, que elegeu o tema como prioridade das ações do Parlamento.

“O governo estadual não apresentou nenhuma medida concreta para enfrentar o reflexo da crise financeira mundial no Rio Grande do Sul. Apenas requentou anúncios já feitos”, pontuou Elvino Bohn Gass. Ele salienta que os R$ 700 milhões para obras em rodovias integram o orçamento para 2009 e foram aprovados pela Assembleia no ano passado. Além disso, observou que o reajuste anunciado pelo Executivo não se trata de aumento para a Brigada Militar. “Ocorreu apenas um reajuste para evitar ingresso na justiça por parte destes servidores”, esclareceu.

O presidente da CUT, Celso Woyciechowski, disse que socializará com os trabalhadores as 22 medidas do PT, buscando alinhavar um projeto consistente de alternativas já que o governo estadual não tem propostas concretas e se limita a investir em publicidade para minimizar os efeitos da crise. “A partir destas sugestões, os trabalhadores pressionarão o governo Yeda Crusius para agir de fato e preservar a economia gaúcha”, adiantou. A CUT fará uma cartilha que analisará com maior rigor a crise do capitalismo e quer saber quanto a governadora gastará na campanha de publicidade.

Representando o presidente do Parlamento Estadual, o superintendente-geral da Casa, João Motta, disse que o debate será levado à Expofeira, em Não-me-Toque. Também haverá reuniões em Caxias do Sul e em Pelotas. Além disso, está prevista uma audiência pública em Porto Alegre com a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Para o deputado Adão Villaverde, a governadora não propôs nenhuma ação estruturante para rebater as finanças públicas que ela mesma desmonta. Ele considera fundamental a construção conjunta de soluções. Já o deputado Raul Pont defende que, simultaneamente à divulgação das 22 medidas, seja feito um debate de maior fôlego sobre o sistema capitalista. O deputado Dionilso Marcon esteve representado no encontro pelo seu chefe de gabinete. CUT e PT voltam a discutir o tema em 30 dias.

Propostas do PT

Em seu Plano, o PT propõe retomar o Simples gaúcho com redução das alíquotas das pequenas empresas no mesmo patamar vigente até junho de 2007; manter os benefícios fiscais para a agropecuária até 31 de dezembro de 2009 e conceder benefícios temporários para os setores mais atingidos pela crise e comprometidos com a manutenção dos empregos. Também constam da proposta a liberação de créditos de exportação e a dilatação do prazo de recolhimento do ICMS.

O PT quer ainda que o governo tucano antecipe o reembolso do ICMS pago na compra de máquinas e equipamentos para a produção e ainda suspenda o Fundopem das empresas que estão demitindo trabalhadores. “Isto é fundamental. O governo concede recursos públicos a empresas que desrespeitam os contratos e demitem”, diz o líder da bancada, deputado Elvino Bohn Gass. E como condição para prorrogar o Fundopem, o PT propõe a geração de novos empregos e a ampliação da produção. E mais, exige do governo estadual transparência nos contratos e nos benefícios usufruídos pelas empresas.

Conceder programas especiais de créditos a médias, pequenas e micro empresas e cooperativas são ações que integram o Plano dos petistas. A exemplo do governo Lula, que aquece a construção civil com a construção de um milhão de moradias, os deputados petistas sugerem ao governo tucano a adoção de linhas especiais para financiamento da habitação popular. Também defendem o apoio à safra de trigo 2009/2010 para duplicar a área de plantio, gerar 66 mil novos empregos e injetar mais de R$ 1 bilhão na economia gaúcha.

Devido ao êxito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a bancada do PT estimula a criação de um PAC estadual e está convencida da importância de antecipar o reajuste do piso regional para fevereiro. Bohn Gass cita os reflexos positivos na economia brasileira decorrentes da antecipação do pagamento do salário mínimo nacional e de seu aumento acima da inflação. Os petistas também defendem um programa que garanta renda e proteja o trabalho.

Seca

“Além da crise, tem o problema da seca”, observou Bohn Gass. Os petistas têm propostas para combater os efeitos da estiagem que castiga o solo gaúcho e cobram do governo estadual a execução de recursos. Segundo o líder, em 2008, apenas 2,5% dos recursos orçamentários para a irrigação foram executados. Por considerar insuficiente o programa de irrigação, a bancada do PT quer a ampliação da construção de açudes e de cisternas. Defende também a criação de linha de financiamento para equipamentos de irrigação e a implantação do troca-troca de sementes de forrageiras. O objetivo é recuperar a bacia leiteira. Os petistas também consideram fundamental tornar obrigatório o seguro agrícola estadual, vinculado ao troca-troca de sementes de milho. Conforme estimativas do líder da bancada, esta medida beneficiaria 150 mil famílias.(Por Stella Máris Valenzuela, do sítio PT/Sul).

03 março 2009

Resposta à Folha








'Quem é atrelado a quem, caras-pálidas?'


*Por William Mendes

A Folha de São Paulo estampa neste domingo em sua capa crítica ao movimento sindical, destacando que há despreparo dos representantes dos trabalhadores e atrelamento da CUT ao governo. É engraçado! Quem é atrelado a quem?

A CUT e seus sindicatos não aceitam esse conhecido estratagema da elite mancomunada com os empresários da mídia para tentar alienar a classe trabalhadora sobre quem representa quem nos dois lados do embate entre capital e trabalho.

Chega de mentiras e ilações plantadas pela direita, pelos empresários e seus asseclas da grande imprensa.

Quem é a Folha de São Paulo para falar de movimento sindical, principalmente da CUT? Quem essa família Frias pensa que é?

Por acaso, esse jornalão de empresários paulistas é o mesmo que dias atrás abriu a maior polêmica com os movimentos de direitos humanos e pessoas de bem do país ao querer reescrever a história recente do Brasil e chamar a ditadura militar de "ditabranda".

Com certeza, nenhum parente ou agregado da família Frias foi vítima da "ditabranda" que "matou menos" que as outras. Aliás, no período da ditadura militar brasileira, a Folha fez foi crescer. Estranho, não?

Existe uma luta de classes em andamento, como sempre houve.

Mais que isso, existe uma disputa de projeto de hegemonia para o Brasil e a América Latina, que se dará daqui a 18 meses, quando teremos eleições presidenciais no país, que hoje é referência para o "primeiro" mundo, em crise muito mais grave que a nossa.

A grande mídia dos empresários está indignada pelo fato de a CUT não ter cedido à ladainha bem orquestrada de redução de salários, pautada insistentemente por Globo, Editora Abril e jornalões. Apoiada, infelizmente, pela Força Sindical, criada no início da década de 90 para isso mesmo.

É evidente que em momentos de crise as diferenças de princípios afloram entre os diversos matizes do movimento sindical.

A CUT chamou a classe trabalhadora à unidade desde sua criação e não foi diferente durante os últimos anos, em que avançamos em diversas conquistas para o povo brasileiro como a política de aumento do salário mínimo, que é uma das grandes responsáveis pelo aumento da renda do trabalho e pelo crescimento interno brasileiro, que fez com que o Brasil sentisse de forma menos intensa a crise financeira internacional que está levando vários países à bancarrota.

Quando a Força Sindical aceitou de cara a redução de salários proposta pelos capitalistas, a CUT se apresentou dizendo não e mudando a pauta até então imposta pela grande imprensa. E organizou os trabalhadores para o enfrentamento, além de cobrar sim dos governos que exigissem contrapartidas sociais aos setores beneficiados pelos pacotes anticrises e benefícios fiscais.

A CUT e seus sindicatos seguirão lutando pela manutenção do emprego e do salário e por aumento real, porque foi essa política que distribuiu renda e fez com que o Brasil crescesse nos últimos seis anos, inclusive o setor empresarial, que não enxerga um palmo à frente do nariz, pois cortar emprego e salário é cortar consumo e cortar consumo é reduzir os ganhos das empresas e o ciclo da renda produtiva no país.

Agora, quanto a quem está atrelado a quem, basta ver alguns fatos não muito divulgados para perceber. Leia um pouco sobre o PSDB e José Serra enchendo os cofres da Editora Abril com dinheiro público em blogs do Paulo Henrique Amorim e Luís Nassif, http://www.paulohenriqueamorim.com.br/e http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/.

É evidente que as publicações da Abril, como Revista Veja, e outras tranqueiras não vão falar mal e contra o que pensa esses senhores feudais paulistas. O que dizer então do Estadão, que foi favorável ao golpe militar em 64? Alguém da classe trabalhadora pode se basear em informações da Folha "ditabranda"?E a Rede Marinhos Globo e William Bonner, que diz ser o povo brasileiro um monte de Homer Simpson, o simplório e simpático cidadão cabeça-vazia?

Trabalhadores e povo brasileiro, uni-vos contra os falsos formadores de opinião, paus-mandados do capital!

*William Mendes
é secretário de Imprensa da Contraf-CUT (Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro)

** Do sítio da CUT/Nacional - http://www.cut.org.br/

02 março 2009

'A estupidez da FSP'










'Ditabranda' para quem?

*Por Maria Victoria Benevides

Quase ninguém lê editorial de jornais, mas quase todos leem a seção de cartas. E foi assim que tudo começou. Os fatos: a Folha de S.Paulo, em editorial de 17/2, aplica a expressão “ditabranda” ao regime militar que prendeu, torturou, estuprou e assassinou. O primeiro leitor que escreve protestando recebe uma resposta pífia; a partir daí, multiplicam-se as cartas: as dos indignados e as dos que ainda defendem a ditadura. Normal.

Mas eis que chegam a carta do professor Fábio Konder Comparato e a minha: “Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de ‘ditabranda’? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar ‘importâncias’ e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi ‘doce’ se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala – que horror!” (esta escriba). “O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17/2, bem como o diretor que o aprovou, deveria ser condenado a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana” (Prof. Fábio).

As cartas são publicadas acompanhadas da seguinte Nota da Redação – “A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua ‘indignação’ é obviamente ‘cínica e mentirosa’.”

Pronto. Como disseram vários comentaristas, a Folha mostrou a sua cara e acabou dando um tiro no pé. Choveram cartas para o ombudsman do jornal – que se limitou a escrever, quase clandestino, que a resposta pecara por falta de “cordialidade”. Um manifesto de repúdio ao jornal e de solidariedade, organizado pelo professor Caio Navarro de Toledo, da Unicamp – com a primeira adesão de Antonio Candido, Margarida Genevois e Goffredo da Silva Telles – passa imediatamente a circular na internet e, apesar do carnaval, conta com mais de 3 mil assinaturas. Neste, depoimentos veementes de acadêmicos, jornalistas (inclusive nota do sindicato paulista), artistas, estudantes, professores do ensino fundamental e médio, além de blogs. Vítimas da repressão escrevem relatos de suas experiências e até enviam fotos terríveis. A maioria lembra, também, o papel da empresa Folha da Manhã na colaboração com a famigerada Oban.

O que explica essa inacreditável estupidez da Folha?

A meu ver, três pontos devem ser levantados: 1. A combativa atuação do advogado Comparato para impedir que os torturadores permaneçam “anistiados” (atenção: o caso será julgado em breve no STF!). 2. O insidioso revisionismo histórico, com certos acadêmicos, políticos e jornalistas, a quem não interessa a campanha pelo “Direito à Memória e à Verdade”. 3. A possível derrota eleitoral do esquema PSDB-DEM, em 2010. (Um quarto ponto fica para “divã de analista”: os termos da nota – não assinada – revelam raiva e rancor, extrapolando a mais elementar ética jornalística.)

Dessa experiência, para mim inédita, ficou uma reflexão dolorosa, provocada pela jornalista Elaine Tavares, do blog cearense Bodega Cultural, que reclama: “Sempre me causou espécie ver a intelectualidade de esquerda render-se ao feitiço da Folha, que insistia em dizer que era o ‘mais democrático’ ou que ‘pelo menos abria um espaço para a diferença’. Ora, o jornal dos Frias pode ser comparado à velha historinha do lobo que estudou na França e voltou querendo ser amigo das ovelhas. Tanto insistiu que elas foram visitá-lo. Então, já dentro da casa do lobo ele as comeu. Uma delas, moribunda, lamentou: ‘Mas você disse que tinha mudado’... E ele, sincero: ‘Eu mudei, mas não há como mudar os hábitos alimentares’. E assim é com a Folha (...). São os hábitos alimentares”.

O que fazer? Muito. Há a imprensa independente, como esta CartaCapital. Há a internet. Há todo um movimento pela democratização da informação e da comunicação. Há a luta – que sabemos constante – pela justiça, pela verdade, pela república, pela democracia. Onde quer que estejamos.

*Maria Victoria Benevides (foto) é socióloga com especialização em Ciências Políticas e professora titular da Faculdade de Educação da USP

** Artigo escrito originalmente na revista Carta Capital

01 março 2009

4 Poemas de Augusto dos Anjos








A máscara

Eu sei que há muito pranto na existência,
Dores que ferem corações de pedra,
E onde a vida borbulha e o sangue medra,
Aí existe a mágoa em sua essência.

No delírio, porém, da febre ardente
Da ventura fugaz e transitória
O peito rompe a capa tormentória
Para sorrindo palpitar contente.

Assim a turba inconsciente passa,
Muitos que esgotam do prazer a taça
Sentem no peito a dor indefinida.

E entre a mágoa que masc’ra eterna apouca
A humanidade ri-se e ri-se louca
No carnaval intérmino da vida.

...

A dança da psiquê

A dança dos encéfalos acesos
Começa. A carne é fogo. A alma arde. A espaços
As cabeças, as mãos, os pés e os braços
Tombara, cedendo à ação de ignotos pesos!

É então que a vaga dos instintos presos
— Mãe de esterilidades e cansaços —
Atira os pensamentos mais devassos
Contra os ossos cranianos indefesos.

Subitamente a cerebral coréa
Pára. O cosmos sintético da Idéa
Surge. Emoções extraordinárias sinto...

Arranco do meu crânio as nebulosas.
E acho um feixe de forças prodigiosas
Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!

...

Vítima do dualismo

Ser miserável dentre os miseráveis
— Carrego em minhas células sombrias
Antagonismos irreconciliáveis
E as mais opostas idiosincrasias!

Muito mais cedo do que o imagináveis
Eis-vos, minha alma, enfim, dada às bravias
Cóleras dos dualismos implacáveis
E à gula negra das antinomias!

Psiquê biforme, o Céu e o Inferno absorvo...
Criação a um tempo escura e cor-de-rosa,
Feita dos mais variáveis elementos,

Ceva-se em minha carne, como um corvo,
A simultaneidade ultramonstruosa
De todos os contrastes famulentos!

...

A esperança

A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?

Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro - avança!

E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da morte a me bradar: descansa!

Augusto dos Anjos

*Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884/1914), poeta brasileiro simbolista, nasceu no engenho Pau d'Arco, no município de Cruz do Espírito Santo, estado da Paraíba. Foi professor e bacharel em Direito. É também considerado por muitos críticos como um poeta 'pré-moderno'.